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UC · Unidade de Competência · UC04033

Sebenta · Montar e executar soldadura MAG/FF, ângulo em chapa nas posições PA, PB, PF e PG em aços temperados e revenidos

Fio fluxado com gás de proteção (processo 136), variáveis do processo e controlo metalúrgico de aços de alta resistência
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Fabrico de Componentes ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta ensina a montar e executar soldadura MAG/FF, ou seja, soldadura por arco elétrico com fio fluxado tubular (FCW) e proteção gasosa ativa, processo 136 da nomenclatura EN ISO 4063. É uma das três UCs de soldadura por arco do curso, a par do SER (elétrodo revestido) e do TIG; esta é especificamente sobre fio fluxado com gás, nunca sobre elétrodo revestido ou tungsténio.

O objeto concreto é a junta de ângulo em T, em chapa, nas posições PA, PB, PF e PG, aplicada a aços temperados e revenidos: aços de alta resistência mecânica, sensíveis ao calor introduzido pela soldadura, usados em estruturas metálicas pesadas, gruas e equipamento de movimentação de terras. A escolha destes aços não é acessória: é o que distingue esta UC de um MAG/FF genérico, porque obriga a controlar o aporte térmico, o pré-aquecimento e a temperatura entre passes com um rigor que um aço macio comum não exige.

Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar as especificações dos procedimentos de soldadura e a documentação técnica; estabelecer as sequências de operações no posto de trabalho e de fabrico; e executar juntas soldadas para as especificações pretendidas, dominando os consumíveis, as variáveis de processo, a técnica operatória nas quatro posições, a inspeção visual e a manutenção do equipamento.

1. O processo 136: fio fluxado com gás de proteção

O MAG/FF designa a soldadura por arco elétrico com fio fluxado (Flux Cored Wire, FCW) protegida por um gás ativo externo, o processo 136 na EN ISO 4063 (Flux Cored Arc Welding, Gas-shielded, FCAW-G).

O fio é um tubo metálico fino, enrolado a partir de uma fita, com um núcleo de fluxo em pó no interior:

Não confundir com o processo 114 (fio fluxado autoprotegido, sem gás externo, usado em obra ao ar livre com vento) nem com o processo 138 (fio de núcleo metálico, sem formação de escória). Esta UC é sempre e só sobre o 136: fio fluxado com gás de proteção.

Porque se escolhe o FCAW-G em construção metálica

O FCAW-G junta a produtividade do fio contínuo (sem trocar elétrodos, como no MAG com fio maciço) com a qualidade metalúrgica que a escória proporciona, semelhante à do elétrodo revestido:

2. Documentação técnica e a especificação do procedimento (EPS)

Antes de acender o arco, o soldador analisa a documentação técnica, a primeira realização do referencial desta UC.

Documento O que fixa
Desenho técnico geometria da junta, cotas, símbolo de soldadura, dimensão do cordão
EPS/WPS (EN ISO 15609-1) processo (136), consumível, gás, posição, parâmetros elétricos, pré-aquecimento, temperatura entre passes
Certificado do material de base composição química e propriedades mecânicas reais do lote de chapa
Certificado do material de adição composição química e classificação real do lote de fio fluxado

A Especificação do Procedimento de Soldadura (EPS), seguindo a EN ISO 15609-1, é o documento central: define de forma vinculativa todos os parâmetros que garantem que a soldadura executada tem as propriedades exigidas ao componente. O soldador que ignora a EPS não está apenas a improvisar, está a produzir uma junta cujas propriedades deixaram de estar garantidas.

Ligado a isto está a qualificação do soldador, conforme a EN ISO 9606-1: o soldador só está autorizado a executar o processo, o material e as posições em que foi qualificado. Um soldador qualificado em PA e PF não pode, sem nova qualificação, assinar como responsável por um cordão em PG.

Estabelecer a sequência de operações

A segunda realização do referencial é estabelecer a sequência de operações no posto de trabalho e no fabrico:

3. Consumíveis: o fio fluxado (EN ISO 17632)

A EN ISO 17632 classifica os fios fluxados tubulares para aços não ligados e de grão fino, definindo a resistência mecânica do metal depositado, a composição do gás de ensaio e o tipo de escória.

Tipos de escória: rutilo vs básico

Tipo Arco e projeções Escória Hidrogénio difusível Uso típico
Rutilo suave, poucas projeções fácil de remover, autodestacável mais elevado uso geral, todas as posições
Básico mais penetrante mais aderente, remoção cuidada mais baixo aços de alta resistência, aços temperados e revenidos

Um fio fluxado rutilo dá um cordão liso e é fácil de escoriar, ideal para produção corrente em aço macio. Já num chassis de grua em aço temperado e revenido, a EPS prescreve quase sempre um fio básico de baixo hidrogénio, mesmo sabendo que a escória exige limpeza mais cuidada entre passes: a prioridade passa a ser reduzir o risco de fissuração a frio (capítulo 6), não a facilidade de uso.

Acondicionamento e escorificação

4. Gases de proteção ativos (EN ISO 14175)

No processo 136 o gás de proteção é sempre ativo: participa quimicamente no arco e no banho, ao contrário dos gases inertes usados no TIG.

Gás Classificação EN ISO 14175 Penetração Projeções Aspeto do cordão
CO2 puro C1 maior, mais profunda mais projeções mais convexo, mais rugoso
Ar + 15-20% CO2 M21 boa, mais controlada poucas projeções liso, bem molhado, favorece o spray

O CO2 puro dissocia-se no calor do arco e liberta oxigénio, o que aumenta a penetração central mas torna o arco mais instável e gerador de projeções. A mistura Ar+CO2 (M21), a mais comum em fabrico com fio fluxado, dá um arco mais estável, um cordão mais estético e permite atingir transferência spray em chapa espessa (capítulo 5).

O caudal de gás típico ronda os 15 a 20 l/min. Caudal insuficiente não protege o banho; caudal excessivo cria turbulência que suga ar para dentro da zona protegida, com o mesmo efeito final: porosidade.

A proteção gasosa só funciona sem perturbações. Correntes de ar (janelas, ventoinhas, vento em estaleiro) arrastam o gás e deixam o banho exposto ao ar antes de solidificar, causando porosidade. É a principal fragilidade do MAG/FF face ao SER ou ao fio fluxado autoprotegido, mais tolerantes ao vento. Usa-se écran/biombo de proteção sempre que há corrente de ar.

5. Variáveis do processo

Tensão, VAF e intensidade

O equipamento MAG/FF é de tensão constante. O soldador regula a tensão e a velocidade de alimentação do fio (VAF); a intensidade resulta desse par, num efeito autorregulador do arco.

Stick-out e indutância

Exemplo resolvido · ler o arco

Um soldador nota que o cordão de ensaio projeta em excesso e o som do arco é irregular, "estala" sem constância. As causas mais prováveis, por ordem de verificação: (1) desequilíbrio entre tensão e VAF, provavelmente tensão baixa para a VAF escolhida; (2) gás CO2 puro sem mistura, que por natureza projeta mais; (3) indutância baixa demais para o tipo de transferência. A correção começa por reajustar a tensão dentro da janela recomendada pelo fabricante do fio, e só depois, se persistir, rever gás e indutância.

6. Modos de transferência metálica

Modo Energia Estabilidade Posições possíveis
Curto-circuito baixa boa, banho pequeno e controlável PA, PB, PF, PG (todas)
Globular intermédia instável, muitas projeções nenhuma (regime a evitar)
Spray alta muito boa, poucas projeções, banho grande apenas PA e PB

7. Equipamentos e acessórios

Componente Função Ponto de atenção
Fonte de tensão constante fornece corrente contínua, normalmente CC+ polaridade correta para penetração e estabilidade
Devanadeira/alimentador impõe a VAF roletos com perfil próprio para fio tubular (nunca roletos em V de fio maciço, que esmagam o fio)
Tocha (porta-elétrodo) conduz fio, corrente e gás até ao arco bocal de contacto, difusor e bico de gás, todos consumíveis de desgaste
Mangueiras ligam tocha, devanadeira, fonte e garrafa de gás verificar fugas e ligações
Rebarbadora acabamento e preparação de bordos remoção de escória aderente sem danificar o metal base

O bocal de contacto desgasta-se e alarga com o uso, aumentando o stick-out efetivo de forma descontrolada; o difusor de gás obstruído por projeções cria turbulência e porosidade; o bico de gás acumula respingos e deve ser limpo com regularidade. A inspeção destas peças faz parte da rotina diária do posto de trabalho, antes de qualquer soldadura de produção.

8. Parametrizar o equipamento

Exemplo resolvido · sequência de parametrização

Antes de soldar um cordão de ângulo em T, aço temperado e revenido, espessura 10 mm, posição PA, a EPS indica: fio fluxado básico Ø 1,2 mm, gás M21 (Ar+18%CO2), 26-29 V, VAF correspondente a 200-230 A, caudal de gás 18 l/min.

  1. Confirmar na EPS o processo (136), o fio, o gás e a posição.
  2. Montar roletos e bocal de contacto para Ø 1,2 mm de fio tubular.
  3. Abrir o gás a 18 l/min e verificar estanquidade das ligações.
  4. Ajustar VAF e tensão dentro da gama 26-29 V / 200-230 A.
  5. Regular a indutância para um arco estável em curto-circuito ou spray, consoante o passe.
  6. Soldar um cordão de ensaio em sucata do mesmo lote e espessura, e só depois soldar a peça real.

Ler o arco: sinais de parâmetros corretos

Sinal observado Parâmetro provavelmente a corrigir
Som agudo e irregular, muitas projeções tensão baixa ou desequilíbrio VAF/tensão
Arco longo, cordão largo e achatado tensão alta demais
Penetração excessiva, reforço grande VAF/intensidade alta demais
Cordão estreito, mal molhado, falta de fusão nas laterais VAF/intensidade baixa demais, ou ângulo de tocha incorreto

9. Aços temperados e revenidos: o que muda na soldadura

Os aços temperados e revenidos recebem um tratamento térmico prévio: a têmpera (aquecimento e arrefecimento rápido, gerando estrutura martensítica dura) seguida do revenido (reaquecimento controlado a temperatura moderada, que reduz a fragilidade e ajusta a dureza final). O resultado é um aço de alta resistência mecânica e boa tenacidade, usado em estruturas metálicas pesadas, gruas e equipamento de movimentação de terras.

A soldadura reintroduz calor localmente, e este calor pode desfazer o equilíbrio metalúrgico que o tratamento térmico criou. Dois riscos, opostos entre si, dominam a soldadura destes aços:

Amaciamento da zona termicamente afetada (ZTA): um aporte térmico excessivo sobreaquece a ZTA além da temperatura original de revenido, reduzindo localmente a dureza e a resistência da junta.

Fissuração a frio (fissuração por hidrogénio): surge horas ou dias depois de soldar, quando coexistem hidrogénio difusível no cordão, microestrutura dura de arrefecimento rápido e tensões residuais. Um aporte térmico insuficiente e um arrefecimento demasiado rápido aumentam este risco.

O objetivo da EPS é definir uma janela de aporte térmico (mínimo e máximo) que evite os dois riscos em simultâneo, nunca maximizar ou minimizar um extremo sem olhar ao outro.

10. Aporte térmico, pré-aquecimento e temperatura entre passes

O aporte térmico (heat input, em kJ/mm) quantifica a energia introduzida por unidade de comprimento de cordão:

Q (kJ/mm) = η × V × I × 60 / (1000 × v)

Onde V é a tensão (V), I a intensidade (A), v a velocidade de soldadura (mm/min) e η o rendimento térmico do processo (≈ 0,8 para MAG/FF).

Exemplo resolvido · calcular e verificar o aporte térmico

Tensão 28 V, intensidade 220 A, velocidade de soldadura 350 mm/min:

Q = 0,8 × 28 × 220 × 60 / (1000 × 350) = 295.680 / 350.000 ≈ 0,845 kJ/mm.

Se a EPS exigir um aporte entre 0,7 e 1,2 kJ/mm, este cordão está dentro da janela. Se a velocidade de soldadura descesse para 200 mm/min (soldador mais lento, com os mesmos V e I), o aporte subiria para cerca de 1,48 kJ/mm, já fora da janela e a arriscar amaciamento da ZTA.

Pré-aquecimento e temperatura entre passes

11. Preparar a junta em ângulo (T) e sequenciar os passes

O referencial centra-se na junta de ângulo em T (uma chapa perpendicular a outra), soldada com cordão de ângulo (filete), em espessuras entre 6 e 13 mm.

Preparação

Monopasse vs multipasse

12. As quatro posições: PA, PB, PF e PG (EN ISO 6947)

A EN ISO 6947 define as posições de soldadura pela orientação da peça e do cordão:

Posição Nome Orientação Efeito da gravidade sobre o banho
PA Plana (ao baixo) cordão horizontal, soldador por cima a favor, a mais favorável
PB Horizontal em ângulo junta em T horizontal tende a puxar o banho para a chapa inferior
PF Vertical ascendente progressão de baixo para cima opõe-se ao banho, que só se segura pela tensão superficial e pela prateleira já solidificada abaixo
PG Vertical descendente progressão de cima para baixo empurra o banho à frente do arco

Cada posição exige ajuste de parâmetros e de técnica:

Técnica operatória comum às quatro posições

13. A posição PG: vertical descendente

A PG é a particularidade mais delicada desta UC. O soldador progride de cima para baixo, e a gravidade empurra o banho à frente do arco. Na PF (ascendente) a gravidade também joga contra, mas de outra maneira: puxa o banho para baixo, e o que o segura é a tensão superficial mais a prateleira de metal já solidificado imediatamente abaixo do arco, que serve de apoio ao cordão que se vai construindo.

Se o banho avançar mais depressa do que o arco funde a raiz da junta, o metal fundido cobre a zona ainda por fundir, criando falta de fusão oculta sob um cordão de aspeto aceitável. Este defeito pode não ser visível à inspeção visual, só surgindo em ensaio não destrutivo (radiografia ou ultrassons).

Técnica correta em PG

Exemplo resolvido · diagnosticar um erro em PG

Um cordão de ângulo em T, soldado em PG, aprova na inspeção visual (aspeto liso, sem poros à superfície), mas é reprovado em ultrassons por falta de fusão lateral. O que aconteceu, provavelmente?

Resolução: o soldador terá progredido devagar demais, com a mesma cadência da PF. O banho, empurrado pela gravidade, avançou mais depressa do que a fusão real da raiz e cobriu as laterais ainda não fundidas, escondendo o defeito sob uma superfície aparentemente lisa. A correção é aumentar a velocidade de deslocamento e reforçar o ângulo de arrasto, não "soldar com mais cuidado e devagar" como a intuição sugeriria.

14. Defeitos, inspeção e critérios de aceitação

Defeitos típicos do processo 136

Defeito Causa típica
Falta de fusão nas laterais velocidade excessiva, ângulo errado, sem pausa lateral no movimento, energia insuficiente
Projeções (spatter) tensão/VAF desequilibradas, transferência globular, CO2 puro em excesso
Porosidade corrente de ar, caudal de gás incorreto, bocal ou difusor obstruído
Inclusões de escória remoção incompleta da escória entre passes
Amaciamento da ZTA / fissuração a frio aporte térmico ou pré-aquecimento fora da janela da EPS

Cada defeito desta tabela tem uma causa rastreável a uma variável de processo, não é "azar" nem falta de sorte do soldador.

Inspeção visual e níveis de qualidade (EN ISO 5817)

A inspeção visual verifica geometria e dimensões do cordão (garganta, perna), regularidade, ausência de fissuras superficiais, mordeduras, poros visíveis e salpicos excessivos. A EN ISO 5817 define níveis de qualidade (B o mais exigente, C intermédio, D o mais tolerante), com limites dimensionais próprios para cada tipo de imperfeição consoante o nível exigido pelo projeto. A simbologia de soldadura no desenho técnico indica o tipo, dimensão e acabamento do cordão exigido, e articula-se com a qualificação do soldador (EN ISO 9606-1).

15. Manutenção, segurança e qualidade

Manutenção preventiva

Segurança e ambiente

Erros comuns

Glossário

Síntese

O MAG/FF (processo 136) solda com fio fluxado tubular protegido por gás ativo (CO2 ou mistura Ar+CO2), controlando VAF, tensão, stick-out e indutância para manter a transferência em curto-circuito ou spray, evitando sempre o globular. Em aços temperados e revenidos, o aporte térmico, o pré-aquecimento e a temperatura entre passes têm de se manter dentro de uma janela que evite simultaneamente a fissuração a frio e o amaciamento da ZTA. A junta de ângulo em T executa-se nas quatro posições PA, PB, PF e PG, cada uma com técnica própria, sendo a PG descendente a mais exigente por obrigar a velocidade de deslocamento rápida para não esconder falta de fusão. A qualidade final confirma-se por inspeção visual contra os níveis da EN ISO 5817, sustentada por manutenção preventiva e segurança no posto.

Exercícios resolvidos

1. Um soldador está a preparar um cordão de ângulo em T em aço temperado e revenido, PG, e escolhe um fio fluxado rutilo em vez de básico "porque é mais fácil de escoriar". É uma boa escolha?

Resolução: não. Em aços temperados e revenidos a prioridade é reduzir o hidrogénio difusível para evitar fissuração a frio, e os fios básicos de baixo hidrogénio são superiores nesse aspeto, mesmo exigindo remoção de escória mais cuidada. A facilidade de escorificação do rutilo não compensa o risco metalúrgico acrescido.

2. Calcula o aporte térmico de um cordão soldado a 27 V, 210 A, velocidade de soldadura 300 mm/min, com rendimento térmico 0,8. Está dentro de uma janela de 0,7 a 1,1 kJ/mm?

Resolução: Q = 0,8 × 27 × 210 × 60 / (1000 × 300) = 272.160 / 300.000 ≈ 0,907 kJ/mm. Está dentro da janela de 0,7 a 1,1 kJ/mm.

3. Porque é que o spray não se usa em PG?

Resolução: o spray exige alta energia e produz um banho de fusão grande e muito fluido; em PG, a gravidade empurra esse banho fluido à frente do arco de forma descontrolada, arrastando-o para fora da junta antes de solidificar. Só a transferência por curto-circuito, com banho pequeno, é praticável nas posições fora da plana, incluindo a PG.

4. Um cordão foi reprovado por porosidade e o soldador garante que a garrafa de gás estava cheia e o caudal certo. Que outras causas deves verificar?

Resolução: corrente de ar no local de trabalho (janela, ventoinha, vento em estaleiro), difusor de gás obstruído por projeções, distância bocal-peça (stick-out) excessiva que afasta o gás do banho, e mangueira ou ligação de gás com fuga entre a garrafa e a tocha.

5. Distingue amaciamento da ZTA e fissuração a frio quanto à causa e ao momento em que aparecem.

Resolução: o amaciamento da ZTA resulta de aporte térmico excessivo, que sobreaquece a zona termicamente afetada além da temperatura de revenido original, reduzindo a dureza; é uma alteração metalúrgica presente desde o fim da soldadura. A fissuração a frio resulta de aporte térmico insuficiente combinado com hidrogénio difusível e arrefecimento rápido, e só se manifesta horas ou dias depois de soldar, à medida que o hidrogénio se difunde e as tensões residuais atuam sobre a microestrutura dura.

6. Que técnica distingue a soldadura em PF da soldadura em PG, e porquê?

Resolução: em PF (ascendente) o soldador solda a subir, com parâmetros mais contidos e movimento oscilante, porque a gravidade puxa o banho para baixo e o que o segura é a tensão superficial mais a prateleira já solidificada abaixo do arco: daí os parâmetros contidos, para que o banho não fique maior do que essa prateleira consegue suportar. Em PG (descendente) o soldador solda a descer, e tem de o fazer mais depressa e com ângulo de arrasto acentuado, porque a gravidade empurra o banho à frente do arco; se for lento, o banho cobre a raiz ainda não fundida e esconde falta de fusão.