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UC · Unidade de Competência · UC04015

Sebenta · Assistir o médico dentista em ortodontia (UC04015)

Preparação, impressões, fotografia, aparelhos removíveis e fixos, apoio cirúrgico e laboratórios de prótese
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Assistente Dentário ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta prepara-te para uma das áreas mais técnicas e mais visíveis do trabalho de um/a técnico/a assistente dentário: o apoio ao médico dentista em ortodontia, a especialidade que corrige a posição dos dentes e a relação entre as arcadas. Vais encontrar aparelhos removíveis e fixos, impressões, fotografia clínica, apoio a pequenas cirurgias e comunicação constante com laboratórios de prótese, tudo isto dentro de um limite muito claro: o assistente prepara e coadjuva; quem diagnostica, planeia e prescreve é sempre o médico dentista ou o estomatologista.

Este limite não é um pormenor burocrático. É a diferença entre uma equipa que funciona com segurança e uma que expõe o paciente a riscos desnecessários. Ao longo desta sebenta vais ver, repetidamente, que cada tarefa do assistente (preparar uma bandeja, misturar alginato, fotopolimerizar um bracket, arquivar uma ficha de laboratório) tem uma fronteira clara: o assistente executa e apoia, o médico decide.

O percurso segue a lógica do referencial: começamos pelo papel do assistente e pela preparação do gabinete e do paciente, avançamos para os equipamentos, instrumentos e materiais, entramos nas impressões e na fotografia clínica, estudamos a ortodontia removível e a ortodontia fixa, olhamos para o apoio a cirurgias ortodônticas, e terminamos na comunicação com laboratórios de prótese e nas normas de higiene e segurança que atravessam todo o trabalho.

Objetivos de aprendizagem (referencial): preparar os equipamentos, instrumentos e materiais para cada procedimento na área da ortodontia; coadjuvar o médico dentista/estomatologista nas diferentes intervenções realizadas na ortodontia; identificar os diferentes tipos de procedimentos em ortodontia; manusear os equipamentos, instrumentos e materiais com destreza e segurança; comunicar eficazmente com os laboratórios de prótese; e aplicar as normas de higiene e segurança no trabalho.

1. O papel do assistente dentário em ortodontia

O que é a ortodontia

A ortodontia é a área da medicina dentária dedicada a estudar e corrigir a posição dos dentes nas arcadas e a relação entre a maxila e a mandíbula. Um tratamento ortodôntico pode durar meses ou anos, envolve várias consultas de ajuste e depende de um trabalho de equipa constante entre o médico dentista (ou estomatologista), o técnico assistente dentário e, frequentemente, um laboratório de prótese.

Onde começa e onde acaba a função do assistente

O referencial desta UC organiza-se em torno de duas realizações centrais:

  1. Preparar os equipamentos, instrumentos e materiais para cada procedimento em ortodontia.
  2. Coadjuvar o médico dentista/estomatologista nas diferentes intervenções realizadas em ortodontia.

Nenhuma delas inclui diagnosticar, prescrever ou realizar atos clínicos invasivos. Isso significa, na prática:

Atitudes profissionais esperadas

O referencial associa a esta UC um conjunto de atitudes: responsabilidade, autonomia dentro das suas funções, sentido de organização, rigor, resiliência, tomada de decisão (nas tarefas que lhe competem), flexibilidade, adaptabilidade, empenho e persistência na resolução de problemas, e respeito pelas normas de higiene, segurança e pelas regras definidas. Estas atitudes não são um capítulo à parte: aparecem em cada procedimento descrito nesta sebenta.

Exemplo resolvido · Distinguir preparar, coadjuvar e decidir

Um paciente chega para colocar bandas nos molares antes de iniciar o aparelho fixo.

  1. O assistente prepara a bandeja com bandas de tamanhos variados, cimento e instrumentos de colocação.
  2. O médico escolhe o tamanho de banda para cada molar e posiciona-a.
  3. O assistente apoia: prepara o cimento na consistência indicada, mantém o campo seco com a sucção e passa os instrumentos.
  4. Se o paciente perguntar "estas bandas vão ficar para sempre?", o assistente não responde clinicamente; explica de forma simples o que está a acontecer e remete a dúvida ao médico.

Esta sequência (preparar, apoiar, comunicar sem decidir) repete-se em praticamente todos os procedimentos desta UC.

2. Preparação do gabinete, do material e do paciente

A preparação começa antes da consulta

Antes de o paciente entrar no gabinete, o assistente:

Uma bandeja mal preparada obriga a interrupções a meio da consulta, o que é desconfortável para o paciente e reduz a eficiência de toda a agenda do consultório.

Receber e posicionar o paciente

Tabela · Preparação típica por tipo de procedimento

Procedimento Preparação principal
Impressão de estudo moldeira testada, alginato, godé, espátula
Colagem de brackets afastadores, condicionador, resina, fotopolimerizador
Ajuste de aparelho fixo alicates, ligaduras novas, arco de substituição
Ajuste de aparelho removível aparelho limpo, instrumentos de verificação
Apoio a cirurgia de ortodontia instrumental esterilizado, campo cirúrgico, sucção

Erro comum a evitar

Preparar sempre a "mesma bandeja genérica" sem confirmar o procedimento do dia é um erro frequente e evitável: cada tipo de consulta tem um conjunto próprio de instrumentos e materiais, e a ficha clínica indica sempre qual é.

3. Equipamentos de ortodontia

O equipamento fixo do gabinete

Manutenção básica dos equipamentos

Exemplo resolvido · Sinalizar uma avaria

Ao preparar o gabinete de manhã, o assistente repara que o fotopolimerizador demora mais tempo do que o habitual a atingir a intensidade máxima.

Resolução: o assistente não tenta reparar nem "desvalorizar" o problema; regista a observação, avisa o responsável pelo equipamento e, se houver dúvida sobre a fiabilidade da luz, sugere adiar procedimentos de colagem até o equipamento ser verificado. Preferir a segurança do resultado clínico à pressa da agenda é uma decisão de rigor e responsabilidade.

4. Instrumentos manuais e materiais de consumo

Instrumentos manuais de ortodontia

Reconhecer cada instrumento pela função é uma aptidão avaliada nesta UC: usar o instrumento errado (por exemplo, o alicate de corte para dobrar um arco) danifica material e compromete o procedimento.

Materiais de consumo

Material Uso principal
Brackets (metálicos, cerâmicos, autoligáveis) fixados ao dente, seguram o arco no seu canal
Bandas anéis metálicos cimentados a molares, ancoram acessórios
Arcos (fios de níquel-titânio ou aço inoxidável) ligam os brackets, aplicam a força ortodôntica
Ligaduras (elásticas ou metálicas) prendem o arco a cada bracket
Elásticos intermaxilares ligam a arcada superior à inferior
Separadores abrem espaço entre molares antes das bandas
Cimento ou resina de colagem fixa brackets e bandas ao dente

Fios de diferentes rigidezes

Ao longo de um tratamento com aparelho fixo, o médico substitui o arco várias vezes, normalmente começando por fios mais flexíveis (níquel-titânio), que aplicam forças suaves e contínuas nas primeiras fases, passando em muitos casos por fios de rigidez intermédia (TMA, de beta-titânio, que se dobram com facilidade) e avançando para fios mais rígidos (aço inoxidável), usados em fases posteriores de trabalho e acabamento. A escolha do fio em cada sessão é sempre uma decisão clínica do médico; o assistente prepara e corta o fio ao tamanho indicado.

Exemplo resolvido · Montar a bandeja para uma mudança de arco

O médico vai substituir o arco de um paciente numa sessão de rotina.

Resolução: o assistente prepara o alicate de corte distal, o alicate de corte de ligaduras (se houver ligaduras metálicas), a sonda para soltar ligaduras elásticas, o porta-agulhas de Mathieu, o novo arco (do tipo indicado na ficha), ligaduras novas em quantidade suficiente para todos os brackets, e espelho e sonda para verificação final. Confirma ainda que existe sucção e afastador disponíveis, caso seja necessário manter o campo seco durante o procedimento.

5. Impressões dentárias: alginato

Para que servem as impressões

Uma impressão (moldagem) regista com rigor a forma dos dentes e das arcadas, permitindo obter modelos de estudo (para diagnóstico e planeamento, sempre interpretados pelo médico) ou modelos de trabalho a enviar ao laboratório de prótese. A escolha da moldeira certa, testada antes de misturar qualquer material, é o primeiro passo de uma boa impressão.

O alginato

O alginato é um material hidrocoloide irreversível: reage quimicamente ao ser misturado com água e não volta ao estado inicial. É rápido, económico e muito usado para modelos de estudo.

Passo a passo de uma impressão com alginato

  1. Escolher a moldeira adequada ao tamanho da arcada e testá-la na boca do paciente, sem material, para confirmar o ajuste.
  2. Medir as proporções de pó e água indicadas pelo fabricante e misturar num godé, com uma espátula, até obter uma pasta homogénea, sem grumos nem bolhas de ar.
  3. Carregar a moldeira de forma uniforme e posicioná-la na arcada do paciente, numa posição confortável e segura.
  4. Aguardar o tempo de presa indicado pelo fabricante, sem mexer a moldeira nem apressar o processo.
  5. Remover a moldeira num movimento firme e contínuo, observar a qualidade da impressão (sem bolhas, sem zonas incompletas) e desinfetar de acordo com o protocolo do consultório antes de a guardar ou vazar.

Erros comuns nas impressões com alginato

6. Impressões dentárias: silicone e vazamento em gesso

Silicones de impressão

Os silicones (de adição ou de condensação) são materiais mais precisos e mais estáveis do que o alginato, usados sobretudo para moldes definitivos e registos de mordida a enviar ao laboratório de prótese.

A escolha entre alginato e silicone depende da finalidade do modelo (estudo ou modelo definitivo para o laboratório) e é sempre indicada pelo médico.

Vazamento em gesso

Depois de desinfetada, a impressão é vazada em gesso ortodôntico para se obter o modelo físico usado no diagnóstico, no planeamento ou no envio ao laboratório:

  1. Preparar a mistura de gesso e água nas proporções do fabricante, até obter uma pasta homogénea e sem bolhas.
  2. Verter o gesso na impressão em pequenas quantidades, com vibração suave (à mão ou com vibrador de gesso), para não aprisionar bolhas de ar na superfície oclusal.
  3. Deixar secar e endurecer o tempo indicado pelo fabricante antes de desmoldar.
  4. Identificar sempre o modelo com o nome do paciente e a data, antes de arquivar ou de o enviar ao laboratório.

Exemplo resolvido · Um modelo com bolhas

Ao desmoldar um modelo de gesso, o assistente repara em pequenas bolhas na zona dos molares.

Resolução: o assistente regista a ocorrência e, sempre que a zona afetada for relevante para o diagnóstico (por exemplo, se o médico precisar de observar a face oclusal dos molares com detalhe), sinaliza a necessidade de repetir a impressão em vez de entregar um modelo incompleto. Entregar um modelo com defeito por não querer "repetir trabalho" compromete o diagnóstico do médico.

7. Fotografia extra e intraoral

Porque se fotografa em ortodontia

A fotografia clínica documenta o estado inicial, a evolução e o resultado final do tratamento, e apoia a comunicação com o laboratório e com o próprio paciente. Uma sequência fotográfica bem feita mostra o que a ficha clínica, por si só, não regista com a mesma precisão visual.

Vistas extraorais

Usa-se sempre um fundo neutro, boa iluminação e uma posição natural e confortável do paciente, pedindo para remover óculos e afastar o cabelo da face.

Vistas intraorais

Preparar o material e o paciente

Erro comum

Variar o ângulo, o zoom ou o enquadramento entre sessões torna as fotografias impossíveis de comparar de forma fiável, esvaziando o principal objetivo do registo fotográfico.

8. Ortodontia removível

Tipos de aparelhos removíveis

"Removível" não significa "opcional": o sucesso destes aparelhos depende, em grande parte, do tempo diário de uso indicado pelo médico e cumprido pelo paciente.

O papel do assistente na ortodontia removível

Cuidados de higiene a transmitir ao paciente

Exemplo resolvido · Instruir um adolescente sobre alinhadores

Um adolescente recebe o primeiro conjunto de alinhadores transparentes e pergunta se pode tirá-los para ir a uma festa de aniversário.

Resolução: o assistente explica, dentro do que já foi transmitido pelo médico, que o tempo diário de uso é essencial para o resultado do tratamento, e que retirar o aparelho por curtos períodos (para comer ou beber algo que não seja água) é normal, desde que se cumpra o tempo total indicado. Para dúvidas sobre exceções ao plano, o assistente remete a decisão ao médico, sem autorizar por conta própria alterações ao tempo de uso.

9. Ortodontia fixa

Componentes do aparelho fixo

O aparelho fixo é colado aos dentes e só o médico o remove:

Apoio na colocação de bandas e colagem de brackets

Apoio na mudança de arco e nos ajustes de rotina

  1. O médico remove as ligaduras e o arco antigo; o assistente passa a sonda ou o alicate de corte de ligaduras, aspira e recolhe as ligaduras e o arco retirados para o recipiente próprio.
  2. O assistente apresenta o novo arco indicado na ficha, já identificado (tipo, secção, arcada), e o médico coloca-o nos brackets e tubos.
  3. O assistente carrega as ligaduras elásticas no porta-agulhas de Mathieu e passa-o ao médico, que prende o arco a cada bracket.
  4. O médico corta o excesso de fio distal com o alicate de corte distal, que retém o fragmento; o assistente confirma que o fragmento saiu da boca e descarta-o no contentor de cortoperfurantes.
  5. O médico verifica que nada fica cortante ou saliente; o assistente tem cera ortodôntica à mão e reforça ao paciente as instruções que o médico deu.

Exemplo resolvido · Uma ponta de fio a magoar

Um paciente liga alguns dias depois de uma mudança de arco, a dizer que uma ponta de fio lhe está a magoar a bochecha.

Resolução: o assistente não tenta resolver a situação ao telefone com instruções técnicas; agenda uma consulta de urgência com o médico, e pode sugerir, dentro do protocolo do consultório, um alívio temporário simples (como cera ortodôntica sobre a ponta) até à consulta, se essa orientação já tiver sido validada previamente pelo médico como resposta padrão para este tipo de situação. O paciente não deve tentar cortar ou dobrar o fio por conta própria, e o assistente também não o faz: cortar o arco é um ato do médico.

10. Cirurgia ortodôntica: apoio, comunicação com laboratórios e segurança

Quando a ortodontia envolve cirurgia

Alguns tratamentos exigem apoio cirúrgico, sempre realizado pelo médico dentista/estomatologista ou por um cirurgião:

O assistente prepara a sala e o instrumental cirúrgico segundo o protocolo de esterilização, apoia durante o ato (aspiração, afastamento de tecidos moles, passagem de instrumentos), reforça ao paciente as instruções pós-operatórias já definidas pelo médico, e esteriliza todo o material imediatamente a seguir ao procedimento. O assistente nunca realiza o ato cirúrgico.

Comunicação com laboratórios de prótese

Sempre que um aparelho ou modelo segue para o laboratório de prótese, acompanha-o uma ficha de prescrição preenchida pelo médico, com identificação do paciente e do médico, tipo de peça pedida e as suas especificações técnicas, e o prazo de entrega. O assistente:

Higiene, esterilização e segurança no trabalho

Todo o instrumental de ortodontia segue um circuito de esterilização: pré-desinfeção imediatamente após o uso, lavagem para remover resíduos, secagem e verificação, embalagem adequada, esterilização em autoclave seguindo as instruções do fabricante, e armazenamento em local limpo e identificado.

A par disso, o assistente usa sempre equipamento de proteção individual (luvas, máscara, óculos e bata), desinfeta superfícies entre pacientes (cadeira, foco de luz, unidade de sucção, apoios), e separa resíduos cortantes, biológicos e comuns nos recipientes próprios. Estas normas atravessam todos os procedimentos descritos nesta sebenta: preparação, impressões, fotografia, aparelhos removíveis e fixos, e apoio cirúrgico.

11. Noções de oclusão e registos ortodônticos

Porque é que o assistente precisa deste vocabulário

O assistente não classifica nem diagnostica maloclusões: isso é trabalho do médico dentista. Mas ouve estes termos em todas as consultas, lê-os na ficha clínica e nas fichas de laboratório, e precisa de os compreender para preparar o material certo, registar corretamente o que o médico dita e comunicar sem erros com o laboratório.

Classes de Angle (relação molar)

A classificação de Angle compara a posição do primeiro molar superior com a do primeiro molar inferior, olhando para a cúspide mesiovestibular do molar superior e para o sulco vestibular do molar inferior:

Classe Relação molar Leitura simples
Classe I a cúspide mesiovestibular do 1.º molar superior encaixa no sulco vestibular do 1.º molar inferior relação molar normal; pode haver apinhamento ou outros problemas dentários
Classe II o 1.º molar inferior está numa posição mais distal (para trás) em relação ao superior a arcada inferior parece "recuada"
Classe III o 1.º molar inferior está numa posição mais mesial (para a frente) em relação ao superior a arcada inferior parece "avançada"

Na Classe II distinguem-se habitualmente a divisão 1 (incisivos superiores inclinados para vestibular, com trespasse horizontal aumentado) e a divisão 2 (incisivos centrais superiores inclinados para palatino). Em notação FDI, os primeiros molares permanentes são o 16, o 26, o 36 e o 46: a relação molar do lado direito compara o 16 com o 46, e a do lado esquerdo o 26 com o 36.

Existe também uma classificação canina, que compara a cúspide do canino superior com a posição entre o canino e o primeiro pré-molar inferiores: em Classe I canina, a cúspide do canino superior fica na ameia entre o canino inferior e o primeiro pré-molar inferior.

Trespasse horizontal e trespasse vertical

Um pequeno trespasse horizontal e vertical é normal. Os valores concretos, a medição e a sua interpretação são do médico.

O conjunto de registos ortodônticos

Antes de iniciar um tratamento (e muitas vezes no fim, ou em fases intermédias), o médico pede um conjunto de registos. O assistente prepara e organiza quase todos:

Registo O que é Papel do assistente
Fotografias extra e intraorais sequência padronizada (secção 7) preparar afastadores e espelhos, fotografar segundo o protocolo, arquivar na ficha
Modelos de estudo modelos em gesso das duas arcadas, com registo de mordida fazer ou apoiar a impressão, vazar, recortar e identificar os modelos
Modelos digitais ficheiro 3D obtido por digitalização intraoral ou dos modelos preparar o scanner, apoiar a digitalização conforme o protocolo, confirmar que o ficheiro fica associado ao paciente certo
Ortopantomografia radiografia panorâmica de todas as peças dentárias e maxilares confirmar que o exame, requisitado pelo médico, está na ficha
Telerradiografia de perfil (cefalométrica) radiografia lateral do crânio usada para análise cefalométrica idem; a análise e o traçado são do médico

As radiografias são sempre requisitadas pelo médico; o assistente não decide que exames fazer nem os interpreta.

Registo de mordida

O registo de mordida mostra ao laboratório (ou ao médico, ao montar modelos) como as arcadas encaixam. Pode ser feito em cera ou em silicone próprio para registo de mordida. O assistente prepara a cera (amolecida conforme o protocolo) ou o cartucho de silicone, e o médico indica a posição em que o paciente deve morder. O registo segue desinfetado, identificado e junto das impressões correspondentes.

Impressão digital (scanner intraoral)

Muitos consultórios de ortodontia já trabalham com scanner intraoral, que substitui a impressão convencional por um ficheiro 3D. O assistente:

Tal como numa impressão de alginato, a prescrição do que se pede ao laboratório é sempre do médico.

Exemplo resolvido · Ler uma ficha clínica

Na ficha de um paciente, o médico escreveu: "Classe II div. 1, overjet aumentado; pedir modelos de estudo, fotografias, ortopantomografia e telerradiografia."

Resolução: o assistente percebe que se trata de uma Classe II com incisivos superiores inclinados para vestibular, o que não altera a sua função, mas ajuda a antecipar o que vai acontecer. Organiza a próxima consulta de registos: prepara moldeiras, alginato e cera para o registo de mordida, prepara o material fotográfico (incluindo a vista de perfil, particularmente útil nestes casos), e confirma com a receção se as radiografias requisitadas pelo médico já foram feitas ou se estão marcadas. Não explica ao paciente o "diagnóstico": isso fica para a consulta com o médico.

12. Ortodontia fixa em detalhe: instrumental, colagem, bandas e remoção

Instrumental específico de ortodontia fixa

Instrumento Para que serve
Alicate de Weingart alicate universal de pontas finas e serrilhadas; o médico usa-o para colocar, guiar e retirar o arco nos brackets e tubos
Alicate de How pontas arredondadas e serrilhadas; segura e posiciona arcos e pequenos acessórios
Alicate de corte distal corta o excesso de arco atrás do último tubo e retém o fragmento cortado, para que não caia na boca
Alicate de corte de ligaduras corta ligaduras metálicas e fios finos; não serve para arcos grossos
Alicate de remoção de brackets descola os brackets no fim do tratamento
Alicate de remoção de bandas retira as bandas dos molares, apoiando-se na cúspide
Alicate de Adams (ou de bico de pássaro) dobra fios de pequeno calibre, por exemplo grampos e molas de aparelhos removíveis
Porta-agulhas de Mathieu coloca ligaduras elásticas e segura ligaduras metálicas
Posicionador de brackets (pinça porta-brackets e medidor de altura) segura o bracket e ajuda o médico a posicioná-lo à altura certa
Empurrador de bandas e assentador de bandas ajudam a assentar a banda no molar

Todos estes instrumentos são reutilizáveis e seguem o circuito de esterilização (secção 16). As pontas dos alicates de corte perdem o fio com o uso e com a esterilização mal feita (instrumentos húmidos, produtos inadequados): o assistente sinaliza um alicate que "mastiga" o fio em vez de o cortar.

Colagem de brackets, passo a passo, e quem faz o quê

A colagem é um procedimento do médico; o assistente trabalha a quatro mãos, antecipando cada passo.

Passo Médico dentista Assistente
1. Profilaxia limpa as faces dos dentes com pedra-pomes sem flúor e sem óleo (que prejudicariam a adesão) prepara a taça de borracha e a pedra-pomes, aspira
2. Isolamento coloca o afastador e decide o isolamento passa afastadores e rolos de algodão, aspira, mantém o campo seco
3. Condicionamento ácido aplica o ácido fosfórico (habitualmente em gel a 37%) na zona de colagem, durante o tempo indicado pelo fabricante cronometra quando pedido, tem a seringa tripla e a sucção prontas
4. Lavagem e secagem lava e seca; o esmalte condicionado fica com aspeto esbranquiçado e baço aspira toda a água e o ácido, sem deixar o paciente engolir
5. Adesivo (primer) aplica o adesivo no esmalte passa o adesivo e o pincel
6. Bracket posiciona cada bracket e remove os excessos de resina passa cada bracket, já com a resina na base, na ordem certa (dente a dente, segundo a prescrição de brackets do médico)
7. Fotopolimerização confirma a posição e dá a indicação fotopolimeriza quando indicado, com proteção ocular, durante o tempo do fabricante
8. Arco inicial coloca o arco e as ligaduras passa o porta-agulhas de Mathieu e o alicate de corte distal, recolhe fragmentos

Os brackets não são todos iguais: cada dente tem o seu bracket (com inclinação e torque próprios) e muitos trazem uma marca de identificação. Trocar o bracket de um incisivo lateral pelo de um central é um erro de preparação que obriga a descolar e voltar a colar.

Alguns sistemas usam primers autocondicionantes, que juntam o condicionamento e o adesivo num só passo. É o médico quem escolhe o sistema; o assistente segue o protocolo desse produto.

Separadores e bandas

  1. Numa sessão anterior (habitualmente alguns dias antes), o médico coloca separadores elásticos entre os molares e os dentes vizinhos, para criar o espaço de que a banda precisa. O assistente prepara os separadores e o instrumento (alicate próprio ou fio dental) e explica ao paciente que é normal sentir pressão e que, se um separador cair, deve contactar a clínica.
  2. Na sessão das bandas, o médico retira os separadores e prova as bandas até encontrar o tamanho certo para cada molar. O assistente tem o estojo de bandas organizado por tamanhos e regista os tamanhos escolhidos, se o protocolo o pedir.
  3. As bandas provadas e não usadas não voltam ao estojo sem passar pelo circuito de limpeza e esterilização definido pelo consultório.
  4. O assistente mistura o cimento de ionómero de vidro (convencional ou modificado por resina) conforme o fabricante, carrega o interior da banda e passa-a ao médico, que a assenta com o empurrador e o assentador de bandas.
  5. O médico remove os excessos de cimento; o assistente aspira e passa a sonda.

Remoção do aparelho fixo e passagem à contenção

No fim do tratamento ativo, o médico remove os brackets (alicate de remoção de brackets), as bandas (alicate de remoção de bandas) e os restos de resina (com brocas próprias, conforme a técnica do médico). O assistente:

Trabalho a quatro mãos: zonas de atividade

Na ortodontia fixa, o ritmo depende muito da coordenação entre médico e assistente. Usa-se o conceito do relógio: imagina-se a cabeça do paciente no centro de um mostrador, com as 12 horas atrás da cabeça. Para um médico destro:

Zona Posição no relógio Para que serve
Zona do operador das 7 às 12 horas onde o médico se senta e se movimenta
Zona estática das 12 às 2 horas carrinho ou móvel com o material que não passa por cima do paciente
Zona do assistente das 2 às 4 horas onde o assistente se senta, ligeiramente mais alto do que o médico, para ver o campo
Zona de transferência das 4 às 7 horas onde os instrumentos e materiais passam de mão em mão, abaixo do queixo do paciente

Para um médico esquerdino, as zonas espelham-se. Os instrumentos nunca passam por cima da cara do paciente: a transferência faz-se sempre na zona de transferência, com o instrumento orientado para ser usado de imediato (ponta ativa virada para o dente a tratar).

Exemplo resolvido · Preparar a primeira colagem

Um paciente vai colar o aparelho fixo nas duas arcadas. As bandas nos primeiros molares já foram cimentadas na semana anterior.

Resolução: o assistente confirma na ficha a prescrição de brackets e o arco inicial indicados pelo médico. Prepara: afastador labial, rolos de algodão, taça e pedra-pomes sem flúor, ácido fosfórico em gel, adesivo e pincéis, resina de colagem, brackets organizados por dente, pinça porta-brackets, fotopolimerizador testado e óculos com filtro, arcos iniciais, porta-agulhas de Mathieu com ligaduras, alicate de corte distal, sonda e espelho, cera ortodôntica e escova ortodôntica para a entrega de instruções. Coloca o material na zona estática pela ordem de uso e senta-se na zona do assistente antes de o médico começar.

13. Aparelhos removíveis, funcionais e extraorais em detalhe

Anatomia de uma placa removível

A placa removível clássica tem três partes, que o assistente deve saber nomear ao verificar um aparelho que chega do laboratório:

O parafuso expansor ativa-se com uma chave própria, rodando um número de vezes e com uma frequência que só o médico define. Muitas vezes é o paciente (ou um familiar, no caso de crianças) que faz a ativação em casa: o assistente pode mostrar como se introduz a chave e em que sentido se roda (há uma seta gravada no parafuso), sempre reproduzindo a indicação escrita pelo médico.

Aparelhos funcionais

Os aparelhos funcionais usam a musculatura e a posição da mandíbula para influenciar o crescimento dos maxilares, e por isso são usados sobretudo em crianças e adolescentes em crescimento. Existem vários desenhos (monobloco, blocos gémeos, entre outros), quase todos feitos em laboratório a partir de impressões e de um registo de mordida construtiva na posição indicada pelo médico. Para o assistente, isto significa: impressões sem defeitos, registo de mordida bem identificado e ficha de laboratório completa.

Aparelhos extraorais

Alguns tratamentos usam forças aplicadas fora da boca:

O médico define o tipo, a força e as horas diárias de uso. O assistente ajuda a explicar ao paciente e à família como se coloca e retira o aparelho (sempre pela ordem indicada, para o arco não saltar em direção à cara), reforça que o aparelho não se usa em jogos nem em desporto, e que qualquer peça solta, partida ou que magoe é motivo para contactar a clínica e deixar de usar até à consulta. Muitos arcos extraorais têm um mecanismo de segurança que se solta se o arco for puxado com força: o assistente confirma com o médico que o paciente sabe como funciona.

Alinhadores transparentes

Os alinhadores são uma sequência de goteiras em plástico termoformado, fabricadas a partir de um modelo digital do paciente. Em muitos casos o médico cola pequenos attachments (relevos em resina da cor do dente) para ajudar os alinhadores a mover os dentes, usando uma goteira-modelo fornecida pelo fabricante. O assistente:

Exemplo resolvido · Verificar uma placa que chega do laboratório

Chega do laboratório uma placa superior com parafuso expansor para uma criança de 9 anos.

Resolução: o assistente compara a placa com a ficha de prescrição: nome do paciente, arcada superior, parafuso expansor, grampos de Adams nos dentes pedidos, arco vestibular se pedido. Confirma que o acrílico não tem arestas cortantes nem bolhas, que os grampos não estão deformados e que a chave do parafuso veio com o aparelho. Guarda a placa na caixa identificada, com a declaração do laboratório (secção 17), até à consulta de entrega. Qualquer diferença em relação à ficha é comunicada ao médico, que decide se o aparelho segue ou volta ao laboratório.

14. Contenção

Porque é que o tratamento não acaba quando o aparelho sai

Depois do tratamento ativo, os dentes têm tendência para voltar à posição inicial (recidiva). A contenção é a fase que segura o resultado, e pode durar anos. Há dois grandes tipos, muitas vezes combinados:

Tipo O que é Cuidados a transmitir
Contenção fixa fio fino colado na face lingual ou palatina dos dentes anteriores não morder objetos duros com os dentes da frente; usar escovilhão ou passa-fio para limpar por baixo do fio; contactar a clínica se o fio se soltar de algum dente
Placa de Hawley placa removível com base acrílica, grampos e arco vestibular usar nas horas indicadas pelo médico; limpar como qualquer aparelho removível; guardar na caixa
Goteira termoformada goteira transparente fina, feita a partir de um modelo não beber bebidas quentes nem açucaradas com a goteira colocada; limpar com água fria ou morna e escova macia

As horas de uso da contenção removível são sempre indicadas pelo médico: muitas vezes começa com uso prolongado e passa, mais tarde, a uso noturno. O assistente reforça que deixar de usar a contenção pode fazer perder, em pouco tempo, o resultado de anos de tratamento.

O papel do assistente na consulta de contenção

15. Higiene oral com aparelho e pequenas urgências

Porque é que a higiene muda com um aparelho fixo

Brackets, bandas e arcos criam muitos recantos onde a placa bacteriana se acumula. Sem uma escovagem cuidada, aparecem lesões de mancha branca (desmineralização do esmalte à volta dos brackets, que pode evoluir para cárie) e gengivite. Estas lesões podem ficar visíveis depois de o aparelho sair, estragando um resultado que, em termos de posição dentária, está perfeito.

Instruções que o assistente reforça (definidas pelo médico)

O assistente pode demonstrar a técnica num modelo e verificar, com um revelador de placa se o protocolo o previr, onde o paciente está a falhar, registando na ficha para o médico.

Pequenas urgências: o que o assistente faz e o que não faz

Situação Orientação a dar (validada pelo médico) O que não se faz
Ponta de arco a picar a bochecha colocar cera ortodôntica sobre a ponta e contactar a clínica para marcar consulta o paciente não corta o arco; o assistente também não o corta nem dobra
Bracket solto (preso ao arco) não tentar retirar; cera se incomodar; contactar a clínica não colar de novo em casa, não puxar
Ligadura elástica solta ou perdida contactar a clínica, que decide se é preciso consulta antecipada não substituir por elásticos improvisados
Elástico intermaxilar partido substituir por um novo do mesmo tipo, como o médico ensinou não mudar o tipo nem o sítio de colocação
Aparelho removível partido ou que não entra guardar na caixa e contactar a clínica não forçar nem tentar colar
Aparelho extraoral solto ou deformado deixar de usar e contactar a clínica não usar "à mesma"
Dor forte, inchaço, trauma na boca ou na face contactar de imediato a clínica ou, se grave, os serviços de urgência não dar indicações sobre medicação

Na clínica, é o médico que avalia a urgência e decide: cortar o excesso de arco, voltar a colar o bracket, trocar a ligadura. O assistente atende a chamada com calma, regista o que o paciente descreve (qual o dente, desde quando, se há dor), transmite ao médico e prepara o material provável para a consulta de urgência.

16. Controlo de infeção e segurança no gabinete de ortodontia

Precauções Básicas de Controlo de Infeção

Em Portugal, a referência é a Norma da DGS n.º 029/2012, sobre Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI). Aplicam-se a todos os doentes, independentemente do que se sabe sobre eles, e incluem: higiene das mãos, uso de equipamento de proteção individual adequado ao risco, controlo ambiental (limpeza e desinfeção de superfícies), manuseamento seguro da roupa, recolha segura de resíduos, descontaminação do equipamento clínico, práticas seguras na preparação e administração de injetáveis, prevenção da exposição a agentes microbianos no local de trabalho (incluindo as picadas e cortes com cortoperfurantes), etiqueta respiratória e colocação adequada dos doentes.

Em ortodontia, algumas destas precauções ganham peso próprio:

Classificação de Spaulding aplicada à ortodontia

Categoria Definição Exemplos em ortodontia Tratamento mínimo
Crítico penetra tecidos ou entra em contacto com sangue instrumental cirúrgico das extrações, das exposições de dentes inclusos e dos mini-implantes esterilização
Semicrítico contacta com mucosas sem as penetrar alicates ortodônticos, porta-agulhas de Mathieu, espelhos, afastadores e espelhos fotográficos, moldeiras metálicas esterilização (preferível sempre que o material a tolera) ou desinfeção de alto nível
Não crítico contacta apenas com pele intacta cadeira, foco, avental ou babete reutilizável, câmara fotográfica limpeza e desinfeção de nível baixo ou intermédio

Os alicates ortodônticos têm articulações onde se acumulam resíduos: a lavagem (com escova, ou em ultrassons, com a articulação aberta) é essencial antes de embalar, e devem estar bem secos antes da autoclave, para não oxidarem nem perderem o corte.

Impressões, modelos e aparelhos

Resíduos

A triagem de resíduos hospitalares segue o Despacho n.º 242/96, que os organiza em quatro grupos:

Grupo Tipo Exemplos em ortodontia
I equiparados a urbanos embalagens sem contaminação, papel
II hospitalares não perigosos material não contaminado sem risco biológico, conforme o plano da clínica
III hospitalares de risco biológico material com sangue ou fluidos: compressas, luvas e babetes contaminados
IV hospitalares específicos cortoperfurantes (agulhas, lâminas, fragmentos de arco, ligaduras metálicas), entre outros

17. Cirurgia ortognática, laboratório e dispositivos feitos por medida

O percurso de um caso ortocirúrgico

Quando a discrepância entre os maxilares é grande e o paciente já terminou o crescimento, o médico pode propor um tratamento ortocirúrgico: ortodontia antes da cirurgia, cirurgia ortognática (feita em meio hospitalar por um cirurgião maxilofacial) e ortodontia depois da cirurgia, para o acabamento. No consultório de ortodontia, o assistente participa nas fases antes e depois da cirurgia:

Comunicação com o laboratório de prótese, em detalhe

Uma boa ficha de prescrição para ortodontia inclui, além da identificação do paciente, do médico e da clínica:

O assistente escreve e fala com o laboratório de forma objetiva e rastreável: telefonemas importantes ficam registados na ficha, com data e nome do interlocutor, e dúvidas técnicas sobre o desenho do aparelho são passadas ao médico, que responde ao laboratório ou autoriza a resposta.

Dispositivos médicos feitos por medida

Os aparelhos ortodônticos fabricados por um laboratório para um paciente concreto são dispositivos médicos feitos por medida. Estão abrangidos pelo Regulamento (UE) 2017/745, relativo aos dispositivos médicos, e pelo Decreto-Lei n.º 29/2024, que assegura a sua execução em Portugal; a autoridade competente é o INFARMED. O antigo Decreto-Lei n.º 145/2009 foi revogado.

Na prática, o regulamento dá duas razões para o assistente levar a sério a papelada:

  1. Um dispositivo feito por medida é fabricado a partir de uma prescrição escrita de um profissional habilitado: a ficha de prescrição do médico não é um formalismo, é o documento que dá origem ao aparelho.
  2. O fabricante (o laboratório) elabora uma declaração para cada dispositivo feito por medida, que identifica o paciente, o prescritor e as características do aparelho. O assistente confirma que a declaração veio com o trabalho e arquiva-a com a ficha do paciente, segundo o procedimento do consultório.

Fotografias e dados do paciente

As fotografias clínicas, os modelos digitais e as fichas de laboratório são dados de saúde, protegidos pelo Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados. O assistente:

Exemplo resolvido · Um aparelho que não corresponde ao pedido

Chega do laboratório uma placa de Hawley superior, mas a ficha de prescrição pedia uma goteira termoformada superior.

Resolução: o assistente não entrega o aparelho nem o devolve por iniciativa própria. Informa o médico, mostrando a ficha e o aparelho recebido. Com a indicação do médico, contacta o laboratório por escrito, identificando o paciente, a data do pedido, o que foi pedido e o que chegou, e pede um prazo para a correção. Regista o contacto na ficha e, se necessário, remarca a consulta de entrega, explicando ao paciente apenas que o aparelho ainda não está pronto.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O trabalho do assistente dentário em ortodontia organiza-se sempre em torno de duas realizações: preparar (equipamentos, instrumentos, materiais, o gabinete e o paciente) e coadjuvar (durante impressões, fotografia, colocação e ajuste de aparelhos removíveis e fixos, e apoio a cirurgias ortodônticas). A comunicação com laboratórios de prótese garante que o trabalho pedido pelo médico chega correto e a tempo, e a higiene, esterilização e segurança atravessam todos os procedimentos, do primeiro ao último. Em nenhum momento o assistente diagnostica, prescreve ou realiza atos clínicos invasivos: a sua força está na destreza, no rigor, na organização e na comunicação eficaz dentro dos limites da sua função.

Exercícios resolvidos

1. Um paciente pergunta ao assistente, a meio de uma impressão, "isto quer dizer que vou ter de operar?". Como deve responder o assistente?

Resolução: o assistente não avança qualquer resposta clínica sobre a necessidade de cirurgia. Explica, em termos simples, que a impressão serve para o médico avaliar o caso com mais detalhe, e que qualquer decisão sobre o tratamento, incluindo uma eventual necessidade cirúrgica, será sempre explicada pelo médico.

2. Que diferença há entre alginato e silicone de impressão, e quando se usa cada um?

Resolução: o alginato é um hidrocoloide irreversível, rápido e económico, indicado sobretudo para modelos de estudo. O silicone é mais preciso e estável, tolera melhor um pequeno atraso até ao vazamento, e é preferido para moldes definitivos e registos de mordida enviados ao laboratório. A escolha entre os dois é sempre indicada pelo médico, conforme a finalidade do modelo.

3. Antes de colar brackets, o assistente nota que o fotopolimerizador demora mais tempo a atingir a intensidade habitual. O que deve fazer?

Resolução: regista a observação e avisa de imediato o responsável pelo equipamento, sem tentar reparar por conta própria. Se houver dúvida sobre a fiabilidade da luz, sugere adiar a colagem até o equipamento ser verificado, porque uma fotopolimerização incompleta compromete a adesão do bracket.

4. Um aparelho removível chega do laboratório. Que verificação deve fazer o assistente antes de o entregar ao paciente?

Resolução: confirmar que o aparelho corresponde à ficha de prescrição do médico (tipo de aparelho, especificações técnicas, paciente correto) e que está limpo e em condições de ser entregue. Qualquer discrepância deve ser sinalizada ao médico antes da entrega.

5. Durante um ajuste de aparelho fixo, o médico pede ao assistente para fotopolimerizar um novo bracket recém-colado. Isto contraria o limite "o assistente não realiza atos clínicos"?

Resolução: não. Fotopolimerizar sob indicação direta e imediata do médico, num procedimento já preparado e supervisionado por ele, é uma tarefa de apoio técnico, não uma decisão clínica. O limite que a UC protege é a decisão (que dente tratar, que material usar, quando terminar o procedimento), não a execução manual de um passo indicado.