Sebenta · Assistir o médico dentista em ortodontia (UC04015)
- Introdução
- 1. O papel do assistente dentário em ortodontia
- 2. Preparação do gabinete, do material e do paciente
- 3. Equipamentos de ortodontia
- 4. Instrumentos manuais e materiais de consumo
- 5. Impressões dentárias: alginato
- 6. Impressões dentárias: silicone e vazamento em gesso
- 7. Fotografia extra e intraoral
- 8. Ortodontia removível
- 9. Ortodontia fixa
- 10. Cirurgia ortodôntica: apoio, comunicação com laboratórios e segurança
- 11. Noções de oclusão e registos ortodônticos
- 12. Ortodontia fixa em detalhe: instrumental, colagem, bandas e remoção
- 13. Aparelhos removíveis, funcionais e extraorais em detalhe
- 14. Contenção
- 15. Higiene oral com aparelho e pequenas urgências
- 16. Controlo de infeção e segurança no gabinete de ortodontia
- 17. Cirurgia ortognática, laboratório e dispositivos feitos por medida
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta prepara-te para uma das áreas mais técnicas e mais visíveis do trabalho de um/a técnico/a assistente dentário: o apoio ao médico dentista em ortodontia, a especialidade que corrige a posição dos dentes e a relação entre as arcadas. Vais encontrar aparelhos removíveis e fixos, impressões, fotografia clínica, apoio a pequenas cirurgias e comunicação constante com laboratórios de prótese, tudo isto dentro de um limite muito claro: o assistente prepara e coadjuva; quem diagnostica, planeia e prescreve é sempre o médico dentista ou o estomatologista.
Este limite não é um pormenor burocrático. É a diferença entre uma equipa que funciona com segurança e uma que expõe o paciente a riscos desnecessários. Ao longo desta sebenta vais ver, repetidamente, que cada tarefa do assistente (preparar uma bandeja, misturar alginato, fotopolimerizar um bracket, arquivar uma ficha de laboratório) tem uma fronteira clara: o assistente executa e apoia, o médico decide.
O percurso segue a lógica do referencial: começamos pelo papel do assistente e pela preparação do gabinete e do paciente, avançamos para os equipamentos, instrumentos e materiais, entramos nas impressões e na fotografia clínica, estudamos a ortodontia removível e a ortodontia fixa, olhamos para o apoio a cirurgias ortodônticas, e terminamos na comunicação com laboratórios de prótese e nas normas de higiene e segurança que atravessam todo o trabalho.
Objetivos de aprendizagem (referencial): preparar os equipamentos, instrumentos e materiais para cada procedimento na área da ortodontia; coadjuvar o médico dentista/estomatologista nas diferentes intervenções realizadas na ortodontia; identificar os diferentes tipos de procedimentos em ortodontia; manusear os equipamentos, instrumentos e materiais com destreza e segurança; comunicar eficazmente com os laboratórios de prótese; e aplicar as normas de higiene e segurança no trabalho.
1. O papel do assistente dentário em ortodontia
O que é a ortodontia
A ortodontia é a área da medicina dentária dedicada a estudar e corrigir a posição dos dentes nas arcadas e a relação entre a maxila e a mandíbula. Um tratamento ortodôntico pode durar meses ou anos, envolve várias consultas de ajuste e depende de um trabalho de equipa constante entre o médico dentista (ou estomatologista), o técnico assistente dentário e, frequentemente, um laboratório de prótese.
Onde começa e onde acaba a função do assistente
O referencial desta UC organiza-se em torno de duas realizações centrais:
- Preparar os equipamentos, instrumentos e materiais para cada procedimento em ortodontia.
- Coadjuvar o médico dentista/estomatologista nas diferentes intervenções realizadas em ortodontia.
Nenhuma delas inclui diagnosticar, prescrever ou realizar atos clínicos invasivos. Isso significa, na prática:
- O assistente não decide que tipo de aparelho o paciente vai usar, nem quando um fio deve ser trocado por outro mais rígido.
- O assistente não realiza extrações, colocação de mini-implantes ou cirurgia ortognática.
- O assistente prepara o material e o ambiente, executa tarefas de apoio sob indicação direta (por exemplo, fotopolimerizar quando o médico indica) e comunica com o paciente e com o laboratório dentro dos limites definidos pelo consultório.
Atitudes profissionais esperadas
O referencial associa a esta UC um conjunto de atitudes: responsabilidade, autonomia dentro das suas funções, sentido de organização, rigor, resiliência, tomada de decisão (nas tarefas que lhe competem), flexibilidade, adaptabilidade, empenho e persistência na resolução de problemas, e respeito pelas normas de higiene, segurança e pelas regras definidas. Estas atitudes não são um capítulo à parte: aparecem em cada procedimento descrito nesta sebenta.
Exemplo resolvido · Distinguir preparar, coadjuvar e decidir
Um paciente chega para colocar bandas nos molares antes de iniciar o aparelho fixo.
- O assistente prepara a bandeja com bandas de tamanhos variados, cimento e instrumentos de colocação.
- O médico escolhe o tamanho de banda para cada molar e posiciona-a.
- O assistente apoia: prepara o cimento na consistência indicada, mantém o campo seco com a sucção e passa os instrumentos.
- Se o paciente perguntar "estas bandas vão ficar para sempre?", o assistente não responde clinicamente; explica de forma simples o que está a acontecer e remete a dúvida ao médico.
Esta sequência (preparar, apoiar, comunicar sem decidir) repete-se em praticamente todos os procedimentos desta UC.
2. Preparação do gabinete, do material e do paciente
A preparação começa antes da consulta
Antes de o paciente entrar no gabinete, o assistente:
- Consulta a ficha clínica e o plano de tratamento definido pelo médico, para saber exatamente que procedimento vai decorrer nessa sessão.
- Prepara a bandeja específica do procedimento: uma impressão precisa de moldeiras e alginato; uma colagem de brackets precisa de afastadores, condicionador e resina de colagem; um ajuste de aparelho fixo precisa de alicates e ligaduras.
- Verifica os stocks de consumíveis (elásticos, ligaduras, brackets de reposição, arcos, rolos de algodão, luvas) e sinaliza faltas com antecedência.
- Confirma que os equipamentos (fotopolimerizador, unidade de sucção, seringa tripla) estão a funcionar corretamente.
Uma bandeja mal preparada obriga a interrupções a meio da consulta, o que é desconfortável para o paciente e reduz a eficiência de toda a agenda do consultório.
Receber e posicionar o paciente
- Acolher o paciente, confirmar a identidade e o motivo da consulta, sobretudo em consultórios com vários dentistas ou várias marcações no mesmo dia.
- Ajustar a cadeira dentária à posição de trabalho adequada e à altura do médico.
- Colocar o babete e, quando indicado, óculos de proteção.
- Explicar em termos simples o que vai acontecer, sem antecipar diagnóstico ou tratamento, e registar queixas do paciente para o médico sem as interpretar clinicamente.
Tabela · Preparação típica por tipo de procedimento
| Procedimento | Preparação principal |
|---|---|
| Impressão de estudo | moldeira testada, alginato, godé, espátula |
| Colagem de brackets | afastadores, condicionador, resina, fotopolimerizador |
| Ajuste de aparelho fixo | alicates, ligaduras novas, arco de substituição |
| Ajuste de aparelho removível | aparelho limpo, instrumentos de verificação |
| Apoio a cirurgia de ortodontia | instrumental esterilizado, campo cirúrgico, sucção |
Erro comum a evitar
Preparar sempre a "mesma bandeja genérica" sem confirmar o procedimento do dia é um erro frequente e evitável: cada tipo de consulta tem um conjunto próprio de instrumentos e materiais, e a ficha clínica indica sempre qual é.
3. Equipamentos de ortodontia
O equipamento fixo do gabinete
- Cadeira dentária: posiciona o paciente, com alturas e inclinações reguláveis conforme o procedimento e a altura do médico.
- Foco de luz: ilumina de forma direcionada a cavidade oral, essencial em procedimentos de rigor como a colagem de brackets.
- Unidade de sucção (aspirador): remove saliva e água, mantendo o campo seco e visível.
- Seringa tripla: liberta água, ar ou os dois em spray, para limpar e secar superfícies dentárias.
- Fotopolimerizador: aparelho que endurece resinas e cimentos de colagem através de luz azul com um comprimento de onda específico; exige sempre proteção ocular (óculos ou escudo com filtro laranja) para quem opera e para o paciente.
Manutenção básica dos equipamentos
- Verificar diariamente o funcionamento da sucção, do foco de luz e do fotopolimerizador antes da primeira consulta.
- Limpar e desinfetar superfícies e cabos amovíveis entre pacientes, seguindo o protocolo do consultório.
- Sinalizar de imediato qualquer avaria ou desgaste (por exemplo, ponta de sucção danificada ou intensidade de luz reduzida no fotopolimerizador).
- Seguir sempre as instruções do fabricante para produtos de limpeza, desinfeção e substituição de peças; usar um produto incompatível pode danificar o equipamento ou anular a garantia.
Exemplo resolvido · Sinalizar uma avaria
Ao preparar o gabinete de manhã, o assistente repara que o fotopolimerizador demora mais tempo do que o habitual a atingir a intensidade máxima.
Resolução: o assistente não tenta reparar nem "desvalorizar" o problema; regista a observação, avisa o responsável pelo equipamento e, se houver dúvida sobre a fiabilidade da luz, sugere adiar procedimentos de colagem até o equipamento ser verificado. Preferir a segurança do resultado clínico à pressa da agenda é uma decisão de rigor e responsabilidade.
4. Instrumentos manuais e materiais de consumo
Instrumentos manuais de ortodontia
- Espelho intraoral e sonda: observação e exploração da cavidade oral, sempre como apoio ao médico.
- Pinça e porta-agulhas de Mathieu: seguram pequenas peças, ligaduras e fios; o porta-agulhas de Mathieu é o instrumento habitual para colocar ligaduras elásticas.
- Alicates ortodônticos: de corte de fio (para cortar excesso de arco), de contorno ou dobragem (para moldar arcos), de corte de ligaduras e de remoção de brackets e de bandas (a lista completa está na secção 12).
- Empurrador de bandas e assentador de bandas (onde o paciente morde): ajudam o médico a assentar as bandas nos molares.
- Afastador de bochecha e de lábios: melhora a visibilidade e o acesso, usado em impressões, fotografia e colagem de brackets.
Reconhecer cada instrumento pela função é uma aptidão avaliada nesta UC: usar o instrumento errado (por exemplo, o alicate de corte para dobrar um arco) danifica material e compromete o procedimento.
Materiais de consumo
| Material | Uso principal |
|---|---|
| Brackets (metálicos, cerâmicos, autoligáveis) | fixados ao dente, seguram o arco no seu canal |
| Bandas | anéis metálicos cimentados a molares, ancoram acessórios |
| Arcos (fios de níquel-titânio ou aço inoxidável) | ligam os brackets, aplicam a força ortodôntica |
| Ligaduras (elásticas ou metálicas) | prendem o arco a cada bracket |
| Elásticos intermaxilares | ligam a arcada superior à inferior |
| Separadores | abrem espaço entre molares antes das bandas |
| Cimento ou resina de colagem | fixa brackets e bandas ao dente |
Fios de diferentes rigidezes
Ao longo de um tratamento com aparelho fixo, o médico substitui o arco várias vezes, normalmente começando por fios mais flexíveis (níquel-titânio), que aplicam forças suaves e contínuas nas primeiras fases, passando em muitos casos por fios de rigidez intermédia (TMA, de beta-titânio, que se dobram com facilidade) e avançando para fios mais rígidos (aço inoxidável), usados em fases posteriores de trabalho e acabamento. A escolha do fio em cada sessão é sempre uma decisão clínica do médico; o assistente prepara e corta o fio ao tamanho indicado.
Exemplo resolvido · Montar a bandeja para uma mudança de arco
O médico vai substituir o arco de um paciente numa sessão de rotina.
Resolução: o assistente prepara o alicate de corte distal, o alicate de corte de ligaduras (se houver ligaduras metálicas), a sonda para soltar ligaduras elásticas, o porta-agulhas de Mathieu, o novo arco (do tipo indicado na ficha), ligaduras novas em quantidade suficiente para todos os brackets, e espelho e sonda para verificação final. Confirma ainda que existe sucção e afastador disponíveis, caso seja necessário manter o campo seco durante o procedimento.
5. Impressões dentárias: alginato
Para que servem as impressões
Uma impressão (moldagem) regista com rigor a forma dos dentes e das arcadas, permitindo obter modelos de estudo (para diagnóstico e planeamento, sempre interpretados pelo médico) ou modelos de trabalho a enviar ao laboratório de prótese. A escolha da moldeira certa, testada antes de misturar qualquer material, é o primeiro passo de uma boa impressão.
O alginato
O alginato é um material hidrocoloide irreversível: reage quimicamente ao ser misturado com água e não volta ao estado inicial. É rápido, económico e muito usado para modelos de estudo.
Passo a passo de uma impressão com alginato
- Escolher a moldeira adequada ao tamanho da arcada e testá-la na boca do paciente, sem material, para confirmar o ajuste.
- Medir as proporções de pó e água indicadas pelo fabricante e misturar num godé, com uma espátula, até obter uma pasta homogénea, sem grumos nem bolhas de ar.
- Carregar a moldeira de forma uniforme e posicioná-la na arcada do paciente, numa posição confortável e segura.
- Aguardar o tempo de presa indicado pelo fabricante, sem mexer a moldeira nem apressar o processo.
- Remover a moldeira num movimento firme e contínuo, observar a qualidade da impressão (sem bolhas, sem zonas incompletas) e desinfetar de acordo com o protocolo do consultório antes de a guardar ou vazar.
Erros comuns nas impressões com alginato
- Não testar a moldeira antes de carregar, obrigando a repetir todo o procedimento.
- Misturar proporções erradas de pó e água, o que altera o tempo de presa e a precisão do material.
- Mexer a moldeira antes da presa completa, distorcendo a forma registada.
- Demorar demasiado tempo entre a remoção e o vazamento em gesso: o alginato perde água e distorce; deve ser vazado o quanto antes, seguindo o protocolo do consultório.
6. Impressões dentárias: silicone e vazamento em gesso
Silicones de impressão
Os silicones (de adição ou de condensação) são materiais mais precisos e mais estáveis do que o alginato, usados sobretudo para moldes definitivos e registos de mordida a enviar ao laboratório de prótese.
- Apresentam-se em pasta base e catalisador, misturados à mão ou em cartucho com pistola misturadora, conforme o produto.
- Têm maior estabilidade dimensional: toleram melhor um pequeno atraso entre a remoção e o vazamento, ao contrário do alginato. Os silicones de adição (polivinilsiloxanos) são os mais estáveis; os de condensação libertam um subproduto e contraem com o tempo, por isso devem ser vazados mais cedo, conforme o fabricante.
- As luvas de látex podem inibir a presa de alguns silicones de adição: seguir a indicação do fabricante sobre o manuseamento.
- Exigem, tal como o alginato, respeito rigoroso pelas proporções e pelo tempo de presa indicados pelo fabricante.
A escolha entre alginato e silicone depende da finalidade do modelo (estudo ou modelo definitivo para o laboratório) e é sempre indicada pelo médico.
Vazamento em gesso
Depois de desinfetada, a impressão é vazada em gesso ortodôntico para se obter o modelo físico usado no diagnóstico, no planeamento ou no envio ao laboratório:
- Preparar a mistura de gesso e água nas proporções do fabricante, até obter uma pasta homogénea e sem bolhas.
- Verter o gesso na impressão em pequenas quantidades, com vibração suave (à mão ou com vibrador de gesso), para não aprisionar bolhas de ar na superfície oclusal.
- Deixar secar e endurecer o tempo indicado pelo fabricante antes de desmoldar.
- Identificar sempre o modelo com o nome do paciente e a data, antes de arquivar ou de o enviar ao laboratório.
Exemplo resolvido · Um modelo com bolhas
Ao desmoldar um modelo de gesso, o assistente repara em pequenas bolhas na zona dos molares.
Resolução: o assistente regista a ocorrência e, sempre que a zona afetada for relevante para o diagnóstico (por exemplo, se o médico precisar de observar a face oclusal dos molares com detalhe), sinaliza a necessidade de repetir a impressão em vez de entregar um modelo incompleto. Entregar um modelo com defeito por não querer "repetir trabalho" compromete o diagnóstico do médico.
7. Fotografia extra e intraoral
Porque se fotografa em ortodontia
A fotografia clínica documenta o estado inicial, a evolução e o resultado final do tratamento, e apoia a comunicação com o laboratório e com o próprio paciente. Uma sequência fotográfica bem feita mostra o que a ficha clínica, por si só, não regista com a mesma precisão visual.
Vistas extraorais
- Frontal em repouso: face relaxada, lábios em posição natural, sem forçar sorriso ou fecho.
- Frontal a sorrir: mostra a exposição dentária associada ao sorriso.
- Perfil: perfil facial, importante para avaliar a relação entre a maxila e a mandíbula.
Usa-se sempre um fundo neutro, boa iluminação e uma posição natural e confortável do paciente, pedindo para remover óculos e afastar o cabelo da face.
Vistas intraorais
- Oclusal superior e oclusal inferior: vista de cima e de baixo de cada arcada, obtida com um espelho oclusal.
- Frontal em oclusão: os dentes em máximo contacto, mostrando a relação entre as arcadas.
- Lateral direita e lateral esquerda: relação de oclusão vista de lado, com afastadores de bochecha.
Preparar o material e o paciente
- Colocar afastadores de bochecha e lábios com cuidado, explicando ao paciente cada passo.
- Usar espelhos intraorais limpos e desembaciados nas vistas oclusais (aquecidos ligeiramente ou tratados com produto próprio contra o embaciamento, conforme o protocolo do consultório).
- Verificar o equipamento fotográfico (iluminação, foco) antes de começar a sequência.
- Manter sempre o mesmo enquadramento e distância entre sessões, para permitir comparações fiáveis ao longo do tratamento.
Erro comum
Variar o ângulo, o zoom ou o enquadramento entre sessões torna as fotografias impossíveis de comparar de forma fiável, esvaziando o principal objetivo do registo fotográfico.
8. Ortodontia removível
Tipos de aparelhos removíveis
- Placas ativas, com parafuso de expansão ou molas, usadas para movimentos dentários mais simples.
- Goteiras e alinhadores transparentes, sequências de peças que corrigem gradualmente a posição dos dentes.
- Aparelhos funcionais, que atuam também sobre o crescimento e a posição relativa dos maxilares.
- Aparelhos de contenção removíveis, usados depois do tratamento ativo para manter o resultado alcançado.
"Removível" não significa "opcional": o sucesso destes aparelhos depende, em grande parte, do tempo diário de uso indicado pelo médico e cumprido pelo paciente.
O papel do assistente na ortodontia removível
- Preparar o aparelho recebido do laboratório, verificando que corresponde ao pedido do médico antes da entrega.
- Explicar ao paciente, sob orientação do médico, os cuidados de uso e de higiene do aparelho.
- Receber e limpar o aparelho quando o paciente o traz numa consulta de ajuste.
- Apoiar pequenas ativações (por exemplo, do parafuso de expansão de uma placa ativa) sempre sob indicação direta do médico, nunca por iniciativa própria.
Cuidados de higiene a transmitir ao paciente
- Escovar o aparelho separadamente dos dentes, com escova própria e sem pasta abrasiva.
- Nunca usar água muito quente na limpeza, para não deformar o material.
- Guardar o aparelho sempre na respetiva caixa quando não estiver na boca, para evitar perdas ou danos.
- Retirar o aparelho para comer (nos removíveis que o permitem) e voltar a colocá-lo de acordo com o horário indicado pelo médico.
Exemplo resolvido · Instruir um adolescente sobre alinhadores
Um adolescente recebe o primeiro conjunto de alinhadores transparentes e pergunta se pode tirá-los para ir a uma festa de aniversário.
Resolução: o assistente explica, dentro do que já foi transmitido pelo médico, que o tempo diário de uso é essencial para o resultado do tratamento, e que retirar o aparelho por curtos períodos (para comer ou beber algo que não seja água) é normal, desde que se cumpra o tempo total indicado. Para dúvidas sobre exceções ao plano, o assistente remete a decisão ao médico, sem autorizar por conta própria alterações ao tempo de uso.
9. Ortodontia fixa
Componentes do aparelho fixo
O aparelho fixo é colado aos dentes e só o médico o remove:
- Brackets: pequenas peças coladas a cada dente, com um canal (slot) que recebe o arco; podem ser metálicos, cerâmicos ou autoligáveis.
- Bandas: anéis metálicos cimentados aos molares, que ancoram tubos e acessórios.
- Arcos: ligam todos os brackets e aplicam a força que move os dentes ao longo do tratamento.
- Ligaduras: elásticas ou metálicas, prendem o arco a cada bracket.
- Elásticos intermaxilares: ligam a arcada superior à inferior, ajudando a corrigir a relação entre as arcadas; é o próprio paciente que os coloca e troca, conforme as instruções do médico.
- Mini-implantes ou miniparafusos ortodônticos: pontos de ancoragem auxiliar, colocados pelo médico.
- Arco palatino, botão de Nance e mantenedores de espaço: mantêm posições e espaços específicos ao longo do tratamento.
Apoio na colocação de bandas e colagem de brackets
- Separadores: colocados pelo médico numa sessão anterior para abrir espaço entre molares antes de assentar as bandas.
- Colocação de bandas: o assistente prepara o cimento (habitualmente um cimento de ionómero de vidro) e os instrumentos; o médico posiciona e ajusta cada banda.
- Colagem de brackets: o assistente mantém o isolamento (afastadores, rolos de algodão e sucção), seca com a seringa tripla quando o médico indica, prepara e passa o material de colagem (condicionador, adesivo, resina) e os brackets, e fotopolimeriza quando indicado pelo médico. A sequência completa está na secção 12.
- Manter o campo seco durante toda a colagem é essencial: a humidade compromete a adesão do bracket ao dente.
Apoio na mudança de arco e nos ajustes de rotina
- O médico remove as ligaduras e o arco antigo; o assistente passa a sonda ou o alicate de corte de ligaduras, aspira e recolhe as ligaduras e o arco retirados para o recipiente próprio.
- O assistente apresenta o novo arco indicado na ficha, já identificado (tipo, secção, arcada), e o médico coloca-o nos brackets e tubos.
- O assistente carrega as ligaduras elásticas no porta-agulhas de Mathieu e passa-o ao médico, que prende o arco a cada bracket.
- O médico corta o excesso de fio distal com o alicate de corte distal, que retém o fragmento; o assistente confirma que o fragmento saiu da boca e descarta-o no contentor de cortoperfurantes.
- O médico verifica que nada fica cortante ou saliente; o assistente tem cera ortodôntica à mão e reforça ao paciente as instruções que o médico deu.
Exemplo resolvido · Uma ponta de fio a magoar
Um paciente liga alguns dias depois de uma mudança de arco, a dizer que uma ponta de fio lhe está a magoar a bochecha.
Resolução: o assistente não tenta resolver a situação ao telefone com instruções técnicas; agenda uma consulta de urgência com o médico, e pode sugerir, dentro do protocolo do consultório, um alívio temporário simples (como cera ortodôntica sobre a ponta) até à consulta, se essa orientação já tiver sido validada previamente pelo médico como resposta padrão para este tipo de situação. O paciente não deve tentar cortar ou dobrar o fio por conta própria, e o assistente também não o faz: cortar o arco é um ato do médico.
10. Cirurgia ortodôntica: apoio, comunicação com laboratórios e segurança
Quando a ortodontia envolve cirurgia
Alguns tratamentos exigem apoio cirúrgico, sempre realizado pelo médico dentista/estomatologista ou por um cirurgião:
- Extrações de apoio ortodôntico (por exemplo, de pré-molares, para criar espaço na arcada).
- Exposição cirúrgica de dentes inclusos, para permitir colar um bracket a um dente que ainda não erupcionou.
- Colocação de mini-implantes para ancoragem esquelética.
- Em casos mais graves, cirurgia ortognática, que corrige a posição dos maxilares.
O assistente prepara a sala e o instrumental cirúrgico segundo o protocolo de esterilização, apoia durante o ato (aspiração, afastamento de tecidos moles, passagem de instrumentos), reforça ao paciente as instruções pós-operatórias já definidas pelo médico, e esteriliza todo o material imediatamente a seguir ao procedimento. O assistente nunca realiza o ato cirúrgico.
Comunicação com laboratórios de prótese
Sempre que um aparelho ou modelo segue para o laboratório de prótese, acompanha-o uma ficha de prescrição preenchida pelo médico, com identificação do paciente e do médico, tipo de peça pedida e as suas especificações técnicas, e o prazo de entrega. O assistente:
- Confirma que a ficha, as impressões ou os modelos e o registo de mordida estão completos e desinfetados antes de saírem do consultório.
- Regista a data de envio e o prazo previsto de devolução, e acompanha o estado da encomenda.
- Contacta o laboratório para esclarecer dúvidas ou confirmar prazos, de forma clara e profissional.
- Ao receber o trabalho, verifica a conformidade com a ficha de prescrição antes de arquivar ou agendar a entrega ao paciente, e sinaliza ao médico qualquer discrepância.
Higiene, esterilização e segurança no trabalho
Todo o instrumental de ortodontia segue um circuito de esterilização: pré-desinfeção imediatamente após o uso, lavagem para remover resíduos, secagem e verificação, embalagem adequada, esterilização em autoclave seguindo as instruções do fabricante, e armazenamento em local limpo e identificado.
A par disso, o assistente usa sempre equipamento de proteção individual (luvas, máscara, óculos e bata), desinfeta superfícies entre pacientes (cadeira, foco de luz, unidade de sucção, apoios), e separa resíduos cortantes, biológicos e comuns nos recipientes próprios. Estas normas atravessam todos os procedimentos descritos nesta sebenta: preparação, impressões, fotografia, aparelhos removíveis e fixos, e apoio cirúrgico.
11. Noções de oclusão e registos ortodônticos
Porque é que o assistente precisa deste vocabulário
O assistente não classifica nem diagnostica maloclusões: isso é trabalho do médico dentista. Mas ouve estes termos em todas as consultas, lê-os na ficha clínica e nas fichas de laboratório, e precisa de os compreender para preparar o material certo, registar corretamente o que o médico dita e comunicar sem erros com o laboratório.
Classes de Angle (relação molar)
A classificação de Angle compara a posição do primeiro molar superior com a do primeiro molar inferior, olhando para a cúspide mesiovestibular do molar superior e para o sulco vestibular do molar inferior:
| Classe | Relação molar | Leitura simples |
|---|---|---|
| Classe I | a cúspide mesiovestibular do 1.º molar superior encaixa no sulco vestibular do 1.º molar inferior | relação molar normal; pode haver apinhamento ou outros problemas dentários |
| Classe II | o 1.º molar inferior está numa posição mais distal (para trás) em relação ao superior | a arcada inferior parece "recuada" |
| Classe III | o 1.º molar inferior está numa posição mais mesial (para a frente) em relação ao superior | a arcada inferior parece "avançada" |
Na Classe II distinguem-se habitualmente a divisão 1 (incisivos superiores inclinados para vestibular, com trespasse horizontal aumentado) e a divisão 2 (incisivos centrais superiores inclinados para palatino). Em notação FDI, os primeiros molares permanentes são o 16, o 26, o 36 e o 46: a relação molar do lado direito compara o 16 com o 46, e a do lado esquerdo o 26 com o 36.
Existe também uma classificação canina, que compara a cúspide do canino superior com a posição entre o canino e o primeiro pré-molar inferiores: em Classe I canina, a cúspide do canino superior fica na ameia entre o canino inferior e o primeiro pré-molar inferior.
Trespasse horizontal e trespasse vertical
- Trespasse horizontal (overjet): distância, no plano horizontal, entre o bordo incisal dos incisivos superiores e a face vestibular dos incisivos inferiores. Aumentado nas Classes II divisão 1; pode ser nulo ou negativo em algumas Classes III (mordida cruzada anterior).
- Trespasse vertical (overbite): quanto os incisivos superiores cobrem verticalmente os inferiores. Um trespasse vertical excessivo chama-se mordida profunda; a ausência de contacto vertical entre incisivos chama-se mordida aberta.
- Mordida cruzada posterior: quando os dentes posteriores superiores ocluem por dentro (para palatino) dos inferiores, em vez de os cobrirem por fora, de um ou dos dois lados.
Um pequeno trespasse horizontal e vertical é normal. Os valores concretos, a medição e a sua interpretação são do médico.
O conjunto de registos ortodônticos
Antes de iniciar um tratamento (e muitas vezes no fim, ou em fases intermédias), o médico pede um conjunto de registos. O assistente prepara e organiza quase todos:
| Registo | O que é | Papel do assistente |
|---|---|---|
| Fotografias extra e intraorais | sequência padronizada (secção 7) | preparar afastadores e espelhos, fotografar segundo o protocolo, arquivar na ficha |
| Modelos de estudo | modelos em gesso das duas arcadas, com registo de mordida | fazer ou apoiar a impressão, vazar, recortar e identificar os modelos |
| Modelos digitais | ficheiro 3D obtido por digitalização intraoral ou dos modelos | preparar o scanner, apoiar a digitalização conforme o protocolo, confirmar que o ficheiro fica associado ao paciente certo |
| Ortopantomografia | radiografia panorâmica de todas as peças dentárias e maxilares | confirmar que o exame, requisitado pelo médico, está na ficha |
| Telerradiografia de perfil (cefalométrica) | radiografia lateral do crânio usada para análise cefalométrica | idem; a análise e o traçado são do médico |
As radiografias são sempre requisitadas pelo médico; o assistente não decide que exames fazer nem os interpreta.
Registo de mordida
O registo de mordida mostra ao laboratório (ou ao médico, ao montar modelos) como as arcadas encaixam. Pode ser feito em cera ou em silicone próprio para registo de mordida. O assistente prepara a cera (amolecida conforme o protocolo) ou o cartucho de silicone, e o médico indica a posição em que o paciente deve morder. O registo segue desinfetado, identificado e junto das impressões correspondentes.
Impressão digital (scanner intraoral)
Muitos consultórios de ortodontia já trabalham com scanner intraoral, que substitui a impressão convencional por um ficheiro 3D. O assistente:
- Verifica que o equipamento está limpo, desinfetado ou com a ponteira protegida conforme o fabricante, e carregado.
- Prepara o paciente (explicação, afastadores, secagem com seringa tripla e sucção, porque a saliva prejudica a leitura).
- Confirma, no fim, que o ficheiro ficou gravado com o nome e a data certos e que foi enviado ao laboratório pelo meio definido pelo consultório.
Tal como numa impressão de alginato, a prescrição do que se pede ao laboratório é sempre do médico.
Exemplo resolvido · Ler uma ficha clínica
Na ficha de um paciente, o médico escreveu: "Classe II div. 1, overjet aumentado; pedir modelos de estudo, fotografias, ortopantomografia e telerradiografia."
Resolução: o assistente percebe que se trata de uma Classe II com incisivos superiores inclinados para vestibular, o que não altera a sua função, mas ajuda a antecipar o que vai acontecer. Organiza a próxima consulta de registos: prepara moldeiras, alginato e cera para o registo de mordida, prepara o material fotográfico (incluindo a vista de perfil, particularmente útil nestes casos), e confirma com a receção se as radiografias requisitadas pelo médico já foram feitas ou se estão marcadas. Não explica ao paciente o "diagnóstico": isso fica para a consulta com o médico.
12. Ortodontia fixa em detalhe: instrumental, colagem, bandas e remoção
Instrumental específico de ortodontia fixa
| Instrumento | Para que serve |
|---|---|
| Alicate de Weingart | alicate universal de pontas finas e serrilhadas; o médico usa-o para colocar, guiar e retirar o arco nos brackets e tubos |
| Alicate de How | pontas arredondadas e serrilhadas; segura e posiciona arcos e pequenos acessórios |
| Alicate de corte distal | corta o excesso de arco atrás do último tubo e retém o fragmento cortado, para que não caia na boca |
| Alicate de corte de ligaduras | corta ligaduras metálicas e fios finos; não serve para arcos grossos |
| Alicate de remoção de brackets | descola os brackets no fim do tratamento |
| Alicate de remoção de bandas | retira as bandas dos molares, apoiando-se na cúspide |
| Alicate de Adams (ou de bico de pássaro) | dobra fios de pequeno calibre, por exemplo grampos e molas de aparelhos removíveis |
| Porta-agulhas de Mathieu | coloca ligaduras elásticas e segura ligaduras metálicas |
| Posicionador de brackets (pinça porta-brackets e medidor de altura) | segura o bracket e ajuda o médico a posicioná-lo à altura certa |
| Empurrador de bandas e assentador de bandas | ajudam a assentar a banda no molar |
Todos estes instrumentos são reutilizáveis e seguem o circuito de esterilização (secção 16). As pontas dos alicates de corte perdem o fio com o uso e com a esterilização mal feita (instrumentos húmidos, produtos inadequados): o assistente sinaliza um alicate que "mastiga" o fio em vez de o cortar.
Colagem de brackets, passo a passo, e quem faz o quê
A colagem é um procedimento do médico; o assistente trabalha a quatro mãos, antecipando cada passo.
| Passo | Médico dentista | Assistente |
|---|---|---|
| 1. Profilaxia | limpa as faces dos dentes com pedra-pomes sem flúor e sem óleo (que prejudicariam a adesão) | prepara a taça de borracha e a pedra-pomes, aspira |
| 2. Isolamento | coloca o afastador e decide o isolamento | passa afastadores e rolos de algodão, aspira, mantém o campo seco |
| 3. Condicionamento ácido | aplica o ácido fosfórico (habitualmente em gel a 37%) na zona de colagem, durante o tempo indicado pelo fabricante | cronometra quando pedido, tem a seringa tripla e a sucção prontas |
| 4. Lavagem e secagem | lava e seca; o esmalte condicionado fica com aspeto esbranquiçado e baço | aspira toda a água e o ácido, sem deixar o paciente engolir |
| 5. Adesivo (primer) | aplica o adesivo no esmalte | passa o adesivo e o pincel |
| 6. Bracket | posiciona cada bracket e remove os excessos de resina | passa cada bracket, já com a resina na base, na ordem certa (dente a dente, segundo a prescrição de brackets do médico) |
| 7. Fotopolimerização | confirma a posição e dá a indicação | fotopolimeriza quando indicado, com proteção ocular, durante o tempo do fabricante |
| 8. Arco inicial | coloca o arco e as ligaduras | passa o porta-agulhas de Mathieu e o alicate de corte distal, recolhe fragmentos |
Os brackets não são todos iguais: cada dente tem o seu bracket (com inclinação e torque próprios) e muitos trazem uma marca de identificação. Trocar o bracket de um incisivo lateral pelo de um central é um erro de preparação que obriga a descolar e voltar a colar.
Alguns sistemas usam primers autocondicionantes, que juntam o condicionamento e o adesivo num só passo. É o médico quem escolhe o sistema; o assistente segue o protocolo desse produto.
Separadores e bandas
- Numa sessão anterior (habitualmente alguns dias antes), o médico coloca separadores elásticos entre os molares e os dentes vizinhos, para criar o espaço de que a banda precisa. O assistente prepara os separadores e o instrumento (alicate próprio ou fio dental) e explica ao paciente que é normal sentir pressão e que, se um separador cair, deve contactar a clínica.
- Na sessão das bandas, o médico retira os separadores e prova as bandas até encontrar o tamanho certo para cada molar. O assistente tem o estojo de bandas organizado por tamanhos e regista os tamanhos escolhidos, se o protocolo o pedir.
- As bandas provadas e não usadas não voltam ao estojo sem passar pelo circuito de limpeza e esterilização definido pelo consultório.
- O assistente mistura o cimento de ionómero de vidro (convencional ou modificado por resina) conforme o fabricante, carrega o interior da banda e passa-a ao médico, que a assenta com o empurrador e o assentador de bandas.
- O médico remove os excessos de cimento; o assistente aspira e passa a sonda.
Remoção do aparelho fixo e passagem à contenção
No fim do tratamento ativo, o médico remove os brackets (alicate de remoção de brackets), as bandas (alicate de remoção de bandas) e os restos de resina (com brocas próprias, conforme a técnica do médico). O assistente:
- Prepara os alicates, as brocas e a turbina ou o contra-ângulo indicados, com sucção de alto volume.
- Protege o paciente (óculos) e recolhe brackets e bandas retirados, que seguem para o contentor adequado.
- Prepara o material para os registos finais (fotografias e impressões) e para a contenção pedida pelo médico (secção 14).
Trabalho a quatro mãos: zonas de atividade
Na ortodontia fixa, o ritmo depende muito da coordenação entre médico e assistente. Usa-se o conceito do relógio: imagina-se a cabeça do paciente no centro de um mostrador, com as 12 horas atrás da cabeça. Para um médico destro:
| Zona | Posição no relógio | Para que serve |
|---|---|---|
| Zona do operador | das 7 às 12 horas | onde o médico se senta e se movimenta |
| Zona estática | das 12 às 2 horas | carrinho ou móvel com o material que não passa por cima do paciente |
| Zona do assistente | das 2 às 4 horas | onde o assistente se senta, ligeiramente mais alto do que o médico, para ver o campo |
| Zona de transferência | das 4 às 7 horas | onde os instrumentos e materiais passam de mão em mão, abaixo do queixo do paciente |
Para um médico esquerdino, as zonas espelham-se. Os instrumentos nunca passam por cima da cara do paciente: a transferência faz-se sempre na zona de transferência, com o instrumento orientado para ser usado de imediato (ponta ativa virada para o dente a tratar).
Exemplo resolvido · Preparar a primeira colagem
Um paciente vai colar o aparelho fixo nas duas arcadas. As bandas nos primeiros molares já foram cimentadas na semana anterior.
Resolução: o assistente confirma na ficha a prescrição de brackets e o arco inicial indicados pelo médico. Prepara: afastador labial, rolos de algodão, taça e pedra-pomes sem flúor, ácido fosfórico em gel, adesivo e pincéis, resina de colagem, brackets organizados por dente, pinça porta-brackets, fotopolimerizador testado e óculos com filtro, arcos iniciais, porta-agulhas de Mathieu com ligaduras, alicate de corte distal, sonda e espelho, cera ortodôntica e escova ortodôntica para a entrega de instruções. Coloca o material na zona estática pela ordem de uso e senta-se na zona do assistente antes de o médico começar.
13. Aparelhos removíveis, funcionais e extraorais em detalhe
Anatomia de uma placa removível
A placa removível clássica tem três partes, que o assistente deve saber nomear ao verificar um aparelho que chega do laboratório:
- Base acrílica: a parte em resina que assenta no palato (placa superior) ou junto à face lingual dos dentes inferiores.
- Elementos de retenção: sobretudo os grampos de Adams, fios dobrados que abraçam os primeiros molares (ou outros dentes indicados) e seguram a placa no lugar.
- Elementos ativos: parafuso expansor embebido no acrílico, molas de fio que empurram dentes isolados, e o arco vestibular, que passa à frente dos incisivos.
O parafuso expansor ativa-se com uma chave própria, rodando um número de vezes e com uma frequência que só o médico define. Muitas vezes é o paciente (ou um familiar, no caso de crianças) que faz a ativação em casa: o assistente pode mostrar como se introduz a chave e em que sentido se roda (há uma seta gravada no parafuso), sempre reproduzindo a indicação escrita pelo médico.
Aparelhos funcionais
Os aparelhos funcionais usam a musculatura e a posição da mandíbula para influenciar o crescimento dos maxilares, e por isso são usados sobretudo em crianças e adolescentes em crescimento. Existem vários desenhos (monobloco, blocos gémeos, entre outros), quase todos feitos em laboratório a partir de impressões e de um registo de mordida construtiva na posição indicada pelo médico. Para o assistente, isto significa: impressões sem defeitos, registo de mordida bem identificado e ficha de laboratório completa.
Aparelhos extraorais
Alguns tratamentos usam forças aplicadas fora da boca:
- Arco extraoral com casquete ou tração cervical: um arco facial encaixa em tubos das bandas dos molares superiores e liga-se a um casquete ou a uma banda à volta do pescoço.
- Máscara facial: apoia-se na testa e no queixo e, através de elásticos, aplica força à arcada superior.
O médico define o tipo, a força e as horas diárias de uso. O assistente ajuda a explicar ao paciente e à família como se coloca e retira o aparelho (sempre pela ordem indicada, para o arco não saltar em direção à cara), reforça que o aparelho não se usa em jogos nem em desporto, e que qualquer peça solta, partida ou que magoe é motivo para contactar a clínica e deixar de usar até à consulta. Muitos arcos extraorais têm um mecanismo de segurança que se solta se o arco for puxado com força: o assistente confirma com o médico que o paciente sabe como funciona.
Alinhadores transparentes
Os alinhadores são uma sequência de goteiras em plástico termoformado, fabricadas a partir de um modelo digital do paciente. Em muitos casos o médico cola pequenos attachments (relevos em resina da cor do dente) para ajudar os alinhadores a mover os dentes, usando uma goteira-modelo fornecida pelo fabricante. O assistente:
- Organiza os alinhadores entregues por número de etapa e confirma o nome do paciente em cada embalagem.
- Prepara o material para a colagem dos attachments (como numa colagem de brackets: profilaxia, isolamento, condicionamento, adesivo, resina, fotopolimerização), que é feita pelo médico.
- Reforça as instruções de uso: tirar para comer e para beber algo que não seja água, escovar os dentes antes de voltar a colocar, guardar sempre na caixa, e cumprir as horas diárias indicadas pelo médico.
Exemplo resolvido · Verificar uma placa que chega do laboratório
Chega do laboratório uma placa superior com parafuso expansor para uma criança de 9 anos.
Resolução: o assistente compara a placa com a ficha de prescrição: nome do paciente, arcada superior, parafuso expansor, grampos de Adams nos dentes pedidos, arco vestibular se pedido. Confirma que o acrílico não tem arestas cortantes nem bolhas, que os grampos não estão deformados e que a chave do parafuso veio com o aparelho. Guarda a placa na caixa identificada, com a declaração do laboratório (secção 17), até à consulta de entrega. Qualquer diferença em relação à ficha é comunicada ao médico, que decide se o aparelho segue ou volta ao laboratório.
14. Contenção
Porque é que o tratamento não acaba quando o aparelho sai
Depois do tratamento ativo, os dentes têm tendência para voltar à posição inicial (recidiva). A contenção é a fase que segura o resultado, e pode durar anos. Há dois grandes tipos, muitas vezes combinados:
| Tipo | O que é | Cuidados a transmitir |
|---|---|---|
| Contenção fixa | fio fino colado na face lingual ou palatina dos dentes anteriores | não morder objetos duros com os dentes da frente; usar escovilhão ou passa-fio para limpar por baixo do fio; contactar a clínica se o fio se soltar de algum dente |
| Placa de Hawley | placa removível com base acrílica, grampos e arco vestibular | usar nas horas indicadas pelo médico; limpar como qualquer aparelho removível; guardar na caixa |
| Goteira termoformada | goteira transparente fina, feita a partir de um modelo | não beber bebidas quentes nem açucaradas com a goteira colocada; limpar com água fria ou morna e escova macia |
As horas de uso da contenção removível são sempre indicadas pelo médico: muitas vezes começa com uso prolongado e passa, mais tarde, a uso noturno. O assistente reforça que deixar de usar a contenção pode fazer perder, em pouco tempo, o resultado de anos de tratamento.
O papel do assistente na consulta de contenção
- Preparar o material para as impressões ou a digitalização finais, que servem para o laboratório fazer a contenção.
- Na colagem de uma contenção fixa (feita pelo médico), preparar o fio já adaptado pelo laboratório ou pelo médico, o material de colagem e o fotopolimerizador, e manter o campo seco.
- Entregar por escrito as instruções de uso e de higiene definidas pelo médico e marcar as consultas de controlo.
15. Higiene oral com aparelho e pequenas urgências
Porque é que a higiene muda com um aparelho fixo
Brackets, bandas e arcos criam muitos recantos onde a placa bacteriana se acumula. Sem uma escovagem cuidada, aparecem lesões de mancha branca (desmineralização do esmalte à volta dos brackets, que pode evoluir para cárie) e gengivite. Estas lesões podem ficar visíveis depois de o aparelho sair, estragando um resultado que, em termos de posição dentária, está perfeito.
Instruções que o assistente reforça (definidas pelo médico)
- Escova ortodôntica (com as fibras centrais mais curtas, em forma de V) e escovagem cuidada acima e abaixo dos brackets, depois de cada refeição.
- Escovilhões interdentários para limpar entre os brackets e debaixo do arco.
- Passa-fio ou fio dentário próprio para passar por baixo do arco.
- Dentífrico fluoretado e, se o médico prescrever, colutório ou gel de flúor; a concentração e a frequência são indicadas pelo médico.
- Evitar alimentos duros (que descolam brackets e dobram arcos), pegajosos (caramelos, pastilhas elásticas) e o consumo frequente de açúcar e bebidas ácidas.
- Cumprir as consultas de higiene oral marcadas.
O assistente pode demonstrar a técnica num modelo e verificar, com um revelador de placa se o protocolo o previr, onde o paciente está a falhar, registando na ficha para o médico.
Pequenas urgências: o que o assistente faz e o que não faz
| Situação | Orientação a dar (validada pelo médico) | O que não se faz |
|---|---|---|
| Ponta de arco a picar a bochecha | colocar cera ortodôntica sobre a ponta e contactar a clínica para marcar consulta | o paciente não corta o arco; o assistente também não o corta nem dobra |
| Bracket solto (preso ao arco) | não tentar retirar; cera se incomodar; contactar a clínica | não colar de novo em casa, não puxar |
| Ligadura elástica solta ou perdida | contactar a clínica, que decide se é preciso consulta antecipada | não substituir por elásticos improvisados |
| Elástico intermaxilar partido | substituir por um novo do mesmo tipo, como o médico ensinou | não mudar o tipo nem o sítio de colocação |
| Aparelho removível partido ou que não entra | guardar na caixa e contactar a clínica | não forçar nem tentar colar |
| Aparelho extraoral solto ou deformado | deixar de usar e contactar a clínica | não usar "à mesma" |
| Dor forte, inchaço, trauma na boca ou na face | contactar de imediato a clínica ou, se grave, os serviços de urgência | não dar indicações sobre medicação |
Na clínica, é o médico que avalia a urgência e decide: cortar o excesso de arco, voltar a colar o bracket, trocar a ligadura. O assistente atende a chamada com calma, regista o que o paciente descreve (qual o dente, desde quando, se há dor), transmite ao médico e prepara o material provável para a consulta de urgência.
16. Controlo de infeção e segurança no gabinete de ortodontia
Precauções Básicas de Controlo de Infeção
Em Portugal, a referência é a Norma da DGS n.º 029/2012, sobre Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI). Aplicam-se a todos os doentes, independentemente do que se sabe sobre eles, e incluem: higiene das mãos, uso de equipamento de proteção individual adequado ao risco, controlo ambiental (limpeza e desinfeção de superfícies), manuseamento seguro da roupa, recolha segura de resíduos, descontaminação do equipamento clínico, práticas seguras na preparação e administração de injetáveis, prevenção da exposição a agentes microbianos no local de trabalho (incluindo as picadas e cortes com cortoperfurantes), etiqueta respiratória e colocação adequada dos doentes.
Em ortodontia, algumas destas precauções ganham peso próprio:
- Aerossóis: a remoção de resina no fim do tratamento e a profilaxia geram aerossóis; usar sucção de alto volume, máscara e proteção ocular (ou viseira).
- Cortoperfurantes: os fragmentos de arco cortados, as ligaduras metálicas e as pontas de fio são cortantes; vão sempre para o contentor rígido de cortoperfurantes, cheio no máximo até 2/3 (ou até à linha indicada pelo fabricante), nunca para o lixo comum.
- Agulhas: a ortodontia raramente usa anestesia, mas nas cirurgias de apoio usa; as agulhas nunca se reencapam com as duas mãos, usa-se a técnica de uma só mão ou um dispositivo próprio.
Classificação de Spaulding aplicada à ortodontia
| Categoria | Definição | Exemplos em ortodontia | Tratamento mínimo |
|---|---|---|---|
| Crítico | penetra tecidos ou entra em contacto com sangue | instrumental cirúrgico das extrações, das exposições de dentes inclusos e dos mini-implantes | esterilização |
| Semicrítico | contacta com mucosas sem as penetrar | alicates ortodônticos, porta-agulhas de Mathieu, espelhos, afastadores e espelhos fotográficos, moldeiras metálicas | esterilização (preferível sempre que o material a tolera) ou desinfeção de alto nível |
| Não crítico | contacta apenas com pele intacta | cadeira, foco, avental ou babete reutilizável, câmara fotográfica | limpeza e desinfeção de nível baixo ou intermédio |
Os alicates ortodônticos têm articulações onde se acumulam resíduos: a lavagem (com escova, ou em ultrassons, com a articulação aberta) é essencial antes de embalar, e devem estar bem secos antes da autoclave, para não oxidarem nem perderem o corte.
Impressões, modelos e aparelhos
- As impressões são lavadas em água corrente para retirar saliva e sangue e depois desinfetadas com o produto e o tempo indicados pelo fabricante do desinfetante e compatíveis com o material (alginato ou silicone), antes de serem vazadas ou enviadas.
- Os aparelhos que entram e saem da boca (placas, contenções, aparelhos que voltam do laboratório) são também desinfetados segundo o protocolo antes de passarem de mãos.
Resíduos
A triagem de resíduos hospitalares segue o Despacho n.º 242/96, que os organiza em quatro grupos:
| Grupo | Tipo | Exemplos em ortodontia |
|---|---|---|
| I | equiparados a urbanos | embalagens sem contaminação, papel |
| II | hospitalares não perigosos | material não contaminado sem risco biológico, conforme o plano da clínica |
| III | hospitalares de risco biológico | material com sangue ou fluidos: compressas, luvas e babetes contaminados |
| IV | hospitalares específicos | cortoperfurantes (agulhas, lâminas, fragmentos de arco, ligaduras metálicas), entre outros |
17. Cirurgia ortognática, laboratório e dispositivos feitos por medida
O percurso de um caso ortocirúrgico
Quando a discrepância entre os maxilares é grande e o paciente já terminou o crescimento, o médico pode propor um tratamento ortocirúrgico: ortodontia antes da cirurgia, cirurgia ortognática (feita em meio hospitalar por um cirurgião maxilofacial) e ortodontia depois da cirurgia, para o acabamento. No consultório de ortodontia, o assistente participa nas fases antes e depois da cirurgia:
- Registos pré-cirúrgicos: fotografias, impressões ou digitalização, registo de mordida e as radiografias pedidas pelo médico, reunidos e identificados para o planeamento conjunto com o cirurgião.
- Goteiras cirúrgicas: são fabricadas pelo laboratório (ou por planeamento digital) a partir dos registos e da prescrição do médico e do cirurgião. O assistente controla o envio, o prazo e a receção, que tem de chegar a tempo da data da cirurgia.
- Preparação do aparelho fixo: o médico coloca muitas vezes um arco rígido com ganchos para a fixação intermaxilar; o assistente prepara o material.
- Pós-operatório: nas consultas seguintes, prepara os elásticos e o material indicados pelo médico e reforça as instruções de higiene, que nesta fase são mais difíceis e mais importantes.
Comunicação com o laboratório de prótese, em detalhe
Uma boa ficha de prescrição para ortodontia inclui, além da identificação do paciente, do médico e da clínica:
- O tipo de aparelho (por exemplo, placa superior com parafuso expansor, placa de Hawley, goteira de contenção, aparelho funcional, goteira cirúrgica).
- Os elementos pedidos e a sua localização em notação FDI (por exemplo, grampos de Adams no 16 e no 26).
- O material enviado: impressões (e em que material), modelos, ficheiros digitais, registo de mordida.
- A cor do acrílico, quando o paciente pode escolher, e outras indicações particulares.
- A data de envio, a data pretendida de entrega e a data da consulta em que o aparelho vai ser colocado.
O assistente escreve e fala com o laboratório de forma objetiva e rastreável: telefonemas importantes ficam registados na ficha, com data e nome do interlocutor, e dúvidas técnicas sobre o desenho do aparelho são passadas ao médico, que responde ao laboratório ou autoriza a resposta.
Dispositivos médicos feitos por medida
Os aparelhos ortodônticos fabricados por um laboratório para um paciente concreto são dispositivos médicos feitos por medida. Estão abrangidos pelo Regulamento (UE) 2017/745, relativo aos dispositivos médicos, e pelo Decreto-Lei n.º 29/2024, que assegura a sua execução em Portugal; a autoridade competente é o INFARMED. O antigo Decreto-Lei n.º 145/2009 foi revogado.
Na prática, o regulamento dá duas razões para o assistente levar a sério a papelada:
- Um dispositivo feito por medida é fabricado a partir de uma prescrição escrita de um profissional habilitado: a ficha de prescrição do médico não é um formalismo, é o documento que dá origem ao aparelho.
- O fabricante (o laboratório) elabora uma declaração para cada dispositivo feito por medida, que identifica o paciente, o prescritor e as características do aparelho. O assistente confirma que a declaração veio com o trabalho e arquiva-a com a ficha do paciente, segundo o procedimento do consultório.
Fotografias e dados do paciente
As fotografias clínicas, os modelos digitais e as fichas de laboratório são dados de saúde, protegidos pelo Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados. O assistente:
- Confirma que existe o consentimento do paciente (ou dos pais, no caso de menores) para o registo fotográfico e para os usos previstos pela clínica.
- Guarda as fotografias apenas nos sistemas da clínica, nunca no telemóvel pessoal nem em redes sociais.
- Envia ao laboratório apenas os dados necessários, pelos canais definidos pelo consultório.
Exemplo resolvido · Um aparelho que não corresponde ao pedido
Chega do laboratório uma placa de Hawley superior, mas a ficha de prescrição pedia uma goteira termoformada superior.
Resolução: o assistente não entrega o aparelho nem o devolve por iniciativa própria. Informa o médico, mostrando a ficha e o aparelho recebido. Com a indicação do médico, contacta o laboratório por escrito, identificando o paciente, a data do pedido, o que foi pedido e o que chegou, e pede um prazo para a correção. Regista o contacto na ficha e, se necessário, remarca a consulta de entrega, explicando ao paciente apenas que o aparelho ainda não está pronto.
Erros comuns
- Descrever o assistente a diagnosticar, prescrever ou decidir um tratamento; essas funções são sempre do médico dentista.
- Escolher a moldeira de impressão sem a testar antes na boca do paciente.
- Misturar alginato ou silicone em proporções diferentes das indicadas pelo fabricante.
- Deixar o campo húmido durante a colagem de brackets, comprometendo a adesão.
- Confundir ligaduras elásticas com elásticos intermaxilares, que têm funções diferentes.
- Enviar impressões ou modelos ao laboratório sem confirmar a desinfeção prévia.
- Relaxar o uso de equipamento de proteção individual em procedimentos considerados "rápidos" ou "simples".
Glossário
- Ortodontia: área da medicina dentária que corrige a posição dos dentes e a relação entre as arcadas.
- Bracket: peça colada ao dente que recebe o arco.
- Banda: anel metálico cimentado a um molar, para ancorar acessórios.
- Arco (fio): fio que liga os brackets e aplica a força ortodôntica.
- Ligadura: elemento elástico ou metálico que prende o arco ao bracket.
- Elástico intermaxilar: elástico que liga a arcada superior à inferior.
- Separador: colocado entre molares para abrir espaço antes de uma banda.
- Alginato: material hidrocoloide irreversível usado em impressões de estudo.
- Silicone de impressão: material mais preciso e estável, usado em moldes definitivos.
- Fotopolimerizador: aparelho que endurece resinas e cimentos com luz.
- Aparelho removível: aparelho colocado e retirado pelo próprio paciente.
- Aparelho fixo: aparelho colado aos dentes, removido apenas pelo médico.
- Mini-implante ortodôntico: miniparafuso usado como ponto de ancoragem auxiliar.
- Ficha de prescrição: documento do médico que acompanha um pedido ao laboratório de prótese.
- Autoclave: aparelho que esteriliza instrumentos por vapor de água sob pressão.
- EPI: equipamento de proteção individual (luvas, máscara, óculos, bata).
- Classe de Angle: classificação da relação entre o 1.º molar superior e o 1.º molar inferior (Classes I, II e III).
- Trespasse horizontal (overjet) e trespasse vertical (overbite): sobreposição dos incisivos superiores sobre os inferiores, no plano horizontal e no vertical.
- Grampo de Adams: elemento de retenção em fio que segura uma placa removível aos molares.
- Porta-agulhas de Mathieu: instrumento usado para colocar ligaduras elásticas.
- Alicate de corte distal: alicate que corta o excesso de arco atrás do último tubo e retém o fragmento.
- Contenção: fase e aparelhos (fixos ou removíveis) que mantêm o resultado depois do tratamento ativo.
- Lesão de mancha branca: desmineralização do esmalte à volta dos brackets por acumulação de placa.
- PBCI: Precauções Básicas de Controlo de Infeção (Norma DGS 029/2012).
- Dispositivo feito por medida: dispositivo médico fabricado para um paciente concreto a partir de uma prescrição escrita.
Síntese
O trabalho do assistente dentário em ortodontia organiza-se sempre em torno de duas realizações: preparar (equipamentos, instrumentos, materiais, o gabinete e o paciente) e coadjuvar (durante impressões, fotografia, colocação e ajuste de aparelhos removíveis e fixos, e apoio a cirurgias ortodônticas). A comunicação com laboratórios de prótese garante que o trabalho pedido pelo médico chega correto e a tempo, e a higiene, esterilização e segurança atravessam todos os procedimentos, do primeiro ao último. Em nenhum momento o assistente diagnostica, prescreve ou realiza atos clínicos invasivos: a sua força está na destreza, no rigor, na organização e na comunicação eficaz dentro dos limites da sua função.
Exercícios resolvidos
1. Um paciente pergunta ao assistente, a meio de uma impressão, "isto quer dizer que vou ter de operar?". Como deve responder o assistente?
Resolução: o assistente não avança qualquer resposta clínica sobre a necessidade de cirurgia. Explica, em termos simples, que a impressão serve para o médico avaliar o caso com mais detalhe, e que qualquer decisão sobre o tratamento, incluindo uma eventual necessidade cirúrgica, será sempre explicada pelo médico.
2. Que diferença há entre alginato e silicone de impressão, e quando se usa cada um?
Resolução: o alginato é um hidrocoloide irreversível, rápido e económico, indicado sobretudo para modelos de estudo. O silicone é mais preciso e estável, tolera melhor um pequeno atraso até ao vazamento, e é preferido para moldes definitivos e registos de mordida enviados ao laboratório. A escolha entre os dois é sempre indicada pelo médico, conforme a finalidade do modelo.
3. Antes de colar brackets, o assistente nota que o fotopolimerizador demora mais tempo a atingir a intensidade habitual. O que deve fazer?
Resolução: regista a observação e avisa de imediato o responsável pelo equipamento, sem tentar reparar por conta própria. Se houver dúvida sobre a fiabilidade da luz, sugere adiar a colagem até o equipamento ser verificado, porque uma fotopolimerização incompleta compromete a adesão do bracket.
4. Um aparelho removível chega do laboratório. Que verificação deve fazer o assistente antes de o entregar ao paciente?
Resolução: confirmar que o aparelho corresponde à ficha de prescrição do médico (tipo de aparelho, especificações técnicas, paciente correto) e que está limpo e em condições de ser entregue. Qualquer discrepância deve ser sinalizada ao médico antes da entrega.
5. Durante um ajuste de aparelho fixo, o médico pede ao assistente para fotopolimerizar um novo bracket recém-colado. Isto contraria o limite "o assistente não realiza atos clínicos"?
Resolução: não. Fotopolimerizar sob indicação direta e imediata do médico, num procedimento já preparado e supervisionado por ele, é uma tarefa de apoio técnico, não uma decisão clínica. O limite que a UC protege é a decisão (que dente tratar, que material usar, quando terminar o procedimento), não a execução manual de um passo indicado.