Sebenta · Assistir o médico dentista em prostodontia fixa (UC04013)
- Introdução
- 1. Prostodontia fixa: conceito, tipos e componentes
- 2. Avaliação e planeamento: anamnese e exame oral
- 3. Meios auxiliares de diagnóstico
- 4. Coadjuvar o médico dentista
- 5. Preparar materiais e equipamentos
- 6. Materiais de impressão em prostodontia fixa
- 7. Fio de retração gengival
- 8. Etapas clínicas do tratamento
- 9. Cimentação provisória e definitiva
- 10. Manuseamento e envio de trabalhos protésicos
- 11. Avanços tecnológicos: scanners e CAD-CAM
- 12. Higiene e educação para a saúde oral
- 13. Problemas com próteses fixas e resolução
- 14. Limpeza, higienização e segurança no trabalho
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta prepara-te para uma das áreas mais técnicas do trabalho do/a Técnico/a Assistente Dentário: apoiar o médico dentista em prostodontia fixa, a reabilitação de dentes ausentes ou muito destruídos com próteses cimentadas, que o paciente não remove. É trabalho de precisão, feito quase sempre a quatro mãos, em que cada gesto do/a assistente influencia diretamente o resultado final entregue ao paciente.
O percurso segue a lógica do próprio tratamento: começamos por clarificar o que é a prostodontia fixa e os seus tipos, passamos pela avaliação e planeamento (anamnese, exame oral, meios auxiliares de diagnóstico), entramos no coração técnico da UC, a preparação de materiais, as impressões, o fio de retração e as etapas clínicas do tratamento, avançamos para a cimentação, o manuseamento de trabalhos protésicos e os avanços tecnológicos, e terminamos nos cuidados ao paciente, nos problemas mais comuns e na limpeza, higienização e segurança no trabalho.
Todo o conteúdo desta sebenta pressupõe um princípio que não se negoceia: o/a Técnico/a Assistente Dentário atua sempre sob orientação do médico dentista. Não diagnostica, não prescreve, não decide o tratamento e não executa atos clínicos (como preparar um dente, colocar o fio de retração no sulco ou cimentar uma prótese): esses atos são sempre do médico dentista. O seu valor está em coadjuvar com competência, preparar com rigor, manusear com segurança e comunicar com clareza.
Objetivos de aprendizagem (referencial): coadjuvar o médico dentista na reabilitação fixa e próteses; identificar as novas tecnologias aplicadas à prostodontia fixa; enunciar cuidados específicos aplicáveis às próteses fixas e os problemas associados; preparar materiais e equipamentos de acordo com as normas de boas práticas e segurança; coadjuvar durante o exame oral e os exames complementares de diagnóstico; manusear e acondicionar corretamente impressões e trabalhos protésicos; promover estratégias de educação para a saúde e higiene oral; manusear equipamentos, instrumentos e materiais com destreza e segurança; e garantir a limpeza e higienização de equipamentos, instrumentos, materiais e do consultório.
1. Prostodontia fixa: conceito, tipos e componentes
O que distingue a prostodontia fixa
A prostodontia (ou protesodontia) é a área da medicina dentária dedicada à reabilitação de dentes ausentes ou muito danificados, através de próteses. Divide-se em duas grandes famílias, conforme quem controla a remoção da peça:
- Prostodontia removível: o paciente coloca e retira a prótese para higienizar (próteses parciais ou totais removíveis).
- Prostodontia fixa: a prótese é cimentada sobre dentes preparados ou implantes, e só o médico dentista a remove, quando necessário.
A escolha entre uma e outra depende do número e da posição dos dentes ausentes, do estado dos dentes vizinhos, das expectativas do paciente e da avaliação clínica, sempre feita pelo médico dentista.
Objetivos da reabilitação fixa
Uma prótese fixa bem planeada devolve, em simultâneo, três dimensões que raramente se conseguem isolar uma da outra:
- Função: capacidade de mastigar e falar sem interferências.
- Estética: harmonia de forma e cor com os dentes vizinhos.
- Proteção: um dente muito destruído ou tratado endodonticamente fica mais frágil e beneficia de uma coroa que o protege de fratura.
Tipos de reabilitação fixa
| Tipo | O que repõe | Observação |
|---|---|---|
| Coroa unitária | reveste um único dente muito destruído ou desvitalizado | não substitui um dente ausente |
| Ponte fixa (prótese parcial fixa) | um ou mais dentes ausentes | apoia-se em dentes ou implantes vizinhos |
| Inlay / onlay / overlay | parte da coroa de um dente | restauração indireta, feita em laboratório ou por CAD-CAM, mais conservadora do que uma coroa completa; o inlay fica dentro das cúspides, o onlay cobre uma ou mais cúspides, o overlay cobre toda a face oclusal |
| Faceta | a face vestibular (visível) de um dente | lâmina fina, em regra de cerâmica, cimentada com técnica adesiva, sobretudo por razões estéticas |
| Prótese fixa sobre implantes | coroa ou ponte cimentada ou aparafusada | os pilares são implantes, não dentes naturais |
| Provisório | protege temporariamente o dente preparado | usado entre a preparação e a colocação da peça definitiva (ver capítulo 9) |
Componentes de uma ponte fixa
Uma ponte fixa organiza-se sempre em torno de quatro componentes, cujo nome aparece em qualquer ficha de trabalho protésico ou conversa clínica:
- Pilar: o dente preparado ou o implante que vai suportar a prótese. Uma ponte precisa de pelo menos um pilar de cada lado do espaço a repor, salvo desenhos específicos decididos pelo médico dentista.
- Retentor: a coroa cimentada sobre o pilar, a parte que "agarra" toda a estrutura.
- Pôntico: o elemento que substitui o dente ausente. Não tem raiz nem apoio direto no osso: fica sobre a crista (rebordo) desdentada, em contacto com a gengiva, e toda a carga que recebe passa aos pilares através dos conectores.
- Conector: a zona de união entre retentores e pôntico. Pode ser rígido (soldado ou fundido numa só peça) ou ter algum grau de movimento controlado, conforme o desenho protético.
Compreender estes componentes ajuda a interpretar qualquer prescrição do médico dentista e a antecipar o que o laboratório vai precisar de receber.
Materiais das próteses fixas
O material da prótese é escolhido pelo médico dentista, mas condiciona quase tudo o que o/a assistente prepara a seguir: o tipo de impressão, o cimento provisório, o cimento definitivo e os instrumentos de ajuste.
| Material | Características | Uso típico |
|---|---|---|
| Metalocerâmica | estrutura metálica revestida a cerâmica; resistente, com longo historial clínico; o metal pode tornar-se visível na margem se a gengiva retrair | coroas e pontes, sobretudo em zonas posteriores |
| Zircónia | cerâmica policristalina muito resistente; pode ser monolítica (uma só peça) ou revestida a cerâmica; fabricada por CAD-CAM | coroas e pontes, incluindo posteriores e sobre implantes |
| Dissilicato de lítio | cerâmica vítrea muito estética, translúcida, com boa resistência; aceita cimentação adesiva | coroas unitárias, facetas, inlays e onlays, sobretudo anteriores e pré-molares |
| Resinas (acrílicas, bis-acrílicas, compósitas) | menos resistentes, fáceis de ajustar e reparar | provisórios; algumas restaurações indiretas |
Duas ideias práticas: as cerâmicas vítreas (como o dissilicato de lítio) ganham resistência quando são cimentadas com técnica adesiva, o que exige isolamento cuidadoso do campo; a zircónia, por ser muito dura, ajusta-se com brocas ou pontas diamantadas próprias e polimento específico, que o/a assistente tem de ter no tabuleiro da prova.
2. Avaliação e planeamento: anamnese e exame oral
A anamnese
Antes de qualquer procedimento de prostodontia fixa, o médico dentista faz a anamnese, a recolha estruturada da história clínica do paciente. O/a assistente apoia a preparação da ficha, o registo e, muitas vezes, a organização da documentação anterior.
A anamnese cobre, tipicamente:
- História médica geral: doenças crónicas, alergias (incluindo a látex, a metais ou a anestésicos), medicação em curso (por exemplo, anticoagulantes), gravidez.
- História dentária: tratamentos anteriores, hábitos parafuncionais como o bruxismo, queixas atuais.
- Motivo da consulta: o que trouxe o paciente e as suas expectativas.
Tudo isto é registado na ficha clínica, de forma legível e completa, antes de se avançar para o exame. Uma anamnese incompleta não é um detalhe administrativo: uma alergia a metais não identificada pode condicionar a escolha do material da futura prótese, e uma medicação anticoagulante pode influenciar decisões sobre procedimentos com risco de hemorragia.
Exame oral
O exame oral, sempre conduzido pelo médico dentista, avalia o estado do paciente antes de planear a reabilitação. Divide-se em três planos:
- Extraoral: simetria facial, articulação temporomandibular, gânglios linfáticos.
- Intraoral: mucosas, gengiva, dentes remanescentes, o dente ou dentes a reabilitar, espaço interoclusal disponível para a futura prótese.
- Periodontal: saúde da gengiva e do osso de suporte à volta dos dentes envolvidos, condição indispensável antes de planear qualquer prótese fixa. Uma gengiva inflamada não só compromete a saúde do dente, como distorce a impressão que se vier a fazer sobre ela.
O/a assistente coadjuva neste exame segurando espelho e sugador, mantendo o campo visível e seco, organizando os instrumentos por ordem de uso previsível, e registando o que o médico dentista dita.
Trabalho a quatro mãos no exame
O exame oral em prostodontia fixa é já uma introdução ao trabalho a quatro mãos que atravessa toda esta UC: o médico dentista foca-se na observação e na decisão clínica, enquanto o/a assistente gere o campo de trabalho, antecipa a próxima necessidade e mantém a comunicação clara, muitas vezes reduzida a gestos ou a palavras curtas.
As posições organizam-se pelas zonas de atividade, descritas como os ponteiros de um relógio com a cabeça do paciente nas 12 horas. Para um médico dentista destro:
| Zona | Horas | O que acontece |
|---|---|---|
| Zona do operador | das 7 às 12 | onde o médico dentista se senta e se movimenta |
| Zona estática | das 12 às 2 | carrinhos e equipamento que não circulam entre as mãos |
| Zona do assistente | das 2 às 4 | onde o/a assistente se senta, com o sugador e a seringa ar/água |
| Zona de transferência | das 4 às 7 | por cima do peito do paciente, onde se passam instrumentos e materiais |
Para um médico dentista esquerdino, as zonas espelham-se (operador das 12 às 5, assistente das 8 às 10, transferência das 5 às 8). Os instrumentos e os materiais nunca passam por cima da cara do paciente.
3. Meios auxiliares de diagnóstico
Porque não chega só o exame clínico
Nem tudo o que é preciso saber para planear uma reabilitação fixa é visível a olho nu. Por isso, o médico dentista recorre a meios auxiliares de diagnóstico, que complementam a informação recolhida na anamnese e no exame oral.
| Exame | Para que serve |
|---|---|
| Radiografia periapical | avalia raiz, osso de suporte e espaço periodontal de um dente concreto |
| Ortopantomografia | visão geral de toda a arcada, seios maxilares e articulação temporomandibular |
| Fotografias intraorais e extraorais | documentam o estado inicial e apoiam a comunicação com o paciente e com o laboratório |
| Modelos de estudo | reproduzem a arcada em gesso ou digitalmente, para análise fora da boca |
| Scanner intraoral | modelo digital tridimensional da superfície dentária, sem material de impressão convencional |
Cada exame responde a uma pergunta diferente. Uma ortopantomografia dá uma visão de conjunto, mas não substitui uma radiografia periapical quando é preciso avaliar em detalhe a raiz de um dente concreto. O scanner intraoral capta a forma da superfície visível, mas não substitui uma radiografia quando é preciso avaliar osso ou raiz.
O papel do assistente nos exames complementares
- Preparação do equipamento: aparelho de raio-x, sensores digitais ou placas de fósforo, câmara fotográfica intraoral, scanner.
- Posicionamento do paciente, seguindo as instruções da técnica e a proteção radiológica indicada: avental de chumbo e, quando aplicável, colar de tiroide.
- Registo e arquivo dos exames na ficha clínica ou no sistema informático da unidade.
- O/a assistente nunca interpreta clinicamente o resultado: essa leitura, e a decisão que dela decorre, cabem sempre ao médico dentista.
O rigor na preparação evita a necessidade de repetir exames, o que expõe desnecessariamente o paciente a radiação e atrasa o plano de tratamento.
Exemplo resolvido · organizar a documentação de um caso
Um paciente chega para planear uma coroa sobre um dente já tratado endodonticamente. Que documentação é necessária antes de o médico dentista decidir o plano?
- Anamnese atualizada, com atenção a alergias a metais e ao historial do tratamento endodôntico.
- Radiografia periapical recente do dente em causa, para avaliar a raiz e o osso de suporte.
- Fotografias intraorais, para documentar o estado atual e apoiar a escolha da cor.
- Modelo de estudo ou scanner intraoral, para analisar o espaço interoclusal disponível.
Com esta documentação reunida, o médico dentista tem a base necessária para decidir o tipo de coroa e o material mais adequado.
4. Coadjuvar o médico dentista
O que significa coadjuvar
Coadjuvar é apoiar ativamente o médico dentista durante todo o procedimento, antecipando necessidades sem nunca ultrapassar os limites da função. É uma das realizações centrais desta UC: coadjuvar o médico dentista na reabilitação fixa e próteses.
O trabalho organiza-se, quase sempre, a quatro mãos: o médico dentista concentra-se no procedimento clínico, enquanto o/a assistente gere o sugador, o espelho, a luz, a sequência de instrumentos e os materiais. Esta forma de trabalhar exige atenção constante, conhecimento da sequência clínica típica de cada procedimento, e comunicação clara, muitas vezes reduzida a gestos.
Coadjuvar bem tem impacto direto e mensurável: reduz o tempo de cadeira do paciente, reduz o cansaço de toda a equipa e reduz o risco de erro por confusão ou atraso na passagem de instrumentos.
Atitudes que sustentam a coadjuvação
O referencial desta UC nomeia atitudes específicas, e todas se tornam concretas no dia a dia da prostodontia fixa:
- Responsabilidade: cada ação, da preparação do tabuleiro ao registo final, tem impacto direto no paciente.
- Autonomia, dentro dos limites da função: executar tarefas já delegadas e protocoladas sem esperar instrução para cada gesto, mas sem nunca decidir sobre o tratamento.
- Assertividade: comunicar com clareza, sem hesitação, mesmo sob pressão de tempo, por exemplo ao avisar que um material está a chegar ao fim do tempo de trabalho.
- Escuta ativa, tanto das indicações do médico dentista como das queixas do paciente.
- Cooperação com toda a equipa clínica, incluindo com o laboratório de prótese.
- Respeito pelas regras e normas definidas na unidade, desde os protocolos clínicos às normas de segurança.
Onde termina a coadjuvação
Coadjuvar não é decidir. O/a Técnico/a Assistente Dentário nunca diagnostica, nunca prescreve, nunca decide o tipo de prótese ou o material, e nunca executa atos clínicos como preparar um dente, colocar o fio de retração no sulco, cimentar uma prótese ou ajustar a oclusão: prepara, instrumenta, aspira, afasta, regista e informa. A autonomia da função exerce-se sobre a execução de tarefas já definidas pelo médico dentista, nunca sobre a decisão clínica.
5. Preparar materiais e equipamentos
Preparar o tabuleiro de prostodontia fixa
Preparar os materiais e equipamentos, de acordo com as normas de boas práticas e segurança, é o primeiro critério de desempenho explícito desta UC. Um tabuleiro típico para uma sessão de preparação dentária e impressão inclui:
- Instrumentos de exame: espelho, sonda, pinça.
- Anestesia (administrada pelo médico dentista): seringa, carpules e agulhas indicados, com o contentor de cortoperfurantes ao alcance.
- Instrumentos de corte e afastamento: instrumentos rotatórios (turbina, contra-ângulo, brocas específicas para a preparação), fio ou pasta de retração, instrumento de inserção do fio, tesoura para cortar o fio.
- Materiais de impressão: moldeira adequada ao caso, adesivo de moldeira, material de impressão selecionado pelo médico dentista, pistola misturadora e pontas misturadoras quando o material assim o exigir.
- Materiais de registo: cera ou silicone de registo oclusal, escala de cor para comparação.
- Materiais do provisório: matriz de silicone feita antes da preparação, resina bis-acrílica em cartucho, cimento provisório, instrumentos de acabamento.
- Material de proteção: campo, babete, óculos de proteção para o paciente.
Cada item é preparado, verificado e organizado antes de o paciente se sentar na cadeira. Montar o tabuleiro "à medida que se vai precisando" é um erro comum que quebra o ritmo do procedimento e aumenta o risco de esquecimentos.
Verificação de equipamentos antes do procedimento
Preparar não é só reunir materiais: é confirmar que tudo está em condições de uso.
- Instrumentos rotatórios: verificar se giram sem ruído nem vibração anómala e se a refrigeração de água funciona corretamente.
- Pistola de material de impressão: pontas misturadoras novas, cartucho dentro da validade.
- Fotopolimerizador, quando necessário para confecionar ou ajustar um provisório: potência verificada, ponteira limpa.
- Validade dos materiais: cimentos, materiais de impressão e resinas têm prazo de validade, e verifica-se sempre antes de abrir a embalagem.
Um equipamento verificado à partida evita interrupções a meio de um procedimento, com o paciente já preparado e o médico dentista à espera.
6. Materiais de impressão em prostodontia fixa
Porque a impressão é uma etapa crítica
A impressão regista, com rigor tridimensional, a forma dos dentes preparados e dos tecidos vizinhos, informação que o laboratório usa para fabricar a prótese. Um erro nesta etapa propaga-se por todas as seguintes: uma preparação mal registada dá origem a uma prótese que não assenta corretamente, obrigando a repetir trabalho e a novas consultas.
Famílias de materiais de impressão
| Material | Características | Uso típico |
|---|---|---|
| Alginato (hidrocoloide irreversível) | económico, prático, menos preciso e menos estável ao longo do tempo | modelos de estudo, não para prótese fixa definitiva |
| Silicone de condensação | boa precisão, mas contrai com o tempo | impressões que se vazam cedo |
| Silicone de adição (polivinilsiloxano, PVS) | alta precisão e grande estabilidade dimensional | referência para impressões definitivas de prostodontia fixa |
| Poliéter | muito rígido, hidrófilo, capta detalhe mesmo com alguma humidade | casos com controlo de humidade mais difícil |
A escolha do material cabe sempre ao médico dentista, conforme o tipo de prótese, o número de elementos e as condições do campo clínico. O/a assistente conhece as características de cada família para preparar corretamente o material indicado e para antecipar os cuidados de manuseamento que cada um exige.
Técnicas de impressão
- Moldeira de série (pré-fabricada, em vários tamanhos) ou moldeira individual, construída à medida sobre um modelo de estudo prévio, quando se procura maior precisão ou um espaço uniforme de material.
- Técnica de um só passo (dupla mistura): duas viscosidades aplicadas em simultâneo; o material fluido (de baixa viscosidade) é injetado com seringa ou ponta intraoral sobre a preparação e o material mais espesso vai na moldeira, que se leva à boca enquanto o fluido ainda não começou a presa. Aqui, o/a assistente carrega a moldeira ao mesmo tempo que o médico dentista injeta, e a coordenação dos tempos é decisiva.
- Técnica de dois passos (putty-wash): uma primeira impressão prévia com material mais espesso (putty), seguida de uma segunda camada fina (wash) aplicada sobre a preparação, depois de reposicionar a moldeira.
Cuidados de manipulação que estragam uma impressão
- Luvas de látex e siliconas de adição: os compostos de enxofre presentes nas luvas de látex contaminam o catalisador de platina do polivinilsiloxano e podem impedir ou atrasar a presa, sobretudo quando o putty é amassado à mão. Manipula-se o putty de silicone de adição com luvas de vinil ou de nitrilo, e evita-se tocar com luvas de látex na preparação e no fio de retração antes da impressão.
- Humidade: o silicone de adição é naturalmente hidrófobo (as formulações atuais têm agentes que o tornam mais hidrófilo, mas não dispensam o campo seco); saliva ou sangue sobre a margem dão bolhas e margens imprecisas.
- Temperatura: o calor encurta os tempos de trabalho e de presa; um material guardado ao sol ou perto de uma fonte de calor pode começar a presa mais cedo do que o previsto.
- Pontas misturadoras: usa-se sempre uma ponta nova por paciente, e a ponta usada fica no cartucho até à utilização seguinte, a servir de tampa.
O papel do assistente na manipulação
O/a assistente prepara e manipula o material dentro do tempo de trabalho indicado pelo fabricante, e cronometra o tempo de presa. Estes dois tempos são propriedades do material, indicadas na bula ou na embalagem, e variam entre marcas e formulações: por isso não se inventam nem se estimam de memória, seguem sempre a indicação do fabricante para o material concreto em uso.
Exemplo resolvido · escolher o material de impressão
O médico dentista vai fazer uma coroa de dissilicato de lítio sobre um dente já preparado e pede ao/à assistente para preparar o material de impressão definitiva.
- Identificar o objetivo: impressão definitiva, para prótese fixa, com necessidade de alta precisão marginal.
- Excluir o alginato: não tem a estabilidade dimensional exigida para uma impressão definitiva.
- Selecionar silicone de adição (PVS), a referência para este tipo de caso, salvo indicação diferente do médico dentista.
- Preparar a moldeira e a pistola misturadora, confirmando pontas novas e cartucho dentro da validade.
- Manipular dentro do tempo de trabalho indicado na embalagem, e cronometrar o tempo de presa antes de remover a moldeira.
Seguir esta sequência reduz o risco de ter de repetir a impressão por distorção ou por presa incompleta.
7. Fio de retração gengival
Para que serve o afastamento gengival
Antes de uma impressão definitiva, é frequentemente necessário afastar temporariamente a gengiva do preparação dentária, para que o material de impressão consiga registar a margem com nitidez, sem interferência dos tecidos moles.
O afastamento gengival tem duas funções em simultâneo:
- Expor a linha de acabamento da preparação, que fica escondida sob a gengiva na maior parte dos casos.
- Controlar a hemorragia e o fluido sulcular que, sem afastamento, contaminariam a impressão e comprometeriam a nitidez da margem.
O fio é colocado pelo médico dentista; o/a assistente prepara o fio, corta-o no comprimento indicado, e apoia a manipulação, incluindo a cronometragem do tempo em que o fio permanece no sulco.
Técnicas de afastamento
| Técnica | Descrição |
|---|---|
| Fio único | um fio impregnado colocado no sulco gengival, retirado imediatamente antes da impressão |
| Duplo fio | um primeiro fio fica no fundo do sulco durante todo o procedimento; um segundo fio, mais fino, é colocado por cima e retirado apenas antes da impressão |
| Pasta retratora | alternativa ao fio, aplicada com seringa, sem necessidade de compactação mecânica no sulco |
A técnica de duplo fio é geralmente escolhida quando se prevê maior dificuldade em controlar a hemorragia ou o fluido sulcular, por exemplo em preparações mais profundas ou em gengivas mais reativas.
Agentes hemostáticos e cuidados na compactação
Os fios de retração podem vir impregnados com agentes hemostáticos, como sulfato de alumínio ou cloreto de alumínio, que ajudam a controlar pequenas hemorragias durante o procedimento. A escolha do fio, do agente e da técnica é sempre do médico dentista, de acordo com o caso clínico.
A compactação do fio no sulco é feita com um instrumento próprio, de forma suave e controlada: uma força excessiva pode lesar o periodonto de suporte, causando dor e, nalguns casos, recessão gengival a prazo. O/a assistente, quando apoia esta manipulação, mantém sempre o campo visível e seco para o médico dentista trabalhar com precisão.
8. Etapas clínicas do tratamento
Da primeira consulta à prova
O tratamento em prostodontia fixa segue uma sequência clínica com etapas bem definidas, e o/a assistente coadjuva em cada uma delas:
- Registo da cor, com escala de cor, antes da preparação e com os dentes ainda hidratados, e matriz de silicone para o futuro provisório.
- Preparação dentária: o médico dentista desgasta o dente pilar na forma e na dimensão necessárias para receber a futura coroa ou retentor.
- Afastamento gengival e impressão, convencional ou digital, com scanner intraoral, e registo oclusal, para reproduzir com fidelidade o encaixe entre as arcadas.
- Confeção do provisório, para proteger a preparação e manter função e estética até à peça definitiva estar pronta.
- Envio da informação ao laboratório: impressão física ou ficheiro digital, registos de cor e de oclusão, e a ficha de trabalho protésico completa.
Tomada de cor
A cor regista-se no início da consulta, antes de isolar ou preparar o dente: com o isolamento e a boca aberta, os dentes desidratam em poucos minutos e ficam mais claros e opacos, o que leva a escolher uma cor errada. Cuidados que o/a assistente garante:
- Escala de cor limpa e completa (por exemplo, VITA classical, com as cores A1 a D4, ou VITA 3D-Master), a que o laboratório também usa.
- Luz: luz natural difusa ou luz corrigida com temperatura de cor de cerca de 5500 K e índice de reprodução de cor elevado (90 ou mais); desliga-se ou afasta-se o foco da unidade, que encandeia e altera a perceção.
- Envolvente neutra: retirar batom intenso e cobrir roupa de cores fortes com um babete neutro.
- Olhares curtos: comparações de poucos segundos, porque o olho cansa-se e deixa de distinguir tons próximos.
- Registo: a cor escolhida pelo médico dentista vai para a ficha de trabalho protésico, e muitas vezes é acompanhada de uma fotografia com a tabela da escala junto ao dente.
Provisórios
O provisório protege a dentina exposta e a polpa, mantém a gengiva estável, evita que os dentes vizinhos e antagonistas se desloquem, e devolve estética e função enquanto a peça definitiva é fabricada. O método mais comum no consultório é a técnica da matriz:
- Antes da preparação, faz-se uma impressão de silicone (a matriz) do dente ainda intacto ou de um enceramento feito pelo laboratório.
- Depois da preparação, a matriz é carregada com resina bis-acrílica em cartucho de automistura e reposta na boca pelo médico dentista.
- Após a presa indicada pelo fabricante, retira-se, recorta-se, ajusta-se e pule-se o provisório, que é depois cimentado com cimento provisório.
O/a assistente prepara a matriz, o cartucho e as pontas, cronometra os tempos e tem prontos os instrumentos de acabamento e o cimento provisório. O ajuste e a cimentação do provisório na boca são do médico dentista.
Prova e ajuste final
Antes da cimentação definitiva, a estrutura ou a prótese devolvida pelo laboratório passa sempre por uma prova:
- O médico dentista verifica ajuste marginal, contactos proximais com os dentes vizinhos e contactos oclusais com os dentes antagonistas.
- O/a assistente apoia a prova: sugador, papel articular para marcar os pontos de contacto, espelho intraoral.
- Ajustes ligeiros podem ser feitos na própria consulta, com instrumentos rotatórios apropriados ao material da prótese; problemas maiores obrigam a devolver a peça ao laboratório.
Só depois de aprovada na prova é que a prótese avança para a cimentação definitiva. Nunca se cimenta em definitivo sem prova prévia, mesmo sob pressão de tempo: um problema não detetado a tempo torna-se muito mais difícil, ou impossível, de corrigir depois de cimentado.
Exemplo resolvido · o percurso completo de uma coroa unitária
Um paciente vai reabilitar um dente tratado endodonticamente com uma coroa cerâmica. Descreve as etapas clínicas principais, da preparação à cimentação definitiva.
- Registo da cor com a escala de cor, antes da preparação, com o dente hidratado.
- Preparação dentária pelo médico dentista, reduzindo o dente na forma necessária para a coroa.
- Afastamento gengival com fio de retração, para expor a margem da preparação.
- Impressão definitiva com silicone de adição (ou digitalização com scanner intraoral), e registo oclusal.
- Confeção e cimentação do provisório, para proteger o dente até a coroa definitiva estar pronta.
- Envio ao laboratório, com a ficha de trabalho protésico completa.
- Prova da coroa definitiva, verificando ajuste marginal, proximal e oclusal.
- Cimentação definitiva, com o cimento escolhido conforme o material da coroa.
Cada etapa depende da anterior ter corrido bem: um erro na impressão (etapa 4) compromete diretamente o resultado da prova (etapa 7).
Particularidades de cada tipo de tratamento
A sequência base aplica-se a todos os tratamentos, mas cada tipo pede cuidados próprios ao/à assistente:
| Tratamento | O que muda na coadjuvação |
|---|---|
| Coroa unitária | sequência base; atenção à matriz do provisório e ao cimento previsto para o material da coroa |
| Ponte fixa | vários pilares preparados na mesma sessão; a impressão tem de registar todas as margens de uma vez; o provisório é também uma ponte; na prova verifica-se o assentamento simultâneo nos pilares e o espaço de higiene sob o pôntico |
| Inlay / onlay / overlay | preparação mais conservadora, muitas vezes sem margem subgengival; cimentação adesiva, com isolamento absoluto (dique de borracha) frequente; kits de condicionamento do dente e da peça prontos |
| Facetas | cor e fotografias com especial cuidado, porque o resultado é sobretudo estético; preparação mínima em esmalte; prova com pastas de prova (try-in) da cor do cimento; cimentação adesiva com cimento resinoso fotopolimerizável e isolamento rigoroso |
| Coroa ou ponte sobre implante | não há preparação do dente: a impressão usa transferentes (pilares de impressão) aparafusados ao implante, ou scan bodies no fluxo digital; o laboratório recebe também o análogo do implante; a peça pode ser aparafusada (o médico dentista aperta o parafuso com a chave dinamométrica, no binário indicado pelo fabricante do implante) ou cimentada sobre um pilar |
Em todos os casos, o/a assistente confirma com o médico dentista, antes de o paciente se sentar, que tipo de tratamento vai ser feito naquela sessão, porque o tabuleiro de uma faceta, de uma ponte ou de uma coroa sobre implante não é o mesmo.
9. Cimentação provisória e definitiva
Cimentação provisória
O provisório protege a preparação entre a consulta de impressão e a consulta de cimentação definitiva, e mantém função e estética durante esse período. É cimentado com cimentos temporários, pensados para permitirem remoção fácil e sem esforço na consulta seguinte.
Estes cimentos são frequentemente à base de óxido de zinco, com ou sem eugenol, conforme a indicação do médico dentista. Esta escolha não é indiferente: o eugenol pode interferir na presa de alguns cimentos resinosos definitivos, por isso o cimento provisório escolhe-se sempre a pensar no cimento definitivo previsto para a etapa seguinte.
O/a assistente prepara o cimento provisório na proporção e no tempo indicados pelo fabricante, aplica-o no interior do provisório quando o médico dentista o pede, e tem prontos a sonda, o fio dentário e o sugador para a remoção dos excessos, que o médico dentista faz no momento indicado pelo fabricante. Deixar excesso de cimento no sulco gengival é um erro comum, que pode provocar inflamação até à consulta seguinte.
Cimentação definitiva
A cimentação definitiva fixa a prótese de forma permanente. O cimento escolhido depende do material da prótese e do tipo de preparação:
| Cimento | Uso típico |
|---|---|
| Fosfato de zinco | cimentação convencional, com longo historial clínico |
| Ionómero de vidro / ionómero de vidro modificado por resina | adesão química à estrutura dentária e libertação de flúor; muito usados em metalocerâmica e em zircónia |
| Cimento resinoso adesivo (com sistema adesivo) | maior resistência e adesão; indispensável em cerâmicas vítreas finas, como facetas, inlays e onlays, e a opção habitual no dissilicato de lítio |
| Cimento resinoso autoadesivo | adere sem aplicação separada de adesivo no dente; muito usado em zircónia e em metalocerâmica |
A zircónia, ao contrário do dissilicato de lítio, não precisa obrigatoriamente de cimento resinoso: pode ser cimentada com ionómero modificado por resina ou com cimento resinoso autoadesivo, conforme a retenção da preparação e a decisão do médico dentista. O tratamento da superfície interna também difere (o dissilicato é condicionado com ácido fluorídrico e silano; a zircónia não reage ao ácido fluorídrico e recebe jateamento e um primer próprio), e o/a assistente tem de saber qual dos kits preparar.
O/a assistente prepara o cimento, apoia o isolamento do campo (afastar saliva e humidade, especialmente crítico com cimentos resinosos), aspira, e passa ao médico dentista a sonda, o fio dentário e as gazes para a remoção dos excessos, no momento indicado pelo fabricante (muitas vezes numa fase em gel, antes da presa completa). No fim, o médico dentista confirma a oclusão com papel articular, que o/a assistente prepara na pinça de Miller, e ajusta os contactos que o papel marcar em excesso.
10. Manuseamento e envio de trabalhos protésicos
Cuidados com impressões e modelos
Manusear e acondicionar corretamente as impressões e os trabalhos protésicos é um critério de desempenho explícito desta UC, e um dos pontos onde um pequeno descuido tem maior impacto no resultado final.
- Desinfeção: logo após a remoção da boca, a impressão lava-se em água corrente para retirar saliva e sangue e desinfeta-se, por pulverização ou imersão, com o produto e o tempo de contacto indicados para o material em causa, antes de sair da sala clínica. Os materiais que absorvem água (alginato, poliéter) não devem ficar em imersões prolongadas, porque deformam; nas siliconas, a imersão é em regra bem tolerada. O mesmo cuidado aplica-se no sentido inverso: o trabalho protésico que chega do laboratório é limpo e desinfetado antes de entrar na boca do paciente. É uma etapa de biossegurança que protege quem trabalha depois com a impressão, no consultório ou no laboratório.
- Acondicionamento: evitar deformações e choques, e respeitar a estabilidade dimensional própria de cada material. Algumas impressões devem ser vazadas ou digitalizadas rapidamente após a remoção; outras toleram mais tempo até serem processadas.
- Identificação: nome do paciente, dente ou dentes envolvidos e data, sempre visível e sem ambiguidade possível.
Uma impressão bem cuidada, mas mal identificada, pode ser trocada com a de outro paciente, um erro grave e inteiramente evitável com um simples cuidado de rotulagem.
A ficha de trabalho protésico
A ficha de trabalho protésico acompanha sempre a impressão física, ou o ficheiro digital, enviado ao laboratório, e contém a prescrição do médico dentista para aquele caso concreto.
Campos típicos de uma ficha de trabalho protésico: identificação do paciente e do médico dentista, dente ou dentes a reabilitar, tipo de prótese, material pretendido, cor selecionada, prazo de entrega e instruções específicas para o técnico de prótese.
Há também uma razão legal para esta ficha. Uma coroa, uma ponte ou uma faceta feita para um paciente concreto é um dispositivo médico feito por medida, ao abrigo do Regulamento (UE) 2017/745, relativo aos dispositivos médicos, aplicado em Portugal pelo Decreto-Lei n.º 29/2024, com o INFARMED como autoridade competente. Um dispositivo feito por medida só pode ser fabricado a partir de uma prescrição escrita de um profissional autorizado, que aqui é o médico dentista; o laboratório, como fabricante, emite a respetiva declaração para esse dispositivo. A ficha de trabalho protésico, assinada pelo médico dentista, é essa prescrição, e a declaração do laboratório que acompanha o trabalho é arquivada com o processo do paciente, conforme o procedimento da clínica.
Na receção do trabalho já pronto, confere-se: se corresponde ao que foi pedido, se não tem danos, e se a cor e o acabamento correspondem ao esperado. Qualquer desconformidade regista-se e comunica-se ao médico dentista antes da prova no paciente, para não se perder tempo de consulta com um problema já identificável antes de o paciente se sentar na cadeira.
O envio digital, feito a partir de um scanner intraoral, elimina a etapa da impressão física e da respetiva desinfeção e acondicionamento, mas a ficha de trabalho protésico mantém-se sempre obrigatória, seja qual for o formato do envio.
11. Avanços tecnológicos: scanners e CAD-CAM
O fluxo digital em prostodontia fixa
Identificar as novas tecnologias aplicadas à prostodontia fixa é uma das realizações desta UC. O fluxo digital está a substituir, cada vez mais, algumas das etapas tradicionais em cera e gesso, sem no entanto tornar obsoletas as técnicas convencionais descritas nos capítulos anteriores.
- Scanner intraoral: capta a forma dos dentes preparados diretamente na boca, gerando um modelo digital tridimensional, sem necessidade de material de impressão convencional.
- CAD (desenho assistido por computador, do inglês computer aided design): o técnico de prótese desenha a peça sobre o modelo digital, num programa próprio para o efeito.
- CAM (fabrico assistido por computador, do inglês computer aided manufacturing): a peça desenhada é fabricada por fresagem, a partir de um bloco cerâmico ou metálico, ou por impressão 3D, conforme o material e o equipamento disponível.
CAD e CAM são duas fases distintas do mesmo processo, desenho e fabrico, e nem todo o fluxo CAD termina necessariamente em fresagem: também há materiais e casos resolvidos por impressão 3D.
Vantagens e limites da tecnologia digital
O fluxo digital traz vantagens claras, mas também limites que o/a assistente deve conhecer para acompanhar as escolhas do médico dentista:
- Vantagens: mais conforto para o paciente (sem material de impressão na boca), menos distorções ao longo do processo, comunicação praticamente instantânea com o laboratório, e um arquivo digital fácil de guardar e de comparar ao longo do tempo.
- Materiais associados: zircónia monolítica, dissilicato de lítio, resinas de impressão 3D usadas em provisórios e em modelos de estudo.
- Limites: exige equipamento e formação específicos, e nem todos os consultórios dispõem de scanner intraoral; a impressão convencional continua atual, válida e, nalguns casos (por exemplo, margens muito subgengivais ou pacientes com dificuldade em manter a boca aberta e seca durante o scan), pode continuar a ser a opção escolhida pelo médico dentista.
O papel do/a assistente inclui acompanhar estes avanços tecnológicos, saber operá-los quando fazem parte do equipamento da unidade, sem nunca substituir a decisão clínica sobre quando e como usá-los.
12. Higiene e educação para a saúde oral
Cuidados de higiene com próteses fixas
Promover as estratégias de educação para a saúde e higiene oral durante o uso de próteses fixas é um critério de desempenho central desta UC. Uma prótese fixa não dispensa os cuidados de higiene habituais, exige até mais atenção nalgumas zonas específicas.
- Escovagem normal de todas as superfícies, incluindo a margem da prótese junto à gengiva, onde a placa bacteriana se acumula tal como num dente natural.
- Fio dentário com passador (superfloss): um fio com uma ponta rígida que permite passar por baixo do pôntico de uma ponte, uma zona a que a escova normal não consegue aceder.
- Passa-fio: uma agulha plástica flexível que enfia o fio dentário comum por baixo do pôntico, alternativa ao fio com passador para quem já usa fio normal.
- Escovilhão interdentário: útil em espaços mais largos, sob pônticos com espaço suficiente, ou em próteses sobre implantes, onde a anatomia da gengiva pode diferir da de um dente natural; o tamanho certo é indicado pelo médico dentista ou pelo higienista oral.
- Irrigador oral, como complemento à escovagem mecânica, nunca como substituto dela.
O papel do assistente na educação do paciente
Instruir o paciente sobre estes cuidados é, muitas vezes, tarefa do/a assistente, sob orientação do médico dentista:
- Demonstrar, com apoio de um modelo e de uma escova, a técnica correta de higiene à volta da prótese, e não apenas repetir a instrução genérica de "escovar os dentes".
- Explicar, em linguagem simples e acessível, porque razão a margem da prótese é uma zona de maior risco de cárie e de inflamação gengival.
- Reforçar a importância de manter as consultas de manutenção regulares, mesmo sem sintomas aparentes.
- Perceber que esta educação é um complemento, nunca uma alternativa, ao acompanhamento clínico do médico dentista: sinais de alarme relatados pelo paciente são sempre encaminhados para avaliação clínica, nunca resolvidos apenas com mais instrução de higiene.
Um paciente bem instruído prolonga de forma significativa a vida útil da sua prótese fixa, e reduz o número de intercorrências entre consultas.
13. Problemas com próteses fixas e resolução
Problemas frequentes
Enunciar cuidados específicos e os problemas associados às próteses fixas é outra realização explícita desta UC. Reconhecer estes sinais cedo permite ao/à assistente notificar rapidamente o médico dentista, antes de o problema se agravar.
| Problema | Sinal típico |
|---|---|
| Descimentação | a prótese solta-se, parcial ou totalmente, do dente pilar |
| Fratura de cerâmica (chipping) | lasca, fenda ou destacamento visível na superfície da prótese |
| Sensibilidade pós-operatória | dor ao frio, ao quente ou à mastigação, mais frequente nos primeiros dias após a cimentação |
| Inflamação gengival na margem | gengiva vermelha, inchada e por vezes sangrante junto à prótese |
| Cárie secundária na margem | descoloração ou cavidade visível junto ao bordo da prótese |
| Impacção alimentar | comida presa entre a prótese e o dente vizinho, sinal de contacto proximal aberto |
| Interferência oclusal | "a coroa está alta", dor ao morder, desconforto na articulação ou desgaste do antagonista |
| Parafuso solto (prótese sobre implante aparafusada) | prótese com mobilidade ou ruído ao mastigar, sem dor |
| Inflamação à volta do implante | gengiva vermelha, sangramento ou supuração junto a um implante, que o médico dentista avalia como possível mucosite ou peri-implantite |
O papel do assistente perante um problema
O valor do/a assistente perante estes problemas está sobretudo na deteção precoce e na comunicação clara, nunca na resolução técnica ou na decisão sobre a causa:
- Observar e registar, com data e descrição objetiva, o que o paciente relata ou o que se nota numa consulta de rotina.
- Comunicar de imediato ao médico dentista, sem decidir sozinho sobre a causa ou a solução do problema.
- Preparar o material que o médico dentista provavelmente vai precisar para reavaliar o caso (por exemplo, para recimentar ou para ajustar a oclusão), sem antecipar o diagnóstico nem prometer ao paciente uma solução específica.
- A resolução final, seja recimentar, ajustar, reparar ou substituir a peça, é sempre uma decisão clínica do médico dentista.
Um exemplo comum: um paciente liga a dizer que "a coroa caiu". Antes de marcar a consulta, o/a assistente regista os detalhes relatados (quando aconteceu, se há dor, se guardou a peça) e agenda com prioridade, sem dar qualquer indicação clínica ao telefone sobre o que o paciente deve fazer à peça ou ao dente.
14. Limpeza, higienização e segurança no trabalho
Limpeza e higienização do consultório e do instrumental
Garantir a limpeza e higienização dos equipamentos, instrumentos, materiais e do próprio consultório é o último critério de desempenho explícito desta UC, e aplica-se a toda a prostodontia fixa, da preparação do tabuleiro ao envio de um trabalho protésico.
- Instrumentos reutilizáveis (espelhos, sondas, instrumentos de retração, moldeiras metálicas): seguem o circuito completo de reprocessamento já estudado noutra UC, com lavagem, desinfeção, embalagem e esterilização, conforme a classificação de risco de cada item. A classificação de Spaulding dá o critério: críticos (penetram tecidos ou contactam com sangue, como brocas de preparação e instrumentos que entram no sulco) exigem esterilização; semicríticos (contactam mucosa, como espelhos e moldeiras metálicas) exigem esterilização ou, se não suportarem calor, desinfeção de alto nível, e em medicina dentária esterilizam-se sempre que o material o permite; não críticos (contactam só pele íntegra, como o braço do foco ou a escala de cor fora da boca) bastam limpeza e desinfeção de nível baixo ou intermédio.
- Superfícies e equipamento: a unidade dentária, os comandos e a luz desinfetam-se entre pacientes, com o produto e o tempo de contacto indicados.
- Materiais de uso único (agulhas, pontas de sugador, alguns componentes de moldeiras): eliminam-se após um só uso, nunca são reprocessados, seja qual for o aspeto que apresentem.
- A impressão, como visto no capítulo 10, desinfeta-se antes de sair da sala, e as moldeiras metálicas reutilizáveis seguem depois o circuito completo de esterilização.
Normas de higiene e segurança no trabalho
Estas normas não são exclusivas da prostodontia fixa, mas aplicam-se a cada um dos procedimentos descritos nesta sebenta:
- Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI), definidas pela Norma da DGS n.º 029/2012: aplicam-se a todos os doentes, sempre, independentemente do diagnóstico conhecido, e incluem higiene das mãos, equipamento de proteção individual, controlo do ambiente, manuseamento seguro de roupa, resíduos e cortoperfurantes.
- Equipamento de proteção individual: luvas, máscara, óculos ou viseira, bata, usados em todas as fases com contacto com saliva ou sangue, incluindo procedimentos que pareçam "só de impressão".
- Manuseamento de cortantes e perfurantes: agulhas e lâminas eliminam-se sempre no contentor rígido, imediatamente junto ao local de uso, que se fecha quando atinge 2/3 da capacidade (ou a linha marcada pelo fabricante). As agulhas nunca se reencapam com as duas mãos: usa-se a técnica de uma só mão ou um dispositivo próprio.
- Materiais químicos (desinfetantes, agentes de impressão, cimentos): consultam-se sempre pela ficha de dados de segurança do fabricante, sobretudo perante dúvidas de manuseamento ou de exposição acidental.
- Registo e notificação: qualquer anomalia ou incidente regista-se e é comunicado de imediato ao responsável da unidade, seguindo o mesmo princípio de rastreabilidade que se aplica a toda a atividade clínica.
Os resíduos hospitalares separam-se nos quatro grupos do Despacho n.º 242/96: grupos I e II (equiparados a urbanos, sem risco biológico), grupo III (risco biológico) e grupo IV (específicos, incluindo todos os cortoperfurantes, que vão para o contentor rígido). Um fio de retração usado ou uma moldeira descartável com vestígios de sangue seguem para o grupo III, mesmo não sendo objetos cortantes ou perfurantes: o critério de destino do resíduo não é a forma do objeto, é o risco biológico que representa. Já uma moldeira metálica reutilizável não é resíduo: limpa-se do material de impressão e segue o circuito de esterilização.
O respeito por estas normas protege, em simultâneo, o paciente, toda a equipa clínica e o próprio/a Técnico/a Assistente Dentário.
Erros comuns
- Confundir os quatro componentes de uma ponte fixa (pilar, retentor, pôntico, conector), o que dificulta ler ou preencher uma ficha de trabalho protésico.
- Usar alginato numa impressão definitiva de prostodontia fixa, quando este material serve sobretudo para modelos de estudo.
- Retirar a moldeira de impressão antes de terminar o tempo de presa indicado pelo fabricante.
- Aplicar o fio de retração com força excessiva, lesando o periodonto de suporte.
- Cimentar em definitivo sem prova prévia da estrutura ou da prótese, sob pressão de tempo.
- Escolher o cimento provisório sem pensar no cimento definitivo que se vai usar a seguir.
- Enviar uma impressão ou um ficheiro digital sem a ficha de trabalho protésico completa.
- Instruir o paciente apenas a "escovar os dentes normalmente", sem explicar a técnica específica para a margem da prótese e para a zona sob o pôntico.
- Tentar recolar ou ajustar uma prótese que apresenta um problema, sem indicação direta do médico dentista.
- Relaxar o uso de equipamento de proteção individual em procedimentos que parecem menos invasivos, como uma impressão.
Glossário
- Prostodontia fixa: reabilitação com próteses cimentadas, que o paciente não remove.
- Pilar: dente preparado ou implante que suporta a prótese.
- Retentor: coroa cimentada sobre o pilar.
- Pôntico: elemento que substitui o dente ausente numa ponte fixa, sem apoio direto no osso.
- Conector: zona de união entre retentores e pôntico.
- Anamnese: recolha estruturada da história clínica do paciente.
- Meios auxiliares de diagnóstico: exames complementares ao exame clínico, como radiografias, fotografias e scanner intraoral.
- Silicone de adição (PVS): material de impressão de alta precisão, referência para prótese fixa definitiva.
- Fio de retração: fio colocado no sulco gengival para afastar temporariamente a gengiva antes da impressão.
- Tempo de trabalho: período em que um material de impressão ou cimento pode ser manipulado antes de iniciar a presa.
- Tempo de presa: período necessário para um material endurecer completamente.
- Provisório: prótese temporária que protege a preparação entre consultas.
- Ficha de trabalho protésico: documento que acompanha a impressão ou o ficheiro digital enviado ao laboratório, com a prescrição do médico dentista.
- Scanner intraoral: equipamento que capta um modelo digital tridimensional da boca, sem material de impressão convencional.
- CAD / CAM: desenho e fabrico de uma prótese assistidos por computador, por fresagem ou impressão 3D.
- Chipping: fratura ou lascagem da cerâmica de uma prótese.
- Descimentação: perda de retenção da prótese, que se solta do dente pilar.
- Superfloss: fio dentário com passador rígido, usado para limpar por baixo do pôntico de uma ponte.
- Faceta: lâmina fina, em regra cerâmica, cimentada de forma adesiva na face vestibular de um dente.
- Onlay / overlay: restauração indireta que cobre uma ou mais cúspides (onlay) ou toda a face oclusal (overlay).
- Matriz: impressão de silicone do dente antes da preparação, usada para confecionar o provisório.
- Transferente (pilar de impressão): peça aparafusada ao implante para registar a sua posição na impressão.
- Dispositivo médico feito por medida: prótese fabricada para um paciente concreto, a partir da prescrição escrita do médico dentista.
Síntese
A prostodontia fixa organiza-se numa sequência que atravessa toda esta sebenta: avaliar e planear (anamnese, exame oral, meios auxiliares de diagnóstico) antes de qualquer decisão de tratamento; preparar materiais e equipamentos com rigor; registar a preparação através de impressões de qualidade, apoiadas quando necessário em fio de retração gengival; percorrer as etapas clínicas da preparação à prova; cimentar, primeiro em provisório, depois em definitivo, com o cimento certo para cada material; manusear e enviar impressões e trabalhos protésicos sem erros de identificação ou de comunicação; acompanhar os avanços tecnológicos do fluxo digital, sem substituir a decisão clínica; e fechar o ciclo com educação do paciente, reconhecimento precoce de problemas e limpeza, higienização e segurança no trabalho. Em todas estas etapas, o/a Técnico/a Assistente Dentário coadjuva com competência, comunica com clareza e nunca ultrapassa os limites da sua função.
Exercícios resolvidos
1. Distingue prostodontia fixa de prostodontia removível, e dá um exemplo de cada.
Resolução: na prostodontia fixa, a prótese é cimentada e só o médico dentista a remove (por exemplo, uma coroa unitária ou uma ponte fixa); na prostodontia removível, o paciente coloca e retira a prótese para higienizar (por exemplo, uma prótese parcial removível com ganchos).
2. Identifica, numa ponte fixa de três elementos que substitui um incisivo lateral ausente, o pilar, o retentor, o pôntico e o conector.
Resolução: os pilares são os dois dentes vizinhos preparados (o incisivo central e o canino); os retentores são as coroas cimentadas sobre esses dois pilares; o pôntico é o elemento do meio, que substitui o incisivo lateral ausente, sem apoio direto no osso; os conectores são as zonas de união entre cada retentor e o pôntico.
3. Porque razão não se usa alginato para uma impressão definitiva de uma coroa cerâmica?
Resolução: o alginato é um material menos preciso e com pior estabilidade dimensional ao longo do tempo, adequado sobretudo a modelos de estudo. Uma impressão definitiva exige alta precisão marginal, garantida por materiais como o silicone de adição (PVS), escolhido pelo médico dentista para este tipo de caso.
4. Um colega retira a moldeira de impressão assim que "acha que já deu tempo". O que está errado, e o que deveria fazer?
Resolução: está errado por não respeitar o tempo de presa indicado pelo fabricante, que é uma propriedade específica de cada material e não se estima a olho. Deveria cronometrar o tempo exato indicado na embalagem ou na bula, e só depois remover a moldeira, para evitar distorções na impressão.
5. Que cuidado deve ter na escolha de um cimento provisório, a pensar na cimentação definitiva seguinte?
Resolução: deve ter em conta se o cimento provisório contém eugenol, porque este pode interferir na presa de alguns cimentos resinosos definitivos. A escolha entre um provisório com ou sem eugenol faz-se sempre a pensar no cimento definitivo previsto para a etapa seguinte, por indicação do médico dentista.
6. Um paciente relata que a prótese "sabe estranho e está a soltar-se um pouco". O que faz o/a assistente?
Resolução: regista com objetividade o que o paciente relatou (quando começou, se há dor, se há mobilidade percetível), comunica de imediato ao médico dentista, e prepara o material que provavelmente vai ser necessário para reavaliar o caso, sem decidir sozinho sobre a causa (por exemplo, descimentação) nem sobre a solução.
7. Explica a diferença entre CAD e CAM no fluxo digital de prostodontia fixa.
Resolução: o CAD (desenho assistido por computador) é a fase em que o técnico de prótese desenha a peça sobre o modelo digital captado pelo scanner intraoral; o CAM (fabrico assistido por computador) é a fase seguinte, em que a peça desenhada é fabricada, por fresagem de um bloco ou por impressão 3D, conforme o material.
8. Que instrução específica deve dar a um paciente com uma ponte fixa, para além da escovagem normal?
Resolução: deve instruir o paciente a usar fio dentário com passador (superfloss) para limpar por baixo do pôntico, a zona onde a prótese assenta sobre a gengiva e onde a escova normal não chega, além de reforçar a importância das consultas de manutenção regulares.
9. Um fio de retração usado, com vestígios de sangue, para onde deve ser encaminhado, e porquê?
Resolução: deve ser encaminhado para os resíduos de risco biológico, mesmo não sendo um objeto cortante nem perfurante. O critério para o destino do resíduo é o risco biológico que representa, não a forma física do objeto.
10. Qual a diferença prática entre a técnica de impressão de um só passo e a de dois passos, e quando o/a assistente precisa de estar mais atento aos tempos do fabricante?
Resolução: na técnica de um só passo, aplicam-se em simultâneo duas viscosidades de material, uma seringa fina sobre a preparação e uma viscosidade mais espessa na moldeira; na de dois passos, faz-se primeiro uma impressão prévia mais espessa (putty) e só depois uma camada fina (wash) sobre a preparação, com a moldeira reposicionada. Em ambas, mas sobretudo na de dois passos, o/a assistente tem de gerir dois tempos de trabalho e dois tempos de presa distintos, sem os confundir, porque cada camada de material pode ter uma formulação e uma cinética de presa diferentes.
11. Porque razão a escolha entre impressão convencional e digitalização com scanner intraoral não é apenas uma questão de preferência ou de moda?
Resolução: porque cada abordagem tem indicações e limites próprios. O scanner intraoral traz mais conforto e menos distorção em muitos casos, mas depende de o consultório ter o equipamento e a formação necessários, e pode ser mais difícil de aplicar em situações como margens muito subgengivais ou pacientes com dificuldade em manter a boca aberta e seca durante a captura. A impressão convencional continua atual e válida, e a escolha entre uma e outra é sempre uma decisão clínica do médico dentista, feita caso a caso.