Partilhar: WhatsApp
aulify · Sebenta
UC · Unidade de Competência · UC04012

Sebenta · Assistir o médico dentista em prostodontia removível (UC04012)

Anatomia da boca desdentada, impressões, registos, etapas laboratoriais, entrega e manutenção da prótese
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Assistente Dentário ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta prepara-te para coadjuvar o médico dentista em todo o percurso de uma prótese removível: desde a anamnese e o plano de tratamento, passando pelas impressões, pelo registo da relação entre as arcadas, pela montagem e prova dos dentes, pelas etapas laboratoriais em gesso, cera e resina, até à entrega da prótese e à sua manutenção ao longo do tempo. É uma das UC mais completas do curso, porque atravessa o consultório e o laboratório na mesma linha de trabalho.

O fio condutor de toda a matéria é o mesmo do referencial: preparar equipamentos, instrumentos e materiais com rigor, coadjuvar o médico dentista nas etapas clínicas, cumprir as normas de higiene e segurança, e reportar sempre que algo sai do esperado. O/a técnico/a assistente dentário nunca diagnostica, nunca prescreve e nunca executa atos clínicos invasivos: o seu valor está na preparação cuidada de cada etapa, que permite ao médico dentista trabalhar com precisão e sem interrupções.

Objetivos de aprendizagem (referencial): executar a preparação dos equipamentos, instrumentos e materiais necessários aos diferentes tratamentos de prostodontia removível; coadjuvar o médico dentista/estomatologista nos diferentes tratamentos; identificar os equipamentos, instrumentos e materiais utilizados; aplicar as normas de higiene e segurança no trabalho.

1. O papel do/a técnico/a assistente dentário em prostodontia removível

A prostodontia removível é a área da medicina dentária que reabilita utentes que perderam alguns ou todos os dentes, através de uma prótese que o próprio utente coloca e retira. Repõe três funções essenciais:

A perda dentária tem causas diversas: cárie avançada, doença periodontal, traumatismo ou extrações programadas no âmbito de um plano de tratamento mais amplo. Seja qual for a causa, a reabilitação com prótese removível é uma decisão clínica do médico dentista, nunca do/a assistente.

Limites de intervenção do/a técnico/a assistente dentário

O/a técnico/a assistente atua sob orientação e supervisão do médico dentista, dentro de limites claros:

Compete ao/à técnico/a assistente dentário Não lhe compete
preparar equipamentos, instrumentos e materiais para cada etapa diagnosticar ou decidir o tipo de prótese a realizar
coadjuvar o médico dentista nas etapas clínicas e laboratoriais executar atos clínicos invasivos (moldar, ajustar oclusão, sozinho/a)
manusear equipamentos, instrumentos e materiais com destreza e segurança prescrever tratamentos ou alterar o plano definido
garantir a limpeza e a higienização de equipamentos, instrumentos e do consultório decidir sozinho/a perante uma queixa clínica do utente
reportar dúvidas, queixas e situações fora do esperado avançar opiniões clínicas ao utente

Reportar é uma aptidão central deste papel: uma queixa de dor, uma prótese que não assenta como esperado, ou uma dúvida do utente comunicam-se sempre ao médico dentista, com a informação essencial (o quê, quando, em que circunstância).

Atitudes esperadas

O referencial desta UC destaca atitudes que se aplicam em todas as etapas seguintes: responsabilidade, autonomia dentro das próprias funções, sentido crítico, sentido de organização, assertividade, escuta ativa, respeito pelas diferenças individuais, cooperação com a equipa e respeito pelas normas de higiene, segurança e regras definidas. Estas atitudes não são "extras": são avaliadas em cada etapa clínica e laboratorial descrita nesta sebenta.

2. Anatomia da boca desdentada relevante para a prótese

Depois da perda dentária, a prótese assenta sobre estruturas que antes suportavam os dentes naturais. Conhecer estas estruturas ajuda o/a assistente a preparar corretamente cada etapa e a compreender o vocabulário usado pelo médico dentista e pelo laboratório.

Estruturas de suporte

Estrutura Localização e relevância
Rebordo alveolar (crista óssea) osso remanescente após a extração; a sua forma e altura condicionam a retenção e a estabilidade da prótese
Mucosa mastigatória reveste o rebordo e o palato duro; suporta a pressão da prótese durante a mastigação
Palato duro base de apoio da prótese total superior, tecido fixo sobre osso
Palato mole zona móvel, posterior ao palato duro; relevante para o selamento posterior da prótese total superior
Tuberosidades maxilares relevos ósseos na extremidade posterior do rebordo superior, de cada lado; a prótese superior cobre-as
Papila incisiva relevo de tecido mole atrás dos incisivos superiores, ponto de referência anatómica
Papila piriforme (almofada retromolar) tecido mole em forma de pera atrás do último molar inferior, sobre o trígono retromolar; a base da prótese total inferior termina sobre ela, cobrindo pelo menos a sua parte da frente
Freios labiais, jugais e lingual pregas de mucosa que ligam o lábio, a bochecha e a língua ao rebordo; têm de ficar livres do bordo da prótese

Reabsorção óssea

Depois da perda de um dente, o osso à sua volta reabsorve progressivamente, sobretudo nos primeiros meses após a extração, e continua de forma mais lenta ao longo dos anos. Esta reabsorção é, na generalidade dos casos, mais acentuada na mandíbula do que no maxilar superior. As suas consequências práticas:

Exemplo resolvido · identificar estruturas num modelo de estudo

Um modelo de estudo de uma arcada superior desdentada chega ao consultório. O médico dentista pede ao/à assistente para identificar, sem interferir, três estruturas relevantes antes da confeção da moldeira individual.

  1. Tuberosidades maxilares: relevos na zona posterior, que a moldeira e a prótese têm de cobrir sem comprimir em excesso.
  2. Papila incisiva: relevo na linha média, atrás da futura posição dos incisivos, serve de referência para a montagem dos dentes.
  3. Freios labial e jugais: pregas de mucosa visíveis quando se traciona o lábio ou a bochecha; o bordo da moldeira e da prótese têm de ficar aquém destas pregas.

Identificar estas estruturas no modelo, sem alterar nada, permite ao/à assistente compreender porque o laboratório desenha a moldeira individual daquela forma específica.

3. Classificação das próteses removíveis

Prótese total vs prótese parcial removível

Tipo Quando se usa Apoio principal
Prótese total (PT) ausência de todos os dentes de uma arcada tecidos moles e osso (suporte mucoso)
Prótese parcial removível (PPR) ausência de alguns dentes, com dentes remanescentes dentes remanescentes (ganchos/grampos) e/ou mucosa

A prótese total depende sobretudo da adaptação íntima da base à mucosa, do selamento periférico dos bordos (o chamado "efeito de ventosa") e da anatomia do rebordo para se manter estável. A prótese parcial removível pode ser dento-suportada, muco-suportada ou dento-muco-suportada, conforme o desenho definido pelo médico dentista de acordo com os dentes remanescentes e o estado do rebordo nas zonas desdentadas.

Base acrílica vs esqueleto metálico

Característica Prótese acrílica (resina) Prótese esquelética (metálica)
Estrutura resina acrílica em toda a base esqueleto em liga metálica, frequentemente crómio-cobalto, com resina nos dentes
Espessura mais espessa mais fina e rígida
Retenção ganchos em resina ou arame ganchos metálicos fundidos, mais precisos
Indicação típica próteses totais e soluções mais simples ou provisórias próteses parciais de uso mais prolongado
Etapa laboratorial adicional nenhuma além do habitual paralelometria e fundição da estrutura metálica

A escolha entre estas soluções é sempre clínica, decidida pelo médico dentista em função do caso, do estado dos dentes remanescentes, do orçamento e das preferências do utente. O papel do/a assistente é preparar os materiais certos consoante o tipo de prótese em curso, nunca sugerir ou decidir essa escolha.

Exemplo resolvido · escolher os materiais certos consoante o tipo de prótese

O médico dentista indica que vai iniciar uma PPR esquelética para um utente com dentes remanescentes nos dois lados posteriores da arcada inferior. Que preparação distingue este caso de uma prótese total?

Perceber estas diferenças evita atrasos e permite ao/à assistente informar corretamente sobre prazos, dentro do que lhe compete.

Classificação de Kennedy

Para falar da mesma arcada parcialmente desdentada sem ambiguidade, o médico dentista, o/a assistente e o laboratório usam a classificação de Kennedy, que agrupa as arcadas pela posição das zonas desdentadas (as "selas") em relação aos dentes remanescentes:

Classe Situação Suporte típico da PPR
Classe I zonas desdentadas posteriores bilaterais, sem dentes atrás delas (extremos livres dos dois lados) dento-muco-suportada
Classe II zona desdentada posterior unilateral, sem dentes atrás dela (extremo livre de um só lado) dento-muco-suportada
Classe III zona desdentada unilateral intercalada, com dentes à frente e atrás dento-suportada
Classe IV zona desdentada anterior única, que cruza a linha média, com dentes remanescentes atrás dela variável, conforme a extensão

Chama-se extremo livre a uma sela sem dente pilar na parte de trás: nas classes I e II a prótese apoia-se nos dentes à frente e na mucosa atrás, por isso tende a afundar ligeiramente durante a mastigação e precisa de um desenho que o compense.

As zonas desdentadas que existem além da que define a classe chamam-se modificações, e numeram-se: por exemplo, "Classe II, modificação 1" é uma arcada com um extremo livre de um lado e mais um espaço intercalado.

Regras de Applegate

Para que a classificação seja aplicada sempre da mesma forma, usam-se as regras de Applegate:

  1. A classificação faz-se depois das extrações previstas no plano de tratamento, porque estas podem mudar a classe.
  2. Se falta um terceiro molar que não vai ser substituído, essa ausência não conta para a classificação.
  3. Se o terceiro molar está presente e vai servir de pilar, conta para a classificação.
  4. Se falta um segundo molar que não vai ser substituído, também não conta.
  5. A zona desdentada mais posterior determina sempre a classe.
  6. As outras zonas desdentadas são modificações, designadas pelo seu número.
  7. Conta-se apenas o número de modificações, não a sua extensão.
  8. A classe IV não tem modificações: se houver outra zona desdentada mais atrás, é essa que determina a classe.

Exemplo resolvido · classificar uma arcada

Uma arcada inferior perdeu 34, 35, 36, 37 e 46, 47. Os terceiros molares já não existem e não vão ser substituídos; todos os outros dentes estão presentes.

  1. Do lado esquerdo, depois do 33 não há dentes: é um extremo livre.
  2. Do lado direito, depois do 45 também não há dentes: segundo extremo livre.
  3. Dois extremos livres posteriores, um de cada lado: Classe I de Kennedy, sem modificações.

Se, na mesma arcada, também faltasse o 42, essa zona anterior seria uma modificação: "Classe I, modificação 1". O/a assistente não classifica o caso por decisão própria, mas tem de perceber a designação que o médico dentista escreve na ficha, para preparar o material e comunicar com o laboratório.

Componentes da prótese parcial esquelética

A prótese esquelética é uma peça única fundida em liga de crómio-cobalto, à qual se acrescentam as bases em resina e os dentes artificiais. Os nomes dos componentes aparecem na ficha de trabalho e nas conversas com o laboratório:

Componente O que é Exemplos
Conector maior peça rígida que une as partes da prótese de um lado ao outro da arcada barra ou placa palatina (superior); barra ou placa lingual (inferior)
Conectores menores ligam o conector maior aos apoios, aos ganchos e às bases pequenas hastes metálicas junto aos dentes pilares
Apoios pequenas extensões metálicas que assentam em nichos preparados nos dentes e transmitem a carga ao dente, impedindo a prótese de afundar apoios oclusais (pré-molares e molares), apoios de cíngulo (caninos)
Retentores diretos seguram a prótese contra a saída ganchos (grampos) com braço retentivo e braço recíproco
Retentores indiretos impedem que a prótese rode e se levante nos extremos livres apoios colocados do outro lado da linha de fulcro, o mais longe possível da sela em extremo livre
Bases (selas) zonas em resina sobre o rebordo desdentado, onde se fixam os dentes selas intercalares ou em extremo livre
Dentes artificiais substituem os dentes em falta dentes de resina de série

Os nichos para os apoios e os planos-guia (pequenas superfícies paralelas nos dentes pilares, que orientam a inserção) são preparados pelo médico dentista na preparação da boca, antes da moldagem definitiva. O/a assistente prepara as brocas e o material pedidos, aspira e afasta, mas não intervém no desenho.

Sequência clínica e laboratorial da PPR esquelética

A PPR esquelética segue um percurso próprio, com uma prova a mais do que a prótese acrílica:

  1. Moldagens preliminares com alginato e modelos de estudo.
  2. Estudo dos modelos no paralelómetro e desenho da estrutura, pelo médico dentista em articulação com o laboratório.
  3. Preparação da boca (nichos, planos-guia) pelo médico dentista.
  4. Moldagem definitiva e modelo de trabalho em gesso de alta resistência.
  5. Fundição da estrutura metálica no laboratório.
  6. Prova da estrutura metálica em boca: o médico dentista verifica o assentamento dos apoios, a adaptação dos ganchos e a ausência de báscula.
  7. Registo intermaxilar sobre a própria estrutura, quando necessário, e prova dos dentes em cera.
  8. Acabamento em resina, entrega e controlos.

Na prova da estrutura, o/a assistente prepara espelho, sonda, papel de articular, silicone fluido ou pasta indicadora para detetar zonas de pressão, e as pontas de ajuste para metal indicadas pelo médico dentista.

Sobredentaduras

A sobredentadura é uma prótese total (ou quase total) removível que assenta sobre a mucosa e sobre raízes naturais conservadas (com tratamento endodôntico) ou implantes. Estes pilares aumentam a retenção e a estabilidade, sobretudo na mandíbula, e ajudam a travar a reabsorção do osso à volta.

O/a assistente prepara os componentes, controla o seu registo (marca, referência, lote quando existe) e reforça as instruções de higiene dos pilares definidas pelo médico dentista.

4. Consulta inicial, anamnese e plano de tratamento

Anamnese e exame clínico

Antes de qualquer prótese, o médico dentista realiza a anamnese (história clínica) e o exame clínico completo:

O/a assistente prepara a ficha clínica, o material de exame (espelho, sonda, luvas, compressas) e o espaço de trabalho, e regista o que lhe for pedido pelo médico dentista. Em nenhum momento interpreta os achados clínicos nem avança um diagnóstico ao utente.

Comunicar o plano de tratamento

Depois de definido o plano de tratamento, o médico dentista explica-o ao utente. O/a assistente apoia esta fase de várias formas:

Exemplo resolvido · encaminhar uma dúvida clínica

Durante a preparação da consulta, o utente pergunta ao/à assistente: "esta prótese vai doer muito nos primeiros dias?" Como responder de forma assertiva e dentro dos limites da função?

  1. Acolher a pergunta com escuta ativa, sem a ignorar nem a menorizar: "é uma dúvida muito comum, vou já sinalizar ao doutor/à doutora para lhe explicar com mais detalhe."
  2. Não avançar uma resposta clínica própria, mesmo que pareça óbvia por experiência de outros casos.
  3. Reportar a pergunta ao médico dentista antes ou durante a consulta, para que seja ele/ela a esclarecer o utente.

Esta forma de responder respeita simultaneamente o utente (que não fica sem resposta) e os limites de intervenção do/a assistente.

5. Impressões primárias

Moldeiras de série

As impressões primárias (ou de estudo) usam moldeiras de série (stock trays), moldeiras pré-fabricadas em várias formas e tamanhos:

Manter as moldeiras organizadas por tamanho e por arcada, limpas e desinfetadas entre utilizações, poupa tempo e evita interrupções a meio da consulta.

Materiais de impressão primária: o alginato

O alginato (hidrocolóide irreversível) é o material mais usado para impressões primárias, pela sua rapidez e custo reduzido.

Nota: cada marca de alginato tem a sua proporção pó/água e os seus tempos de trabalho e de presa próprios. O/a assistente segue sempre as instruções do fabricante daquele produto concreto, nunca uma regra genérica de outro material.

Estabilidade do alginato e desinfeção da moldagem

O alginato é um gel com muita água, por isso não é dimensionalmente estável depois de sair da boca:

Antes de ser vazada ou enviada ao laboratório, qualquer moldagem é desinfetada, porque vem contaminada com saliva e, por vezes, sangue:

  1. Lavar sob água corrente, sem esfregar com força, para retirar saliva e sangue.
  2. Desinfetar com um produto compatível com o material de moldagem, por pulverização ou imersão, durante o tempo indicado pelo fabricante do desinfetante (no alginato, evitar imersões longas, pelo risco de embebição).
  3. Enxaguar para retirar o desinfetante e sacudir o excesso de água.
  4. Identificar e acondicionar num saco fechado, com a indicação de que foi desinfetada, se seguir para o laboratório.

Exemplo resolvido · preparar uma impressão primária

O médico dentista vai fazer a impressão primária da arcada superior de um utente parcialmente desdentado. Passo a passo da preparação pelo/a assistente:

  1. Selecionar a moldeira de série adequada ao tamanho da arcada, entre as opções disponíveis, para confirmação do médico dentista.
  2. Preparar o alginato: medir pó e água na proporção indicada pelo fabricante, usando a taça de borracha e a espátula próprias.
  3. Espatular de forma enérgica e uniforme, eliminando bolhas, até obter uma mistura homogénea dentro do tempo de trabalho do produto.
  4. Colocar a mistura na moldeira, entregando-a ao médico dentista dentro do tempo útil antes de o material começar a gelificar.
  5. Depois da remoção da boca, lavar a impressão sob água corrente para remover saliva e sangue, desinfetá-la com o produto compatível e vazá-la em gesso o mais cedo possível, conforme o protocolo da clínica.

A rapidez entre a preparação e a colocação na boca é essencial: o alginato começa a perder tempo de trabalho assim que a mistura se inicia.

6. Moldeira individual e impressões definitivas

A moldeira individual

A moldeira individual é fabricada em laboratório, a partir do modelo obtido na impressão primária, e ajusta-se exatamente à boca de um utente específico.

O/a assistente prepara a moldeira individual recebida do laboratório, o material de moldagem funcional e os instrumentos de recorte, deixando tudo pronto antes da sessão.

Materiais de impressão definitiva

As impressões definitivas exigem materiais mais precisos do que o alginato, porque a prótese final depende diretamente do detalhe registado:

Material Características Uso típico
Silicone de adição (polivinilsiloxano) elevada precisão e estabilidade dimensional ao longo do tempo impressões definitivas de alta exigência
Silicone de condensação boa precisão, custo geralmente mais baixo impressões definitivas gerais
Poliéter boa precisão; hidrófilo, tolera melhor a humidade; muito rígido depois da presa impressões definitivas em meio húmido; menos indicado com retenções acentuadas, por ser difícil de retirar
Godiva / composto de moldagem (compound) material termoplástico, endurece ao arrefecer moldagem funcional dos bordos, em prótese total

A preparação de cada material (mistura manual, pistola automática ou aquecimento em água, conforme o produto) segue sempre as instruções do fabricante quanto a proporções e tempos, que variam de marca para marca.

Exemplo resolvido · preparar godiva para a moldagem funcional

O médico dentista vai realizar a moldagem funcional do bordo de uma moldeira individual, com godiva, antes da impressão definitiva com silicone.

  1. Preparar o banho de água termostatizado à temperatura indicada pelo fabricante da godiva e a lamparina (tipo Hanau), com o frasco de álcool afastado da chama.
  2. Amolecer a godiva no banho, sem exceder a temperatura indicada, e entregá-la ao médico dentista, que a aplica no bordo da moldeira e a reaquece localmente na lamparina.
  3. Disponibilizar um recipiente com água morna para o médico dentista temperar a godiva antes de a levar à boca, para não queimar a mucosa; o médico dentista coloca a moldeira e regista os movimentos musculares dos bordos, zona a zona.
  4. Depois de a godiva arrefecer e endurecer, preparar o silicone para a impressão definitiva propriamente dita, seguindo a proporção do fabricante.

A godiva exige atenção redobrada à temperatura: quente de mais magoa o utente, fria de mais não regista corretamente os movimentos musculares dos bordos.

7. Registo da relação intermaxilar e montagem em articulador

Bases e roletes de cera

Antes de montar os dentes definitivos, é preciso saber como as duas arcadas se relacionam entre si. Para isso usam-se bases de prova com roletes de cera:

O/a assistente prepara as bases e roletes recebidos do laboratório (desinfetados), a cera de registo, as espátulas de cera, a lamparina ou outra fonte de calor controlada, a régua de Fox, o compasso ou régua de medição, o lápis dermográfico e o material para fixar os roletes entre si, deixando tudo pronto para a sessão de registo.

Arco facial e montagem em articulador

O arco facial é um instrumento que regista a posição do maxilar superior em relação à articulação temporomandibular do utente. Este registo permite transferir a relação real da boca para o articulador, um aparelho de laboratório que reproduz os movimentos mandibulares fora da boca.

O/a assistente prepara o arco facial, o gesso de montagem e o próprio articulador para a sessão, e apoia a sua limpeza e desinfeção entre utilizações, como qualquer outro equipamento partilhado entre utentes.

Exemplo resolvido · da consulta ao articulador, passo a passo

Depois de registada a relação cêntrica com os roletes de cera, como é que essa informação chega ao laboratório e ao articulador?

  1. O médico dentista regista a relação cêntrica e a dimensão vertical diretamente nas bases de prova, em boca.
  2. O/a assistente identifica e acondiciona as bases registadas, junto com o registo do arco facial, para envio ao laboratório sem se perder informação.
  3. No laboratório, o modelo superior é montado no articulador de acordo com o arco facial, e o modelo inferior é fixado usando o registo da relação cêntrica como referência.
  4. Só depois desta montagem correta é que o laboratório pode avançar para a montagem dos dentes em cera, com a certeza de que reproduz a relação real da boca do utente.

Qualquer erro de identificação ou de transporte destes registos obriga a repetir a consulta, com perda de tempo para a clínica e para o utente.

8. Prova em cera e prova estética

Montagem dos dentes em cera

Em laboratório, os dentes artificiais (em resina ou porcelana, conforme a indicação clínica) são montados sobre a base de cera, seguindo o registo da relação intermaxilar e os planos definidos no capítulo anterior.

A prova clínica

Antes do acabamento definitivo, o utente experimenta a prótese ainda com os dentes montados em cera, numa etapa reversível em que ainda é possível corrigir posição, cor ou forma sem grande custo:

O/a assistente prepara a sala e o material necessário à prova, e regista com rigor as alterações pedidas pelo médico dentista, para que sejam comunicadas com exatidão ao laboratório.

Exemplo resolvido · corrigir a posição de um dente na prova

Durante a prova em cera, o médico dentista nota que um dos incisivos centrais superiores está ligeiramente rodado, alterando a estética do sorriso. O que acontece a seguir?

  1. O médico dentista marca e explica a correção pretendida diretamente na cera, com o utente ainda presente para confirmar visualmente a alteração.
  2. O/a assistente regista por escrito e, se possível, por fotografia, a alteração pedida, evitando depender apenas da memória.
  3. A peça em cera regressa ao laboratório com as instruções precisas, para reposicionar o dente antes de qualquer etapa irreversível.
  4. Só depois de confirmada a correção é que se avança para a etapa seguinte: o enceramento final da base e a inclusão em mufla.

Corrigir nesta fase é rápido e barato; corrigir depois da prótese processada em resina exigiria refazer etapas inteiras.

9. Vazamento e preparação de modelos

Gesso odontológico e vazamento

As impressões, primárias ou definitivas, são preenchidas com gesso odontológico para obter os modelos de estudo e de trabalho. Esta etapa aparece aqui agrupada, mas na prática acontece logo a seguir a cada moldagem: o modelo de estudo sai da moldagem preliminar, o modelo de trabalho sai da moldagem definitiva, e só depois se fazem as bases, os roletes e a montagem dos dentes. Na clínica, vazar e recortar modelos é das tarefas laboratoriais que o/a assistente mais vezes executa.

A norma ISO 6873 classifica os gessos dentários por tipos:

Tipo Designação corrente Uso típico em prostodontia removível Relação água/pó de referência
I gesso de impressão praticamente em desuso segundo o fabricante
II gesso comum (de Paris) modelos de estudo simples, inclusão em mufla, montagem em articulador cerca de 0,45 a 0,50 mL/g
III gesso pedra modelos de estudo e de trabalho de prótese total e PPR acrílica cerca de 0,28 a 0,30 mL/g
IV gesso pedra de alta resistência e baixa expansão modelos de trabalho de PPR esquelética, troquéis cerca de 0,22 a 0,24 mL/g
V gesso pedra de alta resistência e alta expansão troquéis em prótese fixa, pouco usado em removível segundo o fabricante

Os valores da relação água/pó são ordens de grandeza dos manuais de materiais dentários; o valor que se usa é sempre o do fabricante daquele produto. Por exemplo, para 100 g de um gesso pedra com relação 0,30 mL/g medem-se 30 mL de água. Quanto mais água, mais fácil de vazar, mas menos resistente e mais poroso fica o modelo.

O/a assistente prepara o gesso, o vibrador e o espaço de trabalho, mantendo tudo limpo entre vazamentos sucessivos e identificando corretamente cada impressão antes de a vazar.

Recorte e preparação dos modelos

Depois de o gesso presar e de a impressão ser removida, o modelo segue para preparação:

Exemplo resolvido · da impressão ao modelo pronto para o laboratório

Uma impressão definitiva em silicone chega da sala de consulta para a zona de vazamento. Passo a passo:

  1. Desinfetar a impressão conforme o protocolo da clínica, antes de qualquer manuseamento posterior.
  2. Preparar o gesso na proporção indicada pelo fabricante e vazar sobre o vibrador, em camadas sucessivas, para não prender bolhas de ar.
  3. Aguardar o tempo de presa indicado pelo fabricante do gesso antes de manusear ou recortar o modelo.
  4. Recortar o modelo, dando-lhe uma base regular, e identificar com o nome do utente e a data.
  5. Registar a entrega ao laboratório ou ao médico dentista, conforme o fluxo de trabalho da clínica.

Um modelo com bolhas, mal identificado ou recortado antes do tempo de presa compromete todas as etapas laboratoriais seguintes, incluindo a paralelometria e a montagem dos dentes.

10. Inclusão e processamento da resina

Inclusão em mufla

Depois de aprovada a montagem em cera na prova clínica, a peça segue para inclusão numa mufla, um molde metálico em duas partes que prepara a substituição da cera por resina definitiva:

  1. O modelo com a prótese encerada é incluído em gesso na primeira metade da mufla; depois de isolado, enche-se a segunda metade (contramufla), cujo gesso envolve os dentes e a cera, e os dentes ficam presos a essa metade.
  2. Depois de o gesso presar, a mufla é aquecida e aberta, e a cera é eliminada (deceragem), deixando um espaço vazio com a forma exata dos dentes e da base.
  3. Aplica-se um isolante entre o gesso e o espaço onde vai entrar a resina, para que as duas superfícies não colem uma à outra durante a polimerização.

Cada fase, inclusão, deceragem e isolamento, tem de estar completa e verificada antes de avançar para a seguinte: um resíduo de cera esquecido, ou um isolante mal aplicado, compromete todo o resultado final.

Polimerização da resina acrílica

O espaço deixado pela cera é preenchido com resina acrílica, que passa por um processo de polimerização para endurecer na forma definitiva:

A inclusão, a polimerização e o acabamento de uma prótese nova são executados pelo técnico de prótese dentária, no laboratório. O/a assistente precisa de conhecer esta sequência para perceber os prazos, interpretar o que o laboratório comunica e explicar ao utente, em termos gerais, porque é que a prótese não fica pronta de um dia para o outro. Na clínica, pode preparar e manusear a panela de pressão e a resina autopolimerizável em reparações e rebasamentos feitos no consultório, sempre segundo as instruções do médico dentista e do fabricante.

Exemplo resolvido · da mufla ao ciclo de polimerização

A peça em cera já foi aprovada na prova clínica e está pronta para seguir para a fase de resina definitiva. Esta é a sequência que o técnico de prótese dentária segue no laboratório:

  1. Incluir o modelo com os dentes em cera na mufla, com gesso, garantindo que a peça fica bem estabilizada e sem bolhas.
  2. Aquecer a mufla conforme o protocolo do laboratório e abrir para remover a cera derretida (deceragem), limpando bem todos os resíduos.
  3. Aplicar o isolante em toda a superfície de gesso que vai contactar com a resina.
  4. Preparar a resina acrílica na proporção pó/líquido indicada pelo fabricante, e preencher o espaço deixado pela cera.
  5. Fechar a mufla e colocá-la a polimerizar, seguindo rigorosamente o ciclo de tempo e temperatura definido pelo fabricante daquela resina.

Interromper o ciclo antes do tempo indicado, ou alterar a temperatura sem seguir a ficha técnica do produto, pode deixar monómero residual na prótese, o que pode irritar a mucosa do utente quando a prótese for usada.

11. Desinclusão, acabamento e polimento

Desinclusão e ajuste no articulador

Depois de a resina polimerizar e de a mufla arrefecer o suficiente para ser manuseada:

Esta verificação em articulador evita que pequenos desvios só sejam detetados já na boca do utente, na consulta de entrega, o que obrigaria a ajustes mais demorados nesse momento.

Acabamento e polimento

Antes de a prótese poder ser entregue ao utente, segue-se uma etapa de acabamento e polimento:

O/a assistente prepara as fresas, discos e pastas de polimento, e mantém o posto de trabalho limpo e seguro durante este processo, com proteção ocular e aspiração de poeiras, uma vez que o pó de resina não deve ser inalado.

Exemplo resolvido · sequência de acabamento de uma prótese total

Uma prótese total superior sai da mufla com pequenas rebarbas nos bordos e uma superfície ainda fosca. Qual a sequência correta de acabamento?

  1. Remover rebarbas grosseiras com uma fresa apropriada, sempre com proteção ocular e aspiração ativa.
  2. Ajustar o contorno da base, comparando com os limites marcados na prova clínica, sem remover mais material do que o necessário.
  3. Polir progressivamente, começando por um disco ou pasta mais abrasiva e terminando com uma pasta fina, até obter brilho uniforme.
  4. Verificar a superfície final ao tato e à vista, confirmando ausência de arestas vivas ou zonas ainda foscas.
  5. Limpar e desinfetar a prótese e enviá-la para a clínica identificada e acondicionada, pronta para a consulta de entrega.

Avançar diretamente para uma pasta fina de polimento, sem passar pelas etapas mais abrasivas, não remove eficazmente as rebarbas maiores e prolonga desnecessariamente o trabalho.

12. Entrega, ajustes e revisões

Entrega e verificação da adaptação

Na consulta de entrega, o médico dentista verifica se a prótese assenta corretamente na boca do utente:

O/a assistente prepara o material de verificação (espelho, papel de articular e pinça de Miller, pasta indicadora de pressão, fresas de ajuste para resina, peça de mão de baixa rotação) e apoia o médico dentista durante os pequenos ajustes que costumam ser necessários logo na primeira entrega.

Sessões de revisão e queixas comuns

Nos dias seguintes à entrega, é normal e esperado que o utente regresse para pequenos ajustes. Reconhecer os sinais mais comuns ajuda o/a assistente a preparar melhor cada consulta de revisão:

Queixa comum Causa provável
Dor localizada ou úlcera na mucosa ponto de pressão da prótese ainda por ajustar
Prótese solta ao falar ou mastigar falta de retenção, adaptação a rever com o médico dentista
Dificuldade em pronunciar certos sons posição dos dentes ou espessura da base a reavaliar
Náusea, sobretudo com a prótese superior extensão excessiva da base na zona posterior

O/a assistente prepara cada sessão de revisão, regista a queixa relatada pelo utente com rigor (localização, quando ocorre, em que circunstância) e reporta essa informação ao médico dentista, sem tentar resolver a situação por conta própria.

Exemplo resolvido · preparar uma consulta de revisão

Um utente liga para a clínica a queixar-se de dor num ponto específico da gengiva, três dias depois de ter recebido a prótese inferior. Como prepara o/a assistente esta consulta de revisão?

  1. Regista a queixa com o máximo de detalhe possível: localização aproximada, se dói ao mastigar ou constantemente, se já tentou retirar a prótese para aliviar.
  2. Agenda a consulta o mais rapidamente possível dentro da disponibilidade da clínica, sem prometer ao utente uma solução ou um prazo que não lhe compete garantir.
  3. Prepara o material habitual de ajuste (espelho, papel de articular, pasta indicadora de pressão, fresas), antecipando que o médico dentista poderá fazer um pequeno desgaste localizado.
  4. Durante a consulta, apoia o médico dentista na identificação do ponto de pressão (pasta indicadora na base, papel de articular na oclusão), aspira o pó de resina durante o desgaste e desinfeta a prótese antes de voltar à boca.

Uma queixa bem registada antes da consulta poupa tempo ao médico dentista e transmite confiança ao utente, que sente que a sua situação foi levada a sério desde o primeiro contacto.

13. Instruções ao utente, manutenção e rebasamento

Higiene da prótese

O/a técnico/a assistente tem um papel importante a explicar e a reforçar as instruções de higiene, sempre em articulação com o que o médico dentista já indicou ao utente:

Uma prótese mal higienizada favorece infeções da mucosa, mau odor e desgaste mais rápido dos materiais.

Uso da prótese e controlos periódicos

Rebasamento e manutenção a longo prazo

Com o tempo, a reabsorção óssea (capítulo 2) altera a forma do rebordo, e a base da prótese deixa de se adaptar tão bem como no início. Quando isso acontece, o médico dentista pode indicar um rebasamento:

O/a assistente prepara os materiais para o rebasamento da mesma forma cuidada que para uma prótese nova, e reforça junto do utente a importância de não adiar indefinidamente estas manutenções.

Exemplo resolvido · explicar a um utente porque precisa de rebasamento

Um utente com uma prótese total inferior, feita há vários anos, comenta que a prótese "sempre foi assim, um pouco solta". Como explicar, dentro dos seus limites, a situação ao utente?

  1. Acolher o comentário sem minimizar nem alarmar: "vamos falar com o doutor/a doutora sobre isso, pode haver uma solução simples."
  2. Não diagnosticar nem explicar a causa clínica exata (reabsorção óssea, necessidade de rebasamento); essa avaliação cabe ao médico dentista.
  3. Reportar a queixa antes da consulta, para que o médico dentista já chegue preparado para avaliar a adaptação da prótese.
  4. Depois de o médico dentista confirmar a necessidade de rebasamento, o/a assistente prepara os materiais necessários, tal como faria para qualquer outra etapa laboratorial descrita nesta sebenta.

Explicar ao utente que a prótese pode precisar de ajustes ao longo dos anos, sem entrar em diagnóstico, ajuda-o a perceber que voltar à clínica não é sinal de "defeito", mas parte natural da manutenção.

14. Normas de higiene e segurança em prostodontia removível

A prostodontia removível tem um risco próprio: objetos que vão à boca circulam entre o consultório e o laboratório (moldagens, bases de prova, provas em cera, estruturas metálicas, próteses para reparar). Se não forem desinfetados em cada passagem, levam microrganismos da boca do utente para o laboratório e de volta. Por isso, a cadeia de controlo de infeção tem de estar fechada nos dois sentidos.

Precauções Básicas de Controlo de Infeção

As Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI), definidas na Norma n.º 029/2012 da Direção-Geral da Saúde, aplicam-se a todos os utentes, sem exceção, porque não é possível saber quem é portador de uma infeção. Em prostodontia, traduzem-se em:

Classificação de Spaulding aplicada à prostodontia

O nível de reprocessamento de cada artigo depende do risco de infeção que representa (classificação de Spaulding):

Categoria Contacto Reprocessamento Exemplos em prostodontia removível
Crítico penetra tecidos ou osso esterilização instrumentos cirúrgicos usados em extrações ou na colocação de implantes de sobredentaduras
Semicrítico contacta com mucosa, sem a penetrar esterilização ou desinfeção de alto nível moldeiras metálicas reutilizáveis, espelhos, garfo do arco facial, peças de mão
Não crítico contacta só com pele intacta limpeza e desinfeção de nível baixo ou intermédio arco facial (exceto o garfo), régua de Fox, escala de cores, articulador, superfícies

Na prática, os instrumentos semicríticos que toleram calor esterilizam-se em autoclave, depois de limpos e embalados. As moldeiras de plástico de uso único descartam-se depois de usadas, nunca se reprocessam.

Circuito consultório-laboratório

Tudo o que sai da boca é tratado como contaminado até ser desinfetado:

  1. Moldagens: lavar, desinfetar com produto compatível com o material, enxaguar e acondicionar em saco fechado (ver capítulo 5).
  2. Bases de prova, provas em cera e estruturas metálicas: desinfetar depois de cada prova em boca, antes de voltarem ao laboratório; desinfetar também quando chegam do laboratório, antes de irem à boca.
  3. Próteses para reparar ou rebasar: limpar (retirar restos de alimentos e cálculo), desinfetar e só depois enviar.
  4. Ajustes à cadeira: usar fresas limpas e reprocessadas para cada utente; a pedra-pomes de polimento usa-se em porção individual, com desinfetante, e descarta-se no fim; os discos e escovas do torno limpam-se ou substituem-se entre utentes.
  5. Registo: a ficha de trabalho indica que o trabalho foi desinfetado, com que produto e em que data, para o laboratório não ter de repetir nem ficar na dúvida.

Segurança com os materiais e os equipamentos

Risco Onde aparece Medidas
Pó (gesso, alginato, resina, metal) mistura de pós, recorte de modelos, desgaste e polimento aspiração, máscara, óculos; abrir as embalagens de alginato sem levantar pó
Monómero de metilmetacrilato resinas acrílicas, sobretudo autopolimerizáveis frasco fechado, boa ventilação, evitar contacto com a pele (pode causar dermatite de contacto e alergia), longe de chamas por ser inflamável
Calor e chama lamparina, godiva, banho de cera, polimerizadora frasco de álcool afastado da chama, nunca deixar a lamparina acesa sem vigilância, testar temperaturas antes de irem à boca
Rotação peça de mão, motor e torno de polimento óculos, cabelo preso, peça bem segura, sem roupa solta junto ao torno
Ruído e vibração recortador de modelos, vibrador uso por períodos curtos, manutenção em dia

Resíduos

Os resíduos da atividade separam-se segundo o Despacho n.º 242/96, que os agrupa em quatro grupos:

Grupo Tipo Exemplos em prostodontia
I equiparados a urbanos embalagens de papel e cartão, restos sem contacto com utentes
II hospitalares não perigosos gesso e cera sem contaminação biológica, embalagens de materiais já vazias
III hospitalares de risco biológico compressas, luvas e barreiras contaminadas com saliva ou sangue, moldagens contaminadas
IV hospitalares específicos cortoperfurantes (lâminas, agulhas, fresas partidas), sempre no contentor rígido

A separação faz-se no local onde o resíduo é produzido, para o contentor certo, e o/a assistente não volta a abrir sacos nem contentores para "arrumar melhor".

Exemplo resolvido · uma prova em cera que chega do laboratório

Uma prova de dentes em cera chega do laboratório numa caixa, sem indicação de ter sido desinfetada. O que faz o/a assistente?

  1. Não a leva diretamente à boca. Sem registo de desinfeção, trata-a como contaminada.
  2. Com luvas, desinfeta-a com um produto compatível com cera e resina, por pulverização, respeitando o tempo de contacto do fabricante, e enxagua-a em água à temperatura ambiente (água quente deforma a cera).
  3. Guarda-a num local fresco, longe de fontes de calor, até à consulta.
  4. Depois da prova, volta a desinfetá-la antes de a devolver ao laboratório, e regista-o na ficha de trabalho.
  5. Reporta ao médico dentista a falta de registo de desinfeção, para que o assunto seja tratado com o laboratório.

15. Comunicação com o laboratório de prótese

O laboratório não vê o utente. Tudo o que sabe sobre o caso chega pela ficha de trabalho (requisição) e pelos modelos e registos que a acompanham. Uma ficha incompleta traduz-se numa prótese errada, numa prova repetida ou num atraso.

A ficha de trabalho

A ficha é preenchida e assinada pelo médico dentista; o/a assistente ajuda a preparar a informação, confirma que nada falta e trata do envio. Deve conter:

Prazos e rastreabilidade

Equipamentos, instrumentos e materiais por etapa

Etapa Equipamentos e instrumentos Materiais
Moldagem preliminar moldeiras de série, taça de borracha, espátula de alginato, doseadores alginato, água, desinfetante de moldagens
Moldagem definitiva moldeira individual, lamparina, banho termostatizado, pistola de mistura, pontas misturadoras godiva ou silicone de moldagem funcional, silicone de adição ou condensação, poliéter, adesivo de moldeira
Registo intermaxilar régua de Fox, compasso ou régua de medição, espátula de cera, lamparina, arco facial, articulador bases e roletes de cera, cera de registo, lápis dermográfico
Prova espelho, escala de cores, câmara fotográfica prova em cera ou estrutura metálica, silicone fluido ou pasta indicadora
Modelos vibrador, recortador, espátula de gesso, taça de gesso gesso tipo II, III ou IV, conforme a etapa
Entrega e ajustes peça de mão de baixa rotação, fresas para resina, pinça de Miller, torno de polimento papel de articular, pasta indicadora de pressão, pedra-pomes, pasta de polir
Reparação e rebasamento panela de pressão, espátulas, frasco de mistura resina autopolimerizável, isolante, material de rebasamento

Exemplo resolvido · preparar o envio de uma moldagem definitiva

O médico dentista acabou a moldagem definitiva superior para uma PPR esquelética de um utente com perda de 14, 15, 16 e 24, 25. Como prepara o/a assistente o envio?

  1. Lava, desinfeta e enxagua a moldagem, segundo o protocolo e o fabricante.
  2. Vaza o modelo, se esse for o procedimento da clínica, ou acondiciona a moldagem para o laboratório vazar, no prazo que o material permite.
  3. Prepara a ficha: PPR esquelética superior, dentes a substituir 14, 15, 16, 24, 25 em notação FDI, cor e desenho indicados pelo médico dentista, data da consulta de prova da estrutura, registo de desinfeção.
  4. Confirma com o médico dentista qualquer campo em branco antes de fechar a caixa.
  5. Regista o envio e a data de regresso prevista, e marca a consulta seguinte de acordo com esse prazo.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Assistir o médico dentista em prostodontia removível percorre um único fluxo, do consultório ao laboratório e de volta ao utente: anamnese e plano de tratamentoimpressões primárias (moldeira de série, alginato) → moldeira individual e impressões definitivas (silicones, poliéter, godiva) → registo da relação intermaxilar (bases e roletes de cera, arco facial, articulador) → montagem em cera e prova clínica (estética, fonética, oclusão) → vazamento e preparação de modelos (gesso, paralelometria) → inclusão e polimerização da resina (mufla, deceragem, isolante) → desinclusão, acabamento e polimentoentrega, ajustes e revisõesinstruções de higiene, uso e controlos periódicos, com o rebasamento como manutenção a longo prazo. Nas PPR, a classificação de Kennedy e os componentes da estrutura esquelética dão o vocabulário comum com o médico dentista e o laboratório; em todas as próteses, a desinfeção em cada passagem entre a boca e o laboratório e uma ficha de trabalho completa fecham o circuito. Em cada etapa, o/a técnico/a assistente prepara, coadjuva, cumpre normas de higiene e segurança, e reporta, sempre sob orientação do médico dentista, nunca diagnosticando nem executando atos clínicos invasivos.

Exercícios resolvidos

1. Um utente pergunta ao/à assistente se a prótese que vai receber "vai ficar igual aos dentes naturais". Como deve responder?

Resolução: acolhe a pergunta com escuta ativa, sem dar uma resposta clínica definitiva, e encaminha-a para o médico dentista, que é quem pode explicar as expectativas realistas de estética e função daquele caso concreto.

2. Distingue prótese total de prótese parcial removível quanto ao apoio principal.

Resolução: a prótese total apoia-se nos tecidos moles e no osso (suporte mucoso), por não existirem dentes remanescentes. A prótese parcial removível apoia-se nos dentes remanescentes, através de ganchos, e/ou na mucosa, conforme o desenho definido pelo médico dentista.

3. Porque é que a impressão de alginato tem de seguir rapidamente para vazamento em gesso?

Resolução: o alginato perde precisão dimensional com o tempo depois de retirado da boca; quanto mais tempo passa até ao vazamento, maior o risco de o modelo não reproduzir fielmente a anatomia registada.

4. Qual a função do espaçador numa moldeira individual?

Resolução: garante um espaço uniforme entre a moldeira e os tecidos, onde vai entrar o material de impressão definitivo, evitando zonas demasiado finas (com risco de rasgar) ou demasiado grossas (com perda de detalhe).

5. Explica porque a prova em cera é considerada uma etapa reversível e a inclusão em mufla não.

Resolução: na prova em cera, ainda é possível corrigir a posição, a cor ou a forma dos dentes sem grande custo, porque a cera é facilmente remodelável. Depois da inclusão em mufla e da polimerização da resina, qualquer correção significativa implica repetir etapas laboratoriais inteiras.

6. Um utente liga a queixar-se de que a prótese nova "sai" sempre que fala. Que informação deve o/a assistente registar antes da consulta de revisão?

Resolução: em que situações a prótese se solta (só ao falar, também ao comer), há quanto tempo tem a prótese, se é a arcada superior ou inferior, e se há alguma dor associada. Esta informação ajuda o médico dentista a chegar preparado para o ajuste.

7. Porque é que a resina autopolimerizável é preferida em reparações rápidas, mas não na confeção de próteses novas?

Resolução: presa à temperatura ambiente, sem precisar de calor, o que a torna mais rápida a usar. No entanto, tem geralmente menor resistência e maior alteração dimensional a longo prazo do que a resina termopolimerizável, pelo que não é a opção preferida para uma prótese nova.

8. Um utente com uma prótese total de vários anos refere que ela está cada vez mais solta, sem nenhuma queixa de dor. O que pode estar a acontecer e qual é o papel do/a assistente?

Resolução: pode indicar reabsorção óssea progressiva, que altera a forma do rebordo e reduz a adaptação da base da prótese, podendo ser necessário um rebasamento. O papel do/a assistente é reportar a queixa ao médico dentista, sem diagnosticar, e preparar os materiais necessários assim que o médico dentista confirmar o plano a seguir.

9. Uma arcada superior perdeu 15, 16, 17 e 25, 26. O 18 e o 27 estão presentes e o 18 vai servir de pilar. Classifica segundo Kennedy.

Resolução: do lado direito, a zona 15 a 17 tem o 18 atrás (pilar, conta pela regra de Applegate): é intercalada. Do lado esquerdo, a zona 25 e 26 tem o 27 atrás: também intercalada. Não há extremos livres nem zona anterior: é Classe III; a segunda zona intercalada é uma modificação, logo Classe III, modificação 1.

10. Uma moldagem de alginato ficou 40 minutos em cima da bancada, ao ar, antes de ser vazada. O que pode ter acontecido e como se evita?

Resolução: o alginato perdeu água por evaporação e sinérese e contraiu, pelo que o modelo pode não corresponder à boca. Evita-se lavando e desinfetando a moldagem logo que sai da boca e vazando-a o mais cedo possível, dentro do prazo do fabricante; numa espera curta, guarda-se envolvida em papel húmido num saco fechado, nunca mergulhada em água.

11. Um utente com uma PPR esquelética diz que deixa a prótese de molho em lixívia todas as noites. Que deve fazer o/a assistente?

Resolução: reforçar a instrução já dada pelo médico dentista: a lixívia corrói e escurece a liga de crómio-cobalto e enfraquece os ganchos, por isso não se usa nas esqueléticas; a higiene faz-se com escova própria e sabão neutro ou produto de limpeza indicado. Reporta a situação ao médico dentista, para que avalie o estado da estrutura na próxima consulta.