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aulify · Sebenta
UC · Unidade de Competência · UC04010

Sebenta · Assistir o médico dentista em atos de cirurgia oral (UC04010)

Preparação do consultório, instrumentário, técnica a quatro mãos e acondicionamento de biópsias em cirurgia oral
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Assistente Dentário ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta prepara-te para assistir o médico dentista em atos de cirurgia oral: exodontias simples e complexas, exérese de tecidos moles e duros, e biópsias. É uma UC de coordenação e rigor, mais do que de conhecimento teórico isolado: aprende-se a preparar tudo antes do ato, a acompanhar o médico dentista durante a intervenção sem nunca ultrapassar os limites da profissão, e a garantir que uma peça de biópsia chega ao laboratório em condições de dar um diagnóstico fiável.

O fio condutor de todos os blocos é sempre o mesmo: o/a técnico/a assistente dentário prepara, coadjuva, acondiciona e reporta. Nunca diagnostica, nunca prescreve e nunca executa atos clínicos invasivos. Este limite não é uma restrição arbitrária, é o que distingue uma profissão técnica de uma profissão clínica, e aparece referido explicitamente no referencial desta UC.

O contexto de trabalho é o consultório dentário, com o médico dentista ou estomatologista a decidir e a executar o ato, e o/a técnico/a assistente dentário a garantir que tudo funciona à volta desse ato: instrumentos certos, sequência certa, campo operatório visível, e o destino correto de cada peça de tecido que sai da boca do doente.

Objetivos de aprendizagem (referencial): executar todos os procedimentos pré-operatórios; preparar equipamentos, instrumentos e materiais adequados a cada intervenção cirúrgica; coadjuvar o médico dentista/estomatologista nas etapas de uma intervenção cirúrgica; e acondicionar e preservar peças de biópsia para análise laboratorial.

1. O papel do/a técnico/a assistente dentário na cirurgia oral

A cirurgia oral reúne os atos cirúrgicos realizados na cavidade oral no âmbito do consultório dentário: exodontias, pequenas exéreses de tecidos moles e duros, e biópsias. É diferente da cirurgia oral e maxilofacial, uma especialidade médica que trata intervenções mais complexas, muitas vezes em meio hospitalar. Esta UC cobre o primeiro conjunto, o que se faz habitualmente num consultório dentário.

O/a técnico/a assistente dentário atua sempre sob orientação e supervisão do médico dentista. A sua atuação enquadra-se em quatro realizações do referencial: executar procedimentos pré-operatórios, preparar equipamentos e materiais, coadjuvar o médico dentista durante o ato, e acondicionar peças de biópsia. Nenhuma destas realizações inclui decidir, diagnosticar ou operar.

Limites da intervenção

Compete ao/à técnico/a assistente dentário Não lhe compete
preparar o consultório, os instrumentos e os materiais diagnosticar a necessidade do ato cirúrgico
coadjuvar o médico dentista durante o ato, seguindo os procedimentos internos prescrever medicação ou escolher a técnica cirúrgica
acondicionar e preservar peças de biópsia para análise executar atos clínicos invasivos
aplicar as normas de higiene e segurança no trabalho decidir sozinho/a alterar um procedimento em curso
reportar de imediato qualquer situação de risco interpretar resultados de exames laboratoriais

Reportar é uma aptidão exigida pelo referencial, tal como noutras UC deste curso: um instrumento avariado, um espécime mal identificado, uma reação inesperada do doente ou uma dúvida sobre um procedimento comunicam-se de imediato ao médico dentista, nunca se resolvem sozinho/a "para não incomodar".

A equipa cirúrgica

Numa intervenção de cirurgia oral, a equipa mínima é o médico dentista (decide e executa) e o/a técnico/a assistente dentário (coadjuva). Em intervenções mais longas ou complexas pode existir um segundo elemento de apoio. A comunicação entre a equipa segue procedimentos internos definidos pela clínica, muitas vezes reduzidos a sinais combinados, para não interromper o ato com frases longas.

2. Tipos de intervenções de cirurgia oral

O referencial agrupa as intervenções desta UC em quatro grandes tipos, que se repetem ao longo dos blocos seguintes:

Intervenção O que é Exemplo típico
Exodontia simples extração de um dente sem incisão de retalho nem remoção de osso dente com raiz íntegra e acessível
Exodontia complexa (cirúrgica) extração com incisão de retalho, remoção de osso ou secção do dente raiz fraturada, dente incluso ou impactado
Exérese de tecidos moles remoção cirúrgica de uma lesão ou estrutura de tecido mole frenectomia, lesão da mucosa oral
Exérese de tecidos duros remoção cirúrgica de tecido ósseo torus, exostose

A biópsia não é um quinto tipo separado: é o destino que se dá a um tecido removido em qualquer um dos atos anteriores, sempre que é necessário confirmar em laboratório o que aquele tecido é. Por isso a biópsia atravessa toda a UC, em vez de ficar confinada a um único bloco.

Exemplo resolvido · classificar uma intervenção

O médico dentista vai remover um torus palatino que incomoda o doente ao usar uma prótese. Que tipo de intervenção é esta, e porquê?

É uma exérese de tecidos duros: o alvo é tecido ósseo (o torus), não um dente nem uma lesão de tecido mole. A preparação do assistente aproxima-se da de uma exodontia complexa (retalho, instrumentos de osso, sutura), mas o instrumento primário e o critério clínico são diferentes.

Quando uma lesão justifica biópsia

A decisão de enviar tecido para biópsia é sempre do médico dentista, mas o/a técnico/a assistente dentário beneficia de conhecer os sinais gerais que costumam motivar essa decisão, para se antecipar na preparação do material:

Nenhum destes sinais é, por si só, motivo para o assistente sugerir uma biópsia: a lista serve apenas para que a preparação do material não apanhe ninguém desprevenido quando o médico dentista a pede.

3. Procedimentos pré-operatórios

Executar todos os procedimentos pré-operatórios é uma realização explícita do referencial, e o ponto de partida de qualquer ato cirúrgico. Antes de o doente entrar no gabinete:

Nada disto é decisão clínica: é verificação e organização, para que o médico dentista comece o ato sem interrupções nem imprevistos evitáveis.

Preparar o doente

Com o gabinete pronto, prepara-se o doente:

  1. Posicionar o doente na cadeira, conforme a zona a intervencionar.
  2. Colocar babete e, se indicado pelo protocolo, proteção ocular.
  3. Dar bochecho com solução antissética, quando o protocolo da clínica o previr.
  4. Confirmar com o doente alergias e medicação já registadas no processo, sem alterar nem validar clinicamente essa informação: confirmar é reler em voz alta e verificar que o doente concorda, não é reavaliar.
  5. Garantir que o doente está confortável e informado sobre os passos seguintes, em linguagem simples e sem detalhes técnicos que só ao médico dentista compete transmitir.

Exemplo resolvido · checklist antes de uma exodontia simples agendada

O/a técnico/a assistente dentário confirma, em cinco minutos, antes de o doente entrar:

  1. Processo clínico aberto no ecrã, com a radiografia do dente a extrair visível.
  2. Consentimento informado assinado, com a data de hoje.
  3. Bandeja de exodontia simples montada e conferida (ver bloco 5).
  4. Aspirador e luz operacional, testados no arranque do dia.
  5. Cadeira limpa e desinfetada, com barreiras descartáveis colocadas.

Só depois de confirmados estes cinco pontos é que o doente é chamado ao gabinete. Se algum falhar, resolve-se antes, nunca durante o ato já em curso.

4. Preparar o consultório e a sala para o ato cirúrgico

Preparar o consultório para o ato cirúrgico é, ao mesmo tempo, uma realização e um critério de desempenho explícitos do referencial. As regras de higiene e controlo de infeção estudadas noutra UC deste curso aplicam-se aqui na íntegra, com uma exigência acrescida: um ato cirúrgico expõe tecidos internos, e por isso o consultório tem de estar num nível de assepsia superior ao de uma consulta de rotina.

Antes do ato:

O princípio que orienta toda esta fase é simples de enunciar e exigente de cumprir: está tudo pronto antes de o doente entrar, nunca a montar-se material a meio do ato.

Organizar a bandeja por sequência de uso

A bandeja organiza-se pela ordem em que os instrumentos vão ser usados, e não ao acaso nem por tamanho:

[Diagnóstico/anestesia] → [Sindesmotomia/luxação] → [Extração/exérese] → [Hemostasia/sutura]

Uma bandeja bem organizada facilita metade do trabalho de coadjuvação: o assistente já sabe, sem pensar, o que vem a seguir, e o médico dentista não precisa de esperar.

Exemplo resolvido · montar a bandeja de uma exodontia simples

Pela sequência de uso: espelho e sonda (observação inicial), material de anestesia montado pelo assistente (seringa tipo carpule, agulha e cartucho do anestésico que o médico dentista indicar), sindesmótomo, dois elevadores de tamanhos diferentes, o boticão correspondente ao dente a extrair, cureta alveolar, compressas estéreis, e um kit de sutura de reserva, mesmo que não previsto.

A reserva de sutura não é excesso de zelo: se a extração se complicar a meio, o assistente já tem o material pronto, sem interromper o ato para ir buscar mais.

O campo estéril e as barreiras de proteção

Além da bandeja de instrumentos, um ato de cirurgia oral pede um campo estéril à volta da zona de trabalho: campos cirúrgicos estéreis (de tecido ou descartáveis) colocados sobre o peito e os ombros do doente, e por vezes sobre o apoio de cabeça, delimitando visualmente a área que se mantém livre de contaminação durante o ato. O assistente coloca este campo antes de o médico dentista iniciar, e mantém-se atento para que ninguém o toque com as mãos não esterilizadas ao longo da intervenção.

As barreiras descartáveis nos pontos de maior manuseamento (pega do foco, botões da unidade dentária, cabo da seringa ar/água) completam este cuidado: numa cirurgia, o número de vezes que a equipa toca nestes pontos com as luvas contaminadas de sangue é maior do que numa consulta de rotina, o que torna estas barreiras ainda mais relevantes.

A cadeia asséptica: zona estéril, zona não estéril, instrumentista e circulante

Num ato cirúrgico, a sala divide-se mentalmente em duas zonas que nunca se misturam:

Quando existem dois elementos de apoio, as funções dividem-se:

Função Veste O que faz
Instrumentista higiene cirúrgica das mãos, bata e luvas estéreis, máscara, touca e proteção ocular trabalha dentro da zona estéril: organiza a bandeja, transfere instrumentos, aspira, afasta tecidos
Circulante EPI de consulta (luvas de exame, máscara, proteção ocular) fica na zona não estéril: abre as embalagens deixando cair o conteúdo sobre o campo sem lhe tocar, fornece soro e material extra, ajusta o foco e o equipamento, atende o telefone e regista

Quando o/a técnico/a assistente dentário trabalha sozinho/a com o médico dentista, assume a função de instrumentista e prepara antes do início tudo o que um circulante lhe passaria, precisamente para não ter de sair da zona estéril a meio.

Regras que sustentam a cadeia asséptica:

  1. As luvas estéreis calçam-se depois da higiene das mãos, sem tocar na face exterior da luva com a mão nua.
  2. Mãos enluvadas estéreis ficam acima da cintura e à frente do corpo, longe de superfícies não estéreis.
  3. Uma embalagem abre-se afastando as abas do corpo, e só se o indicador de esterilização tiver virado e o invólucro estiver seco e intacto.
  4. Material estéril que caia ao chão, que toque numa superfície não estéril ou cuja esterilidade suscite dúvida considera-se contaminado e substitui-se, sem discussão.
  5. Se a luva estéril for tocada por algo não estéril ou se rasgar, o/a instrumentista informa o médico dentista e troca de luvas antes de voltar a tocar no campo.

Este cuidado é a tradução prática do critério de desempenho "de acordo com as boas práticas e procedimentos internos em vigor": uma única quebra da cadeia asséptica pode transformar uma cirurgia bem executada numa infeção pós-operatória.

Exemplo resolvido · checklist de sala para uma exérese de tecido duro

Antes de uma exérese de torus palatino, o assistente confirma:

  1. Superfícies de contacto direto limpas, desinfetadas e com barreiras descartáveis colocadas.
  2. Campo estéril colocado sobre o doente depois de este estar sentado e posicionado na cadeira já preparada, e bandeja estéril aberta só no momento de iniciar, para não ficar exposta.
  3. Kit alargado disponível: instrumentos de osteotomia, afastador, porta-agulhas e sutura, além do material de exodontia.
  4. Aspirador cirúrgico testado, com ponta fina disponível para trabalho junto ao osso.
  5. Frasco de biópsia preparado com antecedência, caso o médico dentista decida enviar a peça óssea para análise.

O quinto ponto ilustra bem o princípio da UC: preparar para a hipótese mais exigente, mesmo quando a intervenção pode não a confirmar.

5. Instrumentos e materiais de exodontia

Preparar equipamentos, instrumentos e materiais adequados a cada intervenção é uma realização central desta UC, e começa por conhecer bem cada instrumento e a sua função.

Instrumento Função
Sindesmótomo rompe as fibras gengivais e a porção superficial do ligamento periodontal à volta do dente, antes da luxação
Alavanca/elevador luxa o dente, alargando o espaço no alvéolo
Boticão/fórceps agarra a coroa ou a raiz e completa a extração
Cureta cirúrgica (alveolar) limpa o alvéolo após a extração, removendo restos de tecido; a mais conhecida é a cureta de Lucas

Os boticões variam por grupo dentário e arcada: existe um desenho próprio para incisivos, para caninos, para pré-molares e para molares superiores e inferiores, entre outros. Usar o boticão errado para o grupo dentário dificulta a preensão e aumenta o risco de fratura da raiz.

Preparar o kit de exodontia

O assistente confirma, antes do ato, que o kit de exodontia tem:

Instrumentos adicionais de exodontia complexa e de exérese de tecido duro

Quando o dente ou a estrutura a remover exige acesso ao osso, o kit de exodontia simples não chega. Juntam-se:

Instrumento Função
Bisturi incisão do retalho de tecido mole, para expor o osso
Descolador de periósteo separa o periósteo do osso, sem o rasgar, ao levantar o retalho
Cinzel e martelo cirúrgico, ou peça de mão cirúrgica remoção controlada de osso, conforme o equipamento da clínica
Lima óssea alisa arestas ósseas depois da remoção, evitando irritar o tecido mole ao fechar
Seringa de irrigação aplica soro fisiológico estéril durante o corte de osso, para arrefecer e limpar a zona (nunca a água da unidade dentária)

O assistente prepara este material com antecedência sempre que existe qualquer suspeita de que a intervenção possa exigir acesso ósseo, ainda que a decisão final seja do médico dentista.

Instrumentos em pormenor: os nomes que vais ouvir no consultório

Os médicos dentistas pedem muitas vezes os instrumentos pelo nome do modelo. Conhecer estes nomes poupa segundos preciosos durante o ato:

Nome que vais ouvir O que é Para que serve
Alavanca de Bein elevador reto, com ponta em goiva luxação inicial, introduzido entre a raiz e o osso
Alavancas de Winter par de elevadores em cruz, com ponta triangular (esquerda e direita) remoção de raízes, sobretudo em molares inferiores, apoiando no alvéolo vizinho
Boticões superiores bicos no prolongamento dos cabos, retos ou em baioneta, alguns em forma de "S" dentes da arcada superior; os de molares superiores são próprios para o lado direito ou esquerdo
Boticões inferiores bicos em ângulo aproximadamente reto com os cabos dentes da arcada inferior
Boticão de raízes bicos estreitos e finos restos radiculares
Cureta de Lucas cureta alveolar de dupla ponta limpeza do alvéolo depois da extração
Pinça goiva pinça cortante de osso, com cabos de mola recortar e regularizar rebordos ósseos
Lima de osso lima de dupla ponta alisar arestas ósseas antes da sutura
Cabo de bisturi n.º 3 com lâminas 15, 15C ou 12 a 15 é a lâmina de trabalho mais usada; a 15C é mais estreita, para zonas de acesso difícil; a 12, em forma de foice, serve incisões por distal dos últimos dentes incisão do retalho
Descolador de periósteo (por exemplo, de Molt) instrumento de ponta romba e larga levantar o retalho mucoperiósteo
Afastador de Minnesota afastador curvo, com recorte afastar bochecha, lábio e retalho em simultâneo
Afastador de Farabeuf afastador em forma de "L", com duas extremidades afastar lábio e comissuras
Porta-agulhas (por exemplo, de Mayo-Hegar) pinça com cremalheira que trava segurar a agulha de sutura com firmeza
Pinça de dissecção (Adson) pinça fina, com ou sem dentes segurar o bordo do retalho durante a sutura
Cânula de aspiração cirúrgica cânula fina e estéril aspirar sangue no alvéolo e sob o retalho

Os boticões e as alavancas escolhem-se sempre em função do dente que o médico dentista vai extrair: confirmar na marcação e na radiografia qual é o dente (em notação FDI, por exemplo 36, primeiro molar inferior esquerdo, ou 18, terceiro molar superior direito) permite pôr em cima da bandeja o boticão certo, e não apenas "um de molares".

Exemplo resolvido · escolher o boticão pela notação FDI

A marcação do dia indica "exodontia do 46" e, a seguir, "exodontia do 55" numa criança. Que boticões se preparam?

A escolha do boticão a usar é do médico dentista; o assistente garante que as opções certas estão na bandeja antes de o doente se sentar.

6. Instrumentos de tecidos moles, hemostasia e biópsia

Para exérese de tecidos moles e para fechar qualquer ferida cirúrgica, o instrumentário muda de família:

Instrumento Função
Bisturi e lâmina incisão dos tecidos moles
Tesoura cirúrgica corte de tecidos e de fio de sutura
Pinça de dissecção segura e afasta o tecido sem o esmagar
Porta-agulhas segura a agulha de sutura com firmeza
Fio de sutura aproxima os bordos da ferida
Afastador mantém o campo visível, afastando bochecha ou língua

Hemostasia

Suturas: absorvíveis e não absorvíveis

O fio de sutura vem numa embalagem estéril com a agulha já montada. O rótulo indica o material, o calibre e o tipo de agulha, e é por esse rótulo que o assistente confirma que abre o fio que o médico dentista pediu.

Tipo Exemplos de material O que acontece depois
Absorvível poliglactina 910, ácido poliglicólico, catgut crómico o organismo degrada o fio ao longo de dias ou semanas; muitas vezes não precisa de ser removido
Não absorvível seda, poliamida (nylon), polipropileno, PTFE o fio mantém-se até ser removido pelo médico dentista na consulta de controlo

Material de biópsia

Preparar este material é sempre uma tarefa do assistente. A decisão clínica de o usar, e quando, é sempre do médico dentista.

O aspirador cirúrgico e as suas cânulas

O aspirador é, ao lado da bandeja de instrumentos, o equipamento mais usado pelo assistente durante todo o ato. Existem cânulas diferentes para situações diferentes:

Escolher a cânula certa para o momento certo é parte de "manusear os equipamentos, instrumentos e materiais com destreza e segurança", um critério de desempenho explícito do referencial.

7. A técnica a quatro mãos: coadjuvar o médico dentista

Coadjuvar o médico dentista nos diferentes procedimentos realizados durante os atos cirúrgicos é, junto com a preparação, a realização mais transversal desta UC. A técnica a quatro mãos organiza o trabalho de forma a que médico dentista e assistente atuem em simultâneo, sem se atrapalharem:

O objetivo não é apenas conforto: reduzir o tempo do ato reduz também o desconforto do doente e o cansaço acumulado da equipa ao longo do dia.

Transferir instrumentos e manter o campo

Exemplo resolvido · sequência de transferência numa exodontia simples

O médico dentista termina a anestesia e estende a mão sem olhar para o tabuleiro. O assistente:

  1. Já retirou o sindesmótomo do tabuleiro, orientado corretamente.
  2. Entrega-o na zona de transferência, sem obrigar o médico dentista a procurar a pega.
  3. Enquanto o médico dentista trabalha, prepara já o elevador seguinte, na mão livre ou pronto a alcançar.
  4. Mantém a aspiração próxima da ponta ativa, sem a interpor entre o olhar do médico dentista e o dente.

Nenhum destes passos exige que o assistente fale: a antecipação substitui a conversa.

Posições de trabalho à volta da cadeira

As posições da equipa à volta da cadeira descrevem-se com a analogia de um mostrador de relógio, visto de cima, com a cabeça do doente no centro e as 12 horas atrás da cabeça. Para um médico dentista destro:

Zona Horas O que acontece
Zona do operador das 7 às 12 onde o médico dentista se senta e se movimenta, conforme a zona da boca
Zona estática das 12 às 2 carrinho ou móvel com material que não circula entre as mãos
Zona do assistente das 2 às 4 onde o assistente se senta, ligeiramente mais alto, com a aspiração e a seringa ar/água
Zona de transferência das 4 às 7 sobre o peito do doente, abaixo do queixo, onde passam instrumentos e materiais

Para um médico dentista canhoto, as zonas espelham-se: operador das 12 às 5, zona estática das 10 às 12, assistente das 8 às 10 e transferência das 5 às 8.

Estas posições não são rígidas: adaptam-se ao procedimento concreto e aos procedimentos internos de cada clínica, mas o princípio mantém-se, cada elemento da equipa tem uma zona própria, para que os movimentos de ambos sejam previsíveis um para o outro.

8. Exodontia simples e complexa

Etapas de uma exodontia simples

  1. Anestesia, administrada pelo médico dentista; o assistente prepara o material e aspira quando necessário.
  2. Sindesmotomia: rompe as fibras gengivais à volta do dente.
  3. Luxação: com o elevador, alarga o espaço no alvéolo.
  4. Extração: com o boticão, remove-se o dente.
  5. Cureta: limpa o alvéolo de restos ósseos ou de tecido de granulação.
  6. Hemostasia: compressão com compressa estéril, o doente morde para manter a pressão.

O assistente acompanha cada etapa, aspirando, afastando tecidos moles e tendo pronto o instrumento seguinte, na sequência descrita no bloco 4.

A anestesia local: o que o assistente prepara e o que não faz

A anestesia local é um ato clínico: quem escolhe o anestésico e quem anestesia é sempre o médico dentista. O papel do assistente é preparar o material e garantir que a seringa circula com segurança.

  1. Confirmar com o médico dentista qual o anestésico a usar (com ou sem vasoconstritor) e verificar no cartucho o nome, a concentração, o prazo de validade e a integridade: sem fissuras, sem êmbolo saliente, sem turvação nem bolhas grandes. Um cartucho duvidoso põe-se de lado e informa-se.
  2. Montar a seringa tipo carpule: introduzir o cartucho, engatar o arpão no êmbolo (nas seringas aspirativas) e enroscar a agulha descartável do comprimento que o médico dentista indicar, curta ou longa conforme a técnica.
  3. Afrouxar a tampa da agulha sem a retirar, para que o médico dentista a remova no momento de usar.
  4. Transferir a seringa abaixo do queixo do doente, fora do seu campo de visão, para não aumentar a ansiedade, e nunca por cima da face.
  5. Depois da injeção, a agulha nunca se reencapa com as duas mãos: usa-se a técnica de uma só mão (a agulha "pesca" a tampa pousada na bandeja) ou um dispositivo porta-tampas. A agulha é desenroscada com o próprio dispositivo ou com uma pinça, e vai diretamente para o contentor de cortoperfurantes.
  6. Registar no processo o anestésico e o número de cartuchos usados, conforme o médico dentista indicar.

Se o doente referir, durante ou depois da anestesia, palpitações, tonturas, falta de ar, comichão ou inchaço, o assistente informa de imediato o médico dentista e prepara o material de emergência (ver bloco 13).

Corte de osso e odontossecção: irrigação e peça de mão

Sempre que o médico dentista corta osso ou divide um dente, o calor produzido pela broca pode lesar o osso. Por isso:

Quando a exodontia se torna complexa

Uma exodontia é complexa (cirúrgica) quando exige, por exemplo:

Situações típicas: raiz fraturada durante a exodontia, dente incluso ou impactado, raízes muito curvas ou divergentes.

O papel do assistente numa exodontia complexa

Aviso. A decisão de classificar uma exodontia como simples ou complexa é sempre clínica, do médico dentista. O assistente prepara-se para ambas as hipóteses sempre que existe incerteza prévia, em vez de assumir a mais simples "para poupar trabalho".

Situações inesperadas e o papel do assistente

Mesmo numa exodontia planeada como simples, pode surgir um imprevisto: uma raiz que fratura, uma hemorragia mais persistente do que o habitual, ou um doente que reage de forma inesperada à anestesia. Nestes momentos, o papel do assistente não muda de natureza, apenas de intensidade:

9. Exérese de tecidos moles e duros

Exérese de tecidos moles

A exérese de tecidos moles remove cirurgicamente uma estrutura ou lesão da mucosa oral. Exemplos frequentes:

O assistente prepara bisturi, afastador, pinça de dissecção, aspiração e material de sutura, e coadjuva como em qualquer intervenção de tecidos moles descrita no bloco 7.

Exérese de tecidos duros

A exérese de tecidos duros remove tecido ósseo excedente ou alterado. Exemplos frequentes:

A preparação assemelha-se à de uma exodontia complexa (retalho, instrumentos de osso, sutura), mas o alvo é o osso, não um dente. O assistente mantém o mesmo papel de sempre: campo visível, aspiração contínua e instrumentos disponíveis na sequência certa.

Aviso. Uma exérese de tecido duro produz hemorragia tão relevante como uma exodontia, por vezes mais. A hemostasia não se descura só porque o alvo é osso e não um dente.

10. Biópsia: acondicionamento e preservação de peças

Assim que uma peça de tecido é removida pelo médico dentista, acondicionar e preservar peças de biópsia para análise laboratorial é uma realização explícita do referencial, e um dos momentos em que um erro do assistente pode invalidar toda a cirurgia.

Tipos de biópsia

O primeiro passo crítico

Assim que a peça é removida, deve entrar de imediato no recipiente com solução fixadora indicada pelo laboratório de anatomia patológica, para não se degradar antes da análise. Quanto mais tempo a peça fica fora da solução fixadora, mais se compromete o resultado.

Onde não houver certeza sobre a concentração, o volume ou o tipo exato de solução fixadora a usar, segue-se sempre o rótulo do frasco fornecido pelo laboratório ou o protocolo escrito da clínica, nunca um valor decorado ou "de memória". Estas indicações variam entre laboratórios e mudam ao longo do tempo, e é o rótulo do frasco fornecido que tem sempre a versão correta.

O fixador e os cuidados com a peça

Na grande maioria das biópsias orais, o fixador fornecido pelo laboratório é formol tamponado a 10%, em frasco de boca larga já cheio. Regras gerais, sempre subordinadas às instruções do laboratório:

O formol é uma substância perigosa: irritante para os olhos, a pele e as vias respiratórias, e classificado como cancerígeno. Manuseia-se com luvas e proteção ocular, com o frasco aberto o menor tempo possível e em local ventilado. Um derrame limpa-se de acordo com a ficha de dados de segurança do produto, e os frascos vazios ou com restos seguem o circuito de resíduos químicos definido pela clínica, nunca o lavatório.

Identificação, requisição e envio

Uma peça de biópsia sem identificação inequívoca não serve para nada, por melhor que tenha sido a cirurgia que a produziu. O acondicionamento inclui sempre:

Exemplo resolvido · acondicionar corretamente uma peça de biópsia excisional

O médico dentista remove uma lesão da mucosa jugal e entrega a peça ao assistente. Sequência correta:

  1. Colocar a peça de imediato no frasco com a solução fixadora já preparada antes do ato (ver bloco 6).
  2. Fechar bem o frasco e confirmar que não há fugas.
  3. Etiquetar com o nome do doente, o local anatómico ("mucosa jugal esquerda") e a data.
  4. Preencher a requisição de anatomia patológica com os dados clínicos que o médico dentista indicar.
  5. Registar o envio e guardar o frasco em local seguro até à recolha ou entrega ao laboratório.

Se duas biópsias forem colhidas no mesmo dia, cada uma tem o seu frasco e a sua etiqueta próprios, preenchidos imediatamente a seguir à recolha, nunca "todas ao mesmo tempo no fim do dia": é precisamente nesse intervalo que as trocas acontecem.

Aviso. Qualquer dúvida sobre a identificação de uma peça reporta-se de imediato ao médico dentista, antes de a enviar. Trocar a identificação de duas biópsias significa atribuir um diagnóstico ao doente errado, uma consequência muito grave para um erro de organização evitável.

11. Cuidados pós-operatórios imediatos e instruções ao doente

Depois do ato, o assistente continua a apoiar, sempre sem prescrever:

O assistente nunca prescreve nem altera as instruções dadas pelo médico dentista, mesmo quando o doente insiste em pedir um conselho adicional: a resposta correta é encaminhar a dúvida ao médico dentista, não improvisar.

Sinais que justificam reportar de imediato

Sinal observado no doente Ação do assistente
Hemorragia que não para com a compressão simples reportar de imediato ao médico dentista, sem tentar outra solução por conta própria
Mal-estar súbito, tonturas ou palidez acentuada reportar de imediato e manter o doente confortável, sem o deixar sozinho
Inchaço ou dor que o doente descreve como muito superior ao esperado reportar ao médico dentista antes de o doente sair do consultório
Dúvida do doente sobre a medicação ou os cuidados a ter encaminhar a dúvida ao médico dentista, nunca responder com uma indicação própria

Esta tabela não substitui o critério clínico do médico dentista: é uma referência para que o assistente nunca hesite em reportar por achar que "talvez não seja nada".

Exemplo resolvido · acompanhar a saída de um doente após exodontia complexa

O doente terminou uma exodontia complexa com sutura, e prepara-se para sair. O assistente confirma, antes de o deixar ir:

  1. A compressão com compressa mantém-se firme e a hemorragia está controlada.
  2. As instruções escritas foram entregues e lidas em voz alta com o doente, com espaço para perguntas.
  3. O doente sabe identificar os sinais que justificam voltar à clínica ou contactar de imediato.
  4. A marcação da consulta de controlo, se aplicável, ficou confirmada.

Só depois destes quatro pontos confirmados é que o doente sai do consultório, nunca antes.

O conteúdo habitual das instruções escritas

As instruções pós-operatórias são do médico dentista e entregam-se por escrito. O assistente conhece o conteúdo típico destas folhas para as poder reler com o doente, sem acrescentar nem retirar nada:

Tema Indicação habitual
Compressa manter a compressa mordida com pressão firme cerca de 30 minutos; se voltar a sangrar, repetir com uma compressa limpa
Frio aplicar frio no exterior da face, de forma intermitente, nas primeiras horas, com um pano entre o gelo e a pele
Bochechos não bochechar nem cuspir com força nas primeiras 24 horas, para não deslocar o coágulo
Sucção não usar palhinha e não fumar, porque a sucção e o tabaco perturbam o coágulo e a cicatrização
Alimentação alimentos moles e frios ou mornos no primeiro dia, mastigando do lado oposto
Esforço evitar esforço físico intenso no dia da cirurgia e dormir com a cabeça ligeiramente elevada
Higiene escovar os restantes dentes com cuidado, evitando a zona operada no primeiro dia
Medicação tomar apenas a medicação prescrita pelo médico dentista, nas doses e horários da receita
Controlo comparecer na consulta marcada, incluindo a remoção de pontos quando existam

Sinais de alarme e alveolite

A folha de instruções indica também os sinais que justificam contactar a clínica. Os mais frequentes:

Este último quadro é típico da alveolite (osteíte alveolar), uma complicação em que o coágulo se perde ou se desfaz e o osso do alvéolo fica exposto. É mais frequente em fumadores e em exodontias de molares inferiores. O tratamento é decidido e executado pelo médico dentista; o assistente, quando um doente telefona com estas queixas, regista os dados e marca a consulta conforme o médico dentista indicar, sem aconselhar medicação nem bochechos.

Exemplo resolvido · o doente que telefona no terceiro dia

Um doente liga à clínica três dias depois da extração do 38: diz que a dor, que estava a melhorar, piorou muito e que sente mau gosto na boca. O que faz o assistente?

  1. Regista o nome, o dente operado, a data da cirurgia e as queixas, tal como o doente as descreve.
  2. Não sugere medicação, bochechos nem remédios caseiros.
  3. Informa de imediato o médico dentista, referindo que o quadro coincide com os sinais de alarme da folha de instruções.
  4. Marca a consulta com a urgência que o médico dentista indicar e confirma com o doente a hora.

O assistente reconhece o padrão para não deixar passar o aviso, mas quem diagnostica uma alveolite é o médico dentista.

12. Normas de higiene e segurança no trabalho

A prevenção e controlo de infeção e as normas de segurança e saúde no trabalho, estudadas noutra UC deste curso, aplicam-se a toda a cirurgia oral, do início ao fim:

A cirurgia oral é, dos contextos do consultório, um dos que mais expõe a equipa a sangue e a aerossóis, por isso é também um dos que mais exige rigor nestas normas.

Reprocessamento do instrumentário cirúrgico

No fim de cada ato, todo o instrumentário usado (boticões, elevadores, curetas, bisturi, porta-agulhas, afastadores) é considerado crítico, na classificação de Spaulding, por ter contactado com tecido mole ou osso: segue sempre para esterilização, nunca apenas para desinfeção. O circuito de reprocessamento, do sujo para o limpo, é o mesmo estudado noutra UC deste curso, e aplica-se aqui sem exceções, mesmo quando o dia está cheio e o instrumentário parece "pouco sujo".

Precauções Básicas de Controlo de Infeção em cirurgia

A base de todas estas normas são as Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI), definidas pela Direção-Geral da Saúde na Norma n.º 029/2012. Aplicam-se a todos os doentes, independentemente do diagnóstico conhecido, porque qualquer doente pode ser portador de uma infeção sem o saber. Na cirurgia oral, as PBCI traduzem-se em:

Cortoperfurantes e lâmina de bisturi

Triagem de resíduos

Os resíduos hospitalares, que incluem os de uma clínica dentária, classificam-se em quatro grupos (Despacho n.º 242/96):

Grupo O que é Exemplos numa cirurgia oral Acondicionamento
I equiparados a urbanos embalagens de papel e plástico não contaminadas saco preto
II hospitalares não perigosos material não contaminado sem risco biológico saco preto
III hospitalares de risco biológico compressas, luvas, campos e cânulas contaminados com sangue saco branco com indicativo de risco biológico
IV hospitalares específicos, de incineração obrigatória cortoperfurantes (agulhas, lâminas, agulhas de sutura), fármacos rejeitados contentor rígido para cortoperfurantes; restantes em saco vermelho

Limpeza e higienização depois do ato

Garantir a limpeza e higienização dos equipamentos, instrumentos e materiais, e do consultório, é um critério de desempenho explícito do referencial. No fim de cada cirurgia, e ainda de luvas e EPI:

  1. Descartar os cortoperfurantes no contentor rígido, antes de qualquer outra tarefa.
  2. Separar os resíduos por grupo e retirar as barreiras descartáveis.
  3. Colocar o instrumentário usado num contentor fechado para transporte à zona de reprocessamento, sem o separar à mão, e iniciar a pré-lavagem conforme o protocolo (por exemplo, imersão em detergente enzimático).
  4. Aspirar uma solução própria pelo sistema de aspiração, para o limpar, conforme o fabricante.
  5. Limpar e desinfetar as superfícies de contacto (cadeira, unidade, foco, tabuleiro, pegas), com o desinfetante e o tempo de contacto indicados no rótulo.
  6. Retirar o EPI pela ordem correta, fazer a higiene das mãos, e só então colocar novas barreiras e preparar o doente seguinte.

No reprocessamento, os instrumentos críticos seguem para esterilização em autoclave de vapor, depois de lavados, inspecionados, secos e embalados, com o ciclo validado do equipamento (por exemplo, 134 °C durante pelo menos 3 minutos de tempo de patamar, ou 121 °C durante pelo menos 15 minutos, conforme o fabricante). Cada embalagem leva o indicador químico e a identificação do ciclo, para garantir a rastreabilidade.

13. Emergências médicas durante a cirurgia

A ansiedade, o jejum, a dor e os fármacos tornam a cirurgia oral um dos momentos em que é mais provável um doente sentir-se mal na cadeira. As decisões clínicas numa emergência são do médico dentista; o assistente tem, ainda assim, um papel decisivo: reconhecer cedo, avisar, ligar para o 112 quando lhe for pedido, trazer o material de emergência e o DAE, e registar.

Situação Sinais que o assistente pode notar Papel do assistente
Síncope vasovagal (desmaio) palidez, suores, tonturas, náuseas, perda de consciência breve avisar o médico dentista; retirar da boca o que estiver solto; ajudar a colocar o doente deitado de costas com as pernas elevadas; desapertar a roupa; ficar junto do doente
Hipoglicemia (em diabéticos, jejum prolongado) suores, tremores, confusão, irritabilidade, fome avisar o médico dentista; se o doente estiver consciente e conseguir engolir, dar açúcar por via oral (sumo, pacote de açúcar) conforme o médico dentista indicar; nunca dar nada pela boca a um doente inconsciente
Reação alérgica grave (anafilaxia) comichão, manchas vermelhas, inchaço dos lábios ou da língua, falta de ar, pieira, queda da tensão avisar de imediato; ligar para o 112; trazer o kit de emergência; a adrenalina intramuscular é administrada pelo médico dentista, nunca pelo assistente
Paragem cardiorrespiratória não responde e não respira normalmente ligar para o 112, trazer o DAE e iniciar ou apoiar o suporte básico de vida

Suporte básico de vida com DAE no adulto

Segundo as recomendações do European Resuscitation Council (ERC 2021, mantidas nas recomendações de 2025 quanto a estes pontos):

  1. Garantir a segurança e avaliar se a vítima responde.
  2. Se não responde, permeabilizar a via aérea e verificar se respira normalmente, durante no máximo 10 segundos.
  3. Se não respira normalmente, ligar 112 (em alta voz) e pedir o DAE.
  4. Iniciar compressões torácicas: centro do tórax, profundidade de 5 a 6 cm, ritmo de 100 a 120 por minuto.
  5. Alternar 30 compressões com 2 insuflações, se treinado para as fazer.
  6. Assim que o DAE chegar, ligá-lo e seguir as instruções de voz, reduzindo ao mínimo as pausas nas compressões.

Numa cadeira dentária, o doente deita-se na horizontal, com o encosto totalmente reclinado; se a cadeira não der apoio firme, coloca-se o doente no chão. O SBV só deve ser praticado por quem teve formação certificada: esta secção não substitui essa formação, que a clínica deve garantir a toda a equipa.

O kit de emergência

O assistente conhece a localização do kit de emergência, do oxigénio e do DAE, e verifica-os com a periodicidade definida pela clínica: prazos de validade dos fármacos, carga da bateria e elétrodos do DAE, pressão da garrafa de oxigénio, máscaras e insufladores de vários tamanhos. Um kit incompleto descoberto num dia normal é uma nota no registo; descoberto numa emergência pode custar uma vida.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Assistir o médico dentista em atos de cirurgia oral segue sempre a mesma lógica: preparar tudo antes do ato, do consultório à bandeja organizada por sequência de uso, coadjuvar durante a intervenção através da técnica a quatro mãos, mantendo o campo visível e antecipando o instrumento seguinte, e acondicionar com rigor qualquer peça enviada para biópsia, com identificação inequívoca desde o primeiro segundo. Os quatro tipos de intervenção (exodontia simples, exodontia complexa, exérese de tecidos moles, exérese de tecidos duros) partilham este mesmo ciclo, com variações no instrumentário e no grau de exigência. Ao longo de tudo isto, o/a técnico/a assistente dentário mantém-se dentro dos seus limites de intervenção, aplica as normas de higiene e segurança, e reporta de imediato qualquer situação de risco, em vez de decidir sozinho/a.

Exercícios resolvidos

1. Distingue exodontia simples de exodontia complexa, com um exemplo de cada.

Resolução: a exodontia simples extrai o dente sem incisão de retalho nem remoção de osso, por exemplo um dente com raiz íntegra e acessível. A exodontia complexa (cirúrgica) exige incisão de retalho, remoção de osso ou secção do dente, por exemplo na extração de um dente incluso ou de uma raiz fraturada.

2. Um colega monta a bandeja de uma exodontia colocando todos os instrumentos ao acaso, para depois "ir escolhendo". O que está errado?

Resolução: a bandeja deve organizar-se pela sequência de uso (diagnóstico e anestesia, sindesmotomia e luxação, extração, hemostasia e sutura), não ao acaso. Montá-la sem ordem obriga o assistente a procurar o instrumento certo durante o ato, atrasando a intervenção e aumentando o desconforto do doente.

3. Explica o princípio da técnica a quatro mãos e porque é que a aspiração nunca deve tapar a visão do médico dentista.

Resolução: a técnica a quatro mãos organiza o trabalho de médico dentista e assistente em simultâneo, com posições fixas e transferência direta de instrumentos pela zona de transferência. A aspiração acompanha de perto o instrumento em uso precisamente para manter o campo limpo e visível; se tapar a visão, atrapalha o próprio objetivo que serve.

4. O médico dentista remove uma lesão da mucosa jugal para biópsia excisional. Descreve os passos corretos de acondicionamento da peça.

Resolução: colocar a peça de imediato na solução fixadora já preparada, fechar bem o frasco e confirmar que não há fugas, etiquetar com o nome do doente, o local anatómico e a data, preencher a requisição de anatomia patológica com os dados clínicos indicados pelo médico dentista, e registar o envio até à entrega ao laboratório.

5. Porque é que se prepara sempre material de sutura numa exodontia classificada como "simples"?

Resolução: porque uma exodontia pode complicar-se durante o ato (por exemplo, com fratura da raiz), passando a exigir sutura mesmo que não estivesse prevista à partida. Ter o material pronto evita interromper o ato para o ir buscar, reduzindo o tempo de exposição do campo operatório e o desconforto do doente.

6. Um/a técnico/a assistente dentário nota que uma peça de biópsia não tem etiqueta legível. O que deve fazer?

Resolução: deve reportar de imediato a situação ao médico dentista, e não enviar a peça para o laboratório sem identificação corrigida. Uma peça sem identificação inequívoca compromete o diagnóstico e pode ser atribuída ao doente errado.

7. Que diferença existe entre exérese de tecidos moles e exérese de tecidos duros, e o que têm em comum na preparação do assistente?

Resolução: a exérese de tecidos moles remove uma lesão ou estrutura da mucosa (por exemplo, uma frenectomia); a exérese de tecidos duros remove tecido ósseo (por exemplo, um torus). Em ambas, o assistente mantém o mesmo papel: preparar o instrumentário certo, manter o campo visível, garantir aspiração contínua e apoiar a hemostasia e a sutura finais.

8. O médico dentista acabou de anestesiar o doente e devolve-te a seringa. Como a tratas?

Resolução: a agulha não se reencapa com as duas mãos. Reencapa-se com a técnica de uma só mão (a agulha "pesca" a tampa pousada na bandeja) ou com um dispositivo porta-tampas, e pousa-se a seringa na bandeja em posição segura se o médico dentista ainda a for usar. No fim, a agulha desenrosca-se com o dispositivo ou com uma pinça e vai diretamente para o contentor rígido de cortoperfurantes, que se enche no máximo até 2/3.

9. Durante uma odontossecção, o médico dentista pede irrigação. Com quê, e porquê?

Resolução: com soro fisiológico estéril, em seringa ou no sistema do motor cirúrgico, nunca com a água da unidade dentária, que não é estéril. A irrigação arrefece o osso e a broca e limpa o campo; o assistente aspira em simultâneo com a cânula fina, sem tapar a visão do médico dentista.

10. Um doente fica pálido, suado e diz que vai desmaiar logo depois da anestesia. O que faz o assistente?

Resolução: avisa de imediato o médico dentista, retira da boca o que estiver solto, ajuda a colocar o doente deitado de costas com as pernas elevadas, desaperta a roupa e fica junto dele. Se o médico dentista pedir, liga para o 112 e traz o kit de emergência e o DAE. Não administra qualquer fármaco: essa decisão é do médico dentista.