Sebenta · Assistir o médico dentista em tratamentos de dentisteria operatória (UC04008)
- Introdução
- 1. Procedimentos de preparação e apoio
- 2. Equipamentos, instrumentos e materiais de dentisteria operatória
- 3. Abertura de cavidade e isolamento do campo operatório
- 4. Tratamentos restauradores provisórios
- 5. Tratamentos restauradores definitivos
- Restauração direta a resina composta
- Adesão: os tempos que o assistente ajuda a controlar
- Fotopolimerização: luz, espessura e proteção
- Forramentos e bases
- Matriz, cunha e restaurações de duas ou mais faces
- Cimento de ionómero de vidro e restaurações indiretas
- Amálgama: o regime em vigor
- Sensibilidade pós-operatória e comunicação com o doente
- 6. Tratamentos com recurso a espigões
- 7. Branqueamentos dentários externos
- 8. Branqueamentos dentários internos
- 9. Normas de segurança e saúde no trabalho
- 10. Regras, registos e limites de atuação
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
A dentisteria operatória é a área da medicina dentária que trata a cárie e os defeitos do dente, devolvendo forma, função e estética à peça dentária. É também uma das áreas onde o/a Técnico/a Assistente Dentário passa mais tempo, dia após dia: restaurações, espigões e branqueamentos fazem parte da rotina de quase qualquer consultório.
Esta sebenta parte de duas realizações concretas do referencial da qualificação: executar a preparação de equipamentos, instrumentos e materiais para cada tipo de tratamento e coadjuvar o médico dentista/estomatologista nos diferentes tratamentos realizados em dentisteria operatória. Nenhuma das duas envolve diagnosticar, prescrever ou executar o ato clínico. O/a assistente prepara o que o tratamento vai precisar e coadjuva durante a consulta, sempre de acordo com as orientações médicas.
O percurso segue a lógica de uma consulta real: começamos pela preparação e pelo trabalho a quatro mãos, avançamos para os equipamentos, instrumentos e materiais próprios desta área, entramos na abertura de cavidade e no isolamento do campo operatório, que condiciona quase tudo o que vem a seguir, e percorremos depois os grandes grupos de tratamento: restaurações provisórias, restaurações definitivas, espigões e branqueamentos, externos e internos. Fechamos com as normas de segurança e saúde no trabalho e com os registos e os limites de atuação que enquadram todo o trabalho do assistente.
Objetivos de aprendizagem (referencial): executar a preparação de equipamentos, instrumentos e materiais para cada tipo de tratamento; coadjuvar o médico dentista/estomatologista nos diferentes tratamentos realizados em dentisteria operatória; manusear os equipamentos, instrumentos e materiais com destreza e segurança; garantir a limpeza e a higienização dos equipamentos, instrumentos e materiais utilizados, bem como do consultório; e aplicar as regras e normas definidas, com responsabilidade, rigor e sentido crítico.
Todo o trabalho descrito nesta sebenta é feito sob orientação do médico dentista ou estomatologista. Em nenhum momento o/a Técnico/a Assistente Dentário diagnostica, prescreve ou realiza atos clínicos invasivos: onde não houver certeza sobre um valor concreto (tempo de presa, concentração de um produto, dose de um agente), a resposta está sempre na ficha técnica do fabricante ou na indicação do médico dentista, nunca numa estimativa pessoal.
1. Procedimentos de preparação e apoio
O que significa "preparar" e "coadjuvar"
Preparar é adiantar tudo o que um tratamento vai precisar, antes de o doente se sentar na cadeira: confirmar o equipamento, montar a bandeja, ter os materiais certos disponíveis e em condições de uso. Coadjuvar é apoiar em tempo real, durante o tratamento: passar instrumentos, aspirar, manipular materiais, controlar o campo operatório, sem nunca substituir a decisão clínica do médico dentista.
Estas duas ações não são fases estanques. Uma boa preparação antecipa o passo seguinte da coadjuvação: um assistente atento já tem a seringa de anestesia pronta quando o médico dentista termina o exame, e já tem a resina composta certa à mão quando termina o isolamento do campo. A antecipação não exige adivinhar o diagnóstico, exige conhecer a sequência habitual de um tratamento e ter os passos seguintes prontos a usar.
A consulta de dentisteria operatória, do princípio ao fim
| Fase | Quem faz o quê |
|---|---|
| Antes da consulta | assistente: prepara a sala, a bandeja e os materiais previstos no plano do dia |
| Receção do doente | assistente: acompanha, senta na cadeira, ajusta a proteção (bata, óculos de proteção) |
| Anestesia, quando indicada | médico dentista aplica; assistente prepara o material e apoia |
| Tratamento | médico dentista executa; assistente coadjuva (aspiração, transferência, materiais) |
| Fim da consulta | assistente: organiza o instrumental para reprocessamento, regista, agenda a revisão |
Cada fase depende da anterior ter corrido bem. Se a bandeja não estiver completa antes de o doente se sentar, a consulta atrasa-se logo no início; se o registo final não for feito, a consulta seguinte começa sem informação sobre o que foi decidido.
Trabalho a quatro mãos
O trabalho a quatro mãos é o modelo de organização em que o médico dentista e o/a assistente ocupam posições fixas e complementares à volta do doente, reduzindo movimentos desnecessários e o tempo total da consulta. O espaço à volta da cadeira descreve-se como um mostrador de relógio, com a cabeça do doente nas 12 horas, e divide-se em quatro zonas de atividade (valores para um médico dentista destro; num operador canhoto, as zonas espelham-se):
| Zona | Horas (operador destro) | O que lá acontece |
|---|---|---|
| Zona do operador | das 7 às 12 | posição do médico dentista, que se desloca dentro dela conforme a arcada e o dente |
| Zona estática | das 12 às 2 | carro ou bancada com a bandeja e o equipamento menos usado, fora do olhar do doente |
| Zona do assistente | das 2 às 4 | posição do/a assistente, com a cânula de aspiração e a seringa ar/água |
| Zona de transferência | das 4 às 7 | por onde passam os instrumentos e os materiais, sobre o peito do doente e longe da face |
O/a assistente senta-se habitualmente um pouco mais alto do que o médico dentista (cerca de 10 a 15 cm), para ver o campo operatório por cima da mão de quem opera. Nenhum instrumento passa por cima da face do doente: a transferência faz-se sempre na zona própria, abaixo do queixo.
A transferência de instrumentos entrega-se pelo cabo, já na posição pronta a usar, sem obrigar o médico dentista a desviar o olhar do campo operatório nem a rodar o instrumento na mão antes de o empunhar. A aspiração mantém o campo visível e seco: remove água, saliva e detritos de corte, e protege a via aérea do doente de partículas e líquidos.
Exemplo resolvido · transferência de instrumentos numa restauração simples
Numa restauração de uma face a resina composta, o médico dentista pede sucessivamente o espelho, a sonda exploradora, a seringa de anestesia, a turbina, o excavador e a espátula de resina. O/a assistente antecipa esta sequência a partir do plano de tratamento: monta a bandeja pela ordem de utilização, entrega cada instrumento pelo cabo, já orientado para a pega correta, e retira o instrumento anterior assim que o seguinte é entregue, sem sobrepor as duas mãos do médico dentista com material desnecessário.
Higiene e segurança na preparação
A preparação inclui sempre a verificação de que a superfície de trabalho, o instrumental e o equipamento estão limpos, desinfetados e, quando aplicável, esterilizados, antes de qualquer material ser colocado na bandeja. Garantir a limpeza e a higienização dos equipamentos, instrumentos e materiais utilizados, bem como do consultório, é um dos critérios de desempenho do referencial desta UC, tratado também noutra UC de manutenção de equipamentos, e aqui aplicada ao contexto específico da dentisteria operatória.
Ergonomia e postura no trabalho a quatro mãos
A dentisteria operatória exige sessões longas, com movimentos repetidos e posições próximas do doente. Uma má postura, mantida ao longo de centenas de consultas, é uma das causas mais frequentes de lesões musculoesqueléticas em quem trabalha em consultórios dentários. Algumas regras simples reduzem esse risco:
- Ajustar a altura da cadeira do doente e do banco do assistente, de forma a manter a coluna direita e os ombros relaxados, sem inclinar o tronco para a frente.
- Aproximar o material e o instrumental do corpo, em vez de esticar o braço repetidamente para alcançar a bandeja.
- Alternar, sempre que possível, entre tarefas de maior e menor exigência postural ao longo do dia, evitando horas seguidas na mesma posição.
- Comunicar ao médico dentista, com antecedência, quando um ajuste de posição vai ser necessário, para que a mudança não interrompa o tratamento a meio de um passo crítico.
Uma bandeja bem organizada não poupa apenas tempo, poupa também o corpo de quem trabalha nela: menos gestos de alcance significam menos tensão acumulada ao final do dia.
2. Equipamentos, instrumentos e materiais de dentisteria operatória
O equipamento fixo do gabinete
| Equipamento | Função na dentisteria operatória |
|---|---|
| Unidade dentária | cadeira, foco, seringa ar/água, aspiração, suporte de peças de mão |
| Peça de mão de alta rotação (turbina) | corte de esmalte e dentina, com refrigeração a água |
| Contra-ângulo (baixa rotação) | acabamento, polimento e remoção de dentina cariada mais fina |
| Fotopolimerizador (lâmpada de LED) | endurece resinas compostas e alguns cimentos, por ação da luz |
| Amalgamador (vibrador de cápsulas) | mistura mecânica das cápsulas pré-doseadas de amálgama, no caso excecional em que o material é usado |
| Localizador apical e/ou raio-x | apoio ao médico dentista na avaliação de casos com espigão |
A preparação começa por confirmar que cada equipamento está operacional, com os acessórios certos para o tratamento do dia, seguindo o plano de manutenção do consultório. Uma turbina sem água de refrigeração, por exemplo, não deve entrar em funcionamento: o sobreaquecimento pode lesar a polpa dentária, mesmo num corte tecnicamente correto.
Instrumental de exame e de restauração
| Instrumento | Utilização |
|---|---|
| Espelho intraoral | visualização indireta da cavidade oral, afastamento de tecidos moles |
| Sonda exploradora | deteção de cárie, rugosidades e margens de restauração |
| Colher de dentina (excavador) | remoção manual de dentina amolecida |
| Espátula de cimento e espátula de resina | manipulação e colocação dos materiais restauradores |
| Brunidor e condensador | adaptação e compactação do material na cavidade |
| Matriz (matrix band) e cunha (wedge) | reconstroem a parede em falta em restaurações de duas ou mais faces |
| Afastador de lábios e bochechas | melhora o acesso e a visibilidade do campo |
Cada instrumento tem uma posição fixa na bandeja, sempre pela ordem previsível de utilização. A organização da bandeja não é uma questão estética: reflete diretamente a ordem cronológica do tratamento e determina a rapidez da transferência.
Materiais restauradores: as famílias principais
| Material | Características |
|---|---|
| Resina composta | estética, adesiva, fotopolimerizável, aplicada em incrementos |
| Cimento de ionómero de vidro (CIV) | liberta flúor, adesão química à dentina, menos exigente tecnicamente |
| Amálgama | metálico, com mercúrio; na UE, desde 1 de janeiro de 2025, só se usa quando o médico dentista a considere estritamente necessária pelas necessidades médicas específicas do doente |
| Sistema adesivo | ácido, primer e/ou adesivo, faz a ponte entre o dente e a resina |
| Materiais provisórios (IRM, óxido de zinco e eugenol) | selam a cavidade entre consultas |
A escolha do material cabe ao médico dentista, de acordo com a localização do dente, a extensão da cavidade e a estética pretendida. Ao assistente cabe preparar e manipular o material no tempo e na proporção indicados pelo fabricante, e ter sempre pronto material de reserva, para o caso de o inicial não chegar (por exemplo, uma cor de resina que se revela diferente da esperada à luz do gabinete).
Cada material tem um tempo de trabalho (durante o qual pode ser manipulado e colocado) e um tempo de presa (a partir do qual endurece). Ambos vêm sempre indicados na ficha técnica do fabricante, nunca se calculam "a olho".
Controlo de qualidade e validade dos materiais
Preparar não é só escolher o frasco certo, é também confirmar que aquele material continua próprio para uso. Antes de qualquer manipulação, o/a assistente verifica sempre:
- Validade: um material fora do prazo pode não atingir a resistência ou a adesão esperadas, mesmo que o aspeto pareça normal.
- Condições de conservação: alguns sistemas adesivos e resinas exigem temperatura controlada ou proteção da luz; um frasco deixado exposto à luz direta pode iniciar a presa antes de tempo.
- Integridade da embalagem: seringas amolgadas, frascos sem tampa ou cápsulas danificadas comprometem a esterilidade ou a proporção do produto.
- Lote: registar o lote usado permite rastrear qualquer reação adversa a um material específico, se surgir mais tarde.
- Rotação do stock (FEFO): na arrumação e na reposição, o material com a validade mais próxima fica à frente e sai primeiro (first expired, first out), para que nada expire esquecido no fundo da gaveta.
Um material fora de qualquer um destes critérios não se usa "só desta vez": comunica-se a situação ao responsável e regista-se a anomalia, seguindo a mesma lógica de registo tratada no capítulo 10.
3. Abertura de cavidade e isolamento do campo operatório
O que o assistente prepara na abertura de cavidade
A abertura de cavidade é o ato clínico em que o médico dentista remove o esmalte e a dentina cariados com a turbina e o contra-ângulo, até deixar tecido dentário são, pronto a receber a restauração. O assistente não abre a cavidade, mas garante que todo o passo corre sem interrupções: turbina e contra-ângulo montados, testados e com refrigeração a funcionar; aspiração de alta potência pronta a acompanhar o corte em tempo real; colher de dentina e sonda exploradora disponíveis para a remoção manual de dentina residual; e soro ou água estéril disponíveis, se pedidos, para irrigação.
O acompanhamento da aspiração é um dos gestos mais treinados do trabalho a quatro mãos: a cânula segue o ponto exato onde a turbina está a trabalhar, sem tapar a visão do médico dentista e sem deixar água acumular-se, o que comprometeria a visibilidade e prolongaria o tratamento.
A classificação de Black: ler o que está escrito na ficha
As cavidades classificam-se pela sua localização no dente, segundo a classificação de Black. O diagnóstico e a classe são decididos e registados pelo médico dentista; o/a assistente precisa de os saber ler, porque a classe antecipa o material, a matriz e o isolamento que vão ser pedidos.
| Classe | Localização | O que o assistente antecipa |
|---|---|---|
| I | fóssulas e fissuras: faces oclusais de pré-molares e molares, fóssulas vestibulares e linguais dos molares, face palatina dos incisivos superiores | uma face, sem matriz na maior parte dos casos |
| II | faces proximais (mesial e/ou distal) de pré-molares e molares | matriz, cunha e, se pedido, anel de separação |
| III | faces proximais de incisivos e caninos, sem envolver o ângulo incisal | tira de matriz de acetato (transparente) e cunha |
| IV | faces proximais de incisivos e caninos com envolvimento do ângulo incisal | matriz de acetato ou guia de silicone, várias cores de resina |
| V | terço cervical (gengival) das faces vestibular ou lingual/palatina de qualquer dente | fio retrator ou grampo cervical, isolamento cuidado junto à gengiva |
| VI | bordos incisais de dentes anteriores e pontas de cúspides de posteriores (classe acrescentada mais tarde à classificação original) | pequena restauração, geralmente a resina composta |
Em notação FDI, uma "classe II mesial no 36" é uma cavidade na face mesial do primeiro molar inferior esquerdo: o/a assistente prepara logo uma matriz para molar e cunhas do tamanho adequado ao espaço interdentário.
Brocas e peças de mão
As brocas de turbina (encaixe de fricção, alta rotação, sempre com spray de água) servem para o corte do esmalte e da dentina; as brocas de contra-ângulo (encaixe de trinco, baixa rotação) servem para remover dentina cariada com mais controlo e para o acabamento; as brocas de peça reta usam-se sobretudo em trabalhos fora da boca. Quanto ao material, as brocas diamantadas desgastam por abrasão, as de carboneto de tungsténio cortam por lâminas, e as brocas de acabamento (diamante de grão fino, carboneto de muitas lâminas) alisam a restauração no fim. O/a assistente prepara as brocas pedidas no suporte próprio, confirma que estão limpas, esterilizadas e sem sinais de desgaste, e nunca deixa uma broca montada numa peça de mão pousada na bandeja, pelo risco de corte acidental.
Porque é indispensável isolar o campo operatório
Isolar o campo operatório significa afastar a saliva, o fluido gengival e a humidade da zona de trabalho. É indispensável porque a maior parte dos materiais restauradores adesivos, como a resina composta, os sistemas adesivos e alguns cimentos, perde adesão e resistência se contaminada por saliva ou sangue durante a colocação. Um sistema adesivo contaminado por saliva perde eficácia mesmo que a superfície pareça seca a olho nu, porque a saliva altera a estrutura química da superfície condicionada previamente.
| Técnica | Isolamento | Uso típico |
|---|---|---|
| Dique de borracha (isolamento absoluto) | total, isola o dente ou grupo de dentes de toda a cavidade oral | tratamentos que exigem campo seco perfeito, como resinas e espigões |
| Rolos de algodão + afastador de saliva | relativo, reduz mas não elimina o contacto com saliva | tratamentos mais tolerantes, dentes de acesso difícil ao dique |
| Fio retrator ou afastador gengival | expõe a margem gengival da cavidade | cavidades que se estendem junto à gengiva |
A escolha da técnica cabe ao médico dentista; o assistente prepara habitualmente as duas opções e coadjuva na que for escolhida para aquele dente e aquele tratamento.
Montar e coadjuvar a colocação do dique de borracha
Um kit de isolamento absoluto tem sempre cinco peças: o dique (folha de borracha, ou de material sem látex nos doentes alérgicos), o arco que o mantém esticado, o perfurador que abre os orifícios, os grampos que fixam o dique ao dente e a pinça porta-grampos que os abre e leva ao dente. Juntam-se o fio dental e, quando pedido, um lubrificante hidrossolúvel e um guardanapo de proteção entre o dique e a pele do doente.
- Selecionar o dique, o arco de suporte (por exemplo, um arco de Young) e o(s) grampo(s) indicados pelo médico dentista para o(s) dente(s) a isolar.
- Preparar o perfurador de dique, marcando os orifícios na posição correspondente aos dentes, com o afastamento correto entre eles.
- Atar um pedaço de fio dental ao arco do grampo antes de este ir à boca: é o fio de segurança, que permite recuperar o grampo se ele saltar ou se partir, evitando que o doente o engula ou aspire.
- Coadjuvar a colocação do grampo, que o médico dentista leva ao dente com a pinça porta-grampos, e a passagem do dique pelos pontos de contacto, com fio dental de apoio quando necessário.
- Fixar o dique ao arco, esticando-o para libertar o campo de visão e evitar dobras onde a saliva se possa acumular.
- Confirmar que o dique veda bem à volta do(s) dente(s), sem infiltração de saliva pela margem.
Nas restaurações estéticas há um passo que tem de vir antes do isolamento: a escolha da cor. O dente isolado desidrata em poucos minutos e fica mais claro e opaco, pelo que a cor se escolhe com o dente ainda húmido, com a escala de cores (por exemplo, a escala VITA) e, de preferência, com luz natural ou luz neutra, não com o foco da cadeira apontado. O/a assistente tem a escala limpa e desinfetada à mão, regista a cor indicada pelo médico dentista e separa as seringas de resina correspondentes.
O assistente prepara e coadjuva a colocação do dique; a decisão de qual dente isolar e a colocação do grampo em contacto direto com o dente são atos do médico dentista. Um grampo mal ajustado pode lesar a gengiva.
Exemplo resolvido · preparar o dique para uma restauração de duas faces
O médico dentista vai restaurar dois pré-molares vizinhos, com cavidades que envolvem a face de contacto entre eles. O/a assistente perfura o dique com dois orifícios, à distância correspondente à posição real dos dois dentes no arco (nem demasiado próximos, sob risco de o dique rasgar entre eles, nem demasiado afastados, o que dificultaria a vedação). Coadjuva a colocação do grampo posterior e a passagem do dique pelos pontos de contacto dos dois lados, com o apoio de fio dental, e confirma visualmente que não há infiltração antes de dar início à fase seguinte.
4. Tratamentos restauradores provisórios
Quando se usa uma restauração provisória
Uma restauração provisória sela temporariamente uma cavidade ou um dente, sem a intenção de durar como solução definitiva. É indicada, por exemplo, entre sessões de um tratamento endodôntico, a aguardar avaliação da resposta pulpar, ou quando o doente não pode terminar o tratamento definitivo na mesma consulta. Os materiais típicos são cimentos de óxido de zinco e eugenol reforçados (como o IRM, em pó e líquido), materiais provisórios pré-misturados em pasta única, que tomam presa com a humidade da boca, e cimentos de ionómero de vidro quando se pede um provisório mais duradouro. Como o eugenol inibe a polimerização das resinas, o médico dentista pode preferir um provisório sem eugenol quando a restauração definitiva vai ser adesiva.
O objetivo é sempre vedar a cavidade contra a entrada de saliva e bactérias, e proteger a estrutura dentária remanescente até à consulta seguinte. Uma restauração provisória não substitui a restauração definitiva, mesmo quando o doente refere ausência de queixas: a ausência de dor não significa ausência de infiltração ou de fratura do material provisório.
Preparar e coadjuvar uma restauração provisória
- Confirmar o material indicado e a sua apresentação: pó e líquido (como o IRM), duas pastas (base e catalisador) ou pasta única pronta a usar.
- Quando o material exige mistura, manipular na proporção e no tempo indicados pelo fabricante, numa placa de vidro ou num bloco de papel descartável.
- Entregar o material ao médico dentista na espátula própria, no ponto certo de consistência.
- Cronometrar, quando aplicável, o tempo de presa, avisando quando este se aproxima.
- Registar o material usado e a data prevista para a restauração definitiva.
O tempo de manipulação de um cimento de presa rápida é curto. Preparar toda a bandeja (espátula de aplicação, bandeja de transferência) antes de começar a misturar evita perder tempo de trabalho a resolver problemas de organização a meio da manipulação.
Orientar o doente até à consulta seguinte
Uma restauração provisória vem sempre acompanhada de instruções simples ao doente, que o/a assistente ajuda a transmitir e a reforçar por escrito, quando o consultório o preveja: evitar mastigar alimentos duros ou pegajosos do lado tratado, manter a higiene oral normal sem esfregar com força sobre o material provisório, e contactar o consultório se o material se soltar ou lascar antes da consulta seguinte. Estas instruções não substituem as indicações do médico dentista, reforçam-nas, e ajudam a evitar que um material provisório fique exposto mais tempo do que o previsto.
Exemplo resolvido · sequência de uma restauração provisória com IRM
Um doente termina a primeira sessão de um tratamento endodôntico e o médico dentista pede uma restauração provisória. O/a assistente prepara a espátula de cimento, a placa de manipulação e o material de IRM; manipula a proporção pó/líquido indicada na embalagem; entrega o material já homogéneo, em consistência de massa moldável; regista no processo o material aplicado e agenda a consulta seguinte, dentro do prazo recomendado pelo médico dentista.
5. Tratamentos restauradores definitivos
Restauração direta a resina composta
A restauração direta é construída dentro da boca, na mesma consulta. A resina composta é hoje o material mais usado por razões estéticas, seguindo uma sequência precisa:
| Passo | O que acontece | Papel do assistente |
|---|---|---|
| Isolamento | campo seco, dique ou isolamento relativo | preparar e coadjuvar, ver capítulo 3 |
| Condicionamento ácido | ácido ortofosfórico prepara a superfície | preparar a seringa, cronometrar o tempo indicado |
| Lavagem e secagem | remove o ácido, seca sem desidratar em excesso | operar a seringa ar/água e a aspiração |
| Sistema adesivo | aplicado, geralmente fotopolimerizado | preparar o frasco, o micro-brush, ativar a lâmpada |
| Resina composta | aplicada em incrementos, cada um fotopolimerizado | entregar as seringas ou cápsulas pela cor certa, controlar o tempo de luz |
| Acabamento e polimento | remove excessos, dá forma e brilho final | preparar brocas de acabamento, discos e borrachas de polimento |
A resina é sempre aplicada em incrementos (camadas finas), nunca de uma só vez: a contração de polimerização de um bloco espesso compromete a adaptação ao dente e pode gerar sensibilidade pós-operatória. Cada incremento é fotopolimerizado antes do seguinte, o que garante a presa completa em profundidade e reduz a tensão de contração acumulada.
Adesão: os tempos que o assistente ajuda a controlar
Os sistemas adesivos dividem-se em duas grandes estratégias, e o/a assistente tem de saber qual está na bandeja, porque os passos são diferentes:
| Estratégia | Como funciona | Passos que o assistente acompanha |
|---|---|---|
| Condicionamento e lavagem (etch-and-rinse) | ácido fosfórico em gel, habitualmente a 32 a 37%, aplicado antes do adesivo | cronometrar o ácido (no esmalte, tipicamente 15 a 30 segundos; na dentina, menos, em regra até 15 segundos), lavar bem, secar o esmalte e deixar a dentina ligeiramente húmida, sem a desidratar |
| Autocondicionante (self-etch) | o próprio primer ou adesivo é ácido e não se lava | preparar o frasco e o aplicador, respeitar o tempo de fricção e de evaporação indicados pelo fabricante |
| Universal | pode usar-se nas duas estratégias, ou com condicionamento só do esmalte (condicionamento seletivo) | confirmar com o médico dentista qual a estratégia escolhida para aquele dente |
Os tempos exatos são sempre os da instrução do fabricante do sistema em uso. Uma dentina seca de mais, com o jato de ar prolongado, colapsa e perde adesão; uma superfície condicionada que volte a ser tocada por saliva tem de ser tratada de novo, segundo a indicação do médico dentista.
Fotopolimerização: luz, espessura e proteção
O fotopolimerizador emite luz azul, na faixa aproximada dos 400 a 500 nanómetros, que ativa o fotoiniciador da resina (a canforoquinona tem o seu pico de absorção por volta dos 470 nm). Três regras práticas decorrem daqui:
- Incrementos com cerca de 2 mm de espessura no máximo, salvo as resinas bulk-fill, que admitem camadas mais espessas nas condições indicadas pelo fabricante.
- Ponta da guia de luz limpa, protegida por barreira descartável e tão próxima quanto possível da resina, perpendicular à superfície, durante o tempo indicado pelo fabricante; a intensidade cai muito com a distância.
- Verificação periódica da intensidade com um radiómetro, registada; uma lâmpada fraca produz restaurações mal polimerizadas sem que ninguém o veja a olho nu.
A luz azul intensa é nociva para a retina. Durante a fotopolimerização, a equipa usa óculos com filtro cor de laranja ou interpõe o escudo laranja do aparelho, e ninguém olha diretamente para a ponta acesa.
Forramentos e bases
Numa cavidade profunda, antes da restauração, o médico dentista pode pedir um material que proteja a polpa:
- Hidróxido de cálcio: em pasta de dois componentes ou fotopolimerizável, aplicado em camada fina no ponto mais profundo; estimula a formação de dentina reparadora.
- Cimento de ionómero de vidro (convencional ou modificado por resina): usado como forramento ou base, adere à dentina e liberta flúor.
- Silicatos de cálcio (como o MTA e materiais semelhantes): usados em situações específicas de proteção pulpar, por decisão do médico dentista.
O/a assistente prepara o material indicado, mistura-o na proporção do fabricante (os de dois componentes em quantidades iguais, numa placa ou bloco próprio), entrega-o num aplicador de ponta fina e ativa a luz quando o material é fotopolimerizável. O tempo de trabalho destes materiais é curto; a mistura só começa quando o médico dentista pede.
Matriz, cunha e restaurações de duas ou mais faces
Quando a cavidade envolve a face proximal do dente, entre dois dentes vizinhos, é preciso reconstruir a parede que falta antes de colocar o material restaurador. A matriz (tira metálica ou de acetato) é colocada à volta do dente, a fazer de molde da parede ausente; a cunha (peça de madeira ou plástico) insere-se no espaço interdentário, aperta a matriz contra o dente e recria o ponto de contacto com o dente vizinho. Um anel de separação, quando usado, afasta ligeiramente os dentes para compensar a espessura da matriz.
| Sistema | Como é | Quando se pede |
|---|---|---|
| Porta-matriz de Tofflemire | banda metálica circunferencial, apertada à volta do dente por um porta-matriz de parafuso | cavidades de classe II extensas, várias faces, reconstruções grandes |
| Matriz seccional | pequena banda curva só para a face proximal, estabilizada pela cunha e por um anel de separação | classe II de uma face proximal, com melhor forma do ponto de contacto |
| Tira de acetato (matriz transparente) | tira plástica fina que deixa passar a luz | classes III e IV, em dentes anteriores |
No porta-matriz de Tofflemire, o/a assistente monta a banda antes de a entregar: a abertura mais estreita da banda fica virada para a gengiva e as ranhuras do porta-matriz ficam viradas para gengival, com a banda do tamanho certo para o dente (há bandas para molares e para pré-molares).
Uma matriz mal adaptada ou uma cunha mal posicionada resultam num excesso, um rebordo saliente que retém placa bacteriana, ou numa falta de ponto de contacto, que favorece a impactação de alimentos. O assistente confirma sempre a adaptação antes da fotopolimerização, porque, depois de o material curado, corrigir estes defeitos é muito mais trabalhoso.
Cimento de ionómero de vidro e restaurações indiretas
O cimento de ionómero de vidro (CIV) é usado em cavidades pequenas, em dentes temporários, em zonas de difícil isolamento ou como base sob outras restaurações, pela sua adesão química à dentina e pela libertação de flúor. Nas restaurações indiretas, coroas, inlays ou onlays, a peça é fabricada fora da boca, em laboratório ou por sistema digital, e depois cimentada. O papel do assistente inclui preparar o material de moldagem ou apoiar o registo digital quando indicado, preparar o cimento de fixação definitiva na proporção e no tempo corretos, e coadjuvar na remoção de excessos de cimento após a cimentação, antes de a presa se completar. Uma vez presos, os excessos tornam-se muito mais difíceis de remover e podem irritar a gengiva.
Amálgama: o regime em vigor
A amálgama foi durante décadas o material das restaurações posteriores, mas o seu uso está hoje muito restringido na União Europeia pelo Regulamento (UE) 2017/852, relativo ao mercúrio, alterado pelo Regulamento (UE) 2024/1849:
- desde 1 de janeiro de 2025, a amálgama dentária não se usa no tratamento dentário, salvo quando o médico dentista a considere estritamente necessária, com base nas necessidades médicas específicas do doente;
- quando é usada, só pode sê-lo na forma de cápsulas pré-doseadas, misturadas no amalgamador, nunca a granel;
- os consultórios onde se usa ou se remove amálgama têm de ter separadores de amálgama no circuito de aspiração, com uma retenção de pelo menos 95% das partículas, com a manutenção prevista pelo fabricante;
- os resíduos de amálgama (restos de material, cápsulas usadas, fragmentos de restaurações removidas, conteúdo do separador) são resíduos perigosos, recolhidos à parte por um operador de gestão de resíduos autorizado.
Na prática, o/a assistente encontra a amálgama sobretudo na remoção de restaurações antigas. Aí o seu papel é o de sempre, reforçado: aspiração de alta potência muito próxima, dique quando indicado, refrigeração abundante, EPI completo e recolha dos fragmentos para o recipiente próprio.
Sensibilidade pós-operatória e comunicação com o doente
É frequente um dente restaurado ficar sensível ao frio ou à mastigação durante alguns dias após o tratamento, sobretudo em cavidades profundas. Faz parte do papel do assistente explicar ao doente, em termos simples, o que é expectável (uma sensibilidade ligeira e transitória) e distinguir isso de um sinal de alarme (dor espontânea, intensa ou que não passa em poucos dias), que deve ser sempre comunicado ao médico dentista, nunca desvalorizado por rotina.
Explicar o que é expectável não é o mesmo que tranquilizar sem avaliação. Perante qualquer dúvida sobre a intensidade ou a duração de uma queixa, a orientação correta é sempre encaminhar para o médico dentista, nunca decidir sozinho que "não é nada".
6. Tratamentos com recurso a espigões
O que é um espigão e quando se usa
Um espigão (perno intrarradicular) é colocado dentro do canal radicular de um dente já tratado endodonticamente, para reter uma reconstrução (core) e, sobre esta, uma coroa. Usa-se quando resta pouca estrutura dentária coronária para reter a restauração por si só. O espigão nunca substitui um tratamento endodôntico bem-feito: é uma peça de retenção, colocada depois de o canal estar tratado e obturado, e não uma alternativa a esse tratamento.
| Tipo de espigão | Características |
|---|---|
| Espigão de fibra de vidro | estético, elasticidade próxima da dentina, cimentado com sistema adesivo |
| Espigão metálico pré-fabricado | mais rígido, indicado conforme avaliação do médico dentista |
| Espigão fundido (indireto) | fabricado em laboratório à medida do canal, para casos específicos |
Um espigão de fibra de vidro é hoje preferido, em muitos casos, a um espigão metálico rígido, precisamente porque a sua elasticidade mais próxima da dentina reduz o risco de fratura radicular sob carga mastigatória. Um espigão rígido, quando sujeito a uma força excessiva, tende a transmitir toda a carga à raiz, com risco de fratura da própria raiz, mais difícil de tratar do que uma fratura do próprio espigão.
Preparar e coadjuvar a colocação de um espigão
- Confirmar que o tratamento endodôntico está concluído e documentado antes de qualquer preparação para o espigão.
- Preparar as brocas de desobturação parcial do canal, indicadas pelo fabricante do sistema de espigões escolhido.
- Preparar o espigão selecionado, o sistema adesivo e o cimento de fixação, frequentemente um cimento resinoso.
- Coadjuvar a cimentação, controlando o tempo de trabalho e ativando a fotopolimerização quando indicado.
- Preparar o material de reconstrução (core, em resina composta ou cimento reforçado) sobre o espigão já cimentado.
A desobturação parcial do canal para alojar o espigão é um ato clínico do médico dentista, pela proximidade com o ápice radicular: é ele quem decide o comprimento do espigão e deixa no terço apical uma parte da obturação (habitualmente 4 a 5 mm de guta-percha) para manter a selagem. O assistente prepara os instrumentos, mas nunca os introduz no canal.
A sequência espigão, depois core, depois coroa, só avança quando o passo anterior está bem executado e verificado. Preparar o cimento de fixação com demasiada antecedência arrisca perder o tempo de trabalho antes de o espigão ser inserido no canal, obrigando a repetir a manipulação.
7. Branqueamentos dentários externos
Duas modalidades, o mesmo objetivo
O branqueamento dentário externo atua sobre o esmalte de dentes vitais, com polpa viva, clareando a coloração adquirida ao longo do tempo. Existem duas modalidades, muitas vezes combinadas no mesmo plano de tratamento:
| Modalidade | Onde acontece | Agente típico |
|---|---|---|
| Branqueamento em consultório | sessão(ões) no gabinete, sob supervisão direta | peróxido de hidrogénio, em concentração e tempo indicados pelo fabricante |
| Branqueamento ambulatório (caseiro) | o doente aplica em casa, com material entregue pelo médico dentista | peróxido de carbamida, em goteira individual, concentração mais baixa |
A diferença essencial entre as duas modalidades não é a eficácia, é onde e sob que supervisão o produto é aplicado, e isso determina a concentração permitida em cada contexto. Em ambos os casos, a concentração exata, o tempo de aplicação e o número de sessões são sempre os indicados na ficha técnica do produto e na prescrição do médico dentista; o assistente nunca ajusta estes valores por iniciativa própria.
Preparar e coadjuvar uma sessão de branqueamento em consultório
- Confirmar a avaliação prévia do médico dentista: ausência de cárie ativa, gengiva saudável, sensibilidade referida pelo doente.
- Registar a cor inicial, com a escala de cores indicada pelo médico dentista e, quando o consultório o preveja, fotografia com a escala junto aos dentes: é a referência para avaliar o resultado.
- Preparar o isolamento gengival, uma barreira fotopolimerizável ou dique, protegendo os tecidos moles do contacto com o agente.
- Preparar o produto de branqueamento na apresentação e concentração indicadas, sem misturar produtos de origens diferentes.
- Coadjuvar a aplicação e o controlo do tempo de cada sessão, conforme o protocolo do fabricante.
- Remover os resíduos do produto em segurança e registar a sessão realizada.
Exemplo resolvido · proteção dos tecidos moles antes do branqueamento
Antes de aplicar o agente de branqueamento, o/a assistente prepara e coadjuva a colocação de uma barreira gengival fotopolimerizável ao longo da margem gengival dos dentes a tratar. Confirma visualmente que a barreira cobre toda a gengiva exposta, sem falhas junto aos pontos de contacto, e só depois avisa que o campo está pronto para o médico dentista aplicar o produto. Durante a sessão, mantém-se atento a qualquer queixa de ardor ou dor na gengiva, sinal de contacto do produto com o tecido mole, que obriga a interromper de imediato e a chamar o médico dentista.
Um doente com restaurações visíveis antigas deve ser avisado antes de branquear os dentes: a restauração não muda de cor, e pode ficar destacada do esmalte, entretanto mais claro.
8. Branqueamentos dentários internos
A técnica "walking bleach"
O branqueamento interno aplica-se a um dente não vital, já tratado endodonticamente, que escureceu, geralmente por sangue ou produtos de degradação retidos na câmara pulpar. A técnica de referência chama-se "walking bleach": o agente é colocado dentro da câmara pulpar, selado, e vai atuando entre consultas.
| Passo | Descrição | Papel do assistente |
|---|---|---|
| Confirmar o tratamento endodôntico | obturação de qualidade, sem sinais de infeção | consultar o processo clínico com o médico dentista |
| Isolar a câmara pulpar do canal | uma barreira protege a obturação do canal do agente de branqueamento | preparar o material de barreira, habitualmente CIV |
| Colocar o agente na câmara | agente de branqueamento selado dentro da câmara | preparar o produto e o material de selagem provisória |
| Selar provisoriamente | material provisório fecha a câmara até à consulta seguinte | preparar e coadjuvar a colocação, ver capítulo 4 |
| Repetir ou concluir | novas aplicações, se necessário, até à cor pretendida | preparar cada sessão seguinte, registar a evolução |
Sem a barreira que protege a obturação do canal, o agente de branqueamento pode enfraquecer o cimento obturador e comprometer o tratamento endodôntico já realizado. O branqueamento interno normalmente exige várias sessões, em vez de uma só, porque a cor resulta da difusão do agente pelos túbulos dentinários, um processo gradual, não instantâneo.
Riscos a vigiar
- Reabsorção cervical externa: complicação rara mas séria, associada sobretudo a técnicas antigas sem barreira de proteção adequada, o que reforça a importância de colocar sempre a barreira de CIV em primeiro lugar.
- Recorrência da cor: alguns dentes voltam a escurecer parcialmente com o tempo, o que se explica ao doente antes de iniciar o tratamento.
- Fragilidade da estrutura remanescente: um dente já tratado endodonticamente, com uma cavidade de acesso ampla, é mais frágil, o que reforça a atenção durante toda a manipulação.
O papel do assistente perante estes riscos não é avaliá-los clinicamente, mas sim preparar corretamente a barreira, seguir a sequência à letra e comunicar ao médico dentista qualquer intercorrência, como dor, sensibilidade nova ou fratura do material provisório. Comunicar uma intercorrência não é diagnosticar, é reportar um sinal ao profissional que decide o que fazer a seguir.
9. Normas de segurança e saúde no trabalho
Equipamento de proteção individual (EPI)
Todos os procedimentos descritos nesta sebenta geram aerossóis, salpicos e contacto com fluidos biológicos. O EPI adequa-se ao risco de cada tarefa:
| EPI | Protege contra |
|---|---|
| Luvas de exame | contacto direto com saliva, sangue e superfícies contaminadas |
| Máscara cirúrgica ou FFP | inalação de aerossóis e salpicos na zona respiratória |
| Óculos de proteção ou viseira | projeção de fluidos e partículas nos olhos |
| Bata ou fardamento de manga comprida | contaminação da roupa e da pele dos braços |
Os aerossóis gerados pela turbina justificam por si só o uso sistemático de máscara e proteção ocular, mesmo em tratamentos considerados simples. O EPI coloca-se sempre completo antes de iniciar o procedimento e retira-se pela ordem inversa das normas de biossegurança: luvas, depois óculos ou viseira, depois bata, e por fim máscara, com higienização das mãos entre passos, para não contaminar a pele já limpa com o exterior de uma luva usada. A máscara é sempre de uso único por doente, mesmo quando parece "ainda estar limpa". Para vestir, a ordem é a inversa da de retirar: primeiro a bata, depois a máscara, depois os óculos ou a viseira e, por último, depois de higienizar as mãos, as luvas.
Gestão de resíduos e acidentes com material corto-perfurante
Os resíduos gerados na dentisteria operatória seguem a classificação dos resíduos hospitalares do Despacho n.º 242/96, por grupos:
| Grupo | O que é | Exemplos na dentisteria operatória |
|---|---|---|
| I e II | não perigosos, equiparados a urbanos | embalagens, papel, plásticos sem contacto com fluidos |
| III | risco biológico | compressas, rolos de algodão, luvas, diques e barreiras com saliva ou sangue |
| IV | específicos, de incineração obrigatória | corto-perfurantes (agulhas, lâminas, brocas e limas descartadas), em contentor rígido próprio |
Os resíduos de amálgama não se juntam a nenhum destes contentores: são um resíduo perigoso com mercúrio (código LER 18 01 10*), guardado em recipiente próprio, estanque e fechado, e entregue a um operador autorizado, como se viu no capítulo 5.
Com os corto-perfurantes, três regras não têm exceção: a agulha nunca se reencapa com as duas mãos (usa-se a técnica de uma só mão, com a tampa pousada na bandeja, ou um dispositivo próprio de reencapsulamento); o contentor rígido fica perto do local de uso, para que a agulha não viaje pela sala; e o contentor fecha-se quando atinge 2/3 da capacidade ou a linha de enchimento marcada pelo fabricante, nunca se forçando mais material para dentro.
Separar os resíduos corretamente não é burocracia: evita picadas acidentais a quem manuseia os sacos e contentores depois do consultório. Colocar uma agulha usada fora do contentor rígido de corto-perfurantes, mesmo "só um bocadinho para fora", é um erro que pode magoar um colega mais tarde.
Em caso de picada ou corte acidental com material contaminado, o procedimento imediato é lavar a zona com água e sabão, sem espremer nem esfregar em excesso, notificar de imediato o responsável e registar o incidente segundo o protocolo interno, que remete para avaliação médica quando indicado. Um acidente com corto-perfurante nunca se resolve em silêncio: a notificação imediata é o que permite avaliar o risco e agir dentro da janela de tempo recomendada.
Controlo de infeção entre doentes
A dentisteria operatória combina, na mesma consulta, instrumentos cortantes, aerossóis e superfícies tocadas repetidamente com luvas contaminadas. A base de tudo são as Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI), definidas pela Norma n.º 029/2012 da Direção-Geral da Saúde: aplicam-se a todos os doentes, sem exceção, porque não se sabe à partida quem transporta uma infeção. Incluem, entre outras, a avaliação do risco de infeção de cada doente, a higiene das mãos, a etiqueta respiratória, o uso de EPI adequado ao risco, a descontaminação do equipamento clínico, o controlo ambiental, o manuseamento seguro da roupa, a gestão adequada dos resíduos, as práticas seguras com injetáveis e a prevenção da exposição dos profissionais, incluindo a picada acidental.
O reprocessamento do instrumental segue a classificação de Spaulding, que parte do contacto que cada artigo tem com o doente:
| Categoria | Contacto | Tratamento | Exemplos |
|---|---|---|---|
| Crítico | penetra tecido mole ou osso, ou entra em contacto com a corrente sanguínea | esterilização | brocas, limas endodônticas, instrumentos cirúrgicos e periodontais |
| Semicrítico | contacta com mucosas ou pele não íntegra, sem as penetrar | esterilização (preferível) ou desinfeção de alto nível | espelho, porta-matriz, pinça porta-grampos, peças de mão, que na prática se esterilizam |
| Não crítico | contacta só com pele íntegra ou não contacta com o doente | limpeza e desinfeção de nível baixo ou intermédio | manípulos do foco e da cadeira, radiómetro, superfícies da unidade |
Na prática, no consultório, quase todo o instrumental reutilizável é esterilizado em autoclave, e as peças de mão (turbina e contra-ângulo) são limpas, lubrificadas e esterilizadas entre doentes, segundo as instruções do fabricante. No dia a dia, as PBCI traduzem-se em três frentes, que se reforçam mutuamente:
- Barreiras de proteção de superfície: película plástica sobre o interruptor do foco, sobre os manípulos da cadeira e sobre a seringa ar/água, substituída entre doentes, reduzindo a necessidade de desinfetar superfícies difíceis de limpar bem.
- Desinfeção de superfícies não protegidas: com produto próprio, no tempo de contacto indicado pelo fabricante, sempre entre doentes, nunca só no final do dia.
- Reprocessamento correto do instrumental: lavagem, desinfeção, embalagem e esterilização em autoclave, exatamente como descrito para qualquer material reutilizável do consultório.
Nenhuma destas três frentes substitui as outras. Uma superfície bem desinfetada não compensa um instrumento mal reprocessado, e uma bandeja de instrumentos esterilizados não compensa um manípulo da cadeira tocado com uma luva contaminada e nunca limpo entre doentes.
10. Regras, registos e limites de atuação
O que compete e o que não compete ao assistente dentário
| Compete ao assistente | Não compete ao assistente |
|---|---|
| Preparar equipamentos, instrumentos e materiais | Diagnosticar cárie ou decidir o plano de tratamento |
| Coadjuvar durante o tratamento (aspiração, transferência, mistura) | Executar o corte de tecido dentário ou a anestesia |
| Manusear equipamentos e materiais com destreza e segurança | Prescrever medicamentos ou selecionar o material sem indicação |
| Garantir a limpeza e higienização do consultório e do instrumental | Desobturar o canal, colocar, cimentar ou remover um espigão |
| Registar o que foi feito e comunicar anomalias | Decidir sozinho o que fazer perante uma intercorrência clínica |
Esta fronteira protege o doente e o próprio assistente: cada intervenção clínica exige a formação, a habilitação legal e a responsabilidade do médico dentista/estomatologista. Um assistente com mais experiência não deve assumir pequenas decisões clínicas por rotina; a fronteira mantém-se independentemente do tempo de casa.
Registos, rigor e atitudes profissionais
O registo clínico regista os materiais usados, os tempos e as datas, nunca decisões clínicas que não são do assistente. O rigor exige seguir com exatidão as proporções, os tempos e as orientações do fabricante e do médico dentista, sem atalhos, mesmo quando a rotina tenta simplificar o processo. A autonomia no âmbito das funções significa organizar e antecipar o trabalho de preparação sem esperar instruções para cada gesto, mas sempre dentro do que compete ao cargo. O sentido crítico aplica-se a identificar e comunicar de imediato qualquer anomalia, inconformidade ou risco, seja no material, no equipamento ou no estado do doente, e não a decidir sozinho o que fazer a seguir.
Estas atitudes, referidas no referencial da qualificação como responsabilidade, autonomia, sentido crítico, rigor, empenho e respeito pelas regras e normas definidas, aplicam-se a todos os tratamentos descritos nesta sebenta, da preparação mais simples ao branqueamento interno mais delicado.
Erros comuns
- Confundir "coadjuvar" com "executar": descrever o assistente como quem "faz a restauração", quando na realidade prepara e apoia, nunca decide nem corta tecido dentário.
- Aspirar longe do ponto de corte da turbina, deixando a água acumular-se e comprometer a visibilidade do campo.
- Perfurar o dique de borracha com os orifícios demasiado próximos entre si, rasgando o material entre dois dentes vizinhos.
- Confundir restauração provisória com restauração definitiva de baixo custo: são conceitos diferentes, um tem prazo, o outro não.
- Manipular um cimento ou uma resina com demasiada antecedência, perdendo o tempo de trabalho antes de o material chegar à cavidade.
- Retirar a matriz antes da fotopolimerização final da resina, desfazendo a forma da parede reconstruída.
- Confundir branqueamento interno com externo, apenas por ambos usarem peróxidos, ignorando que a via de aplicação e o estado do dente (vital ou não) são completamente diferentes.
- Minimizar uma queixa do doente entre sessões de branqueamento ("deve ser normal") em vez de a registar e comunicar ao médico dentista.
- Colocar agulhas ou outro material corto-perfurante fora do contentor rígido próprio, mesmo que pareça um caso pontual.
- Assumir, com o tempo de experiência, pequenas decisões clínicas que continuam a competir exclusivamente ao médico dentista.
- Usar um material fora da validade por "parecer normal", ignorando que a validade certifica o desempenho, não apenas o aspeto visual.
- Reutilizar a mesma barreira protetora de superfície entre doentes diferentes, ou saltar a desinfeção de um manípulo "só desta vez".
Glossário
- Dentisteria operatória: área da medicina dentária dedicada a tratar a cárie e os defeitos do dente, restaurando forma, função e estética.
- Coadjuvar: apoiar diretamente o médico dentista durante o tratamento, sem executar o ato clínico.
- Trabalho a quatro mãos: modelo de organização em que médico dentista e assistente ocupam zonas fixas e complementares junto ao doente.
- Isolamento absoluto: técnica de isolamento total do campo operatório com dique de borracha.
- Isolamento relativo: técnica de isolamento parcial, com rolos de algodão e afastador de saliva.
- Dique de borracha: lâmina de borracha usada para isolar um ou mais dentes de toda a cavidade oral.
- Grampo: peça metálica que fixa o dique de borracha ao dente.
- Matriz (matrix band): tira metálica ou de acetato que reconstrói temporariamente uma parede dentária ausente.
- Cunha (wedge): peça inserida no espaço interdentário que estabiliza a matriz e recria o ponto de contacto.
- Sistema adesivo: conjunto de produtos (ácido, primer, adesivo) que liga o dente à resina composta.
- Incremento: camada fina de resina composta, aplicada e fotopolimerizada de cada vez.
- Cimento de ionómero de vidro (CIV): material restaurador com adesão química à dentina e libertação de flúor.
- Restauração provisória: restauração temporária, sem intenção de ser a solução definitiva.
- Restauração direta: restauração construída dentro da boca, na mesma consulta.
- Restauração indireta: restauração fabricada fora da boca (laboratório ou sistema digital) e depois cimentada.
- Espigão (perno intrarradicular): peça colocada dentro do canal radicular para reter uma reconstrução.
- Core: reconstrução do corpo do dente sobre um espigão, antes da coroa final.
- Branqueamento externo: técnica de clareamento aplicada sobre o esmalte de dentes vitais.
- Branqueamento interno ("walking bleach"): técnica de clareamento aplicada dentro da câmara pulpar de um dente não vital.
- Barreira gengival: material que protege a gengiva do contacto direto com o agente de branqueamento.
- EPI: equipamento de proteção individual, como luvas, máscara, óculos e bata.
- Resíduo do grupo III: resíduo contaminado com risco biológico (compressas, luvas usadas).
- Resíduo do grupo IV: resíduo específico de incineração obrigatória, como os corto-perfurantes, recolhidos em contentor rígido próprio.
- Resíduos de amálgama: resíduo perigoso com mercúrio (LER 18 01 10*), recolhido à parte em recipiente estanque e entregue a operador autorizado.
- Classificação de Black: divisão das cavidades em classes (I a V, e a VI acrescentada depois) conforme a sua localização no dente.
- Fio de segurança: fio dental atado ao grampo do dique, para o recuperar se saltar ou partir.
- Condicionamento ácido: aplicação de ácido fosfórico (habitualmente 32 a 37%) que prepara o esmalte e a dentina para a adesão.
- Radiómetro: aparelho que mede a intensidade de luz emitida pelo fotopolimerizador.
- Forramento: camada fina de material protetor (por exemplo, hidróxido de cálcio) aplicada no fundo de uma cavidade profunda.
- Separador de amálgama: dispositivo do circuito de aspiração que retém pelo menos 95% das partículas de amálgama.
- PBCI: Precauções Básicas de Controlo de Infeção (Norma DGS n.º 029/2012), aplicadas a todos os doentes.
- Classificação de Spaulding: divisão do instrumental em crítico, semicrítico e não crítico, que determina se é esterilizado ou desinfetado.
- FEFO: regra de arrumação e reposição em que o material com validade mais próxima sai primeiro.
- Ergonomia: adaptação do posto e dos gestos de trabalho ao corpo de quem trabalha, para reduzir lesões por esforço repetido.
- Reprocessamento: sequência de lavagem, desinfeção, embalagem e esterilização de material reutilizável.
Síntese
A dentisteria operatória organiza o trabalho do assistente à volta de duas realizações centrais: preparar equipamentos, instrumentos e materiais, e coadjuvar o médico dentista/estomatologista durante o tratamento. O isolamento do campo operatório, absoluto ou relativo, condiciona o sucesso de quase todos os tratamentos adesivos, e a abertura de cavidade é sempre acompanhada de aspiração precisa. As restaurações provisórias selam temporariamente, com prazo definido; as restaurações definitivas, diretas ou indiretas, seguem sequências próprias de material, tempo e proporção. Os espigões retêm reconstruções em dentes já tratados endodonticamente, nunca antes de o canal estar confirmado como tratado. O branqueamento externo trata dentes vitais, em consultório ou em ambulatório; o branqueamento interno, com a técnica "walking bleach", trata dentes não vitais. As normas de segurança, o EPI e a gestão correta de resíduos protegem o doente, o profissional e toda a equipa, e os registos e os limites de atuação mantêm claro, em cada tratamento, o que compete e o que não compete ao/à Técnico/a Assistente Dentário.
Exercícios resolvidos
Exemplo resolvido · escolher a técnica de isolamento
Situação: o médico dentista vai restaurar um pré-molar com resina composta, numa cavidade que envolve a face proximal do dente.
Resolução: a restauração é adesiva e envolve mais de uma face, o que pede o máximo controlo de humidade possível. A técnica indicada é o isolamento absoluto com dique de borracha, não o isolamento relativo, porque a contaminação por saliva comprometeria a adesão da resina e a qualidade do ponto de contacto reconstruído com a matriz e a cunha.
Exemplo resolvido · identificar o papel do assistente numa restauração com espigão
Situação: um doente vai receber um espigão de fibra de vidro num incisivo já tratado endodonticamente, seguido de core e coroa.
Resolução: compete ao assistente confirmar que o tratamento endodôntico está documentado, preparar as brocas de desobturação parcial indicadas pelo fabricante, preparar o espigão, o sistema adesivo e o cimento de fixação, e coadjuvar a cimentação e a fotopolimerização. Não compete ao assistente introduzir instrumentos rotatórios no canal para a desobturação parcial, ato que é sempre do médico dentista, dada a proximidade com o ápice radicular.
Exemplo resolvido · distinguir branqueamento externo de branqueamento interno
Situação: dois doentes pedem "dentes mais brancos". O primeiro tem todos os dentes vitais, mas com coloração adquirida ao longo dos anos. O segundo tem um incisivo escurecido, tratado endodonticamente há vários anos.
Resolução: o primeiro doente é candidato a branqueamento externo, em consultório ou ambulatório, com o agente aplicado sobre o esmalte de dentes vitais. O segundo doente é candidato a branqueamento interno, com a técnica "walking bleach", porque o escurecimento tem origem dentro de um dente não vital, e o agente tem de atuar a partir da câmara pulpar, protegida por uma barreira que preserva a obturação do canal.
Exemplo resolvido · reagir a um material fora de validade
Situação: ao preparar a bandeja para uma restauração a resina composta, o/a assistente repara que a seringa de sistema adesivo tem a validade expirada há duas semanas, embora o aspeto do produto pareça normal.
Resolução: um material fora do prazo não se usa, mesmo que pareça em bom estado, porque a validade certifica o desempenho (adesão, tempo de presa) que o fabricante garante, não apenas o aspeto visual. O procedimento correto é separar a seringa, não a repor na bandeja, comunicar a situação ao responsável pela gestão de stocks e preparar uma seringa alternativa dentro da validade antes de o doente ser atendido.
Exemplo resolvido · o que fazer perante uma queixa entre sessões de branqueamento interno
Situação: dois dias depois da primeira sessão de "walking bleach" num incisivo, o doente telefona a referir uma dor forte e persistente no dente tratado.
Resolução: uma dor forte e persistente não corresponde à sensibilidade ligeira e transitória esperada num pós-tratamento normal, é um sinal de alarme. O/a assistente regista a queixa com o máximo de detalhe possível (intensidade, duração, o que a alivia ou agrava) e comunica de imediato ao médico dentista, para que este decida se o doente deve ser reavaliado antes da consulta seguinte já agendada. Não compete ao assistente decidir, por telefone, que "deve ser normal" e adiar a comunicação.