Sebenta · Assistir o médico dentista em periodontologia (UC04007)
- Introdução
- 1. Anatomia do periodonto
- 2. Etiologia das doenças periodontais: placa bacteriana e fatores de risco
- 3. Patologias periodontais: gengivite e periodontite
- 4. Abcesso periodontal e recessão gengival
- 5. O periodontograma
- 6. Outros meios de diagnóstico em periodontologia
- 7. Prevenção e tratamento não cirúrgico: destartarização, polimento e remoção de pigmento
- 8. Raspagem e alisamento radicular
- 9. Cirurgia periodontal: o papel do TAD
- 10. Limpeza e higienização de equipamentos, instrumentos e materiais no consultório odontológico
- 11. Normas de segurança e saúde no trabalho
- 12. Normas e sistemas de qualidade
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta prepara o/a Técnico/a Assistente Dentário (TAD) para coadjuvar o médico dentista na consulta de periodontologia, a área que trata das doenças que afetam os tecidos de suporte do dente: a gengiva, o ligamento periodontal, o cemento radicular e o osso alveolar.
O percurso segue a lógica da própria consulta: começamos pela anatomia do periodonto, para saber o que se está a observar e a proteger; passamos pela etiologia das doenças periodontais, ou seja, o que as causa; identificamos as patologias mais frequentes (gengivite, periodontite, abcesso e recessão); estudamos o periodontograma e outros meios de diagnóstico, que registam o estado de cada dente; avançamos para os tratamentos, do mais simples (destartarização e polimento) ao mais avançado (raspagem e alisamento radicular, cirurgia periodontal); e terminamos na limpeza e higienização de equipamentos e instrumentos, nas normas de segurança e nos sistemas de qualidade que sustentam todo o trabalho no consultório.
O TAD trabalha sempre sob a orientação do médico dentista: prepara o consultório e o material, coadjuva durante a consulta, regista o que lhe é pedido, higieniza e esteriliza, e comunica qualquer alteração relevante. Não diagnostica as doenças periodontais, não prescreve tratamento e não executa atos clínicos invasivos como a sondagem periodontal, a raspagem ou a cirurgia. Sempre que esta sebenta descreve um procedimento clínico, fá-lo do ponto de vista de quem prepara, apoia e observa, não de quem decide ou executa.
Onde um número (uma medida, um tempo, uma temperatura) depende do fabricante do equipamento, do produto químico usado ou do protocolo interno da clínica, esta sebenta indica o princípio e remete sempre para a ficha técnica do fabricante ou para as normas em vigor, nunca inventa um valor.
O contexto de aprendizagem desta UC é o consultório dentário, e os recursos previstos incluem dispositivos tecnológicos com acesso à internet (para consultar protocolos, fichas técnicas e o processo clínico digital), materiais e equipamentos utilizados em periodontologia (sondas periodontais, curetas, destartarizador de ultrassons, material de proteção individual) e modelos anatómicos, que permitem treinar a identificação das estruturas do periodonto e a preparação de material antes de qualquer contacto com um utente real.
Objetivos de aprendizagem (referencial): identificar as patologias periodontais e a sua etiologia; coadjuvar o médico dentista na execução do periodontograma e de outros meios de diagnóstico; apoiar a consulta de periodontologia de acordo com as orientações do médico dentista; identificar a estrutura anatomo-funcional do periodonto; reconhecer a importância do periodontograma; manusear equipamentos, instrumentos e materiais com destreza e segurança; e garantir a limpeza e higienização de equipamentos, instrumentos e materiais, bem como do consultório.
1. Anatomia do periodonto
O periodonto é o conjunto de estruturas que envolvem e sustentam o dente na arcada. Divide-se em duas partes com funções distintas: o periodonto de proteção, que veste e protege, e o periodonto de suporte, que ancora o dente ao osso.
| Estrutura | Parte do periodonto | Função principal |
|---|---|---|
| Gengiva | proteção | reveste o osso alveolar e o colo do dente, forma uma barreira contra os microrganismos da boca |
| Ligamento periodontal | suporte | conjunto de fibras de colagénio que liga o cemento radicular ao osso alveolar, absorve as forças da mastigação |
| Cemento radicular | suporte | tecido calcificado que cobre a raiz do dente e serve de ponto de inserção às fibras do ligamento |
| Osso alveolar | suporte | osso que forma o alvéolo onde a raiz do dente assenta |
A gengiva em detalhe
A gengiva não é uniforme: distinguem-se várias zonas, cada uma com um aspeto e uma função próprios.
- Gengiva marginal (ou livre): a faixa mais próxima do dente, não aderida ao osso, que forma a parede do sulco gengival.
- Gengiva aderida: firmemente ligada ao osso subjacente, de textura mais rugosa (aspeto de "casca de laranja"), resistente ao atrito da mastigação e da escovagem.
- Papila interdentária: a porção de gengiva que preenche o espaço entre dois dentes vizinhos, uma das primeiras zonas onde aparecem sinais de inflamação.
- Junção mucogengival: a linha que separa a gengiva aderida, mais clara e queratinizada, da mucosa alveolar, mais escura e móvel.
O sulco gengival
O sulco gengival é o pequeno espaço em forma de V entre a superfície do dente e a gengiva marginal, com uma profundidade saudável de referência até cerca de 2 a 3 mm. É a zona que a sonda periodontal mede em cada consulta, e é também o ponto de partida da doença periodontal: quando o biofilme se acumula no sulco e a inflamação avança, o sulco aprofunda-se e transforma-se em bolsa periodontal.
A junção amelo-cementária
A junção amelo-cementária é a linha onde o esmalte da coroa encontra o cemento da raiz, o ponto de referência que o médico dentista usa para calcular o nível de inserção clínica, uma medida mais estável do que a simples profundidade de sondagem porque não muda quando a gengiva recua ou incha.
Exemplo resolvido · Identificar estruturas numa observação clínica
O médico dentista observa, num dente, uma gengiva marginal ligeiramente afastada da coroa, com a papila interdentária avermelhada e inchada, e a gengiva mais afastada do dente com aspeto normal, rugoso e rosado.
- Gengiva marginal afastada: pode indicar recessão ou apenas a anatomia normal do sulco; por si só não é diagnóstico.
- Papila interdentária avermelhada e inchada: sinal de inflamação localizada, tipicamente o primeiro sítio a mostrar sinais de gengivite.
- Gengiva aderida normal: a inflamação, neste caso, ainda não se estendeu à zona mais afastada do dente.
O papel do TAD nesta observação é reconhecer que existe uma alteração visível e preparar o material para o médico dentista confirmar o diagnóstico com a sonda periodontal, nunca concluir sozinho qual é a patologia.
2. Etiologia das doenças periodontais: placa bacteriana e fatores de risco
O biofilme dentário (placa bacteriana)
A placa bacteriana, hoje chamada mais corretamente biofilme dentário, é a causa direta de praticamente todas as doenças periodontais. Forma-se em etapas:
- Película adquirida: uma camada fina de proteínas da saliva que se deposita sobre o dente minutos depois da escovagem.
- Colonização bacteriana: as primeiras bactérias aderem à película, sobretudo espécies pouco agressivas.
- Maturação do biofilme: com o passar dos dias, a comunidade bacteriana torna-se mais complexa e mais agressiva, protegida por uma matriz que a torna muito mais resistente à simples escovagem.
Se o biofilme não for removido, mineraliza-se com os sais minerais da saliva e transforma-se em tártaro (ou cálculo dentário), uma crosta dura que já não sai com a escova e que, pela sua superfície rugosa, atrai ainda mais biofilme. O tártaro pode ser supragengival (visível, acima da gengiva) ou subgengival (escondido dentro do sulco ou da bolsa, só detetável com a sonda ou por radiografia).
Fatores de risco locais
Os fatores locais favorecem a acumulação de biofilme ou dificultam a sua remoção:
| Fator local | Porque agrava |
|---|---|
| Tártaro supra e subgengival | superfície rugosa que retém mais biofilme |
| Restaurações desadaptadas | criam degraus e reentrâncias difíceis de limpar |
| Apinhamento dentário | dificulta o acesso da escova e do fio dentário |
| Próteses e aparelhos mal ajustados | criam zonas de retenção de biofilme |
| Respiração oral | seca a mucosa e altera o equilíbrio da flora |
| Hábitos parafuncionais (bruxismo, apertamento) | sobrecarregam o periodonto de suporte |
Fatores de risco sistémicos
Os fatores sistémicos não causam a doença por si só, mas alteram a forma como o organismo responde ao biofilme, tornando a doença periodontal mais provável ou mais grave:
- Diabetes mellitus não controlada: reduz a capacidade de defesa e de cicatrização dos tecidos, é dos fatores sistémicos mais fortemente associados à periodontite. A relação é bidirecional: a diabetes mal controlada agrava a periodontite, e a periodontite ativa dificulta o controlo da glicemia, pelo que tratar a doença periodontal também ajuda o utente diabético.
- Tabagismo: reduz a irrigação sanguínea da gengiva, o que mascara sinais como a hemorragia e agrava a destruição dos tecidos.
- Alterações hormonais: a gravidez e a puberdade aumentam a sensibilidade da gengiva à inflamação, mesmo com pouco biofilme.
- Genética e história familiar: influenciam a suscetibilidade individual à doença periodontal.
- Imunossupressão: reduz a capacidade do organismo de conter a infeção.
- Alguns medicamentos: certos anti-hipertensores, antiepiléticos e imunossupressores estão associados a um crescimento excessivo da gengiva (hiperplasia gengival), que dificulta a higiene; o médico dentista é sempre quem avalia esta relação, nunca o TAD.
Exemplo resolvido · Distinguir fator local de fator sistémico
Um utente tem tártaro subgengival abundante e é também fumador e diabético não controlado.
- Identificar o fator local: o tártaro subgengival, que está fisicamente na boca e retém biofilme.
- Identificar os fatores sistémicos: o tabagismo e a diabetes não controlada, que alteram a resposta do organismo.
- Concluir: o tratamento vai remover o fator local (destartarização e raspagem), mas o prognóstico depende também do controlo dos fatores sistémicos, que cabe ao médico dentista e ao médico assistente do utente acompanhar.
3. Patologias periodontais: gengivite e periodontite
As duas doenças periodontais mais frequentes são a gengivite e a periodontite, e a diferença entre elas é a mais importante que o TAD tem de saber reconhecer.
Gengivite
A gengivite é a inflamação da gengiva causada pelo biofilme, limitada aos tecidos moles e, por isso, reversível: com a remoção do biofilme e do tártaro e com boa higiene oral, a gengiva recupera por completo, sem sequelas.
Sinais característicos:
- Gengiva vermelha (em vez do rosa pálido saudável) e inchada.
- Hemorragia à sondagem ou até com a simples escovagem.
- Perda do aspeto de "casca de laranja" na gengiva aderida, que fica lisa e brilhante.
- Sem perda de inserção e sem reabsorção óssea.
Periodontite
A periodontite é a progressão da inflamação para os tecidos de suporte, gengiva, ligamento periodontal e osso alveolar, com destruição irreversível desses tecidos.
Sinais característicos, além dos da gengivite:
- Perda de inserção clínica: o ligamento periodontal deixa de segurar o dente ao nível normal.
- Reabsorção do osso alveolar, visível em radiografia.
- Bolsas periodontais: aprofundamento patológico do sulco gengival.
- Mobilidade dentária e, em casos avançados, perda do dente.
- Pode haver supuração (saída de pus) à pressão da bolsa.
Tabela comparativa
| Característica | Gengivite | Periodontite |
|---|---|---|
| Tecidos afetados | só a gengiva | gengiva, ligamento, cemento e osso |
| Reversibilidade | reversível | irreversível (trava-se, não se inverte) |
| Perda de inserção | não | sim |
| Reabsorção óssea | não | sim |
| Hemorragia à sondagem | frequente | frequente |
| Mobilidade dentária | não | possível, sobretudo em casos avançados |
A passagem de gengivite a periodontite não é automática nem inevitável: depende do tempo de exposição ao biofilme, dos fatores de risco locais e sistémicos e da resposta individual do sistema imunitário de cada pessoa. É por isso que duas pessoas com quantidades semelhantes de biofilme podem ter evoluções muito diferentes, e é o médico dentista quem avalia essa evolução ao longo do tempo, comparando periodontogramas sucessivos.
Classificação das doenças periodontais (2017)
A classificação hoje usada em todo o mundo resulta do Workshop Mundial de 2017, organizado pela Academia Americana de Periodontologia (AAP) e pela Federação Europeia de Periodontologia (EFP), e publicada em 2018. O TAD não a aplica a nenhum utente, mas precisa de a conhecer, porque é a linguagem que vai ler nos processos clínicos, nos relatórios e nas notas que o médico dentista lhe dita.
A classificação organiza-se em grandes grupos:
| Grupo | Exemplos |
|---|---|
| Saúde periodontal e doenças/condições gengivais | saúde periodontal (incluindo num periodonto reduzido, já tratado), gengivite induzida pelo biofilme dentário, doenças gengivais não induzidas pelo biofilme |
| Periodontite | periodontite (classificada por estadio e grau), doenças periodontais necrosantes, periodontite como manifestação de doença sistémica |
| Outras condições que afetam o periodonto | abcessos periodontais, lesões endo-periodontais, deformidades mucogengivais (como a recessão), forças oclusais traumáticas |
| Doenças e condições peri-implantares | saúde peri-implantar, mucosite peri-implantar (inflamação reversível da mucosa à volta do implante), peri-implantite (com perda de osso de suporte do implante) |
Estadios e graus da periodontite
Na classificação de 2017, a periodontite descreve-se com três dados: o estadio, a extensão e o grau.
O estadio (I a IV) descreve a gravidade e a complexidade do caso, a partir sobretudo da maior perda de inserção clínica interdentária, da perda óssea radiográfica e dos dentes perdidos por periodontite:
| Estadio | Gravidade | Perda de inserção interdentária (no local mais afetado) |
|---|---|---|
| I | periodontite inicial | 1 a 2 mm |
| II | periodontite moderada | 3 a 4 mm |
| III | periodontite grave, com potencial de perda dentária | 5 mm ou mais |
| IV | periodontite grave, com potencial de perda da dentição | 5 mm ou mais, com necessidade de reabilitação complexa |
A extensão diz quantos dentes estão afetados: localizada quando envolve menos de 30% dos dentes, generalizada quando envolve 30% ou mais, e existe ainda um padrão molar-incisivo.
O grau (A, B ou C) descreve a velocidade de progressão e o risco de a doença continuar a avançar: A (progressão lenta), B (progressão moderada) e C (progressão rápida). O tabagismo e a diabetes mal controlada são dois modificadores do grau: podem fazer subir o grau de um utente, porque aceleram a progressão da doença.
Um registo como "periodontite estadio III, generalizada, grau C" é, portanto, uma conclusão clínica do médico dentista. Ao TAD cabe fornecer, com rigor, os dados de que essa classificação depende (os valores do periodontograma, as radiografias arquivadas, a história clínica atualizada com hábitos tabágicos e doenças sistémicas) e transcrever o que for ditado sem abreviar nem alterar.
Exemplo resolvido · Gengivite ou periodontite
O periodontograma mostra hemorragia à sondagem generalizada, mas nenhuma perda de inserção e nenhuma reabsorção óssea visível na radiografia.
- Verificar os tecidos afetados: só há sinais na gengiva.
- Verificar a perda de inserção: nenhuma registada.
- Concluir: quadro compatível com gengivite, potencialmente reversível com destartarização, polimento e reforço da higiene oral. A confirmação do diagnóstico é sempre do médico dentista.
4. Abcesso periodontal e recessão gengival
Abcesso periodontal
O abcesso periodontal é uma acumulação localizada de pus dentro de uma bolsa periodontal já existente, normalmente causada pelo bloqueio da drenagem natural da bolsa, por exemplo por tártaro subgengival ou por um corpo estranho.
Sinais de alerta que o TAD deve reconhecer e comunicar de imediato ao médico dentista:
- Dor localizada, muitas vezes latejante.
- Inchaço da gengiva, por vezes com um ponto mais saliente e brilhante.
- Vermelhidão da zona.
- Supuração espontânea ou à pressão.
- Em casos mais graves, febre e mal-estar geral.
É importante distinguir, sempre pelo médico dentista, o abcesso periodontal (origem na bolsa periodontal) do abcesso periapical (origem endodôntica, na polpa do dente), porque o tratamento é diferente. O TAD não faz esta distinção clínica: reconhece os sinais de urgência e assegura que o utente é observado o mais cedo possível.
Recessão gengival
A recessão gengival é a migração da margem gengival para uma posição mais apical, expondo a superfície radicular que normalmente estaria coberta.
Causas mais comuns:
- Escovagem traumática: técnica agressiva ou escova de cerdas duras.
- Doença periodontal: a perda de inserção também recua a gengiva.
- Posição do dente na arcada: dentes muito proeminentes têm menos osso a protegê-los.
- Freios e bridas labiais inseridos muito perto da gengiva marginal.
- Tracionamento por piercings orais ou hábitos.
Consequências para o utente:
- Sensibilidade dentária, porque o cemento e a dentina expostos reagem ao frio, ao calor e ao doce.
- Impacto estético, sobretudo em dentes anteriores.
- Maior risco de cárie radicular, uma vez que a raiz exposta não tem a proteção do esmalte.
Exemplo resolvido · Reconhecer sinais de urgência
Um utente chega à receção com dor intensa e latejante num dente, inchaço da gengiva ao lado e refere ter sentido "sabor a pus" na boca.
- Identificar os sinais: dor latejante, inchaço, sinal indireto de supuração.
- Classificar a urgência: quadro compatível com abcesso, situação que exige observação prioritária.
- Agir dentro das competências do TAD: informar de imediato o médico dentista, preparar a sala e o material para uma observação urgente, e nunca tentar drenar, medicar ou tranquilizar o utente com um diagnóstico.
5. O periodontograma
O periodontograma é o registo escrito (em papel ou em suporte digital) do estado periodontal de cada dente, feito normalmente em seis pontos por dente (mesial, centro e distal, tanto na face vestibular como na palatina/lingual). É a ferramenta central da consulta de periodontologia, porque transforma uma observação clínica em dados comparáveis ao longo do tempo.
Parâmetros registados
| Parâmetro | O que mede |
|---|---|
| Profundidade de sondagem | distância, em milímetros, entre a margem gengival e o fundo do sulco ou da bolsa |
| Nível de inserção clínica | distância entre a junção amelo-cementária e o fundo do sulco ou da bolsa, mais estável do que a profundidade de sondagem |
| Hemorragia à sondagem | se o local sangra ao ser sondado, sinal de inflamação ativa |
| Supuração | se existe saída de pus ao sondar |
| Recessão gengival | distância entre a junção amelo-cementária e a margem gengival, quando a gengiva recuou |
| Mobilidade dentária | grau de movimento do dente quando pressionado |
| Envolvimento de furca | se a doença atingiu a zona de bifurcação ou trifurcação das raízes, nos dentes multirradiculares |
| Índice de placa | proporção de superfícies dentárias com biofilme visível |
Como se lê um valor: margem, fundo da bolsa e junção amelo-cementária
Os três valores principais estão ligados por uma conta simples, que o TAD deve perceber para não trocar colunas no registo:
- Quando a margem gengival está abaixo da junção amelo-cementária (há recessão): nível de inserção clínica = profundidade de sondagem + recessão. Exemplo: sondagem de 4 mm e recessão de 2 mm dão uma perda de inserção de 6 mm.
- Quando a margem gengival está acima da junção amelo-cementária (gengiva aumentada de volume, a cobrir parte da coroa): nível de inserção clínica = profundidade de sondagem menos a distância da margem à junção. Exemplo: sondagem de 5 mm com a margem 2 mm acima da junção dão uma perda de inserção de 3 mm.
- Quando a margem coincide com a junção, os dois valores são iguais.
É por isso que muitos periodontogramas registam a posição da margem gengival com sinal (positivo ou negativo) em linha própria: o programa calcula o nível de inserção a partir dessas duas linhas. Um valor escrito na linha errada altera automaticamente o cálculo.
As sondas periodontais
O médico dentista escolhe a sonda; o TAD tem de a reconhecer para a preparar e para a colocar no tabuleiro certo. Todas têm uma ponta romba, calibrada em milímetros, que entra no sulco sem ferir.
| Sonda | Como se reconhece | Uso típico |
|---|---|---|
| Williams | marcas a 1, 2, 3, 5, 7, 8, 9 e 10 mm (faltam as marcas dos 4 e dos 6 mm, o que facilita a leitura) | sondagem e periodontograma |
| UNC-15 | marcas em cada milímetro até 15 mm, com faixas coloridas aos 5, 10 e 15 mm | periodontograma completo, bolsas profundas |
| OMS (ou CPI) | ponta em esfera de 0,5 mm de diâmetro e uma faixa preta entre 3,5 e 5,5 mm | rastreio e índice periodontal comunitário |
| Sonda de Nabers | curva, sem ponta reta | avaliar o envolvimento de furca dos dentes multirradiculares |
Uma sonda com a ponta dobrada, marcas apagadas ou gravação ilegível já não mede com rigor: identifica-se na verificação pós-limpeza e entrega-se ao responsável para substituição.
Índices de placa e gengival
Dois índices aparecem com frequência na consulta de periodontologia:
- Índice de placa de O'Leary: o biofilme é evidenciado (normalmente com um revelador de placa) e regista-se, em cada dente, se há placa em cada uma de quatro faces (mesial, distal, vestibular e lingual/palatina). O índice é a percentagem de faces com placa em relação ao total de faces examinadas. Exemplo: 24 faces com placa em 96 faces examinadas (24 dentes) dão um índice de 25%.
- Índice gengival (de Löe e Silness): classifica a inflamação da gengiva em graus de 0 a 3, de gengiva normal (0) a inflamação intensa com tendência para hemorragia espontânea (3).
O TAD pode preparar o revelador de placa, apoiar o utente a bochechar, registar as faces que o médico dentista indica e fazer a conta da percentagem, que depois o médico dentista valida e usa na motivação do utente.
O papel do TAD no periodontograma
A sondagem periodontal e a interpretação dos valores são atos clínicos do médico dentista. O TAD coadjuva, sem nunca sondar nem diagnosticar:
- Prepara a sonda periodontal e o restante material antes da consulta.
- Regista os valores ditados pelo médico dentista, em papel ou no programa informático da clínica, com atenção e sem erros de transcrição.
- Posiciona corretamente a luz e ajuda o utente a manter a boca aberta e confortável.
- Aspira saliva e sangue para o médico dentista ter boa visibilidade.
- Arquiva o periodontograma no processo clínico, garantindo que fica disponível para comparação em consultas futuras.
Um erro de registo, uma casa a mais ou a menos numa tabela de seis pontos por dente, pode alterar completamente a leitura da evolução do utente. É por isso que a atenção e o rigor no registo do periodontograma são uma das competências mais valorizadas no TAD.
Exemplo resolvido · Ler uma linha de um periodontograma
Um dente tem, na face vestibular, profundidades de sondagem de 2, 6 e 3 mm (mesial, centro, distal), com hemorragia registada no ponto central.
- Comparar com a referência saudável (até cerca de 2 a 3 mm): os pontos mesial e distal estão dentro do esperado, o ponto central está claramente acima.
- Cruzar com a hemorragia: o ponto com 6 mm também sangra à sondagem, o que reforça a suspeita de inflamação ativa nesse local.
- Concluir o papel do TAD: registar fielmente os três valores e a hemorragia, sem arredondar nem "corrigir" nada, e deixar a interpretação clínica para o médico dentista.
6. Outros meios de diagnóstico em periodontologia
Para além do periodontograma, o médico dentista recorre a outros meios de diagnóstico que o TAD ajuda a preparar e a organizar.
Radiografia
A radiografia mostra o que a sondagem não mostra: o nível do osso alveolar. Os tipos mais usados em periodontologia são a radiografia periapical (um ou dois dentes, detalhe fino do osso interproximal), a radiografia bitewing (compara os níveis ósseos de vários dentes numa só imagem) e a ortopantomografia (visão geral de toda a arcada, útil para uma primeira avaliação). O TAD pode preparar o equipamento e posicionar o utente, sempre segundo as instruções e sob a supervisão de quem está habilitado a operar o aparelho.
Índices periodontais
Além do índice de placa já referido no periodontograma, existem outros índices usados para acompanhar a evolução do utente ao longo do tempo, como o índice gengival, que classifica a inflamação da gengiva em graus. Servem para comparar consultas e para motivar o utente, mostrando-lhe uma evolução objetiva.
Teste de mobilidade dentária
O médico dentista avalia a mobilidade dentária pressionando o dente entre dois instrumentos e observando o grau de deslocamento, um sinal importante de perda de suporte ósseo avançada.
História clínica e fatores de risco
Antes de qualquer diagnóstico, o médico dentista recolhe a história clínica do utente: doenças sistémicas, medicação, hábitos como o tabagismo, e história familiar de doença periodontal. O TAD pode apoiar esta recolha a nível administrativo, atualizando a ficha do utente, mas a interpretação clínica desses dados é sempre do médico dentista.
Exemplo resolvido · Escolher o meio de diagnóstico
O médico dentista quer confirmar se há perda óssea localizada num único dente com bolsa profunda.
- Considerar as opções: periodontograma (já feito), ortopantomografia (visão geral, pouco detalhe local) ou radiografia periapical (detalhe fino, um dente).
- Escolher: a radiografia periapical é a mais indicada para avaliar o detalhe ósseo de um único dente.
- Papel do TAD: preparar o equipamento e o material de proteção radiológica, e arquivar a imagem no processo clínico.
7. Prevenção e tratamento não cirúrgico: destartarização, polimento e remoção de pigmento
Destartarização
A destartarização (scaling) é a remoção mecânica do tártaro supra e subgengival, feita com instrumentos manuais (curetas) ou com destartarizador de ultrassons, cuja ponta vibra a alta frequência e, com um jato de água associado, desagrega o tártaro da superfície do dente.
O TAD coadjuva preparando e mantendo o equipamento:
- Monta e verifica os insertos do destartarizador de ultrassons, sempre segundo o manual do fabricante quanto à potência e ao caudal de água recomendados.
- Prepara as curetas manuais, com o fio devidamente afiado quando essa tarefa lhe for atribuída pela clínica.
- Faz a aspiração contínua durante o procedimento, essencial para a visibilidade do médico dentista e para o conforto do utente.
- Confirma que o equipamento está limpo, desinfetado e pronto entre utentes.
O instrumental de destartarização
| Instrumento | Características | Uso |
|---|---|---|
| Destartarizador de ultrassons (magnetostritivo ou piezoelétrico) | ponta (inserto) que vibra a alta frequência, sempre com irrigação de água para arrefecer a ponta e arrastar os detritos | remoção do tártaro supra e subgengival; o piezoelétrico vibra num movimento linear e o magnetostritivo num movimento elíptico |
| Foice (ou raspador em foice) | lâmina de secção triangular, ponta aguçada e duas arestas cortantes | tártaro supragengival; a ponta aguçada não entra na bolsa sem ferir a gengiva |
| Cureta universal | ponta arredondada, duas arestas cortantes, face a 90° com a haste | tártaro supra e subgengival em qualquer zona da boca |
| Curetas específicas (Gracey) | ponta arredondada, uma só aresta cortante ativa, face inclinada cerca de 70° em relação à haste terminal | instrumentação subgengival e alisamento radicular, cada par desenhado para uma zona da boca (ver secção 8) |
Como o destartarizador de ultrassons produz muito aerossol (água, saliva, sangue e microrganismos), a aspiração de alto débito junto do inserto e o EPI completo (máscara, proteção ocular ou viseira) são obrigatórios. O TAD verifica também, antes de montar o inserto, se está gasto ou deformado: um inserto encurtado perde eficácia e deve ser substituído segundo o guia de desgaste do fabricante.
Polimento coronário
Depois da destartarização, faz-se o polimento, com uma taça de borracha ou escova montada num contra-ângulo e uma pasta profilática abrasiva, que alisa a superfície do dente e remove o biofilme residual, deixando-a mais lisa e mais difícil de voltar a acumular biofilme.
Remoção de pigmento dentário
As manchas extrínsecas (café, chá, vinho tinto, tabaco) depositam-se sobre o esmalte e o tártaro, sem estarem dentro do dente. Removem-se com técnicas específicas de polimento com jato de bicarbonato de sódio (air-polishing) ou com pastas mais abrasivas, sempre com o cuidado de não desgastar o esmalte, seguindo o protocolo e o equipamento definidos pela clínica.
Instruções de higiene oral ao utente
Depois destes procedimentos, o médico dentista reforça (e o TAD pode ajudar a demonstrar, sob orientação) as técnicas de higiene oral: escovagem correta, uso de fio dentário ou de escovilhões interdentários conforme o espaço entre os dentes, e frequência das visitas de manutenção.
A técnica de escovagem mais indicada em periodontologia é a técnica de Bass modificada:
- Escova de cerdas macias, colocada com as cerdas a cerca de 45° em relação ao longo eixo do dente, apontadas para a margem gengival, de modo a que as pontas entrem ligeiramente no sulco.
- Pequenos movimentos vibratórios (vaivém curto, sem arrastar a escova), em grupos de dois ou três dentes de cada vez.
- No fim de cada grupo, varrimento da gengiva para a face oclusal (a "modificação" da técnica), para arrastar o biofilme desagregado.
- Percurso sistemático por todas as faces vestibulares, linguais/palatinas e oclusais, para não esquecer zonas.
A limpeza interdentária completa a escovagem, porque a escova não chega às faces proximais:
- Fio dentário: indicado quando os espaços entre os dentes estão fechados, com a papila a preencher o espaço.
- Escovilhões interdentários: indicados quando os espaços estão abertos (por exemplo depois de perda de inserção e recessão das papilas), situação muito frequente nos utentes com periodontite. O tamanho é escolhido pelo médico dentista ou pelo higienista oral para cada espaço, e o escovilhão deve entrar sem forçar.
Clorexidina: um complemento, não um substituto
A clorexidina é o antisséptico de referência em periodontologia. Na forma de colutório usa-se habitualmente nas concentrações de 0,12% ou 0,2%, e também existe em gel. É prescrita ou indicada pelo médico dentista, que define a concentração, a frequência e a duração; o TAD apenas reforça essas instruções, sem as alterar.
O que o TAD deve saber para reforçar as instruções corretamente:
- É um complemento da remoção mecânica do biofilme, nunca a substitui.
- Usa-se por um período limitado, definido pelo médico dentista (por exemplo, após uma cirurgia ou uma fase de tratamento), e não como bochecho diário para sempre.
- Os efeitos adversos mais comuns são a pigmentação acastanhada dos dentes, das restaurações e da língua, a alteração do paladar e, por vezes, um aumento da formação de tártaro. São reversíveis e as manchas removem-se na consulta com polimento.
- A clorexidina tem carga positiva e é inativada por alguns componentes dos dentífricos com carga negativa, como o laurilsulfato de sódio. Por isso, não se bochecha imediatamente depois de escovar os dentes com pasta: deixa-se um intervalo entre a escovagem e o bochecho (é comum indicar-se mais de 30 minutos), conforme a indicação do médico dentista.
- Não se bebe nem se come logo a seguir ao bochecho, para não reduzir o tempo de ação.
Exemplo resolvido · Sequência correta do procedimento
Um utente vai fazer uma consulta de manutenção periodontal simples.
- Preparar: destartarizador de ultrassons montado e testado, curetas prontas, aspiração ligada.
- Durante: destartarização (remoção de tártaro), seguida de polimento coronário com pasta profilática.
- Se houver manchas: remoção de pigmento com o método definido pela clínica.
- Fecho: reforço das instruções de higiene oral e agendamento da próxima consulta de manutenção.
A ordem importa: polir antes de destartarizar deixaria tártaro por remover; remover pigmento antes da destartarização seria ineficaz, porque o tártaro continuaria a esconder biofilme e manchas.
8. Raspagem e alisamento radicular
A raspagem e alisamento radicular (RAR) é um tratamento não cirúrgico mais profundo do que a simples destartarização, indicado quando há periodontite, e não apenas gengivite.
- Raspagem: remoção do tártaro e do biofilme dentro da bolsa periodontal, abaixo da margem gengival.
- Alisamento radicular: alisamento da superfície da raiz exposta na bolsa, removendo os depósitos e as irregularidades que ficaram e tornando a superfície menos favorável à adesão de novo biofilme. Hoje procura-se preservar o cemento, retirando apenas o que está contaminado, em vez de o desgastar deliberadamente.
A RAR é normalmente feita por quadrante ou por sextante, muitas vezes sob anestesia local, dado o desconforto de trabalhar dentro da bolsa e perto do osso. É um procedimento clínico executado pelo médico dentista, nunca pelo TAD.
O papel do TAD na RAR
- Prepara o kit de curetas específicas para raspagem subgengival e o material de anestesia, segundo as indicações do médico dentista.
- Organiza o campo de trabalho e mantém a aspiração durante todo o procedimento.
- Acompanha o conforto do utente, informando o médico dentista de qualquer sinal de desconforto ou ansiedade.
- Reprocessa todo o material cortante utilizado, de acordo com o protocolo de limpeza e esterilização.
As curetas Gracey: qual para onde
As curetas de Gracey são específicas de área: cada par (os dois extremos de um mesmo cabo, em espelho) foi desenhado para chegar a um grupo de dentes e de faces. Estão numeradas, e o número está gravado no cabo. A atribuição clássica é:
| Cureta Gracey | Zona de trabalho |
|---|---|
| 1/2 e 3/4 | dentes anteriores |
| 5/6 | dentes anteriores e pré-molares |
| 7/8 e 9/10 | dentes posteriores, faces livres (vestibular e lingual/palatina) |
| 11/12 | dentes posteriores, faces mesiais |
| 13/14 | dentes posteriores, faces distais |
Existem variantes (hastes mais longas para bolsas profundas, lâminas mais curtas ou mais finas, e os pares 15/16 e 17/18, derivados dos 11/12 e 13/14), mas o princípio mantém-se. Para o TAD, isto tem consequências práticas:
- O kit de RAR prepara-se pela ordem de uso que o médico dentista costuma seguir e com os números à vista, para uma entrega rápida sem procurar.
- Quando o médico dentista muda de faces mesiais para distais num molar, a cureta seguinte é previsível (11/12 para 13/14), e o TAD pode tê-la já na mão, na zona de transferência.
- Uma cureta romba corta mal, obriga a mais força e cansa o operador. A afiação faz-se com pedra de afiar (de Arkansas ou cerâmica) ou dispositivo próprio, mantendo o ângulo original da lâmina, e só é feita pelo TAD se a clínica lhe atribuir essa tarefa e o formar para ela. Afia-se o instrumento depois de limpo e antes da esterilização, ou segundo o procedimento interno. Uma cureta demasiado fina, dobrada ou lascada retira-se de uso, porque pode partir dentro da bolsa.
Trabalho a quatro mãos na consulta de periodontologia
Na RAR e na cirurgia, o TAD trabalha a quatro mãos com o médico dentista, com as posições descritas como os ponteiros de um relógio visto de cima, com a cabeça do utente nas 12 horas. Para um médico dentista destro:
| Zona | Horas | O que acontece |
|---|---|---|
| Zona do operador | das 7 às 12 | onde o médico dentista se senta e se movimenta |
| Zona estática | das 12 às 2 | equipamento que não circula entre as mãos (carrinho de apoio, reservas) |
| Zona do assistente | das 2 às 4 | onde o TAD se senta, com a cânula de aspiração e a seringa ar/água |
| Zona de transferência | das 4 às 7 | por cima do peito do utente, onde se passam instrumentos e materiais |
Para um médico dentista canhoto, as zonas espelham-se. Em periodontologia, a aspiração é particularmente exigente: o TAD mantém a cânula de alto débito perto da ponta do ultrassons ou da cureta, afasta a língua e a bochecha para dar visão e acesso, e passa as curetas pela zona de transferência pela extremidade do cabo, com a lâmina afastada das mãos de ambos.
Reavaliação
Depois da RAR, o médico dentista reavalia o periodontograma, normalmente algumas semanas mais tarde, para confirmar se a inflamação diminuiu e se as bolsas reduziram de profundidade. O TAD prepara essa consulta de reavaliação como qualquer outra sessão de periodontograma.
Exemplo resolvido · Destartarização ou raspagem e alisamento radicular
Um periodontograma mostra bolsas de 5 e 6 mm em vários dentes, com perda de inserção confirmada em radiografia.
- Identificar o quadro: compatível com periodontite (perda de inserção e bolsas profundas), não apenas gengivite.
- Escolher o tratamento indicado (decisão do médico dentista): a simples destartarização supragengival não alcança o interior destas bolsas; é necessária a raspagem e alisamento radicular.
- Papel do TAD: preparar o material específico para RAR e apoiar o procedimento, sabendo que a decisão clínica cabe sempre ao médico dentista.
9. Cirurgia periodontal: o papel do TAD
Quando o tratamento não cirúrgico não é suficiente para controlar a doença periodontal, o médico dentista pode optar por uma cirurgia periodontal. Existem vários tipos, cada um com um objetivo diferente:
| Tipo de cirurgia | Objetivo |
|---|---|
| Gengivectomia | remover excesso de gengiva, por exemplo em casos de hiperplasia |
| Cirurgia de retalho (flap) | afastar temporariamente a gengiva para dar acesso direto à raiz e ao osso, permitindo uma raspagem mais profunda e completa |
| Regeneração tecidual guiada | tentar recuperar osso e ligamento perdidos, usando membranas ou materiais de enxerto |
| Enxerto gengival | cobrir uma recessão ou aumentar a espessura de gengiva aderida |
O papel do TAD na cirurgia
A cirurgia periodontal é sempre executada pelo médico dentista (ou pelo especialista em periodontologia/estomatologia), num ambiente com exigências acrescidas de assepsia. O TAD coadjuva, nunca executa nem decide:
- Prepara a sala e o campo estéril, com todo o instrumental esterilizado e organizado por ordem de utilização.
- Assegura o material de proteção individual de toda a equipa e do utente.
- Faz a aspiração contínua e mantém o campo visível durante toda a cirurgia.
- Entrega os instrumentos ao médico dentista, de forma organizada e sem contaminar o campo estéril.
- Monitoriza o conforto e o estado geral do utente, comunicando qualquer alteração de imediato.
- No fim, reprocessa todo o material utilizado e organiza as instruções pós-operatórias que o médico dentista entrega ao utente.
Cuidados pós-operatórios
Depois de uma cirurgia periodontal, o médico dentista dá instruções específicas ao utente (medicação, dieta, higiene da zona operada). O TAD pode ajudar a explicar essas instruções por escrito ou verbalmente, sempre com base no que o médico dentista definiu, nunca acrescentando ou alterando recomendações próprias.
Exemplo resolvido · Preparar uma cirurgia periodontal
Está agendada uma cirurgia de retalho para tratar bolsas profundas persistentes num setor da boca.
- Antes: preparar a sala com campo estéril, instrumental específico de cirurgia periodontal, material de sutura e EPI completo para toda a equipa.
- Durante: manter a aspiração, entregar instrumentos com organização, observar o utente continuamente.
- Depois: reprocessar todo o material contaminado seguindo o protocolo de limpeza e esterilização, e apoiar a entrega das instruções pós-operatórias definidas pelo médico dentista.
10. Limpeza e higienização de equipamentos, instrumentos e materiais no consultório odontológico
Classificação dos instrumentos (Spaulding)
A forma de reprocessar um instrumento depende do risco de infeção associado ao seu uso:
| Classe | Definição | Exemplo em periodontologia | Reprocessamento |
|---|---|---|---|
| Crítico | penetra tecidos moles, osso ou o sistema vascular | curetas, foices, sondas periodontais, insertos de ultrassons, instrumental de cirurgia | esterilização obrigatória |
| Semicrítico | contacta mucosas intactas, sem as penetrar | espelho intraoral, contra-ângulo de polimento | esterilização (preferível sempre que o material a suporta) ou, se não for possível, desinfeção de alto nível |
| Não crítico | contacta apenas pele intacta ou superfícies | cabo da lâmpada, apoio de cabeça | limpeza e desinfeção de nível baixo ou intermédio |
Os instrumentos usados em periodontologia, curetas, sondas, insertos e material de cirurgia, entram no sulco ou na bolsa e contactam sangue, pelo que são críticos e exigem esterilização. Os restantes instrumentos de uso intraoral são quase sempre semicríticos, e na prática clínica também se esterilizam sempre que o material o permite.
O ciclo de reprocessamento
- Pré-lavagem: imersão ou enxaguamento imediato após o uso, para evitar que resíduos sequem e endureçam sobre o instrumento.
- Limpeza: remoção mecânica de matéria orgânica, manual (escovagem cuidadosa) ou por cuba de ultrassons, mais eficaz e mais segura para quem manuseia (menos contacto direto com material cortante).
- Secagem e verificação: confirmar que o instrumento está limpo, seco e sem danos (curetas rombas ou lascadas identificam-se e afastam-se para afiar ou substituir).
- Empacotamento: colocação em bolsas ou cassetes próprias para esterilização, com indicador químico visível.
- Esterilização: normalmente em autoclave (vapor de água sob pressão), seguindo sempre o ciclo e o tempo definidos pelo fabricante do equipamento e do material a esterilizar.
- Armazenamento: em local limpo e seco, respeitando o prazo de validade da embalagem esterilizada.
Rastreabilidade
Cada ciclo de esterilização deve ficar registado, com data, número do ciclo e resultado dos indicadores de controlo. Esta rastreabilidade permite identificar, em caso de falha, exatamente que material foi processado nesse ciclo.
- Indicadores químicos: mudam de cor quando expostos às condições do ciclo, confirmam que o instrumento passou pelo processo, não que ficou estéril.
- Indicadores biológicos: contêm esporos resistentes ao calor; só confirmam a eficácia real da esterilização quando os esporos não sobrevivem, e por isso são testados periodicamente conforme a norma e a orientação da clínica.
Cuidados específicos com o destartarizador de ultrassons
A peça de mão do destartarizador e os insertos exigem limpeza e, quando o fabricante o indica, esterilização em autoclave entre utentes. As mangueiras de água associadas devem ser purgadas no início do dia e entre utentes, seguindo a mesma lógica de manutenção das linhas de água referida noutras UCs desta área.
Higienização do consultório entre utentes
Além do instrumental, todo o ambiente onde decorre a consulta é higienizado entre utentes: a cadeira, o apoio de cabeça, a unidade dentária, as superfícies de trabalho e os interruptores tocados durante a consulta, com o produto de desinfeção de superfícies definido pela clínica, respeitando sempre o tempo de contacto indicado na ficha técnica do produto.
Exemplo resolvido · Reprocessar curetas depois de uma raspagem
Terminada uma sessão de raspagem e alisamento radicular, as curetas usadas têm resíduos visíveis de sangue e tártaro.
- Pré-lavagem imediata, para evitar que os resíduos sequem.
- Limpeza em cuba de ultrassons, mais segura do que escovar à mão material cortante.
- Secagem e verificação do fio de cada cureta.
- Empacotamento em bolsa própria com indicador químico.
- Esterilização em autoclave, seguindo o ciclo definido pelo fabricante.
- Registo do ciclo para garantir rastreabilidade.
Manutenção periódica e motivação do utente
A doença periodontal, sobretudo a periodontite, não se resolve numa única consulta: exige manutenção periódica, com intervalos definidos pelo médico dentista conforme a gravidade de cada caso. O TAD tem um papel de continuidade nesse processo:
- Agendar as consultas de manutenção conforme a periodicidade definida pelo médico dentista, e sinalizar faltas ou atrasos que possam comprometer o acompanhamento.
- Comparar periodontogramas sucessivos, apoiando o médico dentista na organização visual da evolução do utente ao longo do tempo, sem tirar conclusões clínicas próprias.
- Reforçar, sob orientação, as instruções de higiene oral já definidas na consulta anterior, e não instruções novas por iniciativa própria.
- Identificar sinais de desmotivação do utente (faltas repetidas, resistência a mudar hábitos) e comunicá-los ao médico dentista, que decide como adaptar a abordagem.
A relação de confiança entre o utente e a equipa, construída consulta após consulta, é muitas vezes o que determina se um tratamento periodontal bem-sucedido se mantém a longo prazo ou se a doença regressa, e essa relação também se constrói pela forma como o TAD acolhe, ouve e trata cada utente com respeito, mesmo quando o resultado clínico depende de decisões que não lhe cabem a ele tomar.
11. Normas de segurança e saúde no trabalho
O consultório de periodontologia junta vários riscos ao mesmo tempo: risco biológico (sangue, saliva, aerossóis), risco com objetos cortoperfurantes (curetas, sondas, agulhas de anestesia, lâminas de bisturi) e risco químico (produtos de desinfeção e esterilização).
Equipamento de proteção individual
Em qualquer procedimento de periodontologia, o TAD usa luvas, máscara, proteção ocular e, quando indicado, bata ou avental impermeável, trocando as luvas entre utentes e sempre que fiquem danificadas.
O EPI é uma das Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI), definidas em Portugal pela Norma da DGS n.º 029/2012. As PBCI aplicam-se a todos os utentes, independentemente de se saber ou não se têm alguma infeção, e incluem: a higiene das mãos, o uso adequado de EPI, a etiqueta respiratória, a colocação dos utentes, o controlo ambiental (limpeza e desinfeção de superfícies), o manuseamento seguro da roupa, a gestão adequada dos resíduos, as práticas seguras na preparação e administração de injetáveis e a exposição a agentes microbianos no local de trabalho (incluindo a prevenção de picadas). Em periodontologia, com sangue quase sempre presente e muito aerossol do destartarizador, cumprir as PBCI em cada utente é a regra, não a exceção.
Prevenção de acidentes com objetos cortoperfurantes
- Nunca reencapar agulhas com as duas mãos. Quando o reencapsulamento é necessário (por exemplo, entre injeções na mesma anestesia feita pelo médico dentista), usa-se a técnica de uma só mão (a tampa pousada e "pescada" com a agulha) ou um dispositivo de reencapsulamento.
- Depositar imediatamente todo o material cortoperfurante em contentores rígidos e próprios, sem os encher acima de 2/3 da capacidade ou da linha de enchimento indicada pelo fabricante, e fechá-los quando atingem esse limite.
- Manter o campo de trabalho organizado, com os instrumentos afiados sempre visíveis e nunca escondidos sob compressas ou panos.
Em caso de acidente
Uma picada ou corte com material contaminado é uma situação de exposição biológica e exige uma resposta imediata:
- Lavar a zona com água e sabão (não espremer nem aplicar produtos abrasivos).
- Comunicar de imediato ao médico dentista ou ao responsável da clínica.
- Registar o acidente, conforme o procedimento interno.
- Procurar avaliação clínica o mais rapidamente possível, porque algumas medidas de proteção têm de começar muito cedo.
Gestão de resíduos
Os resíduos produzidos no consultório separam-se conforme o risco: material comum, material contaminado (compressas, luvas) e material cortoperfurante (agulhas, lâminas), cada um com o seu contentor próprio e o seu circuito de recolha, conforme a legislação de gestão de resíduos hospitalares e as regras internas da clínica.
Em Portugal, os resíduos hospitalares classificam-se em quatro grupos, segundo o Despacho n.º 242/96:
| Grupo | Tipo | Exemplos no consultório de periodontologia |
|---|---|---|
| I | resíduos equiparados a urbanos | papel, embalagens limpas, restos de copa |
| II | resíduos hospitalares não perigosos | material de embalagem não contaminado, equipamento sem contacto com fluidos |
| III | resíduos de risco biológico | compressas, luvas, babetes e rolos de algodão contaminados com sangue ou saliva |
| IV | resíduos específicos | cortoperfurantes (agulhas, lâminas de bisturi, curetas partidas), peças anatómicas identificáveis, alguns medicamentos e produtos químicos |
Os grupos I e II seguem circuitos próprios, sem tratamento especial; os grupos III e IV são recolhidos por um operador licenciado, e os do grupo IV são obrigatoriamente incinerados. Uma cureta partida, uma lâmina ou uma agulha nunca vão para o lixo comum.
Risco químico
Os produtos usados na limpeza, desinfeção e esterilização do consultório (detergentes enzimáticos, desinfetantes de superfícies, produtos para as linhas de água) têm de ser manuseados segundo a ficha de dados de segurança de cada produto, fornecida pelo fabricante. Esse documento indica o equipamento de proteção a usar, a forma correta de diluição, o tempo de contacto necessário e o procedimento em caso de contacto acidental com a pele ou os olhos. Misturar produtos de limpeza sem confirmar a compatibilidade entre eles é uma das causas mais frequentes de acidentes químicos em contexto de consultório, porque algumas combinações libertam vapores tóxicos.
Ergonomia
Trabalhar longas horas numa posição fixa, muitas vezes inclinado sobre o utente, exige atenção à ergonomia: altura da cadeira e do banco, posição do pescoço e das costas, e pausas regulares, para prevenir lesões músculo-esqueléticas que são muito comuns na profissão a longo prazo.
Exemplo resolvido · Responder a uma picada acidental
Durante o reprocessamento de curetas, o TAD sofre uma picada acidental com um instrumento já utilizado.
- Lavar de imediato a zona com água e sabão.
- Comunicar de imediato ao médico dentista ou ao responsável presente.
- Registar o acidente conforme o procedimento da clínica.
- Procurar avaliação clínica sem demora, para decidir se há necessidade de medidas adicionais.
Nunca se ignora um acidente destes por parecer "pouco grave": o risco não se avalia pelo aspeto da ferida, mas pelo material envolvido.
12. Normas e sistemas de qualidade
Um consultório organizado segundo um sistema de qualidade (por exemplo, com base na norma ISO 9001) documenta os seus procedimentos internos por escrito: como se prepara uma consulta de periodontologia, como se reprocessa o instrumental, como se regista um periodontograma, como se comunica um acidente.
Porque interessa ao TAD
- Os procedimentos escritos tornam o trabalho previsível e seguro, independentemente de quem está de serviço nesse dia.
- A rastreabilidade (dos ciclos de esterilização, dos registos clínicos, dos acidentes) é uma exigência de qualidade e de segurança ao mesmo tempo.
- As auditorias internas verificam se os procedimentos escritos estão a ser seguidos na prática, e apontam onde melhorar.
- A melhoria contínua significa que um erro identificado (por exemplo, um registo mal feito no periodontograma) deve gerar uma correção do procedimento, não só a correção do caso isolado.
O papel do TAD nos sistemas de qualidade
Cumprir os procedimentos internos definidos pela clínica, mesmo quando parecem "burocracia", registar com rigor tudo o que lhe é pedido, e comunicar qualquer desvio ou dificuldade, é a forma como o TAD participa ativamente no sistema de qualidade, sem ter de escrever ele próprio os procedimentos.
Dispositivos médicos: o enquadramento legal
As sondas, as curetas, o destartarizador de ultrassons, o autoclave e muitos dos materiais usados na consulta são dispositivos médicos. Na União Europeia regem-se pelo Regulamento (UE) 2017/745, relativo aos dispositivos médicos, e em Portugal pelo Decreto-Lei n.º 29/2024, que o executa no plano nacional; a autoridade competente é o INFARMED. Para o TAD, isto traduz-se em regras práticas:
- Usar cada dispositivo segundo as instruções do fabricante (montagem, limpeza, esterilização, número máximo de ciclos, validade).
- Respeitar os dispositivos de uso único: não se reprocessam nem se reutilizam, mesmo que pareçam intactos.
- Guardar a documentação e os registos de manutenção dos equipamentos (por exemplo, as validações e manutenções do autoclave).
- Comunicar ao responsável da clínica qualquer avaria, defeito ou incidente com um dispositivo, para que possa ser notificado ao fabricante e, quando aplicável, ao INFARMED.
Exemplo resolvido · Um desvio ao procedimento
O procedimento interno da clínica exige registar a hora de início de cada ciclo de esterilização, mas o TAD verifica que esse campo tem ficado por preencher nas últimas semanas.
- Identificar o desvio: falta de registo sistemático de um dado exigido pelo procedimento.
- Agir dentro das suas competências: passar a preencher o campo em falta e sinalizar o desvio ao responsável da clínica.
- Ligar à melhoria contínua: o sistema de qualidade só funciona se os desvios forem comunicados e corrigidos, não escondidos.
Erros comuns
- Confundir gengivite com periodontite, ignorando que só a periodontite tem perda de inserção e reabsorção óssea.
- Registar valores do periodontograma de cabeça, sem confirmar com o médico dentista, arriscando erros de transcrição que distorcem a evolução do utente.
- Trocar a ordem da destartarização e do polimento, polindo antes de remover todo o tártaro.
- Tentar avaliar sozinho um abcesso, decidindo se é urgente ou não, em vez de comunicar de imediato ao médico dentista.
- Escovar à mão instrumental cortante contaminado, em vez de usar a cuba de ultrassons, aumentando o risco de picada.
- Reencapar agulhas com as duas mãos, um dos gestos que mais causa acidentes com objetos cortoperfurantes.
- Ignorar um acidente com picada por parecer pequeno, sem lavar, comunicar e registar de imediato.
- Confundir instrumentos críticos com não críticos, aplicando só desinfeção a material que devia ser esterilizado.
Glossário
- Periodonto: conjunto de tecidos que envolvem e sustentam o dente, gengiva, ligamento periodontal, cemento radicular e osso alveolar.
- Sulco gengival: espaço entre a gengiva marginal e o dente, saudável até cerca de 2 a 3 mm.
- Bolsa periodontal: aprofundamento patológico do sulco, associado à doença periodontal.
- Biofilme dentário (placa bacteriana): comunidade de bactérias que se forma sobre o dente e é a causa direta das doenças periodontais.
- Tártaro (cálculo dentário): biofilme mineralizado, supragengival ou subgengival.
- Gengivite: inflamação da gengiva sem perda de inserção, reversível.
- Periodontite: inflamação com perda de inserção e reabsorção óssea, irreversível.
- Abcesso periodontal: acumulação localizada de pus numa bolsa periodontal.
- Recessão gengival: migração apical da margem gengival, expondo a raiz.
- Periodontograma: registo escrito dos parâmetros periodontais de cada dente.
- Nível de inserção clínica: distância entre a junção amelo-cementária e o fundo do sulco ou bolsa.
- Destartarização: remoção mecânica do tártaro supra e subgengival.
- Polimento coronário: alisamento da superfície do dente depois da destartarização.
- Raspagem e alisamento radicular (RAR): tratamento não cirúrgico da periodontite, remoção de tártaro e alisamento da raiz dentro da bolsa.
- Gengivectomia: cirurgia de remoção de excesso de gengiva.
- Regeneração tecidual guiada: técnica cirúrgica para recuperar osso e ligamento perdidos.
- Classificação de Spaulding: sistema que classifica os instrumentos em críticos, semicríticos e não críticos, segundo o risco de infeção.
- Autoclave: equipamento de esterilização por vapor sob pressão.
- Indicador biológico: teste com esporos resistentes que confirma a eficácia real da esterilização.
- EPI: equipamento de proteção individual.
- Ficha de dados de segurança: documento do fabricante de um produto químico com as instruções de manuseamento, proteção e primeiros socorros em caso de acidente.
- Coadjuvar: apoiar diretamente um profissional habilitado na execução de um ato, sem o substituir na decisão nem na execução do ato clínico propriamente dito.
Síntese
A consulta de periodontologia começa na anatomia do periodonto (gengiva, ligamento, cemento, osso), passa pela etiologia do biofilme dentário e dos fatores de risco locais e sistémicos, e distingue duas patologias centrais: a gengivite, reversível, e a periodontite, com perda de inserção e osso. O periodontograma e outros meios de diagnóstico (radiografia, índices) registam o estado de cada dente e orientam o tratamento, do mais simples (destartarização, polimento, remoção de pigmento) ao mais avançado (raspagem e alisamento radicular, cirurgia periodontal). Em todos estes momentos, o TAD coadjuva o médico dentista: prepara, regista, aspira, entrega instrumentos e comunica sinais de alerta, sem nunca diagnosticar, prescrever ou executar atos clínicos invasivos. O trabalho fecha-se com a limpeza e higienização rigorosa de equipamentos e instrumentos, as normas de segurança que protegem toda a equipa, e os sistemas de qualidade que tornam este trabalho previsível e seguro para todos.
Exercícios resolvidos
1. Um utente apresenta hemorragia à sondagem generalizada, mas o periodontograma não mostra perda de inserção nem reabsorção óssea. Gengivite ou periodontite?
Resolução: gengivite. A ausência de perda de inserção e de reabsorção óssea afasta a periodontite; a inflamação está limitada à gengiva e é, em princípio, reversível com destartarização, polimento e melhoria da higiene oral.
2. Que estrutura do periodonto de suporte liga o cemento radicular ao osso alveolar e absorve as forças da mastigação?
Resolução: o ligamento periodontal, um conjunto de fibras de colagénio inserido, de um lado, no cemento da raiz e, do outro, no osso alveolar.
3. Durante uma consulta, o médico dentista dita os valores do periodontograma. Qual é exatamente o papel do TAD nesse momento?
Resolução: registar fielmente os valores ditados, sem os interpretar nem os corrigir, mantendo a aspiração e o campo visível, e arquivar depois o periodontograma no processo clínico. A sondagem e a interpretação dos valores são sempre atos do médico dentista.
4. Depois de uma sessão de raspagem e alisamento radicular, que sequência de reprocessamento se aplica às curetas usadas?
Resolução: pré-lavagem imediata, limpeza (idealmente em cuba de ultrassons), secagem e verificação do fio, empacotamento com indicador químico, esterilização em autoclave conforme o ciclo do fabricante, e registo do ciclo para garantir a rastreabilidade.
5. O TAD sofre uma picada acidental com uma sonda periodontal já utilizada. Quais são os quatro passos imediatos?
Resolução: lavar a zona com água e sabão, comunicar de imediato ao médico dentista ou ao responsável da clínica, registar o acidente conforme o procedimento interno, e procurar avaliação clínica o mais depressa possível.
6. Num molar inferior, o médico dentista vai instrumentar primeiro a face mesial e depois a face distal. Que curetas Gracey deve o TAD ter prontas, e por que ordem?
Resolução: a Gracey 11/12 para a face mesial e, a seguir, a Gracey 13/14 para a face distal dos dentes posteriores. Com os números à vista no tabuleiro, a cureta seguinte pode ser antecipada na zona de transferência.
7. O médico dentista dita, num ponto, profundidade de sondagem de 4 mm e recessão de 2 mm. Qual é o nível de inserção clínica nesse ponto?
Resolução: com a margem gengival abaixo da junção amelo-cementária, o nível de inserção clínica é a soma dos dois valores: 4 + 2 = 6 mm. O TAD regista cada valor na linha própria; a interpretação do valor é do médico dentista.
8. Um utente foi indicado para bochechar com clorexidina a 0,12% depois da RAR e pergunta se pode fazê-lo logo a seguir a lavar os dentes. Que informação o TAD reforça?
Resolução: que deve deixar um intervalo entre a escovagem com dentífrico e o bochecho, porque alguns componentes da pasta (como o laurilsulfato de sódio) inativam a clorexidina, e que o bochecho é um complemento da escovagem, usado apenas durante o período definido pelo médico dentista. Se o utente tiver dúvidas sobre o intervalo ou a duração, o TAD encaminha a pergunta para o médico dentista.