Sebenta · Auxiliar o médico dentista em radiologia dentária (UC04005)
- Introdução
- 1. A radiologia como meio de diagnóstico
- 2. Física dos raios X e formação da imagem
- 3. Equipamentos de radiologia intra oral
- 4. Equipamentos extra orais e tomografia computorizada 3D
- 5. Sistemas de imagem digital e software de radiologia
- 6. Radiografias intra orais: tipos e técnicas
- 7. Radiografias extra orais: tipos
- 8. Preparar o utente e coadjuvar na execução
- 9. Segurança radiológica: princípios e meios de proteção
- 10. Riscos da radiação e boas práticas
- 11. Legislação e normas de segurança e saúde no trabalho
- 12. Limpeza e higienização do gabinete de radiologia
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta prepara-te para uma das áreas mais técnicas e mais reguladas da tua formação como técnico/a assistente dentário: auxiliar o médico dentista em radiologia dentária. Vais aprender a reconhecer os equipamentos de radiologia intra e extra oral, a distinguir os diferentes tipos de radiografias e técnicas radiográficas, a compreender a tomografia computorizada 3D, e sobretudo a coadjuvar em segurança em todo este processo, sob orientação médica.
Radiologia é uma área onde o rigor não é opcional. Trabalha-se com radiação ionizante, com equipamento delicado e caro, e com dados de saúde sensíveis. Por isso esta sebenta insiste tanto na fronteira entre o que o assistente pode fazer (coadjuvar, preparar, executar tecnicamente sob orientação) e o que não pode fazer (diagnosticar, prescrever, decidir sozinho um ato clínico invasivo). É uma fronteira que atravessa toda a profissão de técnico assistente dentário, e a radiologia é onde ela fica mais visível.
O percurso desta sebenta segue a lógica do referencial da UC: começamos por perceber porque se faz radiologia em medicina dentária e como se forma a imagem, avançamos para os equipamentos (intra orais, extra orais e tomografia computorizada), estudamos os sistemas de imagem (filme, sensores digitais, placas de fósforo) e o software específico de radiologia, entramos nos tipos e técnicas radiográficas, e terminamos na parte mais crítica desta UC: preparação do utente, segurança radiológica, legislação e normas de segurança e saúde no trabalho, e limpeza e higienização do gabinete.
Objetivos de aprendizagem (referencial): identificar as técnicas de radiologia como meio de diagnóstico; avaliar o estado dos equipamentos radiológicos; distinguir os diferentes tipos de radiografias, técnicas radiográficas e de tomografia computorizada; utilizar os meios de proteção radiológica, de acordo com as orientações médicas; coadjuvar na execução de radiografias intra e extra orais, de acordo com as orientações médicas; reconhecer a importância das técnicas de radiologia como meio de diagnóstico; coadjuvar na preparação do utente para a realização das diversas técnicas radiográficas; executar os procedimentos de segurança radiológica, sob orientação médica; coadjuvar o médico dentista na realização dos diferentes exames complementares de diagnóstico; e aplicar as regras e normas definidas.
1. A radiologia como meio de diagnóstico
Porque se faz radiologia em medicina dentária
A radiologia dentária é a área que usa a radiação X para obter imagens do interior das estruturas dentárias, periodontais e ósseas. É um exame complementar de diagnóstico: junta-se à observação clínica direta, à anamnese e à história do utente, e mostra o que os olhos, sozinhos, nunca conseguiriam ver.
Sem radiografia, o médico dentista não consegue, por exemplo:
- Ver uma cárie interproximal, escondida entre dois dentes, antes de já ter destruído esmalte suficiente para ser visível.
- Avaliar o estado do osso de suporte à volta da raiz de um dente.
- Confirmar a posição exata de um dente incluso (que ainda não erupcionou).
- Detetar um quisto ou uma lesão óssea sem sintomas evidentes.
- Planear com precisão um implante ou avaliar a articulação temporo-mandibular (ATM).
Reconhecer a importância da radiologia como meio de diagnóstico é o primeiro critério de desempenho desta UC, e a base de tudo o resto que vais aprender.
O papel do assistente dentário em radiologia
Ao longo de todo o curso insistimos numa ideia: o técnico assistente dentário atua sob supervisão do médico dentista. Em radiologia, esta ideia ganha um peso ainda maior, porque se trabalha com radiação ionizante.
O assistente:
- Coadjuva na preparação do utente, do equipamento e do gabinete.
- Executa tecnicamente as técnicas radiográficas, sempre sob orientação médica.
- Reporta ao médico dentista o que observa no equipamento e na imagem obtida.
- Nunca diagnostica a partir da radiografia, nunca prescreve um exame, e nunca decide sozinho repetir ou não uma exposição por razões clínicas.
- Age com autonomia dentro das suas funções, mas essa autonomia tem limites bem definidos.
Esta distinção entre coadjuvar e diagnosticar/prescrever volta a aparecer em quase todos os capítulos seguintes, porque é o eixo que organiza toda a responsabilidade profissional em radiologia.
Os exames complementares de diagnóstico em contexto
A radiologia não é o único exame complementar usado em medicina dentária, mas é o mais frequente no consultório. Coadjuvar o médico dentista na realização dos diferentes exames complementares de diagnóstico é, precisamente, um dos critérios de desempenho desta UC. Na prática, isto significa que muitas das competências que vais desenvolver aqui, como preparar o utente, avaliar equipamento, executar com rigor e cumprir normas de segurança, são transferíveis para outros exames complementares que possas vir a apoiar ao longo da carreira, mesmo fora da radiologia.
2. Física dos raios X e formação da imagem
O que são os raios X
Os raios X são radiação eletromagnética ionizante, produzida numa ampola (o tubo de raios X) quando eletrões acelerados a alta velocidade colidem com um alvo metálico. Parte da energia libertada nessa colisão sai sob a forma de fotões X, capazes de atravessar os tecidos do corpo.
Por serem radiação ionizante, os raios X podem interagir com átomos e moléculas dos tecidos vivos. É esta propriedade que torna necessárias todas as regras de proteção e segurança radiológica que vais estudar mais à frente: não porque a radiologia dentária seja perigosa em si mesma, mas porque toda a radiação ionizante exige cuidado e rigor no seu uso.
O aparelho de raios X só emite radiação enquanto está ligado e a disparar, ao contrário de uma fonte radioativa permanente. É um detalhe simples, mas que ajuda a compreender porque é que a proteção se concentra sobretudo no momento da exposição.
Como se forma a imagem radiográfica
Quando o feixe de raios X atravessa o corpo, os diferentes tecidos absorvem quantidades diferentes de radiação, consoante a sua densidade. Essa diferença de absorção (atenuação) é o que gera contraste na imagem final.
| Tecido | Absorção da radiação | Aspeto na imagem |
|---|---|---|
| Esmalte | muito elevada | muito radiopaco (branco) |
| Osso denso | elevada | radiopaco (claro) |
| Dentina | intermédia | tons de cinzento |
| Polpa dentária | baixa | mais radiolúcido (escuro) |
| Tecidos moles e ar | muito baixa | muito radiolúcido (escuro) |
Dois termos técnicos que vais usar constantemente:
- Radiopaco: absorve muita radiação, aparece claro/branco na imagem. Quanto mais denso o tecido, mais radiopaco.
- Radiolúcido: absorve pouca radiação, aparece escuro na imagem. Ar, tecidos moles e cavidades (como uma cárie que destruiu esmalte) tendem a aparecer radiolúcidos.
Exemplo resolvido: interpretar tons numa imagem simples
Numa radiografia periapical, observa-se uma coroa dentária muito clara, uma zona intermédia em cinzento por baixo, e uma pequena mancha escura junto à superfície de contacto com o dente vizinho.
Resolução, do ponto de vista técnico (não clínico):
- A zona muito clara corresponde ao esmalte, o tecido mais denso e mais radiopaco do dente.
- A zona intermédia em cinzento corresponde à dentina, menos densa que o esmalte.
- A mancha escura junto ao ponto de contacto é compatível com uma zona de menor densidade nessa área, precisamente onde as cáries interproximais costumam aparecer.
- Importante: identificar tecnicamente estas zonas não é diagnosticar. Cabe sempre ao médico dentista confirmar clinicamente se se trata de uma cárie e decidir a conduta.
3. Equipamentos de radiologia intra oral
O aparelho de raios X intraoral
O equipamento intraoral é o mais usado no dia a dia de um consultório dentário, para radiografias de um dente ou de um pequeno grupo de dentes. É constituído por:
- Cabeça radiogénica: a parte que contém a ampola produtora de raios X.
- Braço articulado: liga a cabeça radiogénica à unidade fixa (parede ou coluna) e permite posicioná-la junto à face do utente, em diferentes ângulos.
- Colimador: peça que limita a forma e o tamanho do feixe à zona de interesse, reduzindo a radiação dispersa e melhorando a qualidade da imagem.
- Painel de comando: onde se selecionam os parâmetros de exposição, sempre de acordo com as indicações do fabricante e as orientações do médico dentista para o caso concreto.
Avaliar o estado dos equipamentos radiológicos
Avaliar o estado do equipamento antes de o usar é um critério de desempenho explícito desta UC, e não uma formalidade. Antes de qualquer exposição, o assistente verifica:
- Se o braço se mantém firme e estável na posição escolhida, sem cair sozinho.
- Se a cabeça radiogénica e o colimador estão íntegros, sem fissuras ou peças soltas.
- Se o temporizador e os comandos do painel respondem de forma previsível.
- Se não há sinais de sobreaquecimento, ruído anormal ou falha intermitente.
Sempre que algo pareça errado, o procedimento correto é não utilizar o equipamento e reportar de imediato ao médico dentista, para que se acione, se necessário, o serviço técnico do fabricante. Continuar a usar um equipamento suspeito, "porque sempre funcionou assim", é um erro grave e evitável.
Responsabilidade partilhada na manutenção
Manter um equipamento de radiologia em bom estado não depende só do momento em que se usa:
- O fabricante define calendários e procedimentos de manutenção e calibração periódica, que o consultório deve cumprir.
- O médico dentista decide quando um equipamento suspeito deve deixar de ser usado até ser revisto.
- O técnico assistente dentário faz a verificação diária antes de cada utilização e regista qualquer anomalia observada.
Esta responsabilidade partilhada evita que pequenos sinais de avaria passem despercebidos até se tornarem um problema maior, seja de segurança, seja de qualidade da imagem.
4. Equipamentos extra orais e tomografia computorizada 3D
Ortopantomógrafo e cefalostato
Quando é preciso uma visão de conjunto, em vez de um único dente, usam-se equipamentos extra orais, tipicamente fixos numa sala dedicada.
- Ortopantomógrafo: a cabeça radiogénica e o recetor de imagem rodam à volta da cabeça do utente, produzindo uma imagem panorâmica que mostra ambas as arcadas dentárias numa única exposição.
- Cefalostato: acessório que fixa a cabeça do utente numa posição padronizada e reprodutível, indispensável para as telerradiografias de perfil, sobretudo em ortodontia.
Estes equipamentos exigem que o utente permaneça imóvel durante todo o ciclo de rotação, que demora mais tempo do que uma exposição intraoral. Um movimento a meio do exame obriga a repetir toda a aquisição.
Tomografia computorizada de feixe cónico (CBCT)
A tomografia computorizada 3D, tipicamente por feixe cónico (Cone Beam Computed Tomography, CBCT), é um equipamento que produz um volume tridimensional da região examinada, em vez de uma imagem plana.
Principais características:
- Permite avaliar estruturas em três dimensões: canais radiculares complexos, posição exata de dentes inclusos, planeamento de implantes, avaliação da ATM ou de estruturas relevantes em cirurgia oral.
- O volume adquirido é processado por software específico de radiologia, que permite navegar por cortes em qualquer plano (axial, coronal, sagital).
- A indicação para um exame 3D é sempre clínica, decidida pelo médico dentista: não substitui a radiografia 2D em todas as situações, sendo reservada para casos que efetivamente beneficiam da informação tridimensional.
- A dose de uma CBCT é, em regra, claramente superior à de uma panorâmica e muito superior à de uma intraoral, e cresce com o campo de visão (o tamanho do volume adquirido). Otimizar, aqui, significa usar o campo de visão mais pequeno que responde à pergunta clínica, escolhido pelo médico dentista.
- O utente tem de ficar completamente imóvel durante a aquisição, com a cabeça fixada pelos apoios do aparelho; um pequeno movimento produz artefactos que podem inutilizar o volume inteiro. Os objetos metálicos (e, por vezes, restaurações e implantes já existentes) também criam artefactos em forma de riscas.
Distinguir os diferentes tipos de radiografias, técnicas radiográficas e de tomografia computorizada é um critério de desempenho central da UC, e este capítulo cobre precisamente essa distinção ao nível dos equipamentos.
Comparar equipamentos intra orais, extra orais e de tomografia
Um resumo comparativo ajuda a fixar as diferenças fundamentais entre os três grandes grupos de equipamentos estudados até aqui:
| Equipamento | Área coberta | Dimensão da imagem | Exemplo de indicação |
|---|---|---|---|
| Intraoral | um dente ou pequeno grupo | plana (2D) | cárie, raiz, osso periapical |
| Extra oral (ortopantomógrafo/cefalostato) | ambas as arcadas ou o crânio de perfil | plana (2D) | visão de conjunto, ortodontia |
| Tomografia computorizada (CBCT) | região definida, em volume | tridimensional (3D) | implantes, ATM, cirurgia oral |
Esta tabela é um bom ponto de partida para qualquer exercício em que seja preciso escolher o equipamento certo para uma situação clínica descrita.
5. Sistemas de imagem digital e software de radiologia
Filme, sensor digital e placa de fósforo
Ao longo dos últimos anos, a radiologia dentária mudou do filme químico para sistemas digitais. Hoje encontram-se sobretudo dois sistemas digitais e, cada vez mais raramente, o filme convencional:
| Sistema | Como funciona | Características |
|---|---|---|
| Filme convencional | revelado com químicos numa câmara escura | cada vez mais raro; sem revelação instantânea |
| Sensor digital (CCD/CMOS) | ligado por cabo ao computador, imagem quase imediata no ecrã | rápido; sensor rígido e sensível, exige cuidado no manuseio |
| Placa de fósforo fotoestimulável (PSP) | placa reutilizável, semelhante ao filme no manuseio, lida depois num scanner próprio | flexível; requer um passo extra de leitura |
A passagem para digital trouxe vantagens claras: menor dose necessária para obter uma imagem diagnóstica, ausência de químicos de revelação, e integração direta com o processo clínico do utente. Mas não elimina a necessidade de proteção radiológica nem de rigor no posicionamento: um sensor digital mal posicionado dá uma imagem tão inútil como um filme mal posicionado.
Processamento da película convencional
Embora cada vez mais rara, a película convencional ainda existe em alguns consultórios, e o seu processamento tem uma sequência fixa, feita na câmara escura (só com luz de segurança) ou numa processadora automática:
- Revelação: a película entra no revelador, que transforma a imagem latente (invisível) em imagem visível, escurecendo as zonas atingidas pela radiação.
- Lavagem intermédia: remove o revelador antes do passo seguinte.
- Fixação: o fixador remove os cristais não expostos e torna a imagem permanente; sem fixação, a película continua a escurecer com a luz.
- Lavagem final: remove os restos de fixador, que de outra forma mancham a película com o tempo.
- Secagem: antes de arquivar a película, identificada.
Os tempos e as temperaturas de cada banho são os do fabricante dos químicos e da película: não se "compensa" um revelador gasto com mais tempo de revelação. Uma imagem demasiado clara ou manchada por químicos esgotados obriga a repetir a exposição, o que contraria a otimização. Os químicos usados, sobretudo o fixador, que contém prata, não se despejam no esgoto: são recolhidos como resíduo químico por um operador autorizado, conforme o circuito de resíduos do consultório.
Software específico de radiologia
O software de radiologia é o recurso informático central desta UC. É onde a imagem é adquirida, tratada e arquivada:
- Aquisição: recebe a imagem do sensor digital em tempo real, ou processa a leitura da placa de fósforo.
- Arquivo: guarda cada imagem associada ao processo clínico do utente correto, com data e identificação inequívoca.
- Ferramentas de análise: ajuste de contraste e brilho, zoom, régua digital de medição, comparação lado a lado entre exames de datas diferentes.
- Exportação e partilha: permite enviar imagens para outros profissionais, sempre respeitando as regras de proteção de dados.
Identificar corretamente cada imagem
Uma imagem sem identificação segura não serve para nada, e uma imagem atribuída ao utente errado é um risco clínico sério. Cada imagem tem de ficar associada a:
- Nome e número de processo do utente.
- Data do exame (e hora, se o sistema o registar).
- Tipo de exame e, nas intraorais, os dentes ou a zona radiografada, em notação FDI (por exemplo, "periapical 36" para o primeiro molar inferior esquerdo, "interproximal direita" para as coroas dos pré-molares e molares superiores e inferiores do lado direito).
- Lado: na película, o ponto em relevo (picote) indica o lado virado para a ampola; no digital, o software orienta a imagem, mas confirma sempre o lado antes de gravar.
As imagens como dados pessoais de saúde
Uma imagem radiográfica é, tal como uma nota clínica, um dado pessoal de saúde, sujeito às mesmas exigências de confidencialidade e proteção de dados que qualquer outra informação clínica do utente. Isto significa, na prática:
- Guardar sempre a imagem associada ao processo correto, nunca solta ou fora do sistema.
- Não partilhar imagens fora dos canais e finalidades clínicas autorizadas.
- Seguir as políticas do consultório sobre acesso, cópia e eliminação de imagens.
Imagens e proteção de dados (RGPD)
As imagens radiográficas são dados relativos à saúde, uma categoria especial de dados pessoais no Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (Regulamento (UE) 2016/679). Na prática:
- Só acede às imagens quem precisa delas para o seu trabalho, com o seu próprio utilizador no software, nunca com a palavra-passe de um colega.
- O ecrã não fica com imagens abertas à vista de outros utentes.
- Não se enviam imagens por email pessoal, redes sociais ou aplicações de mensagens fora dos canais autorizados pelo consultório.
- Um pedido de cópia das imagens pelo utente, ou de envio a outro profissional, segue o procedimento do consultório e passa pelo médico dentista ou pelo responsável indicado.
Backup e continuidade do arquivo digital
Um arquivo de imagens radiográficas é, tal como qualquer outra base de dados clínica, um ativo que se pode perder por avaria informática, erro humano ou falha de armazenamento. Por isso:
- O software específico de radiologia deve ter uma rotina de cópia de segurança (backup) regular, definida pelo consultório.
- O assistente deve conhecer o procedimento básico de guardar e localizar uma imagem no sistema, mesmo sem gerir tecnicamente o servidor.
- Qualquer falha no arquivo ou na gravação de uma imagem deve ser reportada de imediato, para não se perder informação clínica relevante.
6. Radiografias intra orais: tipos e técnicas
Periapical, interproximal e oclusal
As radiografias intra orais dividem-se em três tipos, cada um com uma finalidade clínica distinta:
- Periapical: mostra o dente na íntegra, da coroa ao ápice da raiz, incluindo o osso à sua volta. É a escolha para avaliar raízes, periápice e osso de suporte.
- Interproximal (bitewing): mostra numa só imagem as coroas dos dentes superiores e inferiores da mesma zona. É a técnica de referência para detetar cáries interproximais numa fase inicial e para avaliar o nível ósseo entre dentes vizinhos.
- Oclusal: cobre uma área mais alargada do maxilar ou da mandíbula do que a periapical, útil para localizar dentes inclusos, lesões extensas ou quando o utente não tolera o posicionamento habitual.
Técnica do paralelismo
A técnica do paralelismo é a técnica de referência para radiografias intra orais:
- O recetor de imagem é colocado paralelo ao longo eixo do dente a examinar, com o auxílio de um posicionador próprio.
- O feixe de raios X incide perpendicularmente ao recetor.
- Esta geometria produz a imagem mais fiel possível, sem distorções de tamanho ou de forma.
Técnica da bissetriz
Quando a anatomia do utente não permite o paralelismo (por exemplo, um palato muito raso ou um soalho da boca pouco profundo), usa-se a técnica da bissetriz:
- Traça-se, mentalmente, o ângulo formado entre o longo eixo do dente e o plano do recetor.
- O feixe incide perpendicularmente à bissetriz desse ângulo.
- É uma técnica de compromisso: funciona quando o paralelismo não é possível, mas introduz mais risco de distorção do que a técnica do paralelismo.
Exemplo resolvido: escolher a técnica e o tipo certos
Situação: é preciso avaliar se existe cárie entre dois molares vizinhos, sem suspeita de problema na raiz ou no osso periapical.
Resolução:
- O tipo de radiografia indicado é a interproximal (bitewing), porque mostra diretamente a zona de contacto entre coroas, onde as cáries interproximais se formam.
- A técnica de posicionamento a privilegiar é o paralelismo, sempre que a anatomia do utente o permitir, por dar a imagem mais fiel.
- Se o paralelismo não for possível para aquele utente em concreto, recorre-se à técnica da bissetriz, sabendo que introduz mais risco de distorção.
- Em qualquer dos casos, a decisão final sobre o tipo de radiografia pedido é sempre do médico dentista; o assistente aplica a técnica de posicionamento sob essa orientação.
Quando usar a radiografia oclusal
A radiografia oclusal é menos frequente do que a periapical e a interproximal, mas continua a ser um tipo de referência a distinguir:
- Cobre uma área bastante mais alargada de um só maxilar ou mandíbula.
- É útil para localizar dentes inclusos, avaliar lesões extensas ou situações em que o utente não tolera o posicionamento intraoral habitual (por exemplo, dificuldade em manter um recetor pequeno na boca).
- Não substitui a periapical quando o objetivo é o detalhe fino de uma raiz ou de uma zona periapical específica.
Saber escolher entre periapical, interproximal e oclusal, consoante o objetivo clínico descrito, é exatamente o tipo de exercício que costuma aparecer nas fichas desta UC.
7. Radiografias extra orais: tipos
Ortopantomografia (panorâmica)
A ortopantomografia, ou radiografia panorâmica, é a extra oral mais usada em medicina dentária. Numa única exposição mostra:
- Ambas as arcadas dentárias, superior e inferior.
- Os seios maxilares.
- As articulações temporo-mandibulares.
- Parte das estruturas ósseas vizinhas (fossas nasais, ramo mandibular).
É uma imagem de conjunto, útil para avaliação pré-implante, pré-ortodôntica, localização de dentes inclusos ou deteção de lesões mais extensas. Não substitui, no entanto, a definição de detalhe de uma boa periapical ou interproximal quando se procura uma cárie inicial ou um detalhe fino de uma raiz.
Posicionar o utente no ortopantomógrafo
A panorâmica só mostra com nitidez o que está dentro de uma faixa curva, a camada de imagem (ou "calha focal"), com a forma aproximada das arcadas. Tudo o que fica à frente ou atrás dessa faixa sai desfocado, estreitado ou alargado. Por isso, quase todos os defeitos de uma panorâmica são erros de posicionamento, e é aqui que a coadjuvação do assistente mais conta.
Sequência de posicionamento, sempre de acordo com o manual do equipamento:
- Retirar tudo o que é metálico da cabeça e do pescoço (brincos, piercings, colares, ganchos, óculos, próteses removíveis) e não colocar colar de tiroide.
- Colocar uma barreira descartável no bloco de mordida e nos apoios que tocam no utente.
- Pedir ao utente, de pé ou sentado conforme o aparelho, que fique com as costas direitas e o pescoço esticado, como se desse um passo em frente, sem encolher os ombros.
- Pedir que morda o bloco de mordida com os incisivos superiores e inferiores topo a topo no entalhe próprio.
- Alinhar o plano sagital médio (a linha que divide a face ao meio) com a luz de referência vertical, sem rodar nem inclinar a cabeça.
- Colocar o plano de Frankfurt (do bordo inferior da órbita ao bordo superior do canal auditivo) horizontal, com a luz de referência horizontal.
- Ajustar a luz da linha dos caninos, quando o aparelho a tiver, para colocar as arcadas dentro da camada de imagem.
- Pedir que feche os lábios à volta do bloco, encoste a língua ao palato e fique imóvel até o aparelho parar.
Erros de posicionamento na panorâmica e como se reconhecem
| Erro | O que se vê na imagem | Como se evita |
|---|---|---|
| Queixo demasiado baixo (Frankfurt inclinado para baixo à frente) | plano oclusal muito curvado para cima, em "sorriso" exagerado; incisivos inferiores desfocados e encurtados | Frankfurt horizontal |
| Queixo demasiado alto (Frankfurt inclinado para cima à frente) | plano oclusal plano ou curvado para baixo, em "boca triste"; palato duro sobreposto às raízes superiores | Frankfurt horizontal |
| Cabeça rodada ou fora da linha média | dentes de um lado mais largos do que os do outro; ramos da mandíbula assimétricos | plano sagital médio alinhado com a luz |
| Utente demasiado à frente | dentes anteriores estreitos e desfocados | incisivos topo a topo no entalhe do bloco |
| Utente demasiado atrás | dentes anteriores alargados e desfocados | incisivos topo a topo no entalhe do bloco |
| Língua afastada do palato | faixa escura (ar) sobre as raízes dos dentes superiores | pedir para encostar a língua ao palato durante todo o ciclo |
| Coluna encolhida | sombra clara vertical sobre a zona dos incisivos | costas direitas e pescoço esticado |
| Objetos metálicos | imagem do objeto e uma "imagem fantasma" desfocada no lado oposto | retirar todo o metal antes |
| Movimento durante o ciclo | contornos ondulados ou "em degrau" numa zona da imagem | explicar bem, pedir imobilidade |
Reconhecer estes erros não é diagnosticar: é avaliar a qualidade técnica da imagem. Quando detetas um destes sinais, mostras a imagem ao médico dentista, que decide se a imagem serve ou se é preciso repetir.
Exemplo resolvido: ler um erro de posicionamento
Situação: numa panorâmica acabada de adquirir, os dentes do lado direito aparecem bem mais largos do que os do lado esquerdo, e o plano oclusal tem uma curva normal.
Resolução:
- A curva do plano oclusal está normal, logo o plano de Frankfurt estava bem colocado.
- A diferença de largura entre os dois lados indica que a cabeça estava rodada ou fora da linha média: um lado ficou fora da camada de imagem.
- Mostras a imagem ao médico dentista, explicando o que observaste tecnicamente; ele decide se a imagem responde à pergunta clínica ou se é preciso repetir.
- Se houver repetição, alinhas com cuidado o plano sagital médio com a luz de referência antes do novo disparo.
Telerradiografia (cefalométrica)
A telerradiografia de perfil, também chamada cefalométrica, é uma imagem do crânio de perfil, obtida a uma distância padronizada com o recurso do cefalostato. É usada sobretudo em ortodontia, para medir relações entre os maxilares, a posição dos dentes e o perfil facial.
Como as medições cefalométricas se comparam entre exames e entre utentes, o posicionamento tem de ser reprodutível:
- As olivas auriculares do cefalostato entram suavemente nos canais auditivos, para fixar a cabeça.
- O plano sagital médio fica paralelo ao recetor e o plano de Frankfurt horizontal.
- O apoio nasal encosta ao ponto de referência indicado pelo fabricante.
- Os dentes ficam em oclusão (dentes cerrados na posição habitual) e os lábios relaxados, salvo outra indicação do médico dentista.
- O colar de tiroide pode ser usado se o protocolo o previr, desde que não tape as estruturas que o médico dentista precisa de medir.
Radiografias da ATM
As radiografias da articulação temporo-mandibular (ATM) captam esta articulação, por vezes em diferentes posições (boca fechada e boca aberta), permitindo avaliar o seu comportamento funcional. Reconhecer a anatomia e a função da ATM, estudada noutra unidade curricular do curso, ganha aqui uma aplicação prática direta em imagem.
Distinguir os diferentes tipos de radiografias extra orais, tal como as intra orais, é parte do mesmo critério de desempenho que atravessa toda a unidade curricular.
8. Preparar o utente e coadjuvar na execução
Coadjuvar na preparação do utente
Antes de qualquer exposição, o assistente prepara o utente para a técnica radiográfica indicada:
- Explicar, em linguagem simples e tranquilizadora, o que vai acontecer e a importância de permanecer imóvel durante a exposição.
- Pedir a remoção de objetos metálicos da zona a radiografar: óculos, brincos, colares, próteses removíveis, piercings orais.
- Colocar os meios de proteção do utente que o protocolo do consultório e o médico dentista definirem para aquele exame: o colar de proteção da tiroide justifica-se sobretudo em crianças e quando a tiroide fica perto do feixe primário (por exemplo, numa oclusal superior); o avental plumbífero já não é recomendado por rotina nas orientações mais recentes, mas muitos consultórios continuam a usá-lo, e cumpre-se o protocolo interno (ver capítulo 9).
- Confirmar, através do processo clínico ou junto do utente, situações que exijam atenção especial (por exemplo, gravidez), remetendo sempre a decisão clínica sobre a conduta a seguir para o médico dentista.
Coadjuvar na preparação do utente para a realização das diversas técnicas radiográficas é um critério de desempenho explícito da UC, e é também o momento em que se evitam a maioria dos erros que obrigam a repetir exames.
Coadjuvar na execução da radiografia
Depois de preparado o utente, o assistente coadjuva na execução técnica do exame:
- Posicionar o recetor de imagem (sensor digital, placa de fósforo ou filme) no local correto, com o auxílio de um posicionador sempre que aplicável.
- Orientar o utente a morder ou a manter a posição indicada, consoante a técnica.
- Ajustar o braço e a cabeça radiogénica do equipamento, ou posicionar o utente no equipamento extra oral (ortopantomógrafo ou cefalostato).
- Confirmar o parâmetro de exposição selecionado, de acordo com o equipamento e a indicação do médico dentista.
- Acionar a exposição apenas sob orientação e responsabilidade do médico dentista, afastando-se sempre para a zona protegida antes de disparar.
- Verificar, imediatamente a seguir, se a imagem obtida tem qualidade diagnóstica suficiente ou se será necessário repetir o exame, decisão que cabe ao médico dentista.
Coadjuvar na execução de radiografias intra e extra orais, de acordo com as orientações médicas, é um dos critérios de desempenho mais diretamente avaliados desta unidade curricular, e resume, na prática, tudo o que foi estudado nos capítulos anteriores sobre equipamentos, tipos e técnicas.
9. Segurança radiológica: princípios e meios de proteção
Os três princípios da proteção radiológica
Toda a legislação de proteção radiológica, europeia e portuguesa, assenta em três princípios gerais. Convém conhecê-los pelo nome, porque aparecem em qualquer formação, fiscalização ou protocolo:
| Princípio | O que diz | Quem o aplica no consultório |
|---|---|---|
| Justificação | uma exposição só se faz se o benefício esperado for maior do que o prejuízo da radiação | o médico dentista, que prescreve o exame com base na história e no exame clínico |
| Otimização | cada exposição usa a dose mais baixa que ainda dá a informação necessária (é o princípio ALARA) | toda a equipa: técnica correta, colimação, parâmetros adequados, evitar repetições |
| Limitação de dose | as doses dos trabalhadores e do público não podem ultrapassar os limites fixados na lei | o titular da instalação, com a vigilância dosimétrica e a blindagem da sala |
Um ponto que costuma confundir: os limites de dose não se aplicam ao utente. Para o utente, a proteção faz-se pela justificação (só se faz o exame necessário) e pela otimização (faz-se bem à primeira, com a menor dose útil). Os limites são para quem trabalha com radiação e para o público.
O assistente não decide a justificação de nenhum exame: se tiver dúvidas sobre um pedido (por exemplo, um exame que parece repetido), pergunta ao médico dentista, nunca cancela nem acrescenta exames por iniciativa própria.
O princípio ALARA
Toda a proteção radiológica em medicina dentária assenta no princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable): manter a exposição à radiação tão baixa quanto razoavelmente possível, sem comprometer a qualidade diagnóstica da imagem. Este princípio concretiza-se em três regras práticas:
- Tempo: reduzir ao mínimo o tempo de exposição necessário para obter a imagem.
- Distância: afastar-se o máximo possível da fonte de radiação durante o disparo, já que a intensidade diminui rapidamente com a distância (se a distância duplica, a dose cai para cerca de um quarto: é a lei do inverso do quadrado).
- Blindagem: interpor materiais que atenuam a radiação, como chumbo ou barreiras plumbíferas, entre a fonte e quem não precisa de estar exposto.
Executar os procedimentos de segurança radiológica, sob orientação médica, é um critério de desempenho central desta UC, e o princípio ALARA é o fio condutor de todos esses procedimentos.
Meios de proteção radiológica
Utilizar os meios de proteção radiológica, de acordo com as orientações médicas, significa conhecer bem para que serve cada um:
| Meio de proteção | Protege | Quando se usa |
|---|---|---|
| Colimação retangular e posicionadores | o utente (menos área irradiada, menos repetições) | em todas as radiografias intra orais, sempre que o equipamento o permita |
| Colar de proteção da tiroide | a glândula tiroide do utente | sobretudo em crianças e quando a tiroide fica perto do feixe primário, conforme o protocolo; não se usa na panorâmica, porque fica no caminho do feixe e cria uma sombra que esconde a zona anterior da mandíbula |
| Avental plumbífero | o tronco do utente | as orientações mais recentes já não o recomendam por rotina em radiologia dentária (a radiação dispersa que chega ao tronco é mínima); usa-se se o protocolo do consultório ou o médico dentista o indicarem |
| Biombo/barreira plumbífera e blindagem da sala | o profissional e quem está nas salas vizinhas | permite disparar afastado, fora do feixe |
| Dosímetro individual | não protege: mede a dose recebida pelo profissional | quando aplicável, conforme a classificação do trabalhador; usa-se durante todo o trabalho, no local do corpo indicado pelo serviço de dosimetria |
A colimação, os posicionadores e o colar de tiroide protegem sobretudo o utente; o biombo e a blindagem protegem o profissional, que está repetidamente exposto ao longo do dia de trabalho, ao contrário de um utente que faz um exame pontual. O dosímetro não reduz a dose de ninguém: é o instrumento que permite vigiar se a proteção está a funcionar.
Sobre o avental plumbífero vale a pena perceber a mudança. Durante décadas, o avental foi colocado "por hábito" em todos os exames. As orientações europeias de proteção radiológica em radiologia dentária já diziam que o seu uso por rotina não se justifica, e em 2023 e 2024 as academias e associações de radiologia oral norte-americanas recomendaram deixar de usar avental e colar de tiroide por rotina, porque as doses em radiologia dentária são muito baixas e a proteção realmente eficaz é a colimação. Em Portugal, o que conta no teu dia a dia é o protocolo do consultório e a indicação do médico dentista: se o protocolo manda colocar, colocas; o que não fazes é tratar o avental como substituto da colimação, dos posicionadores ou da distância.
A sala de radiologia como meio de proteção
A própria sala onde se realizam os exames é, em si mesma, um meio de proteção coletiva:
- Blindagem estrutural: paredes, portas e, por vezes, vidros com revestimento que atenuam a radiação, evitando que ela se propague para áreas vizinhas.
- Sinalização visível de zona controlada, sobretudo durante a exposição.
- Acesso restrito durante o disparo: só o utente permanece na sala, salvo necessidade justificada de acompanhamento.
- Disposição do biombo ou barreira de forma a permitir ao profissional ver e comunicar com o utente sem estar exposto ao feixe direto.
Estas características fazem parte do licenciamento da instalação, tratado com mais detalhe no capítulo sobre legislação.
Onde te colocas no momento do disparo
A proteção do profissional decide-se, na prática, no segundo em que se carrega no botão. As regras são simples e não têm exceções:
- Atrás da barreira, sempre que exista (biombo, parede, porta com blindagem). É a melhor opção.
- Se não houver barreira na sala, pelo menos cerca de 2 metros da cabeça radiogénica e fora do feixe primário, numa posição a 90 a 135 graus em relação à direção do feixe. Nesta zona, a radiação que chega é apenas a dispersa pelo utente, que é muito menor.
- Nunca na direção para onde o feixe aponta, nem atrás da cabeça do utente, no prolongamento do feixe.
- O botão de disparo deve permitir estas posições (cabo extensível ou comando fora da sala). Se não permitir, reporta ao médico dentista: é uma falha da instalação, não um problema a resolver ficando mais perto.
Nunca seguras o recetor de imagem, a cabeça radiogénica ou o utente durante a exposição. Se um utente não conseguir manter a posição sozinho (por exemplo, uma criança pequena ou um utente com limitações motoras), a decisão sobre como proceder é do médico dentista; quando for preciso amparar o utente, é em regra um acompanhante que o faz, informado e protegido, nunca um profissional do consultório e nunca uma pessoa grávida.
Exemplo resolvido: escolher a posição no disparo
Situação: vais coadjuvar numa periapical do dente 36 (primeiro molar inferior esquerdo). A sala não tem biombo e o comando de disparo tem um cabo de 3 metros. A cabeça radiogénica está apontada da esquerda do utente para a direita.
Resolução:
- O feixe primário atravessa a face do utente da esquerda para a direita e continua nessa direção: a zona à direita do utente, no prolongamento do feixe, está proibida.
- Com o cabo de 3 metros, afastas-te pelo menos 2 metros da cabeça radiogénica.
- Colocas-te numa posição a 90 a 135 graus da direção do feixe, por exemplo atrás e ligeiramente ao lado da cadeira, fora do caminho do feixe.
- Confirmas que mais ninguém ficou na sala e só depois disparas, sob orientação do médico dentista.
Exemplo resolvido: aplicar o ALARA numa situação concreta
Situação: vais realizar uma radiografia periapical a uma criança.
Resolução:
- Justificação: confirmar que o exame foi pedido pelo médico dentista, com um motivo clínico claro.
- Preparação: colocar o colar de tiroide na criança, dada a maior sensibilidade nesta faixa etária, e os restantes meios que o protocolo do consultório preveja (o avental, se o protocolo o mandar usar); escolher um recetor e um posicionador de tamanho pediátrico.
- Tempo: usar o parâmetro de exposição mais baixo indicado para a idade e a região, conforme as instruções do fabricante e do médico dentista.
- Distância: afastar-se para trás da barreira ou para a distância mínima recomendada antes de disparar.
- Blindagem: garantir que o colimador está bem ajustado, limitando o feixe à zona de interesse.
Este exemplo mostra como as regras de tempo, distância e blindagem, mais os meios de proteção física, se combinam numa única exposição real.
10. Riscos da radiação e boas práticas
Riscos inerentes à exposição à radiação X
A radiação X, sendo ionizante, pode ter efeitos biológicos nos tecidos quando a exposição é excessiva. Alguns pontos importantes para situar corretamente este risco:
- O risco relevante em radiologia dentária relaciona-se sobretudo com a dose acumulada ao longo do tempo, não com uma única exposição pontual e clinicamente justificada.
- Há grupos que exigem atenção redobrada, como grávidas e crianças, cuja conduta é sempre avaliada e decidida pelo médico dentista.
- Os profissionais que trabalham repetidamente com radiação estão mais expostos ao risco acumulado do que qualquer utente individual, daí a importância da vigilância com dosímetro.
Os parâmetros de exposição de cada exame (tensão, corrente, tempo) dependem do equipamento e do fabricante: consultam-se sempre no manual do aparelho e nos protocolos do consultório, nunca "de memória". Já os limites de dose dos trabalhadores e do público estão fixados na lei e são tratados no capítulo 11.
Para ter uma ordem de grandeza da diferença entre exames: uma radiografia intraoral é o exame de menor dose; a panorâmica tem uma dose várias vezes superior à de uma intraoral; e a CBCT tem, em regra, uma dose claramente superior à da panorâmica, variável com o equipamento e com o tamanho do volume adquirido. É por isso que a CBCT só se faz quando a informação 3D é realmente necessária e com o volume mais pequeno que responde à pergunta clínica.
Grupos que exigem atenção redobrada
Alguns utentes exigem uma ponderação clínica mais cuidadosa antes de qualquer exposição, sempre feita pelo médico dentista:
- Grávidas: a decisão sobre realizar ou adiar um exame, e sobre que proteção adicional usar, é sempre clínica e caso a caso.
- Crianças: têm tecidos em desenvolvimento, o que reforça a importância da colimação, do colar de tiroide bem ajustado ao seu tamanho, de recetores e posicionadores pediátricos e de parâmetros de exposição adequados à idade.
- Utentes já submetidos a múltiplos exames recentes: reforça a necessidade de confirmar se um novo exame é mesmo indispensável.
Nestas situações, o papel do assistente é sinalizar a informação relevante (por exemplo, uma gravidez referida pelo utente) e cumprir escrupulosamente a orientação que o médico dentista definir, nunca decidir por iniciativa própria.
Regras de boas práticas
- Só se realiza uma radiografia quando existe justificação clínica clara, decidida pelo médico dentista.
- Usa-se sempre o colimador e o parâmetro de exposição mais baixo que ainda garanta uma imagem diagnóstica útil (princípio da otimização).
- A sala de radiologia mantém-se sinalizada e com acesso controlado durante a exposição.
- Nunca se segura o recetor de imagem com a mão dentro do feixe: usam-se sempre posicionadores próprios.
- Regista-se sempre, no processo clínico, o exame realizado.
Exemplo resolvido: identificar o desvio a uma boa prática
Situação: para poupar tempo entre dois utentes, um colega segura o recetor de imagem com a mão enluvada, em vez de usar o posicionador, e dispara a exposição a partir do lado do utente, sem recorrer ao biombo.
Resolução:
- Há dois desvios às boas práticas nesta situação: segurar o recetor com a mão dentro do feixe, e disparar sem usar a barreira de proteção disponível.
- A correção passa por usar sempre um posicionador para segurar o recetor, e por se afastar sempre para trás do biombo ou para a distância mínima recomendada antes de disparar.
- "Poupar tempo" nunca justifica saltar uma regra de proteção radiológica: o princípio ALARA aplica-se sempre, mesmo sob pressão de agenda.
11. Legislação e normas de segurança e saúde no trabalho
Enquadramento legal da radiologia dentária
O uso de radiação ionizante em medicina dentária está sujeito a legislação específica de proteção radiológica. Em Portugal, o diploma de base é o Decreto-Lei n.º 108/2018, de 3 de dezembro, que estabelece o regime jurídico da proteção radiológica e transpõe para o direito português a Diretiva 2013/59/Euratom (as "normas de segurança de base" europeias). A autoridade competente em matéria de proteção radiológica é a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que gere também o Registo Central de Doses dos trabalhadores expostos.
O que este enquadramento define, com impacto direto no consultório:
- Os três princípios gerais: justificação, otimização e limitação de dose (capítulo 9).
- O controlo regulador das instalações e dos equipamentos: o titular tem de cumprir os requisitos de registo ou licenciamento aplicáveis antes de pôr um equipamento a funcionar.
- As regras das exposições médicas: cada exposição é prescrita e justificada por um profissional habilitado (em medicina dentária, o médico dentista), que assume a responsabilidade clínica; os aspetos práticos podem ser executados por outros profissionais com formação adequada, sob essa responsabilidade.
- Os limites de dose para trabalhadores expostos e membros do público, a classificação dos trabalhadores e a vigilância dosimétrica.
- A formação em proteção radiológica de quem trabalha com radiação, e a manutenção e controlo de qualidade dos equipamentos.
Limites de dose que deves conhecer
| A quem se aplica | Limite |
|---|---|
| Trabalhador exposto | 20 mSv por ano de dose efetiva |
| Membro do público | 1 mSv por ano de dose efetiva |
| Trabalhadora grávida, depois de comunicar a gravidez | a dose no nascituro não pode exceder 1 mSv durante o resto da gravidez, e deve ser tão baixa quanto razoavelmente possível |
Três notas para ler bem esta tabela:
- O mSv (milisievert) é a unidade de dose efetiva, que traduz o risco da radiação para o organismo.
- Os limites não se aplicam ao utente que faz o exame: para ele valem a justificação e a otimização.
- Uma assistente que engravide deve comunicar a gravidez ao empregador o mais cedo possível: a partir daí, as condições de trabalho têm de garantir a proteção do nascituro. A decisão sobre essas condições é do empregador, com o apoio de quem assegura a proteção radiológica da instalação, e não da própria trabalhadora sozinha.
Com uma boa técnica (barreira, distância, nunca segurar o recetor), as doses de quem trabalha em radiologia dentária ficam muito abaixo destes limites. É precisamente para o demonstrar que existe a vigilância dosimétrica.
A legislação é alterada de tempos a tempos: antes de afixar um número num protocolo, confirma-o no Diário da República e nas páginas da APA, e não em "regras informais" transmitidas de boca em boca.
Normas de segurança e saúde no trabalho
Além da legislação específica de radioproteção, aplicam-se as normas gerais de segurança e saúde no trabalho a quem opera equipamento de radiologia:
- Vigilância da saúde dos profissionais expostos e, quando aplicável conforme a classificação do trabalhador, vigilância dosimétrica com dosímetro individual e registo de dose ao longo do tempo.
- Formação obrigatória em proteção radiológica para quem opera o equipamento.
- Sinalização clara da sala de radiologia e das zonas de acesso controlado.
- Manutenção periódica, feita por técnicos qualificados, com registo de cada intervenção.
Aplicar as regras e normas definidas é um critério de desempenho transversal desta UC: aparece tanto na legislação de radioproteção como em cada procedimento técnico do dia a dia.
Quem participa na cadeia de segurança
A segurança radiológica de um gabinete não depende de uma só pessoa:
- O médico dentista decide a justificação clínica de cada exame e supervisiona todo o processo.
- O técnico assistente dentário coadjuva, prepara, executa tecnicamente e cumpre as regras de proteção.
- O serviço técnico do fabricante garante a manutenção e a calibração do equipamento.
- A entidade reguladora fiscaliza o cumprimento da legislação de proteção radiológica.
Documentação e registos
O cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho traduz-se, na prática, em documentação que o consultório deve manter organizada:
- Registo de manutenção e calibração de cada equipamento, com datas e intervenções.
- Registo de dose de cada profissional com vigilância dosimétrica, a partir do dosímetro individual (as doses são comunicadas ao Registo Central de Doses da APA).
- Certificados de formação em proteção radiológica de quem opera o equipamento.
- Licenças e autorizações da instalação, atualizadas e acessíveis em caso de fiscalização.
Mesmo não sendo o assistente o responsável direto por esta documentação, é importante que a saiba identificar e que perceba porque existe: sem registo, uma boa prática de segurança não é demonstrável.
12. Limpeza e higienização do gabinete de radiologia
Higienizar o equipamento e o gabinete
Garantir a limpeza e higienização dos equipamentos, instrumentos e materiais utilizados, bem como do gabinete de radiologia, é um critério de desempenho explícito desta UC, e faz parte da rotina entre cada utente:
- Desinfetar a cabeça radiogénica, o braço articulado e todas as superfícies tocadas durante o exame.
- Reprocessar os posicionadores e outros instrumentos reutilizáveis que entram na boca: limpeza e, sempre que o material o permita, esterilização em autoclave, seguindo as instruções do fabricante (ver a classificação de Spaulding, abaixo).
- Manter o gabinete arrumado, sem material desnecessário à vista durante os exames.
Proteção de barreira e controlo de infeção em radiologia digital
Os sistemas digitais têm particularidades próprias de controlo de infeção:
- Usar barreiras descartáveis de proteção em sensores digitais e placas de fósforo, trocadas a cada utente.
- Nunca submergir sensores digitais em líquidos, salvo indicação expressa do fabricante: são dispositivos eletrónicos sensíveis e caros.
- Eliminar corretamente todo o material descartável, seguindo as regras gerais de biossegurança do gabinete.
Classificação de Spaulding aplicada à radiologia
Os materiais de radiologia seguem as mesmas Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI) do resto do consultório (Norma DGS n.º 029/2012), e o nível de reprocessamento de cada um decide-se pela classificação de Spaulding, que olha para o tipo de contacto com o utente:
| Categoria | Contacto | Exemplos em radiologia | Reprocessamento |
|---|---|---|---|
| Crítico | penetra tecidos ou entra em zonas estéreis | raramente existe em radiologia | esterilização |
| Semicrítico | contacta com mucosas | posicionadores, sensores digitais, placas de fósforo, bloco de mordida | esterilização ou desinfeção de alto nível; nos sensores e nas placas, que não toleram autoclave, barreira descartável a cada utente e desinfeção conforme o fabricante |
| Não crítico | contacta só com pele intacta | cabeça radiogénica, braço, apoios de queixo e de cabeça, avental, comando | limpeza e desinfeção de nível baixo ou intermédio |
A barreira do sensor não dispensa a desinfeção: as barreiras podem ter microperfurações ou ser retiradas de forma a contaminar o sensor. Por isso, depois de retirar a barreira, o sensor é sempre desinfetado com o produto e o método que o fabricante aprova.
Cuidados próprios das placas de fósforo
As placas de fósforo são reutilizáveis mas frágeis, e têm um passo extra que é fácil fazer mal:
- Depois da exposição, retira-se a placa da boca ainda dentro da barreira.
- Com as luvas contaminadas, abre-se a barreira e deixa-se cair a placa, sem lhe tocar, sobre uma superfície limpa ou para o tabuleiro do scanner.
- Retiram-se as luvas contaminadas antes de manusear a placa limpa e o scanner.
- Lê-se a placa no scanner, que também a apaga para a utilização seguinte.
- Inspeciona-se a placa: riscos, dobras ou manchas passam a aparecer em todas as imagens futuras, e uma placa danificada deve ser retirada de uso, reportando ao responsável.
As placas protegem-se da luz forte entre a exposição e a leitura, porque a luz apaga parte da imagem latente.
Um sensor mal higienizado não é só um risco de infeção: compromete também o funcionamento e a vida útil de um equipamento caro, que é responsabilidade de todos preservar.
Exemplo resolvido: organizar a rotina de higienização entre utentes
Situação: terminaste uma radiografia periapical com sensor digital e o próximo utente já está à espera.
Resolução, passo a passo:
- Remover e eliminar corretamente a barreira descartável que protegia o sensor, seguindo as regras de biossegurança do gabinete.
- Desinfetar o sensor pela superfície externa, seguindo as instruções do fabricante e sem o submergir em qualquer líquido.
- Desinfetar a cabeça radiogénica, o braço e as superfícies de apoio tocadas durante o exame anterior.
- Colocar uma nova barreira descartável no sensor antes do exame seguinte.
- Confirmar que a imagem do exame anterior ficou corretamente guardada no processo do utente antes de avançar.
Esta sequência simples, repetida com rigor entre cada utente, é a diferença entre um gabinete seguro e um gabinete com risco de infeção cruzada.
Erros comuns
- Diagnosticar ou decidir sozinho a partir de uma imagem, ultrapassando o papel de coadjuvação do assistente.
- Ignorar uma avaria ou um comportamento estranho do equipamento, "porque sempre funcionou assim".
- Preparar o tipo de radiografia errado para a questão clínica, por exemplo uma periapical quando o médico dentista pediu uma interproximal para procurar uma cárie inicial.
- Segurar o recetor de imagem com a mão dentro do feixe, em vez de usar um posicionador.
- Esquecer a colimação ou o colar de tiroide quando o protocolo o prevê, sobretudo em crianças; ou, ao contrário, pôr o colar numa panorâmica, onde tapa a zona anterior da mandíbula.
- Submergir um sensor digital em líquidos de desinfeção, danificando um equipamento sensível e caro.
- Guardar imagens fora do processo clínico correto do utente.
- Repetir exames por descuido no posicionamento, expondo o utente sem necessidade.
- Disparar sem confirmar que todos os presentes, incluindo o próprio, estão fora do feixe direto.
- Tratar as atitudes profissionais (rigor, responsabilidade, sentido crítico) como secundárias face à técnica, quando ambas são igualmente avaliadas.
Glossário
- Radiologia dentária: uso da radiação X para obter imagens de diagnóstico das estruturas dentárias e ósseas.
- Radiopaco: que absorve muita radiação; aparece claro/branco na imagem.
- Radiolúcido: que absorve pouca radiação; aparece escuro na imagem.
- Cabeça radiogénica: parte do equipamento que contém a ampola produtora de raios X.
- Colimador: peça que limita o feixe de raios X à zona de interesse.
- Ortopantomógrafo: equipamento extra oral que produz a radiografia panorâmica.
- Cefalostato: acessório que fixa a cabeça do utente para a telerradiografia.
- CBCT: tomografia computorizada de feixe cónico, que produz imagem tridimensional.
- Sensor digital (CCD/CMOS): recetor de imagem digital ligado ao computador.
- Placa de fósforo (PSP): recetor de imagem digital reutilizável, lido num scanner próprio.
- Periapical, interproximal, oclusal: tipos de radiografia intra oral.
- Paralelismo, bissetriz: técnicas de posicionamento do recetor de imagem intra oral.
- Telerradiografia (cefalométrica): radiografia de perfil do crânio, usada sobretudo em ortodontia.
- ALARA: princípio de proteção radiológica: manter a exposição tão baixa quanto razoavelmente possível.
- Colar de tiroide, avental plumbífero: meios de proteção do utente; o colar usa-se sobretudo em crianças e quando a tiroide está perto do feixe; o avental já não é recomendado por rotina, segue-se o protocolo do consultório.
- Dosímetro individual: dispositivo que regista a dose de radiação recebida por um profissional ao longo do tempo.
- Justificação, otimização e limitação de dose: os três princípios gerais da proteção radiológica.
- mSv (milisievert): unidade de dose efetiva; o limite anual para um trabalhador exposto é 20 mSv e para o público 1 mSv.
- Decreto-Lei n.º 108/2018: diploma que estabelece o regime jurídico da proteção radiológica em Portugal e transpõe a Diretiva 2013/59/Euratom.
- Plano de Frankfurt: plano que passa pelo bordo inferior da órbita e pelo bordo superior do canal auditivo externo; deve ficar horizontal na panorâmica e na telerradiografia.
- Revelador e fixador: soluções químicas do processamento da película convencional; o revelador torna visível a imagem, o fixador torna-a permanente.
Síntese
Esta unidade curricular ensina-te a coadjuvar o médico dentista em radiologia dentária, do princípio ao fim do processo: perceber porque se faz radiologia e como se forma a imagem, reconhecer e avaliar os equipamentos intra orais, extra orais e de tomografia computorizada 3D, dominar os sistemas de imagem e o software específico de radiologia, distinguir tipos e técnicas radiográficas, e sobretudo preparar o utente, executar em segurança sob o princípio ALARA e os meios de proteção adequados, cumprir a legislação e as normas de segurança e saúde no trabalho, e manter o gabinete limpo e higienizado. Em todos estes passos, a fronteira entre coadjuvar e diagnosticar/prescrever mantém-se constante: o assistente executa com rigor, responsabilidade e sentido crítico, sempre sob orientação do médico dentista.
Exercícios resolvidos
1. Um colega diz que "a radiografia já dá o diagnóstico sozinha". Como corriges essa ideia?
Resolução: a radiografia é um exame complementar de diagnóstico, que se junta à observação clínica e à anamnese feitas pelo médico dentista. A imagem mostra informação técnica (zonas radiopacas e radiolúcidas, estruturas anatómicas), mas é o médico dentista que interpreta clinicamente essa informação e chega ao diagnóstico. O assistente nunca diagnostica a partir da imagem.
2. Precisas de avaliar se existe cárie entre dois molares vizinhos. Que tipo de radiografia e que técnica de posicionamento privilegias?
Resolução: o tipo indicado é a interproximal (bitewing), porque mostra diretamente a zona de contacto entre coroas. A técnica de posicionamento a privilegiar é o paralelismo, por dar a imagem mais fiel; só se recorre à técnica da bissetriz quando a anatomia do utente não permite o paralelismo.
3. Antes de uma radiografia panorâmica, que cuidados de preparação do utente são essenciais?
Resolução: explicar o procedimento e a necessidade de imobilidade durante toda a rotação do aparelho; pedir a remoção de objetos metálicos (óculos, brincos, próteses removíveis); aplicar os meios de proteção previstos no protocolo do consultório, lembrando que o colar de tiroide não se usa na panorâmica (fica no caminho do feixe); pôr o bloco de mordida protegido por barreira; e posicionar corretamente o utente no ortopantomógrafo (plano sagital médio centrado, plano de Frankfurt horizontal, língua encostada ao palato).
4. Explica o princípio ALARA e as três regras práticas que o concretizam.
Resolução: ALARA significa manter a exposição à radiação tão baixa quanto razoavelmente possível. As três regras são: tempo (expor o mínimo tempo necessário), distância (afastar-se da fonte durante o disparo) e blindagem (usar materiais como chumbo ou barreiras plumbíferas para atenuar a radiação).
5. Um sensor digital de radiologia ficou sujo depois de um exame. Podes lavá-lo em água e desinfetante como fazias com um instrumento metálico?
Resolução: não. Um sensor digital é um dispositivo eletrónico sensível e caro, e nunca deve ser submergido em líquidos, salvo indicação expressa do fabricante. Usa-se sempre uma barreira descartável de proteção, trocada entre utentes, e a limpeza segue as instruções específicas do fabricante.
6. Porque é que a legislação e as normas de segurança e saúde no trabalho se aplicam também ao assistente dentário, e não só ao médico dentista?
Resolução: porque o assistente opera diretamente o equipamento de radiologia e está repetidamente exposto à radiação ao longo do seu trabalho. Por isso está sujeito a vigilância da saúde, formação obrigatória em proteção radiológica, vigilância dosimétrica com dosímetro individual quando aplicável, limites de dose de trabalhador exposto (DL 108/2018) e cumprimento das regras de sinalização e manutenção, tal como qualquer outro profissional exposto.
7. É preciso avaliar em 3D a posição de um dente incluso antes de uma cirurgia. Que equipamento é o indicado e porquê, em vez de uma radiografia convencional?
Resolução: o equipamento indicado é a tomografia computorizada de feixe cónico (CBCT), porque produz um volume tridimensional da região, permitindo avaliar a posição exata do dente incluso e a sua relação com estruturas vizinhas em qualquer plano. Uma radiografia convencional (periapical, oclusal ou panorâmica) dá apenas uma imagem plana (2D), que pode esconder ou distorcer essa relação espacial. A decisão de pedir um exame 3D é sempre clínica, do médico dentista.
8. Um utente refere que está grávida antes de uma radiografia periapical de rotina. Qual é o procedimento correto do assistente?
Resolução: o assistente regista e sinaliza de imediato essa informação ao médico dentista, que decide clinicamente se o exame se mantém, se é adiado ou se são reforçadas as medidas de proteção. O assistente nunca decide sozinho manter ou cancelar o exame; o seu papel é garantir que a informação relevante chega a quem tem de a avaliar clinicamente, e depois cumprir escrupulosamente a orientação recebida.