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UC · Unidade de Competência · UC04005

Sebenta · Auxiliar o médico dentista em radiologia dentária (UC04005)

Equipamentos, tipos e técnicas radiográficas, tomografia computorizada 3D, segurança radiológica e legislação
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Assistente Dentário ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta prepara-te para uma das áreas mais técnicas e mais reguladas da tua formação como técnico/a assistente dentário: auxiliar o médico dentista em radiologia dentária. Vais aprender a reconhecer os equipamentos de radiologia intra e extra oral, a distinguir os diferentes tipos de radiografias e técnicas radiográficas, a compreender a tomografia computorizada 3D, e sobretudo a coadjuvar em segurança em todo este processo, sob orientação médica.

Radiologia é uma área onde o rigor não é opcional. Trabalha-se com radiação ionizante, com equipamento delicado e caro, e com dados de saúde sensíveis. Por isso esta sebenta insiste tanto na fronteira entre o que o assistente pode fazer (coadjuvar, preparar, executar tecnicamente sob orientação) e o que não pode fazer (diagnosticar, prescrever, decidir sozinho um ato clínico invasivo). É uma fronteira que atravessa toda a profissão de técnico assistente dentário, e a radiologia é onde ela fica mais visível.

O percurso desta sebenta segue a lógica do referencial da UC: começamos por perceber porque se faz radiologia em medicina dentária e como se forma a imagem, avançamos para os equipamentos (intra orais, extra orais e tomografia computorizada), estudamos os sistemas de imagem (filme, sensores digitais, placas de fósforo) e o software específico de radiologia, entramos nos tipos e técnicas radiográficas, e terminamos na parte mais crítica desta UC: preparação do utente, segurança radiológica, legislação e normas de segurança e saúde no trabalho, e limpeza e higienização do gabinete.

Objetivos de aprendizagem (referencial): identificar as técnicas de radiologia como meio de diagnóstico; avaliar o estado dos equipamentos radiológicos; distinguir os diferentes tipos de radiografias, técnicas radiográficas e de tomografia computorizada; utilizar os meios de proteção radiológica, de acordo com as orientações médicas; coadjuvar na execução de radiografias intra e extra orais, de acordo com as orientações médicas; reconhecer a importância das técnicas de radiologia como meio de diagnóstico; coadjuvar na preparação do utente para a realização das diversas técnicas radiográficas; executar os procedimentos de segurança radiológica, sob orientação médica; coadjuvar o médico dentista na realização dos diferentes exames complementares de diagnóstico; e aplicar as regras e normas definidas.

1. A radiologia como meio de diagnóstico

Porque se faz radiologia em medicina dentária

A radiologia dentária é a área que usa a radiação X para obter imagens do interior das estruturas dentárias, periodontais e ósseas. É um exame complementar de diagnóstico: junta-se à observação clínica direta, à anamnese e à história do utente, e mostra o que os olhos, sozinhos, nunca conseguiriam ver.

Sem radiografia, o médico dentista não consegue, por exemplo:

Reconhecer a importância da radiologia como meio de diagnóstico é o primeiro critério de desempenho desta UC, e a base de tudo o resto que vais aprender.

O papel do assistente dentário em radiologia

Ao longo de todo o curso insistimos numa ideia: o técnico assistente dentário atua sob supervisão do médico dentista. Em radiologia, esta ideia ganha um peso ainda maior, porque se trabalha com radiação ionizante.

O assistente:

Esta distinção entre coadjuvar e diagnosticar/prescrever volta a aparecer em quase todos os capítulos seguintes, porque é o eixo que organiza toda a responsabilidade profissional em radiologia.

Os exames complementares de diagnóstico em contexto

A radiologia não é o único exame complementar usado em medicina dentária, mas é o mais frequente no consultório. Coadjuvar o médico dentista na realização dos diferentes exames complementares de diagnóstico é, precisamente, um dos critérios de desempenho desta UC. Na prática, isto significa que muitas das competências que vais desenvolver aqui, como preparar o utente, avaliar equipamento, executar com rigor e cumprir normas de segurança, são transferíveis para outros exames complementares que possas vir a apoiar ao longo da carreira, mesmo fora da radiologia.

2. Física dos raios X e formação da imagem

O que são os raios X

Os raios X são radiação eletromagnética ionizante, produzida numa ampola (o tubo de raios X) quando eletrões acelerados a alta velocidade colidem com um alvo metálico. Parte da energia libertada nessa colisão sai sob a forma de fotões X, capazes de atravessar os tecidos do corpo.

Por serem radiação ionizante, os raios X podem interagir com átomos e moléculas dos tecidos vivos. É esta propriedade que torna necessárias todas as regras de proteção e segurança radiológica que vais estudar mais à frente: não porque a radiologia dentária seja perigosa em si mesma, mas porque toda a radiação ionizante exige cuidado e rigor no seu uso.

O aparelho de raios X só emite radiação enquanto está ligado e a disparar, ao contrário de uma fonte radioativa permanente. É um detalhe simples, mas que ajuda a compreender porque é que a proteção se concentra sobretudo no momento da exposição.

Como se forma a imagem radiográfica

Quando o feixe de raios X atravessa o corpo, os diferentes tecidos absorvem quantidades diferentes de radiação, consoante a sua densidade. Essa diferença de absorção (atenuação) é o que gera contraste na imagem final.

Tecido Absorção da radiação Aspeto na imagem
Esmalte muito elevada muito radiopaco (branco)
Osso denso elevada radiopaco (claro)
Dentina intermédia tons de cinzento
Polpa dentária baixa mais radiolúcido (escuro)
Tecidos moles e ar muito baixa muito radiolúcido (escuro)

Dois termos técnicos que vais usar constantemente:

Exemplo resolvido: interpretar tons numa imagem simples

Numa radiografia periapical, observa-se uma coroa dentária muito clara, uma zona intermédia em cinzento por baixo, e uma pequena mancha escura junto à superfície de contacto com o dente vizinho.

Resolução, do ponto de vista técnico (não clínico):

  1. A zona muito clara corresponde ao esmalte, o tecido mais denso e mais radiopaco do dente.
  2. A zona intermédia em cinzento corresponde à dentina, menos densa que o esmalte.
  3. A mancha escura junto ao ponto de contacto é compatível com uma zona de menor densidade nessa área, precisamente onde as cáries interproximais costumam aparecer.
  4. Importante: identificar tecnicamente estas zonas não é diagnosticar. Cabe sempre ao médico dentista confirmar clinicamente se se trata de uma cárie e decidir a conduta.

3. Equipamentos de radiologia intra oral

O aparelho de raios X intraoral

O equipamento intraoral é o mais usado no dia a dia de um consultório dentário, para radiografias de um dente ou de um pequeno grupo de dentes. É constituído por:

Avaliar o estado dos equipamentos radiológicos

Avaliar o estado do equipamento antes de o usar é um critério de desempenho explícito desta UC, e não uma formalidade. Antes de qualquer exposição, o assistente verifica:

Sempre que algo pareça errado, o procedimento correto é não utilizar o equipamento e reportar de imediato ao médico dentista, para que se acione, se necessário, o serviço técnico do fabricante. Continuar a usar um equipamento suspeito, "porque sempre funcionou assim", é um erro grave e evitável.

Responsabilidade partilhada na manutenção

Manter um equipamento de radiologia em bom estado não depende só do momento em que se usa:

Esta responsabilidade partilhada evita que pequenos sinais de avaria passem despercebidos até se tornarem um problema maior, seja de segurança, seja de qualidade da imagem.

4. Equipamentos extra orais e tomografia computorizada 3D

Ortopantomógrafo e cefalostato

Quando é preciso uma visão de conjunto, em vez de um único dente, usam-se equipamentos extra orais, tipicamente fixos numa sala dedicada.

Estes equipamentos exigem que o utente permaneça imóvel durante todo o ciclo de rotação, que demora mais tempo do que uma exposição intraoral. Um movimento a meio do exame obriga a repetir toda a aquisição.

Tomografia computorizada de feixe cónico (CBCT)

A tomografia computorizada 3D, tipicamente por feixe cónico (Cone Beam Computed Tomography, CBCT), é um equipamento que produz um volume tridimensional da região examinada, em vez de uma imagem plana.

Principais características:

Distinguir os diferentes tipos de radiografias, técnicas radiográficas e de tomografia computorizada é um critério de desempenho central da UC, e este capítulo cobre precisamente essa distinção ao nível dos equipamentos.

Comparar equipamentos intra orais, extra orais e de tomografia

Um resumo comparativo ajuda a fixar as diferenças fundamentais entre os três grandes grupos de equipamentos estudados até aqui:

Equipamento Área coberta Dimensão da imagem Exemplo de indicação
Intraoral um dente ou pequeno grupo plana (2D) cárie, raiz, osso periapical
Extra oral (ortopantomógrafo/cefalostato) ambas as arcadas ou o crânio de perfil plana (2D) visão de conjunto, ortodontia
Tomografia computorizada (CBCT) região definida, em volume tridimensional (3D) implantes, ATM, cirurgia oral

Esta tabela é um bom ponto de partida para qualquer exercício em que seja preciso escolher o equipamento certo para uma situação clínica descrita.

5. Sistemas de imagem digital e software de radiologia

Filme, sensor digital e placa de fósforo

Ao longo dos últimos anos, a radiologia dentária mudou do filme químico para sistemas digitais. Hoje encontram-se sobretudo dois sistemas digitais e, cada vez mais raramente, o filme convencional:

Sistema Como funciona Características
Filme convencional revelado com químicos numa câmara escura cada vez mais raro; sem revelação instantânea
Sensor digital (CCD/CMOS) ligado por cabo ao computador, imagem quase imediata no ecrã rápido; sensor rígido e sensível, exige cuidado no manuseio
Placa de fósforo fotoestimulável (PSP) placa reutilizável, semelhante ao filme no manuseio, lida depois num scanner próprio flexível; requer um passo extra de leitura

A passagem para digital trouxe vantagens claras: menor dose necessária para obter uma imagem diagnóstica, ausência de químicos de revelação, e integração direta com o processo clínico do utente. Mas não elimina a necessidade de proteção radiológica nem de rigor no posicionamento: um sensor digital mal posicionado dá uma imagem tão inútil como um filme mal posicionado.

Processamento da película convencional

Embora cada vez mais rara, a película convencional ainda existe em alguns consultórios, e o seu processamento tem uma sequência fixa, feita na câmara escura (só com luz de segurança) ou numa processadora automática:

  1. Revelação: a película entra no revelador, que transforma a imagem latente (invisível) em imagem visível, escurecendo as zonas atingidas pela radiação.
  2. Lavagem intermédia: remove o revelador antes do passo seguinte.
  3. Fixação: o fixador remove os cristais não expostos e torna a imagem permanente; sem fixação, a película continua a escurecer com a luz.
  4. Lavagem final: remove os restos de fixador, que de outra forma mancham a película com o tempo.
  5. Secagem: antes de arquivar a película, identificada.

Os tempos e as temperaturas de cada banho são os do fabricante dos químicos e da película: não se "compensa" um revelador gasto com mais tempo de revelação. Uma imagem demasiado clara ou manchada por químicos esgotados obriga a repetir a exposição, o que contraria a otimização. Os químicos usados, sobretudo o fixador, que contém prata, não se despejam no esgoto: são recolhidos como resíduo químico por um operador autorizado, conforme o circuito de resíduos do consultório.

Software específico de radiologia

O software de radiologia é o recurso informático central desta UC. É onde a imagem é adquirida, tratada e arquivada:

Identificar corretamente cada imagem

Uma imagem sem identificação segura não serve para nada, e uma imagem atribuída ao utente errado é um risco clínico sério. Cada imagem tem de ficar associada a:

As imagens como dados pessoais de saúde

Uma imagem radiográfica é, tal como uma nota clínica, um dado pessoal de saúde, sujeito às mesmas exigências de confidencialidade e proteção de dados que qualquer outra informação clínica do utente. Isto significa, na prática:

Imagens e proteção de dados (RGPD)

As imagens radiográficas são dados relativos à saúde, uma categoria especial de dados pessoais no Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (Regulamento (UE) 2016/679). Na prática:

Backup e continuidade do arquivo digital

Um arquivo de imagens radiográficas é, tal como qualquer outra base de dados clínica, um ativo que se pode perder por avaria informática, erro humano ou falha de armazenamento. Por isso:

6. Radiografias intra orais: tipos e técnicas

Periapical, interproximal e oclusal

As radiografias intra orais dividem-se em três tipos, cada um com uma finalidade clínica distinta:

Técnica do paralelismo

A técnica do paralelismo é a técnica de referência para radiografias intra orais:

  1. O recetor de imagem é colocado paralelo ao longo eixo do dente a examinar, com o auxílio de um posicionador próprio.
  2. O feixe de raios X incide perpendicularmente ao recetor.
  3. Esta geometria produz a imagem mais fiel possível, sem distorções de tamanho ou de forma.

Técnica da bissetriz

Quando a anatomia do utente não permite o paralelismo (por exemplo, um palato muito raso ou um soalho da boca pouco profundo), usa-se a técnica da bissetriz:

  1. Traça-se, mentalmente, o ângulo formado entre o longo eixo do dente e o plano do recetor.
  2. O feixe incide perpendicularmente à bissetriz desse ângulo.
  3. É uma técnica de compromisso: funciona quando o paralelismo não é possível, mas introduz mais risco de distorção do que a técnica do paralelismo.

Exemplo resolvido: escolher a técnica e o tipo certos

Situação: é preciso avaliar se existe cárie entre dois molares vizinhos, sem suspeita de problema na raiz ou no osso periapical.

Resolução:

  1. O tipo de radiografia indicado é a interproximal (bitewing), porque mostra diretamente a zona de contacto entre coroas, onde as cáries interproximais se formam.
  2. A técnica de posicionamento a privilegiar é o paralelismo, sempre que a anatomia do utente o permitir, por dar a imagem mais fiel.
  3. Se o paralelismo não for possível para aquele utente em concreto, recorre-se à técnica da bissetriz, sabendo que introduz mais risco de distorção.
  4. Em qualquer dos casos, a decisão final sobre o tipo de radiografia pedido é sempre do médico dentista; o assistente aplica a técnica de posicionamento sob essa orientação.

Quando usar a radiografia oclusal

A radiografia oclusal é menos frequente do que a periapical e a interproximal, mas continua a ser um tipo de referência a distinguir:

Saber escolher entre periapical, interproximal e oclusal, consoante o objetivo clínico descrito, é exatamente o tipo de exercício que costuma aparecer nas fichas desta UC.

7. Radiografias extra orais: tipos

Ortopantomografia (panorâmica)

A ortopantomografia, ou radiografia panorâmica, é a extra oral mais usada em medicina dentária. Numa única exposição mostra:

É uma imagem de conjunto, útil para avaliação pré-implante, pré-ortodôntica, localização de dentes inclusos ou deteção de lesões mais extensas. Não substitui, no entanto, a definição de detalhe de uma boa periapical ou interproximal quando se procura uma cárie inicial ou um detalhe fino de uma raiz.

Posicionar o utente no ortopantomógrafo

A panorâmica só mostra com nitidez o que está dentro de uma faixa curva, a camada de imagem (ou "calha focal"), com a forma aproximada das arcadas. Tudo o que fica à frente ou atrás dessa faixa sai desfocado, estreitado ou alargado. Por isso, quase todos os defeitos de uma panorâmica são erros de posicionamento, e é aqui que a coadjuvação do assistente mais conta.

Sequência de posicionamento, sempre de acordo com o manual do equipamento:

  1. Retirar tudo o que é metálico da cabeça e do pescoço (brincos, piercings, colares, ganchos, óculos, próteses removíveis) e não colocar colar de tiroide.
  2. Colocar uma barreira descartável no bloco de mordida e nos apoios que tocam no utente.
  3. Pedir ao utente, de pé ou sentado conforme o aparelho, que fique com as costas direitas e o pescoço esticado, como se desse um passo em frente, sem encolher os ombros.
  4. Pedir que morda o bloco de mordida com os incisivos superiores e inferiores topo a topo no entalhe próprio.
  5. Alinhar o plano sagital médio (a linha que divide a face ao meio) com a luz de referência vertical, sem rodar nem inclinar a cabeça.
  6. Colocar o plano de Frankfurt (do bordo inferior da órbita ao bordo superior do canal auditivo) horizontal, com a luz de referência horizontal.
  7. Ajustar a luz da linha dos caninos, quando o aparelho a tiver, para colocar as arcadas dentro da camada de imagem.
  8. Pedir que feche os lábios à volta do bloco, encoste a língua ao palato e fique imóvel até o aparelho parar.

Erros de posicionamento na panorâmica e como se reconhecem

Erro O que se vê na imagem Como se evita
Queixo demasiado baixo (Frankfurt inclinado para baixo à frente) plano oclusal muito curvado para cima, em "sorriso" exagerado; incisivos inferiores desfocados e encurtados Frankfurt horizontal
Queixo demasiado alto (Frankfurt inclinado para cima à frente) plano oclusal plano ou curvado para baixo, em "boca triste"; palato duro sobreposto às raízes superiores Frankfurt horizontal
Cabeça rodada ou fora da linha média dentes de um lado mais largos do que os do outro; ramos da mandíbula assimétricos plano sagital médio alinhado com a luz
Utente demasiado à frente dentes anteriores estreitos e desfocados incisivos topo a topo no entalhe do bloco
Utente demasiado atrás dentes anteriores alargados e desfocados incisivos topo a topo no entalhe do bloco
Língua afastada do palato faixa escura (ar) sobre as raízes dos dentes superiores pedir para encostar a língua ao palato durante todo o ciclo
Coluna encolhida sombra clara vertical sobre a zona dos incisivos costas direitas e pescoço esticado
Objetos metálicos imagem do objeto e uma "imagem fantasma" desfocada no lado oposto retirar todo o metal antes
Movimento durante o ciclo contornos ondulados ou "em degrau" numa zona da imagem explicar bem, pedir imobilidade

Reconhecer estes erros não é diagnosticar: é avaliar a qualidade técnica da imagem. Quando detetas um destes sinais, mostras a imagem ao médico dentista, que decide se a imagem serve ou se é preciso repetir.

Exemplo resolvido: ler um erro de posicionamento

Situação: numa panorâmica acabada de adquirir, os dentes do lado direito aparecem bem mais largos do que os do lado esquerdo, e o plano oclusal tem uma curva normal.

Resolução:

  1. A curva do plano oclusal está normal, logo o plano de Frankfurt estava bem colocado.
  2. A diferença de largura entre os dois lados indica que a cabeça estava rodada ou fora da linha média: um lado ficou fora da camada de imagem.
  3. Mostras a imagem ao médico dentista, explicando o que observaste tecnicamente; ele decide se a imagem responde à pergunta clínica ou se é preciso repetir.
  4. Se houver repetição, alinhas com cuidado o plano sagital médio com a luz de referência antes do novo disparo.

Telerradiografia (cefalométrica)

A telerradiografia de perfil, também chamada cefalométrica, é uma imagem do crânio de perfil, obtida a uma distância padronizada com o recurso do cefalostato. É usada sobretudo em ortodontia, para medir relações entre os maxilares, a posição dos dentes e o perfil facial.

Como as medições cefalométricas se comparam entre exames e entre utentes, o posicionamento tem de ser reprodutível:

Radiografias da ATM

As radiografias da articulação temporo-mandibular (ATM) captam esta articulação, por vezes em diferentes posições (boca fechada e boca aberta), permitindo avaliar o seu comportamento funcional. Reconhecer a anatomia e a função da ATM, estudada noutra unidade curricular do curso, ganha aqui uma aplicação prática direta em imagem.

Distinguir os diferentes tipos de radiografias extra orais, tal como as intra orais, é parte do mesmo critério de desempenho que atravessa toda a unidade curricular.

8. Preparar o utente e coadjuvar na execução

Coadjuvar na preparação do utente

Antes de qualquer exposição, o assistente prepara o utente para a técnica radiográfica indicada:

Coadjuvar na preparação do utente para a realização das diversas técnicas radiográficas é um critério de desempenho explícito da UC, e é também o momento em que se evitam a maioria dos erros que obrigam a repetir exames.

Coadjuvar na execução da radiografia

Depois de preparado o utente, o assistente coadjuva na execução técnica do exame:

  1. Posicionar o recetor de imagem (sensor digital, placa de fósforo ou filme) no local correto, com o auxílio de um posicionador sempre que aplicável.
  2. Orientar o utente a morder ou a manter a posição indicada, consoante a técnica.
  3. Ajustar o braço e a cabeça radiogénica do equipamento, ou posicionar o utente no equipamento extra oral (ortopantomógrafo ou cefalostato).
  4. Confirmar o parâmetro de exposição selecionado, de acordo com o equipamento e a indicação do médico dentista.
  5. Acionar a exposição apenas sob orientação e responsabilidade do médico dentista, afastando-se sempre para a zona protegida antes de disparar.
  6. Verificar, imediatamente a seguir, se a imagem obtida tem qualidade diagnóstica suficiente ou se será necessário repetir o exame, decisão que cabe ao médico dentista.

Coadjuvar na execução de radiografias intra e extra orais, de acordo com as orientações médicas, é um dos critérios de desempenho mais diretamente avaliados desta unidade curricular, e resume, na prática, tudo o que foi estudado nos capítulos anteriores sobre equipamentos, tipos e técnicas.

9. Segurança radiológica: princípios e meios de proteção

Os três princípios da proteção radiológica

Toda a legislação de proteção radiológica, europeia e portuguesa, assenta em três princípios gerais. Convém conhecê-los pelo nome, porque aparecem em qualquer formação, fiscalização ou protocolo:

Princípio O que diz Quem o aplica no consultório
Justificação uma exposição só se faz se o benefício esperado for maior do que o prejuízo da radiação o médico dentista, que prescreve o exame com base na história e no exame clínico
Otimização cada exposição usa a dose mais baixa que ainda dá a informação necessária (é o princípio ALARA) toda a equipa: técnica correta, colimação, parâmetros adequados, evitar repetições
Limitação de dose as doses dos trabalhadores e do público não podem ultrapassar os limites fixados na lei o titular da instalação, com a vigilância dosimétrica e a blindagem da sala

Um ponto que costuma confundir: os limites de dose não se aplicam ao utente. Para o utente, a proteção faz-se pela justificação (só se faz o exame necessário) e pela otimização (faz-se bem à primeira, com a menor dose útil). Os limites são para quem trabalha com radiação e para o público.

O assistente não decide a justificação de nenhum exame: se tiver dúvidas sobre um pedido (por exemplo, um exame que parece repetido), pergunta ao médico dentista, nunca cancela nem acrescenta exames por iniciativa própria.

O princípio ALARA

Toda a proteção radiológica em medicina dentária assenta no princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable): manter a exposição à radiação tão baixa quanto razoavelmente possível, sem comprometer a qualidade diagnóstica da imagem. Este princípio concretiza-se em três regras práticas:

Executar os procedimentos de segurança radiológica, sob orientação médica, é um critério de desempenho central desta UC, e o princípio ALARA é o fio condutor de todos esses procedimentos.

Meios de proteção radiológica

Utilizar os meios de proteção radiológica, de acordo com as orientações médicas, significa conhecer bem para que serve cada um:

Meio de proteção Protege Quando se usa
Colimação retangular e posicionadores o utente (menos área irradiada, menos repetições) em todas as radiografias intra orais, sempre que o equipamento o permita
Colar de proteção da tiroide a glândula tiroide do utente sobretudo em crianças e quando a tiroide fica perto do feixe primário, conforme o protocolo; não se usa na panorâmica, porque fica no caminho do feixe e cria uma sombra que esconde a zona anterior da mandíbula
Avental plumbífero o tronco do utente as orientações mais recentes já não o recomendam por rotina em radiologia dentária (a radiação dispersa que chega ao tronco é mínima); usa-se se o protocolo do consultório ou o médico dentista o indicarem
Biombo/barreira plumbífera e blindagem da sala o profissional e quem está nas salas vizinhas permite disparar afastado, fora do feixe
Dosímetro individual não protege: mede a dose recebida pelo profissional quando aplicável, conforme a classificação do trabalhador; usa-se durante todo o trabalho, no local do corpo indicado pelo serviço de dosimetria

A colimação, os posicionadores e o colar de tiroide protegem sobretudo o utente; o biombo e a blindagem protegem o profissional, que está repetidamente exposto ao longo do dia de trabalho, ao contrário de um utente que faz um exame pontual. O dosímetro não reduz a dose de ninguém: é o instrumento que permite vigiar se a proteção está a funcionar.

Sobre o avental plumbífero vale a pena perceber a mudança. Durante décadas, o avental foi colocado "por hábito" em todos os exames. As orientações europeias de proteção radiológica em radiologia dentária já diziam que o seu uso por rotina não se justifica, e em 2023 e 2024 as academias e associações de radiologia oral norte-americanas recomendaram deixar de usar avental e colar de tiroide por rotina, porque as doses em radiologia dentária são muito baixas e a proteção realmente eficaz é a colimação. Em Portugal, o que conta no teu dia a dia é o protocolo do consultório e a indicação do médico dentista: se o protocolo manda colocar, colocas; o que não fazes é tratar o avental como substituto da colimação, dos posicionadores ou da distância.

A sala de radiologia como meio de proteção

A própria sala onde se realizam os exames é, em si mesma, um meio de proteção coletiva:

Estas características fazem parte do licenciamento da instalação, tratado com mais detalhe no capítulo sobre legislação.

Onde te colocas no momento do disparo

A proteção do profissional decide-se, na prática, no segundo em que se carrega no botão. As regras são simples e não têm exceções:

  1. Atrás da barreira, sempre que exista (biombo, parede, porta com blindagem). É a melhor opção.
  2. Se não houver barreira na sala, pelo menos cerca de 2 metros da cabeça radiogénica e fora do feixe primário, numa posição a 90 a 135 graus em relação à direção do feixe. Nesta zona, a radiação que chega é apenas a dispersa pelo utente, que é muito menor.
  3. Nunca na direção para onde o feixe aponta, nem atrás da cabeça do utente, no prolongamento do feixe.
  4. O botão de disparo deve permitir estas posições (cabo extensível ou comando fora da sala). Se não permitir, reporta ao médico dentista: é uma falha da instalação, não um problema a resolver ficando mais perto.

Nunca seguras o recetor de imagem, a cabeça radiogénica ou o utente durante a exposição. Se um utente não conseguir manter a posição sozinho (por exemplo, uma criança pequena ou um utente com limitações motoras), a decisão sobre como proceder é do médico dentista; quando for preciso amparar o utente, é em regra um acompanhante que o faz, informado e protegido, nunca um profissional do consultório e nunca uma pessoa grávida.

Exemplo resolvido: escolher a posição no disparo

Situação: vais coadjuvar numa periapical do dente 36 (primeiro molar inferior esquerdo). A sala não tem biombo e o comando de disparo tem um cabo de 3 metros. A cabeça radiogénica está apontada da esquerda do utente para a direita.

Resolução:

  1. O feixe primário atravessa a face do utente da esquerda para a direita e continua nessa direção: a zona à direita do utente, no prolongamento do feixe, está proibida.
  2. Com o cabo de 3 metros, afastas-te pelo menos 2 metros da cabeça radiogénica.
  3. Colocas-te numa posição a 90 a 135 graus da direção do feixe, por exemplo atrás e ligeiramente ao lado da cadeira, fora do caminho do feixe.
  4. Confirmas que mais ninguém ficou na sala e só depois disparas, sob orientação do médico dentista.

Exemplo resolvido: aplicar o ALARA numa situação concreta

Situação: vais realizar uma radiografia periapical a uma criança.

Resolução:

  1. Justificação: confirmar que o exame foi pedido pelo médico dentista, com um motivo clínico claro.
  2. Preparação: colocar o colar de tiroide na criança, dada a maior sensibilidade nesta faixa etária, e os restantes meios que o protocolo do consultório preveja (o avental, se o protocolo o mandar usar); escolher um recetor e um posicionador de tamanho pediátrico.
  3. Tempo: usar o parâmetro de exposição mais baixo indicado para a idade e a região, conforme as instruções do fabricante e do médico dentista.
  4. Distância: afastar-se para trás da barreira ou para a distância mínima recomendada antes de disparar.
  5. Blindagem: garantir que o colimador está bem ajustado, limitando o feixe à zona de interesse.

Este exemplo mostra como as regras de tempo, distância e blindagem, mais os meios de proteção física, se combinam numa única exposição real.

10. Riscos da radiação e boas práticas

Riscos inerentes à exposição à radiação X

A radiação X, sendo ionizante, pode ter efeitos biológicos nos tecidos quando a exposição é excessiva. Alguns pontos importantes para situar corretamente este risco:

Os parâmetros de exposição de cada exame (tensão, corrente, tempo) dependem do equipamento e do fabricante: consultam-se sempre no manual do aparelho e nos protocolos do consultório, nunca "de memória". Já os limites de dose dos trabalhadores e do público estão fixados na lei e são tratados no capítulo 11.

Para ter uma ordem de grandeza da diferença entre exames: uma radiografia intraoral é o exame de menor dose; a panorâmica tem uma dose várias vezes superior à de uma intraoral; e a CBCT tem, em regra, uma dose claramente superior à da panorâmica, variável com o equipamento e com o tamanho do volume adquirido. É por isso que a CBCT só se faz quando a informação 3D é realmente necessária e com o volume mais pequeno que responde à pergunta clínica.

Grupos que exigem atenção redobrada

Alguns utentes exigem uma ponderação clínica mais cuidadosa antes de qualquer exposição, sempre feita pelo médico dentista:

Nestas situações, o papel do assistente é sinalizar a informação relevante (por exemplo, uma gravidez referida pelo utente) e cumprir escrupulosamente a orientação que o médico dentista definir, nunca decidir por iniciativa própria.

Regras de boas práticas

Exemplo resolvido: identificar o desvio a uma boa prática

Situação: para poupar tempo entre dois utentes, um colega segura o recetor de imagem com a mão enluvada, em vez de usar o posicionador, e dispara a exposição a partir do lado do utente, sem recorrer ao biombo.

Resolução:

  1. Há dois desvios às boas práticas nesta situação: segurar o recetor com a mão dentro do feixe, e disparar sem usar a barreira de proteção disponível.
  2. A correção passa por usar sempre um posicionador para segurar o recetor, e por se afastar sempre para trás do biombo ou para a distância mínima recomendada antes de disparar.
  3. "Poupar tempo" nunca justifica saltar uma regra de proteção radiológica: o princípio ALARA aplica-se sempre, mesmo sob pressão de agenda.

11. Legislação e normas de segurança e saúde no trabalho

O uso de radiação ionizante em medicina dentária está sujeito a legislação específica de proteção radiológica. Em Portugal, o diploma de base é o Decreto-Lei n.º 108/2018, de 3 de dezembro, que estabelece o regime jurídico da proteção radiológica e transpõe para o direito português a Diretiva 2013/59/Euratom (as "normas de segurança de base" europeias). A autoridade competente em matéria de proteção radiológica é a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que gere também o Registo Central de Doses dos trabalhadores expostos.

O que este enquadramento define, com impacto direto no consultório:

Limites de dose que deves conhecer

A quem se aplica Limite
Trabalhador exposto 20 mSv por ano de dose efetiva
Membro do público 1 mSv por ano de dose efetiva
Trabalhadora grávida, depois de comunicar a gravidez a dose no nascituro não pode exceder 1 mSv durante o resto da gravidez, e deve ser tão baixa quanto razoavelmente possível

Três notas para ler bem esta tabela:

Com uma boa técnica (barreira, distância, nunca segurar o recetor), as doses de quem trabalha em radiologia dentária ficam muito abaixo destes limites. É precisamente para o demonstrar que existe a vigilância dosimétrica.

A legislação é alterada de tempos a tempos: antes de afixar um número num protocolo, confirma-o no Diário da República e nas páginas da APA, e não em "regras informais" transmitidas de boca em boca.

Normas de segurança e saúde no trabalho

Além da legislação específica de radioproteção, aplicam-se as normas gerais de segurança e saúde no trabalho a quem opera equipamento de radiologia:

Aplicar as regras e normas definidas é um critério de desempenho transversal desta UC: aparece tanto na legislação de radioproteção como em cada procedimento técnico do dia a dia.

Quem participa na cadeia de segurança

A segurança radiológica de um gabinete não depende de uma só pessoa:

Documentação e registos

O cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho traduz-se, na prática, em documentação que o consultório deve manter organizada:

Mesmo não sendo o assistente o responsável direto por esta documentação, é importante que a saiba identificar e que perceba porque existe: sem registo, uma boa prática de segurança não é demonstrável.

12. Limpeza e higienização do gabinete de radiologia

Higienizar o equipamento e o gabinete

Garantir a limpeza e higienização dos equipamentos, instrumentos e materiais utilizados, bem como do gabinete de radiologia, é um critério de desempenho explícito desta UC, e faz parte da rotina entre cada utente:

Proteção de barreira e controlo de infeção em radiologia digital

Os sistemas digitais têm particularidades próprias de controlo de infeção:

Classificação de Spaulding aplicada à radiologia

Os materiais de radiologia seguem as mesmas Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI) do resto do consultório (Norma DGS n.º 029/2012), e o nível de reprocessamento de cada um decide-se pela classificação de Spaulding, que olha para o tipo de contacto com o utente:

Categoria Contacto Exemplos em radiologia Reprocessamento
Crítico penetra tecidos ou entra em zonas estéreis raramente existe em radiologia esterilização
Semicrítico contacta com mucosas posicionadores, sensores digitais, placas de fósforo, bloco de mordida esterilização ou desinfeção de alto nível; nos sensores e nas placas, que não toleram autoclave, barreira descartável a cada utente e desinfeção conforme o fabricante
Não crítico contacta só com pele intacta cabeça radiogénica, braço, apoios de queixo e de cabeça, avental, comando limpeza e desinfeção de nível baixo ou intermédio

A barreira do sensor não dispensa a desinfeção: as barreiras podem ter microperfurações ou ser retiradas de forma a contaminar o sensor. Por isso, depois de retirar a barreira, o sensor é sempre desinfetado com o produto e o método que o fabricante aprova.

Cuidados próprios das placas de fósforo

As placas de fósforo são reutilizáveis mas frágeis, e têm um passo extra que é fácil fazer mal:

  1. Depois da exposição, retira-se a placa da boca ainda dentro da barreira.
  2. Com as luvas contaminadas, abre-se a barreira e deixa-se cair a placa, sem lhe tocar, sobre uma superfície limpa ou para o tabuleiro do scanner.
  3. Retiram-se as luvas contaminadas antes de manusear a placa limpa e o scanner.
  4. Lê-se a placa no scanner, que também a apaga para a utilização seguinte.
  5. Inspeciona-se a placa: riscos, dobras ou manchas passam a aparecer em todas as imagens futuras, e uma placa danificada deve ser retirada de uso, reportando ao responsável.

As placas protegem-se da luz forte entre a exposição e a leitura, porque a luz apaga parte da imagem latente.

Um sensor mal higienizado não é só um risco de infeção: compromete também o funcionamento e a vida útil de um equipamento caro, que é responsabilidade de todos preservar.

Exemplo resolvido: organizar a rotina de higienização entre utentes

Situação: terminaste uma radiografia periapical com sensor digital e o próximo utente já está à espera.

Resolução, passo a passo:

  1. Remover e eliminar corretamente a barreira descartável que protegia o sensor, seguindo as regras de biossegurança do gabinete.
  2. Desinfetar o sensor pela superfície externa, seguindo as instruções do fabricante e sem o submergir em qualquer líquido.
  3. Desinfetar a cabeça radiogénica, o braço e as superfícies de apoio tocadas durante o exame anterior.
  4. Colocar uma nova barreira descartável no sensor antes do exame seguinte.
  5. Confirmar que a imagem do exame anterior ficou corretamente guardada no processo do utente antes de avançar.

Esta sequência simples, repetida com rigor entre cada utente, é a diferença entre um gabinete seguro e um gabinete com risco de infeção cruzada.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Esta unidade curricular ensina-te a coadjuvar o médico dentista em radiologia dentária, do princípio ao fim do processo: perceber porque se faz radiologia e como se forma a imagem, reconhecer e avaliar os equipamentos intra orais, extra orais e de tomografia computorizada 3D, dominar os sistemas de imagem e o software específico de radiologia, distinguir tipos e técnicas radiográficas, e sobretudo preparar o utente, executar em segurança sob o princípio ALARA e os meios de proteção adequados, cumprir a legislação e as normas de segurança e saúde no trabalho, e manter o gabinete limpo e higienizado. Em todos estes passos, a fronteira entre coadjuvar e diagnosticar/prescrever mantém-se constante: o assistente executa com rigor, responsabilidade e sentido crítico, sempre sob orientação do médico dentista.

Exercícios resolvidos

1. Um colega diz que "a radiografia já dá o diagnóstico sozinha". Como corriges essa ideia?

Resolução: a radiografia é um exame complementar de diagnóstico, que se junta à observação clínica e à anamnese feitas pelo médico dentista. A imagem mostra informação técnica (zonas radiopacas e radiolúcidas, estruturas anatómicas), mas é o médico dentista que interpreta clinicamente essa informação e chega ao diagnóstico. O assistente nunca diagnostica a partir da imagem.

2. Precisas de avaliar se existe cárie entre dois molares vizinhos. Que tipo de radiografia e que técnica de posicionamento privilegias?

Resolução: o tipo indicado é a interproximal (bitewing), porque mostra diretamente a zona de contacto entre coroas. A técnica de posicionamento a privilegiar é o paralelismo, por dar a imagem mais fiel; só se recorre à técnica da bissetriz quando a anatomia do utente não permite o paralelismo.

3. Antes de uma radiografia panorâmica, que cuidados de preparação do utente são essenciais?

Resolução: explicar o procedimento e a necessidade de imobilidade durante toda a rotação do aparelho; pedir a remoção de objetos metálicos (óculos, brincos, próteses removíveis); aplicar os meios de proteção previstos no protocolo do consultório, lembrando que o colar de tiroide não se usa na panorâmica (fica no caminho do feixe); pôr o bloco de mordida protegido por barreira; e posicionar corretamente o utente no ortopantomógrafo (plano sagital médio centrado, plano de Frankfurt horizontal, língua encostada ao palato).

4. Explica o princípio ALARA e as três regras práticas que o concretizam.

Resolução: ALARA significa manter a exposição à radiação tão baixa quanto razoavelmente possível. As três regras são: tempo (expor o mínimo tempo necessário), distância (afastar-se da fonte durante o disparo) e blindagem (usar materiais como chumbo ou barreiras plumbíferas para atenuar a radiação).

5. Um sensor digital de radiologia ficou sujo depois de um exame. Podes lavá-lo em água e desinfetante como fazias com um instrumento metálico?

Resolução: não. Um sensor digital é um dispositivo eletrónico sensível e caro, e nunca deve ser submergido em líquidos, salvo indicação expressa do fabricante. Usa-se sempre uma barreira descartável de proteção, trocada entre utentes, e a limpeza segue as instruções específicas do fabricante.

6. Porque é que a legislação e as normas de segurança e saúde no trabalho se aplicam também ao assistente dentário, e não só ao médico dentista?

Resolução: porque o assistente opera diretamente o equipamento de radiologia e está repetidamente exposto à radiação ao longo do seu trabalho. Por isso está sujeito a vigilância da saúde, formação obrigatória em proteção radiológica, vigilância dosimétrica com dosímetro individual quando aplicável, limites de dose de trabalhador exposto (DL 108/2018) e cumprimento das regras de sinalização e manutenção, tal como qualquer outro profissional exposto.

7. É preciso avaliar em 3D a posição de um dente incluso antes de uma cirurgia. Que equipamento é o indicado e porquê, em vez de uma radiografia convencional?

Resolução: o equipamento indicado é a tomografia computorizada de feixe cónico (CBCT), porque produz um volume tridimensional da região, permitindo avaliar a posição exata do dente incluso e a sua relação com estruturas vizinhas em qualquer plano. Uma radiografia convencional (periapical, oclusal ou panorâmica) dá apenas uma imagem plana (2D), que pode esconder ou distorcer essa relação espacial. A decisão de pedir um exame 3D é sempre clínica, do médico dentista.

8. Um utente refere que está grávida antes de uma radiografia periapical de rotina. Qual é o procedimento correto do assistente?

Resolução: o assistente regista e sinaliza de imediato essa informação ao médico dentista, que decide clinicamente se o exame se mantém, se é adiado ou se são reforçadas as medidas de proteção. O assistente nunca decide sozinho manter ou cancelar o exame; o seu papel é garantir que a informação relevante chega a quem tem de a avaliar clinicamente, e depois cumprir escrupulosamente a orientação recebida.