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UC · Unidade de Competência · UC03949

Sebenta · Monitorizar o funcionamento e informação de moldes (UC03949)

Fundamentos elétricos, sensores, esquemas de comando, refrigeração, hidráulica e cinemática, chapas e segurança
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Produção e Gestão de Mo ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Um molde de injeção de plásticos não é só uma peça de aço com uma cavidade. É um sistema com resistências de aquecimento, sensores, um circuito de refrigeração, por vezes atuadores hidráulicos, e um conjunto de esquemas e chapas que documentam tudo isto para quem o monta, opera e repara. Monitorizar o funcionamento de um molde é acompanhar estas variáveis, interpretar corretamente os esquemas que as documentam, e manter as chapas de identificação e de esquema montadas e atualizadas.

Esta sebenta segue exatamente o referencial da UC: parte da eletricidade de base (corrente, tensão, Lei de Ohm, potência, energia), passa pelos sensores e a sua simbologia, cobre os quatro tipos de esquema de um molde (elétrico de comando, refrigeração, hidráulico, cinemática), fecha com as chapas que os tornam acessíveis no próprio molde, e termina na segurança e saúde no trabalho que enquadra qualquer intervenção.

Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar as especificações e a documentação técnica de moldes; implementar os mecanismos de monitorização de moldes; e montar os esquemas e chapas de identificação de moldes, cumprindo sempre as normas de segurança e saúde no trabalho, e de proteção ambiental.

1. Fundamentos de eletricidade

A corrente elétrica é o movimento ordenado de eletrões livres ao longo de um condutor. Para que haja corrente, é preciso uma diferença de potencial elétrico (a tensão) entre dois pontos: sem esse "desnível" elétrico, os eletrões não se movem.

Os materiais dividem-se, para este efeito, em duas famílias:

Um molde tem os dois tipos de corrente presentes ao mesmo tempo, em zonas diferentes do circuito:

Tipo de corrente Comportamento Onde aparece no molde
Contínua (DC) flui sempre no mesmo sentido sinais de sensores, eletrónica dos controladores (5 V, 12 V, 24 V)
Alternada sinusoidal (AC) inverte periodicamente o sentido alimentação das resistências de aquecimento (230 V ou 400 V)

A rede elétrica industrial fornece corrente alternada; é dentro dos controladores e sensores que essa energia é convertida e usada em corrente contínua para os sinais.

Exemplo resolvido · identificar o tipo de corrente

Numa intervenção, o técnico precisa de medir dois pontos: (a) a alimentação da resistência de aquecimento de uma zona; (b) o sinal de um sensor de posição ligado ao controlador.

Resolução: (a) é corrente alternada, porque a resistência liga diretamente à rede de 230 V; o multímetro deve estar no modo AC. (b) é corrente contínua, porque o sinal do sensor sai já convertido pela eletrónica interna; o multímetro deve estar no modo DC. Medir no modo errado dá uma leitura sem sentido ou mesmo nula.

2. Lei de Ohm, potência e energia elétrica

A Lei de Ohm relaciona as três grandezas fundamentais de qualquer circuito:

$$V = I \times R$$

onde V é a tensão em volt (V), I é a corrente em ampere (A) e R é a resistência em ohm (Ω). Conhecendo duas destas grandezas, calcula-se sempre a terceira.

A potência elétrica é a energia transferida por unidade de tempo:

$$P = V \times I$$

medida em watt (W). Combinando com a Lei de Ohm, obtêm-se as formas equivalentes $P = I^2 \times R$ e $P = V^2 / R$, todas úteis consoante os dados disponíveis.

A energia elétrica é a potência ao longo do tempo:

$$E = P \times t$$

normalmente em watt-hora (Wh) ou quilowatt-hora (kWh), quando o tempo é medido em horas.

Exemplo resolvido · resistência nominal e corrente nominal

Uma resistência de cartucho de um molde tem placa de característica de 1000 W a 230 V. Calcular a sua resistência nominal e a corrente nominal.

Resolução:

$$R = \frac{V^2}{P} = \frac{230^2}{1000} = \frac{52\,900}{1000} = 52{,}9\ \Omega$$

$$I = \frac{P}{V} = \frac{1000}{230} \approx 4{,}35\ \text{A}$$

Estes dois valores, 52,9 Ω e 4,35 A, são a referência contra a qual se comparam depois as medições reais feitas com o multímetro.

A Lei de Joule

A Lei de Joule descreve o calor produzido por um condutor percorrido por corrente:

$$Q = I^2 \times R \times t$$

Esta lei explica dois fenómenos opostos no mesmo molde:

Exemplo resolvido · energia consumida com ciclo de controlo

A resistência de 1000 W do exemplo anterior não está sempre ligada: o controlador de temperatura liga-a e desliga-a consoante a leitura do sensor. Em média, num turno de produção, a resistência está ligada 60% do tempo.

1. Energia numa hora:

$$E = P \times \text{fração ligada} \times t = 1000 \times 0{,}60 \times 1 = 600\ \text{Wh} = 0{,}6\ \text{kWh}$$

2. Energia total do molde, com 4 resistências iguais, num turno de 8 horas:

$$E_{total} = 4 \times 1000 \times 0{,}60 \times 8 = 19\,200\ \text{Wh} = 19{,}2\ \text{kWh}$$

A potência nominal (4 kW no total) nunca dá o consumo real: é sempre preciso considerar a fração de tempo em que o controlador mantém cada resistência ligada.

Exemplo resolvido · perdas por efeito Joule na cablagem

Um cabo de ligação a um sensor de posição tem resistência 0,5 Ω e é percorrido por uma corrente de sinal de 0,2 A, durante 1 hora (3600 s).

$$Q = I^2 \times R \times t = 0{,}2^2 \times 0{,}5 \times 3600 = 0{,}04 \times 0{,}5 \times 3600 = 72\ \text{J}$$

É um valor pequeno em termos absolutos, mas justifica a norma técnica de usar cabos e conetores de baixa resistência nas ligações de sinal: menos perdas por efeito Joule significam um sinal mais fiel entre o sensor e o controlador.

3. Elementos de um circuito elétrico

Qualquer circuito elétrico de um molde combina três famílias de componentes:

Um circuito só funciona fechado: fonte, condutores, comando e recetor formam um anel completo. Se este anel se interromper em qualquer ponto (mau contacto, fusível fundido, ligação solta), o recetor deixa de funcionar, mesmo que ele próprio esteja em perfeitas condições.

Exemplo resolvido · metodologia de diagnóstico de um circuito aberto

Uma resistência de aquecimento não aquece. O circuito tem, por ordem: fusível de proteção, contacto do relé, resistência.

Resolução: verificar sempre do elemento mais simples para o mais complexo: 1.º fusível (continuidade com o multímetro), 2.º relé (o contacto fecha quando o controlador o comanda?), 3.º resistência (continuidade e valor de resistência). Desmontar logo a resistência sem verificar antes o fusível e o relé é o erro mais comum e o que mais tempo desperdiça.

4. Equipamentos de medida

Três equipamentos cobrem a maioria das medições elétricas num molde:

Equipamento O que mede Uso típico
Multímetro tensão, corrente, resistência, continuidade verificar resistências, sensores, fusíveis
Pinça amperimétrica corrente, sem interromper o circuito medir a corrente real de uma resistência em funcionamento
Wattímetro potência ativa (W) confirmar o consumo real de uma zona de aquecimento

A pinça amperimétrica é preferida em manutenção porque mede a corrente por indução, envolvendo o condutor, sem cortar nem abrir o circuito. Já um multímetro em modo amperímetro tem de ser ligado em série, o que obriga a interromper o circuito, com risco de curto-circuito se for ligado por engano em paralelo.

Exemplo resolvido · diagnosticar uma resistência degradada

A resistência do exemplo do capítulo 2 (nominal: 1000 W, 230 V, 52,9 Ω) é medida em funcionamento normal. A tensão de alimentação mantém-se em 230 V; a pinça amperimétrica lê uma corrente de 3,9 A.

1. Resistência real medida (Lei de Ohm):

$$R_{medida} = \frac{V}{I} = \frac{230}{3{,}9} \approx 58{,}97\ \Omega$$

2. Potência real:

$$P_{medida} = V \times I = 230 \times 3{,}9 = 897\ \text{W}$$

3. Comparação com os valores nominais:

Grandeza Nominal Medida Variação
Resistência 52,9 Ω 58,97 Ω +11,5%
Potência 1000 W 897 W −10,3%

Diagnóstico: a resistência degradou-se (a oxidação interna do elemento resistivo aumenta a sua resistência ao longo da vida útil). Com a mesma tensão de alimentação, uma resistência mais alta faz circular menos corrente, e portanto menos potência: a zona aquece abaixo do previsto, o que pode afetar a qualidade da peça moldada. É este o raciocínio a fixar: resistência a subir, corrente e potência a descer, para a mesma tensão.

5. Dispositivos e sensores de monitorização

Monitorizar um molde é acompanhar, em tempo real ou por registo, as variáveis relevantes do seu funcionamento. Os sensores captam a variável física e convertem-na em sinal elétrico; os dispositivos de monitorização recolhem, mostram ou registam esse sinal.

Sensores de moldes e a sua simbologia

Sensor O que mede Símbolo (descrição)
Sensor de pressão pressão de injeção na cavidade círculo com a letra P
Sensor de temperatura temperatura numa zona do molde círculo com a letra T
Sensor de posição posição de um elemento móvel (macho, extrator) retângulo com haste
Contador de ciclos número de aberturas/fechos do molde círculo com contador numérico
Acessório de força de fecho força aplicada pela máquina no fecho símbolo de célula de carga
Mould stick (USB flash drive) regista dados de produção do molde símbolo de dispositivo USB

Reconhecer cada sensor pela sua simbologia, sem ambiguidade, é uma das aptidões diretamente avaliadas nesta UC.

O mould stick e o histórico do molde

O mould stick é um dispositivo USB que se liga ao quadro elétrico do molde e regista dados de produção ao longo do tempo, tipicamente o número de ciclos realizados. Isto permite consultar o histórico do molde de forma independente da máquina onde ele está montado num dado momento, o que é importante porque o mesmo molde pode passar por várias máquinas ao longo da sua vida.

Com este histórico, planeia-se a manutenção preventiva com base em ciclos reais acumulados, em vez de datas aproximadas ou de estimativas de produção.

6. Elementos resistivos e controladores de temperatura

Nem toda a resistência de um molde serve o mesmo propósito. Há duas famílias distintas:

Confundir as duas é um erro grave: uma resistência sensora tem valores de resistência muito mais baixos e não deve nunca ser ligada a uma fonte de potência como se fosse uma resistência de aquecimento.

A função do controlador de temperatura

O controlador de temperatura (termorregulador) fecha o ciclo de controlo de cada zona do molde, em quatro passos que se repetem continuamente:

  1. Lê a temperatura atual através da resistência sensora (PT100).
  2. Compara essa leitura com o valor programado (setpoint).
  3. Liga ou desliga a resistência de aquecimento, comandando um relé ou contactor.
  4. Repete o ciclo, mantendo a temperatura estável dentro de uma margem definida.

Sem esta malha fechada, a resistência ficaria permanentemente ligada e a zona sobreaqueceria, sem qualquer controlo.

7. Elementos conetores para moldes

Um molde muda de máquina de injeção ao longo da sua vida útil, e precisa de conetores normalizados para se ligar de forma fiável e rápida a qualquer máquina compatível.

Selecionar a ficha errada, com secção insuficiente para a corrente real da zona, é um risco de sobreaquecimento no próprio conector, independentemente de a resistência estar em bom estado.

Exemplo resolvido · dimensionar um conetor

Uma zona de aquecimento tem 3 resistências de cartucho iguais, cada uma de 1000 W a 230 V, ligadas ao mesmo conetor de potência.

Resolução: a corrente de cada resistência é, pela Lei de Ohm/potência, $I = P/V = 1000/230 \approx 4{,}35$ A. Como as três resistências partilham o mesmo conetor, a corrente total a considerar no dimensionamento é $3 \times 4{,}35 \approx 13{,}04$ A, e não a corrente de uma única resistência. O conetor e o cabo de alimentação até ele têm de suportar este total, não apenas 4,35 A.

8. Esquema elétrico de comando do molde

O esquema elétrico de comando de um molde representa, com a simbologia elétrica normalizada em fabrico de moldes, todas as ligações entre fonte, sensores, controladores e resistências, organizadas por zona de aquecimento.

Cada zona repete tipicamente a mesma estrutura:

[L 230V AC] ── [Fusível F1] ── [Contacto do relé K1] ── [Resistência R1] ── [N]
                                        
                        [Controlador T1] ── lê ── [PT100 · sensor S1]

Exemplo resolvido · interpretar e diagnosticar uma zona

Numa zona com esta estrutura, o controlador T1 mostra uma temperatura muito abaixo do setpoint e a resistência R1 não aquece. O fusível F1 está intacto (continuidade confirmada com o multímetro).

Resolução: com F1 confirmado, o passo seguinte é verificar se K1 está a fechar quando comandado (medir tensão nos terminais do contacto, ou continuidade quando ativado). Se K1 fechar corretamente e mesmo assim R1 não aquecer, mede-se a resistência de R1 diretamente com o multímetro (com o circuito despressurizado e sem tensão) e compara-se com o valor nominal calculado a partir da placa de característica. Só depois de excluídos F1 e K1 se conclui que o problema está em R1.

9. Esquemas de refrigeração

O circuito de refrigeração de um molde faz circular água (ou outro fluido) por canais internos, para controlar a temperatura da peça durante a moldação e reduzir o tempo de ciclo.

O esquema de refrigeração representa esses canais, com a simbologia própria para entrada (IN) e saída (OUT) de cada circuito, e as válvulas de controlo de caudal. Cada circuito é numerado e identificado, para que a ligação das mangueiras não seja trocada.

Uma refrigeração desequilibrada entre zonas do molde (um canal obstruído, ou entrada e saída trocadas) causa arrefecimento desigual da peça, o que se traduz em empenos e defeitos dimensionais.

Aplicar a chapa do esquema de refrigeração

A chapa do esquema de refrigeração fixa-se no molde, junto às ligações físicas, e mostra visualmente qual circuito corresponde a qual entrada e saída. Evita erros de ligação quando o molde muda de operador ou de máquina, e deve estar sempre coerente com o esquema arquivado: qualquer alteração ao circuito de refrigeração obriga a atualizar a chapa.

10. Esquemas hidráulicos

Alguns moldes têm atuadores hidráulicos: cilindros que produzem movimentos que a máquina de injeção, por si só, não realiza, corrediças, machos retráteis, extratores auxiliares.

O esquema hidráulico representa a bomba, as válvulas direcionais, os cilindros e as linhas de pressão e de retorno, com a sua simbologia própria. Cada movimento hidráulico corresponde a uma etapa do ciclo do molde, e a pressão de trabalho é sempre indicada, porque dimensiona toda a instalação (mangueiras, válvulas, cilindros).

Aplicar a chapa do esquema hidráulico

A chapa do esquema hidráulico identifica, no próprio molde, qual mangueira liga a qual válvula ou cilindro. É um dos pontos mais críticos de verificação: um movimento hidráulico trocado, por exemplo, uma linha de pressão ligada ao lado errado de um cilindro, pode inverter um movimento e provocar a colisão de componentes do molde, com dano físico grave, e não apenas uma falha de funcionamento.

11. Esquema da cinemática do molde

O esquema da cinemática do molde representa a sequência e o sentido dos movimentos mecânicos: abertura, extração, corrediças, machos retráteis. Ao contrário dos esquemas anteriores, que documentam ligações, este documenta uma ordem temporal de acontecimentos.

Exemplo resolvido · sequência de abertura com corrediça

  1. A máquina inicia a abertura do molde.
  2. Um sensor de posição confirma que o curso de abertura mínimo foi atingido.
  3. A corrediça hidráulica recua (ver esquema hidráulico, capítulo 10).
  4. O extrator avança; um sensor de posição confirma o fim de curso.
  5. A peça é libertada.

Cada passo desta sequência depende do anterior estar confirmado por sensor, e não apenas de um tempo decorrido estimado. Confiar num temporizador fixo em vez de numa confirmação de sensor é um erro comum que arrisca colisões entre elementos do molde que ainda não completaram o movimento anterior.

12. Chapas de esquemas e de identificação

As chapas de esquemas (elétrico, refrigeração, hidráulico, cinemática) devem estar montadas no molde, numa localização acessível e coerente com as ligações que documentam, tipicamente na face lateral, junto ao respetivo circuito. Uma chapa desatualizada é pior do que a ausência de chapa, porque induz o técnico em erro: qualquer alteração ao molde obriga a atualizar a chapa correspondente.

A chapa de identificação do molde

Distinta das chapas de esquema, a chapa de identificação do molde regista os dados essenciais para o gerir ao longo da sua vida útil:

Campo Exemplo
Código/referência do molde MOD-2394
Número de cavidades 4
Peso do molde 850 kg
Máquina(s) compatível(eis) 200 t / 350 t
Data de fabrico 2023

Esta chapa, em conjunto com o histórico do molde (ciclos registados via mould stick, manutenções realizadas), suporta decisões de manutenção preventiva baseadas em dados reais e não em estimativas.

13. Segurança e saúde no trabalho

Qualquer intervenção num molde, verificar uma resistência, um sensor, uma ligação hidráulica, só se faz com a máquina consignada e despressurizada:

Este enquadramento decorre da Lei n.º 102/2009 (regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho) e do Decreto-Lei n.º 50/2005 (prescrições mínimas de segurança e de saúde na utilização de equipamentos de trabalho pelos trabalhadores).

Equipamento de proteção individual (EPI)

O EPI adequado depende da tarefa concreta, não é uma regra genérica:

A exposição a considerar inclui também a fase de limpeza após a intervenção: resíduos de óleo hidráulico ou água de refrigeração exigem os mesmos cuidados, e a sua recolha segue as normas de proteção ambiental, sem descarga direta no meio ambiente. Em caso de acidente, o número de emergência é o 112.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Um molde monitorizado começa nos fundamentos: corrente, tensão, Lei de Ohm, potência e energia dão as contas que confirmam se uma resistência de aquecimento está a funcionar como deveria. Sobre essa base assentam os sensores (pressão, temperatura, posição, ciclos, força de fecho, mould stick), cada um com a sua simbologia, e os elementos resistivos e o controlador de temperatura que fecham o ciclo de aquecimento. A informação circula por quatro esquemas distintos, elétrico de comando, refrigeração, hidráulico e cinemática, cada um documentando uma dimensão diferente do funcionamento do molde. As chapas de esquema e de identificação, montadas e localizáveis no próprio molde, tornam essa documentação acessível a qualquer técnico. E nenhuma intervenção se faz sem segurança: máquina consignada e despressurizada, EPI adequado à tarefa, e o enquadramento da Lei 102/2009 e do DL 50/2005.

Exercícios resolvidos

1. Uma resistência de cartucho tem placa de característica de 1500 W a 230 V. Calcula a resistência e a corrente nominais.

Resolução: $R = V^2/P = 230^2/1500 = 52\,900/1500 \approx 35{,}27\ \Omega$. $I = P/V = 1500/230 \approx 6{,}52$ A.

2. Um controlador mantém uma resistência de 1500 W ligada 50% do tempo, durante um turno de 8 horas. Calcula a energia consumida.

Resolução: $E = P \times \text{fração} \times t = 1500 \times 0{,}50 \times 8 = 6000$ Wh = 6 kWh.

3. Uma resistência nominal de 800 W a 230 V é medida em funcionamento: tensão 230 V, corrente medida 3,0 A. A resistência está a funcionar acima, ao nível ou abaixo da potência nominal? Justifica.

Resolução: resistência nominal: $R = 230^2/800 = 66{,}13\ \Omega$; corrente nominal: $I = 800/230 \approx 3{,}48$ A. A corrente medida (3,0 A) é inferior à nominal (3,48 A), logo a potência real é $P = 230 \times 3{,}0 = 690$ W, abaixo dos 800 W nominais. A resistência medida é $R = 230/3{,}0 \approx 76{,}67\ \Omega$, mais alta do que a nominal, sinal de degradação, coerente com a corrente e a potência mais baixas.

4. Distingue uma resistência de aquecimento de uma resistência sensora (PT100) quanto à função e ao efeito da temperatura sobre elas.

Resolução: a resistência de aquecimento converte corrente em calor por efeito Joule, deliberadamente, e o seu valor de resistência é aproximadamente constante. A resistência sensora (PT100) não aquece: o seu valor de resistência varia com a temperatura de forma calibrada, e é essa variação que o controlador lê para saber a temperatura da zona.

5. Um molde apresenta empenos localizados numa das faces da peça. Que esquema deve ser revisto em primeiro lugar, e porquê?

Resolução: o esquema de refrigeração. Empenos localizados indicam habitualmente arrefecimento desigual entre zonas, o que aponta para um canal obstruído ou para entrada/saída trocadas nesse circuito, problema documentado e diagnosticável através do esquema e da chapa de refrigeração.

6. Antes de desligar uma mangueira hidráulica de um molde, que dois cuidados de segurança são obrigatórios?

Resolução: confirmar que a máquina está consignada (LOTO), para que ninguém a acione durante a intervenção, e garantir que o circuito hidráulico está despressurizado, para evitar a projeção de fluido sob pressão.