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UC · Unidade de Competência · UC03947

Sebenta · Montagem e ensaio de dispositivos mecânicos em moldes de injeção (UC03947)

Pneumática, hidráulica e eletricidade aplicadas a gavetas, ejeção e desenroscamento
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Produção e Gestão de Mo ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta ensina a montar e ensaiar dispositivos mecânicos em moldes de injeção: gavetas, sistemas de extração, desenroscadores e os circuitos pneumáticos, hidráulicos e elétricos que os fazem funcionar. É uma UC de aplicação prática, mas assente em cálculo (forças, pressões, áreas, binários) e em leitura rigorosa de esquemas.

O percurso segue as três realizações do referencial: primeiro analisar especificações e documentação técnica (desenhos de conjunto, esquemas pneumáticos/hidráulicos/elétricos, tolerâncias); depois executar a montagem dos dispositivos mecânicos, interligando-os aos sistemas de fluido e elétricos; por fim ensaiar e validar o funcionamento, retificando o que não cumpre a especificação. A segurança e a proteção ambiental atravessam as três etapas, do início ao fim.

Objetivos de aprendizagem (referencial): interpretar desenho técnico e esquemas de circuitos pneumáticos, hidráulicos e elétricos; selecionar, montar e interligar componentes pneumáticos, hidráulicos e elétricos em moldes; aplicar procedimentos de ensaio de funcionamento e retificar avarias; executar a manutenção de um conjunto; e cumprir as normas de segurança, saúde no trabalho e proteção ambiental.

1. Desenho técnico e dispositivos mecânicos em moldes

Nenhuma montagem começa na bancada: começa na leitura do desenho de conjunto do molde e dos desenhos esquemáticos de circuitos pneumáticos, hidráulicos e elétricos. É a primeira realização desta UC: analisar especificações e documentação técnica.

O desenho de conjunto mostra como as placas, as gavetas, os extratores e os sistemas auxiliares se encaixam. As fichas técnicas de cilindros, válvulas e sensores completam a informação, com as cotas e os limites de funcionamento de cada componente.

Tolerâncias e ajustamentos

As cotas mecânicas trazem, com frequência, uma tolerância dimensional do sistema ISO. Um furo Ø20 H7 admite um desvio entre 0 e +0,021 mm face à cota nominal de 20 mm.

Tipo de ajustamento Relação veio/furo Aplicação típica no molde
Com folga veio sempre menor que o furo guias de extratores (têm de deslizar)
Apertado (de transição) veio e furo quase coincidem componentes fixos sem folga
Com aperto veio maior que o furo ligação forçada por prensagem

Exemplo resolvido · ler uma cota tolerada

Um desenho especifica o furo de uma guia como Ø20 H7. Pergunta: qual é a gama de diâmetros aceitável?

Resolução: H7, para esta gama de diâmetros, corresponde a um desvio de 0 a +0,021 mm. A gama aceitável do furo é, portanto, 20,000 mm a 20,021 mm. Um furo medido a 19,995 mm está fora de tolerância (abaixo do mínimo); um furo a 20,015 mm está dentro.

Escolher o ajustamento errado (aperto onde o desenho pede folga) é um dos erros de montagem mais caros: gripa componentes que têm de deslizar em cada ciclo.

2. Tipos de dispositivos mecânicos em moldes

O segundo conhecimento do referencial cobre os tipos de dispositivos mecânicos que resolvem geometrias que impedem a peça de sair em linha reta do molde.

Gavetas e corrediças

As gavetas (ou corrediças, slides) libertam contrassaídas deslocando-se lateralmente antes da abertura do molde:

Extração, desenroscamento e manipulação

Cada dispositivo resolve um problema geométrico da peça; uma peça complexa combina vários (por exemplo, rosca interna e contrassaída lateral precisam de desenroscador e gaveta ou elevador).

3. Fundamentos de pneumática e hidráulica

Pneumática e hidráulica usam um fluido sob pressão para transmitir força, mas divergem em pontos que determinam onde se aplicam no molde.

Pneumática Hidráulica
Fluido ar comprimido óleo hidráulico
Pressão típica 4 a 10 bar 100 a 250 bar
Compressibilidade compressível praticamente incompressível
Força para o mesmo tamanho de cilindro menor muito maior
Retorno do fluido escapa para a atmosfera volta ao depósito (circuito fechado)

Regra prática: pneumática para funções auxiliares e forças moderadas (travas, sopros, pequenas gavetas); hidráulica para ejeção principal e gavetas de força elevada.

Simbologia ISO 1219-1

A norma ISO 1219-1 normaliza os símbolos de circuitos pneumáticos e hidráulicos:

No símbolo de bomba/motor (círculo com um triângulo), há duas regras independentes, que nunca se misturam:

  1. O preenchimento do triângulo indica o fluido: triângulo cheio (sólido) = hidráulico; triângulo vazio (só contorno) = pneumático.
  2. O sentido da ponta do triângulo indica a função: ponta no sentido do fluxo de saída do componente = bomba (gera caudal, converte energia mecânica em energia de fluido); ponta no sentido do fluxo de entrada = motor (é acionado pelo fluido, converte energia de fluido em energia mecânica).

Exemplo resolvido · identificar um componente pelo símbolo

Um esquema mostra um círculo com um triângulo vazio, com a ponta a apontar para fora do círculo, no sentido do caudal.

Resolução: triângulo vazio → fluido pneumático (ar); ponta a apontar para fora, no sentido da saída → é uma bomba/compressor pneumático. Se o mesmo triângulo estivesse cheio, seria hidráulico; se a ponta apontasse para dentro, seria um motor.

4. Produção e tratamento do ar comprimido

O ar comprimido percorre uma cadeia de produção e tratamento antes de chegar ao molde:

  1. Compressor (de pistão, de parafuso ou de palhetas): aspira ar atmosférico e comprime-o.
  2. Reservatório: amortece picos de consumo e deixa condensar parte da humidade.
  3. Secador (frigorífico ou por adsorção): remove a humidade restante.
  4. Filtro geral de rede: retém partículas e óleo arrastado do compressor.

O ar atmosférico contém sempre vapor de água; comprimi-lo concentra essa água, que corrói válvulas e gripa cilindros se não for removida.

Tratamento local: a unidade FRL

Junto de cada máquina ou molde, monta-se uma unidade de tratamento (FRL), sempre nesta ordem:

Elemento Função
F · Filtro remove partículas sólidas e condensados finais
R · Regulador de pressão ajusta e estabiliza a pressão de trabalho
L · Lubrificador névoa de óleo, só quando o fabricante o exige

Inverter a ordem (por exemplo, lubrificar antes de filtrar) compromete o filtro. Muitos componentes atuais têm vedantes autolubrificados e dispensam o L.

5. Redes de distribuição e aplicações do ar comprimido

Desenhar a rede

Aplicações no molde

Exemplo resolvido · dimensionar pelo consumo simultâneo

Um molde tem três dispositivos pneumáticos: uma trava (nunca atua ao mesmo tempo que os outros dois) e duas gavetas que atuam em simultâneo no mesmo instante do ciclo.

Resolução: o dimensionamento da linha que alimenta as duas gavetas soma os dois consumos, porque atuam ao mesmo tempo. O consumo da trava não se soma a esses dois, porque nunca ocorre no mesmo instante; dimensiona-se apenas para o seu próprio pico, na sua própria derivação.

6. Componentes de circuitos pneumáticos e conversão de unidades

Materiais e componentes

Calcular a força de um cilindro pneumático

A força é pressão × área: F = P × A, com A = π/4 × D².

Exemplo resolvido · cilindro de uma gaveta. Êmbolo D = 32 mm, haste d = 12 mm, pressão de trabalho P = 6 bar (6 × 10⁵ Pa).

Grandeza Cálculo Resultado
Área do êmbolo (A) π/4 × 32² 804,25 mm² (8,04 cm²)
Área da haste (Ar) π/4 × 12² 113,10 mm² (1,13 cm²)
Área anelar (A − Ar) 804,25 − 113,10 691,15 mm² (6,91 cm²)
Força de avanço 6×10⁵ Pa × 8,0425×10⁻⁴ m² 482,5 N (≈ 49,2 kgf)
Força de recuo 6×10⁵ Pa × 6,9115×10⁻⁴ m² 414,7 N (≈ 42,3 kgf)

A força de recuo é sempre menor do que a de avanço no mesmo cilindro, porque a haste ocupa área do lado da câmara de recuo: nunca se calcula o recuo com a área total do êmbolo.

Conversão de unidades

Grandeza Equivalência
Pressão 1 bar = 100 kPa = 0,1 MPa ≈ 14,50 psi ≈ 1,02 kgf/cm²
Caudal 1 m³/h = 16,67 L/min
Força 1 kgf = 9,81 N; 1 kN = 1000 N ≈ 101,97 kgf
Binário 1 N·m ≈ 10,20 kgf·cm

Exemplo resolvido · converter uma leitura de pressão

Um manómetro antigo lê 4,5 bar. Que valor é isso em kPa, em psi (catálogo americano) e em kgf/cm² (catálogo europeu antigo)?

Resolução: - kPa: 4,5 × 100 = 450 kPa. - psi: 4,5 × 14,50 ≈ 65,27 psi. - kgf/cm²: 4,5 × 1,02 ≈ 4,59 kgf/cm².

Confundir psi com bar é um erro caro: 6 bar correspondem a quase 87 psi. Regular um sistema europeu "para 6" à escala americana deixaria o circuito muito subalimentado.

Exemplo resolvido · consumo de ar de um cilindro em ciclo

O cilindro do exemplo anterior (D = 32 mm, d = 12 mm, curso = 100 mm) faz 10 ciclos por minuto, a 6 bar.

Resolução: - Volume de avanço por ciclo: 804,25 mm² × 100 mm = 80 425 mm³ ≈ 80,42 cm³. - Volume de recuo por ciclo: 691,15 mm² × 100 mm = 69 115 mm³ ≈ 69,12 cm³. - Volume total por ciclo: 80,42 + 69,12 ≈ 149,5 cm³ (0,1495 L). - Razão de compressão (simplificando a pressão atmosférica a 1 bar): (6 + 1) / 1 = 7. - Caudal de ar livre: 0,1495 L × 10 ciclos/min × 7 ≈ 10,47 L/min ≈ 0,63 m³/h.

Este é o caudal (em ar livre, à pressão atmosférica) que o compressor tem de fornecer só para este cilindro, e é o valor que entra no dimensionamento da rede do capítulo 5.

7. Montagem, interligação e deteção de avarias em pneumática

Selecionar, montar e interligar

  1. Selecionar cilindro, válvula e acessórios a partir do esquema e das forças/cursos calculados.
  2. Selecionar e utilizar as ferramentas de montagem corretas: chave dinamométrica para racords, ferramenta de corte a esquadria para o tubo.
  3. Montar e manusear respeitando o sentido de fluxo indicado no corpo da válvula.
  4. Interligar os elementos mecânicos (a gaveta, o pino) aos componentes pneumáticos (o cilindro), sem forçar a haste lateralmente.
  5. Testar as ligações com ar a baixa pressão antes de subir à pressão nominal.

Detetar e solucionar avarias

Sintoma Causa provável Solução
Cilindro não se move falta de pressão, válvula sem comando, ar bloqueado verificar manómetro, comando elétrico, purgas
Movimento lento ou irregular reguladora mal ajustada, fuga interna reajustar caudal, testar estanquicidade
Fuga audível num racord tubo mal cortado ou não inserido até ao fundo recortar e reinserir
Cilindro "afunda" parado vedante do êmbolo degradado substituir o kit de vedantes

O diagnóstico segue sempre a mesma lógica: da fonte de pressão para o dispositivo, verificando cada elemento até encontrar o que falha.

8. Hidráulica em moldes: campos de aplicação, componentes e acessórios

Onde se usa hidráulica

A hidráulica aplica-se onde a pneumática não tem força suficiente: ejeção principal de peças grandes ou moldes com muitos pontos de extração, gavetas de grande força, núcleos móveis (core-pulls) complexos e sistemas de desenroscamento por motor hidráulico de binário elevado.

Componentes de um circuito hidráulico

Equipamentos e acessórios do molde

Exemplo resolvido · calcular a força de um cilindro hidráulico

Cilindro do ejetor principal: êmbolo D = 40 mm, haste d = 20 mm, pressão de trabalho P = 160 bar.

Grandeza Cálculo Resultado
Área do êmbolo (A) π/4 × 40² 1256,64 mm² (12,57 cm²)
Área da haste (Ar) π/4 × 20² 314,16 mm² (3,14 cm²)
Área anelar (A − Ar) 1256,64 − 314,16 942,48 mm² (9,42 cm²)
Força de avanço 160×10⁵ Pa × 12,5664×10⁻⁴ m² ≈ 20 106 N ≈ 20,1 kN
Força de recuo 160×10⁵ Pa × 9,4248×10⁻⁴ m² ≈ 15 080 N ≈ 15,1 kN

Mesma fórmula da pneumática, mas pressões 20 a 30 vezes maiores: por isso as forças hidráulicas se expressam em kN, não em N.

9. Lubrificantes e fluidos hidráulicos

O fluido hidráulico

O óleo hidráulico transmite força, mas também lubrifica, veda folgas internas e dissipa calor.

Lubrificantes dos elementos mecânicos

Os elementos móveis do molde (guias, colunas inclinadas, gavetas) usam lubrificantes próprios, diferentes do fluido hidráulico do circuito:

Lubrificar a mais também é defeito: o excesso atrai partículas e pode migrar para a cavidade, marcando a peça. Usar sempre o produto especificado, nunca "o óleo hidráulico que já está ali".

10. Montagem, interligação e deteção de avarias em hidráulica

Montar e interligar

  1. Selecionar os componentes a partir do esquema e das forças calculadas.
  2. Montar e manusear com o binário de aperto especificado: pouco aperta a mais foge; a mais, esmaga o vedante.
  3. Interligar os elementos mecânicos e componentes hidráulicos, verificando o alinhamento da haste com a carga.
  4. Purgar o ar do circuito antes do primeiro ensaio: ar retido causa movimento "elástico" e impreciso.
  5. Confirmar a posição de repouso definida no esquema antes de aplicar pressão pela primeira vez.

Detetar e solucionar avarias

Sintoma Causa provável Solução
Movimento lento, força fraca filtro colmatado, bomba a desgastar, fuga interna verificar filtro, pressão na bomba, vedantes
Movimento "aos saltos" ar no circuito purgar
Sobreaquecimento do óleo válvula limitadora mal regulada, radiador sujo verificar regulação, limpar permutador
Cilindro deriva sozinho, sem comando válvula direcional com fuga interna testar e substituir a válvula

Nunca se procura uma fuga de alta pressão com a mão ou com um cartão perto do ponto suspeito: um jato invisível a alta pressão pode injetar fluido sob a pele. O procedimento de emergência está detalhado no capítulo 15.

Exemplo resolvido · tempo de curso a partir do caudal da bomba

A bomba entrega 8 L/min ao cilindro do ejetor do capítulo 8 (área do êmbolo A = 12,566 cm²), para um curso de 15 cm no avanço.

Resolução: - Caudal em cm³/s: 8 L/min = 8000 cm³ / 60 s ≈ 133,33 cm³/s. - Velocidade de avanço: v = Q / A = 133,33 / 12,566 ≈ 10,61 cm/s. - Tempo de curso: t = curso / v = 15 / 10,61 ≈ 1,41 s.

Este valor de referência é o que se compara com o tempo medido no ensaio: um tempo muito maior aponta para perda de caudal (fuga, filtro colmatado); muito menor aponta para erro no comando.

11. Componentes e dispositivos elétricos para moldes

Elétrica de comando e deteção

Selecionar, montar e interligar componentes elétricos

  1. Interpretar o esquema elétrico (simbologia normalizada, numeração de bornes).
  2. Selecionar cabo, secção e proteção adequados à corrente do atuador.
  3. Montar e manusear: fixar o sensor à distância de deteção especificada na ficha técnica, apertar os bornes ao binário correto.
  4. Interligar sensores e eletroválvulas ao quadro/PLC, respeitando a numeração do esquema.
  5. Testar cada sinal isoladamente (forçar o sensor à mão, confirmar o LED) antes do teste integrado com pneumática/hidráulica.

Um sensor mal posicionado "engana" o PLC: o dispositivo está na posição errada, mas o sistema acredita que está correto, e pode autorizar o fecho do molde com um dispositivo fora de posição.

12. Elementos de ligação, vedação, fixação, travagem e tubagens

Ligação, vedação e fixação

Sistemas e ligações de tubagens

Recomendações de montagem para elementos de ligação e transmissão

Exemplo resolvido · calcular um binário de aperto

Uma chave dinamométrica aplica uma força de 150 N a um braço de 0,2 m.

Resolução: T = F × braço = 150 × 0,2 = 30 N·m. Em kgf·cm: 30 × 10,20 ≈ 305,9 kgf·cm.

Se, em vez disso, a força fosse 200 N a um braço de 0,25 m: T = 200 × 0,25 = 50 N·m, um binário maior exige braço e/ou força maiores, nunca se obtém "a mais" sem alterar um dos dois fatores.

13. Ensaio de funcionamento

Preparar e sequenciar

Ensaiar é a terceira realização desta UC: aplicar procedimentos de ensaio a sistemas do molde e validar (ou retificar) o resultado.

  1. Verificação visual: montagem completa, sem ferramentas esquecidas, ligações apertadas.
  2. Pressurização gradual: subir a pressão em degraus, verificando fugas a cada patamar.
  3. Teste em vazio, ciclo a ciclo, cada dispositivo isolado, a baixa velocidade.
  4. Teste sequencial integrado: a sequência completa do ciclo, com os sensores a confirmar cada posição.
  5. Registo dos resultados: tempos de curso, pressões, comparados com a especificação.

Validar, retificar e documentar

14. Manutenção, avarias, tolerâncias e retificações

Manutenção de um conjunto

Exemplo resolvido · verificar um desgaste contra a tolerância

Um veio de guia com cota nominal Ø20 H7 (limites 20,000 a 20,021 mm) é medido após uso e regista 20,035 mm.

Resolução: o valor medido está acima do limite superior: 20,035 − 20,021 = 0,014 mm fora de tolerância. A peça já não garante o ajustamento previsto e deve ser retificada ou substituída (nunca montada "na mesma" à espera que funcione).

Se a medição fosse 20,010 mm, estaria dentro da tolerância (entre 20,000 e 20,021) e a peça continuaria em serviço.

15. Segurança, saúde no trabalho e proteção ambiental

Energia armazenada: despressurizar e consignar

  1. Parar o equipamento e desligar o comando.
  2. Despressurizar o circuito (válvulas de alívio, deixar os cilindros descarregar).
  3. Consignar (LOTO): bloquear a fonte de energia com cadeado pessoal e etiqueta.
  4. Confirmar energia zero antes de abrir qualquer união ou desmontar qualquer componente.

Esta sequência aplica-se sempre, mesmo para "uma verificação rápida", ao abrigo da Lei 102/2009 (regime jurídico da segurança e saúde no trabalho) e do DL 50/2005 (equipamentos de trabalho).

Riscos específicos

Proteção ambiental

Erros comuns

Glossário

Síntese

Montar e ensaiar dispositivos mecânicos num molde de injeção segue sempre a mesma ordem: ler o desenho e os esquemas → identificar o tipo de dispositivo (gaveta, ejetor, desenroscador) → calcular as forças e caudais necessários (F = P × A, com a área da haste sempre descontada no recuo) → selecionar e montar os componentes pneumáticos, hidráulicos e elétricos, com o binário e o alinhamento corretos → ensaiar de forma gradual e sequencial → validar com repetibilidade ou retificarmanter dentro de tolerância ao longo da vida do molde. A segurança (despressurizar, consignar, nunca procurar fugas com a mão) e a proteção ambiental acompanham cada etapa, do início ao fim.

Exercícios resolvidos

1. Um cilindro pneumático de duplo efeito tem êmbolo D = 20 mm e haste d = 8 mm, a trabalhar a 5 bar. Calcula a força de avanço e de recuo.

Resolução: A = π/4 × 20² = 314,16 mm²; Ar = π/4 × 8² = 50,27 mm²; A_anel = 263,89 mm². F_avanço = 5×10⁵ × 314,16×10⁻⁶ ≈ 157,1 N. F_recuo = 5×10⁵ × 263,89×10⁻⁶ ≈ 131,9 N.

2. Um técnico encontra uma fuga fina numa mangueira hidráulica de alta pressão. Qual é o procedimento correto?

Resolução: nunca aproximar a mão ou um cartão do ponto de fuga. Despressurizar e consignar o circuito (LOTO) antes de qualquer intervenção. Se houver suspeita de que alguém foi atingido pelo jato, ligar de imediato ao 112 e informar a triagem de que se trata de uma lesão por injeção de fluido a alta pressão.

3. Um esquema pneumático mostra uma válvula com 5 vias e 2 posições. Quantas vias de escape tem e como se identificam?

Resolução: uma válvula pneumática 5/2 tem duas vias de escape, numeradas 3 e 5; a via 1 é a alimentação (P) e as vias 2 e 4 são as vias de trabalho (A e B). Um circuito hidráulico equivalente (4/2 ou 4/3) tem, em vez disso, uma única via de retorno ao tanque (T).

4. Um veio de guia com cota Ø20 H7 (20,000 a 20,021 mm) é medido a 20,012 mm. Está dentro de tolerância?

Resolução: sim. 20,012 mm situa-se entre 20,000 e 20,021 mm, portanto está dentro da tolerância H7 e a peça continua em serviço.

5. Uma bomba hidráulica entrega 6 L/min a um cilindro cuja área do êmbolo é 12,566 cm². Qual a velocidade de avanço, em cm/s?

Resolução: Q = 6 L/min = 6000/60 = 100 cm³/s. v = Q/A = 100/12,566 ≈ 7,96 cm/s.