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UC · Unidade de Competência · UC03943

Sebenta · Efetuar a montagem de conjuntos ou partes de moldes (UC03943)

Do desenho ao molde fechado, medir, ajustar, montar e validar com rigor
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Produção e Gestão de Mo ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Um molde de injeção chega à bancada de montagem em dezenas de peças soltas: placas, machos, cavidades, colunas, casquilhos, extratores, parafusos. Nenhuma delas, por muito bem maquinada que esteja, garante um molde a funcionar. É a montagem que as transforma num conjunto capaz de produzir milhares de peças idênticas, ciclo após ciclo, sem folgas indevidas, sem encravamentos e sem fugas.

Esta sebenta segue o percurso de um técnico de produção e gestão de moldes: analisar os requisitos e as especificações técnicas e funcionais, medir e validar os componentes maquinados, estabelecer a sequência de montagem e, só depois, executar a montagem do conjunto ou parte do molde. São as quatro realizações desta UC, e é a ordem por que se organiza todo o material.

Objetivos de aprendizagem (referencial): interpretar o desenho de fabrico e de montagem; medir e verificar dimensões, conformidades geométricas e acabamento superficial com os instrumentos certos; aplicar as normas de montagem, os ajustamentos e os elementos de fixação, centramento e posicionamento; selecionar, montar e manusear componentes hidráulicos e pneumáticos; interpretar a cinemática do molde e detetar anomalias; e cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho e de proteção ambiental em cada etapa.

1. Da peça ao molde: conjuntos, partes e o papel da montagem

Um molde de injeção organiza-se em conjuntos que se montam de forma relativamente independente antes de se juntarem no molde completo:

Conjunto Função Componentes típicos
Conjunto macho forma a parte interior da peça, lado móvel macho, porta-machos, cavilhas
Conjunto cavidade forma a parte exterior da peça, lado fixo cavidade, placa fixa, anel de centragem
Conjunto de extração expulsa a peça depois de moldada extratores, placa de extração, molas
Sistema de alimentação conduz o plástico fundido até à cavidade bucha, gito, canais, ataques
Sistema de refrigeração arrefece o molde a um ritmo controlado canais de água, o-rings, racords

Pensar por conjuntos facilita duas coisas: o planeamento da sequência de montagem (Capítulo 13) e a deteção de anomalias (Capítulo 12), porque um problema isola-se ao subconjunto onde surge, em vez de se procurar no molde inteiro.

A montagem é a última etapa antes do molde ir para a máquina de injeção. Herda os erros de todas as fases anteriores (maquinação, tratamento térmico, retificação), mas é também a última oportunidade de os apanhar antes de custarem uma paragem de produção.

2. Analisar requisitos, especificações técnicas e funcionais

A primeira realização da UC é analisar, antes de tocar em qualquer peça:

O critério de desempenho "garantindo os requisitos técnicos, de compatibilidade e funcionais" resume o que se exige nesta fase: as cotas do desenho têm de bater certo (técnico), os componentes têm de encaixar sem forçar segundo os ajustamentos previstos (compatibilidade), e o conjunto montado tem de desempenhar a função sem falhas (funcional).

Exemplo: um molde de duas cavidades chega à bancada com o desenho de montagem, o desenho de fabrico de cada componente e a lista de materiais com 47 itens (12 normalizados, 35 à medida). Antes de montar, o técnico confere: (1) todas as cotas críticas dos componentes à medida contra o desenho, (2) que a lista de materiais tem os 47 itens fisicamente presentes na bancada, sem faltas, e (3) que o ciclo de injeção previsto (25 segundos) é compatível com o sistema de refrigeração projetado. Só depois desta conferência começa a montar.

Um molde pode cumprir os requisitos técnicos, com todas as cotas dentro de tolerância, e mesmo assim falhar no funcional, por exemplo se a extração emperrar apesar de cada componente estar individualmente correto. Verificar cotas não substitui testar a função.

3. Metrologia dimensional e instrumentos de medida e verificação

A metrologia dimensional é a ciência de medir com rigor. Na montagem de moldes, mede-se para validar, não só para desenhar. A escolha do instrumento depende da tolerância a verificar: a resolução do instrumento deve ser, como regra prática, pelo menos dez vezes menor que a tolerância exigida.

Instrumento Resolução típica Uso
Paquímetro 0,02 mm cotas gerais, medições rápidas
Micrómetro 0,001 mm diâmetros e espessuras críticas
Comparador (relógio) 0,001 mm planeza, paralelismo, desvios
Régua de fio de aço + nível visual/mecânica retilinidade e horizontalidade de placas
Esquadro de precisão visual/mecânica perpendicularidade entre faces
Rugosímetro 0,01 µm rugosidade Ra, Rz em superfícies funcionais
Máquina de medição por coordenadas (MMC) 0,001 mm ou melhor geometrias complexas, verificação de séries

Escalas comparativas de rugosidade são rápidas mas subjetivas, comparam por amostra ao toque ou à vista. O rugosímetro dá um valor numérico objetivo (Ra ou Rz), obrigatório em zonas críticas como o deslizamento das colunas-guia. Limpar sempre a superfície antes de medir, resíduos falseiam a leitura.

4. Medir e validar componentes maquinados

A segunda realização é medir e validar cada componente antes de o integrar no conjunto:

  1. Confrontar o componente com o seu desenho de fabrico.
  2. Medir as cotas críticas: diâmetros de ajustamento, espessuras, posições de furos.
  3. Verificar o acabamento superficial nas zonas funcionais.
  4. Registar os valores medidos e comparar com a tolerância admissível.
  5. Decidir: aceitar, retrabalhar ou rejeitar.

Exemplo resolvido: um casquilho-guia tem cota nominal Ø28 H7, ou seja, o diâmetro admissível vai de 28,000 mm a 28,021 mm (ver o cálculo do ajustamento no Capítulo 7). A medição no comparador deu 28,014 mm.

28,014 mm está dentro do intervalo [28,000; 28,021] mm → componente aceite.

Se a medição tivesse dado 28,027 mm, o valor estaria acima do limite superior (28,021 mm) → rejeitado ou retrabalhado, nunca montado à força. A tolerância define um intervalo fechado: um valor 0,001 mm acima do limite já não é aceite, "estar quase" não é critério de aceitação.

5. Elementos de fixação e binários de aperto

Os elementos de fixação garantem que as placas e componentes do molde ficam solidários durante milhares de ciclos de injeção: parafusos de cabeça cilíndrica sextavada interior (DIN 912), anilhas de pressão, cavilhas roscadas, grampos e calços de fixação aos pratos da máquina.

Cada parafuso traz gravada uma classe de resistência (ex.: 8.8, 10.9, 12.9): o primeiro número, multiplicado por 100, dá aproximadamente a tensão de rotura em MPa (classe 12.9 ≈ 1200 MPa de rotura); o produto dos dois números, a dividir por 10, dá a tensão de cedência aproximada.

O binário de aperto garante uma pré-carga suficiente sem danificar a rosca nem deformar a placa:

T = K × F × d

onde K é o coeficiente de atrito (≈ 0,2 para aço lubrificado), F é a força de pré-carga (aqui, 75% da carga de prova do parafuso) e d o diâmetro nominal, em metros.

Exemplo resolvido, parafuso M10 classe 12.9:

Tabela completa para os parafusos mais usados em placas de molde, classe 12.9, mesma fórmula:

Parafuso Área resistente Carga de prova Pré-carga (75%) Binário T
M6 20,1 mm² 19 497 N 14 623 N 17,5 N·m
M8 36,6 mm² 35 502 N 26 626 N 42,6 N·m
M10 58,0 mm² 56 260 N 42 195 N 84,4 N·m
M12 84,3 mm² 81 771 N 61 328 N 147,2 N·m

O diâmetro d entra na fórmula em metros, não em milímetros. Trocar a unidade dá um binário cem vezes maior e um técnico convencido de que precisa de uma chave de impacto onde bastava a mão. Aperta-se sempre com chave dinamométrica calibrada, nunca "a olho".

6. Elementos de centramento e posicionamento

Os elementos de centramento garantem que o macho e a cavidade fecham sempre na mesma posição relativa, ciclo após ciclo. Distinguem-se dois tipos, com funções diferentes:

Há ainda os anéis de centragem, que alinham o molde com o bico de injeção da máquina, e os batentes e apoios, que garantem a distância certa entre placas com o molde fechado.

Regra da casa: primeiro cavilha-se, depois fura-se e aparafusa-se, nunca ao contrário. Cavilhar primeiro fixa a posição de referência; aparafusar primeiro e cavilhar depois amplifica qualquer erro de posicionamento a todos os furos seguintes.

7. Ajustamentos ISO 286: folgas e apertos

Um ajustamento descreve a relação entre um furo e um veio do mesmo diâmetro nominal. A norma ISO 286 define, por gama de diâmetros, um valor de IT (unidade de tolerância, em micrómetros) e um desvio fundamental por letra: maiúscula para o furo (H tem sempre desvio inferior zero), minúscula para o veio.

Três famílias de ajustamento, pela letra do veio:

Exemplo resolvido 1, coluna-guia Ø28 H7/g6 (ajustamento com folga):

A folga varia sempre entre 0,007 mm e 0,041 mm, nunca há aperto: adequado ao deslizamento repetido da coluna-guia.

Exemplo resolvido 2, cavilha de centragem Ø10 H7/m6 (ajustamento incerto):

O resultado varia entre 0,009 mm de folga e 0,015 mm de aperto, consoante as peças reais: monta-se normalmente com prensa manual, sem folga percetível.

Exemplo resolvido 3, furo de guiamento do extrator Ø6 H8/f7 (ajustamento com folga):

Um extrator precisa de mais folga que uma coluna-guia (0,010 a 0,040 mm contra 0,007 a 0,041 mm, valores próximos, mas em grau de tolerância mais aberto, H8/f7 em vez de H7/g6), porque desliza a alta velocidade e não precisa da mesma precisão de posicionamento.

Dentro da mesma gama de diâmetros definida pela ISO 286, os valores de IT e de desvio fundamental são os mesmos, mudam só com a gama, não com cada diâmetro individual. Uma coluna-guia Ø20 e uma Ø28 (ambas na gama 18-30 mm) têm exatamente a mesma folga H7/g6, entre 0,007 e 0,041 mm, apesar de diâmetros nominais diferentes.

8. Acabamento superficial

O acabamento superficial de um molde não é estético, é funcional: influencia o deslizamento, a vedação entre placas e o desmoldeamento da peça.

Zona Exigência de Ra Motivo
Colunas-guia, casquilhos 0,1 a 0,4 µm deslizamento repetido sem gripagem
Cavidades de aspeto/transparentes inferior a 0,05 µm (polimento espelhado) qualidade superficial da peça final
Zonas de vedação entre placas fino, sem marcas de maquinação evitar fugas de material sob pressão
Placas estruturais, calços acabamento normal de maquinação sem exigência funcional especial

O polimento avança sempre do grão mais grosso para o mais fino: limas e pedras de diamante primeiro, panos e pastas de polimento progressivamente mais finas depois. Saltar uma etapa deixa marcas visíveis que obrigam a repetir o processo desde o início.

9. Tecnologia de materiais e tratamentos térmicos

A escolha do aço acompanha a função de cada componente do molde:

Família de aço Uso típico Característica
Pré-temperados (ex.: 1.2311, 1.2738) placas estruturais boa maquinabilidade, dureza moderada
Para têmpera (ex.: 1.2343, 1.2344) machos e cavidades alta dureza após tratamento
Inoxidáveis para moldes peças de alimentar/médicas resistência à corrosão
De nitruração colunas-guia, casquilhos superfície muito dura, núcleo dúctil

Os tratamentos térmicos alteram a dureza sem mudar a forma da peça:

O tratamento térmico acontece antes da retificação final: a peça é tratada e só depois ajustada às cotas definitivas, porque o tratamento pode distorcer ligeiramente a geometria. Retificar antes do tratamento seria retrabalho garantido.

10. O sistema de alimentação: gito, canal de distribuição e ataque

O plástico fundido percorre três geometrias distintas até chegar à cavidade, e é frequente confundi-las entre si:

Ordem fixa do percurso: bico da máquina → gito → canal de distribuição → ataque → cavidade.

Exemplo: um molde de quatro cavidades tem um único gito (na bucha), quatro canais de distribuição que se ramificam a partir dele (um por cavidade) e quatro ataques, um imediatamente antes de cada cavidade. São três tipos de geometria, com quantidades diferentes: 1 gito, 4 canais, 4 ataques, todos no mesmo molde.

Na montagem, a bucha de injeção monta-se com ajustamento de centragem preciso, alinhada com o bico da máquina; os canais verificam-se quanto ao acabamento (para o material fluir sem reter ar); o ataque dimensiona-se conforme o material e a peça, mais estreito para maior controlo, mais largo para paredes espessas.

Um ataque mal dimensionado ou desalinhado gera peças com rebarba, marcas visíveis ou preenchimento incompleto. Confirmar sempre que o percurso completo, do bico da máquina até à cavidade, está desobstruído e alinhado antes de fechar o molde.

11. Hidráulica e pneumática no molde

Muitos moldes usam atuadores hidráulicos para movimentos que a abertura da máquina não resolve sozinha: extratores robustos e corrediças de moldes complexos.

Selecionar os componentes certos exige conhecer a força e o curso exigidos pelo movimento; montá-los exige ligações à prova de fuga.

O ar comprimido ajuda a desmoldear peças delicadas por sopro, sem forçar mecanicamente: válvulas de sopro, racords rápidos, reguladores de pressão (ajustados à fragilidade da peça) e filtros de linha que retiram humidade e partículas do ar.

Pressão de sopro a mais em peças finas deforma-as. Regular sempre à pressão mínima eficaz, e nunca apertar racords hidráulicos ou pneumáticos "à força" sem confirmar que a rosca é a correta, isso danifica a vedação.

12. Cinemática do molde e deteção de anomalias

A cinemática do molde descreve todos os movimentos de um ciclo de injeção: fecho → injeção → arrefecimento → abertura → avanço da extração → recuo da extração → repete. Corrediças e gavetas acrescentam movimentos laterais, acionados por came ou cilindro, para desmoldear peças com contra-saídas.

Cada movimento tem um curso máximo e um ponto de paragem definidos no projeto. Interpretar corretamente o estudo de cinemática, antes de montar, evita colocar um batente no sítio errado e travar um movimento que devia ser livre.

Antes de o molde ir para a máquina de injeção, simula-se manualmente o ciclo completo:

  1. Fechar o conjunto e verificar que assenta sem forçar.
  2. Acionar a extração (manual ou com o atuador) e confirmar o curso livre.
  3. Acionar corrediças, se existirem, e verificar que não colidem com outras peças.
  4. Repetir o ciclo várias vezes, à procura de ruídos, encravamentos ou desalinhamentos.

Detetar anomalias é comparar o observado com o previsto no desenho: um ruído metálico novo, um curso mais curto que o esperado, uma folga que desapareceu. Cada anomalia aponta para uma causa concreta a corrigir antes da produção, e é a base do critério de desempenho "propondo melhorias em função das anomalias detetadas".

13. Estabelecer e executar a sequência de montagem

A terceira e a quarta realizações da UC, sequenciar e depois executar, seguem uma ordem lógica:

  1. Montar primeiro os elementos de centramento (cavilhas, colunas-guia), que fixam a referência.
  2. Montar os componentes funcionais: extratores, sistema de alimentação, circuitos hidráulicos e pneumáticos.
  3. Apertar os elementos de fixação por último, em padrão cruzado (em estrela) e em vários passos de binário crescente, nunca de um lado para o outro.
  4. Terminar com a verificação funcional e a simulação do ciclo (Capítulo 12).

Exemplo resolvido, cadeia de cotas de um conjunto fechado: para confirmar que a altura fechada do conjunto macho + cavidade cabe no espaço da máquina de injeção, somam-se as cotas de cada placa, com as suas tolerâncias, pelo método do pior caso:

Componente Cota nominal Tolerância
Placa base 30,00 mm ± 0,05 mm
Placa macho 50,00 mm ± 0,03 mm
Placa cavidade 40,00 mm ± 0,04 mm
Calço 20,00 mm ± 0,02 mm

Nominal = 30,00 + 50,00 + 40,00 + 20,00 = 140,00 mm. Tolerância (pior caso) = soma das tolerâncias individuais = 0,05 + 0,03 + 0,04 + 0,02 = 0,14 mm.

Cota resultante: 140,00 ± 0,14 mm, ou seja, entre 139,86 mm e 140,14 mm. Esta é a altura fechada que se confere fisicamente com o comparador antes de fixar o molde na máquina.

14. Segurança, saúde no trabalho e ambiente

Um molde pesa normalmente entre dezenas e centenas de quilos: a movimentação de cargas é um dos maiores riscos desta UC.

Na limpeza e no manuseamento de componentes, os equipamentos de proteção individual (EPI) acompanham a exposição real da tarefa:

Tarefa EPI
Manipulação de componentes com arestas luvas de proteção mecânica
Limpeza com solventes (desengordurantes) luvas resistentes a químicos, óculos de proteção, ventilação adequada
Movimentação de cargas calçado com biqueira de aço
Maquinação de acabamento óculos e proteção auditiva conforme o posto

Solventes usam-se sempre com ventilação adequada, nunca em espaço fechado sem extração de ar: os vapores acumulam-se rapidamente.

Enquadramento legal: a Lei 102/2009 define o regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho, aplicável a toda a atividade de montagem; o DL 50/2005 estabelece as prescrições mínimas de segurança e de saúde para a utilização de equipamentos de trabalho, como as máquinas de injeção e os meios de elevação usados nesta UC.

Procedimento de emergência: em caso de acidente, ligar 112, prestar os primeiros socorros dentro da formação de cada um, isolar a zona de trabalho e nunca mover uma vítima com suspeita de lesão na coluna. O plano de emergência do local de trabalho identifica os pontos de encontro e os responsáveis de primeira intervenção, e deve ser conhecido antes de qualquer trabalho começar, não consultado só depois do acidente.

Erros comuns

Glossário

Estas atitudes são avaliadas em conjunto com o rigor técnico: responsabilidade pelas decisões de aceitar ou rejeitar um componente, autonomia para conduzir a sequência de montagem sem supervisão constante, adaptabilidade perante uma anomalia inesperada na simulação, e assertividade na comunicação ao reportar ao resto da equipa um componente rejeitado ou um ajustamento fora do previsto.

Síntese

A montagem de um molde segue sempre a mesma lógica: analisar os requisitos (desenho de fabrico, de montagem, especificações funcionais) → medir e validar cada componente maquinado, com o instrumento certo para a tolerância exigida → estabelecer a sequência, centramento primeiro, fixação por último, em padrão cruzado → executar a montagem, com ajustamentos ISO 286 corretos (folga para movimento, aperto ou incerto para posicionamento fixo) e binários de aperto calculados, nunca estimados. O sistema de alimentação distingue-se sempre em gito, canal de distribuição e ataque. A cinemática e a simulação manual do ciclo apanham anomalias antes da máquina de injeção. E em toda a montagem, a segurança acompanha a exposição real: cargas suspensas, entalamento, solventes e EPI, com a Lei 102/2009 e o DL 50/2005 como enquadramento legal.

Exercícios resolvidos

1. Uma coluna-guia Ø35 H7/g6 é medida no micrómetro e dá 34,995 mm. É aceite?

Resolução: para Ø35 (gama 30-50 mm), o furo H7 do casquilho-guia vai de 35,000 a 35,025 mm, e o veio g6 da coluna (a peça medida aqui) vai de 34,975 a 34,991 mm (desvios −0,009/−0,025 mm). A medição de 34,995 mm está acima do limite superior do veio (34,991 mm), logo o componente está fora de tolerância e é rejeitado ou retrabalhado: uma coluna sobredimensionada reduz ou elimina a folga de deslizamento e arrisca gripar no casquilho.

2. Calcula o binário de aperto de um parafuso M8 classe 12.9, com K = 0,2 e pré-carga de 75% da carga de prova (Sp = 970 MPa, At = 36,6 mm²).

Resolução: carga de prova = At × Sp = 36,6 × 970 = 35 502 N. Pré-carga = 0,75 × 35 502 = 26 626 N. Binário T = K × F × d = 0,2 × 26 626 × 0,008 = 42,6 N·m.

3. Num molde de seis cavidades, quantos gitos, canais principais e ataques existem, no mínimo?

Resolução: o gito é único por injeção (liga ao bico da máquina), portanto 1 gito. Os canais de distribuição ramificam-se do gito até cada cavidade, no mínimo 6 canais (um por cavidade, podendo haver troços partilhados). Os ataques são um por cavidade, imediatamente antes de cada uma, portanto 6 ataques.

4. Uma equipa vai levantar um molde de 180 kg com uma linga cuja tabela de cargas indica 150 kg para a configuração usada. Que decisão tomar?

Resolução: não levantar com esta configuração. A carga (180 kg) excede a capacidade indicada na tabela (150 kg). É preciso mudar a configuração da linga (outro ângulo, outros pontos de fixação) ou usar um meio de elevação com capacidade suficiente, e só depois de confirmado na tabela de cargas se procede ao levantamento, sempre sem ninguém sob a carga.

5. Confirma se a soma 30,00 + 50,00 + 40,00 = 120,00 mm com tolerância ± (0,05+0,03+0,04) está certa para uma cadeia de três placas.

Resolução: nominal: 30,00 + 50,00 + 40,00 = 120,00 mm, correto. Tolerância pelo método do pior caso: 0,05 + 0,03 + 0,04 = 0,12 mm. Cota final: 120,00 ± 0,12 mm, ou seja, entre 119,88 mm e 120,12 mm.