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UC · Unidade de Competência · UC03942

Sebenta · Aplicar as ferramentas de corte na maquinação (UC03942)

Materiais, suportes e ferramentas de corte, parâmetros de maquinação e testes em torno e fresadora
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Produção e Gestão de Mo, T. Produção de Cunhos e Co ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Maquinar é retirar material de uma peça em bruto até obter a forma, a dimensão e o acabamento pedidos no desenho. Nesta UC aprendes a preparar esse processo do princípio ao fim: estudar a peça e o material, escolher o suporte e a ferramenta de corte certos, calcular os parâmetros de maquinação (velocidade de corte, rotação, avanço) e, por fim, testar e ajustar tudo isso no torno e na fresadora.

É a competência central de quem produz moldes, cunhos, cortantes ou qualquer componente maquinado: um técnico que não sabe calcular a rotação certa para o material que tem à sua frente estraga peças, parte ferramentas e perde tempo de máquina, que é o recurso mais caro de uma oficina.

Objetivos de aprendizagem (referencial): efetuar o estudo da peça e das propriedades do material a maquinar; selecionar os suportes e as ferramentas de corte; determinar os parâmetros de maquinação e de corte; e realizar testes de maquinação, cumprindo sempre as normas de segurança, saúde no trabalho e proteção ambiental.

1. O posto de trabalho e as operações de maquinação

Antes de qualquer cálculo, há um princípio que atravessa toda a UC: o posto de trabalho organiza-se em função das ferramentas e equipamentos a utilizar, um dos critérios de desempenho do referencial. Um posto desarrumado atrasa o trabalho e é a primeira causa de acidentes.

As duas operações de maquinação convencional

A diferença fundamental está em quem roda: no torno é a peça, na fresadora é a ferramenta. Todas as fórmulas desta UC partem desta distinção.

Boas práticas de organização do posto

2. Materiais metálicos e não metálicos: classes e normas

Antes de escolher uma ferramenta é preciso estudar o material da peça. É a primeira realização do referencial: sem saber o que se vai cortar, não há parâmetro que se calcule com segurança.

Classes de materiais

Classe Exemplos Características gerais para a maquinação
Aços ao carbono e ligados C45, 42CrMo4 resistência média a alta, boa maquinabilidade sem tratamento
Aços inoxidáveis X5CrNi18-10 (austenítico) tenazes, empastam a ferramenta, geram apara longa e aderente
Ferros fundidos ferro fundido cinzento (FoFo) quebradiços, apara curta, o grafite lubrifica o corte
Ligas de alumínio Al-Si (moldação) macias, alta velocidade de corte possível, aderem à aresta a baixa velocidade
Superligas ligas de níquel muito resistentes ao calor, exigem velocidades de corte baixas
Não metálicos polímeros técnicos (POM, PA), compósitos maquinabilidade variável, cuidado com o calor de amolecimento

Normas de designação

Os aços seguem a norma europeia EN 10027: a designação numérica (ex.: 1.0503 para o C45) ou simbólica (C45, indicando 0,45% de carbono médio). A ficha de fabrico da peça indica sempre a norma e a designação do material: é aí que começa o estudo.

3. Tratamentos térmicos dos aços e a escolha da ferramenta

Um mesmo aço pode comportar-se de forma muito diferente na maquinação consoante o tratamento térmico que já sofreu.

Tratamento O que faz Efeito na maquinação
Recozimento amolece e uniformiza a estrutura maquinabilidade máxima
Normalização uniformiza o grão após forjar/laminar maquinabilidade boa, dureza moderada
Têmpera aquece e arrefece bruscamente, endurece dureza elevada (pode passar 50 HRC), exige ferramenta muito mais resistente
Revenido aquece após têmpera para reduzir fragilidade mantém dureza alta, ganha tenacidade
Cementação endurece só a superfície de peças de baixo teor de carbono superfície muito dura sobre núcleo dúctil

Um aço em bruto de laminação ou recozido maquina-se com uma pastilha de metal duro normal. O mesmo aço temperado exige um grupo de ferramenta diferente (cerâmica ou CBN, ver Capítulo 6), velocidades de corte muito mais baixas e avanços reduzidos, porque a dureza elevada desgasta a aresta de corte muito mais depressa.

Nunca se seleciona a ferramenta só pelo nome do material. Um "aço C45" recozido e o mesmo aço temperado a 55 HRC pedem ferramentas de grupos diferentes.

4. Acabamento superficial e toleranciamento dimensional e geométrico

O desenho técnico e a ficha de fabrico não pedem só uma forma: pedem uma forma dentro de limites precisos.

Acabamento superficial

O acabamento mede-se sobretudo pela rugosidade Ra (desvio médio do perfil da superfície, em micrómetros, µm). Uma operação de desbaste deixa Ra elevado (6,3 a 12,5 µm); uma operação de acabamento visa valores baixos (0,8 a 3,2 µm). Consegue-se um Ra mais baixo com avanços menores, maior velocidade de corte e uma aresta de corte em bom estado.

Toleranciamento dimensional e geométrico

Quanto mais apertada a tolerância, menor o avanço e maior o cuidado na fixação da peça: são exigências que se refletem diretamente nos parâmetros de corte escolhidos no Capítulo 8.

5. Fixação de peças e suportes de ferramentas

Selecionar suportes e ferramentas de corte é a segunda realização do referencial, e começa por saber como se prende a peça e onde se monta a ferramenta.

Sistemas de fixação de peças

Máquina Sistema Uso típico
Torno Placa de 3 grampos (autocentrante) peças cilíndricas, centragem automática
Torno Placa de 4 grampos (independentes) peças excêntricas ou irregulares
Torno Pinça de aperto peças de pequeno diâmetro, alta precisão
Torno Contraponto e luneta peças longas e esbeltas, evita flexão
Fresadora Mordente / prensa de máquina peças prismáticas simples
Fresadora Grampos em T na mesa peças de forma irregular ou grandes
Fresadora Mesa magnética peças planas em material ferromagnético

Suportes de ferramentas

O suporte tem de ser rígido: uma fixação frouxa gera vibração, mau acabamento e desgaste acelerado da ferramenta.

6. Ferramentas de corte: materiais e a norma ISO 513

Materiais de corte

Material da ferramenta Dureza a quente Uso típico
Aço rápido (HSS) moderada ferramentas de forma, brocas, baixa velocidade
Metal duro (WC-Co), com ou sem revestimento alta maioria das operações de torneamento e fresagem
Cerâmica muito alta acabamento a alta velocidade, materiais duros
CBN (nitreto de boro cúbico) extrema aços temperados, ferro fundido de alta dureza
PCD (diamante policristalino) extrema (não ferrosos) alumínio, compósitos, não usar em ferro nem aço

A norma ISO 513: grupos de aplicação

A ISO 513 classifica as pastilhas de corte por grupo de material a maquinar, cada um com uma cor normalizada, usada em todos os catálogos de ferramentas:

Grupo ISO 513 Cor Materiais
P Azul Aços (exceto inoxidáveis austeníticos)
M Amarelo Aços inoxidáveis e ligas resistentes à corrosão
K Vermelho Ferros fundidos
N Verde Metais não ferrosos (alumínio, cobre, latão)
S Castanho Superligas termorresistentes e titânio
H Cinzento Materiais endurecidos (aços temperados acima de 45 HRC)

Esta tabela é a que consultamos sempre que escolhemos uma ferramenta e a que dá as velocidades de corte de referência usadas em toda a UC (Capítulo 8):

Material Grupo ISO 513 Cor Vc de referência (m/min)
Aço C45 (não temperado) P Azul 200
Aço temperado (acima de 45 HRC) H Cinzento 80
Aço inoxidável austenítico X5CrNi18-10 M Amarelo 120
Ferro fundido cinzento K Vermelho 150
Liga de alumínio Al-Si N Verde 500
Superliga de níquel S Castanho 40

Esta tabela reaparece nos exemplos e exercícios de toda a UC. O mesmo material tem sempre a mesma velocidade de corte de referência: se um dia calculares valores diferentes para o mesmo material, há um erro algures.

7. Geometria da ferramenta e tecnologia do corte

Os ângulos da ferramenta de corte

A aresta de corte de uma ferramenta é definida por três ângulos, medidos num plano perpendicular à aresta, que somam sempre 90°:

Exemplo resolvido: uma pastilha tem ângulo de saída γ = 8° e ângulo de folga α = 6°. O ângulo de cunha é β = 90° − 8° − 6° = 76°. Quanto maior o ângulo de saída, mais "afiada" e frágil a aresta; quanto maior o ângulo de cunha, mais robusta e mais indicada para materiais duros ou desbaste pesado.

Outros dois parâmetros geométricos completam a ferramenta:

Profundidade e largura de corte

Regra geral: no desbaste, usa-se ap (e ae) elevados e avanço elevado, para remover material depressa; no acabamento, ap e avanço baixos, para garantir dimensão e rugosidade.

Operação ap típico (torneamento) Avanço f típico
Desbaste 2 a 3 mm 0,30 a 0,40 mm/rot
Acabamento 0,3 a 0,5 mm 0,10 a 0,25 mm/rot

8. Fórmulas fundamentais: velocidade de corte, rotação e avanço

Esta é a terceira realização do referencial: determinar os parâmetros de maquinação e de corte. É também o núcleo de cálculo de toda a UC. Vamos fixar a regra de arredondamento antes de qualquer exemplo.

Regra de arredondamento usada em toda a UC: calcula-se sempre primeiro a rotação em bruto (não arredondada); depois escolhe-se, na gama de rotações disponível na máquina, a rotação imediatamente abaixo desse valor bruto (nunca acima, para não ultrapassar a velocidade de corte de referência da ferramenta e do material). Todos os cálculos seguintes (avanço de trabalho, tempo de maquinação) usam sempre essa rotação real, escolhida, e não o valor bruto.

Velocidade de corte (Vc)

A velocidade de corte é a velocidade linear do ponto da aresta de corte em contacto com a peça, em metros por minuto (m/min). Relaciona-se com o diâmetro D (mm) e a rotação n (rpm) por:

Vc = π · D · n / 1000

Rotação (n)

Isolando n na fórmula anterior:

n = (Vc · 1000) / (π · D)

Exemplo resolvido (torneamento): tornear um veio de aço C45 (não temperado) com D = 40 mm, em acabamento. Da tabela do Capítulo 6, Vc = 200 m/min para o grupo P.

  1. n em bruto = (200 × 1000) / (π × 40) = 200 000 / 125,66 ≈ 1 591,5 rpm.
  2. O torno disponível tem, na sua gama de rotações, o escalão de 1 550 rpm, imediatamente abaixo do valor bruto. Escolhe-se este.
  3. Velocidade de corte real com essa rotação: Vc real = π × 40 × 1 550 / 1 000 = 194,8 m/min (ligeiramente abaixo dos 200 m/min de referência, como é suposto pela regra de arredondamento).

Avanço (f) e avanço de trabalho (Vf)

Em torneamento, o avanço f (mm/rot) é o deslocamento da ferramenta por cada rotação da peça. O avanço de trabalho (velocidade de avanço), em mm/min, é:

Vf = f · n

Continuação do exemplo: com acabamento, f = 0,25 mm/rot. Vf = 0,25 × 1 550 = 387,5 mm/min.

Em fresagem, o avanço define-se por dente (fz, mm/dente), porque cada dente da fresa corta uma vez por rotação. O avanço por rotação é fn = fz · z (z = número de dentes/arestas), e o avanço de trabalho:

Vf = fz · z · n

Exemplo resolvido (fresagem): fresar de topo uma placa de liga de alumínio com uma fresa de D = 50 mm e z = 4 dentes. Da tabela, Vc = 500 m/min (grupo N).

  1. n em bruto = (500 × 1000) / (π × 50) = 500 000 / 157,08 ≈ 3 183,1 rpm.
  2. Rotação disponível na máquina, imediatamente abaixo: 3 000 rpm.
  3. Vc real = π × 50 × 3 000 / 1 000 = 471,2 m/min.
  4. Com fz = 0,15 mm/dente: avanço por rotação fn = 0,15 × 4 = 0,6 mm/rot.
  5. Avanço de trabalho: Vf = 0,15 × 4 × 3 000 = 1 800 mm/min.

9. Tempo de maquinação e preparação da máquina-ferramenta

Tempo de maquinação (tm)

Conhecido o avanço de trabalho Vf e o percurso L (comprimento a percorrer pela ferramenta, incluindo uma pequena entrada/saída de segurança), o tempo de uma passada é:

tm = L / Vf

Continuação do exemplo de torneamento: peça com 120 mm de comprimento útil, mais 3 mm de entrada de segurança: L = 123 mm.

tm (1 passada) = 123 / 387,5 = 0,317 min (≈ 19,0 s).

Se for preciso remover 3 mm de profundidade total em passadas de 1 mm cada (3 passadas):

tm total = 0,317 × 3 = 0,952 min (≈ 57,1 s).

Continuação do exemplo de fresagem: percurso da fresa de 300 mm mais 50 mm de entrada/saída (aproximadamente o raio da fresa em cada lado): L = 350 mm.

tm = 350 / 1 800 = 0,194 min (≈ 11,7 s).

Estes tempos são só de corte. O tempo total de uma operação numa oficina real inclui ainda a preparação (fixar a peça, montar a ferramenta, medir a origem) e as trocas de ferramenta, que em produção de moldes pesam tanto ou mais do que o tempo de corte propriamente dito.

Preparação e operação da máquina-ferramenta

Antes de correr o programa ou a passada manual:

  1. Montar e apertar a peça no sistema de fixação escolhido (Capítulo 5), verificando o batimento com um comparador quando a tolerância o exigir.
  2. Montar a ferramenta no suporte, com o balanço (saliência) mínimo indispensável, para reduzir a vibração.
  3. Definir a origem de peça (zero-peça) no torno ou fresadora, referenciando-a ao desenho.
  4. Introduzir os parâmetros calculados (n, f ou Vf, ap) no comando da máquina.
  5. Testar em vazio (sem contacto) o percurso programado, antes do primeiro corte real.

10. Testes de maquinação e ajuste de parâmetros

A quarta realização do referencial, realizar testes de maquinação, existe porque o cálculo teórico é sempre um ponto de partida, não a palavra final. O comportamento real da ferramenta corrige a teoria.

Sinais a observar num teste

Sinal observado Causa provável Ajuste
Apara azulada, cheiro a queimado Vc demasiado alta reduzir Vc
Vibração e ruído (chatter) fixação frouxa, ou f/ap excessivos, ou balanço da ferramenta grande reduzir f ou ap; reforçar fixação
Superfície riscada ou rugosa avanço elevado ou raio de quina desadequado reduzir f; rever rε
Desgaste rápido da aresta Vc alta para o material/ferramenta reduzir Vc; confirmar o grupo ISO 513
Apara em pó ou muito curta e abrasiva normal em ferro fundido; anómalo noutros materiais comparar com o esperado para o material

Técnicas de teste específicas

O ajuste é sempre iterativo: medir, comparar com o previsto, corrigir um parâmetro de cada vez, para se perceber qual foi realmente a causa.

11. Fluidos de corte, manutenção e vida da ferramenta

Fluidos lubrificantes e refrigerantes

Fluido Função principal Uso típico
Emulsão (óleo solúvel em água) refrigeração e alguma lubrificação aços, uso geral
Óleo de corte integral lubrificação forte operações severas, roscagem
MQL (mínima quantidade de lubrificante) lubrificação com pouco fluido, pulverizado alumínio, produção mais limpa
Corte a seco nenhum fluido ferro fundido (o grafite já lubrifica; o fluido cria pasta abrasiva)

A escolha depende do material: em alumínio, o corte a seco ou com MQL evita a aderência da apara à aresta; em ferro fundido, evita-se o fluido líquido, porque mistura com o pó de grafite e forma uma pasta abrasiva que acelera o desgaste.

Manutenção de suportes e ferramentas

Vida da ferramenta

A vida da ferramenta (T), o tempo de corte até à aresta deixar de cumprir o critério de desgaste aceite, relaciona-se com a velocidade de corte pela equação de Taylor:

Vc · T^n = C

em que n é um expoente característico do par ferramenta/material (valor de catálogo do fabricante da pastilha) e C uma constante do mesmo par.

Exemplo resolvido: uma pastilha de metal duro revestido, a cortar aço C45, tem uma vida de referência T1 = 20 min a Vc1 = 200 m/min, com um expoente de catálogo n = 0,25.

  1. Constante: C = Vc1 · T1^n = 200 × 20^0,25 = 200 × 2,1147 ≈ 422,9.
  2. Se aumentarmos a velocidade de corte 25%, para Vc2 = 250 m/min, a nova vida é: T2 = (C / Vc2)^(1/n) = (422,9 / 250)^4 ≈ 8,2 min.
  3. A vida caiu de 20 min para 8,2 min: uma queda de (20 − 8,2) / 20 × 100 ≈ 59%, para um aumento de apenas 25% na velocidade de corte.

Este exemplo mostra porque não se "ganha tempo" a aumentar a velocidade de corte sem critério: a vida da ferramenta cai muito mais depressa do que a velocidade sobe. O tempo poupado no corte perde-se, e mais, nas trocas de ferramenta.

12. Segurança, EPI e proteção ambiental

O último critério de desempenho do referencial resume tudo o que se segue: cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho e de proteção ambiental, em todas as fases anteriores.

EPI por exposição concreta

Exposição na maquinação EPI
Projeção de apara e partículas óculos de proteção ou viseira
Ruído da máquina em funcionamento protetores auriculares
Manuseamento de peças e ferramentas com arestas luvas resistentes ao corte, retiradas antes de operar a máquina em rotação
Contacto com fluidos de corte luvas impermeáveis específicas, ao manusear o fluido (não junto de partes em rotação)
Queda de peças ou ferramentas calçado de proteção com biqueira
Cabelo, roupa larga, fato desapertado cabelo preso/touca, fato justo sem mangas soltas nem fios pendentes

Nunca se usam luvas junto de um veio ou mandril em rotação: o tecido pode ser agarrado pela peça e arrastar a mão. As luvas servem para manusear peças e ferramentas paradas, não para operar a máquina.

Remoção de apara e limpeza

A apara, sobretudo em torneamento, sai frequentemente quente e cortante. Nunca se remove com a mão: usa-se um gancho ou ancinho de apara, uma escova de cerdas rígidas, ou aspiração, sempre com a máquina parada e óculos de proteção postos (a apara pode saltar ao ser deslocada). A limpeza do posto de trabalho faz parte da própria operação, não é uma tarefa à parte.

Emergência

Todo o posto tem de ter um botão de paragem de emergência acessível e identificado. Em caso de acidente: parar a máquina de imediato, prestar os primeiros socorros possíveis, e contactar o 112. Reportar sempre o incidente, mesmo sem lesão aparente, para se corrigir a causa.

Proteção ambiental

Erros comuns

Glossário

Síntese

Aplicar as ferramentas de corte na maquinação segue sempre a mesma sequência: estudar a peça e o material (classe, tratamento térmico, tolerâncias) → selecionar o suporte e a ferramenta (fixação, ISO 513, geometria) → calcular os parâmetros (Vc, n, f, Vf, tm, com a regra de arredondamento) → preparar a máquinatestar e ajustar com base no comportamento real da ferramenta → manter suportes e ferramentas e cumprir segurança e proteção ambiental em cada etapa. Este ciclo repete-se sempre que muda o material, a operação ou a ferramenta, e é a espinha dorsal de qualquer oficina de maquinação de moldes.

Exercícios resolvidos

1. Um veio em aço C45 recozido, D = 60 mm, vai ser torneado em desbaste. Da tabela do Capítulo 6, Vc = 200 m/min. Calcula a rotação a usar.

Resolução: n bruto = (200 × 1000) / (π × 60) = 200 000 / 188,50 ≈ 1 061,0 rpm. Escolhendo, na gama da máquina, a rotação imediatamente abaixo, por exemplo 1 000 rpm, a Vc real fica em π × 60 × 1 000 / 1 000 = 188,5 m/min, dentro da regra de nunca ultrapassar a referência.

2. Uma fresa de topo com D = 32 mm e z = 3 dentes maquina ferro fundido cinzento (Vc = 150 m/min, grupo K). Escolhida a rotação de 1 400 rpm (abaixo do valor bruto), com fz = 0,1 mm/dente, calcula fn e Vf.

Resolução: fn = fz × z = 0,1 × 3 = 0,3 mm/rot. Vf = fz × z × n = 0,1 × 3 × 1 400 = 420 mm/min.

3. Com os dados do exercício anterior, e um percurso de fresagem de 250 mm (já incluindo entrada e saída), calcula o tempo de maquinação.

Resolução: tm = L / Vf = 250 / 420 ≈ 0,595 min (≈ 35,7 s).

4. Numa passada de teste em aço inoxidável austenítico, a apara sai azulada e com cheiro a queimado. O que se conclui e o que se ajusta?

Resolução: conclui-se que a velocidade de corte está demasiado alta para o material e a ferramenta (a apara azulada indica excesso de calor de corte). Ajusta-se reduzindo Vc (e recalculando n) antes de repetir o teste.

5. Explica porque uma pastilha de metal duro revestido não deve ser usada, sem mais, num aço temperado a 55 HRC.

Resolução: o metal duro convencional foi pensado para materiais na gama de dureza do grupo P (aços não temperados). A 55 HRC, a dureza do próprio material aproxima-se da dureza da ferramenta, desgastando a aresta muito depressa. Para aços temperados usa-se o grupo H, tipicamente com cerâmica ou CBN, capazes de manter dureza a temperaturas de corte mais altas.