Sebenta · Implementar circuitos de controlo de motores elétricos (UC03884)
- Introdução
- 1. Semicondutores de potência
- 2. PWM: modulação por largura de impulso
- 3. Controlo de motores de corrente contínua
- 4. A ponte H
- 5. Malha aberta e malha fechada
- 6. Encoders e sensores de feedback
- 7. Motores de corrente alternada e variadores de frequência
- 8. Configurar o variador de frequência
- 9. Motores síncronos e motores de passo
- 10. Monitorização e controlo de posição e velocidade
- 11. Segurança e boas práticas profissionais
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Um motor ligado diretamente a uma fonte só tem uma velocidade: a nominal. Esta sebenta ensina a controlar eletronicamente motores de corrente contínua e de corrente alternada, variando velocidade, direção e posição com precisão, através de circuitos e dispositivos de eletrónica de potência.
O percurso segue a lógica de um técnico de eletrónica e automação: primeiro os componentes que fazem a comutação de potência (díodos, BJT, MOSFET, IGBT), depois a técnica de PWM que controla motores de corrente contínua, a ponte H que acrescenta o controlo de sentido, os sistemas de malha aberta e fechada com encoders e sensores, e por fim o controlo de motores de corrente alternada com variadores eletrónicos de velocidade (VEV), incluindo motores síncronos e motores de passo.
Objetivos de aprendizagem (referencial): desenvolver e executar circuitos de controlo para motores de corrente contínua através de PWM; desenvolver e executar circuitos de controlo baseados em VEV para motores de corrente alternada; executar sistemas de monitorização e controlo da posição e velocidade de motores elétricos.
1. Semicondutores de potência
O controlo eletrónico de um motor assenta em componentes que funcionam como interruptores comandados, capazes de ligar e desligar correntes elevadas milhares de vezes por segundo.
Componentes base
| Componente | Característica-chave | Papel no controlo de motores |
|---|---|---|
| Resistência | limita corrente | polarização, medição |
| Condensador | armazena carga | filtragem do barramento DC |
| Díodo | conduz numa só direção | proteção, roda livre |
| Transístor | interruptor/amplificador comandado | comuta a potência do motor |
O díodo de roda livre
Um motor é uma carga indutiva. Quando um transístor corta subitamente a corrente numa bobina, esta gera um pico de tensão que pode destruir o componente de comutação. O díodo de roda livre (flyback diode), ligado em antiparalelo com o motor, dá um caminho seguro a essa corrente no momento do corte.
⚠️ Todo o circuito com uma bobina comutada (motor, relé, solenoide) leva um díodo de roda livre. É o erro nº1 em montagens de laboratório.
BJT, MOSFET e IGBT
Os três funcionam como interruptores comandados, mas diferem no modo de comando, na velocidade de comutação e nas perdas:
| BJT | MOSFET | IGBT | |
|---|---|---|---|
| Comando | corrente de base | tensão de gate | tensão de gate |
| Velocidade de comutação | média | alta | média-alta |
| Perdas em condução | maiores | baixas (Rds baixo) | baixas a alta tensão |
| Uso típico | circuitos simples | PWM de motores DC | andares de potência de VEV |
Regra prática desta UC: MOSFET para PWM de motores DC de baixa/média potência; IGBT nos inversores dos variadores de frequência, onde as tensões e potências são maiores.
Exemplo resolvido: escolher entre MOSFET e IGBT
Um motor DC de 12 V e 3 A precisa de um transístor de comutação para PWM a 10 kHz.
- A tensão (12 V) e a corrente (3 A) são baixas para os padrões industriais: dispensa-se o IGBT.
- O MOSFET tem Rds(on) baixo e comuta bem a 10 kHz, com perdas reduzidas nesta gama.
- Escolhe-se um MOSFET com Id máximo bem acima de 3 A (margem para picos de arranque) e Vds acima de 12 V com folga.
Conclusão: MOSFET é a escolha correta; o IGBT só se justificaria com tensões de dezenas/centenas de volts, típicas de um VEV.
2. PWM: modulação por largura de impulso
O que é PWM
PWM (Pulse Width Modulation) liga e desliga a alimentação do motor rapidamente, variando a percentagem de tempo ligado em cada período (o duty cycle).
- Duty cycle: percentagem do período em que o sinal está ativo. 0% = sempre desligado, 100% = sempre ligado.
- Frequência do PWM: tipicamente entre 1 kHz e 20 kHz para motores DC, acima do limite audível para evitar ruído.
- Devido à inércia mecânica e elétrica, o motor responde à tensão média aplicada, não aos impulsos individuais.
$$V_{med} \approx D \times V_{alim}$$
Exemplo resolvido: tensão média e duty cycle
Um motor DC de 12 V é controlado por PWM.
- Com duty cycle de 30%: V_med = 0,30 × 12 = 3,6 V.
- Para metade da velocidade nominal, é necessário aproximadamente D = 50%: V_med = 0,50 × 12 = 6 V.
- Para velocidade máxima: D = 100%, V_med = 12 V.
- Para obter 8 V médios a partir de 12 V: D = 8/12 ≈ 67%.
O duty cycle funciona como o "acelerador" eletrónico do motor de corrente contínua.
Gerar PWM em microcontroladores
Os microcontroladores geram PWM por hardware, através de temporizadores (timers) internos ligados a pinos específicos.
- Nem todos os pinos suportam PWM: só os associados a um timer com saída de comparação (em placas Arduino, marcados com
~). - O valor do registo de comparação do timer define o duty cycle; a configuração do timer define a frequência.
- Em linguagens de alto nível, funções como
analogWrite()abstraem esta configuração, recebendo o duty cycle como número.
Circuito de acionamento
O pino de um microcontrolador não tem corrente para mover um motor diretamente (tipicamente 20 a 40 mA). É necessário um andar de potência:
- Transístor (MOSFET) de comutação, dimensionado para a corrente e tensão do motor.
- Driver de gate ou resistência de gate, para comutar depressa sem aquecer.
- Isolamento galvânico (opto-acoplador), recomendado entre o sinal e a potência.
- Díodo de roda livre, sempre em antiparalelo com o motor.
3. Controlo de motores de corrente contínua
Circuito básico
Montagem mínima para controlar a velocidade de um motor DC num só sentido:
+Vmotor ──[Motor DC]──┬──[Dreno MOSFET]
│
(Díodo roda livre, antiparalelo com o motor)
│
[Fonte MOSFET] ── GND
Gate MOSFET ← sinal PWM (via resistência de gate)
O MOSFET liga e desliga o motor à frequência do PWM; o díodo protege o MOSFET nos cortes; a velocidade é definida apenas pelo duty cycle.
Exemplo resolvido: dimensionar o MOSFET
Motor DC de 12 V, 2 A nominais, controlado por PWM a 10 kHz.
- Corrente de pico a considerar: pelo menos 1,5× a nominal, ≈ 3 A.
- Escolher MOSFET com Id máximo bem acima de 3 A e Vds com folga (ex. 30 V para uma fonte de 12 V).
- Verificar Rds(on) baixo: perda por condução ≈ I² × Rds(on). Com Rds ≈ 0,02 Ω: perda ≈ 2² × 0,02 = 0,08 W (baixa).
- Avaliar necessidade de dissipador com base na potência dissipada e na resistência térmica do encapsulamento.
4. A ponte H
O que é e como funciona
A ponte H é um arranjo de quatro interruptores que permite inverter a polaridade aplicada ao motor, controlando o sentido de rotação além da velocidade.
+V ──┬────────────┬── +V
S1 S2
│ │
├── Motor ───┤
│ │
S3 S4
GND ─┴────────────┴── GND
| Estado | Interruptores fechados | Efeito no motor |
|---|---|---|
| Avançar | S1 + S4 | roda num sentido |
| Recuar | S2 + S3 | roda no sentido inverso |
| Travagem ativa | S1 + S2 (ou S3 + S4) | curto-circuita os terminais, trava rápido |
| Ponto morto (coast) | nenhum | roda livre por inércia |
⚠️ Nunca ligar S1+S3 ou S2+S4 em simultâneo: cria um curto-circuito direto na fonte de alimentação. É o erro mais destrutivo e mais caro num laboratório de eletrónica de potência.
Circuitos integrados de ponte H
Na prática usam-se circuitos integrados dedicados em vez de montar os quatro transístores discretos:
- L298N: ponte H dupla, robusta, até vários amperes por canal, muito usada em ensino e robótica. Alimentação de lógica (5 V) separada da alimentação de potência (até 46 V).
- DRV8871 / TB6612FNG: pontes H mais recentes, mais eficientes, menores perdas de condução.
Estes CI incluem tipicamente proteção contra curto-circuito entre braços e, nalguns casos, díodos de roda livre integrados.
Exemplo resolvido: sentido e velocidade combinados
Um sistema usa uma ponte H com PWM aplicado ao par S1/S4. Para inverter o sentido a meia velocidade:
- Desligar S1/S4 e aguardar o tempo morto de segurança.
- Aplicar PWM (D = 50%) ao par S2/S3.
- O motor passa a rodar no sentido inverso a metade da velocidade nominal.
5. Malha aberta e malha fechada
As duas arquiteturas
Malha aberta: Comando → Controlador → Motor → (sem realimentação)
Malha fechada: Comando → Controlador → Motor → Sensor
▲ │
└──────── realimentação ──────┘
- Malha aberta: define-se o duty cycle e confia-se que o motor executa o comando. Simples e barata, mas sensível a carga, atrito e variações de tensão.
- Malha fechada: um sensor mede o resultado real (velocidade, posição) e o controlador ajusta o comando continuamente para corrigir o erro entre o pedido e o medido.
Quando escolher cada uma
| Malha aberta | Malha fechada | |
|---|---|---|
| Custo e complexidade | baixo | mais alto |
| Precisão sob carga variável | baixa | alta |
| Exemplos | ventoinha simples, misturadora | braço robótico, impressora 3D, elevador |
| Reage a perturbações | não | sim, em tempo real |
A escolha é um exercício de adequar componentes e configurações à função do circuito: não se usa sempre a solução mais sofisticada.
6. Encoders e sensores de feedback
Encoders
Um encoder converte o movimento de rotação do eixo do motor em sinais elétricos contáveis:
- Incremental: gera pulsos a cada fração de volta. Conta-se o número de pulsos por unidade de tempo para obter velocidade, e acumula-se a contagem para obter posição relativa.
- Absoluto: cada posição do eixo corresponde a um código único, dando a posição real mesmo após desligar e voltar a ligar o sistema.
- Encoders incrementais com dois canais desfasados (A/B) permitem também detetar o sentido de rotação.
Exemplo resolvido: calcular velocidade a partir do encoder
Um encoder de 360 pulsos/volta está acoplado ao eixo do motor. Em 0,5 segundos, o controlador conta 900 pulsos.
- Rotações no intervalo: 900 / 360 = 2,5 voltas.
- Velocidade em rotações por segundo: 2,5 / 0,5 = 5 rps.
- Velocidade em rpm: 5 × 60 = 300 rpm.
Outros sensores de feedback
| Sensor | Princípio | Uso típico |
|---|---|---|
| Efeito Hall | campo magnético | encoders de baixo custo, motores BLDC |
| Tacómetro | tensão proporcional à velocidade | leitura direta de velocidade |
| Resolver | sinal analógico de posição angular | ambientes exigentes (industrial, automóvel) |
A escolha do sensor depende da precisão exigida, do custo e do ambiente (vibração, temperatura, ruído elétrico).
7. Motores de corrente alternada e variadores de frequência
Porque um motor CA não se controla por PWM simples
Num motor de indução (CA), a velocidade síncrona depende essencialmente da frequência da tensão de alimentação:
$$n_s = \frac{120 \times f}{p}$$
onde f é a frequência (Hz) e p o número de polos. Para variar a velocidade sem trocar o motor, é preciso variar a frequência que o alimenta: essa é a função do Variador Eletrónico de Velocidade (VEV), também chamado drive ou VFD.
Exemplo resolvido: velocidade síncrona
Motor de indução de 4 polos, alimentado a 50 Hz.
$$n_s = \frac{120 \times 50}{4} = 1500 \text{ rpm}$$
Se o VEV reduzir a frequência para 25 Hz, a nova velocidade síncrona é 750 rpm: metade da velocidade, para metade da frequência.
Blocos internos de um VEV
Rede CA → [Retificador] → [Barramento DC + filtro] → [Inversor IGBT] → Motor CA
- Retificador: converte a CA da rede em DC pulsante.
- Barramento DC: condensadores de grande capacidade alisam e armazenam energia.
- Inversor: bloco de IGBT que reconstrói uma saída CA de frequência e amplitude controladas, usando PWM de alta frequência sobre a onda de saída.
⚠️ O barramento DC de um VEV pode manter tensão perigosa durante minutos após o corte da alimentação de rede, devido à energia armazenada nos condensadores.
8. Configurar o variador de frequência
Parâmetros essenciais
| Parâmetro | Função |
|---|---|
| Frequência mínima / máxima | limites de velocidade permitidos |
| Tempo de aceleração (rampa) | rapidez até à referência |
| Tempo de desaceleração (rampa) | rapidez a desacelerar ou travar |
| Curva V/f (tensão/frequência) | mantém o binário do motor ao longo da gama |
| Corrente nominal do motor | proteção contra sobrecarga |
Rampas mal ajustadas causam arranques bruscos (desgaste mecânico) ou paragens demasiado lentas para a aplicação.
Exemplo resolvido: procedimento de arranque de um VEV
Colocar em funcionamento um VEV a controlar o motor de indução de uma bomba.
- Confirmar a placa de características do motor (tensão, corrente, frequência, polos) e introduzi-la nos parâmetros do VEV.
- Definir frequência mínima (ex. 20 Hz) e máxima (ex. 50 Hz, nominal).
- Definir rampas de aceleração/desaceleração adequadas à inércia da carga (ex. 5 s).
- Ligar em vazio, se possível, e verificar o sentido de rotação antes de acoplar à carga.
- Aumentar gradualmente a referência e verificar o funcionamento face às especificações definidas.
9. Motores síncronos e motores de passo
Motores síncronos
No motor síncrono, o rotor roda exatamente à velocidade do campo girante, sem escorregamento. A velocidade depende apenas da frequência de alimentação e do número de polos, tal como no motor de indução, mas sem a folga do escorregamento. Um VEV controla a velocidade de um motor síncrono da mesma forma: ajustando a frequência. É usado onde é preciso velocidade muito estável e precisa (servo-acionamentos).
Motores de passo
O motor de passo (stepper) roda em incrementos fixos e discretos, controlados diretamente por sequências de pulsos:
- Cada pulso enviado ao driver faz o eixo avançar um passo (ex. 1,8° por passo, 200 passos/volta).
- A velocidade é controlada pela frequência dos pulsos; a posição, pela contagem de pulsos enviados.
- Um driver dedicado (ex. A4988, DRV8825) gera as sequências de comutação das bobinas a partir de dois sinais simples: passo e sentido.
Exemplo resolvido: pulsos para um ângulo dado
Motor de passo de 1,8° por passo. Quantos pulsos são precisos para rodar 90°?
$$\frac{90}{1{,}8} = 50 \text{ pulsos}$$
10. Monitorização e controlo de posição e velocidade
Sistema completo
[Referência de posição] → [Controlador] → [Ponte H + PWM] → [Motor DC + Encoder]
▲ │
└──────── posição/velocidade real ────┘
O controlador lê continuamente o encoder, compara com a referência, e ajusta o duty cycle e o sentido na ponte H. É o padrão usado em braços robóticos, eixos de máquinas CNC e plataformas motorizadas.
Monitorizar vs controlar
- Monitorizar: medir e apresentar a velocidade/posição (ecrã, registo de dados), sem necessariamente agir.
- Controlar: usar a medição para ajustar ativamente o comando enviado ao motor.
Um sistema profissional normalmente faz as duas coisas: monitoriza para diagnóstico e histórico, e controla em tempo real para manter o desempenho pedido.
11. Segurança e boas práticas profissionais
Segurança no laboratório de eletrónica de potência
Circuitos de controlo de motores envolvem correntes elevadas, tensões de rede (nos VEV) e trabalho de soldadura, pelo que a segurança acompanha todo o processo, do desenho ao teste final:
- Usar sempre os Equipamentos de Proteção Individual definidos para o laboratório.
- Ligar a extração de fumos durante qualquer operação de soldadura.
- Lembrar que o barramento DC de um VEV pode manter tensão perigosa durante minutos após o corte da alimentação de rede, devido à energia armazenada nos condensadores de filtragem.
- Confirmar sempre a desenergização de um circuito com o multímetro antes de tocar em ligações de potência, nunca confiar apenas no interruptor.
- Consultar o manual técnico e as fichas de segurança dos equipamentos e aparelhos de medida antes de os usar pela primeira vez.
Boas práticas de trabalho
- Interpretar manuais técnicos e datasheets antes de montar qualquer circuito, não depois de algo falhar.
- Interpretar esquemas elétricos e eletrónicos com rigor, confirmando cada ligação antes de energizar o circuito.
- Testar em malha aberta e baixa potência antes de avançar para malha fechada e potência nominal, isolando problemas cedo.
- Documentar os parâmetros de configuração usados (duty cycle, frequências do VEV, resolução do encoder) para reprodutibilidade e manutenção futura.
- No final de qualquer montagem, verificar o funcionamento face às especificações definidas: é o último e mais importante dos critérios de desempenho da UC.
Estas práticas não são um extra opcional: fazem parte das atitudes avaliadas nesta UC, nomeadamente o rigor, o sentido crítico e o respeito pelas regras e normas definidas.
Erros comuns
- Esquecer o díodo de roda livre num circuito com motor: pico de tensão e transístor queimado.
- Confundir os pinos do MOSFET (dreno/fonte/gate) com os do BJT (coletor/emissor/base) ao ler um datasheet.
- Ligar S1+S3 ou S2+S4 em simultâneo numa ponte H: curto-circuito direto na fonte.
- Tratar o barramento DC de um VEV como seguro logo após desligar da rede, ignorando a energia armazenada nos condensadores.
- Configurar rampas de aceleração demasiado curtas para a inércia da carga, disparando a proteção de sobrecorrente.
- Confundir resolução do encoder (pulsos/volta) com velocidade real, esquecendo de dividir pelo tempo.
- Montar o circuito todo de uma vez e só testar no fim, em vez de validar por etapas.
Glossário
- PWM · modulação por largura de impulso, controla o valor médio de tensão aplicado ao motor.
- Duty cycle · percentagem do período em que o sinal PWM está ativo.
- MOSFET / IGBT / BJT · transístores usados como interruptores comandados de potência.
- Díodo de roda livre · protege o circuito do pico de tensão gerado ao cortar a corrente numa carga indutiva.
- Ponte H · arranjo de quatro interruptores que inverte a polaridade aplicada ao motor.
- Malha aberta / malha fechada · controlo sem realimentação, ou controlo com medição e correção contínua.
- Encoder incremental / absoluto · sensor que converte rotação em pulsos contáveis (incremental) ou num código de posição único (absoluto).
- VEV / VFD · Variador Eletrónico de Velocidade, controla motores CA variando a frequência de alimentação.
- Curva V/f · relação entre tensão e frequência aplicada por um VEV, mantém o binário do motor.
- Motor de passo · motor controlado por sequências de pulsos discretos (passo e sentido).
- Barramento DC · secção interna do VEV com tensão contínua filtrada, entre o retificador e o inversor.
- BOM (Bill of Materials) · lista de materiais que liga o esquema aos componentes reais a adquirir e montar.
- ERC (Electrical Rule Check) · verificação automática de regras elétricas no software de desenho, antes de simular ou fabricar.
Síntese
O controlo eletrónico de motores segue sempre a mesma lógica: componentes de potência (díodo, BJT, MOSFET, IGBT) → PWM para variar a tensão média de um motor DC → ponte H para acrescentar o sentido → malha aberta ou fechada, com encoders e sensores a fechar a malha → para motores CA, um VEV faz o mesmo trabalho variando a frequência, com a mesma lógica aplicada a motores síncronos e adaptada nos motores de passo. Tudo isto assenta em rigor, segurança e verificação sistemática face às especificações definidas.
Exercícios resolvidos
1. Um motor DC de 24 V é controlado por PWM com duty cycle de 40%. Qual a tensão média aplicada?
Resolução: V_med = D × V_alim = 0,40 × 24 = 9,6 V.
2. Que componente falta num circuito que liga um MOSFET diretamente a um motor DC, sem mais nada, e porquê?
Resolução: falta o díodo de roda livre em antiparalelo com o motor. Sem ele, o corte da corrente na bobina do motor gera um pico de tensão que pode destruir o MOSFET.
3. Numa ponte H, que combinação de interruptores nunca se deve fechar em simultâneo?
Resolução: S1+S3 ou S2+S4 (os dois interruptores do mesmo lado da fonte). Cria um curto-circuito direto entre +V e GND.
4. Um motor de indução de 6 polos é alimentado a 50 Hz por um VEV. Qual a velocidade síncrona?
Resolução: n_s = (120 × 50) / 6 = 1000 rpm.
5. Um encoder de 500 pulsos/volta conta 250 pulsos em 0,1 segundos. Qual a velocidade em rpm?
Resolução: rotações = 250/500 = 0,5 volta; em rps = 0,5/0,1 = 5 rps; em rpm = 5 × 60 = 300 rpm.
6. Explica a diferença entre malha aberta e malha fechada com um exemplo de cada.
Resolução: em malha aberta define-se o comando (ex. duty cycle) sem medir o resultado, como numa ventoinha simples. Em malha fechada um sensor (ex. encoder) mede o resultado real e o controlador ajusta o comando para corrigir o erro, como num braço robótico de precisão.