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UC · Unidade de Competência · UC03816

Sebenta · Implementar e gerir a segurança da informação (UC03816)

CIA, ameaças, criptografia, gestão de acessos, redes e resposta a incidentes
—h · — pontos crédito Curso: T. Inform. Gestão, T. Eletrónica ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta ensina a proteger a informação de uma organização — dos princípios até às medidas concretas. Vais perceber contra o quê nos defendemos (ameaças, vulnerabilidades, malware, engenharia social), com que ferramentas (criptografia, autenticação, gestão de acessos, segurança de rede) e como se gere a segurança de forma organizada (políticas, avaliação de risco, auditorias, backups e resposta a incidentes).

Uma ideia atravessa tudo: segurança não é só tecnologia, é a combinação de pessoas, processos e tecnologia. A maioria dos incidentes reais não explora falhas sofisticadas — explora passwords fracas, software desatualizado e pessoas enganadas. Por isso, mais do que decorar ferramentas, vais aprender a pensar em risco.

Objetivos (referencial): implementar uma infraestrutura de gestão de identidade e acesso; implementar políticas de segurança da informação; realizar avaliações de risco e auditorias de segurança; e criar um plano de resposta a incidentes.

1. Fundamentos: a tríade CIA

O objetivo de toda a segurança da informação resume-se a três propriedades, a tríade CIA:

Sempre que decides uma medida de segurança, ela serve pelo menos uma destas três propriedades. Guardar isto ajuda a justificar cada escolha.

2. Ameaças, vulnerabilidades e risco

Três conceitos que se confundem, mas são distintos:

Não se eliminam as ameaças (existem sempre); reduzem-se as vulnerabilidades e mitiga-se o risco. As vulnerabilidades mais comuns — e mais exploradas — são: palavras-passe fracas ou reutilizadas, software desatualizado, configurações por omissão (admin/admin), falta de backups e utilizadores sem formação.

3. Malware e engenharia social

Malware

Malware é software malicioso. Os principais tipos:

Tipo O que faz
Vírus / worm replica-se e espalha-se
Trojan disfarça-se de programa legítimo
Ransomware cifra os ficheiros e pede resgate
Spyware / keylogger espia e rouba dados

Defesas: antivírus atualizado, atualizações do sistema, mínimo privilégio (para o malware fazer menos estrago) e backups (a única defesa fiável contra ransomware — se tens cópia, não pagas resgate).

Engenharia social

É o ataque à pessoa, não à máquina — e é o vetor de ataque número um. Formas:

A defesa é humana: desconfiar, verificar o remetente, nunca dar credenciais por email/telefone, e formar as pessoas. Nenhuma tecnologia protege contra um utilizador que entrega a password.

4. Criptografia

Cifrar é transformar dados legíveis (texto simples) em ilegíveis (texto cifrado) usando uma chave e um algoritmo. Só quem tem a chave decifra. A criptografia garante sobretudo a confidencialidade e, com hashing e assinaturas, também a integridade e a autenticidade.

Simétrica vs assimétrica

Simétrica Assimétrica
Chaves uma chave partilhada par: pública + privada
Velocidade muito rápida mais lenta
Desafio partilhar a chave em segurança
Exemplo AES RSA, ECC

Na prática combinam-se: a criptografia assimétrica troca em segurança uma chave simétrica, que depois cifra rapidamente o resto da comunicação. É exatamente isto que acontece quando abres um site em HTTPS.

Hash, assinaturas e certificados

5. Autenticação e palavras-passe

Autenticar é provar quem se é. Há três fatores:

  1. Algo que sabes — password, PIN.
  2. Algo que tens — telemóvel, token físico, cartão.
  3. Algo que és — biometria (impressão digital, rosto).

A autenticação multifator (MFA/2FA) combina dois ou mais fatores. É a medida com melhor retorno: mesmo que roubem a password, o atacante não tem o segundo fator.

Boas práticas de palavras-passe:

Do lado do sistema: guardar sempre com hash + salt, nunca em texto simples.

6. Gestão de identidade e acessos (IAM)

Segurança de acessos = controlar quem acede a quê. Combina:

Uma infraestrutura de IAM mal gerida (contas antigas ativas, admins a mais, sem MFA) é uma das maiores portas de entrada.

7. Segurança de rede

A rede é o caminho por onde os ataques chegam. Tecnologias:

Boas práticas: Wi-Fi com WPA2/WPA3 e password forte; rede de visitantes isolada; trocar as credenciais por omissão dos equipamentos; HTTPS em tudo; atualizar o firmware. O modelo moderno é o de confiança zero — não confiar em nada só por estar "dentro da rede"; verificar sempre.

8. Gerir a segurança — políticas e norma

A segurança tem de ser gerida, não improvisada:

Sem políticas escritas, cada um decide à sua maneira — e a segurança é tão forte como o elo mais fraco.

9. Avaliação de risco e auditorias

A avaliação de risco é o coração da gestão de segurança:

  1. Identificar os ativos (o que se protege) e o seu valor.
  2. Identificar ameaças e vulnerabilidades.
  3. Classificar cada risco por probabilidade × impacto.
  4. Decidir o tratamento: mitigar (controlos), transferir (seguro), aceitar (se baixo) ou evitar (deixar de fazer a atividade).

A auditoria de segurança verifica se as políticas e os controlos estão de facto a ser cumpridos — revisão de acessos, testes, análise de vulnerabilidades. Ambas se fazem com regularidade, porque as ameaças e os sistemas mudam.

10. Backups e disponibilidade

Garantir a disponibilidade (o D da tríade):

11. Resposta a incidentes

Um incidente vai acontecer — o que distingue as organizações é terem um plano antes. Fases da resposta:

  1. Preparação — equipa, contactos, ferramentas, formação.
  2. Deteção e análise — perceber o que se passa e o âmbito.
  3. Contenção — isolar o afetado (desligar da rede) para travar a propagação.
  4. Erradicação — remover a causa (malware, conta comprometida).
  5. Recuperação — repor a partir dos backups e verificar.
  6. Lições aprendidas — documentar e corrigir para não repetir.

No caso de dados pessoais, o RGPD obriga a notificar a CNPD (em regra em 72 horas) e, conforme o risco, os próprios titulares dos dados.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Segurança da informação é garantir Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade, reduzindo vulnerabilidades e gerindo o risco. As ferramentas — criptografia, MFA, IAM/mínimo privilégio, firewall/IPS/VPN — protegem os dados; a gestão — políticas, avaliação de risco, auditorias, backups 3-2-1 e plano de resposta a incidentes — mantém a segurança no tempo. E a peça central é sempre a mesma: pessoas + processos + tecnologia, com a conformidade legal (RGPD) por cima.

Exercícios resolvidos

1. Classifica cada situação na tríade CIA: (a) alguém lê emails que não devia; (b) um site fica em baixo por ataque; (c) um valor de fatura é alterado sem autorização.

Resolução: (a) Confidencialidade; (b) Disponibilidade; (c) Integridade.

2. Recebes um email do "banco" a pedir para confirmares a password num link. Que ataque é, e o que fazes?

Resolução: phishing. Não clicar, não introduzir dados, verificar o remetente e, se necessário, contactar o banco pelos canais oficiais. Os bancos nunca pedem a password por email.

3. Explica porque o MFA protege mesmo que a password seja roubada.

Resolução: o MFA exige um segundo fator (ex.: código no telemóvel). Quem roubou só a password não tem o telemóvel, logo não completa a autenticação.

4. Uma empresa faz backups todos os dias para o mesmo servidor. Que problema há? Aplica a regra 3-2-1.

Resolução: se o servidor for comprometido (ex.: ransomware) ou avariar, perde-se o original e o backup. A regra 3-2-1 manda ter 3 cópias, em 2 suportes diferentes e 1 fora do local — pelo menos uma cópia offline/externa.

5. Ordena as fases da resposta a um incidente de ransomware: recuperar, conter, detetar, lições aprendidas, erradicar, preparar.

Resolução: preparar → detetar → conter → erradicar → recuperar → lições aprendidas.