Aplicar técnicas de modalidades de futebol e de futsal (UC03655)
- Introdução
- 1. Enquadramento do futebol e do futsal nos jogos coletivos
- 2. História, evolução e valores do futebol e do futsal
- 3. Terminologia específica do futebol e do futsal
- 4. Materiais e equipamentos do futebol e do futsal
- 5. Normas, regulamentos e código de conduta
- 6. Regras do jogo de futebol
- 7. Regras do jogo de futsal
- 8. Terrenos de jogo, zonas dos campos e tempo dos jogos
- 9. Finalidades e organização dos jogos; perspetiva dualista
- 10. Metodologia das ações técnicas individuais
- 11. Técnica individual ofensiva: receção, condução, proteção, simulação, drible e passe
- 12. Remate e cabeceamento
- 13. Técnica individual defensiva: desarme, interceção e carga
- 14. Técnica de guarda-redes e ações específicas
- 15. Ações táticas coletivas e sistemas de jogo
- 16. Jogos pré-desportivos e jogos reduzidos
- 17. Planeamento do treino
- 18. Execução e avaliação do treino: as fases e os critérios
- 19. O protocolo de correção técnica e o feedback
- 20. Normas de segurança, regras e normas definidas
- 21. Identificar e resolver situações críticas no treino
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.
Introdução
Quem orienta uma sessão de futebol ou de futsal numa escola, numa atividade de enriquecimento curricular ou num clube desportivo precisa de dominar três coisas ao mesmo tempo: o jogo (regras, espaço, tempo, intenção), o gesto (como se executa e como se corrige cada técnica) e o treino (como se planeia, se conduz e se avalia uma sessão). Esta sebenta ensina a aplicar técnicas de modalidades de futebol e de futsal segundo o referencial da UC, e organiza-se de acordo com as quatro realizações que o definem: preparar os materiais e equipamentos desportivos para o treino e provas de futebol e de futsal, planear e organizar o treino, aplicar as diferentes técnicas e táticas e aplicar o protocolo de correção técnica.
O percurso começa no enquadramento das duas modalidades nos jogos coletivos, na sua história e nos seus valores. Passa pela terminologia, pelos materiais e equipamentos, pelas normas, pelo código de conduta e pelas regras do jogo de cada modalidade. Estuda depois os terrenos de jogo, o tempo dos jogos, as finalidades e a organização do jogo, com a perspetiva dualista (atacar e defender). Segue-se o grande bloco técnico: receção, condução, proteção, simulação, drible e finta, passe, remate, cabeceamento, desarme, interceção, carga e técnica de guarda-redes. Fecha com as ações táticas coletivas e os sistemas de jogo, os jogos pré-desportivos, o planeamento, a execução e a avaliação do treino, o protocolo de correção técnica e as normas de segurança.
Objetivos de aprendizagem (referencial): descrever a história e a evolução do futebol e do futsal; reconhecer os valores das modalidades; interpretar e aplicar as normas, regulamentos e regras de jogo, adaptando-os a diferentes contextos e categorias; identificar os terrenos de jogo; aplicar as técnicas individuais, isoladas e em jogo corrido; identificar conceitos defensivos e ofensivos e aplicar os princípios técnico-táticos; identificar jogos pré-desportivos; elaborar um plano de treino adequado a uma faixa etária; avaliar as competências-base; definir objetivos técnicos, táticos, físicos e psicológicos; transmitir regras e indicações; dar feedback construtivo; resolver situações críticas; aplicar as normas de segurança e as regras definidas.
Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo tem explicação, tabelas de consulta e, quase sempre, um exemplo resolvido passo a passo. Experimenta cada gesto no pavilhão ou no relvado antes de ler a correção, e treina a observação: ver bem um gesto é metade de o saber corrigir. Onde o texto remete para o regulamento em vigor, consulta sempre a versão atual da competição em que vais trabalhar, porque os regulamentos mudam de época para época.
1. Enquadramento do futebol e do futsal nos jogos coletivos
Os jogos desportivos coletivos (futebol, futsal, basquetebol, andebol, voleibol, hóquei em patins e outros) partilham uma estrutura: duas equipas em oposição direta, um objeto de jogo (a bola), um espaço delimitado, um alvo a atingir e a defender, e regras que regulam o contacto e o tempo. Em todos eles há cooperação entre companheiros e oposição aos adversários, em simultâneo, e é essa dupla relação que torna a decisão tão importante.
O futebol e o futsal pertencem à família dos jogos de invasão, em que se ganha pontuando no alvo adversário e se evita sofrer no próprio. Distinguem-se de outros jogos coletivos por uma característica: jogam-se essencialmente com os pés, o que torna o controlo da bola mais difícil e o jogo mais imprevisível do que nos jogos de mão.
| Aspeto | Futebol | Futsal |
|---|---|---|
| Jogadores por equipa em campo | onze, um deles guarda-redes | cinco, um deles guarda-redes |
| Espaço | grande, relvado ou piso sintético, ao ar livre | pequeno, piso liso, em pavilhão |
| Substituições | em número limitado pelo regulamento da prova | ilimitadas e volantes, nos termos do regulamento |
| Ritmo | pausas de jogo com muito espaço para decidir | muitas ações por minuto, pouco tempo para decidir |
| Fora de jogo | existe | não existe |
| Bola que sai pela linha lateral | lançamento com as mãos | reposição com o pé (a bola é colocada na linha) |
| Tempo | dois períodos de 45 minutos, com o tempo a correr | dois períodos de 20 minutos de tempo útil |
Os números de jogadores, as durações e as dimensões são os previstos nas regras oficiais de cada modalidade, e os regulamentos de cada prova podem fazer ajustes, sobretudo na formação. Por isso, antes de cada jogo ou prova, lê o regulamento.
Porque se ensinam juntos
Quem aprende futsal desenvolve decisão rápida, domínio da bola em espaço curto, passe curto e noção de apoio. Quem aprende futebol de onze desenvolve perceção de espaços grandes, jogo longo e posicionamento coletivo. As duas modalidades complementam-se e muitos jogadores de elite passaram pelo futsal na formação. Para o técnico, isto significa que um mesmo gesto, por exemplo a receção orientada, aparece nas duas modalidades com pequenas diferenças de aplicação.
Exemplo resolvido · classificar um jogo
Um grupo de alunos joga quatro contra quatro num campo pequeno, com duas balizas, a bola não pode ser agarrada e ganha quem marcar mais golos. Como se classifica?
- Há duas equipas em oposição e um objeto de jogo partilhado: é um jogo coletivo.
- O objetivo é marcar na baliza adversária e defender a própria: é um jogo de invasão.
- A bola joga-se com os pés e o espaço é reduzido: aproxima-se do futsal e é um bom jogo reduzido para treinar decisão rápida.
- Conclusão: este jogo cumpre as condições para ser usado como jogo pré-desportivo de introdução às duas modalidades.
2. História, evolução e valores do futebol e do futsal
Jogos com bola jogada com os pés existem em várias civilizações antigas, mas o futebol moderno nasce em Inglaterra, no século XIX, quando escolas, universidades e clubes uniformizaram regras para poderem jogar uns contra os outros. As primeiras regras escritas de grande difusão foram as de 1863, na criação da associação inglesa de futebol, e as regras passaram a ser guardadas por um organismo internacional, o IFAB (International Football Association Board), criado em 1886, que ainda hoje define as Leis do Jogo.
A FIFA, entidade que organiza o futebol a nível mundial, foi fundada em 1904. O primeiro Campeonato do Mundo realizou-se em 1930, no Uruguai. A modalidade espalhou-se pelo mundo por via dos portos, das fábricas e das escolas, e tornou-se o desporto mais praticado do planeta.
Em Portugal, o futebol chegou no final do século XIX, e a federação nacional foi fundada em 1914, com o nome de União Portuguesa de Futebol; é Federação Portuguesa de Futebol (FPF) desde 1926. A seleção nacional de futebol conquistou o Campeonato da Europa em 2016. O futebol português tem hoje uma rede grande de clubes, escolas de formação e provas de todos os escalões, em que trabalha a maioria dos técnicos de desporto.
O futsal
O futsal (do castelhano e do português, futebol de salão) nasceu em Montevideu, no Uruguai, nos anos 30 do século XX, como forma de jogar futebol em espaço reduzido e coberto, com um professor de educação física a adaptar o jogo para os jovens. Espalhou-se pelo Brasil e pela Europa. A FIFA assumiu a organização internacional da modalidade e o primeiro Campeonato do Mundo da FIFA realizou-se em 1989, nos Países Baixos. Em Portugal, o futsal tem uma tradição forte, e a seleção nacional conquistou o Campeonato da Europa em 2018 e o Campeonato do Mundo em 2021.
| Marco | Futebol | Futsal |
|---|---|---|
| Origem moderna | Inglaterra, século XIX | Montevideu, anos 30 do século XX |
| Entidade internacional | FIFA (1904) | FIFA |
| Guarda das regras | IFAB (1886) | regras próprias da FIFA para o futsal |
| Entidade em Portugal | União Portuguesa de Futebol (1914), FPF desde 1926 | FPF |
| Títulos da seleção nacional | Europa 2016 | Europa 2018, Mundo 2021 |
Os valores do futebol e do futsal
O desporto só educa quando os valores se vivem no treino e no jogo. Os valores que o referencial pede que se reconheçam, e que o técnico tem de ensinar pelo exemplo, são:
- Respeito: pelos adversários, pelos árbitros, pelos colegas, pelos treinadores, pelas regras e pelos espaços.
- Espírito desportivo (fair play): competir para ganhar, mas sem fazer batota, sem simulações para enganar o árbitro e aceitando o resultado.
- Cooperação e espírito de equipa: o resultado depende do que cada um faz pelos outros.
- Superação e persistência: errar faz parte, desistir é que não.
- Inclusão e respeito pelas diferenças individuais: toda a criança e todo o jovem tem o seu ritmo, e uma boa sessão dá lugar a todos.
- Responsabilidade e disciplina: pontualidade, cuidado com o material, cumprimento de regras.
Exemplo resolvido · transformar um valor num comportamento observável
Um valor só se avalia se se transformar em comportamento observável. Como tornar observável o «respeito pelo árbitro» num jogo de treino com jovens de 12 anos?
- Definir o comportamento: aceitar a decisão sem protestar e sem gestos; só o capitão pode falar com o árbitro.
- Explicar antes do jogo, em duas frases, o que se espera.
- Observar durante o jogo e registar, numa grelha simples, os casos de protesto.
- No fim, comentar em grupo, valorizando quem cumpriu, sem expor ninguém.
3. Terminologia específica do futebol e do futsal
Para ensinar é preciso falar a mesma língua que os praticantes, os árbitros e os outros técnicos. A terminologia tem de ser uniforme, precisa e curta. Em PT-PT, usa-se guarda-redes, relvado, equipa, balneário, bancada, lançamento de linha lateral, pontapé de canto.
| Termo | Significado |
|---|---|
| Processo ofensivo | conjunto de ações da equipa com bola para marcar golo |
| Processo defensivo | conjunto de ações da equipa sem bola para impedir golo e recuperar a bola |
| Transição | momento de passagem de um processo ao outro, ao perder ou ganhar a bola |
| Posse de bola | período em que uma equipa controla a bola |
| Linha de passe | direção livre entre quem tem a bola e um companheiro |
| Apoio | companheiro que se oferece perto de quem tem a bola |
| Desmarcação | movimento sem bola para receber a bola em melhor posição |
| Cobertura | posição de um defesa atrás do colega que defende o portador |
| Compensação | ajuste de posição de um jogador quando outro sai da sua zona |
| Basculação | deslocamento coletivo da defesa para o lado da bola |
| Marcação individual | cada defesa responsável por um adversário |
| Marcação à zona | cada defesa responsável por uma zona do terreno |
| Pressing (pressão) | ação coletiva de pressionar o portador para recuperar a bola |
| Largura e profundidade | ocupação do espaço lateral e longitudinal pela equipa |
| Posicionamento | local do terreno onde o jogador se coloca em cada momento |
| Bola parada | situação de jogo recomeçada com a bola imóvel (livre, canto, lançamento) |
| Golo | bola que ultrapassa totalmente a linha de baliza, entre os postes e sob a trave, sem infração |
| Fora de jogo | posição em que o jogador está mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e o penúltimo adversário, no momento do passe, e interfere no jogo |
| Pontapé livre direto | falta cobrada com pontapé do qual pode resultar golo diretamente |
| Pontapé livre indireto | infração cobrada com pontapé do qual só há golo se outro jogador tocar na bola |
| Grande penalidade | pontapé cobrado do ponto de grande penalidade (11 m no futebol, 6 m no futsal), só contra o guarda-redes, concedido por falta punível com livre direto cometida dentro da própria área |
| Lançamento de linha lateral | reposição com as mãos no futebol |
| Reposição de linha lateral com o pé | reposição no futsal, com a bola imóvel sobre a linha |
Terminologia técnica
| Gesto | Palavra-chave |
|---|---|
| Receção | amortecer e orientar a bola |
| Condução | levar a bola controlada em progressão |
| Proteção | colocar o corpo entre a bola e o adversário |
| Simulação e finta | movimento de engano para desequilibrar o oponente |
| Drible | ultrapassar o adversário mantendo a bola |
| Passe | entrega da bola a um colega |
| Remate | ação dirigida à baliza |
| Cabeceamento | jogar a bola com a cabeça |
| Desarme | recuperar a bola a quem a tem |
| Interceção | cortar a linha de passe e roubar a bola |
| Carga | contacto legal ombro com ombro para disputar a bola |
Exemplo resolvido · linguagem clara numa instrução
O treinador diz: «Desmarcações, pessoal! Joguem na linha e abram!». Como se melhora?
- Falta clareza: «desmarcação» foi usado sem explicar a quem se dirige e com que intenção.
- Melhorar: «Quem está sem bola, mexe-te para criar uma linha de passe livre para quem a tem.»
- Dar um exemplo concreto: «Se o teu colega está encostado à linha, aproxima-te em diagonal, à frente do defesa.»
- Verificar a compreensão: pedir a um jogador que explique por palavras suas.
4. Materiais e equipamentos do futebol e do futsal
A primeira realização da UC pede que se preparem os materiais e equipamentos desportivos para o treino e provas de futebol e de futsal. Preparar bem significa ter, em quantidade certa, em bom estado e no sítio certo, tudo o que a sessão exige antes de os praticantes chegarem.
Equipamento do jogo
| Item | Futebol | Futsal |
|---|---|---|
| Bola | bola de futebol de tamanho adequado ao escalão | bola de futsal, de menor ressalto, adequada ao escalão |
| Balizas | duas, de dimensões regulamentares (7,32 m por 2,44 m, no futebol de onze), fixas ao solo | duas, de 3 m por 2 m, fixas, nas linhas de fundo |
| Redes | presas à baliza e ao solo | presas à baliza |
| Marcações | linhas visíveis no relvado, marcação de áreas | linhas do pavilhão, com marcações próprias |
| Bandeirolas | nos cantos | não são necessárias |
As balizas portáteis têm de estar sempre bem fixas ou lastradas, porque o tombo de uma baliza é um dos acidentes mais graves do desporto. Antes de cada sessão, abana-se a baliza e verifica-se se está firme.
Equipamento dos praticantes
- Equipamento principal: camisola, calções e meias, de cor distinta da dos adversários.
- Caneleiras: equipamento obrigatório no jogo oficial das duas modalidades, futebol (Lei 4 do IFAB) e futsal (Lei 4 das Regras de Futsal da FIFA); têm de ser de material adequado, de tamanho suficiente para proteger e ficar cobertas pelas meias. No treino, exigem-se em todas as sessões com contacto, desde a formação.
- Calçado: adequado ao piso. No relvado natural usa-se o calçado com pitões; em piso sintético e relva artificial, calçado próprio para esse piso; em pavilhão, sapatilhas de piso liso, nunca calçado de pitões, para evitar escorregões e lesões nos joelhos.
- Equipamento do guarda-redes: luvas e, quando adequado, proteções, de cor diferente da dos restantes jogadores e dos árbitros.
- Colete de treino, para separar as equipas.
Material de treino
| Material | Uso |
|---|---|
| Cones e sinalizadores | delimitar campos, corredores, portas e estações |
| Barreiras e arcos | circuitos de coordenação e agilidade |
| Escadas de coordenação | trabalho de pés e de ritmo |
| Balizas pequenas | jogos reduzidos e remate |
| Coletes | formar equipas |
| Bolas | em número suficiente, de tamanho adequado, bem cheias |
| Apito e cronómetro | controlar o início, o fim e a duração das tarefas |
| Quadro tático ou prancheta | explicar organização e movimentos |
| Bomba de ar e agulha | acertar a pressão das bolas |
| Material de primeiros socorros | resposta a pequenas lesões |
| Água | hidratação, sempre disponível |
Checklist de preparação
- Ler o plano de treino e listar o material necessário para cada exercício.
- Verificar o estado do espaço: relvado sem buracos, pavilhão sem humidade no piso, linhas visíveis.
- Montar as balizas e confirmar a fixação.
- Verificar as bolas: pressão, tamanho, desgaste.
- Montar os exercícios com cones e coletes antes de os praticantes chegarem.
- Confirmar o kit de primeiros socorros, a água e o acesso a um telefone.
- No fim, arrumar, contar o material e registar o que está danificado.
Exemplo resolvido · preparar uma sessão para 16 jovens
A sessão tem 16 jovens de 12 anos, um aquecimento com bola, dois jogos reduzidos de 4 contra 4 em dois campos, e remate à baliza. O que se prepara?
- Bolas: uma por cada dois jovens no aquecimento (8), mais duas para os jogos, mais três de reserva. Total: 13 bolas.
- Coletes: quatro equipas de quatro jovens, duas em cada campo, pedem duas cores: 8 coletes de uma cor e 8 de outra, que se usam nos dois campos.
- Campos: dois campos de 20 por 15 metros, cada um com quatro cones nos cantos e duas balizas pequenas.
- Remate: uma baliza grande de futebol de sete ou de futsal, bem fixa, com bolas ao lado.
- Segurança: água, primeiros socorros, caneleiras para todos.
- Conclusão: tudo montado dez minutos antes de a sessão começar.
5. Normas, regulamentos e código de conduta
Normas e regulamentos
O futebol e o futsal funcionam com várias camadas de regras. O técnico tem de saber de onde vem cada uma.
| Nível | Quem define | Para quê |
|---|---|---|
| Leis do Jogo | IFAB (futebol) e FIFA (futsal) | regras do jogo, iguais em todo o mundo |
| Regulamentos da federação | FPF e associações distritais | organização das provas nacionais e regionais |
| Regulamento da prova | organizador (federação, associação, escola ou clube) | escalões, formatos, número de substitutos, duração |
| Regras da instituição | escola, AEC, clube | comportamentos, utilização de espaços |
| Regras da sessão | o técnico | rotinas, sinais, segurança |
Um erro frequente é tratar a regra de jogo e o regulamento da prova como se fossem a mesma coisa. A regra de jogo diz como se joga; o regulamento da prova decide, por exemplo, quantos jogadores se inscrevem, quanto dura cada período nos escalões mais jovens e como se desempata.
Adaptar os regulamentos a diferentes contextos e categorias
A aptidão «adaptar os regulamentos para diferentes contextos ou categorias de jogadores» é central na formação. Adapta-se:
- O espaço: campos mais pequenos para jogadores mais novos.
- O número de jogadores: formatos reduzidos dão mais toques na bola por jogador.
- A duração: períodos mais curtos e mais pausas para hidratar.
- A bola: tamanho e peso adequados à idade.
- As regras: simplificar as mais complexas, como o fora de jogo, em escalões de iniciação, quando o regulamento da prova o permite.
- As balizas: dimensões ajustadas à idade e ao formato.
- A inclusão: adaptações para pessoas com deficiência ou limitações, de modo a que participem.
Os formatos e escalões oficiais da formação são os fixados pelo regulamento da federação e das associações em vigor. Em Portugal, a formação organiza-se por escalões de dois anos (por exemplo sub-9, sub-11, sub-13, sub-15), e os formatos dos mais novos (futebol de 5, de 7 ou de 9) e as durações são fixados, época a época, pela federação e pela associação distrital; consulta sempre o regulamento da tua prova. Fora das provas oficiais, numa sessão de escola ou de AEC, o técnico tem liberdade para adaptar, desde que mantenha a segurança e a lógica do jogo.
Código de conduta
O código de conduta do técnico, do praticante e dos acompanhantes descreve comportamentos esperados. Em síntese:
- Técnico: respeita árbitros, adversários e praticantes; não humilha; não impõe resultados por todos os meios; zela pela segurança; mantém comunicação respeitosa com famílias.
- Praticante: respeita colegas, adversários e árbitros; cumpre as regras; cuida do material; chega a horas.
- Acompanhantes: apoiam sem insultar, não interferem nas decisões técnicas nem arbitrais.
- Todos: evitam linguagem ofensiva, discriminação, violência e consumo de substâncias proibidas.
Exemplo resolvido · adaptar um jogo para a faixa etária
Um técnico de AEC tem de organizar um jogo com 12 crianças de 8 anos, num espaço de 30 por 20 metros. Como adapta?
- Formato: seis contra seis seria demasiado para a idade, por isso opta por dois campos de 15 por 20 metros, cada um com um jogo de três contra três.
- Regras: sem guarda-redes fixo, balizas pequenas, sem fora de jogo.
- Duração: jogos de cinco minutos, com rotação das equipas.
- Objetivo pedagógico: muitos toques na bola, muitas situações de um contra um.
- Conduta: aplaudir os golos de ambas as equipas; quem conduz a bola até ao fim da linha ganha um ponto extra pelo drible.
6. Regras do jogo de futebol
As Leis do Jogo do futebol, mantidas pelo IFAB, são revistas todos os anos. O técnico tem de conhecer a estrutura geral e consultar sempre o texto em vigor para os pormenores, porque a numeração e a redação mudam de época para época. O que interessa reter é a lógica de cada tema.
Quadro geral
| Tema | Ideia central |
|---|---|
| Jogadores | duas equipas de, no máximo, onze jogadores, um deles guarda-redes; o jogo não pode começar nem continuar se uma equipa tiver menos de sete |
| Substituições | número e procedimento definidos pelo regulamento da prova |
| Equipamento | camisola, calções, meias, caneleiras e calçado; nada de perigoso para si ou para os outros |
| Árbitros | o árbitro aplica as leis; os assistentes sinalizam fora de jogo, bola fora e faltas |
| Duração | dois períodos iguais de 45 minutos, com intervalo máximo de 15 minutos, salvo acordo diferente permitido pelo regulamento |
| Início e recomeço | pontapé de saída no início de cada período e depois de um golo |
| Bola em jogo e fora de jogo | a bola está fora de jogo quando passa totalmente uma linha ou quando o árbitro pára o jogo |
| Golo | a bola ultrapassa totalmente a linha de baliza, entre os postes e sob a trave, sem infração prévia |
| Fora de jogo | posição irregular, só punida quando o jogador interfere no jogo |
| Faltas e incorreções | contactos imprudentes ou violentos, mãos, e comportamentos antidesportivos |
| Pontapés livres | diretos ou indiretos, conforme a infração |
| Grande penalidade | falta punível com livre direto cometida dentro da própria área, cobrada do ponto de grande penalidade, a 11 m da baliza |
| Lançamento de linha lateral | com as mãos, quando a bola passa a linha lateral |
| Pontapé de baliza | quando a bola passa a linha de fundo, tocada por último por um atacante |
| Pontapé de canto | quando a bola passa a linha de fundo, tocada por último por um defesa |
Faltas, cartões e disciplina
As faltas passíveis de pontapé livre direto incluem, entre outras, pontapear, rasteirar, saltar sobre um adversário, carregar de forma imprudente, empurrar, agarrar e tocar a bola com a mão ou o braço de forma punível. O árbitro pode usar o cartão amarelo (advertência, por exemplo por comportamento antidesportivo, protesto, atraso no recomeço) e o cartão vermelho (expulsão, por exemplo por jogo brusco grave, conduta violenta ou impedimento de um golo evidente por falta). Em escalões de formação, o regulamento da prova pode prever sanções diferentes, como uma suspensão temporária.
O fora de jogo
Um jogador está em posição de fora de jogo quando, no momento do passe de um companheiro, está mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e do que o penúltimo adversário, na metade do adversário, com a parte do corpo que conta para esse efeito. Estar em posição de fora de jogo não é infração: só há infração se, nesse momento, o jogador interferir no jogo, interferir num adversário ou tirar vantagem da posição. Não há fora de jogo na receção direta de um pontapé de baliza, de um lançamento de linha lateral ou de um pontapé de canto.
Exemplo resolvido · decidir um recomeço
A bola, tocada por último por um defesa, sai pela linha de fundo junto à sua própria baliza. Qual é o recomeço? E se tivesse sido tocada por último por um atacante?
- Tocada por último por um defesa, a bola passou a linha de fundo: o recomeço é um pontapé de canto a favor dos atacantes.
- Tocada por último por um atacante: o recomeço é um pontapé de baliza a favor da equipa que defende.
- Conclusão: o recomeço depende de quem toca por último e da linha por onde a bola sai.
Exemplo resolvido · posição de fora de jogo
Um companheiro de A passa a bola para a frente. No momento do passe, A está na metade do campo do adversário, mais perto da linha de baliza do que a bola, e só tem à sua frente o guarda-redes adversário. O último defesa, que é o penúltimo adversário contando com o guarda-redes, está atrás de A.
- Identificar o penúltimo adversário no momento do passe: é o defesa que está atrás de A.
- Comparar: A está mais perto da linha de baliza do que a bola e do que esse penúltimo adversário.
- A está, por isso, em posição de fora de jogo.
- A posição, só por si, não é infração: se A não tocar na bola nem interferir num adversário, o jogo continua.
- Se A receber a bola, ou lhe tirar vantagem, o árbitro pune com um pontapé livre indireto.
- Conclusão: a decisão depende do momento do passe e da interferência, e não da posição final do jogador.
7. Regras do jogo de futsal
O futsal tem as suas próprias regras, definidas pela FIFA, e não deve ser tratado como futebol em ponto pequeno. Algumas diferenças têm consequências diretas na maneira de ensinar.
Quadro geral
| Tema | Ideia central |
|---|---|
| Jogadores | duas equipas de, no máximo, cinco jogadores em campo, um deles guarda-redes |
| Substituições | volantes e ilimitadas, nos termos do regulamento, feitas pela zona própria |
| Duração | dois períodos de 20 minutos de tempo útil, com o cronómetro parado nas interrupções |
| Reposição de linha lateral | com o pé, bola imóvel sobre a linha, e o jogador tem quatro segundos para a repor |
| Pontapé de baliza | reposição de baliza com as mãos, pelo guarda-redes |
| Fora de jogo | não existe |
| Faltas acumuladas | contam-se as faltas puníveis com livre direto ou grande penalidade; a partir da sexta, o livre é cobrado sem barreira e sem passe, de regra do segundo ponto de grande penalidade (a 10 m) |
| Quatro segundos | o jogador tem quatro segundos para cobrar livres, linhas laterais e cantos; o guarda-redes tem quatro segundos para se desfazer da bola no seu meio-campo |
| Guarda-redes | restrições à receção de passes de pé dos companheiros e à utilização das mãos |
| Contacto | as faltas e incorreções seguem a mesma lógica do futebol, e os regulamentos tratam com especial rigor as entradas perigosas, como as entradas por trás ou a deslizar |
Faltas acumuladas
Em cada período, o árbitro conta as faltas acumuladas de cada equipa, isto é, as faltas puníveis com livre direto ou grande penalidade. A partir da sexta falta acumulada de uma equipa no período, o adversário cobra um livre direto sem barreira, que se cobra, por regra, do segundo ponto de grande penalidade, a 10 m da baliza. Só quando a falta foi cometida na metade do campo da equipa infratora, entre a linha dos 10 m (paralela à linha de baliza e que passa pelo segundo ponto) e a própria linha de baliza, e fora da área, é que a equipa que cobra escolhe entre o segundo ponto e o local da falta. Quem cobra tem de rematar à baliza e não pode passar a um colega. Os restantes jogadores ficam em campo, atrás da bola, fora da área e a pelo menos 5 m dela; o guarda-redes que defende fica dentro da sua área e também a pelo menos 5 m da bola. Uma falta punível com livre direto cometida dentro da própria área é sempre grande penalidade. Este mecanismo penaliza o jogo faltoso e muda por completo a gestão defensiva de um período.
Regra dos quatro segundos
Para que o jogo seja rápido e sem perdas de tempo, o futsal impõe quatro segundos em várias reposições. Se a equipa demorar mais do que quatro segundos a cobrar um livre, o adversário recebe um livre indireto. O guarda-redes que controla a bola com as mãos ou com os pés no seu meio-campo durante mais de quatro segundos também é punido com livre indireto.
O guarda-redes de futsal
O guarda-redes de futsal participa muito no jogo com os pés, funciona como um jogador de campo em muitas situações e tem restrições: não pode tocar com as mãos, dentro da sua área, na bola que um colega lhe passou deliberadamente com o pé, nem na que recebe diretamente de uma reposição lateral de um colega; não pode controlar a bola mais de quatro segundos no seu meio-campo; e, depois de jogar a bola, não lhe pode voltar a tocar no seu meio-campo se um colega lha devolveu sem que nenhum adversário tenha tocado nela. Em qualquer destes casos, o adversário recebe um livre indireto.
Exemplo resolvido · contar faltas acumuladas
No primeiro período de um jogo, a equipa A comete cinco faltas puníveis com livre direto. A sexta falta ocorre a 14 metros da baliza de A.
- Contagem: cinco faltas já acumuladas; esta é a sexta.
- Consequência: livre direto sem barreira para a equipa B.
- Ponto de cobrança: a falta ocorreu a 14 m da baliza de A, para lá da linha dos 10 m, fora da zona em que a equipa B poderia escolher. O livre é cobrado do segundo ponto de grande penalidade, a 10 m da baliza.
- Se a mesma falta tivesse ocorrido a 8 m da baliza de A, junto à linha lateral e fora da área, a equipa B escolheria entre o segundo ponto e o local da falta.
- A equipa A não pode formar barreira, o executante tem de rematar e o guarda-redes de A fica sozinho perante o remate.
- Conclusão: ao acumular cinco faltas, o técnico de A deve pedir para trocar a atitude defensiva, evitando a entrada por trás, para não oferecer cobranças fáceis.
8. Terrenos de jogo, zonas dos campos e tempo dos jogos
O campo de futebol
O campo de futebol é um retângulo em que a linha lateral é mais comprida do que a linha de fundo. Para jogos oficiais de adultos, as Leis do Jogo admitem, para jogos que não sejam internacionais, comprimentos entre 90 e 120 metros e larguras entre 45 e 90 metros; para jogos internacionais, comprimentos entre 100 e 110 metros e larguras entre 64 e 75 metros. A baliza tem 7,32 metros de largura entre postes e 2,44 metros de altura. A área de grande penalidade estende-se 16,5 metros a partir dos postes e 16,5 metros para dentro do campo; o ponto de grande penalidade está a 11 metros da baliza; o círculo central tem 9,15 metros de raio.
Nos escalões de formação, o regulamento da prova define campos mais pequenos, com balizas adaptadas, consoante o formato de jogo.
O campo de futsal
O campo de futsal é também um retângulo, mais pequeno. Para jogos que não sejam internacionais, o regulamento da FIFA admite comprimentos entre 25 e 42 metros e larguras entre 16 e 25 metros; para internacionais, o comprimento está entre 38 e 42 metros e a largura entre 20 e 25 metros. As balizas medem 3 metros de largura por 2 de altura. As áreas de grande penalidade têm forma própria. O ponto de grande penalidade está a 6 metros da baliza (11 metros no futebol) e o segundo ponto de grande penalidade, usado nas faltas acumuladas, a 10 metros. Há ainda as zonas de substituição ao lado do banco.
| Aspeto | Futebol | Futsal |
|---|---|---|
| Piso | relvado natural ou sintético | piso liso e plano, normalmente em pavilhão |
| Comprimento (jogos não internacionais) | 90 a 120 m | 25 a 42 m |
| Largura (jogos não internacionais) | 45 a 90 m | 16 a 25 m |
| Baliza | 7,32 m por 2,44 m | 3 m por 2 m |
| Área de grande penalidade | grande, retangular | em arco, mais pequena |
| Ponto de grande penalidade | 11 m | 6 m (e segundo ponto a 10 m) |
Zonas do campo
Para analisar e ensinar o jogo, divide-se o campo em zonas.
- Longitudinalmente: zona defensiva (terço da própria baliza), zona média (meio-campo organizador) e zona ofensiva (terço da baliza adversária).
- Lateralmente: corredor esquerdo, corredor central e corredor direito.
- Zonas de risco: a zona frente à própria baliza (onde um erro custa um golo) e a zona frente à baliza adversária (onde uma ação certa vale um golo).
Cada zona exige comportamentos diferentes. Na zona defensiva privilegia-se a segurança (passes simples, afastar a bola do perigo); na média, a circulação e a escolha; na ofensiva, a criatividade, a velocidade e o remate.
As formas de jogar
Falar de «formas de jogar» é falar do modo como cada equipa ocupa o espaço e utiliza as zonas: jogo direto (passes longos para a frente), jogo apoiado (passes curtos, progressão paciente), jogo pelos corredores, jogo interior, contra-ataque e ataque organizado. No futsal, a forma de jogar é muito condicionada pelo espaço curto e pela rotação de jogadores.
O tempo dos jogos
- Futebol: dois períodos de 45 minutos, com intervalo máximo de 15 minutos. O árbitro acrescenta o tempo perdido com substituições, lesões e outras interrupções.
- Futsal: dois períodos de 20 minutos de tempo útil; o cronómetro pára sempre que a bola sai ou há interrupção; o intervalo não excede 15 minutos.
- Formação: a duração é a que o regulamento da prova indicar, normalmente mais curta nos escalões mais baixos.
- Sessão de treino: de modo geral entre 60 e 90 minutos, dependendo do escalão e da periodicidade.
Exemplo resolvido · comparar dois espaços
Um técnico tem de escolher entre dois espaços para trabalhar a decisão rápida: um relvado de 60 por 40 metros e um pavilhão de 30 por 18 metros, ambos com 10 jogadores.
- Área disponível por jogador: relvado, 2400 ÷ 10 = 240 m²; pavilhão, 540 ÷ 10 = 54 m².
- Quanto menor o espaço por jogador, mais rápidas as decisões e mais toques na bola.
- Para treinar decisão rápida, o pavilhão é melhor; para treinar jogo longo e largura, o relvado.
- Conclusão: o espaço escolhe-se pelo objetivo da sessão.
9. Finalidades e organização dos jogos; perspetiva dualista
Finalidades
A finalidade do futebol e do futsal é marcar mais golos do que o adversário, respeitando as regras. Para isso, cada equipa tem de resolver dois problemas ao mesmo tempo: como chegar à baliza adversária e finalizar, e como impedir o adversário de fazer o mesmo. A organização do jogo estrutura-se à volta destas duas finalidades.
Perspetiva dualista de organização dos jogos
A perspetiva dualista vê o jogo como uma alternância entre dois grandes momentos, o processo ofensivo (quando a equipa tem a bola) e o processo defensivo (quando não a tem), ligados por transições (quando se ganha ou perde a bola). Em cada processo, a equipa tem objetivos e princípios próprios.
| Momento | Objetivos | Princípios fundamentais |
|---|---|---|
| Processo ofensivo | manter a posse, progredir, criar situação de remate, marcar | penetração, cobertura ofensiva (apoio), mobilidade, espaço, largura e profundidade |
| Processo defensivo | recuperar a bola, impedir a progressão, proteger a baliza | contenção, cobertura defensiva, equilíbrio, concentração, compactação |
| Transição ofensiva | passar da defesa ao ataque o mais depressa possível | velocidade, direção do jogo, aproveitar o desequilíbrio |
| Transição defensiva | reagir à perda da bola | reação imediata, pressão ao portador, recomposição |
Processo ofensivo
Os princípios ofensivos mais citados são:
- Penetração: jogar para a frente sempre que possível, em direção à baliza.
- Cobertura ofensiva (apoio): oferecer linhas de passe a quem tem a bola.
- Mobilidade: trocas de posição e desmarcações, para desorganizar a defesa.
- Espaço (largura e profundidade): abrir o campo para criar espaços entre os defesas.
- Improvisação e criatividade: decidir de modo inesperado dentro da organização coletiva.
Processo defensivo
Os princípios defensivos correspondentes:
- Contenção: o defesa mais próximo do portador impede que avance e que passe para a frente, sem entrar de forma precipitada.
- Cobertura defensiva: o colega seguinte posiciona-se atrás, de modo a corrigir uma eventual falha.
- Equilíbrio: os jogadores mais afastados da bola controlam os adversários que podem receber o passe seguinte.
- Concentração: atenção permanente à bola e ao adversário.
- Compactação: linhas juntas, para reduzir os espaços entre elas.
Objetivos e fundamentos do jogo, no ataque e na defesa
| Ataque | Defesa | |
|---|---|---|
| Objetivo | marcar | evitar golos e recuperar a bola |
| Fundamentos | criar espaço e linhas de passe; progredir com a bola; finalizar | reduzir espaço; orientar o adversário; cobrir os colegas; recuperar a bola |
| Atitude | ousadia com critério | disciplina e comunicação |
Exemplo resolvido · classificar um momento de jogo
A equipa A perde a bola no meio-campo e, de imediato, três jogadores correm para pressionar o adversário que a recuperou. A bola é recuperada a 30 metros da baliza adversária.
- Perde a bola: é uma transição defensiva.
- A reação imediata de pressão ao portador é o princípio de reação imediata e pressão.
- Recuperar a bola perto da baliza adversária cria uma transição ofensiva com o adversário desorganizado.
- Conclusão: transições bem trabalhadas geram os melhores momentos de golo, porque o adversário está desequilibrado.
10. Metodologia das ações técnicas individuais
A técnica individual é o conjunto de gestos que o jogador usa para controlar, conduzir, passar, rematar e disputar a bola. Ensinar técnica não é pedir para repetir: é seguir uma metodologia com passos claros.
Etapas de aprendizagem de um gesto
- Demonstrar e explicar: o técnico mostra o gesto completo, a velocidade real, de frente e de lado, e explica em poucas palavras os pontos-chave.
- Experimentar: os praticantes tentam, sem pressão, em ambiente simples.
- Repetir com correção: repetição em condições estáveis, com feedback pontual.
- Variar: o mesmo gesto com bolas diferentes, direções, distâncias e velocidades.
- Aplicar com oposição: o gesto em exercícios com adversário, primeiro passivo, depois ativo.
- Aplicar em jogo: jogos reduzidos e jogo formal, em que a técnica serve a decisão.
A passagem entre fases faz-se quando o praticante domina a anterior em pelo menos 7 de cada 10 tentativas.
Componentes críticas de um gesto
Cada gesto técnico tem componentes críticas, isto é, os detalhes que decidem se foi bem executado: posição do corpo, posição do pé de apoio, zona de contacto com a bola, movimento da perna ou do braço, orientação do olhar e continuidade do movimento. A observação do técnico foca-se nelas, uma de cada vez.
Ações individuais e coletivas
As ações individuais são as que um jogador executa sozinho (condução, finta, remate). As ações coletivas envolvem dois ou mais jogadores (troca de passes, desmarcação com passe, cobertura defensiva). Um jogo é uma sucessão destes dois tipos, e as ações individuais só têm valor se encaixarem na ação coletiva da equipa.
Exemplo resolvido · progressão de ensino de um gesto
Ensinar o passe com o interior do pé a jovens de 10 anos.
- Demonstração: o técnico mostra o gesto e nomeia os pontos-chave: pé de apoio ao lado da bola, pé de passe com o interior orientado para o alvo, seguir o movimento.
- Experimentação: pares a 5 metros, passe e receção, sem pressão.
- Repetição com correção: o técnico circula, corrige um ponto por vez.
- Variação: pares a distâncias diferentes, com o pé direito e o esquerdo, com receção e passe de primeira.
- Oposição: três contra um, em quadrado, com o defesa a pressionar de forma passiva e depois ativa.
- Jogo: jogo reduzido de cinco contra cinco, com ponto extra por sequências de cinco passes.
11. Técnica individual ofensiva: receção, condução, proteção, simulação, drible e passe
Receção
A receção é o gesto de controlar a bola que vem de um passe, de um lançamento ou de um ressalto, de modo a deixá-la pronta para a ação seguinte. Receber bem é receber orientado: a bola fica do lado em que se vai jogar.
| Superfície | Quando se usa |
|---|---|
| Interior do pé | bolas rasteiras, receção segura |
| Exterior do pé | receção com mudança de direção |
| Planta do pé | amortecer bola rasteira e pará-la |
| Coxa | bolas que descem em arco |
| Peito | bolas altas |
| Cabeça | bolas altas, quando não há outra opção |
Componentes críticas: olhar para a bola e para o espaço antes de a receber; corpo orientado para onde se vai jogar; amortecer (recuar a superfície de contacto no momento do toque); toque seguinte já a pensar na ação.
Condução
A condução é levar a bola controlada em progressão, com toques sucessivos. Pode ser feita com a parte interior, exterior ou o peito do pé, e com a sola. Em velocidade, usa-se o exterior ou o peito do pé e a bola vai mais longe; em espaço curto ou com adversário próximo, toques curtos e frequentes.
Componentes críticas: cabeça levantada, bola perto do pé, corpo ligeiramente inclinado, mudanças de ritmo e de direção.
Proteção da bola
A proteção consiste em colocar o corpo entre o adversário e a bola, com o braço mais afastado a ajudar a manter a distância (sem agarrar nem empurrar, que é falta). A bola fica no pé mais longe do adversário. Útil em espaço curto, sobretudo no futsal, e para dar tempo a um colega de apoiar.
Simulação, drible e finta
A simulação (ou finta) é o movimento de engano que faz o adversário pensar que se vai para um lado e desequilibra-o. O drible é a ultrapassagem do adversário com a bola controlada.
| Gesto | Descrição |
|---|---|
| Finta de corpo | inclinar o tronco e o ombro para um lado e sair para o outro |
| Finta com a bola | passar o pé sobre a bola, sem a tocar, e sair para o lado contrário |
| Drible com mudança de ritmo | abrandar para enganar e acelerar na saída |
| Drible com mudança de direção | cortar com o exterior ou o interior do pé |
| Corte | mudar a direção da bola com a sola ou com o pé de fora |
Componentes críticas: o engano tem de ser credível (corpo e olhar), a saída explosiva e a bola protegida logo a seguir. O objetivo é ganhar tempo ou espaço, não mostrar habilidade: dribla-se quando é preciso, não por hábito. Simular uma falta ou uma agressão para enganar o árbitro não é simulação técnica: é comportamento antidesportivo e é punido.
Passe
O passe é a ação coletiva mais frequente do jogo: entregar a bola a um colega.
| Tipo | Superfície | Uso |
|---|---|---|
| Passe curto, rasteiro | interior do pé | circulação segura |
| Passe longo | peito do pé | mudança de corredor, jogo direto |
| Passe de exterior | exterior do pé | passe rápido sem ajustar o corpo |
| Passe de cabeça | testa | bolas altas |
| Passe em profundidade | pé interior ou peito do pé | colocar um colega em frente à defesa |
Componentes críticas: pé de apoio ao lado da bola, ponta do pé de apoio orientada para o alvo, pé de passe rígido, olhar para o colega antes e para a bola no momento do toque, seguimento do movimento.
Critérios do bom passe: direção, força, timing e oportunidade. Um passe certo para o sítio errado, ou no momento errado, é um mau passe.
Exemplo resolvido · escolher entre conduzir, driblar e passar
Num jogo de seis contra seis, o jogador A recebe a bola no meio-campo, com um adversário a dois metros e um colega livre a cinco.
- Observar o espaço: há um colega livre e o adversário ainda não está encostado.
- Avaliar o risco: dribla-se se for necessário ganhar espaço; passa-se se houver um colega melhor colocado.
- Decidir: passe rasteiro com o interior do pé para o colega livre.
- Seguir a jogada: desmarcar-se para receber em apoio.
- Conclusão: a técnica serve a decisão; o gesto certo é o que resolve a situação com menor risco.
Exemplo resolvido · corrigir uma receção
Um jovem de 11 anos recebe sempre a bola com a planta do pé, mas a bola foge-lhe.
- Observar: o pé não recua no momento do toque; o corpo está de costas para o espaço.
- Escolher uma correção: «ao receber, recua um pouco o pé como se amortecesses um ovo».
- Repetir o exercício em pares a 4 metros, dez receções.
- Verificar: três em dez ficam controladas; subir para sete em dez antes de mudar de exercício.
- Só depois corrigir a orientação do corpo.
12. Remate e cabeceamento
Remate
O remate é a ação final de uma jogada ofensiva, dirigida à baliza. Há várias formas, escolhidas pela distância, pelo ângulo e pelo espaço de que se dispõe.
| Tipo | Superfície | Quando |
|---|---|---|
| Remate de peito do pé (colocado ou forte) | peito do pé (cordas) | longa e média distância, com potência |
| Remate de interior | parte interior do pé | curta distância, com precisão |
| Remate de exterior | parte exterior do pé | situações de ângulo difícil, com efeito |
| Remate de bola parada | conforme a situação | livres, grandes penalidades |
| Remate em voo (volley) | peito do pé | bola no ar |
| Remate com a ponta do pé | ponta | situações de pressa, quando não há tempo para outro |
Componentes críticas do remate de peito do pé: última passada maior; pé de apoio ao lado da bola, a 15 a 20 centímetros e orientado para o alvo; tronco inclinado sobre a bola; perna de remate com balanço de trás para a frente; contacto na zona central da bola, com o pé em extensão; seguimento do movimento na direção do alvo; olhar para a bola no momento do contacto.
Erros típicos: pé de apoio demasiado atrás ou demasiado afastado; tronco recuado, e a bola sobe; corpo de lado, e a bola desvia-se; falta de seguimento.
Em futsal, o remate é feito com poucos passos de balanço e muitas vezes de primeira. Rematar de longe, com bola rápida e rasteira, é eficaz num campo pequeno.
Cabeceamento
O cabeceamento é jogar a bola com a cabeça, em situação defensiva (cortar), ofensiva (rematar, desviar) ou de passe. Pouco usado no futsal, pela natureza do jogo, no futebol é fundamental em bolas paradas e cruzamentos.
Componentes críticas: 1. Olhar para a bola até ao contacto, com os olhos abertos e a boca fechada. 2. O contacto faz-se com a testa, na zona frontal, não no topo da cabeça. 3. O corpo vai à bola; não é a cabeça que a espera. 4. Pescoço firme, queixo junto ao peito. 5. Salto com um ou dois pés, o tronco a «chicotear» para a frente.
Na formação, o cabeceamento deve ser introduzido com bolas leves e macias, em número limitado de repetições por sessão, e seguindo as orientações em vigor das entidades desportivas e de saúde para as idades mais baixas, que limitam o número de cabeceamentos.
Exemplo resolvido · remate fraco e a subir
Um jogador de 14 anos remata sempre por cima da trave.
- Observar o pé de apoio: está atrás da bola.
- Observar o tronco: está inclinado para trás.
- Corrigir uma componente: colocar o pé de apoio ao lado da bola e inclinar o tronco sobre ela.
- Repetir o remate com bola parada, depois em movimento.
- Verificar: dez remates, contar os que ficam dentro do alvo; o objetivo é pelo menos sete em dez antes de aumentar a potência.
Exemplo resolvido · escolher a técnica de finalização
Numa jogada, a bola cruza pelo ar, alta, à frente da baliza, quando o avançado está a cinco metros dela, com um defesa por perto.
- A bola vem no ar e a pouca distância: cabeceamento ou remate em voo.
- Se a bola estiver à altura da cabeça, o cabeceamento com a testa.
- Se descer à altura da coxa, o remate de primeira com o peito do pé.
- Decisão do avançado: timing e orientação do corpo antes da bola chegar.
13. Técnica individual defensiva: desarme, interceção e carga
Desarme
O desarme é a ação de recuperar a bola a um adversário que a controla, sem cometer falta. Pode fazer-se com o pé (de frente, de lado, a deslizar) ou, no futebol e em certas condições, com o ombro.
Condições para desarmar bem: 1. Distância certa: nem tão perto que se seja driblado, nem tão longe que o adversário tenha tempo. 2. Postura baixa, joelhos fletidos, peso no antepé, pronto para reagir. 3. Orientação do adversário para o lado mais fraco ou para fora do campo. 4. Paciência: esperar o momento em que a bola se afasta do pé do adversário. 5. Decisão: entrar de uma só vez e com firmeza.
O desarme a deslizar (carrinho) é perigoso. Em futebol, é permitido quando é feito para a bola e sem pôr em risco o adversário; em futsal e nos escalões de formação, o regulamento e a prudência aconselham a evitá-lo. Qualquer desarme que atinja o adversário antes da bola é falta.
Interceção
A interceção consiste em cortar a linha de passe e ficar com a bola antes de ela chegar ao adversário. Exige leitura de jogo: perceber a intenção do passe e antecipar-se. Componentes críticas: observar o portador e o recetor, posicionamento na linha de passe, reação rápida, controlo da bola logo após a interceção.
Carga
A carga é o contacto legal, ombro com ombro, entre dois jogadores que disputam a bola, com ambos a jogar a bola e dentro do alcance de a jogar. A carga é legal quando é feita à bola, com o ombro, sem usar os braços para empurrar e sem violência. É falta quando é feita de forma imprudente, com excesso de força, de costas, ou sem disputa da bola.
| Ação | Legal quando | Falta quando |
|---|---|---|
| Desarme | atinge primeiro a bola | atinge primeiro o adversário |
| Carga | ombro com ombro, a disputar a bola | uso de braços, de costas, ou a bola não está ao alcance |
| Interceção | corta a linha de passe | agarrar o adversário para chegar à bola |
Exemplo resolvido · decidir entre desarmar e conter
O defesa D enfrenta um atacante rápido, com espaço atrás de si e sem cobertura de um colega.
- Avaliar o risco: se entra e falha, o atacante fica em vantagem.
- Aplicar o princípio defensivo: contenção, não desarme.
- Recuar com a postura baixa, orientando o atacante para o lado da linha.
- Esperar a cobertura de um colega ou a falha do atacante.
- Só desarmar quando o atacante deixar a bola afastar-se do pé.
Exemplo resolvido · carga legal ou falta?
Dois jogadores correm lado a lado para uma bola solta. O jogador A empurra o outro nas costas com as duas mãos.
- Quem joga a bola: ambos estão em condições de a jogar.
- O tipo de contacto: empurrão com as mãos, nas costas.
- A carga legal é ombro com ombro; aqui há empurrão.
- Decisão: falta, punida com pontapé livre direto.
- Conclusão: a carga legal depende do tipo de contacto e da disputa efetiva da bola.
14. Técnica de guarda-redes e ações específicas
O guarda-redes é o único jogador que pode jogar a bola com as mãos (dentro da sua área, no futebol) e o último elemento da organização defensiva. A técnica de guarda-redes tem componentes próprias e merece treino específico.
Posição fundamental
- Pés à largura dos ombros, joelhos ligeiramente fletidos, peso no antepé.
- Tronco inclinado para a frente, braços fletidos e mãos à frente do corpo.
- Olhar fixo na bola.
Ações técnicas
| Ação | Descrição |
|---|---|
| Deslocamento | passos laterais, sem cruzar os pés, para se posicionar na linha da bola |
| Receção da bola rasteira | uma perna e o corpo atrás da bola, mãos em «concha» |
| Receção da bola alta | mãos em «W» ou em «concha» atrás da bola, em extensão do tronco |
| Defesa de bola colocada | mergulho para o lado, com as mãos a chegar primeiro |
| Desvio | tocar a bola com a palma para fora da baliza, em bolas difíceis |
| Saída aos pés do atacante | reduzir ângulo, fechar o espaço |
| Reposição com as mãos | lançar a bola com o braço, rasteira ou em arco |
| Reposição com o pé | passe longo ou curto, com o pé |
| Comunicação | orientar a defesa com a voz |
O guarda-redes no futsal
No futsal, o guarda-redes é também jogador de campo, participa na construção, joga muito com os pés e repõe a bola com as mãos. A reposição rápida de baliza transforma uma defesa num ataque em poucos segundos, dentro dos quatro segundos de que o guarda-redes dispõe. As regras do futsal limitam o seu uso das mãos e dos pés, como visto no capítulo 7.
Posicionamento e redução de ângulo
O guarda-redes posiciona-se na bissetriz do ângulo entre os dois postes e a bola. Ao avançar, reduz o ângulo de remate: quanto mais perto do atacante, menos baliza o atacante vê. Mas se avançar demais, pode ser batido por um chapéu. Daí o equilíbrio entre avançar e manter a baliza coberta.
Carga e ações específicas do guarda-redes
O referencial refere «carga e ações específicas do guarda-redes». O guarda-redes tem regras próprias: no futebol, só pode jogar a bola com as mãos dentro da sua área, e o contacto com ele em disputa de bola é avaliado pelo árbitro com especial atenção à sua segurança. No futebol, um guarda-redes não pode segurar a bola com as mãos depois de a receber de um passe deliberado de pé de um companheiro, nem depois de a receber diretamente de um lançamento de linha lateral de um colega. Um adversário não pode impedir o guarda-redes de largar a bola das mãos, nem tentar jogá-la enquanto ele a larga (livre indireto); o árbitro vigia com especial atenção os contactos com o guarda-redes em lances aéreos.
Exemplo resolvido · reduzir o ângulo
Um atacante avança sozinho em direção à baliza, a 12 metros, com a bola controlada.
- O guarda-redes avança para o atacante, mas não demasiado.
- Mantém-se em linha com o centro da baliza e da bola.
- Fica em posição fundamental, sem se deixar cair antes de o remate sair.
- Reage ao remate com o corpo atrás da bola.
- Conclusão: reduzir o ângulo faz o atacante ver uma baliza mais pequena e aumenta a probabilidade de defesa.
Exemplo resolvido · corrigir uma defesa a bola rasteira
Um jovem guarda-redes deixa passar as bolas rasteiras junto aos pés.
- Observar: as pernas estão afastadas e o tronco direito.
- Corrigir: joelho ao chão ao lado do outro pé (barreira), tronco sobre a bola.
- Repetir com bolas lentas a dois metros.
- Aumentar a velocidade quando a técnica estiver consistente.
- Elogiar a atitude de ir à bola, para criar confiança.
15. Ações táticas coletivas e sistemas de jogo
O que é a tática
A tática é a organização das ações dos jogadores, em função da bola, dos colegas, dos adversários e do espaço. A técnica diz como se faz o gesto; a tática diz onde, quando e porquê.
Ações táticas coletivas ofensivas
| Ação | Descrição |
|---|---|
| Passe e desmarcação | passar e movimentar-se para receber de novo |
| Tabela (um-dois) | passar e receber de imediato, ultrapassando um defesa |
| Cruzamento | passe lateral para a área, para o remate de um colega |
| Cobertura ofensiva | colega que apoia atrás ou ao lado do portador |
| Troca de posições | permuta de funções entre jogadores, para desequilibrar a marcação |
| Mudança de flanco | inversão do jogo, de um corredor para o outro |
| Contra-ataque | progressão rápida depois de recuperar a bola |
| Ataque organizado | construção paciente contra uma defesa organizada |
Ações táticas coletivas defensivas
| Ação | Descrição |
|---|---|
| Marcação individual | cada defesa marca um adversário |
| Marcação à zona | cada defesa responsável por uma zona |
| Marcação mista | combinação das anteriores |
| Pressing | pressão coordenada ao portador, para recuperar rapidamente |
| Basculação | deslocamento da defesa para o lado da bola |
| Cobertura e compensação | colegas que cobrem e ajustam posições |
| Fora de jogo (linha defensiva) | subir a linha para colocar o atacante em fora de jogo, no futebol |
| Defesa baixa ou alta | recuo ou avanço da linha defensiva conforme a estratégia |
Sistemas de jogo
Um sistema de jogo é a disposição base dos jogadores em campo, escrita por filas, da defesa para o ataque, sem contar o guarda-redes.
| Modalidade | Sistema | Leitura |
|---|---|---|
| Futebol de onze | 4-4-2 | quatro defesas, quatro médios, dois avançados |
| Futebol de onze | 4-3-3 | quatro defesas, três médios, três avançados |
| Futebol de onze | 4-2-3-1 | quatro defesas, dois médios defensivos, três médios ofensivos, um avançado |
| Futebol de onze | 3-5-2 | três defesas, cinco médios, dois avançados |
| Futsal | 2-2 (quadrado) | dois defesas, dois avançados |
| Futsal | 4-0 | rotação de quatro jogadores sem pivô fixo |
| Futsal | 1-2-1 (losango) | um fixo, dois alas e um pivô |
Nenhum sistema é «o melhor». O sistema escolhe-se em função dos jogadores disponíveis, do adversário e da ideia de jogo. Nos escalões de formação, é preferível trabalhar princípios em vez de sistemas rígidos, permitindo que cada criança experimente várias posições.
No futsal, nos minutos finais de um jogo em que a equipa perde, pode retirar-se o guarda-redes e jogar com cinco jogadores de campo (guarda-redes avançado): ganha-se superioridade no ataque, mas fica-se exposto a um golo para a baliza vazia se a bola for perdida.
Exemplo resolvido · ler um sistema
Uma equipa joga em 4-3-3. Quantos jogadores há em cada linha? Que vantagens e riscos tem?
- Linhas: 4 defesas, 3 médios, 3 avançados, mais o guarda-redes: 11.
- Vantagens: largura ofensiva, presença de três avançados, pressão alta.
- Riscos: espaço entre as linhas, se os três médios forem ultrapassados.
- Conclusão: depende de os médios saberem proteger a defesa.
Exemplo resolvido · trocar de sistema com um adversário forte
Contra um adversário muito atacante, uma equipa de futsal passa de 1-2-1 para 2-2.
- Motivo: reforçar a defesa e proteger o centro.
- Consequência: menos jogadores à frente, ataque mais lento.
- Ajuste: o pivô passa a ser alternativa em transição.
- Conclusão: mudar de sistema é uma decisão estratégica baseada na leitura do adversário.
16. Jogos pré-desportivos e jogos reduzidos
Jogos pré-desportivos
Os jogos pré-desportivos são jogos simplificados que preparam para o futebol e o futsal, desenvolvendo capacidades técnicas e táticas sem a complexidade do jogo formal. São a porta de entrada nos escalões mais baixos e a forma mais eficaz de motivar.
| Jogo | Objetivo |
|---|---|
| Jogo do bandeirinha (ou das bolas ao cesto) | passe e receção em movimento |
| Corrida da bola | condução, mudança de direção |
| Jogo dos dez passes | passe, desmarcação, apoio |
| Bola ao capitão | passe e receção, orientação do corpo |
| Guarda-redes e atacantes | remate e defesa |
| Quatro cantos | passe e condução |
| Caça à bola | proteção da bola |
| Slalom com bola | condução e domínio |
Jogos reduzidos
Os jogos reduzidos (1 contra 1, 2 contra 2, 3 contra 3, 4 contra 4, 5 contra 5) aproximam-se do jogo real em espaço pequeno. Têm três vantagens: mais toques por jogador, mais decisões e motivação elevada.
| Formato | Foco principal |
|---|---|
| 1 contra 1 | drible, proteção, desarme |
| 2 contra 1 | passe, desmarcação, decisão do defesa |
| 3 contra 3 | apoio, cobertura, circulação |
| 4 contra 4 | mudança de flanco, transições |
| 5 contra 5 | organização coletiva, bolas paradas |
Como adaptar as variáveis: diminuir o espaço aumenta a pressão; aumentar o número de jogadores dá mais apoio; mudar as balizas muda a finalização; regras adicionais (por exemplo, «só vale golo se todos tocarem na bola») orientam a aprendizagem.
Exemplo resolvido · jogo de iniciação
Um técnico de AEC quer ensinar o passe a crianças de 7 anos, em grupo de dez, num pavilhão.
- Jogo: «os dez passes», em equipas de cinco contra cinco, sem fora de jogo.
- Regra: a equipa conta os passes; ao décimo, marca um ponto.
- Adaptação: bolas leves e campo pequeno.
- Feedback: elogiar a procura de espaço livre.
- Variar: depois, passes só com o pé esquerdo.
17. Planeamento do treino
A segunda realização da UC é planear e organizar o treino de futebol e de futsal. Planear é antecipar o que se vai fazer, como, com que material e para quê.
Níveis do planeamento
| Nível | Duração | Conteúdo |
|---|---|---|
| Plano anual ou de época | meses | objetivos gerais, competições, ciclos |
| Ciclo ou mesociclo | semanas | foco temático (por exemplo, finalização, transições) |
| Microciclo | semana | sequência de sessões, carga e descanso |
| Unidade de treino (sessão) | 60 a 90 min | objetivos, exercícios, material, tempo |
Objetivos do treino
Os objetivos gerais do treino descrevem o que se pretende alcançar no conjunto (por exemplo, melhorar a circulação de bola da equipa). Os objetivos de preparação dividem-se em quatro dimensões.
| Preparação | Exemplo de objetivo |
|---|---|
| Técnica | melhorar o passe com o interior do pé |
| Tática | melhorar a basculação defensiva |
| Física | desenvolver a velocidade de reação |
| Psicológica | aumentar a confiança e o controlo emocional |
Um bom objetivo é específico, mensurável, realista e com prazo: «no fim de quatro sessões, os praticantes executam sete passes certos em dez, a seis metros».
Preparação física e psicológica na formação
A preparação física e a psicológica não são tempos à parte: integram-se nos jogos e nos exercícios e dosificam-se com trabalho (tempo de esforço dirigido) e descanso (pausa para hidratar, reorganizar e recuperar). A tabela dá valores de referência do curso, a ajustar à condição do grupo e ao calor.
| Idade | Foco físico | Trabalho : descanso | Foco psicológico |
|---|---|---|---|
| 6 a 8 anos | coordenação e jogos de correr | 1 min : 1 min | gosto pelo jogo e perda do medo de errar |
| 9 a 11 anos | agilidade e velocidade de reação | 2 min : 1 min | confiança e cooperação |
| 12 a 14 anos | agilidade, velocidade e resistência em jogos curtos, com atenção ao crescimento | 3 min : 1 min | controlo emocional perante o erro |
| 15 a 18 anos | velocidade, resistência e força, com progressão | 4 min : 1 min | gestão da pressão e responsabilidade |
Exemplo resolvido · trabalho e descanso
O jogo reduzido de 4 contra 4 do plano de 60 minutos, para jovens de 9 a 11 anos, ocupa 12 minutos. Como se organiza com a referência de 2 min : 1 min?
- Cada série tem 2 min de trabalho seguidos de 1 min de descanso: 3 min por série.
- 12 ÷ 3 = 4 séries.
- Trabalho: 4 × 2 = 8 min. Descanso: 4 × 1 = 4 min. Total: 12 min.
- Rácio 8 : 4 = 2 : 1; o trabalho ocupa 8 ÷ 12, cerca de 67 % do bloco.
- O bloco ocupa 12 dos 42 minutos da parte fundamental, cerca de 29 %.
- Objetivo psicológico no mesmo bloco: «em 8 de cada 10 erros observados, o jovem retoma a posição sem protestar», registado na linha «atitude» da grelha de observação.
Plano para uma faixa etária
A faixa etária condiciona tudo: duração, complexidade, carga, tipo de jogo, linguagem.
| Idade | Características | Orientações |
|---|---|---|
| 6 a 8 anos | atenção curta, jogo livre | jogos lúdicos, muitos toques na bola, sem tática |
| 9 a 11 anos | aprendizagem rápida de gestos | técnica em jogo, jogos reduzidos, pouca teoria |
| 12 a 14 anos | crescimento acelerado | técnica refinada, tática simples, cuidado com cargas |
| 15 a 18 anos | maior capacidade tática e física | sistemas de jogo, especialização gradual |
Estrutura de uma sessão
- Parte inicial (15 a 20 %): receção, informação inicial, aquecimento com bola.
- Parte fundamental (60 a 70 %): exercícios dos objetivos, do analítico para o jogo reduzido.
- Parte final (10 a 15 %): retorno à calma, alongamento, balanço, hidratação.
Exemplo resolvido · plano de uma sessão de 60 minutos
Escalão: 9 a 11 anos. Objetivo: passe e receção com o interior do pé.
| Tempo | Atividade | Material |
|---|---|---|
| 0 a 10 min | aquecimento com bola: condução livre, mudanças de direção | bolas, cones |
| 10 a 25 min | passe e receção em pares, a 5 m; variação de distância | bolas |
| 25 a 40 min | três contra um em quadrado, depois cinco contra dois | cones, coletes |
| 40 a 52 min | jogo reduzido quatro contra quatro, em quatro séries de 2 min com 1 min de pausa, ponto extra por cinco passes | balizas pequenas, coletes |
| 52 a 60 min | retorno à calma e balanço | água |
Verificações: o tempo total é 60 minutos. A parte inicial tem 10 minutos (cerca de 17 %), a fundamental 42 minutos (15 + 15 + 12, ou seja 70 %) e a final 8 minutos (cerca de 13 %), todas dentro das percentagens indicadas acima. O aquecimento já trabalha o objetivo.
18. Execução e avaliação do treino: as fases e os critérios
Fases do treino
O referencial identifica as fases do treino: avaliação inicial, informação inicial, instrução, diagnóstico e prescrição da atividade de aprendizagem, conclusão e avaliação final.
| Fase | O que acontece |
|---|---|
| Avaliação inicial | o técnico observa o nível de partida dos praticantes (competências-base) |
| Informação inicial | apresenta objetivos, regras e organização da sessão ou do ciclo |
| Instrução | demonstra e explica o gesto ou a tática |
| Diagnóstico e prescrição | observa a execução, identifica falhas e prescreve a atividade de aprendizagem adequada |
| Conclusão | retorno à calma, balanço, reforço das aprendizagens |
| Avaliação final | verifica se os objetivos foram atingidos |
Avaliar as competências-base
As competências-base são o ponto de partida: domínio de bola, capacidade de passe e receção, perceção do jogo, condição física, atitude. Avaliam-se por observação estruturada, com tarefas simples e uma grelha de observação: um quadro com uma linha por praticante e uma coluna por competência, onde se registam o indicador medido e o nível da escala. É esta grelha de observação que se volta a usar na avaliação final e para registar a evolução das correções técnicas (capítulo 19).
| Competência | Tarefa de observação | Indicador |
|---|---|---|
| Passe | 10 passes a 6 m para um alvo | n.º de passes certos |
| Receção | 10 receções orientadas | n.º de receções controladas |
| Condução | slalom com bola | tempo e n.º de toques perdidos |
| Remate | 5 remates à baliza | n.º de remates ao alvo |
| Atitude | observação durante a sessão | cooperação, respeito, esforço |
Critérios e momentos de avaliação
Os critérios de avaliação têm de ser definidos antes: o que se avalia, com que indicador e com que escala. Os momentos de avaliação são: inicial (diagnóstico), formativa (durante o processo, para ajustar) e final (resultado das aprendizagens).
| Momento | Função |
|---|---|
| Inicial | diagnosticar o ponto de partida |
| Contínua ou formativa | ajustar o ensino e dar feedback |
| Final | verificar objetivos e registar progressos |
Uma escala simples, de quatro níveis (não conseguido, em desenvolvimento, conseguido, consolidado), é fácil de usar em contexto escolar.
Quando o indicador conta perdas, como no slalom (perdas de bola em dez cones), converte-se primeiro em acertos (10 menos as perdas) e aplica-se a escala dos acertos: 0 a 3 = não conseguido; 4 a 6 = em desenvolvimento; 7 a 8 = conseguido; 9 a 10 = consolidado. Lida diretamente em perdas, a mesma escala inverte-se: 7 a 10 perdas = não conseguido; 4 a 6 perdas = em desenvolvimento; 2 a 3 perdas = conseguido; 0 a 1 perdas = consolidado.
Exemplo resolvido · construir uma grelha de observação
Objetivo: passe com o interior do pé, em jovens de 12 anos.
- Critério: precisão do passe a 6 metros.
- Indicador: n.º de passes certos em dez tentativas.
- Escala: 0 a 3 = não conseguido; 4 a 6 = em desenvolvimento; 7 a 8 = conseguido; 9 a 10 = consolidado.
- Momentos: antes da primeira sessão, a meio e no fim do ciclo.
- Resultado: um jovem passa de 4/10 para 8/10; progrediu de «em desenvolvimento» a «conseguido».
19. O protocolo de correção técnica e o feedback
A quarta realização da UC é aplicar o protocolo de correção técnica: uma sequência simples e repetível para corrigir um gesto sem desmotivar. O referencial fixa a realização mas não os passos: a sequência de sete passos que se segue é uma proposta deste curso, que desenvolve a fase de diagnóstico e prescrição da atividade de aprendizagem.
Os passos do protocolo
- Observar o gesto completo, de vários ângulos, várias vezes, antes de intervir.
- Identificar o erro principal e a sua causa (o que está a falhar e porquê), escolhendo um erro de cada vez.
- Reforçar o que foi bem feito: começar pelo positivo.
- Corrigir: dizer o que fazer (não só o que não fazer), com uma indicação curta e, se necessário, demonstração.
- Praticar de novo, com o mesmo exercício ou com um mais simples.
- Verificar se a correção resultou e reforçar a melhoria.
- Registar a evolução, se for relevante.
Feedback construtivo
O feedback deve ser específico, oportuno, positivo na forma e orientado para a ação. Evita-se «estás mal» e prefere-se «leva o pé de apoio mais perto da bola».
| Tipo | Exemplo |
|---|---|
| Descritivo | «a bola saiu alta porque o tronco ficou atrás» |
| Prescritivo | «inclina o tronco sobre a bola» |
| Positivo | «a posição do pé de apoio está ótima» |
| Interrogativo | «o que mudarias para a bola ir mais rasteira?» |
| Visual | demonstração do gesto |
A técnica do sanduíche (positivo, correção, positivo) resulta, mas só quando o elogio é verdadeiro. O feedback deve ser dado perto do momento e de forma privada se envolver crítica.
Comunicar com os participantes
O técnico comunica com a voz, o corpo (demonstração, posição), os sinais (apito, gestos) e o exemplo. Boas práticas: colocar o grupo de modo a que todos vejam e ouçam; mensagens curtas; verificar compreensão; adaptar a linguagem à idade; ouvir.
Exemplo resolvido · aplicar o protocolo a uma finta
Um jovem tenta uma finta, mas o adversário não é enganado.
- Observar: o jovem olha sempre para a bola e o corpo não se inclina.
- Identificar: o engano não é credível; causa principal, o olhar e o tronco.
- Reforçar: «a saída em velocidade é excelente».
- Corrigir: «levanta a cabeça e inclina o ombro antes de saíres, para o defesa acreditar».
- Praticar: dez fintas contra um cone, depois contra um colega passivo.
- Verificar: quantas vezes o colega foi enganado? Subir para oposição ativa se for sete em dez.
- Registar: anotar a evolução na grelha de observação (capítulo 18).
20. Normas de segurança, regras e normas definidas
Princípios de segurança
A segurança dos participantes é um critério de desempenho essencial. O técnico é responsável por prevenir acidentes e por reagir quando acontecem.
Antes da sessão: - Verificar o espaço, o piso, as balizas e o material. - Confirmar o equipamento adequado (caneleiras, calçado do piso certo). - Conhecer o estado de saúde relevante dos praticantes (por exemplo, alergias, medicação) e ter acesso a contactos de emergência. - Ter material de primeiros socorros e um meio de contacto com o 112.
Durante a sessão: - Aquecimento adequado, antes de qualquer esforço intenso. - Progressão da carga, com pausas para hidratar. - Distâncias de segurança nos exercícios. - Atenção a sinais de fadiga, tonturas, dor. - Adaptar o treino às condições climáticas: calor, frio, chuva, piso molhado.
Depois da sessão: - Retorno à calma e alongamentos. - Arrumar o material e verificar danos. - Registar incidentes.
Prevenção das lesões mais comuns
| Lesão | Prevenção |
|---|---|
| Entorses do tornozelo | piso adequado, calçado certo, aquecimento, trabalho de propriocepção |
| Distensões musculares | aquecimento, progressão de carga, alongamentos |
| Contusões | caneleiras, regras de contacto, arbitragem da sessão |
| Lesões de joelho | calçado adequado ao piso, evitar mudanças bruscas sem preparação |
| Desidratação, golpe de calor | água, pausas, horários adequados, roupa leve |
| Traumatismo craniano | limitar cabeceamentos na formação, parar a atividade em caso de pancada com sinais de alerta |
Em caso de acidente
- Parar a atividade e proteger o local.
- Avaliar o praticante: consciente, a respirar, a queixar-se de quê.
- Chamar o 112 em caso de gravidade, perda de consciência, suspeita de lesão na cabeça ou na coluna, ou dúvida.
- Não mover quem tenha lesão na cabeça, pescoço ou coluna.
- Aplicar primeiros socorros dentro da formação que se tem.
- Avisar os responsáveis pelo praticante e registar o incidente.
Regras e normas definidas
Aplicar as «regras e normas definidas» significa cumprir e fazer cumprir o que a instituição e a sessão estabelecem: horários, uso de balneários, utilização de materiais, proteção de menores, proibição de substâncias. O técnico dá o exemplo e atua com coerência.
Exemplo resolvido · decidir com piso molhado
Chove e o piso do pavilhão tem uma zona escorregadia por uma infiltração.
- Avaliar o risco: queda e entorse.
- Isolar a zona com cones, se for pequena, ou mudar de espaço, se for grande.
- Adaptar os exercícios: menos mudanças bruscas de direção, mais trabalho técnico parado.
- Informar a direção da instituição.
- Registar a ocorrência e a decisão.
21. Identificar e resolver situações críticas no treino
O que é uma situação crítica
Uma situação crítica é um acontecimento que ameaça a segurança, o bom ambiente ou o cumprimento dos objetivos da sessão. Exemplos: conflito entre praticantes, lesão, comportamento desrespeitoso, praticante que se recusa a participar, pais que interferem, falta de material, mau tempo, grupo com níveis muito diferentes.
Método de resolução
- Calma e controlo: respirar, evitar reações impulsivas.
- Identificar o que se passa e a quem diz respeito.
- Proteger quem está em risco.
- Decidir com base nas regras, na segurança e na pedagogia.
- Comunicar de forma clara e respeitosa.
- Registar e, se necessário, informar a instituição e as famílias.
- Refletir para evitar que se repita.
| Situação | Resposta |
|---|---|
| Conflito entre dois praticantes | separar, ouvir cada um em privado, definir consequência, reforçar regras |
| Praticante desmotivado | conversar, ajustar a tarefa, valorizar progressos |
| Grupo heterogéneo | diferenciar tarefas (mais fácil e mais difícil na mesma atividade) |
| Falta de material | adaptar os exercícios com o que há |
| Provocação ou insulto | parar o jogo, aplicar o código de conduta |
| Pais que gritam da bancada | conversar após a sessão, lembrar o código de conduta |
| Lesão | seguir o protocolo de acidente |
Exemplo resolvido · conflito durante um jogo de treino
Dois jovens de 13 anos discutem depois de uma entrada dura e um deles ameaça bater no outro.
- Parar o jogo de imediato e separar os dois.
- Proteger: certificar-se de que nenhum está magoado.
- Ouvir cada um em separado, sem plateia.
- Decidir consequência proporcional: sair do jogo durante alguns minutos e voltar depois de pedir desculpa.
- Comunicar ao grupo a regra: o respeito pelo adversário não é negociável.
- Registar e, se for reincidente, informar o responsável da instituição.
- Refletir: antes do jogo seguinte, recordar as regras de contacto.
Exemplo resolvido · grupo muito heterogéneo
Num grupo de 14 jovens, quatro jogam há anos e dez estão a iniciar.
- Manter a mesma atividade, mas com variantes: os mais experientes jogam com o pé menos forte, os iniciantes com mais espaço.
- Misturar as equipas para que a diferença de nível não domine o jogo.
- Dar missões diferentes: os mais experientes ajudam a explicar.
- Avaliar cada um em relação ao seu ponto de partida.
Erros comuns
- Confundir regra de jogo com regulamento da prova: o número de substitutos, a duração nos escalões jovens e o desempate são da prova.
- Tratar o futsal como futebol em ponto pequeno: faltas acumuladas, quatro segundos, reposição com o pé e inexistência de fora de jogo são específicos.
- Dizer que estar em fora de jogo é sempre falta: só é punido se o jogador interferir no jogo.
- Esquecer a fixação das balizas portáteis.
- Usar calçado de pitões no pavilhão.
- Ensinar técnica sem decisão: exercícios analíticos sem aplicação em jogo.
- Corrigir cinco coisas ao mesmo tempo: um erro de cada vez.
- Dizer só o que está mal, sem dizer o que fazer.
- Dribla por hábito, em vez de decidir entre driblar, conduzir ou passar.
- Entrar no desarme sem cobertura, quando o princípio devia ser a contenção.
- Limitar a tática a um sistema rígido na formação.
- Não avaliar o ponto de partida e planear para um grupo imaginário.
- Ignorar a faixa etária na duração, nos exercícios e na carga.
- Treinar cabeceamento intensivo em idades baixas.
- Não verificar o material antes de a sessão começar.
- Esconder um incidente em vez de o registar.
- Valorizar apenas o resultado e esquecer o espírito desportivo.
Glossário
- Ações individuais: gestos de um jogador isolado, como condução, finta ou remate.
- Ações coletivas: ações que envolvem dois ou mais jogadores, como a tabela ou a cobertura.
- Avaliação inicial: observação do nível de partida dos praticantes.
- Basculação: deslocamento coletivo da defesa para o lado da bola.
- Cabeceamento: jogar a bola com a testa.
- Carga: contacto legal ombro com ombro na disputa da bola.
- Código de conduta: conjunto de comportamentos esperados de técnicos, praticantes e acompanhantes.
- Competências-base: capacidades de partida do praticante, como domínio de bola, passe e atitude.
- Condução: levar a bola controlada em progressão.
- Contenção: ação do defesa que impede o portador de avançar, sem entrar precipitadamente.
- Cobertura: posição de um defesa atrás do colega que defende o portador.
- Desarme: recuperar a bola a quem a controla, sem falta.
- Drible: ultrapassar o adversário mantendo a bola.
- Faltas acumuladas: faltas puníveis com livre direto ou grande penalidade, contadas por período no futsal.
- Feedback: informação dada ao praticante sobre a sua execução.
- Finta: movimento de engano para desequilibrar o adversário.
- Fora de jogo: posição irregular, punida só quando o jogador interfere no jogo.
- Futsal: modalidade de cinco jogadores por equipa, jogada em pavilhão, com regras próprias da FIFA.
- Grande penalidade: recomeço cobrado do ponto de grande penalidade (11 m no futebol, 6 m no futsal), só contra o guarda-redes, por falta punível com livre direto cometida dentro da própria área.
- Guarda-redes avançado: no futsal, opção de jogar sem guarda-redes fixo, com cinco jogadores de campo, para reforçar o ataque.
- IFAB: organismo que mantém as Leis do Jogo do futebol.
- Interceção: cortar a linha de passe e ficar com a bola.
- Jogo pré-desportivo: jogo simplificado que prepara para a modalidade.
- Jogo reduzido: jogo com poucos jogadores em espaço pequeno.
- Marcação à zona: cada defesa responsável por uma zona.
- Marcação individual: cada defesa responsável por um adversário.
- Passe: entrega da bola a um colega.
- Perspetiva dualista: visão do jogo como alternância entre processo ofensivo e processo defensivo.
- Pressing: pressão coordenada sobre o portador da bola.
- Processo defensivo: ações da equipa sem bola para impedir golo e recuperar a bola.
- Processo ofensivo: ações da equipa com bola para marcar.
- Protocolo de correção técnica: sequência de passos para corrigir um gesto de forma construtiva.
- Receção: controlar a bola recebida, deixando-a pronta para a ação seguinte.
- Remate: ação dirigida à baliza.
- Segundo ponto de grande penalidade: marca do futsal a 10 m da baliza, de onde se cobra, por regra, o livre direto da sexta falta acumulada.
- Sistema de jogo: disposição base dos jogadores em campo.
- Situação crítica: acontecimento que ameaça a segurança, o ambiente ou os objetivos da sessão.
- Técnica individual: conjunto de gestos usados para controlar e disputar a bola.
- Transição: passagem de um processo ao outro, ao ganhar ou perder a bola.
- Unidade de treino: uma sessão de treino planeada.
Síntese
O futebol e o futsal são jogos coletivos de invasão jogados com os pés, com origens e regras próprias: o futebol com as Leis do Jogo do IFAB, o futsal com as regras da FIFA para a modalidade. As duas modalidades partilham os mesmos valores (respeito, espírito desportivo, cooperação, superação) e a mesma lógica da perspetiva dualista, com processo ofensivo, processo defensivo e transições. A terminologia, os materiais e equipamentos, as normas e regulamentos, o código de conduta, as regras de jogo, os terrenos e o tempo dos jogos formam a base de conhecimento do técnico, que sabe adaptar o regulamento à idade e ao contexto. A técnica individual (receção, condução, proteção, simulação, drible, passe, remate, cabeceamento, desarme, interceção, carga, técnica de guarda-redes) ensina-se por etapas, da demonstração ao jogo, observando as componentes críticas. A tática organiza as ações coletivas e os sistemas de jogo, e os jogos pré-desportivos e reduzidos são o melhor meio de ensinar ambas. O treino planeia-se por níveis, com objetivos técnicos, táticos, físicos e psicológicos adequados à faixa etária, executa-se por fases (avaliação inicial, informação inicial, instrução, diagnóstico e prescrição, conclusão e avaliação final) e corrige-se com o protocolo de correção técnica e feedback construtivo. Tudo se faz com segurança, cumprimento das regras e normas definidas e resolução calma das situações críticas.
Exercícios resolvidos
1. Uma bola sai pela linha de fundo, tocada por último por um defesa. Qual é o recomeço no futebol?
Resolução: pontapé de canto a favor da equipa atacante.
2. Num jogo de futsal, a equipa A comete a sexta falta acumulada do primeiro período. O que acontece à barreira?
Resolução: a equipa que defende não pode formar barreira; o livre direto é cobrado sem barreira, por regra do segundo ponto de grande penalidade, a 10 m da baliza. Se a falta tiver ocorrido na metade da equipa A, entre a linha dos 10 m e a linha de baliza e fora da área, a equipa B escolhe entre o segundo ponto e o local da falta.
3. Quantos jogadores há em cada fila num sistema 4-2-3-1, além do guarda-redes? Quantos são, no total?
Resolução: 4 defesas, 2 médios defensivos, 3 médios ofensivos e 1 avançado: 4 + 2 + 3 + 1 = 10, mais o guarda-redes, 11.
4. Um guarda-redes de futsal fica com a bola nos pés, no seu meio-campo, durante seis segundos. Qual é a decisão?
Resolução: excedeu os quatro segundos permitidos; livre indireto para o adversário.
5. Calcula a área por jogador num pavilhão de 28 por 16 metros com oito jogadores.
Resolução: 28 × 16 = 448 m²; 448 ÷ 8 = 56 m² por jogador.
6. Um jovem remata sempre acima da trave. Qual é a primeira correção a tentar?
Resolução: observar pé de apoio e tronco; corrigir uma componente, por exemplo colocar o pé de apoio ao lado da bola e inclinar o tronco sobre ela.
7. Num plano de 75 minutos, a parte inicial ocupa 15 %, a fundamental 70 %. Quantos minutos tem a parte final?
Resolução: 100 - 15 - 70 = 15 %; 15 % de 75 = 11,25 minutos, ou seja, cerca de 11 minutos.
8. Um praticante falha seis em dez passes na avaliação inicial e acerta oito em dez no fim do ciclo. Qual é a evolução e em que nível da escala (0 a 3, 4 a 6, 7 a 8, 9 a 10) está agora?
Resolução: falhar seis em dez é acertar quatro em dez (40 %); no fim do ciclo acerta oito em dez (80 %). A evolução é de +4 passes certos em dez, de 40 % para 80 %; passou do nível «em desenvolvimento» (4 a 6) ao nível «conseguido» (7 a 8).
9. Um jovem sofre uma pancada na cabeça e diz que está tonto. O que se faz?
Resolução: parar a atividade, não o deixar voltar ao jogo, avaliar o estado, chamar o 112 se houver perda de consciência, vómitos ou dúvida, avisar os responsáveis e registar o incidente.
10. Para um grupo de crianças de 7 anos, qual é o formato de jogo mais indicado e porquê?
Resolução: jogos reduzidos e lúdicos (por exemplo, três contra três), pelo máximo de toques na bola, simplicidade de regras e motivação.