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UC · Unidade de Competência · UC03655

Aplicar técnicas de modalidades de futebol e de futsal (UC03655)

Do regulamento ao treino, ensinar as técnicas e as táticas do futebol e do futsal com segurança e espírito desportivo
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Desporto ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.

Introdução

Quem orienta uma sessão de futebol ou de futsal numa escola, numa atividade de enriquecimento curricular ou num clube desportivo precisa de dominar três coisas ao mesmo tempo: o jogo (regras, espaço, tempo, intenção), o gesto (como se executa e como se corrige cada técnica) e o treino (como se planeia, se conduz e se avalia uma sessão). Esta sebenta ensina a aplicar técnicas de modalidades de futebol e de futsal segundo o referencial da UC, e organiza-se de acordo com as quatro realizações que o definem: preparar os materiais e equipamentos desportivos para o treino e provas de futebol e de futsal, planear e organizar o treino, aplicar as diferentes técnicas e táticas e aplicar o protocolo de correção técnica.

O percurso começa no enquadramento das duas modalidades nos jogos coletivos, na sua história e nos seus valores. Passa pela terminologia, pelos materiais e equipamentos, pelas normas, pelo código de conduta e pelas regras do jogo de cada modalidade. Estuda depois os terrenos de jogo, o tempo dos jogos, as finalidades e a organização do jogo, com a perspetiva dualista (atacar e defender). Segue-se o grande bloco técnico: receção, condução, proteção, simulação, drible e finta, passe, remate, cabeceamento, desarme, interceção, carga e técnica de guarda-redes. Fecha com as ações táticas coletivas e os sistemas de jogo, os jogos pré-desportivos, o planeamento, a execução e a avaliação do treino, o protocolo de correção técnica e as normas de segurança.

Objetivos de aprendizagem (referencial): descrever a história e a evolução do futebol e do futsal; reconhecer os valores das modalidades; interpretar e aplicar as normas, regulamentos e regras de jogo, adaptando-os a diferentes contextos e categorias; identificar os terrenos de jogo; aplicar as técnicas individuais, isoladas e em jogo corrido; identificar conceitos defensivos e ofensivos e aplicar os princípios técnico-táticos; identificar jogos pré-desportivos; elaborar um plano de treino adequado a uma faixa etária; avaliar as competências-base; definir objetivos técnicos, táticos, físicos e psicológicos; transmitir regras e indicações; dar feedback construtivo; resolver situações críticas; aplicar as normas de segurança e as regras definidas.

Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo tem explicação, tabelas de consulta e, quase sempre, um exemplo resolvido passo a passo. Experimenta cada gesto no pavilhão ou no relvado antes de ler a correção, e treina a observação: ver bem um gesto é metade de o saber corrigir. Onde o texto remete para o regulamento em vigor, consulta sempre a versão atual da competição em que vais trabalhar, porque os regulamentos mudam de época para época.

1. Enquadramento do futebol e do futsal nos jogos coletivos

Os jogos desportivos coletivos (futebol, futsal, basquetebol, andebol, voleibol, hóquei em patins e outros) partilham uma estrutura: duas equipas em oposição direta, um objeto de jogo (a bola), um espaço delimitado, um alvo a atingir e a defender, e regras que regulam o contacto e o tempo. Em todos eles há cooperação entre companheiros e oposição aos adversários, em simultâneo, e é essa dupla relação que torna a decisão tão importante.

O futebol e o futsal pertencem à família dos jogos de invasão, em que se ganha pontuando no alvo adversário e se evita sofrer no próprio. Distinguem-se de outros jogos coletivos por uma característica: jogam-se essencialmente com os pés, o que torna o controlo da bola mais difícil e o jogo mais imprevisível do que nos jogos de mão.

Aspeto Futebol Futsal
Jogadores por equipa em campo onze, um deles guarda-redes cinco, um deles guarda-redes
Espaço grande, relvado ou piso sintético, ao ar livre pequeno, piso liso, em pavilhão
Substituições em número limitado pelo regulamento da prova ilimitadas e volantes, nos termos do regulamento
Ritmo pausas de jogo com muito espaço para decidir muitas ações por minuto, pouco tempo para decidir
Fora de jogo existe não existe
Bola que sai pela linha lateral lançamento com as mãos reposição com o pé (a bola é colocada na linha)
Tempo dois períodos de 45 minutos, com o tempo a correr dois períodos de 20 minutos de tempo útil

Os números de jogadores, as durações e as dimensões são os previstos nas regras oficiais de cada modalidade, e os regulamentos de cada prova podem fazer ajustes, sobretudo na formação. Por isso, antes de cada jogo ou prova, lê o regulamento.

Porque se ensinam juntos

Quem aprende futsal desenvolve decisão rápida, domínio da bola em espaço curto, passe curto e noção de apoio. Quem aprende futebol de onze desenvolve perceção de espaços grandes, jogo longo e posicionamento coletivo. As duas modalidades complementam-se e muitos jogadores de elite passaram pelo futsal na formação. Para o técnico, isto significa que um mesmo gesto, por exemplo a receção orientada, aparece nas duas modalidades com pequenas diferenças de aplicação.

Exemplo resolvido · classificar um jogo

Um grupo de alunos joga quatro contra quatro num campo pequeno, com duas balizas, a bola não pode ser agarrada e ganha quem marcar mais golos. Como se classifica?

  1. Há duas equipas em oposição e um objeto de jogo partilhado: é um jogo coletivo.
  2. O objetivo é marcar na baliza adversária e defender a própria: é um jogo de invasão.
  3. A bola joga-se com os pés e o espaço é reduzido: aproxima-se do futsal e é um bom jogo reduzido para treinar decisão rápida.
  4. Conclusão: este jogo cumpre as condições para ser usado como jogo pré-desportivo de introdução às duas modalidades.

2. História, evolução e valores do futebol e do futsal

Jogos com bola jogada com os pés existem em várias civilizações antigas, mas o futebol moderno nasce em Inglaterra, no século XIX, quando escolas, universidades e clubes uniformizaram regras para poderem jogar uns contra os outros. As primeiras regras escritas de grande difusão foram as de 1863, na criação da associação inglesa de futebol, e as regras passaram a ser guardadas por um organismo internacional, o IFAB (International Football Association Board), criado em 1886, que ainda hoje define as Leis do Jogo.

A FIFA, entidade que organiza o futebol a nível mundial, foi fundada em 1904. O primeiro Campeonato do Mundo realizou-se em 1930, no Uruguai. A modalidade espalhou-se pelo mundo por via dos portos, das fábricas e das escolas, e tornou-se o desporto mais praticado do planeta.

Em Portugal, o futebol chegou no final do século XIX, e a federação nacional foi fundada em 1914, com o nome de União Portuguesa de Futebol; é Federação Portuguesa de Futebol (FPF) desde 1926. A seleção nacional de futebol conquistou o Campeonato da Europa em 2016. O futebol português tem hoje uma rede grande de clubes, escolas de formação e provas de todos os escalões, em que trabalha a maioria dos técnicos de desporto.

O futsal

O futsal (do castelhano e do português, futebol de salão) nasceu em Montevideu, no Uruguai, nos anos 30 do século XX, como forma de jogar futebol em espaço reduzido e coberto, com um professor de educação física a adaptar o jogo para os jovens. Espalhou-se pelo Brasil e pela Europa. A FIFA assumiu a organização internacional da modalidade e o primeiro Campeonato do Mundo da FIFA realizou-se em 1989, nos Países Baixos. Em Portugal, o futsal tem uma tradição forte, e a seleção nacional conquistou o Campeonato da Europa em 2018 e o Campeonato do Mundo em 2021.

Marco Futebol Futsal
Origem moderna Inglaterra, século XIX Montevideu, anos 30 do século XX
Entidade internacional FIFA (1904) FIFA
Guarda das regras IFAB (1886) regras próprias da FIFA para o futsal
Entidade em Portugal União Portuguesa de Futebol (1914), FPF desde 1926 FPF
Títulos da seleção nacional Europa 2016 Europa 2018, Mundo 2021

Os valores do futebol e do futsal

O desporto só educa quando os valores se vivem no treino e no jogo. Os valores que o referencial pede que se reconheçam, e que o técnico tem de ensinar pelo exemplo, são:

Exemplo resolvido · transformar um valor num comportamento observável

Um valor só se avalia se se transformar em comportamento observável. Como tornar observável o «respeito pelo árbitro» num jogo de treino com jovens de 12 anos?

  1. Definir o comportamento: aceitar a decisão sem protestar e sem gestos; só o capitão pode falar com o árbitro.
  2. Explicar antes do jogo, em duas frases, o que se espera.
  3. Observar durante o jogo e registar, numa grelha simples, os casos de protesto.
  4. No fim, comentar em grupo, valorizando quem cumpriu, sem expor ninguém.

3. Terminologia específica do futebol e do futsal

Para ensinar é preciso falar a mesma língua que os praticantes, os árbitros e os outros técnicos. A terminologia tem de ser uniforme, precisa e curta. Em PT-PT, usa-se guarda-redes, relvado, equipa, balneário, bancada, lançamento de linha lateral, pontapé de canto.

Termo Significado
Processo ofensivo conjunto de ações da equipa com bola para marcar golo
Processo defensivo conjunto de ações da equipa sem bola para impedir golo e recuperar a bola
Transição momento de passagem de um processo ao outro, ao perder ou ganhar a bola
Posse de bola período em que uma equipa controla a bola
Linha de passe direção livre entre quem tem a bola e um companheiro
Apoio companheiro que se oferece perto de quem tem a bola
Desmarcação movimento sem bola para receber a bola em melhor posição
Cobertura posição de um defesa atrás do colega que defende o portador
Compensação ajuste de posição de um jogador quando outro sai da sua zona
Basculação deslocamento coletivo da defesa para o lado da bola
Marcação individual cada defesa responsável por um adversário
Marcação à zona cada defesa responsável por uma zona do terreno
Pressing (pressão) ação coletiva de pressionar o portador para recuperar a bola
Largura e profundidade ocupação do espaço lateral e longitudinal pela equipa
Posicionamento local do terreno onde o jogador se coloca em cada momento
Bola parada situação de jogo recomeçada com a bola imóvel (livre, canto, lançamento)
Golo bola que ultrapassa totalmente a linha de baliza, entre os postes e sob a trave, sem infração
Fora de jogo posição em que o jogador está mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e o penúltimo adversário, no momento do passe, e interfere no jogo
Pontapé livre direto falta cobrada com pontapé do qual pode resultar golo diretamente
Pontapé livre indireto infração cobrada com pontapé do qual só há golo se outro jogador tocar na bola
Grande penalidade pontapé cobrado do ponto de grande penalidade (11 m no futebol, 6 m no futsal), só contra o guarda-redes, concedido por falta punível com livre direto cometida dentro da própria área
Lançamento de linha lateral reposição com as mãos no futebol
Reposição de linha lateral com o pé reposição no futsal, com a bola imóvel sobre a linha

Terminologia técnica

Gesto Palavra-chave
Receção amortecer e orientar a bola
Condução levar a bola controlada em progressão
Proteção colocar o corpo entre a bola e o adversário
Simulação e finta movimento de engano para desequilibrar o oponente
Drible ultrapassar o adversário mantendo a bola
Passe entrega da bola a um colega
Remate ação dirigida à baliza
Cabeceamento jogar a bola com a cabeça
Desarme recuperar a bola a quem a tem
Interceção cortar a linha de passe e roubar a bola
Carga contacto legal ombro com ombro para disputar a bola

Exemplo resolvido · linguagem clara numa instrução

O treinador diz: «Desmarcações, pessoal! Joguem na linha e abram!». Como se melhora?

  1. Falta clareza: «desmarcação» foi usado sem explicar a quem se dirige e com que intenção.
  2. Melhorar: «Quem está sem bola, mexe-te para criar uma linha de passe livre para quem a tem.»
  3. Dar um exemplo concreto: «Se o teu colega está encostado à linha, aproxima-te em diagonal, à frente do defesa.»
  4. Verificar a compreensão: pedir a um jogador que explique por palavras suas.

4. Materiais e equipamentos do futebol e do futsal

A primeira realização da UC pede que se preparem os materiais e equipamentos desportivos para o treino e provas de futebol e de futsal. Preparar bem significa ter, em quantidade certa, em bom estado e no sítio certo, tudo o que a sessão exige antes de os praticantes chegarem.

Equipamento do jogo

Item Futebol Futsal
Bola bola de futebol de tamanho adequado ao escalão bola de futsal, de menor ressalto, adequada ao escalão
Balizas duas, de dimensões regulamentares (7,32 m por 2,44 m, no futebol de onze), fixas ao solo duas, de 3 m por 2 m, fixas, nas linhas de fundo
Redes presas à baliza e ao solo presas à baliza
Marcações linhas visíveis no relvado, marcação de áreas linhas do pavilhão, com marcações próprias
Bandeirolas nos cantos não são necessárias

As balizas portáteis têm de estar sempre bem fixas ou lastradas, porque o tombo de uma baliza é um dos acidentes mais graves do desporto. Antes de cada sessão, abana-se a baliza e verifica-se se está firme.

Equipamento dos praticantes

Material de treino

Material Uso
Cones e sinalizadores delimitar campos, corredores, portas e estações
Barreiras e arcos circuitos de coordenação e agilidade
Escadas de coordenação trabalho de pés e de ritmo
Balizas pequenas jogos reduzidos e remate
Coletes formar equipas
Bolas em número suficiente, de tamanho adequado, bem cheias
Apito e cronómetro controlar o início, o fim e a duração das tarefas
Quadro tático ou prancheta explicar organização e movimentos
Bomba de ar e agulha acertar a pressão das bolas
Material de primeiros socorros resposta a pequenas lesões
Água hidratação, sempre disponível

Checklist de preparação

  1. Ler o plano de treino e listar o material necessário para cada exercício.
  2. Verificar o estado do espaço: relvado sem buracos, pavilhão sem humidade no piso, linhas visíveis.
  3. Montar as balizas e confirmar a fixação.
  4. Verificar as bolas: pressão, tamanho, desgaste.
  5. Montar os exercícios com cones e coletes antes de os praticantes chegarem.
  6. Confirmar o kit de primeiros socorros, a água e o acesso a um telefone.
  7. No fim, arrumar, contar o material e registar o que está danificado.

Exemplo resolvido · preparar uma sessão para 16 jovens

A sessão tem 16 jovens de 12 anos, um aquecimento com bola, dois jogos reduzidos de 4 contra 4 em dois campos, e remate à baliza. O que se prepara?

  1. Bolas: uma por cada dois jovens no aquecimento (8), mais duas para os jogos, mais três de reserva. Total: 13 bolas.
  2. Coletes: quatro equipas de quatro jovens, duas em cada campo, pedem duas cores: 8 coletes de uma cor e 8 de outra, que se usam nos dois campos.
  3. Campos: dois campos de 20 por 15 metros, cada um com quatro cones nos cantos e duas balizas pequenas.
  4. Remate: uma baliza grande de futebol de sete ou de futsal, bem fixa, com bolas ao lado.
  5. Segurança: água, primeiros socorros, caneleiras para todos.
  6. Conclusão: tudo montado dez minutos antes de a sessão começar.

5. Normas, regulamentos e código de conduta

Normas e regulamentos

O futebol e o futsal funcionam com várias camadas de regras. O técnico tem de saber de onde vem cada uma.

Nível Quem define Para quê
Leis do Jogo IFAB (futebol) e FIFA (futsal) regras do jogo, iguais em todo o mundo
Regulamentos da federação FPF e associações distritais organização das provas nacionais e regionais
Regulamento da prova organizador (federação, associação, escola ou clube) escalões, formatos, número de substitutos, duração
Regras da instituição escola, AEC, clube comportamentos, utilização de espaços
Regras da sessão o técnico rotinas, sinais, segurança

Um erro frequente é tratar a regra de jogo e o regulamento da prova como se fossem a mesma coisa. A regra de jogo diz como se joga; o regulamento da prova decide, por exemplo, quantos jogadores se inscrevem, quanto dura cada período nos escalões mais jovens e como se desempata.

Adaptar os regulamentos a diferentes contextos e categorias

A aptidão «adaptar os regulamentos para diferentes contextos ou categorias de jogadores» é central na formação. Adapta-se:

Os formatos e escalões oficiais da formação são os fixados pelo regulamento da federação e das associações em vigor. Em Portugal, a formação organiza-se por escalões de dois anos (por exemplo sub-9, sub-11, sub-13, sub-15), e os formatos dos mais novos (futebol de 5, de 7 ou de 9) e as durações são fixados, época a época, pela federação e pela associação distrital; consulta sempre o regulamento da tua prova. Fora das provas oficiais, numa sessão de escola ou de AEC, o técnico tem liberdade para adaptar, desde que mantenha a segurança e a lógica do jogo.

Código de conduta

O código de conduta do técnico, do praticante e dos acompanhantes descreve comportamentos esperados. Em síntese:

Exemplo resolvido · adaptar um jogo para a faixa etária

Um técnico de AEC tem de organizar um jogo com 12 crianças de 8 anos, num espaço de 30 por 20 metros. Como adapta?

  1. Formato: seis contra seis seria demasiado para a idade, por isso opta por dois campos de 15 por 20 metros, cada um com um jogo de três contra três.
  2. Regras: sem guarda-redes fixo, balizas pequenas, sem fora de jogo.
  3. Duração: jogos de cinco minutos, com rotação das equipas.
  4. Objetivo pedagógico: muitos toques na bola, muitas situações de um contra um.
  5. Conduta: aplaudir os golos de ambas as equipas; quem conduz a bola até ao fim da linha ganha um ponto extra pelo drible.

6. Regras do jogo de futebol

As Leis do Jogo do futebol, mantidas pelo IFAB, são revistas todos os anos. O técnico tem de conhecer a estrutura geral e consultar sempre o texto em vigor para os pormenores, porque a numeração e a redação mudam de época para época. O que interessa reter é a lógica de cada tema.

Quadro geral

Tema Ideia central
Jogadores duas equipas de, no máximo, onze jogadores, um deles guarda-redes; o jogo não pode começar nem continuar se uma equipa tiver menos de sete
Substituições número e procedimento definidos pelo regulamento da prova
Equipamento camisola, calções, meias, caneleiras e calçado; nada de perigoso para si ou para os outros
Árbitros o árbitro aplica as leis; os assistentes sinalizam fora de jogo, bola fora e faltas
Duração dois períodos iguais de 45 minutos, com intervalo máximo de 15 minutos, salvo acordo diferente permitido pelo regulamento
Início e recomeço pontapé de saída no início de cada período e depois de um golo
Bola em jogo e fora de jogo a bola está fora de jogo quando passa totalmente uma linha ou quando o árbitro pára o jogo
Golo a bola ultrapassa totalmente a linha de baliza, entre os postes e sob a trave, sem infração prévia
Fora de jogo posição irregular, só punida quando o jogador interfere no jogo
Faltas e incorreções contactos imprudentes ou violentos, mãos, e comportamentos antidesportivos
Pontapés livres diretos ou indiretos, conforme a infração
Grande penalidade falta punível com livre direto cometida dentro da própria área, cobrada do ponto de grande penalidade, a 11 m da baliza
Lançamento de linha lateral com as mãos, quando a bola passa a linha lateral
Pontapé de baliza quando a bola passa a linha de fundo, tocada por último por um atacante
Pontapé de canto quando a bola passa a linha de fundo, tocada por último por um defesa

Faltas, cartões e disciplina

As faltas passíveis de pontapé livre direto incluem, entre outras, pontapear, rasteirar, saltar sobre um adversário, carregar de forma imprudente, empurrar, agarrar e tocar a bola com a mão ou o braço de forma punível. O árbitro pode usar o cartão amarelo (advertência, por exemplo por comportamento antidesportivo, protesto, atraso no recomeço) e o cartão vermelho (expulsão, por exemplo por jogo brusco grave, conduta violenta ou impedimento de um golo evidente por falta). Em escalões de formação, o regulamento da prova pode prever sanções diferentes, como uma suspensão temporária.

O fora de jogo

Um jogador está em posição de fora de jogo quando, no momento do passe de um companheiro, está mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e do que o penúltimo adversário, na metade do adversário, com a parte do corpo que conta para esse efeito. Estar em posição de fora de jogo não é infração: só há infração se, nesse momento, o jogador interferir no jogo, interferir num adversário ou tirar vantagem da posição. Não há fora de jogo na receção direta de um pontapé de baliza, de um lançamento de linha lateral ou de um pontapé de canto.

Exemplo resolvido · decidir um recomeço

A bola, tocada por último por um defesa, sai pela linha de fundo junto à sua própria baliza. Qual é o recomeço? E se tivesse sido tocada por último por um atacante?

  1. Tocada por último por um defesa, a bola passou a linha de fundo: o recomeço é um pontapé de canto a favor dos atacantes.
  2. Tocada por último por um atacante: o recomeço é um pontapé de baliza a favor da equipa que defende.
  3. Conclusão: o recomeço depende de quem toca por último e da linha por onde a bola sai.

Exemplo resolvido · posição de fora de jogo

Um companheiro de A passa a bola para a frente. No momento do passe, A está na metade do campo do adversário, mais perto da linha de baliza do que a bola, e só tem à sua frente o guarda-redes adversário. O último defesa, que é o penúltimo adversário contando com o guarda-redes, está atrás de A.

  1. Identificar o penúltimo adversário no momento do passe: é o defesa que está atrás de A.
  2. Comparar: A está mais perto da linha de baliza do que a bola e do que esse penúltimo adversário.
  3. A está, por isso, em posição de fora de jogo.
  4. A posição, só por si, não é infração: se A não tocar na bola nem interferir num adversário, o jogo continua.
  5. Se A receber a bola, ou lhe tirar vantagem, o árbitro pune com um pontapé livre indireto.
  6. Conclusão: a decisão depende do momento do passe e da interferência, e não da posição final do jogador.

7. Regras do jogo de futsal

O futsal tem as suas próprias regras, definidas pela FIFA, e não deve ser tratado como futebol em ponto pequeno. Algumas diferenças têm consequências diretas na maneira de ensinar.

Quadro geral

Tema Ideia central
Jogadores duas equipas de, no máximo, cinco jogadores em campo, um deles guarda-redes
Substituições volantes e ilimitadas, nos termos do regulamento, feitas pela zona própria
Duração dois períodos de 20 minutos de tempo útil, com o cronómetro parado nas interrupções
Reposição de linha lateral com o pé, bola imóvel sobre a linha, e o jogador tem quatro segundos para a repor
Pontapé de baliza reposição de baliza com as mãos, pelo guarda-redes
Fora de jogo não existe
Faltas acumuladas contam-se as faltas puníveis com livre direto ou grande penalidade; a partir da sexta, o livre é cobrado sem barreira e sem passe, de regra do segundo ponto de grande penalidade (a 10 m)
Quatro segundos o jogador tem quatro segundos para cobrar livres, linhas laterais e cantos; o guarda-redes tem quatro segundos para se desfazer da bola no seu meio-campo
Guarda-redes restrições à receção de passes de pé dos companheiros e à utilização das mãos
Contacto as faltas e incorreções seguem a mesma lógica do futebol, e os regulamentos tratam com especial rigor as entradas perigosas, como as entradas por trás ou a deslizar

Faltas acumuladas

Em cada período, o árbitro conta as faltas acumuladas de cada equipa, isto é, as faltas puníveis com livre direto ou grande penalidade. A partir da sexta falta acumulada de uma equipa no período, o adversário cobra um livre direto sem barreira, que se cobra, por regra, do segundo ponto de grande penalidade, a 10 m da baliza. Só quando a falta foi cometida na metade do campo da equipa infratora, entre a linha dos 10 m (paralela à linha de baliza e que passa pelo segundo ponto) e a própria linha de baliza, e fora da área, é que a equipa que cobra escolhe entre o segundo ponto e o local da falta. Quem cobra tem de rematar à baliza e não pode passar a um colega. Os restantes jogadores ficam em campo, atrás da bola, fora da área e a pelo menos 5 m dela; o guarda-redes que defende fica dentro da sua área e também a pelo menos 5 m da bola. Uma falta punível com livre direto cometida dentro da própria área é sempre grande penalidade. Este mecanismo penaliza o jogo faltoso e muda por completo a gestão defensiva de um período.

Regra dos quatro segundos

Para que o jogo seja rápido e sem perdas de tempo, o futsal impõe quatro segundos em várias reposições. Se a equipa demorar mais do que quatro segundos a cobrar um livre, o adversário recebe um livre indireto. O guarda-redes que controla a bola com as mãos ou com os pés no seu meio-campo durante mais de quatro segundos também é punido com livre indireto.

O guarda-redes de futsal

O guarda-redes de futsal participa muito no jogo com os pés, funciona como um jogador de campo em muitas situações e tem restrições: não pode tocar com as mãos, dentro da sua área, na bola que um colega lhe passou deliberadamente com o pé, nem na que recebe diretamente de uma reposição lateral de um colega; não pode controlar a bola mais de quatro segundos no seu meio-campo; e, depois de jogar a bola, não lhe pode voltar a tocar no seu meio-campo se um colega lha devolveu sem que nenhum adversário tenha tocado nela. Em qualquer destes casos, o adversário recebe um livre indireto.

Exemplo resolvido · contar faltas acumuladas

No primeiro período de um jogo, a equipa A comete cinco faltas puníveis com livre direto. A sexta falta ocorre a 14 metros da baliza de A.

  1. Contagem: cinco faltas já acumuladas; esta é a sexta.
  2. Consequência: livre direto sem barreira para a equipa B.
  3. Ponto de cobrança: a falta ocorreu a 14 m da baliza de A, para lá da linha dos 10 m, fora da zona em que a equipa B poderia escolher. O livre é cobrado do segundo ponto de grande penalidade, a 10 m da baliza.
  4. Se a mesma falta tivesse ocorrido a 8 m da baliza de A, junto à linha lateral e fora da área, a equipa B escolheria entre o segundo ponto e o local da falta.
  5. A equipa A não pode formar barreira, o executante tem de rematar e o guarda-redes de A fica sozinho perante o remate.
  6. Conclusão: ao acumular cinco faltas, o técnico de A deve pedir para trocar a atitude defensiva, evitando a entrada por trás, para não oferecer cobranças fáceis.

8. Terrenos de jogo, zonas dos campos e tempo dos jogos

O campo de futebol

O campo de futebol é um retângulo em que a linha lateral é mais comprida do que a linha de fundo. Para jogos oficiais de adultos, as Leis do Jogo admitem, para jogos que não sejam internacionais, comprimentos entre 90 e 120 metros e larguras entre 45 e 90 metros; para jogos internacionais, comprimentos entre 100 e 110 metros e larguras entre 64 e 75 metros. A baliza tem 7,32 metros de largura entre postes e 2,44 metros de altura. A área de grande penalidade estende-se 16,5 metros a partir dos postes e 16,5 metros para dentro do campo; o ponto de grande penalidade está a 11 metros da baliza; o círculo central tem 9,15 metros de raio.

Nos escalões de formação, o regulamento da prova define campos mais pequenos, com balizas adaptadas, consoante o formato de jogo.

O campo de futsal

O campo de futsal é também um retângulo, mais pequeno. Para jogos que não sejam internacionais, o regulamento da FIFA admite comprimentos entre 25 e 42 metros e larguras entre 16 e 25 metros; para internacionais, o comprimento está entre 38 e 42 metros e a largura entre 20 e 25 metros. As balizas medem 3 metros de largura por 2 de altura. As áreas de grande penalidade têm forma própria. O ponto de grande penalidade está a 6 metros da baliza (11 metros no futebol) e o segundo ponto de grande penalidade, usado nas faltas acumuladas, a 10 metros. Há ainda as zonas de substituição ao lado do banco.

Aspeto Futebol Futsal
Piso relvado natural ou sintético piso liso e plano, normalmente em pavilhão
Comprimento (jogos não internacionais) 90 a 120 m 25 a 42 m
Largura (jogos não internacionais) 45 a 90 m 16 a 25 m
Baliza 7,32 m por 2,44 m 3 m por 2 m
Área de grande penalidade grande, retangular em arco, mais pequena
Ponto de grande penalidade 11 m 6 m (e segundo ponto a 10 m)

Zonas do campo

Para analisar e ensinar o jogo, divide-se o campo em zonas.

Cada zona exige comportamentos diferentes. Na zona defensiva privilegia-se a segurança (passes simples, afastar a bola do perigo); na média, a circulação e a escolha; na ofensiva, a criatividade, a velocidade e o remate.

As formas de jogar

Falar de «formas de jogar» é falar do modo como cada equipa ocupa o espaço e utiliza as zonas: jogo direto (passes longos para a frente), jogo apoiado (passes curtos, progressão paciente), jogo pelos corredores, jogo interior, contra-ataque e ataque organizado. No futsal, a forma de jogar é muito condicionada pelo espaço curto e pela rotação de jogadores.

O tempo dos jogos

Exemplo resolvido · comparar dois espaços

Um técnico tem de escolher entre dois espaços para trabalhar a decisão rápida: um relvado de 60 por 40 metros e um pavilhão de 30 por 18 metros, ambos com 10 jogadores.

  1. Área disponível por jogador: relvado, 2400 ÷ 10 = 240 m²; pavilhão, 540 ÷ 10 = 54 m².
  2. Quanto menor o espaço por jogador, mais rápidas as decisões e mais toques na bola.
  3. Para treinar decisão rápida, o pavilhão é melhor; para treinar jogo longo e largura, o relvado.
  4. Conclusão: o espaço escolhe-se pelo objetivo da sessão.

9. Finalidades e organização dos jogos; perspetiva dualista

Finalidades

A finalidade do futebol e do futsal é marcar mais golos do que o adversário, respeitando as regras. Para isso, cada equipa tem de resolver dois problemas ao mesmo tempo: como chegar à baliza adversária e finalizar, e como impedir o adversário de fazer o mesmo. A organização do jogo estrutura-se à volta destas duas finalidades.

Perspetiva dualista de organização dos jogos

A perspetiva dualista vê o jogo como uma alternância entre dois grandes momentos, o processo ofensivo (quando a equipa tem a bola) e o processo defensivo (quando não a tem), ligados por transições (quando se ganha ou perde a bola). Em cada processo, a equipa tem objetivos e princípios próprios.

Momento Objetivos Princípios fundamentais
Processo ofensivo manter a posse, progredir, criar situação de remate, marcar penetração, cobertura ofensiva (apoio), mobilidade, espaço, largura e profundidade
Processo defensivo recuperar a bola, impedir a progressão, proteger a baliza contenção, cobertura defensiva, equilíbrio, concentração, compactação
Transição ofensiva passar da defesa ao ataque o mais depressa possível velocidade, direção do jogo, aproveitar o desequilíbrio
Transição defensiva reagir à perda da bola reação imediata, pressão ao portador, recomposição

Processo ofensivo

Os princípios ofensivos mais citados são:

  1. Penetração: jogar para a frente sempre que possível, em direção à baliza.
  2. Cobertura ofensiva (apoio): oferecer linhas de passe a quem tem a bola.
  3. Mobilidade: trocas de posição e desmarcações, para desorganizar a defesa.
  4. Espaço (largura e profundidade): abrir o campo para criar espaços entre os defesas.
  5. Improvisação e criatividade: decidir de modo inesperado dentro da organização coletiva.

Processo defensivo

Os princípios defensivos correspondentes:

  1. Contenção: o defesa mais próximo do portador impede que avance e que passe para a frente, sem entrar de forma precipitada.
  2. Cobertura defensiva: o colega seguinte posiciona-se atrás, de modo a corrigir uma eventual falha.
  3. Equilíbrio: os jogadores mais afastados da bola controlam os adversários que podem receber o passe seguinte.
  4. Concentração: atenção permanente à bola e ao adversário.
  5. Compactação: linhas juntas, para reduzir os espaços entre elas.

Objetivos e fundamentos do jogo, no ataque e na defesa

Ataque Defesa
Objetivo marcar evitar golos e recuperar a bola
Fundamentos criar espaço e linhas de passe; progredir com a bola; finalizar reduzir espaço; orientar o adversário; cobrir os colegas; recuperar a bola
Atitude ousadia com critério disciplina e comunicação

Exemplo resolvido · classificar um momento de jogo

A equipa A perde a bola no meio-campo e, de imediato, três jogadores correm para pressionar o adversário que a recuperou. A bola é recuperada a 30 metros da baliza adversária.

  1. Perde a bola: é uma transição defensiva.
  2. A reação imediata de pressão ao portador é o princípio de reação imediata e pressão.
  3. Recuperar a bola perto da baliza adversária cria uma transição ofensiva com o adversário desorganizado.
  4. Conclusão: transições bem trabalhadas geram os melhores momentos de golo, porque o adversário está desequilibrado.

10. Metodologia das ações técnicas individuais

A técnica individual é o conjunto de gestos que o jogador usa para controlar, conduzir, passar, rematar e disputar a bola. Ensinar técnica não é pedir para repetir: é seguir uma metodologia com passos claros.

Etapas de aprendizagem de um gesto

  1. Demonstrar e explicar: o técnico mostra o gesto completo, a velocidade real, de frente e de lado, e explica em poucas palavras os pontos-chave.
  2. Experimentar: os praticantes tentam, sem pressão, em ambiente simples.
  3. Repetir com correção: repetição em condições estáveis, com feedback pontual.
  4. Variar: o mesmo gesto com bolas diferentes, direções, distâncias e velocidades.
  5. Aplicar com oposição: o gesto em exercícios com adversário, primeiro passivo, depois ativo.
  6. Aplicar em jogo: jogos reduzidos e jogo formal, em que a técnica serve a decisão.

A passagem entre fases faz-se quando o praticante domina a anterior em pelo menos 7 de cada 10 tentativas.

Componentes críticas de um gesto

Cada gesto técnico tem componentes críticas, isto é, os detalhes que decidem se foi bem executado: posição do corpo, posição do pé de apoio, zona de contacto com a bola, movimento da perna ou do braço, orientação do olhar e continuidade do movimento. A observação do técnico foca-se nelas, uma de cada vez.

Ações individuais e coletivas

As ações individuais são as que um jogador executa sozinho (condução, finta, remate). As ações coletivas envolvem dois ou mais jogadores (troca de passes, desmarcação com passe, cobertura defensiva). Um jogo é uma sucessão destes dois tipos, e as ações individuais só têm valor se encaixarem na ação coletiva da equipa.

Exemplo resolvido · progressão de ensino de um gesto

Ensinar o passe com o interior do pé a jovens de 10 anos.

  1. Demonstração: o técnico mostra o gesto e nomeia os pontos-chave: pé de apoio ao lado da bola, pé de passe com o interior orientado para o alvo, seguir o movimento.
  2. Experimentação: pares a 5 metros, passe e receção, sem pressão.
  3. Repetição com correção: o técnico circula, corrige um ponto por vez.
  4. Variação: pares a distâncias diferentes, com o pé direito e o esquerdo, com receção e passe de primeira.
  5. Oposição: três contra um, em quadrado, com o defesa a pressionar de forma passiva e depois ativa.
  6. Jogo: jogo reduzido de cinco contra cinco, com ponto extra por sequências de cinco passes.

11. Técnica individual ofensiva: receção, condução, proteção, simulação, drible e passe

Receção

A receção é o gesto de controlar a bola que vem de um passe, de um lançamento ou de um ressalto, de modo a deixá-la pronta para a ação seguinte. Receber bem é receber orientado: a bola fica do lado em que se vai jogar.

Superfície Quando se usa
Interior do pé bolas rasteiras, receção segura
Exterior do pé receção com mudança de direção
Planta do pé amortecer bola rasteira e pará-la
Coxa bolas que descem em arco
Peito bolas altas
Cabeça bolas altas, quando não há outra opção

Componentes críticas: olhar para a bola e para o espaço antes de a receber; corpo orientado para onde se vai jogar; amortecer (recuar a superfície de contacto no momento do toque); toque seguinte já a pensar na ação.

Condução

A condução é levar a bola controlada em progressão, com toques sucessivos. Pode ser feita com a parte interior, exterior ou o peito do pé, e com a sola. Em velocidade, usa-se o exterior ou o peito do pé e a bola vai mais longe; em espaço curto ou com adversário próximo, toques curtos e frequentes.

Componentes críticas: cabeça levantada, bola perto do pé, corpo ligeiramente inclinado, mudanças de ritmo e de direção.

Proteção da bola

A proteção consiste em colocar o corpo entre o adversário e a bola, com o braço mais afastado a ajudar a manter a distância (sem agarrar nem empurrar, que é falta). A bola fica no pé mais longe do adversário. Útil em espaço curto, sobretudo no futsal, e para dar tempo a um colega de apoiar.

Simulação, drible e finta

A simulação (ou finta) é o movimento de engano que faz o adversário pensar que se vai para um lado e desequilibra-o. O drible é a ultrapassagem do adversário com a bola controlada.

Gesto Descrição
Finta de corpo inclinar o tronco e o ombro para um lado e sair para o outro
Finta com a bola passar o pé sobre a bola, sem a tocar, e sair para o lado contrário
Drible com mudança de ritmo abrandar para enganar e acelerar na saída
Drible com mudança de direção cortar com o exterior ou o interior do pé
Corte mudar a direção da bola com a sola ou com o pé de fora

Componentes críticas: o engano tem de ser credível (corpo e olhar), a saída explosiva e a bola protegida logo a seguir. O objetivo é ganhar tempo ou espaço, não mostrar habilidade: dribla-se quando é preciso, não por hábito. Simular uma falta ou uma agressão para enganar o árbitro não é simulação técnica: é comportamento antidesportivo e é punido.

Passe

O passe é a ação coletiva mais frequente do jogo: entregar a bola a um colega.

Tipo Superfície Uso
Passe curto, rasteiro interior do pé circulação segura
Passe longo peito do pé mudança de corredor, jogo direto
Passe de exterior exterior do pé passe rápido sem ajustar o corpo
Passe de cabeça testa bolas altas
Passe em profundidade pé interior ou peito do pé colocar um colega em frente à defesa

Componentes críticas: pé de apoio ao lado da bola, ponta do pé de apoio orientada para o alvo, pé de passe rígido, olhar para o colega antes e para a bola no momento do toque, seguimento do movimento.

Critérios do bom passe: direção, força, timing e oportunidade. Um passe certo para o sítio errado, ou no momento errado, é um mau passe.

Exemplo resolvido · escolher entre conduzir, driblar e passar

Num jogo de seis contra seis, o jogador A recebe a bola no meio-campo, com um adversário a dois metros e um colega livre a cinco.

  1. Observar o espaço: há um colega livre e o adversário ainda não está encostado.
  2. Avaliar o risco: dribla-se se for necessário ganhar espaço; passa-se se houver um colega melhor colocado.
  3. Decidir: passe rasteiro com o interior do pé para o colega livre.
  4. Seguir a jogada: desmarcar-se para receber em apoio.
  5. Conclusão: a técnica serve a decisão; o gesto certo é o que resolve a situação com menor risco.

Exemplo resolvido · corrigir uma receção

Um jovem de 11 anos recebe sempre a bola com a planta do pé, mas a bola foge-lhe.

  1. Observar: o pé não recua no momento do toque; o corpo está de costas para o espaço.
  2. Escolher uma correção: «ao receber, recua um pouco o pé como se amortecesses um ovo».
  3. Repetir o exercício em pares a 4 metros, dez receções.
  4. Verificar: três em dez ficam controladas; subir para sete em dez antes de mudar de exercício.
  5. Só depois corrigir a orientação do corpo.

12. Remate e cabeceamento

Remate

O remate é a ação final de uma jogada ofensiva, dirigida à baliza. Há várias formas, escolhidas pela distância, pelo ângulo e pelo espaço de que se dispõe.

Tipo Superfície Quando
Remate de peito do pé (colocado ou forte) peito do pé (cordas) longa e média distância, com potência
Remate de interior parte interior do pé curta distância, com precisão
Remate de exterior parte exterior do pé situações de ângulo difícil, com efeito
Remate de bola parada conforme a situação livres, grandes penalidades
Remate em voo (volley) peito do pé bola no ar
Remate com a ponta do pé ponta situações de pressa, quando não há tempo para outro

Componentes críticas do remate de peito do pé: última passada maior; pé de apoio ao lado da bola, a 15 a 20 centímetros e orientado para o alvo; tronco inclinado sobre a bola; perna de remate com balanço de trás para a frente; contacto na zona central da bola, com o pé em extensão; seguimento do movimento na direção do alvo; olhar para a bola no momento do contacto.

Erros típicos: pé de apoio demasiado atrás ou demasiado afastado; tronco recuado, e a bola sobe; corpo de lado, e a bola desvia-se; falta de seguimento.

Em futsal, o remate é feito com poucos passos de balanço e muitas vezes de primeira. Rematar de longe, com bola rápida e rasteira, é eficaz num campo pequeno.

Cabeceamento

O cabeceamento é jogar a bola com a cabeça, em situação defensiva (cortar), ofensiva (rematar, desviar) ou de passe. Pouco usado no futsal, pela natureza do jogo, no futebol é fundamental em bolas paradas e cruzamentos.

Componentes críticas: 1. Olhar para a bola até ao contacto, com os olhos abertos e a boca fechada. 2. O contacto faz-se com a testa, na zona frontal, não no topo da cabeça. 3. O corpo vai à bola; não é a cabeça que a espera. 4. Pescoço firme, queixo junto ao peito. 5. Salto com um ou dois pés, o tronco a «chicotear» para a frente.

Na formação, o cabeceamento deve ser introduzido com bolas leves e macias, em número limitado de repetições por sessão, e seguindo as orientações em vigor das entidades desportivas e de saúde para as idades mais baixas, que limitam o número de cabeceamentos.

Exemplo resolvido · remate fraco e a subir

Um jogador de 14 anos remata sempre por cima da trave.

  1. Observar o pé de apoio: está atrás da bola.
  2. Observar o tronco: está inclinado para trás.
  3. Corrigir uma componente: colocar o pé de apoio ao lado da bola e inclinar o tronco sobre ela.
  4. Repetir o remate com bola parada, depois em movimento.
  5. Verificar: dez remates, contar os que ficam dentro do alvo; o objetivo é pelo menos sete em dez antes de aumentar a potência.

Exemplo resolvido · escolher a técnica de finalização

Numa jogada, a bola cruza pelo ar, alta, à frente da baliza, quando o avançado está a cinco metros dela, com um defesa por perto.

  1. A bola vem no ar e a pouca distância: cabeceamento ou remate em voo.
  2. Se a bola estiver à altura da cabeça, o cabeceamento com a testa.
  3. Se descer à altura da coxa, o remate de primeira com o peito do pé.
  4. Decisão do avançado: timing e orientação do corpo antes da bola chegar.

13. Técnica individual defensiva: desarme, interceção e carga

Desarme

O desarme é a ação de recuperar a bola a um adversário que a controla, sem cometer falta. Pode fazer-se com o pé (de frente, de lado, a deslizar) ou, no futebol e em certas condições, com o ombro.

Condições para desarmar bem: 1. Distância certa: nem tão perto que se seja driblado, nem tão longe que o adversário tenha tempo. 2. Postura baixa, joelhos fletidos, peso no antepé, pronto para reagir. 3. Orientação do adversário para o lado mais fraco ou para fora do campo. 4. Paciência: esperar o momento em que a bola se afasta do pé do adversário. 5. Decisão: entrar de uma só vez e com firmeza.

O desarme a deslizar (carrinho) é perigoso. Em futebol, é permitido quando é feito para a bola e sem pôr em risco o adversário; em futsal e nos escalões de formação, o regulamento e a prudência aconselham a evitá-lo. Qualquer desarme que atinja o adversário antes da bola é falta.

Interceção

A interceção consiste em cortar a linha de passe e ficar com a bola antes de ela chegar ao adversário. Exige leitura de jogo: perceber a intenção do passe e antecipar-se. Componentes críticas: observar o portador e o recetor, posicionamento na linha de passe, reação rápida, controlo da bola logo após a interceção.

Carga

A carga é o contacto legal, ombro com ombro, entre dois jogadores que disputam a bola, com ambos a jogar a bola e dentro do alcance de a jogar. A carga é legal quando é feita à bola, com o ombro, sem usar os braços para empurrar e sem violência. É falta quando é feita de forma imprudente, com excesso de força, de costas, ou sem disputa da bola.

Ação Legal quando Falta quando
Desarme atinge primeiro a bola atinge primeiro o adversário
Carga ombro com ombro, a disputar a bola uso de braços, de costas, ou a bola não está ao alcance
Interceção corta a linha de passe agarrar o adversário para chegar à bola

Exemplo resolvido · decidir entre desarmar e conter

O defesa D enfrenta um atacante rápido, com espaço atrás de si e sem cobertura de um colega.

  1. Avaliar o risco: se entra e falha, o atacante fica em vantagem.
  2. Aplicar o princípio defensivo: contenção, não desarme.
  3. Recuar com a postura baixa, orientando o atacante para o lado da linha.
  4. Esperar a cobertura de um colega ou a falha do atacante.
  5. Só desarmar quando o atacante deixar a bola afastar-se do pé.

Dois jogadores correm lado a lado para uma bola solta. O jogador A empurra o outro nas costas com as duas mãos.

  1. Quem joga a bola: ambos estão em condições de a jogar.
  2. O tipo de contacto: empurrão com as mãos, nas costas.
  3. A carga legal é ombro com ombro; aqui há empurrão.
  4. Decisão: falta, punida com pontapé livre direto.
  5. Conclusão: a carga legal depende do tipo de contacto e da disputa efetiva da bola.

14. Técnica de guarda-redes e ações específicas

O guarda-redes é o único jogador que pode jogar a bola com as mãos (dentro da sua área, no futebol) e o último elemento da organização defensiva. A técnica de guarda-redes tem componentes próprias e merece treino específico.

Posição fundamental

Ações técnicas

Ação Descrição
Deslocamento passos laterais, sem cruzar os pés, para se posicionar na linha da bola
Receção da bola rasteira uma perna e o corpo atrás da bola, mãos em «concha»
Receção da bola alta mãos em «W» ou em «concha» atrás da bola, em extensão do tronco
Defesa de bola colocada mergulho para o lado, com as mãos a chegar primeiro
Desvio tocar a bola com a palma para fora da baliza, em bolas difíceis
Saída aos pés do atacante reduzir ângulo, fechar o espaço
Reposição com as mãos lançar a bola com o braço, rasteira ou em arco
Reposição com o pé passe longo ou curto, com o pé
Comunicação orientar a defesa com a voz

O guarda-redes no futsal

No futsal, o guarda-redes é também jogador de campo, participa na construção, joga muito com os pés e repõe a bola com as mãos. A reposição rápida de baliza transforma uma defesa num ataque em poucos segundos, dentro dos quatro segundos de que o guarda-redes dispõe. As regras do futsal limitam o seu uso das mãos e dos pés, como visto no capítulo 7.

Posicionamento e redução de ângulo

O guarda-redes posiciona-se na bissetriz do ângulo entre os dois postes e a bola. Ao avançar, reduz o ângulo de remate: quanto mais perto do atacante, menos baliza o atacante vê. Mas se avançar demais, pode ser batido por um chapéu. Daí o equilíbrio entre avançar e manter a baliza coberta.

Carga e ações específicas do guarda-redes

O referencial refere «carga e ações específicas do guarda-redes». O guarda-redes tem regras próprias: no futebol, só pode jogar a bola com as mãos dentro da sua área, e o contacto com ele em disputa de bola é avaliado pelo árbitro com especial atenção à sua segurança. No futebol, um guarda-redes não pode segurar a bola com as mãos depois de a receber de um passe deliberado de pé de um companheiro, nem depois de a receber diretamente de um lançamento de linha lateral de um colega. Um adversário não pode impedir o guarda-redes de largar a bola das mãos, nem tentar jogá-la enquanto ele a larga (livre indireto); o árbitro vigia com especial atenção os contactos com o guarda-redes em lances aéreos.

Exemplo resolvido · reduzir o ângulo

Um atacante avança sozinho em direção à baliza, a 12 metros, com a bola controlada.

  1. O guarda-redes avança para o atacante, mas não demasiado.
  2. Mantém-se em linha com o centro da baliza e da bola.
  3. Fica em posição fundamental, sem se deixar cair antes de o remate sair.
  4. Reage ao remate com o corpo atrás da bola.
  5. Conclusão: reduzir o ângulo faz o atacante ver uma baliza mais pequena e aumenta a probabilidade de defesa.

Exemplo resolvido · corrigir uma defesa a bola rasteira

Um jovem guarda-redes deixa passar as bolas rasteiras junto aos pés.

  1. Observar: as pernas estão afastadas e o tronco direito.
  2. Corrigir: joelho ao chão ao lado do outro pé (barreira), tronco sobre a bola.
  3. Repetir com bolas lentas a dois metros.
  4. Aumentar a velocidade quando a técnica estiver consistente.
  5. Elogiar a atitude de ir à bola, para criar confiança.

15. Ações táticas coletivas e sistemas de jogo

O que é a tática

A tática é a organização das ações dos jogadores, em função da bola, dos colegas, dos adversários e do espaço. A técnica diz como se faz o gesto; a tática diz onde, quando e porquê.

Ações táticas coletivas ofensivas

Ação Descrição
Passe e desmarcação passar e movimentar-se para receber de novo
Tabela (um-dois) passar e receber de imediato, ultrapassando um defesa
Cruzamento passe lateral para a área, para o remate de um colega
Cobertura ofensiva colega que apoia atrás ou ao lado do portador
Troca de posições permuta de funções entre jogadores, para desequilibrar a marcação
Mudança de flanco inversão do jogo, de um corredor para o outro
Contra-ataque progressão rápida depois de recuperar a bola
Ataque organizado construção paciente contra uma defesa organizada

Ações táticas coletivas defensivas

Ação Descrição
Marcação individual cada defesa marca um adversário
Marcação à zona cada defesa responsável por uma zona
Marcação mista combinação das anteriores
Pressing pressão coordenada ao portador, para recuperar rapidamente
Basculação deslocamento da defesa para o lado da bola
Cobertura e compensação colegas que cobrem e ajustam posições
Fora de jogo (linha defensiva) subir a linha para colocar o atacante em fora de jogo, no futebol
Defesa baixa ou alta recuo ou avanço da linha defensiva conforme a estratégia

Sistemas de jogo

Um sistema de jogo é a disposição base dos jogadores em campo, escrita por filas, da defesa para o ataque, sem contar o guarda-redes.

Modalidade Sistema Leitura
Futebol de onze 4-4-2 quatro defesas, quatro médios, dois avançados
Futebol de onze 4-3-3 quatro defesas, três médios, três avançados
Futebol de onze 4-2-3-1 quatro defesas, dois médios defensivos, três médios ofensivos, um avançado
Futebol de onze 3-5-2 três defesas, cinco médios, dois avançados
Futsal 2-2 (quadrado) dois defesas, dois avançados
Futsal 4-0 rotação de quatro jogadores sem pivô fixo
Futsal 1-2-1 (losango) um fixo, dois alas e um pivô

Nenhum sistema é «o melhor». O sistema escolhe-se em função dos jogadores disponíveis, do adversário e da ideia de jogo. Nos escalões de formação, é preferível trabalhar princípios em vez de sistemas rígidos, permitindo que cada criança experimente várias posições.

No futsal, nos minutos finais de um jogo em que a equipa perde, pode retirar-se o guarda-redes e jogar com cinco jogadores de campo (guarda-redes avançado): ganha-se superioridade no ataque, mas fica-se exposto a um golo para a baliza vazia se a bola for perdida.

Exemplo resolvido · ler um sistema

Uma equipa joga em 4-3-3. Quantos jogadores há em cada linha? Que vantagens e riscos tem?

  1. Linhas: 4 defesas, 3 médios, 3 avançados, mais o guarda-redes: 11.
  2. Vantagens: largura ofensiva, presença de três avançados, pressão alta.
  3. Riscos: espaço entre as linhas, se os três médios forem ultrapassados.
  4. Conclusão: depende de os médios saberem proteger a defesa.

Exemplo resolvido · trocar de sistema com um adversário forte

Contra um adversário muito atacante, uma equipa de futsal passa de 1-2-1 para 2-2.

  1. Motivo: reforçar a defesa e proteger o centro.
  2. Consequência: menos jogadores à frente, ataque mais lento.
  3. Ajuste: o pivô passa a ser alternativa em transição.
  4. Conclusão: mudar de sistema é uma decisão estratégica baseada na leitura do adversário.

16. Jogos pré-desportivos e jogos reduzidos

Jogos pré-desportivos

Os jogos pré-desportivos são jogos simplificados que preparam para o futebol e o futsal, desenvolvendo capacidades técnicas e táticas sem a complexidade do jogo formal. São a porta de entrada nos escalões mais baixos e a forma mais eficaz de motivar.

Jogo Objetivo
Jogo do bandeirinha (ou das bolas ao cesto) passe e receção em movimento
Corrida da bola condução, mudança de direção
Jogo dos dez passes passe, desmarcação, apoio
Bola ao capitão passe e receção, orientação do corpo
Guarda-redes e atacantes remate e defesa
Quatro cantos passe e condução
Caça à bola proteção da bola
Slalom com bola condução e domínio

Jogos reduzidos

Os jogos reduzidos (1 contra 1, 2 contra 2, 3 contra 3, 4 contra 4, 5 contra 5) aproximam-se do jogo real em espaço pequeno. Têm três vantagens: mais toques por jogador, mais decisões e motivação elevada.

Formato Foco principal
1 contra 1 drible, proteção, desarme
2 contra 1 passe, desmarcação, decisão do defesa
3 contra 3 apoio, cobertura, circulação
4 contra 4 mudança de flanco, transições
5 contra 5 organização coletiva, bolas paradas

Como adaptar as variáveis: diminuir o espaço aumenta a pressão; aumentar o número de jogadores dá mais apoio; mudar as balizas muda a finalização; regras adicionais (por exemplo, «só vale golo se todos tocarem na bola») orientam a aprendizagem.

Exemplo resolvido · jogo de iniciação

Um técnico de AEC quer ensinar o passe a crianças de 7 anos, em grupo de dez, num pavilhão.

  1. Jogo: «os dez passes», em equipas de cinco contra cinco, sem fora de jogo.
  2. Regra: a equipa conta os passes; ao décimo, marca um ponto.
  3. Adaptação: bolas leves e campo pequeno.
  4. Feedback: elogiar a procura de espaço livre.
  5. Variar: depois, passes só com o pé esquerdo.

17. Planeamento do treino

A segunda realização da UC é planear e organizar o treino de futebol e de futsal. Planear é antecipar o que se vai fazer, como, com que material e para quê.

Níveis do planeamento

Nível Duração Conteúdo
Plano anual ou de época meses objetivos gerais, competições, ciclos
Ciclo ou mesociclo semanas foco temático (por exemplo, finalização, transições)
Microciclo semana sequência de sessões, carga e descanso
Unidade de treino (sessão) 60 a 90 min objetivos, exercícios, material, tempo

Objetivos do treino

Os objetivos gerais do treino descrevem o que se pretende alcançar no conjunto (por exemplo, melhorar a circulação de bola da equipa). Os objetivos de preparação dividem-se em quatro dimensões.

Preparação Exemplo de objetivo
Técnica melhorar o passe com o interior do pé
Tática melhorar a basculação defensiva
Física desenvolver a velocidade de reação
Psicológica aumentar a confiança e o controlo emocional

Um bom objetivo é específico, mensurável, realista e com prazo: «no fim de quatro sessões, os praticantes executam sete passes certos em dez, a seis metros».

Preparação física e psicológica na formação

A preparação física e a psicológica não são tempos à parte: integram-se nos jogos e nos exercícios e dosificam-se com trabalho (tempo de esforço dirigido) e descanso (pausa para hidratar, reorganizar e recuperar). A tabela dá valores de referência do curso, a ajustar à condição do grupo e ao calor.

Idade Foco físico Trabalho : descanso Foco psicológico
6 a 8 anos coordenação e jogos de correr 1 min : 1 min gosto pelo jogo e perda do medo de errar
9 a 11 anos agilidade e velocidade de reação 2 min : 1 min confiança e cooperação
12 a 14 anos agilidade, velocidade e resistência em jogos curtos, com atenção ao crescimento 3 min : 1 min controlo emocional perante o erro
15 a 18 anos velocidade, resistência e força, com progressão 4 min : 1 min gestão da pressão e responsabilidade

Exemplo resolvido · trabalho e descanso

O jogo reduzido de 4 contra 4 do plano de 60 minutos, para jovens de 9 a 11 anos, ocupa 12 minutos. Como se organiza com a referência de 2 min : 1 min?

  1. Cada série tem 2 min de trabalho seguidos de 1 min de descanso: 3 min por série.
  2. 12 ÷ 3 = 4 séries.
  3. Trabalho: 4 × 2 = 8 min. Descanso: 4 × 1 = 4 min. Total: 12 min.
  4. Rácio 8 : 4 = 2 : 1; o trabalho ocupa 8 ÷ 12, cerca de 67 % do bloco.
  5. O bloco ocupa 12 dos 42 minutos da parte fundamental, cerca de 29 %.
  6. Objetivo psicológico no mesmo bloco: «em 8 de cada 10 erros observados, o jovem retoma a posição sem protestar», registado na linha «atitude» da grelha de observação.

Plano para uma faixa etária

A faixa etária condiciona tudo: duração, complexidade, carga, tipo de jogo, linguagem.

Idade Características Orientações
6 a 8 anos atenção curta, jogo livre jogos lúdicos, muitos toques na bola, sem tática
9 a 11 anos aprendizagem rápida de gestos técnica em jogo, jogos reduzidos, pouca teoria
12 a 14 anos crescimento acelerado técnica refinada, tática simples, cuidado com cargas
15 a 18 anos maior capacidade tática e física sistemas de jogo, especialização gradual

Estrutura de uma sessão

  1. Parte inicial (15 a 20 %): receção, informação inicial, aquecimento com bola.
  2. Parte fundamental (60 a 70 %): exercícios dos objetivos, do analítico para o jogo reduzido.
  3. Parte final (10 a 15 %): retorno à calma, alongamento, balanço, hidratação.

Exemplo resolvido · plano de uma sessão de 60 minutos

Escalão: 9 a 11 anos. Objetivo: passe e receção com o interior do pé.

Tempo Atividade Material
0 a 10 min aquecimento com bola: condução livre, mudanças de direção bolas, cones
10 a 25 min passe e receção em pares, a 5 m; variação de distância bolas
25 a 40 min três contra um em quadrado, depois cinco contra dois cones, coletes
40 a 52 min jogo reduzido quatro contra quatro, em quatro séries de 2 min com 1 min de pausa, ponto extra por cinco passes balizas pequenas, coletes
52 a 60 min retorno à calma e balanço água

Verificações: o tempo total é 60 minutos. A parte inicial tem 10 minutos (cerca de 17 %), a fundamental 42 minutos (15 + 15 + 12, ou seja 70 %) e a final 8 minutos (cerca de 13 %), todas dentro das percentagens indicadas acima. O aquecimento já trabalha o objetivo.

18. Execução e avaliação do treino: as fases e os critérios

Fases do treino

O referencial identifica as fases do treino: avaliação inicial, informação inicial, instrução, diagnóstico e prescrição da atividade de aprendizagem, conclusão e avaliação final.

Fase O que acontece
Avaliação inicial o técnico observa o nível de partida dos praticantes (competências-base)
Informação inicial apresenta objetivos, regras e organização da sessão ou do ciclo
Instrução demonstra e explica o gesto ou a tática
Diagnóstico e prescrição observa a execução, identifica falhas e prescreve a atividade de aprendizagem adequada
Conclusão retorno à calma, balanço, reforço das aprendizagens
Avaliação final verifica se os objetivos foram atingidos

Avaliar as competências-base

As competências-base são o ponto de partida: domínio de bola, capacidade de passe e receção, perceção do jogo, condição física, atitude. Avaliam-se por observação estruturada, com tarefas simples e uma grelha de observação: um quadro com uma linha por praticante e uma coluna por competência, onde se registam o indicador medido e o nível da escala. É esta grelha de observação que se volta a usar na avaliação final e para registar a evolução das correções técnicas (capítulo 19).

Competência Tarefa de observação Indicador
Passe 10 passes a 6 m para um alvo n.º de passes certos
Receção 10 receções orientadas n.º de receções controladas
Condução slalom com bola tempo e n.º de toques perdidos
Remate 5 remates à baliza n.º de remates ao alvo
Atitude observação durante a sessão cooperação, respeito, esforço

Critérios e momentos de avaliação

Os critérios de avaliação têm de ser definidos antes: o que se avalia, com que indicador e com que escala. Os momentos de avaliação são: inicial (diagnóstico), formativa (durante o processo, para ajustar) e final (resultado das aprendizagens).

Momento Função
Inicial diagnosticar o ponto de partida
Contínua ou formativa ajustar o ensino e dar feedback
Final verificar objetivos e registar progressos

Uma escala simples, de quatro níveis (não conseguido, em desenvolvimento, conseguido, consolidado), é fácil de usar em contexto escolar.

Quando o indicador conta perdas, como no slalom (perdas de bola em dez cones), converte-se primeiro em acertos (10 menos as perdas) e aplica-se a escala dos acertos: 0 a 3 = não conseguido; 4 a 6 = em desenvolvimento; 7 a 8 = conseguido; 9 a 10 = consolidado. Lida diretamente em perdas, a mesma escala inverte-se: 7 a 10 perdas = não conseguido; 4 a 6 perdas = em desenvolvimento; 2 a 3 perdas = conseguido; 0 a 1 perdas = consolidado.

Exemplo resolvido · construir uma grelha de observação

Objetivo: passe com o interior do pé, em jovens de 12 anos.

  1. Critério: precisão do passe a 6 metros.
  2. Indicador: n.º de passes certos em dez tentativas.
  3. Escala: 0 a 3 = não conseguido; 4 a 6 = em desenvolvimento; 7 a 8 = conseguido; 9 a 10 = consolidado.
  4. Momentos: antes da primeira sessão, a meio e no fim do ciclo.
  5. Resultado: um jovem passa de 4/10 para 8/10; progrediu de «em desenvolvimento» a «conseguido».

19. O protocolo de correção técnica e o feedback

A quarta realização da UC é aplicar o protocolo de correção técnica: uma sequência simples e repetível para corrigir um gesto sem desmotivar. O referencial fixa a realização mas não os passos: a sequência de sete passos que se segue é uma proposta deste curso, que desenvolve a fase de diagnóstico e prescrição da atividade de aprendizagem.

Os passos do protocolo

  1. Observar o gesto completo, de vários ângulos, várias vezes, antes de intervir.
  2. Identificar o erro principal e a sua causa (o que está a falhar e porquê), escolhendo um erro de cada vez.
  3. Reforçar o que foi bem feito: começar pelo positivo.
  4. Corrigir: dizer o que fazer (não só o que não fazer), com uma indicação curta e, se necessário, demonstração.
  5. Praticar de novo, com o mesmo exercício ou com um mais simples.
  6. Verificar se a correção resultou e reforçar a melhoria.
  7. Registar a evolução, se for relevante.

Feedback construtivo

O feedback deve ser específico, oportuno, positivo na forma e orientado para a ação. Evita-se «estás mal» e prefere-se «leva o pé de apoio mais perto da bola».

Tipo Exemplo
Descritivo «a bola saiu alta porque o tronco ficou atrás»
Prescritivo «inclina o tronco sobre a bola»
Positivo «a posição do pé de apoio está ótima»
Interrogativo «o que mudarias para a bola ir mais rasteira?»
Visual demonstração do gesto

A técnica do sanduíche (positivo, correção, positivo) resulta, mas só quando o elogio é verdadeiro. O feedback deve ser dado perto do momento e de forma privada se envolver crítica.

Comunicar com os participantes

O técnico comunica com a voz, o corpo (demonstração, posição), os sinais (apito, gestos) e o exemplo. Boas práticas: colocar o grupo de modo a que todos vejam e ouçam; mensagens curtas; verificar compreensão; adaptar a linguagem à idade; ouvir.

Exemplo resolvido · aplicar o protocolo a uma finta

Um jovem tenta uma finta, mas o adversário não é enganado.

  1. Observar: o jovem olha sempre para a bola e o corpo não se inclina.
  2. Identificar: o engano não é credível; causa principal, o olhar e o tronco.
  3. Reforçar: «a saída em velocidade é excelente».
  4. Corrigir: «levanta a cabeça e inclina o ombro antes de saíres, para o defesa acreditar».
  5. Praticar: dez fintas contra um cone, depois contra um colega passivo.
  6. Verificar: quantas vezes o colega foi enganado? Subir para oposição ativa se for sete em dez.
  7. Registar: anotar a evolução na grelha de observação (capítulo 18).

20. Normas de segurança, regras e normas definidas

Princípios de segurança

A segurança dos participantes é um critério de desempenho essencial. O técnico é responsável por prevenir acidentes e por reagir quando acontecem.

Antes da sessão: - Verificar o espaço, o piso, as balizas e o material. - Confirmar o equipamento adequado (caneleiras, calçado do piso certo). - Conhecer o estado de saúde relevante dos praticantes (por exemplo, alergias, medicação) e ter acesso a contactos de emergência. - Ter material de primeiros socorros e um meio de contacto com o 112.

Durante a sessão: - Aquecimento adequado, antes de qualquer esforço intenso. - Progressão da carga, com pausas para hidratar. - Distâncias de segurança nos exercícios. - Atenção a sinais de fadiga, tonturas, dor. - Adaptar o treino às condições climáticas: calor, frio, chuva, piso molhado.

Depois da sessão: - Retorno à calma e alongamentos. - Arrumar o material e verificar danos. - Registar incidentes.

Prevenção das lesões mais comuns

Lesão Prevenção
Entorses do tornozelo piso adequado, calçado certo, aquecimento, trabalho de propriocepção
Distensões musculares aquecimento, progressão de carga, alongamentos
Contusões caneleiras, regras de contacto, arbitragem da sessão
Lesões de joelho calçado adequado ao piso, evitar mudanças bruscas sem preparação
Desidratação, golpe de calor água, pausas, horários adequados, roupa leve
Traumatismo craniano limitar cabeceamentos na formação, parar a atividade em caso de pancada com sinais de alerta

Em caso de acidente

  1. Parar a atividade e proteger o local.
  2. Avaliar o praticante: consciente, a respirar, a queixar-se de quê.
  3. Chamar o 112 em caso de gravidade, perda de consciência, suspeita de lesão na cabeça ou na coluna, ou dúvida.
  4. Não mover quem tenha lesão na cabeça, pescoço ou coluna.
  5. Aplicar primeiros socorros dentro da formação que se tem.
  6. Avisar os responsáveis pelo praticante e registar o incidente.

Regras e normas definidas

Aplicar as «regras e normas definidas» significa cumprir e fazer cumprir o que a instituição e a sessão estabelecem: horários, uso de balneários, utilização de materiais, proteção de menores, proibição de substâncias. O técnico dá o exemplo e atua com coerência.

Exemplo resolvido · decidir com piso molhado

Chove e o piso do pavilhão tem uma zona escorregadia por uma infiltração.

  1. Avaliar o risco: queda e entorse.
  2. Isolar a zona com cones, se for pequena, ou mudar de espaço, se for grande.
  3. Adaptar os exercícios: menos mudanças bruscas de direção, mais trabalho técnico parado.
  4. Informar a direção da instituição.
  5. Registar a ocorrência e a decisão.

21. Identificar e resolver situações críticas no treino

O que é uma situação crítica

Uma situação crítica é um acontecimento que ameaça a segurança, o bom ambiente ou o cumprimento dos objetivos da sessão. Exemplos: conflito entre praticantes, lesão, comportamento desrespeitoso, praticante que se recusa a participar, pais que interferem, falta de material, mau tempo, grupo com níveis muito diferentes.

Método de resolução

  1. Calma e controlo: respirar, evitar reações impulsivas.
  2. Identificar o que se passa e a quem diz respeito.
  3. Proteger quem está em risco.
  4. Decidir com base nas regras, na segurança e na pedagogia.
  5. Comunicar de forma clara e respeitosa.
  6. Registar e, se necessário, informar a instituição e as famílias.
  7. Refletir para evitar que se repita.
Situação Resposta
Conflito entre dois praticantes separar, ouvir cada um em privado, definir consequência, reforçar regras
Praticante desmotivado conversar, ajustar a tarefa, valorizar progressos
Grupo heterogéneo diferenciar tarefas (mais fácil e mais difícil na mesma atividade)
Falta de material adaptar os exercícios com o que há
Provocação ou insulto parar o jogo, aplicar o código de conduta
Pais que gritam da bancada conversar após a sessão, lembrar o código de conduta
Lesão seguir o protocolo de acidente

Exemplo resolvido · conflito durante um jogo de treino

Dois jovens de 13 anos discutem depois de uma entrada dura e um deles ameaça bater no outro.

  1. Parar o jogo de imediato e separar os dois.
  2. Proteger: certificar-se de que nenhum está magoado.
  3. Ouvir cada um em separado, sem plateia.
  4. Decidir consequência proporcional: sair do jogo durante alguns minutos e voltar depois de pedir desculpa.
  5. Comunicar ao grupo a regra: o respeito pelo adversário não é negociável.
  6. Registar e, se for reincidente, informar o responsável da instituição.
  7. Refletir: antes do jogo seguinte, recordar as regras de contacto.

Exemplo resolvido · grupo muito heterogéneo

Num grupo de 14 jovens, quatro jogam há anos e dez estão a iniciar.

  1. Manter a mesma atividade, mas com variantes: os mais experientes jogam com o pé menos forte, os iniciantes com mais espaço.
  2. Misturar as equipas para que a diferença de nível não domine o jogo.
  3. Dar missões diferentes: os mais experientes ajudam a explicar.
  4. Avaliar cada um em relação ao seu ponto de partida.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O futebol e o futsal são jogos coletivos de invasão jogados com os pés, com origens e regras próprias: o futebol com as Leis do Jogo do IFAB, o futsal com as regras da FIFA para a modalidade. As duas modalidades partilham os mesmos valores (respeito, espírito desportivo, cooperação, superação) e a mesma lógica da perspetiva dualista, com processo ofensivo, processo defensivo e transições. A terminologia, os materiais e equipamentos, as normas e regulamentos, o código de conduta, as regras de jogo, os terrenos e o tempo dos jogos formam a base de conhecimento do técnico, que sabe adaptar o regulamento à idade e ao contexto. A técnica individual (receção, condução, proteção, simulação, drible, passe, remate, cabeceamento, desarme, interceção, carga, técnica de guarda-redes) ensina-se por etapas, da demonstração ao jogo, observando as componentes críticas. A tática organiza as ações coletivas e os sistemas de jogo, e os jogos pré-desportivos e reduzidos são o melhor meio de ensinar ambas. O treino planeia-se por níveis, com objetivos técnicos, táticos, físicos e psicológicos adequados à faixa etária, executa-se por fases (avaliação inicial, informação inicial, instrução, diagnóstico e prescrição, conclusão e avaliação final) e corrige-se com o protocolo de correção técnica e feedback construtivo. Tudo se faz com segurança, cumprimento das regras e normas definidas e resolução calma das situações críticas.

Exercícios resolvidos

1. Uma bola sai pela linha de fundo, tocada por último por um defesa. Qual é o recomeço no futebol?

Resolução: pontapé de canto a favor da equipa atacante.

2. Num jogo de futsal, a equipa A comete a sexta falta acumulada do primeiro período. O que acontece à barreira?

Resolução: a equipa que defende não pode formar barreira; o livre direto é cobrado sem barreira, por regra do segundo ponto de grande penalidade, a 10 m da baliza. Se a falta tiver ocorrido na metade da equipa A, entre a linha dos 10 m e a linha de baliza e fora da área, a equipa B escolhe entre o segundo ponto e o local da falta.

3. Quantos jogadores há em cada fila num sistema 4-2-3-1, além do guarda-redes? Quantos são, no total?

Resolução: 4 defesas, 2 médios defensivos, 3 médios ofensivos e 1 avançado: 4 + 2 + 3 + 1 = 10, mais o guarda-redes, 11.

4. Um guarda-redes de futsal fica com a bola nos pés, no seu meio-campo, durante seis segundos. Qual é a decisão?

Resolução: excedeu os quatro segundos permitidos; livre indireto para o adversário.

5. Calcula a área por jogador num pavilhão de 28 por 16 metros com oito jogadores.

Resolução: 28 × 16 = 448 m²; 448 ÷ 8 = 56 m² por jogador.

6. Um jovem remata sempre acima da trave. Qual é a primeira correção a tentar?

Resolução: observar pé de apoio e tronco; corrigir uma componente, por exemplo colocar o pé de apoio ao lado da bola e inclinar o tronco sobre ela.

7. Num plano de 75 minutos, a parte inicial ocupa 15 %, a fundamental 70 %. Quantos minutos tem a parte final?

Resolução: 100 - 15 - 70 = 15 %; 15 % de 75 = 11,25 minutos, ou seja, cerca de 11 minutos.

8. Um praticante falha seis em dez passes na avaliação inicial e acerta oito em dez no fim do ciclo. Qual é a evolução e em que nível da escala (0 a 3, 4 a 6, 7 a 8, 9 a 10) está agora?

Resolução: falhar seis em dez é acertar quatro em dez (40 %); no fim do ciclo acerta oito em dez (80 %). A evolução é de +4 passes certos em dez, de 40 % para 80 %; passou do nível «em desenvolvimento» (4 a 6) ao nível «conseguido» (7 a 8).

9. Um jovem sofre uma pancada na cabeça e diz que está tonto. O que se faz?

Resolução: parar a atividade, não o deixar voltar ao jogo, avaliar o estado, chamar o 112 se houver perda de consciência, vómitos ou dúvida, avisar os responsáveis e registar o incidente.

10. Para um grupo de crianças de 7 anos, qual é o formato de jogo mais indicado e porquê?

Resolução: jogos reduzidos e lúdicos (por exemplo, três contra três), pelo máximo de toques na bola, simplicidade de regras e motivação.