Implementar estratégias de comunicação e relações públicas no turismo (UC03627)
- Introdução
- 1. Relações públicas: conceitos, atitude, notoriedade e opinião pública
- 2. O papel das relações públicas no turismo
- 3. Princípios éticos e deontológicos
- 4. Pesquisa de mercado, oferta e procura turística e satisfação dos clientes
- 5. Públicos-chave e gestão de contactos e relacionamentos
- 6. Mensagens estratégicas
- 7. Do objetivo ao plano: operacionalizar ações de relações públicas
- 8. Comunicado de imprensa, press kit e histórias de destaque
- 9. Produção de conteúdo offline e online
- 10. Avaliações online e reputação: responder, reparar e aprender
- 11. Press trips, media segmentados, feiras e exposições
- 12. Planear e organizar eventos de relações públicas
- 13. Gestão de conflitos e das emoções
- 14. Comunicação de crise
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.
Introdução
Um hotel pode ter quartos excelentes e ser desconhecido. Um alojamento local pode ter uma avaliação negativa que ninguém respondeu e que, durante meses, afasta quem estava quase a reservar. Uma empresa de animação turística pode ter um barco avariado numa manhã de agosto e uma fotografia do problema a circular em minutos. Em todos estes casos, o que decide o desfecho não é só o produto: é a forma como a organização comunica e como se relaciona com as pessoas que importam para o seu negócio. É disso que trata esta unidade.
As relações públicas (RP) são a função que constrói e mantém, de forma planeada e honesta, a relação entre uma organização e os seus públicos. No turismo isso tem uma particularidade: o produto vende-se antes de ser consumido, a decisão de viajar assenta muito na confiança, e o cliente deixa depois a sua opinião em plataformas públicas que outros vão ler. Um técnico de turismo que domina as RP sabe quem são os seus públicos, que mensagem lhes dirigir, como falar com a imprensa, que conteúdos produzir, como organizar um evento, como apaziguar um conflito e como agir quando surge uma crise.
O percurso desta sebenta segue as realizações do referencial: operacionalizar ações de relações públicas no turismo, criar conteúdos offline e online nas plataformas digitais e gerir conflitos e situações imprevistas. Começamos pelos conceitos (relações públicas, atitude, notoriedade, opinião pública), pelo papel das RP junto dos públicos interno, externo e da comunicação social, e pelos princípios éticos e deontológicos que enquadram a atividade. Seguem-se a pesquisa de mercado e a medição da satisfação dos clientes, os públicos-chave, as mensagens estratégicas, a gestão de contactos e de relacionamentos e o plano de ação. Depois entramos nas ferramentas: o comunicado de imprensa (press release), o press kit, as histórias de destaque e a produção de conteúdo offline e online, as redes sociais e as avaliações. Estudamos as press trips, a cobertura de media segmentados, as feiras e os eventos. Fechamos com a gestão de conflitos e das emoções e com a comunicação de crise.
Objetivos de aprendizagem (referencial): reconhecer o papel das relações públicas e a componente ética da atividade; redigir press releases; conduzir pesquisas de mercado a nível da oferta e da procura turística; aferir o grau de satisfação dos clientes; promover a qualidade do serviço prestado; gerir contactos e relacionamentos; gerir conflitos e situações imprevistas; gerir situações de comunicação de crise.
Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo traz explicação, tabelas de consulta e pelo menos um exemplo resolvido passo a passo. Os nomes de hotéis, alojamentos, empresas e posto de turismo usados nos exemplos são fictícios; as entidades públicas, as leis e os códigos citados são reais. Tenta sempre escrever a tua própria versão antes de leres a solução: a comunicação aprende-se a escrever, a falar e a corrigir.
Lê o jornal regional da tua zona durante a unidade. Repara em que notícias de turismo aparecem, quem as assina e de onde veio a informação. Vais descobrir que muitas nasceram de um comunicado ou de uma iniciativa de relações públicas.
1. Relações públicas: conceitos, atitude, notoriedade e opinião pública
O que são relações públicas
As relações públicas são a gestão planeada e contínua da comunicação e da relação entre uma organização e os públicos de que depende. Planeada, porque não se improvisa: parte de objetivos e de um conhecimento dos públicos. Contínua, porque a confiança constrói-se ao longo do tempo e não numa campanha pontual. E bilateral, porque não se trata só de emitir mensagens: trata-se de ouvir, de perceber o que os públicos pensam e de ajustar o comportamento da organização.
Convém separá-las de funções vizinhas, com as quais se confundem muitas vezes.
| Função | Objetivo principal | Como se paga | Exemplo no turismo |
|---|---|---|---|
| Relações públicas | Construir reputação e relações de confiança com vários públicos | Não se paga o espaço nos meios, mas há custos de trabalho e de produção | Um comunicado sobre a reabertura de um hotel que o jornal regional publica como notícia |
| Publicidade | Vender ou promover um produto num espaço pago | Compra de espaço ou de tempo nos meios | Um anúncio pago numa revista de viagens |
| Marketing | Satisfazer o mercado e vender, com produto, preço, distribuição e promoção | Orçamento da empresa | Uma campanha de pacotes de fim de semana |
| Jornalismo | Informar o público com independência | Pelo próprio meio de comunicação | A reportagem que o jornalista decide fazer sobre o setor |
A diferença essencial está no controlo e na credibilidade. Na publicidade a organização controla o que diz e o sítio onde aparece, mas o público sabe que é um anúncio. Nas relações públicas a organização não controla o resultado: oferece informação e boas razões para que o meio a use, mas quem decide é o jornalista. Em troca, quando a notícia sai, vale mais, porque chega com a credibilidade do meio e não com a voz da empresa.
A atitude: do público e do profissional
O referencial fala em atitude, e a palavra tem aqui dois sentidos que convém distinguir.
A atitude do público é a predisposição, favorável ou desfavorável, de uma pessoa perante uma organização, um destino ou um serviço. Tem três componentes que se influenciam:
- o que a pessoa sabe ou julga saber (componente cognitiva): "aquele hotel fica longe de tudo";
- o que a pessoa sente (componente afetiva): simpatia, desconfiança, indiferença;
- o que a pessoa está disposta a fazer (componente comportamental): reservar, recomendar, ignorar, queixar-se.
As relações públicas trabalham sobretudo as duas primeiras, porque é através de informação verdadeira e de experiências positivas que se muda o que as pessoas sabem e sentem, e é daí que decorre o comportamento. Uma atitude constrói-se devagar e perde-se depressa.
A atitude do profissional é o modo como o técnico se posiciona no trabalho: escuta ativa, comunicação assertiva, empatia, cooperação com a equipa, cuidado com a imagem pessoal e a postura profissional, controlo emocional e persistência na resolução de problemas. São as atitudes que o referencial pede, e são tão avaliadas como os conhecimentos. Um técnico de RP é, no limite, a cara da organização perante um jornalista, um cliente irritado ou um parceiro. A sua forma de estar comunica antes de falar. No capítulo 13 vês cada uma destas atitudes traduzida em comportamentos que se podem observar e treinar.
Notoriedade
A notoriedade é o grau em que um público conhece uma marca, um destino ou uma organização. Distinguem-se dois níveis, de uso corrente em estudos de mercado:
- notoriedade espontânea: a pessoa lembra-se do nome sem ajuda (pergunta aberta: "Que hotéis conhece na região?"). A primeira marca que a pessoa cita chama-se, em inglês, top of mind;
- notoriedade assistida: a pessoa reconhece o nome quando lho mostram (pergunta fechada: "Conhece o Hotel Miradouro do Tejo?").
Conhecer o nome não chega: interessa também o que o público associa a esse nome. Chama-se imagem de marca (ou associações à marca) ao conjunto de ideias, qualidades e sentimentos que a pessoa liga a uma organização, por exemplo "é o hotel com a melhor vista sobre o rio" ou "é um hotel só para casamentos". Notoriedade e imagem são coisas diferentes: um hotel pode ser muito conhecido e ter uma imagem que não é a que pretende. A primeira mede-se perguntando "conhece?"; a segunda, perguntando "com que palavras descreveria este hotel?".
Não basta ser conhecido: é preciso ser conhecido pelas razões certas e pelos públicos certos. Um alojamento local de oito quartos numa aldeia do interior não precisa de ser conhecido por toda a gente; precisa de ser lembrado pelos casais e pelos grupos de amigos que procuram sossego e natureza num raio de duas horas de carro. A notoriedade e a imagem medem-se (por inquérito, por pesquisas feitas ao nome, por menções), e por isso podem ser objetivos das RP: "passar de 12 para 25 por cento de notoriedade assistida entre os residentes do concelho vizinho em seis meses".
Opinião pública
A opinião pública é o conjunto de juízos que um grupo de pessoas forma sobre um assunto, uma organização ou um destino. Nunca é uma coisa única: há opiniões públicas, uma por público. Os residentes de uma vila podem estar divididos sobre um festival, os turistas podem estar entusiasmados e a autarquia preocupada com o trânsito.
A opinião forma-se a partir de três fontes que se misturam:
- a experiência direta (estive lá, comi, dormi);
- a comunicação pessoal (o que dizem amigos, família, colegas e, hoje, desconhecidos nas avaliações online);
- os meios de comunicação (notícias, redes sociais, guias, reportagens).
As relações públicas não "fabricam" opinião: podem informar, esclarecer, dar a conhecer e corrigir equívocos, mas só têm efeito duradouro se a experiência real for coerente com o que se diz. Se a mensagem promete "silêncio absoluto" e o hotel está ao lado de uma obra, a experiência desmente a comunicação e a opinião cai.
Exemplo resolvido · da perceção ao objetivo de RP
O Hotel Miradouro do Tejo, em Santarém, tem boa ocupação ao fim de semana, mas pouca durante a semana. Um pequeno inquérito feito a 80 pessoas da região de Lisboa mostra que muitas o associam apenas a "casamentos e batizados".
- Perceção atual (opinião): "é um hotel de eventos familiares".
- Perceção desejada: "é um hotel de escapadinhas de natureza e gastronomia, com vista sobre o rio".
- Público prioritário: casais e pequenos grupos de 30 a 55 anos, de Lisboa e Setúbal, que viajam em viagem curta.
- Diagnóstico: o problema não é o produto nem o grau de conhecimento, é a imagem de marca. As pessoas conhecem o hotel, mas pelas razões erradas.
- Objetivo de RP: em seis meses, conseguir pelo menos 4 publicações em meios regionais e de turismo que descrevam o hotel como destino de natureza e gastronomia, e subir de 10% para 25% o grupo que o associa a escapadas.
- Ações possíveis: convidar jornalistas e criadores de conteúdo para uma estadia, publicar histórias de destaque sobre a cozinha do chefe, rever as fotografias do site, mostrar nas redes sociais a envolvente e não só as salas de festas.
A resolução mostra a lógica de toda a unidade: perceção, público, objetivo, ações.
Não confundas relações públicas com "dar boas notícias". Uma boa prática de RP inclui reconhecer erros, corrigir factos, explicar decisões difíceis e, em crise, assumir responsabilidades. A credibilidade ganha-se sobretudo nos momentos em que seria mais cómodo calar.
2. O papel das relações públicas no turismo
As relações públicas como ferramenta de aproximação
O referencial define o papel das RP como ferramenta de aproximação ao público, tanto o interno como o externo, e ao da comunicação social, e inclui a gestão de crise. Cada um destes campos tem objetivos e instrumentos diferentes.
| Campo | Quem são | Objetivo das RP | Instrumentos típicos |
|---|---|---|---|
| Público interno | Colaboradores, equipas, chefias, sócios, estagiários | Alinhar, motivar, informar primeiro, criar orgulho e coerência no atendimento | Reuniões de início de turno, quadros de informação, grupo de mensagens, manual de acolhimento, newsletter interna |
| Público externo | Clientes, potenciais clientes, fornecedores, parceiros, residentes, autarquia, associações | Dar a conhecer, criar preferência e confiança, manter a relação depois da estadia | Site, redes sociais, correio eletrónico, eventos, parcerias, sinalética, programa de fidelização |
| Comunicação social | Jornalistas, editores, diretores, rádios locais, blogues e criadores de conteúdo | Obter cobertura rigorosa, acesso a fontes, relação de confiança a longo prazo | Comunicados, press kit, entrevistas, press trips, contacto direto |
| Situações de risco | Todos os anteriores | Proteger a reputação e a segurança de pessoas durante e depois de uma crise | Plano de crise, porta-voz, comunicado de reação, canais de atendimento |
Porque começam as RP em casa
Uma regra que os profissionais repetem: o público interno é o primeiro público externo. Uma rececionista que não sabe que há um evento no hotel essa noite, uma empregada de mesa que desconhece que o restaurante recebeu um prémio, um guia que fica a saber pelo Facebook que a rota mudou: todos transmitem, sem querer, uma imagem de desorganização. E todos são fonte de informação para o cliente, que lhes pergunta tudo.
Comunicar bem para dentro implica:
- informar a equipa antes de a notícia sair para fora;
- explicar o porquê das decisões, e não só o que mudou;
- dar-lhes a mensagem-chave e a resposta às perguntas mais prováveis;
- ouvir sugestões e queixas e dar resposta, porque quem trabalha na linha da frente sabe antes de todos o que está a correr mal.
As RP no sistema do turismo
O turismo organiza-se em muitos agentes que dependem uns dos outros: unidades de alojamento, agências de viagens, operadores turísticos, empresas de animação turística, restauração, transportes, postos de turismo, entidades regionais e nacionais. Em Portugal, o organismo público nacional de promoção e regulação é o Turismo de Portugal, I.P., e a promoção regional está a cargo das entidades regionais de turismo, como o Turismo Centro de Portugal, o Turismo do Alentejo ou o Turismo do Algarve, a que se juntam as entidades dos arquipélagos da Madeira e dos Açores. A essa rede juntam-se as autarquias, as comunidades intermunicipais, as associações empresariais e de hotelaria e os postos de turismo.
Isto faz da parceria uma das formas mais eficazes de RP no turismo. Sozinho, um pequeno alojamento tem pouca voz; integrado numa rota, num roteiro regional ou numa campanha de uma entidade regional, ganha alcance e credibilidade. Exemplos de parcerias:
- com agências de viagens e operadores turísticos: apresentar o produto às equipas comerciais (apresentações e fam trips), fornecer material atualizado (fotografias, fichas técnicas, tarifas, condições), responder depressa e cumprir o que se promete, porque uma agência que perde a confiança no produto deixa de o vender;
- com entidades de turismo: participar nas ações coletivas da entidade regional, fornecer informação rigorosa para os seus canais, disponibilizar-se para receber jornalistas e criadores em press trips organizadas por elas, cumprir as regras de marca;
- com a autarquia e os residentes: integrar eventos locais, apoiar festas e tradições, informar sobre ruído, trânsito e estacionamento quando há um evento maior. A licença social do turismo, isto é, a aceitação da atividade pelas pessoas que vivem no destino, depende do consentimento da comunidade.
Como se constrói uma parceria
Uma parceria não é um favor nem um pedido de divulgação: é uma troca em que cada parte ganha alguma coisa. Constrói-se em sete passos.
- Objetivo comum. O que cada parte quer? O alojamento quer reservas fora da época alta; a agência quer um produto novo para vender; a entidade regional quer mostrar o território. Sem um objetivo que sirva as duas partes, a parceria morre ao fim de um mês.
- O que cada parte dá e recebe. Escreve-o numa tabela de duas colunas. O que se oferece (tarifa de grupo, visita de familiarização, informação rigorosa, disponibilidade para receber jornalistas) e o que se pede em troca (inclusão no catálogo ou no roteiro, divulgação nos canais da outra parte, um número mínimo de reservas).
- Material e informação. O que se entrega e em que formato: ficha técnica, fotografias com direitos de uso, tarifas e condições, uma pessoa de contacto com nome e telefone. Material desatualizado é a queixa mais comum das agências.
- Condições. Tarifas, comissões, prazos de reserva e regras de cancelamento, por escrito e sem ambiguidades. Um acordo apenas falado dá discussões.
- Calendário. Quando começa, quando há visita de familiarização, quando se faz o primeiro balanço.
- Indicadores. Como saberão as duas partes se resultou: pedidos de informação, reservas atribuídas à parceira, noites vendidas, menções ou peças publicadas.
- Agradecer e renovar. No fim do período, faz-se o balanço com a parceira, ajusta-se o que não funcionou, agradece-se (de preferência em público, nas redes ou na newsletter) e propõe-se renovar. Cumprir o prometido, a tempo, é o que mantém a parceria viva.
Exemplo resolvido · a proposta do Hotel Vale da Urze a uma agência e à entidade regional
O Hotel Vale da Urze, um pequeno hotel de 12 quartos no interior, quer encher os fins de semana de outubro e novembro. Tem um programa de duas noites com percursos a pé e jantar com produtos locais. Como constrói as parcerias?
Passo 1 · Objetivo comum. Com a agência "Rumo Certo" (nome fictício): o hotel enche quartos em época baixa; a agência ganha um produto de escapada de outono. Com a entidade regional: o território ganha uma oferta de outono para promover.
Passo 2 · O que cada parte dá e recebe (agência).
| O hotel dá | O hotel pede |
|---|---|
| Tarifa de grupo e condições de cancelamento por escrito | Inclusão do programa no catálogo de outono |
| Visita de familiarização para duas pessoas da equipa de vendas, em setembro | Relatório mensal das reservas feitas através da agência |
| Ficha técnica e fotografias com direitos de uso | Menção do hotel nos materiais de divulgação |
| Resposta a pedidos da agência no mesmo dia útil | Aviso com antecedência de alterações ao programa |
Passo 3 · Proposta escrita à agência (resumo). "Assunto: Proposta de parceria, escapadas de outono no Hotel Vale da Urze. Bom dia, Dra. Marta Pires. O Hotel Vale da Urze propõe à Rumo Certo um programa de duas noites em outubro e novembro, com percursos a pé e jantar com produtos locais. Oferecemos tarifa de grupo (em anexo), uma visita de familiarização em setembro para duas pessoas da vossa equipa e material atualizado. Pedimos a inclusão do programa no vosso catálogo de outono e um relatório mensal das reservas. Fazemos o balanço a 15 de dezembro e, se fizer sentido para ambos, renovamos para a primavera. Disponível para uma conversa esta semana. Cumprimentos."
Passo 4 · Proposta à entidade regional. O hotel oferece informação rigorosa e atualizada para os canais da entidade e disponibilidade para receber jornalistas numa press trip organizada por ela; pede a inclusão do hotel e do programa no roteiro de outono e no calendário regional, e cumpre as regras de marca.
Passo 5 · Indicadores. Pedidos de informação vindos da agência, reservas atribuídas, noites vendidas, menções no roteiro e no calendário.
Passo 6 · Balanço e renovação. A 15 de dezembro, reunião com a agência, comparação do resultado com o objetivo, agradecimento por escrito e proposta de renovação.
Repara no que não está na proposta: elogios ao hotel, superlativos, números que não se possam cumprir. Está o que cada parte dá, o que recebe e como se vai medir.
Exemplo resolvido · o que cada público precisa de ouvir
A empresa de animação turística "Rota do Sado" vai estrear, em março, um passeio de barco ao nascer do sol para observar golfinhos no estuário. Que mensagem para cada público, e por que ordem?
- Colaboradores primeiro, numa reunião de equipa. Mensagem: "A partir de 15 de março temos um novo passeio às 6h30; aqui estão o preço, o ponto de encontro, as regras de segurança e o que dizer ao telefone". Resultado esperado: toda a equipa responde da mesma maneira.
- Residentes e autoridades locais, antes de qualquer anúncio público: aviso sobre o novo movimento no cais, para evitar conflitos de estacionamento e para confirmar com as entidades que licenciam a atividade o que ela exige.
- Agências de viagens e hotéis da região, por correio eletrónico e apresentação. Mensagem: ficha técnica, tarifa de grupo, comissão, política de cancelamento por mau tempo.
- Comunicação social regional e de turismo, por comunicado. Mensagem: um produto novo que alia natureza e observação de espécies, com inscrição limitada e respeito pelas regras de proteção da fauna.
- Clientes e público em geral, por redes sociais e site, com fotografias, horário, preço e reservas. Só depois de os quatro grupos anteriores estarem prontos.
A ordem protege a organização: ninguém fica a saber pela rua uma coisa que o afeta.
A gestão de crise como função das RP
Quando algo corre mal de forma séria, é a função de relações públicas que coordena a comunicação. Aprofundamos este tema no capítulo 14, mas fica já a ideia central: as RP não começam numa crise, preparam-se antes dela. As relações construídas em tempo de calma (com jornalistas, com autarquia, com parceiros, com a equipa) são o capital que se usa em tempo de tempestade.
3. Princípios éticos e deontológicos
Porque é que a ética é parte do trabalho
A ética em RP não é um enfeite no fim do manual: é o que torna a atividade credível. Uma organização que mente a um jornalista perde a confiança desse jornalista e dos colegas dele. Um hotel que publica avaliações falsas arrisca multas e a reputação. Um técnico que não protege os dados de um cliente expõe a empresa a uma queixa. A palavra deontologia designa o conjunto de deveres próprios de uma profissão; os princípios éticos são os valores gerais que orientam a ação. No referencial, o aluno deve reconhecer a componente ética da atividade e respeitar os princípios éticos e deontológicos.
Os grandes princípios
Os códigos profissionais das relações públicas, nacionais e internacionais, repetem um núcleo de princípios.
| Princípio | O que significa na prática | Exemplo no turismo |
|---|---|---|
| Verdade | Não transmitir informação que se sabe falsa ou enganadora, nem omitir o que é essencial | Não anunciar "vista de mar" num quarto que dá para o parque de estacionamento |
| Transparência | Dizer quem fala e em nome de quem; separar informação de publicidade | Identificar uma publicação paga e uma estadia oferecida a um criador de conteúdo |
| Lealdade | Servir a organização sem enganar os públicos nem a profissão | Não difamar a concorrência |
| Respeito | Respeitar a dignidade, a privacidade e os direitos de pessoas e comunidades | Pedir autorização para publicar a fotografia de um cliente |
| Responsabilidade | Responder pelos efeitos do que se comunica | Corrigir de imediato um erro num comunicado |
| Livre circulação da informação | Não bloquear nem manipular o acesso à informação | Não pressionar um jornal para esconder uma notícia verdadeira |
| Confidencialidade | Guardar segredo do que é reservado ou de clientes | Não revelar o nome de um hóspede famoso |
Referências de código
Existem códigos de referência que podes consultar e citar em trabalhos:
- o Código de Atenas, código de ética adotado em 1965 pela Associação Internacional de Relações Públicas (IPRA), que completa o Código de Veneza (1961), código de conduta. Desde 2011 a IPRA reúne estes dois textos e o Código de Bruxelas (2007) num único Código de Conduta; o de Atenas continua a ser estudado como referência histórica da ética nas relações públicas;
- o Código de Lisboa, o código europeu de deontologia profissional da Confederação Europeia de Relações Públicas (CERP);
- o Código Deontológico do Jornalista, aprovado pelo Sindicato dos Jornalistas e revisto em 2017, que importa conhecer porque define o que os jornalistas podem e não podem fazer: rigor, identificação de fontes, respeito pela privacidade, recusa de funções que ponham em causa a sua independência. Percebê-lo ajuda a trabalhar com eles sem os pôr em situações inaceitáveis;
- o Código Mundial de Ética do Turismo, aprovado em 1999 pela Organização Mundial do Turismo (hoje ONU Turismo, em inglês UN Tourism) e reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2001, com dez artigos. É um quadro de princípios voluntários para um turismo responsável, com atenção às comunidades de acolhimento, ao ambiente e ao património, e é útil como referência para a mensagem de destinos que se querem sustentáveis. Em 2019 foi adotada a Convenção-Quadro sobre Ética no Turismo, que, quando entrar em vigor, vinculará os Estados que a ratificarem (confirma o estado atual no sítio da ONU Turismo); para as empresas, o código continua a ser voluntário.
Os códigos de conduta não são leis: vinculam quem a eles adere ou os associados das organizações que os aprovam. Mas são referências sólidas e muitas empresas adotam-nas.
A lei que também obriga
Para além dos códigos, há leis que o técnico de RP tem de conhecer, pelo menos nos princípios.
- Publicidade identificável. O Código da Publicidade (Decreto-Lei n.º 330/90) determina, no seu princípio da identificabilidade, que a publicidade tem de ser inequivocamente identificada como tal, seja qual for o meio de difusão. Isto aplica-se também aos conteúdos de criadores e influenciadores, e a entidade de autorregulação do setor, a Auto Regulação Publicitária (ARP), tem chamado a atenção para que a responsabilidade é partilhada entre quem publica, a marca e a agência. Na prática: quando uma estadia foi oferecida em troca de publicações, ou quando há um código de desconto ou um pagamento, a publicação tem de dizer isso de forma clara, e não escondida entre muitas etiquetas. O guia de boas práticas da ARP sobre marketing de influência recomenda que a identificação venha logo no início do conteúdo, com uma expressão clara como "publicidade" ou "parceria paga", ou com a etiqueta da própria plataforma ("parceria remunerada"); palavras como "oferta", "código" ou "desconto", ou um simples agradecimento à marca, não chegam. Uma viagem, uma estadia ou um convite para um evento oferecidos contam como contrapartida, mesmo sem dinheiro.
- Dados pessoais e imagem. O Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (Regulamento (UE) 2016/679), aplicado em Portugal com a Lei n.º 58/2019, exige uma base de licitude para tratar dados pessoais (incluindo imagens de pessoas identificáveis). Quando essa base é o consentimento, tem de ser livre, específico, informado e inequívoco, e quem trata os dados tem de o poder provar e permitir que seja retirado tão facilmente como foi dado. A autoridade de controlo em Portugal é a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD). A isto soma-se o direito à imagem previsto no artigo 79.º do Código Civil: o retrato de uma pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou lançado no comércio sem o seu consentimento, com exceções, entre elas as imagens enquadradas em lugares públicos ou em factos de interesse público que tenham decorrido publicamente. Na dúvida, pede-se autorização por escrito e guarda-se.
- Avaliações e recomendações. O Decreto-Lei n.º 109-G/2021, publicado em dezembro de 2021 e em vigor desde maio de 2022, transpôs parcialmente a Diretiva (UE) 2019/2161 e alterou, entre outros, o regime das práticas comerciais desleais, que proíbe apresentar ou encomendar avaliações falsas de consumidores. Em termos gerais: não se publicam nem se encomendam avaliações falsas e não se apresentam como opiniões de clientes textos que não o são. Os pormenores das sanções estão no diploma e não devem ser citados de memória.
- Direito de resposta e retificação. A Lei de Imprensa (Lei n.º 2/99) garante o direito de resposta e de retificação a quem seja pessoal ou institucionalmente afetado por uma referência que possa afetar a sua reputação ou boa fama, ou que seja inverídica ou errónea. Há prazos legais, contados a partir da publicação (30 dias nos diários e semanários e 60 dias nas publicações com menor frequência, segundo o artigo 25.º; confirma no diploma), e regras de forma; cabe à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) apreciar as queixas por recusa. É um instrumento que se usa com cuidado: uma resposta bem feita corrige o rasto de uma notícia, uma resposta agressiva piora-o.
Nunca cites de cabeça um prazo ou um valor de coima. Se não souberes o número com certeza, escreve a regra em termos gerais e remete para o diploma. Um valor errado num comunicado ou num parecer interno é pior do que uma frase genérica correta.
Dilemas éticos frequentes
| Situação | Pode? | Raciocínio |
|---|---|---|
| Oferecer uma noite a um jornalista de turismo para escrever sobre o hotel | Sim, desde que seja transparente | O jornalista decide o que escreve e o meio declara a situação; a oferta não pode ser condição de uma opinião favorável |
| Pagar a um criador de conteúdo e pedir que não diga que é publicidade | Não | Viola o princípio da identificabilidade e a transparência |
| Escrever avaliações positivas do hotel numa plataforma, fingindo ser cliente | Não | Prática enganosa; arrisca sanções e destrói confiança |
| Publicar a fotografia do casamento celebrado no hotel, com os noivos reconhecíveis | Só com autorização | Imagem e dados pessoais |
| Omitir num comunicado que a piscina estará fechada durante a época alta | Não | Omitir informação essencial é enganar |
| Declinar comentar um processo judicial em curso | Sim | Confidencialidade e prudência. Não se comenta, mas explica-se: "Por respeito pelo processo em curso, não comentamos; informaremos quando houver decisão" |
Exemplo resolvido · decidir com critério ético
A diretora de um alojamento local pede à técnica de RP: "Escreve três avaliações de cinco estrelas e publica-as com perfis diferentes, que as últimas foram más." A técnica deve:
- Reconhecer o problema: o que se pede é criar avaliações falsas apresentadas como opiniões de clientes. É uma prática enganosa e contrária à transparência e à verdade.
- Dizer não, com alternativa, para ser cooperante e não só obstrutiva: "Não posso fazer isso, expõe-nos a sanções e se for descoberto perdemos a credibilidade toda. Proponho respondermos às avaliações más com educação e pedirmos a quem ficou satisfeito que escreva a sua".
- Propor o plano legítimo: responder a cada avaliação negativa, corrigir o que estiver mal, enviar um pedido de opinião a todos os hóspedes depois da estadia, sem escolher só os que estão satisfeitos.
- Registar a conversa por escrito, caso a pressão continue.
A ética aqui não é um impedimento: é a única estratégia que dura.
4. Pesquisa de mercado, oferta e procura turística e satisfação dos clientes
Para que serve pesquisar
Nenhuma ação de RP deve começar a escrever sem saber o essencial: quem procura o destino, o que a concorrência oferece, o que os clientes pensam. A pesquisa de mercado é o processo de recolher e analisar informação para decidir melhor. O referencial pede duas coisas: conduzir pesquisas a nível da oferta e da procura turística e aferir o grau de satisfação dos clientes.
Fontes secundárias e primárias
| Tipo | O que é | Exemplos no turismo em Portugal | Vantagem | Limite |
|---|---|---|---|---|
| Secundária | Informação que já existe, recolhida por outros | Estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre dormidas e hóspedes; plataforma TravelBI do Turismo de Portugal, com indicadores, estatísticas e análises de mercados; relatórios das entidades regionais de turismo; estudos de associações do setor | Rápida e barata | Pode estar desfasada ou ser demasiado geral |
| Primária | Informação recolhida de propósito | Inquérito aos hóspedes, entrevistas a agências parceiras, observação no balcão, grupos de conversa, análise das avaliações online | À medida da pergunta | Dá trabalho e exige cuidado nas perguntas |
Regra prática: começa sempre pelas fontes secundárias e só faz inquérito próprio para o que elas não respondem.
Ler uma fonte secundária também se aprende. Quatro passos chegam, e nenhum exige números de cor:
- Que indicador procurar. Escolhe o que responde à tua pergunta: dormidas, hóspedes, estada média ou taxa de ocupação, por exemplo.
- Por que unidade territorial. Procura o concelho do alojamento e a região onde ele se insere; se o concelho não aparecer na tabela, usa o território mais próximo e escreve que o fizeste.
- Que período comparar. Compara o mesmo mês, ou os mesmos meses, de anos diferentes, e não um mês de verão com um de inverno, para que a sazonalidade não engane.
- Como citar. Escreve no teu trabalho o nome da fonte, o indicador, a unidade territorial, o período e a data em que a consultaste, para que outra pessoa possa repetir a consulta.
A oferta turística
Analisar a oferta é perceber o que existe no território e como o teu produto se compara. Os componentes principais:
- alojamento (hotéis, alojamento local, turismo no espaço rural, parques de campismo);
- restauração e bebidas;
- animação turística (passeios, desportos de natureza, visitas guiadas, experiências);
- atrações e património (museus, monumentos, paisagens, eventos);
- acessos e transportes;
- informação e acolhimento (postos de turismo, sinalética, sítios web).
Uma ferramenta simples é o quadro comparativo da concorrência: escolhem-se quatro a seis concorrentes diretos e compara-se o que interessa ao cliente.
| Critério | Hotel Miradouro do Tejo | Concorrente A | Concorrente B | Concorrente C |
|---|---|---|---|---|
| Localização e acessos | Centro histórico, estacionamento limitado | Margem do rio, estacionamento amplo | Periferia | Centro, sem estacionamento |
| Preço médio de fim de semana | (preencher) | (preencher) | (preencher) | (preencher) |
| Pontos fortes referidos nas avaliações | Vista e pequeno-almoço | Piscina | Preço | Localização |
| Pontos fracos referidos | Poucos lugares de estacionamento | Distância ao centro | Limpeza | Instalações antigas |
| Canais onde comunica | Site, redes, imprensa regional | Site, plataformas de reserva | Plataformas | Redes |
O quadro dá matéria às RP: onde o hotel é mais forte do que os outros, é aí que a mensagem deve insistir.
A procura turística
A procura é o conjunto de pessoas que viajam (ou poderão vir a viajar) para o destino ou para o produto. Descreve-se com perguntas simples:
- Quem são? Idade, composição do grupo (casal, família, amigos, sozinhos), profissão, nacionalidade ou região de origem.
- Quando vêm? Época do ano, fim de semana ou semana, antecedência da reserva, duração da estadia.
- Porquê vêm? Motivação principal: natureza, gastronomia, cultura, desporto, negócios, saúde e bem-estar, visita a familiares.
- Como reservam e como se informam? Plataformas, agências, telefone, redes sociais, recomendações de amigos.
- Quanto gastam e em quê?
A sazonalidade merece destaque: no litoral, o verão concentra a procura; no interior, os fins de semana e as festas. As RP podem ajudar a espalhar a procura, comunicando razões para vir noutra altura (vindima, castanha, observação de aves, caminhadas de outono).
Exemplo resolvido · da pesquisa à decisão
A "Casa do Olival Manso", alojamento local com seis quartos numa aldeia do Alentejo, quer decidir que público priorizar para o outono. Que passos segue a técnica de RP?
- Pergunta de pesquisa: quem reserva em outubro e novembro, e porquê?
- Fonte interna (primária): consulta o registo de reservas dos dois últimos anos e conta: 62% dos hóspedes de outono são casais entre 35 e 55 anos, 25% pequenos grupos de amigos, 13% outros. A estadia média é de duas noites.
- Fonte externa (secundária): consulta as estatísticas de turismo da entidade regional e do INE para saber de que regiões e países chegam mais dormidas à zona nessa altura, e observa quais os temas das campanhas regionais (vinho, cogumelos, observação de aves).
- Fonte de conversa: lê as últimas 60 avaliações online e agrupa os temas mais citados: sossego, pequeno-almoço, hospitalidade da dona, falta de restaurante aberto à segunda-feira.
- Decisão: priorizar casais e pequenos grupos de amigos, comunicar "escapada de outono, sossego, gastronomia", incluir na mensagem uma lista de restaurantes abertos à segunda e apresentar parceria com uma produtora de vinho local.
Repara que nenhum passo exige uma grande base de dados: exige método e honestidade ao ler os números.
Aferir o grau de satisfação dos clientes
A satisfação é a diferença entre o que o cliente esperava e o que viveu. Mede-se de várias formas que se completam:
| Método | Como se faz | Quando | Cuidado |
|---|---|---|---|
| Inquérito curto à saída ou após a estadia | 5 a 8 perguntas, escala de 1 a 5, uma pergunta aberta | No check-out ou até 48 horas depois, por correio eletrónico ou código QR | Perguntas curtas, sem induzir a resposta |
| Conversa no balcão ou na mesa | Pergunta aberta, tom natural, registo na ficha | Durante a estadia | Permite corrigir ainda a tempo |
| Análise das avaliações online | Ler e classificar os comentários por tema | Semanalmente | Representa quem decidiu escrever, não todos |
| Livro de reclamações (físico e eletrónico) | Registo formal | Sempre disponível | Cada reclamação exige resposta rigorosa |
| Pedido espontâneo de recomendação | "Recomendaria a amigos?" | No inquérito | Interpretar com a taxa de resposta |
Como construir um inquérito curto
- Começa por o que queres decidir com as respostas (por exemplo, melhorar o pequeno-almoço).
- Escreve perguntas neutras ("Como avalia o pequeno-almoço?") e não induzas ("Não achou o nosso pequeno-almoço excelente?").
- Usa a mesma escala em todas as perguntas fechadas (1 muito mau a 5 muito bom).
- Acrescenta uma pergunta aberta ("O que podíamos ter feito melhor?"), que costuma trazer as melhores pistas.
- Informa a quem responde para que serve o inquérito e, se pedires dados pessoais, respeita o regulamento de proteção de dados (só o que for necessário, com informação clara).
- Garante que o inquérito pode ser respondido em menos de dois minutos.
Como ler os resultados
- Calcula a média de cada pergunta e a percentagem de respostas 4 e 5 (os satisfeitos) e 1 e 2 (os insatisfeitos).
- Calcula a taxa de resposta (respostas recebidas a dividir pelos inquéritos enviados). Uma média de 4,8 sobre 5 com 6 respostas pouco diz.
- Agrupa os comentários por tema (limpeza, pequeno-almoço, ruído, atendimento, preço).
- Compara com o período anterior e com o objetivo definido.
Exemplo resolvido · ler um inquérito de satisfação
Num mês, o Hotel Miradouro do Tejo enviou 200 inquéritos por correio eletrónico e recebeu 64 respostas. Na pergunta "Como avalia o pequeno-almoço?" (escala de 1 a 5), as respostas foram: 5 em 22 casos, 4 em 18, 3 em 12, 2 em 8 e 1 em 4.
- Taxa de resposta: 64 ÷ 200 = 0,32, ou seja, 32%.
- Média: (5×22 + 4×18 + 3×12 + 2×8 + 1×4) ÷ 64 = (110 + 72 + 36 + 16 + 4) ÷ 64 = 238 ÷ 64 ≈ 3,7.
- Satisfeitos (4 e 5): (22 + 18) ÷ 64 = 40 ÷ 64 ≈ 63%.
- Insatisfeitos (1 e 2): (8 + 4) ÷ 64 = 12 ÷ 64 ≈ 19%.
- Interpretação: a maioria está satisfeita, mas quase um em cada cinco não está, e a média é inferior ao objetivo de 4,2. Os comentários abertos dos insatisfeitos referem sobretudo "pouca variedade" e "pão frio".
- Ação: reforçar o pão quente e acrescentar duas opções de pequeno-almoço vegetariano. Comunicar: pôr nas mesas um cartão "Sugeriram, melhorámos", para o público interno e externo verem que a opinião conta.
Promover a qualidade do serviço
Satisfação medida e não usada é desperdício. O referencial pede ainda que se promova a qualidade do serviço prestado, e isso faz-se com um ciclo simples:
- Ouvir (inquéritos, avaliações, conversa, reclamações);
- Analisar (temas e frequência);
- Corrigir (formação, processos, pequenas obras, mudanças de menu);
- Comunicar o que mudou, para a equipa e para os clientes;
- Voltar a medir.
Cada passo tem um responsável e uma data; sem isso, o ciclo fica no papel. Aplicado ao exemplo do pequeno-almoço do Hotel Miradouro do Tejo:
| Passo | O que se faz | Quem | Quando |
|---|---|---|---|
| Ouvir | Inquérito de satisfação e comentários abertos | Técnica de comunicação | Todos os meses |
| Analisar | Agrupar os comentários: "pouca variedade" e "pão frio" | Técnica de comunicação | Na semana seguinte ao inquérito |
| Corrigir | Pão quente a cada meia hora e duas opções vegetarianas | Chefe de cozinha | Em duas semanas |
| Comunicar | Cartão "Sugeriram, melhorámos" nas mesas e aviso à equipa de sala | Gerente | No dia em que a mudança começa |
| Voltar a medir | Repetir a mesma pergunta e comparar com 3,7 | Técnica de comunicação | Daqui a três meses |
Uma reclamação bem tratada vale por uma campanha: o cliente que viu o problema resolvido com cortesia e rapidez é muitas vezes mais fiel do que o que nunca teve problema. Regista tudo o que o cliente disse, no mesmo dia.
5. Públicos-chave e gestão de contactos e relacionamentos
O que é um público-chave
Um público é um grupo de pessoas com interesses ou características comuns que pode afetar a organização ou ser afetado por ela. Os públicos-chave são os que mais importam para o objetivo em causa. Identificá-los é o primeiro critério de desempenho do referencial, e o erro mais comum é responder "o público em geral". Não existe "o público em geral": existem grupos concretos com necessidades diferentes.
Como identificar e priorizar
Faz-se em três passos.
- Listar todos os grupos que podem ser afetados ou afetar a organização (clientes, equipa, fornecedores, agências, jornalistas, influenciadores, autarquia, residentes, concorrentes, entidades reguladoras, associações).
- Avaliar cada grupo em dois eixos: o interesse que tem no que a organização faz e a influência que pode exercer sobre o resultado.
- Decidir o tratamento:
| Interesse | Influência | Tratamento | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Alto | Alta | Gerir de perto, envolver, consultar | Jornalista de turismo do jornal regional; agência parceira principal; autarquia |
| Baixo | Alta | Manter satisfeito, informar nos momentos certos | Entidade reguladora; fornecedor crítico |
| Alto | Baixa | Manter informado e agradecido | Clientes habituais, residentes vizinhos |
| Baixo | Baixa | Acompanhar com comunicação geral | Público ocasional |
Na prática, muitos públicos ficam a meio caminho (interesse ou influência "média"). Regra para decidir: quando a influência é alta e o interesse é médio, trata-se como "gerir de perto", porque é a influência que pode ajudar ou bloquear a ação; quando o interesse é médio e a influência é baixa, "manter informado"; quando ambos são médios, "informar e acompanhar". Se tiveres dúvida entre dois quadrantes, escolhe o que dá mais cuidado ao público que pode travar o projeto.
Além disso, os públicos-alvo dos clientes (quem queremos que venha) segmentam-se por critérios como idade e fase de vida, origem, motivação de viagem, canais que usam e valores. Cada segmento pede uma mensagem e um canal.
Exemplo resolvido · mapa de públicos de uma entidade de turismo
O Posto de Turismo de Vila Serrana vai promover uma nova rede de percursos pedestres. Mapa de públicos:
| Público | Interesse | Influência | Prioridade | Mensagem de fundo |
|---|---|---|---|---|
| Praticantes de caminhada do distrito e de Lisboa | Alto | Média | Alta | Percursos bem marcados, graduados por dificuldade |
| Hotéis e alojamentos locais do concelho | Alto | Alta | Alta | Têm uma nova razão para ficar mais uma noite |
| Jornalistas de turismo, natureza e desporto | Médio | Alta | Alta | Produto novo e verificável |
| Clubes e associações de montanhismo | Alto | Média | Média | Parceiros nas inaugurações |
| Proprietários dos terrenos atravessados | Médio | Alta | Alta | Compromissos sobre segurança e limpeza |
| Residentes das aldeias | Médio | Média | Média | Impacto, regras e benefícios |
| Entidade regional de turismo | Alto | Alta | Alta | Divulgação em canais regionais |
A lista mostra o que muitos esquecem: os proprietários dos terrenos têm influência alta, porque podem bloquear um percurso, e os residentes, com influência média, também fazem parte do mapa, porque a licença social do percurso depende deles.
Gerir contactos: a lista de imprensa e a base de parceiros
Os contactos são um ativo da organização. Gerir contactos e relacionamentos é uma aptidão do referencial e inclui três tarefas: construir a lista, mantê-la e registar a relação.
A lista de imprensa (media list)
É um ficheiro com os jornalistas, editores, rádios, blogues e criadores de conteúdo relevantes. Cada entrada deve ter:
- nome, meio, secção ou área de cobertura (turismo, gastronomia, regional, economia);
- contacto profissional (correio eletrónico, telefone, rede preferida);
- tipo de meio (diário, semanário, rádio local, televisão, revista especializada, sítio digital) e alcance geográfico;
- histórico: o que já escreveu sobre a organização ou o destino, a data do último contacto, o que pediu;
- preferências conhecidas (formato, hora de fecho, língua).
Cuidado: os dados pessoais de jornalistas também estão protegidos. Usa-os para a finalidade profissional que justifica o contacto, mantém só o necessário, atualiza-os e atende de imediato a quem pedir para ser retirado da lista.
Escolher a quem enviar
O erro mais caro é enviar tudo a todos. Antes de cada envio, filtra pela pergunta: este jornalista cobre este assunto? Um comunicado sobre um prémio de gastronomia vai à secção de gastronomia, não ao desporto. Enviar à pessoa errada gasta a tua credibilidade. Na prática, aplica quatro testes a cada contacto:
- Cobre o assunto? Lê as últimas peças dessa pessoa ou desse meio.
- Chega ao público que quero? Um semanário regional chega aos residentes; uma revista de viagens, a quem planeia escapadas.
- Ainda vai a tempo? Uma revista mensal que fecha com semanas ou meses de antecedência pode já ter fechado o número em que querias sair.
- Tenho algo para este meio? Cada meio quer um ângulo diferente (a perspetiva escolhida para contar o assunto, a razão pela qual interessa àquele meio): a imprensa regional quer o emprego local, a de gastronomia quer a ementa.
Quem falha em dois testes fica de fora deste envio (mas continua na lista, para outras ocasiões).
Trabalhar a relação
Regras de uma relação saudável com a imprensa:
- Responder depressa. Os jornalistas trabalham com horas de fecho. Quem responde tarde fica de fora.
- Ser rigoroso. Dar números verificados e dizer "não sei, confirmo e ligo-lhe até às 17h" quando não se sabe.
- Ser útil sem pressionar. Oferecer fontes, imagens, contactos, ideias. Nunca exigir que se publique.
- Respeitar o trabalho editorial. Não pedir para ver o texto antes de sair; podes pedir para confirmar factos. O jornalista decide o que escreve.
- Não ocultar o que é desfavorável quando o assunto é público; explicar o contexto.
- Agradecer quando faz sentido, sem presentes que possam parecer compra de opinião.
- Tratar todos os meios com justiça, pequenos e grandes, nacionais e locais.
Editores, influenciadores e outros
O referencial cita também editores e influenciadores, "entre outros". Cada um tem uma lógica:
| Perfil | O que procura | Como se aborda | Cuidados |
|---|---|---|---|
| Jornalista de redação | Notícia, factos, fontes, imagem | Comunicado, contacto direto, convite | Respeitar prazos e independência |
| Editor | Pertinência e interesse para o seu público | Proposta curta de tema, com ângulo | Não insistir depois de uma resposta negativa |
| Criador de conteúdo ou influenciador | Experiência autêntica, conteúdo novo para a sua audiência | Proposta clara (o que oferece, o que espera), briefing, contrato quando há remuneração | Identificar a colaboração; escolher pelo ajuste ao público e pela qualidade, não só pela dimensão |
| Blogger de viagens | Histórias, detalhes úteis | Convite personalizado | Transparência sobre o que foi oferecido |
| Agente de viagens | Produto vendável, comissões, apoio | Visita, fam trip, material | Cumprir o prometido |
Escolher um criador de conteúdo só pelo número de seguidores é um erro comum. Vê se a audiência é do país e do perfil que te interessa, se os comentários mostram interação genuína, se os conteúdos anteriores respeitam a identificação de publicidade e se o estilo condiz com o teu destino.
Propor um tema a um editor
O editor recebe dezenas de propostas por dia: a tua tem de se entender em segundos. Escreve-a no corpo da mensagem, com até seis linhas.
- Assunto com o tema e o ângulo, sem alarmismo e sem pontos de exclamação.
- Primeira frase: o assunto e o ângulo, ligados ao que o meio já publicou (mostra que o conheces).
- Segunda frase: porque é agora (uma data, uma época, um evento).
- Terceira frase: o que ofereces (entrevista, fotografias autorizadas, dados verificáveis).
- Fecho: contacto direto e disponibilidade, sem exigir resposta nem prazo de publicação.
- Se a resposta for "não", agradece e não insistas; guarda o motivo no histórico do contacto.
O briefing a um criador de conteúdo
Quando convidas um criador, o briefing (o documento que combina o que cada parte faz) evita mal-entendidos e protege a organização. Inclui:
- Objetivo e público: o que queres que a audiência fique a saber.
- O que a organização oferece (estadia, refeições, experiência) e o que não oferece.
- O que o criador decide: o ângulo, o formato e a linguagem. A organização não escreve o guião nem aprova o conteúdo; pode oferecer-se para confirmar factos.
- O que se pede: entregáveis (número e formato das publicações), canais e prazos.
- Identificação: o criador identifica a colaboração no início de cada publicação (capítulo 3).
- Imagens e direitos: quem pode usar as imagens, para quê e durante quanto tempo; autorização das pessoas que aparecem.
- Pagamento e contrato: se houver remuneração, contrato escrito com o que cada parte faz.
- Contacto durante a visita e depois.
Um briefing nunca obriga a elogiar, nunca proíbe críticas e nunca pede que se esconda que a estadia foi oferecida.
Exemplo resolvido · construir e usar uma lista de imprensa
A empresa "Rota do Sado" quer apresentar o passeio de observação de golfinhos e tem de montar a lista em dois dias.
- Objetivo e área: produto novo de turismo de natureza em Setúbal e Península de Setúbal.
- Categorias: imprensa regional (semanário de Setúbal, rádio local), imprensa nacional com secção de turismo, revistas de viagens e natureza, sítios digitais de viagens, entidade regional de turismo, quatro criadores de conteúdo de natureza em Portugal.
- Pesquisa: consulta as últimas peças de cada meio sobre natureza e turismo para identificar o jornalista que cobre o tema.
- Registo: folha de cálculo com nome, meio, contacto, tema, último contacto, observações.
- Segmentação do envio: o comunicado vai às 12 pessoas da imprensa; o convite para experimentar o passeio vai só a 5 (as mais relevantes); aos criadores segue uma proposta personalizada.
- Seguimento: 48 horas depois, um contacto curto a quem demonstrou interesse; os restantes recebem apenas informação adicional se pedirem.
- Atualização: depois do envio, regista quem respondeu, quem publicou e o que pediu.
Exemplo resolvido · a proposta a um editor e o briefing a uma criadora
A Casa do Olival Manso abre, nos fins de semana de novembro, a apanha da azeitona aos hóspedes, com a dona e um pequeno lagar familiar. A técnica de RP quer uma peça numa revista mensal de gastronomia ("Mesa & Terra", nome fictício) e uma colaboração com uma criadora de conteúdo.
Passo 1 · Escolher. A revista passa os quatro testes: cobre azeites e produtores pequenos, os leitores planeiam escapadas gastronómicas, o número de novembro, que sai antes dos fins de semana da apanha, ainda não fechou (confirma-se por telefone) e há um ângulo próprio. A criadora, de Lisboa, escreve sobre escapadas de fim de semana, tem comentários de pessoas reais e já identificou colaborações anteriores.
Passo 2 · Proposta ao editor.
"Assunto: Apanha da azeitona com hóspedes, um lagar familiar do Alentejo abre a colheita ao público
Bom dia, Rui Neves. A Mesa & Terra publicou no verão um texto sobre azeites de pequena escala, e por isso escrevo-lhe. A Casa do Olival Manso, alojamento local de seis quartos numa aldeia alentejana, abre nos fins de semana de novembro a colheita da azeitona aos hóspedes, com a dona e um lagar familiar: o ângulo é o azeite que se acompanha desde a árvore até à garrafa. Posso oferecer uma entrevista com a dona, fotografias com autorização e os dados da produção. Se for útil para o número de novembro, diga-me o que precisa e para quando. Contacto direto: (nome, telefone). Cumprimentos."
Passo 3 · Briefing à criadora. Objetivo: dar a conhecer a experiência a quem procura escapadas de outono. A casa oferece duas noites, refeições e a participação na apanha. A criadora decide o ângulo, o formato e o texto; a casa confirma factos se ela pedir. Pede-se uma publicação e três stories, entre 6 e 20 de novembro (datas fictícias do exemplo). A criadora identifica a colaboração no início de cada publicação. As imagens podem ser usadas pela casa no site, com crédito, durante um ano; as pessoas que aparecem autorizam por escrito. Não há pagamento, e por isso não há contrato, mas o briefing fica guardado por escrito. Contacto durante a visita: a dona.
Passo 4 · Registo. Na lista de imprensa: data do envio, resposta, o que foi pedido e o que ficou combinado.
Análise: a proposta ao editor cabe em seis linhas, tem ângulo, razão de oportunidade e oferta concreta, e não pressiona. O briefing diz o que cada parte faz e protege a independência da criadora.
6. Mensagens estratégicas
O que é uma mensagem estratégica
Uma mensagem estratégica é a ideia que a organização quer que um público específico compreenda, retenha e, se possível, ponha em prática, formulada de modo a servir o objetivo das relações públicas. O critério do referencial é claro: desenvolver mensagens estratégicas de acordo com os objetivos. A mensagem nasce do objetivo e do público, não do gosto de quem escreve.
Uma mensagem estratégica é:
- Verdadeira: assenta em factos que se podem demonstrar.
- Clara: percebe-se à primeira leitura, sem jargão.
- Relevante: responde ao que o público quer saber ("o que ganho com isto?").
- Coerente: não contradiz o que a organização faz nem o que disse antes.
- Distintiva: diz algo que só esta organização pode dizer.
- Memorável: cabe numa frase que se repete.
Da ideia central às provas
Um esquema útil, que se usa com este nome ou como message house, é a casa de mensagens: uma mensagem central, três argumentos de apoio e as provas de cada um. É um esquema didático, entre outros possíveis; se na tua organização se usar outro com a mesma lógica (ideia central, argumentos, provas), adapta-o.
| Nível | Pergunta | Exemplo (Hotel Miradouro do Tejo, escapada de outono) |
|---|---|---|
| Mensagem central | Qual é a ideia que queremos que fique? | "O Miradouro do Tejo é uma escapada de outono sossegada, sobre o rio, a uma hora de Lisboa." |
| Argumento 1 | Porque é verdade? | "Está num miradouro sobre o rio, longe do ruído." |
| Prova 1 | Que facto o sustenta? | Fotografias, localização, testemunhos de hóspedes reais |
| Argumento 2 | "A cozinha é feita com produtos da região." | |
| Prova 2 | Lista de fornecedores locais, menu da estação | |
| Argumento 3 | "Há atividades para fazer sem carro." | |
| Prova 3 | Percursos a pé e passeio de barco com a empresa parceira |
A mesma ideia central tem de ser dita de formas diferentes a públicos diferentes, mas o conteúdo não pode mudar: a imprensa recebe o dado e o contexto, o cliente recebe o benefício, a agência recebe as condições comerciais, a equipa recebe as respostas às perguntas difíceis.
Adaptar ao público e ao canal
| Público | O que valoriza | Tom | Canal |
|---|---|---|---|
| Hóspedes potenciais | Inspiração, preço, o que fazer | Próximo e visual | Redes sociais, site |
| Jornalistas | Novidade, dados, ângulo local | Objetivo e factual | Comunicado, contacto direto |
| Agências | Condições, disponibilidade, comissões | Profissional e preciso | Correio eletrónico, apresentação |
| Equipa | Clareza, respeito, motivos | Direto e humano | Reunião, quadro, grupo interno |
| Autarquia e residentes | Benefícios e respeito pelas regras | Cooperante | Reunião, carta, sessão pública |
Evitar as armadilhas da mensagem
- Superlativos vazios ("o melhor", "único no mundo", "incomparável"): ninguém os verifica e ninguém acredita. Prefere factos ("o único hotel do concelho com acesso direto ao rio").
- Jargão e palavras de empresa ("soluções integradas", "experiência premium"): o leitor não vê nada.
- Promessas que o produto não cumpre.
- Mensagens em excesso: três ideias principais no máximo.
- Falar de si em vez do público: a mensagem diz "temos 40 anos" quando o leitor quer saber "o que ganho".
Perguntas e respostas antecipadas
Para cada ação, escreve as dez perguntas mais difíceis que um jornalista, um cliente ou um residente poderia fazer, e prepara respostas curtas e verdadeiras. Isto vale para o lançamento de um produto e vale em dobro numa crise. O treino faz-se com a equipa e com o porta-voz.
Exemplo resolvido · a mensagem do posto de turismo
O Posto de Turismo de Vila Serrana inaugura a Rede de Percursos da Serra: 6 percursos pedestres de dificuldade variada, marcados e com mapa digital.
- Objetivo: que, durante o outono, pelo menos 40% dos visitantes que passam no posto peçam informação sobre os percursos, e que três meios regionais publiquem peças sobre a rede.
- Público principal: caminhantes ocasionais e famílias; público secundário: imprensa e alojamentos.
- Mensagem central: "Seis percursos para descobrir a Serra a pé, para quem caminha pela primeira vez e para quem já tem muitos quilómetros."
- Argumentos: (a) estão marcados e graduados por dificuldade; (b) passam por aldeias, miradouros e cursos de água; (c) há mapa gratuito no posto e na internet.
- Provas: quilómetros e tempo médio de cada percurso, número de marcas colocadas, data da última verificação no terreno.
- Frase para a imprensa: "A Rede de Percursos da Serra reúne seis itinerários marcados, entre 4 e 14 quilómetros, com acesso a partir do centro da vila."
- Frase para o alojamento: "Os seus hóspedes recebem o mapa gratuito e podem planear dois dias de caminhada."
- Verificação: a frase de imprensa é verdadeira e verificável, não usa superlativos, e fala de factos. Passa o teste.
7. Do objetivo ao plano: operacionalizar ações de relações públicas
Operacionalizar
A primeira realização do referencial é operacionalizar ações de relações públicas no turismo. Operacionalizar é transformar intenções em tarefas, prazos, responsáveis e meios. Sem plano, as RP ficam em boas ideias e mensagens esquecidas.
Os passos do plano
- Diagnóstico. Onde estamos? O que pensam os públicos? Que oportunidades e riscos existem? (Capítulos 1, 4 e 5.)
- Objetivos. O que queremos alcançar, de forma concreta, medível, realista e com prazo?
- Públicos-chave. Prioridades, do mapa.
- Mensagens. Central, argumentos e provas, adaptadas.
- Ações e canais. Que ferramentas usar (comunicado, press kit, evento, press trip, redes sociais)?
- Calendário. Quando se faz cada coisa e com que antecedência.
- Orçamento e recursos. Dinheiro, tempo e pessoas.
- Responsáveis. Quem faz o quê.
- Indicadores e avaliação. Como saberemos se resultou?
- Plano de contingência. O que fazer se algo correr mal (capítulo 14).
Objetivos bem escritos
Um objetivo de RP escrito com rigor responde a quatro perguntas: o quê, quanto, para quem, até quando. Compara.
| Fraco | Melhor |
|---|---|
| "Dar a conhecer o hotel" | "Obter até 30 de novembro pelo menos 4 publicações em meios regionais e de turismo que descrevam o hotel como destino de escapadas de natureza" |
| "Melhorar a imagem" | "Subir de 3,7 para 4,2, até ao fim do semestre, a média de satisfação do pequeno-almoço, medida no inquérito" |
| "Estar nas redes sociais" | "Publicar três vezes por semana durante dois meses e responder às mensagens no mesmo dia útil e às avaliações em 48 horas" |
O calendário de RP
A imprensa trabalha com antecedências. Como regra de partida, confirma sempre com cada meio:
- revistas mensais planeiam com alguns meses de antecedência; um evento de dezembro tem de lhes chegar no verão;
- semanários e rádios trabalham com semanas;
- diários e sítios digitais trabalham com dias e, na atualidade, com horas;
- eventos grandes precisam de pré-aviso (save the date) e de convite formal;
- feiras exigem preparação de meses, do material às marcações.
Convém também olhar para o calendário do setor: o Dia Mundial do Turismo (27 de setembro), instituído pela Organização Mundial do Turismo, as feiras de turismo, como a BTL em Lisboa, os feriados e pontes, as épocas altas e baixas, os eventos locais. Cada um é uma oportunidade para ancorar uma notícia.
Avaliar: do que se fez ao que mudou
A avaliação distingue três níveis:
| Nível | O que mede | Exemplo | Como se recolhe |
|---|---|---|---|
| Atividade (o que fizemos) | Ações realizadas | 1 comunicado enviado a 40 contactos, 1 press trip com 5 jornalistas | Registo interno |
| Resultado imediato (o que saiu) | Cobertura obtida | 6 publicações, tom favorável, mensagem-chave presente | Revista de imprensa (clipping), alertas |
| Efeito (o que mudou) | Alteração de conhecimento, perceção ou comportamento | Subida de notoriedade ou melhor imagem de marca, mais pedidos de informação, mais reservas diretas, melhor avaliação média | Inquérito, estatísticas do site, reservas |
A revista de imprensa (clipping) reúne as peças publicadas sobre a organização, com meio, data, tom (favorável, neutro, desfavorável), presença da mensagem-chave e imagens. Serve para ver o que saiu e aprender com os desvios. O que importa não é só o número de peças: uma peça num jornal regional lida pelos residentes pode valer mais do que dez menções num sítio sem leitores.
Exemplo resolvido · plano de RP para um festival local
O Posto de Turismo de Vila Serrana organiza o Festival da Castanha, a 7 e 8 de novembro de 2026 (sábado e domingo), e quer chegar a 3 000 visitantes (mais 20% do que no ano anterior) e conseguir cobertura regional.
| Item | Decisão |
|---|---|
| Diagnóstico | O festival é conhecido localmente, mas pouco fora do distrito. Os alojamentos ficam esgotados só no sábado. |
| Objetivos | Atingir 3 000 visitantes; ter 5 peças em meios regionais e de turismo até 8 de novembro; que 30% dos visitantes venham de fora do distrito, medido por inquérito à entrada. |
| Públicos | Famílias e casais do distrito e da área de Lisboa; imprensa regional e de gastronomia; alojamentos; produtores; entidade regional de turismo. |
| Mensagem central | "Dois dias de castanha, sabores e tradição na Serra: do magusto à mesa do chefe." |
| Ações | Comunicado a 6 semanas do evento; press kit (programa, fotografias, mapa, contactos); convite a 6 jornalistas para uma visita antecipada aos produtores; publicações semanais nas redes sociais; contacto com os alojamentos para pacotes de fim de semana; cartaz e rádio local. |
| Calendário | S-6: comunicado e convites; S-4: press trip aos produtores; S-2: publicações diárias nas redes; S-1: lembrete à imprensa; dias 7 e 8: acompanhamento e fotografias; S+1: revista de imprensa e inquérito. |
| Responsáveis | Técnica de RP: imprensa e conteúdos; coordenador do posto: parcerias; presidente da câmara (ou vereador do turismo): porta-voz. |
| Orçamento | Cartazes, impressão do press kit, deslocação da press trip, anúncio de rádio: valor total aprovado pela câmara. |
| Indicadores | Visitantes contados, peças obtidas, origem dos visitantes (inquérito), reservas dos alojamentos, interação nas redes. |
| Contingência | Em caso de chuva forte, mensagem alternativa e espaço coberto; em caso de acidente, porta-voz e procedimento de crise (capítulo 14). |
A tabela é o plano em uma página. Quem a lê percebe o objetivo, o que se faz, quando e como se verifica.
8. Comunicado de imprensa, press kit e histórias de destaque
Porque se escrevem comunicados
O comunicado de imprensa (também chamado press release) é o texto curto, factual e objetivo que uma organização envia aos meios de comunicação para dar a conhecer uma novidade com interesse noticioso. Redigir press releases é uma aptidão explícita do referencial. Um bom comunicado poupa tempo ao jornalista: dá-lhe os factos, as citações e os contactos de que precisa para escrever a notícia em poucos minutos. Um mau comunicado vai para o lixo em dez segundos.
O que torna um assunto noticiável
Antes de escrever, pergunta se há notícia. Os jornalistas procuram alguns elementos:
| Critério | Pergunta | Exemplo no turismo |
|---|---|---|
| Novidade | É recente ou inédito? | Primeiro passeio de observação de golfinhos ao nascer do sol |
| Proximidade | Interessa aos leitores deste meio? | Um projeto de uma empresa do concelho, no jornal do concelho |
| Impacto | Afeta muitas pessoas ou muda alguma coisa? | Cria 12 postos de trabalho; abre uma nova rota |
| Pessoas | Há uma história humana? | A dona do alojamento que recuperou a casa dos avós |
| Números | Há dados concretos e verificáveis? | 6 percursos, 52 quilómetros, 140 marcas |
| Oportunidade | Liga-se a algo que está a acontecer? | Dia Mundial do Turismo, época de vindima |
| Curiosidade | É invulgar? | O hotel que fecha para recolher a azeitona com os hóspedes |
Se não conseguires dizer em uma frase "isto é notícia porque...", não escrevas ainda.
Estrutura do comunicado
O comunicado segue a pirâmide invertida: o mais importante vem primeiro e os pormenores vão descendo. Assim, o jornalista (ou o editor, que corta de baixo para cima) lê o essencial logo ao início.
| Parte | O que contém | Dicas |
|---|---|---|
| Identificação | Logótipo, "Comunicado de imprensa", data, indicação de embargo se existir | Se houver embargo, escreve a hora exata |
| Título | A notícia numa frase, com verbo | Curto, factual, sem superlativos |
| Subtítulo (opcional) | Complemento ao título | Acrescenta um dado, não repete |
| Parágrafo de abertura (lead) | Responde às perguntas: quem, o quê, quando, onde, porquê (e como) | Máximo 3 linhas, o essencial |
| Corpo | Desenvolve: pormenores, números, contexto | Parágrafos curtos, um assunto por parágrafo |
| Citação | Uma declaração de um responsável, com nome e cargo | Deve acrescentar opinião ou emoção, não repetir dados |
| Serviço | Datas, horas, locais, preços, como reservar | Em lista, fácil de copiar |
| Sobre a organização (boilerplate) | Parágrafo curto e permanente que descreve quem somos | Atualizado e sem superlativos |
| Contacto | Nome, telefone, correio eletrónico de quem responde a jornalistas | Alguém que atende de facto |
| Imagens | Indicação de hiperligação com fotografias de qualidade e créditos | Autorizadas para uso editorial |
Embargo. É o pedido para que a informação só seja publicada a partir de uma data e hora. Acorda-se previamente com o jornalista, que só o respeita se o tiver aceitado: não se impõe. Usa-se com moderação, em informação que precisa de tempo para ser trabalhada, e escreve-se sempre o dia e a hora exatos. Nunca se aplica a quem não concordou, e não serve para comunicados correntes.
Regras de estilo
- Uma página, cerca de 300 a 400 palavras. Mais do que isso, vai para o press kit.
- Frases curtas, voz ativa, verbos no tempo certo ("abre", "inaugura", "recebe").
- Factos antes de adjetivos. "Quinze quartos renovados" em vez de "magníficos quartos".
- Datas absolutas (sábado, 7 de novembro), nunca "este fim de semana", porque o texto pode ser lido noutro dia.
- Nomes completos e cargos corretos, escritos como o titular escreve. Verifica a grafia de tudo.
- Uma só notícia por comunicado.
- Cita fontes e números: "segundo os dados do inquérito de satisfação de 2025".
- Nunca mintas nem exageres. A confiança do jornalista perde-se à primeira.
- Revê ortografia, números e nomes antes de enviar. Um erro num comunicado é publicado como foi escrito.
- Envia no corpo da mensagem (e não só em anexo), com assunto claro e as imagens em hiperligação ou em ficheiros leves.
O comunicado completo e comentado
Exemplo resolvido · um comunicado de imprensa completo
Cenário: a empresa "Rota do Sado" lança um novo passeio. Segue-se o comunicado; por baixo de cada parte vem um comentário.
COMUNICADO DE IMPRENSA Setúbal, 26 de fevereiro de 2026 Para publicação imediata
Comentário: a data e a indicação de publicação imediata dizem ao jornalista que pode usar já. Se houvesse embargo, escrevia-se "Embargado até às 10h00 de 3 de março".
Rota do Sado estreia passeio de barco ao nascer do sol para observar golfinhos no estuário
Comentário: título com verbo ("estreia"), o que é e onde. Sem "fantástico" nem "imperdível".
A saída diária, às 6h30, a partir do cais de Setúbal, começa a 15 de março e leva grupos de até 12 pessoas
Comentário: o subtítulo acrescenta factos práticos que não cabiam no título.
Setúbal. A Rota do Sado, empresa de animação turística com sede em Setúbal, estreia a 15 de março um passeio de barco ao nascer do sol para observar golfinhos-roazes no estuário do Sado, com saída às 6h30 do cais de Setúbal.
Comentário: o lead responde a quem (Rota do Sado), o quê (passeio de barco para observar golfinhos), quando (15 de março, 6h30), onde (estuário do Sado, cais de Setúbal). Em três linhas o jornalista tem a notícia.
O passeio dura cerca de duas horas e meia, é feito em barcos com capacidade máxima de 12 passageiros e é acompanhado por um guia-intérprete de natureza. A empresa limita o número de saídas diárias e respeita a distância e as regras de aproximação a cetáceos previstas na legislação aplicável.
Comentário: o corpo desenvolve o que o lead anunciou, com dados concretos. A referência às regras de proteção das espécies responde a uma pergunta que o jornalista faria. Não se cita número de artigo porque não é essencial.
"Queríamos criar uma forma de conhecer o estuário que respeitasse os animais e que desse às pessoas uma razão para acordar cedo. O nascer do sol é o melhor momento para ver o Sado calmo e é também a hora em que há mais movimento de golfinhos", explica Mariana Louro, diretora da Rota do Sado.
Comentário: a citação traz razão e emoção, com nome e cargo. Se tirares a citação, a notícia continua a fazer sentido, mas fica mais fria.
Informação prática
- Data de estreia: 15 de março de 2026
- Horário: saída diária às 6h30 (março a novembro)
- Duração: cerca de 2h30
- Preço: 45 euros por adulto; 25 euros por criança dos 6 aos 12 anos
- Reservas: www.exemplo-rotadosado.pt ou 265 000 000 (números fictícios)
- Condições: em caso de mau tempo, o passeio é reagendado ou reembolsado
Comentário: o serviço em lista permite copiar e colar. Todos os preços e horários podem ser verificados.
Sobre a Rota do Sado A Rota do Sado é uma empresa de animação turística fundada em 2014, com sede em Setúbal. Organiza passeios de barco, visitas guiadas e atividades de natureza no estuário do Sado e na Serra da Arrábida, e emprega 9 pessoas na época alta.
Comentário: o parágrafo permanente (boilerplate) é igual em todos os comunicados, factual e sem adjetivos.
Contacto para a imprensa Rui Cardoso, responsável de comunicação rui@exemplo-rotadosado.pt | 910 000 000 (fictícios) Fotografias em alta resolução, autorizadas para uso editorial, disponíveis em hiperligação.
Comentário: um contacto direto e uma frase a dizer que as imagens existem e podem ser usadas. Os jornalistas escolhem mais depressa quando já têm fotografias.
Análise do conjunto: o comunicado tem cerca de 330 palavras, uma notícia, factos verificáveis, uma citação, informação de serviço, contacto e imagem. Está pronto a enviar à imprensa regional, aos meios de natureza e à entidade regional de turismo.
O assunto da mensagem e o envio
O correio eletrónico de envio é parte do trabalho. Um assunto claro ("Comunicado: Rota do Sado estreia passeio de golfinhos ao nascer do sol, a 15 de março") ajuda a decidir se se abre. No corpo, uma saudação curta e personalizada, o comunicado colado por baixo (para quem não abre anexos) e, no fim, o contacto direto. Envia-se numa hora razoável da manhã dos dias úteis, evitando segundas muito cedo e vésperas de feriado. Cada jornalista deve receber uma mensagem só para si; o endereço dos restantes não deve ficar visível.
O press kit
O press kit (ou dossier de imprensa) é a pasta de informação de base que se entrega a quem quer escrever sobre a organização ou sobre um evento. Pode ser física, mas hoje costuma ser uma pasta digital numa hiperligação. Serve para o jornalista ter tudo à mão sem pedir.
| Conteúdo | Descrição |
|---|---|
| Apresentação da organização | Quem somos, história, valores, em uma página |
| Ficha técnica (factsheet) | Os dados essenciais em lista: ano, localização, capacidade, número de quartos, línguas faladas, contactos |
| Comunicado atual | A notícia do momento |
| Comunicados anteriores | Os últimos relevantes |
| Biografias | Responsáveis, chefe de cozinha, guias, em dez linhas cada |
| Imagens | Fotografias com boa resolução, legendas, créditos e indicação dos direitos de uso; logótipo em diferentes formatos |
| Vídeo | Vídeo curto ou ligação |
| Prémios e certificações | Com data e entidade que atribuiu |
| Perguntas frequentes | As dez respostas mais úteis |
| Contactos | Pessoa responsável, horário, forma de resposta mais rápida |
| Mapa e acessos | Como chegar |
Regras do press kit: atualiza-o sempre que há mudança; nomeia os ficheiros de forma clara ("hotel-miradouro-fachada.jpg", e não "IMG_2043.jpg"); indica os direitos de uso das imagens (quem as fez, para que se podem usar), porque publicar uma imagem de alguém sem autorização cria um problema para o meio e para a organização; confirma que as pessoas que aparecem autorizaram a divulgação da sua imagem.
Exemplo resolvido · a ficha técnica de um alojamento
A ficha técnica (factsheet) cabe numa página e responde, sem texto corrido, às perguntas que um jornalista, uma agência ou um criador fazem sempre. Cada linha é um facto que se pode verificar. Exemplo para o Hotel Miradouro do Tejo (dados fictícios):
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome e localização | Hotel Miradouro do Tejo, (morada completa), Santarém; centro histórico, com vista para o rio, a cerca de uma hora de Lisboa |
| Abertura | 1998; renovado em 2024 |
| Quartos | 26: 20 duplos, 4 familiares com vista para o rio e 2 adaptados a pessoas com mobilidade reduzida |
| Restauração | Restaurante com 60 lugares e produtos da região; bar; pequeno-almoço incluído nas tarifas |
| Espaços | Piscina interior; sala de eventos para 80 pessoas; esplanada com vista |
| Serviços | Wi-Fi gratuito em todo o edifício; estacionamento limitado, com 12 lugares |
| Horários | Check-in a partir das 16h00; check-out até às 11h00; receção 24 horas |
| Línguas faladas | Português, inglês e espanhol |
| Acessibilidades | Elevador; entrada sem degraus pela rua lateral; dois quartos adaptados |
| Preço de referência | Quarto duplo com pequeno-almoço, a partir de 85 euros por noite (valor fictício, a atualizar em cada época) |
| Reservas | Telefone, correio eletrónico e sítio do hotel (endereços completos) |
| Contacto de imprensa | Nome, cargo, telefone e correio eletrónico de quem atende de facto |
| Imagens | Ligação para a pasta de fotografias, com legendas, créditos e direitos de uso |
| Atualizada em | 12 de outubro de 2026 |
Como usar: atualiza a ficha sempre que um dado muda (preços, línguas, obras), escreve a data da última atualização e junta-a ao press kit, ao sítio e às propostas de parceria. Não escrevas aqui adjetivos como «magnífico» ou «único»: a ficha é só factos, e os dados que não consegues confirmar ficam de fora.
Histórias de destaque
O comunicado dá a notícia; a história de destaque (feature story, também dita reportagem de enquadramento) conta uma narrativa que dá sentido, personalidade e emoção ao destino. Serve a imprensa, o blogue, as redes sociais e a newsletter. O referencial pede conteúdo de media como "comunicados de imprensa, press release, histórias de destaque, entre outros".
Elementos de uma boa história:
- Uma pessoa com nome e cara (a doceira, o pescador, a guia, o jardineiro do hotel).
- Um lugar concreto, descrito com detalhes sensoriais (cheiro, luz, som).
- Um desafio ou uma escolha: o que mudou, o que estava em risco.
- Um pormenor verificável (datas, receitas, números).
- Uma ligação ao produto, sem lhe fazer publicidade explícita.
- Autenticidade. Nada de personagens inventadas nem de episódios embelezados.
Antes de publicar uma história sobre uma pessoa (colaborador, cliente, residente), obtém o seu consentimento por escrito: para o texto, para as imagens, para os sítios onde será publicado, com a possibilidade de o retirar. Mostra-lhe o texto e as imagens que a envolvem e permite-lhe corrigir erros factuais. Se aparecem menores, a autorização é de quem exerce a responsabilidade parental. É uma questão de respeito e de proteção de dados e de imagem.
Exemplo resolvido · de uma conversa a uma história de destaque
O Hotel Miradouro do Tejo compra mel a um apicultor de uma aldeia vizinha. A técnica de RP quer transformar isso em conteúdo.
- Ângulo: "o mel do pequeno-almoço tem nome, rosto e colmeias a 6 km do hotel".
- Recolha: visita ao apicultor, fotografias com consentimento, notas sobre a vida dele (fez-se apicultor depois de se reformar de uma fábrica), números verificáveis (60 colmeias, mel de rosmaninho, extração em maio e agosto).
- Estrutura: abertura com uma cena (as colmeias ao amanhecer), apresentação do protagonista, o que faz diferente (mel sem mistura, em frascos de vidro), a ligação ao hotel (o chefe usa o mel na sobremesa), citação do apicultor, convite para visitar (visita guiada às colmeias, sob reserva).
- Formatos: um texto de 400 palavras para o blogue e para enviar à imprensa regional; quatro fotografias; um vídeo de 45 segundos para as redes sociais; uma versão curta para a newsletter.
- Revisão: o apicultor lê e aprova a versão final, corrige o número de colmeias (afinal eram 62).
- Resultado a medir: número de visitas ao texto, pedidos de visita às colmeias, peças na imprensa regional.
9. Produção de conteúdo offline e online
Duas famílias de conteúdo
A segunda realização do referencial é criar conteúdos offline e online nas plataformas digitais. Os dois mundos complementam-se: o cartaz chama a atenção na rua, o código QR leva ao sítio, o sítio leva à reserva, a avaliação online ajuda o próximo cliente a decidir.
| Tipo | Exemplos | Pontos fortes | Cuidados |
|---|---|---|---|
| Offline | Folhetos, mapas, brochuras, cartazes, sinalética, cartões, menus, publicações em revistas, rádio local, correio postal, merchandising, materiais de feiras | Presença física, boa leitura no local, prestígio de alguns suportes | Custo de impressão, difícil de atualizar, é preciso ter a distribuição planeada |
| Online | Sítio web, blogue, newsletter, redes sociais, vídeo, podcasts, perfil da empresa em mapas e motores de pesquisa, plataformas de reservas e de avaliações, correio eletrónico | Alcance, atualização rápida, medição, interação | Mudança constante de plataformas, exige presença regular, exposição pública |
O processo de produção de conteúdo
Em qualquer formato, o trabalho tem as mesmas etapas.
- Briefing. Para quem? Com que objetivo? Que mensagem? Que formato? Para quando? Quanto custa?
- Ideia e guião. Qual a história? Que imagens e textos? Quem aparece?
- Produção. Texto, fotografia, vídeo, gravação, design.
- Revisão. Ortografia, números, nomes, direitos de imagem, tom, acessibilidade.
- Aprovação. Quem diz sim: o responsável da organização.
- Publicação ou distribuição. No momento e no canal certos.
- Medição e aprendizagem. O que resultou?
Em organizações pequenas, uma só pessoa faz tudo. Isso torna a lista de verificação ainda mais útil.
Boas práticas de texto
- Escreve para a pessoa que lê, na segunda pessoa ou de forma impessoal, mas sempre com respeito.
- Frases curtas, uma ideia por frase, verbos fortes.
- Títulos que dizem o conteúdo.
- Evita siglas sem explicar na primeira vez.
- Produz em português e, sempre que o público o exija, em inglês e noutras línguas, com tradução cuidada e não automática sem revisão.
- Cita sempre a fonte de dados, e nunca publiques números que não sabes explicar.
Imagem, vídeo e direitos
- Usa imagens com boa luz, enquadramento e resolução, que mostrem o que é real. Retocar para enganar (quarto maior, praia sem pessoas) é publicidade enganosa.
- Direitos de autor. Quem faz uma fotografia ou um texto é, em regra, titular de direitos sobre a obra. Para usar uma imagem que não é tua precisas de autorização ou de licença que a permita. Não retires imagens da internet sem verificar.
- Pessoas. Se aparecem pessoas identificáveis, precisas de autorização para publicar a imagem (a regra do direito à imagem e do regulamento de proteção de dados vista no capítulo 3). Menores exigem a autorização de quem exerce a responsabilidade parental.
- Legendas e texto alternativo nas imagens: ajudam pessoas com dificuldades visuais, melhoram a pesquisa e dão contexto.
- Vídeos curtos, com legendas, porque muita gente vê sem som.
Acessibilidade
Comunicar bem é comunicar para todos. Letra legível com bom contraste nos materiais impressos, informação em linguagem simples, texto alternativo nas imagens, vídeos legendados, indicação clara de acessos e de condições de acessibilidade do espaço. É uma obrigação ética e uma vantagem comercial.
Conteúdo offline: cartaz, folheto, mapa e menu
O conteúdo offline tem uma regra que o online perdoa mais: o que se imprime não se corrige. Um erro numa publicação apaga-se em segundos; um erro em 500 folhetos fica na rua. Por isso a técnica é a de planear antes de desenhar.
1. Hierarquia de informação. Um cartaz lê-se em poucos segundos e a alguma distância. Organiza-o em três níveis: um título curto (o que é), três informações essenciais (quando, onde e o que inclui ou custa) e uma chamada à ação (como reservar ou saber mais). Tudo o resto fica de fora. Um folheto admite mais texto, mas segue a mesma ordem; um mapa precisa de legenda, orientação e escala; um menu, de pratos agrupados e preços visíveis.
2. Legibilidade. Letra grande o suficiente para o título se ler de longe, contraste forte entre texto e fundo, no máximo dois tipos de letra e espaço em branco. Texto sobre fotografia só com um fundo que garanta a leitura.
3. Língua. Em português e, quando o público o exige, noutra língua (em regra, inglês), com tradução revista por quem a domina.
4. Código QR. Leva o leitor do papel ao ecrã. Testa-o com mais de um telemóvel antes de imprimir, faz com que abra diretamente a página certa (a de reservas ou a do programa) e garante que essa página continua a funcionar depois do evento.
5. Datas e validade. Datas absolutas, com o ano; indica até quando a oferta ou o preço são válidos. No menu, preços e informação sobre alergénios claros, conforme as regras aplicáveis à restauração (consulta-as antes de imprimir).
6. Imagens e pessoas. Só imagens sobre as quais tens direitos e só pessoas que autorizaram (ver "Imagem, vídeo e direitos", neste capítulo).
7. Prova antes de imprimir. Duas pessoas leem o texto completo, confirmam nomes, números e datas e veem uma prova em papel (as cores e as dimensões mudam do ecrã para a impressão).
8. Tiragem, custo e distribuição. Quantos exemplares, quanto custa cada um e onde vão ficar (posto de turismo, alojamentos, comércio local). Não imprimas informação que vai mudar durante a vida do material.
9. Medir. Um código QR com ligação própria permite contar as visitas vindas do papel; pergunta também "como soube de nós?" nas reservas.
Exemplo resolvido · o cartaz do Festival da Castanha
O Posto de Turismo de Vila Serrana quer um cartaz A3 para postos de turismo, alojamentos e comércio local. Factos: festival a 7 e 8 de novembro de 2026, das 10h às 19h, na praça central, entrada livre, programa completo no sítio do posto.
Versão fraca: "Vem aí o maior e o melhor festival de sempre!!! Não podes perder! Castanhas, música, animação, mercado, tradições, gastronomia, passeios, e muito mais! Informações em www.exemplo-vilaserrana.pt. Organização: Posto de Turismo de Vila Serrana, com o apoio de várias entidades."
Porque falha: superlativos que não se provam, nenhuma data nem hora, sete ideias sem hierarquia, ligação por escrito que ninguém vai copiar, nada para quem não lê português.
Versão boa (texto completo):
Festival da Castanha de Vila Serrana
Dois dias de magusto, sabores e tradição na Serra
Sábado, 7, e domingo, 8 de novembro de 2026
10h às 19h · Praça Central, Vila Serrana
Entrada livre
Programa completo e alojamento: leia o código QR ou visite www.exemplo-vilaserrana.pt
Chestnut Festival · 7 and 8 November 2026 · Free entry
Organização: Posto de Turismo de Vila Serrana
Porque funciona: o título diz o que é; as três informações (quando, onde, quanto custa) leem-se de longe; a chamada à ação é uma só, com código QR; há uma linha em inglês; a data inclui o ano.
Lista de verificação antes de imprimir: o código QR foi testado com dois telemóveis e abre o programa; as datas batem com o comunicado; o contraste foi visto em papel; a tiragem (300 exemplares, valor fictício) e os locais de distribuição estão definidos.
Newsletter e correio eletrónico de marketing
A newsletter é uma das ferramentas mais eficazes para manter a relação com os clientes, mas obedece a uma regra que muitos esquecem. Antes de enviar newsletters ou ofertas por correio eletrónico a pessoas singulares, obtém consentimento prévio. A lei admite o envio a clientes anteriores de produtos ou serviços semelhantes, desde que, na recolha do contacto e em cada mensagem, haja uma forma fácil e gratuita de recusar. Esta regra consta da lei da privacidade nas comunicações eletrónicas (Lei n.º 41/2004) e é distinta do regulamento de proteção de dados, que também se aplica ao tratamento dos contactos. Consulta o diploma para as condições exatas. Na prática: numa feira, usa um cartão de contacto com uma caixa para assinalar o consentimento; no site, um formulário com essa caixa; em todas as mensagens, uma ligação visível para cancelar a subscrição.
As redes sociais
As redes sociais permitem falar diretamente com os públicos, mostrar o dia a dia e receber respostas. Para quem trabalha em turismo, são montra, balcão de atendimento e arquivo de provas sociais (as opiniões e as imagens de outros clientes que mostram que o serviço merece confiança) ao mesmo tempo. O referencial fala em social media como ferramenta de comunicação do turismo e de cobertura.
Como escolher onde estar
Não é preciso estar em todas. Escolhe pelas respostas a três perguntas: onde estão os meus públicos? Que formato sei fazer bem (fotografia, vídeo curto, texto, atualização rápida)? Consigo manter a presença com regularidade? Uma conta bem tratada vale mais do que cinco abandonadas. Os números de utilizadores e as regras de cada plataforma mudam muito depressa, por isso consulta sempre dados atuais antes de decidir.
Pilares de conteúdo
Define três a cinco temas fixos para evitar o "publicamos o que calhar". Para o Hotel Miradouro do Tejo, por exemplo: (1) o rio e a paisagem, (2) a cozinha e os produtos da região, (3) as pessoas da equipa, (4) o que fazer na redondeza, (5) informação útil (horários, eventos, novidades).
Calendário editorial
É uma tabela com datas, canal, tema, formato, texto, imagem, responsável e estado. Permite planear, repartir tarefas e verificar se estás a repetir ou a esquecer temas.
Regras de conduta nas redes
- Responde. Comentários e mensagens são atendimento. Define um prazo (por exemplo, no mesmo dia útil) e cumpre-o.
- Tom de voz coerente: simpático, claro, sem gíria forçada.
- Modera sem censurar. Apaga insultos, spam e conteúdos ilegais, mas não escondas as críticas legítimas; responde-lhes.
- Nunca discutas com um cliente em público. Responde com cortesia e propõe continuar em privado.
- Identifica a publicidade. Qualquer conteúdo pago, oferecido ou que dê benefício ao autor deve ser inequivocamente identificado.
- Protege dados. Nunca publiques o nome, a morada ou os detalhes da reserva de um cliente.
- Dois pares de olhos antes de publicar algo sensível.
- Atenção à crise: em situações graves, suspende as publicações promocionais programadas. Uma fotografia de cocktails às 15h do dia em que há um incêndio perto é um erro de comunicação.
Métricas simples
Alcance (quantas pessoas viram), interação (reações, comentários, partilhas), cliques para o sítio, mensagens recebidas, reservas atribuídas, crescimento da audiência. O que interessa é relacionar cada métrica com o objetivo da ação. Uma publicação com muitas reações, mas sem cliques, pode divertir sem vender.
Exemplo resolvido · uma semana de conteúdos para um alojamento local
A "Casa do Olival Manso" tem como objetivo aumentar as reservas diretas para as semanas de outono. Calendário de uma semana, com um tempo de trabalho de 3 horas.
| Dia | Canal | Tema (pilar) | Formato | Texto (resumo) | Responsável |
|---|---|---|---|---|---|
| Segunda | Paisagem | Fotografia | Luz da manhã sobre o olival; legenda curta com a época de recolha da azeitona | Dona da casa | |
| Terça | Newsletter | Informação útil | Texto | Ofertas de outono para quem reserva diretamente; dois restaurantes abertos à segunda | Técnica |
| Quarta | Instagram (stories) | Pessoas | Vídeo de 20 segundos | A dona prepara o pão no forno a lenha | Técnica |
| Quinta | Site (blogue) | O que fazer | Artigo de 400 palavras | "Três passeios a pé a partir da Casa do Olival Manso" | Técnica |
| Sexta | Facebook e Instagram | Evento | Fotografia + texto | "Apanha da azeitona com a dona da casa: fins de semana de novembro, o que inclui e quanto custa" | Dona da casa |
| Sábado | Stories | Hóspedes | Imagem partilhada | Fotografia partilhada com autorização escrita de um hóspede | Técnica |
| Domingo | (nenhum) | Descanso | (nenhum) | Responder às mensagens pendentes | Técnica |
Observa que cada publicação tem um pilar, um responsável e que uma delas depende de uma autorização.
Exemplo resolvido · uma publicação de rede social escrita por inteiro
Do calendário da Casa do Olival Manso, a publicação de sexta-feira sobre os fins de semana de apanha da azeitona (preço e datas fictícios). Uma publicação não é só a legenda: tem texto, imagem, chamada à ação e, quando há parceria, a sua identificação.
Versão fraca (Instagram): «Vem aí o melhor fim de semana do ano!!! Não percam a nossa apanha da azeitona incrível!!! Reservem já, as vagas voam! #azeite #alentejo #viagens #natureza #amor #instagood #foodie»
Porque falha: superlativos que não se provam, nenhuma data nem preço, sete etiquetas sem relação com o conteúdo, urgência inventada, nenhuma ligação e nenhuma descrição da imagem.
Versão boa, da própria casa:
Texto da legenda: Apanha da azeitona com a dona da casa. Aos fins de semana de novembro de 2026 (7 e 8, 14 e 15, 21 e 22, 28 e 29), apanha-se azeitona de manhã com a Maria e prova-se o azeite novo no lagar da família, ao fim da tarde. Inclui duas noites com pequeno-almoço, almoço de sábado no olival e visita ao lagar: 180 euros por pessoa (valor fictício). A casa tem seis quartos, por isso os lugares são limitados. Reserva em www.exemplo-casadoolivalmanso.pt (ligação na biografia).
apanhadaazeitona #alentejo #escapadadeoutono
Imagem: fotografia da Maria a apanhar azeitona num olival ao amanhecer, tirada pela casa e publicada com a autorização escrita da Maria. Texto alternativo: «A Maria, dona da Casa do Olival Manso, a apanhar azeitona num olival ao amanhecer.» Chamada à ação: uma só, reservar no sítio da casa, com a ligação direta para a página do programa. Identificação de parceria: não se aplica, porque é uma publicação da própria casa e ninguém recebe contrapartida.
Porque funciona: diz o que é, quando, o que inclui e quanto custa; tem uma só chamada à ação; as três etiquetas descrevem o conteúdo; a imagem é real, autorizada e descrita para quem não a vê.
Versão da criadora de conteúdo a quem a casa ofereceu a estadia (o texto é dela, a identificação vem logo no início):
Publicidade: estadia oferecida pela Casa do Olival Manso. Passei dois dias a apanhar azeitona com a Maria e a ver o lagar da família a trabalhar. Gostei do pequeno-almoço com pão de forno a lenha; o lagar é pequeno e, com muita gente, fica apertado. A casa ofereceu a estadia e não leu o texto antes de eu o publicar.
Porque funciona: a identificação está na primeira linha, em palavras claras («publicidade», «oferecida»), e não escondida entre etiquetas; uma palavra como «obrigada» ou «oferta» sozinha não chegava. Deve juntar-se, quando a plataforma a oferece, a etiqueta de parceria da própria rede. A criadora diz também o que podia ser melhor, porque o briefing nunca a obriga a elogiar.
Antes de publicar, passa pela lista de verificação de cinco perguntas: está correto? é claro? tenho direitos sobre a imagem? as pessoas autorizaram? a publicidade está identificada?
Escreve uma lista de verificação de cinco perguntas antes de publicar: está correto? é claro? tenho direitos sobre as imagens? as pessoas autorizaram? a publicidade está identificada? Se uma resposta for "não sei", espera.
10. Avaliações online e reputação: responder, reparar e aprender
Porque pesam as avaliações
Quem escolhe um alojamento, um restaurante ou uma atividade procura muitas vezes a opinião de outros viajantes, em plataformas de reservas, em motores de pesquisa e em redes de viagens. As avaliações online tornaram-se uma parte da reputação da organização e uma forma permanente de opinião pública. Ao contrário de um artigo de jornal, estão sempre disponíveis, e quem decide reservar lê, sobretudo, as mais recentes e as negativas. Gerir a reputação online é por isso uma tarefa corrente de relações públicas e de qualidade.
Monitorizar
- Define onde estás presente (plataformas de reservas, motores de pesquisa, mapas, redes de viagens, redes sociais).
- Define quem consulta e com que frequência (por exemplo, todos os dias úteis).
- Regista cada avaliação numa folha: data, plataforma, classificação, tema, resposta dada, ação interna.
- Revê mensalmente os temas recorrentes: se três pessoas falam do ruído, o problema é real, não é azar.
Princípios para responder
| Princípio | Como se aplica |
|---|---|
| Rapidez | Responder às avaliações em 24 a 48 horas, mesmo quando o problema exige mais tempo para ser resolvido (as mensagens diretas e os comentários, no mesmo dia útil) |
| Cortesia | Agradecer sempre, mesmo à crítica |
| Personalização | Citar um detalhe da avaliação; evitar o texto padrão repetido |
| Factos | Reconhecer o que está certo, corrigir o que está errado sem atacar |
| Brevidade | Resposta curta (4 a 8 linhas) |
| Responsabilidade | Pedir desculpa quando há razão, indicar o que mudou |
| Privacidade | Não divulgar dados pessoais nem pormenores da reserva em público |
| Canal certo | Propor continuar em privado (correio eletrónico ou telefone), com nome de um contacto |
| Fecho | Convidar a regressar quando adequado, sem pressionar |
Estrutura de uma resposta
- Agradecer e tratar a pessoa pelo nome (se aparecer).
- Reconhecer o que a pessoa sentiu (empatia).
- Explicar ou corrigir (um facto, uma medida).
- Indicar a ação ou a melhoria.
- Convidar ao contacto direto e despedir-se com cordialidade.
Que tipo de avaliação é?
| Tipo | Exemplo | Resposta |
|---|---|---|
| Positiva | "Estadia perfeita, a dona é um amor" | Agradecer, mencionar um pormenor, convidar a regressar |
| Negativa com razão | "O quarto tinha cheiro a humidade" | Pedir desculpa, dizer que se verificou e o que se fez |
| Negativa com informação errada | "Não havia pequeno-almoço" (havia, mas até às 10h30) | Esclarecer com educação, sem humilhar |
| Negativa injusta ou exagerada | Queixa de algo que não existe | Responder com factos e calma; o leitor julga |
| Ofensiva, ilegal ou sem relação com a estadia | Insultos, dados pessoais, spam | Denunciar à plataforma segundo as regras dela e, se necessário, registar |
| Falsa (autor que nunca esteve) | Concorrente a atacar | Denunciar à plataforma com provas; não responder em público com acusações |
Nunca respondas a quente. Escreve a resposta, deixa-a descansar umas horas, e pede a outra pessoa para ler. A resposta é lida por todos os futuros clientes, não só por quem escreveu.
Exemplo resolvido · responder a uma avaliação negativa
Avaliação no site de reservas, uma estrela em cinco, sobre a Casa do Olival Manso: "Chegámos às 22h e ninguém nos recebeu. Esperámos 40 minutos à porta. Quarto bonito, mas a experiência começou mal."
Passo 1 · Verificar os factos e decidir a medida. A técnica consulta a reserva e o registo do telefone da casa: a hóspede tinha indicado chegada às 19h e não avisou do atraso. A dona estava a atender outro hóspede. Houve um telefonema não atendido às 21h50. Estes dados são registos internos da casa: servem para perceber o que se passou, não para escrever na resposta. Com a dona, decide-se a medida: passar a confirmar por mensagem, na véspera, a hora de chegada de cada hóspede. A medida entra em vigor antes de se responder, porque só se anuncia ao público o que já está feito.
Passo 2 · Resposta a evitar: "Os hóspedes não avisaram que chegavam tarde. A culpa foi vossa. O quarto é bonito, por isso a avaliação é injusta."
Porque falha: culpa o cliente, é defensiva, não oferece solução e fica na internet.
Passo 3 · Resposta adequada:
"Olá, Ana. Obrigada por ter ficado connosco e pelas palavras sobre o quarto. Lamentamos muito que a chegada tenha sido tão desconfortável: ninguém devia esperar à porta depois de uma viagem. Verificámos o que se passou na nossa receção nessa noite e reconhecemos que devíamos ter confirmado consigo a hora de chegada e que não o fizemos. Passámos a confirmar por mensagem, na véspera, a hora de chegada de cada hóspede. Será um gosto recebê-la de novo e ouvir diretamente a sua opinião: escreva-nos para reservas@exemplo-casadoolivalmanso.pt. Cumprimentos, a equipa da Casa do Olival Manso."
Porque funciona: agradece, reconhece o problema sem culpar a hóspede, assume o que se verificou, indica uma medida que já está em vigor, convida ao contacto privado, tem tom humano e é curta. Não revela dados da reserva nem registos internos (a hora do telefonema, o que a receção estava a fazer): só usa o primeiro nome que a própria hóspede mostra e o que ela escreveu.
Passo 4 · Ação interna. Regista a ocorrência na folha, pede formação à equipa sobre receção fora do horário e confirma que a mensagem de véspera está de facto a ser enviada.
Passo 5 · Medição. Daqui a três meses, conta quantas avaliações referem a chegada e se a média subiu.
Reclamações formais: o Livro de Reclamações
Para além das avaliações, os consumidores podem fazer reclamações formais. O Livro de Reclamações Eletrónico, criado pelo Decreto-Lei n.º 74/2017, é obrigatório em setores como o turismo e o alojamento (o regime estende-se a muitos tipos de estabelecimento), e a plataforma é o sítio livroreclamacoes.pt. O prestador deve cumprir os prazos de resposta que a lei fixa e remeter a resposta ao consumidor e à entidade competente; consulta o diploma para as regras exatas. A diferença para uma avaliação é que a reclamação é formal e acompanhada pela autoridade do setor, e portanto exige uma resposta rigorosa e documentada.
A reputação como resultado
A melhor gestão de reputação online começa fora dela: no serviço. Respostas educadas ajudam, mas não compensam um problema que se repete. O que se aprende com as avaliações volta ao ciclo da qualidade do capítulo 4: ouvir, analisar, corrigir, comunicar, medir.
11. Press trips, media segmentados, feiras e exposições
Press trips
Uma press trip (viagem de imprensa) é uma visita organizada a um destino, a um produto ou a uma unidade, para a qual são convidados jornalistas, editores e, cada vez mais, criadores de conteúdo, com o objetivo de verem com os seus olhos aquilo de que depois vão falar. Quando o convite se dirige a agentes de viagens e operadores turísticos, chama-se habitualmente fam trip (viagem de familiarização). O referencial inclui as press trips entre as ferramentas de relações públicas no turismo, e as entidades regionais de turismo organizam-nas com regularidade para dar a conhecer os seus territórios.
Quando faz sentido
- Produto novo ou renovado que só se percebe vendo (um percurso, uma experiência, uma unidade hoteleira).
- Território com muitas atrações pequenas que a imprensa desconhece.
- Mudança de imagem do destino (por exemplo, do "sol e mar" para "natureza e cultura").
- Antes de uma época ou de um evento importante, com tempo para a cobertura sair.
Como se prepara
| Etapa | O que fazer |
|---|---|
| Objetivo | O que queremos que o jornalista veja, sinta e conte? Quantas peças esperamos? |
| Convidados | Escolher quem escreve para o público que queremos. Cinco a oito pessoas bem escolhidas valem mais do que vinte ao acaso |
| Convite | Claro e honesto: data, programa resumido, o que a organização cobre (viagem, estadia, refeições), o que fica a cargo do convidado e que não há obrigação de publicar |
| Programa | Ritmo equilibrado, com períodos livres e tempo para fotografar e perguntar; sem horas de discursos |
| Logística | Transporte, alojamento, refeições (alergias e preferências), guias, acessibilidades, plano B para chuva, seguro quando necessário |
| Informação | Dossier com factos, contactos, mapa e programa; Wi-Fi e tomadas disponíveis |
| Pessoas | Alguém responsável durante toda a viagem; porta-vozes para entrevistas |
| Depois | Agradecimento, envio das fotografias e dos dados pedidos, acompanhamento sem pressão, revista de imprensa |
Regras de transparência
A organização que paga a viagem não compra uma peça. O jornalista continua livre para escrever o que viu, incluindo as críticas, e o meio decide como declara a situação ao leitor. Se o convite for feito a criadores de conteúdo, devem explicar de forma clara, nas suas publicações, o que receberam, de acordo com as regras de identificação da publicidade vistas no capítulo 3. Nunca peças para "rever o texto antes de sair" como condição; podes oferecer-te para confirmar factos.
Exemplo resolvido · programa de uma press trip de 2 dias
A entidade regional de turismo e o Posto de Turismo de Vila Serrana convidam 6 jornalistas para conhecerem a Rede de Percursos da Serra e o Festival da Castanha, a quatro semanas do evento.
Dia 1
- 10h00: receção no posto de turismo, café e apresentação da rede (20 minutos), entrega do press kit.
- 10h45: percurso curto (4 km) com o guia e o presidente da câmara como porta-voz.
- 13h00: almoço com produtos locais num restaurante parceiro, com menu de castanha. Pergunta-se aos convidados se há alergias.
- 15h00: visita a um produtor de castanha e entrevista.
- 17h00: tempo livre e check-in no alojamento local parceiro.
- 20h00: jantar informal com os produtores e a coordenação do evento.
Dia 2
- 9h00: pequeno-almoço.
- 9h30: percurso de dificuldade média (9 km), com paragens para fotografia.
- 13h00: almoço e entrevistas livres com dois chefes que participam no festival.
- 15h30: despedida, entrega de pasta com fotografias e contactos, regresso.
Depois: agradecimento por correio eletrónico no dia seguinte, envio das fotografias escolhidas pelos jornalistas, resposta a todas as perguntas em 48 horas, registo das peças obtidas.
Verificação ética: o convite diz que não há obrigação de publicar; o programa tem tempo livre; os convidados escolhem o ângulo; ninguém foi pressionado.
Media segmentados
Os media generalistas (televisões, diários, rádios nacionais) chegam a muita gente, mas dão pouco espaço a cada tema. Os media segmentados dirigem-se a públicos específicos, e é nos nichos que muitas pequenas empresas turísticas encontram o seu público.
| Tipo de meio | Exemplo de temas | Quando é o melhor aliado |
|---|---|---|
| Imprensa regional e rádios locais | Eventos, produtos novos, pessoas do concelho | Conquistar os residentes e o público de proximidade |
| Revistas e sítios de viagens | Destinos, experiências, escapadinhas | Chegar a quem planeia viagens |
| Gastronomia e vinhos | Restaurantes, produtos, rotas | Chefes, enoturismo, festivais gastronómicos |
| Natureza, aventura e desporto | Percursos, observação de aves, surf, ciclismo, mergulho | Produtos de turismo ativo |
| Bem-estar e saúde | Spas, retiros, termalismo | Unidades com oferta de bem-estar |
| Media profissionais (B2B) | Tendências, novos produtos, mercados, reservas | Chegar a agentes, operadores e hoteleiros |
| Media internacionais | Destinos para os mercados emissores | Via entidades de promoção, em geral através de press trips |
| Blogues e criadores de conteúdo | Experiência pessoal | Audiências muito específicas e comunidades fiéis |
Adaptar o ângulo. Um mesmo facto pode gerar ângulos diferentes: a abertura de um percurso de natureza interessa à imprensa de caminhadas (dificuldade e mapa), à de viagens (escapadinha), à regional (emprego local) e à B2B (nova oferta para vender). Escreve versões diferentes do comunicado ou do primeiro parágrafo, sem alterar nenhum facto.
Acompanhar a cobertura. Define alertas para o nome da organização, do destino e dos temas, e regista a cobertura na revista de imprensa. A cobertura segmentada deve ser medida pelo valor para o objetivo, não pelo número de leitores.
Feiras e exposições
As feiras de turismo são locais onde se encontram a oferta, os intermediários, a imprensa e o público. O referencial refere a participação em feiras e a organização de eventos. Há três tipos, e convém saber de que tipo é cada feira antes de decidir:
| Tipo | Público | Objetivo principal | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Feira profissional (B2B) | Operadores, agentes, hoteleiros, imprensa | Fechar contactos e contratos, apresentar novidades | ITB Berlim e WTM Londres: feiras internacionais de referência, só para profissionais (confirma sempre o regulamento de cada edição) |
| Feira de consumidor (B2C) | Público final | Vender viagens, divulgar destinos e fidelizar | Salões de turismo e de viagens abertos ao público (confirma o programa de cada edição) |
| Feira mista (B2B e B2C) | Profissionais em alguns dias e público final noutros | Fechar contactos com profissionais e vender ao público | BTL (Better Tourism Lisbon Travel Market), em Lisboa, promovida pela Fundação AIP, na FIL, no Parque das Nações; FITUR, em Madrid (primeiros dias para profissionais, fim de semana aberto ao público) |
A BTL, que antes se chamava Bolsa de Turismo de Lisboa e desde a edição de 2025 usa o nome Better Tourism Lisbon Travel Market (a sigla manteve-se), é uma montra de destinos nacionais e internacionais onde se encontram profissionais e público: por isso se classifica como feira mista, e cada edição tem o seu programa, que indica os dias para profissionais e os dias abertos ao público. Em feiras maiores, as entidades regionais de turismo organizam espaços coletivos onde as empresas locais podem estar representadas, o que reduz custos e dá visibilidade ao território.
Decidir se vale a pena
Antes de pagar o espaço, responde a:
- Quem vai estar lá e é o meu público?
- Qual é o meu objetivo concreto (contactos, vendas, notoriedade, imprensa)?
- Que custos totais (espaço, deslocação, alojamento, material, pessoal, tempo)?
- Posso integrar-me num stand coletivo?
- Como vou medir o retorno?
Antes, durante e depois
| Fase | Tarefas |
|---|---|
| Antes | Definir objetivos e orçamento; marcar reuniões com agentes e imprensa antecipadamente; preparar materiais (folhetos, mapas, press kit digital, amostras, vídeo, preços e condições para profissionais); treinar a equipa; escolher quem está no espaço e quem circula; verificar o regulamento da feira; organizar o envio do material |
| Durante | Receber com simpatia, de pé e com disponibilidade; registar cada contacto (nome, empresa, interesse, compromisso assumido); respeitar horários; manter o espaço arrumado; ter alguém disponível para a imprensa; publicar nas redes durante o evento; proteger dados e propriedade |
| Depois | Enviar mensagem a todos os contactos em 48 a 72 horas; cumprir o que foi prometido; fazer balanço com números (contactos, reuniões, peças de imprensa, propostas enviadas) e lições aprendidas |
Exemplo resolvido · balanço de participação numa feira
O Hotel Miradouro do Tejo participou durante três dias no espaço coletivo da entidade regional numa feira de turismo. Custos aprovados: inscrição no espaço coletivo, deslocação e alojamento de duas pessoas, impressão de materiais, no total de 2 400 euros (valor fictício). Resultados no balanço:
- Contactos recolhidos: 96 (58 visitantes do público e 38 profissionais).
- Reuniões marcadas antecipadamente com profissionais: 8, todas realizadas.
- Propostas enviadas a agências e empresas de eventos: 11.
- Imprensa: 2 entrevistas e 1 peça publicada num sítio de viagens.
- Reservas diretas atribuídas até 60 dias depois: 5, com um valor médio de 320 euros por reserva, ou seja, 1 600 euros.
Cálculos:
- Custo por contacto: 2 400 ÷ 96 = 25 euros.
- Custo por contacto profissional: 2 400 ÷ 38 ≈ 63 euros.
- Receita direta das reservas atribuídas: 1 600 euros, que é 67% do custo (1 600 ÷ 2 400), sem contar as propostas ainda em negociação.
Nota de rigor: o valor das reservas não é lucro. O que paga uma feira é a margem de cada reserva (numa agência, a comissão) e não o preço total. Se a margem fosse de 20%, por exemplo, as reservas atribuídas (1 600 euros) cobririam 320 euros do custo, cerca de 13%. Por isso, sempre que possível, compara-se a margem e não só o valor das reservas.
Interpretação: a participação ainda não se pagou apenas com reservas diretas (e, em margem, ainda menos), mas as 11 propostas e as 8 reuniões podem mudar isso. A decisão certa é acompanhar as propostas durante três meses antes de decidir sobre o ano seguinte, e anotar o que melhorar: levar mais material para profissionais e marcar mais reuniões.
12. Planear e organizar eventos de relações públicas
Para que servem os eventos
Os eventos de relações públicas são encontros planeados que juntam pessoas à volta de uma mensagem, de uma novidade ou de uma experiência. O critério do referencial é "planear e organizar eventos de relações públicas para promover destinos e serviços turísticos". Um evento bem feito faz o que a publicidade não faz: cria uma experiência partilhada e relações pessoais. Mal feito, queima a imagem da organização em frente a quem mais queria impressionar.
Tipos de eventos no turismo
| Tipo | Objetivo | Exemplo |
|---|---|---|
| Inauguração ou reabertura | Dar a conhecer uma novidade | Reabertura de um hotel depois de obras |
| Conferência de imprensa | Anunciar uma notícia importante, a muitos meios ao mesmo tempo | Apresentação do programa de um festival regional |
| Almoço ou jantar de imprensa | Criar relações num ambiente informal | Jantar com jornalistas para apresentar a nova carta |
| Visita guiada ou open day | Mostrar o produto a agentes, residentes ou clientes | Dia aberto num hotel para as agências da região |
| Evento temático ou festival | Atrair visitantes, animar a época baixa | Festival da Castanha, vindima aberta ao público |
| Apresentação a profissionais | Vender e informar | Sessão para agentes de viagens sobre o novo programa de rotas |
| Evento solidário ou comunitário | Reforçar o laço com a comunidade | Limpeza de uma praia com voluntários e equipa |
| Dia comemorativo | Aproveitar uma data associada ao turismo | Atividades no Dia Mundial do Turismo (27 de setembro) |
A conferência de imprensa: quando e como
Convoca-se uma conferência de imprensa só quando há notícia suficiente e quando o formato é necessário (várias figuras, perguntas ao vivo, imagens). Em muitos casos, um comunicado e uma entrevista chegam. Se se convoca:
- confirma o dia e a hora com antecedência (de manhã, a meio da semana, evitando colisões com grandes acontecimentos);
- envia o convite com assunto, data, hora, local e quem fala;
- prepara o espaço (som, imagem, lugar para câmaras, água, acessos);
- entrega o press kit à chegada;
- a intervenção dura 10 a 15 minutos; o resto do tempo é para perguntas;
- o porta-voz está treinado e tem as respostas às perguntas difíceis;
- no fim, agradece, recolhe contactos e responde aos pedidos de entrevista individual.
Planear o evento
Passos do planeamento
- Objetivo e público. Para quê, para quem?
- Formato e programa. Que tipo de evento? Que duração?
- Data e hora. Evita feriados, pontes, coincidência com grandes eventos locais e desportivos. Em turismo, evita também a época alta de trabalho dos teus convidados.
- Local. Capacidade, acessos, estacionamento, acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, condições de som, espaço de imprensa, plano B para mau tempo.
- Orçamento. Todas as despesas previstas, uma margem para imprevistos.
- Equipa e papéis. Coordenação, receção, imprensa, logística, segurança, fotografia.
- Convites. Lista, convite formal, confirmações de presença, lembrete próximo da data.
- Licenças e seguros. Falar com a autarquia e com as entidades que seja necessário (ruído, ocupação do espaço público, segurança, higiene alimentar) e, se há música, pedir a autorização para a música tocada (direitos de autor) à entidade de gestão coletiva dos direitos de autor, que em Portugal é, para a música, a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Esse é o primeiro obstáculo de qualquer noite de música ao vivo. Pode ser preciso também uma licença especial de ruído, conforme as regras da autarquia, e o licenciamento do recinto. Cada autarquia tem as suas regras; confirma com antecedência e não cites números de diploma nem valores de memória.
- Comunicação. Antes (anúncio), durante (redes) e depois (agradecimento e balanço).
- Avaliação. Indicadores definidos antes do evento.
Cronograma retroativo
A técnica mais prática é partir da data do evento (a que chamamos D) e contar para trás:
| Quando | Tarefas |
|---|---|
| D menos 8 semanas | Definir objetivo, público, orçamento e data; reservar o local |
| D menos 6 semanas | Fechar o programa; contratar serviços; pedir licenças |
| D menos 5 semanas | Enviar save the date a convidados e imprensa |
| D menos 4 semanas | Convite formal; abrir inscrições |
| D menos 2 semanas | Confirmar presenças; ensaiar com porta-vozes; imprimir materiais |
| D menos 1 semana | Lembrete; reunião final da equipa; verificar meteorologia e plano B |
| D menos 1 dia | Montagem e testes de som e imagem; briefing final |
| Dia D | Chegada da equipa 2 horas antes; receção; registo de presenças; fotografia; resposta à imprensa |
| D mais 1 dia | Agradecimentos; publicação de imagens |
| D mais 1 semana | Balanço com números e lições |
Orçamento
Um orçamento serve para controlar e para decidir. Inclui linhas como: local, alimentação e bebidas, som e imagem, decoração e sinalética, materiais impressos, transportes, pessoal, seguros, comunicação (anúncios, fotografia, vídeo) e uma verba de imprevistos (por exemplo, 10%).
Receção e protocolo básico
- Receber com simpatia, nome e crachá legível; prever alguém na entrada que identifica imprensa, autoridades e convidados prioritários.
- Os discursos devem ser poucos e curtos.
- Em eventos com autoridades públicas, consulta as regras de protocolo (ordem das intervenções e lugares) com quem as conhece, para não criar incómodos.
- Atenção às restrições alimentares e à acessibilidade.
- O tom do evento deve corresponder à mensagem: um evento de turismo sustentável com plástico descartável contradiz a mensagem.
Pessoas e imagem. Informa os convidados de que haverá fotografia e vídeo, indica onde e como podem opor-se, e não publiques imagens de menores sem autorização de quem exerce a responsabilidade parental.
Exemplo resolvido · inauguração da Rede de Percursos da Serra
O Posto de Turismo de Vila Serrana inaugura a rede num sábado de outubro, às 10h00, com 120 convidados esperados (autoridades, alojamentos, clubes, imprensa, proprietários e residentes).
1. Objetivo: que os 6 percursos fiquem conhecidos e que 5 meios os divulguem na semana seguinte.
2. Formato: receção às 9h30, intervenções curtas (3 pessoas, cada uma até 5 minutos), caminhada inaugural de 4 km com guia, pequeno lanche com produtos locais.
3. Local: praça central; plano B no pavilhão multiusos em caso de chuva; casas de banho acessíveis; estacionamento no recinto da feira.
4. Cronograma:
- D menos 6 semanas: pedido de licença de ocupação da praça;
- D menos 5 semanas: envio de save the date;
- D menos 4 semanas: convite formal e comunicado de imprensa;
- D menos 2 semanas: confirmações; ensaio do porta-voz; impressão de 300 mapas;
- D menos 1 semana: lembrete, plano B confirmado com o pavilhão;
- Dia D: chegada da equipa às 7h30; receção às 9h30; fotografias; entrevistas ao presidente da câmara.
5. Orçamento (valores fictícios):
| Linha | Valor |
|---|---|
| Som e palco pequeno | 450 euros |
| Impressão de 300 mapas e sinalética | 380 euros |
| Lanche com produtos locais | 600 euros |
| Fotografia e vídeo | 350 euros |
| Seguro e licenças | 120 euros |
| Imprevistos (10% do total acima) | 190 euros |
| Total | 2 090 euros |
Conta: 450 + 380 + 600 + 350 + 120 = 1 900 euros; 10% de 1 900 = 190 euros; 1 900 + 190 = 2 090 euros.
6. Avaliação: convidados presentes contra confirmados; número de mapas distribuídos; peças publicadas nos 7 dias seguintes; pedidos de informação no posto nas duas semanas seguintes.
7. Riscos: chuva (pavilhão), atraso de um orador (programa flexível), queda ou lesão na caminhada (guia, kit de primeiros socorros, contacto de emergência).
13. Gestão de conflitos e das emoções
Conflitos no turismo
Um conflito é uma divergência entre pessoas ou grupos a propósito de interesses, expectativas, valores ou factos. No turismo, a pressão é constante: o cliente paga e espera uma experiência perfeita, o serviço depende de muitas pessoas, de fornecedores e do tempo, e as emoções são fortes porque as férias são uma ocasião valiosa. Por isso, gerir conflitos e situações imprevistas é uma realização do referencial, e a gestão de conflitos e a gestão das emoções estão entre os conhecimentos exigidos.
Causas frequentes:
| Causa | Exemplo |
|---|---|
| Expectativas diferentes da realidade | Fotografias do site que não correspondem ao quarto |
| Falha de serviço | Check-in atrasado, pedido esquecido, limpeza insuficiente |
| Falha de comunicação | Horário de chegada mal confirmado, informação contraditória |
| Imprevistos | Excesso de reservas (overbooking), avaria, mau tempo, greve, atraso de voo |
| Dinheiro | Cobrança inesperada, diferença de preço |
| Pessoas | Ruído, comportamento de outros hóspedes, mau trato |
| Internos | Conflito entre colegas, escalas, divisão de tarefas |
| Externos | Desacordo com um parceiro, com uma agência ou com a autarquia |
As atitudes certas
O referencial pede um conjunto de atitudes que são, afinal, as ferramentas de qualquer pessoa que trabalha com público.
Escuta ativa
Ouvir não é esperar a vez de falar. A escuta ativa tem técnicas:
- Dar atenção total: olhar, parar de escrever no computador, tirar o telemóvel da mão.
- Não interromper. Deixa a pessoa chegar ao fim, mesmo que seja desagradável.
- Fazer perguntas abertas ("Pode explicar-me o que aconteceu?") e depois fechadas para confirmar ("Chegou às 15h e o quarto ainda não estava pronto, é isso?").
- Parafrasear: dizer por palavras tuas o que ouviste, para confirmar e mostrar que ouviste.
- Reconhecer a emoção ("Percebo que seja muito aborrecido depois de uma viagem tão longa").
- Tomar notas, que mostram seriedade.
Empatia
Empatia é perceber o que o outro sente e mostrá-lo, sem concordar com tudo. "Compreendo a sua frustração" não significa "tem razão em tudo". Significa que o tratas como pessoa.
Comunicação assertiva
Há três maneiras de reagir a um conflito.
| Estilo | Como soa | Efeito |
|---|---|---|
| Passivo | "Pronto, está bem, não faz mal." (não diz o que pensa) | O problema fica, o ressentimento cresce |
| Agressivo | "O senhor está enganado e está a gritar." | Aumenta o conflito |
| Assertivo | "Percebo o que diz. Vou verificar o que aconteceu e proponho-lhe duas soluções agora." | Mantém o respeito, esclarece e avança |
Uma fórmula útil para dizer algo difícil: facto, impacto, proposta. "O quarto ficou pronto às 16h30 (facto). Sei que isso atrasou o seu jantar (impacto). Proponho um aperitivo na casa e um pequeno-almoço no quarto amanhã (proposta)."
Controlo emocional e persistência
O controlo emocional não é suprimir o que se sente, é escolher como se reage. A persistência na resolução de problemas é continuar a procurar a solução, em vez de dizer "não posso fazer nada". Mais adiante, em "Atitudes em ação", vês como se observam a persistência, a cooperação e a postura.
Como tratar uma queixa: método em seis passos
- Acolher. Mantém a calma, a postura aberta, a voz baixa e lenta.
- Ouvir sem interromper e sem discutir.
- Reconhecer a emoção e agradecer o aviso ("Obrigado por me dizer").
- Esclarecer os factos, fazendo perguntas e confirmando o que se ouviu.
- Propor uma solução concreta (idealmente duas opções), dentro do que está ao teu alcance, e dizer quando fica resolvida.
- Executar e acompanhar: cumprir, verificar com o cliente, registar no sistema.
Não prometas o que não podes cumprir. Se não tens autoridade, diz "vou pedir ao meu responsável, volto a falar consigo até às 18h", e volta mesmo.
Este método de seis passos é uma sistematização didática: há outros esquemas com a mesma lógica (acolher, ouvir, resolver, acompanhar). Adapta-o à tua casa, mas não saltes a escuta nem o acompanhamento.
Limites e segurança
Podes e deves proteger-te. Perante insultos, ameaças ou agressão física: mantém distância segura, avisa a chefia, pede apoio a um colega, pede para a pessoa baixar o tom e, se necessário, chama as autoridades. Registar o sucedido por escrito é parte do procedimento. Nenhum emprego exige aceitar violência.
Gerir as emoções
Quem atende o público vive emoções fortes todos os dias. Gerir as próprias emoções é uma competência treinável.
| Sinal | O que fazer |
|---|---|
| Coração acelerado, calor, tensão | Respirar fundo (inspirar 4 segundos, expirar 6), baixar o ritmo da fala |
| Vontade de responder "à letra" | Fazer uma pausa curta ("vou verificar já isso"), beber água, deslocar-se |
| Sentimento de injustiça | Separar a pessoa do problema; lembrar que a raiva não é, quase sempre, contra ti |
| Acumulação de dias difíceis | Falar com um colega ou com a chefia, pedir apoio, descansar |
| Erro teu | Assumir, corrigir, aprender, em vez de procurar culpados |
A equipa também ajuda: cooperação é saber pedir e dar ajuda, passar o caso quando não estás em condições de o tratar e reconhecer o contributo dos outros. O cuidado com a imagem pessoal e a postura profissional (uniforme limpo, linguagem corporal calma, respeito) reduz o conflito antes de começar.
Atitudes em ação: o que se observa no trabalho
Três das atitudes do referencial (cooperação com a equipa, cuidado com a imagem pessoal e a postura profissional, persistência na resolução de problemas) avaliam-se pelo que se vê fazer, não pelo que se diz. Cada uma traduz-se em comportamentos observáveis:
| Atitude | Comportamentos que se observam | O que não é |
|---|---|---|
| Cooperação com a equipa | Passar o caso com registo (quem é o cliente, o que aconteceu, o que já foi prometido e até quando); partilhar informação antes de ser pedida (por exemplo, avisar a cozinha de uma alergia); pedir ajuda cedo; cobrir um colega; reconhecer o contributo dos outros | Guardar o problema para ti, culpar o turno anterior, calar até rebentar |
| Imagem pessoal e postura profissional | Uniforme limpo e completo e aspeto cuidado, conforme as regras da casa; postura aberta (de frente, mãos visíveis, sem braços cruzados) e voz calma; não usar o telemóvel pessoal junto do cliente; não publicar nas redes pessoais nem comentar clientes, colegas ou situações de trabalho | Parecer indiferente, falar mal da casa ou de colegas em público |
| Persistência na resolução de problemas | Quando a primeira solução falha, tentar a seguinte; escalar à chefia com a informação já reunida, em vez de dizer "não sei"; acompanhar até ao fim e confirmar com o cliente que ficou resolvido; registar o que aprendeste | Desistir à primeira recusa, passar o problema sem informação, dar o caso por fechado sem confirmar |
São estes comportamentos que se observam na simulação do mini-projeto (o colega observador preenche a grelha e o professor confirma por amostragem), com uma grelha de observação com seis linhas: escuta ativa; comunicação assertiva; empatia; cooperação com a equipa; imagem e postura profissional; controlo emocional e persistência.
Exemplo resolvido · a passagem de turno
Às 22h30, no Hotel Miradouro do Tejo, a hóspede do quarto 12 não tem água quente. A Inês acaba o turno da tarde; o Tiago começa o da noite.
Cooperação. Antes de sair, a Inês passa o caso ao Tiago e regista: "Quarto 12, sem água quente desde as 22h. A manutenção foi avisada. Prometi à hóspede voltar a falar com ela até às 23h30. O quarto 15 está livre." O Tiago não tem de perguntar nada: a informação chegou antes de ser pedida.
Persistência. Às 23h15 o técnico não conseguiu reparar (a primeira solução falhou). O Tiago propõe trocar de quarto; a hóspede recusa, porque já desfez as malas. Ele não diz "não há mais nada a fazer": propõe uma terceira solução, ajudá-la com as malas num carrinho e oferecer o pequeno-almoço no quarto no dia seguinte. Se ela tivesse recusado tudo, o Tiago passava o caso à chefia de serviço, já descrito por escrito.
Postura. Vai ao quarto, de uniforme completo, sem o telemóvel na mão, de frente para a hóspede, com voz baixa.
Acompanhar. Às 23h30, telefona como prometido. No dia seguinte, ao pequeno-almoço, confirma com ela que a água quente voltou e regista tudo.
Análise: as três atitudes aparecem como comportamentos que alguém pode ver e anotar: um registo de passagem, uma segunda e uma terceira solução, uma postura calma, um acompanhamento até ao fim.
Negociação e mediação
Em conflitos entre partes (clientes e empresa, agência e alojamento, equipas), é útil distinguir posições (o que cada um diz que quer) e interesses (o que cada um realmente precisa). "Quero o reembolso total" é uma posição; o interesse pode ser "quero sentir que fui respeitado" ou "preciso de dormir bem esta noite". Ao procurar os interesses, abre-se espaço para soluções que satisfazem ambos. Se necessário, recorre a uma terceira pessoa neutra que escute os lados e ajude a chegar a acordo.
Situações imprevistas
| Imprevisto | Primeiras ações | Comunicação |
|---|---|---|
| Excesso de reservas (overbooking) | Procurar alternativa equivalente ou superior, assumir os custos, transporte | Informar logo, pedir desculpa, explicar sem culpar o cliente |
| Avaria (ar condicionado, água quente, elevador) | Reparar ou trocar de quarto; compensar | Avisar quem é afetado e dar prazo realista |
| Mau tempo e cancelamentos | Reagendar, reembolsar conforme as condições, propor alternativa | Mensagem prévia clara e atualizações |
| Greve de transportes | Rever chegadas e partidas, ajustar horários de check-in e check-out, ajudar com alternativas | Informar os clientes, contactar os que vão chegar |
| Doença ou acidente de cliente | Prestar auxílio, chamar o 112 | Calma, confidencialidade, relatório interno |
| Reclamação formal | Entregar o Livro de Reclamações sem hesitar | Resposta rigorosa dentro do prazo legal |
Dica de ouro: transmite más notícias cedo e pessoalmente. Um cliente que sabe no dia anterior reage melhor do que um que descobre à porta.
Um bom pedido de desculpa tem quatro partes: reconhece o erro, explica sem desculpar, repara e garante que se evita a repetição. "Lamentamos o incómodo" sozinho vale pouco.
Exemplo resolvido · cliente irritado à receção
Cenário: às 15h30, uma família chega ao Hotel Miradouro do Tejo, depois de 5 horas de viagem. O quarto reservado ainda não está pronto. O pai, Sr. Duarte, fala alto: "Reservei isto há dois meses! Isto é uma vergonha!". A rececionista é a Inês.
Resposta fraca: "Mas o check-in é às 16h, está escrito na reserva." (discute, defende o regulamento, aumenta a tensão).
Resposta adequada, passo a passo:
- Acolher. A Inês sai de trás do balcão ou inclina-se, mantém voz calma: "Boa tarde, Sr. Duarte."
- Ouvir. Deixa-o falar até ao fim, sem interromper.
- Reconhecer. "Percebo que depois de cinco horas de viagem com as crianças, esperar é o que menos precisa. Obrigada por me dizer."
- Esclarecer. "Deixe-me verificar em que estado está o seu quarto. Reservou o quarto familiar com vista para o rio, certo?" Consulta o sistema: a limpeza deve terminar em 30 minutos.
- Propor duas opções: (a) esperar no bar com lanche para as crianças, oferecido pelo hotel, e ela acompanha o estado do quarto; (b) deixar as malas já guardadas e usar a piscina interior. Informa: "Prometo que às 16h15 o quarto estará pronto ou procuramos outro de igual categoria".
- Executar e acompanhar. Pede à governanta para acelerar. Às 16h05 telefona ao bar para avisar que o quarto está pronto. Acompanha a família ao quarto. Regista a ocorrência.
- Aprender. Na reunião seguinte, a equipa decide pôr na mensagem de pré-estadia: "O check-in é a partir das 16h; se chegar mais cedo, guardamos as malas e pode usar o bar e a piscina".
Análise: a Inês não tem de aceitar insultos nem de ceder em tudo, mas cumpriu os três critérios: manteve o respeito, tratou a emoção e propôs ação concreta. Se o Sr. Duarte tivesse ido além, para ameaças ou insultos pessoais, ela teria o direito de chamar a chefia.
Se o cliente pedir o Livro de Reclamações, entrega-o de imediato e sem comentários. É um direito, não um ataque. Recusar ou dificultar é uma infração. A resposta posterior deve ser rigorosa, educada e dentro do prazo legal.
14. Comunicação de crise
O que é uma crise
Uma crise é um acontecimento súbito ou uma situação que ameaça pessoas, operações ou a reputação de uma organização, exige decisões rápidas e atrai a atenção do público e dos meios de comunicação. A comunicação de crise é o conjunto de ações de comunicação que protegem as pessoas e a reputação durante e depois desse acontecimento. O referencial pede que o aluno saiba aplicar as técnicas de comunicação de crise e gerir situações de comunicação de crise.
É útil distinguir três níveis.
| Nível | Característica | Exemplo no turismo | Resposta |
|---|---|---|---|
| Problema | Afeta poucas pessoas, resolve-se internamente | Uma refeição com atraso | Atendimento normal |
| Incidente | Mais pessoas ou potencial de escalada | Falha de eletricidade durante uma noite | Procedimento interno, comunicação direta aos afetados |
| Crise | Pessoas em risco, atenção pública, reputação em causa | Incêndio rural próximo, intoxicação alimentar de vários hóspedes, acidente numa atividade | Plano de crise, porta-voz, comunicação pública |
Um incidente mal gerido pode tornar-se uma crise. A primeira tarefa é avaliar a gravidade com honestidade. Esta classificação em três níveis é didática: serve para pensar e não é uma norma do setor; adapta-a à tua casa.
Tipos de crise no turismo
| Tipo | Exemplos |
|---|---|
| Segurança das pessoas | Acidente numa atividade, afogamento, incêndio no edifício, intoxicação alimentar |
| Natural e ambiental | Incêndio rural na região, cheias, tempestade, calor extremo |
| Operacional | Greve de transportes, falha informática, corte de serviços básicos, excesso de reservas |
| Reputacional | Publicação viral com críticas, acusação de discriminação, notícia falsa |
| Dados e segurança digital | Fuga de dados de clientes, ataque informático ao sistema de reservas |
| Legal e ética | Investigação a uma prática, fraude, condutas indevidas de um colaborador |
| Saúde pública | Surto numa unidade ou na região |
As fases de uma crise
- Preparação e prevenção, antes de tudo acontecer.
- Deteção, perceber cedo que algo está a escalar.
- Resposta, as primeiras horas e dias.
- Recuperação, voltar ao normal, reconstruir confiança.
- Aprendizagem, rever o que correu bem e mal e atualizar o plano.
Preparar antes: o plano de crise
Uma crise não é o momento de inventar quem decide. O plano de crise inclui:
- Equipa de crise: quem coordena, quem decide, quem comunica, quem fala com as autoridades, quem apoia a equipa e os clientes. Com suplentes.
- Lista de contactos atualizada e disponível 24 horas: gerência, equipa, bombeiros e Proteção Civil (a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, ANEPC, e o serviço municipal), a Autoridade Marítima (a capitania do porto e a Polícia Marítima) quando há atividades na água, GNR ou PSP, serviços de saúde, seguradora, advogado, autarquia, entidade regional de turismo, jornalistas de confiança, fornecedores críticos. Para riscos do tempo e de incêndio, indica também onde consultar os avisos do IPMA e, se for o caso, o ICNF. Não escrevas números de telefone de cabeça: confirma-os e atualiza-os.
- Porta-voz escolhido e treinado. Uma única pessoa (e uma suplente) fala em nome da organização.
- Cenários prováveis e mensagens-modelo já redigidas, que se adaptam em minutos.
- Canais previstos: site, redes sociais, correio eletrónico, telefone, mensagem para clientes com reservas.
- Local de operações da equipa de crise e material (computadores, carregadores, lista impressa).
- Simulacros pelo menos uma vez por ano.
Faz uma pergunta-teste à tua equipa: "Se amanhã às 7h houver fumo a subir da serra por trás do hotel, quem liga a quem? Quem decide? O que dizemos aos clientes que estão cá e aos que chegam à tarde?". Se ninguém sabe, já tens trabalho para fazer.
Princípios da comunicação de crise
| Princípio | O que significa |
|---|---|
| Pessoas primeiro | A segurança e o bem-estar de pessoas vêm antes da imagem; a primeira mensagem diz isso |
| Rapidez | Fala cedo, mesmo com informação incompleta: "sabemos X, estamos a apurar Y, voltamos a falar às 18h". O silêncio é preenchido por rumores |
| Uma só voz | Um porta-voz, uma mensagem coerente; a equipa sabe encaminhar perguntas |
| Verdade e transparência | Diz apenas o que é confirmado, assume o que sabes e o que não sabes; nunca mintas, nunca minimizes |
| Empatia | Reconhece o impacto nas pessoas, expressa preocupação |
| Ação com palavras | Diz o que estás a fazer concretamente |
| Respeito pelas fontes oficiais | Em emergências, as autoridades (proteção civil, bombeiros, forças de segurança, autoridade de saúde) dão as indicações; não as contradigas nem as antecipes |
| Consistência | O que dizes ao cliente, à imprensa e à equipa é o mesmo, adaptado ao público |
| Atualizar | Diz quando voltas a falar e cumpre |
| Registar | Guarda uma cronologia do que aconteceu e do que foi comunicado |
| Monitorizar | Acompanha media e redes sociais para detetar erros, boatos e perguntas |
| Aprender | Revê a resposta depois |
O que evitar
- "Sem comentários." Parece que escondes algo. Diz antes: "Neste momento ainda não temos informação confirmada; voltaremos a falar às 17h". Não é o mesmo que a recusa fundamentada do capítulo 3 (um processo judicial em curso): aí explica-se porquê e quando haverá informação. O que se evita é o silêncio sem razão.
- Especular sobre causas ou responsabilidades.
- Culpar vítimas, clientes, funcionários ou outras entidades.
- Minimizar ("não foi nada").
- Apagar comentários legítimos ou perguntas das redes sociais.
- Contradizer a informação oficial.
- Fazer promoção nos canais durante a crise.
- Revelar identidades de feridos, vítimas ou colaboradores, ou dados de saúde, sem autorização.
- Várias pessoas a falar com mensagens diferentes.
O comunicado de reação
Quando a crise é pública, o primeiro texto sai depressa. É a declaração inicial (também conhecida em inglês como holding statement), que não responde a tudo, mas ocupa o espaço com factos e responsabilidade.
Estrutura:
- O que sabemos (factos confirmados, sem adjetivos).
- O que estamos a fazer (ações em curso).
- Empatia com os afetados.
- Onde seguir informação oficial e como contactar.
- Quando haverá novidades.
Exemplo resolvido · incêndio rural perto de um hotel
Cenário: o Hotel Serra Azul fica a 20 quilómetros de um incêndio rural declarado na véspera, no distrito. A proteção civil pediu à população da zona que siga as indicações oficiais; o hotel não está em zona de evacuação e a estrada de acesso está aberta, mas há fumo visível e a comunicação social fala de "região a arder". Há 54 hóspedes em casa e 32 reservas para os próximos 5 dias.
Passo 1 · Avaliar e ativar a equipa de crise (primeira hora). O gerente reúne a equipa, confirma a situação com a Proteção Civil local e os bombeiros, consulta os avisos do IPMA e, se for o caso, o ICNF, e verifica as condições de segurança do hotel (acessos, saída de emergência, reserva de água). Decide que a prioridade são as pessoas.
Passo 2 · Comunicar primeiro à equipa e aos hóspedes presentes. Aviso na receção e mensagem direta: "O hotel não está em zona de evacuação. Seguimos as indicações da proteção civil. Se houver alguma alteração, avisamos de imediato e a equipa orienta todos. O plano de evacuação está afixado em cada piso. Se precisar de alguma coisa, ligue 9 da receção".
Passo 3 · Nomear um porta-voz (o gerente) e um canal único para a imprensa (um correio eletrónico e um telefone).
Passo 4 · Comunicado de reação (publicado no site e nas redes, 2 horas depois):
"Atualização sobre o incêndio na região, 14h00
O Hotel Serra Azul encontra-se em funcionamento e não está em zona de evacuação. Segundo as indicações da proteção civil, o incêndio está a cerca de 20 quilómetros do hotel. A segurança dos nossos hóspedes e da equipa é a nossa prioridade e acompanhamos a situação em contacto permanente com as autoridades.
Se tem reserva nos próximos dias, ligue ou escreva-nos: pode alterar ou cancelar sem custos, sem necessidade de justificação. A estrada de acesso ao hotel está aberta neste momento, mas recomendamos que consulte as informações oficiais da proteção civil antes de viajar.
Pedimos que siga apenas informação das fontes oficiais. A próxima atualização será publicada às 18h00.
Contacto: reservas@exemplo-serraazul.pt | 270 000 000 (números fictícios)."
Passo 5 · Mensagem ao público com reservas (correio eletrónico e SMS): o mesmo texto, com a ligação para alterar a data e a indicação do contacto de um responsável.
Passo 6 · Redes sociais. Suspender as publicações promocionais programadas. Responder a cada pergunta legítima ("A estrada está aberta?") com a informação confirmada e a hora. Não apagar comentários críticos. Corrigir com educação um boato ("O hotel não foi evacuado") com a ligação ao comunicado.
Passo 7 · Imprensa. Se um jornalista pergunta, o porta-voz responde: confirma os factos, não especula, remete para a proteção civil as questões sobre o incêndio e fala apenas do que o hotel sabe. Desmente com educação a generalização: "O incêndio está a cerca de 20 km do hotel; a região é muito vasta e a maior parte está em funcionamento normal".
Passo 8 · Atualizar às 18h00, às 9h00 do dia seguinte e sempre que haja alteração.
Passo 9 · Recuperação. Quando a situação normaliza, uma mensagem de "estamos abertos", com agradecimentos às equipas de combate e solidariedade com quem foi afetado; reativar a promoção com respeito, sem imagens oportunistas, apoiar a recuperação da região quando possível.
Passo 10 · Aprendizagem. Reunião de balanço: o que correu bem (rapidez, uma só voz), o que falhou (o aviso aos hóspedes chegou 20 minutos tarde), o que muda no plano (mensagem-modelo para incêndios com campo preenchível; teste dos contactos).
Análise: o comunicado cumpre os princípios: pessoas primeiro, factos confirmados com fonte, ação concreta (cancelamento gratuito), empatia, respeito pelas autoridades, próxima atualização com hora marcada.
Exemplo resolvido · greve de transportes
Cenário: uma greve de comboios e de handling aeroportuário anunciada para quinta e sexta-feira vai afetar a chegada de 22 hóspedes do Hotel Vale da Urze, um pequeno hotel no interior, com um posto de turismo local a que os clientes costumam telefonar.
- Detetar e avaliar cedo. A equipa tem alerta nos meios e na companhia ferroviária. Identifica as reservas com chegada em risco.
- Contactar diretamente. Mensagem por correio eletrónico e telefone a cada hóspede afetado, com 72 horas de antecedência: "Sabemos da greve de quinta e sexta. Se a sua viagem for afetada, pode alterar a data sem custos, estender a estadia ou fazer a chegada mais tarde. Estamos disponíveis em qualquer horário. Indique-nos o seu comboio ou voo e ajudamos a encontrar alternativas".
- Flexibilizar. Check-in tardio, guardar bagagens, opção de transfer a partir de uma cidade vizinha (se existir parceria com um serviço local).
- Comunicar à equipa: quem estará de serviço, como responder às perguntas, o que se pode oferecer.
- Comunicar ao exterior: publicação curta nas redes e no site: "Atenção à greve: contacte-nos".
- Imprensa e parceiros: o posto de turismo e a entidade regional recebem a informação para a partilharem, e o porta-voz do hotel está disponível se o jornal regional perguntar.
- Depois: balanço (quantos alteraram, quantos cancelaram, o que se aprendeu) e mensagem de agradecimento.
Mesmo sem ser uma crise dramática, o princípio é igual: informar cedo, ser flexível, mostrar proximidade.
Crises reputacionais nas redes sociais
Uma publicação negativa que se espalha depressa tem um tratamento próprio.
- Não reajas a quente. Reúne a equipa, avalia o que é verdade.
- Verifica os factos. O que aconteceu mesmo? Há erro nosso? Falso?
- Decide o nível. Pode bastar uma resposta individual com educação. Se o assunto é grave ou muito partilhado, comunica oficialmente.
- Responde em público com factos e empatia, depois leva a conversa para privado.
- Se o erro foi teu, assume. "Falhámos, pedimos desculpa, eis o que mudámos." A franqueza desarma.
- Se é falso, esclarece com provas, calma e uma vez; não alimentes a discussão.
- Se há ilegalidade (difamação, ameaças), guarda provas e pede aconselhamento jurídico. Em relação à imprensa, tens o direito de resposta e retificação previsto na Lei de Imprensa, que se exerce por escrito e dentro do prazo legal, contado a partir da publicação. Faz primeiro o contacto direto com o editor, de preferência no próprio dia, porque o erro continua a ser lido enquanto não for corrigido, e confirma se o meio está sujeito a esse regime antes de o invocar. Na dúvida, pede aconselhamento jurídico.
- Monitoriza e regista a evolução.
- Aprende e atualiza o processo.
Depois da crise: recuperar a confiança
- Reconhece o que aconteceu e agradece aos que ajudaram.
- Mostra o que mudou (processos, formação, investimento).
- Retoma a comunicação normal quando for apropriado, sem apressar. Se houve vítimas ou prejuízos, adapta o tom.
- Mantém o contacto com quem foi afetado.
- Faz um relatório com cronologia, decisões, pontos fortes e fracos.
- Atualiza o plano e treina a equipa.
Ética na crise
A crise testa os princípios do capítulo 3. A verdade e o respeito pelas pessoas afetadas são inegociáveis. Nunca se aproveita uma tragédia para fazer promoção, nunca se divulga a identidade de feridos ou familiares sem autorização, nunca se esconde informação que afeta a segurança de pessoas, nunca se paga a alguém para comentar a favor. Quem age com honestidade perde menos no curto prazo e ganha muito mais no longo.
Erros comuns
- Confundir relações públicas com publicidade e esperar controlar a notícia ou o título que sai.
- Dizer "o público em geral" em vez de identificar públicos-chave concretos.
- Escrever mensagens com superlativos e adjetivos em vez de factos verificáveis.
- Ignorar o público interno: a equipa descobre a novidade depois dos clientes.
- Enviar o mesmo comunicado a toda a gente, sem escolher o jornalista e o meio certos.
- Escrever um comunicado sem notícia, com tom de anúncio e sem dados, citação ou contacto.
- Esquecer datas absolutas e o contacto de resposta rápida no comunicado.
- Publicar imagens de pessoas sem autorização, ou usar fotografias retiradas da internet sem direitos.
- Não identificar conteúdos patrocinados ou ofertas a criadores de conteúdo.
- Escolher criadores de conteúdo só pelo número de seguidores, ou enviar-lhes um convite sem briefing escrito.
- Propor um tema a um editor com assunto alarmista, anexos longos e pressão para publicar.
- Fazer uma proposta de parceria sem dizer o que cada parte dá, o que recebe e como se mede.
- Imprimir um cartaz ou folheto com demasiada informação, sem datas com ano ou com um código QR que ninguém testou.
- Enviar newsletters a quem não consentiu e sem forma fácil de cancelar a subscrição.
- Pedir ao jornalista para ver o texto antes de sair, ou condicionar uma press trip a uma publicação favorável.
- Responder a avaliações negativas com agressividade, com texto padrão ou revelando dados do cliente.
- Criar ou encomendar avaliações falsas.
- Medir só o número de peças publicadas, e não o efeito nos públicos.
- Planear um evento sem plano B, sem orçamento fechado ou sem avaliação.
- Participar numa feira sem objetivos nem seguimento dos contactos.
- Discutir com o cliente em vez de escutar, reconhecer e propor.
- Prometer o que não se pode cumprir para acalmar um conflito.
- Dizer "sem comentários" numa crise ou esperar demasiado para falar.
- Várias pessoas a falar em nome da organização durante uma crise.
- Continuar a publicar promoções quando há uma emergência.
- Citar leis, prazos ou valores de coima de memória, sem confirmar no diploma.
Glossário
- Ângulo: perspetiva escolhida para contar um assunto a um meio ou a um público, a razão pela qual lhes interessa.
- Atitude: predisposição favorável ou desfavorável de uma pessoa perante uma organização (componente cognitiva, afetiva e comportamental); também, no profissional, o modo de se posicionar no trabalho.
- Boilerplate: parágrafo permanente que descreve a organização no fim de um comunicado.
- Briefing: documento ou conversa que define objetivo, público, mensagem, formato e prazos de um trabalho.
- Calendário editorial: tabela que planeia datas, canais, temas, formatos e responsáveis dos conteúdos.
- Clipping (revista de imprensa): coleção das peças publicadas sobre uma organização, com meio, data, tom e mensagem.
- Comunicação assertiva: forma de dizer o que se pensa e se precisa com respeito pelo outro, sem passividade nem agressividade.
- Comunicado de imprensa (press release): texto curto e factual enviado aos meios de comunicação para dar uma notícia.
- Conferência de imprensa: encontro com vários meios para anunciar uma notícia e responder a perguntas.
- Conflito: divergência de interesses, expectativas, valores ou factos entre pessoas ou grupos.
- Crise: situação súbita que ameaça pessoas, operações ou reputação e atrai a atenção pública.
- Declaração inicial (holding statement): primeiro texto de uma crise, com factos confirmados, ações em curso e próxima atualização.
- Deontologia: conjunto de deveres próprios de uma profissão.
- Empatia: capacidade de compreender o que o outro sente e de o reconhecer.
- Embargo: pedido, acordado antes com o jornalista, para que a informação só seja publicada a partir de uma data e hora.
- Escuta ativa: atenção plena ao outro, com perguntas, paráfrase e reconhecimento da emoção.
- Fam trip: viagem de familiarização para agentes de viagens e operadores.
- Feira B2B e B2C: feira para profissionais (B2B) ou para o público final (B2C); há feiras mistas, com dias ou horários para uns e para outros.
- História de destaque (feature story): narrativa com pessoas e lugares que dá sentido e emoção a um destino ou produto.
- Imagem de marca: o que o público associa ao nome de uma organização (ideias, qualidades, sentimentos), distinto do grau em que a conhece.
- Lead: parágrafo inicial de um texto noticioso, que responde a quem, o quê, quando, onde e porquê.
- Licença social: aceitação da atividade turística pelas pessoas que vivem no destino.
- Livro de Reclamações: instrumento legal, físico e eletrónico, em que o consumidor regista uma reclamação formal.
- Media list (lista de imprensa): ficheiro de jornalistas e meios relevantes, com contactos e histórico.
- Media segmentados: meios dirigidos a públicos ou temas específicos.
- Notoriedade: grau em que um público conhece uma marca ou destino (espontânea, incluindo o top of mind, e assistida).
- Opinião pública: conjunto de juízos que um grupo forma sobre um assunto ou organização.
- Parceria: acordo em que duas ou mais partes trocam o que cada uma tem para dar (tarifas, divulgação, informação, reservas) e definem como medem o resultado.
- Pirâmide invertida: estrutura de texto em que o mais importante vem primeiro.
- Porta-voz: pessoa autorizada a falar em nome da organização.
- Press kit: pasta de informação de base (apresentação, ficha técnica, imagens, contactos) para a imprensa.
- Press trip: viagem organizada para jornalistas e criadores de conteúdo conhecerem um destino ou produto.
- Provas sociais: opiniões e imagens de outros clientes que mostram que um serviço merece confiança.
- Público-chave: grupo que mais importa para o objetivo em causa.
- Relações públicas: gestão planeada e contínua da comunicação e da relação entre uma organização e os seus públicos.
- Save the date: aviso antecipado da data de um evento.
- Satisfação do cliente: diferença entre o que o cliente esperava e o que viveu.
Síntese
As relações públicas constroem, de forma planeada, contínua e honesta, a relação entre uma organização e os seus públicos. Trabalham a atitude, a notoriedade, a imagem de marca e a opinião pública, e no turismo funcionam como ferramenta de aproximação ao público interno, externo e à comunicação social, e como pilar da gestão de crise. Assentam em princípios éticos e deontológicos (verdade, transparência, respeito, responsabilidade), reforçados pelo Código da Publicidade, pelo regulamento de proteção de dados, pelo direito à imagem e pela Lei de Imprensa.
O trabalho começa na pesquisa: da oferta e da procura, e da satisfação dos clientes, medida com inquéritos curtos e lida com método. Segue-se a identificação dos públicos-chave e a gestão de contactos e relacionamentos, com a lista de imprensa e uma conduta de rigor, rapidez e respeito. As mensagens estratégicas nascem do objetivo e do público, assentam em factos e adaptam-se a cada canal. O plano de ação transforma intenções em tarefas, calendário, orçamento e indicadores.
As principais ferramentas são o comunicado de imprensa (pirâmide invertida, factos, citação, contacto), o press kit, as histórias de destaque, os conteúdos offline (cartaz, folheto, mapa, menu) e online, a newsletter (com consentimento), as redes sociais e a resposta às avaliações online. As parcerias com agências e entidades de turismo, a proposta a editores e o briefing a criadores de conteúdo transformam contactos em relações. As press trips, a cobertura de media segmentados, a participação em feiras e a organização de eventos completam o conjunto, sempre com objetivos, transparência e avaliação.
A gestão de conflitos e das emoções assenta em escuta ativa, empatia, assertividade, controlo emocional e persistência, com um método simples de seis passos; a cooperação, a postura profissional e a persistência veem-se em comportamentos concretos. A comunicação de crise exige preparação (equipa, porta-voz, mensagens-modelo), rapidez, uma só voz, verdade, empatia, respeito pelas fontes oficiais e aprendizagem posterior.
Exercícios resolvidos
1. Distingue relações públicas de publicidade com um exemplo de uma agência de viagens.
Resolução: na publicidade, a agência paga um anúncio e controla o texto e o local, mas o público sabe que é um anúncio. Nas relações públicas, a agência oferece uma notícia (por exemplo, um novo programa de circuitos) ao jornal, que decide se a publica e como. A notícia tem mais credibilidade, mas a agência não controla o resultado.
2. Um hotel quer passar de 10% para 25% de notoriedade assistida entre os residentes de um concelho vizinho, em seis meses. Escreve duas ações de RP adequadas e um indicador.
Resolução: (a) convite à imprensa local para visitar o hotel e conhecer a nova oferta; (b) dia aberto para residentes com visita guiada e prova da cozinha. Indicador: inquérito aos residentes no mês zero e no mês seis, com a mesma pergunta ("Conhece o Hotel X?"), e comparação das percentagens.
3. Um alojamento recebeu 120 convites de inquérito e 42 respostas. Qual é a taxa de resposta? Dá a média de uma pergunta com as respostas 5 (15), 4 (14), 3 (8), 2 (3), 1 (2).
Resolução: taxa = 42 ÷ 120 = 0,35, ou seja, 35%. Média = (5×15 + 4×14 + 3×8 + 2×3 + 1×2) ÷ 42 = (75 + 56 + 24 + 6 + 2) ÷ 42 = 163 ÷ 42 ≈ 3,9.
4. Classifica os públicos de uma empresa de animação que vai abrir uma atividade de escalada: o município, os escaladores federados, os moradores vizinhos da falésia, os hotéis locais. Quem tem alto interesse e alta influência?
Resolução: município (influência alta, licença e regras; interesse alto), moradores vizinhos (interesse alto, influência média a alta, podem queixar-se) e hotéis (interesse alto, influência média). Os escaladores têm interesse alto e influência média na difusão. Gestão próxima: município e moradores.
5. Reescreve o título "Fantástico hotel revoluciona o turismo local com experiências únicas" como título de comunicado.
Resolução: "Hotel Miradouro do Tejo abre percurso a pé com guia para os hóspedes a partir de 1 de outubro". Tem verbo, facto, data; sem superlativos.
6. Indica três erros de ética numa publicação em que uma criadora de conteúdo divulga uma estadia oferecida sem o dizer, usa a fotografia de um hóspede sem autorização e escreve "o melhor hotel de Portugal".
Resolução: (a) falta de identificação da comunicação comercial, contrária ao princípio da identificabilidade; (b) uso da imagem sem consentimento, contra o direito à imagem e as regras de proteção de dados; (c) afirmação superlativa que não se pode provar, enganosa.
7. Um cliente escreve uma avaliação a dizer que a água do duche estava fria. Escreve os três primeiros passos da resposta.
Resolução: 1. Agradecer e tratar pelo nome. 2. Reconhecer o incómodo e pedir desculpa. 3. Explicar a ação (verificação do esquentador, reparação, controlo) e convidar ao contacto direto. Não revelar dados da reserva.
8. Faz um cronograma retroativo simples para um evento a 20 de novembro.
Resolução: 25 de setembro (D menos 8 semanas): objetivo, orçamento, local; 9 de outubro: programa e licenças; 16 de outubro: save the date; 23 de outubro: convite formal; 6 de novembro: confirmações e ensaio; 13 de novembro: lembrete e plano B; 19 de novembro: montagem; 20 de novembro: evento; 21 de novembro: agradecimentos; 27 de novembro: balanço.
9. Um cliente grita na receção porque o transfer não apareceu. Enumera cinco ações da rececionista, por ordem.
Resolução: (1) manter a calma e a voz baixa; (2) ouvir sem interromper; (3) reconhecer a emoção e pedir desculpa; (4) verificar o que aconteceu e propor solução imediata (táxi pago pelo hotel, por exemplo); (5) acompanhar até à resolução, registar e informar a chefia.
10. Redige a declaração inicial para um acidente numa atividade de canoagem em que um turista ficou ferido ligeiramente e foi levado ao hospital.
Resolução (modelo): "Hoje, às 11h20, um participante num passeio de canoagem da Rota do Rio sofreu uma queda e foi transportado, por precaução, ao hospital. Está consciente e a ser acompanhado por uma equipa médica. Estamos em contacto com a família e com as autoridades. Prestamos todo o apoio. A empresa suspendeu as atividades desta tarde para apurar as circunstâncias. Voltaremos a informar às 18h00. Contacto: (nome e telefone)." Não se identifica a pessoa, não se especula sobre a causa e não se minimiza.
11. Um boato nas redes diz que o teu hotel foi evacuado devido a um incêndio, e não foi. O que fazes?
Resolução: confirma a situação com a proteção civil; publica uma mensagem curta e clara a esclarecer que o hotel funciona normalmente e que não está em zona de evacuação, com a hora e a fonte; responde com cortesia aos comentários; contacta os clientes com reservas; monitoriza. Se um meio de comunicação publicou o erro, pede retificação e, se necessário, usa o direito de resposta.
12. Calcula o custo por contacto numa feira que custou 1 800 euros e rendeu 72 contactos. Se 18 foram profissionais, qual é o custo por contacto profissional?
Resolução: 1 800 ÷ 72 = 25 euros por contacto; 1 800 ÷ 18 = 100 euros por contacto profissional. Importa também ver o que cada contacto profissional gerou em propostas e reservas.