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UC · Unidade de Competência · UC03532

Executar massagem geotermal (UC03532)

Da preparação do espaço à avaliação do utente, aplicar pedras geotermais com segurança numa estância termal
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Termalismo, T. Massagem de Estética e Bem-Estar ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.

Introdução

A massagem geotermal é um serviço de bem-estar e de apoio ao termalismo em que se usam pedras aquecidas ou arrefecidas como prolongamento das mãos do técnico. O calor é agradável e relaxante, mas é também o maior risco do serviço: uma pedra demasiado quente, deixada no sítio errado ou num utente que não sente bem, provoca uma queimadura. Por isso esta sebenta dá tanta importância à preparação, à avaliação do utente e às contraindicações como às manobras em si.

O percurso segue a ordem de um serviço real numa estância termal. Começamos pelo enquadramento profissional (o que o técnico faz e o que não faz), passamos à preparação do local e à higiene, estudamos a pele e os sistemas circulatório e linfático, a termoterapia e as pedras, e só depois chegamos às indicações e contraindicações, à ficha do utente, à instalação, às manobras de colocação das pedras e à avaliação antes, durante e depois. Fechamos com os procedimentos de emergência, a reflexologia, os chacras, a aromaterapia, as reclamações, a ética, a segurança e saúde no trabalho e as normas da qualidade.

Objetivos de aprendizagem (referencial): preparar o local de trabalho para a execução de uma massagem geotermal; instalar o utente para a massagem geotermal; realizar as manobras de colocação das pedras; realizar procedimentos de reflexologia.

Aviso essencial sobre valores e protocolos. Os valores de temperatura e de tempo que aparecem nesta sebenta são referências prudentes de formação. Em cada estabelecimento vale o protocolo escrito aprovado pela direção clínica e pela entidade responsável, e em cada utente vale a indicação do profissional de saúde. Perante dúvida, o técnico não aplica e pergunta. A regra de ouro: se uma pedra é demasiado quente para a mão do técnico, é demasiado quente para o utente.

Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo tem explicação, tabelas de consulta e, sempre que faz sentido, um exemplo resolvido passo a passo. Responde primeiro às perguntas por ti, sem olhar para a solução, e treina sempre as manobras com um colega antes de as fazeres a um utente.

1. A massagem geotermal e o papel do técnico de termalismo

A massagem geotermal (também chamada massagem com pedras quentes, ou com pedras geotérmicas) usa pedras lisas, geralmente de origem vulcânica, como o basalto, que retêm bem o calor. As pedras são aquecidas em água, colocadas sobre o corpo do utente (em zonas de apoio e ao longo de linhas do corpo) e usadas também para deslizar com óleo sobre a pele. Podem usar-se igualmente pedras frias (por exemplo, mármore arrefecido) para contraste ou para zonas sensíveis ao calor.

O serviço é prestado num estabelecimento termal ou numa estância termal, um contexto de saúde e bem-estar onde coexistem tratamentos termais prescritos por médicos e serviços de bem-estar. O regime jurídico da atividade termal (Decreto-Lei n.º 142/2004, na redação em vigor) enquadra o licenciamento, a organização e o funcionamento dos estabelecimentos termais e prevê que o titular contrate um diretor clínico e o corpo clínico. Para o técnico, a consequência prática é simples: trabalha dentro de um estabelecimento com regulamento interno, direção clínica e protocolos, e deve conhecê-los. Para pormenores e requisitos concretos, consulta-se sempre o diploma na redação em vigor e o regulamento do estabelecimento.

O que o técnico faz e o que não faz

O técnico de termalismo faz O técnico de termalismo não faz
Prepara o espaço, as pedras e os materiais Diagnosticar doenças ou lesões
Recebe o utente, preenche a ficha e esclarece o serviço Prescrever tratamentos, medicamentos ou suplementos
Aplica a massagem geotermal segundo o protocolo Prometer cura ou resultados clínicos
Observa o utente antes, durante e depois Alterar a medicação ou aconselhar a suspendê-la
Reconhece sinais de alarme e encaminha para o profissional de saúde Aplicar o serviço quando há contraindicação ou dúvida não esclarecida
Regista o que fez e o que observou Divulgar dados do utente

A fronteira é nítida: o técnico não diagnostica nem prescreve. Se um utente lhe diz "acho que tenho uma trombose na perna" ou "tenho uma mancha que mudou de cor", a resposta profissional não é opinar, é não aplicar na zona, tranquilizar sem alarmar e encaminhar para o médico do estabelecimento ou para o profissional de saúde do utente.

Para que serve a massagem geotermal

O calor húmido e seco das pedras favorece o relaxamento muscular, a sensação de bem-estar e o conforto, e a combinação com óleo e manobras suaves ajuda o utente a descontrair. Fala-se, em contexto de bem-estar, de efeitos como o aumento da circulação local e a redução da tensão. Estas são sensações e efeitos de bem-estar, não tratamentos médicos: o técnico nunca promete aliviar, tratar ou curar uma doença.

Perfil e atitudes do técnico

O referencial pede atitudes concretas: responsabilidade pelos próprios atos, autonomia dentro das suas funções, empenho, autoconfiança, sentido de organização, assertividade e empatia na comunicação, cooperação com a equipa, cuidado com a apresentação e postura profissional, respeito pelas diferenças individuais e pela privacidade do utente, pela ética profissional, pelas regras e normas e pela segurança e saúde no trabalho e pelas normas da qualidade. Em massagem geotermal, a atitude mais importante é a prudência: parar e perguntar é sempre uma decisão profissional correta.

Exemplo resolvido · decidir se o assunto é do técnico

Um utente comenta, antes do serviço, que "o médico lhe disse que tem a tensão alta e que não pode apanhar muito calor, mas que isso é exagero".

  1. O técnico não concorda nem discorda do médico: não é a sua função avaliar a indicação clínica.
  2. O que o utente disse é uma informação clínica relevante: calor e doença cardiovascular são pontos de atenção.
  3. O técnico regista a informação na ficha e não aplica o serviço sem confirmação do profissional de saúde do estabelecimento.
  4. Explica ao utente, com calma, que a decisão de avançar, adaptar ou adiar compete ao profissional de saúde, e oferece-se para o encaminhar já.
  5. Conclusão: ouvir, registar, não aplicar sem esclarecimento e encaminhar. Nenhum "exagero" do utente autoriza o técnico a ignorar a indicação do médico.

2. Preparar o local de trabalho

A primeira realização do referencial é preparar o local de trabalho para a execução de uma massagem geotermal. Um espaço bem preparado reduz o risco de queimaduras, de contaminação e de lesões do próprio técnico, e transmite profissionalismo ao utente antes de a massagem começar.

Organização física do espaço

A sala deve ter o essencial ao alcance sem exigir deslocações com pedras quentes e sem obrigar o técnico a atravessar o espaço com a mão ocupada:

Elemento Função e cuidado
Mesa de massagem geotermal estável, limpa, com altura regulável; revestimento fácil de higienizar
Aquecedor de pedras num apoio estável, longe de zonas de passagem, ligado a tomada segura, com termómetro e tampa
Mesa auxiliar (carrinho) óleos, toalhas, termómetro, colher de pedras, material de higiene, tudo ao alcance
Toalhas e lençóis em número suficiente, secos, dispostos por ordem de uso
Pedras quentes e pedras frias separadas e identificadas; as frias em recipiente próprio
Recipiente com água fria para arrefecer uma pedra demasiado quente de forma controlada
Material de higienização detergente, desinfetante autorizado, panos, contentor de roupa usada
Kit de primeiros socorros e contactos de emergência visíveis e acessíveis
Cabide, cadeira, local para os pertences para o utente se despir com privacidade

Circulação: o caminho entre o aquecedor e a mesa deve ser curto, desimpedido e seco. Cabos elétricos não atravessam o chão. Um piso molhado com uma pedra quente na mão é uma combinação perigosa.

Condições ambientais

O referencial pede adequar as condições ambientais do local ao serviço: luminosidade, humidade e condições físicas.

Condição Orientação prudente
Luminosidade luz suave e regulável, suficiente para ver a pele e a cor das pedras e do utente; evitar penumbra que impeça de observar o utente
Temperatura da sala confortável para uma pessoa parcialmente despida, sem correntes de ar; o utente com frio contrai-se e tem menos relaxamento
Humidade ambiente nem seco nem abafado; em estâncias termais a humidade pode ser elevada, pelo que se confirma a ventilação e se evita o chão molhado
Ruído baixo, com música suave se o utente aceitar
Cheiros discretos; aromas fortes só se o utente consentir (ver capítulo da aromaterapia)
Privacidade porta fechada, aviso de ocupado, local para despir

Não se indicam valores numéricos universais de temperatura e humidade da sala: seguem o protocolo do estabelecimento, que tem em conta o tipo de edifício e o clima.

Ergonomia do técnico

A ergonomia protege o técnico, que repete gestos e carrega pesos. Os princípios essenciais:

  1. Altura da mesa regulada para que o técnico trabalhe com os cotovelos ligeiramente fletidos e as costas direitas, sem se curvar.
  2. Pés bem apoiados, distância entre eles de cerca da largura dos ombros, usando o peso do corpo e não só a força dos braços.
  3. Pulsos neutros: evitar a hiperextensão do pulso ao deslizar a pedra, que causa dor nas mãos, pulsos e antebraços.
  4. Alternar posições e mãos, e fazer micro-pausas.
  5. Não levantar o aquecedor cheio de água quente: esvaziar com cuidado, com ajuda se necessário.
  6. Usar a colher ou pinça própria para retirar as pedras do aquecedor, em vez de mergulhar a mão.

Lista de verificação de abertura

Antes da chegada do utente, percorre-se uma lista curta: espaço arrumado e limpo; mesa estável e forrada; aquecedor ligado com água na quantidade indicada pelo fabricante e pedras totalmente imersas; termómetro funcional; toalhas secas; óleos separados; água fria à mão; kit de primeiros socorros; protocolo e fichas disponíveis.

Exemplo resolvido · montar a sala em 25 minutos

O técnico tem o primeiro utente às 10h00 e entra às 9h30; a preparação ocupa 25 minutos.

  1. 9h30: liga o aquecedor, verifica a água e a posição das pedras, confirma que o fio não atravessa o chão. As pedras demoram a atingir a temperatura de trabalho, por isso este é o primeiro passo (se o fabricante indicar um tempo de aquecimento maior, liga-se mais cedo).
  2. 9h35: higieniza a mesa e superfícies de apoio, forra a mesa com lençol e toalha limpos.
  3. 9h40: dispõe a mesa auxiliar: óleos, toalhas dobradas, termómetro, colher, recipiente de água fria.
  4. 9h45: ajusta luz, ventilação e temperatura da sala; prepara a área de despir.
  5. 9h50: confirma o termómetro no aquecedor e mede uma pedra com termómetro de contacto; faz o teste da mão.
  6. 9h55: lava e desinfeta as mãos, veste a farda limpa e revê a ficha do utente.
  7. Conclusão: sem a primeira etapa (aquecer cedo) o serviço atrasa-se; sem as últimas (medir e verificar), arrisca-se a segurança. A ordem importa.

3. Higiene profissional e manutenção do equipamento

O referencial pede higiene na profissão e técnicas de higiene e manutenção do equipamento, e a aptidão de aplicar as técnicas de higienização em termalismo e de reconhecer o funcionamento e os cuidados com o equipamento.

Higiene do técnico

Aspeto Regra
Mãos lavar antes e depois de cada utente e sempre que se contaminem; unhas curtas e limpas, sem verniz descascado
Adornos sem anéis, pulseiras ou relógio, que retêm sujidade e podem magoar
Cabelo apanhado
Farda limpa, confortável e adequada; calçado fechado e antiderrapante
Pele do técnico feridas ou infeções cobertas ou, se necessário, afastamento do serviço
Saúde com sintomas de doença contagiosa, não se presta o serviço
Hálito e odores cuidados, sobretudo em serviço de proximidade

Luvas: ao contrário do que se faz noutros serviços, na massagem com pedras quentes o técnico não usa luvas nas mãos que seguram as pedras, porque a mão nua é o termómetro de segurança: se a pedra incomoda a mão do técnico, não vai para o utente. Em caso de feridas nas mãos, o serviço adapta-se ou o técnico é substituído.

Higienização das pedras

As pedras são um objeto que contacta com pele e óleo, pelo que a higienização depois de cada utente é obrigatória:

  1. Retirar as pedras e deixá-las arrefecer ligeiramente, de forma segura.
  2. Remover os resíduos de óleo com água quente e detergente, esfregando com pano ou escova própria.
  3. Desinfetar com produto indicado para este fim e compatível com a pedra, respeitando o tempo de contacto do fabricante.
  4. Enxaguar e secar completamente.
  5. Guardar secas, limpas e sem resíduos de óleo, em recipiente próprio.

Pedras porosas ou rachadas retêm sujidade e microrganismos e podem partir-se com o calor: retiram-se do uso. Uma pedra rachada nunca vai para o aquecedor.

Manutenção do aquecedor

Cuidado Razão
Esvaziar, limpar e secar a cuba depois do dia de trabalho evita depósitos, bolor e mau cheiro
Água na quantidade indicada pelo fabricante, pedras totalmente imersas aquece de forma uniforme
Termómetro próprio e termómetro independente o do aparelho pode estar descalibrado
Tampa corretamente colocada uma tampa que retém calor pode fazer subir a temperatura acima do indicado
Nunca arrefecer o aquecedor sobreaquecido com gelo ou água muito fria choque térmico e risco de projeção; desliga-se o aparelho e retiram-se as pedras só quando seguro
Verificação elétrica cabos e ficha sem danos; ligação a tomada adequada
Registo de manutenção quem limpou, quando, e avarias

Roupa, mesa e resíduos

Lençóis e toalhas são trocados por utente e lavados segundo o procedimento do estabelecimento. A roupa suja segue em contentor fechado, separada da limpa. A mesa e o apoio de cabeça são higienizados entre utentes. Óleos usados são aplicados em quantidade pequena e frascos não são mergulhados nem contaminados: usa-se uma dose retirada com a mão limpa ou doseador. Resíduos seguem a separação definida pelo estabelecimento.

Exemplo resolvido · fim de dia

No fim do dia, o técnico tem 12 pedras com resíduos de óleo.

  1. Desliga o aquecedor da corrente e deixa arrefecer o suficiente para manusear sem risco.
  2. Retira as pedras com a colher para uma bacia, descarta a água por meios seguros.
  3. Lava cada pedra com água morna e detergente, escova os resíduos de óleo.
  4. Inspeciona cada uma: uma apresenta fissura, é retirada e registada para substituição.
  5. Desinfeta as restantes, enxagua e seca.
  6. Limpa, desinfeta e seca a cuba do aquecedor; guarda as pedras num recipiente seco.
  7. Regista a manutenção. Conclusão: ficam 11 pedras utilizáveis, o aparelho pronto e o registo feito.

4. Anatomia da pele e anexos, e preparação da pele

A massagem geotermal atua sobre a pele, o maior órgão do corpo, e depende dela para o conforto e para a segurança. Quem conhece a pele sabe onde o calor passa mais depressa, onde o risco é maior e quando a pele não deve ser tocada.

Camadas da pele

Camada O que é Interesse para a massagem
Epiderme camada exterior, fina, renovada continuamente; a camada córnea protege barreira que o calor e o atrito podem irritar; descamação e feridas são sinais de atenção
Derme camada intermédia com vasos sanguíneos, terminações nervosas, glândulas e folículos onde se sente o calor e a dor; os vasos dilatam com o calor (rubor)
Hipoderme camada profunda com tecido gordo isolamento e amortecimento; menos espessa em pessoas idosas e muito magras

Anexos cutâneos

Os anexos são os pelos e folículos pilosos, as glândulas sebáceas (produzem sebo), as glândulas sudoríparas (produzem suor e regulam a temperatura) e as unhas. Têm duas consequências práticas: o óleo de massagem e o suor misturam-se com a película da pele, e o pelo pode ser puxado por manobras com atrito se faltar óleo ou se a pressão for má.

Sensibilidade ao calor e à dor

Os recetores térmicos e da dor estão na derme. Quando a sensibilidade está diminuída, o utente pode não detetar uma pedra demasiado quente. É o que acontece em pessoas com neuropatia (doença dos nervos periféricos), frequente em quem tem diabetes de longa duração, e em zonas com cicatrizes, anestesiadas ou com lesão nervosa. Também a pele idosa é mais fina e vulnerável ao calor, e a pele das crianças é mais fina e as crianças nem sempre dizem que estão incomodadas.

Observar a pele antes de começar

Observa-se a pele nas zonas a tocar: cor, temperatura, integridade e textura. Registam-se, sem diagnosticar, sinais como:

O que se observa Atitude
Pele íntegra, sem lesões segue
Feridas, cortes, escoriações, queimaduras solares não aplicar na zona
Erupções, vermelhidão inflamatória, pele quente e dolorosa não aplicar na zona; encaminhar
Eczema, psoríase, infeção cutânea ativa não aplicar; encaminhar
Equimoses (nódoas negras) recentes evitar a zona
Pintas ou manchas que mudaram não opinar; sugerir observação médica
Varizes salientes evitar pressão e calor direto sobre a zona
Cicatrizes recentes ou com sensibilidade alterada evitar calor na zona
Pele muito fina, seca ou frágil reduzir calor e pressão; cuidado redobrado

Preparar a pele para a massagem

A aptidão do referencial é preparar a pele para a massagem geotermal. Na prática:

  1. Pedir ao utente que tome um duche ou que a pele esteja limpa, sem cremes pesados ou perfumes fortes.
  2. Confirmar que não há depilação recente a quente, esfoliação agressiva, sol intenso ou tratamento irritante nas últimas horas ou dias (conforme o protocolo).
  3. Observar a pele e proteger as zonas que não vão ser tratadas.
  4. Aplicar óleo ou creme de massagem em quantidade suficiente para o deslize, após teste de tolerância se houver risco de alergia.
  5. Perguntar sobre alergias conhecidas (óleos, frutos secos, perfumes), porque muitos óleos vegetais derivam de frutos de casca rija.

O óleo cumpre duas funções: permite deslizar a pedra sem atrito excessivo e ajuda a distribuir o calor. Mas atenção: uma pedra muito quente sobre pele muito oleada e húmida pode transmitir o calor de forma mais agressiva, por isso o controlo da temperatura é feito antes de a pedra tocar na pele.

Exemplo resolvido · decidir sobre uma zona de pele

Ao observar as costas da utente Beatriz, o técnico vê uma zona de cerca de 4 cm, vermelha, quente ao toque e ligeiramente descamada, junto à omoplata esquerda.

  1. Não toca com a pedra nem com pressão intensa na zona.
  2. Pergunta à utente, sem alarmar: "Há quanto tempo tem esta zona assim? Dói ou comichão?"
  3. Anota a resposta e o aspeto (localização, tamanho, cor) na ficha.
  4. Decide: não aplicar pedras nessa zona. Pode manter-se o serviço no resto do corpo se o protocolo permitir, ou pedir avaliação ao profissional de saúde do estabelecimento antes de qualquer calor nas costas.
  5. Não diz "é uma alergia" nem "é um fungo": não diagnostica. Diz que é prudente que a zona seja vista por um profissional de saúde.

5. Sistema circulatório e linfático

O calor atua sobre os vasos sanguíneos e a massagem atua sobre os vasos sanguíneos e linfáticos. Para trabalhar em segurança, o técnico precisa de saber o essencial sobre estes dois sistemas.

Sistema circulatório

O coração bombeia o sangue pelas artérias (que o levam do coração aos tecidos) e as veias (que o trazem de volta), ligadas por vasos muito finos, os capilares, onde se fazem as trocas. As veias dos membros inferiores têm válvulas que impedem o refluxo; quando as válvulas falham, as veias dilatam e surgem as varizes.

Conceito Interesse para a massagem geotermal
Vasodilatação o calor dilata os vasos da pele: rubor, sensação de calor, descida da pressão arterial em alguns casos
Retorno venoso as manobras de deslize seguem o sentido do retorno (dos membros para o coração)
Pressão arterial calor e posição podem baixá-la; ao levantar, o utente pode ter tonturas
Frequência cardíaca o calor pode aumentá-la; relevante em doentes cardíacos
Varizes e insuficiência venosa calor e pressão forte sobre a zona podem agravar
Trombose venosa contraindicação grave: a massagem pode soltar um coágulo (embolia)
Anticoagulantes e antiagregantes maior risco de nódoas negras e hemorragia com pressão e calor

Sistema linfático

O sistema linfático recolhe o líquido que sai dos capilares (a linfa) e devolve-o ao sangue, passando por gânglios linfáticos que filtram e defendem. Está concentrado em zonas como o pescoço, as axilas e as virilhas. A circulação linfática não tem bomba própria: depende dos músculos, da respiração e das pulsações das artérias.

Pontos práticos:

Sentido das manobras

Em geral, as manobras de deslizamento longas seguem dos extremos para o centro (dos pés e das mãos para o coração), com pressão adequada, para acompanhar o retorno venoso e linfático. Pressões profundas em zonas de risco são evitadas. A pressão segue sempre o protocolo e a tolerância do utente.

Exemplo resolvido · efeito do calor num utente com tensão alta

O utente Rogério, 67 anos, refere hipertensão controlada com medicação e pergunta se pode fazer massagem geotermal.

  1. O calor dilata os vasos e pode baixar a tensão arterial; num hipertenso medicado essa queda pode somar-se ao efeito da medicação e causar tonturas.
  2. O técnico não decide: regista a informação na ficha e comunica ao profissional de saúde do estabelecimento.
  3. Se o profissional autorizar, adapta-se o serviço: calor moderado, posição que evite descida brusca da pressão, duração controlada.
  4. Ao final, o utente levanta-se devagar, sentado alguns instantes, com ajuda, e é observado.
  5. Conclusão: a doença cardiovascular não se resolve com palpites. A decisão é clínica; a adaptação e a observação são do técnico.

6. Princípios básicos de termoterapia

A termoterapia é o uso do calor (e do frio) com fins terapêuticos ou de bem-estar. A massagem geotermal é uma forma de aplicar calor local por condução: a pedra transfere calor à pele por contacto direto.

Formas de transmissão do calor

Forma Como passa o calor Exemplo
Condução contacto direto entre dois corpos pedra quente sobre a pele (com barreira)
Convecção calor transportado por um fluido (ar, água) banho em água termal, ar quente
Radiação calor emitido à distância lâmpada de infravermelhos
Evaporação perda de calor pela passagem de líquido a vapor suor, água a evaporar da pele

Efeitos do calor no organismo

O calor local tende a provocar:

  1. Vasodilatação da pele e dos tecidos próximos, com rubor e sensação de calor.
  2. Aumento do fluxo sanguíneo local.
  3. Relaxamento muscular e sensação de conforto.
  4. Aumento da sudação se o calor é prolongado ou extenso.
  5. Aumento da temperatura da região e, se for extenso, da temperatura corporal e da frequência cardíaca.

Estas são respostas fisiológicas normais, mas implicam limites: o excesso de calor causa queimadura, desidratação, tonturas e descompensação em quem tem doença cardiovascular.

Efeitos do frio

O frio provoca vasoconstrição, redução da sensação dolorosa e da inflamação local. Em massagem com pedras, o frio usa-se em contraste (pedras arrefecidas) ou em zonas com inflamação ligeira, sempre segundo o protocolo. Também o frio tem contraindicações: pessoas com má circulação periférica, certas doenças vasculares e sensibilidade ao frio. O gelo nunca se aplica diretamente sobre a pele nem por tempo prolongado.

Por que razão o calor queima

A pele sofre dano quando a temperatura e o tempo de contacto se combinam: temperaturas moderadas aplicadas por muito tempo podem queimar, e temperaturas mais altas queimam em poucos segundos ou minutos. O dano depende também da espessura da pele, da humidade (que conduz o calor melhor), da pressão (reduz o fluxo sanguíneo que arrefece a zona) e da sensibilidade do utente. É por isso que:

Contraste e adaptação

A resposta ao calor varia entre pessoas e ao longo do dia (cansaço, desidratação, álcool, medicação, febre). Por isso o técnico não aplica "o mesmo calor a todos": ajusta pelo que o utente diz e pelo que o técnico observa. Um utente que tenha acabado de sair de um tratamento termal com água quente pode ter já a pele aquecida e sensibilizada, pelo que o intervalo e a combinação de tratamentos são definidos pelo protocolo e pela indicação clínica.

Exemplo resolvido · duas utentes, o mesmo calor

A Luísa (35 anos, saudável) e a Dona Amélia (76 anos, pele fina, sem outros problemas) vão receber o mesmo serviço.

  1. A pele da Dona Amélia é mais fina e com menos tecido gordo: conduz o calor mais depressa e protege menos.
  2. A resposta ao calor pode ser menos pronta, e a dona Amélia pode hesitar em dizer que está desconfortável.
  3. O técnico usa pedras claramente mais mornas para a Dona Amélia, mais barreiras, tempos mais curtos, e pergunta com mais frequência.
  4. Para ambas, a decisão final de temperatura é do protocolo do estabelecimento e da indicação do profissional de saúde; mesmo para a Luísa, a pedra é testada na mão do técnico.
  5. Conclusão: dois utentes saudáveis podem exigir temperaturas diferentes. A regra é adaptar e verificar, nunca assumir.

7. As pedras geotérmicas e as normas de aplicação

O referencial pede conhecer as normas de aplicação das pedras geotermais. Aqui estão as regras fundamentais.

Tipos de pedras

Tipo Características Uso
Basalto (pedra vulcânica) escura, densa, lisa; retém bem o calor pedras quentes para deslizar e para colocar
Pedras de rio lisas boa forma, variável retenção de calor; devem ser sem fissuras usadas em alguns protocolos
Mármore e outras pedras claras retêm o frio pedras frias, contraste, zonas sensíveis
Pedras de várias dimensões pequenas (para mãos e pés, só quando o protocolo o permitir), médias, grandes adaptadas à zona do corpo

As pedras devem ser lisas, sem arestas, sem fissuras e sem poros que retenham óleo. O conjunto contém pedras de formas diferentes para pés, mãos, costas, ombros, coxas e outras zonas.

Aquecimento e temperatura

Há duas regras que não se separam: aquecer em água (nunca a seco, no forno ou no micro-ondas, que aquecem de forma desigual e incontrolável) e medir.

Aspeto Orientação prudente
Aquecedor próprio para massagem com pedras, com termostato e termómetro; pedras totalmente imersas
Temperatura da água do aquecedor referência de formação entre cerca de 49 e 54 °C (120 a 130 °F); este valor é um teto: nunca se ultrapassam 54 °C, nem o limite do protocolo do estabelecimento se este for mais baixo; para utentes de risco, pele fina, idosos ou zonas sensíveis usam-se valores mais baixos definidos pelo protocolo
Verificação com dois dispositivos (o do aparelho e um termómetro independente), de forma regular, por exemplo de cinco em cinco minutos durante o serviço
Tampa mantida sem reter calor excessivo; se a água sobreaquece, desliga-se e não se arrefece com água fria ou gelo
Teste da mão o técnico segura a pedra na mão nua durante cerca de cinco segundos (ou testa-a no interior do punho); se não a consegue segurar com conforto, não vai para o utente
Quando duvidar o termómetro e a mão podem discordar: para-se e verificam-se os aparelhos antes de continuar

A temperatura da pedra na pele deve ser agradável para o utente; é sempre a mais baixa que dê conforto. A temperatura da água do aquecedor é apenas a temperatura de armazenamento das pedras. Nenhuma pedra é aplicada na pele à temperatura do aquecedor: cada pedra é retirada, seca, testada na mão e só então colocada, sempre com barreira de tecido seco quando fica parada, e pode ter de arrefecer um pouco antes. Em utentes de risco ou em zonas sensíveis usa-se uma pedra claramente mais morna. A regra final é sempre o protocolo escrito do estabelecimento e a indicação do profissional de saúde.

Normas de colocação

  1. Nunca colocar pedras quentes diretamente sobre pele nua e paradas: usam-se duas camadas de tecido seco (por exemplo, lençol e toalha) quando a pedra fica estática.
  2. Nunca deixar pedras debaixo do utente, mesmo com toalha: o peso do corpo impede a dissipação do calor e a pele fica sob pressão.
  3. Usar pedras secas nos tecidos: o tecido húmido conduz o calor depressa.
  4. Não colocar pedras sobre ossos salientes, sobre o abdómen, sobre o rosto ou entre os dedos, salvo o que o protocolo do estabelecimento prever expressamente.
  5. Respeitar as zonas de contraindicação e as zonas de pele lesada.
  6. Pedras em movimento sobre a pele com óleo: mover sempre e ajustar a pressão ao utente.
  7. Trocar a pedra se arrefece; não reaquecer sobre o utente.
  8. Contar as pedras no início e no fim do serviço, para não ficar nenhuma debaixo de uma toalha ou do utente.
  9. Verificar a pele de forma periódica retirando as barreiras e vendo se há rubor excessivo, manchas, bolhas ou descoloração.

O tempo

O tempo que cada pedra permanece num ponto, e a duração total do serviço, são definidos pelo protocolo do estabelecimento, em função do utente. Como regra de segurança: pedras paradas ficam poucos minutos, com verificação frequente, e a duração total do serviço é a que o protocolo prevê (os serviços deste tipo situam-se normalmente numa hora a hora e meia). Quanto mais frágil o utente, mais curto o tempo e mais frequentes as verificações.

Uso das pedras frias

As pedras frias arrefecem-se em água fria ou em recipiente próprio (não se usa gelo diretamente sobre a pele). Usam-se por curto tempo e com cuidado em pessoas com má circulação periférica ou sensibilidade ao frio.

Exemplo resolvido · o teste antes de pôr a pedra

O técnico retira uma pedra média do aquecedor para colocar sobre o sacro (zona lombar baixa) do utente.

  1. Lê o termómetro do aparelho e o termómetro independente: ambos dentro da referência do protocolo.
  2. Segura a pedra na mão nua durante cerca de cinco segundos: confortável.
  3. Seca a pedra com um pano (a humidade conduz o calor com mais intensidade).
  4. Envolve a pedra em toalha e coloca uma segunda camada de tecido entre ela e a pele.
  5. Pergunta ao utente: "Como sente o calor, agradável, muito quente ou fraco?" e responde ao que ele diz.
  6. Passados poucos minutos, retira o tecido, observa a pele, toca para confirmar que não está excessivamente quente e decide manter, mudar ou retirar.
  7. Se a pedra arrefeceu, troca por outra, não a reaquece no utente. Conclusão: medir, testar, proteger, perguntar e verificar, sempre nesta ordem.

8. Indicações e contraindicações da massagem geotermal

O referencial inclui indicações e contraindicações e a aptidão de identificar reações adversas. Esta é a parte mais importante da UC: é aqui que se protege o utente.

Indicações (para que pode ser usada)

A massagem geotermal pode ser oferecida, em pessoas sem contraindicação, como serviço de bem-estar: relaxamento, alívio da sensação de tensão muscular, conforto e redução do stresse percecionado. Não substitui tratamento médico nem fisioterapia, e o técnico não afirma que "trata" doenças.

Contraindicações: quadro completo

Chama-se contraindicação à situação em que o serviço não deve ser aplicado, ou só pode ser aplicado com autorização e adaptação do profissional de saúde. Distingue-se:

Situação Tipo Porquê Atitude do técnico
Diabetes relativa; grave se houver neuropatia ou má cicatrização a sensibilidade ao calor pode estar reduzida e a pele cicatriza mal; o utente pode não sentir uma queimadura perguntar; sem autorização do profissional de saúde, não aplicar calor; nunca pedras quentes em zonas sem sensibilidade (pés, por exemplo)
Neuropatia periférica (de qualquer causa) local (absoluta para calor nas zonas sem sensibilidade) perda de sensibilidade ao calor e à dor não aplicar calor nas zonas afetadas; encaminhar
Gravidez relativa, muito restritiva evitar subida da temperatura corporal e certos pontos e aromas nunca calor extenso nem pedras quentes no abdómen; qualquer pedra quente só com autorização expressa do profissional de saúde; ver capítulo da aromaterapia
Doença cardiovascular (cardiopatia, hipertensão e hipotensão não controladas, insuficiência cardíaca, arritmias) absoluta se não controlada ou descompensada (adiar); relativa se controlada e medicada o calor altera a pressão e a carga do coração sem autorização, não aplicar
Varizes local, relativa calor e pressão podem agravar evitar a zona; calor moderado só com indicação
Trombose, flebite, história de coágulos absoluta na zona e muitas vezes geral risco de embolia não aplicar; encaminhar
Anticoagulantes ou antiagregantes relativa maior risco de nódoas negras e hemorragia autorização do profissional; pressão leve; evitar pressão profunda
Pele comprometida (feridas, queimaduras, eczema ou psoríase ativos, infeção, micose, erupção, queimadura solar, cicatrizes recentes) local o calor e o atrito agravam e podem infetar não aplicar na zona
Doença oncológica (cancro, em tratamento ou não, ou história recente) relativa, muito restritiva o calor e a pressão podem não ser adequados; risco de linfedema, pele frágil, medicação não aplicar sem autorização da equipa de saúde que acompanha o utente
Febre, infeção aguda, doença contagiosa absoluta enquanto durar o calor agrava; risco de contágio adiar o serviço
Inflamação aguda, lesão recente absoluta enquanto durar agravamento adiar o serviço
Pós-cirúrgico relativa cicatrização e inflamação em curso só com autorização do profissional de saúde
Edema, linfedema, gânglios inchados relativa o calor pode agravar autorização do profissional
Osteoporose grave, fraturas relativa pressão excessiva pressão leve, autorização
Epilepsia relativa as crises podem ser desencadeadas por calor e por estímulos autorização do profissional
Doenças autoimunes (por exemplo lúpus) relativa o calor pode agravar a inflamação e a medicação reduz a defesa da pele autorização do profissional de saúde
Intolerância ao calor ou doença neurológica com sensibilidade ao calor (por exemplo esclerose múltipla) relativa, muito restritiva o calor pode agravar os sintomas autorização; calor mínimo
Doença vascular periférica (arteriopatia) relativa, muito restritiva circulação reduzida, a pele não dissipa o calor e cicatriza mal não aplicar calor nos membros afetados sem autorização
Distúrbios da coagulação (por exemplo hemofilia) relativa hemorragia e nódoas negras autorização; pressão leve
Pacemaker e dispositivos implantados relativa calor e pressão junto ao dispositivo autorização; evitar a zona
Álcool, drogas, sedação absoluta no momento o utente não avalia nem comunica o desconforto adiar
Crianças e pessoas idosas relativa pele mais fina, menos capacidade de reportar calor reduzido, mais verificações, autorização conforme o protocolo
Alergia a óleos ou aromas relativa reação alérgica não usar o produto; alternativa neutra
Menores sem acompanhante / sem consentimento administrativa consentimento seguir o regulamento

Esta tabela é um quadro de apoio à aprendizagem; o que efetivamente se aplica é o que consta do protocolo e da ficha de contraindicações do estabelecimento, validados pela direção clínica. Em caso de dúvida, não se aplica e encaminha-se.

Medicação: o que o técnico faz

O técnico não pergunta para "avaliar" medicamentos, pergunta para identificar risco. As categorias que levantam alertas: anticoagulantes e antiagregantes, anti-hipertensores e outros que baixam a pressão, medicamentos para a diabetes, corticoides (pele frágil), sedativos e analgésicos fortes (reduzem a perceção da dor e do calor). A pergunta é "toma algum medicamento que o médico tenha dito para ter cuidado com o calor ou com massagens?", e a resposta vai para a ficha. Nunca se aconselha mudar ou parar medicação.

Reações adversas

O referencial pede identificar reações adversas. Podem ocorrer durante ou depois:

Reação Sinais Primeira atitude
Calor excessivo utente refere calor, suor intenso, rubor forte retirar a pedra, arrefecer, observar a pele
Queimadura dor, vermelhidão persistente, bolha, pele esbranquiçada ver capítulo das emergências
Tontura, hipotensão palidez, suor frio, fraqueza, visão turva parar, deitar com pernas elevadas se indicado, ar fresco, água, chamar ajuda
Náuseas mal-estar, enjoo parar, ar fresco, água, observar
Dispneia, dor no peito, palpitações falta de ar, dor torácica emergência: parar e chamar ajuda
Reação alérgica comichão, urticária, inchaço, dificuldade respiratória parar o produto, lavar, ajuda; se há dificuldade respiratória, emergência
Dor referida durante a manobra reduzir pressão, mudar de zona, parar se persiste
Nódoas negras aparecem após o serviço informar, registar, aconselhar contacto com o serviço

Exemplo resolvido · rastreio de contraindicações em três utentes

Chegam três utentes. Para cada um, decide-se a atitude.

  1. Utente A diz que é diabética há 20 anos e "já não sente bem os pés". Isto aponta para neuropatia nos pés: não se aplica calor nos pés; o resto do serviço só com autorização do profissional de saúde. Encaminhar.
  2. Utente B está grávida de 5 meses e quer "umas pedras quentes nas costas". Sem autorização do profissional de saúde, não se aplica. Se for autorizada, evita-se calor extenso, abdómen e posições desconfortáveis; óleos essenciais só segundo orientação.
  3. Utente C toma um anticoagulante após uma trombose na perna há três meses. É uma situação em que o risco é elevado (trombose recente e anticoagulação): não se aplica sem autorização expressa; nem se pondera a perna.
  4. Em todos os casos, o técnico regista a informação, explica com calma que a decisão é clínica e propõe ao utente que fale com o profissional de saúde do estabelecimento.
  5. Conclusão: a pergunta nunca é "o que posso fazer a esta pessoa?" mas "esta pessoa pode receber o serviço, e quem decide?". A resposta é sempre: a quem de direito, que não é o técnico.

9. Ficha do utente, comunicação e ética em saúde

O referencial pede preencher a ficha de dados pessoais do utente, aplicar técnicas de comunicação e aplicar os princípios de ética em saúde. Os três estão ligados: a ficha só serve se o utente confiar no técnico e se o técnico tratar a informação com respeito.

A ficha de dados pessoais e de rastreio

A ficha segue o modelo do estabelecimento. Habitualmente inclui:

Bloco Conteúdo típico
Identificação nome, data de nascimento, contacto, data do serviço
Motivo da procura o que o utente procura (relaxamento, conforto)
Saúde doenças conhecidas, cirurgias recentes, gravidez, medicação, alergias
Contraindicações lista de verificação com respostas sim/não e observações
Pele observação do técnico antes do serviço
Preferências zonas a evitar, pressão desejada, temperatura confortável
Consentimento o utente declara que foi informado do serviço e dos riscos e aceita
Registo do serviço pedras usadas, zonas, duração, reações observadas, assinatura do técnico

Boas práticas: preencher com o utente e em local reservado; perguntar de forma aberta e depois fechada; escrever com letra legível e sem abreviaturas pessoais; nunca deixar campos de saúde por preencher; guardar a ficha em local seguro. Os dados de saúde são dados pessoais sensíveis: só quem precisa deles os consulta, e a sua proteção segue a lei da proteção de dados e as regras do estabelecimento.

Consentimento informado

Antes de começar, explica-se, em linguagem simples, o que vai acontecer: a duração, o uso de pedras quentes e frias, o óleo, as zonas do corpo, a possibilidade de o utente pedir para parar a qualquer momento. O utente pode recusar ou interromper em qualquer fase, sem justificar. O consentimento não é uma assinatura apressada: é uma conversa.

Técnicas de comunicação com o utente

Técnica Como se faz Exemplo
Acolhimento cumprimentar, apresentar-se, olhar, sorrir "Bom dia, sou o Tiago, vou acompanhá-la hoje."
Escuta ativa deixar falar, confirmar o que se percebeu "Se percebi bem, sente mais tensão no ombro direito."
Perguntas abertas para descobrir "Como se tem sentido?"
Perguntas fechadas para confirmar "Tem alguma alergia a óleos?"
Explicar antes de fazer descrever cada passo "Vou colocar agora uma pedra morna nas costas."
Verificar perguntar durante "O calor está agradável?"
Linguagem acessível evitar termos técnicos "inchaço" em vez de "edema"
Assertividade dizer não com respeito "Hoje não posso aplicar pedras quentes; vamos pedir ao enfermeiro que o veja."
Empatia reconhecer o que sente "Compreendo que seja desagradável adiar."

Assertividade é dizer o necessário, sem agressividade e sem ceder: quando o utente insiste em avançar apesar de uma contraindicação, o técnico mantém a posição com calma e explica que se trata de segurança. Empatia é perceber o que o utente sente sem perder a postura profissional.

Ética em saúde: aspetos gerais

Princípio Em massagem geotermal
Autonomia o utente decide sobre o seu corpo; consente, recusa, interrompe
Beneficência agir para o bem do utente: conforto, segurança
Não maleficência não causar dano: se há dúvida sobre segurança, não se aplica
Justiça tratar todos com igual respeito e qualidade
Confidencialidade não revelar nada do que o utente diz ou da sua saúde
Privacidade e pudor cobrir sempre a parte do corpo que não está a ser trabalhada; sair da sala quando o utente se despe
Competência só fazer o que sabe e para que está autorizado
Honestidade não prometer curas, não exagerar benefícios

Limites profissionais: não há contacto fora do âmbito do serviço; não se aceitam pedidos de tratamento de áreas íntimas; não se comentam o corpo nem a vida pessoal do utente; sinais de abuso por parte do utente, ou de que o utente é vítima de maus-tratos, são tratados segundo os procedimentos do estabelecimento e comunicados à chefia.

Exemplo resolvido · preencher a ficha com uma resposta duvidosa

O utente Armando, 58 anos, assinala "não" em todas as doenças, mas durante a conversa diz que "toma uns comprimidos para o sangue".

  1. O técnico não ignora: "comprimidos para o sangue" pode ser anticoagulante, antiagregante ou outro.
  2. Pergunta com calma: "Sabe o nome desses comprimidos, ou para que o médico os receitou?"
  3. O utente não sabe. O técnico regista na ficha: "refere medicação 'para o sangue', desconhece nome e finalidade".
  4. Sem esclarecimento, não aplica pedras quentes e propõe confirmar com o profissional de saúde do estabelecimento ou com o médico do utente.
  5. Explica que é uma medida de segurança e não de desconfiança, e oferece alternativa que o protocolo permita (por exemplo, marcar noutro dia).
  6. Conclusão: a ficha não é só um formulário, é uma conversa. Uma resposta "não" na lista pode ser desmentida pela conversa; a prudência manda esclarecer antes de aplicar.

10. Protocolo e normas de instalação do utente

A segunda realização do referencial é instalar o utente para a massagem geotermal, e o critério de desempenho é posicionar o utente de forma adequada à intervenção.

Receção e preparação do utente

  1. Acolher e confirmar a identidade.
  2. Preencher ou rever a ficha e verificar contraindicações.
  3. Explicar o serviço e obter consentimento.
  4. Informar sobre objetos a retirar: relógios, joias, lentes de contacto, aparelhos auditivos se necessário, e deixar os pertences em local seguro.
  5. Indicar a casa de banho antes de começar.
  6. Explicar como se despir (roupa interior conforme o conforto e o protocolo), onde deixar a roupa e como se deitar, e sair da sala para dar privacidade.
  7. Regressar apenas depois de o utente estar deitado e coberto.

Posicionamento

Posição Descrição Cuidados
Decúbito ventral deitado de barriga para baixo apoio sob os tornozelos, orifício ou apoio da face, pescoço neutro; atenção a utentes com problemas respiratórios ou lombares; mulheres grávidas só com indicação
Decúbito dorsal deitado de costas almofada sob joelhos para aliviar a região lombar; cabeça apoiada; nunca pedras sob o utente
Decúbito lateral deitado de lado apoio entre os joelhos e sob a cabeça; útil para grávidas e para quem não tolera as outras posições, mediante indicação
Semissentado tronco elevado para quem não tolera deitar-se plano (por exemplo, problemas respiratórios ou cardíacos), mediante indicação

Em todas as posições: coluna alinhada, articulações apoiadas, sem pressão sobre zonas dolorosas, utente confortável. Se o utente tem dor ao deitar, não se força.

Cobrir e descobrir (draping)

O utente fica sempre coberto, com descoberta apenas da zona em trabalho. Isto serve três fins: pudor, manter o calor e proteger a pele quando se colocam camadas entre a pedra e o corpo. Técnica: lençol ou toalha de banho que se dobra para expor um membro ou a região das costas, mantendo as zonas íntimas cobertas.

Segurança durante a instalação

Fim do serviço

Quando termina, o técnico informa que acabou, deixa o utente descansar alguns minutos, ajuda-o a sentar-se devagar e só depois a levantar-se, oferece água e verifica se há tonturas. Só então sai da sala para o utente se vestir. Dá indicações simples de cuidados após o serviço: beber água, evitar esforços intensos, banhos muito quentes e álcool nas horas seguintes, conforme as orientações do estabelecimento, e dizer ao estabelecimento se surgir algum desconforto.

Exemplo resolvido · instalar uma utente com problemas lombares

A utente Teresa, 62 anos, refere dor lombar e dificuldade em deitar de barriga para baixo.

  1. O técnico verifica a ficha e a ausência de contraindicações para o serviço.
  2. Propõe começar em decúbito dorsal, com uma almofada ou rolo sob os joelhos para reduzir a tensão lombar.
  3. Ajuda a Teresa a subir à mesa com o degrau, segura o braço, pede-lhe que se sente na borda e que se deite devagar.
  4. Cobre-a com o lençol e a toalha, deixando descoberta apenas a zona onde vai trabalhar.
  5. Pergunta se está confortável, se a cabeça está bem apoiada e se tem frio.
  6. Lembra: "Se alguma pedra lhe parecer quente de mais, diga logo, e retiro."
  7. Conclusão: o posicionamento adapta-se à pessoa, não o contrário.

11. Manobras de massagem geotermal e colocação das pedras

A terceira realização é realizar as manobras de colocação das pedras, e o critério de desempenho é executar com autonomia procedimentos de colocação de pedras de acordo com as normas da massagem geotermal.

Tipos de manobras com pedras

Manobra O que é Cuidados
Colocação estática pedra pousada numa zona (sacro, costas, palmas e, só se a ficha o permitir e a pedra for claramente morna, plantas dos pés), com barreira tempo curto, barreira dupla, verificação frequente
Deslizamento (effleurage) pedra desliza com óleo em movimentos longos e lentos pressão uniforme, sentido do retorno venoso, verificar temperatura
Amassamento com pedra pressão e movimento circular sobre massas musculares pressão adaptada; evitar ossos e zonas sensíveis
Fricção em pontos pressão localizada com a extremidade da pedra pressão leve a moderada, nunca dolorosa
Percussão leve pedras batidas suavemente uma na outra ou sobre uma zona só se o protocolo prever e o utente aceitar
Pedras frias aplicação breve para contraste atenção a sensibilidade ao frio

Sequência típica de um serviço

O protocolo do estabelecimento fixa a sequência. Um exemplo de estrutura:

  1. Acolhimento e rastreio (ficha, contraindicações, consentimento).
  2. Preparação: instalação e verificação da temperatura das pedras.
  3. Aquecimento da zona com as mãos e óleo: toques suaves, informar o utente de que as pedras estão a chegar.
  4. Colocação inicial de pedras (com barreira) em zonas de apoio, quando o protocolo o prevê.
  5. Deslizamento com pedras nas costas, ombros, pernas, braços, em segmentos, com sentido do retorno.
  6. Pausas e verificação: perguntar, observar a pele, trocar pedras.
  7. Mudança de posição, se prevista, com ajuda ao utente.
  8. Trabalho final: manobras mais suaves, pedras mais mornas ou neutras.
  9. Retirada das pedras: contar, confirmar que nenhuma ficou debaixo do utente.
  10. Repouso, levantar com cuidado, água, indicações finais.
  11. Registo na ficha.

Execução com autonomia: o que é "bem feito"

Aspeto Sinal de execução correta
Segurança temperatura medida, barreiras, contagem das pedras
Comunicação pergunta e responde ao utente; antecipa o que vai fazer
Ritmo lento, contínuo, sem movimentos bruscos
Pressão adaptada ao utente e à zona; nunca dolorosa
Postura ergonómica, pulsos neutros
Contacto sempre uma mão (ou uma pedra) a manter contacto para o utente não ser surpreendido
Organização pedras e tecidos no sítio; sem procurar material com o utente à espera
Higiene mãos lavadas, pedras limpas, tecidos secos
Registo ficha completa

Autonomia significa conseguir decidir e agir sem supervisão constante dentro do protocolo, e saber quando parar e pedir ajuda. Não significa improvisar fora do protocolo.

Zonas e cuidados por região

Região Cuidados
Costas zona principal; evitar pressão sobre a coluna vertebral, trabalhar os músculos de ambos os lados
Ombros e pescoço pedras mais pequenas; pescoço é sensível, pressão leve
Braços e mãos pedras mais mornas; cuidado com a pele fina do interior do braço
Pernas atenção a varizes, edema, história de trombose; trabalho no sentido ascendente
Pés zona frequentemente com sensibilidade reduzida em diabéticos: não aplicar calor sem autorização
Abdómen pedras quentes não se colocam; manobras só segundo protocolo
Rosto pedras quentes não se aplicam; se o protocolo prever, apenas pedras frias
Zonas íntimas e mamas nunca

Gerir as pedras durante o serviço

O técnico mantém as pedras em movimento ou em rotação: as que estão a ser usadas arrefecem e voltam ao aquecedor, e as novas são retiradas e testadas. Nunca se reaquece uma pedra no corpo do utente, nem se coloca uma pedra "para acabar de arrefecer" sobre o utente. Uma pedra caída ao chão é verificada (fissuras) e higienizada antes de qualquer reutilização. As pedras são contadas no início e no fim.

Exemplo resolvido · deslizar uma pedra nas costas

O técnico vai fazer um deslizamento com pedra nas costas da utente Inês, em decúbito ventral, já com óleo aplicado.

  1. Retira uma pedra do aquecedor com a colher, mede, testa na mão e seca.
  2. Avisa: "Vou passar agora uma pedra morna nas costas, diga-me se estiver quente."
  3. Coloca a pedra primeiro ao longo do lado do corpo, fora da coluna, e inicia o deslize do sacro para os ombros, em movimento longo e lento, com a mão livre a acompanhar.
  4. Após alguns movimentos, pergunta como sente o calor e observa a pele (rubor).
  5. Troca a pedra quando arrefece ou se a utente referir calor; repete do outro lado, com ritmo constante.
  6. Evita sempre pressão sobre a coluna e sobre as saliências ósseas.
  7. No final, retira a pedra, passa a mão para confirmar a temperatura da pele e continua com manobras sem pedra, mais suaves.

12. Avaliar o utente antes, durante e depois

O terceiro critério de desempenho é avaliar o utente antes, durante e após a intervenção. Avaliar não é diagnosticar: é observar, perguntar e registar para decidir se avança, adapta, para ou encaminha.

Antes

Observa-se o estado geral (aspeto, marcha, respiração), pergunta-se como se sente, verifica-se a ficha e a pele. Pergunta-se: "Como se sente hoje? Teve febre, tonturas ou mal-estar? O que comeu e bebeu? Tomou álcool? Dormiu bem?" Se há sinais de que o utente não está bem para o serviço, adia-se.

Durante

O que observar Sinais Atitude
Conforto térmico o utente fala em calor, mexe-se, faz careta reduzir o calor, trocar a pedra
Pele rubor muito forte, manchas, bolhas, branqueamento parar, retirar a pedra, arrefecer, observar
Respiração respiração acelerada, falta de ar parar, ajudar, avaliar necessidade de emergência
Cor e suor palidez, suor frio parar, ar fresco, água, posição segura
Consciência confusão, sonolência anormal parar, chamar ajuda
Dor referida ou denunciada por tensão muscular reduzir pressão
Tensão emocional choro, ansiedade parar, acolher, perguntar

Não se depende só do que o utente diz: um utente relaxado, sonolento ou com sensibilidade reduzida pode não referir o calor. Por isso o técnico verifica a pele e a pedra, e não só a resposta.

Depois

Observa-se a pele nas zonas tratadas (rubor normal, que desaparece, ou sinais anormais), pergunta-se como se sente, verifica-se se há tonturas ao levantar-se, regista-se. Dá-se uma indicação simples: beber água, descansar, comunicar ao estabelecimento qualquer desconforto. Se houve ocorrência, informa-se a chefia e o profissional de saúde.

Rubor normal e rubor anormal

Aspeto Normal Sinal de alerta
Cor rosada, uniforme, a desvanecer em minutos vermelho intenso, manchas, branqueamento, bolhas
Limites difuso bem delimitado no formato da pedra
Dor nenhuma ou conforto dor, ardor que persiste
Evolução desaparece persiste ou agrava horas depois

O registo

O registo tem de ser objetivo e factual: data, hora, técnico, zonas, pedras e tempos aproximados, temperatura verificada, reações do utente, eventuais ocorrências e quem foi informado. Escreve-se o que se viu ("rubor de 3 cm, sem bolha, desapareceu em 10 minutos"), não interpretações ("acho que é alergia").

Exemplo resolvido · rubor delimitado após uma pedra

Durante o serviço da utente Filipa, o técnico levanta uma pedra e vê uma marca vermelha bem delimitada, com a forma da pedra, na região lombar.

  1. Retira de imediato as pedras dessa zona.
  2. Pergunta: "Sentiu mais calor aí? Dói ou arde?"
  3. Observa: cor, tamanho, bolha? Toca com o dorso da mão: temperatura.
  4. Arrefece a zona com água corrente fria, sem gelo e sem esfregar, e interrompe o calor; se há dor, ardor persistente ou bolha, segue o capítulo 13.
  5. Não retoma pedras nessa zona. Se há dor, bolha ou a marca não desaparece, chama o profissional de saúde do estabelecimento.
  6. Regista com precisão e informa a chefia.
  7. Conclusão: uma marca delimitada com a forma da pedra é um aviso de calor excessivo ou de tempo demais; o serviço adapta-se e a ocorrência regista-se.

13. Procedimentos de emergência

O referencial pede aplicar os procedimentos de emergência. O técnico de termalismo não é médico nem enfermeiro, mas tem de saber reconhecer, proteger, alertar e apoiar até chegar quem tem competência.

Regra geral: PAS e alerta

Em qualquer emergência: Proteger (a si, ao utente e ao local), Alertar (chamar ajuda do estabelecimento e, se necessário, o número europeu de emergência 112), Socorrer (prestar os cuidados básicos que sabe e para que tem formação). Sabe-se de cor onde está o telefone, o desfibrilhador (se existir), o kit de primeiros socorros e o nome e contacto do profissional de saúde de serviço.

Queimadura por pedra

Passo Ação
1 Retirar a pedra e a fonte de calor imediatamente
2 Arrefecer a zona de imediato com água corrente fria (até cerca de 15 °C), sem gelo, durante 15 a 20 minutos, como indica a Norma n.º 023/2012 da Direção-Geral da Saúde
3 Não rebentar bolhas, não aplicar pomadas, pasta de dentes, óleo ou manteiga
4 Retirar adornos junto à zona antes de inchar, se possível; não arrancar tecido colado
5 Cobrir sem apertar com pano limpo, sem deixar a pessoa arrefecer demais (evitar a hipotermia)
6 Chamar o profissional de saúde do estabelecimento; 112 se a queimadura é extensa, funda, no rosto, mãos, genitais ou articulações, ou se o utente está mal
7 Registar e comunicar à chefia

O protocolo do estabelecimento prevalece sobre esta lista.

Desmaio, tonturas e quebra de tensão

  1. Parar o serviço e retirar as pedras.
  2. Deitar o utente de costas, com as pernas elevadas se não houver contraindicação.
  3. Garantir ar fresco, desapertar o que aperta.
  4. Se estiver consciente, dar água em pequenos goles depois de melhorar; nada pela boca se estiver inconsciente.
  5. Se não responde, alertar e verificar a respiração; se não respira normalmente, 112 e iniciar manobras de suporte básico de vida se tem formação.
  6. Mantê-lo acompanhado até chegar ajuda.

Hipoglicemia (em utente diabético)

Os sinais incluem suor frio, tremores, fome súbita, palidez, confusão, irritabilidade. Se o utente está consciente e consegue engolir, pode seguir-se o procedimento do estabelecimento para dar açúcar de absorção rápida; se está inconsciente ou confuso, nada pela boca, 112. Informa-se sempre o profissional de saúde.

Dor no peito, falta de ar, suspeita de AVC

Parar o serviço, manter o utente sentado ou na posição mais confortável, alertar e chamar 112, acompanhar e registar a hora de início dos sintomas. Sinais de alarme de AVC: boca ao lado, fraqueza num braço, dificuldade em falar.

Reação alérgica

Parar e retirar o produto, lavar a pele. Se há inchaço da face, dificuldade respiratória ou mal-estar geral: emergência, 112.

Depois da emergência

O técnico faz um relatório da ocorrência: o que viu, o que fez, a que horas, quem foi informado. Colabora com a investigação interna e com a melhoria dos procedimentos. Rever a ocorrência com a equipa serve para evitar repetição, não para culpar.

Exemplo resolvido · utente que fica pálido a meio do serviço

A meio do serviço, a utente Graça diz "sinto-me esquisita" e fica pálida, com suor frio.

  1. O técnico para de imediato e retira as pedras.
  2. Pergunta o que sente, observa a cor e a respiração.
  3. Deita-a de costas, ergue-lhe as pernas, abre uma janela ou ventila a sala.
  4. Chama o colega ou o profissional de saúde de serviço, sem a deixar sozinha.
  5. Quando melhora, dá-lhe água em pequenos goles, sentada devagar.
  6. Se não melhora, se perde a consciência ou se se queixa de dor no peito, chama o 112.
  7. Regista a ocorrência e informa a chefia. Conclusão: nenhuma massagem justifica continuar com um utente que está mal.

14. Reflexologia: noções e procedimentos

A quarta realização do referencial é realizar procedimentos de reflexologia, apoiada nas noções de reflexologia e na aptidão de aplicar os princípios de reflexologia.

O que é a reflexologia

A reflexologia é uma prática de bem-estar em que se aplica pressão com os dedos e as mãos em zonas dos pés (reflexologia podal), das mãos ou das orelhas, com a ideia de que essas zonas correspondem a regiões do corpo. É uma técnica complementar de relaxamento e conforto. O técnico não a apresenta como diagnóstico nem como tratamento de doenças: não "lê" o pé para descobrir doenças e não promete efeitos clínicos.

O mapa dos pés

A base é um mapa que divide o pé em zonas associadas a regiões do corpo. Um esquema simplificado, usado como apoio à aprendizagem:

Zona do pé Região associada no mapa
Pontas dos dedos cabeça
Dedo grande cabeça e pescoço
Base dos dedos zona dos ombros e peito
Parte superior do arco plantar zona do tronco e órgãos superiores
Parte média do arco zona abdominal
Parte inferior do arco zona digestiva baixa
Calcanhar zona da bacia e região lombar baixa
Bordo interno coluna vertebral
Bordo externo ombro, anca, joelho

Pé direito e pé esquerdo correspondem, no mapa, aos lados do corpo respetivos. Os mapas variam ligeiramente entre escolas; o técnico segue o do estabelecimento.

Procedimento básico

  1. Verificar contraindicações locais: feridas, infeções (micose, verrugas), varizes ou edema nos pés e pernas, trombose, pé diabético ou neuropatia, queimaduras, fraturas ou cirurgia recente, gota em crise.
  2. Posicionar o utente em decúbito dorsal ou semissentado, com o pé apoiado e relaxado.
  3. Higienizar as mãos e, se necessário, o pé do utente.
  4. Aquecer o pé com toques suaves e pressões leves.
  5. Percorrer as zonas com a técnica de pressão: o polegar avança por pequenos "passos" com pressão moderada e constante, sem esmagar nem provocar dor.
  6. Perguntar sobre a pressão e adaptá-la.
  7. Terminar com movimentos suaves e relaxantes, e repetir no outro pé.
  8. Registar a duração e eventuais reações.

Reflexologia e pedras

Num serviço geotermal, podem usar-se pedras mornas na planta do pé e movimentos de pressão com pedra, mas há cuidados especiais: os pés são a zona onde a sensibilidade ao calor está mais frequentemente reduzida (por exemplo, em diabéticos), e a pele da planta pode ter calosidades que disfarçam a perceção. O calor nos pés só se aplica se a ficha o permitir e a pedra for claramente morna.

Pressão, tempo e sensação

A pressão deve ser firme mas confortável: um leve desconforto "bom" é aceitável, dor não. O tempo por pé segue o protocolo (tipicamente alguns minutos por zona). Efeitos como sono, vontade de urinar ou sensibilidade nos dias seguintes são relatados por alguns utentes e não devem ser interpretados pelo técnico como sinais de doença.

Exemplo resolvido · decidir se se faz reflexologia podal

O utente Nuno, 55 anos, quer reflexologia podal. Na ficha refere diabetes e "formigueiro nos pés à noite".

  1. Diabetes mais formigueiro nos pés pode indicar neuropatia: sensibilidade ao calor e à dor diminuída.
  2. O técnico não conclui o diagnóstico, mas aplica a precaução: sem calor nos pés (nada de pedras quentes).
  3. Pressão manual apenas se o profissional de saúde autorizar, e leve, com inspeção prévia da pele dos pés (feridas, fissuras, bolhas).
  4. Se o profissional de saúde não autoriza, adia-se; o técnico propõe alternativa autorizada (por exemplo, massagem de mãos ou outra zona).
  5. Regista tudo na ficha. Conclusão: a técnica é suave, mas o utente em causa exige autorização e cautela.

15. Chacras

O referencial inclui chacras e pede a aptidão de aplicar os princípios inerentes à teoria dos chacras. A teoria dos chacras vem de tradições espirituais da Índia e é usada em muitas práticas de bem-estar como quadro simbólico para organizar a experiência: não é um modelo científico de anatomia ou fisiologia, e por isso o técnico apresenta-a como uma tradição e uma ferramenta de relaxamento, nunca como explicação de doenças.

Os sete chacras principais

Chacra Localização Cor associada Tema simbólico
Raiz (Muladhara) base da coluna vermelho segurança, estabilidade
Sacral (Svadhisthana) abaixo do umbigo laranja criatividade, emoção, prazer
Plexo solar (Manipura) acima do umbigo amarelo vontade, confiança
Cardíaco (Anahata) centro do peito verde amor, compaixão
Laríngeo (Vishuddha) garganta azul comunicação, expressão
Frontal ou "terceiro olho" (Ajna) entre as sobrancelhas índigo intuição, clareza
Coronário (Sahasrara) topo da cabeça violeta ou branco ligação, serenidade

Pedras e chacras na prática

Em alguns protocolos de massagem geotermal, as pedras são alinhadas ao longo da coluna ou do corpo segundo o esquema dos chacras. Na prática de um estabelecimento termal, aplicam-se as mesmas regras de segurança de qualquer colocação de pedras: barreira, temperatura, tempo, contraindicações. A simbologia não justifica colocar pedras onde o protocolo de segurança o proíbe (rosto, abdómen, entre os dedos, sob o utente, em zonas íntimas).

Como falar do tema com o utente

O técnico respeita as crenças do utente e a sua ausência delas. Não impõe a teoria, não a vende como ciência nem faz afirmações sobre saúde. Frases adequadas: "Neste serviço usamos uma sequência inspirada na tradição dos chacras, para quem gosta; se preferir, fazemos uma sequência neutra." Frases a evitar: "O seu chacra do coração está bloqueado, é por isso que tem a tensão alta."

Exemplo resolvido · utente cético

Uma utente, a Marta, diz: "Não acredito nessas coisas dos chacras, só quero relaxar."

  1. O técnico respeita a posição, sem argumentar nem tentar convencer.
  2. Pergunta se prefere uma sequência sem referência aos chacras.
  3. Adapta o discurso: fala em zonas do corpo (costas, ombros, lombar) e não em energias.
  4. Mantém os mesmos critérios de segurança, temperaturas e verificações.
  5. Conclusão: a teoria é opcional; a segurança, nunca.

16. Noções de aromaterapia

O referencial pede noções de aromaterapia (no conhecimento do referencial, escrito «aromoterapia») e a aptidão de aplicar os princípios de aromaterapia. A aromaterapia é o uso de óleos essenciais e de aromas com fins de bem-estar. É um complemento da massagem, nunca um tratamento médico.

O que são os óleos essenciais

Os óleos essenciais são líquidos aromáticos, voláteis e muito concentrados, extraídos de plantas (flores, folhas, cascas, frutos, raízes). Por serem concentrados, nunca se aplicam puros sobre a pele, e diluem-se num óleo vegetal (óleo de base, ou "carreador"), como amêndoas doces, grainha de uva, jojoba ou outro, tendo em atenção as alergias.

Diluição

Situação Orientação prudente
Adulto saudável, massagem corporal diluição habitualmente entre 1 e 3 % do óleo essencial no óleo de base
Pele sensível, pessoas idosas, gravidez, doença diluição mais baixa (em geral 0,5 a 1 %) e, em gravidez e doença, apenas com autorização do profissional de saúde
Crianças só com orientação específica; não faz parte do serviço corrente
Rosto e zonas delicadas diluições ainda mais baixas ou evitar

Estas percentagens são referências de aprendizagem da prática corrente de aromaterapia; o estabelecimento define as misturas autorizadas, os óleos permitidos e as diluições. O técnico não improvisa misturas.

Exemplo de cálculo

Para preparar 30 ml de óleo de massagem a 2 %:

  1. 2 % de 30 ml = 0,02 × 30 = 0,6 ml de óleo essencial.
  2. Como 1 ml corresponde a cerca de 20 gotas (a gota varia com o conta-gotas), 0,6 ml equivale a cerca de 12 gotas.
  3. O resto (cerca de 29,4 ml) é óleo de base.

Os valores em gotas são aproximados; usa-se o doseador ou a mistura pré-preparada do estabelecimento sempre que possível.

Segurança em aromaterapia

Risco Cuidado
Irritação e sensibilização da pele diluir; teste prévio na pele (pequena zona, aguardar); parar se há ardor ou rubor
Alergias perguntar sobre alergias a plantas, perfumes, frutos de casca rija; óleos de base de frutos secos exigem atenção
Fototoxicidade alguns óleos de citrinos aumentam a sensibilidade ao sol: informar o utente e evitar exposição solar na zona nas horas seguintes, conforme as indicações do estabelecimento
Gravidez muitos óleos são desaconselhados; só com autorização
Asma, epilepsia, hipertensão e outras doenças alguns óleos são desaconselhados; só com autorização
Calor o calor aumenta a absorção e a intensidade do aroma e da irritação; reduzir a quantidade em contacto com pedras quentes
Ingestão nunca dar a ingerir; frascos fora do alcance de crianças
Armazenamento frascos de vidro escuro, bem fechados, ao abrigo da luz e do calor, com data de abertura
Perfumes fortes alguns utentes têm enxaquecas ou náuseas; perguntar antes e arejar

Escolher o aroma

O aroma escolhe-se com o utente: pergunta-se se há aromas de que goste ou que não suporte. Aromas habitualmente associados a relaxamento, na tradição da aromaterapia, incluem lavanda e camomila; outros, como cítricos, associados a frescura. Estas associações são tradicionais e de bem-estar, não indicações médicas.

Exemplo resolvido · utente com sensibilidade a cheiros

Uma utente, a Cláudia, refere "enxaquecas com perfumes fortes".

  1. O técnico não usa óleos essenciais por defeito: pergunta sobre aromas que tolera.
  2. Propõe óleo de base neutro e sem perfume.
  3. Se a utente quiser um aroma, usa uma diluição baixa de um óleo que ela conheça e tolere, com autorização do estabelecimento, e arejam a sala.
  4. Regista na ficha a preferência e a precaução.
  5. Conclusão: o aroma é opcional; o conforto e a tolerância do utente decidem.

17. Reclamações, relação com o utente e qualidade

O referencial pede resolver ou encaminhar as reclamações dos utentes e aplicar normas da qualidade.

Porque aparecem reclamações

Raramente uma reclamação nasce do nada. As causas mais frequentes são: espera sem aviso, calor excessivo, pressão desadequada, desrespeito pela privacidade, higiene percebida como insuficiente, expectativas irreais ("vai tratar-me a dor") e preço ou marcação. Quase todas se previnem com comunicação clara, consentimento e verificação.

Como receber uma reclamação

Passo Atitude
1. Escutar sem interromper, sem justificar logo; manter calma e contacto visual
2. Reconhecer "Compreendo que tenha ficado incomodada." (reconhecer o sentimento não é admitir culpa)
3. Perguntar para perceber o que aconteceu, com factos
4. Resolver o que está ao alcance pedir desculpa pelo desconforto, repetir o serviço se o protocolo o prever, ajustar o que for possível
5. Encaminhar o que não é da competência queixa por escrito, ocorrência de saúde ou caso de responsabilidade: encaminhar à chefia e ao profissional de saúde
6. Registar por escrito, os factos
7. Fechar informar o utente do que vai acontecer e quando

Livro de reclamações: os estabelecimentos têm de disponibilizar o livro de reclamações, em papel e/ou eletrónico, nos termos da lei em vigor. Se o utente o pede, não se recusa nem se dificulta: facilita-se o acesso e comunica-se à chefia.

Reclamações com componente de saúde

Se há queixa de dor, queimadura, nódoa negra ou outro dano, não se minimiza nem se discute: informa-se de imediato o profissional de saúde do estabelecimento, presta-se o apoio previsto e regista-se. A avaliação do dano e as consequências cabem ao profissional de saúde e à direção.

Normas da qualidade

A qualidade num serviço de bem-estar assenta em procedimentos escritos, registos, formação, higiene, satisfação do utente e melhoria contínua. Na prática:

Elemento O que o técnico faz
Protocolos escritos conhece-os e segue-os
Registos preenche a ficha e os registos de limpeza, temperatura e manutenção
Higiene cumpre os procedimentos de higienização
Instrumentos de medição termómetros verificados e substituídos se avariados
Não conformidades comunica desvios (por exemplo, termómetro avariado, pedra rachada, ficha incompleta)
Satisfação recolhe opinião do utente quando previsto
Melhoria participa na análise de ocorrências

Muitos estabelecimentos aplicam normas de gestão da qualidade ou referenciais próprios; o técnico segue os do seu estabelecimento, sem inventar equivalências.

Exemplo resolvido · reclamação por calor excessivo

O utente Joaquim, no fim do serviço, diz que "algumas pedras estavam quentes demais" e que "ficou com a pele vermelha". Mostra uma zona rosada nas costas.

  1. O técnico escuta sem interromper e agradece a informação.
  2. Pede desculpa pelo desconforto e observa a zona com o utente: rubor difuso, sem bolha, sem dor.
  3. Não diagnostica nem minimiza; chama o profissional de saúde do estabelecimento para ver a zona.
  4. Explica o que acontecerá a seguir e que pode fazer uma reclamação formal se o desejar; facilita o livro de reclamações se for pedido.
  5. Regista os factos, verifica o termómetro e o aquecedor e informa a chefia.
  6. Conclusão: ouvir, observar, encaminhar, registar e corrigir a causa.

18. Segurança e saúde no trabalho

O referencial pede aplicar normas de segurança e saúde no trabalho, e o respeito por elas é uma atitude esperada.

Riscos do posto de trabalho

Risco Exemplo Prevenção
Térmico queimadura nas mãos com pedras ou água quente colher e pinça próprias; teste da mão; formação
Elétrico aquecedor, cabos, humidade tomada adequada, cabos sem danos, mãos secas, aparelho com certificação e manutenção
Queda e escorregamento chão molhado e com óleo pisos secos, calçado antiderrapante, limpeza imediata de derrames
Ergonómico posturas forçadas, repetição, carregar peso mesa regulável, pulsos neutros, pausas, não levantar o aquecedor cheio
Biológico contacto com pele, suor higiene das mãos, higienização, pele do técnico protegida
Químico desinfetantes, óleos essenciais fichas de segurança, ventilação, rotular, luvas de proteção quando se manuseia o desinfetante
Psicossocial cansaço, situações difíceis com utentes pausas, apoio da equipa, comunicação com a chefia

Equipamento de proteção e fardamento

Farda limpa e confortável, calçado fechado antiderrapante, cabelo apanhado, unhas curtas, sem adornos. Para a manipulação de desinfetantes, luvas de proteção e proteção ocular se necessário. Não se usam luvas nas mãos que seguram as pedras durante a massagem (ver capítulo 3).

Primeiros socorros e emergência

O posto tem kit de primeiros socorros completo e dentro do prazo, extintor acessível, saídas de emergência desimpedidas e lista de contactos (chefia, profissional de saúde, 112). O técnico conhece as vias de evacuação e o plano de emergência do estabelecimento.

Direitos e deveres

O trabalhador tem direito a condições de segurança e saúde, a formação e a informação, e o dever de cumprir as regras, usar corretamente o equipamento e comunicar perigos e acidentes. A lei de segurança e saúde no trabalho em vigor define as obrigações do empregador e do trabalhador; o técnico conhece as regras do estabelecimento e pergunta à chefia o que não for claro.

Exemplo resolvido · identificar riscos no posto

Numa auditoria interna, pede-se ao técnico que identifique três riscos no seu posto de trabalho e a respetiva prevenção.

  1. Risco térmico: retirar pedras com a mão. Prevenção: usar a colher e verificar a temperatura antes.
  2. Risco de escorregamento: gotas de óleo no chão junto à mesa. Prevenção: limpar de imediato e usar calçado antiderrapante.
  3. Risco elétrico: cabo do aquecedor a atravessar o corredor. Prevenção: reposicionar o aquecedor junto à tomada e fixar o cabo.
  4. Regista as medidas e comunica à chefia o que depende dela. Conclusão: identificar, prevenir, comunicar.

Erros comuns

Glossário

Síntese

A massagem geotermal é um serviço de bem-estar prestado numa estância termal, por um técnico que não diagnostica nem prescreve e que trabalha dentro do protocolo do estabelecimento e da orientação do profissional de saúde. Prepara-se o local (organização, ergonomia, luz, humidade, mesa, aquecedor) e a higiene (técnico, pedras, aquecedor, roupa). Conhecem-se a pele e os sistemas circulatório e linfático, porque o calor atua sobre eles, e os princípios da termoterapia: o calor dilata os vasos, relaxa e pode queimar, em função da temperatura, do tempo, da humidade, da pressão e da sensibilidade do utente. As pedras aquecem-se em água, medem-se com dois dispositivos e com a mão, colocam-se com barreira de tecido seco, nunca estáticas sobre pele nua nem debaixo do utente, e contam-se no fim. As contraindicações (diabetes e neuropatia, gravidez, doença cardiovascular, varizes, trombose, pele comprometida, doença oncológica, anticoagulantes, febre, álcool) exigem rastreio na ficha, esclarecimento e, quando necessário, autorização do profissional de saúde; em caso de dúvida, não se aplica. O utente é instalado com pudor e conforto e avaliado antes, durante e depois; as reações adversas e as emergências (queimadura, desmaio, hipoglicemia, dor no peito) têm resposta própria e o número 112. Completam o serviço a reflexologia, os chacras (como tradição, sem pretensão clínica) e a aromaterapia (óleos sempre diluídos, com cuidado em alergias e gravidez). Tudo se faz com ética, comunicação assertiva e empática, registos, boa gestão de reclamações, segurança e saúde no trabalho e normas da qualidade.

Exercícios resolvidos

1. Porque é que o técnico de termalismo não usa luvas nas mãos que seguram as pedras?

Resolução: porque a mão nua funciona como último teste de segurança: se a pedra é demasiado quente para o técnico, é demasiado quente para o utente. As luvas esconderiam o calor.

2. Uma utente grávida de 4 meses pede massagem com pedras quentes nas costas. O que faz o técnico?

Resolução: não aplica sem autorização do profissional de saúde. Se for autorizado, evita calor extenso, abdómen e certos óleos essenciais, adapta a posição e verifica com frequência. A decisão é clínica.

3. Como se prepara 50 ml de óleo de massagem com óleo essencial a 2 %? Quantos ml de óleo essencial?

Resolução: 2 % de 50 ml = 0,02 × 50 = 1 ml de óleo essencial e 49 ml de óleo de base.

4. Uma pedra retirada do aquecedor não consegue ser segurada com conforto pelo técnico. Que decisão se toma e porquê?

Resolução: a pedra não vai para o utente. Coloca-se em recipiente de água fria controlada ou aguarda-se que arrefeça, volta a testar-se e verifica-se o termómetro do aquecedor para ver se há sobreaquecimento. Nunca se arrefece o aquecedor com gelo.

5. Indica três situações de contraindicação em que o técnico não aplica sem autorização do profissional de saúde.

Resolução: por exemplo: diabetes com perda de sensibilidade nos pés, gravidez, doença cardiovascular, medicação anticoagulante, doença oncológica ou história recente de trombose. Em qualquer caso, regista, explica e encaminha.

6. Pode colocar-se uma pedra quente debaixo das costas de um utente deitado de costas, desde que envolta numa toalha grossa?

Resolução: não. O peso do corpo comprime a pele, impede a dissipação do calor e aumenta o risco de queimadura. Pedras nunca se deixam debaixo do utente.

7. Um utente refere "muito calor" na zona onde está uma pedra. Qual a ordem das ações?

Resolução: retirar a pedra de imediato; observar a pele; arrefecer com água corrente fria (sem gelo); perguntar sintomas; não reutilizar a pedra na zona; registar e, se há marca, bolha ou dor, chamar o profissional de saúde.

8. Quantas verificações da temperatura do aquecedor se fazem numa sessão de 60 minutos, se se verifica de cinco em cinco minutos?

Resolução: 60 ÷ 5 = 12 verificações, além da verificação antes de começar.

9. Um utente diz "não tenho nada" na ficha mas, na conversa, refere que toma "comprimidos para a diabetes" e "não sente bem os pés". Como proceder?

Resolução: o técnico regista a informação, reconhece a possibilidade de diabetes com neuropatia, não aplica calor nos pés e solicita autorização do profissional de saúde para o resto do serviço, explicando a razão de forma tranquila.

10. O que fazer perante uma queimadura com bolha de 2 cm provocada por uma pedra?

Resolução: retirar a fonte de calor, arrefecer de imediato com água corrente fria (sem gelo) durante 15 a 20 minutos, não rebentar a bolha, não aplicar pomadas, cobrir sem apertar, chamar o profissional de saúde, registar e comunicar à chefia.

11. O técnico pode dizer a um utente que a dor no ombro é "uma tendinite" e recomendar um anti-inflamatório?

Resolução: não. Isso é diagnosticar e prescrever, o que está fora da competência do técnico. Pode registar a queixa, não aplicar na zona se houver dúvida e sugerir consulta com um profissional de saúde.

12. Um utente pede para reduzir o calor a meio do serviço. O técnico deve insistir, porque "é assim que o protocolo manda"?

Resolução: não. O utente tem autonomia e o conforto manda; o técnico reduz o calor imediatamente (pedra mais morna ou pedra fria) e continua a verificar. O protocolo é um limite máximo de segurança, não uma obrigação de calor.