Sebenta · Atuar em situações de emergência no setor da saúde (UC03516)
- Introdução
- 1. Primeiros socorros: o papel do socorrista
- 2. O Sistema Integrado de Emergência Médica e a chamada 112
- 3. A Cadeia de Sobrevivência
- 4. Segurança da cena, do reanimador e equipamentos de proteção individual
- 5. Avaliar a vítima: reatividade, via aérea e respiração
- 6. Posição Lateral de Segurança
- 7. Suporte Básico de Vida no adulto
- 8. Suporte Básico de Vida com Desfibrilhador Automático Externo (SBV/DAE)
- 9. Suporte Básico de Vida Pediátrico
- 10. Obstrução da Via Aérea
- 11. Socorrismo em acidente e trauma
- 12. Doença súbita e sequência ABCDE
- 13. Comunicação de suporte em situações de emergência
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta prepara-te para atuar nos primeiros minutos de uma emergência de saúde, seja qual for o teu curso: técnico auxiliar de farmácia, técnico de termalismo, técnico assistente dentário ou técnico auxiliar de saúde. É por isso que esta UC é partilhada entre vários cursos: uma pessoa que desmaia no balcão de uma farmácia, um utente que passa mal numa piscina termal ou um paciente que reage mal a um tratamento dentário exigem exatamente as mesmas competências de suporte básico de vida e primeiros socorros.
Esta unidade curricular cumpre integralmente os requisitos definidos pelo INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) para o Suporte Básico de Vida (SBV) adulto e pediátrico e para o Suporte Básico de Vida com Desfibrilhador Automático Externo (SBV/DAE). As competências seguem obrigatoriamente o que está estipulado pelo INEM: não é uma versão simplificada nem adaptada, é o mesmo referencial técnico usado na formação de socorrismo em Portugal.
Objetivos de aprendizagem (referencial): aplicar o código de conduta profissional; efetuar os procedimentos vitais da cadeia de sobrevivência do adulto e pediátrica; assegurar as condições de segurança para o reanimador e a vítima; executar o algoritmo de Suporte Básico de Vida com desfibrilhador automático externo; e efetuar técnicas de socorrismo em situação de acidente e trauma.
O percurso desta sebenta segue a ordem em que estas competências se encadeiam na prática: primeiro o enquadramento (quem és tu neste sistema, o que podes e não podes fazer), depois a cadeia de sobrevivência e a segurança, depois a avaliação da vítima passo a passo, depois cada algoritmo técnico (SBV adulto, SBV/DAE, SBV pediátrico, obstrução da via aérea), depois o trauma e a doença súbita, e por fim a comunicação que sustenta tudo isto.
1. Primeiros socorros: o papel do socorrista
Os primeiros socorros são o conjunto de procedimentos imediatos, temporários e não especializados prestados a uma vítima de acidente ou doença súbita, até chegar ajuda diferenciada. Não é medicina, é a ponte entre o momento em que algo corre mal e a chegada de quem tem formação médica especializada.
Objetivo e limites de atuação
O objetivo dos primeiros socorros é manter a vítima viva, evitar o agravamento da situação e preparar a chegada dos meios de emergência. Isto implica reconhecer claramente os limites de atuação: um socorrista não diagnostica doenças, não administra medicação por iniciativa própria e não substitui os cuidados de um profissional de saúde. Atua dentro do que sabe fazer, dentro do que os protocolos internos do seu local de trabalho permitem, e nunca além disso.
Esta noção de limite não é uma limitação a lamentar, é o que torna a atuação segura para todos. Um socorrista que ultrapassa os seus limites de atuação pode agravar a situação da vítima ou colocar-se a si próprio em risco.
Competências e ética do socorrista
Além da técnica, o socorrista precisa de um conjunto de competências e de uma postura ética:
- Rigor técnico: seguir os algoritmos aprendidos, sem improvisar passos.
- Calma: manter o controlo emocional para pensar com clareza sob pressão.
- Respeito pela vítima: pela sua dignidade, privacidade e vontade, sempre que ela esteja em condições de a expressar.
- Consciência dos próprios limites: saber quando pedir ajuda diferenciada, sem hesitação.
Regra de ouro do socorrismo: na dúvida, pede ajuda diferenciada. Nunca é erro ligar 112 mais cedo do que o necessário; é sempre erro ligar tarde de mais.
2. O Sistema Integrado de Emergência Médica e a chamada 112
O que é o SIEM
O Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) é a organização nacional, coordenada pelo INEM, que junta todos os meios que respondem a uma emergência de saúde em Portugal: o número europeu de emergência 112, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), as ambulâncias e outros meios de emergência pré-hospitalar, e as urgências hospitalares que recebem a vítima.
O SIEM organiza-se em fases sequenciais:
| Fase | O que acontece | Quem intervém |
|---|---|---|
| Deteção e alerta | alguém identifica a emergência e liga 112 | tu, o socorrista no local |
| Triagem | perguntas estruturadas para perceber a gravidade | operador do CODU |
| Envio de meios | decisão do recurso mais adequado | CODU |
| Tratamento no local | estabilização e primeiros cuidados | meios de emergência, com o teu apoio |
| Transporte e encaminhamento | escolha da unidade hospitalar adequada | tripulação da ambulância |
Cada fase depende da anterior. Um alerta tardio ou mal feito atrasa toda a resposta que se segue, por mais eficiente que seja o resto do sistema.
Exemplo resolvido: fazer a chamada 112
Situação: um cliente desmaia no balcão de uma farmácia e não recupera a consciência em poucos segundos.
Passo a passo da chamada:
- O que aconteceu: "Um cliente perdeu a consciência, parece que não está a respirar normalmente."
- Onde: morada exata da farmácia, incluindo ponto de referência (número de porta, cruzamento próximo).
- Quem: idade aproximada, sexo, número de vítimas ("um homem, cerca de 60 anos, sozinho").
- Estado: "Está no chão, não responde quando lhe falo, não estou a ver respirar normalmente."
- Não desligar: o operador do CODU pode orientar as manobras de SBV em tempo real, mesmo antes de a ambulância chegar.
Em equipa, a boa prática é delegar a chamada a um colega ("tu, liga 112 e diz o que estás a ver") e continuar tu próprio a avaliar e assistir a vítima. Isto reforça um princípio que atravessa toda a UC: instruções específicas, dirigidas a uma pessoa concreta, funcionam muito melhor do que pedidos genéricos à multidão.
3. A Cadeia de Sobrevivência
A Cadeia de Sobrevivência representa, por ordem, as ações que aumentam a hipótese de sobrevivência de uma vítima em paragem cardiorrespiratória. A lógica é igual no adulto e na criança, com adaptações técnicas que a UC desenvolve mais à frente.
Os quatro elos
- Deteção precoce e alerta: reconhecer a emergência e acionar o SIEM através do 112.
- Início precoce do Suporte Básico de Vida: compressões torácicas e insuflações, sem demora.
- Desfibrilhação precoce: usar o Desfibrilhador Automático Externo assim que estiver disponível.
- Suporte Avançado de Vida e cuidados pós-reanimação: já da responsabilidade dos meios diferenciados que chegam ao local.
Os três primeiros elos (deteção e alerta, SBV precoce e desfibrilhação com o DAE) são sempre da responsabilidade de quem está presente no momento, nunca de quem chega depois. Cada minuto sem SBV reduz de forma significativa a hipótese de sobrevivência da vítima, sobretudo por causas cardíacas súbitas.
Porque cada elo importa
Imagina duas vítimas da mesma idade, com a mesma paragem cardiorrespiratória por fibrilhação ventricular. A primeira é assistida com SBV no primeiro minuto por quem estava presente, e recebe um choque de DAE pouco depois. A segunda só é assistida quando a ambulância chega, alguns minutos depois. A diferença na hipótese de sobrevivência entre as duas situações é enorme, e é inteiramente explicada pelos três primeiros elos da cadeia (deteção e alerta, SBV precoce e desfibrilhação com o DAE): quem estava no local, não os meios diferenciados.
A cadeia é tão forte como o seu elo mais fraco: sem deteção e alerta, o sistema nunca é acionado; sem SBV precoce, os órgãos ficam sem oxigénio e o cérebro, o mais sensível a essa falta, começa a sofrer lesões em poucos minutos; sem desfibrilhação precoce, muitas paragens por fibrilhação ventricular não são revertidas a tempo de evitar lesões graves ou a morte.
4. Segurança da cena, do reanimador e equipamentos de proteção individual
Assegurar as condições de segurança
Antes de qualquer atuação técnica, é obrigatório assegurar as condições de segurança para o reanimador e para a vítima. Um socorrista que se magoa deixa imediatamente de conseguir ajudar, e transforma-se numa segunda vítima que ainda complica mais a situação.
A sequência a seguir é sempre a mesma:
- Avaliar a cena antes de te aproximares: trânsito, eletricidade, fogo, produtos químicos, superfícies escorregadias.
- Só te aproximas se for seguro fazê-lo. Se não for, chama de imediato ajuda especializada e não arrisques.
- Não movas a vítima, salvo se ela estiver em perigo imediato (por exemplo, no meio de uma via com risco de novo impacto).
- Preparar o local de trabalho e os eventos de modo a evitar acidentes é uma competência ativa desta UC, não apenas uma reação a algo que já aconteceu.
Riscos concretos do setor da saúde
| Contexto | Risco concreto |
|---|---|
| Farmácia | quedas junto ao balcão, objetos cortantes na reposição de stock |
| Termas | chão molhado e escorregadio, superfícies de piscina, produtos de tratamento |
| Consultório dentário | instrumentos afiados, contacto com sangue e saliva, cadeiras e equipamento elétrico |
| Saúde auxiliar em geral | mobilização de doentes, equipamento clínico, contacto com fluidos |
Equipamentos de proteção individual (EPI)
Os EPI protegem o socorrista de contacto com sangue, saliva e outros fluidos corporais, reduzindo o risco de contágio nos dois sentidos.
| EPI | Quando usar |
|---|---|
| Luvas descartáveis | sempre que há contacto com sangue, saliva ou feridas |
| Máscara de bolso com válvula unidirecional | insuflações, evita o contacto direto boca a boca |
| Máscara facial | proteção respiratória, sobretudo em espaços fechados |
| Avental ou bata | contacto extenso com fluidos |
A máscara de bolso com válvula unidirecional é material de referência desta UC e a barreira recomendada para insuflações fora do ambiente hospitalar. Deve-se colocar o EPI antes de tocar na vítima sempre que a situação o permita, e descartar corretamente o material usado após a intervenção.
5. Avaliar a vítima: reatividade, via aérea e respiração
Avaliar a reatividade
Garantida a segurança, o primeiro gesto técnico é avaliar se a vítima reage:
- Aproxima-te e fala alto, junto ao ouvido: "Está tudo bem? Ouve-me?"
- Abana suavemente os ombros.
- Observa a resposta: abre os olhos, responde, movimenta-se?
Se a vítima reage, mantém-na na posição em que a encontraste (se for segura), avalia o que se passa, pede ajuda se necessário e vigia-a. Se não reage, grita por ajuda antes de continuares e segue de imediato para a abertura da via aérea.
Permeabilizar a via aérea e o método VOS
Com a vítima não reativa, deitada de costas numa superfície rígida:
- Abrir a via aérea: coloca uma mão na testa e dois dedos no queixo, e inclina a cabeça para trás enquanto elevas o queixo (extensão cefálica). Este gesto afasta a língua do fundo da garganta, onde frequentemente bloqueia a passagem de ar numa vítima inconsciente.
- Verificar a respiração durante até 10 segundos, pelo método VOS:
- Ver o movimento do tórax.
- Ouvir sons de respiração.
- Sentir o ar na face.
Exemplo resolvido: decidir perante uma vítima inconsciente
Situação: encontras uma pessoa caída, não reage quando lhe falas e lhe tocas nos ombros.
- Gritas por ajuda.
- Abres a via aérea (testa e queixo).
- Avalias durante 10 segundos pelo método VOS.
- Se respira normalmente: colocas em Posição Lateral de Segurança, ligas ou delegas o 112, e vigias.
- Se não respira, ou respira de forma anómala (gasping, respiração agónica, irregular e ruidosa): assumes que está em paragem cardiorrespiratória, ligas ou delegas o 112 de imediato, e inicias SBV sem demora.
O gasping é um erro de avaliação muito comum: soa como um suspiro isolado, espaçado, e é confundido com respiração normal por quem não está treinado. É, na verdade, um sinal de paragem cardiorrespiratória, não de vida. Na dúvida, atua como se a vítima não estivesse a respirar.
6. Posição Lateral de Segurança
A Posição Lateral de Segurança (PLS) aplica-se a uma vítima não reativa, mas que respira normalmente. Mantém a via aérea aberta e permite a drenagem de eventuais fluidos (vómito, saliva), evitando que a vítima os aspire para os pulmões.
Passo a passo
- Ajoelha-te ao lado da vítima e alinha as pernas.
- Coloca o braço mais próximo de ti em ângulo reto, com a palma virada para cima.
- Traz o outro braço sobre o tórax, com o dorso da mão encostado à face do mesmo lado.
- Dobra a perna mais afastada pelo joelho, mantendo o pé no chão.
- Roda a vítima para o teu lado, puxando pelo joelho dobrado.
- Ajusta a cabeça para trás, para manter a via aérea aberta, e usa o joelho de fora para estabilizar a posição.
- Verifica a respiração regularmente, até chegar ajuda diferenciada.
Casos particulares
- Crianças: os passos são os mesmos, adaptando a força e o apoio à dimensão da criança.
- Suspeita de trauma na coluna: evita mover a vítima, salvo perigo imediato; se tiveres mesmo de o fazer, procura manter o alinhamento da cabeça, do pescoço e do tronco.
- Reavaliação contínua: uma vítima colocada em PLS pode deixar de respirar normalmente a qualquer momento; a vigilância não termina depois de a colocares na posição.
7. Suporte Básico de Vida no adulto
Confirmada a paragem cardiorrespiratória (não reativa, não respira normalmente, 112 já acionado), inicia-se o algoritmo de SBV.
O algoritmo, passo a passo
- Ajoelha-te ao lado do tórax da vítima.
- Coloca a base de uma mão no centro do tórax (metade inferior do esterno); sobrepõe a outra mão, com os dedos entrelaçados.
- Mantém os braços esticados e os ombros diretamente por cima das mãos; comprime na vertical.
- Aplica 30 compressões torácicas, seguidas de 2 insuflações.
- Repete o ciclo 30:2 de forma contínua, com o mínimo de interrupções, até: a vítima recuperar sinais de vida, chegar o DAE, ou chegar ajuda diferenciada que assuma a situação.
Os parâmetros técnicos que sustentam o algoritmo
As recomendações do European Resuscitation Council (ERC) definem parâmetros precisos para as compressões torácicas no adulto:
| Parâmetro | Valor recomendado |
|---|---|
| Frequência das compressões | 100 a 120 por minuto |
| Profundidade das compressões | 5 a 6 centímetros |
| Retorno do tórax | completo entre compressões, sem apoiar peso sobre ele |
| Proporção compressões : insuflações | 30 : 2 |
| Duração de cada insuflação | cerca de 1 segundo, com elevação visível do tórax |
Exemplo resolvido: calcular o tempo de um ciclo
Situação: queres perceber quanto tempo demora, em média, um ciclo completo de 30 compressões seguidas de 2 insuflações, a uma frequência de 110 compressões por minuto.
Resolução:
- A 110 compressões por minuto, cada compressão demora, em média, 60 ÷ 110 ≈ 0,55 segundos.
- 30 compressões demoram cerca de 30 × 0,55 ≈ 16,5 segundos.
- As 2 insuflações, cerca de 1 segundo cada mais o tempo de reabrir a via aérea entre elas, ocupam aproximadamente 5 segundos.
- Um ciclo completo dura, portanto, cerca de 21 a 22 segundos, o que significa aproximadamente 2 a 3 ciclos por minuto.
Este cálculo mostra porque as interrupções para as insuflações têm de ser curtas: cada segundo perdido nas insuflações é um segundo sem fluxo sanguíneo gerado pelas compressões.
Se não conseguires ou não quiseres fazer insuflações (por exemplo, por falta de barreira de proteção disponível), faz compressões contínuas, sem parar. É sempre preferível a não fazer nada.
8. Suporte Básico de Vida com Desfibrilhador Automático Externo (SBV/DAE)
O que é o DAE
O Desfibrilhador Automático Externo (DAE) é um aparelho que analisa o ritmo cardíaco da vítima e, se detetar um ritmo desfibrilhável, aplica um choque elétrico para tentar restaurar um ritmo eficaz. Foi desenhado para ser seguro e simples de usar por quem não tem formação médica: guia o utilizador passo a passo, por voz.
Executar o algoritmo SBV/DAE
- Confirma a paragem cardiorrespiratória (método VOS) e aciona o 112.
- Inicia o SBV: 30 compressões, 2 insuflações, em ciclo contínuo.
- Assim que o DAE chegar, liga-o e segue as instruções de voz, interrompendo as compressões o mínimo possível.
- Coloca os elétrodos com o tórax da vítima seco e descoberto: um abaixo da clavícula direita, outro na linha axilar média esquerda, sob a axila.
- Durante a análise do ritmo, ninguém deve tocar na vítima.
- Se o DAE indicar choque, afasta todos da vítima e prime o botão quando instruído.
- Retoma imediatamente as compressões após o choque, ou após a indicação de "sem choque aconselhado", durante cerca de 2 minutos, até nova análise do DAE.
- Continua até a vítima recuperar sinais de vida, chegar ajuda diferenciada, ou até não teres condições físicas para continuar.
Exemplo resolvido: preparar a vítima para os elétrodos
Situação: precisas de colocar o DAE numa vítima que tem o tórax molhado (transpiração intensa) e um adesivo de medicação (penso transdérmico) na zona onde deveria ir um dos elétrodos.
Resolução:
- Seca rapidamente o tórax com um pano ou toalha, sem parar as compressões mais do que o necessário.
- Remove o penso transdérmico, limpando a zona antes de colar o elétrodo.
- Coloca os elétrodos nas posições corretas: um abaixo da clavícula direita, o outro na linha axilar média esquerda.
- Retoma as compressões enquanto o DAE se prepara, e só paras quando o aparelho pedir explicitamente para não tocar na vítima durante a análise.
Elétrodos colocados sobre pelo molhado, adesivos de medicação ou piercings metálicos podem comprometer a análise ou o choque do DAE. Secar e limpar a zona faz parte do algoritmo, não é um pormenor dispensável.
9. Suporte Básico de Vida Pediátrico
O que muda em relação ao adulto
O SBV Pediátrico aplica-se a lactentes (até 1 ano) e a crianças (de 1 ano até à puberdade). A lógica geral é a mesma do adulto, com adaptações importantes:
- Procedimentos de segurança para reanimador, vítima e terceiros seguem os mesmos princípios já vistos no Capítulo 4.
- Avaliar reatividade, via aérea e respiração: o mesmo método (chamar, abanar com cuidado, VOS), adaptado à idade e ao tamanho da vítima.
- Antes de iniciar as compressões, fazem-se 5 insuflações iniciais. Na criança, a paragem cardiorrespiratória tem frequentemente origem respiratória (obstrução, asfixia), ao contrário do adulto, em que a origem cardíaca é mais frequente; por isso este passo inicial de insuflações aumenta a hipótese de recuperação.
- Só depois das 5 insuflações iniciais se inicia o ciclo de compressões e insuflações.
Compressões e proporção
| Parâmetro | Lactente (< 1 ano) | Criança (1 ano até à puberdade) |
|---|---|---|
| Técnica | dois dedos no centro do tórax, ou as duas mãos a envolver o tórax com os polegares (dois reanimadores) | uma mão, ou as duas se a criança for maior |
| Profundidade | pelo menos um terço do diâmetro anteroposterior do tórax, cerca de 4 cm | pelo menos um terço do diâmetro anteroposterior do tórax, cerca de 5 cm |
| Proporção | após as 5 insuflações iniciais, 15 compressões : 2 insuflações | igual ao lactente |
Esta UC forma reanimadores com formação em SBV Pediátrico, por isso o ciclo correto após as insuflações iniciais é 15:2, não 30:2. O 30:2 do adulto fica reservado a leigos sem formação pediátrica específica.
Se tiveres telemóvel, liga 112 de imediato, em alta voz, e inicia logo o SBV. Só se não tiveres telemóvel é que fazes cerca de 1 minuto de SBV antes de ires pedir ajuda. Como a causa é frequentemente respiratória, começar a atuar sem demora é especialmente valioso.
Erro comum a evitar
Aplicar o algoritmo do adulto tal e qual à criança, seja saltando as 5 insuflações iniciais, seja mantendo o 30:2 em vez de passar a 15:2, é o erro mais frequente entre quem já domina o SBV do adulto. A diferença é pequena na descrição, mas grande no resultado.
10. Obstrução da Via Aérea
Reconhecer o tipo de obstrução
A Obstrução da Via Aérea (OVA), ou engasgamento, pode ser parcial ou completa, e a atuação muda consoante o tipo:
| Tipo | Sinais | Capacidade da vítima |
|---|---|---|
| Parcial (ligeira) | tosse eficaz, consegue falar | consegue expelir o objeto sozinha |
| Completa (grave) | não tosse, não fala, leva as mãos à garganta, cianose progressiva | nada, precisa de ajuda imediata |
Perante uma obstrução parcial, encoraja a vítima a tossir, não interfiras com pancadas ou compressões, e vigia-a de perto: se a tosse deixar de ser eficaz, a situação pode agravar para obstrução completa.
Atuar na obstrução completa: pancadas e manobra de Heimlich
No adulto e na criança com mais de 1 ano, conscientes e com obstrução completa:
- 5 pancadas interescapulares: inclina a vítima para a frente, apoiando-a com uma mão no tórax, e aplica pancadas firmes com a base da outra mão, entre as omoplatas.
- Se não resolver, aplica 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich): posiciona-te por trás da vítima, fecha o punho e coloca-o acima do umbigo, envolve-o com a outra mão, e comprime para dentro e para cima.
- Alterna os dois grupos de 5 até o objeto ser expelido ou a vítima perder a consciência.
- Se a vítima perder a consciência, deita-a no chão com cuidado e inicia de imediato o algoritmo de SBV, ligando ou delegando o 112.
Exemplo resolvido: lactente com obstrução completa
Situação: um lactente de 6 meses engasga-se com um pequeno objeto e não consegue tossir nem chorar.
Resolução:
- Nunca se fazem compressões abdominais em lactentes: o risco de lesão dos órgãos internos é demasiado elevado para o tamanho do abdómen do bebé.
- Coloca o lactente de bruços sobre o teu antebraço, apoiando a cabeça e o queixo, com a cabeça ligeiramente mais baixa que o tronco.
- Aplica 5 pancadas interescapulares, com a base da mão, entre as omoplatas.
- Se não resolver, vira o lactente de costas sobre o outro antebraço e aplica 5 compressões torácicas, no mesmo ponto e técnica do SBV pediátrico, mas mais lentas e firmes.
- Alterna pancadas e compressões torácicas até o objeto ser expelido ou o lactente perder a consciência; se perder a consciência, inicia de imediato o SBV Pediátrico.
11. Socorrismo em acidente e trauma
Hemorragias e feridas
Perante uma hemorragia externa, o objetivo imediato é controlar a perda de sangue:
- Coloca EPI (luvas), sempre que possível, antes do contacto.
- Aplica pressão direta e firme sobre a ferida com uma compressa, sem aliviar a pressão para espreitar.
- Se a compressa embeber em sangue, acrescenta outra por cima, sem retirar a primeira: retirá-la interrompe a coagulação que já começou.
- Imobiliza o penso com uma ligadura, com firmeza suficiente para manter a pressão, mas sem cortar a circulação.
O ERC não recomenda elevar o membro nem procurar "pontos de pressão" à distância da ferida. O gesto eficaz é a pressão direta e contínua sobre a própria ferida.
Se a hemorragia for grave, num membro, e não parar com a pressão direta, aplica um garrote: coloca-o cerca de 5 a 7 centímetros acima da ferida, aperta até a hemorragia parar por completo, regista a hora em que o colocaste (por escrito, junto à vítima, se possível), e nunca o retires até chegar ajuda diferenciada.
Para feridas simples, o procedimento é diferente: lava com soro fisiológico ou água limpa, desinfeta com uma solução adequada, cobre com um penso ou adesivo, e vigia sinais de infeção (calor, rubor, dor crescente nos dias seguintes).
Traumatismos, imobilização e queimaduras
- Suspeita de fratura: não movimentar o membro afetado; imobiliza-o na posição em que o encontraste, usando talas e apoiando as articulações acima e abaixo da suspeita de fratura.
- Lençol térmico descartável: previne a hipotermia em vítimas de trauma ou choque, ajudando a manter a temperatura corporal enquanto se aguarda ajuda diferenciada.
- Queimaduras: arrefece com água corrente fresca ou tépida durante pelo menos 20 minutos; nunca uses gelo diretamente sobre a pele; retira anéis, pulseiras ou outros apertos antes de a zona inchar; cobre de forma solta com um penso limpo ou película aderente, sem pomadas caseiras ou produtos improvisados.
- Avaliação da pressão arterial: pode ser útil para acompanhar sinais de choque hipovolémico em vítimas de trauma com hemorragia significativa, usando o avaliador de pressão arterial eletrónico disponível no material da UC.
Exemplo resolvido: hemorragia numa unidade de saúde
Situação: um utente corta-se num objeto de trabalho e apresenta hemorragia moderada no antebraço, sem suspeita de fratura.
Resolução:
- Colocas luvas antes de qualquer contacto.
- Aplicas pressão direta e firme com uma compressa limpa sobre a ferida, sem aliviar para verificar.
- A compressa embebe parcialmente ao fim de um minuto: acrescentas uma segunda compressa por cima, sem retirar a primeira.
- Imobilizas o conjunto com uma ligadura, verificando que os dedos mantêm cor e sensibilidade normais (circulação preservada), sem cortar a circulação.
- A hemorragia mantém-se controlada com a pressão direta, por isso não é necessário aplicar um garrote.
- Vigias a vítima e decides, consoante a gravidade, se é necessário acionar o 112 ou encaminhar para cuidados médicos.
12. Doença súbita e sequência ABCDE
Situações frequentes de doença súbita
- Síncope (desmaio): perda breve de consciência. Deita a vítima, eleva as pernas, garante ventilação (afasta curiosos, desaperta roupa apertada), e vigia até recuperar. Se não recuperar rapidamente, trata como emergência e liga 112.
- Convulsão: protege a cabeça da vítima, afasta objetos perigosos ao seu redor, não imobilizes os movimentos nem coloques nada na boca. Após a convulsão terminar, coloca a vítima em Posição Lateral de Segurança e vigia a respiração.
- Hipoglicemia (sinais: suores frios, confusão, tremor): se a vítima estiver consciente e conseguir engolir, oferece açúcar ou um líquido açucarado; se estiver inconsciente, não dês nada por via oral e liga 112 de imediato.
- Suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC): sinais de alarme como face descaída, dificuldade em falar ou incapacidade de levantar um braço exigem ação urgente; liga 112 sem demora.
- Intoxicações: em caso de ingestão ou contacto com substância suspeita, contacta o Centro de Informação Antivenenos (CIAV), através do número 800 250 250, além de acionares o 112 se a vítima estiver instável.
Colocar objetos na boca de alguém a convulsionar é um mito perigoso ainda muito comum: pode partir dentes, ferir a vítima ou obstruir a via aérea. Nunca o faças.
Anafilaxia: uma reação alérgica grave e súbita
A anafilaxia é uma reação alérgica grave, de instalação rápida, especialmente relevante no setor da saúde: um anestésico local, o látex das luvas ou um medicamento podem desencadeá-la, por exemplo num consultório dentário ou numa farmácia.
- Sinais: dificuldade respiratória, edema da face ou da língua, urticária generalizada, hipotensão (tonturas, sensação de desmaio).
- Atuação: liga ou delega o 112 de imediato; se a vítima tiver consigo uma caneta de adrenalina (autoinjetor), ajuda-a a usá-la, injetando por via intramuscular na face anterolateral da coxa, por cima da roupa se necessário.
- Posição: sentada, se houver dificuldade respiratória; deitada com as pernas elevadas, se houver tonturas ou sinais de choque.
- Vigia continuamente e está pronto para iniciar o SBV, caso a vítima deixe de responder ou de respirar normalmente.
Num consultório dentário, um paciente recebe anestesia local e, poucos minutos depois, começa a ter dificuldade em respirar e a face começa a inchar. Reconheces os sinais de anafilaxia: ligas 112, ajudas o paciente a usar a sua caneta de adrenalina na coxa (se a tiver consigo), sentas o paciente para facilitar a respiração, e vigias continuamente até chegar ajuda diferenciada.
A sequência ABCDE de avaliação
A sequência ABCDE organiza a avaliação de uma vítima consciente ou instável, de forma sistemática, sem saltar etapas:
| Letra | Significa | O que verificar |
|---|---|---|
| A | Airway (via aérea) | está permeável? |
| B | Breathing (respiração) | frequência, esforço, simetria dos movimentos |
| C | Circulation (circulação) | pulso, hemorragias, cor e temperatura da pele |
| D | Disability (estado neurológico) | nível de consciência, resposta a estímulos |
| E | Exposure (exposição) | procurar lesões, proteger da temperatura ambiente |
Segue-se sempre por ordem: só se avança para a letra seguinte depois de resolver ou confirmar a anterior. Este quadro reforça o que já vimos no SBV: a via aérea e a respiração vêm sempre primeiro, porque sem oxigénio nada do resto tem efeito.
13. Comunicação de suporte em situações de emergência
Técnicas de comunicação
A forma como comunicas influencia diretamente o resultado da intervenção:
- Com a vítima: fala de forma calma, clara e reconfortante; explica o que vais fazer antes de o fazeres, mesmo que ela pareça não reagir.
- Com terceiros: dá instruções curtas e diretas, dirigidas a uma pessoa concreta ("tu, de camisa azul, liga 112", "tu, traz o DAE"), em vez de pedidos vagos "para a multidão".
- Com o CODU/112: segue a estrutura vista no Capítulo 2, responde com objetividade, e não desligues antes de indicado.
- Manter o controlo emocional e promover a calma entre os presentes é um critério de desempenho explícito desta UC: a tua postura contagia quem está à volta, para melhor ou para pior.
Sigilo, privacidade e planeamento de contingência
- Sigilo e privacidade do interlocutor: informação sobre a saúde da vítima só é partilhada com quem tem de saber (equipa de emergência, responsáveis diretos), nunca com curiosos ou colegas sem necessidade de a conhecer.
- Cumprir os protocolos internos do local de trabalho é tão relevante como a técnica: cada farmácia, unidade termal ou clínica pode ter um plano de contingência próprio, com procedimentos específicos.
- Planeamento de contingência e resposta em emergência: saber de antemão onde está o material de socorrismo, quem chama o 112, quem acompanha a vítima, evita improviso precisamente no momento em que menos se pode improvisar.
Numa farmácia, o plano de contingência pode definir que a pessoa mais próxima do balcão fica com a vítima e avalia, enquanto o colega da retaguarda liga 112 e vai buscar o saco de primeiros socorros e a máscara de bolso. Ter isto definido antes de a emergência acontecer poupa segundos preciosos quando ela acontece de facto.
Erros comuns
- Confundir gasping com respiração normal. O gasping é um sinal de paragem, não de vida; na dúvida, age como se a vítima não respirasse.
- Comprimir devagar de mais por receio de magoar a vítima. Uma eventual fratura de costela é um risco aceitável face à paragem cardiorrespiratória; a frequência de 100 a 120/min é para cumprir sempre.
- Parar as compressões durante muito tempo para as insuflações. As interrupções devem ser as mais curtas possíveis.
- Não retomar as compressões logo após o choque do DAE. O SBV continua imediatamente, sem esperar para "ver se resultou".
- Aplicar o algoritmo do adulto à criança sem as 5 insuflações iniciais, ou manter o 30:2 em vez de passar a 15:2. São as duas diferenças técnicas mais frequentemente esquecidas no SBV Pediátrico.
- Fazer compressões abdominais em lactentes. Nunca: usam-se pancadas interescapulares e compressões torácicas.
- Colocar objetos na boca de alguém a convulsionar. Um mito perigoso, nunca deve ser feito.
- Elevar o membro ou procurar pontos de pressão numa hemorragia. O ERC não recomenda nenhuma das duas; o gesto eficaz é a pressão direta e contínua, com garrote se a hemorragia for grave e não parar.
- Aplicar gelo diretamente sobre queimaduras, ou arrefecer só por "alguns minutos". Agrava a lesão dos tecidos; usa-se água corrente fresca ou tépida durante pelo menos 20 minutos.
- Comentar detalhes clínicos da vítima em voz alta junto de outros clientes ou utentes. Viola o sigilo e a privacidade do interlocutor.
Glossário
- SBV: Suporte Básico de Vida, conjunto de manobras (compressões e insuflações) para sustentar a circulação e a respiração numa paragem cardiorrespiratória.
- SBV/DAE: Suporte Básico de Vida com utilização de Desfibrilhador Automático Externo.
- DAE: Desfibrilhador Automático Externo, aparelho que analisa o ritmo cardíaco e pode aplicar um choque elétrico.
- PLS: Posição Lateral de Segurança, posição usada em vítima não reativa que respira normalmente.
- VOS: método de avaliação da respiração: Ver, Ouvir, Sentir.
- OVA: Obstrução da Via Aérea, ou engasgamento, parcial ou completa.
- SIEM: Sistema Integrado de Emergência Médica, coordenado pelo INEM.
- CODU: Centro de Orientação de Doentes Urgentes, responde às chamadas 112 de emergência médica.
- INEM: Instituto Nacional de Emergência Médica.
- CIAV: Centro de Informação Antivenenos, contactável através do número 800 250 250.
- Cadeia de Sobrevivência: sequência de ações (deteção e alerta, SBV precoce, desfibrilhação precoce, suporte avançado) que aumenta a sobrevivência numa paragem cardiorrespiratória.
- EPI: Equipamento de Proteção Individual, como luvas ou máscara de bolso com válvula unidirecional.
- Gasping: respiração agónica, irregular e ruidosa, sinal de paragem cardiorrespiratória, não de vida normal.
- Manobra de Heimlich: compressões abdominais para desobstruir a via aérea numa obstrução completa, no adulto e na criança.
- Sequência ABCDE: método sistemático de avaliação (via aérea, respiração, circulação, estado neurológico, exposição).
- Garrote: faixa apertada 5 a 7 cm acima de uma hemorragia grave num membro, quando a pressão direta não a controla; nunca se retira antes de chegar ajuda diferenciada.
- Anafilaxia: reação alérgica grave e de instalação rápida, tratada com adrenalina intramuscular na coxa, através da caneta de adrenalina da própria vítima.
Síntese
Toda a UC gira em torno da Cadeia de Sobrevivência: deteção e alerta rápidos (112), início precoce do SBV (30 compressões a 100 a 120/min e 5 a 6 cm, seguidas de 2 insuflações) e desfibrilhação precoce com o DAE assim que disponível. No adulto, o algoritmo é direto; na criança, começa com 5 insuflações iniciais e passa a um ciclo de 15 compressões (4 a 5 cm) para 2 insuflações, refletindo a origem tipicamente respiratória das paragens pediátricas e a formação específica desta UC. A obstrução da via aérea segue uma lógica própria: pancadas interescapulares alternadas com a manobra de Heimlich no adulto e na criança, nunca compressões abdominais em lactentes. O trauma e a doença súbita acrescentam competências específicas (hemorragias controladas por pressão direta e, se necessário, garrote, queimaduras arrefecidas pelo menos 20 minutos, síncope, convulsão, hipoglicemia, AVC, anafilaxia, intoxicações com apoio do CIAV), organizadas pela sequência ABCDE quando a vítima está consciente ou instável. E por trás de toda a técnica está a segurança da cena, os EPI, a comunicação clara e dirigida, o sigilo e o código de conduta profissional, competências avaliadas com o mesmo peso das manobras técnicas.
Exercícios resolvidos
1. Chegas junto de uma vítima caída no chão. Qual é a primeira coisa a fazer, antes de te aproximares?
Resolução: avaliar a segurança da cena (trânsito, eletricidade, superfícies escorregadias, outros riscos). Só depois de confirmada a segurança é que te aproximas da vítima. A segurança do reanimador vem sempre antes da avaliação da vítima.
2. Uma vítima não reage quando lhe falas e lhe tocas nos ombros. Descreve os passos seguintes, até decidires se inicias o SBV.
Resolução: gritas por ajuda, abres a via aérea (mão na testa, dois dedos no queixo, extensão cefálica), e avalias a respiração durante até 10 segundos pelo método VOS (Ver, Ouvir, Sentir). Se respira normalmente, colocas em PLS e vigias. Se não respira ou tem gasping, ligas ou delegas o 112 e inicias o SBV de imediato.
3. Estás a fazer compressões torácicas num adulto e o DAE acaba de aplicar um choque. Qual é o próximo passo?
Resolução: retomar imediatamente as compressões torácicas, sem esperar para verificar se o choque resultou, durante cerca de 2 minutos até à próxima análise automática do DAE.
4. Uma criança de 4 anos está em paragem cardiorrespiratória e estás sozinho. Qual é a diferença mais importante em relação ao algoritmo do adulto?
Resolução: antes de iniciar o ciclo de compressões e insuflações, fazem-se 5 insuflações iniciais, porque a origem da paragem em crianças é frequentemente respiratória. Depois das insuflações iniciais, o ciclo passa a 15 compressões (cerca de 5 cm) para 2 insuflações, não 30:2 (que fica reservado a leigos sem formação pediátrica). Se tiveres telemóvel, ligas 112 de imediato em alta voz e inicias logo o SBV; sem telemóvel, fazes cerca de 1 minuto de SBV antes de ires pedir ajuda.
5. Um colega diz que vai fazer a manobra de Heimlich a um lactente de 8 meses que se engasgou. Concordas?
Resolução: não. Em lactentes nunca se fazem compressões abdominais, pelo risco de lesão dos órgãos internos. Usam-se pancadas interescapulares alternadas com compressões torácicas, com o lactente apoiado no antebraço.
6. Um utente refere ter ingerido acidentalmente um produto de limpeza. Que número contactas, além do 112 se a situação for instável?
Resolução: o Centro de Informação Antivenenos (CIAV), através do número 800 250 250, que dá orientação especializada sobre intoxicações.
7. Aplicaste pressão direta numa hemorragia grave do antebraço de uma vítima e, após dois minutos, o sangue continua a encharcar as compressas. Que fazes a seguir, e o que nunca deves fazer depois de o fazeres?
Resolução: aplicas um garrote cerca de 5 a 7 cm acima da ferida, apertas até a hemorragia parar por completo, e registas a hora em que o colocaste. Nunca deves retirar o garrote depois de o colocares, mesmo que a hemorragia pareça controlada; só a equipa de emergência diferenciada o faz, em condições seguras.