Sebenta · Atuar em situações de emergência em trabalho com máquinas e equipamentos florestais (UC03474)
- Introdução
- 1. Emergências no trabalho florestal e o código de conduta profissional
- 2. O Sistema Integrado de Emergência Médica e a chamada 112
- 3. Segurança do local, do reanimador e da vítima
- 4. Avaliar a vítima: reatividade, via aérea e respiração
- 5. A Cadeia de Sobrevivência do adulto
- 6. Suporte Básico de Vida Adulto: o algoritmo completo
- 7. Suporte Básico de Vida Pediátrico
- 8. Desfibrilhação Automática Externa: SBV DAE
- 9. Obstrução da Via Aérea
- 10. Posição Lateral de Segurança
- 11. Traumatologia: hemorragias, feridas, fraturas e queimaduras
- 12. Outras emergências médicas, comunicação e equipamentos de proteção individual
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta prepara-te para atuar em situações de emergência enquanto trabalhas com máquinas e equipamentos florestais: motosserras, tratores, Dozers, gruas e outros equipamentos que, num acidente, podem provocar lesões graves longe de qualquer apoio médico imediato. A unidade de competência cumpre todos os requisitos definidos pelo INEM para o Suporte Básico de Vida (SBV) adulto e pediátrico e para o Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação Automática Externa (SBV-DAE).
O trabalho florestal junta três fatores de risco que raramente se juntam noutras profissões: isolamento geográfico, máquinas de grande potência e terreno difícil. Uma ambulância pode demorar vinte, trinta, por vezes quarenta minutos a chegar a um talhão. Nesses minutos, quem está no local é a única linha de defesa da vítima. Esta sebenta ensina exatamente o que fazer nesses minutos, do primeiro olhar de segurança à passagem de testemunho à equipa de emergência.
O percurso segue a ordem real de uma emergência: primeiro o enquadramento (código de conduta, sistema de emergência, segurança do local), depois a avaliação da vítima e a Cadeia de Sobrevivência, depois os algoritmos técnicos (SBV adulto, SBV pediátrico, DAE, desobstrução da via aérea, posição lateral de segurança), depois a traumatologia e outras emergências médicas, e por fim a comunicação, os equipamentos de proteção individual e a colaboração com as equipas diferenciadas.
Objetivos de aprendizagem (referencial): aplicar o código de conduta profissional; efetuar os procedimentos vitais da cadeia de sobrevivência do adulto para recuperar a vítima; assegurar as condições de segurança para o reanimador e para a vítima; executar o algoritmo de Suporte Básico de Vida adulto e pediátrico; e executar o algoritmo de Suporte Básico de Vida com utilização de Desfibrilhador Automático Externo.
1. Emergências no trabalho florestal e o código de conduta profissional
O trabalho florestal com máquinas expõe a riscos que raramente existem noutros contextos profissionais: cortes com motosserra, esmagamento por queda de árvores ou troncos, capotamento de máquinas em terrenos inclinados, queimaduras em motores e escapes, insolação em trabalho ao ar livre no verão. Uma emergência médica neste contexto tem uma particularidade que muda tudo: o isolamento. Enquanto na cidade uma ambulância chega em poucos minutos, num talhão florestal a resposta pode demorar meia hora ou mais.
Esta distância temporal é a razão de ser da unidade de competência: quem trabalha com máquinas florestais tem de estar preparado para agir nos primeiros minutos, antes de a ajuda especializada chegar. Não se trata de substituir o INEM, os bombeiros ou a ANEPC (Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil): trata-se de ganhar tempo, mantendo a vítima viva e nas melhores condições possíveis até essa ajuda assumir o caso.
O código de conduta do socorrista
Atuar bem numa emergência exige mais do que boa vontade: exige seguir um código de conduta claro, que define os limites e a forma de atuação.
- Cumprir os protocolos internos da empresa, com respeito pelos limites de atuação, o sigilo e a privacidade do cliente ou colega.
- Cumprir o planeamento de contingência e de resposta em emergência, de acordo com as orientações de abordagem à vítima e de reanimação (SBV e DAE).
- Agir ativamente na prevenção de acidentes e na gestão de situações de emergência, de acordo com o protocolo organizacional.
- Reconhecer sempre os limites de atuação: um socorrista com formação em SBV não é um profissional de saúde, não faz diagnósticos e não administra medicação.
Exemplo resolvido · Ativar o plano de contingência
Uma equipa de exploração florestal está a abrir um caminho de acesso com um Dozer, a cerca de dois quilómetros da estrada mais próxima. O encarregado pergunta: "o que é preciso ter definido antes de começar o trabalho, caso alguém se magoe?"
- Um plano de contingência conhecido por toda a equipa: quem chama o 112, quem presta os primeiros socorros, onde está o saco de primeiros socorros.
- O material de primeiros socorros acessível, junto do local de trabalho, não fechado numa viatura distante.
- A localização exata do talhão (coordenadas ou pontos de referência), pronta a transmitir ao 112.
- Pelo menos uma pessoa da equipa com formação em SBV e DAE.
Sem estes quatro elementos definidos antes do acidente, os primeiros minutos perdem-se a improvisar, exatamente quando não há tempo a perder.
2. O Sistema Integrado de Emergência Médica e a chamada 112
O Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) é a rede coordenada pelo INEM que organiza a resposta a uma emergência médica em Portugal, desde a chamada até à receção no hospital. Compreender como funciona este sistema é essencial para ativá-lo corretamente.
Os números que interessam
| Número | Serve para |
|---|---|
| 112 | emergência médica, incêndio, segurança; número único, gratuito, sem necessidade de cartão SIM |
| SOS Floresta 117 | reportar incêndios florestais |
Um incêndio florestal denuncia-se sempre pelo 112 ou pela linha SOS Floresta 117. O ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) não é um número de emergência: é contactado depois, pelos canais institucionais da entidade, para a gestão e proteção do território.
A chamada ao 112 é atendida por um operador que a encaminha para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM, que decide qual o meio mais adequado a enviar: ambulância, viatura médica de emergência e reanimação, ou helicóptero, consoante a gravidade e a localização.
Realizar a chamada de emergência
Realizar e/ou delegar a chamada de emergência para o 112 é uma das aptidões centrais desta UC. A estrutura da chamada:
- Identificar-se e dizer que existe uma emergência.
- Dar a localização exata: concelho, freguesia, ponto de referência, coordenadas se disponíveis (muito relevante em contexto florestal, onde não há morada).
- Indicar o número de vítimas e o estado aparente (consciente, a respirar, sangra).
- Descrever a causa (queda de árvore, corte com motosserra, capotamento).
- Não desligar antes de o operador indicar; seguir as instruções dadas, incluindo eventuais instruções de SBV por telefone.
Exemplo resolvido · Uma chamada ao 112 bem feita
Um trabalhador foi atingido por um tronco em movimento numa operação de abate, no Talhão 14 da Serra do Caramulo, junto ao marco quilométrico 3 da via florestal.
"Boa tarde, é uma emergência. Estamos no Talhão 14, Serra do Caramulo, concelho de Tondela, junto ao marco quilométrico 3 da via florestal principal, a cerca de 2 km da estrada nacional. Há uma vítima, um homem adulto, consciente mas com muita dor na perna direita, foi atingido por um tronco. Está a respirar normalmente. Somos uma equipa de quatro pessoas, temos um Dozer no local que já foi desligado."
Este texto tem tudo o que o CODU precisa para decidir e orientar: localização precisa, número e estado da vítima, causa, e informação de segurança do local (a máquina foi desligada). Se estiveres acompanhado, é boa prática delegar a chamada a outra pessoa enquanto quem tem formação continua a socorrer.
3. Segurança do local, do reanimador e da vítima
Antes de tocar em qualquer vítima, o primeiro passo é sempre assegurar as condições de segurança para o reanimador e para a vítima. Esta é, sem exceção, a regra mais importante de toda a unidade de competência: um segundo acidentado não ajuda ninguém, só multiplica o problema.
Avaliar e retificar as condições de segurança
Em trabalho florestal, a avaliação de segurança tem perigos específicos que não existem noutros contextos:
- Máquinas ainda ligadas ou em movimento (motosserra a trabalhar no chão, trator com o motor ligado).
- Árvores em queda ou troncos instáveis, presos em outras árvores ("presos" ou "pendurados").
- Declives acentuados e terreno instável, com risco de deslizamento.
- Materiais em posição de queda: pilhas de madeira, rochas soltas.
- Condições atmosféricas: calor extremo, chuva forte, vento que possa derrubar árvores fragilizadas.
Retificar as condições de segurança no trabalho florestal significa agir sobre estes riscos antes de avançar: desligar e imobilizar a máquina, afastar-se da zona de queda de árvores, sinalizar a zona com fita ou com outro elemento da equipa a controlar o acesso.
A ordem que nunca se altera
| Prioridade | Quem/o quê |
|---|---|
| 1.º | Segurança do reanimador |
| 2.º | Segurança de terceiros (resto da equipa, curiosos) |
| 3.º | Segurança e socorro da vítima |
Regra de ouro desta unidade: primeiro eu, depois os outros, depois a vítima. Só quando o local está seguro é que se avança para junto da pessoa acidentada.
Exemplo resolvido · Avaliar a segurança antes de agir
Um operador de motosserra corta-se profundamente na perna. A motosserra caiu ao lado dele, ainda com o motor ligado, e está numa zona de declive acentuado, junto a uma pilha de troncos empilhados.
- Parar a cerca de dois metros e avaliar visualmente: a motosserra está ligada, há risco de a pilha de troncos deslizar.
- Pedir a outro elemento da equipa para desligar a motosserra (nunca a vítima o faz, se estiver a sangrar muito).
- Verificar se a pilha de troncos está estável antes de se aproximar; se não estiver, contornar por outro lado.
- Só depois destes dois passos, aproximar-se da vítima e iniciar a avaliação e o controlo da hemorragia.
Ignorar este exemplo e correr diretamente para a vítima é o erro mais frequente, e o mais perigoso, entre socorristas sem experiência.
4. Avaliar a vítima: reatividade, via aérea e respiração
Depois de garantir a segurança, a avaliação da vítima segue uma sequência fixa, que não se deve alterar nem saltar passos.
Avaliar a reatividade
- Aproximar-se e falar em voz alta e clara: "Está bem? Consegue ouvir-me?"
- Estimular com um toque firme nos ombros (nunca abanar a cabeça ou o pescoço, pelo risco de lesão cervical).
- Observar a resposta: abre os olhos, responde por palavras, move-se, ou não reage a nada.
Se reage: mantém-te junto da vítima, verifica lesões visíveis, chama ajuda se necessário. Se não reage: avança de imediato para a avaliação da via aérea e da respiração; só depois de confirmar que não respira normalmente se grita por ajuda e se liga (ou se pede para ligar) ao 112, pedindo também o DAE.
Permeabilizar a via aérea e avaliar a respiração
Permeabilizar a via aérea e avaliar a respiração é o passo seguinte, com um limite de tempo estrito:
- Abrir a via aérea: uma mão na testa, dois dedos no queixo, inclinar a cabeça para trás com suavidade (extensão da cabeça e elevação do queixo).
- Ver, ouvir e sentir: olhar o movimento do tórax, ouvir sons de respiração, sentir o ar na face, durante no máximo 10 segundos.
- Concluir um de três desfechos: respira normalmente, não respira, ou tem respiração agónica (gasping).
A armadilha da respiração agónica
A respiração agónica (gasping) é um dos erros mais graves e mais frequentes na avaliação. Soa como um suspiro ocasional, irregular, ruidoso, muito diferente de uma respiração normal e regular. Não conta como respiração eficaz: se a vítima tem apenas gasping, o algoritmo a seguir é exatamente o mesmo de quem não respira de todo, ou seja, iniciar de imediato o SBV.
| Avaliação | Ação seguinte |
|---|---|
| Reage | Vigiar, avaliar lesões, chamar ajuda se preciso |
| Não reage, respira normalmente | Posição Lateral de Segurança, vigiar |
| Não reage, não respira ou só tem gasping | Iniciar Suporte Básico de Vida de imediato |
Exemplo resolvido · Distinguir gasping de respiração normal
Um colega encontra o operador de uma máquina caído, sem resposta ao estímulo. Ao aproximar o ouvido e o rosto ao tórax, ouve sons irregulares, espaçados, como um suspiro a cada dez ou quinze segundos, sem movimento regular do tórax.
Análise: isto não é respiração normal, é gasping. A decisão correta é tratar como se a vítima não respirasse e iniciar de imediato as compressões torácicas, e não colocar em Posição Lateral de Segurança à espera que "melhore".
5. A Cadeia de Sobrevivência do adulto
A Cadeia de Sobrevivência representa os passos que, em sequência e sem falhas, maximizam a hipótese de sobrevivência de uma vítima em paragem cardiorrespiratória.
Os quatro elos
- Reconhecimento precoce da emergência e chamada de ajuda (112).
- SBV precoce, com compressões e insuflações de quem está no local.
- Desfibrilhação precoce, com DAE, assim que disponível.
- Cuidados pós-reanimação especializados, já no hospital.
Cada elo depende do anterior: sem reconhecimento não há chamada, sem SBV precoce o DAE chega tarde demais, sem desfibrilhação o coração pode não retomar um ritmo eficaz mesmo com boas compressões. Efetuar os procedimentos vitais da cadeia de sobrevivência do adulto para recuperar a vítima é aplicar estes quatro elos, sem os quebrar, um após o outro.
Porque o tempo é o fator decisivo
A cada minuto sem SBV nem desfibrilhação, a probabilidade de sobrevivência cai de forma acentuada. Em contexto florestal, onde o quarto elo (cuidados hospitalares) demora naturalmente mais tempo a chegar, os primeiros três elos, todos executados por quem está no local, tornam-se ainda mais decisivos para o desfecho da vítima.
Tabela resumo da cadeia
| Elo | Quem age primeiro | Objetivo |
|---|---|---|
| Reconhecimento e 112 | quem está no local | ativar a cadeia de ajuda |
| SBV | quem está no local | manter oxigenação dos órgãos vitais |
| DAE | quem está no local, com equipamento | reverter ritmos cardíacos fatais |
| Pós-reanimação | INEM e hospital | estabilizar e tratar a causa |
6. Suporte Básico de Vida Adulto: o algoritmo completo
Executar o algoritmo de Suporte Básico de Vida (SBV) adulto segue sempre a mesma sequência lógica, e é o núcleo técnico de toda a unidade de competência.
O algoritmo, passo a passo
- Garantir a segurança do local.
- Avaliar a reatividade.
- Abrir a via aérea e avaliar a respiração (até 10 segundos).
- Se não respira normalmente: gritar por ajuda, ligar (ou pedir para ligar) ao 112 e pedir o DAE.
- Iniciar compressões torácicas de imediato.
- Alternar 30 compressões com 2 insuflações, sem interromper mais do que o estritamente necessário.
- Assim que chegar um DAE, ligá-lo e seguir as instruções de voz.
- Continuar até a vítima recuperar sinais de vida, chegar ajuda diferenciada, ou o reanimador ficar exausto.
Executar as compressões torácicas
Realizar compressões torácicas e insuflações exige uma técnica precisa:
- Vítima deitada de costas, em superfície dura e plana.
- Base de uma mão no centro do tórax (metade inferior do esterno), a outra mão por cima, dedos entrelaçados.
- Braços esticados, ombros diretamente por cima das mãos.
- Profundidade de 5 a 6 centímetros, frequência de 100 a 120 compressões por minuto.
- Permitir o retorno completo do tórax entre compressões, sem levantar as mãos do local.
Executar as insuflações
Depois de 30 compressões, seguem-se 2 insuflações:
- Manter a via aérea aberta.
- Apertar o nariz da vítima com dois dedos.
- Selar bem a boca sobre a boca da vítima, ou usar máscara de bolso com válvula unidirecional, sempre que disponível.
- Insuflar durante cerca de 1 segundo, o suficiente para ver o tórax a elevar-se.
- Repetir a segunda insuflação e voltar de imediato às compressões, sem exceder 10 segundos nas duas insuflações.
Exemplo resolvido · Iniciar SBV num acidente de motosserra
Um colega, após um corte de motosserra profundo na coxa, deixou de reagir. Avaliaste a segurança (a motosserra foi desligada por outra pessoa), confirmaste que não reage, abriste a via aérea e concluíste que não respira normalmente.
- Gritas por ajuda: "não respira, preciso de ajuda, liga ao 112 já e pede o DAE".
- Colocas a base de uma mão no centro do tórax, a outra por cima, e inicias 30 compressões a um ritmo de cerca de 110 por minuto, com 5 a 6 centímetros de profundidade.
- Fazes 2 insuflações, verificando que o tórax se eleva em cada uma.
- Repetes o ciclo de 30:2, sem parar, até chegar um DAE ou a equipa de emergência assumir a vítima.
Como há hemorragia da lesão da motosserra, se houver um terceiro elemento disponível, este pode aplicar pressão direta à ferida enquanto tu continuas o SBV, sem interromper as compressões.
Trabalhar em equipa
Se houver mais do que um reanimador, alternar a cada 2 minutos evita a quebra de qualidade por cansaço. Um segundo elemento prepara o DAE enquanto o primeiro continua as compressões; um terceiro gere a chamada ao 112 e recebe as equipas de socorro no acesso mais próximo. O SBV bem-sucedido é, quase sempre, trabalho de equipa.
7. Suporte Básico de Vida Pediátrico
Executar manobras de suporte básico de vida em crianças segue a mesma lógica do adulto, com adaptações importantes, porque nas crianças a causa mais frequente de paragem é respiratória, não cardíaca.
O que muda face ao algoritmo adulto
- Antes das compressões, fazer sempre 5 insuflações iniciais.
- Proporção de 15 para 2 para quem tem formação em SBV pediátrico, com um ou dois reanimadores; quem só conhece o SBV adulto usa 30 para 2.
- Reanimador sozinho e sem telemóvel: fazer 1 minuto de SBV antes de ir pedir ajuda.
- Profundidade de compressão de cerca de um terço da espessura do tórax.
- Em lactentes, usar dois dedos, ou as duas mãos a envolver o tórax; em crianças, usar uma ou duas mãos, conforme o tamanho.
Especificidades da via aérea pediátrica
A via aérea de uma criança é mais estreita e mais facilmente obstruída, o que muda a técnica de abertura:
| Idade | Posição da cabeça | Técnica de compressão |
|---|---|---|
| Lactente | neutra, sem hiperestender | dois dedos, ou as duas mãos a envolver o tórax |
| Criança | extensão ligeira | uma ou duas mãos, conforme o tamanho |
| Adulto | extensão completa | as duas mãos sobrepostas |
As insuflações em crianças devem ser suaves, o suficiente apenas para elevar o tórax, evitando lesão pulmonar por excesso de pressão de ar.
Exemplo resolvido · SBV pediátrico numa criança que acompanha o trabalho
Numa exploração familiar, uma criança de seis anos que acompanhava o pai perde a consciência após uma queda e não respira.
- Segurança confirmada, reatividade avaliada: não reage.
- Abres a via aérea com uma extensão ligeira da cabeça (menos acentuada do que num adulto) e confirmas que não respira.
- Fazes 5 insuflações iniciais suaves, observando a elevação do tórax em cada uma.
- Como tens formação em SBV pediátrico, segues com ciclos de 15 compressões para 2 insuflações, com uma ou duas mãos, consoante o tamanho do tórax da criança, a cerca de um terço da profundidade do tórax.
- Continuas até a criança recuperar sinais de vida ou chegar ajuda diferenciada.
O princípio central mantém-se: agir rápido, e não ter medo de comprimir com firmeza suficiente para gerar circulação eficaz.
8. Desfibrilhação Automática Externa: SBV DAE
O Desfibrilhador Automático Externo (DAE) é um aparelho portátil que analisa o ritmo cardíaco e, se detetar um ritmo fatal tratável por choque, dá instruções por voz para administrar uma descarga elétrica capaz de o reverter.
Como funciona
- Concebido para ser usado por qualquer pessoa, com ou sem formação médica: dá instruções passo a passo, em voz alta.
- Só administra o choque se detetar um ritmo desfibrilhável; caso contrário, recomenda continuar as compressões sem aplicar choque.
- É seguro: nunca dá um choque sem antes analisar o ritmo cardíaco da vítima.
Executar o algoritmo de SBV com DAE
Executar o algoritmo de Suporte Básico de Vida com utilização de Desfibrilhador Automático Externo (SBV-DAE):
- Continuar as compressões enquanto outro elemento liga o DAE e coloca os elétrodos.
- Colocar os elétrodos: um abaixo da clavícula direita, outro no lado esquerdo do tórax, sobre a linha axilar.
- Afastar toda a gente da vítima durante a análise do ritmo: "não toquem na vítima".
- Se indicado, o DAE avisa para carregar no botão de choque; todos continuam afastados.
- Imediatamente após o choque, ou se não for aconselhado, retomar as compressões sem demora.
- O DAE volta a analisar a cada 2 minutos; seguir sempre as instruções de voz.
Exemplo resolvido · Usar o DAE durante o SBV
Estás a fazer compressões há cerca de um minuto quando um colega chega com o DAE do posto de apoio.
- Não interrompes as compressões enquanto o colega retira os elétrodos e os prepara.
- Interrompes apenas os segundos necessários para colocar os elétrodos: um abaixo da clavícula direita, outro no lado esquerdo do tórax.
- Assim que o DAE anuncia "a analisar o ritmo, não toque na vítima", todos se afastam e param as compressões.
- O DAE indica "choque aconselhado, afaste-se". Confirmas visualmente que ninguém toca na vítima e o colega carrega no botão.
- Imediatamente após o choque, retomas as compressões, sem esperar por nova instrução.
Situações especiais na colocação dos elétrodos
Se o tórax da vítima estiver molhado (suor, chuva) ou muito peludo, secar rapidamente ou, se necessário, rapar antes de colocar os elétrodos, para garantir boa condução elétrica e a segurança de quem está por perto.
9. Obstrução da Via Aérea
A Obstrução da Via Aérea (OVA), ou engasgamento, pode ser ligeira ou grave, e a distinção decide a atuação correta.
Reconhecer o tipo de OVA
| Sinal | OVA ligeira | OVA grave |
|---|---|---|
| Tosse | forte, eficaz | ausente ou muito fraca |
| Fala | consegue falar | não consegue falar |
| Respiração | dificultada, mas presente | ausente ou muito comprometida |
| Cor | normal | pode ficar cianótica (arroxeada) |
| Sinal típico | tosse repetida | mãos na garganta (sinal universal de engasgamento) |
Perante uma OVA ligeira, a atuação certa é encorajar a tossir, sem intervir de forma mais agressiva: a tosse forte é o mecanismo mais eficaz para desobstruir a via aérea.
Executar as manobras de desobstrução
Executar manobras de desobstrução de via aérea em vítimas de engasgamento, perante uma OVA grave num adulto consciente:
- 5 pancadas interescapulares: inclinar a vítima para a frente, dar pancadas firmes entre as omoplatas com a base da mão.
- Se não resolver, 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich): posicionar-se atrás da vítima, punho fechado acima do umbigo, comprimir para dentro e para cima.
- Alternar 5 e 5 até desobstruir ou a vítima perder a consciência.
- Se a vítima perde a consciência: deitá-la no chão com cuidado, ligar ao 112 e iniciar de imediato o algoritmo de SBV, com uma verificação da boca antes de cada insuflação.
OVA em lactentes e crianças
A técnica de desobstrução muda com a idade da vítima:
- Em lactentes (menos de 1 ano): nunca compressões abdominais. Alternar 5 pancadas interescapulares com 5 compressões torácicas (no mesmo local das compressões de SBV, mais superficiais e rápidas).
- Em crianças acima de 1 ano: mesma técnica do adulto, alternando 5 pancadas interescapulares com 5 compressões abdominais.
Exemplo resolvido · Engasgamento durante a refeição de campo
Durante a pausa para almoço no meio da floresta, um colega começa subitamente a levar as mãos à garganta, não consegue tossir nem falar, e a cor do rosto começa a mudar.
- Reconheces os sinais de OVA grave: mãos na garganta, sem tosse eficaz, sem fala.
- Inclinas o colega para a frente e dás 5 pancadas interescapulares firmes.
- Como não resolveu, posicionas-te atrás dele e dás 5 compressões abdominais, punho fechado acima do umbigo, comprimindo para dentro e para cima.
- Alternas os dois grupos de 5 até o objeto ser expelido ou o colega perder a consciência.
- Se perder a consciência: deitas com cuidado no chão, alguém liga ao 112, e inicias de imediato o algoritmo de SBV.
Em vítima grávida ou muito obesa, as compressões abdominais são substituídas por compressões torácicas, na mesma lógica.
10. Posição Lateral de Segurança
Colocar a vítima (adulto ou criança) em posição lateral de segurança aplica-se à vítima que não reage, ou tem a reatividade diminuída, mas respira normalmente e não precisa de SBV.
Quando usar e quando não usar
| Estado da vítima | Ação |
|---|---|
| Reage, orientada | não é necessária PLS, apenas vigiar |
| Não reage ou reage pouco, respira normalmente | Posição Lateral de Segurança |
| Não reage, não respira ou só tem gasping | Suporte Básico de Vida, não PLS |
O objetivo da PLS é manter a via aérea aberta e evitar a aspiração de vómito ou secreções, deixando-os escorrer para fora da boca em vez de entrarem nos pulmões. Em trauma grave, com suspeita de lesão da coluna, pondera-se com muito cuidado, movendo com o mínimo de rotação necessário.
Executar a técnica, passo a passo
Com a vítima deitada de costas:
- Colocar o braço mais próximo do reanimador em ângulo reto com o corpo, palma da mão para cima.
- Trazer o braço afastado sobre o tórax, com o dorso da mão encostado à face da vítima do lado do reanimador.
- Com a outra mão, dobrar o joelho afastado, mantendo o pé apoiado no chão.
- Puxar o joelho, rodando a vítima de lado, em direção ao reanimador, de forma controlada.
- Ajustar a cabeça para trás (via aérea aberta) e a perna de cima dobrada para estabilizar a posição.
- Vigiar a respiração continuamente até chegar ajuda.
Exemplo resolvido · PLS numa insolação
Um colaborador queixa-se de tonturas num dia de calor extremo, torna-se confuso e depois deixa de responder de forma coerente, embora continue a respirar normalmente quando avaliado.
Análise: não reage, ou reage pouco, e respira normalmente, sem precisar de SBV. É o caso exato de aplicação da Posição Lateral de Segurança, enquanto se aguarda a ajuda pedida ao 112 e se tenta arrefecer a vítima sem a mover desnecessariamente.
11. Traumatologia: hemorragias, feridas, fraturas e queimaduras
O trabalho com máquinas florestais expõe a riscos de corte, esmagamento, perfuração e queimadura. Aplicar as técnicas de primeiros socorros em vítimas de trauma cobre um conjunto alargado de lesões.
Controlar hemorragias
- Hemorragia externa: aplicar pressão direta sobre a ferida com uma compressa, mantida de forma contínua.
- Se a compressa ficar ensopada, não retirar: colocar mais compressas por cima e manter a pressão.
- Em hemorragia com risco de vida num braço ou perna (ou amputação): aplicar o mais cedo possível um torniquete comercial, colocado 5 a 7 centímetros acima da ferida e fora de articulações, apertar até a hemorragia parar, registar a hora de aplicação e nunca o desapertar: só um profissional de saúde o retira.
- Sem torniquete disponível: manter pressão direta firme com a mão enluvada e compressas, sem interromper.
Limpar feridas ligeiras a moderadas
- Lavar as mãos do socorrista, sempre que possível, antes de tocar na ferida.
- Limpar a ferida com soro fisiológico ou água limpa, de dentro para fora.
- Aplicar solução de desinfeção adequada.
- Cobrir com compressa e fixar com adesivo ou ligadura.
- Vigiar sinais de infeção nos dias seguintes: vermelhidão, calor, pus, febre.
Fraturas e entorses
- Não mobilizar a zona afetada nem tentar "endireitar" o membro.
- Imobilizar com talas na posição em que foi encontrada, incluindo as articulações acima e abaixo da lesão.
- Verificar circulação, sensibilidade e movimento antes e depois de imobilizar.
- Se houver ferida aberta junto ao osso (fratura exposta), cobrir com compressa sem pressionar o osso, priorizando o controlo de hemorragia.
Queimaduras
- Arrefecer a zona queimada com água corrente fresca (não gelada) durante pelo menos 20 minutos, começando o mais cedo possível.
- Não rebentar bolhas, não aplicar gelo diretamente, pasta de dentes ou manteiga.
- Cobrir com compressa não aderente ou pano limpo, sem apertar.
- Retirar anéis, relógios ou roupa apertada perto da zona antes de inchar, se for seguro fazê-lo.
- Em queimaduras extensas e em crianças, vigiar o risco de hipotermia durante o arrefecimento prolongado.
- Queimaduras extensas, no rosto, nas vias respiratórias ou muito profundas são emergência: ligar ao 112 de imediato.
Exemplo resolvido · Ferida por motosserra com hemorragia ativa
Um operador sofreu um corte profundo no antebraço com a motosserra, com hemorragia visível e contínua.
- Segurança confirmada (motosserra desligada por outra pessoa).
- Calças luvas (equipamento de proteção individual) antes de tocar na ferida.
- Aplicas uma compressa e fazes pressão direta firme contínua, sem retirar para verificar.
- Se a compressa ensopar, colocas mais compressas por cima, sem remover a primeira, mantendo a pressão.
- Se a hemorragia for muito abundante e não controlar com pressão direta, aplicas um torniquete comercial, 5 a 7 cm acima da ferida, e registas a hora.
- Ligas ao 112 (ou delegas), descrevendo a lesão e a hemorragia.
12. Outras emergências médicas, comunicação e equipamentos de proteção individual
Reconhecer sinais e sintomas de emergências não traumáticas
Identificar os sinais e sintomas de doença ou trauma do indivíduo cobre também emergências que não são cardíacas nem provocadas diretamente por um acidente com máquinas.
| Emergência | Sinais | Primeira atuação |
|---|---|---|
| Golpe de calor | pele quente, temperatura elevada, confusão, agitação, convulsões ou perda de consciência | ligar 112 de imediato; retirar do calor e arrefecer já (água fria do pescoço para baixo ou, sem água, toalhas molhadas com ventilação e gelo nas axilas e virilhas); dar água só se consciente e sem vómitos |
| Hipoglicemia | suor frio, tremores, confusão | se consciente, dar açúcar de absorção rápida |
| Convulsão | movimentos involuntários, perda de consciência | proteger a cabeça, não imobilizar movimentos, não colocar nada na boca |
| AVC (Acidente Vascular Cerebral) | assimetria facial, fraqueza num lado, dificuldade em falar | emergência, ligar 112 de imediato |
Aplicar as técnicas de primeiros socorros em vítimas de doença súbita segue princípios comuns: manter a calma, não dar de beber nem comer se houver risco de perda de consciência, posicionar confortavelmente, vigiar continuamente reatividade e respiração, e registar a hora de início dos sintomas, informação valiosa para a equipa do INEM.
Comunicação de suporte em situação de emergência
Cumprir as regras de comunicação de suporte em contexto de intervenção e manter o controlo emocional, promovendo a calma entre os presentes são critérios de desempenho centrais desta UC:
- Falar de forma clara, calma e direta, com frases curtas.
- Dar instruções concretas, apontando para a pessoa: "tu, liga ao 112, e diz-me quando estiveres a falar com eles".
- Manter a vítima informada do que se está a fazer, mesmo que pareça inconsciente.
Equipamentos de proteção individual e material de socorrismo
Utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI) protege quem socorre e quem é socorrido. O material de socorrismo previsto para esta UC inclui:
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Via aérea e reanimação | máscara de bolso com válvula unidirecional, desfibrilhador de treino |
| Ferimentos | ligaduras, compressas, soluções de lavagem e desinfeção, adesivo |
| Imobilização | talas, lenço triangular |
| Proteção térmica | lençol térmico descartável |
| Avaliação (opcional) | estetoscópio, esfigmomanómetro, máquina de BM teste, lanterna de reflexos pupilares |
Colaborar com as equipas de emergência médica
Colaborar no apoio e auxílio de agentes de emergência médica fecha o ciclo: manter o acesso ao local limpo e sinalizado, transmitir de forma objetiva o que aconteceu, o que foi feito e desde quando, e só terminar a intervenção quando a equipa diferenciada assume formalmente o cuidado da vítima.
Erros comuns
- Correr para a vítima sem avaliar primeiro a segurança do local, da máquina e do terreno.
- Confundir respiração agónica (gasping) com respiração normal, atrasando o início das compressões.
- Colocar em Posição Lateral de Segurança uma vítima que não respira, em vez de iniciar SBV.
- Interromper demasiado tempo as compressões para "confirmar" passos ou preparar equipamento.
- Hesitar em ligar o DAE por medo de interromper as compressões: liga-se assim que chega, sem hesitar.
- Retirar a compressa de uma hemorragia para "ver se parou", desfazendo o coágulo em formação.
- Hesitar em aplicar o torniquete numa hemorragia com risco de vida, ou desapertá-lo depois de aplicado: uma vez colocado, só um profissional de saúde o retira.
- Aplicar remédios caseiros em queimaduras (manteiga, pasta de dentes, gelo direto), o que agrava a lesão.
- Colocar objetos na boca de alguém em convulsão, um gesto perigoso e desnecessário.
- Ir embora ou relaxar assim que se ouve a sirene, antes de a equipa de emergência assumir formalmente a vítima.
Glossário
- SIEM: Sistema Integrado de Emergência Médica, coordenado pelo INEM.
- CODU: Centro de Orientação de Doentes Urgentes, que decide e envia o meio de socorro adequado.
- SBV: Suporte Básico de Vida, conjunto de manobras que mantêm a circulação e a respiração até chegar ajuda diferenciada.
- DAE: Desfibrilhador Automático Externo, aparelho que analisa o ritmo cardíaco e pode administrar um choque.
- Cadeia de Sobrevivência: sequência de quatro elos (reconhecimento e 112, SBV precoce, DAE precoce, cuidados pós-reanimação) que maximiza a sobrevivência.
- OVA: Obstrução da Via Aérea, ligeira ou grave.
- PLS: Posição Lateral de Segurança, usada em vítima que não reage, ou reage pouco, e respira normalmente, sem precisar de SBV.
- Respiração agónica (gasping): respiração irregular e ruidosa que não conta como respiração eficaz.
- Reatividade: capacidade de a vítima responder a estímulos verbais ou táteis.
- Manobra de Heimlich: compressões abdominais usadas na desobstrução da via aérea em adultos.
- ANEPC: Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
- ICNF: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
- EPI: Equipamento de Proteção Individual.
- Torniquete: dispositivo comercial usado o mais cedo possível para controlar hemorragias com risco de vida num braço ou perna; uma vez aplicado, nunca se desaperta, só um profissional de saúde o retira.
Síntese
Atuar em emergência no trabalho florestal segue sempre a mesma lógica: segurança primeiro (do reanimador, da vítima e de terceiros), depois avaliação (reatividade, via aérea, respiração), depois a Cadeia de Sobrevivência (reconhecimento e 112, SBV precoce, DAE precoce, cuidados pós-reanimação). O SBV adulto segue o ciclo de 30 compressões para 2 insuflações, com o 112 chamado depois de confirmar que a vítima não respira; o SBV pediátrico começa sempre com 5 insuflações iniciais e segue depois em 15:2 (com formação pediátrica) ou 30:2 (só formação adulta). O DAE liga-se assim que chega, sem hesitar. A desobstrução da via aérea, a Posição Lateral de Segurança e a traumatologia (hemorragias, feridas, fraturas, queimaduras) completam o leque de resposta a emergências não cardíacas. Tudo isto enquadrado por equipamentos de proteção individual, comunicação clara e controlo emocional, até à chegada e passagem de testemunho às equipas do INEM.
Exercícios resolvidos
1. Chegas junto de um colega caído após uma queda de uma máquina. A motosserra dele está ainda a trabalhar no chão, a menos de um metro. Qual é o teu primeiro gesto?
Resolução: nenhum contacto com a vítima antes de resolver a máquina em funcionamento. Pedes a outra pessoa (ou fazes tu, com segurança) para desligar a motosserra, avalias o terreno, e só depois avanças para a vítima. Segurança primeiro, sempre.
2. Uma vítima não reage. Avalias a via aérea e a respiração e ouves sons irregulares, espaçados, tipo suspiro. O que fazes?
Resolução: isto é respiração agónica (gasping), não conta como respiração normal. A ação correta é tratar como se não respirasse e iniciar de imediato o Suporte Básico de Vida, e não colocar em Posição Lateral de Segurança.
3. Explica de que depende a proporção de compressões e insuflações no SBV pediátrico, e como se compara com o SBV adulto.
Resolução: no adulto é sempre 30 compressões para 2 insuflações. Na criança, a proporção depende da formação, não do número de reanimadores: quem tem formação em SBV pediátrico usa 15 para 2, com um ou dois reanimadores; quem só conhece o SBV adulto usa 30 para 2. Em ambos os casos, começa-se sempre por 5 insuflações iniciais. Se o reanimador estiver sozinho e sem telemóvel, faz-se primeiro 1 minuto de SBV antes de ir pedir ajuda.
4. O DAE chega ao local enquanto fazes compressões. Qual é a sequência correta a partir desse momento?
Resolução: não paras as compressões enquanto o DAE é preparado. Interrompes apenas o tempo necessário para colocar os elétrodos. Quando o DAE anuncia que vai analisar o ritmo, todos se afastam e param de tocar na vítima. Se aconselhar choque, confirma-se que ninguém toca e administra-se o choque; imediatamente a seguir, retomam-se as compressões sem esperar por nova instrução.
5. Um colega engasga-se durante o almoço no campo: não tosse, não fala, leva as mãos à garganta. Descreve a sequência de atuação.
Resolução: é uma OVA grave. Inclinas a pessoa para a frente e dás 5 pancadas interescapulares. Se não resolver, dás 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich). Alternas os dois grupos de 5 até desobstruir ou a pessoa perder a consciência; se perder a consciência, deitas com cuidado, ligas ao 112 e inicias de imediato o algoritmo de SBV, verificando a boca antes de cada insuflação.