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UC · Unidade de Competência · UC03472

Sebenta · Avaliar a produtividade e os custos das operações (UC03472)

Fatores de produtividade, tempos de trabalho, custos fixos e variáveis, CAOF e sustentabilidade nas operações florestais
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Máquinas Florestais ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta ensina a avaliar a produtividade e os custos das operações florestais: quanto uma máquina ou equipa produz por hora, e quanto custa produzir esse volume. É uma competência transversal a todas as operações do setor, abate e processamento, rechega e extração, tratamento de sobrantes, construção e manutenção de infraestruturas, porque nenhuma decisão técnica ou comercial se sustenta sem números fiáveis.

O percurso segue a lógica do próprio referencial: primeiro identificamos os fatores que fazem a produtividade variar entre operações; depois aprendemos a medir tempos de trabalho com rigor; a seguir calculamos a produtividade de cada tipo de operação; e por fim calculamos e decompomos os custos, dos encargos fixos às despesas anexas, até chegar ao indicador que resume tudo, o custo por m³. Fechamos com as tabelas de referência da CAOF e com a ligação desta matéria à sustentabilidade do setor.

Objetivos de aprendizagem (referencial): identificar os fatores que influenciam a produtividade e o custo das operações; calcular a produtividade das operações; calcular os custos das operações, identificando a sua composição.

1. Produção, produtividade e custos: conceitos

Três conceitos formam a base de toda a UC e não podem ser confundidos:

A distinção entre produção e produtividade é a mais fácil de confundir na prática. Dizer que "o harvester abateu 48 m³ hoje" descreve a produção; dizer que "o harvester rende 6,75 m³/h" descreve a produtividade. Só a segunda frase permite comparar este harvester com outro que trabalhou um número diferente de horas.

Porque se avaliam produtividade e custos

A avaliação de produtividade e custos serve, na prática de uma empresa de serviços florestais ou de uma associação/cooperativa, para:

Uma produtividade alta obtida com um custo desproporcionado pode valer menos, em termos de custo por m³, do que uma produtividade média obtida com um custo controlado. As duas leituras, produtividade e custo, têm sempre de ser cruzadas; é essa relação, aliás, que fecha esta sebenta no capítulo 9.

2. Fatores que influenciam a produtividade

O referencial agrupa em seis fatores tudo o que faz a produtividade de uma máquina ou operação variar de local para local, mesmo mantendo o mesmo equipamento:

Fator O que inclui Efeito típico na produtividade
Terreno declive, pedregosidade, tipo de solo, acessos declives fortes e pedregosidade reduzem a velocidade e a tração
Povoamento florestal espécie, densidade, diâmetro, altura árvores de maior diâmetro rendem mais m³ por ciclo de trabalho
Silvicultura praticada desbaste vs corte final, idade do povoamento o desbaste (seletivo) é mais lento do que o corte final
Máquina potência, capacidade, estado de manutenção máquina mal afinada ou subdimensionada perde rendimento
Organização e métodos de trabalho planeamento, formação da equipa, logística má organização das vias de extração aumenta tempos mortos
Produtos a obter dimensões e qualidade exigidas ao produto final exigências de precisão (toros de serração) abrandam o processamento

Terreno e povoamento

O declive é, na maioria dos estudos do setor, o fator isolado com maior impacto na produtividade. Acima de cerca de 30-35% de declive, muitas máquinas de rodas perdem tração e velocidade de deslocação; nesses casos recorre-se a máquinas de rastos ou a sistemas de cabo aéreo. A pedregosidade e a presença de linhas de água ou valas obrigam a desvios constantes e reduzem o rendimento efetivo.

No povoamento florestal, árvores com maior diâmetro médio processam-se mais depressa por unidade de volume, porque cada manobra da máquina (agarrar, cortar, desramar, traçar) rende mais m³. A densidade (número de árvores por hectare) condiciona a manobra entre fustes: em povoamentos muito densos, a máquina perde mais tempo a posicionar-se. A espécie influencia a dureza da madeira e a forma do fuste (ramificação, tortuosidade), afetando o tempo de processamento.

Silvicultura, máquina, organização e produto

Um desbaste (remoção seletiva de árvores finas, deixando as restantes a crescer) é uma operação de precisão, mais lenta do que um corte final (remoção total do povoamento, com árvores tipicamente maiores). A idade e o histórico de gestão do povoamento também condicionam a regularidade do fuste e, logo, a produtividade.

A máquina define o limite físico: potência do motor, capacidade da grua ou da pinça, e sobretudo o estado de manutenção. Uma máquina desgastada ou mal afinada perde rendimento mesmo em condições de terreno e povoamento favoráveis.

A organização e métodos de trabalho incluem o planeamento prévio das vias de extração, a experiência e formação do operador (dois operadores na mesma máquina podem ter produtividades muito diferentes) e a coordenação entre máquinas numa mesma frente de trabalho.

Por fim, os produtos a obter alteram o tempo de processamento por árvore: produzir toros de serração com comprimentos exatos e sem defeitos exige mais cortes de verificação do que produzir estilha, onde a dimensão é menos crítica.

3. Unidades e tempos de trabalho

As unidades

A produção mede-se em volume (m³) ou peso (toneladas), consoante o produto e a operação. A produtividade relaciona sempre essa produção com o tempo:

Grandeza Unidade típica
Produção m³, ton
Tempo h, jornada, ano
Produtividade m³/h, ton/h, m³/jornada, m³/ano

A escolha da unidade de tempo depende do objetivo: m³/h para comparar máquinas num mesmo tipo de trabalho; m³/jornada ou m³/ano para planear a capacidade de uma frota ao longo de uma campanha. Nunca se compara produtividade entre dois registos sem confirmar que a unidade de tempo e o tipo de produto são os mesmos dos dois lados: comparar m³/h com m³/jornada, sem converter, produz uma conclusão errada.

Tempo de presença, tempo de máquina, tempo produtivo

Este é o conceito mais importante do capítulo, porque sustenta todos os cálculos de produtividade da UC. Nem todo o tempo em que uma máquina está no terreno é tempo produtivo:

A produtividade calcula-se sempre sobre o tempo produtivo, nunca sobre o tempo de presença total. Um harvester com 8 horas de presença mas apenas 6,5 horas de trabalho produtivo (o resto gasto em manutenção e deslocações) tem a sua produtividade calculada sobre as 6,5 horas, não sobre as 8. Ignorar esta distinção é o erro mais comum ao calcular produtividade, e por isso é sublinhado ao longo de toda esta sebenta.

4. Metodologias de avaliação dos tempos de trabalho

O referencial identifica três formas de medir os tempos de trabalho, com equilíbrios diferentes entre rigor e custo/tempo de estudo:

  1. Cronometragem: medição direta e contínua, no terreno, com cronómetro ou registador eletrónico, de cada elemento do ciclo de trabalho.
  2. Amostragem prévia (work sampling): observações pontuais e aleatórias ao longo do dia, que registam apenas a categoria de atividade naquele instante.
  3. Tabelas de tempos-padrão: valores de referência já publicados ou construídos em estudos anteriores, aplicados sem nova medição no terreno.

Cronometragem

A cronometragem decompõe o ciclo de trabalho em elementos e mede o tempo de cada um, repetido em vários ciclos, para obter uma média fiável (um único ciclo cronometrado não é representativo, porque varia naturalmente de ciclo para ciclo).

Exemplo resolvido: decompor um ciclo de rechega

Um técnico cronometra o ciclo de trabalho de um forwarder, repetindo a medição em vinte ciclos e calculando as médias:

Elemento do ciclo Tempo médio
Deslocação vazio até à carga 8 min
Carregamento 12 min
Deslocação carregado até ao parque 10 min
Descarga no parque 5 min
Tempo de ciclo produtivo 35 min

Só os quatro elementos do ciclo entram no tempo produtivo. Uma paragem para manutenção que aconteça durante o carregamento não se soma ao "tempo de carregamento": regista-se à parte, como tempo não produtivo.

Amostragem de trabalho e tabelas de tempos-padrão

Na amostragem de trabalho, em vez de cronometrar tudo, fazem-se observações instantâneas a intervalos aleatórios (por exemplo, de cinco em cinco minutos) e regista-se apenas a categoria da atividade nesse momento: produtivo, manutenção, deslocação, paragem. Com um número suficiente de observações, a percentagem de cada categoria aproxima-se do tempo real gasto nela. É um método mais barato do que a cronometragem contínua, mas menos detalhado, e é especialmente adequado quando há muitas máquinas a acompanhar com uma equipa de estudo reduzida.

As tabelas de tempos-padrão são valores médios de tempo por elemento de trabalho, obtidos em estudos anteriores, aplicáveis a situações semelhantes. Poupam o tempo e o custo de um novo estudo, mas exigem confirmar que as condições, terreno, povoamento e máquina, são comparáveis às do estudo de origem: aplicar cegamente uma tabela de outra realidade produz estimativas erradas.

5. Produtividade das operações florestais

A avaliação da produtividade aplica-se a quatro grandes tipos de operação, todos com a mesma lógica de cálculo (produção a dividir pelo tempo produtivo), mas com diferenças práticas relevantes entre si.

Abate e processamento mecanizado

O harvester abate, desrama e traça (corta em toros no comprimento definido) numa só passagem. A fórmula geral:

Produtividade (m³/h) = Volume total processado (m³) / Tempo produtivo (h)

Exemplo resolvido

Um harvester processou 48,6 m³ num turno em que o tempo produtivo, já descontadas as paragens e a manutenção, foi de 7,2 horas.

Produtividade = 48,6 / 7,2 = 6,75 m³/h

O mesmo raciocínio aplica-se ao abate manual com motosserra seguido de processamento, mudando apenas o método de trabalho e, normalmente, o valor obtido.

A produtividade do abate mecanizado varia sobretudo com o diâmetro médio das árvores (mais m³ por manobra), a densidade do povoamento (mais manobras entre fustes), o tipo de operação (desbaste seletivo vs corte final) e o comprimento e qualidade exigidos aos toros.

Rechega e extração

A rechega (ou extração) transporta a madeira do local de abate até ao parque ou carregadouro. Três equipamentos principais:

A escolha do equipamento depende sobretudo do declive e da distância de extração.

Exemplo resolvido: produtividade por ciclo

Retomando o ciclo do capítulo 4 (35 minutos, 9 m³ transportados por ciclo), e considerando que num turno o tempo produtivo é de 50 minutos por hora (o resto ocupado por pequenas paragens):

  1. Ciclos por hora de tempo produtivo = 50 / 35 ≈ 1,43 ciclos/h
  2. Produtividade = 1,43 × 9 = 12,9 m³/h

Se a distância de extração aumentar, o tempo de deslocação sobe, o ciclo alonga-se e a produtividade desce, mesmo que o volume transportado por ciclo se mantenha igual. Inversamente, se o operador conseguir aumentar a carga por ciclo sem alongar o ciclo, a produtividade sobe proporcionalmente.

Tratamento de sobrantes

Os sobrantes (ramos, bicadas, cepos e material de menor dimensão) resultam do abate e processamento. Duas soluções principais: trituração/estilhagem, que transforma os sobrantes em estilha para energia (biomassa), medida em toneladas ou estere/hora; e enleiramento, em que os sobrantes são organizados em leiras, para decomposição natural, recolha posterior ou redução do risco de incêndio.

A produtividade da estilhagem calcula-se de forma semelhante às restantes operações (ton/h de tempo produtivo) e depende do tipo de triturador, da humidade do material e da densidade de sobrantes por hectare.

Construção e manutenção de infraestruturas florestais

As infraestruturas florestais (caminhos florestais, aceiros, pontos de água) são essenciais para o acesso das máquinas e para a defesa da floresta contra incêndios. A produtividade típica exprime-se em metros de caminho por hora ou em m³/h de material movimentado, consoante a máquina utilizada (giratória, motoniveladora, buldózer). Os fatores determinantes são o tipo de solo, o declive e a especificação técnica exigida ao caminho; a manutenção periódica (limpeza de valetas, reperfilamento) é normalmente mais rápida do que a abertura de um caminho novo.

Em todas estas operações, o princípio é sempre o mesmo: registar o tempo produtivo separado das paragens, para obter uma produtividade comparável entre equipas e entre parcelas.

6. Tipos de custos e dados gerais

Os dados gerais de partida

Antes de calcular qualquer custo, reúnem-se três dados gerais sobre o funcionamento anual da máquina e da equipa:

Dado geral Exemplo típico
Dias de trabalho anual 200 dias/ano
Tempo de presença diário do operador 8 h/dia
Horas de trabalho diário da máquina 6,5 a 7,5 h/dia (descontadas paragens)

Não se usam 365 dias por ano: fins de semana, feriados, más condições climatéricas e paragens planeadas reduzem os dias úteis a um valor bem menor. Estes dados servem de base para anualizar os custos fixos (repartir por todas as horas do ano) e para calcular o custo diário e o custo anual de uma operação.

Custos fixos, variáveis e anexos

Todo o custo de uma operação florestal enquadra-se numa de três categorias:

Um erro frequente é classificar o combustível como custo fixo: é variável, porque depende diretamente das horas trabalhadas. Já o seguro é fixo, paga-se quer a máquina trabalhe quer não.

7. Encargos fixos

Os encargos fixos (custo da máquina, equipamento ou alfaia) somam três componentes principais, calculados por ano e depois convertidos em €/h, dividindo pelas horas de trabalho anuais da máquina:

Exemplo resolvido: amortização e despesas financeiras

Harvester com valor de aquisição 300 000 €, valor de retoma estimado ao fim da vida útil 60 000 €, vida útil 5 anos, a trabalhar 1600 horas/ano.

Passo 1, amortização anual:

Amortização anual = (Valor de aquisição − Valor de retoma) / Vida útil

Amortização anual = (300 000 − 60 000) / 5 = 48 000 €/ano

Passo 2, despesas financeiras (taxa de 5% sobre o valor médio investido):

Valor médio investido = (Valor de aquisição + Valor de retoma) / 2

Valor médio investido = (300 000 + 60 000) / 2 = 180 000 €

Despesas financeiras = 180 000 × 0,05 = 9 000 €/ano

Passo 3, converter para €/h (dividindo pelas 1600 horas de trabalho anuais, e não pelas horas de vida útil total da máquina):

Amortização = 48 000 / 1600 = 30,00 €/h

Despesas financeiras = 9 000 / 1600 = 5,63 €/h

Exemplo resolvido: seguros e total de encargos fixos

Seguro da máquina, tipicamente 1,5% do valor de aquisição por ano:

Seguro anual = 300 000 × 0,015 = 4 500 €/ano → 4 500 / 1600 = 2,81 €/h

Componente €/h
Amortização 30,00
Despesas financeiras 5,63
Seguros 2,81
Total encargos fixos 38,44 €/h

Este valor mantém-se igual todas as horas do ano, quer a máquina produza muito, quer produza pouco. É por isso que maximizar o tempo produtivo é uma forma direta de reduzir o custo horário efetivo: cada hora parada "desperdiça" na mesma 38,44 € de encargos fixos.

8. Despesas de funcionamento, pessoal, deslocação e anexas

Despesas de funcionamento

As despesas de funcionamento (custo variável) incluem tudo o que a máquina consome enquanto trabalha: combustível, óleos e lubrificantes, pneumáticos, rastos e cabos, outros materiais consumíveis (correntes, dentes de disco), manutenções e reparações, e despesas de transporte das máquinas entre parcelas.

Exemplo resolvido (continuação)

Componente €/h
Combustível (15 L/h × 1,30 €/L) 19,50
Óleos e lubrificantes 1,50
Pneus/rastos e cabos 2,50
Manutenção/reparações 6,00
Transporte da máquina 1,00
Total funcionamento 30,50 €/h

Despesas de pessoal

As despesas de pessoal incluem os salários e encargos do(s) operador(es), incluindo segurança social e seguros de trabalho, e o EPI (equipamento de proteção individual: capacete, botas, luvas, proteção auditiva), amortizado por hora.

Salário + encargos: 10,00 €/h. EPI amortizado: 0,40 €/h. Total pessoal = 10,40 €/h.

O EPI não é uma despesa opcional nem "à parte": é obrigatório e integra o custo real da operação, tal como o combustível ou a manutenção.

Despesas de deslocação

Incluem veículos de apoio, alimentação e ajudas de custo da equipa, e transporte entre o alojamento e a parcela de trabalho. No exemplo em curso, considera-se um valor de 1,50 €/h.

Despesas anexas

As despesas anexas são os custos de estrutura da empresa que dão apoio à operação sem pertencerem a nenhuma máquina em particular: comunicações (telefone, rádio, dados), gestão e recursos humanos (administração, planeamento), e infraestruturas (armazém, oficina, escritório). Como não há forma direta de as atribuir a cada hora de máquina, calculam-se como uma percentagem do custo da atividade já acumulado, ou seja, sobre a soma de encargos fixos, funcionamento, pessoal e deslocação, e não apenas sobre os encargos fixos.

9. Custo da atividade e registo de custos e produtividades

Exemplo resolvido: custo da atividade completo

Reunindo todas as parcelas calculadas nos capítulos 7 e 8 para o harvester do exemplo:

Parcela €/h
Encargos fixos 38,44
Funcionamento 30,50
Pessoal 10,40
Deslocação 1,50
Subtotal 80,84
Despesas anexas (5% do subtotal) 4,04
Custo da atividade horário 84,88 €/h

A partir deste valor calculam-se o custo diário (× horas de trabalho diário produtivo) e o custo anual (× horas de trabalho anuais), consoante o que se quer reportar ao cliente ou à gestão da empresa:

A ficha de registo por operação e máquina

O referencial pede o registo estruturado de custos e produtividades por operação e por tipo de máquina, equipamento ou alfaia. Os campos típicos:

Campo O que regista
Dias de trabalho anual dias efetivos no ano
Tempo de presença (diário/anual) do operador horas
Trabalho produtivo horas efetivas de produção
Tempo de trabalho da máquina (ano) horas
Custo da atividade € (anual, diário, horário)
Produção m³ ou ton
Produtividade m³/h ou ton/h
Custo anual, custo diário
Custo/h de presença do operador, custo/h de trabalho da máquina €/h
Custo/m³ € por m³ produzido

Exemplo resolvido: custo por m³

Fechando o exemplo iniciado no capítulo 5: custo da atividade 84,88 €/h, produtividade 6,75 m³/h.

Custo/m³ = Custo da atividade (€/h) / Produtividade (m³/h)

Custo/m³ = 84,88 / 6,75 ≈ 12,58 €/m³

É este indicador, o custo por m³, que se compara entre máquinas, se usa numa proposta comercial a um cliente e se acompanha ao longo do ano para detetar desvios face ao planeado. Se a produtividade subir, por exemplo para 8 m³/h, sem alterar o custo horário, o custo por m³ desce, porque o mesmo custo se reparte por mais volume produzido: 84,88 / 8 ≈ 10,61 €/m³.

10. CAOF e sustentabilidade das operações

A CAOF

A CAOF (Comissão de Acompanhamento das Operações Florestais) publica tabelas de exploração florestal de referência para o setor em Portugal, usadas para estimar produtividades e custos de operações florestais quando não há dados próprios cronometrados no terreno. Servem como valor de referência, ajudam a balizar propostas comerciais e a verificar se um custo calculado está dentro do intervalo razoável para o setor. Devem ser sempre contextualizadas: as condições reais de terreno, povoamento e máquina podem justificar desvios face à tabela.

Situação Fonte preferível
Primeira estimativa, sem tempo para estudo Tabelas CAOF
Decisão importante, alto investimento Cronometragem própria
Comparação com o setor Tabelas CAOF como referência
Acompanhamento contínuo de uma operação Registo próprio (capítulo 9)

O melhor uso combina os dois: as tabelas dão o ponto de partida, o registo próprio confirma ou corrige esse ponto de partida com a realidade da operação em curso.

Sustentabilidade, neutralidade carbónica, digitalização e economia circular

A avaliação de produtividade e custos liga-se diretamente à sustentabilidade das operações florestais. A neutralidade carbónica avança com tecnologia que reduz o consumo de combustíveis fósseis, motores mais eficientes, eletrificação parcial, biocombustíveis, reduzindo simultaneamente o custo variável e as emissões. A digitalização da produção traz sensores e computadores de bordo nos harvesters (sistemas como o StanForD e equivalentes) que registam automaticamente volumes, tempos e localização, reduzindo o esforço e o erro da cronometragem manual. A economia circular aproveita os sobrantes tratados (capítulo 5) na cadeia da biomassa, em vez de os desperdiçar, e recicla óleos e materiais usados sempre que possível.

Produtividade, custo e sustentabilidade não são objetivos em conflito: uma operação mais eficiente é, em regra, também mais sustentável, porque menos tempo parado e menos desperdício significam simultaneamente menos custo e menos impacto ambiental.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Avaliar a produtividade e os custos das operações florestais segue sempre a mesma ordem: identificar os fatores (terreno, povoamento, silvicultura, máquina, organização, produto) que explicam as variações → medir os tempos de trabalho com a metodologia adequada (cronometragem, amostragem ou tabelas) → separar tempo produtivo de tempo não produtivocalcular a produtividade de cada operação (produção a dividir pelo tempo produtivo) → calcular os custos por categoria (fixos, variáveis, anexos) até ao custo da atividade → relacionar produtividade e custo no indicador final, o custo por m³ → contextualizar tudo com as tabelas CAOF e com a sustentabilidade do setor. Domina este fluxo e sabes avaliar qualquer operação florestal, seja ela abate, rechega, tratamento de sobrantes ou construção de infraestruturas.

Exercícios resolvidos

1. Um forwarder tem um ciclo produtivo de 40 minutos e transporta 8 m³ por ciclo. Num turno, o tempo produtivo é de 45 minutos por hora. Qual a produtividade em m³/h?

Resolução: ciclos por hora = 45 / 40 = 1,125 ciclos/h. Produtividade = 1,125 × 8 = 9 m³/h.

2. Uma máquina custou 200 000 €, tem valor de retoma de 40 000 € ao fim de 4 anos de vida útil, e trabalha 1500 horas por ano. Calcula a amortização anual e o seu valor em €/h.

Resolução: amortização anual = (200 000 − 40 000) / 4 = 160 000 / 4 = 40 000 €/ano. Em €/h: 40 000 / 1500 ≈ 26,67 €/h.

3. Um técnico soma encargos fixos de 35 €/h, funcionamento de 28 €/h, pessoal de 9 €/h e deslocação de 2 €/h. As despesas anexas são 5% do subtotal. Qual o custo da atividade horário?

Resolução: subtotal = 35 + 28 + 9 + 2 = 74 €/h. Anexas = 74 × 0,05 = 3,70 €/h. Custo da atividade = 74 + 3,70 = 77,70 €/h.

4. Com o custo da atividade de 77,70 €/h e uma produtividade de 5,4 m³/h, calcula o custo por m³.

Resolução: custo/m³ = 77,70 / 5,4 ≈ 14,39 €/m³.

5. Explica porque é que dois harvesters com a mesma produtividade em m³/h podem ter custos por m³ diferentes.

Resolução: porque o custo por m³ depende também do custo da atividade horário, não só da produtividade. Uma máquina mais cara (encargos fixos maiores) ou com despesas de funcionamento superiores tem um custo/m³ mais alto mesmo produzindo o mesmo volume por hora.

6. Um colega diz que a cronometragem é sempre o melhor método para medir tempos de trabalho. Concordas? Justifica.

Resolução: não necessariamente. A cronometragem é o método mais rigoroso, mas também o mais lento e caro. Para decisões rápidas ou muitas máquinas em simultâneo, a amostragem de trabalho ou as tabelas de tempos-padrão podem ser mais adequadas, desde que as condições sejam comparáveis às do estudo de origem.

7. Porque é que os encargos fixos não desaparecem quando a máquina está parada, e que consequência prática tem isso para a gestão de uma operação?

Resolução: os encargos fixos (amortização, despesas financeiras, seguros) resultam da posse da máquina, não da sua utilização; existem mesmo sem produção. Consequência prática: cada hora parada tem o mesmo custo fixo "a correr", por isso maximizar o tempo produtivo é uma das formas mais diretas de reduzir o custo horário efetivo e, logo, o custo por m³.