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UC · Unidade de Competência · UC03465

Sebenta · Operar o trator autocarregador-transportador florestal (forwarder) em segurança (UC03465)

Instruções operativas, planeamento da rechega, condução, carga, descarga, construção de pilhas, manutenção e emergências
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Máquinas Florestais ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

A UC03457 ensinou a preparar uma operação de exploração florestal: reconhecer o talhão, escolher o sistema de exploração e desenhar o plano. Esta unidade curricular começa onde aquela termina: com o plano feito, é preciso pôr o Forwarder a trabalhar em segurança, e fazê-lo bem.

O Forwarder (trator autocarregador-transportador florestal) é a máquina que fecha o ciclo do sistema de toros curtos: depois de o harvester abater, desramar e traçar a árvore em toros comerciais, o Forwarder recolhe esses toros no local de abate, transporta-os sobre o seu próprio estrado, sem os arrastar pelo chão, e deposita-os em pilhas no carregadouro, prontas para o transporte rodoviário. É a máquina mais comum na rechega em terreno mecanizável, e a que esta UC ensina a operar do arranque ao fim de jornada.

Objetivos de aprendizagem (referencial): aplicar as instruções operativas e de segurança do Forwarder; planear as operações de rechega e extração de madeira com o Forwarder; aplicar técnicas de condução e operação da máquina; e realizar operações de rechega e extração de madeira com Forwarder, em segurança.

Trabalhamos sempre em contexto real: empresas florestais, agências de conservação ambiental, indústrias de biomassa e empresas de consultoria ambiental são os empregadores típicos de quem domina esta competência.

1. O Forwarder na exploração florestal

O que é e onde entra na cadeia

O Forwarder é uma máquina florestal articulada, com uma grua hidráulica montada entre o trator dianteiro e o estrado traseiro, cuja função é carregar, transportar e descarregar madeira já processada (toros, cepos ou biomassa), do local de abate até ao carregadouro. Ao contrário do skidder, que arrasta os fustes pelo solo, o Forwarder eleva a carga completamente do chão e transporta-a sobre o estrado, o que reduz os danos ao solo, às raízes e à própria madeira transportada.

Na cadeia de exploração ensinada na UC03457, o Forwarder entra depois do abate e do processamento:

Harvester (abate + desrama + traçamento)  Forwarder (rechega/extração)  Carregadouro  Transporte rodoviário  Indústria

O Forwarder é, por isso, o elo que liga o local onde a árvore caiu ao ponto onde a madeira aguarda o camião. Toda a produtividade do sistema de toros curtos depende de quão bem esse elo funciona.

Componentes principais da máquina

O Forwarder não abate nem processa madeira: a sua função é exclusivamente carregar, transportar e descarregar. Confundir esta fronteira de funções com as do harvester é o primeiro erro que um operador novo comete.

2. Regulamentação e segurança e saúde na operação

Regulamentação aplicada à mecanização florestal

A operação de máquinas florestais está enquadrada, em Portugal, por três frentes regulamentares que se complementam:

A entidade que fiscaliza o cumprimento das condições de segurança e saúde no trabalho em Portugal é a ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho).

Nota: os números concretos de artigos e diplomas mudam com o tempo. O que não muda é a obrigação: formação do operador, manual do fabricante seguido à letra, e EPI adequado à tarefa. Confirma sempre a legislação em vigor junto da ACT ou do gabinete de segurança da empresa antes de qualquer decisão que dependa de um valor legal exato.

Principais riscos da operação com Forwarder

Risco Origem Medida preventiva
Capotamento declive excessivo, carga mal distribuída, manobra em terreno instável respeitar o declive máximo do manual do fabricante, cabine ROPS/FOPS, carga nivelada
Esmagamento ou impacto pela grua ou pela carga pessoas na zona de risco durante a carga/descarga zona de exclusão, contacto visual, nunca operar a grua com alguém no raio de ação
Queda de toros do estrado fueiros mal configurados, carga mal acondicionada configurar os fueiros à carga, nivelar e acondicionar antes de circular
Contacto com peças em movimento manutenção com o motor ligado motor desligado e chave retirada antes de qualquer intervenção
Incêndio sobreaquecimento, fugas hidráulicas, acumulação de resíduos vegetais no motor verificações diárias, extintor a bordo, limpeza do compartimento do motor
Ruído e vibração prolongados funcionamento contínuo da máquina proteção auditiva quando aplicável, assento suspenso, pausas regulares

Atitudes de segurança exigidas

O referencial da UC exige, de forma explícita, prudência, rigor e respeito pelas normas de segurança e saúde no trabalho e ambientais em toda a operação. Estas não são atitudes abstratas: traduzem-se em nunca saltar um passo do check list, nunca operar sem EPI, e nunca assumir que "desta vez não é preciso" parar a máquina para verificar algo.

3. Instruções operativas e check list operacional

O que são as instruções operativas

As instruções operativas do Forwarder reúnem o manual técnico da máquina, os manuais de manutenção corretiva e preventiva, e os manuais de boas práticas operacionais da empresa. São o documento de referência para tudo o que este capítulo e os seguintes descrevem: o operador segue as instruções, não a sua própria improvisação, por mais experiente que seja.

O check list operacional

Antes de ligar o motor, durante a operação e no fecho da jornada, o operador percorre um check list operacional, normalmente registado numa ficha própria:

Antes de arrancar (verificação pré-operacional):

Durante a operação:

No fecho da jornada:

O check list de fim de jornada não é opcional "porque já não vai voltar a trabalhar hoje". A limpeza de resíduos no motor e a verificação de fugas no fim do dia é o que evita um incêndio noturno na máquina estacionada, um risco real em máquinas florestais.

4. Zona de risco, pontos de segurança e distância de segurança

A zona de risco da máquina

A zona de risco do Forwarder é a área onde a grua, a garra ou a carga podem alcançar, ferir ou esmagar alguém. Não é uma linha fixa: depende do alcance máximo da grua montada na máquina, indicado no manual técnico, mais uma margem de segurança adicional.

Pontos de segurança e distância de segurança

Exemplo resolvido · calcular a distância de segurança de referência

Um Forwarder tem uma grua com alcance máximo de 7 metros, segundo o manual técnico. A empresa aplica uma margem de segurança adicional de 3 metros, por avaliação de riscos própria.

Distância de segurança de referência = alcance máximo + margem = 7 + 3 = 10 metros.

Nenhuma pessoa deve permanecer a menos de 10 metros da máquina enquanto a grua está em movimento, exceto o operador na cabine. Este valor é específico deste modelo e desta empresa: outro Forwarder, com outra grua, tem outra distância.

Sinalização e comunicação na zona de trabalho

Onde há mais do que um operador ou equipamento no mesmo talhão (por exemplo, harvester e Forwarder a trabalhar em simultâneo), aplica-se o código de sinais de comunicação entre operadores, combinado antes do início dos trabalhos: sinais de mão, buzina ou rádio para indicar aproximação, paragem de emergência e fim de manobra.

Os sinais de mão não se inventam no dia: os gestos codificados para manobra de cargas constam da Portaria n.º 1456-A/95, que regulamenta a sinalização de segurança e saúde no trabalho. Entre eles, início (os dois braços estendidos na horizontal, palmas para a frente), paragem (braço direito estendido para cima, palma para a frente), paragem de emergência (os dois braços estendidos na horizontal, palmas para baixo, em movimento de vaivém) e fim (as duas mãos juntas à altura do peito). Só uma pessoa dá sinais ao operador de cada vez, sempre com contacto visual; se o operador deixar de ver o sinaleiro, para a manobra.

Linhas elétricas aéreas

A grua estendida e a carga suspensa podem aproximar-se de linhas elétricas aéreas que atravessem o talhão ou o carregadouro, e a descarga elétrica pode dar-se por arco, sem contacto direto.

5. Comandos hidráulicos e elétricos e o painel da máquina

Comandos hidráulicos

O sistema hidráulico do Forwarder aciona:

Comandos elétricos e painel

Os comandos elétricos governam as luzes, os limpa-vidros, o ar condicionado, o assento suspenso e, sobretudo, o painel eletrónico de bordo, que centraliza:

Estes registos eletrónicos, exportados em formatos normalizados de dados de máquinas florestais, alimentam diretamente os relatórios de operação (capítulo 12) e a avaliação de produtividade (capítulo 11). Um painel mal configurado no início do dia produz dados de produção inúteis no fim.

6. Planeamento das operações de rechega e extração

Informações preliminares

Antes de o Forwarder entrar no talhão, o operador recebe (ou confirma) as informações preliminares produzidas no plano de exploração da UC03457:

Circuitos de rechega e local de concentração

Com base nestas informações, o operador confirma ou ajusta, no terreno:

Exemplo resolvido · confirmar o circuito de rechega

Um eucaliptal de 5 ha, já abatido e processado pelo harvester, tem os toros dispersos ao longo de três faixas paralelas de recolha, orientadas de norte para sul. O carregadouro está junto ao acesso, na extremidade norte do talhão, onde as três faixas terminam.

O circuito de rechega planeado: em cada faixa, o Forwarder desloca-se vazio até à extremidade sul (a mais distante) e vai carregando de sul para norte, na direção do carregadouro, onde deposita cada carga completa antes da viagem seguinte. Assim, cada metro percorrido com carga aproxima a máquina do carregadouro, e a distância percorrida carregada vai diminuindo à medida que a faixa fica limpa. Carregar no sentido contrário obrigaria a máquina a afastar-se carregada e a regressar depois por toda a faixa com a carga completa, com mais tempo por ciclo e mais passagens pesadas sobre o solo.

7. Planeamento com e sem carga: tração e impactos ambientais

Alternativas para aumentar a tração

Em terreno declivoso, húmido ou com solo frágil, a tração do Forwarder pode não ser suficiente com pneus simples. As alternativas previstas nas instruções operativas incluem:

A decisão de usar esteiras e/ou correntes depende das condições concretas do talhão (declive, humidade do solo) e é normalmente diferente consoante a máquina circula com carga ou sem carga: a máquina carregada pesa mais, exerce mais pressão sobre o solo e precisa de mais tração em subida, mas também tem mais peso a ajudar à aderência.

Impactos ambientais a evitar

Circular sempre pelos circuitos de rechega definidos no plano, e nunca "abrir caminho" livremente pelo talhão. Cada passagem fora do circuito é uma passagem que compacta solo virgem e que não estava prevista na avaliação ambiental do plano.

8. Condução, regulação e deslocação do Forwarder

Regulação da máquina antes de operar

Antes de iniciar a rechega, o operador regula a máquina de acordo com o trabalho previsto:

Cuidados e limitações na deslocação

Exemplo resolvido · decisão de tração num troço de subida

Num troço do circuito de rechega com 18% de declive e solo húmido após chuva recente, o Forwarder, a circular carregado, começa a patinar nas rodas traseiras.

Decisão correta: parar em segurança, avaliar a possibilidade de montar correntes nas rodas motrizes (se o modelo permitir) ou, em alternativa, reduzir a carga transportada nesse troço específico e fazer viagens mais curtas até melhorar a aderência. Continuar a forçar o avanço com as rodas a patinar não só arrisca ficar atolado como agrava a compactação e a erosão do solo nesse ponto. No replaneamento, verifica-se ainda se o circuito pode ser invertido para que esse troço seja feito a subir em vazio e a descer carregado.

9. Operação com Forwarder: carga, descarga, transporte e construção de pilhas

A sequência completa de operações

Um ciclo completo de rechega segue sempre a mesma sequência, definida nas instruções operativas:

  1. Deslocação até ao local de recolha, com a máquina vazia.
  2. Paragem e estabilização da máquina junto ao ponto de recolha da madeira.
  3. Carga: aproximação da grua ao toro, agarre com a garra, elevação e movimentação até ao estrado.
  4. Deslocação até ao novo ponto de recolha, dentro do mesmo local de trabalho, repetindo a carga tantas vezes quantas necessárias para completar a capacidade da máquina.
  5. Transporte até ao carregadouro, já com a carga completa.
  6. Descarga: aproximação da grua à pilha, agarre com a garra, elevação e movimentação até ao ponto de depósito.
  7. Depósito em pilhas, organizado por espécie, comprimento ou qualidade, conforme o critério do carregadouro.

Este ciclo repete-se dezenas ou centenas de vezes por dia, e é sobre ele que se calcula toda a produtividade da operação (capítulo 11).

Número de ciclos de carga e descarga

O número de ciclos de carga dentro de uma viagem (quantas vezes a garra pega em toros até encher o estrado) depende do volume médio agarrado por movimento da grua e da capacidade útil da máquina. O número de ciclos de descarga por viagem é normalmente menor, porque a descarga em pilha pode ser feita em movimentos maiores.

Posicionamento e ancoragem da máquina

Antes de operar a grua, a máquina é posicionada e estabilizada: em terreno plano e firme sempre que possível, com o travão de estacionamento acionado e, em modelos que o tenham, com os apoios ou estabilizadores acionados. Uma máquina mal posicionada, em terreno inclinado ou instável, aumenta drasticamente o risco de capotamento durante a manobra da grua.

Manobras com a grua, com e sem madeira

Configuração dos fueiros, nivelamento e acondicionamento da carga

Uma carga mal nivelada não é só um problema de eficiência: é o fator que mais contribui para o capotamento em curva, mesmo em terreno plano. Nivelar a carga é uma verificação obrigatória antes de qualquer deslocação, não um passo opcional para poupar tempo.

10. Construção de pilhas de madeira

Preparação do piso no carregadouro

Antes de iniciar a descarga, confirma-se que o piso do carregadouro está preparado: terreno plano, estável e sem obstáculos, com espaço suficiente para o Forwarder manobrar e, mais tarde, para o camião de transporte carregar.

Colocação da carga e construção da pilha

Exemplo resolvido · organizar pilhas no carregadouro

Um carregadouro vai receber madeira de eucalipto de duas classes: toros para pasta de papel (mais curtos) e toros para serração (mais longos e de maior diâmetro). O operador decide construir duas pilhas separadas, uma para cada classe, com um corredor de circulação de largura suficiente para a manobra da grua entre elas.

Esta organização evita que, no dia do carregamento, seja preciso separar madeira misturada pilha a pilha, um trabalho lento e evitável que só existe porque a construção da pilha não foi planeada desde o início.

11. Capacidade da máquina e de carga, produtividade e custos

Respeitar a capacidade da máquina

Cada Forwarder tem, no manual do fabricante, uma capacidade de carga máxima, expressa em volume útil do estrado (m³) e em carga máxima admissível (toneladas ou quilogramas). Ultrapassar esta capacidade, mesmo que "pareça caber", compromete a estabilidade da máquina, o desgaste dos componentes e a segurança da operação. Respeitar as capacidades da máquina e de carga/tração é uma aptidão explícita do referencial.

Os dois limites verificam-se em conjunto, e manda o que for atingido primeiro. Com madeira verde e densa, como o eucalipto acabado de cortar, o estrado pode ainda ter volume livre quando a carga já chegou à massa máxima admissível. A massa por m³ confirma-se com o valor usado pela empresa ou pela indústria compradora; nesse caso, a capacidade útil por viagem a usar nos cálculos é a que respeita a massa, e não a do volume do estrado.

Exemplo resolvido de cálculo de produtividade e custo

Um Forwarder tem capacidade útil de 12 m³ por viagem. Um talhão tem um volume total a extrair de 540 m³, a uma distância média de rechega de 350 metros, com uma produtividade nessa distância de 16 m³/hora.

Passo 1, número de viagens:

n = volume total / capacidade = 540 / 12 = 45 viagens

Aqui a divisão dá um número inteiro. Quando não dá, arredonda-se sempre por excesso: a última carga, mesmo incompleta, obriga a mais uma viagem (por exemplo, 980 / 12 ≈ 81,67 dá 82 viagens).

Passo 2, tempo total de rechega:

t = volume total / produtividade = 540 / 16 = 33,75 horas

Passo 3, dias de trabalho (jornada de 8 horas):

dias = 33,75 / 8 ≈ 4,22, arredondado por excesso para 5 dias de trabalho efetivo.

Passo 4, custo total, com um custo horário de máquina com operador de 44 €/hora:

custo total = 33,75 × 44 ≈ 1.485 € custo por m³ = 1.485 / 540 ≈ 2,75 €/m³

Fatores que influenciam a produtividade

Custos operacionais

O custo de uma operação de rechega soma-se normalmente por hora de máquina (combustível, manutenção, amortização e operador). O custo por unidade de volume (€/m³) é o indicador que permite comparar operações diferentes e justificar decisões de planeamento perante o cliente ou a gestão da empresa.

12. Manutenção preventiva, ergonomia e informações durante a operação

Manutenção preventiva

A manutenção preventiva segue os intervalos e procedimentos do manual técnico de manutenção preventiva do fabricante, e inclui, tipicamente:

Qualquer verificação ou intervenção faz-se com a máquina em segurança: terreno plano, travão de estacionamento acionado, garra pousada no chão, motor desligado e chave retirada. Alivia-se a pressão hidráulica conforme o manual antes de desapertar ligações, espera-se que o motor e o óleo arrefeçam, e nunca se procuram fugas com a mão (o óleo sob pressão pode penetrar na pele): usa-se um cartão ou papel, com luvas e óculos de proteção.

Uma máquina bem mantida falha menos, e uma falha evitada é sempre mais barata do que uma reparação de emergência a meio de uma operação com prazo.

Resíduos e defesa da floresta contra incêndios

Ergonomia e segurança do operador

Informações a acompanhar durante a operação

O operador acompanha continuamente, através do painel:

Relatórios de operação

No fim de cada jornada (ou em tempo real, consoante o equipamento), recolhem-se e registam-se os dados de produção, desempenho e consumo, em dois suportes complementares:

13. Simulação de emergências e atuação em caso de acidente

Simulação de emergências

As instruções operativas exigem que o operador conheça, antes de começar a trabalhar sozinho, os seguintes pontos de emergência da máquina concreta que vai operar:

Estes procedimentos devem ser simulados periodicamente, não apenas lidos uma vez no manual, para que a reação em caso de emergência real seja automática.

Atuação em caso de acidente

  1. Parar a máquina de imediato, com o botão de emergência se necessário, e desligar o motor.
  2. Garantir a segurança da zona, afastando outras pessoas do raio de ação da grua ou de qualquer carga suspensa.
  3. Contactar o número europeu de emergência, 112, e informar a localização exata (coordenadas GPS, se disponíveis) e a natureza do acidente. Se houver outra pessoa no local, uma liga enquanto a outra socorre.
  4. Prestar os primeiros socorros possíveis, dentro da formação do operador, sem se colocar em risco adicional e sem mover a vítima, salvo perigo imediato.
  5. Não mover a máquina nem o local do acidente até à chegada dos meios de socorro, exceto se isso for necessário para garantir a segurança imediata.
  6. Registar e reportar o acidente à chefia da operação, para investigação das causas e revisão do plano de segurança, se necessário.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Operar o Forwarder em segurança segue sempre a mesma lógica: conhecer a regulamentação e os riscos da máquina, seguir as instruções operativas e o check list antes, durante e no fecho de cada dia, respeitar a zona de risco e a distância de segurança em todas as manobras da grua, dominar os comandos e o painel para produzir e registar dados fiáveis, planear o circuito de rechega e a tração conforme o terreno e a carga, conduzir e regular a máquina com cuidado nas deslocações, executar o ciclo completo de carga, transporte, descarga e construção de pilhas com rigor, respeitar a capacidade da máquina e acompanhar a produtividade e o custo da operação, manter a máquina e o operador em boas condições através da manutenção preventiva e da ergonomia, e estar preparado para qualquer emergência, das saídas alternativas ao procedimento de acidente. Quem domina este fluxo consegue operar qualquer Forwarder, em qualquer talhão, com segurança e produtividade.

Exercícios resolvidos

1. Um Forwarder tem uma grua com alcance máximo de 8 metros, segundo o manual técnico. A empresa aplica uma margem de segurança adicional de 2 metros. Qual é a distância de segurança de referência?

Resolução: distância de segurança = alcance máximo + margem = 8 + 2 = 10 metros. Nenhuma pessoa, além do operador, deve permanecer a menos de 10 metros da máquina enquanto a grua está em movimento.

2. Um Forwarder com capacidade útil de 14 m³ vai extrair um total de 700 m³ de um talhão. Quantas viagens são necessárias?

Resolução: n = volume total / capacidade = 700 / 14 = 50 viagens.

3. Com uma produtividade de rechega de 20 m³/hora, quantas horas de trabalho são precisas para os 700 m³ do exercício anterior? E quantos dias, com jornadas de 8 horas?

Resolução: t = 700 / 20 = 35 horas. Dias = 35 / 8 = 4,375, arredondado por excesso para 5 dias de trabalho efetivo.

4. Explica a diferença entre uma manobra da grua "sem carga" e "com carga", e porque exige mais atenção a segunda.

Resolução: a manobra sem carga posiciona a garra sobre o toro a recolher, normalmente com menos risco. A manobra com carga desloca um toro (ou vários) já agarrado, mais pesado e volumoso, dentro da zona de risco da máquina; exige atenção redobrada porque a carga nunca deve passar sobre pessoas, cabines de outras máquinas ou vias de circulação sem confirmação prévia de que estão livres.

5. Um Forwarder circula com carga num troço com 18% de declive e solo húmido, e começa a patinar. Que decisões o operador deve considerar, e qual não deve tomar?

Resolução: deve considerar montar correntes (se o modelo permitir) ou reduzir a carga transportada nesse troço, fazendo viagens mais curtas até a aderência melhorar. Não deve forçar o avanço com as rodas a patinar, porque agrava a compactação e a erosão do solo e arrisca ficar atolado.

6. Um carregadouro vai receber duas classes de madeira, toros para pasta e toros para serração. Porque é boa prática construir duas pilhas separadas em vez de uma só?

Resolução: porque facilita o carregamento e a classificação posterior: com pilhas separadas, o camião carrega diretamente a classe pretendida, sem ser preciso separar madeira misturada pilha a pilha no dia do carregamento, um trabalho lento e evitável.

7. Calcula o custo total e o custo por m³ de uma operação de rechega de 400 m³, com uma produtividade de 16 m³/hora e um custo horário de máquina com operador de 44 €/hora.

Resolução: tempo = 400 / 16 = 25 horas. Custo total = 25 × 44 = 1.100 €. Custo por m³ = 1.100 / 400 = 2,75 €/m³.

8. Num acidente com o Forwarder, qual é a sequência correta de atuação do operador?

Resolução: parar a máquina de imediato (botão de emergência se necessário) e desligar o motor; garantir a segurança da zona, afastando outras pessoas do raio de ação da grua ou de carga suspensa; contactar o 112, indicando localização e natureza do acidente; prestar os primeiros socorros possíveis dentro da sua formação, sem mover a vítima salvo perigo imediato; não mover a máquina nem o local do acidente até à chegada dos meios de socorro, salvo necessidade imediata de segurança; e registar e reportar o acidente à chefia para investigação.