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UC · Unidade de Competência · UC02975

Sebenta · Programar e operar máquinas de electroerosão CNC por fio (UC02975)

Do desenho da peça ao programa, o setup, o arranque e o controlo do corte a fio
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Programação e Maquinaçã, T. Produção e Gestão de Mo, T. Produção de Cunhos e Co ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

A electroerosão por fio é a operação que fecha o fabrico de um cunho ou de um cortante: depois da peça desenhada, maquinada e temperada, é o corte a fio que lhe dá o contorno final, com a precisão e a dureza que nenhuma maquinação convencional consegue depois de o aço estar endurecido. É uma tecnologia sem esforço de corte, sem contacto mecânico entre ferramenta e peça, e por isso a única capaz de trabalhar aço-ferramenta a 60 HRC ou metal duro sinterizado com a mesma naturalidade com que trabalharia alumínio.

Esta sebenta segue a sequência real do trabalho, e é também a ordem das quatro realizações do referencial desta UC: analisar os requisitos técnicos e funcionais da peça, elaborar os programas de fabrico, efetuar o setup da máquina e executar o arranque e controlo do processo de electroerosão por fio. Entre estas quatro etapas cabem a leitura do desenho, a tecnologia dos materiais, os princípios físicos da electroerosão, a constituição da máquina, os parâmetros tecnológicos, a programação CNC, a metrologia, o fio e o dielétrico, os dispositivos de aperto, o zero-peça, o controlo do processo e, sempre, a manutenção, a segurança e a proteção ambiental.

Objetivos de aprendizagem (referencial): interpretar o desenho de fabrico, a ficha de fabrico e a carta de controlo; identificar as operações, os materiais, os acabamentos e as tolerâncias; caracterizar o processo de electroerosão por fio; determinar os parâmetros tecnológicos; aplicar os procedimentos relativos à organização do posto de trabalho; estruturar e documentar o programa; aplicar os códigos das funções auxiliares e preparatórias; programar posicionamentos e trajetórias; validar o programa por simulação; aferir instrumentos de medição; identificar o diâmetro do fio e prepará-lo; montar e alinhar dispositivos de aperto; determinar os pontos de referência-peça; configurar a máquina; acionar o arranque e o aquecimento; ajustar os parâmetros GAP; controlar tolerâncias e acabamentos; efetuar manutenção preventiva; e aplicar as normas de segurança, saúde e proteção ambiental.

1. Desenho técnico e documentação de fabrico

Ler o desenho de fabrico

Nenhum programa de electroerosão nasce na máquina: nasce na leitura correta do desenho de fabrico, com as suas projeções ortogonais, cortes e secções, cotagem e simbologia normalizada. A cotagem dá o valor nominal e a tolerância de cada cota; a simbologia de rugosidade (Ra, Rz) indica o acabamento exigido em cada superfície; as anotações de tratamento térmico ("temperar a 58-62 HRC antes de erodir") avisam que a peça chega já endurecida a esta operação.

Ler o desenho é responder a quatro perguntas antes de programar:

  1. Que geometria exata tem o contorno a cortar?
  2. Que material e tratamento térmico tem a peça?
  3. Que tolerâncias dimensionais tem de cumprir cada cota?
  4. Que acabamento superficial (Ra/Rz) exige cada zona?

Um cortante de recorte de chapa chega à electroerosão com o desenho a indicar Ø25H7 no orifício de corte, Ra 0,8 na parede do orifício, e a anotação "aço D2, temperado a 60-62 HRC". Antes de escrever uma linha de programa, o técnico já sabe: a tolerância H7 (0 a +0,021 mm) exige uma compensação de fio muito rigorosa, e o Ra 0,8 obriga a pelo menos uma passagem de acabamento depois do desbaste.

Documentação de preparação do trabalho

Quatro documentos acompanham a peça, do desenho ao controlo final:

Documento Contém Quando se usa
Dossier de fabrico conjunto de toda a documentação da peça ao longo de todo o processo
Ficha de fabrico sequência de operações, máquina, tempos previstos planeamento e execução
Ficha de elétrodos diâmetro e material do fio, parâmetros de corte preparação e setup
Carta de controlo cotas a verificar, instrumentos a usar, resultados obtidos controlo final

No corte a fio, a ficha de elétrodos regista o fio, não um elétrodo moldado como na electroerosão por penetração: diâmetro, material (latão ou fio revestido), e os parâmetros tecnológicos previstos para cada passagem.

2. Tecnologia dos materiais e acabamento superficial

Materiais para cunhos e cortantes

A electroerosão maquina qualquer material condutor de eletricidade, seja qual for a sua dureza, porque não há esforço mecânico de corte:

A dureza do material influencia menos a velocidade de corte do que a espessura e a condutividade elétrica. É por isto que a electroerosão é o processo natural para trabalhar peças já temperadas, quando nenhuma ferramenta de corte convencional resistiria.

Acabamento superficial: Ra e Rz

O acabamento superficial que a peça recebe depende diretamente dos parâmetros tecnológicos usados em cada passagem:

Tipo de passagem Ra típico obtido (μm)
Corte de desbaste (1.ª passagem) 3,2 a 6,3
Corte de acabamento (2.ª/3.ª passagem) 0,4 a 1,6
Corte de super-acabamento (passagens extra) 0,1 a 0,4

Um acabamento fino não sai de uma única passagem: resulta de sucessivas passagens de acabamento, cada uma com parâmetros mais suaves do que a anterior, removendo cada vez menos material da parede já cortada.

3. Princípios da electroerosão

O que é a electroerosão

A electroerosão (EDM, Electrical Discharge Machining) é um processo de maquinação não convencional que remove material através de descargas elétricas (faíscas) entre um elétrodo e a peça, ambos mergulhados num fluido dielétrico, sem contacto mecânico entre eles.

Cada faísca funde e vaporiza uma micropartícula de material, tanto do elétrodo como da peça. O dielétrico cumpre três funções: isola o elétrodo da peça até se atingir a tensão de ignição da faísca, arrefece a zona de descarga e arrasta os detritos (swarf) resultantes da erosão. Porque não há esforço de corte, a electroerosão maquina qualquer material condutor, seja qual for a sua dureza.

Por fio versus por penetração

Esta UC trata do corte por fio (wire EDM); a electroerosão por penetração (sinker EDM), tratada noutra UC do curso, usa um elétrodo moldado que reproduz a forma negativa de uma cavidade.

Por fio (wire EDM) Por penetração (sinker EDM)
Elétrodo fio metálico contínuo peça moldada, em grafite ou cobre
Movimento o fio corta como uma serra elétrica o elétrodo "afunda" verticalmente na peça
Dielétrico água desionizada óleo dielétrico
Aplicação típica contornos de corte, furos, cortantes cavidades de moldes

O corte a fio é o processo natural para os contornos de corte de um cunho ou de um cortante, onde a penetração seria a solução para cavidades fechadas de um molde.

4. A máquina de electroerosão por fio

Constituição da máquina

Uma máquina de electroerosão por fio integra vários subsistemas:

Como funciona o corte, passo a passo

  1. O fio desenrola-se continuamente da bobina de alimentação, passa pelas guias superior e inferior, e é recolhido do outro lado.
  2. A mesa X-Y desloca a peça seguindo a trajetória programada, e o fio "corta" a fenda correspondente.
  3. O gerador aplica impulsos elétricos entre o fio e a peça, produzindo as faíscas de erosão.
  4. A água desionizada arrefece, isola e arrasta os detritos para fora da zona de corte.
  5. Um sistema servo mantém o GAP (a distância entre o fio e a peça) constante, ajustando continuamente a velocidade de avanço.

O fio nunca para de se mover, mesmo em corte lento. Um fio parado sob tensão, exposto às mesmas descargas repetidas no mesmo ponto, rompe-se por desgaste local.

5. Parâmetros tecnológicos

Intensidade, tempo de impulso e tempo de pausa

Cada descarga elétrica é definida por três parâmetros configurados no gerador:

Um Toff demasiado curto aumenta o risco de curto-circuito e de rutura do fio, porque o dielétrico não recupera a sua capacidade de isolamento a tempo.

Tensão de descarga e polaridade

Parâmetro Efeito ao subir
Intensidade mais remoção, pior Ra
Tempo de impulso (Ton) mais remoção, pior Ra
Tempo de pausa (Toff) mais estabilidade, menos velocidade
Tensão de descarga gap maior, corte mais "aberto"

Os parâmetros de desbaste e de acabamento são sempre diferentes: mais agressivos na primeira passagem, progressivamente mais suaves nas passagens seguintes, até se atingir o acabamento pedido no desenho.

6. Organização do posto de trabalho

Um posto de electroerosão organizado reduz erros e acidentes, e é uma das atitudes avaliadas nesta UC:

Este critério aparece explicitamente no referencial: "mantendo o posto de trabalho organizado em função do cenário, das ferramentas e instrumentos a utilizar." Não é um extra, é parte do desempenho avaliado.

7. Programação de electroerosão por fio

Estrutura de um programa

Um programa de electroerosão por fio segue a lógica CNC habitual, organizado em blocos numerados:

N10 G92 X0 Y0          ; define a origem (zero-peça)
N20 G00 X-2 Y0          ; aproximação rápida, sem corte
N30 G01 X10 Y0 F5       ; corte linear até (10,0)
N40 G02 X20 Y10 I0 J10  ; arco horário, centro relativo (0,10)
N50 G01 X0 Y10          ; corte linear de fecho
N60 M02                 ; fim de programa

Cada bloco combina funções preparatórias (G), funções auxiliares (M) e coordenadas. O programa segue sempre a mesma sequência lógica: definir a origem, aproximar sem cortar, percorrer o contorno, retirar o fio, terminar.

Funções preparatórias e auxiliares

Funções G (preparatórias, definem o tipo de movimento):

Código Função
G00 posicionamento rápido, sem corte
G01 interpolação linear (corte reto)
G02 / G03 interpolação circular, horária / anti-horária
G92 definição da origem de trabalho

Funções M (auxiliares): ligar/desligar o fio, ligar/desligar a lavagem (flushing), ligar/desligar o gerador de impulsos, fim de programa (M02/M30). Adequar a função certa à geometria da peça é, textualmente, um critério de desempenho desta UC.

Posicionamentos e trajetórias, lineares e circulares

Programar é traduzir a geometria do desenho numa sequência de movimentos:

Qualquer contorno, por mais complexo, decompõe-se numa sequência de segmentos lineares e circulares, bloco a seguir a bloco, exatamente como o desenho técnico decompõe a peça em retas e arcos.

O contorno de um cunho circular com um rasgo reto programa-se como: aproximação (G00) até junto do ponto de partida, um arco (G02 ou G03, consoante o sentido) para o perímetro circular, duas retas (G01) para o rasgo, e o fecho do contorno exatamente no ponto de partida.

Compensação do raio do fio e validação por simulação

O programa inclui compensação do raio do fio: a trajetória programada corresponde ao contorno final da peça no desenho, e a máquina desloca automaticamente essa trajetória do raio do fio somado ao gap de faísca, para que a peça saia com a cota certa.

Antes de correr um programa novo a sério, valida-se sempre por simulação gráfica no ecrã do comando, ou por execução em vazio (sem tensão aplicada), o que permite apanhar erros de sintaxe, trajetórias cruzadas e colisões antes de gastar fio e material na peça real.

8. Metrologia dimensional

Instrumentos e técnicas de medição

O controlo dimensional acompanha todo o processo, da preparação ao resultado final:

Instrumento Mede Resolução típica
Paquímetro cotas gerais 0,02 mm
Micrómetro cotas de precisão 0,001 mm
Comparador (relógio) desvios, alinhamentos, planicidade 0,001 mm
Projetor de perfil contornos complexos, por comparação ótica conforme a ampliação
Rugosímetro acabamento (Ra, Rz) conforme o equipamento

A escolha do instrumento depende diretamente da tolerância pedida no desenho: a resolução do instrumento tem de ser, no mínimo, dez vezes menor do que a tolerância a controlar.

Aferição dos instrumentos

Antes de medir a peça, afere-se o instrumento: verifica-se o zero com um bloco-padrão ou anel-padrão, confirma-se que não há folgas nem desgaste nas superfícies de medição, e regista-se a aferição sempre que o instrumento é crítico para o controlo de qualidade. Um instrumento não aferido invalida qualquer medição feita com ele, por muito cuidadoso que seja o operador.

9. O fio e o dielétrico

Sistema de fixação do fio e diâmetro

O fio vem em bobina, com diâmetros típicos entre 0,10 e 0,30 mm, em latão ou fio revestido (zinco/cobre). O enfiamento (threading) passa o fio pela guia superior, por um furo de arranque na peça, e pela guia inferior até à bobina de recolha, manualmente ou por sistema automático. A tensão do fio é regulável e crítica: um fio mal tensionado desvia a trajetória e piora o acabamento obtido.

A escolha do diâmetro do fio depende da espessura da peça e da geometria do contorno: raios internos apertados exigem fio mais fino, capaz de os descrever fisicamente.

Líquidos dielétricos

No corte a fio, o dielétrico é água desionizada (resistividade controlada por resinas de troca iónica), ao contrário do óleo usado na electroerosão por penetração. A água cumpre a mesma função tripla de qualquer dielétrico: isolar, arrefecer e arrastar detritos.

A condutividade da água é monitorizada e ajustada continuamente: água demasiado condutora produz descargas instáveis, água pouco condutora reduz a velocidade de corte. Filtros e resinas precisam de manutenção regular, e a água fora de especificação é uma das causas mais comuns de mau acabamento e de rutura de fio.

10. Dispositivos de aperto e alinhamento

Sistemas de fixação da peça

A peça tem de ficar rigidamente fixa e acessível ao fio por todo o contorno a cortar:

A escolha depende da geometria da peça e da acessibilidade que o contorno exige: um aperto mal pensado, colocado exatamente sobre a linha de corte, bloqueia o fio a meio do trabalho.

Alinhamento interno e externo

Em ambos os casos usa-se um relógio comparador montado na máquina, deslocando os eixos e lendo o desvio. O alinhamento faz-se sempre antes de definir o zero-peça, porque um alinhamento mal feito propaga-se a toda a peça: a primeira cota errada desalinha todo o contorno.

11. Preparação, arranque e controlo do processo

Modos de operação e configuração

Preparar a máquina para uma nova peça segue uma sequência fixa:

  1. Selecionar o modo de operação: manual, para posicionar e alinhar; automático, para correr o programa.
  2. Introduzir os parâmetros tecnológicos de acordo com o material e a espessura da peça.
  3. Confirmar que o diâmetro e o tipo de fio montado correspondem à ficha de elétrodos.
  4. Configurar as passagens previstas: desbaste e uma ou mais de acabamento.
  5. Verificar o nível e a filtragem da água antes de arrancar.

Zero-peça e comunicação PC-máquina

O zero-peça é o ponto de origem do programa, do qual partem todas as coordenadas do contorno. Obtém-se por contacto elétrico (o fio desloca-se lentamente até tocar numa face de referência) ou por centragem em furo (o fio apalpa os dois lados de um furo de referência e o comando calcula o centro). Tem de corresponder exatamente ao ponto de origem usado no desenho e no programa: um zero-peça errado desloca toda a peça cortada, mesmo com o programa perfeito.

O programa é escrito ou gerado em software CAM no computador, e transferido para o CNC da máquina por cabo/rede, pen USB, ou protocolo DNC, conforme o equipamento. Antes de correr, confirma-se sempre que o programa recebido é o correto: nome, versão, data.

Arranque, aquecimento e parâmetros GAP

Antes do corte de precisão, a máquina precisa de arrancar e aquecer: ligar a bomba de circulação, confirmar o fluxo de lavagem nas guias, verificar a tensão do fio e o enfiamento, deixar o sistema estabilizar termicamente e confirmar, num corte de teste curto, que os parâmetros produzem faíscas estáveis.

O GAP é a distância entre o fio e a peça, mantida constante por controlo servo durante todo o corte. Um GAP a mais reduz a velocidade e pode extinguir a faísca; um GAP a menos aumenta o risco de curto-circuito. O fio funciona como elétrodo consumível: o seu diâmetro real, somado ao gap de faísca, tem de ser compensado na trajetória para a cota final da peça corresponder à cota do desenho. Este ajuste faz-se em função da cota controlada: mede-se a peça e afina-se a compensação até a cota bater certo.

Uma peça cuja primeira cota controlada sai 0,01 mm maior do que o desenho corrige-se aumentando ligeiramente a compensação do raio do fio no programa, sem alterar mais nada; é o ajuste "em função da cota controlada" a que se refere o critério de desempenho.

Durante o corte, o operador monitoriza a corrente e a tensão no ecrã do comando, a velocidade de corte real contra a prevista, o estado do fio e as tolerâncias e o acabamento obtidos nas primeiras peças de uma série, ajustando parâmetros sempre que necessário.

12. Manutenção, segurança e proteção ambiental

Manutenção preventiva

A manutenção preventiva garante que a precisão da máquina se mantém ao longo do tempo:

Riscos, EPI e normas de segurança

A electroerosão tem riscos próprios: risco elétrico (os impulsos do gerador trabalham a tensões que exigem respeito pelas instruções da máquina), contacto prolongado com água e produtos químicos, e a ergonomia de posturas junto ao tanque de trabalho. O EPI obrigatório inclui luvas adequadas ao manuseio de água e fio, óculos de proteção e calçado de segurança.

Cumprir os planos e normas de segurança e saúde no trabalho e as normas de proteção ambiental é obrigatório: água usada, resinas e filtros gastos, e detritos metálicos do corte seguem circuitos próprios de gestão de resíduos, nunca o esgoto ou o lixo comum.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O trabalho de electroerosão por fio segue sempre a mesma sequência: ler o desenho e a documentação (dossier, ficha de fabrico, ficha de elétrodos, carta de controlo) · caracterizar o material e o acabamento pedido · elaborar o programa (estrutura, funções G/M, trajetórias, compensação, simulação) · preparar o posto de trabalho · montar e alinhar a peça, com o fio e o dielétrico corretos · efetuar o setup (modo de operação, parâmetros, passagens) · obter o zero-peça e transferir o programa · arrancar, aquecer e controlar o processo, ajustando o GAP e a compensação em função da cota controlada · manter, e trabalhar com segurança e responsabilidade ambiental. Domina este fluxo e serás capaz de programar e operar qualquer contorno, de qualquer material condutor, com a precisão que um cunho ou um cortante exigem.

Exercícios resolvidos

1. Um desenho traz a nota "aço D2, temperado a 60-62 HRC" e uma cota Ø25H7. Porque é a electroerosão por fio o processo indicado, e não a fresagem?

Resolução: porque a peça já está temperada, com uma dureza que uma ferramenta de fresagem convencional não conseguiria cortar sem se degradar rapidamente. A electroerosão remove material por faíscas, sem esforço mecânico de corte, e por isso maquina aço temperado com a mesma facilidade com que maquinaria aço macio; a dureza do material praticamente não é limitação.

2. Que código G se usa para deslocar o fio até junto do ponto de partida do contorno, sem cortar, e que código se usa depois para percorrer o contorno em linha reta?

Resolução: G00 (posicionamento rápido, sem corte) para a aproximação, seguido de G01 (interpolação linear) para o corte reto do contorno. Usar G01 na aproximação cortaria material fora do sítio; usar G00 no contorno deixaria o fio "morto", sem controlo de descarga.

3. A primeira peça de uma série sai com uma cota 0,01 mm maior do que o pedido no desenho. Qual é o ajuste correto, e a que parâmetro do referencial corresponde?

Resolução: aumentar ligeiramente a compensação do raio do fio no programa, sem alterar o resto. Corresponde ao critério de desempenho "assegurando ajuste dos parâmetros tecnológicos, GAP e compensação do desgaste do elétrodo em função da cota controlada": mede-se, e afina-se a compensação até a cota bater certo.

4. Porque é que o dielétrico do corte a fio é água desionizada, e não óleo como na electroerosão por penetração?

Resolução: a água desionizada cumpre a mesma função tripla de qualquer dielétrico (isolar, arrefecer, arrastar detritos), mas é mais fácil de filtrar e recircular num sistema com fio contínuo em movimento; o óleo, mais viscoso, é preferido na penetração por dar melhor acabamento em geometrias de cavidade. São escolhas tecnológicas ligadas ao tipo de elétrodo e à aplicação.

5. Um técnico monta um fio de 0,30 mm de diâmetro para cortar um cortante com um canto interno de raio 0,15 mm. O que vai correr mal?

Resolução: o fio de 0,30 mm não consegue fisicamente descrever um raio interno de 0,15 mm; o corte vai arredondar o canto muito mais do que o desenho pede. É preciso escolher um fio mais fino, de 0,10 ou 0,15 mm, compatível com o raio interno mais apertado da peça.

6. Antes de arrancar o corte definitivo de um programa novo, que dois passos de validação se devem fazer, e porquê?

Resolução: simulação gráfica no ecrã do comando (ou software CAM) e, se possível, execução em vazio (sem tensão aplicada). Ambos apanham erros de sintaxe, trajetórias cruzadas e colisões antes de gastar fio e material na peça real; saltar este passo é um dos erros mais caros do processo.