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UC · Unidade de Competência · UC02938

UC02938 · Verificação de máquinas industriais

Inspecção, testes funcionais, conformidade CE
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Mecatrónica ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.

Introdução

Esta unidade aborda a verificação de máquinas industriais — actividade que combina inspecção física, testes funcionais, análise de conformidade legal e documentação. É a actividade que garante que cada máquina opera de forma segura e dentro das normas.

Conhecimentos cobertos:


1. Conceito de verificação

1.1 Definição

Verificação de máquina = conjunto de actividades para confirmar que a máquina:

Não é o mesmo que manutenção (que repara/conserva), nem calibração (ajuste a referência) — embora se sobreponham parcialmente.

1.2 Quando se verifica

Recepção — máquina nova ou modificada:

Periódica — durante a vida útil:

Após eventos:

1.3 Quem verifica


2. Directiva Máquinas 2006/42/CE

2.1 Âmbito

Aplica-se a máquinas comercializadas ou colocadas em serviço na UE:

Em Portugal: transposta pelo Decreto-Lei 103/2008.

2.2 Princípio essencial

Máquinas devem ser concebidas e construídas de modo a:

2.3 Anexo I — Requisitos essenciais

Define os requisitos de saúde e segurança que a máquina deve cumprir, agrupados em:

  1. Requisitos gerais (concepção segura, materiais, iluminação, manuseio).
  2. Comandos: arranque, paragem, modo de operação.
  3. Riscos mecânicos: queda, projecção, esmagamento, corte.
  4. Riscos eléctricos.
  5. Riscos por outras energias (estática, raio).
  6. Riscos térmicos.
  7. Riscos por ruído e vibração.
  8. Riscos por radiação.
  9. Riscos por materiais e substâncias.
  10. Manutenção segura.
  11. Indicações de segurança (manuais, avisos).

2.4 Categorias de máquinas

Anexo IV — máquinas particularmente perigosas que requerem avaliação por organismo notificado (NB — Notified Body):

Para estas máquinas, fabricante não pode auto-certificar — precisa de avaliação CE por NB (TÜV, Bureau Veritas, DNV, SGS, etc.) que examina o projecto e ficheiro técnico.

Outras máquinas (não-Anexo IV): fabricante faz avaliação interna (módulo A da decisão 768/2008) e assina declaração CE sob sua responsabilidade.

2.5 Marcação CE

Para receber CE, o fabricante deve:

  1. Análise de risco completa (ISO 12100).
  2. Conformidade com normas harmonizadas aplicáveis.
  3. Ficheiro técnico documentando:
  4. Descrição da máquina.
  5. Esquemas e desenhos.
  6. Lista de normas aplicadas.
  7. Resultados de ensaios.
  8. Análise de risco.
  9. Procedimentos de verificação na fabricação.
  10. Manual de instruções completo:
  11. Identificação da máquina.
  12. Declaração CE.
  13. Descrição da máquina e seu uso pretendido.
  14. Instruções de operação.
  15. Instruções de manutenção.
  16. Avisos de segurança.
  17. Em língua oficial do país (PT em Portugal).
  18. Declaração CE de conformidade — documento assinado pelo fabricante (ou representante autorizado).
  19. Marcação CE afixada na máquina:
  20. Placa visível.
  21. Símbolo CE.
  22. Número do organismo notificado (se Anexo IV).
  23. Ano de marcação.

Ficheiro técnico mantido 10 anos após a última unidade produzida, à disposição das autoridades.

2.6 Quase-máquinas

Componentes que não são máquinas completas mas que serão integrados em máquinas (ex: motor + acoplamento + redutor a integrar numa linha):


3. Análise de risco (ISO 12100)

3.1 Metodologia

Norma EN ISO 12100 define metodologia sistemática para análise de risco de máquinas.

Etapas:

  1. Identificar máquina + uso pretendido + mau uso previsível.
  2. Identificar perigos (mecânicos, eléctricos, térmicos, ruído, etc.).
  3. Estimar risco para cada perigo.
  4. Avaliar se o risco é aceitável.
  5. Reduzir risco com medidas hierárquicas.
  6. Re-avaliar após medidas.
  7. Iterar até risco residual aceitável.

3.2 Identificação de perigos

Lista típica de perigos a verificar:

Mecânicos:

Eléctricos:

Térmicos:

Ruído (> 80 dB(A) = lesão auditiva crónica).

Vibração (whole-body, hand-arm vibration).

Radiação (UV, IR, laser, microondas).

Materiais e substâncias (químicos, biológicos, alérgenos).

Ergonomia (posturas forçadas, repetição, esforço).

Ambiente (poluição, ruído ambiental, descargas).

3.3 Estimativa de risco

Risco = Severidade × Probabilidade × Frequência de exposição.

Severidade (1-10):

Probabilidade (1-10): chance de o evento ocorrer.

Frequência de exposição (1-10): quão frequentemente trabalhador está exposto.

RPN (Risk Priority Number) = S × P × F.

Pode-se também usar matriz qualitativa:

Severidade Probabilidade Baixa Média Alta
Catastrófica Médio Alto Inaceitável
Grave Médio Alto Alto
Moderada Baixo Médio Alto
Ligeira Baixo Baixo Médio

3.4 Hierarquia de medidas

Para reduzir risco, aplicar medidas pela ordem (mais eficaz primeiro):

  1. Eliminar o perigo (concepção):
  2. Eliminar peças cortantes.
  3. Usar materiais não-tóxicos.
  4. Reduzir tensões eléctricas.

  5. Substituir por opção menos perigosa:

  6. Substituir produto químico por alternativa.

  7. Engenharia (protecções colectivas):

  8. Barreiras fixas (jaulas).
  9. Barreiras móveis com interbloqueio.
  10. Sistemas de paragem automática (cortinas ópticas).
  11. Insonorização.

  12. Procedimentos (organizativas):

  13. LOTO.
  14. Permits de trabalho.
  15. Formação.
  16. Procedimentos operacionais.

  17. EPI:

  18. Capacete, óculos, luvas, calçado.
  19. Última linha de defesa (não primeira!).

Princípio fundamental: eliminar > controlar > proteger. EPI sozinho NÃO é estratégia aceitável se há medidas de engenharia disponíveis.

3.5 Documentação

Cada perigo identificado deve ter:

Em Excel ou software específico (Pilz Safety Calculator, Sistema SISTEMA).


4. Inspecção visual

4.1 Estrutura mecânica

Inspecção a fazer:

4.2 Mecanismos rotativos

4.3 Sistemas hidráulicos e pneumáticos

4.4 Eléctrica

4.5 Protecções de segurança

Barreiras fixas:

Barreiras móveis com interbloqueio:

Dispositivos sensíveis:

Sinalização:


5. Testes funcionais

5.1 Testes eléctricos

Continuidade do condutor de protecção (PE):

Isolamento:

Tensão suportada (HiPot) (em fabricação, raramente em campo):

Funcionamento de DRs:

Sequência de fases (em circuitos trifásicos):

5.2 Testes funcionais

Arranque:

Operação normal:

Paragem normal:

Paragem de emergência:

5.3 Testes de segurança

Bi-manual (em prensas):

Barreira óptica:

Porta com interbloqueio:

Sensores de proximidade:

5.4 Medições

Ruído:

Vibração:

Iluminação:


6. Documentação

6.1 Ficheiro técnico

Mantido pelo proprietário/utilizador:

6.2 Relatório de inspecção

Para cada inspecção realizada:

RELATÓRIO DE INSPECÇÃO

Máquina: [Nome] | Código: [XXX] | Localização: [...]

Data: [DD/MM/AAAA] | Inspector: [Nome] | Hora: [HH:MM]

INSPECÇÕES REALIZADAS:
□ Visual mecânica            Status: OK / NC / Pendente
□ Visual eléctrica           Status: OK / NC / Pendente
□ Testes eléctricos          Status: OK / NC / Pendente
□ Testes funcionais          Status: OK / NC / Pendente
□ Protecções segurança       Status: OK / NC / Pendente
□ Sinalização e iluminação   Status: OK / NC / Pendente
□ Documentação               Status: OK / NC / Pendente

NÃO-CONFORMIDADES DETECTADAS:
1. [Descrição] | Prioridade: A / B / C | Prazo: [data]
2. ...

ACÇÕES RECOMENDADAS:
1. [...]

CONCLUSÃO:
□ Apta para operação
□ Apta com restrições
□ Não apta — requer correcções

Próxima inspecção: [Data]

Assinatura inspector: _____________
Assinatura responsável: ___________

6.3 Inspecções legais

Em Portugal, máquinas têm inspecções obrigatórias conforme tipo:

Aparelhos de elevação (gruas, elevadores, ponte rolante):

Equipamentos sob pressão (PED):

Instalações eléctricas (RTIEBT):

Equipamentos protecção colectiva:

Sectores específicos:

6.4 Conservação dos registos

Por quanto tempo:

Como:

6.5 Auditoria

Auditoria interna — periódica, com check da equipa de manutenção/qualidade.

Auditoria externa:

Resultado:


Apêndice A · Lista de normas harmonizadas relevantes


Apêndice B · Categorias de PL (ISO 13849)

PL (Performance Level) classifica sistemas de comando de segurança:

Determinação:

  1. Severidade do dano (S1 ligeiro, S2 grave).
  2. Frequência de exposição (F1 raro, F2 frequente).
  3. Possibilidade de evitar (P1 fácil, P2 difícil).

Gráfico SISTEMA (Pilz) ou calculadora online ajuda determinar PL exigido.


Apêndice C · Glossário