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aulify · Sebenta
UC · Unidade de Competência · UC02908

Sebenta · Efetuar desenho de fabrico de peças e conjuntos mecânicos por processos de conformação plástica (UC02908)

Croquis, vistas e cotagem de fabrico, raio de quinagem, retorno elástico e cálculo do planificado
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Desenho e Projeto/Desig ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta ensina a preparar o desenho de fabrico de peças metálicas produzidas por conformação plástica: peças de chapa quinada, embutida, calandrada, e componentes laminados, extrudidos, trefilados ou forjados. Conformar plasticamente é dar forma ao metal sem retirar material: o metal deforma-se para além do seu limite elástico e fica com a nova forma, mantendo o volume.

O desenhador de fabrico não desenha só a peça acabada. Desenha também a chapa a plano antes de dobrar, calcula o comprimento do planificado, especifica o raio de quinagem, prevê o retorno elástico e escreve as notas de fabrico que o operador da quinadeira, da prensa ou do laminador vai seguir. É um trabalho onde um erro de cálculo ou de cotagem se traduz diretamente em peças rejeitadas, chapa desperdiçada e paragens de máquina.

Objetivos de aprendizagem (referencial): relacionar os processos de conformação plástica com os componentes a obter; desenhar croquis à mão livre; representar vistas, projeções e planificados; aplicar a cotagem nominal e de fabrico, a simbologia, as anotações e o toleranciamento geral; calcular o desenvolvimento (planificado) e as linhas de quinagem, com as respetivas compensações; e aplicar as normas de segurança e saúde no trabalho.

1. Conformação plástica: processos e desenho de fabrico

A indústria metalomecânica usa vários processos de fabrico por conformação plástica, cada um adequado a um tipo de componente:

Processo O que produz Ferramenta típica
Laminagem chapas, bandas, perfis cilindros
Extrusão perfis de secção constante (tubos, cantoneiras) matriz (fieira), prensa
Trefilagem arames e varões calibrados fieira
Forjamento peças de elevada resistência (veios, ferramentas) matrizes, martelo
Quinagem chapa dobrada em linhas retas punção e matriz em V
Calandragem chapa curvada continuamente rolos
Estampagem / embutidura peças de chapa moldadas em prensa punção e matriz

O primeiro critério de desempenho desta UC é precisamente relacionar os processos de conformação plástica aos componentes a obter: antes de desenhar, o técnico decide que processo faz sentido para a peça pretendida.

O desenho de fabrico é o documento que liga o projeto à oficina. Difere do desenho de definição porque acrescenta:

2. Croquis e desenho à mão livre

O croquis é o desenho técnico à mão livre, sem instrumentos de precisão, mas respeitando as regras de projeção e proporção do desenho técnico. É a ferramenta do técnico junto da máquina ou da peça real, antes de passar ao CAD.

Técnica do croquis

  1. Observar a peça e decidir as vistas mínimas necessárias.
  2. Traçar linhas leves de construção, com as proporções relativas entre elementos.
  3. Reforçar as arestas definitivas por cima das linhas de construção.
  4. Anotar cotas aproximadas no local, incluindo a posição das linhas de quinagem.
  5. Passar depois ao levantamento rigoroso ou diretamente ao CAD.

Um técnico observa, numa oficina, um suporte metálico já fabricado mas sem desenho. Faz um croquis em três vistas (frente, cima, perfil), anota "duas dobras a 90°, chapa 2 mm" e mede depois com craveira as cotas exatas para completar o desenho em CAD. É este fluxo, do real para o desenho, que o croquis serve.

3. Vistas, cortes e secções para peças conformadas

As regras gerais do desenho técnico aplicam-se: vistas em projeção europeia (1.º diedro), alinhadas, com o mínimo de vistas que definam a peça sem ambiguidade.

Duas particularidades das peças conformadas:

Em peças extrudidas ou laminadas, a secção transversal é muitas vezes o próprio desenho principal, porque define a forma que a matriz ou os cilindros produzem ao longo de todo o comprimento.

4. Cotagem nominal e cotagem de fabrico

Esta distinção é o ponto onde mais se erra nesta UC, por isso fica isolada num capítulo próprio.

Uma peça conformada existe em dois estados físicos: a chapa plana (antes de conformar) e a peça acabada (depois). Cada estado tem a sua cotagem, e as duas nunca se misturam na mesma vista:

Como distinguir no desenho

Cotar a peça já quinada com o comprimento total desenvolvido é o erro mais caro desta UC: essa medida não existe fisicamente na peça acabada, porque parte dela "desapareceu" dentro das dobras. A chapa fica cortada com o comprimento errado e a peça não fecha nas cotas nominais pedidas.

5. Simbologia, anotações e toleranciamento geral

Simbologia normalizada

Símbolo Significado
R + valor raio (interior, salvo indicação contrária)
diâmetro
traço-ponto fino linha de quinagem
seta com valor angular ângulo de dobragem
t ou e espessura de chapa
símbolo de sentido de laminagem orientação da fibra do material

Regra de uso, sempre a mesma nesta UC: o R indica sempre o raio interior de quinagem, nunca o exterior. Definir este significado uma vez e mantê-lo em todos os desenhos de um mesmo conjunto evita peças fabricadas com o raio trocado.

Anotações e toleranciamento geral

6. Legendas, balões e lista de peças

A legenda (cartucho) identifica o desenho: designação da peça, material, espessura, escala, norma de tolerâncias, autor e data.

Em desenhos de conjunto, cada peça recebe um balão de identificação (círculo numerado) ligado por uma linha fina à peça. A lista de peças (BOM) relaciona cada número a designação, material, quantidade e norma.

Verifica sempre que o número do balão coincide exatamente com a linha correspondente da lista de peças. Um balão sem entrada na lista, ou uma renumeração a meio do projeto sem atualizar a lista, atrasa a montagem na oficina.

7. Laminagem, extrusão, trefilagem e forjamento

Laminagem

A laminagem reduz a espessura do metal passando-o entre cilindros rotativos, que o alongam no sentido da passagem.

A laminagem define o sentido de laminagem (fibra) da chapa, uma direção preferencial que condiciona todas as dobras que a peça vier a levar (capítulo 9).

Extrusão e trefilagem

A diferença chave está no sentido da força: empurrar (extrusão) contra puxar (trefilagem). Ambos os processos encruam o material, deixando-o mais duro e menos dúctil à saída.

Forjamento

O forjamento dá forma ao metal por impacto ou compressão, geralmente a quente, entre matrizes ou com martelo. Ao contrário da laminagem e da extrusão, que mantêm uma secção constante ou reduzem espessura uniformemente, o forjamento produz uma forma tridimensional complexa numa única peça, e alinha o fluxo do grão com essa forma, o que dá à peça forjada mais resistência mecânica do que uma peça maquinada a partir de barra.

8. Quinagem: sequência operatória, raio mínimo e sentido de laminagem

A quinadeira e a sequência de dobragem

A quinagem dobra a chapa entre um punção (ferramenta superior, com o raio de quinagem) e uma matriz (abertura em V inferior), numa quinadeira.

A abertura da matriz situa-se, como regra de referência, entre 6 e 8 vezes a espessura da chapa: uma abertura pequena de mais concentra o esforço e pode rasgar o material na dobra.

Numa peça com várias dobras, a sequência operatória não é arbitrária: planeia-se de fora para dentro, deixando para a última operação a dobra que ficaria "presa" pelas dobras já feitas, sem espaço para o punção descer.

Raio mínimo de quinagem

O raio interior mínimo (Rmin) é o menor raio que se pode dobrar sem fissurar a fibra exterior do material, a que mais estica durante a dobragem.

Material Rmin (em vezes a espessura t)
Aço macio (ex.: S235) 1,0 × t
Alumínio macio 1,0 × t
Latão recozido 0,5 × t
Aço inoxidável (ex.: AISI 304) 2,0 × t

Regra de aplicação, sempre no mesmo sentido: antes de especificar Ri no desenho, confirma-se Ri ≥ Rmin da tabela, para o material da peça. Um raio abaixo do mínimo tabelado fissura a peça na dobra; esta regra não se inverte, nem se aplica ao contrário.

Uma chapa de aço inoxidável AISI 304, t = 2 mm, tem Rmin = 2,0 × 2 = 4 mm. Se o desenho especificar Ri = 1,5 mm para essa peça, viola a regra (1,5 < 4) e a chapa vai fissurar na dobra. A correção é aumentar Ri para, no mínimo, 4 mm.

Sentido de laminagem: dobrar a favor ou contra a fibra

A orientação da linha de quinagem em relação ao sentido de laminagem (a direção da fibra, definida no capítulo 7) muda o risco de fissura:

Regra desta UC, aplicada sempre no mesmo sentido: orientar a linha de quinagem perpendicular à fibra quando há uma só direção de dobra; a 45° do sentido de laminagem quando há dobras em várias direções.

9. Retorno elástico e a sua compensação

Depois de o punção libertar a chapa, esta recupera parcialmente a forma que tinha antes de ser dobrada: é o retorno elástico. A peça fica com um ângulo mais aberto do que o ângulo com que a ferramenta a dobrou.

Isto acontece porque a deformação durante a quinagem tem uma componente elástica (que a chapa recupera ao sair da ferramenta) e uma componente plástica (que fica permanentemente). Quanto mais rígido e menos dúctil o material, maior o retorno elástico.

Como se compensa

Compensa-se sobreformando o ângulo na ferramenta: dobra-se um pouco além do ângulo pretendido, para que a peça assente exatamente no ângulo nominal depois de recuperar.

Regra desta UC: ângulo da ferramenta = ângulo nominal pretendido − Δα da tabela, com Δα tabelado por material (nunca no raio, que se mantém o Ri especificado no capítulo 8):

Material Δα (dobra a 90°, Ri próximo do mínimo) Ângulo a programar na ferramenta
Aço macio (S235) 90° − 2° = 88°
Alumínio macio 90° − 1° = 89°
Latão 2,5° 90° − 2,5° = 87,5°
Aço inoxidável (AISI 304) 90° − 4° = 86°

Exemplo resolvido

Uma peça em aço inoxidável AISI 304 precisa de uma dobra a 90° nominal. Pela tabela, Δα = 4°. Ângulo a programar na quinadeira: 90° − 4° = 86°. Ao libertar a chapa, o retorno elástico "abre" os 4° de diferença e a peça fica com os 90° pretendidos.

Materiais mais duros e menos dúcteis (como o aço inoxidável) têm sempre Δα maior do que materiais macios e dúcteis (como o alumínio). Esta ordem nunca se inverte: um material mais rígido devolve sempre mais ângulo depois de dobrado.

10. Cálculo do planificado: fibra neutra e fator K

Este é o cálculo central da UC, e usa-se sempre a mesma fórmula, sem exceções nem "regras práticas" alternativas.

A fórmula do desenvolvimento

Comprimento total do planificado = soma dos troços retos (medidos até à linha de tangência de cada dobra) + soma dos comprimentos de arco de cada dobra.

O comprimento de arco de cada dobra calcula-se na fibra neutra: a camada interna da chapa que, durante a dobragem, nem estica (como a face exterior) nem comprime (como a face interior), mantendo o seu comprimento original.

Comprimento do arco = (π × α / 180) × (Ri + K × t)

onde α é o ângulo de dobragem em graus, Ri o raio interior de quinagem, t a espessura da chapa e K o fator de posição da fibra neutra, tabelado em função de Ri/t:

Ri / t K
< 1 0,33
1 a < 2 0,40
≥ 2 0,50

Quanto maior a relação Ri/t, mais perto do meio da espessura fica a fibra neutra (K aproxima-se de 0,5); em raios apertados (Ri/t pequeno), a fibra neutra fica mais perto da face interior (K aproxima-se de 0,33).

Arredondamento desta UC, sempre o mesmo: valores intermédios (K, o raio da fibra neutra Rn, os arcos) arredondam-se a duas casas decimais; o comprimento total do planificado arredonda-se ao milímetro décimo (0,1 mm), a resolução usual da guilhotina e da quinadeira.

Exemplo resolvido passo a passo: suporte em U

Peça: suporte em U, chapa de aço macio, t = 2 mm, com duas dobras a 90° e raio interior Ri = 3 mm. Cotagem nominal (peça já quinada, medidas exteriores): altura de cada aba H = 20 mm; largura da base B = 40 mm.

Passo 1, raio exterior de cada dobra:

Ro = Ri + t = 3 + 2 = 5 mm.

Passo 2, troços retos até à linha de tangência (cotagem de fabrico):

Passo 3, fator K e raio da fibra neutra:

Ri/t = 3/2 = 1,5 → pela tabela, K = 0,40 (intervalo "1 a < 2"). Rn = Ri + K×t = 3 + 0,40×2 = 3,80 mm.

Passo 4, comprimento de arco por dobra (90° cada):

Arco = (π × 90/180) × 3,80 = 1,5708 × 3,80 = 5,97 mm por dobra. Como há duas dobras iguais: 2 × 5,97 = 11,94 mm.

Passo 5, comprimento total do planificado:

Total = 15 + 15 + 30 + 11,94 = 71,94 mm → 71,9 mm (arredondado ao milímetro décimo).

A chapa corta-se, portanto, com 71,9 mm de comprimento (na direção das dobras) antes de ir à quinadeira.

Confirma sempre o resultado fisicamente quando possível: recorta uma tira de papel ou cartolina com o comprimento calculado e dobra-a nas duas linhas de quinagem a 90°. As medidas exteriores da peça dobrada devem aproximar-se de H = 20 mm e B = 40 mm.

Segundo exemplo: peça em L, uma só dobra

Chapa de alumínio macio, t = 1,5 mm, Ri = 2 mm, uma dobra a 90°. Cotagem nominal: perna 1 com 25 mm exteriores, perna 2 com 35 mm exteriores.

Ro = Ri + t = 2 + 1,5 = 3,5 mm. Troços retos: Ls1 = 25 − 3,5 = 21,5 mm; Ls2 = 35 − 3,5 = 31,5 mm. Ri/t = 2/1,5 = 1,33 → K = 0,40 (intervalo "1 a < 2"). Rn = 2 + 0,40×1,5 = 2,60 mm. Arco = (π × 90/180) × 2,60 = 4,08 mm.

Total = 21,5 + 31,5 + 4,08 = 57,08 mm → 57,1 mm.

11. Calandragem, estampagem, embutidura e corte por punção

Calandragem

A calandragem curva chapas ou perfis entre três (ou mais) rolos, produzindo raios grandes e curvaturas contínuas, ao contrário da quinagem (dobras retas e localizadas). Usa-se em virolas, arcos estruturais e chapas curvas de grande dimensão; o raio final ajusta-se pela distância entre rolos e pelo número de passagens.

Dobragem de tubos e perfis

Regras próprias, diferentes da quinagem de chapa plana: Rmin ≥ 2 × D (D = diâmetro exterior do tubo), regra prática desta UC para evitar ovalização e enrugamento. Em tubos de parede fina usa-se um mandril interior para manter a secção redonda durante a dobragem.

A regra do raio mínimo de tubos (2 × D, em função do diâmetro) é diferente da regra de raio mínimo de chapa (em função da espessura, capítulo 8). São processos e critérios distintos; não se troca uma tabela pela outra.

Estampagem e embutidura

A estampagem conforma a chapa entre punção e matriz que reproduzem a forma final, combinando muitas vezes corte, dobragem e conformação na mesma ferramenta (ferramenta progressiva). É o processo típico de grandes séries: carroçarias, eletrodomésticos, ferragens.

A embutidura (deep drawing) é a estampagem que transforma uma chapa plana numa peça oca e sem costura (um copo, uma panela). Regras de referência desta UC:

Riscos típicos: rasgar o fundo (esforço excessivo) ou enrugar a aba (folga insuficiente ou prensa-chapas fraco).

Corte por punção e folga de corte

O corte por punção separa material por cisalhamento entre punção e matriz de corte, sem retirar apara: blanking (a peça cortada é o produto) e piercing (o furo é o produto, a chapa à volta é o produto útil).

A folga de corte, regra de referência desta UC para aço macio: folga por lado = 0,06 × t (6% da espessura). Folga a menos exige mais força e desgasta a ferramenta; folga a mais aumenta a rebarba e a deformação junto ao corte.

Chapa com t = 3 mm: folga por lado = 0,06 × 3 = 0,18 mm; folga total (soma dos dois lados, punção mais estreito que a matriz) = 0,36 mm.

Não confundir a folga de corte (0,06 × t, remove material por cisalhamento) com a folga de embutidura (1,1 × t, acomoda o material sem o remover). São regras de processos diferentes, com propósitos opostos.

12. Equipamentos, operação, manutenção e segurança

Equipamentos

Processo Equipamento típico
Quinagem quinadeira (prensa dobradeira)
Corte, estampagem, embutidura prensa excêntrica ou hidráulica
Calandragem calandra de rolos
Laminagem laminador
Dobragem de tubos máquina de dobrar tubos com mandril

A escolha do equipamento decorre do processo identificado no capítulo 1: define-se primeiro o processo pela peça a obter, só depois se escolhe a máquina.

Manutenção preventiva

Segurança e saúde no trabalho

As prensas e as quinadeiras estão entre as máquinas que mais amputam mãos na indústria. Regras sem exceção:

Regra desta UC, sem exceção: sem consignação, não se muda ferramenta nem se limpa a zona de corte. A consignação existe precisamente para que ninguém ligue a máquina enquanto um colega tem as mãos junto à ferramenta.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O desenho de fabrico de peças conformadas parte de um croquis e de vistas com cotagem nominal (peça acabada) e cotagem de fabrico (planificado), sempre distintas. A escolha do processo (laminagem, extrusão, trefilagem, forjamento, quinagem, calandragem, estampagem/embutidura, dobragem de tubos) decorre da peça a obter. Na quinagem, o raio mínimo por material e o sentido de laminagem protegem a peça de fissurar; o retorno elástico compensa-se sobreformando o ângulo. O cálculo do planificado segue sempre a mesma fórmula, com a fibra neutra e o fator K tabelado por Ri/t. Cada processo (embutidura, corte por punção) tem as suas próprias folgas e limites, que não se trocam entre si. E nenhuma peça se fabrica sem comando bimanual ou cortina ótica, e sem consignação antes de limpar ou mudar ferramenta.

Exercícios resolvidos

1. Uma peça precisa de uma dobra a 90° com raio apertado, em aço inoxidável AISI 304, t = 2 mm. O desenho especifica Ri = 3 mm. Está correto?

Resolução: Rmin para inox = 2,0 × t = 2,0 × 2 = 4 mm. Como Ri = 3 mm < 4 mm, não está correto; o raio especificado é inferior ao mínimo admissível e a peça vai fissurar na dobra. Corrigir para Ri ≥ 4 mm.

2. Uma peça em aço macio vai levar uma dobra a 90° nominal. Que ângulo se programa na quinadeira?

Resolução: pela tabela de retorno elástico, Δα para aço macio = 2°. Ângulo a programar = 90° − 2° = 88°. A peça, ao ser libertada, recupera os 2° e fica com os 90° pretendidos.

3. Calcula o comprimento do planificado de uma peça em L, aço macio, t = 2,5 mm, Ri = 4 mm, uma dobra a 90°, pernas exteriores de 30 mm e 45 mm.

Resolução: Ro = Ri + t = 4 + 2,5 = 6,5 mm. Ls1 = 30 − 6,5 = 23,5 mm; Ls2 = 45 − 6,5 = 38,5 mm. Ri/t = 4/2,5 = 1,6 → K = 0,40 (intervalo "1 a < 2"). Rn = 4 + 0,40×2,5 = 5,00 mm. Arco = (π×90/180) × 5,00 = 7,85 mm. Total = 23,5 + 38,5 + 7,85 = 69,85 mm → 69,9 mm.

4. Uma peça precisa de dobras em duas direções perpendiculares entre si. Como se deve orientar a chapa em relação ao sentido de laminagem?

Resolução: como não é possível pôr as duas direções de dobra perpendiculares à fibra ao mesmo tempo, corta-se a chapa a 45° do sentido de laminagem. É um compromisso que reduz o risco de fissura em ambas as dobras, já que nenhuma fica exatamente a favor da fibra.

5. Que diferença há entre a folga de corte por punção e a folga de embutidura, e porque não se pode usar a mesma regra para as duas?

Resolução: a folga de corte (cerca de 0,06 × t) serve para separar material por cisalhamento, um punção mais estreito que a matriz para cortar limpo. A folga de embutidura (cerca de 1,1 × t) serve para acomodar o material sem o cortar, dando espaço ao aumento de espessura na parede da peça embutida. São propósitos opostos (cortar contra conformar sem cortar), por isso as regras não se trocam.