Partilhar: WhatsApp
aulify · Sebenta
UC · Unidade de Competência · UC02898

Sebenta · Efetuar a modelação 3D de construções metálicas (UC02898)

Perfis normalizados, ligações aparafusadas, rebitadas e soldadas, planificados de chapa, listas de corte e exportação
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Desenho e Projeto de Mo, T. Desenho e Projeto/Desig, T. Fabrico de Componentes ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta ensina a modelar em 3D uma construção metálica, do perfil escolhido em catálogo até ao ficheiro pronto para a máquina de corte. O fio condutor é sempre o mesmo: um conjunto real, feito de perfis metálicos, peças de chapa dobrada e componentes maquinados, ligados entre si por parafusos, rebites e soldadura.

Ao longo dos capítulos vamos montar, calcular e exportar sempre o mesmo conjunto de referência: um pequeno pórtico metálico de suporte (por exemplo, para um alpendre ou telheiro ligeiro), com 2 colunas, 1 viga, 2 contraventamentos diagonais e as respetivas chapas de ligação. Seguir um único exemplo do princípio ao fim ajuda a ver como a escolha do perfil, o cálculo da ligação, o planificado da chapa e a lista de materiais final são etapas do mesmo processo, não capítulos isolados.

Objetivos de aprendizagem (referencial): efetuar a montagem de componentes obtidos por arranque de apara, conformação plástica e perfis metálicos; realizar o dimensionamento de ligações metálicas; e aplicar elementos normalizados de ligação e órgãos de máquinas, respeitando sempre as normas e regras de segurança.

1. Perfis metálicos normalizados

Uma construção metálica não se desenha a partir de secções inventadas: usa produtos siderúrgicos normalizados, produzidos em série e catalogados em tabelas oficiais. O projetista escolhe a designação certa; o software de modelação já traz estas secções nas suas bibliotecas de perfis estruturais.

As famílias de perfis

Perfil Forma da secção Uso típico
IPE duplo T, abas paralelas estreitas vigas e elementos sujeitos a flexão
HEA duplo T, abas largas, alma mais fina pilares de cargas moderadas
HEB duplo T, abas largas, alma mais espessa pilares de cargas elevadas
UPN U reforços, guias, estruturas leves
L (cantoneira) ângulo reto, abas iguais ou desiguais contraventamentos, ligações, reforços
Tubo quadrado / retangular secção fechada estruturas leves, guarda-corpos, mobiliário metálico

A letra identifica a família da secção; o número da designação corresponde, em geral, à altura nominal em milímetros. Por exemplo, um HEA 100 tem uma designação nominal de 100, mas a sua altura real de tabela é 96 mm: a designação identifica a série do perfil, não é sempre uma medida exata.

Ler uma tabela de perfis

Cada perfil tem, na tabela do fabricante, um conjunto fixo de grandezas: altura (h), largura (b), espessura da alma (tw), espessura da aba (tf) e massa por metro linear. Este último valor é o que mais se usa no dia a dia, porque permite calcular a massa de qualquer peça só multiplicando pelo comprimento, sem pesar nada.

Perfil h (mm) b (mm) tw (mm) tf (mm) Massa (kg/m)
IPE 140 140 73 4,7 6,9 12,9
IPE 100 100 55 4,1 5,7 8,10
HEA 100 96 100 5,0 8,0 16,7
HEB 100 100 100 6,0 10,0 20,4
UPN 100 100 50 6,0 8,5 10,6
L 50×50×5 50×50 espessura 5 n/a n/a 3,77

⚠️ Nunca se inventa um valor de tabela. Se não tens a certeza da massa ou das dimensões de um perfil, consulta o catálogo do fabricante em vez de estimar. Um erro aqui propaga-se à massa, ao centro de gravidade e à encomenda de material.

Exemplo resolvido · massa de uma barra

Uma coluna em HEA 100 com 2,50 m de comprimento. Qual é a sua massa?

Massa = comprimento × massa por metro = 2,50 × 16,7 = 41,75 kg.

Para duas colunas iguais: 2 × 41,75 = 83,50 kg. Este cálculo simples, repetido perfil a perfil, é a base de toda a lista de materiais que vamos construir ao longo desta sebenta.

2. Classes de aço e a norma de execução

Classes de aço (EN 10025)

Os perfis e chapas de aço estrutural são fabricados em classes definidas pela norma EN 10025, cada uma com uma tensão de cedência (fy) mínima garantida:

Classe fy (t ≤ 16 mm) Uso típico
S235 235 MPa estruturas correntes, pouco exigentes
S275 275 MPa pavilhões, edifícios correntes
S355 355 MPa estruturas de maior vão ou carga

Uma forma simples de memorizar: o número da designação é a tensão de cedência mínima em megapascais. Quanto maior a classe, maior a resistência do aço para a mesma secção, mas também, em geral, maior o custo do material.

A norma referida no referencial: ISO 1090

O referencial oficial desta UC identifica a norma pela designação "norma ISO 1090". No mercado europeu, a norma de referência efetivamente usada para a execução de estruturas de aço (fabrico, soldadura, tolerâncias dimensionais e classes de execução) é a família EN 1090, e é essa a designação que aparece nos cadernos de encargos, nas marcações CE de componentes estruturais e nas certificações de oficina.

A norma de execução trata de como se fabrica e monta a estrutura (que classe de execução aplicar, que controlo de qualidade fazer, que tolerâncias respeitar), e é distinta do Eurocódigo 3, que trata de como se calcula a resistência da estrutura. As duas normas complementam-se: uma sem a outra não chega a uma construção metálica bem-feita.

Nota importante: os requisitos concretos de uma norma de execução (classe exigida, ensaios, prazos de certificação) dependem sempre do projeto e da legislação em vigor no momento. Esta sebenta descreve o que estas normas tratam, em termos gerais; um caso real confirma-se sempre com o gabinete de projeto ou com a entidade certificadora.

3. Montagem de conjuntos: arranque de apara, conformação plástica e perfis

Um conjunto metálico raramente é feito de um único tipo de peça. Junta, tipicamente, três origens de fabrico diferentes, e cada uma exige uma abordagem própria em modelação 3D:

Peças por arranque de apara

Produzidas por torneamento ou fresagem, removendo material de um bloco sólido até à forma final: buchas, eixos, casquilhos, apoios maquinados. Modelam-se como sólidos, com tolerâncias apertadas nas superfícies de contacto ou de encaixe.

Peças por conformação plástica

Obtidas dobrando ou quinando chapa, sem remover material: suportes em L ou U, chapas de reforço, chapas de base. Modelam-se com o módulo de chapa (sheet metal) do software CAD, que guarda a espessura, o raio de dobra e gera automaticamente o planificado: a forma que a chapa tinha antes de ser dobrada (ver capítulo 8).

Perfis metálicos

Barras normalizadas (capítulo 1), cortadas ao comprimento necessário: colunas, vigas, contraventamentos. Modelam-se por extrusão da secção de catálogo ao longo de um comprimento, e é frequente usar bibliotecas de "membros estruturais" já prontas no software.

O conjunto de referência desta sebenta

Ao longo dos capítulos seguintes, todos os exemplos partem do mesmo pórtico metálico:

Componente Perfil / material Quantidade Comprimento
Coluna HEA 100 2 2,50 m cada
Viga IPE 140 1 3,00 m
Contraventamento diagonal L 50×50×5 2 2,50 m cada
Chapa de base chapa 10 mm 2 200×200 mm
Chapa de ligação viga-coluna chapa 6 mm (dobrada) 2 150×150 mm

Este conjunto reúne os três tipos de origem, perfis (colunas, viga, diagonais) e chapa conformada (chapas de base e de ligação), e é o que vamos ligar, calcular e listar nos capítulos seguintes.

4. Elementos normalizados de ligação e órgãos de máquinas

Elementos normalizados de ligação

Tal como os perfis, os elementos de ligação vêm de catálogo, com designação normalizada:

Elemento Norma de referência Designação típica
Parafuso de cabeça sextavada ISO 4014 M12 × 40, classe 8.8
Porca sextavada ISO 4032 M12, classe 8
Anilha plana ISO 7089 12
Rebite de repuxo · diâmetro + comprimento
Chumbadouro (parafuso de ancoragem) · diâmetro + comprimento de ancoragem

A designação "M12, classe 8.8" contém já duas informações essenciais: o diâmetro nominal da rosca (12 mm) e a classe de qualidade do aço do parafuso, que define a sua resistência (ver capítulo 5).

Órgãos de máquinas

Nem todo o conjunto metálico é estático. Painéis móveis, portões e estruturas com partes deslizantes incorporam órgãos de máquinas normalizados:

Cada órgão de máquina vem já com folgas e tolerâncias de funcionamento definidas pelo fabricante. Modelar uma dobradiça "fechada", sem essa folga, trava o conjunto assim que se tenta simular o movimento no software: o modelo tem de respeitar a folga real da peça.

5. Ligações aparafusadas

O cálculo da resistência ao corte

A verificação mais comum de uma ligação aparafusada avalia se o parafuso resiste ao esforço de corte (perpendicular ao seu eixo). De forma simplificada:

F_v = α_v · f_ub · A_s

onde f_ub é a tensão de rotura do aço do parafuso, A_s é a área resistente da secção roscada e α_v é um coeficiente que depende da classe do parafuso e do plano de corte (0,6 é o valor de referência para parafusos correntes de classe 8.8). O resultado obtido: a resistência "bruta": divide-se ainda por um coeficiente de segurança definido em projeto, antes de comparar com a carga real que o parafuso vai suportar.

Diâmetro A_s (mm²)
M8 36,6
M10 58,0
M12 84,3
M14 115
M16 157

Exemplo resolvido · chapa de base com 4 parafusos M12

A chapa de base de uma das colunas do pórtico é fixada com 4 parafusos M12, classe 8.8, e tem de resistir a uma força horizontal de 6,0 kN na base.

Passo 1 · resistência ao corte de 1 parafuso, sem coeficiente de segurança:

F_v = α_v × f_ub × A_s = 0,6 × 800 × 84,3 = 40 464 N = 40,46 kN.

Passo 2 · aplicar o coeficiente de segurança de projeto (1,25):

F_v,Rd = 40,46 / 1,25 = 32,37 kN por parafuso.

Passo 3 · repartir a carga total pelos 4 parafusos:

6,0 / 4 = 1,5 kN por parafuso.

Passo 4 · comparar:

1,5 kN < 32,37 kN → a ligação verifica, com larga margem de segurança.

Este exemplo é didático, para treinar o método; num projeto real, os coeficientes de segurança aplicáveis e a repartição de cargas confirmam-se sempre com o gabinete de cálculo, à luz do Eurocódigo 3.

6. Ligações rebitadas

Os rebites ligam chapas finas por deformação: o corpo do rebite é esmagado contra as chapas, criando uma ligação permanente (para desmontar, o rebite destrói-se). São a escolha típica quando a soldadura arriscaria empenar a chapa fina, e o parafuso poderia desapertar com vibração.

Exemplo resolvido · 2 rebites Ø5 mm a corte simples

Duas chapas finas do pórtico são ligadas por 2 rebites de Ø5 mm, a corte simples (um único plano de corte por rebite), sujeitas a uma carga de 2,0 kN. Tensão de corte admissível de referência: 100 MPa.

Passo 1 · área da secção de 1 rebite:

A = π × d² / 4 = π × 5² / 4 = 19,63 mm².

Passo 2 · capacidade de 1 rebite:

F = τ_adm × A = 100 × 19,63 = 1 963,5 N = 1,96 kN.

Passo 3 · capacidade total (2 rebites):

2 × 1,96 = 3,93 kN.

Passo 4 · comparar com a carga aplicada:

2,0 kN < 3,93 kN → a ligação verifica.

O corte simples tem um único plano de corte por rebite; existe também o corte duplo (o rebite atravessa três chapas), com o dobro da resistência, por ter dois planos de corte a trabalhar.

7. Ligações soldadas e simbologia ISO 2553

O cordão de ângulo e a garganta

A soldadura funde localmente o metal, criando uma ligação contínua, ao contrário do parafuso ou do rebite (ligações pontuais). O cordão mais comum em construção metálica é o cordão de ângulo (fillet), ligando duas peças em ângulo reto. A grandeza que entra no cálculo é a espessura de garganta (a), não a perna visível (z): para pernas iguais, a ≈ 0,7 × z.

Exemplo resolvido · cordão de ângulo z4, comprimento 60 mm

Um suporte é soldado à coluna com um cordão de ângulo de perna z = 4 mm, comprimento nominal 60 mm.

A simbologia ISO 2553

A soldadura representa-se por um símbolo colocado sobre uma linha de referência, ligada por uma linha de seta ao local da junta:

         60           símbolo ACIMA da linha = cordão do lado OPOSTO à seta
────────┼──────
         60           símbolo ABAIXO da linha = cordão do lado da SETA
        \
         \  (linha de seta, aponta para a junta)

A regra é fixa e não tem exceção:

O prefixo do valor indica a grandeza cotada: "z" para a perna do cordão (z5 = perna de 5 mm) e "a" para a garganta (a4 = garganta de 4 mm): nunca se confundem, porque mudam o cálculo de resistência. Um cordão intermitente indica-se como "comprimento-passo" (ex.: 60-150: 60 mm soldados a cada 150 mm de espaçamento), e um círculo no vértice da seta indica soldadura "todo em redor" da peça.

Cada símbolo de um desenho tem de ser verificado individualmente: uma posição trocada (acima em vez de abaixo) manda soldar o lado errado da peça, um erro que só se descobre depois de soldada.

8. Planificados e linhas de quinagem

Do modelo dobrado ao plano

Uma peça de chapa nasce plana, é cortada com um contorno e só depois quinada (dobrada) nas linhas previstas. O planificado é a forma da chapa antes de ser dobrada, e é o que segue para a máquina de corte. O software de chapa (sheet metal) guarda a espessura, o raio de dobra e o fator K do material, e gera o planificado automaticamente: mas o técnico tem de saber calcular e verificar este resultado.

O fator K e a distensão da dobra

Quando a chapa dobra, a fibra interna comprime e a fibra externa estica; existe uma fibra neutra, que não muda de comprimento. O fator K indica a posição relativa dessa fibra dentro da espessura (0 = face interna, 0,5 = a meio da espessura); para aço macio, um valor de referência comum é K ≈ 0,44.

O método de cálculo do comprimento planificado, para uma dobra a 90° com raio interno r e espessura t, segue quatro passos fixos:

  1. Distensão da dobra (bend allowance): BA = (π/2) × (r + K×t).
  2. Recuo exterior (outside setback), para 90°: OSSB = r + t.
  3. Dedução da dobra: BD = 2 × OSSB − BA.
  4. Comprimento planificado total: L_total = L1 + L2 − BD, com L1 e L2 medidos até ao vértice teórico exterior da dobra (como se o canto fosse vivo, sem raio).

Exemplo resolvido · suporte em L dobrado a 90°

Chapa com espessura t = 3 mm, raio interno r = 3 mm, fator K = 0,44, dobra a 90°, com as duas abas medidas até ao vértice teórico: L1 = 100 mm e L2 = 60 mm.

Passo 1 · distensão da dobra:

BA = (π/2) × (3 + 0,44×3) = (π/2) × (3 + 1,32) = (π/2) × 4,32 = 6,79 mm.

Passo 2 · recuo exterior:

OSSB = r + t = 3 + 3 = 6,00 mm.

Passo 3 · dedução da dobra:

BD = 2 × 6,00 − 6,79 = 12,00 − 6,79 = 5,21 mm.

Passo 4 · comprimento planificado:

L_total = 100 + 60 − 5,21 = 154,79 mm.

O planificado desta chapa tem, portanto, 154,79 mm de comprimento (a largura da chapa mantém-se a original, a dobra não a altera).

9. Otimização do corte de perfis e de chapas

Lista de corte de perfis

A lista de corte organiza, por perfil, todos os comprimentos a cortar de um projeto, com o objetivo de comprar o mínimo de barras comerciais (normalmente de 6,00 m) e desperdiçar o mínimo de material.

Para 1 pórtico, a partir de barras de 6,00 m:

Perfil Peças necessárias Ocupação de 1 barra Sobra
HEA 100 2× 2,50 m 2,50 + 2,50 = 5,00 m 1,00 m
IPE 140 1× 3,00 m 3,00 m 3,00 m
L 50×50×5 2× 2,50 m 2,50 + 2,50 = 5,00 m 1,00 m

Para um lote de 4 pórticos, agrupar os cortes por perfil (em vez de comprar barra a barra por unidade) muda o resultado:

Perfil Necessário Barras de 6,00 m Comprado Desperdício
HEA 100 4 × 5,00 = 20,00 m 4 24,00 m 4,00 m
IPE 140 4 × 3,00 = 12,00 m 2 (2 peças/barra) 12,00 m 0,00 m
L 50×50×5 4 × 5,00 = 20,00 m 4 24,00 m 4,00 m
Total 52,00 m 10 barras 60,00 m 8,00 m (13,3%)

No caso do IPE 140, cortar por lote (2 peças de 3,00 m por barra de 6,00 m) elimina o desperdício por completo. Se, em vez disso, se comprasse 1 barra por pórtico (a abordagem "ingénua"), seriam necessárias as mesmas 4 barras, mas com 12,00 m de desperdício (3,00 m perdidos em cada barra): otimizar a lista de corte, agrupando por perfil, é o que faz esta diferença.

Otimização do corte de chapas

O mesmo raciocínio de aproveitamento aplica-se ao corte de chapa, mas aqui o problema é sobretudo de encaixe geométrico. Uma chapa de 3000 × 1500 mm vai fornecer peças retangulares de 300 × 200 mm; a orientação escolhida para as peças muda o número obtido:

Orientação Colunas × linhas Peças obtidas Aproveitamento
Lado de 300 mm ao longo do comprimento da chapa 10 × 7 70 93,3%
Lado de 200 mm ao longo do comprimento da chapa (peça rodada 90°) 15 × 5 75 100%

Rodar a peça 90° aproveita a chapa por inteiro (15 × 200 = 3000 mm e 5 × 300 = 1500 mm, exatamente, sem sobra), ganhando 5 peças a mais (70 → 75) sem gastar mais matéria-prima. Testar mais do que uma orientação, antes de aceitar o primeiro resultado, é o que separa um corte otimizado de um corte apenas "possível".

10. Exportação de planificados

Depois de calculado e verificado, o planificado segue para a máquina de corte (laser, plasma ou punção), e o conjunto 3D pode seguir para outro sistema CAD ou para o cliente, cada um no formato adequado:

Formato Tipo Uso típico
DXF 2D, formato aberto planificados para máquinas de corte
DWG 2D, nativo AutoCAD desenhos de definição e de detalhe
STP / STEP 3D, formato neutro modelo 3D completo, entre sistemas CAD diferentes

DXF e DWG servem para desenho 2D (o planificado, cotas, anotações); o STP serve para o modelo 3D completo, lido por praticamente qualquer sistema CAD.

Antes de exportar, é preciso verificar sempre a escala e as unidades (milímetros ou polegadas), confirmar que a versão exportada é a versão final da peça (já com furos e recortes) e manter uma nomenclatura consistente dos ficheiros (referência da peça + revisão). Um erro de unidades só costuma aparecer depois de a chapa já estar cortada: e nessa altura já não há forma de o corrigir sem desperdiçar material.

11. Massa e centro de gravidade

Massa total do conjunto

O software calcula a massa de cada peça a partir do seu volume e da densidade do material (para o aço, 7850 kg/m³), mas o técnico deve saber verificar o resultado, especialmente numa lista de materiais que vai para orçamento.

Massa do pórtico de referência, somando cada componente:

Componente Cálculo Massa
2× coluna HEA 100 (2,50 m) 2 × 2,50 × 16,7 83,50 kg
1× viga IPE 140 (3,00 m) 1 × 3,00 × 12,9 38,70 kg
2× diagonal L 50×50×5 (2,50 m) 2 × 2,50 × 3,77 18,85 kg
2× chapa de base (0,20×0,20×0,010 m, ρ=7850) 2 × 0,0004 × 7850 6,28 kg
2× chapa de ligação (0,15×0,15×0,006 m, ρ=7850) 2 × 0,000135 × 7850 2,12 kg
Total 149,45 kg

Cada linha vem do mesmo princípio: comprimento (ou volume) × massa por metro (ou densidade). O total é sempre a soma direta das parcelas: se não bater certo, há um componente esquecido ou uma quantidade trocada.

Centro de gravidade

O centro de gravidade (CG) de um conjunto é o ponto onde se pode considerar concentrado todo o seu peso. O software calcula-o automaticamente a partir da massa e da posição de cada peça, mas cabe ao técnico interpretar o resultado:

Personalizar a lista de peças

A lista de materiais (BOM, bill of materials) gerada pelo software raramente serve tal como sai: personaliza-se com as colunas que a oficina precisa, além das que o CAD calcula sozinho (massa, quantidade, designação). Colunas úteis a acrescentar:

Uma lista de peças bem personalizada é o que liga o modelo 3D à realidade da oficina e da encomenda de material.

Área a pintar (aproximação de orçamentação)

Para orçamentar a pintura de proteção, uma aproximação corrente na indústria usa o perímetro aparente da secção (2×(h+b) para perfis em I/H, e o desenvolvimento das abas para cantoneiras) multiplicado pelo comprimento:

Componente Cálculo Área
2× coluna HEA 100 (perímetro ≈ 0,392 m²/m) 2 × 2,50 × 0,392 1,96 m²
1× viga IPE 140 (perímetro ≈ 0,426 m²/m) 1 × 3,00 × 0,426 1,28 m²
2× diagonal L 50×50×5 (perímetro ≈ 0,200 m²/m) 2 × 2,50 × 0,200 1,00 m²
2× chapa de base (2 faces de 0,20×0,20 m) 2 × 2 × 0,04 0,16 m²
2× chapa de ligação (2 faces de 0,15×0,15 m) 2 × 2 × 0,0225 0,09 m²
Total 4,49 m²

É uma aproximação de orçamentação, não uma medição geométrica exata (ignora, por exemplo, os cantos e as pequenas reentrâncias do perfil): serve para estimar tinta e mão de obra, não para um cálculo de engenharia.

12. Segurança e saúde no trabalho

A segurança não é um capítulo à parte da modelação: acompanha cada etapa, da escolha do perfil à montagem em obra.

Riscos da soldadura

Montagem em altura

Movimentação de cargas com grua ou ponte rolante

Limpeza e manutenção

Erros comuns

Glossário

Síntese

Modelar uma construção metálica em 3D segue sempre a mesma sequência: escolher os perfis e a classe de aço de catálogo → montar o conjunto (perfis, peças maquinadas e peças de chapa) → dimensionar as ligações (aparafusadas, rebitadas, soldadas, com a simbologia ISO 2553 correta) → gerar e calcular os planificados das peças de chapa (fator K, dedução da dobra) → otimizar as listas de corte de perfis e de chapas → calcular massa e centro de gravidade para a lista de materiais → exportar nos formatos certos (DXF/DWG para 2D, STP para 3D). A segurança (soldadura, montagem em altura, movimentação de cargas) acompanha cada uma destas etapas, do desenho à obra, sustentada pelas atitudes que esta UC avalia: rigor, sentido de organização, sentido crítico, responsabilidade e autonomia no trabalho de projeto.

Exercícios resolvidos

1. Um HEA 100 tem "100" na designação, mas a tabela dá-lhe 96 mm de altura. Como se explica?

Resolução: o número da designação (100) identifica a série nominal do perfil, não é sempre uma medida exata de tabela. A altura real de fabrico do HEA 100 é 96 mm; a designação serve para identificar a série no catálogo, não para ler diretamente uma cota.

2. Calcula a massa de 1 viga IPE 140 com 3,00 m de comprimento.

Resolução: Massa = comprimento × massa por metro = 3,00 × 12,9 = 38,70 kg.

3. Um parafuso M12 classe 8.8 tem A_s = 84,3 mm² e f_ub = 800 MPa. Qual a sua resistência ao corte (α_v = 0,6), sem coeficiente de segurança?

Resolução: F_v = 0,6 × 800 × 84,3 = 40 464 N ≈ 40,46 kN.

4. Um cordão de ângulo tem perna z = 5 mm. Qual é a espessura de garganta?

Resolução: a = 0,7 × z = 0,7 × 5 = 3,5 mm.

5. Num símbolo de soldadura ISO 2553, o triângulo aparece ACIMA da linha de referência. De que lado fica o cordão?

Resolução: do lado oposto à linha de seta (o lado "de longe"). Símbolo abaixo da linha é que indica o lado da seta.

6. Uma chapa dobra a 90°, com r = 3 mm, t = 3 mm e K = 0,44. Calcula a distensão da dobra (BA) e a dedução da dobra (BD).

Resolução: BA = (π/2) × (3 + 0,44×3) = (π/2) × 4,32 = 6,79 mm. OSSB = r + t = 6,00 mm. BD = 2×6,00 − 6,79 = 5,21 mm.

7. Um lote de 4 pórticos precisa de 4×3,00 m = 12,00 m de IPE 140. Compara o desperdício entre comprar 1 barra de 6,00 m por pórtico e agrupar os cortes por 2 peças por barra.

Resolução: Ingénuo (1 barra/pórtico): 4 barras × 6,00 m = 24,00 m compradas, 12,00 m usados, 12,00 m de desperdício. Agrupado (2 peças/barra): 2 barras × 6,00 m = 12,00 m compradas, 12,00 m usados, 0,00 m de desperdício. Agrupar os cortes por perfil, em vez de por pórtico isolado, elimina o desperdício neste caso.

8. Uma chapa de 3000×1500 mm corta peças de 300×200 mm. Compara o número de peças obtidas com a peça na orientação normal e rodada 90°.

Resolução: Normal (300 mm ao longo do comprimento): 10×7 = 70 peças, aproveitamento 93,3%. Rodada 90° (200 mm ao longo do comprimento): 15×5 = 75 peças, aproveitamento 100%. Rodar a peça ganha 5 peças extra sem gastar mais chapa.