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UC · Unidade de Competência · UC02886

Sebenta · Aplicar materiais e tratamentos a componentes em projeto mecânico (UC02886)

Dos aços de liga à chave normalizada, aos tratamentos térmicos e de superfície, com ensaios mecânicos aplicados a componentes de moldes
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Desenho e Projeto de Mo, T. Desenho e Projeto/Desig ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Um desenho de projeto mecânico só está completo quando diz, além da forma e das cotas, de que material cada componente é feito e que tratamento recebeu. Numa cavidade de molde, numa coluna-guia ou num veio, a escolha errada do aço ou do tratamento térmico custa caro: gripagens, fissuras, desgaste prematuro ou peças que empenam ao fim de poucos ciclos. Esta sebenta ensina a selecionar materiais e a selecionar tratamentos a aplicar a componentes para a função pretendida, e a analisar resultados de ensaios mecânicos, as três realizações centrais desta unidade curricular.

O percurso segue a lógica de um gabinete de projeto mecânico e de moldes: primeiro os materiais metálicos e as suas propriedades, depois as ligas ferrocarbónicas e a norma que as identifica, depois os ensaios que comprovam essas propriedades, os materiais não metálicos, as propriedades tecnológicas de desgaste e corrosão, os tratamentos térmicos e de superfície, e por fim a seleção de materiais e tratamentos em casos concretos de projeto, terminando na segurança no trabalho com fornos e banhos de tratamento.

Objetivos de aprendizagem (referencial): relacionar a composição química das ligas metálicas com as suas características físicas e mecânicas; relacionar a resistência mecânica dos materiais com as suas propriedades mecânicas; seguir a norma na identificação dos materiais; adequar os diferentes materiais aos componentes mecânicos; e aplicar as normas de segurança e saúde no trabalho.

1. Materiais metálicos: propriedades físicas e mecânicas

Escolher um material para um componente é escolher um conjunto de propriedades. Dividem-se em dois grandes grupos.

Propriedades físicas, ligadas à natureza do material e independentes de qualquer esforço aplicado:

Propriedades mecânicas, medidas por ensaio, sob a ação de uma força:

Metais ferrosos (à base de ferro: aços, ferros fundidos) dominam o projeto mecânico e os moldes pela combinação de resistência, custo e facilidade de tratamento. Metais não ferrosos (alumínio, cobre, zinco e as suas ligas) entram quando se precisa de leveza, condutividade térmica elevada ou resistência à corrosão sem tratamento adicional.

Uma placa de fecho de um molde de injeção é maciça e pesada, sujeita sobretudo a compressão: um aço ao carbono comum (1.1730, C45) normalizado resolve, sem custo de liga. Já um macho com um canal de refrigeração estreito beneficia de uma liga com melhor condutividade térmica, para arrefecer a peça mais depressa e reduzir o tempo de ciclo.

2. Ligas ferrocarbónicas: aços e ferros fundidos

As ligas ferrocarbónicas são ligas de ferro e carbono, a base da esmagadora maioria dos componentes mecânicos e de moldes. O que separa um aço de um ferro fundido é, essencialmente, o teor de carbono:

Liga Teor de carbono (%) Características gerais
Aço até cerca de 2,1% dúctil, forjável, soldável, boa tenacidade
Ferro fundido acima de cerca de 2,1%, tipicamente 2,5% a 4% frágil, não forjável, boa fundibilidade, bom amortecimento de vibrações

Dentro dos aços, o teor de carbono continua a distinguir famílias:

Os ferros fundidos distinguem-se pela forma do carbono livre (grafite) na estrutura:

Um aço-liga é um aço ao qual se adicionam deliberadamente outros elementos químicos (crómio, níquel, molibdénio, vanádio, entre outros) para melhorar propriedades específicas, tema do capítulo 4.

3. A chave dos aços: normalização EN 10027

Sem uma norma, cada fabricante chamaria o mesmo aço por um nome diferente. A norma europeia EN 10027 resolve isto com dois sistemas complementares de identificação, ambos em uso corrente na indústria de moldes.

O número de chave (Werkstoffnummer)

Cada aço normalizado tem um número de chave, no formato 1.XXXX (o "1." identifica sempre um aço). É um código curto e inequívoco, usado em certificados de material e catálogos de fornecedor: por exemplo, 1.2344 identifica sempre o mesmo aço, em qualquer país que use a norma europeia.

A designação simbólica (composição química)

O segundo sistema traduz a composição química diretamente no nome:

Nota de equivalência. É frequente cruzar-se a designação europeia com a norma americana AISI/SAE em catálogos internacionais (por exemplo, 1.2344 e AISI H13 designam aços muito semelhantes). Estas equivalências são aproximadas, não uma igualdade de norma para norma: composições, tolerâncias e requisitos de ensaio diferem em detalhe. Confirma sempre pela ficha técnica do fabricante, nunca só pelo nome comercial.

Número de chave Designação simbólica Aço
1.1730 C45 carbono médio, sem liga significativa
1.2311 40CrMnMo7 baixa liga, pré-temperado para moldes
1.2738 40CrMnNiMo8-6-4 baixa liga, pré-temperado, maior temperabilidade
1.2316 X36CrMo17 alta liga, inoxidável martensítico
1.2344 X40CrMoV5-1 alta liga, trabalho a quente
1.2379 X153CrMoV12 alta liga, trabalho a frio

4. Influência dos elementos de liga

Cada elemento de liga adicionado a um aço muda propriedades específicas, e é essa lógica que permite escolher (ou ler) um aço pela sua designação:

Elemento Efeito principal
Carbono (C) aumenta dureza e resistência; reduz ductilidade e soldabilidade
Crómio (Cr) aumenta a temperabilidade e a resistência ao desgaste; em teor elevado (acima de cerca de 12%), confere resistência à corrosão
Níquel (Ni) aumenta a tenacidade, sobretudo a baixa temperatura, e a temperabilidade em peças de secção grande
Molibdénio (Mo) aumenta a temperabilidade e a resistência a quente; reduz a fragilidade de revenido
Vanádio (V) afina o grão e forma carbonetos duros; aumenta a resistência ao desgaste e a retenção de dureza a quente
Manganês (Mn) aumenta a temperabilidade e a resistência; contraria o efeito fragilizante do enxofre
Silício (Si) desoxidante no fabrico; aumenta a resistência elástica
Enxofre (S) e chumbo (Pb) melhoram a maquinabilidade (aços de corte fácil); reduzem a tenacidade e a soldabilidade
Tungsténio (W) aumenta a resistência ao desgaste e a quente, típico em aços rápidos de corte

Um aço de trabalho a quente como o 1.2344 (X40CrMoV5-1) junta crómio (temperabilidade e desgaste), molibdénio (resistência a quente, sem fragilizar no revenido) e vanádio (grão fino, dureza a quente): não é uma combinação aleatória, é a resposta direta à exigência de trabalhar sob calor repetido sem perder dureza nem fissurar.

Não inventes equivalências nem arredondes teores de cabeça: a composição de um aço lê-se na ficha técnica do fabricante ou na norma, nunca se estima "de memória" para um relatório ou um caderno de encargos.

5. Ensaios mecânicos de tração, flexão e torção

Os ensaios mecânicos medem propriedades reais em laboratório, para confirmar (ou contestar) o que a designação do aço promete.

Ensaio de tração

Um provete normalizado, com secção inicial A₀, é traccionado até romper. Regista-se a força F aplicada e o alongamento correspondente. Dessas medições calculam-se duas grandezas fundamentais:

Na zona elástica do ensaio, tensão e deformação são proporcionais (lei de Hooke): σ = E · ε, onde E é o módulo de elasticidade (módulo de Young), em GPa. Para o aço, E ronda os 210 GPa, praticamente igual em todos os aços, independentemente do teor de liga ou do tratamento térmico; o que muda com a liga e o tratamento é a resistência, não a rigidez elástica.

Do ensaio de tração retiram-se ainda:

Um provete de aço com secção circular de 10 mm de diâmetro (A₀ = π × 5² ≈ 78,5 mm²) é traccionado dentro da zona elástica com uma força de 16 500 N. A tensão é σ = 16500 / 78,5 ≈ 210 MPa. Com um comprimento de referência L₀ = 100 mm, mediu-se um alongamento ΔL = 0,1 mm, logo ε = 0,1 / 100 = 0,001. O módulo de elasticidade calculado é E = σ / ε = 210 / 0,001 = 210 000 MPa = 210 GPa, o valor típico do aço.

Ensaio de flexão

Aplica-se uma carga transversal a um provete apoiado nas extremidades, medindo a flecha (deformação) até à rotura ou até um limite definido. É o ensaio preferido para materiais frágeis (ferros fundidos, cerâmicos) que são difíceis de fixar num ensaio de tração sem partir nas amarras, e dá a tensão de rotura à flexão.

Ensaio de torção

Aplica-se um momento torsor às extremidades de um provete cilíndrico, medindo o ângulo de torção. Dá o módulo de elasticidade transversal (G) e a tensão de cedência ao corte, propriedades relevantes em veios e componentes sujeitos a rotação e a esforços de torção.

6. Ensaios mecânicos de dureza

A dureza mede a resistência de um material à penetração de outro corpo, e é o ensaio mais usado no dia a dia de um gabinete de moldes, porque é rápido, quase não danifica a peça e é a forma habitual de confirmar se um tratamento térmico atingiu o valor pretendido.

Escala Penetrador Carga típica Gama de aplicação
Brinell (HB) esfera de aço ou de carboneto de tungsténio carga elevada materiais macios a médios, ferros fundidos, aços pré-temperados
Rockwell C (HRC) cone de diamante 150 kgf aços temperados; válida tipicamente entre cerca de 20 e 70 HRC
Vickers (HV) pirâmide de diamante ajustável, incluindo cargas muito baixas gama muito ampla; a única adequada a camadas finas (nitruração, revestimentos)

Três regras que evitam erros de leitura e de relatório:

Numa ficha técnica de aço de molde, confirma sempre em que escala e em que estado (fornecimento, temperado, revenido, nitrurado) o valor de dureza foi medido, antes de comparar dois materiais.

7. Materiais não metálicos, poliméricos e compósitos

Nem todos os componentes de um conjunto mecânico são metálicos. Materiais poliméricos e compósitos entram quando a função pede leveza, isolamento ou baixo atrito, e não resistência ao desgaste abrasivo extremo:

Comparados com os aços, os materiais não metálicos têm resistência mecânica e dureza muito inferiores, mas ganham em peso, em isolamento elétrico e térmico, e em resistência química a certos ambientes. A escolha entre um componente metálico e um não metálico é sempre uma troca entre estas propriedades e a função exigida.

8. Propriedades tecnológicas: desgaste e corrosão

Além das propriedades mecânicas "de catálogo", há propriedades tecnológicas que só se manifestam em serviço, ao longo do tempo:

No contexto de moldes de injeção, alguns plásticos libertam substâncias corrosivas durante a transformação (por exemplo, o PVC liberta ácido clorídrico a quente). A cavidade e o macho que moldam esse plástico têm de resistir a essa corrosão, o que empurra a escolha para um aço inoxidável de molde ou para um revestimento protetor, mesmo que a resistência mecânica pura não o exigisse.

9. Tratamentos térmicos

Os tratamentos térmicos alteram as propriedades do material através de ciclos controlados de aquecimento e arrefecimento, sem mudar a composição química global (ao contrário da cementação e da nitruração, que introduzem elementos novos à superfície):

Tratamento O que faz Efeito na dureza Efeito nas dimensões
Têmpera aquecimento acima da temperatura de austenitização, seguido de arrefecimento rápido (água, óleo ou ar, consoante o aço) aumenta muito a dureza pode introduzir distorção e tensões internas elevadas
Revenido reaquecimento a temperatura moderada, depois da têmpera reduz ligeiramente a dureza da têmpera, mas devolve tenacidade reduz as tensões internas da têmpera
Recozimento aquecimento e arrefecimento muito lento, geralmente dentro do forno reduz a dureza ao mínimo remove tensões; melhora a maquinabilidade
Alívio de tensões aquecimento a temperatura moderada, abaixo da transformação da estrutura não altera significativamente a dureza reduz tensões residuais de maquinação ou de soldadura, com risco de distorção muito menor que a têmpera
Cementação difusão de carbono na superfície, a alta temperatura, seguida de têmpera dureza superficial elevada (tipicamente 58 a 62 HRC), núcleo tenaz camada relativamente espessa (0,3 a 2 mm); alguma distorção pela têmpera final
Nitruração difusão de azoto na superfície, a temperatura mais baixa (cerca de 500 a 550 °C), sem têmpera posterior dureza superficial muito elevada (tipicamente 900 a 1200 HV, medida em Vickers, não em HRC) camada fina (0,1 a 0,6 mm); distorção dimensional muito reduzida

A cementação e a nitruração não são a mesma coisa. A cementação difunde carbono e exige têmpera posterior para endurecer, com camadas mais espessas e mais distorção. A nitruração difunde azoto, não precisa de têmpera posterior (o próprio ciclo de nitruração já endurece a superfície), produz camadas mais finas, muito duras, e distorce muito menos, por isso é preferida em componentes já retificados à cota final, como colunas-guia e buchas de guiamento.

Um tratamento térmico é sempre um ciclo de forno a temperaturas elevadas e, na têmpera, um arrefecimento brusco num banho (água, óleo ou sais). Ver as regras de segurança no capítulo 12 antes de operar qualquer equipamento de tratamento térmico.

10. Tratamentos de superfície e revestimentos

Distintos dos tratamentos térmicos, os tratamentos de superfície e revestimentos aplicam-se depois do tratamento térmico final (têmpera e revenido), a temperaturas muito mais baixas, e não alteram as propriedades do núcleo:

Estes revestimentos aumentam a resistência ao desgaste e, nalguns casos, à corrosão, sem exigir um novo ciclo de têmpera (que poderia distorcer uma peça já retificada e ajustada) e sem alterar praticamente a cota da peça, dada a espessura micrométrica da camada.

A regra que distingue as duas famílias: um tratamento térmico (têmpera, revenido, recozimento, alívio de tensões, cementação, nitruração) muda a estrutura do metal, do núcleo ou de uma camada superficial de dimensão apreciável, por ação do calor. Um tratamento de superfície ou revestimento (cromagem, PVD, TiN, CrN, DLC) acrescenta uma camada nova e muito fina sobre a superfície já tratada termicamente, sem mexer no núcleo.

11. Selecionar materiais e tratamentos em projeto mecânico

Selecionar o material e o tratamento certos para um componente cruza tudo o que foi visto: função do componente, solicitações a que fica sujeito, propriedades exigidas e custo.

Aplicado a um molde de injeção típico:

Componente Solicitação dominante Material e tratamento típicos
Placas de base e de fixação compressão, sem desgaste aço ao carbono comum (C45, 1.1730), normalizado
Cavidade e macho, série média desgaste moderado, boa maquinabilidade aço de baixa liga pré-temperado (1.2311 ou 1.2738), 28 a 34 HRC
Cavidade e macho, série longa ou plástico abrasivo desgaste elevado, ciclos de produção muito longos aço de trabalho a frio ou a quente temperado e revenido (1.2344 ou 1.2379), 44 a 62 HRC consoante o aço
Cavidade e macho para plástico corrosivo (ex. PVC) corrosão química além do desgaste aço inoxidável de molde (1.2316), ou revestimento (PVD, cromagem) sobre o aço base
Colunas-guia e buchas de guiamento atrito e desgaste em deslizamento, tolerância dimensional apertada aço nitrurado, camada fina de elevada dureza, distorção mínima
Machos de extração de pequeno diâmetro desgaste localizado, fadiga aço temperado e revenido, ou nitrurado consoante a espessura disponível

O raciocínio segue sempre a mesma ordem: primeiro identifica-se a função e a solicitação real do componente, depois adequam-se as propriedades do material a essa função (é o critério de desempenho da UC), e só depois se escolhe o tratamento que entrega essas propriedades com o menor custo e a menor distorção dimensional possíveis.

Duas colunas-guia do mesmo molde, com a mesma cota final. Uma opção é a cementação, que dá uma camada dura e espessa mas distorce a peça, obrigando a retificar de novo depois do tratamento. A outra é a nitruração, que endurece muito menos em profundidade mas distorce muito menos, permitindo tratar a peça já na cota final, sem retificação posterior. Para uma coluna-guia de precisão, a nitruração é normalmente a escolha correta.

12. Segurança e saúde no trabalho em tratamentos

Fornos de tratamento térmico e banhos de têmpera são equipamentos de risco elevado. As normas de segurança e saúde no trabalho aplicam-se sempre, incluindo na limpeza e na manutenção:

Nunca opera um forno, um banho de têmpera ou um banho químico sem EPI completo e sem conhecer o procedimento de emergência específico desse equipamento. O rigor com as normas de segurança é uma atitude avaliada, tal como o rigor técnico.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Um componente mecânico começa por uma escolha: que liga (ferrosa ou não ferrosa, aço ou ferro fundido) tem as propriedades certas para a função, identificada sem ambiguidade pela chave de aços da EN 10027. Os ensaios de tração, flexão, torção e dureza confirmam essas propriedades com números, dentro da gama de validade de cada escala. Quando a liga base não chega, um tratamento térmico (têmpera, revenido, recozimento, alívio de tensões, cementação, nitruração) muda a estrutura do material, e um tratamento de superfície ou revestimento (cromagem, PVD, TiN, CrN, DLC) acrescenta uma camada fina de proteção sem mexer no núcleo. Selecionar bem é cruzar a função do componente com estas propriedades, sempre com rigor, respeito pelas normas e segurança no trabalho com fornos e banhos de tratamento.

Exercícios resolvidos

1. Um técnico afirma que um aço com 3% de carbono é "um aço muito duro". Corrige a afirmação.

Resolução: está errado na classificação. Uma liga ferrocarbónica com cerca de 3% de carbono está acima do limite de cerca de 2,1% que separa aço de ferro fundido; não é um aço, é um ferro fundido. É preciso primeiro classificar corretamente a liga antes de discutir a sua dureza.

2. Lê-se numa ficha técnica "1.2344, X40CrMoV5-1". O que significa cada parte desta designação?

Resolução: 1.2344 é o número de chave (Werkstoffnummer) que identifica o aço de forma inequívoca. X40CrMoV5-1 é a designação simbólica: o X indica alta liga (teor total de elementos de liga igual ou superior a 5%); 40 indica cerca de 0,40% de carbono; CrMoV são os elementos de liga (crómio, molibdénio, vanádio); 5 indica crómio à volta de 5%; 1 indica vanádio à volta de 1%.

3. Um provete de aço, secção A₀ = 78,5 mm², é traccionado na zona elástica com F = 16 500 N, com L₀ = 100 mm e ΔL = 0,1 mm medidos. Calcula a tensão, a deformação e o módulo de elasticidade.

Resolução: σ = F / A₀ = 16500 / 78,5 ≈ 210 MPa. ε = ΔL / L₀ = 0,1 / 100 = 0,001. E = σ / ε = 210 / 0,001 = 210 000 MPa = 210 GPa, o valor típico do aço, o que confirma que o ensaio está coerente com o material.

4. Porque é errado medir a dureza de uma camada nitrurada de 0,2 mm em HRC?

Resolução: a escala Rockwell C usa um penetrador de diamante com uma carga elevada (150 kgf), que penetra mais fundo do que a espessura da camada nitrurada. O ensaio acaba por medir (ou ser influenciado pelo) núcleo por baixo da camada, dando um valor incorreto. Deve usar-se a escala Vickers (HV) com carga baixa, que penetra pouco e mede só a camada superficial.

5. Precisas de tratar duas colunas-guia já retificadas à cota final, que não podem distorcer. Escolhes cementação ou nitruração? Justifica.

Resolução: nitruração. A cementação exige têmpera posterior, que introduz tensões e distorção, obrigando a retificar de novo. A nitruração não exige têmpera posterior e distorce muito menos, permitindo tratar a peça já na cota final.

6. Uma cavidade de molde vai produzir uma peça em PVC. Que problema, além do desgaste normal, tens de considerar na escolha do material, e que solução escolherias?

Resolução: o PVC liberta ácido clorídrico a alta temperatura durante a transformação, um ambiente corrosivo para o aço da cavidade. A par da resistência ao desgaste, é preciso resistência à corrosão: escolhe-se um aço inoxidável de molde (por exemplo, o 1.2316), ou aplica-se um revestimento protetor (PVD ou cromagem) sobre o aço base.

7. Um relatório de fornecedor indica dois aços candidatos para uma cavidade de série longa: aço A, pré-temperado a 30 HRC, e aço B, temperado e revenido a 50 HRC. A peça a produzir é em plástico com carga de fibra de vidro, muito abrasiva, com 500 000 ciclos previstos. Qual escolherias e porquê?

Resolução: o aço B, a 50 HRC. A carga de fibra de vidro é altamente abrasiva e o número de ciclos é elevado: a maior dureza superficial do aço B dá uma resistência ao desgaste muito superior à do aço A, que se desgastaria muito mais depressa a 30 HRC, apesar do custo e da maquinabilidade menos favoráveis.

8. Antes de abrir a porta de um forno de têmpera que acabou de desligar, que cuidados de segurança tomas?

Resolução: confirmar que o forno arrefeceu o suficiente antes de tocar em qualquer superfície; usar sempre luvas de proteção térmica, avental e viseira; garantir ventilação e extração de fumos da zona; e nunca operar o forno ou o banho de têmpera associado sem conhecer o procedimento de emergência específico do equipamento.