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UC · Unidade de Competência · UC02885

Sebenta · Projetar moldes com materiais não poliméricos, multimatérias e especiais (UC02885)

Fundição injetada, MIM/CIM, sopro, termoformagem, LSR e termoendurecíveis, bi-matéria e sobremoldação, GAM e moldes especiais
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Desenho e Projeto de Mo ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Até aqui, o percurso do curso tratou sobretudo de moldes para polímeros termoplásticos: um material funde, enche a cavidade e arrefece até solidificar. Esta sebenta abre o leque para tudo o que não segue essa lógica: metais fundidos (alumínio, ligas zamak), pós metálicos e cerâmicos que só ganham a forma definitiva num forno, borrachas e silicones que curam por reação química num molde quente, e processos que combinam mais do que um material na mesma peça.

A ideia central desta UC é uma só, repetida em cada capítulo: cada processo tem a sua própria física, e o molde tem de a respeitar. A contração de um pó metálico sinterizado não é a contração de um termoplástico a arrefecer. A temperatura do molde de um silicone líquido não se comporta como a de um molde de PP. Transportar uma regra de um processo para outro sem o dizer é o erro mais caro que um técnico de projeto de moldes pode cometer, porque só aparece quando o aço já está cortado.

Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar as especificações técnicas e funcionais da peça a obter; avaliar a compatibilidade entre os moldes e os materiais; reconhecer os vários tipos de moldes para fundição injetada, sopro, termoformagem, roscas, multimatérias e formas especiais; caracterizar o material da peça a obter; definir os componentes, os materiais de fabrico e os sistemas de gitagem e alimentação do molde; identificar as implicações funcionais da máquina de injeção; definir e aplicar os sistemas de refrigeração e de extração; e aplicar as normas de segurança e saúde no trabalho.

1. Da peça ao molde: especificações, compatibilidade e critérios de desempenho

Antes de desenhar uma única linha, o técnico de projeto de moldes começa sempre pela peça, nunca pelo molde. É a primeira realização do referencial desta UC: analisar as especificações técnicas e funcionais da peça a obter.

O que se analisa numa especificação técnica

Avaliar a compatibilidade entre o molde e o material

A segunda realização do referencial, avaliar a compatibilidade entre os moldes e os materiais, é onde a maioria dos erros de projeto nasce. Um molde pensado para um termoplástico frio não serve, sem alterações profundas, para metal fundido a 700 °C nem para um silicone que cura por calor.

A tabela seguinte resume, de forma comparativa, a compatibilidade entre a família de material e as exigências que impõe ao molde. É o mapa desta sebenta: cada linha é desenvolvida num capítulo próprio.

Família de material Estado antes de moldar O molde é aquecido ou arrefecido? Contração acontece onde?
Liga de zamak (zinco) metal fundido arrefecido (solidifica) dentro do molde
Liga de alumínio metal fundido arrefecido (solidifica) dentro do molde
Pó metálico/cerâmico (MIM/CIM) pasta de pó + ligante arrefecido (só solidifica o ligante) sobretudo depois, no forno de sinterização
Termoplástico (sopro, termoformagem) fundido ou sólido reamolecido arrefecido dentro do molde
Borracha / silicone líquido (LSR) líquido ou pasta não curada aquecido (cura por calor) durante e após a cura
Termoendurecível pó ou pasta pré-polimerizada aquecido (cura por calor) durante a cura

Critérios de desempenho desta UC (como se avalia se o molde está bem projetado): adequar o molde ao material da peça a obter, garantir a aplicação do molde ao processo de fundição, e adequar os componentes constituintes do molde à combinação processo + material escolhida. Estes três critérios atravessam todos os capítulos seguintes.

2. Materiais não poliméricos, multimatérias e especiais: panorama

"Não poliméricos, multimatérias e especiais" agrupa três ideias distintas, que esta sebenta trata em separado mas que se cruzam com frequência na indústria real:

Porque isto interessa ao técnico de projeto

Cada família exige do projetista uma pergunta diferente:

Os capítulos seguintes respondem a cada uma, um processo de cada vez, sem misturar regras entre eles.

3. Moldes de fundição injetada para alumínio e ligas zamak

A fundição injetada (die casting) empurra metal fundido, sob pressão, para dentro da cavidade de um molde metálico. É o processo mais próximo, na lógica, da injeção de plástico, e por isso o mais fácil de confundir com ela: não se pode.

Zamak vs alumínio

Liga de zamak (zinco) Liga de alumínio (ex.: AlSi9Cu3)
Temperatura do metal fundido ≈ 400 °C ≈ 680 °C
Temperatura do molde 150 a 230 °C 180 a 280 °C
Contração típica ao arrefecer ≈ 0,5% ≈ 0,6%
Máquina câmara fria ou câmara quente câmara fria
Vantagem boa fluidez, paredes finas, custo baixo leve, mais resistente a quente

A regra de dimensionamento é exatamente a mesma fórmula usada para termoplásticos, porque em ambos os casos a contração acontece dentro do molde, por solidificação do material fundido:

$$L_{molde} = L_{peça} \times (1 + s)$$

O que muda não é a fórmula, é o valor de s e a temperatura e o material do próprio molde: um molde de fundição injetada é feito em aço para trabalho a quente (ex.: H13), porque tem de aguentar centenas de milhares de ciclos a temperaturas muito acima das de um molde de plástico.

Exemplo resolvido 1 · cota do molde para um componente em zamak

Peça: terminal técnico em zamak, cota nominal (medida na peça acabada) 84,00 mm. Contração do zamak, da tabela: s = 0,5% = 0,005.

Passo 1. Fórmula: $L_{molde} = L_{peça} \times (1+s)$

Passo 2. Substituição: $L_{molde} = 84{,}00 \times (1 + 0{,}005) = 84{,}00 \times 1{,}005$

Passo 3. Cálculo: $L_{molde} = 84{,}42$ mm

Exemplo resolvido 2 · cota do molde para um componente em alumínio

Peça: caixa técnica em liga de alumínio, cota nominal 180,00 mm. Contração do alumínio, da tabela: s = 0,6% = 0,006.

$$L_{molde} = 180{,}00 \times (1 + 0{,}006) = 180{,}00 \times 1{,}006 = 181{,}08 \text{ mm}$$

Repara que a contração do alumínio (0,6%) é maior do que a do zamak (0,5%), mas ambas são muito menores do que a de um termoplástico comum (2% no PP, capítulo de moldes de injeção da UC anterior). Isto não torna o molde metálico mais simples: a contração é menor, mas a temperatura de trabalho e o desgaste do aço são muito maiores.

Preenchimento da cavidade por fundição injetada

O metal fundido entra a alta velocidade e alta pressão, o que impõe cuidados que o plástico não tem na mesma escala:

Regra desta UC: nunca confundir a pressão específica de fecho de um molde de fundição injetada com a de um molde de plástico. É normalmente mais alta, porque o metal líquido tem menor viscosidade e entra a maior velocidade, exigindo mais força para não abrir o molde durante o enchimento.

Exemplo resolvido 3 · força de fecho em fundição injetada

Componente em zamak, área projetada de 100 mm × 60 mm; pressão específica de fecho do zamak nesta UC: 45 MPa.

$$A = 100 \times 60 = 6000 \text{ mm}^2$$ $$F = p \times A = 45 \times 6000 = 270\,000 \text{ N} = 270 \text{ kN} \;(\approx 27{,}5 \text{ tf})$$

Componente equivalente em alumínio, área projetada de 150 mm × 70 mm; pressão específica do alumínio nesta UC: 70 MPa.

$$A = 150 \times 70 = 10\,500 \text{ mm}^2$$ $$F = p \times A = 70 \times 10\,500 = 735\,000 \text{ N} = 735 \text{ kN} \;(\approx 74{,}9 \text{ tf})$$

A força necessária para o alumínio é mais do dobro da do zamak, mesmo com uma área projetada só um pouco maior: a pressão específica mais alta do alumínio pesa mais no cálculo do que a área.

4. Moldação por injeção de pós metálicos e cerâmicos (MIM/CIM)

O MIM (Metal Injection Moulding) e o CIM (Ceramic Injection Moulding) injetam, numa máquina em tudo semelhante à de plástico, uma pasta (feedstock) feita de pó metálico ou cerâmico muito fino misturado com um ligante polimérico. É aqui que está o erro de projeto mais grave já apanhado em auditorias a este tema, por isso a regra vem primeiro:

A contração que dimensiona o molde de MIM/CIM não é a contração de arrefecimento dentro do molde. É a contração de sinterização, que acontece depois, no forno, e é muito maior.

As três fases do MIM/CIM

  1. Moldação: a pasta (pó + ligante) é injetada como um termoplástico normal, a temperaturas moderadas (150 a 200 °C), num molde frio. Sai a peça verde, do tamanho do molde, com uma contração de arrefecimento pequena, do mesmo tipo da de um termoplástico.
  2. Extração do ligante (debinding): por solvente, calor ou ambos, remove-se a maior parte do ligante, deixando uma peça porosa e frágil, a peça castanha (brown part).
  3. Sinterização: num forno a alta temperatura (para aço inoxidável, acima de 1250 °C), as partículas de pó fundem-se parcialmente entre si e a peça encolhe muito, na ordem dos 15% a 20% linear, para ficar densa e resistente.

A contração de sinterização é dez vezes maior do que qualquer contração de um termoplástico comum, e acontece fora do molde, no forno. Um molde dimensionado com a fórmula do capítulo 3 (pensada para contração de arrefecimento dentro do molde) sairia com a peça sinterizada final muito mais pequena do que o pedido.

Exemplo resolvido 4 · dimensionar o molde de uma peça MIM

Peça final, já sinterizada, precisa de medir 41,00 mm. Contração de sinterização do aço inoxidável MIM (17-4PH), valor de referência desta UC: s = 18% = 0,18.

A lógica inverte-se em relação ao capítulo 3: aqui é a peça final que é conhecida, e queremos saber a cota da peça verde (e, por consequência, do molde), que tem de ser maior, para depois de encolher 18% no forno chegar aos 41,00 mm pedidos.

Passo 1. Relação: $L_{final} = L_{verde} \times (1 - s)$, logo $L_{verde} = \dfrac{L_{final}}{1 - s}$

Passo 2. Substituição: $L_{verde} = \dfrac{41{,}00}{1 - 0{,}18} = \dfrac{41{,}00}{0{,}82}$

Passo 3. Cálculo: $L_{verde} = 50{,}00$ mm

O molde de MIM tem de ser maquinado a 50,00 mm, uma diferença de 9,00 mm face à cota final, muito maior do que qualquer sobredimensionamento visto no capítulo 3. A contração de arrefecimento dentro do próprio molde, nesta fase de moldação, é pequena face à sinterização e não entra neste cálculo simplificado desta UC.

O que o molde de MIM/CIM tem em comum com o molde de plástico

Apesar da diferença radical de contração, a construção física do molde de MIM/CIM segue a lógica do molde de injeção de plástico: cavidade, macho, sistema de alimentação, extratores. A diferença está nos parâmetros (temperaturas moderadas de moldação) e, sobretudo, no facto de a peça verde ser frágil: os extratores têm de distribuir a força com mais cuidado do que num termoplástico, para não fissurar a peça antes da sinterização.

5. Moldação de borracha e silicone líquido (LSR) e de termoendurecíveis

Chegamos ao processo onde a lógica do molde se inverte em relação a tudo o que já foi visto: em vez de um molde frio a arrefecer um material quente, temos um molde quente a curar um material frio.

A diferença fundamental: cura por reação química, não por arrefecimento

Confundir este processo com uma "injeção de plástico com o molde mal regulado" é o erro mais comum: aqui o molde quente não é um defeito, é o próprio mecanismo do processo.

LSR (Liquid Silicone Rubber)

Termoendurecíveis (ex.: compostos fenólicos)

Exemplo resolvido 5 · tempo de ciclo em LSR

Peça de vedação em LSR, ciclo com as seguintes fases:

Fase Tempo (s)
Fecho 1,0
Injeção 2,0
Cura (molde quente) 45,0
Abertura 1,0
Extração 1,0
Total 50,0

Verificação: 1,0 + 2,0 + 45,0 + 1,0 + 1,0 = 50,0 s. Ao contrário do ciclo de um termoplástico (onde o arrefecimento é a fase mais longa), aqui é a cura que domina o ciclo, e quanto mais espessa a peça, mais tempo o calor do molde demora a atravessá-la até ao centro e completar a reticulação: a relação não é linear, dobrar a espessura de uma peça em LSR aumenta o tempo de cura bem mais do que o dobro.

Exemplo resolvido 6 · tempo de ciclo em termoendurecível por transferência

Peça técnica em composto fenólico, pré-aquecida fora do molde antes de entrar no ciclo:

Fase Tempo (s)
Fecho 1,0
Transferência (injeção) 3,0
Cura (molde quente) 60,0
Abertura 1,0
Extração 1,0
Total 66,0

Verificação: 1,0 + 3,0 + 60,0 + 1,0 + 1,0 = 66,0 s. O tempo de cura do termoendurecível (60,0 s) é ainda maior do que o do LSR do exemplo anterior, coerente com um material tipicamente mais espesso e um mecanismo de cura mais lento.

6. Moldes por processo de sopro

O sopro (blow moulding) não enche uma cavidade fechada com pressão de injeção: infla um tubo de material amolecido (a parisão) contra as paredes de um molde aberto, usando ar comprimido. É o processo das garrafas, frascos e peças ocas.

Aplicação típica: embalagem (garrafas, frascos), depósitos e peças ocas de grande volume e parede fina.

7. Moldes por processo de termoformagem

A termoformagem parte de uma chapa de termoplástico já extrudida, que é reaquecida até amolecer e depois conformada sobre um molde, por vácuo, pressão de ar ou ambos.

Comparação rápida com o sopro: ambos partem de material já amolecido e usam pressão de ar/vácuo em vez de injeção sob alta pressão, mas o sopro parte de um tubo (parisão) para peças ocas fechadas, e a termoformagem parte de uma chapa para peças abertas ou pouco profundas.

8. Moldes com movimentos para desmoldação de roscas

Uma peça com rosca interna ou externa moldada de raiz não sai do molde em linha reta: o macho roscado tem de rodar enquanto recua, "desenroscando-se" da peça, antes ou durante a abertura do molde.

Dois mecanismos de acionamento

Em ambos os casos, a rosca do macho e o passo do movimento de rotação/recuo têm de coincidir exatamente com o passo da rosca da peça: uma dessincronização, por pequena que seja, risca ou arranca a rosca já moldada.

9. Injeção sobre múltiplos materiais: bi-matéria, 2K, 3K e sobremoldação

Multimatérias é injetar mais do que um material na mesma peça, seja no mesmo ciclo (2K, 3K) seja em duas operações distintas (sobremoldação sobre uma peça ou inserto já feito).

A regra da compatibilidade entre materiais

Regra desta UC: uma diferença de contração entre os dois materiais superior a 0,3 pontos percentuais é sinal de risco de empeno ou de delaminação (separação entre as camadas); abaixo disso, a combinação é considerada compatível para efeitos de projeto.

Além da contração, há mais duas verificações obrigatórias antes de aceitar uma combinação de materiais:

Exemplo resolvido 7 · verificar a compatibilidade de contração

Substrato em POM (contração 2,0%) com sobremoldação em TPE (contração 1,8%).

$$\Delta s = 2{,}0\% - 1{,}8\% = 0{,}2 \text{ pontos percentuais}$$

Como 0,2 < 0,3 (a regra desta UC), a combinação é considerada compatível: o risco de empeno por diferença de contração é baixo. Ainda assim, o projetista tem de confirmar a temperatura de injeção do TPE (não pode remoldar o POM) e a adesão entre os dois materiais.

10. Moldes de formas distintas: coreback, rotativos, transferência e index

Estas quatro configurações resolvem o mesmo problema, produzir peças multimatérias ou com geometrias complexas sem desmontar a peça da máquina, cada uma à sua maneira:

A escolha entre estas quatro configurações depende do número de materiais, do layout possível na máquina disponível e do tempo de ciclo de cada estação: se uma estação demora muito mais do que as outras, o tempo de ciclo total do molde rotativo ou index fica limitado pela mais lenta.

11. Moldes técnicos, moldes Sandwich e injeção assistida a gás (GAM)

Moldes técnicos

Designação genérica para moldes de peças com exigências funcionais elevadas (tolerâncias apertadas, resistência mecânica, precisão dimensional), em contraste com peças puramente estéticas ou descartáveis. Combinam, muitas vezes, vários dos processos e configurações já vistos nesta sebenta.

Moldes Sandwich (co-injeção)

Injetam duas camadas de material na mesma parede da peça: uma camada exterior ("pele") visível e de melhor acabamento, e uma camada interior ("núcleo") que pode ser um material mais barato, reciclado ou espumado. As duas injeções acontecem quase em simultâneo, com a pele a envolver o núcleo à medida que a cavidade enche. Poupa material e reduz custo sem sacrificar o aspeto exterior da peça.

Injeção assistida a gás (GAM)

A técnica GAM (injeção assistida a gás) injeta um pequeno volume de peça com o material técnico normal e, antes de a cavidade acabar de encher, injeta azoto através de uma agulha ou pino, que oca as zonas mais espessas (nervuras, pegas, secções grossas) em vez de as deixar maciças.

Exemplo resolvido 8 · poupança de material com GAM

Nervura maciça teria um volume de 12 cm³. Com GAM, o canal oco criado pelo azoto retira 40% desse volume.

$$V_{poupado} = 12 \times 0{,}40 = 4{,}8 \text{ cm}^3$$ $$V_{final} = 12 - 4{,}8 = 7{,}2 \text{ cm}^3$$

A nervura final tem 7,2 cm³ de material sólido, uma redução de 4,8 cm³ (40% do volume original) só nessa zona, sem alterar a geometria exterior visível da peça.

12. Elementos moldantes, sistemas de gitagem e de alimentação; a máquina de injeção

Elementos moldantes e acessórios

Os componentes que dão forma direta à peça e os que sustentam essa função, comuns a quase todos os processos vistos nesta sebenta, com adaptações:

Sistemas de gitagem

O termo gitagem refere-se especificamente ao gito, o troço que solidifica dentro da bucha de injeção entre o bico da máquina e o início dos canais de distribuição (ver glossário para a distinção exata face ao canal de distribuição). Nos processos desta UC:

Sistemas de alimentação

Conduz o material desde a bucha de injeção (ou pote de transferência) até cada cavidade: canais de distribuição, tipo de ataque (direto, submarino, em leque, anelar, capilar), e a decisão entre canal frio e canal quente. Em moldes rotativos ou de índex, o sistema de alimentação tem de ser compatível com o movimento entre estações, sem esticar nem partir com a rotação ou avanço.

A máquina de injeção e as suas limitações funcionais

Cada família de material precisa de uma máquina com características próprias, e o molde só funciona dentro dos limites dessa máquina:

Parâmetros de injeção a definir para cada processo: temperatura do material, temperatura do molde (fria para metal e termoplástico, quente para LSR e termoendurecíveis), pressão de injeção, velocidade de injeção e, quando aplicável, pressão e caudal do gás (GAM).

Erros comuns

Glossário

Síntese

Esta sebenta juntou os processos de moldação que não seguem a lógica simples de "material quente entra, molde frio arrefece, peça sai": a fundição injetada de zamak e alumínio segue essa lógica mas com temperaturas, pressões e materiais de molde muito diferentes do plástico; o MIM/CIM inverte a importância do arrefecimento, porque a contração que manda é a da sinterização, fora do molde; o LSR e os termoendurecíveis invertem a própria direção do calor, com um molde quente a curar um material frio; sopro e termoformagem trocam a injeção sob pressão por ar comprimido ou vácuo sobre material já amolecido; as roscas exigem um macho que roda ao desmoldar; e as multimatérias (bi-matéria, 2K, 3K, sobremoldação, coreback, rotativo, índex, Sandwich) obrigam a verificar a compatibilidade de contração, temperatura e adesão entre dois ou mais materiais na mesma peça. O GAM poupa material ocando zonas espessas. Em todos os casos, os elementos moldantes, a gitagem, a alimentação e os limites da máquina têm de ser adequados ao processo escolhido, nunca copiados de outro sem verificar.

Exercícios resolvidos

1. Uma peça em liga de zamak tem cota nominal de 60,00 mm. Qual a cota do molde?

Resolução: contração do zamak (tabela) $s = 0{,}5\% = 0{,}005$. $L_{molde} = 60{,}00 \times (1+0{,}005) = 60{,}00 \times 1{,}005 = 60{,}30$ mm.

2. Uma peça MIM em aço inoxidável precisa de medir 20,50 mm depois de sinterizada. Contração de sinterização de 18%. Qual a cota da peça verde (e do molde)?

Resolução: $L_{verde} = \dfrac{L_{final}}{1-s} = \dfrac{20{,}50}{1-0{,}18} = \dfrac{20{,}50}{0{,}82} \approx 25{,}00$ mm.

3. Explica por palavras próprias porque é que o molde de um LSR está quente, ao contrário do molde de um termoplástico.

Resolução: no termoplástico, o material entra fundido e o molde retira-lhe calor para o solidificar por arrefecimento. No LSR, o material entra frio e o molde está aquecido de propósito para fornecer o calor que desencadeia a reação química de cura (reticulação): sem calor, o LSR não solidifica. O molde quente é o mecanismo do processo, não um defeito.

4. Um substrato em PA66 (contração 1,5%) vai ser sobremoldado com um TPE (contração 1,7%). Aplicando a regra desta UC, a combinação é compatível?

Resolução: $\Delta s = 1{,}7\% - 1{,}5\% = 0{,}2$ pontos percentuais. Como 0,2 < 0,3 (limite da regra desta UC), a combinação é compatível quanto à contração; falta ainda confirmar a temperatura de processo e a adesão ou retenção mecânica entre os dois materiais.

5. Distingue molde rotativo de molde índex numa frase para cada um.

Resolução: o rotativo tem um prato central que roda em torno de um eixo entre estações fixas de injeção; o índex avança por passos, movendo placas ou um tabuleiro de peças entre estações, sem depender de uma rotação circular.

6. Uma nervura maciça tem 8 cm³. Com GAM, oca-se 35% do volume. Qual o volume final de material sólido?

Resolução: $V_{poupado} = 8 \times 0{,}35 = 2{,}8$ cm³. $V_{final} = 8 - 2{,}8 = 5{,}2$ cm³.

7. Porque é que um molde de fundição injetada precisa de respiros (vents) ainda mais cuidados do que um molde de plástico?

Resolução: o metal fundido tem menor viscosidade e entra a maior velocidade do que um polímero, o que aumenta muito o risco de aprisionar ar nas zonas de fecho da cavidade. O ar aprisionado causa porosidade na peça metálica, um defeito que compromete a resistência mecânica, por isso os respiros têm de estar bem distribuídos e dimensionados para o processo.