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aulify · Sebenta
UC · Unidade de Competência · UC02880

Sebenta · Efetuar o estudo da constituição de um molde de injeção (UC02880)

Materiais poliméricos, máquina injetora, tipologias e componentes do molde, contração, alimentação, extração, refrigeração e cálculo de ciclo
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Desenho e Projeto de Mo, T. Produção e Gestão de Mo ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta ensina a estudar a constituição de um molde de injeção: partir das especificações técnicas de uma peça em plástico e chegar a uma proposta fundamentada dos elementos que o molde precisa de ter, com os cálculos que justificam cada escolha.

O percurso segue a lógica de um estudo real: primeiro caracteriza-se o material da peça e a máquina injetora disponível; depois estuda-se a tipologia e os componentes do molde; a seguir calcula-se a contração e as cotas reais do moldante; por fim dimensionam-se os três sistemas do molde, alimentação, extração e refrigeração, calculam-se força de fecho, número de cavidades e tempo de ciclo, valida-se tudo por simulação de enchimento (e corrigem-se os sistemas quando a simulação o exigir), e fecha-se com os tratamentos térmicos, a documentação e as normas de segurança.

Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar especificações técnicas de peças e esboçar o layout e os elementos constituintes de moldes, adequando os processos de moldação, os materiais do molde e da peça, as características físicas e mecânicas da máquina injetora, os sistemas de alimentação, refrigeração e extração, simulando a injeção para corrigir esses três sistemas quando necessário, e garantindo a lista de componentes do molde de injeção.

Ao longo desta sebenta seguimos um caso de estudo único: uma tampa retangular em polipropileno (PP), para que vejas como todos os cálculos se encadeiam, do material até à produção final.

1. O processo de moldação por injeção

A moldação por injeção é o processo de fabrico em que um material polimérico é fundido, injetado sob pressão para dentro de um molde fechado, e arrefecido até solidificar com a forma da cavidade. É o processo mais usado na produção em série de peças plásticas: componentes automóvel, embalagens, eletrodomésticos, brinquedos.

O molde é a ferramenta que dá forma à peça; a máquina injetora funde o material, aplica a pressão de injeção e fecha o molde durante o ciclo.

O ciclo de moldação, em quatro fases

Cada peça sai do molde depois de um ciclo com quatro fases que se repetem centenas de vezes por turno:

  1. Fecho do molde: as duas metades juntam-se sob pressão, prontas a receber o material.
  2. Injeção: enchimento da cavidade, seguido de compactação (recalque), que continua a empurrar material para compensar a contração.
  3. Arrefecimento: o material solidifica dentro do molde ainda fechado; é normalmente a fase mais longa.
  4. Abertura e extração: o molde abre e a peça é empurrada para fora.

A soma do tempo destas quatro fases é o tempo de ciclo, calculado no capítulo 9.

2. Materiais poliméricos para peças

Os materiais usados em moldação dividem-se em duas famílias:

Esta UC foca-se nos termoplásticos. As famílias mais comuns e a sua função típica na peça:

Material Sigla Função típica
Polipropileno PP peças leves, resistentes à fadiga, económicas
Polietileno de alta densidade PEAD peças tenazes, resistentes a químicos
Poliacetal POM peças rígidas, de baixo atrito, alta precisão dimensional
Acrilonitrilo-butadieno-estireno ABS peças tenazes, bom acabamento superficial
Poliamida PA66 peças resistentes ao desgaste e ao esforço mecânico
Policarbonato PC peças transparentes, muito resistentes ao impacto
Poliestireno PS peças rígidas e económicas

Aditivos e cargas

Fibra de vidro, cargas minerais, corantes e retardadores de chama alteram significativamente o comportamento do material base: aumentam rigidez e resistência térmica, mas também reduzem a contração e aumentam o desgaste que provocam no aço do molde.

3. Propriedades, classes e normas de materiais

Ao caracterizar um material polimérico para uma peça, o técnico avalia:

Os materiais são identificados por classes e normas de classificação por família e grau, e cada um tem uma ficha técnica (datasheet) do fabricante, com os valores exatos de contração, temperatura de processamento, densidade e propriedades mecânicas. A ficha técnica é a fonte oficial para qualquer cálculo do molde: nunca se assume um valor de contração de memória num projeto real.

Tabela de referência usada nesta sebenta

Para manter todos os exemplos e exercícios consistentes, esta sebenta usa sempre os seguintes valores médios de tabela (num projeto real, confirmam-se na ficha técnica do lote):

Material Contração (s) Pressão específica de fecho
PP 2,0% (0,020) 35 MPa
PEAD 2,5% (0,025) 35 MPa
POM 2,0% (0,020) 45 MPa
ABS 0,5% (0,005) 30 MPa
PA66 2,0% (0,020) 45 MPa
PA66 + 30% fibra de vidro 0,4% (0,004) 50 MPa
PC 0,6% (0,006) 40 MPa
PS 0,5% (0,005) 30 MPa

4. A máquina injetora e os parâmetros de injeção

A máquina injetora organiza-se em duas unidades.

Unidade de injeção (grupo injetor):

Unidade de fecho (grupo de fecho):

Parâmetros de injeção

Parâmetro O que controla
Pressão de injeção força com que o fuso empurra o material fundido
Velocidade de injeção rapidez de enchimento da cavidade
Temperatura do cilindro perfil de aquecimento por zonas, até ao bico
Temperatura do molde temperatura das paredes da cavidade e do macho
Pressão de compactação (recalque) pressão aplicada depois do enchimento, para compensar a contração
Contrapressão resistência ao recuo do fuso durante a dosagem do material

A afinação destes parâmetros é o que faz a diferença entre uma peça sem defeitos e uma com rechupes (falta de material em zonas espessas), empenos (arrefecimento desigual) ou rebarbas (excesso de pressão ou molde mal fechado).

5. Tipologias e componentes do molde de injeção

Tipologias

Componentes principais

Grupo Componentes
Placas placa de fixação superior/inferior, placas moldantes, placas de suporte, calços
Guiamento colunas de guia e buchas de guia
Centragem anel de centragem, bucha de injeção
Elementos moldantes macho (core) e cavidade (cavity), insertos
Extração placa extratora, placa impulsora, extratores
Refrigeração canais de refrigeração, defletores, tubos

Elementos moldantes: macho e cavidade

Os elementos moldantes dão forma direta à peça:

É na cavidade e no macho que se aplica a compensação da contração, tema do capítulo seguinte.

6. Contração do material e dimensionamento do moldante

Porque o moldante tem de ser maior do que a peça

Quando o polímero fundido arrefece dentro do molde, encolhe. Se a cavidade tivesse exatamente a cota final pretendida da peça, esta sairia mais pequena do que o desejado.

Regra usada de forma consistente em toda esta sebenta, nas fichas e no projeto:

A cota do moldante é sempre a cota nominal da peça multiplicada por (1 + contração). A fórmula aplica-se sempre neste sentido, sobre a mesma cota, nunca ao contrário.

$$L_{moldante} = L_{peça} \times (1 + s)$$

onde s é a contração do material em fração decimal (ex.: 2,0% = 0,020), lida na tabela do capítulo 3.

Exemplo resolvido 1 · cota do moldante de uma tampa em PP

Peça: tampa retangular em PP, cota crítica de comprimento 120,00 mm (medida na peça acabada). Contração do PP, da tabela: s = 2,0% = 0,020.

Passo 1. Fórmula: $L_{moldante} = L_{peça} \times (1+s)$

Passo 2. Substituição: $L_{moldante} = 120{,}00 \times (1 + 0{,}020) = 120{,}00 \times 1{,}020$

Passo 3. Cálculo: $L_{moldante} = 122{,}40$ mm

A cavidade e o macho têm de ser maquinados a 122,40 mm, para que a peça, depois de arrefecer e encolher 2,0%, saia exatamente com 120,00 mm.

Exemplo resolvido 2 · uma peça em material reforçado com fibra de vidro

Peça: suporte em PA66 + 30% fibra de vidro, cota nominal 80,00 mm. Contração da tabela: s = 0,4% = 0,004.

Passo 1. $L_{moldante} = 80{,}00 \times (1 + 0{,}004) = 80{,}00 \times 1{,}004$

Passo 2. $L_{moldante} = 80{,}32$ mm

Repara como a fibra de vidro reduz a contração para menos de um quarto da do PP: a cota do moldante fica muito mais próxima da cota final da peça.

7. Sistemas de alimentação

O sistema de alimentação conduz o material fundido desde o bico da máquina até cada cavidade:

Tipos de ataque (ponto de injeção)

Tipo de ataque Característica Uso típico
Direto liga o gito diretamente à peça peças simples, uma cavidade
Submarino atravessa o molde por baixo da linha de junta corte automático do gito na abertura
Em leque entrada larga e fina peças planas, de grande largura
Anelar envolve toda a peça tubos, casquilhos cilíndricos
Capilar orifício muito pequeno canal quente, marca mínima na peça

O tipo de ataque escolhido afeta o enchimento da cavidade, a marca visível deixada na peça e a facilidade de separação do gito.

8. Sistemas de extração e de refrigeração

Sistema de extração

Empurra a peça solidificada para fora do macho, depois da abertura do molde, sem a deformar nem a marcar de forma inaceitável:

Critérios de posicionamento: distribuição equilibrada da força, apoio em zonas reforçadas (nervuras, saliências), afastamento de superfícies visíveis ou de encaixe, e sincronismo entre todos os extratores.

Sistema de refrigeração

Retira o calor do material, para a peça solidificar o mais depressa e uniformemente possível. É normalmente a fase mais longa do ciclo, por isso arrefecer melhor reduz diretamente o tempo de ciclo (capítulo 9). Um arrefecimento desigual causa empenos e diferenças de contração de zona para zona.

O circuito de refrigeração desenha-se seguindo as zonas mais espessas da peça, que retêm mais calor e por isso arrefecem mais devagar.

9. Área projetada, força de fecho, número de cavidades e tempo de ciclo

Estes quatro cálculos estão encadeados: nenhum se faz isolado dos outros. Continuamos o caso de estudo da tampa em PP.

Área projetada e força de fecho

A área projetada é a área da sombra da peça (mais o sistema de alimentação) no plano de abertura do molde: é sobre ela que a pressão de injeção empurra o molde para o abrir. Com uma só cavidade esta parcela de alimentação é pequena e costuma desprezar-se num cálculo preliminar; em moldes multicavidade ela cresce com o número de cavidades e tem de ser somada explicitamente, como se vê mais adiante no cálculo da máquina. A pressão específica de fecho depende do material (tabela do capítulo 3).

Fórmula: $F = p \times A$, com p em N/mm² (MPa) e A em mm², dando F em newton.

Exemplo resolvido 3. Tampa em PP, área projetada de 120 mm × 80 mm = 9600 mm²; pressão específica do PP = 35 MPa.

$$F_1 = p \times A = 35 \times 9600 = 336\,000 \text{ N} = 336 \text{ kN}$$

Convertendo para toneladas-força (÷ 9,81 e ÷ 1000): $336\,000 / 9{,}81 / 1000 \approx 34{,}3$ tf. Esta é a força de fecho necessária por cavidade.

Número de cavidades

Pela procura de produção:

$$n = \frac{Q_{dia} \times t_{ciclo}}{T_{disponível}}$$

Encomenda: $Q_{dia} = 6000$ peças/dia; tempo de ciclo $t_{ciclo} = 24$ s (calculado a seguir); turno disponível $T = 8h = 28\,800$ s.

$$n = \frac{6000 \times 24}{28\,800} = \frac{144\,000}{28\,800} = 5 \text{ cavidades}$$

Este número arredonda-se sempre para cima, para garantir a produção pedida.

Pela capacidade da máquina: com 5 cavidades, a área projetada total já não é só a das cavidades, soma-se também a área dos canais de distribuição, que esta UC estima sempre em 5% da área das cavidades:

$$A_{total} = (5 \times 9600) + 5\% \times (5 \times 9600) = 48\,000 + 2400 = 50\,400 \text{ mm}^2$$

$$F_{bruta} = p \times A_{total} = 35 \times 50\,400 = 1\,764\,000 \text{ N} = 1764 \text{ kN}$$

Antes de comparar com o catálogo, aplica-se sempre um coeficiente de segurança, tipicamente entre 10% e 20% (esta UC usa sempre 10%), que cobre variações de material, de temperatura e de desgaste da máquina:

$$F_{projeto} = F_{bruta} \times 1{,}10 = 1764 \times 1{,}10 = 1940{,}4 \text{ kN}$$

Com máquinas de catálogo de 800, 1200, 1800 e 2500 kN, as três primeiras ficam abaixo dos 1940,4 kN exigidos; só a de 2500 kN cobre a força de projeto, com uma utilização de $1940{,}4 / 2500 \approx 77{,}6\%$, dentro do limite prático de cerca de 85% da capacidade nominal que esta UC usa para deixar margem de manobra à máquina. O número de cavidades que a força de uma máquina disponível permite arredonda-se sempre para baixo, nunca se excede a força de fecho da máquina.

As duas regras de arredondamento não se contradizem: a procura estabelece um mínimo de cavidades (arredonda para cima, para não produzir a menos), a máquina estabelece um máximo (arredonda para baixo, para não ultrapassar a força disponível). O número final tem de satisfazer as duas ao mesmo tempo.

A força de fecho é só um dos critérios de escolha da máquina. O referencial pede que se considerem as características físicas e mecânicas da máquina injetora no seu conjunto: também a capacidade de injeção (o peso que a unidade de injeção consegue disparar de uma vez, incluindo a alimentação), as dimensões do prato e a distância entre colunas (onde o molde tem de caber) e o curso de abertura (que tem de deixar espaço para extrair a peça). O mini-projeto aplica os quatro critérios em conjunto.

Tempo de ciclo

$$t_{ciclo} = t_{fecho} + t_{injeção} + t_{compactação} + t_{arrefecimento} + t_{abertura} + t_{extração}$$

Exemplo resolvido 4.

Fase Tempo (s)
Fecho 1,5
Injeção (enchimento) 2,0
Compactação (recalque) 3,0
Arrefecimento 15,0
Abertura 1,5
Extração 1,0
Total 24,0

Verificação: 1,5 + 2,0 + 3,0 + 15,0 + 1,5 + 1,0 = 24,0 s, exatamente o valor usado acima para calcular o número de cavidades.

Fecho do caso de estudo: com 5 cavidades e um ciclo de 24 s, a máquina produz $5 \times \frac{28\,800}{24} = 5 \times 1200 = 6000$ peças por turno de 8 horas, que é exatamente a produção pedida. Os quatro cálculos, contração, área/força, cavidades e ciclo, encaixam-se todos.

10. Simulação de enchimento e correções nos sistemas

Antes de o molde ser fabricado, o estudo é validado por um software de simulação de enchimento, que reproduz o preenchimento da cavidade e antecipa defeitos que, sem simular, só apareceriam depois de o aço já estar cortado, quando corrigir é caro e demorado.

O que a simulação mostra

Correções em função de cada achado

A simulação não corrige nada sozinha: aponta o defeito, o técnico decide a correção a aplicar em cada sistema.

Achado da simulação Sistema a corrigir Correção concreta
Enchimento desequilibrado entre cavidades Alimentação Reequilibrar o canal de distribuição (igualar comprimento e secção a cada cavidade) ou mudar de ataque
Linha de soldadura numa zona visível ou estrutural Alimentação Deslocar o ataque, ou passar de um ponto de injeção único para dois, afastando a linha de soldadura da zona crítica
Aprisionamento de gás junto a um extrator Extração Acrescentar um respiro (escape de gás) junto ao extrator mais próximo da zona afetada
Ponto quente (zona que arrefece mais devagar) Refrigeração Aproximar o canal de refrigeração dessa zona, ou acrescentar um defletor ou um tubo dedicado
Empeno previsto por arrefecimento desigual Refrigeração Equilibrar os circuitos de refrigeração entre o macho e a cavidade, para uniformizar a temperatura das duas metades

A simulação repete-se depois de cada correção, até o enchimento, as linhas de soldadura e o empeno previsto ficarem dentro dos limites aceitáveis para a peça. É este ciclo, simular, corrigir, simular outra vez, que justifica a aptidão de simular a injeção e o critério de aplicar correções nos sistemas de alimentação, refrigeração e extração em função da simulação, exigidos pelo referencial desta UC.

11. Tratamentos térmicos dos aços de moldes

Os elementos moldantes são maquinados em aços especiais para moldes, escolhidos pela capacidade de receber tratamento térmico. Um aço sem tratamento desgasta-se depressa com o atrito do material fundido (sobretudo com materiais reforçados com fibra de vidro), perde rigor dimensional ao longo de milhares de ciclos, e é mais suscetível a riscos e mossas.

Tratamento Efeito Influência no molde
Têmpera e revenido aumenta a dureza em profundidade resistência geral ao desgaste
Cementação endurece só a superfície boa dureza superficial, núcleo dúctil
Nitruração endurece a superfície a baixa temperatura pouca distorção dimensional
Revestimentos superficiais (ex.: cromagem) reduz atrito, melhora acabamento facilita a desmoldagem, protege contra corrosão

A escolha do tratamento depende do material a injetar (mais ou menos abrasivo), da série de produção prevista e da precisão dimensional exigida. A nitruração é preferida quando a distorção do tratamento tem de ser mínima, por já se ter maquinado a cota final rigorosa.

12. Lista de componentes, documentação técnica e segurança

Lista de componentes

Antes de propor a constituição do molde, elabora-se a lista de componentes: todos os elementos, normalizados ou de fabrico próprio.

Categoria Exemplos
Normalizados (catálogo) placas, colunas de guia, buchas, anel de centragem, parafusos
Fabrico próprio elementos moldantes (macho, cavidade), extratores especiais
Sistemas alimentação, extração, refrigeração

Usar componentes normalizados sempre que possível reduz custo e prazo de fabrico face a fazer tudo por medida, e facilita a substituição em caso de avaria.

Documentação técnica

Um estudo de molde entrega-se com:

Normas de segurança e saúde no trabalho

A máquina injetora e a bancada têm riscos reais que têm de ser sempre geridos:

A segurança não depende da experiência do técnico: é uma condição de todos os procedimentos junto da máquina, sem exceção.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O estudo da constituição de um molde de injeção segue sempre a mesma ordem lógica: caracterizar o material da peça (contração e propriedades) → verificar os limites da máquina injetora disponível → escolher a tipologia e listar os componentes do molde → calcular a contração e as cotas do moldante → dimensionar alimentação, extração e refrigeração → calcular área projetada, força de fecho, número de cavidades e tempo de ciclo, sempre encadeados → validar por simulação de enchimento e corrigir a alimentação, a extração ou a refrigeração quando a simulação o exigir → escolher os tratamentos térmicos dos aços → fechar com a lista de componentes, a documentação técnica e as normas de segurança. Domina este fluxo e sabes justificar qualquer proposta de molde com números, não com intuição.

Exercícios resolvidos

1. Uma peça em POM tem a cota nominal de 60,00 mm. Qual a cota do moldante?

Resolução: contração do POM (tabela) $s = 2{,}0\% = 0{,}020$. $L_{moldante} = 60{,}00 \times (1+0{,}020) = 60{,}00 \times 1{,}020 = 61{,}20$ mm.

2. Uma peça em ABS tem área projetada de 150 mm × 60 mm. Qual a força de fecho necessária por cavidade?

Resolução: $A = 150 \times 60 = 9000$ mm²; pressão específica do ABS (tabela) $p = 30$ MPa. $F = p \times A = 30 \times 9000 = 270\,000$ N $= 270$ kN ($\approx 27{,}5$ tf).

3. Uma encomenda pede 4000 peças/dia, com um tempo de ciclo de 18 s, num turno de 8 horas. Quantas cavidades são necessárias?

Resolução: $T = 8h = 28\,800$ s. $n = \dfrac{4000 \times 18}{28\,800} = \dfrac{72\,000}{28\,800} = 2{,}5$. Arredonda-se para cima: $n = 3$ cavidades, para garantir a produção pedida.

4. Explica porque é que, no cálculo do número de cavidades, umas vezes se arredonda para cima e outras vezes para baixo.

Resolução: pela procura de produção, arredonda-se sempre para cima, porque menos cavidades do que o cálculo exato produziriam a menos do que a encomenda pede. Pela capacidade da máquina, arredonda-se sempre para baixo, porque não se pode exceder a força de fecho disponível. São limites diferentes (um mínimo, outro máximo) e o número final de cavidades tem de respeitar os dois.

5. Um molde de 4 cavidades tem um tempo de fecho de 1,2 s, injeção de 1,8 s, compactação de 2,5 s, arrefecimento de 12,0 s, abertura de 1,2 s e extração de 0,8 s. Qual o tempo de ciclo e quantas peças produz num turno de 8 horas?

Resolução: $t_{ciclo} = 1{,}2+1{,}8+2{,}5+12{,}0+1{,}2+0{,}8 = 19{,}5$ s. Número de ciclos por turno: $28\,800 / 19{,}5 \approx 1476{,}9$, arredondado para baixo a 1476 ciclos completos. Produção: $4 \times 1476 = 5904$ peças no turno.

6. Porque é que um molde para PA66 reforçado com 30% de fibra de vidro precisa normalmente de um tratamento superficial de maior resistência ao desgaste do que um molde para PP?

Resolução: a fibra de vidro é abrasiva e desgasta o aço do molde muito mais depressa do que um polímero sem carga como o PP. Um revestimento superficial resistente ao desgaste (ou um aço com tratamento adequado) prolonga a vida útil das superfícies moldantes.