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UC · Unidade de Competência · UC02849

Operações de serralharia de bancada

Cortar, limar, furar, roscar à mão · ferramentas e técnicas
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Mecatrónica ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

A serralharia de bancada é o gesto fundador da mecânica. Antes de fresadoras CNC e máquinas de electroerosão, há a bancada, o torno de bancada, a serra de mão, a lima, o berbequim, o macho. Quem domina a bancada percebe o que está a acontecer quando usa a máquina automática.

Esta UC dá a base manual que torna o resto possível: marcar, cortar, limar, furar, roscar, com as mãos.

1. A bancada e as ferramentas

1.1 A bancada

1.2 Torno de bancada (prensa)

Maxilas com mordentes. Boas práticas:

1.3 Caixa de ferramentas básica

2. Marcar antes de cortar

2.1 Sequência

  1. Limpar peça — desengordurar com solvente.
  2. Azul de marcar — pincelar camada fina (visibilidade do riscado).
  3. Riscar — traçar linhas com riscador (aço duro, ponta fina).
  4. Granitas / centerpunch — marcar pontos onde furar ou intersecções importantes.
  5. Verificar — paquímetro/régua/esquadro confirmam as linhas.
  6. Cortar / furar — seguir a linha do lado correto (depende do material a remover ou conservar).

2.2 Ferramentas de marcação

2.3 Provérbio

"Medir duas vezes, cortar uma."

Trabalho mal marcado = peça ao lixo + tempo perdido. Marcar é metade do trabalho.

3. Serrar

3.1 Lâminas — TPI (dentes por polegada)

TPI Material
14-18 Secções grossas, vergas, perfis cheios
24 Geral, chapa 4-6 mm
32 Chapa fina < 3 mm, tubo

Regra absoluta: sempre ≥ 3 dentes em contacto com a peça. Menos = lâmina engata e parte.

3.2 Montagem da lâmina

3.3 Técnica

  1. Apertar peça no torno perto do corte (5-20 mm).
  2. Posição corpo: pé direito atrás, esquerdo à frente (em direcção ao corte).
  3. Ambas as mãos no serrote — uma na pega, outra na ponta.
  4. Pressão na ida (corte), alívio na volta (não desgastar dentes).
  5. Curso longo — usa toda a lâmina.
  6. Ritmo lento (60-80 cursos/min).
  7. Vertical primeiro até marcar; depois inclinar 10-15°.
  8. Final do corte — segurar peça para não cair.

3.4 Tipos de corte

3.5 Serras eléctricas

Princípios iguais; velocidade da lâmina ajustada ao material.

4. Limar

4.1 Anatomia da lima

[espigão][cabo madeira][virola][garganta][corpo][ponta]

REGRA: lima sem cabo NÃO se usa — espigão pode espetar a mão se a peça empurra.

4.2 Tipos de lima por forma

4.3 Picados

4.4 Técnica

  1. Apertar peça no torno (90° à lima).
  2. Posição: pé esquerdo à frente (canhotos invertem).
  3. Mão dominante no cabo, outra na ponta.
  4. Avanço com pressão uniforme.
  5. Recuo sem pressão — corte é só na ida.
  6. Curso longo + ritmo lento — usar corpo, não só braço.
  7. Verificar cada minuto com esquadro + régua: planicidade, esquadria.
  8. Mudar de direcção a cada minuto (cruzar) para limar uniforme.

4.5 Limar plano vs raio

4.6 Manutenção da lima

5. Furar

5.1 Berbequim de bancada (coluna)

5.2 Brocas

5.3 Velocidade de corte

N (rpm) = (1000 × Vc) / (π × D)

Vc (velocidade de corte, m/min):
- Aço carbono baixo: 25-35
- Aço carbono médio: 20-25
- Aço inox: 10-15
- Alumínio: 60-100
- Latão: 50-70
- Ferro fundido: 20-25
- Plástico: 50-80

Exemplo: aço carbono, broca Ø 8 mm: N = (1000 × 25) / (π × 8) ≈ 995 rpm.

Tabela típica na máquina. Broca pequena → rpm alta; broca grande → rpm baixa.

5.4 Refrigeração / lubrificação

5.5 Sequência de furo

  1. Fixar peça com grampo ou mordaças de máquinanunca segurar à mão (broca pode agarrar, peça gira, ferida grave).
  2. Marcar centro com granitas (ou broca de centrar).
  3. Broca pré-furo Ø 3 mm para furos > 6 mm (broca-guia).
  4. Broca final com rpm certa + óleo se metal.
  5. Avanço firme, sem forçar (apara contínua = bom; pó = mal).
  6. Aliviar pressão quando broca está quase a sair — chapa fina entala.
  7. Escarear rebarba à saída com broca maior (chamfre).
  8. Soprar a limalha (com cuidado: óculos!).

5.6 Profundidade controlada

5.7 Furos cegos vs passantes

6. Roscar à mão

6.1 Tipos de rosca

Identificar com calibre de roscas ou tabela passo/diâmetro.

6.2 Macho e tarraxa

Jogo de 3 machos: 1. Cónico (taper) — entrada, primeiros fios. 2. Intermediário (plug) — aprofunda. 3. Final / em fundo (bottoming) — termina, especialmente em furos cegos.

6.3 Furo de pré-roscagem

Antes de roscar, furar com broca certa:

Furo de pré-roscagem = D - passo
M3 (passo 0,5):  furo 2,5 mm
M4 (passo 0,7):  furo 3,3 mm
M5 (passo 0,8):  furo 4,2 mm
M6 (passo 1,0):  furo 5,0 mm
M8 (passo 1,25): furo 6,8 mm
M10 (passo 1,5): furo 8,5 mm
M12 (passo 1,75): furo 10,3 mm

Tabela típica na parede. Furar mal = macho parte ou rosca não pega.

6.4 Técnica de roscagem

  1. Lubrificar macho e furo com óleo de corte.
  2. Macho na manivela em T, perpendicular ao furo (verificar com esquadro 90°).
  3. Pressionar e rodar 1 volta — sentir o macho engatar na rosca.
  4. Recuar 1/2 volta — quebra a apara, evita prender.
  5. Avançar 1 volta + recuar 1/2 volta — repetir.
  6. Profundidade controlada (se cego, parar antes do fundo).
  7. Mudar para macho intermediário + final se necessário.
  8. Testar com parafuso M correspondente.

6.5 Quando parar

6.6 Tarraxa (em veio)

  1. Bizelo na extremidade do veio (45°, 1-2 mm) — entrada fácil.
  2. Lubrificar + tarraxa em porta-tarraxas.
  3. Perpendicular + apertar + rodar 1 volta + ½ recuo.
  4. Repetir até obter o comprimento de rosca desejado.

Tarraxa é tipicamente regulável — ajustar para classe de tolerância.

7. Outras técnicas de união

7.1 Rebitar

7.2 Soldadura suave (estanho)

Soldadura por arco (eléctrodo, MIG/TIG) — UC02921 separada.

7.3 Colagem técnica

7.4 União por aperto

Torque correto importa: parafuso M8 classe 8.8 → ~25 Nm.

8. Acabamento

8.1 Sequência

  1. Limar rebarbas (lima fina).
  2. Escarear furos.
  3. Polir progressivamente: lixa 80 → 120 → 240 → 400 → 600 → 1000 → 2000.
  4. Limpar com solvente entre cada grit.
  5. Proteger superfície: tinta, óleo, zincagem, anodização.

8.2 Lixar

8.3 Polir

8.4 Proteção

9. Segurança específica

Reforço da UC02855:

10. Liga a outras UCs

11. Conclusão

A serralharia ensina paciência, precisão e respeito pelos materiais. O técnico que sabe cortar, limar, furar e roscar à mão percebe o que se passa nas máquinas CNC, diagnostica problemas que a máquina não diagnostica, e tem autonomia quando a oficina está sem eletricidade ou sem programa.

Mesmo na indústria mais automatizada, há sempre uma peça que precisa de um retoque manual — e quem sabe fazê-lo é insubstituível.

Apêndice A · Tabela de furos de pré-roscagem (rosca métrica padrão)

Rosca Passo (mm) Furo (mm)
M2 0,4 1,6
M2,5 0,45 2,05
M3 0,5 2,5
M4 0,7 3,3
M5 0,8 4,2
M6 1,0 5,0
M8 1,25 6,8
M10 1,5 8,5
M12 1,75 10,3
M14 2,0 12,0
M16 2,0 14,0
M20 2,5 17,5

Apêndice B · Velocidade de corte para furação (Vc em m/min)

Material Vc
Aço carbono baixo (S235) 25-35
Aço carbono médio (C45) 20-30
Aço de ferramentas 15-20
Aço inox 304/316 10-15
Ferro fundido cinzento 20-30
Alumínio (1050, 6061) 60-100
Latão 50-70
Bronze 30-50
Plásticos 50-100

Apêndice C · Recursos