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UC · Unidade de Competência · UC02848

Medição e verificação de peças mecânicas

Metrologia para oficina · paquímetro, micrómetro, comparador, tolerâncias
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Mecatrónica, T. Desenho e Projeto de Moldes e mais 10 cursos ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.

Introdução

Medir é ler a peça num idioma comum. Sem medição rigorosa, o desenho técnico (UC02877) não faz sentido, o CAD (UC02918/UC02878) não tem aplicação, e a manutenção industrial (UC02867 e seguintes) torna-se adivinhação. Esta UC introduz os instrumentos, as técnicas e a linguagem das tolerâncias que se usa todos os dias na oficina.

1. Porquê medir bem

1.1 Os custos de medir mal

Medir bem é investimento, não despesa.

1.2 Cadeia de medição

Toda a medição tem uma cadeia de rastreabilidade:

Sem calibração da cadeia, o número não vale nada. Instrumentos profissionais têm certificado de calibração + plano periódico (anual em uso intensivo).

2. Unidades e padrões

2.1 Sistema Internacional (SI)

Grandeza Unidade SI Símbolo Em oficina
Comprimento metro m mm, µm
Ângulo radiano rad grau °
Tempo segundo s s, min
Massa quilograma kg g, kg
Temperatura kelvin K °C

Sistema imperial (polegada) ainda é usado em hidráulica, rolamentos, mercados americanos.

2.2 Conversões frequentes

1 m   = 1000 mm = 1 000 000 µm
1 mm  = 0,001 m  = 1000 µm     = 0,03937"
1 µm  = 0,001 mm = 10⁻⁶ m
1"    = 25,4 mm  exatamente
1/2"  = 12,7 mm
1/4"  = 6,35 mm
1/8"  = 3,175 mm
1/16" = 1,5875 mm
1/32" = 0,79375 mm

Decoreces estas. Saber traduzir polegadas é diário em oficina.

2.3 Ângulos

Em CNC moderno trabalha-se directamente em graus decimais (45,5°), não em grau-minuto-segundo.

2.4 Temperatura

A peça dilata com calor. O coeficiente de dilatação linear do aço é ≈ 12 × 10⁻⁶ /°C. Em 100 mm a 30°C de variação, a peça aumenta 0,036 mm — relevante em metrologia fina.

Salas de metrologia precisas estão a 20°C ± 1°C.

3. Instrumentos básicos

3.1 Régua de aço

3.2 Fita métrica

3.3 Esquadro

Aplicações: verificar perpendicularidade entre faces, traçar 90° antes de cortar/furar, alinhar máquinas.

3.4 Compasso de pontas, riscador, granitas

Sequência habitual: marcar com azul de marcar → riscar com riscador → granir → cortar/furar.

4. Paquímetro

4.1 Anatomia

escala principal (mm)
 ┌─[maxilas exteriores ↑↓]──────────────────┐
 │     0  1  2  3  4  5  6  7  8  9  10    │← haste prof.
 │   ▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎▎    │
 │   ╴nónio (escala secundária)╴            │
 └─[maxilas interiores]─────────────────────┘

4.2 Princípio do nónio

A escala principal está em mm. O nónio divide cada mm em N partes.

A diferença entre cada divisão do nónio e da escala principal é a resolução.

4.3 Leitura passo a passo (0,02 mm)

  1. Inteiros: lê os mm na escala principal antes do zero do nónio.
  2. Coincidência: vê qual traço do nónio coincide exactamente com um traço da escala principal.
  3. Calcular: multiplica o número desse traço por 0,02 mm.
  4. Somar as duas partes.

Exemplo:

4.4 Versões

4.5 Boas práticas

5. Micrómetro

5.1 Princípio

Mais preciso que o paquímetro. Resolução 0,01 mm (e 0,001 mm em versões com nónio adicional).

Cada volta completa do tambor avança o fuso 0,5 mm. O tambor tem 50 divisões → cada divisão = 0,01 mm.

5.2 Anatomia

[bigorna]              [fuso] [catraca]
   ▌══════════════════▌─[tambor]─[fricção]
   │                                     ▒▒▒
   │            arco em U
   └─────────────────────

5.3 Leitura passo a passo

  1. Escala fixa: ler mm inteiros + meios-mm (se há um traço visível para baixo da linha horizontal, somar 0,5).
  2. Tambor: lê o número que coincide com a linha horizontal da escala fixa; cada unidade = 0,01 mm.
  3. Soma: total.

Exemplo:

5.4 Versões e gamas

Cada micrómetro tem uma gama de 25 mm:

Versões: externo (90% dos casos), interno (de varetas ou tipo tubular), de profundidade, com bigorna esférica (para tubos).

5.5 Boas práticas

6. Comparador (relógio comparador)

6.1 O que mede

Diferenças, não dimensões absolutas. Resolução 0,01 mm (alguns 0,001 mm).

6.2 Aplicação típica

6.3 Procedimento

  1. Fixar comparador em base magnética ou suporte.
  2. Apoiar o palpador sobre a peça → zerar o mostrador.
  3. Mover a peça (ou o comparador) ao longo da medição.
  4. Ler máximo positivo e máximo negativo; soma = batimento total.

Exemplo: rodar veio numa volta completa, ler agulha → max +0,02, max -0,03 → batimento = 0,05 mm.

7. Calibres e instrumentos especializados

7.1 Calibres passa/não-passa (GO/NO-GO)

Rápido em produção em série.

7.2 Calibre de folga (lâminas)

Conjunto de lâminas finas (0,02 a 1 mm) que se introduzem em folgas. Usar a lâmina mais grossa que entra a custo. Combinar várias lâminas para folgas específicas.

Aplicações: válvulas de motor, escovas de motor eléctrico, juntas de embraiagem.

7.3 Calibre de raio

Conjunto de gabaritos para verificar raios interiores/exteriores. Comparar à vista, alinhando o gabarito com a curva da peça.

7.4 Goniómetro

Mede ângulos com precisão de 5′ ou melhor. Versões mecânicas (com nónio) e digitais.

7.5 Régua de senos

Mede ângulos pequenos com altíssima precisão. Combinada com blocos-padrão. Profissional em metrologia.

7.6 Blocos-padrão (Johansson)

Conjunto de blocos de aço temperado calibrados com precisão de µm. Empilháveis (aderem por aderência molecular). Padrão para calibrar outros instrumentos.

8. Rugosidade

8.1 Definição

Rugosidade = irregularidades de uma superfície (microscópicas, menores que o desvio geométrico). Importante para vedação, atrito, aderência de tinta, fadiga.

8.2 Parâmetros

Unidade: µm (micrómetros).

8.3 Valores típicos

Acabamento Ra (µm)
Fundição em areia 12-25
Maquinado grosso 6,3-12,5
Maquinado normal 1,6-6,3
Maquinado fino 0,4-1,6
Rectificado 0,1-0,4
Polido < 0,1
Lapidado < 0,025

8.4 Como medir

9. Tolerâncias e ajustamentos

9.1 Notação básica

9.2 Sistema ISO

Letra + número. Letra indica posição do campo de tolerância; número indica grau de tolerância (qualidade).

Letras maiúsculas para furos, minúsculas para veios.

Graus de tolerância: IT01 a IT16. Quanto menor o número, mais apertada.

9.3 Ajustamentos comuns

9.4 Folga, aperto, transição

Engenheiro escolhe consoante função:

10. GD&T (Geometric Dimensioning & Tolerancing)

Sistema avançado de tolerâncias geométricas que vai além das dimensionais. Define forma, orientação, localização com símbolos.

Símbolo Tolerância
⏤ Rectitude
⏥ Planicidade
○ Circularidade
⌭ Cilindricidade
⫽ Paralelismo
⊥ Perpendicularidade
∠ Inclinação
⊕ Posição
◎ Concentricidade
⌖ Batimento

Usado em mecânica fina, aeronáutica, automóvel. Veremos no desenho técnico (UC02877).

11. Boas práticas gerais

11.1 Ambiente

11.2 Manipulação

11.3 Calibração

11.4 Registo

Em qualidade industrial:

12. Liga a outras UCs

13. Conclusão

Medir não é um detalhe — é o que torna a engenharia mecânica possível. Quem mede mal, fabrica mal, monta mal e diagnostica mal. Paquímetro + micrómetro + esquadro + régua + comparador cobrem 90% das necessidades diárias. Tolerâncias H7/g6 e rugosidade Ra são o vocabulário que vais ler nos desenhos.

Pratica até as leituras serem automáticas. Em poucas semanas, leres 24,56 mm num paquímetro deve ser tão rápido como ler 24,56 num relógio.

Apêndice A · Tabela de conversão polegada → mm

Polegada mm
1/64 0,397
1/32 0,794
1/16 1,588
1/8 3,175
1/4 6,350
3/8 9,525
1/2 12,700
5/8 15,875
3/4 19,050
7/8 22,225
1" 25,400

Apêndice B · Checklist de medição

[ ] Peça à temp. ambiente (~ 20°C)
[ ] Faces limpas + sem rebarbas
[ ] Instrumento limpo + zero aferido
[ ] Toque suave / catraca em micrómetro
[ ] Perpendicular à face
[ ] Leitura confirmada por colega (em peças críticas)
[ ] Registo em ficha de qualidade

Apêndice C · Recursos