Simular a instalação e configuração de redes
Apresentação
UC02816 (50h · 4,5 pts) do curso Técnico de Sistemas de Computação e Redes. Usa simuladores (Cisco Packet Tracer, GNS3) para projetar, configurar e testar redes completas — switching, VLANs, routing, DHCP, NAT e ACLs — antes de tocar em equipamento real. Complementa UC02817 (instalar redes) e UC00241 (protocolos).
Porque simular
Simular permite: - Treinar configuração de equipamentos caros sem os ter. - Errar sem consequências — um comando errado num simulador não derruba uma empresa. - Validar topologias antes de comprar/cablar. - Documentar e testar cenários complexos.
Ferramentas
| Ferramenta | Características |
|---|---|
| Cisco Packet Tracer | Educativo, leve, gratuito (Cisco NetAcad). Ótimo para aprender. |
| GNS3 | Corre imagens reais (Cisco IOS, etc.) — muito realista. |
| EVE-NG | Multi-fabricante, ambiente profissional. |
| Mininet | Redes virtuais Linux, SDN/OpenFlow. |
Esta sebenta usa a sintaxe Cisco IOS (a referência didática), aplicável em Packet Tracer e GNS3.
Topologia: física e lógica
- Topologia física — equipamentos, portas e cabos (onde está o quê).
- Topologia lógica — endereçamento IP, VLANs, rotas, fluxos de tráfego.
Ambas se documentam em diagramas (Packet Tracer, draw.io). Convenções: ícones padrão (router, switch, PC), nomes consistentes, sub-redes e VLANs anotadas. Um bom diagrama é metade do trabalho de diagnóstico futuro.
Configuração base de equipamentos
Modos do IOS
Switch> ! modo utilizador (EXEC)
Switch> enable
Switch# ! modo privilegiado
Switch# configure terminal
Switch(config)# ! configuração global
Switch(config-if)# ! configuração de interface
Hardening básico
enable
configure terminal
hostname SW1
no ip domain-lookup ! evita atraso por DNS em erros de digitação
enable secret ClasseForte
service password-encryption
banner motd #Acesso apenas a pessoal autorizado#
line console 0
password consola
login
line vty 0 4
transport input ssh
login local
username admin secret SenhaForte
ip domain-name escola.local
crypto key generate rsa ! gera chaves para SSH
end
copy running-config startup-config
Sempre: hostname, senhas cifradas, SSH em vez de Telnet, banner, guardar a config.
Switching e VLANs
VLANs
Uma VLAN segmenta logicamente a rede em domínios de broadcast independentes — separa tráfego (alunos vs professores vs servidores) sem switches físicos separados.
configure terminal
vlan 10
name ALUNOS
vlan 20
name PROFESSORES
vlan 99
name GESTAO
Portas de acesso e trunk
- Access — pertence a uma VLAN; liga a um dispositivo final (PC, impressora).
- Trunk — transporta várias VLANs entre switches/routers (etiquetagem 802.1Q).
interface range fa0/1 - 10
switchport mode access
switchport access vlan 10
interface gi0/1
switchport mode trunk
switchport trunk allowed vlan 10,20,99
switchport trunk native vlan 99
Inter-VLAN routing
VLANs diferentes não comunicam sem encaminhamento de camada 3.
Router-on-a-stick (sub-interfaces no router):
interface gi0/0.10
encapsulation dot1Q 10
ip address 192.168.10.1 255.255.255.0
interface gi0/0.20
encapsulation dot1Q 20
ip address 192.168.20.1 255.255.255.0
interface gi0/0
no shutdown
Switch de camada 3 (SVIs) — mais escalável:
ip routing
interface vlan 10
ip address 192.168.10.1 255.255.255.0
interface vlan 20
ip address 192.168.20.1 255.255.255.0
Endereçamento
Planear o esquema antes de configurar:
| Segmento | Sub-rede | Gateway | VLAN |
|---|---|---|---|
| Alunos | 192.168.10.0/24 | .1 | 10 |
| Professores | 192.168.20.0/24 | .1 | 20 |
| Gestão | 192.168.99.0/24 | .1 | 99 |
| Enlace R1-R2 | 10.0.0.0/30 | — | — |
VLSM (Variable Length Subnet Mask) ajusta o tamanho das sub-redes à necessidade (ex.: /30 para enlaces ponto-a-ponto poupa endereços).
Routing
Estático
ip route 192.168.20.0 255.255.255.0 10.0.0.2
ip route 0.0.0.0 0.0.0.0 200.1.1.1 ! rota por defeito
Simples e previsível; não escala bem (configuração manual em cada router).
Dinâmico (OSPF)
router ospf 1
router-id 1.1.1.1
network 192.168.10.0 0.0.0.255 area 0
network 10.0.0.0 0.0.0.3 area 0
passive-interface gi0/0.10
OSPF aprende e adapta rotas automaticamente — adequado a redes que crescem/mudam. Alternativas: EIGRP (Cisco), RIP (legado, didático), BGP (Internet).
Verificar: show ip route, show ip ospf neighbor.
Serviços
DHCP no router
ip dhcp excluded-address 192.168.10.1 192.168.10.10
ip dhcp pool ALUNOS
network 192.168.10.0 255.255.255.0
default-router 192.168.10.1
dns-server 1.1.1.1 8.8.8.8
domain-name escola.local
NAT / PAT
Permite que muitos IPs privados partilhem IPs públicos para aceder à Internet.
interface gi0/0
ip nat inside
interface gi0/1
ip nat outside
access-list 1 permit 192.168.0.0 0.0.255.255
ip nat inside source list 1 interface gi0/1 overload
overload (PAT) usa portas para multiplexar muitos hosts num só IP público. Verificar: show ip nat translations.
ACLs
Filtram tráfego por origem/destino/protocolo/porta.
Standard (só origem):
access-list 10 permit 192.168.99.0 0.0.0.255
access-list 10 deny any
line vty 0 4
access-class 10 in ! só a VLAN de gestão acede por SSH
Extended (origem, destino, protocolo, porta):
access-list 100 deny ip 192.168.10.0 0.0.0.255 192.168.20.0 0.0.0.255
access-list 100 permit ip any any
interface gi0/0.10
ip access-group 100 in
Ordem importa (avaliação sequencial); há um deny any implícito no fim. Wildcard mask é o inverso da máscara de sub-rede.
Testar e diagnosticar
Comandos de verificação
show ip interface brief ! estado e IP das interfaces
show vlan brief ! VLANs e portas
show interfaces trunk ! trunks ativos
show ip route ! tabela de routing
show running-config ! configuração atual
show ip nat translations ! traduções NAT
show access-lists ! ACLs e hits
ping 192.168.20.10
traceroute 192.168.20.10
Modo simulação (Packet Tracer)
Permite ver o pacote a viajar salto a salto e camada a camada (PDU). Excelente para perceber porque o tráfego não chega: encapsulamento, ARP, gateway errado, ACL a bloquear.
Metodologia de diagnóstico
- Confirmar camada física (interfaces
up/up). - Camada 2 — VLAN correta, trunk a passar a VLAN.
- Camada 3 — IP/máscara/gateway corretos; rota existe (
show ip route). - Serviços — DHCP entrega? NAT traduz? ACL bloqueia?
- Testar incrementalmente (ping ao gateway → a outra VLAN → ao exterior).
Documentação do projeto
Entregáveis típicos de um projeto de rede:
- Diagrama físico e lógico.
- Tabela de endereçamento (sub-redes, VLANs, gateways, intervalos DHCP).
- Configurações (running-config exportada de cada equipamento).
- Plano de testes e resultados (matriz "de X consigo aceder a Y?").
- Backup das configs (copy run start + exportar ficheiros).
Apêndices
A · Cheatsheet IOS
enable / configure terminal / end
hostname X / enable secret / line vty 0 4
vlan N / name / switchport mode access|trunk
switchport access vlan N / trunk allowed vlan
ip address A M / no shutdown
ip route DEST MASK NEXTHOP
router ospf 1 / network A WILD area 0
ip dhcp pool / network / default-router / dns-server
ip nat inside|outside / ip nat inside source list 1 int X overload
access-list N permit|deny ... / ip access-group N in|out
show ip int brief / show vlan brief / show ip route
copy running-config startup-config
B · Glossário
ACL. Access Control List. NAT/PAT. Network/Port Address Translation. OSPF. Open Shortest Path First (routing dinâmico). SVI. Switch Virtual Interface. Trunk / 802.1Q. Ligação que transporta várias VLANs etiquetadas. VLAN. Virtual LAN. VLSM. Variable Length Subnet Mask. Wildcard mask. Máscara inversa usada em ACLs/OSPF.
C · Recursos
- Cisco Packet Tracer + cursos NetAcad (gratuitos).
- GNS3 · gns3.com.
- subnetting practice · subnettingpractice.com.
- Cisco CCNA · currículo de referência.