Sebenta · Elaborar e orçamentar o plano de meios (UC02764)
- Introdução
- 1. O que é um plano de meios
- 2. Do briefing aos objetivos de comunicação
- 3. Público-alvo e posicionamento — planeamento estratégico de meios
- 4. Panorama dos meios — meios tradicionais
- 5. Panorama dos meios — meios digitais
- 6. A linguagem do media planning — conceitos e métricas
- 7. Seleção e mix de meios — critérios de decisão
- 8. Técnicas de negociação e parcerias com os meios
- 9. Orçamentar o plano de meios
- 10. Calendarizar as etapas do plano de meios
- 11. Avaliar o retorno dos meios utilizados
- 12. Segurança, ambiente e qualidade na atividade
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Uma boa ideia de comunicação não chega. Se a mensagem certa aparecer no meio errado, na altura errada ou para o público errado, o dinheiro investido evapora-se. O plano de meios (em inglês, media plan) é o documento que garante que a mensagem chega a quem interessa, onde interessa, quando interessa e ao menor custo possível. É a ponte entre a estratégia criativa (o que dizemos) e a estratégia de meios (onde e quando o dizemos).
Esta sebenta ensina-te a elaborar e orçamentar um plano de meios completo, do primeiro briefing até à avaliação de resultados. Vais aprender a ler os objetivos de comunicação, a conhecer o público-alvo, a escolher entre meios tradicionais e digitais, a dominar a linguagem técnica do media planning (alcance, frequência, GRP, CPM, CPC, ROAS), a negociar espaços, a construir um orçamento realista, a calendarizar as inserções e, no fim, a medir o retorno de cada meio. Tudo com exemplos numéricos resolvidos passo a passo, para que consigas fazer sozinho/a.
Objetivos de aprendizagem (referencial):
- Analisar e definir os meios a utilizar na estratégia de comunicação;
- Orçamentar o plano de meios;
- Calendarizar as etapas do plano de meios;
- Avaliar o retorno dos meios utilizados.
Ao longo do texto vais também encontrar as boas práticas de segurança, saúde no trabalho, proteção ambiental e qualidade aplicadas à atividade de um técnico de marketing e publicidade.
1. O que é um plano de meios
Um plano de meios é o documento que define em que meios de comunicação uma marca vai investir para atingir os seus objetivos, com que peso, em que datas e a que custo. Não é a criatividade (o anúncio em si) — é a logística estratégica que leva essa criatividade ao público.
Responde sempre a cinco perguntas:
| Pergunta | O que define |
|---|---|
| A quem? | O público-alvo (target) |
| Onde? | Os meios e suportes (TV, Instagram, outdoor…) |
| Quando? | O calendário / timing das inserções |
| Com que intensidade? | Alcance e frequência desejados |
| Por quanto? | O orçamento e o custo por objetivo |
Objetivos do plano de meios
O plano de meios existe para maximizar a eficácia da comunicação com o orçamento disponível. Os seus objetivos concretos são:
- Alcançar o máximo do público-alvo relevante (não a população toda — só quem interessa);
- Garantir a frequência suficiente para a mensagem ser memorizada;
- Escolher meios com afinidade ao público (onde o público realmente está);
- Controlar o custo (pagar o mínimo por cada contacto útil);
- Calendarizar para coincidir com os momentos de decisão de compra;
- Permitir medir e otimizar — saber o que resultou e realocar o investimento.
Onde encaixa na estratégia
O plano de meios é uma peça de um puzzle maior:
Estratégia de marketing
└── Estratégia de comunicação (o que dizer, a quem, com que objetivo)
├── Estratégia criativa → a mensagem, o conceito, os anúncios
└── Estratégia de meios → ONDE e QUANDO passar a mensagem
└── PLANO DE MEIOS → o documento operacional (este)
A estratégia criativa e a estratégia de meios têm de andar de mãos dadas: um anúncio de vídeo longo e emocional não funciona num outdoor de 3 segundos; um cupão de desconto imediato faz mais sentido no digital do que num spot de rádio.
2. Do briefing aos objetivos de comunicação
Tudo começa com um briefing: o documento (ou reunião) em que o cliente ou o departamento de marketing explica o que quer. Um bom media planner extrai do briefing os objetivos de comunicação, que orientam todas as escolhas seguintes.
Objetivos SMART
Um objetivo de comunicação útil é SMART: eSpecífico, Mensurável, Atingível, Relevante e definido no T**empo.
- ❌ Vago: "aumentar as vendas".
- ✅ SMART: "gerar 40% de notoriedade espontânea da marca junto de mulheres 25-45 da Grande Lisboa, em 3 meses, com um orçamento de 30 000 €".
Os três grandes objetivos da comunicação
| Objetivo | O que se quer | Meios que costumam servir melhor |
|---|---|---|
| Notoriedade (awareness) | Que as pessoas conheçam a marca/produto | TV, outdoor, YouTube, redes sociais (alcance) |
| Consideração | Que avaliem e prefiram | Conteúdo, influenciadores, display, imprensa especializada |
| Conversão / ação | Que comprem ou ajam | Search (Google Ads), remarketing, email, promoções |
Este percurso — de conhecer, a considerar, a agir — chama-se funil de marketing. Cada etapa do funil pede meios diferentes: meios de cobertura no topo (para chegar a muitos), meios de desempenho na base (para converter quem já está interessado).
Relação entre a escolha dos meios e os objetivos
A regra de ouro: o meio serve o objetivo, nunca o contrário. Escolher primeiro "vamos fazer TikTok" e só depois pensar para quê é o erro clássico. A sequência correta é: objetivo → público → meios → suportes → calendário → orçamento.
O impacto na eficácia da mensagem depende dessa coerência. Um mesmo euro investido rende muito mais quando o meio tem afinidade com o público e adequação ao objetivo.
3. Público-alvo e posicionamento — planeamento estratégico de meios
Antes de escolher meios, é preciso conhecer profundamente quem os vai receber. É a fase de planeamento estratégico.
Definir o público-alvo (target)
O público-alvo descreve-se por camadas:
- Sociodemográficas — idade, sexo, região, rendimento, escolaridade, ocupação.
- Psicográficas — valores, estilo de vida, interesses, atitudes.
- Comportamentais — hábitos de consumo, fidelidade, momento no funil, consumo de media.
Exemplo: Mulheres, 30-50 anos, urbanas, classe média/alta, preocupadas com alimentação saudável, que seguem contas de bem-estar no Instagram e ouvem podcasts.
Consumo de media do público (media habits)
O ponto mais importante para o media planner: onde é que este público consome media? Não adianta ter o melhor anúncio de rádio se o público-alvo quase não ouve rádio. Fontes úteis em Portugal: estudos Bareme (Marktest), Netaudience, GfK, dados dos próprios meios (audiências, tiragens) e as plataformas digitais (Meta, Google, TikTok) com os seus dados de audiência.
Posicionamento da marca/empresa
O posicionamento é o lugar que a marca ocupa na mente do consumidor face à concorrência (ex.: "a mais barata", "a mais premium", "a mais ecológica"). O plano de meios tem de reforçar esse posicionamento: uma marca premium raramente comunica em meios de saldos; uma marca jovem e disruptiva prefere digital e influenciadores a anúncios institucionais na imprensa.
Afinidade é o conceito-chave: mede o quanto um meio "casa" com o público-alvo, comparado com a população geral. Um meio de alta afinidade entrega mais público útil por cada euro.
4. Panorama dos meios — meios tradicionais
Os meios tradicionais (above the line clássicos) mantêm força na construção de notoriedade em massa.
| Meio | Forças | Fraquezas | Bom para |
|---|---|---|---|
| Televisão | Enorme alcance, impacto audiovisual, credibilidade | Caro, pouco segmentável, desperdício | Notoriedade em massa |
| Rádio | Barato, local, frequência alta, companhia | Só áudio, atenção baixa | Reforço, promoções locais |
| Imprensa (jornais/revistas) | Segmentação por título, credibilidade, tempo de leitura | Audiências a cair, produção | Nichos, credibilidade |
| Outdoor / out of home | Alto alcance local, impacto visual, 24h | Mensagem curta, sem segmentação fina | Notoriedade, lançamentos |
| Cinema | Atenção total, alta qualidade, público jovem | Alcance limitado, sazonal | Marcas aspiracionais |
Conceitos próprios da TV: o GRP (Gross Rating Point) mede a pressão publicitária; a prime time custa mais; a compra faz-se por spots de 20"/30". A imprensa vende por página/módulo e mede-se por tiragem e audiência (leitores por exemplar).
5. Panorama dos meios — meios digitais
Os meios digitais trouxeram segmentação fina, medição em tempo real e otimização contínua. Hoje são, na maioria dos planos, a maior fatia do investimento.
| Meio digital | O que é | Objetivo típico | Métrica-chave |
|---|---|---|---|
| Search (Google Ads) | Anúncios nas pesquisas | Conversão (intenção alta) | CPC, conversões |
| Social paga (Meta, TikTok, LinkedIn) | Anúncios em feeds | Alcance → conversão | CPM, CTR, CPA |
| Display | Banners em sites/apps | Notoriedade, remarketing | CPM, viewability |
| Vídeo (YouTube) | Pré/mid-rolls | Notoriedade, consideração | CPV, VTR |
| Influenciadores | Criadores promovem a marca | Consideração, prova social | Engagement, alcance |
| Email marketing | Mensagens à base de dados | Fidelização, conversão | Taxa de abertura, CTR |
Meios tradicionais vs meios digitais
| Critério | Tradicionais | Digitais |
|---|---|---|
| Segmentação | Baixa/média | Muito alta |
| Medição | Estimada (estudos) | Exata, em tempo real |
| Custo de entrada | Alto | Baixo (escalável) |
| Interatividade | Nenhuma | Total (clique, compra) |
| Otimização | Difícil (contratos fechos) | Contínua |
| Credibilidade percebida | Alta | Média (varia) |
A tendência atual é o plano integrado (media mix): tradicionais para alcance e notoriedade, digitais para precisão e conversão. Raramente se escolhe só um lado.
6. A linguagem do media planning — conceitos e métricas
Para "analisar e definir os meios" é preciso dominar o vocabulário técnico. Estes são os indicadores que se usam para comparar e escolher meios.
Cobertura, alcance e frequência
- Alcance / Cobertura (Reach) — quantas pessoas diferentes (ou % do target) foram expostas pelo menos uma vez. Mede a amplitude.
- Frequência (Frequency) — quantas vezes, em média, cada pessoa foi exposta. Mede a repetição.
- Impressões / Contactos — número total de exposições (pode repetir a mesma pessoa).
Relação fundamental:
Impressões = Alcance × Frequência
Exemplo: uma campanha gerou 800 000 impressões e atingiu 200 000 pessoas. Frequência média = 800 000 ÷ 200 000 = 4 exposições por pessoa.
Existe uma frequência efetiva — o número mínimo de exposições para a mensagem "entrar" (regra prática: 3+). Abaixo disso, gasta-se sem memorizar; muito acima, há saturação (desperdício e irritação).
GRP e TRP
- GRP (Gross Rating Points) = Alcance (%) × Frequência. Mede a pressão total sobre a população.
- TRP (Target Rating Points) = o mesmo, mas só sobre o público-alvo (mais rigoroso).
Exemplo: cobrir 60% do target com frequência 5 → 60 × 5 = 300 TRP.
Métricas de custo
| Métrica | Fórmula | Usada para |
|---|---|---|
| CPM (custo por mil) | (Custo ÷ Impressões) × 1000 | Comparar meios de notoriedade |
| CPC (custo por clique) | Custo ÷ Cliques | Search, tráfego |
| CPA / CPL (custo por aquisição/lead) | Custo ÷ Conversões | Campanhas de desempenho |
| CTR (taxa de clique) | (Cliques ÷ Impressões) × 100 | Eficácia criativa/segmentação |
| CPP (custo por ponto GRP) | Custo ÷ GRP | Comparar propostas de TV |
Exemplo CPM: um banner custou 500 € e teve 250 000 impressões. CPM = (500 ÷ 250 000) × 1000 = 2,00 € por mil impressões.
Share of Voice (SOV)
O Share of Voice é a quota de presença da marca num meio face ao total investido pela categoria. Se todas as marcas de café gastarem 1 000 000 € em TV e a nossa gastar 150 000 €, o nosso SOV = 15%. Comparado com a nossa quota de mercado (Share of Market), indica se estamos a comunicar acima ou abaixo do nosso peso.
7. Seleção e mix de meios — critérios de decisão
Com o público conhecido e o vocabulário dominado, escolhem-se os meios. Os critérios de seleção:
- Afinidade com o target — o meio chega a muito público útil?
- Cobertura — atinge o volume de pessoas necessário?
- Custo (CPM/CPA) — quanto custa cada contacto ou conversão?
- Adequação ao objetivo — notoriedade vs conversão.
- Adequação à mensagem — a criatividade "cabe" no formato do meio?
- Contexto e credibilidade — o ambiente valoriza ou desvaloriza a marca?
- Flexibilidade — dá para otimizar/ajustar depois?
Meio principal e meios de apoio
Um plano bem construído tem um meio principal (o que puxa o alcance/objetivo central) e meios de apoio que o complementam. Exemplo: YouTube como meio de notoriedade + Search e remarketing para capturar a intenção gerada.
O media mix e a sinergia
Combinar meios cria sinergia: o público que vê o anúncio na TV e depois no digital recorda-o mais do que o dobro. A regra é distribuir o orçamento para cobrir o funil todo, não concentrar tudo num único meio.
Exemplo de raciocínio de mix (target jovem urbano, objetivo lançamento): - 45% Vídeo digital (YouTube/TikTok) → alcance e notoriedade - 25% Social paga (Instagram) → consideração e engagement - 20% Search + remarketing → conversão - 10% Influenciadores → prova social
8. Técnicas de negociação e parcerias com os meios
Depois de definidos os meios, negoceia-se o custo e as condições. Raramente se paga a tabela cheia (rate card): há descontos por volume, por fidelidade e por pacote.
O que se negoceia
- Preço (descontos sobre o rate card);
- Bonificações (bónus: inserções grátis, ex.: "compra 10, leva 12");
- Posicionamento (páginas nobres, horários, primeiras posições);
- Exclusividade de setor;
- Permutas / parcerias (dar produto/visibilidade em troca de espaço).
Boas práticas de negociação
- Preparar-se: conhecer as tabelas, audiências e o que a concorrência paga.
- Comprar em pacote/volume para baixar o CPM.
- Fechar com antecedência épocas de alta procura (Natal, saldos).
- Diversificar fornecedores para não depender de um só.
- Formalizar tudo por contrato/ordem de compra — datas, formatos, preços, penalizações.
Parcerias e permutas
Nem tudo é dinheiro: parcerias com media, eventos ou marcas complementares (co-marketing) multiplicam o alcance com pouco investimento. Uma permuta bem feita (ex.: fornecer produto a um meio em troca de presença editorial) pode render mais do que uma inserção paga.
9. Orçamentar o plano de meios
Orçamentar é distribuir o dinheiro disponível pelos meios, garantindo que os objetivos são atingíveis com esse valor.
Métodos para definir o orçamento total
| Método | Como funciona | Nota |
|---|---|---|
| % sobre vendas | X% da faturação prevista | Simples, mas "olha para trás" |
| Paridade competitiva | Acompanhar o que a concorrência gasta | Mantém o SOV |
| Objetivos e tarefas | Somar o custo de atingir cada objetivo | O mais rigoroso |
| Recurso disponível | O que sobra | Fraco, mas comum em PME |
O método objetivos e tarefas é o recomendado: parte-se do que se quer atingir (ex.: 300 TRP + 500 conversões) e calcula-se quanto custa.
Estrutura de um orçamento de meios
Um orçamento distribui o total por meio e por rubrica:
| Meio | Verba | % | Objetivo |
|---|---|---|---|
| Vídeo digital | 13 500 € | 45% | Notoriedade |
| Social paga | 7 500 € | 25% | Consideração |
| Search + remarketing | 6 000 € | 20% | Conversão |
| Influenciadores | 3 000 € | 10% | Prova social |
| Total | 30 000 € | 100% |
Além da verba de compra de espaço (media), o orçamento deve prever produção (criar os anúncios), taxas de agência/plataforma e uma margem de contingência (5-10%) para ajustes.
Exemplo de cálculo — quanto compro com o orçamento?
Tenho 6 000 € para Search e o CPC médio é 0,50 €. Cliques possíveis = 6 000 ÷ 0,50 = 12 000 cliques. Se a taxa de conversão for 4%: 12 000 × 0,04 = 480 conversões. CPA = 6 000 ÷ 480 = 12,50 € por conversão.
Controlo de custos
Orçamentar não acaba na aprovação: durante a campanha há que controlar o custo real vs previsto. Ferramentas: mapa de meios com coluna "orçamentado / gasto / desvio", alertas de plataforma (limites diários), e revisão semanal. Um desvio de +10% deve disparar uma decisão: cortar num meio para reforçar outro que está a render mais.
10. Calendarizar as etapas do plano de meios
A calendarização (timing) define quando cada inserção acontece. O momento certo pode valer mais do que o meio certo.
Padrões de distribuição temporal
| Padrão | Como é | Quando usar |
|---|---|---|
| Contínuo | Presença constante todo o período | Marcas de consumo regular |
| Flighting (rajadas) | Períodos ativos + períodos "escuros" | Orçamentos limitados, campanhas |
| Pulsing | Base contínua + picos em datas-chave | Marcas fortes com sazonalidade |
Fatores de calendarização
- Sazonalidade do produto (protetor solar no verão, brinquedos no Natal);
- Momento de decisão de compra do público;
- Lançamentos e datas comerciais (Black Friday, saldos, dia dos namorados);
- Concorrência (comunicar quando eles estão calados = mais SOV);
- Verba disponível (concentrar para ter frequência efetiva).
O mapa de meios (media flowchart)
A ferramenta central do plano é o mapa de meios: uma grelha com os meios nas linhas e as semanas/meses nas colunas, marcando quando cada um está ativo, com que peso e a que custo.
Sem1 Sem2 Sem3 Sem4 Sem5 Sem6 Verba
YouTube ████ ████ ████ ░░░░ ░░░░ ████ 13.500€
Instagram ████ ████ ████ ████ ████ ████ 7.500€
Search ████ ████ ████ ████ ████ ████ 6.000€
Influencers ░░░░ ████ ░░░░ ░░░░ ████ ░░░░ 3.000€
Este mapa é o "coração" visual do plano de meios: mostra de relance onde, quando e quanto.
Etapas do plano (cronograma de trabalho)
Além da grelha de inserções, calendariza-se o trabalho de fazer o plano:
- Briefing e objetivos → 2. Estudo do target → 3. Seleção de meios → 4. Negociação → 5. Orçamento fechado → 6. Produção criativa → 7. Inserção/veiculação → 8. Monitorização → 9. Avaliação de resultados.
11. Avaliar o retorno dos meios utilizados
O plano de meios só está completo quando se mede o que rendeu. Sem avaliação, não há aprendizagem nem otimização.
KPIs por objetivo
| Objetivo | KPIs de avaliação |
|---|---|
| Notoriedade | Alcance, impressões, GRP, notoriedade assistida/espontânea (estudos) |
| Consideração | Tráfego, tempo no site, engagement, pesquisas de marca |
| Conversão | Conversões, CPA, taxa de conversão, receita |
ROI e ROAS
- ROI (Return on Investment) = (Ganho − Custo) ÷ Custo × 100. Mede o lucro relativo.
- ROAS (Return on Ad Spend) = Receita ÷ Investimento em publicidade. Diz quanto se ganha por cada euro investido.
Exemplo: investi 10 000 € e a campanha gerou 35 000 € de receita. ROAS = 35 000 ÷ 10 000 = 3,5 → cada 1 € rendeu 3,5 € de receita. Se a margem for 40%: lucro = 35 000 × 0,40 = 14 000 €. ROI = (14 000 − 10 000) ÷ 10 000 × 100 = 40%.
Comparar meios e otimizar
Avaliar serve para realocar: constrói-se uma tabela com o desempenho por meio e desloca-se verba do que rende menos para o que rende mais.
| Meio | Investimento | Conversões | CPA | Decisão |
|---|---|---|---|---|
| Search | 6 000 € | 480 | 12,50 € | Reforçar |
| 7 500 € | 250 | 30,00 € | Manter/otimizar | |
| Display | 4 000 € | 40 | 100,00 € | Cortar |
Ferramentas de medição
Google Analytics, os dashboards das plataformas (Meta, Google Ads), pixels e tags de conversão, estudos pós-campanha (brand lift), e o cruzamento com dados de vendas. O relatório final (pós-avaliação) fecha o ciclo e alimenta o próximo plano.
12. Segurança, ambiente e qualidade na atividade
Mesmo numa função de escritório/criativa, o técnico deve aplicar boas práticas transversais.
- Segurança e saúde no trabalho (SST): ergonomia do posto (cadeira, altura do ecrã, iluminação), pausas visuais (regra 20-20-20), gestão do stress e das cargas horárias em campanhas intensas.
- Equipamentos de proteção individual (EPI): em contexto de escritório são residuais, mas em ações de rua, produção de eventos ou montagem de outdoors podem incluir colete refletor, luvas e calçado adequado.
- Proteção ambiental: privilegiar meios digitais e materiais recicláveis, evitar o desperdício de impressões, escolher fornecedores com certificação ambiental.
- Qualidade: cumprir normas e códigos deontológicos da publicidade (Código da Publicidade, autorregulação/ARP), respeitar o RGPD no uso de dados para segmentação, e garantir rigor e transparência nos relatórios de resultados.
Erros comuns
- Escolher o meio antes do objetivo ("vamos fazer TikTok") — o meio serve o objetivo, não o contrário.
- Comunicar para a população toda em vez do público-alvo — desperdício de verba.
- Confundir alcance (pessoas diferentes) com impressões (exposições totais).
- Ignorar a frequência efetiva: pouca frequência não fixa a mensagem; demasiada satura.
- Comparar meios só pelo preço absoluto e não pelo CPM / CPA.
- Gastar 100% do orçamento sem margem de contingência para otimizar.
- Não medir: campanha sem KPIs definidos à partida não se consegue avaliar.
- Pagar o rate card sem negociar descontos ou bonificações.
- Esquecer a sazonalidade e comunicar fora do momento de decisão.
- Não guardar um relatório final — perde-se a aprendizagem para o próximo plano.
Glossário
- Plano de meios — documento que define meios, pesos, calendário e orçamento de uma campanha.
- Target / público-alvo — grupo de pessoas que a campanha quer atingir.
- Afinidade — grau de correspondência entre a audiência de um meio e o público-alvo.
- Alcance / Cobertura (Reach) — nº (ou %) de pessoas diferentes expostas.
- Frequência — nº médio de exposições por pessoa.
- Impressão / Contacto — cada exposição a um anúncio (pode repetir a pessoa).
- Frequência efetiva — mínimo de exposições para a mensagem ser eficaz (≈3+).
- GRP / TRP — pontos de rating: pressão publicitária sobre a população / target.
- CPM — custo por mil impressões.
- CPC — custo por clique.
- CPA / CPL — custo por aquisição / por lead.
- CTR — taxa de clique (cliques ÷ impressões).
- Share of Voice (SOV) — quota de presença da marca num meio face à categoria.
- Media mix — combinação de meios de um plano.
- Flighting / Pulsing — padrões de distribuição temporal (rajadas / base + picos).
- Rate card — tabela de preços oficial de um meio.
- Mapa de meios (flowchart) — grelha meios × tempo com pesos e verbas.
- ROI — retorno do investimento (lucro relativo).
- ROAS — receita por euro investido em publicidade.
Síntese
O plano de meios é a estratégia operacional que leva a mensagem certa ao público certo, no momento e ao custo certos. Constrói-se por uma sequência clara: objetivos de comunicação (SMART) → conhecer o público-alvo e o posicionamento → selecionar o mix de meios (tradicionais para alcance, digitais para conversão) com base em afinidade, cobertura e custo → negociar preços e parcerias → orçamentar e controlar custos → calendarizar num mapa de meios → avaliar o retorno por KPIs, ROI/ROAS e realocar o investimento. Dominar a linguagem técnica (alcance, frequência, GRP, CPM, CPC, ROAS) é o que permite comparar, decidir e justificar cada euro. E tudo isto respeitando as normas de segurança, ambiente, qualidade e proteção de dados.
Exercícios resolvidos
1. Frequência média. Uma campanha gerou 1 200 000 impressões e atingiu 300 000 pessoas. Qual a frequência média?
Frequência = Impressões ÷ Alcance = 1 200 000 ÷ 300 000 = 4 exposições por pessoa.
2. CPM. Um pacote de display custou 900 € e entregou 600 000 impressões. Qual o CPM?
CPM = (900 ÷ 600 000) × 1000 = 1,50 € por mil impressões.
3. GRP/TRP. Uma campanha cobre 55% do target com frequência 6. Quantos TRP?
TRP = Cobertura × Frequência = 55 × 6 = 330 TRP.
4. Cliques e CPA. Com 4 000 € e um CPC de 0,40 €, quantos cliques compro? Se converterem 5%, qual o CPA?
Cliques = 4 000 ÷ 0,40 = 10 000 cliques. Conversões = 10 000 × 0,05 = 500. CPA = 4 000 ÷ 500 = 8,00 €.
5. ROAS e ROI. Investi 8 000 € e gerei 28 000 € de receita, com margem de 35%. Qual o ROAS e o ROI?
ROAS = 28 000 ÷ 8 000 = 3,5. Lucro = 28 000 × 0,35 = 9 800 €. ROI = (9 800 − 8 000) ÷ 8 000 × 100 = 22,5%.
6. Distribuição de orçamento. Tenho 20 000 € e quero 50% em vídeo, 30% em social e 20% em search. Quanto vai para cada?
Vídeo = 10 000 € · Social = 6 000 € · Search = 4 000 €.
7. Share of Voice. A categoria investiu 2 000 000 € em TV; a minha marca 240 000 €. Qual o SOV?
SOV = 240 000 ÷ 2 000 000 × 100 = 12%.
8. Escolher entre dois meios. O meio A tem CPA de 15 € e o meio B de 9 €, ambos com qualidade de conversão semelhante. Onde reforço a verba?
No meio B — entrega conversões mais baratas (menor CPA), logo mais resultados por euro investido.