Sebenta · Organizar e dinamizar o espaço de venda (UC02688)
- Introdução
- 1. O ponto de venda e o plano de marketing
- 2. Merchandising e visual merchandising
- 3. Analisar a situação inicial do ponto de venda
- 4. Organizar o layout do ponto de venda
- 5. Técnicas de organização do espaço de venda
- 6. Decoração de interiores e imagem
- 7. Maximização do linear
- 8. Tipos e níveis de exposição
- 9. Tecnologia na exposição
- 10. Comportamento do consumidor e fatores críticos
- 11. Técnicas de dinamização do ponto de venda
- 12. Estratégias de promoção
- 13. Sistema informático, segurança e qualidade
- 14. Medir a eficácia e fechar o ciclo
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta ensina a analisar, organizar e dinamizar um ponto de venda, físico ou digital, do diagnóstico inicial ao cálculo do rendimento por metro quadrado, passando pelo visual merchandising e pelas técnicas de promoção. É matéria central para quem trabalha em empresas grossistas ou retalhistas de comércio e serviços, em instituições e associações do setor, ou em empresas produtoras de bens de grande consumo (FMCG).
O percurso segue as três realizações do referencial desta unidade curricular: analisar a situação inicial do ponto de venda, organizar o layout do ponto de venda e definir e implementar estratégias de dinamização do ponto de venda. Ao longo do caminho, aprende-se merchandising, visual merchandising, técnicas de organização do espaço, maximização do linear, tipos e níveis de exposição, tecnologia aplicada, comportamento do consumidor, técnicas de dinamização, estratégias de promoção, e as normas de segurança, saúde e qualidade que enquadram tudo isto.
Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar o plano de marketing e o plano de visual merchandising; caracterizar o espaço de intervenção e identificar o mobiliário existente; aplicar técnicas de exposição e de visual merchandising; maximizar o m² e a frente do linear; selecionar e utilizar recursos e estratégias de promoção; utilizar o sistema informático e o software de planogramas; aplicar as normas de segurança, saúde no trabalho e qualidade; e medir a eficácia das técnicas usadas.
1. O ponto de venda e o plano de marketing
Um ponto de venda é o local, físico ou digital, onde o cliente encontra o produto ou serviço e decide comprar. Todo o trabalho de produção, logística e compras de uma empresa converge para este momento, e é aqui que se torna visível e mensurável.
O plano de marketing é o documento estratégico que define como a empresa atrai, convence e fideliza clientes. É o primeiro recurso que o técnico de comércio consulta, porque nenhuma decisão no ponto de venda deve contrariar o que aí está definido.
Estrutura típica de um plano de marketing
| Secção | Conteúdo |
|---|---|
| Diagnóstico | análise interna e externa, concorrência |
| Objetivos | comerciais, de imagem, de quota de mercado |
| Segmentação e público-alvo | quem é o cliente, o que procura |
| Marketing-mix | produto, preço, distribuição, comunicação |
| Orçamento e calendário | quanto se investe e quando |
Para o técnico de comércio, os componentes mais relevantes são o posicionamento de marca, a política de preços e o calendário de campanhas: são estes três que condicionam diretamente o layout e a dinamização do ponto de venda.
Antes de mudar qualquer coisa na loja, pergunta sempre: "isto está de acordo com o plano de marketing?" Um layout brilhante que contraria o posicionamento da marca é um erro caro.
2. Merchandising e visual merchandising
Merchandising é o conjunto de técnicas aplicadas no ponto de venda para estimular a compra através da apresentação do produto. É por vezes chamado o "vendedor silencioso", porque atua mesmo quando não há um funcionário a falar com o cliente.
- Objetivos do merchandising: aumentar as vendas, dar visibilidade a produtos concretos, melhorar a experiência de compra e otimizar o espaço disponível.
- Atua sobre variáveis físicas: localização do produto, tipo de exposição, sinalética, iluminação e ambiente geral.
O visual merchandising é a vertente do merchandising centrada na apresentação visual e estética: cores, iluminação, agrupamento de produtos e narrativa visual da montra e da loja.
- Objetivos do visual merchandising: reforçar a identidade da marca, guiar o olhar do cliente e valorizar produtos-chave (lançamentos, maior margem, coleção nova).
- O plano de visual merchandising, elaborado pelo departamento respetivo, define regras de exposição, os planogramas (esquemas que indicam onde vai cada referência no linear) e o calendário de renovação de montras.
Exemplo resolvido · reconhecer merchandising e visual merchandising
Uma loja de eletrodomésticos:
- Coloca as máquinas de café junto à zona de pequeno-almoço da secção de cozinha, perto dos torradores. Isto é merchandising: organização do produto para facilitar a venda cruzada.
- Ilumina de forma dramática a nova gama de robots de cozinha, com um painel de fundo em madeira clara e etiquetas de preço uniformes. Isto é visual merchandising: a apresentação estética reforça o produto e a marca.
A distinção interessa porque o plano de visual merchandising costuma vir com regras muito específicas (cores, materiais, alturas de sinalética) que o técnico deve cumprir, e não decidir por conta própria.
Cumprir as orientações do plano de visual merchandising é um critério de desempenho avaliado nesta UC. Alterar um planograma "porque parece melhor assim", sem validar com quem o definiu, é um erro grave, não um detalhe.
3. Analisar a situação inicial do ponto de venda
Esta é a primeira realização da UC. Antes de qualquer intervenção, o técnico levanta:
- O espaço disponível: área de venda, área de armazém, circulações, montras.
- O mobiliário existente: lineares, gôndolas, ilhas, expositores, checkouts, sinalética.
- O público-alvo e o seu comportamento habitual no espaço.
- Os pontos quentes e pontos frios já identificáveis pela observação e pelos dados de venda.
Avaliar o potencial de exposição do produto e dos pontos de venda, e considerar os fatores críticos que podem interferir no processo, são critérios de desempenho explícitos desta UC.
Fatores críticos a considerar
- Características dos produtos: tamanho, fragilidade, validade, sazonalidade.
- Perfil do público-alvo: idade, poder de compra, hábitos de compra.
- Área e layout da loja já existentes.
- Espaços interiores e exteriores: montra, esplanada, parque de estacionamento.
- Outros fatores: legislação de segurança aplicável, orçamento disponível, calendário promocional.
Exemplo resolvido · um levantamento inicial
Uma cadeia decide abrir uma loja de bricolage num espaço comercial de 300 m². Antes de desenhar o layout, o técnico regista: área de venda (240 m²) e de armazém (60 m²), dois acessos, um pé-direito alto (5 m, permite lineares elevados), zona de checkouts junto à saída, e um público-alvo maioritariamente adulto com carro próprio (implica corredores largos para carrinhos e material volumoso). Só depois deste levantamento começa a desenhar o layout.
4. Organizar o layout do ponto de venda
Esta é a segunda realização da UC. O layout é a disposição do mobiliário, das secções e dos circuitos de circulação dentro da loja, e deve ser adaptado às características do espaço comercial e ao público-alvo.
Pontos quentes e pontos frios
| Zona | Características | Onde aparece tipicamente |
|---|---|---|
| Ponto quente | alta circulação e visibilidade | entrada, fim dos corredores, junto à caixa |
| Ponto frio | baixa circulação, "cantos mortos" | cantos afastados, junto a arrumos, corredores centrais pouco percorridos |
O técnico coloca produtos de alta rotação ou compra por impulso nos pontos quentes, e usa técnicas de animação (iluminação, sinalética, promoções pontuais) para "aquecer" os pontos frios.
Caracterizar o espaço e identificar o mobiliário
Antes de desenhar o novo layout, caracteriza-se o espaço de intervenção e identifica-se o mobiliário existente: lineares, gôndolas, ilhas, expositores, sinalética, carrinhos e cestos, além de restrições físicas como pilares, tomadas elétricas e saídas de emergência assinaladas na planta de segurança do edifício.
Numa loja de roupa de 150 m², o técnico identifica: 4 lineares de parede, 3 gôndolas centrais, 2 provadores, e um ponto frio junto ao fundo esquerdo da loja, onde a circulação é mínima segundo o registo de vendas por zona. A decisão: mover a coleção de acessórios (compra por impulso, leve de deslocar) para esse ponto frio, acompanhada de sinalética e iluminação direcionada, e reservar o ponto quente da entrada para a coleção da estação.
5. Técnicas de organização do espaço de venda
- Layout: a disposição geral do espaço e dos percursos de circulação.
- Linear: o comprimento de prateleira ou expositor disponível para expor produtos, medido em metros. É o recurso mais escasso do ponto de venda.
- Gôndola: móvel de exposição com prateleiras dos dois lados (ou de um só lado, junto à parede), a unidade básica de exposição em superfícies alimentares.
- Ilha: móvel de exposição isolado no meio do percurso, usado para destacar promoções ou novidades.
- Expositor: estrutura dedicada a um produto ou marca, muitas vezes fornecida pelo próprio fabricante.
- Checkout: zona de pagamento, aproveitada para produtos de compra por impulso (pilhas, chicletes, revistas).
- Sinalética: placas, setas e cartazes que orientam o cliente e comunicam preços e promoções.
- Carrinhos e cestos: a sua disponibilidade e localização influenciam o valor médio da compra.
- Espaços quentes e espaços frios: ver secção anterior.
- Secções: agrupamentos lógicos de produto (mercearia, higiene, congelados) que orientam o percurso do cliente.
O critério de desempenho adaptar as técnicas à organização do espaço significa que a mesma técnica pode precisar de ajustes conforme a loja é grande, pequena, alimentar ou de moda. Não existe uma fórmula única.
6. Decoração de interiores e imagem
A decoração de interiores e imagem cuida do ambiente global da loja, complementando a exposição funcional de produto:
- Espaços de intervenção: montra, entrada, corredores principais, zona de caixa, provadores.
- Técnicas de decoração: paleta cromática coerente com a marca, iluminação direcionada a produtos-chave, materiais (madeira, metal, têxtil) alinhados com o posicionamento da marca.
- Ferramentas de decoração: mood boards, amostras de material, plantas 2D/3D, software de simulação de espaço.
A decoração de interiores não é um capítulo à parte da estratégia comercial: uma iluminação fria numa loja de produtos artesanais contradiz o posicionamento da marca tanto quanto um preço mal calculado.
7. Maximização do linear
O m² de venda e o linear são os dois recursos físicos mais disputados do ponto de venda. Maximizar o seu uso é uma competência de cálculo, não de intuição.
Rendimento por m²
Rendimento por m² = Vendas do período / Área de venda (m²)
Exemplo resolvido · rendimento por m²
Uma loja de vestuário com 120 m² de área de venda faturou 18 000 € no mês.
Rendimento por m² = 18 000 / 120 = 150 €/m²
Este indicador serve para comparar zonas ou lojas de dimensão diferente de forma justa: uma loja de 80 m² que fature 9 600 €/mês tem rendimento de 9 600 / 80 = 120 €/m², um desempenho inferior aos 150 €/m² da primeira loja, mesmo com menos vendas absolutas.
Frente do linear e número de frentes por produto
- Frente do linear: a largura de embalagem visível de frente para o cliente, por unidade exposta.
- Número de frentes por produto: quantas unidades do mesmo produto ficam viradas para o corredor. Mais frentes aumentam a visibilidade, mas ocupam mais linear.
Exemplo resolvido · quantas frentes cabem
Um linear de 10 m expõe uma embalagem com 20 cm de largura.
Frentes totais possíveis = (10 m × 100) / 20 cm = 1000 / 20 = 50 frentes
Se a empresa quer 2 frentes por referência para 25 referências:
Linear necessário = 25 referências × 2 frentes × 0,20 m = 10 m
O linear de 10 m está exatamente no limite: qualquer referência extra obriga a reduzir frentes por referência ou a retirar produtos do sortido.
Exemplo resolvido · quantas referências cabem num linear menor
Um linear disponível de 4 m, com embalagens de 25 cm de largura, e a empresa quer 8 frentes por referência:
Linear por referência = 8 frentes × 0,25 m = 2 m
Referências que cabem = 4 m / 2 m = 2 referências
Com este linear, só cabem 2 referências a 8 frentes cada. Para incluir uma terceira referência sem aumentar o linear, é preciso reduzir para, no máximo, 5 frentes por referência (4 m / 3 referências ≈ 1,33 m, ou seja, 1,33 / 0,25 ≈ 5 frentes).
8. Tipos e níveis de exposição
Tipos de exposição
| Tipo | Como funciona | Efeito |
|---|---|---|
| Vertical | o mesmo produto ou marca ocupa várias prateleiras, de cima a baixo | fácil de localizar, boa visibilidade em toda a altura |
| Horizontal | o produto ocupa uma só prateleira, ao longo do linear | agrupa por preço ou marca a uma só altura, menos visível ao todo |
A exposição vertical costuma ser preferida para reforçar a marca e facilitar a procura visual; a horizontal é comum quando se organiza por gama de preços.
Níveis de exposição
| Nível | Altura aproximada | Valor comercial |
|---|---|---|
| Nível dos olhos | 1,50 a 1,70 m | o mais valioso, maior visibilidade e venda |
| Nível das mãos | 0,80 a 1,50 m | bom, fácil de alcançar |
| Nível dos pés | abaixo de 0,80 m | o mais fraco, exige o cliente baixar-se |
A regra de ouro do setor é "nível dos olhos, nível de venda": produtos de maior margem vão para o nível dos olhos; produtos de grande volume e baixo valor unitário podem ir para o nível dos pés.
Erro comum: colocar sempre os produtos mais baratos ao nível dos olhos, "para vender mais barato". O nível dos olhos vende mais de qualquer produto que aí esteja, por isso deve levar o de maior margem para a empresa.
9. Tecnologia na exposição
A tecnologia tem alterado a forma como o produto se expõe, tanto em loja física como online:
- Moda digital: coleções e vitrinas virtuais que complementam ou substituem a exposição física, sobretudo online.
- Realidade virtual (RV): experiências imersivas, como provadores virtuais ou visitas 360º à loja.
- Realidade aumentada (RA): sobrepõe informação digital ao espaço real, por exemplo ver como uma peça de roupa ou de mobiliário fica "no corpo" ou "em casa" através do telemóvel.
- Moda digital integrada com inteligência artificial: recomendação personalizada de produto com base no histórico e no perfil do cliente.
Tecnologia em lojas alimentares
- Preços móveis (etiquetas eletrónicas): atualização de preço em tempo real, sincronizada com o sistema informático central.
- Compra direta: o cliente regista os produtos com o telemóvel ou um leitor próprio à medida que enche o carrinho.
- Caixa inteligente (self-checkout): pagamento sem operador, com leitura automática ou por código, libertando pessoal para apoio ao cliente e reposição.
Estas tecnologias exigem um sistema informático fiável por trás: uma falha técnica aqui trava a loja toda, não apenas um posto de trabalho.
10. Comportamento do consumidor e fatores críticos
Comportamento do consumidor
- Numa loja num país de condução à direita, a maioria dos clientes tende a virar à direita ao entrar.
- O percurso segue habitualmente os corredores exteriores, sendo os corredores centrais menos percorridos.
- Grande parte das decisões de compra é tomada dentro da loja (compra por impulso), não antes de entrar.
- O tempo de permanência correlaciona-se com o valor médio da compra, até um certo limite razoável.
Estas regularidades explicam decisões de layout que, à primeira vista, parecem arbitrárias: produtos de primeira necessidade (pão, leite) ficam quase sempre longe da entrada, para que o cliente percorra mais loja no caminho.
Fatores críticos, revisitados
Os mesmos fatores críticos do Capítulo 3 (características do produto, público-alvo, área e layout, espaços interiores e exteriores, outros) voltam a ser decisivos aqui: uma técnica de dinamização que funciona numa loja de congelados pode não fazer sentido numa loja de roupa, precisamente por causa destes fatores.
11. Técnicas de dinamização do ponto de venda
Depois de analisar e organizar, o técnico dinamiza o espaço: esta é a terceira realização da UC.
Displays, PLV e ILV
- Display: estrutura autónoma de exposição, muitas vezes fornecida pela marca, para destacar um produto ou promoção pontual.
- PLV (Publicidade no Local de Venda): materiais publicitários no espaço da loja: expositores de marca, totens, banners. Objetivo: vender a marca.
- ILV (Informação no Local de Venda): materiais informativos, não publicitários: preços, características do produto, modo de utilização. Objetivo: informar a decisão.
Sinalética, degustação, som e aroma
- Sinalética: placas e setas de orientação, preço e promoção.
- Degustação: experimentação direta do produto, muito eficaz em alimentar e bebidas.
- Música e som ambiente: influenciam o ritmo de circulação e o estado de espírito do cliente.
- Aroma: o marketing olfativo reforça a identidade da marca, como o cheiro característico de uma padaria ou de uma perfumaria.
Vales, brindes, sorteios e concursos
- Vales e brindes: incentivo direto e imediato à compra ou à repetição de compra.
- Sorteios e concursos: geram envolvimento e recolha de dados de contacto, com efeito mais adiado no tempo.
Selecionar as técnicas de dinamização e promoção do ponto de venda adequadas ao objetivo, ao produto e ao momento (lançamento, liquidação, época alta) é um critério de desempenho explícito: um lançamento de produto pede degustação e display; uma liquidação de fim de coleção pede sinalética de preço e vales.
12. Estratégias de promoção
- Cross selling (venda cruzada): sugerir um produto complementar ao que o cliente já vai levar, por exemplo pilhas junto ao brinquedo.
- Up selling: sugerir uma versão superior ou com mais valor do mesmo produto.
- Email marketing: comunicação direta e personalizada, para promoções, novidades e fidelização.
- Remarketing: voltar a comunicar com quem já demonstrou interesse, como quem visitou a loja online ou deixou um carrinho por finalizar.
- Cupões: descontos com código, físico ou digital, que incentivam a primeira compra ou a repetição.
- Amostras: pequenas quantidades gratuitas que reduzem o risco percebido de experimentar um produto novo.
- Comparadores de preços: ferramentas, sobretudo online, que colocam a loja em concorrência direta e visível com outras.
- Campanhas solidárias: associam a compra a uma causa, reforçando a imagem de marca.
- Campanhas com bloggers e figuras públicas: usam a influência e o alcance de terceiros para dar visibilidade ao produto ou à loja.
Selecionar as estratégias de acordo com o plano de marketing, os recursos disponíveis, as características do produto e do público-alvo é o critério que decide qual usar: uma marca jovem e digital tira mais partido de bloggers; uma marca tradicional pode beneficiar mais de uma campanha solidária local.
Ticket médio: medir o efeito das estratégias de promoção
O ticket médio mede o valor médio gasto por cliente ou por transação:
Ticket médio = Vendas do período / Número de transações
Exemplo resolvido · ticket médio antes e depois de uma ação de cross selling
Uma loja regista 270 transações num mês, com vendas totais de 18 000 €:
Ticket médio = 18 000 / 270 = 66,67 €
Se, no mês seguinte, uma ação de cross selling na caixa (sugerir sempre um acessório barato) elevar o ticket médio para 72 € mantendo o mesmo número de clientes, o ganho de 5,33 € por transação mede diretamente a eficácia da estratégia.
13. Sistema informático, segurança e qualidade
Sistema informático e software específico
O técnico de comércio usa o sistema informático da empresa para consultar stock, preços e vendas, e software específico para elaborar peças de comunicação, desenhar e ajustar planogramas, e acompanhar indicadores de desempenho do ponto de venda. Manusear bem estas ferramentas poupa tempo e evita erros de preço e de stock.
Equipamentos de proteção individual e normas de segurança e saúde
A exposição e reposição de produto implicam riscos físicos reais:
- EPI: luvas, calçado de proteção e, em armazém, coletes de alta visibilidade, conforme o risco da tarefa concreta.
- Tipos de risco: quedas em altura ao repor lineares elevados, cortes em embalagens, esforços de carga ao manusear paletes.
- Métodos, instrumentos e técnicas de prevenção: escadotes e plataformas homologadas (nunca prateleiras ou caixotes), técnicas corretas de levantamento de carga, e sinalização de zonas em reposição.
Subir a uma prateleira ou a um caixote em vez de usar um escadote homologado é um dos erros mais frequentes e mais graves na reposição de linear. A prevenção passa por ter sempre o equipamento certo à mão.
Normas da qualidade
As normas da qualidade aplicam-se também à organização do ponto de venda: consistência na aplicação de planogramas e preços entre lojas da mesma cadeia, verificação de validades e condições de conservação (sobretudo em produtos alimentares), e procedimentos documentados de reposição e limpeza do espaço de exposição.
14. Medir a eficácia e fechar o ciclo
Aplicar uma técnica de dinamização não chega: é preciso analisar e medir a sua eficácia, aptidões explícitas desta UC.
- Indicadores úteis: rendimento por m², vendas da referência antes e depois da ação, ticket médio, taxa de rotação do produto exposto.
- Comparar o período da ação de dinamização com um período equivalente sem ação, por exemplo a mesma semana do mês anterior, evitando comparar períodos não equivalentes (como Natal com um mês de férias).
- Se o indicador não melhora, a técnica não deve ser repetida sem ajuste.
Exemplo resolvido · comparar uma ação de dinamização
Uma loja regista, na semana de uma ação promocional com display e degustação, 2 000 visitantes e 500 clientes que compraram o produto em destaque, faturando 42 000 € numa área de venda de 200 m²:
Taxa de atração = visitantes / transeuntes contados à porta
Taxa de conversão = compradores / visitantes = 500 / 2000 = 25%
Rendimento por m² = 42 000 / 200 = 210 €/m²
Ticket médio = 42 000 / 500 = 84 €
Comparando estes valores com a semana equivalente sem ação promocional, a loja confirma (ou não) que a técnica utilizada valeu o investimento feito em display e degustação.
Erros comuns
- Decidir sem analisar primeiro: mudar o layout ou lançar uma promoção sem levantar a situação inicial do ponto de venda.
- Confundir PLV com ILV: PLV é publicidade da marca, ILV é informação ao cliente. São objetivos diferentes.
- Pôr sempre os produtos mais baratos ao nível dos olhos: o nível dos olhos vende mais de qualquer produto, por isso deve levar o de maior margem.
- Esquecer a conversão de unidades ao calcular frentes e linear (misturar centímetros com metros).
- Alterar um planograma por gosto pessoal, sem validar com quem definiu o plano de visual merchandising.
- Comparar períodos não equivalentes ao avaliar a eficácia de uma ação (por exemplo, mês de Natal com mês de férias).
- Subir a prateleiras ou caixotes em vez de usar equipamento de proteção e escadotes homologados.
- Usar todas as técnicas de dinamização ao mesmo tempo, diluindo o impacto de cada uma em vez de selecionar a mais adequada.
Glossário
- Ponto de venda · local, físico ou digital, onde o cliente decide comprar.
- Merchandising · técnicas de apresentação do produto no ponto de venda para estimular a compra.
- Visual merchandising · vertente estética e visual do merchandising.
- Planograma · esquema que indica onde vai cada referência no linear.
- Linear · comprimento de prateleira ou expositor disponível para expor produtos, em metros.
- Gôndola · móvel de exposição com prateleiras dos dois lados.
- Ponto quente / ponto frio · zonas de alta ou de baixa circulação e visibilidade na loja.
- Frente do linear · largura de embalagem visível de frente para o cliente, por unidade exposta.
- PLV · Publicidade no Local de Venda: materiais publicitários da marca.
- ILV · Informação no Local de Venda: materiais informativos ao cliente.
- Cross selling · sugerir um produto complementar ao que o cliente já vai levar.
- Up selling · sugerir uma versão superior do mesmo produto.
- Remarketing · voltar a comunicar com quem já demonstrou interesse.
- Rendimento por m² · vendas do período a dividir pela área de venda.
- Ticket médio · vendas do período a dividir pelo número de transações.
- EPI · Equipamentos de Proteção Individual.
Síntese
Organizar e dinamizar um ponto de venda segue sempre o mesmo ciclo: analisar a situação inicial (espaço, mobiliário, público, fatores críticos) → enquadrar em merchandising e visual merchandising (plano da empresa) → organizar o layout (pontos quentes e frios, técnicas de organização, decoração) → maximizar o linear com cálculo (m², frentes, níveis de exposição) → considerar tecnologia e comportamento do consumidor → definir e implementar técnicas de dinamização e estratégias de promoção → cumprir normas de segurança, saúde e qualidade → medir a eficácia e ajustar. Domina este ciclo e sabes organizar qualquer ponto de venda, do pequeno comércio à grande superfície.
Exercícios resolvidos
1. Uma loja tem 90 m² de área de venda e faturou 13 500 € no mês. Qual o rendimento por m²?
Resolução: Rendimento por m² = 13 500 / 90 = 150 €/m². É o mesmo valor de referência do exemplo da loja de vestuário do Capítulo 7, o que ajuda a comparar o desempenho das duas lojas apesar de terem áreas diferentes.
2. Um linear de 6 m expõe uma embalagem de 15 cm de largura, com 2 frentes por referência. Quantas referências diferentes cabem no linear?
Resolução: Linear por referência = 2 × 0,15 m = 0,30 m. Referências que cabem = 6 / 0,30 = 20 referências. Se a empresa quiser reduzir para 1 frente por referência, o número de referências que cabe duplica para 40, ao custo de menor visibilidade de cada uma.
3. Um colega quer pôr sempre os artigos de marca própria (maior margem) ao nível dos pés "para não estragarem". O que lhe respondes?
Resolução: Está a inverter a lógica dos níveis de exposição. O nível dos olhos (1,50 a 1,70 m) é o de maior valor comercial, porque atrai mais atenção e vende mais de qualquer produto que aí esteja. Os produtos de maior margem, como a marca própria, devem ocupar o nível dos olhos, não o nível dos pés.
4. Distingue PLV de ILV com um exemplo de cada.
Resolução: PLV (Publicidade no Local de Venda) é material publicitário da marca, como um totem de uma marca de refrigerantes. ILV (Informação no Local de Venda) é material informativo e não publicitário, como uma etiqueta com a tabela nutricional de um produto. A diferença está no objetivo: vender a marca (PLV) versus informar a decisão (ILV).
5. Uma loja tem 4 000 transeuntes numa semana, dos quais 600 entram na loja, e destes 180 compram, gerando 9 600 € de vendas. Calcula a taxa de atração, a taxa de conversão e o ticket médio.
Resolução: Taxa de atração = 600 / 4 000 = 15%. Taxa de conversão = 180 / 600 = 30%. Ticket médio = 9 600 / 180 = 53,33 €. Estes três indicadores em conjunto mostram onde está o problema (ou o sucesso): se a taxa de atração for baixa, o problema está na montra ou na localização; se a taxa de conversão for baixa, o problema está dentro da loja.