Sebenta · Efetuar a exposição e reposição de produtos no ponto de venda (UC02687)
- Introdução
- 1. Promoção comercial e o papel do ponto de venda
- 2. Merchandising: conceito, objetivos e plano
- 3. Visual merchandising
- 4. O planograma
- 5. Lineares, topos de gôndola, ilhas e o espaço comercial
- 6. Rendimento do linear
- 7. Reposição de produtos e rotação de stock
- 8. Quebra e controlo de stock
- 9. FIFO e FEFO na reposição
- 10. Embalagem, sinalética promocional e sistema informático
- 11. Meios e estratégias de publicidade e promoção
- 12. Novos equipamentos tecnológicos de apoio à atividade
- 13. Segurança, qualidade alimentar e saúde no trabalho
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta cobre a unidade curricular "Efetuar a exposição e reposição de produtos no ponto de venda", do curso Técnico de Comércio. O tema é aquilo que acontece depois do plano de marketing estar escrito: como um produto chega, sem erros, à prateleira certa, na posição certa, com o preço certo, e como se mantém lá, reposto e em condições, todos os dias.
O percurso segue o referencial oficial: primeiro os conceitos de promoção comercial e merchandising, depois o visual merchandising e o planograma como ferramentas concretas de organização do espaço, seguidos das técnicas de reposição (com a matemática de rotação e quebra que sustenta as decisões), das técnicas de embalagem e sinalética promocional, dos meios e estratégias de publicidade e promoção, do apoio do sistema informático e dos novos equipamentos tecnológicos, e por fim das normas de segurança, qualidade alimentar e saúde no trabalho que enquadram tudo o resto.
Objetivos de aprendizagem (referencial): expor e promover produtos; executar a reposição de produtos no ponto de venda; e implementar estratégias de merchandising de promoção de produtos, sempre respeitando o plano de visual merchandising, as características do espaço e dos produtos, os procedimentos de montagem de lineares, topos de gôndola e ilhas, e as normas de segurança e saúde no trabalho.
1. Promoção comercial e o papel do ponto de venda
A promoção comercial é o conjunto de ações que dão a conhecer um produto ou serviço e estimulam a sua compra. É um dos quatro pilares clássicos do marketing, ao lado do produto, do preço e da distribuição.
Uma parte importante da decisão de compra acontece dentro da loja, mesmo quando o cliente já tinha uma ideia do que ia comprar. Fatores como a arrumação, a iluminação, a limpeza e a facilidade de encontrar o produto influenciam diretamente essa decisão. Por isso, o ponto de venda funciona como a última e decisiva etapa de todo o esforço de marketing: uma campanha publicitária excelente perde o efeito se, na loja, o produto estiver mal exposto, sem preço visível ou fora de stock.
O técnico de comércio não define a estratégia de marketing da empresa, mas é quem a executa no terreno, todos os dias, a partir de dois documentos de referência:
- O plano de marketing, que define objetivos comerciais gerais.
- O plano de visual merchandising da empresa, que fixa as regras concretas de apresentação do espaço e dos produtos.
Fatores do espaço comercial que influenciam a venda
| Fator | Efeito na venda |
|---|---|
| Circulação | facilita ou dificulta chegar ao produto |
| Iluminação | destaca ou esconde o produto |
| Limpeza e arrumação | transmite confiança ou desleixo |
| Temperatura e ambiente | influencia o tempo que o cliente permanece na loja |
| Sinalética | orienta e informa sem precisar de um vendedor presente |
2. Merchandising: conceito, objetivos e plano
Merchandising é o conjunto de técnicas aplicadas no ponto de venda para apresentar o produto nas melhores condições, físicas e psicológicas, de forma a maximizar a rotação e a rendibilidade do espaço de venda.
Os seus objetivos principais são:
- Aumentar as vendas de cada categoria e do espaço como um todo.
- Melhorar a rotação de stock, reduzindo produto parado e o risco de quebra.
- Valorizar a imagem da marca e da loja através da apresentação.
- Facilitar a decisão de compra, tornando o produto fácil de encontrar, comparar e entender.
A diferença entre publicidade e merchandising é simples de fixar: a publicidade atrai o cliente até à loja; o merchandising vende-lhe dentro dela.
O plano de merchandising
O plano de merchandising traduz a estratégia comercial em regras práticas para o espaço de venda. Inclui normalmente:
- Objetivos comerciais do período (vendas, rotação, lançamento de um produto).
- Categorias e produtos prioritários, aos quais se atribui mais espaço e destaque.
- Regras de exposição, incluindo zonas quentes e frias, alturas de prateleira e agrupamentos de produtos.
- Calendário promocional, com datas de campanhas e destaques sazonais.
- Indicadores de controlo, como o rendimento por metro linear, a rotação e a quebra.
O técnico de comércio parte sempre deste plano; alterações de exposição por iniciativa própria, sem confirmar se contrariam o plano, são um erro a evitar.
3. Visual merchandising
O visual merchandising é a componente visual e estética do merchandising: como o espaço, o mobiliário, a iluminação e a apresentação do produto comunicam com o cliente, criando uma experiência de compra coerente com a imagem da marca.
Trabalha, sobretudo, a hierarquia visual: o que o cliente vê primeiro, segundo e terceiro ao entrar numa zona da loja. Aplica-se à montra, à entrada, aos corredores principais, às zonas de destaque e à própria forma como a embalagem fica exposta.
Ferramentas do visual merchandising
- Zonas quentes e frias: zonas de maior e menor circulação e visibilidade dentro da loja. As zonas quentes (entrada, fim de corredor, altura dos olhos) recebem os produtos de maior margem ou prioridade estratégica.
- Pontos focais: destaques visuais que atraem o olhar, como um topo de gôndola, uma ilha ou uma montra trabalhada.
- Cor, luz e materiais: reforçam a categoria de produto e a identidade da marca; uma iluminação mal dirigida esconde o que devia vender.
- Sinalética e comunicação: cartazes, etiquetas e displays que orientam e informam sem depender de um vendedor.
- Novos equipamentos tecnológicos: écrãs, espelhos inteligentes, assistentes virtuais e beacons que reforçam a experiência de compra (ver capítulo 10).
Todas estas ferramentas devem respeitar o plano de visual merchandising da empresa e as características do espaço e dos produtos, um dos critérios de desempenho explícitos desta UC.
4. O planograma
O planograma é a representação gráfica e detalhada de como os produtos devem ser colocados numa prateleira, linear, expositor ou gôndola: que produto, em que posição exata, com que quantidade de frentes (faces visíveis ao cliente) e com que orientação.
Os objetivos de um planograma são:
- Consistência entre lojas da mesma cadeia.
- Otimização do rendimento por metro linear, colocando mais espaço onde mais rende.
- Cumprimento de acordos comerciais com fornecedores sobre posição e quantidade de exposição.
- Facilidade de auditoria, permitindo comparar rapidamente o que está na loja com o que devia estar.
É produzido em software de elaboração de planogramas, normalmente ligado ao plano de visual merchandising e aos dados de vendas do sistema informático.
Aplicar um planograma, passo a passo
- Confirmar a referência do linear (código do móvel e localização na loja).
- Ler a grelha do planograma: prateleira, posição e número de frentes de cada produto.
- Confirmar que o stock disponível no armazém chega para preencher as frentes previstas.
- Colocar os produtos pela ordem e orientação definidas, com a face principal voltada para o cliente.
- Verificar o resultado final contra o planograma antes de dar a exposição por concluída.
Um erro frequente é preencher espaços vazios com o produto que estiver mais à mão, "para não deixar buracos". Isto quebra o planograma e distorce a leitura do rendimento por linear: segue-se sempre o planograma, mesmo quando é mais trabalhoso.
5. Lineares, topos de gôndola, ilhas e o espaço comercial
Recursos visuais de promoção
- Linear: o comprimento de prateleira disponível para expor uma categoria ou marca, medido em metros lineares.
- Topo de gôndola: a extremidade de um corredor de gôndolas, com grande visibilidade em duas ou três direções; usado sobretudo para promoções e novidades, muitas vezes negociado diretamente com o fornecedor.
- Ilha: um expositor isolado no meio da loja, sem estar encostado a paredes ou gôndolas; cria um ponto focal forte, geralmente para produtos sazonais ou de lançamento.
- Ponto de venda adicional (PVA): qualquer exposição fora do local habitual do produto, para reforçar uma promoção.
Um topo de gôndola ou uma ilha vazios são um erro grave de merchandising: perde-se um dos espaços mais visíveis e rentáveis da loja.
Decoração de interiores e caracterização do espaço
Antes de decidir onde e como expor, o técnico caracteriza o espaço de intervenção: dimensões, circulação, iluminação, mobiliário existente e imagem de marca da loja.
- A cor e os materiais do mobiliário devem ser coerentes com a identidade da marca e com a categoria de produto.
- A iluminação destaca produtos e cria ambiente.
- A circulação deve permitir ao cliente ver e alcançar o produto sem obstáculos.
- A imagem geral do espaço é também comunicação: uma loja desarrumada transmite falta de qualidade, mesmo com bons produtos.
Um planograma pensado para uma loja de grande dimensão precisa quase sempre de adaptação quando aplicado a um espaço mais pequeno; ignorar essa adaptação é outro erro comum.
6. Rendimento do linear
O espaço de exposição é um recurso escasso: cada metro linear tem um custo de oportunidade, porque o que ocupa espaço a mais está, por definição, a tirar espaço a outro produto. Por isso mede-se o rendimento do linear, para decidir onde investir mais espaço.
$$\text{Rendimento do linear (valor)} = \frac{\text{Vendas do período}}{\text{Metros lineares ocupados}}$$
Pode calcular-se em valor de vendas (euros por metro) ou, de forma mais completa, em margem (euros de margem por metro), porque dois produtos podem vender o mesmo valor com margens muito diferentes.
Exemplo resolvido: rendimento em valor
Dois lineares do mesmo corredor, no mesmo mês:
| Linear | Comprimento | Vendas do mês |
|---|---|---|
| A · Charcutaria | 2,80 m | 3 920 € |
| B · Conservas | 5,00 m | 4 500 € |
$$R_A = \frac{3\,920}{2{,}80} = 1\,400\ €/\text{m} \qquad R_B = \frac{4\,500}{5{,}00} = 900\ €/\text{m}$$
Apesar de a charcutaria vender menos em valor absoluto (3 920 € contra 4 500 €), rende mais por metro (1 400 €/m contra 900 €/m), porque ocupa quase metade do espaço.
Exemplo resolvido: rendimento em margem
Para a charcutaria, com PVP unitário de 4,00 € e custo unitário de 2,60 €:
- Margem unitária: 4,00 − 2,60 = 1,40 € (35% do PVP).
- Unidades vendidas no mês: 3 920 / 4,00 = 980 unidades.
- Margem total do mês: 980 × 1,40 = 1 372 €.
- Rendimento em margem: 1 372 / 2,80 ≈ 490 €/m.
Este segundo indicador é o mais completo, porque um linear pode ter vendas elevadas mas margem baixa, e outro vender menos mas com margem muito superior. As decisões de espaço devem considerar sempre os dois indicadores, dentro do que o plano de merchandising permitir alterar.
7. Reposição de produtos e rotação de stock
Repor é garantir que o linear se mantém completo, correto e apresentável ao longo do dia, à medida que os produtos são vendidos. A reposição segue sempre o planograma (mesma posição, mesma orientação, mesmo número de frentes) e deve ser feita, sempre que possível, nos horários de menor afluência de clientes.
Ao repor, o técnico verifica também validades, preços, etiquetas e o estado da embalagem de cada produto: produtos danificados ou fora de prazo são retirados de imediato, nunca deixados no linear "por não haver substituto à mão".
Rotação de stock
A rotação de stock mede quantas vezes o stock médio é vendido e substituído num determinado período.
$$\text{Rotação} = \frac{\text{Vendas do período}}{\text{Stock médio do mesmo período}}$$
Exemplo resolvido
Uma peixaria vende em média 240 kg de peixe fresco por semana e mantém um stock médio de 30 kg exposto, por se tratar de um produto muito perecível.
$$\text{Rotação semanal} = \frac{240}{30} = 8$$
$$\text{Rotação diária} \approx \frac{240/7}{30} = \frac{34{,}3}{30} \approx 1{,}14$$
O stock roda cerca de 8 vezes por semana, ou seja, mais de uma vez por dia. Uma rotação alta é desejável em produtos perecíveis: significa produto sempre fresco e menor risco de quebra por validade. Uma rotação muito baixa, pelo contrário, é sinal de excesso de stock face à procura, ou de fraca atratividade do produto no linear.
8. Quebra e controlo de stock
Quebra é a diferença entre o stock que devia existir, segundo o sistema informático, e o stock que realmente existe na loja, apurado por contagem física.
Distinguem-se dois tipos:
- Quebra conhecida: produtos fora de prazo, danificados ou quebrados, identificados e registados no momento em que se detetam.
- Quebra desconhecida: diferenças sem causa identificada no momento, como erros de registo, erros de picagem ou furto.
A quebra não é "normal" ou inevitável: é um indicador que se controla e reduz ativamente, sobretudo através de rotação correta (FIFO/FEFO), verificação frequente de validades e cuidado no manuseamento e na reposição.
Exemplo resolvido
Um talho apurou no sistema informático um stock de 800 kg de carne no fim do mês. A contagem física registou 764 kg.
$$\text{Quebra} = 800 - 764 = 36\ \text{kg}$$
$$\text{Quebra}\ (\%) = \frac{36}{800} \times 100 = 4{,}5\%$$
Com um custo médio de 6,50 €/kg:
$$\text{Valor da quebra} = 36 \times 6{,}50 = 234{,}00\ €$$
O talho perdeu 234,00 € por diferenças entre o stock contabilístico e o físico nesse mês. A percentagem calcula-se sempre sobre o stock contabilístico (o valor de referência), não sobre o stock físico contado.
9. FIFO e FEFO na reposição
Duas regras orientam a ordem de saída do stock ao repor:
| Sigla | Significado | Critério de saída |
|---|---|---|
| FIFO | First In, First Out | sai primeiro o que entrou primeiro no armazém |
| FEFO | First Expired, First Out | sai primeiro o que expira primeiro, seja qual for a data de entrada |
O FIFO é adequado a produtos sem validade curta, em que a ordem de entrada é o que importa para efeitos de gestão de stock. O FEFO é obrigatório em produtos alimentares e perecíveis, porque o que expira primeiro tem de sair primeiro, mesmo que tenha entrado no armazém depois de outro lote. Um lote entregue mais tarde pode, por exemplo, ter uma validade mais curta do que um lote mais antigo, se houve atraso na produção; nesse caso o FEFO manda-o sair primeiro.
Na prática, ao repor: coloca-se o stock novo atrás do stock antigo, ou com validade mais próxima, nunca por cima. Repor sempre "por cima", empurrando o stock antigo para o fundo da prateleira, é uma das causas mais frequentes de quebra por validade.
Exemplo resolvido: aplicar o FEFO
Num armazém de loja há três lotes do mesmo iogurte:
| Lote | Quantidade | Validade |
|---|---|---|
| C | 25 unidades | 05/09 |
| D | 90 unidades | 15/09 |
| E | 45 unidades | 25/09 |
É preciso repor 100 unidades na prateleira. Aplicando o FEFO:
- Retiram-se as 25 unidades do lote C (expira primeiro, em 05/09).
- Faltam 100 − 25 = 75 unidades; retiram-se do lote D (expira em 15/09).
- O lote D tem 90 unidades; retiram-se 75, ficando 15 em reserva.
- O lote E (45 unidades, validade 25/09) não é usado nesta reposição.
Resultado: 25 (lote C) + 75 (lote D) = 100 unidades repostas, sempre pela ordem de validade, e nunca pela ordem inversa por conveniência de acesso ao lote.
10. Embalagem, sinalética promocional e sistema informático
Técnicas de embalagem de produtos
A embalagem protege o produto, mas também comunica e vende, sobretudo quando é ela própria que fica exposta no linear.
- Deve ser resistente o suficiente para suportar o manuseamento normal em loja e a empilhagem prevista pelo fabricante.
- A face principal deve estar sempre voltada para o cliente, conforme o planograma.
- Embalagens promocionais (packs, ofertas, edições especiais) precisam de sinalética própria, para o cliente identificar a vantagem à primeira vista.
- Embalagem danificada compromete a imagem do produto e da loja: deve ser retirada, nunca escondida atrás de outras unidades.
Etiquetas de preço e sinalética
Colocar sinalética correta é um dos critérios de desempenho explícitos desta UC:
- A etiqueta de preço tem de estar sempre alinhada com o produto certo, atualizada e legível, de acordo com o plano de visual merchandising.
- A sinalética promocional inclui cartazes, faixas, molas de destaque e "stoppers" que sinalizam descontos ou novidades.
- O sistema informático garante que o preço em etiqueta corresponde ao preço em caixa; qualquer alteração de preço tem de ser atualizada nos dois locais em simultâneo, para evitar reclamações e riscos legais.
O sistema informático como apoio à decisão
O sistema informático de gestão comercial liga stock, preços, encomendas e vendas: confirma quantidades disponíveis antes de uma reposição, regista entradas e saídas (incluindo produtos retirados por quebra) e gera os relatórios de rendimento por linear, rotação e quebra que sustentam as decisões de merchandising descritas nos capítulos anteriores.
11. Meios e estratégias de publicidade e promoção
Meios de promoção no ponto de venda
- PLV (publicidade no local de venda): expositores, displays, molas, stoppers, faixas.
- Amostras e degustações: experimentação direta do produto pelo cliente.
- Demonstrações: apresentação ao vivo de um produto ou serviço.
- Descontos e ofertas: redução direta de preço, promoções do tipo "leve mais, pague menos".
- Écrãs e comunicação digital na loja: vídeos, preços dinâmicos, catálogos interativos.
Estratégias promocionais de bens e produtos
- Promoção de preço: desconto direto, cupão, cartão de fidelização.
- Promoção de quantidade: "leve 3, pague 2", packs promocionais.
- Promoção de lançamento: destaque em topo de gôndola ou ilha para um produto novo.
- Promoção cruzada (cross-merchandising): expor produtos complementares juntos, como massa e molho, ou churrasco e carvão.
- Promoção sazonal: adaptar exposição e sinalética a épocas como Natal, Páscoa ou regresso às aulas.
A escolha da estratégia certa depende dos fatores críticos de promoção do produto: público-alvo, margem, prazo de validade e objetivo definido no plano de merchandising.
12. Novos equipamentos tecnológicos de apoio à atividade
O retalho tem vindo a integrar novos equipamentos tecnológicos como apoio à exposição e à experiência de compra:
- Realidade aumentada (RA) e realidade virtual (RV): aplicações que mostram informação adicional sobre o produto ou simulam a sua utilização.
- Écrãs, tablets e smartphones em loja: informação de produto, preços dinâmicos e catálogos digitais.
- Beacons bluetooth: enviam notificações ou promoções ao smartphone do cliente quando este se aproxima de um linear.
- Espelhos inteligentes: simulam experimentação de roupa, maquilhagem ou acessórios sem o cliente ter de os vestir ou aplicar.
- Assistentes virtuais e robôs: apoiam a navegação e a informação dentro da loja.
Estes equipamentos só têm valor quando integrados no plano de visual merchandising e adequados ao público-alvo da loja; instalá-los apenas por moda, sem essa ligação, é um erro comum e um investimento desperdiçado.
13. Segurança, qualidade alimentar e saúde no trabalho
Normas de segurança e qualidade alimentar
Sempre que a exposição envolve produtos alimentares, aplicam-se normas específicas de segurança e qualidade:
- Respeitar a cadeia de frio de produtos refrigerados e congelados durante a exposição e a reposição.
- Nunca expor produto fora do prazo de validade; retirar de imediato qualquer unidade danificada ou vencida.
- Separar produtos alimentares de produtos de limpeza ou químicos, tanto no armazenamento como na reposição.
- Cumprir as normas de qualidade da empresa, que podem ser mais exigentes do que o mínimo legal exigido.
Equipamentos de proteção individual e saúde no trabalho
Ao expor e repor produtos, o técnico de comércio segue sempre as normas de segurança e saúde no trabalho da empresa e a legislação em vigor:
- Usar os equipamentos de proteção individual (EPI) definidos para cada tarefa e zona de trabalho.
- Seguir os procedimentos e a formação da empresa, sem improvisar, para qualquer tarefa que envolva movimentação de cargas, equipamento de apoio ou acesso a zonas condicionadas.
- Reportar de imediato qualquer situação de risco no espaço de venda, como pavimento molhado, mobiliário instável ou obstáculos na circulação.
- Manter o espaço de trabalho organizado e limpo, o que reduz o risco de acidente e melhora a imagem percebida pelo cliente.
O cumprimento destas normas é, ele próprio, um dos critérios de desempenho da UC: respeitar as normas de segurança e saúde no trabalho enquanto se monta e repõe o linear.
Erros comuns
- Ignorar o planograma e preencher espaços vazios com o produto mais à mão, "para não deixar buracos".
- Confundir vendas absolutas com rendimento por metro: comparar dois lineares de tamanhos diferentes sem dividir pelas vendas pelo comprimento.
- Repor por cima do stock antigo em vez de o colocar à frente, quebrando o FIFO/FEFO e aumentando o risco de quebra.
- Deixar topos de gôndola ou ilhas vazios, desperdiçando um dos espaços mais visíveis da loja.
- Desalinhar etiqueta e sistema informático, criando diferenças entre o preço exposto e o preço em caixa.
- Instalar novos equipamentos tecnológicos sem ligação ao plano de visual merchandising, só porque "está na moda".
- Adiar reportar um risco de segurança no espaço de venda por falta de tempo.
Glossário
- Merchandising: técnicas aplicadas no ponto de venda para maximizar a rotação e a rendibilidade do espaço.
- Visual merchandising: componente visual e estética do merchandising, focada na experiência de compra.
- Planograma: representação gráfica detalhada da colocação de produtos num linear ou expositor.
- Linear: comprimento de prateleira, em metros, disponível para uma categoria ou marca.
- Topo de gôndola: extremidade de um corredor de gôndolas, com grande visibilidade, usada para promoções.
- Ilha: expositor isolado no meio da loja, sem apoio em parede ou gôndola.
- Ponto de venda adicional (PVA): exposição fora do local habitual do produto, para reforçar uma promoção.
- Rendimento do linear: vendas ou margem geradas por metro linear de exposição, num dado período.
- Rotação de stock: número de vezes que o stock médio é vendido e substituído num período.
- Quebra: diferença entre o stock que o sistema informático regista e o stock físico real.
- FIFO: First In, First Out, sai primeiro o que entrou primeiro no armazém.
- FEFO: First Expired, First Out, sai primeiro o que expira primeiro.
- PLV: publicidade no local de venda (expositores, displays, faixas).
- Cross-merchandising: exposição conjunta de produtos complementares.
- Beacon: dispositivo bluetooth que envia notificações a smartphones próximos.
- EPI: equipamento de proteção individual.
Síntese
Esta UC segue sempre a mesma lógica: um plano de marketing e um plano de visual merchandising definem a estratégia, o planograma traduz essa estratégia em posições concretas na prateleira, e o técnico de comércio executa e mantém essa exposição todos os dias. A execução tem uma componente de gestão, medida pelo rendimento do linear, pela rotação de stock e pela quebra, e uma componente de disciplina de rotação, garantida pelo FIFO e o FEFO. A embalagem, a sinalética, os meios de promoção e os novos equipamentos tecnológicos completam a experiência de compra, sempre apoiados no sistema informático e sempre dentro das normas de segurança, qualidade alimentar e saúde no trabalho, que não são um extra, mas parte do próprio critério de desempenho da profissão.
Exercícios resolvidos
1. Um linear de bebidas tem 4,00 m e gerou 6.000 € de vendas no mês; outro, de sumos, tem 1,50 m e gerou 1.800 €. Qual tem maior rendimento por metro?
Resolução: rendimento das bebidas = 6 000 / 4,00 = 1 500 €/m; rendimento dos sumos = 1 800 / 1,50 = 1 200 €/m. As bebidas rendem mais por metro, apesar de os sumos terem uma proporção de vendas por metro também elevada; o espaço extra deve continuar a ir para quem mais rende, respeitando o plano de merchandising.
2. Uma loja apurou no sistema um stock de 500 unidades de um produto; a contagem física deu 480 unidades, com custo unitário de 3,00 €. Calcula a quebra em unidades, em percentagem e em valor.
Resolução: quebra = 500 − 480 = 20 unidades; percentagem = 20 / 500 × 100 = 4%; valor = 20 × 3,00 = 60,00 €.
3. Porque é que o FEFO pode obrigar a vender primeiro um lote que chegou mais tarde ao armazém?
Resolução: porque o FEFO ordena a saída pela data de validade, não pela data de entrada. Se um lote mais recente tiver, por algum motivo de produção, uma validade mais próxima do que um lote mais antigo, é esse lote mais recente que deve sair primeiro, para não expirar em loja.
4. Um colega repõe sempre colocando o stock novo à frente do antigo, "porque é mais rápido". Que erro está a cometer e qual a consequência?
Resolução: está a inverter a regra de FIFO/FEFO. O stock novo deve ir atrás do antigo (ou do que expira primeiro); colocá-lo à frente faz o stock antigo ficar parado no fundo, aumentando o risco de expirar em loja e de gerar quebra.
5. Uma cadeia deteta que um topo de gôndola ficou vazio durante dois dias. Que impacto tem isso, para além da falta de produto físico?
Resolução: perde-se um dos espaços de maior visibilidade da loja, normalmente reservado a promoções ou lançamentos de alto rendimento por metro; o impacto vai além da falta de stock, porque o espaço fica sem função nenhuma durante esse tempo, afetando o rendimento previsto para essa zona.
6. Porque é que a percentagem de quebra se calcula sempre sobre o stock contabilístico e não sobre o stock físico?
Resolução: porque o stock contabilístico é o valor de referência, o que devia existir; a quebra mede o desvio face a essa referência. Calcular sobre o stock físico inverteria a base de comparação e distorceria a percentagem, sobretudo quando a quebra é grande.