Instalar e configurar sistemas operativos para ambientes em rede (UC02629)
- Apresentação
- 1. Sistema operativo · fundamentos
- 2. Instalação de sistemas operativos
- 2.1 · Pré-requisitos · análise de hardware
- 2.2 · BIOS e UEFI · o que arranca antes do SO
- 2.3 · Particionamento de disco
- 2.4 · Workflow de instalação · passo-a-passo
- 2.5 · Verificar a ISO antes de a usar
- 2.6 · Instalação do Windows 11, passo a passo
- 2.7 · Instalação do Ubuntu, passo a passo
- 2.8 · Instalar numa máquina virtual (VirtualBox)
- 3. Arranque da máquina e configurações de arranque
- 4. Sistema de ficheiros e gestão de memória
- 5. Drivers e periféricos
- 6. Configurar o sistema e o ambiente de trabalho
- 7. Utilizadores, grupos e permissões
- 8. Rede e protocolos
- 9. Segurança da informação e normas
- 10. Manuais, procedimentos e documentação técnica
- Apêndices
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.
Apresentação
Esta sebenta apoia o estudo da unidade de competência UC02629 · Instalar e configurar sistemas operativos para ambientes em rede, com 50 horas de duração e 4,5 pontos de crédito. Integra a componente tecnológica obrigatória de várias qualificações da ANQEP, sendo transversal a quatro:
- Técnico/a de Multimédia (213RA104)
- Operador/a de Informática (481RA115)
- Técnico/a de Eletrónica e Automação (523RA128)
- Técnico/a de Eletrónica e Comunicações (523RA129)
O documento segue o referencial oficial publicado no Catálogo Nacional de Qualificações em outubro de 2025. As três realizações previstas são: (R1) instalar sistemas operativos nos equipamentos informáticos; (R2) configurar funcionalidades dos sistemas operativos e a forma de interação com os periféricos; (R3) criar perfis de utilizador e definir privilégios de acesso.
A unidade tem por finalidade dotar o/a aluno/a das competências práticas para configurar uma estação de trabalho desde o primeiro arranque até estar plenamente operacional em rede e segura.
Como usar esta sebenta. Os capítulos 1 a 4 cobrem os fundamentos, a instalação, o arranque e os ficheiros. O 5 e o 6 tratam dos periféricos e da configuração (R2). O 7 trata dos perfis e privilégios (R3). Os 8 e 9 cobrem a rede e a segurança, e o 10 a documentação. A realização R1 percorre os capítulos 2 e 3. Pratica cada capítulo em máquinas virtuais (o VirtualBox é gratuito).
1. Sistema operativo · fundamentos
1.1 · Definição e funções
O sistema operativo (SO, ou em inglês operating system, OS) é o software fundamental que medeia entre o hardware e as aplicações. Tem duas responsabilidades simultâneas: gerir os recursos físicos do equipamento (processador, memória, armazenamento, periféricos) e oferecer serviços normalizados às aplicações para que estas funcionem.
As funções essenciais de qualquer SO moderno são seis:
Gestão de processos. O SO decide que programas estão a correr a cada instante, em que ordem, com que prioridade, e durante quanto tempo de CPU cada um recebe.
Gestão de memória. A RAM disponível é finita. O SO atribui zonas de memória a cada processo, garante que um processo não interfere com outro, e mexe dados para o disco (swap) quando a RAM esgota.
Sistema de ficheiros. Os bytes guardados em discos não são uma sopa amorfa: são organizados em ficheiros, pastas, com nomes, datas, tamanhos, permissões. O SO mantém a contabilidade desta organização.
Gestão de dispositivos. Teclado, rato, ecrã, USB, rede, impressoras: cada dispositivo tem o seu protocolo de comunicação. O SO usa drivers (controladores) para falar com cada um.
Interface com o utilizador. Pode ser gráfica (GUI: janelas, botões, ícones) ou de linha de comandos (CLI: texto). Frequentemente coexistem ambos.
Segurança. Controlar quem pode fazer o quê: que utilizadores acedem a que ficheiros, que aplicações têm que privilégios, que ligações de rede são autorizadas.
1.2 · Analogia útil
O SO pode ser visto como o maître de um restaurante. O maître recebe os pedidos dos clientes (aplicações), aloca-os aos recursos disponíveis (cozinha, salas, mesas: o hardware), garante que ninguém invade a mesa dos outros, gere as filas, lida com queixas. Sem ele há cozinha e clientes, mas tudo cai em caos.
1.3 · Arquitetura em camadas
Praticamente todos os SOs modernos seguem uma arquitetura em camadas:
- Hardware (no fundo): CPU, RAM, discos, periféricos, placas de rede.
- Kernel (núcleo): a única parte do software que pode aceder diretamente ao hardware. Contém os drivers, o escalonador de processos, o gestor de memória.
- Shell e serviços de sistema: interface com o utilizador (gráfica ou de linha), serviços em segundo plano (autenticação, redes, impressão, etc.).
- Aplicações (no topo): browser, processador de texto, IDEs, jogos.
Cada camada só comunica com a imediatamente abaixo, através de interfaces bem definidas. Quando uma aplicação precisa de ler um ficheiro, não mexe diretamente no disco: chama uma função do sistema operativo (system call), que por sua vez instrui o driver do disco.
1.4 · Tipos de sistemas operativos
A diversidade de SOs reflete a diversidade de dispositivos onde correm:
| Tipo | Exemplos | Caso de uso |
|---|---|---|
| Cliente (desktop) | Windows 11, macOS, Ubuntu, Mint, Fedora | Computador pessoal, estações de trabalho |
| Servidor | Windows Server, RHEL, Debian, Ubuntu Server | Alojar serviços em rede para múltiplos clientes |
| Mobile | Android, iOS, HarmonyOS | Smartphones, tablets |
| Embebido / IoT | FreeRTOS, embedded Linux | Routers, eletrodomésticos, automação |
| Real-time (RTOS) | QNX, VxWorks, RT Linux | Aviação, indústria, sistemas críticos |
| Virtualização | VMware ESXi, Proxmox, Hyper-V | Alojar múltiplos SOs em hardware único |
A distinção mais importante para esta UC é entre cliente e servidor:
-
Cliente está otimizado para um único utilizador interativo: interface gráfica rica (animações, transparências), drivers para muitos periféricos (impressoras, webcams), software pré-instalado para uso pessoal (browser, office). Atualizações frequentes mas com janelas que pedem ao utilizador.
-
Servidor está otimizado para muitos utilizadores em rede: frequentemente sem GUI (gestão por linha de comandos via SSH), serviços em segundo plano (web, ficheiros, BD, mail), maior estabilidade (uptime de meses ou anos), atualizações controladas em janelas de manutenção planeada.
Não é só "Windows vs Linux". O mesmo SO base pode ter versões cliente e servidor. Windows 11 ≠ Windows Server 2022. Ubuntu Desktop ≠ Ubuntu Server. Cada versão tem diferentes configurações por defeito, diferentes pacotes pré-instalados, e diferentes ciclos de suporte.
1.5 · Os SOs mais comuns em ambiente profissional
Para um técnico/a profissional em Portugal em 2026, os SOs com que mais provavelmente vai trabalhar:
- Windows 11 Pro: esmagadoramente dominante em estações de trabalho corporativas. Saber instalar, configurar e administrar é obrigatório.
- Windows Server 2022 ou superior: em PMEs com Active Directory, partilhas de ficheiros, autenticação centralizada.
- Ubuntu LTS ou Debian: escolha frequente para servidores Linux (web, BD, ficheiros). Versões LTS (Long Term Support) têm 5 anos de suporte.
- macOS: comum em setores criativos (multimédia, design, vídeo). Menos comum em IT corporativa mas presente.
Esta UC vai trabalhar predominantemente com Windows 11 e Ubuntu Linux, como dois caminhos paralelos. Aprende-se um SO mas adquire-se intuições sobre todos.
Nota sobre o Windows 10. O suporte da Microsoft ao Windows 10 terminou a 14 de outubro de 2025 e o sistema corrente é o Windows 11. Ainda existem máquinas com Windows 10 e por isso as fichas dizem "Windows 10/11" nos procedimentos iguais nos dois, mas não se escolhe para instalações novas.
1.6 · Processos e escalonamento
Um programa é um ficheiro guardado no disco, inerte. Um processo é esse programa em execução: tem memória própria, um identificador (PID, process identifier) e um estado. Abrir o mesmo editor de texto duas vezes cria dois processos diferentes a partir do mesmo programa.
Em cada instante, um processo está num de quatro estados principais:
| Estado | Significado | Exemplo |
|---|---|---|
| Pronto | tem tudo o que precisa e espera a sua vez no processador | o browser, depois de o utilizador clicar |
| Em execução | está, neste momento, a usar o processador | o código do browser a desenhar a página |
| Bloqueado | espera por algo externo (disco, rede, teclado) | um editor à espera de que o ficheiro seja lido |
| Terminado | acabou ou foi encerrado; o SO liberta os recursos | a janela fechada pelo utilizador |
O escalonador (scheduler) é a parte do kernel que decide qual dos processos prontos passa a usar o processador. Nos sistemas modernos a decisão é preemptiva: cada processo recebe uma pequena fatia de tempo (da ordem dos milissegundos) e, quando ela acaba, o escalonador pode retirá-lo do processador e entregar o lugar a outro. É por isso que uma aplicação em ciclo infinito não congela o computador inteiro, apenas essa aplicação.
Exemplo resolvido · Uma aplicação que deixou de responder
Situação. Numa estação de trabalho com Windows 11, o editor de vídeo deixa de responder, mas o resto do sistema continua fluido.
Passo 1. Abrir o Gestor de Tarefas com Ctrl+Shift+Esc.
Passo 2. No separador Processos, localizar o editor de vídeo. A coluna do processador mostra um valor alto e o estado indica "Sem resposta".
Passo 3. Esperar um minuto (o processo pode estar apenas a processar um ficheiro grande). Se continuar sem resposta, selecionar o processo e usar Terminar tarefa.
Passo 4. Reabrir a aplicação. Se o problema se repetir com o mesmo ficheiro, o defeito está no ficheiro ou na aplicação, não no sistema operativo.
Equivalente em Linux: top ou ps aux | grep nome para identificar o PID e kill PID para pedir o encerramento (e, só se não resultar, kill -9 PID).
Conclusão. O sistema continuou a responder porque o kernel isolou o processo problemático. Terminar o processo liberta a memória que ele ocupava, sem reiniciar a máquina.
2. Instalação de sistemas operativos
2.1 · Pré-requisitos · análise de hardware
Antes de qualquer instalação, é preciso verificar que o hardware cumpre os requisitos do SO escolhido. Cada SO publica:
- Requisitos mínimos: o que precisa para arrancar.
- Requisitos recomendados: o que precisa para uso fluido em condições reais.
- Requisitos para features específicas: algumas funções exigem hardware específico (ex: Windows 11 exige TPM 2.0 e Secure Boot).
Como referência geral (os valores do Windows 11 e do Ubuntu Desktop estão nas páginas oficiais da Microsoft e da Canonical, e mudam com as versões):
| SO | CPU | RAM | Disco | Outros |
|---|---|---|---|---|
| Windows 11 | 1GHz 64-bit dual-core | 4 GB (8 GB rec.) | 64 GB | TPM 2.0, Secure Boot, gráfica DirectX 12 |
| Windows 10 (sem suporte desde 14-10-2025) | 1GHz 32/64-bit | 1 a 2 GB (4 rec.) | 16 a 32 GB | DirectX 9 |
| Ubuntu Desktop 26.04 LTS | 2 GHz dual-core | 6 GB | 25 GB | (nenhuma) |
| Ubuntu Server (LTS) | ver a documentação oficial da versão | ver a documentação | ver a documentação | sem GUI |
| macOS (versão corrente) | Apple Silicon ou alguns modelos Mac com Intel | conforme o modelo | conforme o modelo | hardware Apple obrigatório (ver a lista de modelos compatíveis da Apple) |
Subdimensionar é um erro comum. Recomendação prática: para Windows 11 a sério, 8 GB RAM e 256 GB SSD são o mínimo confortável.
2.2 · BIOS e UEFI · o que arranca antes do SO
Quando se liga um computador, o primeiro código a correr não é do SO, é do firmware da motherboard. Os dois tipos de firmware comuns são:
- BIOS (Basic Input/Output System): tecnologia antiga, dos anos 80. Interface textual, limitações de capacidade (discos até 2 TB, partições MBR).
- UEFI (Unified Extensible Firmware Interface): substituto moderno do BIOS, generalizado desde ~2012. Interface gráfica, suporta discos > 2 TB (via GPT), Secure Boot, boot mais rápido.
O firmware tem quatro responsabilidades durante o arranque:
- POST (Power-On Self-Test): verifica que o hardware básico responde (CPU, RAM, vídeo).
- Inicializar dispositivos: detetar disco, teclado, rede.
- Decidir de onde fazer boot: disco interno, USB, rede, CD-ROM. A ordem está configurada no BIOS/UEFI.
- Carregar o bootloader: o primeiro pedaço de código do SO, que por sua vez carrega o kernel.
Para aceder ao BIOS/UEFI, carrega-se uma tecla específica logo ao ligar a máquina. As mais comuns:
| Fabricante | Tecla(s) |
|---|---|
| ASUS, MSI | Del |
| HP | F10 (ou Esc para o menu de arranque) |
| Acer | F2 ou Del |
| Dell | F2 ou F12 (menu rápido) |
| Lenovo | F1 ou F2 |
Em UEFI modernos, há também a opção de aceder via Windows: Definições → Sistema → Recuperação → Arranque avançado → Reiniciar agora → Resolução de Problemas → Definições de Firmware UEFI.
2.3 · Particionamento de disco
O disco físico é dividido em partições: áreas lógicas independentes. Cada partição pode ter o seu próprio sistema de ficheiros e o seu próprio SO. É isto que torna possível ter Windows e Linux na mesma máquina (dual-boot).
Existem dois estilos de tabela de partições:
-
MBR (Master Boot Record): antigo, anos 80. Limites: máximo 2 TB por disco, 4 partições primárias (ou 3 primárias + 1 estendida com sub-partições lógicas). Usado com BIOS clássico.
-
GPT (GUID Partition Table): moderno. Suporta capacidades da ordem dos zettabytes (muito acima dos discos existentes) e 128 partições no Windows. Usado com UEFI. É o padrão atual.
Cada partição é formatada com um sistema de ficheiros:
| Sistema de Ficheiros | SO típico | Características |
|---|---|---|
| NTFS | Windows | Permissões, journaling, ficheiros de grande dimensão. Padrão Windows desde XP. |
| ext4 | Linux | Robusto, eficiente. Padrão em maioria das distribuições. |
| APFS | macOS | Snapshots, encriptação nativa, otimizado para SSD. Padrão desde macOS 10.13. |
| FAT32 | Universal | Compatível com tudo, mas limite 4 GB por ficheiro. Usado em pens USB antigas. |
| exFAT | Universal moderno | Como FAT32 sem o limite de 4 GB. Ideal para discos externos. |
Para uma instalação de Windows típica, basta uma partição NTFS para o SO + dados. Para Linux, é convencional ter pelo menos duas:
/(raiz): sistema e aplicações./home: ficheiros pessoais dos utilizadores.
Opcionalmente uma partição swap (espaço para a memória virtual quando a RAM esgota).
2.4 · Workflow de instalação · passo-a-passo
O processo de instalação de um SO segue tipicamente 8 passos universais (variam detalhes consoante SO):
1. Download da ISO. A ISO é uma imagem de disco: um único ficheiro que contém todo o conteúdo do instalador. Fonte oficial: site do fabricante (Microsoft, Ubuntu, etc.). Nunca descarregar de fontes não oficiais, por risco de malware.
2. Criar suporte bootable. A ISO não pode ser simplesmente copiada para uma pen USB: tem de ser gravada de forma especial. Ferramentas gratuitas:
- Rufus (Windows): simples, eficaz, segue defaults na maior parte dos casos.
- Ventoy (multi-plataforma): instala-se uma vez no USB, depois copia ISOs à vontade. Permite menu de boot para escolher qual ISO usar.
- dd (Linux/macOS): comando de linha clássico. Exemplo:
sudo dd if=ubuntu.iso of=/dev/sdX bs=4M status=progress.
3. Configurar BIOS/UEFI. Aceder ao firmware (ver 2.2) e:
- Alterar a ordem de boot para que o USB seja tentado antes do disco interno.
- Verificar Secure Boot (pode ser preciso desativar para Linux em algumas máquinas antigas).
- Confirmar que o modo de boot está em UEFI (não Legacy/CSM, se possível).
Alguns BIOS modernos têm uma "boot menu" rápida (F12 em arranque) que evita ter de mudar a ordem permanente: basta escolher arrancar do USB nessa vez.
4. Arrancar do USB. Inserir o USB, reiniciar, e o sistema deve carregar o instalador. Se em vez disso arranca o SO antigo, voltar ao passo 3.
5. Particionamento. No instalador, escolher onde instalar. Opções típicas:
- Apagar disco inteiro: instala do zero, perde todos os dados anteriores. Mais simples.
- Lado a lado com outro SO: dual-boot. Redimensiona partições existentes.
- Personalizado: controlo total. Para utilizadores experientes.
6. Configurar. O instalador pede:
- Região e fuso horário.
- Layout de teclado (Português PT em Portugal: atenção, não confundir com Espanhol).
- Nome da máquina (hostname).
- Nome do utilizador principal + palavra-passe.
- Configuração de rede (Wi-Fi se aplicável).
- Conta Microsoft (obrigatória na edição Home do Windows 11; as edições Pro e Education têm outras opções, ver 2.6).
7. Instalar e reiniciar. O instalador copia ficheiros, configura o sistema. Demora 15 a 60 minutos consoante velocidade do disco e SO. Quando termina, pede reinício. Remover o USB ANTES do reboot para não entrar de novo no instalador.
8. Pós-instalação. Primeiras ações obrigatórias após primeiro arranque:
- Aplicar todas as atualizações (Windows Update,
sudo apt update && sudo apt upgrade). - Instalar drivers em falta (placa gráfica especialmente).
- Configurar firewall.
- Criar contas adicionais.
- Restaurar backups, se aplicável.
2.5 · Verificar a ISO antes de a usar
Uma ISO descarregada pode estar incompleta ou ter sido adulterada. Os sites oficiais publicam uma soma de verificação (checksum, normalmente SHA-256): uma impressão digital do ficheiro. Se a calculada na máquina for igual à publicada, o ficheiro é o original.
| Sistema | Comando |
|---|---|
| Windows (PowerShell) | Get-FileHash .\ubuntu.iso -Algorithm SHA256 |
| Windows (linha de comandos) | certutil -hashfile ubuntu.iso SHA256 |
| Linux | sha256sum ubuntu.iso |
2.6 · Instalação do Windows 11, passo a passo
O instalador do Windows organiza-se em duas fases: a instalação (cópia de ficheiros, a parte em modo de texto e gráfico) e a primeira configuração (as perguntas sobre região, conta e privacidade).
- Arrancar do suporte. Pelo menu de arranque do firmware, escolher a entrada UEFI do USB.
- Idioma e teclado. Escolher Português (Portugal) e o teclado Português. Um teclado mal escolhido altera a escrita da palavra-passe e dá erros de início de sessão difíceis de explicar.
- Edição. Escolher a edição para a qual existe licença (por exemplo, Pro). Se a licença estiver associada ao equipamento, o instalador pode escolher sozinho.
- Instalação personalizada. Escolher "Personalizada: instalar apenas o Windows" quando se parte de um disco novo ou limpo.
- Disco. Selecionar o espaço não atribuído e carregar em Seguinte: o instalador cria as partições necessárias para arrancar em UEFI (partição de sistema EFI, partição reservada, partição principal e partição de recuperação). Para limpar um disco antigo, apagam-se as partições existentes, depois de confirmar que os dados estão guardados.
- Primeiro arranque. Região, disposição do teclado, ligação à rede, nome do dispositivo, tipo de utilização e conta. Na edição Home, o instalador exige ligação à internet e uma conta Microsoft para concluir esta fase; nas edições para organizações há opção de conta de trabalho ou escola e, consoante a versão, de conta local.
- Privacidade e telemetria. Rever cada opção em vez de aceitar tudo. Numa organização, estas opções definem-se depois por política.
Para limpar um disco inteiro por linha de comandos, no instalador (Shift+F10) usa-se o diskpart: list disk, select disk N, clean e convert gpt. O clean apaga tudo no disco selecionado. Confirmar o número do disco duas vezes antes de executar.
2.7 · Instalação do Ubuntu, passo a passo
Segue a lógica da secção 2.4. Arrancar do USB e escolher a entrada para experimentar ou instalar o Ubuntu; indicar idioma e teclado; escolher a instalação normal ou mínima; no disco, apagar tudo, instalar ao lado de outro sistema ou particionar à mão (ver 2.3); indicar fuso horário, nome do computador, utilizador e palavra-passe (o primeiro utilizador fica com direito a sudo); reiniciar sem o USB. Depois, sudo apt update && sudo apt upgrade e sudo ufw status, porque a firewall pode vir inativa.
2.8 · Instalar numa máquina virtual (VirtualBox)
Uma máquina virtual (VM) é um computador simulado por software, com disco, memória e processador atribuídos pelo anfitrião. É a forma mais segura de praticar: se algo correr mal, apaga-se a VM e recomeça-se. Na prática, a configuração de uma VM resume-se a seis decisões.
| Decisão | Valor habitual para esta UC | Porquê |
|---|---|---|
| Memória | Windows 11: 4 GB ou mais; Ubuntu Desktop: 6 GB ou mais; Ubuntu Server: 2 GB ou mais (ver a documentação da versão) | Windows 11 tem requisitos próprios; o anfitrião tem de ficar com memória livre |
| Processadores | 2 | o Windows 11 exige pelo menos dois núcleos |
| Disco | 64 GB ou mais para Windows 11, 25 GB ou mais para Ubuntu Desktop | alocação dinâmica poupa espaço no anfitrião |
| Firmware | EFI ativado | o Windows 11 exige UEFI |
| Rede | NAT para sair para a internet; rede interna ou "só anfitrião" para a rede do laboratório | separa a navegação da rede de testes |
| Suplementos | Guest Additions depois da instalação | melhora o ecrã, o rato e as pastas partilhadas |
O VirtualBox, a partir da versão 7, consegue simular o módulo TPM 2.0 e o Secure Boot, o que permite instalar o Windows 11 em conformidade com os requisitos. O Windows 11 documenta que também é suportado em máquinas virtuais, desde que cumpram o mesmo mínimo (dois processadores virtuais, 4 GB de memória, 64 GB de disco, TPM 2.0 e Secure Boot).
Exemplo resolvido · Planear as partições de um disco de 512 GB com dual-boot
Situação. Um portátil tem um SSD de 512 GB e vai receber o Windows 11 e o Ubuntu.
Passo 1. Fazer o orçamento. O Windows 11 pede 64 GB no mínimo, mas com aplicações e atualizações convém 200 GB. O Ubuntu Desktop pede 25 GB, mas convém reservar 100 GB para ficheiros pessoais e aplicações.
Passo 2. Distribuir. 200 GB para o Windows (NTFS), cerca de 100 GB para o Ubuntu (ext4, com / e /home), uma partição swap ou ficheiro de swap, e o restante como partição de dados partilhada (exFAT) para trocar ficheiros entre os dois sistemas.
Passo 3. Ordem. Instalar primeiro o Windows e só depois o Ubuntu. O instalador do Ubuntu deteta o Windows e acrescenta uma entrada ao menu de arranque; fazer o inverso obriga a reparar o gestor de arranque.
Passo 4. Cópia de segurança. Antes de redimensionar a partição do Windows, copiar os dados para um suporte externo. Redimensionar partições é uma operação com risco.
Verificação. No fim, o menu de arranque apresenta as duas entradas e cada sistema vê a partição de dados.
3. Arranque da máquina e configurações de arranque
3.1 · Da pressão no botão ao ecrã de início de sessão
O arranque é uma cadeia de passagens de testemunho. Cada elo prepara o seguinte e, se um falhar, a cadeia pára com uma mensagem (ou sem ela). Conhecer a ordem é o que permite diagnosticar "o computador não arranca" em minutos, em vez de reinstalar às cegas.
| Passo | Quem executa | O que faz | Sintoma se falhar |
|---|---|---|---|
| 1 | Firmware (BIOS ou UEFI) | POST, deteta o hardware, escolhe o dispositivo de arranque | beeps, ecrã preto, "no boot device" |
| 2 | Gestor de arranque (bootloader) | encontra o sistema e carrega o kernel | "bootmgr is missing", ecrã do GRUB em modo de resgate |
| 3 | Kernel | inicializa a memória e os drivers essenciais | ecrã azul ou kernel panic |
| 4 | Serviços do sistema | arrancam rede, autenticação, ambiente gráfico | arranque muito lento, ecrã de início de sessão ausente |
| 5 | Início de sessão | o utilizador autentica-se e abre-se o ambiente de trabalho | perfil temporário, erros de autenticação |
3.2 · Firmware: o que se configura
O menu do firmware (acedido pela tecla indicada no ecrã de arranque ou pelas opções avançadas do Windows) concentra as configurações de arranque que um técnico mais altera:
- Modo de arranque: UEFI ou Legacy/CSM (compatibilidade com BIOS). Um sistema instalado num modo não arranca no outro, por isso o modo deve ser escolhido antes de instalar e não alterado depois sem motivo.
- Ordem de arranque: qual o primeiro dispositivo tentado (disco, USB, rede).
- Secure Boot: só deixa arrancar bootloaders assinados. O Windows 11 exige-o disponível; o Ubuntu arranca com Secure Boot através de um carregador assinado.
- Virtualização: a opção que permite ao processador executar máquinas virtuais com bom desempenho. Se o VirtualBox se queixar de que a virtualização não está disponível, é aqui que se ativa.
- TPM: pode estar desligado por defeito em equipamento mais antigo; o Windows 11 precisa dele ativo.
- Palavra-passe do firmware: impede que um terceiro altere a ordem de arranque e arranque a máquina por USB. Em computadores partilhados é uma medida de segurança básica.
Para saber em que modo um sistema arrancou: no Windows, msinfo32 e a linha "Modo de BIOS"; no Linux, a existência da pasta /sys/firmware/efi indica arranque UEFI.
3.3 · Gestores de arranque
O Windows usa o Windows Boot Manager, cuja configuração fica no armazém BCD: bcdedit /enum lista as entradas. Para alterar opções de arranque, a Microsoft recomenda o msconfig em vez do bcdedit /set, que pode deixar o sistema sem arrancar. No Linux o gestor é o GRUB: as opções editam-se em /etc/default/grub e aplicam-se com sudo update-grub.
3.4 · Modos de arranque especiais
- Modo de segurança (Windows): arranca com o mínimo de drivers e serviços. Serve para remover um driver ou um programa que impede o arranque normal. Acede-se mantendo
Shiftao escolher "Reiniciar" ou pelas opções de recuperação. - Ambiente de recuperação do Windows: reparação do arranque, restauro do sistema e linha de comandos de recuperação.
- Modo de recuperação do Ubuntu: em "Opções avançadas" do menu GRUB, abre uma linha de comandos com privilégios de administrador para reparar o sistema.
- Arranque pela rede (PXE): o computador obtém o instalador de um servidor da rede, em vez de um USB. É a base das instalações em massa numa organização.
- Suporte live: um USB com o sistema completo a correr em memória, para diagnosticar um disco ou copiar dados de uma máquina que já não arranca.
4. Sistema de ficheiros e gestão de memória
4.1 · Como o sistema organiza os ficheiros
Um ficheiro é, para o disco, um conjunto de blocos. Para o utilizador, é um nome numa pasta. O sistema de ficheiros faz a ponte: mantém a tabela que diz em que blocos está cada ficheiro, quem é o dono, quando foi alterado e quem lhe pode aceder.
Os sistemas modernos usam journaling (registo de operações): antes de alterar a estrutura, o sistema escreve a intenção num diário. Se faltar a energia a meio, no arranque seguinte consulta o diário e repõe a coerência, em vez de varrer o disco inteiro. O NTFS e o ext4 têm esta proteção; o FAT32 e o exFAT não, o que os torna menos indicados para o disco do sistema.
4.2 · A árvore de pastas
| Aspeto | Windows | Linux |
|---|---|---|
| Raiz | uma por unidade: C:\, D:\ |
uma só raiz: / |
| Separador | \ |
/ |
| Maiúsculas e minúsculas | indiferentes no nome | diferentes: Foto.jpg e foto.jpg são ficheiros distintos |
| Dispositivos adicionais | recebem uma letra de unidade | montam-se numa pasta (por exemplo /mnt/dados) |
| Pasta pessoal | C:\Users\nome |
/home/nome |
Em Linux, a estrutura das pastas segue uma convenção. As mais úteis para um técnico:
| Pasta | Conteúdo |
|---|---|
/etc |
ficheiros de configuração do sistema e dos serviços |
/home |
pastas pessoais dos utilizadores |
/var |
dados que mudam: registos (/var/log), filas, bases de dados |
/usr |
programas e bibliotecas instalados |
/tmp |
ficheiros temporários, limpos regularmente |
/dev |
ficheiros que representam dispositivos (discos, terminais) |
/mnt e /media |
pontos de montagem de discos e suportes amovíveis |
No Windows, a pasta C:\Windows guarda o sistema, C:\Program Files as aplicações de 64 bits e C:\Users os perfis dos utilizadores.
4.3 · Montar, formatar e verificar
Formatar cria um sistema de ficheiros numa partição vazia, e apaga o conteúdo. Montar (em Linux) liga uma partição a uma pasta, para que o seu conteúdo fique acessível.
| Tarefa | Windows | Linux |
|---|---|---|
| Ver discos e partições | diskmgmt.msc (Gestão de Discos) |
lsblk, sudo fdisk -l |
| Ver espaço livre | Explorador de Ficheiros ou Get-Volume |
df -h |
| Ver o tamanho de uma pasta | propriedades da pasta | du -sh pasta |
| Verificar erros | chkdsk C: /f (como administrador) |
sudo fsck /dev/sdXN (partição desmontada) |
| Montar à mão | automático | sudo mount /dev/sdb1 /mnt/dados |
Exemplo resolvido · Juntar um segundo disco a um servidor Linux
Situação. Um servidor de ficheiros recebe um disco novo para guardar cópias de segurança.
Passo 1. Identificar. lsblk mostra o disco novo, por exemplo sdb, sem partições.
Passo 2. Particionar. Criar uma tabela GPT e uma partição com uma ferramenta como fdisk ou parted. Confirmar o nome do disco antes de gravar: partição no disco errado destrói dados.
Passo 3. Formatar. sudo mkfs.ext4 /dev/sdb1.
Passo 4. Montar. sudo mkdir /mnt/copias e sudo mount /dev/sdb1 /mnt/copias.
Passo 5. Tornar permanente. Acrescentar uma linha a /etc/fstab, de preferência identificando a partição pelo UUID (sudo blkid mostra-o), porque o nome sdb1 pode mudar entre arranques. Testar com sudo mount -a antes de reiniciar: um erro no fstab pode impedir o arranque.
Verificação. df -h mostra a nova unidade montada em /mnt/copias.
4.4 · Gestão de memória
A memória física (RAM) é limitada e partilhada por todos os processos. O sistema operativo resolve três problemas ao mesmo tempo: dar a cada processo a ilusão de ter memória só para si, impedir que um processo leia a memória de outro, e continuar a funcionar quando a RAM acaba.
- Memória virtual. Cada processo vê um espaço de endereços próprio, que o kernel traduz para endereços físicos. Isto isola os processos e permite que um processo use mais memória do que a RAM física, desde que o excedente fique em disco.
- Paginação. A memória divide-se em blocos de tamanho fixo, as páginas. As páginas pouco usadas podem ser enviadas para o disco e trazidas de volta quando forem precisas.
- Ficheiro de paginação e swap. No Windows, essa reserva em disco é o ficheiro de paginação (
pagefile.sys); no Linux, a partição ou o ficheiro de swap. Funcionam como válvula de escape, mas são centenas de vezes mais lentos do que a RAM. - Cache. O sistema usa a RAM livre para guardar cópias de ficheiros lidos recentemente. Por isso um computador com "pouca RAM livre" não está necessariamente em dificuldades: parte dessa memória é cache, que é libertada quando uma aplicação a pede.
Sintoma de falta de RAM: o disco fica permanentemente ocupado, o sistema "engasga" ao mudar de aplicação e o Gestor de Tarefas mostra a memória perto do máximo. Sintoma de RAM suficiente: a memória usada é elevada, mas o disco está calmo.
| Ver a memória | Windows | Linux |
|---|---|---|
| Interface gráfica | Gestor de Tarefas, separador Desempenho | Monitor do Sistema |
| Linha de comandos | systeminfo |
free -h |
| Processos que mais consomem | Gestor de Tarefas, coluna Memória | top ou ps aux --sort=-%mem |
Exemplo resolvido · Ler a saída de free -h
total used free shared buff/cache available
Mem: 7,7Gi 2,1Gi 1,2Gi 120Mi 4,4Gi 5,3Gi
Swap: 2,0Gi 0B 2,0Gi
Interpretação. A máquina tem 7,7 GiB de RAM; as aplicações usam 2,1 GiB; 4,4 GiB estão ocupados com cache; e a coluna decisiva, available, mostra que 5,3 GiB estão disponíveis para novas aplicações. O swap está por usar. Conclusão: não há falta de memória, apesar de free ser só 1,2 GiB.
5. Drivers e periféricos
5.1 · O conceito de driver
Um driver (controlador, em português europeu) é um pequeno programa que traduz entre o sistema operativo e um dispositivo de hardware específico. Cada modelo de impressora, placa gráfica, webcam ou scanner tem o seu próprio driver, escrito (em princípio) pelo fabricante.
Sem driver, um dispositivo:
- Não funciona, ou
- Funciona em modo genérico, perdendo features avançadas (resolução total da placa gráfica, opções de impressão duplex, etc.).
Onde vivem os drivers:
| Origem | Comum em |
|---|---|
| Built-in no kernel | Dispositivos comuns: USB básico, rato, teclado, áudio onboard, rede Ethernet padrão. |
| Windows Update | Maioria dos drivers para Windows 10/11; atualizados automaticamente. |
| Site do fabricante | Drivers de placa gráfica (NVIDIA, AMD), impressoras multifuncionais, scanners profissionais. |
| Repositórios Linux | Pacotes oficiais nas distribuições (apt, dnf, pacman). |
5.2 · Gestor de dispositivos
Cada SO oferece uma ferramenta gráfica para ver e gerir o hardware reconhecido:
Windows · Gestor de Dispositivos: acesso via Win+X → "Gestor de Dispositivos" ou executar devmgmt.msc. Lista todos os dispositivos detetados, agrupados por categoria (Adaptadores de rede, Controladores de som, Placas gráficas, etc.). Estados visuais:
- Ícone normal, sem marca: dispositivo a funcionar.
- ⚠ Triângulo amarelo com ponto de exclamação: dispositivo com problema (driver em falta ou com erro). Os dispositivos sem driver aparecem em "Outros dispositivos".
- Seta preta para baixo: dispositivo desativado.
- A cruz vermelha é de versões antigas do Windows.
Linux · ferramentas de linha: lspci lista dispositivos PCI, lsusb lista USB, lshw -short dá visão geral. Para mensagens do kernel em tempo real (incluindo o momento em que um USB é inserido): dmesg -w.
macOS: Acerca deste Mac → Relatório do Sistema mostra todo o hardware.
5.3 · Resolução de problemas com periféricos
Quando algo não funciona, a sequência habitual é:
- Verificar a ligação física: cabo bem ligado, USB no porto correto, dispositivo ligado à corrente se aplicável.
- Ver gestor de dispositivos: há algum ⚠? Se sim, é problema de driver. Há uma seta para baixo? O dispositivo está desativado.
- Atualizar driver: clique direito → "Atualizar controlador" (Windows) ou ir ao site do fabricante.
- Desinstalar e reinstalar driver: útil quando há corrupção. Atenção: pode requerer reboot.
- Trocar de porto / cabo: para excluir avaria do hardware.
- Testar noutro PC: confirma se o problema é do dispositivo ou do sistema.
A maioria dos problemas com periféricos resolve-se nos primeiros três passos.
5.4 · Instalar e atualizar um driver
A ordem de preferência para obter um driver é: primeiro o que o próprio sistema oferece (Windows Update, repositórios do Ubuntu), depois o do fabricante do equipamento, e só por fim o de sítios de terceiros. Um driver "universal" de um site desconhecido é uma via clássica para instalar software indesejado.
| Situação | Procedimento |
|---|---|
| Dispositivo comum (rato, teclado, USB) | nada a fazer, o sistema traz o driver |
| Placa gráfica no Windows | Windows Update ou instalador do fabricante da placa |
| Placa gráfica no Ubuntu | ferramenta "Controladores adicionais" (ou sudo ubuntu-drivers list) |
| Impressora de rede moderna | adicionar pelo endereço IP; muitos modelos dispensam driver próprio |
| Equipamento antigo sem driver para o sistema novo | procurar no fabricante; se não existir, ponderar substituir o equipamento |
Antes de atualizar um driver crítico (placa gráfica, controlador de disco, rede), cria-se um ponto de restauro no Windows. Se o novo driver causar problemas, o Gestor de Dispositivos permite reverter para o driver anterior (propriedades do dispositivo, separador Controlador).
Exemplo resolvido · Adaptador de rede Wi-Fi com ponto de exclamação
Situação. Num portátil recém-instalado, o Wi-Fi não aparece. O Gestor de Dispositivos mostra, em "Outros dispositivos", um item com triângulo amarelo.
Passo 1. Abrir as propriedades do item e ler o estado e o código do erro. "Os controladores não estão instalados" (código 28) confirma a falta de driver.
Passo 2. Sem rede, não há Windows Update. Num segundo computador, procurar o modelo exato do portátil no site do fabricante e descarregar o pacote do adaptador sem fios para o sistema instalado.
Passo 3. Copiar para a máquina por USB e executar o instalador (ou "Atualizar controlador" e apontar para a pasta).
Passo 4. Confirmar que o ponto de exclamação desapareceu, que a lista de redes aparece e que a ligação funciona.
Passo 5. Voltar a executar o Windows Update para o resto dos drivers.
Regra. Perante um dispositivo sem driver, identificar exatamente o modelo antes de procurar.
6. Configurar o sistema e o ambiente de trabalho
6.1 · Onde se configura cada coisa
Depois da instalação, o sistema está funcional mas genérico. A configuração adapta-o ao equipamento, ao utilizador e à organização. A tabela mostra os sítios onde um técnico trabalha com mais frequência.
| Tarefa | Windows | Linux (Ubuntu) |
|---|---|---|
| Definições gerais | Definições (Win+I) |
Definições |
| Idioma, região, teclado | Hora e idioma | Região e idioma |
| Nome do computador | Definições, Sistema, Acerca de | hostnamectl set-hostname nome |
| Resolução, vários ecrãs | Sistema, Ecrã | Ecrãs |
| Energia e suspensão | Sistema, Energia | Energia |
| Aplicações no arranque | Gestor de Tarefas, Aplicações de arranque | Aplicações de arranque |
| Atualizações | Windows Update | Atualizador de software, apt |
| Hora e sincronização | Hora e idioma, sincronizar agora | timedatectl |
6.2 · Ferramentas de gestão do computador
O Windows reúne as ferramentas de administração numa consola chamada Gestão de Computadores (compmgmt.msc). Cada ferramenta também abre sozinha:
| Ferramenta | Comando | Para que serve |
|---|---|---|
| Gestor de Dispositivos | devmgmt.msc |
estado do hardware e dos drivers |
| Gestão de Discos | diskmgmt.msc |
partições e volumes |
| Serviços | services.msc |
iniciar, parar e configurar serviços |
| Visualizador de Eventos | eventvwr.msc |
registos do sistema, da segurança e das aplicações |
| Utilizadores e grupos locais | lusrmgr.msc |
contas locais (edições Pro e superiores) |
| Política de segurança local | secpol.msc |
regras de palavras-passe e direitos (edições Pro e superiores) |
| Agendador de tarefas | taskschd.msc |
tarefas automáticas |
No Linux, o equivalente assenta no systemd: systemctl gere serviços (status, start, stop, enable, disable) e journalctl lê os registos. As tarefas agendadas fazem-se com o cron (crontab -e).
6.3 · Serviços
Um serviço é um programa que corre em segundo plano, sem janela, muitas vezes desde o arranque (o servidor de impressão, o cliente DHCP, o servidor Samba). Cada serviço tem um tipo de arranque: automático, manual ou desativado. Parar serviços desnecessários reduz o consumo de recursos e a superfície de ataque, mas desligar um serviço de que outros dependem causa falhas em cadeia. Por isso, antes de alterar, consulta-se a descrição do serviço e as suas dependências.
Exemplo resolvido · Um serviço que não arranca
Situação. No servidor Ubuntu, a partilha Samba deixou de estar acessível.
Passo 1. sudo systemctl status smbd mostra "failed".
Passo 2. sudo journalctl -u smbd -n 30 mostra a razão nas últimas 30 linhas do registo do serviço, por exemplo um erro de sintaxe no ficheiro de configuração.
Passo 3. testparm valida o ficheiro smb.conf e indica a linha com o erro. Corrigir.
Passo 4. sudo systemctl restart smbd e depois systemctl status smbd deve mostrar "active (running)".
Passo 5. Ativar o arranque automático com sudo systemctl enable smbd e testar o acesso a partir de um cliente.
Método. Estado, registo, causa, correção, confirmação.
6.4 · Lista de verificação de um posto
Um posto só está pronto quando o utilizador consegue trabalhar com ele. Percorre-se uma lista, deixando registo na ficha do equipamento (10.3): 1. instalar o sistema e criar as contas de administrador e de utilizador; 2. atualizar o sistema e os drivers; 3. definir nome, idioma, teclado e hora; 4. configurar a rede e a impressora; 5. instalar as aplicações de trabalho; 6. ativar firewall, antivírus e encriptação; 7. configurar as cópias de segurança; 8. testar com o utilizador numa tarefa real.
7. Utilizadores, grupos e permissões
7.1 · Modelo de segurança baseado em utilizadores
Praticamente todos os SOs modernos seguem o princípio de utilizadores autenticados: cada ação é executada em nome de um utilizador conhecido pelo sistema. Cada ficheiro, pasta, dispositivo, ou recurso tem permissões que indicam quem pode aceder de que forma.
7.2 · Tipos de conta
| Tipo | Privilégios | Caso típico |
|---|---|---|
| Administrador / root | Tudo: instalar SO, mudar configurações de sistema, ver todos os ficheiros, criar outras contas | Conta de gestão técnica |
| Standard / utilizador normal | Uso quotidiano: aplicações, ficheiros pessoais, instalar algumas aplicações apenas no seu perfil | Conta diária |
| Convidado / Guest | Acesso limitado, sem persistência de alterações | Visitantes ocasionais |
| Conta de serviço | Sem login interativo; corre serviços em segundo plano | Servidores, daemons |
Princípio de menor privilégio. A boa prática é não usar conta de administrador no dia-a-dia. Cria-se uma conta standard para uso quotidiano e usa-se a conta admin apenas quando é mesmo necessário (instalar software, alterar configurações de sistema). Esta separação protege contra duas classes de problemas:
- Malware: vírus que entram via aplicação ou ficheiro não conseguem alterar o sistema se a conta corrente não tem privilégios admin.
- Erros humanos: comandos destrutivos ou acidentais ficam contidos ao perfil do utilizador, não destroem o sistema.
Em Windows, este princípio manifesta-se no User Account Control (UAC): quando uma aplicação tenta fazer algo administrativo, aparece uma janela a pedir confirmação. Em Linux/macOS, manifesta-se no sudo: para executar um comando como root, prefixa-se com sudo e o sistema pede a palavra-passe.
7.3 · Grupos · gestão em escala
Quando o número de utilizadores cresce (uma escola tem centenas; uma empresa pode ter milhares), gerir permissões um a um torna-se impraticável. A solução são os grupos: conjuntos de utilizadores com privilégios comuns.
Em vez de dizer:
O utilizador
joana.silvapode ler a partilhaprovas. A utilizadorapedro.costapode ler a partilhaprovas. (... mais 50 linhas)
Diz-se:
O grupo
professorespode ler a partilhaprovas.joana.silvapertence ao grupoprofessores.pedro.costapertence ao grupoprofessores.
Quando alguém muda de função (promoção, transferência, despedimento), basta mudar a sua pertença a grupos: todas as permissões mudam automaticamente. Este é o modelo RBAC (Role-Based Access Control), padrão em sistemas empresariais.
Em ambientes Windows corporativos, o Active Directory (AD) implementa este modelo em rede: utilizadores e grupos são geridos centralmente num Domain Controller e propagados a todas as máquinas que pertencem ao domínio. Em ambientes Linux, usa-se tipicamente LDAP ou FreeIPA.
7.4 · Permissões em ficheiros
Cada ficheiro/pasta tem permissões associadas. Os modelos principais:
Modelo Unix · rwx
Três classes (proprietário, grupo, outros) × três permissões (leitura, escrita, execução). Codificadas como 9 bits:
-rwxr-xr-- prof professores ficheiro.txt
Lê-se: tipo regular (-), proprietário prof tem rwx (ler+escrever+executar), grupo professores tem r-x (ler+executar), outros têm r-- (apenas ler).
Em notação numérica (octal): r=4, w=2, x=1. Então rwxr-xr-- = 754.
Para alterar: chmod 754 ficheiro.txt.
Modelo Windows · ACLs
Mais granular: cada ficheiro tem uma Access Control List (ACL) com várias permissões por utilizador/grupo:
- Read · ler
- Write · escrever
- Modify · modificar (read + write + delete)
- Read & execute · ler + executar
- List folder contents · listar conteúdo (pastas)
- Full Control · tudo
As ACL herdam de pastas-pai, mas podem ser sobrepostas. Acedidas via clique direito → Propriedades → Segurança.
7.5 · Convenções para esta UC
Em ambiente educativo, recomendam-se duas convenções:
-
Conta administrador separada com nome distintivo (ex:
admin,root,tecnico). Palavra-passe forte. Usada raramente. -
Conta standard com o nome do utilizador real (ex:
joana.silva). Usada todos os dias.
Para servidores/laboratórios da escola: estrutura de grupos admins, professores, alunos, com permissões diferenciadas em partilhas comuns.
7.6 · Criar e gerir contas, na prática
| Tarefa | Windows (linha de comandos / PowerShell) | Linux |
|---|---|---|
| Listar utilizadores | net user / Get-LocalUser |
cut -d: -f1 /etc/passwd |
| Criar utilizador | net user nome palavra /add (a palavra-passe aparece no histórico; em alternativa New-LocalUser) |
sudo adduser nome |
| Criar grupo | net localgroup alunos /add |
sudo groupadd alunos |
| Adicionar ao grupo | net localgroup alunos nome /add |
sudo usermod -aG alunos nome |
| Dar direitos de administração | net localgroup Administradores nome /add |
sudo usermod -aG sudo nome |
| Desativar a conta | net user nome /active:no |
sudo usermod -L -e 1 nome (o -L sozinho bloqueia só a palavra-passe, não o acesso por chave SSH) |
| Apagar | net user nome /delete |
sudo deluser nome |
Nota: no Windows em português, o grupo de administradores chama-se Administradores; em instalações em inglês, Administrators. O nome do grupo depende do idioma do sistema.
No Linux, as contas vivem em ficheiros de texto: /etc/passwd (utilizadores), /etc/group (grupos) e /etc/shadow (resumos das palavras-passe, legível apenas pelo administrador). O comando id nome mostra o identificador do utilizador e os grupos a que pertence.
Exemplo resolvido · Criar três perfis para uma sala de formação (Linux)
Requisito. formador com leitura e escrita na pasta provas; aluno1 apenas com leitura; ambos sem direitos de administração.
Passo 1. Grupos. sudo groupadd formadores e sudo groupadd alunos.
Passo 2. Contas. sudo adduser formador e sudo adduser aluno1, com palavras-passe distintas e fortes.
Passo 3. Pertença. sudo usermod -aG formadores formador e sudo usermod -aG alunos aluno1.
Passo 4. Pasta. sudo mkdir /srv/provas, sudo chown root:formadores /srv/provas.
Passo 5. Permissões. O formador escreve e os alunos leem: o grupo formadores é dono com rwx, e para os alunos permite-se leitura através de uma ACL: sudo setfacl -m g:alunos:rx /srv/provas e sudo chmod 770 /srv/provas. Com 770, "outros" não têm acesso, e a ACL abre apenas ao grupo alunos a leitura e travessia.
Passo 6. Testar. sudo -u aluno1 touch /srv/provas/teste deve falhar com "Permissão negada"; sudo -u formador touch /srv/provas/teste deve ter sucesso.
Princípio. Os testes de acesso negado são tão importantes como os de acesso permitido.
7.7 · Ler e calcular permissões Unix
Cada permissão tem um valor: leitura 4, escrita 2, execução 1. A permissão de cada classe (proprietário, grupo, outros) é a soma dos valores. O comando chmod recebe os três números por esta ordem.
| Símbolos | Cálculo | Octal |
|---|---|---|
rwx |
4 + 2 + 1 | 7 |
rw- |
4 + 2 | 6 |
r-x |
4 + 1 | 5 |
r-- |
4 | 4 |
--- |
0 | 0 |
Valores com que se trabalha todos os dias: 644 para um ficheiro de dados (dono escreve, todos leem), 755 para programas e pastas (dono tudo, os outros leem e atravessam), 600 para segredos (só o dono), 700 para pastas privadas.
Em pastas, x significa atravessar: sem ele, o utilizador não consegue entrar na pasta nem aceder ao que lá está, mesmo que consiga ver o nome.
Exemplo resolvido · Interpretar e corrigir permissões
drwxr-x--- 2 formador formadores 4096 provas
-rw-r--r-- 1 formador formadores 812 enunciado.txt
-rwx------ 1 formador formadores 300 corrigir.sh
Ler a pasta provas. Tipo d (diretório); dono rwx; grupo r-x; outros ---. Em octal: 750.
Ler enunciado.txt. Dono rw-, grupo r--, outros r--: 644.
Problema. Um aluno que não pertence ao grupo formadores se queixa de não ver enunciado.txt. Causa: a pasta provas não dá nenhum acesso a "outros" (---), logo o ficheiro, apesar de legível por todos, não pode ser alcançado.
Correção, consoante o objetivo. Para permitir leitura a toda a gente: chmod 755 provas. Para limitar a um grupo, acrescentar o aluno ao grupo adequado em vez de abrir a todos.
Os bits especiais completam o quadro. O sticky bit numa pasta (como /tmp) só permite apagar um ficheiro ao seu dono; o setgid numa pasta faz os ficheiros novos herdarem o grupo da pasta, útil em pastas de equipa; o setuid faz um programa correr com os direitos do seu dono e deve ser raro e vigiado.
7.8 · Permissões em Windows: NTFS e partilha
No Windows, uma pasta partilhada na rede tem dois conjuntos de permissões: as da partilha (o que se pode fazer através da rede) e as NTFS (o que se pode fazer no sistema de ficheiros). Quando um utilizador acede pela rede, aplica-se o mais restritivo dos dois.
| Pergunta | Resposta |
|---|---|
| Onde se definem as permissões NTFS? | Propriedades da pasta, separador Segurança |
| Onde se define a partilha? | Propriedades da pasta, separador Partilha, Partilha avançada |
| Que nível dar na partilha? | muitas organizações dão "Controlo total" aos utilizadores autenticados na partilha e gerem o detalhe no NTFS |
| E se negar? | uma negação explícita prevalece sobre as permissões de permitir |
Na linha de comandos, icacls mostra e altera as permissões NTFS. Por exemplo, icacls D:\Provas /grant formadores:(OI)(CI)M dá ao grupo formadores a permissão de modificar a pasta e herdá-la pelos ficheiros e subpastas (OI e CI são as marcas de herança para objetos e contentores). icacls D:\Provas sozinho lista as permissões atuais.
8. Rede e protocolos
8.1 · Conectividade básica
Para uma máquina comunicar numa rede, precisa de cinco configurações mínimas:
| Configuração | Significado | Exemplo |
|---|---|---|
| Endereço IP | Identificação única na rede | 192.168.1.42 |
| Máscara de sub-rede | Define o tamanho da rede local | 255.255.255.0 |
| Gateway | Porta de saída para outras redes | 192.168.1.1 (geralmente o router) |
| DNS | Tradutor nome → IP | 8.8.8.8 (Google) ou 1.1.1.1 (Cloudflare) |
| Hostname | Nome humano da máquina | laptop-maria |
Estas configurações podem ser atribuídas de duas formas:
- DHCP (automático): um servidor (geralmente o router) atribui as configurações. Mais simples; é o padrão em redes domésticas e escolares.
- Estático: o administrador define manualmente. Necessário para servidores (precisam de IP previsível para serem encontrados pelos clientes).
8.2 · Hostname, workgroup e domínio
Para organizar múltiplas máquinas na rede:
- Hostname: o nome único de uma máquina (
pc-receção,srv-ficheiros-01,laptop-joana). - Workgroup (Windows): grupo lógico simples para máquinas em rede peer-to-peer (sem servidor central). Cada máquina mantém os seus utilizadores.
- Domínio (Windows Active Directory): gestão centralizada de utilizadores, máquinas e permissões num Domain Controller. Cada máquina "junta" o domínio uma vez.
8.3 · Partilha de ficheiros em rede
As tecnologias dominantes:
SMB / CIFS: protocolo Microsoft, suportado nativamente em Windows. Pode ser implementado em Linux/macOS via Samba. Permite mapear unidades de rede (\\servidor\partilha → Z:).
NFS (Network File System): protocolo clássico Unix/Linux. Mais comum entre servidores Linux.
SSH/SFTP: não é exatamente "partilha" mas permite transferência de ficheiros seguros via SSH. Comando: sftp utilizador@servidor.
Serviços em nuvem: OneDrive, Google Drive, Dropbox. Mais simples para ambientes pequenos; sincronização automática e acesso de qualquer lugar.
8.4 · Protocolos de redes de dados
Um protocolo é um conjunto de regras que dois equipamentos seguem para se entenderem. Na prática, a comunicação em rede faz-se em camadas, cada uma com os seus protocolos. O modelo TCP/IP organiza-os em quatro:
| Camada | Função | Protocolos e exemplos |
|---|---|---|
| Aplicação | o serviço que o utilizador usa | HTTP e HTTPS (web), SMTP e IMAP (correio), DNS, DHCP, SMB, SSH |
| Transporte | entrega entre aplicações, identificadas por portas | TCP (fiável, com confirmação), UDP (rápido, sem confirmação) |
| Internet | endereçamento e encaminhamento entre redes | IP, ICMP (ping) |
| Acesso à rede | transmissão no meio físico | Ethernet, Wi-Fi |
As portas distinguem os serviços numa mesma máquina. Algumas das mais comuns:
| Porta | Protocolo | Serviço |
|---|---|---|
| 22 | TCP | SSH |
| 53 | UDP e TCP | DNS |
| 67 e 68 | UDP | DHCP (servidor e cliente) |
| 80 | TCP | HTTP |
| 443 | TCP | HTTPS |
| 445 | TCP | SMB (partilha de ficheiros do Windows e Samba) |
| 3389 | TCP | Ambiente de trabalho remoto (RDP) |
Saber de memória as portas SSH, HTTP, HTTPS, DNS e SMB poupa muitas horas de diagnóstico, porque as regras de firewall e os testes de ligação se escrevem com portas.
8.5 · Endereços IPv4 e máscara de sub-rede
Um endereço IPv4 tem 32 bits, escritos em quatro números de 0 a 255 (os octetos). A máscara indica quantos bits identificam a rede e quantos identificam a máquina. Escreve-se por extenso (255.255.255.0) ou em notação de prefixo (/24, vinte e quatro bits para a rede).
| Prefixo | Máscara | Máquinas utilizáveis |
|---|---|---|
| /24 | 255.255.255.0 | 254 |
| /25 | 255.255.255.128 | 126 |
| /26 | 255.255.255.192 | 62 |
| /27 | 255.255.255.224 | 30 |
| /28 | 255.255.255.240 | 14 |
O número de máquinas utilizáveis é 2 elevado ao número de bits de máquina, menos 2 (o primeiro endereço identifica a rede e o último é o de difusão).
Os endereços privados, não encaminhados na internet, estão reservados pela norma RFC 1918: 10.0.0.0/8, 172.16.0.0/12 e 192.168.0.0/16. Quando uma máquina não consegue obter endereço por DHCP, o Windows atribui um endereço automático da gama 169.254.0.0/16: ver um 169.254.x.x significa "o DHCP falhou".
8.6 · Configurar a rede, na prática
| Tarefa | Windows | Ubuntu |
|---|---|---|
| Ver a configuração | ipconfig /all |
ip -br a e ip route |
| Ver o DNS | ipconfig /all |
resolvectl status |
| IP estático (gráfico) | Definições, Rede, Editar atribuição de IP | Definições, Rede, IPv4 manual |
| IP estático (comando) | netsh interface ip set address "Ethernet" static 192.168.56.20 255.255.255.0 192.168.56.1 |
ficheiro Netplan em /etc/netplan/ e sudo netplan apply |
| Renovar o DHCP | ipconfig /release e ipconfig /renew |
sudo networkctl renew enp0s3 (servidor, com o nome da interface) ou desligar e voltar a ligar a ligação com nmcli |
| Testar | ping, tracert, nslookup |
ping, traceroute, resolvectl query |
| Ver portas em escuta | netstat -an |
ss -tulpn |
Num servidor Ubuntu, a configuração estática faz-se num ficheiro YAML do Netplan. A indentação é com espaços e é obrigatória:
network:
version: 2
ethernets:
enp0s3:
dhcp4: false
addresses:
- 192.168.56.10/24
routes:
- to: default
via: 192.168.56.1
nameservers:
addresses: [1.1.1.1, 8.8.8.8]
O nome da interface (enp0s3) depende da máquina: obtém-se com ip -br a. Um erro de indentação invalida o ficheiro, e sudo netplan try aplica a configuração com reversão automática se a ligação cair, ao contrário de netplan apply.
Exemplo resolvido · Diagnosticar "não há internet"
O diagnóstico percorre as camadas de baixo para cima e pára no primeiro passo que falha.
Passo 1. Ligação física ou Wi-Fi. O cabo está ligado? O Wi-Fi está associado?
Passo 2. Endereço IP. ipconfig mostra 169.254.x.x? Problema de DHCP.
Passo 3. Gateway. ping ao gateway (por exemplo, 192.168.1.1). Falha: problema na rede local.
Passo 4. Internet por IP. ping 1.1.1.1. Funciona: a ligação à internet existe.
Passo 5. Nomes. ping exemplo.pt. Falha com o passo 4 a funcionar: problema de DNS.
Passo 6. Corrigir. Definir um servidor DNS válido (do router ou público) e repetir.
Registo. Em que passo parou e como se resolveu.
8.7 · Partilhar uma pasta com o Samba
Numa rede mista, o servidor Ubuntu partilha ficheiros com clientes Windows através do Samba (que implementa o protocolo SMB).
- Instalar:
sudo apt install samba. - Criar a pasta e dar-lhe as permissões do sistema de ficheiros (ver 7.6).
- Editar
/etc/samba/smb.confe acrescentar uma secção:
[provas]
path = /srv/provas
read only = no
valid users = @formadores @alunos
write list = @formadores
- Criar a palavra-passe Samba de cada utilizador:
sudo smbpasswd -a nome. O Samba tem a sua própria base de palavras-passe, separada da do sistema. - Validar com
testparme reiniciar o serviço:sudo systemctl restart smbd. - Abrir a firewall:
sudo ufw allow samba. - Testar no Windows:
\\192.168.56.10\provasno Explorador ounet use P: \\192.168.56.10\provas /user:formador.
Duas barreiras podem bloquear o acesso mesmo com o Samba bem configurado: as permissões do sistema de ficheiros no servidor e a firewall. Quando o cliente tem "acesso negado", verificar primeiro as duas, e só depois mexer no smb.conf.
9. Segurança da informação e normas
9.1 · Segurança · ferramentas base
Toda instalação de SO deve ter, no mínimo:
| Camada | Windows | Linux |
|---|---|---|
| Firewall | Firewall do Windows | ufw, firewalld, iptables |
| Antivírus | Microsoft Defender Antivírus (integrado, gratuito; Segurança do Windows) | ClamAV (opcional em desktop, comum em servidores) |
| Updates | Windows Update (automático) | apt update && apt upgrade (Debian/Ubuntu) ou equivalente |
| Backup | File History, OneDrive | rsync, Timeshift, Borgbackup |
| Encriptação disco | BitLocker | LUKS / dm-crypt |
Três ações obrigatórias após instalar SO:
- Aplicar todas as atualizações disponíveis. Isto fecha vulnerabilidades conhecidas.
- Ativar firewall. Em Windows está ativo por defeito; em Linux server, verificar com
sudo ufw status. Antes de executarsudo ufw enablenum servidor acedido por SSH, permitir esse acesso comsudo ufw allow ssh, ou a ligação cai. - Criar conta standard separada da admin para uso diário.
9.2 · Boas práticas operacionais
- Updates regulares. Windows Update e
apt upgradesemanais. - Backups periódicos. Pelo menos um backup externo (disco USB ou nuvem). Regra 3-2-1: 3 cópias, em 2 suportes diferentes, 1 fora do edifício.
- Palavras-passe. O comprimento pesa mais do que os símbolos (uma frase longa é forte e fácil de memorizar), e evitam-se trocas forçadas sem motivo; troca-se quando há suspeita de comprometimento. As regras definem-se por política: no Windows com
secpol.msc(comprimento mínimo, histórico, bloqueio após tentativas falhadas), no Linux com módulos PAM. Usar um gestor de palavras-passe (o Bitwarden é gratuito) e autenticação multifator (MFA) nos serviços críticos. - Não usar admin no dia-a-dia. Princípio do menor privilégio.
- Documentar configurações (ver 10.3).
9.3 · Os três objetivos da segurança da informação
A segurança da informação protege três propriedades, que se resumem em confidencialidade, integridade e disponibilidade.
| Propriedade | Significa | Medida técnica típica num SO |
|---|---|---|
| Confidencialidade | só quem tem direito vê a informação | contas individuais, permissões, encriptação do disco |
| Integridade | a informação não é alterada sem autorização | permissões de escrita restritas, atualizações, verificação de somas |
| Disponibilidade | a informação está acessível quando é preciso | cópias de segurança, atualizações planeadas, energia estável |
Uma medida pode reforçar uma propriedade e enfraquecer outra. Bloquear tudo protege a confidencialidade e destrói a disponibilidade. O trabalho do técnico é encontrar o equilíbrio adequado à organização.
9.4 · Proteção de dados pessoais
Quando um computador guarda dados de pessoas (alunos, clientes, colaboradores), o técnico lida com dados pessoais, e aplica-se o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, o RGPD (Regulamento (UE) 2016/679). Em Portugal, a Lei n.º 58/2019, de 8 de agosto, assegura a execução do regulamento na ordem jurídica interna e designa a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) como autoridade de controlo nacional.
O que o regulamento significa para a configuração de um posto de trabalho:
- Acesso limitado a quem precisa dos dados para a sua função: contas individuais e permissões por grupo.
- Medidas técnicas adequadas ao risco, como a encriptação de discos portáteis, as palavras-passe robustas e as atualizações em dia.
- Perda de portátil ou de suporte amovível com dados pessoais é um incidente a comunicar ao responsável da organização, que decide o seguimento e as comunicações previstas na lei.
- Cópias de segurança com os mesmos cuidados de acesso que os originais.
O técnico não decide sozinho o que fazer com os dados, mas tem de saber reconhecer quando um procedimento técnico tem implicações legais e comunicá-lo.
9.5 · Normas de gestão da segurança da informação
Para além da lei, existem normas que orientam a gestão da segurança. A mais conhecida é a ISO/IEC 27001, que especifica os requisitos para estabelecer, implementar, manter e melhorar continuamente um sistema de gestão da segurança da informação, incluindo a avaliação e o tratamento dos riscos. Aplica-se a organizações de qualquer tipo e dimensão, e as organizações podem ser certificadas por entidades independentes.
Para um técnico de nível 4, o importante é a ideia de sistema de gestão: a segurança não é uma configuração isolada, é um ciclo de identificar riscos, aplicar medidas, verificar e melhorar. Na prática, cumprir "normas e procedimentos de gestão da segurança da informação" significa seguir as políticas da organização: quem pode ter privilégios de administrador, como se pedem acessos, como se guardam as palavras-passe, como se fazem e testam as cópias, como se registam os incidentes.
9.6 · Cópias de segurança e recuperação
Fazer cópias não basta: é preciso saber restaurar. Uma cópia nunca testada é uma hipótese.
| Tipo | O que copia | Vantagem | Limitação |
|---|---|---|---|
| Completa | tudo | restauro simples | demora e ocupa espaço |
| Incremental | só o que mudou desde a última cópia | rápida e pequena | o restauro precisa da cadeia toda |
| Diferencial | o que mudou desde a última completa | restauro em dois passos | cresce com o tempo |
A regra 3-2-1 (três cópias, em dois suportes, uma fora do local) protege de avaria, de roubo e de desastre. Uma cópia ligada permanentemente ao computador pode ser cifrada ou apagada por um ataque, por isso uma das cópias deve estar desligada ou fora do alcance da conta que utiliza o computador.
10. Manuais, procedimentos e documentação técnica
10.1 · Trabalhar com manuais e tutoriais
Um técnico não decora configurações: sabe encontrar e interpretar a fonte certa. As fontes por ordem de fiabilidade:
- Documentação oficial do fabricante ou do projeto (Microsoft Learn, a documentação do Ubuntu, o manual do equipamento).
- Páginas de manual no sistema: em Linux,
man comandoecomando --help; no Windows,comando /?. - Fóruns e tutoriais de terceiros: úteis para casos concretos, mas a ler com espírito crítico.
Ao ler um procedimento, convém ver primeiro: a versão a que se aplica (um tutorial para uma versão antiga pode estar errado), os pré-requisitos, os passos que são irreversíveis (apagar, formatar, alterar o registo) e a forma de voltar atrás. Nunca se copia um comando que não se compreende para uma máquina de produção; testa-se primeiro numa máquina virtual.
Exemplo resolvido · Ler a ajuda de um comando
Objetivo. Saber o que faz chmod e como dar permissão de leitura a um grupo.
Passo 1. man chmod ou chmod --help apresenta a sinopse: chmod [OPÇÕES] MODO FICHEIRO.
Passo 2. Em "MODO", identificar as duas notações: octal (640) e simbólica (g+r).
Passo 3. Escolher chmod g+r ficheiro para acrescentar leitura ao grupo sem mexer no resto.
Passo 4. Confirmar com ls -l ficheiro e anotar o resultado.
Competência. Não é decorar as opções, é saber onde as encontrar e como validar o efeito.
10.2 · Seguir procedimentos definidos
Uma organização tem procedimentos para instalar e configurar equipamento: imagem-padrão do sistema, nomes de máquinas, contas, software autorizado. Seguir o procedimento garante que dois postos instalados por duas pessoas diferentes ficam iguais, e que quem os for manter percebe o que encontra. Quando o procedimento não cobre a situação, o técnico não improvisa em silêncio: comunica ao responsável, decide em conjunto e propõe a atualização do procedimento.
Uma convenção de nomes é o primeiro procedimento a definir. Por exemplo, PC-SEC-01 para o primeiro computador da secretaria e SRV-FICH-01 para o servidor de ficheiros: o nome diz de imediato o que é e onde está.
10.3 · Documentar a instalação
A documentação transforma uma tarefa feita uma vez num conhecimento reutilizável. A ficha de um equipamento instalado deve incluir:
| Campo | Exemplo |
|---|---|
| Identificação | PC-SEC-01, portátil, número de série |
| Sistema e versão | Windows 11 Pro, versão e data de instalação |
| Utilizadores | contas criadas e respetivos grupos (nunca as palavras-passe) |
| Rede | endereço, máscara, gateway, DNS, estático ou DHCP |
| Software | aplicações instaladas e versões |
| Segurança | firewall, antivírus, encriptação, cópias |
| Alterações | data, o que mudou, quem alterou |
As credenciais guardam-se num gestor de palavras-passe ou num cofre da organização, nunca num documento aberto na rede.
Apêndices
A · Comandos essenciais Windows
systeminfo Informações do sistema
hostname Nome da máquina
ipconfig Configuração de rede
ipconfig /all Detalhada
ping <ip> Testar conectividade
tracert <host> Traçar rota
nslookup <host> Consultar DNS
gpupdate /force Forçar atualização de políticas de grupo
sfc /scannow Verificar integridade do sistema (admin)
chkdsk C: /f Verificar disco (admin)
net user Listar utilizadores
net localgroup Listar grupos locais
shutdown /r /t 0 Reiniciar agora
B · Comandos essenciais Linux
uname -a Versão do kernel e arquitetura
hostname Nome da máquina
ip addr Configuração de rede (substitui ifconfig)
ping <ip> Testar conectividade
traceroute <host> Traçar rota
nslookup <host> Consultar DNS
lspci Dispositivos PCI
lsusb Dispositivos USB
lshw -short Hardware resumido
free -h Memória disponível
df -h Espaço em disco
dmesg Mensagens do kernel
sudo apt update Atualizar lista de pacotes (Debian/Ubuntu)
sudo apt upgrade Aplicar atualizações
sudo apt install <pacote> Instalar pacote
sudo systemctl status <srv> Estado de um serviço
sudo systemctl restart <srv> Reiniciar serviço
sudo journalctl -xe Logs do sistema
C · Recursos para aprofundamento
Virtualização:
- VirtualBox · virtualbox.org · gratuito, multiplataforma.
ISOs de SO:
- Microsoft · microsoft.com/software-download
- Ubuntu · ubuntu.com/download
Ferramentas:
- Ventoy · ventoy.net · USB bootable multi-ISO.
- Rufus · rufus.ie · criar USB bootable em Windows.
- Bitwarden · bitwarden.com · gestor de palavras-passe.
Tutoriais e referência:
- Microsoft Docs · learn.microsoft.com · documentação oficial Windows/Server.
Referencial oficial:
- ANQEP · Catálogo Nacional de Qualificações · catalogo.snq.gov.pt.
Erros comuns
| Erro | Consequência | Como evitar |
|---|---|---|
| Formatar o disco errado | perda de dados irrecuperável | confirmar tamanho e nome do disco duas vezes; copiar os dados antes |
| Instalar o Ubuntu antes do Windows num dual-boot | o Windows sobrepõe-se ao gestor de arranque | instalar primeiro o Windows |
| Deixar o USB de instalação ligado no reinício | volta ao instalador | remover o USB, ou corrigir a ordem de arranque |
| Usar uma conta de administrador no dia a dia | malware e erros com privilégios totais | conta standard para o uso diário |
Dar chmod 777 para "resolver" um acesso negado |
qualquer utilizador lê e altera | identificar quem precisa e dar apenas isso |
| Instalar drivers de sites desconhecidos | software indesejado e instabilidade | sistema, depois fabricante |
| Esquecer a firewall ou as atualizações | máquinas expostas a falhas conhecidas | lista de verificação pós-instalação |
| Cópia de segurança nunca testada | descobre-se na altura da perda que não restaura | restauro de teste periódico |
| Configurar o IP fixo dentro da gama do DHCP | dois equipamentos com o mesmo endereço | reservar a gama fixa fora do DHCP |
| Ignorar as permissões da partilha e do sistema de ficheiros | acesso negado inexplicável | verificar as duas, o resultado é o mais restritivo |
O erro de fundo que está por trás de muitos dos anteriores é a pressa. Instalar e configurar são tarefas com muitos passos irreversíveis. Ler o ecrã antes de carregar em Seguinte, ler o comando antes de carregar em Enter e verificar o resultado no fim são os três hábitos que separam um técnico fiável de um técnico rápido.
Glossário
Os termos técnicos usados ao longo da sebenta, por ordem alfabética.
ACL (Access Control List): Lista de permissões granulares por utilizador ou grupo. Usada em Windows e em sistemas Unix modernos.
Active Directory (AD): Serviço Windows que gere utilizadores, grupos e máquinas de forma centralizada num Domain Controller.
BIOS (Basic Input/Output System): Firmware clássico da motherboard, dos anos 80.
Bootable: USB ou disco que pode arrancar um SO (geralmente um instalador).
Bootloader: Primeiro pedaço de código do SO, que carrega o kernel.
Checksum (soma de verificação): Valor calculado a partir de um ficheiro que permite confirmar que não foi alterado nem está incompleto.
DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol): Atribuição automática de configurações de rede.
DNS (Domain Name System): Sistema que traduz nomes (www.exemplo.pt) em endereços IP.
Domínio: Gestão centralizada de utilizadores, máquinas e permissões num Domain Controller; cada máquina junta-se ao domínio uma vez.
Driver: Pequeno programa que traduz entre o SO e um dispositivo de hardware específico.
Dual-boot: Ter dois SOs instalados na mesma máquina, em partições diferentes, por exemplo Windows e Linux.
Escalonador (scheduler): Parte do kernel que decide que processo usa o processador em cada instante.
Firmware: Software da motherboard, o primeiro código a correr quando se liga o computador (BIOS ou UEFI).
fstab: Ficheiro /etc/fstab do Linux, que lista as partições a montar no arranque.
Gateway: Equipamento (geralmente o router) que liga uma rede local a outras redes, como a internet.
GPT (GUID Partition Table): Estilo de tabela de partições moderno, usado com UEFI.
GRUB: Gestor de arranque habitual em Linux, que apresenta o menu de seleção de sistema.
Grupo: Conjunto de utilizadores com privilégios comuns, a que se atribuem permissões em vez de as atribuir a cada pessoa.
Hostname: Nome único de uma máquina na rede.
ISO: Imagem de disco, ficheiro único com o conteúdo completo de um CD, DVD ou USB instalador.
Journaling: Registo das operações do sistema de ficheiros num diário, que permite recuperar a coerência após uma falha de energia.
Kernel: Núcleo do sistema operativo; única camada com acesso direto ao hardware.
Máscara de sub-rede: Configuração que define o tamanho da rede local.
MBR (Master Boot Record): Estilo de tabela de partições clássico, usado com BIOS.
Memória virtual: Mecanismo que dá a cada processo um espaço de endereços próprio e permite usar o disco como extensão da RAM.
Netplan: Ferramenta de configuração de rede do Ubuntu, baseada em ficheiros YAML.
NTFS: Sistema de ficheiros do Windows, com permissões, journaling e encriptação.
Partição: Área lógica independente dentro de um disco físico.
Princípio do menor privilégio: Usar uma conta standard no dia a dia e a conta de administrador só quando é mesmo necessário.
Processo: Programa em execução, com memória própria, identificador e estado.
RBAC (Role-Based Access Control): Modelo de segurança baseado em papéis (grupos) em vez de utilizadores individuais.
Regra 3-2-1: Três cópias de segurança, em dois suportes diferentes, uma delas fora do edifício.
RGPD: Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, Regulamento (UE) 2016/679.
rwx: Permissões Unix de leitura (r=4), escrita (w=2) e execução (x=1), atribuídas a proprietário, grupo e outros.
Samba: Implementação em Linux e macOS do protocolo SMB/CIFS da Microsoft, que permite partilhar ficheiros com máquinas Windows.
Secure Boot: Mecanismo UEFI que só permite arrancar sistemas operativos assinados criptograficamente.
Serviço: Programa que corre em segundo plano, sem janela, muitas vezes desde o arranque.
Sistema de ficheiros: Forma como uma partição organiza os dados; por exemplo NTFS, ext4, APFS, FAT32 e exFAT.
SO: Sistema operativo.
Sudo: Comando Unix/Linux para executar uma ação com privilégios de outro utilizador (geralmente root).
Swap: Espaço em disco usado pelo SO quando a RAM está cheia.
systemd: Gestor de serviços e de arranque da maioria das distribuições Linux; controla-se com systemctl.
TPM (Trusted Platform Module): Chip de hardware para operações criptográficas; obrigatório para o Windows 11.
UAC (User Account Control): Janela do Windows que pede confirmação para ações administrativas.
UEFI (Unified Extensible Firmware Interface): Firmware moderno da motherboard, que substitui o BIOS.
UUID: Identificador único de uma partição, mais estável do que o nome do dispositivo.
Virtualização: Execução de um ou mais sistemas simulados (máquinas virtuais) sobre um computador físico.
Workgroup: Grupo lógico simples de máquinas Windows em rede, sem servidor central; cada máquina mantém os seus utilizadores.
Síntese
1. Sistema operativo. O SO medeia entre o hardware e as aplicações: gere processos, memória, ficheiros e dispositivos, oferece uma interface ao utilizador e controla a segurança. Organiza-se em camadas (hardware, kernel, shell e serviços, aplicações) e cada camada só comunica com a que está imediatamente abaixo. Os processos passam pelos estados pronto, em execução, bloqueado e terminado, e o escalonador reparte o processador. Para esta UC, a distinção essencial é entre SO cliente e SO servidor.
2. Instalação. Antes de instalar, verificam-se os requisitos de hardware e a integridade da ISO. O disco divide-se em partições (MBR com BIOS, GPT com UEFI), cada uma com o seu sistema de ficheiros. A instalação parte de uma ISO gravada num suporte bootable, e o USB remove-se antes do reinício final. As máquinas virtuais são o terreno seguro para praticar. Num dual-boot, instala-se primeiro o Windows.
3. Arranque. O firmware faz o POST e entrega o controlo ao gestor de arranque (Windows Boot Manager ou GRUB), que carrega o kernel. Os modos especiais (segurança, recuperação, live) servem para reparar, indo sempre da solução menos destrutiva para a mais destrutiva.
4. Ficheiros e memória. O sistema de ficheiros organiza os dados e o journaling protege-os de falhas. A memória virtual, a paginação e a cache dão a cada processo um espaço isolado; a falta de RAM vê-se no disco saturado.
5. Drivers e periféricos. O driver traduz entre o SO e o hardware; sem ele o dispositivo não funciona ou fica em modo genérico. Os drivers vêm do kernel, do Windows Update, do site do fabricante ou dos repositórios Linux. O gestor de dispositivos mostra o estado de cada um, e a resolução de problemas segue uma sequência fixa, da ligação física até ao teste noutro PC.
6. Configuração do sistema. As ferramentas de gestão (Gestão de Computadores, serviços, systemctl, journalctl) permitem configurar e diagnosticar; um posto entrega-se com o utilizador a confirmar que consegue trabalhar.
7. Utilizadores, grupos e permissões. Cada ação é executada em nome de um utilizador autenticado. Usa-se uma conta standard no dia a dia e a conta de administrador só quando é necessário (princípio do menor privilégio). As permissões atribuem-se a grupos (modelo RBAC), em Unix com rwx e valores octais, em Windows com ACL (NTFS e partilha, valendo o mais restritivo).
8. Rede e protocolos. Uma máquina precisa de endereço IP, máscara de sub-rede, gateway, DNS e hostname, atribuídos por DHCP ou de forma estática. O diagnóstico percorre as camadas de baixo para cima. Os ficheiros partilham-se com SMB/Samba, NFS, SFTP ou serviços em nuvem; o acesso depende das permissões da partilha, do sistema de ficheiros e da firewall.
9. Segurança da informação. A segurança protege confidencialidade, integridade e disponibilidade. Depois de instalar, aplicam-se as atualizações, ativa-se a firewall e cria-se uma conta standard separada da de administrador. As cópias seguem a regra 3-2-1 e testam-se. Os dados pessoais estão sujeitos ao RGPD, e as normas de gestão da segurança orientam as políticas da organização.
10. Documentação. O técnico lê a documentação oficial, segue os procedimentos da organização e regista tudo na ficha do equipamento.
Exercícios resolvidos
Exercício 1 · Planear uma instalação
Enunciado. Um gabinete de contabilidade tem um computador com processador de dois núcleos a 2,4 GHz, 4 GB de RAM, disco HDD de 500 GB, arranque UEFI com Secure Boot, mas sem módulo TPM 2.0. O responsável quer instalar o Windows 11. É possível? Que alternativas há?
Resolução.
- Comparar com os requisitos. Processador (dois núcleos, mais de 1 GHz): cumpre, desde que seja um modelo compatível. RAM (4 GB): no limite do mínimo. Disco (64 GB livres): cumpre. UEFI com Secure Boot: cumpre. TPM 2.0: não cumpre.
- Concluir. O Windows 11 exige TPM 2.0, portanto a instalação em conformidade não é possível neste equipamento.
- Alternativas. (a) Verificar se o firmware tem uma opção de TPM desativada (muitos equipamentos têm TPM por firmware que se ativa no menu); (b) substituir o equipamento; (c) usar um sistema que o equipamento suporte, como o Ubuntu Desktop, se o software da organização o permitir. Mesmo que passe, 4 GB e disco HDD dão uma experiência fraca, pelo que a passagem a SSD e 8 GB seria recomendável.
- Registar a decisão e o motivo.
Exercício 2 · Ler um mapa de partições
Enunciado. O comando lsblk num servidor mostra:
NAME SIZE TYPE MOUNTPOINT
sda 100G disk
├─sda1 1G part /boot/efi
├─sda2 30G part /
└─sda3 69G part /home
sdb 500G disk
Que se pode concluir? Que falta fazer para usar o sdb?
Resolução.
- O disco
sdatem três partições:sda1(1 GB) montada em/boot/efi, o que indica arranque UEFI;sda2(30 GB) é a raiz do sistema;sda3(69 GB) guarda os ficheiros dos utilizadores. - O disco
sdbnão tem partições nem ponto de montagem: está por usar. - Para o usar: criar uma tabela de partições GPT e uma partição, formatar (
mkfs.ext4), criar a pasta de montagem, montar e tornar permanente em/etc/fstabpelo UUID. - Verificar com
df -h.
Exercício 3 · Calcular permissões
Enunciado. Um ficheiro deve ser lido e escrito pelo dono, apenas lido pelo grupo e inacessível aos restantes. Qual o valor octal e o comando?
Resolução. Dono rw- = 4 + 2 = 6; grupo r-- = 4; outros --- = 0. Valor: 640. Comando: chmod 640 ficheiro. Verificação: ls -l ficheiro deve mostrar -rw-r-----.
Exercício 4 · Diagnosticar uma rede
Enunciado. Um posto tem IP 192.168.10.35, máscara 255.255.255.0 e gateway 192.168.1.1. Não acede à internet. Porquê?
Resolução.
- Com a máscara
/24, a rede do posto é192.168.10.0. - O gateway
192.168.1.1pertence a outra rede (192.168.1.0). Um gateway tem de estar na mesma rede do posto. - Causa: gateway mal configurado, provavelmente por gralha.
- Correção: definir o gateway da rede
192.168.10.0, por exemplo192.168.10.1, ou voltar ao DHCP. - Confirmar:
pingao gateway e depoisping 1.1.1.1.