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aulify · Sebenta
UC · Unidade de Competência · UC02537

Sebenta · Realizar medições de elementos não estruturais (UC02537)

Do projeto de arquitetura ao mapa de quantidades, alvenaria a alvenaria, vão a vão
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Obra ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Um projeto de arquitetura, por muito bem desenhado que esteja, não constrói nada sozinho. Antes de comprar um saco de cimento ou uma placa de gesso cartonado, alguém tem de responder a uma pergunta muito concreta: quanto é preciso de cada coisa? Essa resposta chama-se medição: o levantamento rigoroso, elemento a elemento, das quantidades de trabalho de uma obra, a partir das peças escritas e desenhadas do projeto.

Esta sebenta trata das medições dos elementos não estruturais, tudo o que não faz parte do "esqueleto" resistente do edifício (fundações estruturais, vigas, pilares de betão armado, lajes) mas que forma a obra que o utilizador vê, toca e usa: alvenarias de compartimentação, cantarias, carpintarias, serralharias, caixilharias em PVC, isolamentos e impermeabilizações, revestimentos de paredes, pisos, tetos e escadas, coberturas inclinadas, vidros e espelhos, pinturas e acabamentos, instalações de canalização, ascensores e monta-cargas, e equipamento fixo e móvel.

O fio condutor é sempre o mesmo, do primeiro ao último capítulo: interpretar o projeto de arquitetura, aplicar a regra específica de medição de cada elemento e registar a quantidade com rigor, de forma a produzir um mapa de quantidades correto, coerente e verificável. Um erro de medição não fica só no papel: propaga-se ao orçamento, à encomenda de material e ao prazo da obra.

Objetivos de aprendizagem (referencial): medir alvenarias, cantarias, carpintarias, serralharias e caixilharias em PVC; medir isolamentos, impermeabilizações e revestimentos de paredes, pisos, tetos e escadas; medir revestimentos de coberturas inclinadas, vidros, espelhos, pinturas e acabamentos; medir instalações de canalização, ascensores, monta-cargas e elementos de equipamento fixo e móvel; e aplicar as normas de gestão de resíduos, os equipamentos de proteção individual, as normas de segurança e saúde no trabalho, de proteção ambiental e da qualidade.

Onde se usa esta competência: na indústria da construção, em gabinetes de projetos de arquitetura e engenharia, em autarquias (verificação de projetos e licenciamento) e no estaleiro, em contexto de obra.

1. Ler o projeto e as regras gerais de medição

Interpretar o projeto de arquitetura

Antes de medir seja o que for, é preciso interpretar devidamente um projeto de arquitetura: plantas (à escala 1:50 ou 1:100), cortes, alçados, pormenores construtivos e o mapa de acabamentos. Cada elemento a medir tem de ser identificado nestas peças, com a dimensão certa, e não "a olho" a partir de uma foto ou de uma ideia geral do edifício.

Uma medição feita sem cruzar estas quatro peças está incompleta, mesmo que os números "pareçam" razoáveis.

O critério de desconto de vãos

A dúvida mais comum de quem começa a medir é: os vãos (portas e janelas) descontam-se sempre? O critério adotado nesta UC, e que se aplica de forma consistente a todos os capítulos que envolvem áreas de paredes (alvenaria, reboco, pintura, isolamento, revestimento cerâmico, papel de parede), é o seguinte:

Critério de desconto de vãos. Mede-se primeiro a área bruta do elemento (o desenvolvimento da parede, ou seja, o seu comprimento ou perímetro, multiplicado pela altura). Depois, descontam-se os vãos um a um: um vão (porta, janela ou outro) com área superior a 2,00 m² desconta-se pela sua área real; um vão com área igual ou inferior a 2,00 m² não se desconta, porque a folga de trabalho nos remates, ombreiras e padieiras compensa a área do vão. O critério aplica-se vão a vão, nunca à soma dos vãos da mesma divisão: dois vãos pequenos não se juntam para ultrapassar os 2,00 m².

Este critério aplica-se sempre da mesma forma, capítulo após capítulo. Guarda-o: é a régua com que se corrige a maior parte dos erros desta UC.

Arredondamento

Todas as medições desta sebenta arredondam-se a duas casas decimais: ao centímetro nos comprimentos e ao centímetro quadrado nas áreas. Um resultado intermédio (como o desenvolvimento de uma água de telhado) arredonda-se antes de ser usado no cálculo seguinte, para que qualquer pessoa que refaça as contas chegue ao mesmo valor.

Tabela de unidades de medição por trabalho

Cada trabalho tem a sua unidade própria. Escolher a unidade errada é um erro tão grave como errar o número: um mapa de quantidades com um armário medido em m² onde devia estar em unidade (un) não serve para encomendar nada. As unidades mais usadas nesta UC são m (metro linear, também escrito ml), (área), (volume), un (unidade) e vg (verba global, para trabalhos vendidos como conjunto indivisível, sem se desagregar em quantidades).

Trabalho Unidade habitual
Alvenaria: paredes, muros, painéis de blocos
Alvenaria: fundações e maciços
Pilares (alvenaria ou cantaria) m³ ou m (quando esbeltos)
Cantaria: guarnecimentos, guardas, corrimãos m
Cantaria: muros, paredes, revestimentos
Carpintaria: portas, janelas, equipamentos un
Carpintaria: estruturas, guardas, divisórias m³, m ou m²
Serralharia: portas, janelas, equipamentos un
Serralharia: fachadas-cortina, revestimentos, divisórias
Caixilharia em PVC (vão)
Vidros e espelhos m² ou un
Isolamento: placas, mantas, ETICS
Isolamento: trabalhos acessórios m
Impermeabilização: superfícies
Impermeabilização: juntas m
Revestimentos de paredes, pisos e tetos
Rodapés e guarnecimentos lineares m
Revestimento de escadas
Cobertura inclinada
Drenagem pluvial: caleiras m
Drenagem pluvial: tubos de queda un
Pinturas de superfícies
Pinturas de elementos lineares (grades, corrimãos) m ou m²
Canalização: tubagens m
Aparelhos sanitários un
Ascensores e monta-cargas un ou vg
Equipamento fixo e móvel un

⚠️ A verba global (vg) usa-se quando um trabalho é fornecido e montado como um conjunto "chave na mão" que não compensa desagregar (é o caso típico de um ascensor completo). Fora desses casos, mede-se sempre pela unidade que reflete a quantidade real: m, m², m³ ou un.

2. Alvenarias

O que se mede

A alvenaria é o conjunto de paredes construídas por justaposição de blocos, tijolos ou pedra, ligados por argamassa. O referencial pede que se saibam medir:

Exemplo resolvido · área líquida de uma parede de alvenaria

Uma sala de estar tem, em planta, 5,00 m × 4,00 m, com pé-direito de 2,70 m. As paredes têm uma porta de 0,90 m × 2,10 m e uma janela de 1,80 m × 1,50 m.

  1. Perímetro: 2 × (5,00 + 4,00) = 18,00 m.
  2. Área bruta de alvenaria: 18,00 × 2,70 = 48,60 m².
  3. Área da porta: 0,90 × 2,10 = 1,89 m² → é ≤ 2,00 m², não se desconta.
  4. Área da janela: 1,80 × 1,50 = 2,70 m² → é > 2,00 m², desconta-se.
  5. Área líquida de alvenaria: 48,60 − 2,70 = 45,90 m².

Repara que a porta, apesar de existir e de ocupar espaço na parede, não desconta nada por ficar dentro do limiar de 2,00 m². É um erro clássico de quem começa: descontar todos os vãos sem verificar a área de cada um primeiro.

Exemplo resolvido · fundação e pilar (medição ao volume)

Um muro de vedação assenta numa fundação corrida com 12,00 m de comprimento, 0,60 m de largura e 0,40 m de altura. Ao lado, um pilar isolado de alvenaria armada tem secção de 0,30 m × 0,30 m e 2,70 m de altura.

  1. Volume de fundação: 12,00 × 0,60 × 0,40 = 2,88 m³.
  2. Volume de pilar: 0,30 × 0,30 × 2,70 = 0,24 m³.

O pilar também se pode registar ao metro linear, 2,70 m, com a secção (0,30 m × 0,30 m) anotada como característica: é o gabinete de projeto que escolhe a convenção, mas nunca se mede um elemento deste tipo à área, porque não é uma superfície, é um corpo com volume.

3. Cantarias

A cantaria é o trabalho em pedra natural aparelhada (granito, calcário, mármore), usada tanto em elementos estruturais de acabamento nobre como em pormenores decorativos. O referencial pede a medição de:

Exemplo resolvido · guarnecimento de um vão em cantaria

Um vão de porta de entrada, com 1,00 m de largura e 2,10 m de altura, vai ser guarnecido com ombreiras e padieira em granito.

O guarnecimento mede-se pelas três faces do vão que recebem pedra: as duas ombreiras (verticais) e a padieira (horizontal, no topo).

Guarnecimento = 2 × altura + largura = 2 × 2,10 + 1,00 = 5,20 ml.

Nota que o guarnecimento se mede ao metro linear, não à área: o que interessa medir é o desenvolvimento da moldura de pedra à volta do vão, não a superfície da parede.

4. Carpintarias

A carpintaria cobre os trabalhos em madeira. O referencial pede que se saiba medir:

Exemplo resolvido · área de um armário embutido

Um armário embutido de quarto tem uma frente de 2,40 m de largura por 2,60 m de altura.

Área da frente = 2,40 × 2,60 = 6,24 m².

Este valor mede a superfície de portas e caixilharia do armário, para efeitos de orçamentação de material e de mão de obra de montagem; a unidade de medição regista-se como 1 un (o conjunto), com a área anotada como característica.

Exemplo resolvido · mapa de vãos e medição por unidade

Carpintarias e serralharias medem-se sobretudo por unidade, e a boa prática é agrupar os elementos iguais numa única linha do mapa de quantidades, em vez de repetir uma linha por cada localização. Um projeto de uma pequena moradia tem:

Elemento Dimensões (m) Quantidade Unidade
Porta de entrada (madeira maciça) 0,90 × 2,10 1 un
Portas interiores (madeira, iguais entre si) 0,80 × 2,10 6 un
Portão de garagem (serralharia) 3,00 × 2,20 1 un
Janelas em PVC (iguais entre si) 1,20 × 1,20 4 un

As 6 portas interiores, por serem todas iguais, registam-se numa única linha com a quantidade 6, e não em seis linhas repetidas: o mapa de quantidades agrupa por tipo, não por localização na planta.

Para orçamentar o acabamento (verniz ou pintura) das portas interiores, calcula-se a área da folha à parte, mesmo a unidade de contagem sendo "un":

Área total a envernizar = 6 × (0,80 × 2,10) = 6 × 1,68 = 10,08 m².

Repara que há duas medições sobre o mesmo elemento, com propósitos diferentes: 6 un é a quantidade a encomendar à carpintaria; 10,08 m² é a área a considerar para o acabamento de superfície. Nenhuma substitui a outra.

5. Serralharias e caixilharias em PVC

A serralharia cobre os elementos em metal (aço, alumínio, ferro forjado). As caixilharias em PVC são medidas no mesmo capítulo, por partilharem a lógica de vão e vidro. O princípio do capítulo anterior mantém-se: elementos metálicos e caixilharias iguais agrupam-se numa só linha do mapa de quantidades. O referencial pede a medição de:

Exemplo resolvido · janela em PVC

Uma janela em PVC tem 1,60 m de largura por 1,40 m de altura, com um caixilho de 0,09 m de largura em todo o perímetro do vidro.

  1. Área do vão (para a caixilharia): 1,60 × 1,40 = 2,24 m². Como é > 2,00 m², este vão desconta-se da alvenaria que o rodeia.
  2. Área líquida de vidro: descontando o caixilho dos dois lados em cada direção: (1,60 − 2 × 0,09) × (1,40 − 2 × 0,09) = 1,42 × 1,22 = 1,73 m².

São duas medições diferentes, com propósitos diferentes: a área do vão serve para descontar da alvenaria e para orçamentar a caixilharia; a área líquida de vidro serve para orçamentar o vidro em separado (capítulo 9).

6. Isolamentos e impermeabilizações

Isolamentos

Os isolamentos térmicos e acústicos medem-se, na maioria dos casos, à área (m²), com o mesmo critério de desconto de vãos das paredes:

Impermeabilizações

As impermeabilizações protegem o edifício da água. Medem-se assim:

Exemplo resolvido · impermeabilização de um terraço

Um terraço acessível mede 7,00 m × 4,00 m em planta, e a manta impermeabilizante sobe pelos remates (rufos) até 0,20 m de altura em todo o perímetro.

  1. Área da laje de terraço: 7,00 × 4,00 = 28,00 m².
  2. Perímetro: 2 × (7,00 + 4,00) = 22,00 m.
  3. Área dos remates verticais: 22,00 × 0,20 = 4,40 m².
  4. Área total de impermeabilização: 28,00 + 4,40 = 32,40 m².

Os remates são um erro comum de esquecer: a manta não fica só no plano horizontal, sobe pelas paredes e platibandas, e essa área conta também.

Exemplo resolvido · quantidade de manta com sobreposições (dobras)

A área útil a impermeabilizar (a do exemplo anterior) é 32,40 m², mas a quantidade de manta a encomendar é sempre maior, porque entre faixas consecutivas do rolo se aplica uma sobreposição (dobra) que garante a estanquidade da junção.

A manta vem em rolos de 1,00 m de largura por 10,00 m de comprimento, e a sobreposição entre faixas é de 0,10 m.

  1. A primeira faixa cobre 1,00 m de largura na íntegra.
  2. Cada faixa seguinte, por sobrepor 0,10 m à anterior, acrescenta apenas 0,90 m de largura útil nova (1,00 − 0,10).
  3. Falta cobrir, depois da primeira faixa, 4,00 − 1,00 = 3,00 m de largura do terraço.
  4. Número de faixas adicionais: 3,00 ÷ 0,90 = 3,33, que se arredonda por excesso para 4 faixas.
  5. Total de faixas: 1 + 4 = 5 faixas.
  6. Comprimento de cada faixa (comprimento do terraço + folga de 0,20 m em cada topo, para dobrar nos remates): 7,00 + 2 × 0,20 = 7,40 m, cortados de um rolo de 10,00 m.
  7. Quantidade de manta a encomendar: 5 rolos × 1,00 m × 10,00 m = 50,00 m².

A diferença entre os 50,00 m² comprados e os 32,40 m² úteis (17,60 m²) não é desperdício por erro: explica-se pelas sobreposições entre faixas e pelo recorte no comprimento de cada rolo. Arredondar por excesso o número de faixas é sempre a decisão correta: por defeito, falta manta para fechar o terraço.

7. Revestimentos de paredes, pisos, tetos e escadas

Paredes, pisos e tetos

Exemplo resolvido · reboco de parede e estuque de teto numa cozinha

Uma cozinha mede, em planta, 3,50 m × 3,00 m, com pé-direito de 2,60 m e uma única porta de 0,80 m × 2,00 m (sem janela, por ter ventilação mecânica).

  1. Perímetro: 2 × (3,50 + 3,00) = 13,00 m.
  2. Área bruta de reboco: 13,00 × 2,60 = 33,80 m².
  3. Área da porta: 0,80 × 2,00 = 1,60 m² → ≤ 2,00 m², não se desconta.
  4. Área líquida de reboco de parede: 33,80 m².
  5. Área de estuque de teto: 3,50 × 3,00 = 10,50 m² (igual à área de pavimento, sem desconto de vãos).

Nesta cozinha, a área de reboco da parede (33,80 m²) e a área de estuque do teto (10,50 m²) são medições completamente diferentes, mesmo tratando-se do mesmo compartimento: uma é o desenvolvimento vertical da parede, a outra é a área horizontal em planta.

Exemplo resolvido · revestimento e pavimento da sala de estar

Recuperando a sala de estar do capítulo 2 (5,00 m × 4,00 m, pé-direito 2,70 m, porta 0,90 m × 2,10 m, janela 1,80 m × 1,50 m):

  1. Área líquida de reboco/azulejo de parede (mesma regra do capítulo 2): 45,90 m².
  2. Área de pavimento: 5,00 × 4,00 = 20,00 m² (sem desconto de vãos).
  3. Rodapé: o rodapé corre ao longo do perímetro, mas interrompe-se onde há porta (a janela, por estar acima do nível do rodapé, não o interrompe). Rodapé = perímetro − largura da porta = 18,00 − 0,90 = 17,10 ml.

Escadas

Os degraus medem-se pela área do cobertor (a parte horizontal, onde se pisa) mais o espelho (a parte vertical), multiplicada pela largura da escada, e somada ao número de degraus.

Exemplo resolvido · revestimento de uma escada

Uma escada tem 16 degraus, cobertor de 0,29 m, espelho de 0,18 m e largura de 1,10 m.

  1. Área de cobertores: 16 × 0,29 × 1,10 = 5,10 m².
  2. Área de espelhos: 16 × 0,18 × 1,10 = 3,17 m².
  3. Área total de revestimento de escada: 5,10 + 3,17 = 8,27 m².

8. Coberturas inclinadas

As coberturas inclinadas medem-se sobre a superfície real da água (a superfície inclinada), não sobre a projeção horizontal, porque é essa a área de telha, chapa ou outro material de cobertura que vai ser aplicada.

O cálculo do desenvolvimento da água

Desenvolvimento da água = projeção horizontal ÷ cos(inclinação)

A projeção horizontal é o que se mede diretamente na planta de cobertura; a divisão pelo cosseno do ângulo de inclinação "estica" essa medida para a superfície real e inclinada do telhado.

Exemplo resolvido · cobertura de duas águas

Um edifício mede, em planta, 10,00 m × 8,00 m, com telhado de duas águas simétricas, inclinação de 30° e um beirado de 0,50 m a toda a volta.

  1. Largura total coberta (largura do edifício + beirados dos dois lados): 8,00 + 2 × 0,50 = 9,00 m.
  2. Projeção horizontal de cada água (metade da largura total, por serem simétricas): 9,00 ÷ 2 = 4,50 m.
  3. Comprimento de cada água (comprimento do edifício + beirados nas empenas): 10,00 + 2 × 0,50 = 11,00 m.
  4. Desenvolvimento da água: 4,50 ÷ cos(30°) = 4,50 ÷ 0,8660 = 5,20 m.
  5. Área de uma água: 5,20 × 11,00 = 57,20 m².
  6. Área total da cobertura (duas águas iguais): 2 × 57,20 = 114,40 m².

Drenagem de águas pluviais

A caleira (algeroz) mede-se ao metro linear, ao longo de cada beirado: 11,00 × 2 = 22,00 ml, neste exemplo. Os tubos de queda medem-se por unidade (un), com o seu comprimento registado à parte, ao metro linear.

9. Vidros, espelhos, pinturas e acabamentos

Vidros e espelhos

Exemplo resolvido · vidro da janela da sala de estar

Retomando a janela do capítulo 2 (1,80 m × 1,50 m), com caixilho de 0,08 m:

Vidro = (1,80 − 2 × 0,08) × (1,50 − 2 × 0,08) = 1,64 × 1,34 = 2,20 m².

Pinturas

⚠️ As caixilharias em PVC não se pintam: o PVC vem pigmentado de fábrica. Só se pintam elementos de madeira e de metal.

Exemplo resolvido · pintura de um portão metálico

Um portão de garagem metálico mede 3,00 m × 1,50 m e pinta-se dos dois lados.

Área de pintura = (3,00 × 1,50) × 2 faces = 4,50 × 2 = 9,00 m².

Exemplo resolvido · pintura completa de um quarto

Um quarto mede, em planta, 4,20 m × 3,60 m, pé-direito 2,50 m, com uma porta de 0,80 m × 2,10 m e uma janela de 1,40 m × 1,20 m. Vão pintar-se as paredes, o teto e o rodapé.

  1. Perímetro: 2 × (4,20 + 3,60) = 15,60 m.
  2. Área bruta de parede: 15,60 × 2,50 = 39,00 m².
  3. Área da porta: 0,80 × 2,10 = 1,68 m² → ≤ 2,00 m², não se desconta.
  4. Área da janela: 1,40 × 1,20 = 1,68 m² → ≤ 2,00 m², não se desconta.
  5. Área líquida de pintura de parede: 39,00 m² (nenhum dos dois vãos ultrapassa o limiar).
  6. Área de pintura de teto: 4,20 × 3,60 = 15,12 m².
  7. Área total de pintura (parede + teto): 39,00 + 15,12 = 54,12 m².
  8. Rodapé pintado: interrompe-se na porta, não na janela: 15,60 − 0,80 = 14,80 ml.

Um mapa de quantidades de pintura completo tem sempre, no mínimo, três linhas para o mesmo quarto: a área de parede, a área de teto (muitas vezes com tinta diferente) e o rodapé ao metro linear (muitas vezes com um esmalte diferente da parede).

Acabamentos

10. Instalações de canalização, ascensores, monta-cargas e equipamento

Instalações de canalização

Aqui exige-se interpretar projetos de especialidades, não apenas o de arquitetura, porque as redes de água e esgoto vêm desenhadas nas peças de especialidade de águas e esgotos.

Exemplo resolvido · tubagem de abastecimento e queda no esgoto

Uma instalação tem 12,50 m de tubagem de abastecimento de água até à casa de banho, e 8,00 m de tubagem de esgoto até ao coletor, com uma pendente de 2%.

  1. Comprimento de abastecimento: 12,50 ml (registo direto).
  2. Queda do esgoto ao longo do troço: 8,00 × 0,02 = 0,16 m.

A pendente garante o escoamento por gravidade; sem a queda mínima adequada, a água estagna e o esgoto entope.

Exemplo resolvido · rede de esgoto com vários ramais

Uma casa de banho tem três aparelhos sanitários, cada um com o seu ramal de esgoto até a uma caixa de reunião, de onde parte o coletor principal até à rede pública:

Cada ramal mede-se e regista-se em separado no mapa de quantidades (diâmetros diferentes têm preços diferentes), mas o comprimento total de tubagem soma-se para efeitos de encomenda do material corrente.

Ascensores e monta-cargas

Ascensores e monta-cargas são equipamentos completos, fornecidos e montados por empresas especializadas. Medem-se por unidade (un) instalada, registando as características que determinam o preço: o percurso (número de pisos servidos e altura total de elevação), a carga nominal (em kg ou número de pessoas) e o tipo (elétrico, hidráulico).

Elementos de equipamento fixo e móvel

O equipamento fixo e móvel de mercado (mobiliário de cozinha, bancadas, eletrodomésticos encastráveis, cacifos) mede-se, em regra, por unidade (un), com a referência do fabricante e as dimensões registadas como características, e só à área (m²) quando o elemento é modular e vendido a metro quadrado (como certos armários lineares de cozinha).

11. Segurança, ambiente e qualidade nas medições

Medir não é uma atividade de secretária isolada do estaleiro: quem confirma medições em obra está sujeito às mesmas regras de qualquer outro profissional da construção.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Medir elementos não estruturais segue sempre a mesma disciplina: ler o projeto (plantas, cortes, alçados, pormenores) → identificar o elemento e a sua unidade de medição (m², m³, ml, un) → aplicar o critério de desconto de vãos de forma consistente (vão a vão, acima de 2,00 m²) → calcular com rigor e arredondar a duas casas decimais. Alvenarias, cantarias, carpintarias, serralharias, caixilharias em PVC, isolamentos, impermeabilizações, revestimentos de paredes, pisos, tetos e escadas, coberturas inclinadas, vidros, espelhos, pinturas, acabamentos, canalizações, ascensores, monta-cargas e equipamento seguem todos esta mesma lógica, aplicada ao elemento concreto. Fá-lo sempre com EPI, respeitando as normas de segurança, de gestão de resíduos, de proteção ambiental e da qualidade.

Exercícios resolvidos

1. Uma parede tem 22,00 m² de área bruta e uma janela de 1,80 m². Qual é a área líquida de alvenaria?

Resolução: a janela tem 1,80 m², que é ≤ 2,00 m², logo não se desconta. A área líquida mantém-se em 22,00 m².

2. Um vão de porta em cantaria mede 0,80 m de largura por 2,00 m de altura. Qual o guarnecimento em metro linear?

Resolução: guarnecimento = 2 × altura + largura = 2 × 2,00 + 0,80 = 4,80 ml.

3. Um terraço de 6,00 m × 5,00 m tem remates de impermeabilização com 0,25 m de altura em todo o perímetro. Qual a área total de impermeabilização?

Resolução: área da laje = 6,00 × 5,00 = 30,00 m². Perímetro = 2 × (6,00 + 5,00) = 22,00 m. Área de remates = 22,00 × 0,25 = 5,50 m². Total = 30,00 + 5,50 = 35,50 m².

4. Uma água de cobertura tem projeção horizontal de 4,00 m e a cobertura tem inclinação de 25°. Qual é o desenvolvimento real da água?

Resolução: desenvolvimento = 4,00 ÷ cos(25°) = 4,00 ÷ 0,9063 = 4,41 m.

5. Uma janela de alumínio tem vão de 1,50 m × 1,20 m (área 1,80 m²) e vidro líquido de 1,40 m². Um colega diz "descontamos 1,40 m² à parede, porque é a área que interessa". Está certo?

Resolução: não. O que se desconta à parede é sempre a área do vão (1,80 m², que é > 2,00 m²? não, é ≤ 2,00 m², logo aqui também não se desconta), nunca a área líquida de vidro. A área de vidro serve só para orçamentar o vidro em separado.

6. Uma fundação corrida mede 8,00 m de comprimento, 0,50 m de largura e 0,35 m de altura. Em que unidade se mede, e qual é a quantidade?

Resolução: as fundações medem-se ao volume (m³): 8,00 × 0,50 × 0,35 = 1,40 m³.

7. Um projeto tem 5 janelas em PVC todas com as mesmas dimensões. Como se regista este elemento no mapa de quantidades?

Resolução: numa única linha, com a quantidade 5 un, e não em cinco linhas repetidas: o mapa de quantidades agrupa elementos iguais por tipo, não por localização na planta.

8. Uma manta impermeabilizante tem sobreposição (dobra) de 0,10 m entre faixas de 1,00 m de largura nominal. Quantas faixas são precisas para cobrir uma largura de 2,80 m?

Resolução: a primeira faixa cobre 1,00 m. Faltam 2,80 − 1,00 = 1,80 m. Cada faixa seguinte acrescenta 0,90 m úteis (1,00 − 0,10): 1,80 ÷ 0,90 = 2,00, exatamente 2 faixas adicionais. Total: 1 + 2 = 3 faixas.

9. Uma rede de esgoto tem dois ramais, de 1,00 m e 1,40 m, e um coletor de 4,00 m com pendente de 1,5%. Qual é o comprimento total de tubagem e a queda do coletor?

Resolução: comprimento total = 1,00 + 1,40 + 4,00 = 6,40 ml. Queda do coletor = 4,00 × 0,015 = 0,06 m.