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UC · Unidade de Competência · UC02531

Sebenta · Supervisionar a execução dos elementos estruturais (UC02531)

Fundações, betão, armaduras, cofragens, escoramentos, segurança e qualidade no estaleiro
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Obra ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta prepara o técnico de obra para supervisionar a execução dos elementos estruturais de um edifício: fundações, pilares, vigas, lajes e alvenaria estrutural. Não é uma UC de cálculo estrutural, é uma UC de controlo em obra: ler o projeto, programar as etapas, acompanhar a montagem no estaleiro e avaliar se o que foi construído corresponde ao que foi projetado.

O percurso segue o ciclo real do técnico: analisar o projeto de estruturas, programar as etapas de execução, monitorizar a montagem e avaliar a execução. Ao longo do caminho tratamos os materiais (betão, aço), os processos (cofragens, escoramentos, betonagem) e as duas exigências que atravessam tudo o resto, segurança e qualidade no estaleiro.

Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar projetos de estruturas; programar as etapas de execução de elementos estruturais; monitorizar a montagem de elementos estruturais; avaliar a execução de elementos estruturais; controlar a execução de fundações, lajes, vigas, pilares, muros e juntas; aplicar normas de gestão de resíduos, segurança e saúde no trabalho, proteção ambiental e qualidade.

1. O papel do técnico e o ciclo de supervisão

Numa obra de construção civil, ninguém constrói uma estrutura só a partir de um desenho. Entre o projeto de estruturas (calculado por um engenheiro) e o edifício real, existe um técnico que verifica, mede, corrige desvios e documenta cada fase. É esse o papel que esta UC prepara.

O referencial organiza o trabalho em quatro realizações, que funcionam como um ciclo repetido a cada elemento estrutural:

Realização O que significa na prática
Analisar os projetos de estruturas ler plantas de fundações, mapas de armaduras, cortes e memória descritiva antes de qualquer trabalho começar
Programar as etapas de execução decidir a ordem, os meios (cofragem, escoramento, equipa) e os prazos de cada elemento
Monitorizar a montagem acompanhar no estaleiro a colocação de armaduras, cofragens e a betonagem, verificando contra o projeto
Avaliar a execução confirmar, depois de montado, que o elemento corresponde ao projetado, e registar

Este ciclo repete-se para cada fundação, cada pilar, cada viga, cada laje. É por isso que a supervisão de estruturas exige rigor e sentido de organização: um desvio não detetado numa fase inicial propaga-se, e um piso não se "desfaz" como um desenho no papel.

Porque a supervisão é preventiva, não corretiva

Depois de o betão endurecer, corrigir um erro estrutural implica normalmente demolir e refazer, com custo e atraso muito superiores a uma verificação prévia. Por isso, a lógica desta UC é sempre a mesma em cada capítulo: verificar antes de avançar, não descobrir o problema depois de a fase seguinte já estar em cima.

2. Ler o projeto de estruturas

O projeto de estruturas é o conjunto de peças desenhadas e escritas que definem, com precisão, o que se vai construir. Um técnico que não sabe ler estas peças não consegue supervisionar nada com rigor.

As peças do projeto

Peça Conteúdo Uso pelo técnico
Planta de fundações posição, geometria e cotas de sapatas, vigas de fundação, estacas localizar e marcar em obra
Mapa de armaduras diâmetro, quantidade, comprimento e forma de cada varão cortar, dobrar e montar a armadura
Cortes e pormenores construtivos recobrimentos, ligações entre elementos, juntas conferir detalhes que a planta não mostra
Memória descritiva classe de betão, classe de aço, condições especiais, classe de exposição ambiental confirmar a receção de materiais

Materiais e processos construtivos: visão de conjunto

A execução de uma estrutura de betão armado assenta em quatro famílias, cada uma tratada em detalhe nos capítulos seguintes:

Planeamento de obra: a sequência construtiva

O planeamento de obra cruza o projeto com o tempo e os meios disponíveis. Regra geral em estruturas de betão armado: fundações primeiro, e a ganhar resistência antes de se erguerem os pilares; pilares antes de vigas e lajes do mesmo piso; piso a piso, de baixo para cima. Alterar esta sequência sem avaliação técnica compromete a estabilidade da obra em curso, não só do edifício acabado.

3. Fundações diretas

As fundações diretas transmitem as cargas do edifício diretamente ao solo, usadas quando este tem capacidade resistente próxima da superfície (confirmada por estudo geotécnico).

Elementos de fundação direta

Exemplo resolvido · verificar uma sapata antes de betonar

Uma sapata isolada, de 1,20 m × 1,20 m × 0,50 m, vai ser betonada amanhã sob um pilar de canto. Checklist do técnico, hoje:

  1. Cotas: confirmar a cota de fundo de sapata da planta contra o nível real da vala escavada.
  2. Massame de limpeza: confirmar que já foi betonado e curado o suficiente para receber a cofragem.
  3. Solo: confirmar visualmente (ou com o geotécnico, se houver dúvida) que o solo de apoio corresponde ao previsto no estudo geotécnico; se for diferente, o ajuste é decisão do projetista, nunca do técnico por iniciativa própria.
  4. Cofragem: prumo e esquadria da cofragem lateral, estanque, limpa.
  5. Armadura: mapa de armadura conferido (capítulo 7).

Só com os cinco pontos confirmados a betonagem avança. Depois da descofragem, a fundação enterrada recebe impermeabilização e drenagem antes de ser aterrada, nunca depois.

4. Fundações indiretas

Quando o solo à superfície não tem capacidade suficiente, as cargas transmitem-se a camadas resistentes em profundidade: são as fundações indiretas.

Tipo Processo Quando se usa
Estacas pré-fabricadas produzidas em fábrica, cravadas no terreno (percussão ou vibração) solos onde a cravação é viável, obras com prazo apertado
Estacas moldadas betonadas in situ num furo executado no local (com ou sem entubamento) zonas urbanas sensíveis a ruído e vibração, junto de edifícios existentes
Pegões fundações profundas de secção maior, escavadas e betonadas cargas elevadas ou solos irregulares, sapatas conjuntas de vários pilares

Pontos de controlo na execução de estacas

  1. Localização e verticalidade conforme a planta de fundações.
  2. Profundidade até à camada resistente prevista no estudo geotécnico, não uma profundidade fixa arbitrária.
  3. Na estaca moldada: limpeza do fundo do furo antes de betonar, sedimentos soltos reduzem a capacidade de carga.
  4. Gaiola de armadura centrada no furo, nunca encostada a uma parede.
  5. Registo de cada estaca: cota, comprimento e observações, para o dossier de obra, o que cumpre a realização "monitorizar a montagem de elementos estruturais".

5. O betão: a NP EN 206 e a designação

A NP EN 206 é a norma portuguesa (baseada na EN 206 europeia) que rege a especificação, o desempenho, a produção e a conformidade do betão. É a referência que sustenta toda a receção de betão em obra.

A designação normalizada

O betão identifica-se por uma designação com vários campos, por exemplo:

C25/30  XC1  Cl 0,4  D22  S3
Campo Significado
C25/30 classe de resistência: fck no provete cilíndrico / fck no provete cúbico, em MPa
XC1 (ou XS, XA…) classe de exposição ambiental
Cl 0,4 teor máximo de cloretos, em % da massa de cimento
D22 dimensão máxima do agregado, em mm
S3 classe de consistência (abaixamento), ver capítulo seguinte

Para elementos estruturais correntes nesta UC (fundações, pilares, vigas, lajes), a classe de referência é o C25/30: fck cilindro = 25 MPa, fck cubo = 30 MPa. É o mesmo betão medido em dois tipos de provete, por isso os dois números.

O guia de remessa

Cada camião de betão pronto chega com um guia de remessa, o documento que comprova a conformidade do betão entregue. O técnico confere-o antes de autorizar a descarga, verificando:

Se a designação no guia não corresponder ao projeto, ou o tempo de transporte for excessivo, a remessa não entra em obra.

6. Consistência e ensaios do betão

O ensaio de abaixamento (slump)

A consistência mede a trabalhabilidade do betão fresco: a facilidade com que se molda, se adensa e preenche a cofragem sem deixar vazios. Avalia-se pelo ensaio de abaixamento, com o cone de Abrams, segundo a NP EN 206.

Classe Abaixamento Uso típico
S1 10 a 40 mm betões secos, pouco correntes em obra corrente
S2 50 a 90 mm consistência plástica
S3 100 a 150 mm consistência mole, comum em fundações e pilares
S4 160 a 210 mm consistência fluida, lajes e elementos densamente armados
S5 ≥ 220 mm betão autocompactável, situações especiais

O ensaio faz-se enchendo o cone em três camadas compactadas, retirando o cone e medindo o abaixamento do topo do betão. O técnico pede o ensaio à chegada de cada carga (ou por amostragem definida no plano de qualidade da obra) e rejeita o betão fora da classe especificada, mesmo que "pareça betonável".

Provetes e o ensaio aos 28 dias

A resistência declarada no projeto só se confirma depois de o betão curar. Por isso recolhem-se provetes em cada betonagem relevante:

  1. Encher os moldes (cúbicos de 150 mm ou cilíndricos de 150×300 mm) em camadas, compactando cada uma, no momento da descarga.
  2. Identificar cada provete: obra, elemento estrutural, data, lote de betão. Sem esta identificação, um resultado mau não permite localizar o problema em obra.
  3. Curar os provetes em condições controladas (imersão em água ou câmara húmida) durante todo o período de ensaio.
  4. Ensaiar à compressão em laboratório: um valor indicativo aos 7 dias e o valor de referência normativa aos 28 dias.

Exemplo resolvido · interpretar um resultado de provetes

Um lote de betão C25/30 chegou com guia de remessa conforme, ensaio de abaixamento dentro de S3. Os provetes cúbicos, ensaiados aos 28 dias, deram 32,1 MPa.

  1. O fck cubo especificado é 30 MPa; o resultado de 32,1 MPa está acima do exigido.
  2. Conclusão: o betão cumpre a resistência característica declarada no projeto para este lote.
  3. O técnico regista o resultado no dossier de obra, associado ao elemento identificado no provete, e o elemento fica validado para a fase seguinte.

Se o resultado tivesse ficado abaixo de 30 MPa, o procedimento seria diferente: reportar ao projetista e, conforme o caso, mandar avaliar a estrutura antes de prosseguir a construção por cima do elemento em causa.

7. Armaduras e aço

O aço A500 NR

O aço corrente para betão armado em Portugal é o A500 NR: tensão de cedência característica fyk = 500 MPa, varão nervurado (a nervura melhora a aderência ao betão), laminado a quente de dureza natural ("NR").

Tipos de armadura do referencial

Calcular a massa de armadura

Para conferir entregas e orçamentar, calcula-se a massa linear do aço a partir do diâmetro nominal:

massa_linear (kg/m) = 0,00617 × Ø²      (Ø em milímetros)
Ø (mm) Massa linear (kg/m)
6 0,222
8 0,395
10 0,617
12 0,888
16 1,580
20 2,468
25 3,856
32 6,318

Exemplo resolvido · armadura de uma viga, em Python

Uma viga de 6,00 m leva 4 varões longitudinais de Ø16 (com 6,20 m cada, incluindo amarração) e estribos de Ø8 espaçados de 0,20 m ao longo de todo o comprimento, com perímetro de 1,50 m cada estribo.

def massa_linear(diam_mm):
    return 0.00617 * diam_mm ** 2

# Armadura longitudinal: 4 varões Ø16 de 6,20 m
long_massa = 4 * 6.20 * massa_linear(16)          # 39,17 kg

# Estribos: Ø8, espaçamento 0,20 m ao longo de 6,00 m, perímetro 1,50 m
n_estribos = int(6.00 / 0.20) + 1                 # 31 estribos
estribos_massa = n_estribos * 1.50 * massa_linear(8)   # 18,36 kg

total = long_massa + estribos_massa               # 57,53 kg

Resultado: a armadura da viga pesa 57,53 kg (39,17 kg de longitudinais mais 18,36 kg de estribos). É este tipo de cálculo que permite ao técnico conferir a entrega do fornecedor de aço contra o mapa de armaduras, e não apenas "confiar" no volume da carga.

8. Recobrimentos, espaçadores e emendas

Recobrimento e espaçadores

O recobrimento é a distância entre a face exterior da armadura e a superfície do betão. Protege o aço da corrosão (a carbonatação e os cloretos avançam do exterior para dentro) e garante a resistência ao fogo prevista no projeto.

Recobrimento insuficiente é uma das causas mais frequentes de corrosão precoce da armadura e de fissuração do betão anos depois de a obra estar concluída.

Emendas por sobreposição

Quando um varão não chega ao comprimento necessário, ou a construção avança por fases, as armaduras emendam-se por sobreposição: dois varões justapostos ao longo de um comprimento definido, o "comprimento de amarração".

Checklist de verificação de armaduras antes da betonagem

Antes de qualquer betonagem, o técnico confirma, um a um:

  1. Diâmetros e quantidades de varão conforme o mapa de armaduras.
  2. Posição e recobrimento garantidos por espaçadores suficientes.
  3. Comprimento e desfasamento das emendas por sobreposição.
  4. Dobragens e ganchos nas extremidades, conforme o pormenor de projeto.
  5. Amarração a elementos adjacentes (esperas de pilar para viga, de sapata para pilar).
  6. Limpeza da armadura: sem óleo de desmoldante, ferrugem solta ou terra.

Só com esta lista fechada a betonagem é autorizada. É esta checklist que evita descobrir, depois de descofrado, que faltou um varão ou que o recobrimento ficou a zero num canto.

9. Cofragens

A cofragem é o molde temporário que dá forma ao betão fresco até este ganhar presa suficiente para se sustentar sozinho.

Cofragens por elemento

Elemento Particularidade da cofragem
Paredes, cortinas e palas painéis verticais, travados contra a pressão do betão fresco (que aumenta com a altura de enchimento)
Lajes maciças e aligeiradas painel horizontal apoiado em escoramento; na aligeirada, inclui os moldes ou blocos de aligeiramento
Escadas cofragem inclinada e em degraus, a geometria mais trabalhosa do referencial
Pilares e montantes moldes verticais fechados, de altura considerável, com aberturas para vibração
Vigas, lintéis e cintas fundo mais laterais, muitas vezes solidários com a cofragem da laje adjacente

Materiais correntes: madeira e contraplacado marítimo, sistemas metálicos modulares reutilizáveis, e cofragem plástica. Qualquer que seja o material, a cofragem tem de ser estanque (não deixar sair a "nata" de cimento pelas juntas) e limpa de resíduos de betonagens anteriores.

Checklist de verificação da cofragem antes de betonar

  1. Geometria conforme o projeto: dimensões, prumo e esquadria.
  2. Estanquidade de todas as juntas entre painéis.
  3. Limpeza interior, sem madeira solta, lixo ou resíduos.
  4. Desmoldante aplicado antes da colocação da armadura, nunca depois (sujaria os varões).
  5. Armadura e espaçadores já colocados e conferidos (checklist do capítulo 8).
  6. Aberturas e negativos previstos (passagens de tubagem, caixas) posicionados, para não terem de se abrir à martelo depois de betonado.

10. Escoramentos e descofragem

Os escoramentos

O escoramento é a estrutura provisória (prumos, torres metálicas, vigas de escoramento) que suporta a cofragem e o peso do betão fresco até este ganhar resistência própria.

Descofragem: só com autorização e pela ordem certa

Este é um dos pontos mais críticos da UC. A descofragem segue sempre a mesma lógica, independentemente do prazo da obra:

  1. Cofragem lateral de paredes, faces de vigas e pilares que não suportam carga: pode sair primeiro, assim que o betão tiver presa suficiente para a face não se danificar ao desmoldar.
  2. Cofragem de fundo de vigas e lajes, elementos que suportam peso: só sai depois de o betão atingir a resistência mínima definida no projeto ou no plano de qualidade da obra, confirmada pelos resultados de provetes (capítulo 6) ou pelo tempo mínimo de cura estabelecido.
  3. Escoramento: retira-se por último, e sempre com autorização expressa do responsável técnico, nunca por decisão isolada de um trabalhador em obra.
  4. A remoção faz-se gradualmente, aliviando a carga aos poucos, nunca de uma só vez.

Esta ordem (lateral, depois fundo, depois escoramento, sempre com autorização) aplica-se a todos os elementos vistos nesta UC: sapatas, pilares, vigas e lajes.

11. Execução: vibração, cura e tolerâncias

Vibração

Depois de betonado, o betão fresco precisa de vibração para eliminar o ar aprisionado e preencher todos os vazios entre armadura e cofragem.

Cura

A cura consiste em manter o betão húmido e com temperatura controlada nos primeiros dias, para a hidratação do cimento avançar sem que a superfície seque e fissure antes de tempo.

Tolerâncias geométricas

As tolerâncias geométricas são os desvios admissíveis entre o construído e o projetado: verticalidade de pilares, planeza de lajes, secção de vigas, posição de armaduras.

12. Juntas de dilatação e betonagem em condições extremas

Juntas de dilatação

As juntas de dilatação separam fisicamente partes da estrutura, absorvendo movimentos de origem térmica, de retração do betão ou de assentamentos diferenciais do solo, sem fissurar a construção.

Betonagem em tempo quente e em tempo frio

Condição Risco principal Medidas
Tempo quente, temperaturas elevadas e vento seco evaporação rápida da água de amassadura, fissuração por retração plástica, perda de trabalhabilidade antes da colocação betonar nas horas mais frescas do dia, molhar cofragem e agregados antes, proteger e iniciar a cura logo após o acabamento
Tempo frio, temperaturas próximas ou abaixo de 0 °C a água de amassadura pode gelar antes da presa, travando a hidratação do cimento e destruindo a estrutura interna em formação usar água e agregados aquecidos, proteger com mantas térmicas, adiar a betonagem se houver previsão de geada

O técnico consulta a previsão meteorológica antes de programar uma betonagem em dias extremos, e regista no dossier de obra as medidas tomadas quando a betonagem ocorre nessas condições.

13. Segurança no estaleiro

A execução de elementos estruturais concentra os riscos mais graves de um estaleiro de construção. A UC trata segurança como critério de desempenho, não como capítulo à parte.

Quedas em altura e soterramento

Cargas suspensas, cimento fresco e pontas de varão

Em caso de acidente

Ligar 112 de imediato e aplicar os primeiros socorros ao alcance da formação de quem está presente, sem mover a vítima se houver suspeita de lesão na coluna, até chegar ajuda especializada.

14. Qualidade, gestão de resíduos e avaliação da execução

Gestão de resíduos e proteção ambiental

O estaleiro de estrutura gera resíduos específicos, sujeitos a normas próprias:

Avaliar a execução de elementos estruturais

A quarta realização do referencial fecha o ciclo de cada elemento:

  1. Confrontar geometria, cotas e tolerâncias executadas com o projeto.
  2. Confirmar documentação: guia de remessa, resultados de provetes, checklists de cofragem e armadura assinadas.
  3. Registar não conformidades e, se existirem, encaminhá-las ao projetista antes de a obra prosseguir por cima do elemento.
  4. Só depois de validado, o elemento liberta-se para a fase seguinte, seja a descofragem final, seja o apoio do elemento seguinte.

Avaliar não é opinião de estaleiro: é comparar, com instrumento e documento, o construído com o projetado, e deixar isso registado.

15. Calcular volumes de betão, com desperdício

Antes de encomendar um carregamento de betão, o técnico calcula o volume necessário de cada elemento, e aplica uma margem de desperdício (perdas na descarga, na vibração, pequenos ajustes de cofragem). Nesta UC usamos sempre 5% de desperdício, aplicado do mesmo modo em todos os cálculos.

DESPERDICIO = 0.05

def volume_com_desperdicio(volume_bruto):
    return volume_bruto * (1 + DESPERDICIO)

# Sapata isolada: 1,20 m x 1,20 m x 0,50 m
v_sapata = 1.20 * 1.20 * 0.50
# v_sapata = 0,720 m3 -> com desperdício: 0,756 m3

# Pilar: 0,30 m x 0,30 m x 3,00 m
v_pilar = 0.30 * 0.30 * 3.00
# v_pilar = 0,270 m3 -> com desperdício: 0,284 m3

# Viga: 6,00 m x 0,25 m x 0,50 m
v_viga = 6.00 * 0.25 * 0.50
# v_viga = 0,750 m3 -> com desperdício: 0,788 m3

# Laje maciça: 6,00 m x 4,00 m x 0,20 m
v_laje = 6.00 * 4.00 * 0.20
# v_laje = 4,800 m3 -> com desperdício: 5,040 m3
Elemento Volume bruto (m³) Com 5% de desperdício (m³)
Sapata 1,20×1,20×0,50 m 0,720 0,756
Pilar 0,30×0,30×3,00 m 0,270 0,284
Viga 6,00×0,25×0,50 m 0,750 0,788
Laje 6,00×4,00×0,20 m 4,800 5,040

É este último número, com desperdício, que entra na encomenda ao fornecedor de betão pronto, nunca o volume bruto de projeto. A mesma margem de 5% é a usada nas fichas e no projeto desta UC.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O ciclo do técnico repete-se a cada elemento estrutural: analisar o projeto, programar, monitorizar a montagem, avaliar a execução. As fundações (diretas e indiretas) transmitem cargas ao solo; o betão rege-se pela NP EN 206, com designação, guia de remessa, classes de consistência S1 a S5 e provetes ensaiados aos 28 dias; as armaduras em aço A500 NR precisam de recobrimento garantido por espaçadores, emendas por sobreposição corretas e uma checklist antes de cada betonagem. Cofragens dão a forma, escoramentos suportam o peso, e a descofragem segue sempre a mesma ordem: lateral primeiro, fundo depois de resistência confirmada, escoramento por último, sempre com autorização. Vibração, cura e tolerâncias geométricas garantem que o construído corresponde ao projetado. Segurança (guarda-corpos, entivação, cargas suspensas, cimento fresco, pontas de varão, 112) e qualidade e ambiente não são um extra, são critérios de desempenho avaliados como todo o resto.

Exercícios resolvidos

1. Um guia de remessa indica C20/25 XC1 D22 S2, mas o projeto pede C25/30 XC1 D22 S3 para o pilar em causa. O que faz o técnico?

Resolução: rejeita a remessa. A classe de resistência (C20/25 em vez de C25/30) não corresponde ao projeto; aceitar comprometeria a resistência do pilar. A verificação do guia de remessa é sempre feita antes de autorizar a descarga.

2. Calcula a massa de armadura de um pilar com 6 varões longitudinais Ø20 de 3,10 m cada.

Resolução: massa_linear(20) = 0,00617 × 20² = 2,468 kg/m. Comprimento total = 6 × 3,10 = 18,60 m. Massa total = 18,60 × 2,468 ≈ 45,90 kg.

3. Um provete cúbico de um lote C25/30 deu, aos 28 dias, 27,4 MPa. Como se interpreta o resultado?

Resolução: o fck cubo especificado é 30 MPa; 27,4 MPa fica abaixo do exigido. O técnico não pode considerar o elemento validado, reporta ao projetista, que decide o procedimento (ensaios complementares, avaliação estrutural, ou aceitação condicionada), antes de a obra prosseguir por cima do elemento em causa.

4. Porque é que a cofragem lateral de uma viga pode sair muito antes da cofragem de fundo?

Resolução: a cofragem lateral não suporta carga, apenas dá forma às faces verticais; pode sair assim que o betão tenha presa suficiente para a face não se danificar. A cofragem de fundo suporta o peso da viga e só sai depois de o betão atingir a resistência mínima definida no projeto ou no plano de qualidade, confirmada por provetes ou pelo prazo de cura estabelecido.

5. Calcula o volume de betão, com 5% de desperdício, de uma sapata de 1,50 m × 1,50 m × 0,60 m.

Resolução: volume bruto = 1,50 × 1,50 × 0,60 = 1,35 m³. Com 5% de desperdício: 1,35 × 1,05 = 1,4175 m³, arredondado a 1,42 m³ para encomenda.

6. Uma vala de fundação tem 1,80 m de profundidade e o solo apresenta sinais de instabilidade. Que medida de segurança é obrigatória antes de alguém trabalhar dentro dela?

Resolução: a entivação das paredes da vala, para prevenir o desmoronamento sobre o trabalhador. Na dúvida sobre a necessidade, entiva-se sempre; não se aguarda confirmação para agir.

7. Um trabalhador teve contacto prolongado da pele com cimento fresco e sente ardor. O que se faz de imediato?

Resolução: lavar imediatamente a zona afetada com água abundante, porque o cimento fresco é alcalino e causa queimaduras químicas que se agravam com o tempo de exposição. Se a irritação persistir, procurar assistência médica. A prevenção é o uso de luvas e botas impermeáveis desde o início do trabalho.