Sebenta · Interagir em inglês no contexto da atividade arqueológica (UC02358)
- Introdução
- 1. A língua inglesa na atividade arqueológica
- 2. Sons, ritmo e entoação
- 3. Estruturas da língua e sintaxe
- 4. Vocabulário de escavação
- 5. Vocabulário de registo, achados e conservação
- 6. Compreender textos orais e escritos
- 7. Comunicar oralmente
- 8. Cortesia, registo e comunicação não verbal
- 9. Escrever textos profissionais
- 10. Regras de produção escrita
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta ensina a comunicar em inglês no contexto profissional da atividade arqueológica, ao nível do Utilizador Independente (QECR, Nível B; Conselho da Europa, 2001). O inglês é a língua de trabalho da arqueologia internacional: escavações com equipas estrangeiras, field schools, publicações científicas, turismo cultural e candidaturas a projetos europeus.
O percurso segue as três realizações centrais do referencial: interpretar e selecionar informação especializada, verbal e não verbal, em suportes variados; transmitir enunciados orais coerentes; e redigir textos articulados e coesos, sempre no contexto da atividade arqueológica. Estas realizações aplicam-se em entidades públicas (organismos da administração central com competências em arqueologia, autarquias, universidades, museus de arqueologia), empresas de arqueologia de conservação e restauro, empresas de turismo cultural, organizações sem fins lucrativos ligadas ao património e, sobretudo, no trabalho de campo e no trabalho de gabinete.
Objetivos de aprendizagem (referencial): interpretar e selecionar informação especializada em suportes variados; transmitir enunciados orais coerentes; redigir textos articulados e coesos; tudo relacionado com a atividade arqueológica, apoiado em léxico técnico, funções da linguagem, estruturas gramaticais, sintaxe, fluência de leitura, regras de produção de documentos escritos e regras de cortesia.
1. A língua inglesa na atividade arqueológica
Porque o inglês é uma ferramenta de trabalho
Um assistente de arqueólogo lida com inglês em situações muito concretas: instruções de um diretor de escavação estrangeiro, um email a pedir autorização de visita, um relatório de sítio partilhado internacionalmente, uma etiqueta de achado, uma conversa com um voluntário de outro país. Não se trata de "inglês geral"; trata-se de um inglês técnico e funcional, aplicado a rotinas muito específicas do terreno e do gabinete.
Funções da linguagem
Cada frase que dizemos ou escrevemos cumpre uma função (o que pretendemos fazer com a língua). Reconhecer a função ajuda a escolher a forma certa:
| Função | Exemplo |
|---|---|
| Informar / descrever | "This context is a compact clay floor." |
| Pedir / solicitar | "Could you pass me the trowel, please?" |
| Instruir | "Sieve all the soil from this layer." |
| Esclarecer / confirmar | "Just to confirm, this is context 45?" |
| Explicar um procedimento | "We record every layer before removing it." |
| Recusar ou negar com cortesia | "I'm afraid that's not possible before Friday." |
Exemplo resolvido · identificar a função
Frase: "Could you show me where the datum point is?"
- Identificar o verbo principal e a estrutura: pergunta introduzida por "Could you...", forma de cortesia.
- A informação pedida é um local concreto (o ponto de referência/cota).
- Função: pedir informação com cortesia, não uma ordem direta.
- Resposta esperada, coerente com a função: "Yes, it's over there, next to the site hut."
Esta análise (forma → informação → função → resposta coerente) é a base de toda a compreensão oral desta UC.
2. Sons, ritmo e entoação
Símbolos fonéticos e sons do inglês
O inglês tem sons e ditongos que não existem em português, e a mesma grafia pode corresponder a sons diferentes. Os símbolos fonéticos (alfabeto IPA) ajudam a fixar a pronúncia correta:
| Termo | Transcrição | Nota |
|---|---|---|
| trench | /trentʃ/ | "ch" como em "cheque" |
| trowel | /ˈtraʊəl/ | ditongo /aʊ/, não é "tro-uel" |
| sieve | /sɪv/ | lê-se "siv", não "saiv" |
| artefact | /ˈɑːtɪfækt/ | vogal longa /ɑː/ no início |
| layer | /ˈleɪə/ | duas sílabas: "lei-a" |
| context | /ˈkɒntekst/ | acento na primeira sílaba |
Ritmo acentual
O inglês organiza-se por ritmo acentual: as sílabas tónicas marcam o compasso da frase, e as sílabas átonas encolhem entre elas. É diferente do português, que é uma língua de ritmo silábico (as sílabas duram mais ou menos o mesmo tempo).
Entoação e sentido
A entoação (a curva melódica da voz) transporta significado:
- Entoação descendente em afirmações e em perguntas com "wh-" (what, where, when, who, why, how): "Where did you find the sherd?" (o tom desce no fim).
- Entoação ascendente em perguntas de sim/não: "Is this context sealed?" (o tom sobe no fim).
- A ênfase na palavra certa muda o foco da frase: "THIS layer is sealed" (é esta, e não outra) contrasta com "This layer is SEALED" (está selada, e não aberta).
Comunicar oralmente de forma precisa e eficaz, com ritmo e entoação apropriados, adaptando o discurso ao registo do interlocutor, é um critério de desempenho avaliado diretamente nesta UC.
Fluência de leitura
Fluência de leitura não é ler depressa a qualquer preço: é ler com o ritmo certo para o objetivo, reconhecendo grupos de palavras e pausas naturais em vez de soletrar palavra a palavra. Treina-se com leitura repetida de textos curtos (fichas de contexto, instruções, pequenos relatórios) em voz alta.
3. Estruturas da língua e sintaxe
Classes de palavras
Para construir frases corretas em contexto arqueológico é preciso dominar a função de cada classe de palavras:
| Classe | Exemplo em contexto |
|---|---|
| Nomes (nouns) | trench, context, find, report |
| Pronomes | it (o contexto), we (a equipa), this/that |
| Adjetivos | compact (soil), sealed (context), fragile (find) |
| Advérbios | carefully, slowly, directly below |
| Determinantes e artigos | the trench, a sherd, this layer |
| Elementos de ligação frásica | and, but, because, before/after, so, however |
| Verbos | excavate, record, sieve, draw, label |
Sintaxe: ordem das palavras
A ordem básica do inglês é Sujeito + Verbo + Objeto (SVO), mais rígida do que em português, que permite mais liberdade de ordem:
- Afirmação: "The team found a coin in trench 3."
- Pergunta (inversão do auxiliar antes do sujeito): "Did the team find a coin in trench 3?"
- Negativa (auxiliar + not): "We did not sieve this layer yet."
Exemplo resolvido · transformar afirmação em pergunta
Frase de partida: "The site director recorded context 15 this morning."
- Identificar o verbo principal no passado: recorded.
- Introduzir o auxiliar correspondente no início: did.
- Colocar o verbo principal na forma base: record.
- Frase final: "Did the site director record context 15 this morning?"
Tempos verbais úteis no relato de campo
| Tempo | Uso | Exemplo |
|---|---|---|
| Present simple | rotinas, factos gerais | "We record every context." |
| Past simple | eventos concluídos do dia | "We excavated context 34 this morning." |
| Present continuous | ação em curso, agora | "We are cleaning the section now." |
| Present perfect | resultado ainda relevante, balanço | "We have found three sherds so far." |
O diário de campo mistura frequentemente past simple (o que se fez, com hora ou momento definido) e present perfect (o balanço geral até ao momento, sem hora precisa).
4. Vocabulário de escavação
Ferramentas e ações no terreno
| Inglês | Português | Nota |
|---|---|---|
| trench | vala / sondagem de escavação | área delimitada a escavar |
| trowel | trolha arqueológica | ferramenta principal de escavação fina |
| sieving / screening | crivagem | passar a terra por um crivo para não perder achados |
| spoil heap | monte de terra removida | terra já escavada, sem interesse estratigráfico |
| baulk | testemunho / banqueta | faixa de terra entre sondagens, com o perfil visível |
| datum point | ponto de referência (cota) | ponto fixo para medir profundidades |
| total station | estação total | instrumento de topografia usado no levantamento |
| in situ | in situ | no local exato onde foi encontrado, sem mexer |
Estratigrafia em inglês
A estratigrafia tem um vocabulário técnico muito preciso, central para o registo de qualquer intervenção:
| Inglês | Português | Nota |
|---|---|---|
| layer / context | camada / contexto | unidade estratigráfica de registo |
| fill | enchimento | material que preenche um corte (ex.: uma fossa) |
| cut | corte (interface negativa) | limite de uma intervenção (fossa, vala, buraco de poste) |
| feature | estrutura / vestígio | elemento identificável (muro, fogueira, buraco de poste) |
| section (drawing) | desenho de perfil / corte | desenho vertical da sequência de camadas |
| plan (drawing) | planta | desenho horizontal de um contexto ou estrutura |
Regra de ouro: layer e context descrevem o que se vê; cut é sempre negativo (o buraco no solo) e fill é sempre positivo (o que voltou a preencher esse espaço ao longo do tempo).
Exemplo resolvido · instrução de terreno
Instrução ouvida: "Excavate context 40 carefully, it's a fill, so watch for finds. Sieve everything, and label all bags with the context number."
- Identificar o vocabulário técnico: context, fill, finds, sieve, label.
- Separar a sequência de ações: escavar com cuidado → crivar tudo → etiquetar os sacos.
- Identificar a razão dada: é um fill, por isso pode conter achados (daí o cuidado extra).
- Resposta coerente de confirmação: "Understood, I'll sieve everything and label each bag with the context number."
5. Vocabulário de registo, achados e conservação
Achados e registo
| Inglês | Português | Nota |
|---|---|---|
| find / finds | achado(s) | objeto móvel recuperado (cerâmica, metal, vidro) |
| artefact | artefacto | achado feito ou modificado pelo ser humano |
| ecofact | ecofacto | vestígio orgânico não modificado (sementes, ossos) |
| context sheet | ficha de contexto | formulário de registo de cada unidade estratigráfica |
| finds tray / bag | tabuleiro / saco de achados | acondicionamento imediato no terreno |
| label | etiqueta | identificação com sítio, contexto, data e escavador |
| inventory | inventário | lista organizada de todos os achados |
Conservação e gabinete
| Inglês | Português | Nota |
|---|---|---|
| conservation | conservação | preservação do estado atual do achado |
| consolidation | consolidação | reforço de um achado frágil |
| cleaning | limpeza | remoção de sedimento sem danificar |
| storage | armazenamento | acondicionamento a longo prazo |
| condition report | relatório de estado de conservação | descrição do estado do achado |
| fragile | frágil | adjetivo comum em fichas de conservação |
Em Portugal, a entidade pública de referência para o património arqueológico e a sua conservação é o Património Cultural, I.P.; em projetos com componente de cartografia e apoio geográfico, é frequente o contacto com o CIGeoE. Usar sempre a designação atual e completa destas entidades em documentos profissionais.
Exemplo resolvido · preencher uma etiqueta de achados
Situação: encontrou-se um fragmento de cerâmica no contexto 22, no dia 14 de setembro.
Campos da etiqueta em inglês e como os preencher:
- Site: Cerro da Vila
- Context: 22
- Find type: pottery sherd
- Date: 14 September 2026
- Excavator's initials: M.S.
- Condition: fragile, incomplete
Quando um campo não se aplica (por exemplo, não há coordenadas exatas registadas), escreve-se "(none)" ou "not recorded", nunca se deixa o campo em branco: um campo vazio gera dúvida sobre se foi esquecido ou se não existe.
6. Compreender textos orais e escritos
Skimming e scanning
Interpretar e selecionar informação especializada, verbal e não verbal, em suportes variados, no contexto da atividade arqueológica, é a primeira realização central desta UC. Para textos longos (relatórios, artigos, normas), duas técnicas poupam tempo:
- Skimming: leitura rápida para captar a ideia principal e a estrutura geral do texto, sem ler cada palavra.
- Scanning: leitura dirigida para encontrar um dado específico (uma data, um número de contexto, um nome), percorrendo o texto à procura desse elemento.
Distinguir informação essencial de acessória
Nem toda a informação de um texto ou de uma instrução oral tem o mesmo peso. Distinguir informação essencial da informação acessória em textos e suportes diversificados é uma aptidão central desta UC.
Exemplo resolvido · filtrar uma instrução oral
Instrução ouvida: "Okay, so, before lunch, could you finish sieving context 22? Oh, and by the way, it's quite hot today, so remember to drink water."
- Separar a instrução em frases: pedido de tarefa + comentário lateral.
- Identificar o verbo de ação principal: finish sieving.
- Identificar o prazo: before lunch.
- Classificar: essencial = terminar a crivagem do contexto 22 antes do almoço; acessória = o comentário sobre o calor (conselho geral, não uma tarefa).
Treinar este tipo de filtro evita que informação lateral (uma piada, um comentário sobre o tempo) seja confundida com uma instrução de trabalho.
Interpretar suportes não verbais
Um texto especializado raramente é só palavras: inclui plantas, secções, fotografias, tabelas e diagramas. Interpretar estes suportes não verbais junto com o texto escrito faz parte da mesma realização: ler uma legenda de planta, cruzar um número de contexto com a respetiva secção desenhada, ou associar uma fotografia a uma descrição.
7. Comunicar oralmente
Iniciar, manter e terminar conversas
Transmitir enunciados orais coerentes no âmbito da atividade arqueológica é a segunda realização central desta UC, e exige dominar as três fases de qualquer conversa profissional:
| Fase | Exemplos |
|---|---|
| Iniciar | "Hi, I'm the new volunteer, where should I start?" |
| Manter | "That's interesting, so this layer is later than the wall?" |
| Terminar | "Thanks for showing me around, see you tomorrow." |
Uma conversa coerente mantém o fio condutor do tema e usa conectores simples (so, and, but, because, by the way) para ligar as ideias.
Responder a perguntas diretas
"Responder a perguntas diretas sobre a atividade arqueológica" exige respostas completas, não apenas "yes/no":
- "How deep is this context?" → "It's about twenty centimetres deep."
- "Have you found any pottery here?" → "Yes, two sherds, both in the same layer."
- "What tools do you need?" → "Just a trowel and a brush, thanks."
Trocar, verificar e confirmar informações
- "Just to confirm, this is trench 4, context 15?"
- "Could you repeat that, please?"
- "Sorry, did you say context 15 or 50?"
- "So, if I understood correctly, we sieve first and then label the bags?"
Confirmar números e nomes de contexto em voz alta evita erros de registo que só se descobrem semanas depois, já em gabinete.
Exemplo resolvido · manter uma conversa coerente
Situação: um voluntário estrangeiro pergunta sobre o trabalho do dia.
Volunteer: "What are we doing today?" You: "We're finishing trench 3. We need to excavate context 40 and sieve everything." Volunteer: "Is that the fill you mentioned yesterday?" You: "Exactly, the one inside the cut we found near the wall."
A coerência mantém-se porque cada resposta retoma a pergunta anterior (trench 3 → context 40 → the fill you mentioned → the cut near the wall), sem saltos de tema.
8. Cortesia, registo e comunicação não verbal
Formas de tratamento e regras de cortesia
O registo (formal ou informal) muda consoante o interlocutor e o suporte de comunicação:
| Situação | Registo | Exemplo |
|---|---|---|
| Colega de equipa no terreno | informal | "Can you grab the trowel?" |
| Diretor de sítio / especialista | neutro / formal | "Could you show me the section, please?" |
| Email a uma instituição | formal | "Dear Dr. Costa, I am writing to..." |
| Visitante do público | cortês, claro | "Please do not touch the finds, thank you." |
Utilizando vocabulário, estruturas frásicas diversas e formas de tratamento adequados à situação comunicativa oral e escrita e ao público-alvo é um critério de desempenho avaliado diretamente.
Comunicação não verbal no terreno
Utilizar linguagens não verbais na comunicação é uma aptidão explícita da UC, essencial num terreno ruidoso ou com barreiras de língua:
- Apontar para um contexto, uma camada ou uma estrutura em vez de a descrever só por palavras.
- Gestos convencionados de segurança (parar, atenção, aproximar).
- Diagramas e esquemas (plantas, secções, fotografias) como suporte não verbal à explicação oral.
- Expressão facial e tom de voz a reforçar, ou por vezes a contradizer, a mensagem falada.
Em equipas multinacionais, combinar gesto e palavra simples é muitas vezes mais eficaz do que uma frase longa e complexa; mas a comunicação não verbal não substitui o registo escrito: uma ficha de contexto tem sempre de ficar completa por escrito.
9. Escrever textos profissionais
A terceira realização: redigir textos articulados
Redigir textos articulados e coesos relacionados com o contexto da atividade arqueológica é a terceira realização central desta UC. Aplica-se a três tipos de documento principais: email/carta, notas de campo e relatórios, e formulários.
Estrutura de um email formal
- Saudação: "Dear Dr. Silva,"
- Abertura/contexto: "I am writing to request permission to excavate at the site of..."
- Corpo: informação clara, um assunto por parágrafo.
- Pedido/ação esperada: "Could you confirm the dates by Friday?"
- Fecho: "Kind regards," ou "Best regards,"
- Assinatura com função: "Maria Santos, Field Assistant."
"Escrever ou responder a uma carta, e-mail e outro tipo de mensagens para fazer um pedido ou transmitir informações" é uma aptidão avaliada diretamente pela clareza desta estrutura.
Exemplo resolvido · email profissional completo
Situação: pedir autorização para visitar um sítio arqueológico em nome da equipa.
Dear Dr. Ferreira,
I am writing on behalf of the field team to request permission to visit the excavation site at Cerro da Vila next Tuesday, 22 September, between 9 a.m. and 1 p.m.
We would like to observe the ongoing stratigraphic recording and, if possible, ask a few questions about the conservation work.
Could you please confirm whether this date is convenient? We would be grateful for any guidance beforehand.
Kind regards, Maria Santos Field Assistant
Passo a passo da construção: (1) saudação com o nome do destinatário; (2) primeira frase identifica quem escreve e porquê; (3) segundo parágrafo acrescenta detalhe (o que se quer observar); (4) pergunta direta de confirmação; (5) fecho cortês com nome e função.
Notas de campo, relatórios e formulários
Redigir notas, relatórios e de preenchimento de formulários cobre três registos escritos distintos:
| Documento | Função | Exemplo de frase |
|---|---|---|
| Field notes (notas de campo) | registo imediato, telegráfico | "10:30, context 22 fully excavated." |
| Context sheet (ficha de contexto) | formulário estruturado por contexto | soil colour, texture, compaction |
| Site report (relatório de sítio) | síntese formal, frases completas | "The excavation revealed three main phases of occupation." |
As notas de campo são rápidas e telegráficas (sem sujeito nem verbo completos, com hora e ação); o relatório é articulado e coeso, com frases completas ligadas por conectores lógicos como therefore, however, after that.
Exemplo resolvido · de notas de campo a relatório
Notas soltas: "9:00 start trench 3. 10:30 context 22 excavated. Found 2 sherds. 12:00 sieving finished."
Parágrafo de relatório (coeso): "Work on trench 3 began at 9 a.m. Context 22 was fully excavated by 10:30, yielding two pottery sherds. Sieving of the context was completed by midday."
A transformação junta as notas soltas com conectores temporais (by, after) e verbos completos, criando um texto articulado e coeso.
10. Regras de produção escrita
Ortografia, pontuação e acentuação em inglês
"Aplicando técnicas de redação de documentos profissionais e usando as regras de ortografia, de pontuação e de acentuação" é um critério de desempenho avaliado também em inglês:
- Ortografia britânica coerente: colour, organise, metre, centre (não misturar com a variante americana color, organize, meter, center, no mesmo documento).
- Pontuação: o ponto final fecha a frase; a vírgula nunca substitui o ponto entre duas frases completas.
- Maiúsculas: nomes próprios, nomes de sítios, dias da semana e meses levam sempre maiúscula inicial em inglês (diferente do português, onde não levam).
- Números e unidades: escrever "20 cm" com espaço entre o número e a unidade; datas no formato dia, mês por extenso, ano (ex.: 14 September 2026).
Rever e sintetizar um texto
Antes de entregar qualquer documento, revê-se com três perguntas:
- Clareza: um leitor que não esteve no terreno percebe o que aconteceu?
- Coesão: as frases ligam-se com conectores (because, therefore, however, after that)?
- Adequação ao público-alvo: o registo e o vocabulário são os certos para quem vai ler (colega, diretor, visitante, entidade pública)?
"Produzindo um texto escrito de forma clara e articulada, de acordo com a sua finalidade e público-alvo" resume, em conjunto com a ortografia e a coesão, o critério de escrita desta UC.
Exemplo resolvido · rever um parágrafo
Rascunho: "we found a coin. it was in context 15. the coin is bronze. we cleaned it a bit. more work needed."
Revisão: "We found a bronze coin in context 15. After a preliminary cleaning, the coin appears to be in fair condition, although further conservation work is needed."
Correções aplicadas: maiúscula no início de cada frase, ligação das ideias soltas com conectores (after, although), vocabulário mais preciso (preliminary cleaning, fair condition) e um único texto coeso em vez de frases curtas desligadas.
Erros comuns
- Confundir "cut" com "fill": o cut é sempre a interface negativa (o buraco), o fill é sempre o que preenche esse espaço. Rever o Capítulo 4 antes de descrever qualquer contexto.
- Usar "artefact" para qualquer achado: um vestígio orgânico não modificado é ecofact; só o que foi feito ou alterado pelo ser humano é artefact.
- Responder "yes/no" a perguntas que pedem informação ("how deep", "how many"): treinar sempre a resposta completa, com o dado pedido.
- Deixar campos de formulário em branco: escrever sempre "(none)" ou "not recorded" quando o campo não se aplica, nunca deixar vazio.
- Misturar ortografia britânica e americana no mesmo texto (ex.: colour numa frase, color na seguinte): escolher uma variante, a britânica, e mantê-la sempre.
- Escrever meses e dias da semana em minúscula: em inglês levam sempre maiúscula inicial.
- Copiar o registo telegráfico das notas de campo para o relatório final: o relatório exige frases completas e conectores, não fragmentos soltos.
- Entoação "achatada", sem subidas nem descidas: sem entoação, o ouvinte não distingue uma afirmação de uma pergunta.
Glossário
- Trench: vala/sondagem de escavação.
- Trowel: trolha arqueológica, ferramenta principal de escavação fina.
- Sieving / screening: crivagem, passar a terra por um crivo.
- Spoil heap: monte de terra já removida, sem interesse estratigráfico.
- Baulk: testemunho/banqueta entre sondagens, com o perfil visível.
- Datum point: ponto de referência (cota) para medir profundidades.
- Layer / context: camada/contexto, unidade estratigráfica de registo.
- Fill: enchimento, material que preenche um corte.
- Cut: corte, interface negativa (o buraco no solo).
- Feature: estrutura ou vestígio identificável.
- Section / plan (drawing): desenho de perfil (vertical) e planta (horizontal).
- Find / artefact / ecofact: achado; achado modificado pelo ser humano; vestígio orgânico não modificado.
- Context sheet: ficha de registo de contexto.
- Conservation / consolidation: conservação (preservar o estado atual); consolidação (reforçar um achado frágil).
- Field notes: notas de campo, registo imediato e telegráfico.
- Site report: relatório de sítio, síntese formal.
- Skimming / scanning: leitura rápida da ideia geral; leitura dirigida a um dado específico.
- Register: registo (formal, neutro, informal) adequado ao interlocutor.
Síntese
O inglês desta UC é um inglês funcional e técnico, ao serviço de três realizações: interpretar informação especializada oral e escrita (skimming, scanning, distinguir essencial de acessório, ler suportes não verbais); transmitir enunciados orais coerentes (iniciar, manter e terminar conversas; responder a perguntas diretas; confirmar e verificar informação, com ritmo e entoação apropriados); e redigir textos articulados e coesos (emails, notas de campo, relatórios, formulários, com ortografia, pontuação e acentuação corretas). Tudo isto assenta num léxico próprio da escavação, da estratigrafia, do registo e da conservação, em estruturas gramaticais e sintáticas dominadas, e em regras de cortesia e comunicação não verbal adequadas ao contexto profissional da atividade arqueológica.
Exercícios resolvidos
1. Classifica a função da frase: "Could you pass me the trowel, please?"
Resolução: é um pedido/solicitação cortês, construído com "Could you..." em vez de um imperativo direto ("Give me..."). A função não é instruir nem informar, é pedir.
2. Transforma em pergunta: "The team found a coin in trench 3."
Resolução: identifica-se o verbo no passado (found), introduz-se o auxiliar did no início e o verbo principal volta à forma base: "Did the team find a coin in trench 3?"
3. Distingue "cut" de "fill" na frase: "Context 40 is the fill inside the cut we found yesterday."
Resolução: o cut é o corte, a interface negativa (o buraco escavado no solo no passado); o fill (contexto 40) é o material que preenche esse buraco. Primeiro existiu o cut, depois formou-se o fill dentro dele.
4. Um colega em formação responde "Yes" à pergunta "How deep is this context?". O que está errado e qual a resposta correta?
Resolução: "How deep" pede um valor, não uma confirmação; responder "Yes" não dá a informação pedida. Resposta correta: "It's about twenty centimetres deep."
5. Reorganiza estas notas de campo soltas num parágrafo de relatório coeso: "9:00 start trench 3. 10:30 context 22 excavated. Found 2 sherds."
Resolução: "Work on trench 3 began at 9 a.m. Context 22 was fully excavated by 10:30, yielding two pottery sherds." As notas telegráficas ganham verbos completos e conectores temporais (by), tornando-se um texto articulado.
6. Um formulário de achados tem o campo "GPS coordinates" sem dados disponíveis. O que se deve escrever?
Resolução: nunca se deixa o campo em branco; escreve-se "not recorded" ou "(none)", para que fique claro que a ausência de dados foi verificada e não esquecida.
7. Corrige o erro de registo: um relatório formal diz "we found a coin, it was cool".
Resolução: "it was cool" é demasiado informal para um relatório. Versão adequada ao público-alvo: "The find is a bronze coin in fair condition, of notable interest for the dating of the context." O vocabulário e o registo têm de corresponder à finalidade formal do documento.