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UC · Unidade de Competência · UC02325

Sebenta · Limpar e preparar o terreno a calcetar (UC02325)

Do estudo do terreno à almofada compactada, avaliação, sinalização, limpeza, medida, distensão e compactação
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Calceteiro/a Artístico ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Antes de se assentar a primeira pedra de uma calçada, existe um trabalho invisível ao público mas decisivo para o resultado final: limpar e preparar o terreno. Um calçamento assente sobre um terreno mal avaliado, mal limpo ou mal compactado racha, afunda e desloca-se em poucos meses, por melhor que seja o trabalho de calcetamento propriamente dito. Esta sebenta ensina exatamente essa etapa: o que se faz ao terreno antes de o revestir.

O percurso segue a ordem real do trabalho no terreno: primeiro avaliamos o terreno existente e definimos a zona a pavimentar, depois implementamos as medidas de segurança exigidas por um trabalho que decorre muitas vezes na via pública, em seguida limpamos a superfície de detritos e vegetação, preparamos a almofada de apoio com o material e as ferramentas certas, e terminamos por compactar e nivelar o terreno até obter uma superfície uniforme, pronta para receber o revestimento.

Objetivos de aprendizagem (referencial): avaliar o terreno existente; implementar medidas de segurança no terreno; preparar o terreno para otimizar a base de sustentação do calçamento; e compactar e nivelar o terreno para garantir uma superfície uniforme, cumprindo sempre as normas de segurança, saúde no trabalho e qualidade, e comunicando eficazmente com a equipa.

Aviso importante. Esta sebenta descreve procedimentos gerais de preparação de terreno. Nunca substitui o plano de segurança do local concreto de trabalho, o projeto de execução da obra, nem as instruções de um profissional de segurança e saúde no trabalho. Perante qualquer dúvida real no terreno, segue sempre o protocolo interno e pede orientação ao responsável do estaleiro.

1. O terreno antes do calçamento: contexto e ordem de trabalho

Onde se prepara o terreno

O calceteiro artístico prepara terreno em contextos muito diferentes, cada um com as suas particularidades:

Contexto Particularidades
Áreas públicas (praças, calçadas, avenidas, espaços urbanos) trânsito, peões, infraestruturas enterradas, exigência de sinalização
Entradas de monumentos e edifícios históricos terreno sensível, muitas vezes com achados arqueológicos ou pavimentos antigos por baixo
Caminhos em parques e jardins vegetação densa, raízes, terreno irregular
Terrenos privados acesso mais controlado, mas as mesmas exigências técnicas de preparação

Em qualquer um destes contextos, a preparação do terreno segue sempre a mesma lógica geral, ainda que os detalhes mudem: avaliar antes de mexer, proteger antes de trabalhar, limpar antes de construir, medir antes de assumir, compactar até garantir a estabilidade.

A ordem de trabalho desta UC

Esta sebenta organiza-se segundo as quatro realizações do referencial, pela ordem em que acontecem no terreno real:

  1. Avaliar o terreno existente, antes de qualquer intervenção.
  2. Implementar medidas de segurança no terreno, antes de expor a equipa ou o público ao trabalho.
  3. Preparar o terreno para otimizar a base de sustentação do calçamento: limpar, escolher material, montar a almofada.
  4. Compactar e nivelar o terreno para garantir uma superfície uniforme, a etapa final antes do calcetamento propriamente dito.

Saltar ou desordenar estas etapas é a causa mais comum de calçamentos que falham cedo: um terreno compactado antes de estar limpo compacta o lixo junto com o solo; uma almofada distendida sem o terreno avaliado assenta sobre um ponto fraco escondido.

2. Avaliar o terreno existente e detetar infraestruturas enterradas

O que observar no terreno existente

Avaliar o terreno existente é a primeira realização do referencial e a base de todas as decisões seguintes. Antes de tocar numa pá, o calceteiro observa e regista:

Exemplo resolvido. Uma equipa vai preparar o terreno de um pequeno pátio de entrada de um edifício histórico. À observação inicial, o terreno mostra: solo argiloso húmido junto ao muro, um troço de calçada antiga partida ao centro, e raízes de uma árvore próxima a invadir um dos cantos. Estas três observações condicionam logo o plano de trabalho: prever tempo extra de secagem ou drenagem na zona húmida, remoção cuidadosa da calçada antiga (pode ter valor patrimonial), e avaliação da extensão das raízes antes de as cortar, para não afetar a árvore nem enfraquecer o terreno.

Deteção prévia de infraestruturas enterradas

Antes de qualquer escavação, é obrigatório verificar se existem infraestruturas enterradas na zona: canalizações de água e saneamento, tubagens de gás, cabos elétricos e de telecomunicações. Escavar sem esta verificação prévia pode causar acidentes graves (choque elétrico, fuga de gás, rutura de canalização) e cortes de serviço a toda uma rua.

Nunca escavar às cegas em via pública ou em zona urbanizada. Antes de qualquer trabalho com pá mecânica, retroescavadora ou escavação manual profunda: consultar as plantas ou cadastro de infraestruturas disponíveis junto da entidade gestora ou do dono de obra, confirmar no local a existência de marcações ou tampas de rede visíveis, e, sempre que houver dúvida, escavar as primeiras camadas manualmente e com cuidado redobrado antes de usar equipamento mecânico pesado. Se uma infraestrutura for danificada ou exposta inesperadamente, interromper o trabalho de imediato e acionar o protocolo interno.

Instrumentos usados nesta fase

Fazem parte desta avaliação os mapas topográficos do local (para cruzar com o projeto) e os dispositivos tecnológicos com acesso à internet, usados para consultar plantas, cadastros e o projeto de execução diretamente no terreno. Um bloco de notas e caneta regista as observações e as decisões tomadas, que depois se comunicam à equipa e ao responsável de obra.

3. Definir a zona a pavimentar

Depois de avaliado o terreno, define-se com precisão a zona a pavimentar: os limites exatos da área onde vai assentar o calçamento.

Procedimentos de definição da zona

  1. Confrontar o projeto de execução com as medidas reais do local, usando a fita métrica.
  2. Marcar os limites da zona no terreno com pregos, estacas e cordas, criando um perímetro visível e mensurável.
  3. Verificar ângulos e alinhamentos em relação a edifícios, passeios ou elementos fixos existentes.
  4. Confirmar as cotas de referência (o nível final pretendido) com o nível topográfico.
  5. Registar eventuais desvios entre o projeto e o terreno real, e comunicá-los ao responsável antes de avançar.

Exemplo resolvido. O projeto prevê uma calçada retangular de 8 × 3 metros à entrada de uma loja. No local, a fita métrica confirma os 8 metros ao longo da fachada, mas o passeio existente só tem 2,80 metros de largura disponível até ao lancil oposto. A zona a pavimentar tem de ser ajustada para 8 × 2,80 metros, e essa alteração é registada no bloco de notas e comunicada de imediato ao responsável de obra, antes de se marcarem as estacas definitivas.

A zona corretamente marcada com estacas e cordas serve de referência a toda a equipa durante as fases seguintes: limpeza, montagem da almofada e compactação decorrem sempre dentro destes limites, nunca "a olho".

4. Segurança na via pública: sinalização temporária e proteção de transeuntes

Porque a sinalização vem antes do trabalho

Sempre que o terreno a preparar está em praças, calçadas, avenidas ou outros espaços urbanos, a equipa partilha o espaço com transeuntes e, frequentemente, com trânsito automóvel. A segunda realização do referencial, implementar medidas de segurança no terreno, começa precisamente por aqui: sinalizar antes de abrir o primeiro buraco ou espalhar a primeira ferramenta no chão.

A sinalização temporária de obras na via pública é regulada pelo Regulamento de Sinalização do Trânsito (aprovado pelo Decreto Regulamentar n.º 22-A/98), no título dedicado à sinalização temporária. Cabe a este regulamento definir os sinais, barreiras e dispositivos normalizados a usar, e não à improvisação de cada equipa.

Exemplo resolvido. Uma equipa vai preparar o terreno de um troço de passeio junto a uma avenida com trânsito moderado.

  1. Delimitar a zona de trabalho com barreiras de contenção e sinalização normalizada (cones, fitas, painéis), nunca com objetos improvisados.
  2. Garantir um corredor seguro e sinalizado para os peões, já que parte do passeio fica ocupada.
  3. Colocar sinais de advertência para o trânsito automóvel, com a distância mínima de aviso adequada à velocidade da via.
  4. Confirmar que a sinalização se mantém visível e estável durante todo o período de obra, e não apenas no primeiro dia.

A sinalização delimita a zona de trabalho, mas não substitui a alta visibilidade individual: quem trabalha na via pública tem sempre de ser visto pelos condutores, mesmo dentro da zona sinalizada. Ver o vestuário de alta visibilidade no capítulo seguinte.

Regras de prevenção e proteção de transeuntes e trabalhadores

Além da sinalização, a proteção de transeuntes e trabalhadores durante a preparação do terreno inclui:

Estas medidas cumprem diretamente o critério de desempenho de cumprir todas as normas de segurança e saúde, incluindo o uso de equipamento de proteção individual, se aplicável, e o de coordenar e comunicar eficazmente com outros membros da equipa.

Diploma O que aprova ou regula
Lei n.º 102/2009 regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho: obrigações do empregador e do trabalhador
Decreto-Lei n.º 273/2003 prescrições mínimas em estaleiros temporários ou móveis; é daqui que vêm o plano de segurança e saúde (PSS) e a comunicação prévia à ACT nos casos previstos. A escavação conta como trabalho de risco especial
Decreto-Lei n.º 348/93 prescrições mínimas na utilização de equipamentos de proteção individual
Decreto-Lei n.º 330/93 prescrições mínimas na movimentação manual de cargas
Decreto Regulamentar n.º 22-A/98 aprova o Regulamento de Sinalização do Trânsito; o título sobre sinalização temporária é o que regula a sinalização de obras na via pública

Não é preciso decorar números. É preciso saber que, antes de escavar num estaleiro, existe um PSS a consultar e um responsável de SST a quem perguntar.

5. Equipamentos de proteção individual e coletiva; riscos e prevenção de acidentes

Riscos típicos na preparação de terreno

A preparação do terreno reúne riscos próprios da movimentação de terra, do uso de máquinas e ferramentas manuais, e do trabalho ao ar livre:

Risco Situação típica
Quedas e entorses terreno irregular, valas abertas, material espalhado
Esmagamento manobra de retroescavadora ou compactador perto da equipa
Cortes e ferimentos uso de enxadas, machados e outras ferramentas manuais
Projeção de partículas remoção de entulho e detritos endurecidos
Choque elétrico ou danos em infraestruturas escavação sem deteção prévia de redes enterradas
Exposição solar prolongada trabalho de rua em praças e avenidas
Ruído e vibração uso do compactador de solo
Soterramento desmoronamento das paredes de uma vala ou escavação

Nenhuma vala se entra sem estar protegida. À medida que a escavação ganha profundidade, as paredes deixam de se aguentar sozinhas: entiva-se, blinda-se ou talha-se o talude, conforme definido no plano de segurança da obra. As terras e o entulho removidos ficam afastados do bordo, nunca amontoados à beira da vala, e nenhuma máquina circula junto ao bordo. Perante uma vala não protegida, não se entra; chama-se o responsável do estaleiro.

Equipamentos de proteção individual e coletiva (EPI e EPC)

Equipamento Protege de
Capacete quedas de objetos e proximidade de máquinas
Luvas cortes, abrasão, contacto com detritos
Óculos de proteção projeção de partículas ao remover entulho
Calçado de segurança perfuração e queda de objetos
Vestuário de alta visibilidade ser visto por condutores e operadores de máquinas
Barreiras de segurança (EPC) separar a zona de trabalho de terceiros
Sinais de advertência (EPC) avisar do risco antes de o transeunte se aproximar
Proteção auditiva (abafadores ou tampões) ruído do compactador e de máquinas de corte
Luvas antivibração vibração transmitida pelo compactador em uso prolongado

Um EPI danificado, mal ajustado ou inadequado ao risco concreto equivale, na prática, a não ter proteção nenhuma. Verificar o estado do EPI antes de cada utilização faz parte do procedimento, não é um extra.

Se durante a limpeza do terreno for necessário partir ou cortar troços de pavimento antigo, lancis ou betão (por exemplo, com máquina de disco), aplicam-se as mesmas regras do corte de pedra em cantaria: preferir sempre o corte húmido para reduzir a poeira lançada no ar, e usar máscara de proteção respiratória P3/FFP3 quando a exposição a poeira fina (incluindo sílica cristalina) não puder ser eliminada de outra forma. Nunca varrer a seco os resíduos desse corte.

Prevenção de acidentes e regras gerais

Emergências no terreno

Perante qualquer acidente durante a preparação do terreno, o procedimento é sempre o mesmo: garantir a segurança do local, ligar 112, e seguir o protocolo interno, sem improvisar tratamentos que não se dominam. Ao operador do 112 deve indicar-se o local exato, o que aconteceu, quantos feridos existem, e o estado de consciência e respiração da vítima. É sempre o operador quem termina a chamada.

Perante um acidente com uma infraestrutura enterrada (por exemplo, corte acidental de um cabo elétrico ou rutura de uma canalização de gás), afastar de imediato toda a equipa da zona, não tentar reparar ou manipular a infraestrutura, e contactar simultaneamente o 112 e a entidade gestora da rede afetada.

Se houver alguém em contacto com o cabo, nunca lhe tocar. Tocar numa vítima ainda em contacto com a corrente eletrocuta quem socorre. Cortar primeiro a alimentação, ou pedir à entidade gestora que a corte; se não for possível de imediato, afastar a fonte de corrente com material isolante e seco, nunca com as mãos nem com objetos metálicos ou húmidos. Só depois de a corrente estar cortada ou afastada é seguro aproximar-se. Ligar sempre o 112, mesmo que a pessoa pareça ter recuperado: a lesão cardíaca provocada por eletrocussão pode ser tardia.

6. Limpar o terreno: remoção de detritos e ferramentas

O que se remove nesta fase

Limpar o terreno é o primeiro passo prático da terceira realização, preparar o terreno para otimizar a base de sustentação do calçamento. A superfície tem de ficar livre de tudo o que não faz parte da futura almofada:

Ferramentas de limpeza

Ferramenta Uso
Pás remoção e movimentação de terra e detritos soltos
Ancinhos arrastar e recolher detritos leves e vegetação cortada
Enxadas cortar e remover vegetação enraizada e camadas superficiais
Machados remoção de vegetação densa e raízes grossas
Carrinhos de mão transportar detritos e material até ao ponto de recolha
Retroescavadora ou escavadora remoção de volumes maiores de solo ou entulho
Equipamentos de limpeza e manutenção (vassouras, pás, sacos de lixo) limpeza final da superfície antes da almofada
Veículos de transporte encaminhar os detritos removidos para destino adequado

Exemplo resolvido. Um caminho de jardim tem relva densa, algumas raízes finas e um monte de folhas acumuladas. A equipa começa por cortar a vegetação com a enxada, remove as raízes finas manualmente e as mais grossas com o machado, ancinha as folhas e restos cortados para um monte, e transporta tudo em carrinho de mão até ao ponto de recolha, terminando com a vassoura para retirar os resíduos finos que ficaram na superfície.

Destino dos detritos e normas de qualidade

Os detritos removidos não se deixam simplesmente ao lado do terreno: seguem para o veículo de transporte e o destino definido pela obra (vazadouro autorizado, reaproveitamento de material). Deixar entulho acumulado junto à zona de trabalho é uma falha de organização que compromete a segurança e a imagem da equipa perante o cliente ou o público, e não cumpre as normas da qualidade exigidas nesta UC.

7. Material e ferramentas para a almofada de apoio

O que é a almofada de apoio

A almofada (ou almofada de apoio) é a camada de material granular colocada sobre o terreno limpo, que serve de base de sustentação ao calçamento. É esta camada que distribui as cargas, absorve pequenos movimentos do solo e garante que o revestimento final assenta de forma estável e duradoura.

Selecionar o material da almofada

A escolha do material depende do tipo de terreno avaliado, do revestimento previsto e das condições de drenagem do local:

Ferramentas da fase de montagem da almofada

Ferramenta / equipamento Função
Pás e ancinhos espalhar e distribuir o material granular
Carrinhos de mão transportar o material até à zona de trabalho
Fitas métricas confirmar espessuras e larguras da almofada
Níveis topográficos verificar cotas ao longo de toda a superfície
Pregos, estacas e cordas manter as referências de nível e alinhamento durante o trabalho

Manter as normas da qualidade nesta fase significa respeitar a espessura de almofada definida no projeto de execução: uma almofada demasiado fina não sustenta o calçamento, uma almofada excessiva altera as cotas finais previstas.

8. Instrumentos de medida e de verificação

Instrumentos e cuidados de utilização

A preparação de terreno é um trabalho de precisão, ainda que decorra ao ar livre e com ferramentas simples. Os instrumentos de medida garantem que o resultado corresponde ao projeto:

Instrumento Uso Cuidados
Nível topográfico verificar cotas e desníveis ao longo da zona calibrar antes de usar; assentar em base estável
Fita métrica medir distâncias, larguras e espessuras esticar bem, sem folgas, para não falsear a medida
Mapas topográficos cruzar cotas e limites com o projeto manter atualizados; confirmar a escala usada

Exemplo resolvido de verificação de nível

Uma equipa quer confirmar que a zona marcada para uma calçada mantém a inclinação de escoamento de água prevista no projeto (2% para o lado do sarjetão).

  1. Colocar o nível topográfico num ponto de referência fixo (mira) na cota mais alta da zona.
  2. Medir a diferença de cota até ao ponto mais baixo, a uma distância conhecida (por exemplo, 5 metros).
  3. Calcular a inclinação: uma queda de 10 cm em 5 metros corresponde a 10/500 = 2%, o valor pretendido.
  4. Se a inclinação medida não corresponder ao projeto, ajustar a espessura da almofada nesse ponto antes de avançar para a compactação.

Confirmar a inclinação antes da almofada e da compactação evita retrabalho: corrigir um desnível depois de compactado obriga a desfazer o trabalho já feito.

9. Distensão e afofamento da almofada

Técnicas de distensão da almofada

Distender a almofada é espalhar o material granular de forma uniforme sobre a zona já limpa e delimitada, respeitando a espessura definida no projeto:

  1. Descarregar o material em pontos distribuídos pela zona, nunca num único monte central.
  2. Espalhar com pás e ancinhos, de forma progressiva, dos pontos de descarga para as extremidades.
  3. Controlar a espessura com fitas métricas e referências de nível (estacas marcadas), verificando periodicamente à medida que se avança.
  4. Corrigir excessos ou faltas de material antes de seguir para a fase seguinte.

Técnicas de afofamento da almofada a calcetar

Afofar a almofada é soltar e arejar ligeiramente a camada de material antes da compactação final, garantindo que não há zonas apertadas de forma desigual nem bolsas de ar irregulares que comprometam uma compactação uniforme:

Distender sem afofar corre o risco de compactar de forma desigual: zonas que ficaram naturalmente mais soltas ou mais húmidas assentam de maneira diferente das restantes, criando ondulações no calçamento meses depois de terminada a obra.

10. Compactar e nivelar o terreno

Compactação e preparação da almofada de apoio

A compactação é a etapa que dá à almofada a estabilidade e a resistência exigidas pelo critério de desempenho da UC: reduz os espaços vazios entre partículas, aumentando a densidade e a capacidade de suporte do material.

  1. Confirmar que a almofada está corretamente distendida e afofada antes de ligar o compactador.
  2. Compactar em passagens sucessivas e sobrepostas, sem deixar zonas por passar.
  3. Trabalhar sempre da periferia para o centro, ou conforme definido pelo procedimento da obra, para não empurrar material para fora da zona marcada.
  4. Verificar novamente as cotas com o nível topográfico após cada passagem relevante do compactador.
  5. Repetir as passagens necessárias até a superfície não ceder visivelmente sob o peso do compactador.

Exemplo resolvido. Após distender e afofar a almofada de um pátio de 20 m², a equipa compacta em três passagens cruzadas (uma no sentido do comprimento, uma no sentido da largura, uma diagonal), verificando o nível a cada passagem. Na terceira passagem, o nível topográfico confirma que a diferença de cota entre o ponto mais alto e o mais baixo da zona já não excede a tolerância definida no projeto, e a superfície deixa de ceder visivelmente sob o compactador: a almofada está pronta para receber o calçamento.

Nivelar até uma superfície uniforme

O objetivo final desta realização é uma superfície uniforme: sem depressões, sem elevações, com a inclinação de escoamento definida no projeto respeitada em toda a área. Só uma superfície assim está, de facto, pronta para o revestimento final.

Compactar apressadamente, sem verificar o nível durante o processo, é um dos erros mais caros de corrigir: uma vez assente o calçamento, corrigir um desnível na almofada obriga a remover o revestimento já colocado.

11. Comunicação em equipa e entrega ao padrão de qualidade

Coordenar e comunicar com a equipa

A preparação de terreno raramente é trabalho de uma só pessoa. O critério de desempenho de coordenar e comunicar eficazmente com outros membros da equipa ou colaboradores aplica-se em situações concretas:

Entregar o terreno pronto ao padrão de qualidade

O trabalho desta UC termina quando o terreno está pronto para receber o revestimento de acordo com as normas da qualidade e as especificações do projeto: zona corretamente definida e limpa, almofada distendida, afofada e compactada, superfície nivelada e sem detritos, e toda a sinalização e proteção retiradas ou ajustadas para a fase seguinte da obra, conforme o protocolo interno.

Erros comuns

Glossário

Síntese

A preparação do terreno segue sempre a ordem das quatro realizações do referencial: avaliar o terreno existente (tipo de solo, vegetação, detritos, e sobretudo a deteção prévia de infraestruturas enterradas), implementar as medidas de segurança (sinalização temporária de obras na via pública ao abrigo do Decreto Regulamentar n.º 22-A/98, EPI e EPC, proteção de transeuntes), limpar e montar a almofada de apoio (remoção de detritos, escolha do material, distensão e afofamento), e compactar e nivelar até obter uma superfície uniforme, verificada com instrumentos de medida ao longo de todo o processo. A comunicação constante com a equipa e o respeito pelas normas da qualidade e de segurança e saúde no trabalho atravessam todas as fases, do primeiro momento no terreno até à entrega da superfície pronta para o revestimento.

Exercícios resolvidos

1. Uma equipa vai preparar o terreno de uma praça com trânsito moderado. Qual é a primeira etapa antes de tocar em qualquer ferramenta de limpeza?

Resolução: avaliar o terreno existente e, sendo via pública, implementar de imediato a sinalização temporária de obras (Decreto Regulamentar n.º 22-A/98) e as barreiras de proteção de transeuntes, antes de iniciar qualquer remoção de detritos ou escavação.

2. Porque é obrigatório detetar infraestruturas enterradas antes de escavar com retroescavadora?

Resolução: porque escavar sem essa verificação pode danificar canalizações de água ou gás e cabos elétricos ou de telecomunicações, causando acidentes graves (choque elétrico, fuga de gás) e cortes de serviço; a verificação faz-se cruzando plantas ou cadastro de infraestruturas com a observação no local, e escavando com cuidado redobrado nas primeiras camadas.

3. Distingue distender de afofar a almofada, e explica porque a ordem entre as duas importa.

Resolução: distender é espalhar o material de forma uniforme pela zona a pavimentar, respeitando a espessura do projeto; afofar é soltar e arejar ligeiramente essa camada antes da compactação. A ordem importa porque compactar uma almofada só distendida, sem afofar, compacta de forma desigual as zonas que ficaram naturalmente mais soltas ou húmidas, criando ondulações no calçamento mais tarde.

4. Durante a compactação de um pátio, a equipa só verifica o nível no final. Que problema pode surgir, e como se deveria ter procedido?

Resolução: um desnível descoberto só no final obriga a desfazer o trabalho de compactação já feito para corrigir a almofada por baixo. Deveria ter-se verificado o nível topográfico após cada passagem relevante do compactador, corrigindo eventuais desvios antes de continuar.

5. Um colega vai manobrar a retroescavadora perto de onde outro membro da equipa está a limpar detritos com a enxada. Que critério de desempenho está em causa, e o que se deve fazer?

Resolução: está em causa coordenar e comunicar eficazmente com outros membros da equipa; deve avisar-se por voz ou por rádio antes da manobra, confirmar contacto visual com o operador, e só então o colega se afastar ou continuar em segurança.

6. Que material se coloca entre o terreno natural e a almofada quando o projeto o exige, e qual a sua função?

Resolução: o geotêxtil, uma manta sintética que separa camadas de material com granulometria diferente, evitando que se misturem ao longo do tempo e comprometam a estabilidade da base de sustentação.