Sebenta · Realizar medições de carpintaria (UC02100)
- Introdução
- 1. Da carpintaria de oficina à carpintaria em obra
- 2. Ler o projeto: desenhos técnicos de carpintaria
- 3. Elementos de construção da carpintaria
- 4. Matérias-primas e materiais subsidiários
- 5. Caderno de encargos, mapa de quantidades e orçamento
- 6. Fichas de obra e autos de medição
- 7. Instrumentos de medição
- 8. Técnicas de medição em obra
- Princípios e sequência
- Medir a partir de uma linha de referência
- Exemplo resolvido · desnível de um pavimento
- Verificar a esquadria pela regra 3-4-5
- Exemplo resolvido · canto de parede com 3-4-5
- Verificar a esquadria pelas diagonais
- Exemplo resolvido · diagonais de um vão de porta
- Verificar o prumo
- Exemplo resolvido · ombreira fora de prumo
- Medir salas irregulares por triangulação
- Erros de medição e como evitá-los
- 9. Medir vãos, portas e guarnições
- 10. Medir tetos, lambrins e soalhos
- 11. Medir mobiliário fixo: armários, estantes e cozinhas
- 12. Medir escadas
- 13. Identificar e analisar desvios em relação ao projeto
- 14. Planificar e controlar as operações
- 15. Desperdícios
- 16. Segurança e saúde no trabalho e EPI
- 17. Normas da qualidade na medição
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta ensina a medir carpintaria em obra com rigor profissional: da leitura do projeto de arquitetura à identificação de desvios, passando pelos instrumentos de medição, pelas técnicas próprias de cada elemento construtivo, pelas quantidades e pelo controlo de qualidade de todo o processo.
Medir em obra é diferente de medir na oficina. A obra é o mundo real: paredes que não estão a esquadro nem a prumo, pavimentos desnivelados, elementos que ainda não estão prontos. O técnico de medições é a ponte entre o que o projeto desenhou e o que vai ser efetivamente fabricado e montado. Um erro aqui propaga-se a todo o processo seguinte, do fabrico à montagem.
Objetivos de aprendizagem (referencial): aplicar as técnicas de medição de carpintarias em obra; planificar e controlar as operações de medição em obra; identificar as matérias-primas e subsidiárias adequadas ao projeto; identificar desvios relativamente ao projeto; quantificar desperdícios; e aplicar as normas de segurança, saúde no trabalho e qualidade em todo o processo.
Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo explica um tema, dá pelo menos um exemplo resolvido passo a passo e termina com o que tens de saber fazer. Refaz as contas dos exemplos com a calculadora, sem olhar para a resolução, e só depois confirma. No fim há erros comuns, glossário, síntese e exercícios resolvidos.
1. Da carpintaria de oficina à carpintaria em obra
A carpintaria acontece em dois cenários distintos, que se complementam mas não se confundem.
Na oficina, o carpinteiro trabalha com condições controladas: bancadas niveladas, máquinas fixas, boa iluminação. Em obra, o técnico trabalha num ambiente em construção, com condições que mudam de semana para semana. A indústria de carpintaria e construção civil é o contexto desta UC: o trabalho de carpintaria à medida começa em obra, com a medição, e só depois segue para o fabrico.
As duas medições de que esta UC trata
Em Portugal, a palavra medição tem dois sentidos na construção, e esta UC trabalha os dois:
| Sentido | Pergunta a que responde | Resultado | Quem usa |
|---|---|---|---|
| Medição dimensional | Que medidas reais tem este vão, esta parede, este nicho? | cotas em milímetros na ficha de obra | desenho de fabrico, oficina, montagem |
| Medição de quantidades | Quantas portas, quantos metros de rodapé, quantos m² de teto? | mapa de quantidades, auto de medição | orçamento, compras, faturação |
A primeira garante que as peças cabem; a segunda garante que o trabalho é orçamentado, encomendado e pago corretamente. Um bom técnico faz as duas na mesma visita, com o mesmo rigor.
As responsabilidades de quem mede
- Confirmar se a obra está pronta para medir (paredes rebocadas, cota do pavimento acabado conhecida, vãos definitivos e não apenas previstos).
- Registar as medidas em fichas de obra, com rigor e organização suficientes para que outra pessoa as compreenda.
- Identificar e sinalizar desvios ao gabinete de projeto antes de o fabrico avançar.
- Aplicar sempre as normas de segurança e usar o equipamento de proteção individual correto.
Um erro de medição em obra não fica pela medição: propaga-se ao corte, ao fabrico, ao transporte e à montagem. Por isso o rigor nesta fase inicial poupa tempo, material e dinheiro a toda a cadeia de trabalho.
O que muda entre oficina e obra
| Aspeto | Oficina | Obra |
|---|---|---|
| Condições | controladas, estáveis | variáveis, em construção |
| Superfícies | planas e de referência | podem estar fora de prumo, de nível ou de esquadria |
| Instrumentos | de bancada, fixos | portáteis, de campo |
| Tempo disponível | planeado | condicionado pelo estaleiro e pelas outras equipas |
| Riscos | de máquinas | de estaleiro: quedas, objetos, circulação de máquinas |
| Consequência de um erro | corrige-se na bancada | pode exigir nova visita, peça nova e atraso na obra |
O percurso da informação
Vale a pena ter presente o caminho completo de uma medida:
- Projeto (arquitetura e pormenores de carpintaria) → cota prevista.
- Medição em obra → cota real, registada na ficha de obra.
- Análise → comparação entre prevista e real, desvios, decisão.
- Desenho de fabrico → medidas de corte, com folgas de montagem.
- Fabrico na oficina → peças.
- Montagem em obra → verificação final.
Se a medição do passo 2 estiver errada, todos os passos seguintes trabalham sobre um número errado, e só se descobre no passo 6, quando a peça já existe.
O que tens de saber fazer: distinguir medição dimensional de medição de quantidades; explicar porque se mede em obra mesmo havendo projeto.
2. Ler o projeto: desenhos técnicos de carpintaria
Antes de qualquer medição, o técnico estuda os documentos que definem o que vai encontrar em obra. Interpretar as especificações técnicas do projeto é uma aptidão explícita desta UC.
Os projetos de arquitetura
Os projetos de arquitetura são o ponto de partida: o conjunto de peças desenhadas e escritas que definem o edifício.
- Plantas: cortes horizontais de cada piso, feitos a uma altura que atravessa portas e janelas e vistos de cima; mostram paredes, vãos, sentido de abertura das portas e cotas gerais.
- Cortes: secções verticais do edifício por um plano indicado na planta; mostram alturas, pés-direitos, lajes, escadas e desníveis entre pisos.
- Alçados: vistas das fachadas (alçados exteriores) ou de uma parede interior (alçados interiores, muito usados em cozinhas e armários).
- Pormenores: desenhos a escala maior de uma zona concreta (um remate de rodapé, uma ombreira, um degrau).
- Peças escritas: memória descritiva, caderno de encargos e mapa de quantidades, que completam o que o desenho, por si só, não mostra.
O projeto de arquitetura dá o enquadramento geral onde a carpintaria se vai inserir, mas nunca substitui a confirmação em obra.
Desenhos técnicos de carpintaria
A partir do projeto de arquitetura, os desenhos técnicos de carpintaria detalham cada peça a fabricar: uma porta, um armário, um conjunto de rodapés, uma escada.
- Escala: a proporção entre o desenho e a realidade. As escalas normalizadas de redução são 1:2, 1:5, 1:10, 1:20, 1:50, 1:100 (e seguintes da mesma série); as de ampliação são 2:1, 5:1, 10:1. A 1:1 é o tamanho real. Escalas como 1:4 ou 4:1 não pertencem à série normalizada do desenho técnico.
- Cotas: valores numéricos que dão as dimensões reais da peça, em milímetros e sem unidade escrita, seja qual for a escala do desenho.
- Pormenores construtivos: cortes ampliados de uma junta, de uma dobradiça, de uma moldura, que mostram como as peças encaixam.
- Vistas: em Portugal usa-se o método europeu (1.º diedro): a planta fica por baixo do alçado principal e a vista lateral esquerda fica à direita do alçado.
- Legenda: identifica o desenho, a escala usada, o autor, a data e a revisão.
Escalas mais usadas em carpintaria
| Desenho | Escala típica | O que se consegue ler |
|---|---|---|
| Planta geral de uma habitação | 1:100 ou 1:50 | posição das portas, armários, cozinha |
| Alçado de uma cozinha ou roupeiro | 1:20 ou 1:10 | módulos, portas, gavetas, alturas |
| Pormenor de aro e guarnição | 1:5, 1:2 ou 1:1 | perfis, encaixes, folgas |
Exemplo resolvido · interpretar uma cota
Um desenho técnico de uma porta interior mostra a cota "802" na largura do vão e "2040" na altura, e na legenda está escrito "Escala 1:20".
- Unidade: no desenho técnico de carpintaria as cotas vêm em milímetros, salvo indicação contrária explícita na legenda. Lê-se 802 mm de largura e 2040 mm de altura.
- A escala não mexe na cota: a 1:20, o vão aparece no papel com cerca de 40 mm de largura (802 ÷ 20 = 40,1 mm), mas a cota escrita continua a ser 802, porque indica a medida real.
- Nunca medir à régua sobre o papel para obter medidas de fabrico: a cota escrita manda sempre sobre a impressão visual do desenho, que pode estar impresso noutra escala ou deformado.
- Usar a cota como referência de projeto, a confirmar depois com a medição real em obra.
A regra de ouro do desenho técnico: a cota escrita manda sempre sobre a impressão visual do desenho.
Exemplo resolvido · ler um desenho à escala sem cota
Numa planta a 1:50 falta a cota de um nicho. O técnico mede no papel 24 mm. Quanto tem o nicho, aproximadamente?
- A 1:50, cada milímetro no papel corresponde a 50 mm reais.
- 24 × 50 = 1200 mm.
- Este valor serve apenas para preparar a visita (saber que instrumento levar, estimar material). A medida de fabrico só se obtém medindo o nicho em obra, e a falta da cota regista-se como pedido de esclarecimento ao gabinete de projeto.
O que procurar no projeto antes de sair
- Cota do pavimento acabado (muitas vezes indicada nos cortes): é dela que se medem as alturas de portas, rodapés e bancadas.
- Sentido de abertura das portas, desenhado na planta com o arco de abertura.
- Espessura das paredes onde vão os aros, porque define a largura do aro.
- Revisões do desenho: confirmar que se trabalha com a versão mais recente.
O que tens de saber fazer: ler plantas, cortes e alçados; distinguir escala de cota; identificar no projeto a informação necessária antes de ir a obra.
3. Elementos de construção da carpintaria
O catálogo de elementos
A carpintaria de obra cobre um leque amplo de elementos, cada um com particularidades próprias de medição e com uma unidade própria no mapa de quantidades:
| Elemento | O que caracteriza a medição | Unidade habitual no mapa |
|---|---|---|
| Portas | vão (largura, altura), espessura da parede, esquadria, prumo, sentido de abertura | un (unidade) |
| Rodapés | comprimento de cada troço de parede, cantos interiores e exteriores, vãos a descontar | m (metro linear) |
| Guarnições e molduras | contorno de cada vão, dos dois lados da parede | m ou conjunto por vão |
| Tetos (forras, tetos falsos) | área da divisão, pé-direito em vários pontos | m² |
| Sancas | perímetro da divisão junto ao teto | m |
| Lambrins | altura a revestir, perímetro, vãos e obstáculos | m² |
| Soalhos e pavimentos de madeira | área da divisão, nível do pavimento base | m² |
| Armários e roupeiros | vão de nicho em largura, altura e profundidade, prumo e nível | un (ou m de frente, conforme o caderno de encargos) |
| Escadarias | altura a vencer, espaço em planta, largura do lanço | un (escada) ou por degrau, conforme o caderno de encargos |
| Estantes | vão de parede a parede, prumo das paredes de apoio, cargas | un |
| Cozinhas | módulos, eletrodomésticos, pontos de água, esgoto e eletricidade | un (conjunto) ou m de bancada e de módulos |
A unidade certa é a que o caderno de encargos e o mapa de quantidades fixarem para aquela obra. A tabela mostra a prática mais comum: elementos contáveis (portas, armários) por unidade, elementos lineares (rodapés, sancas, guarnições) em metro linear, e elementos de superfície (tetos, lambrins, soalhos) em metro quadrado.
Vocabulário essencial da porta interior
| Termo | O que é |
|---|---|
| Vão | a abertura na parede, medida de tosco a tosco (ou de acabamento a acabamento, se a parede já estiver rebocada) |
| Aro | a estrutura fixa, em madeira ou derivado, que forra a espessura da parede e recebe a folha |
| Folha | a parte móvel da porta |
| Guarnição | a moldura que remata a junta entre o aro e a parede, dos dois lados |
| Ombreiras | os lados verticais do vão |
| Padieira (ou verga) | o lado superior do vão |
| Batente | o rebaixo ou a peça onde a folha encosta quando fecha |
Levantamento dos elementos no projeto
Antes de ir a obra, o técnico faz o levantamento: percorre as plantas e assinala cada elemento de carpintaria previsto, cruzando sempre com o caderno de encargos, que descreve materiais e acabamentos pretendidos. Efetuar o levantamento de produtos de carpintaria do projeto é uma aptidão explícita desta UC.
- Percorrer as plantas divisão a divisão, sempre pela mesma ordem (por exemplo, no sentido dos ponteiros do relógio a partir da entrada).
- Dar a cada elemento um código único (P1, P2 para portas; A1 para armários; R-sala para rodapé da sala), que depois se repete na ficha de obra e no desenho de fabrico.
- Preparar uma lista de verificação organizada por divisão, para não esquecer nenhum elemento em obra.
- Confirmar quantidades: quantas portas, quantos metros de rodapé, quantos módulos de cozinha.
Exemplo resolvido · levantamento de um T2
A planta de um T2 mostra: entrada, sala, cozinha, dois quartos, casa de banho e corredor. O caderno de encargos prevê portas interiores lisas lacadas, rodapé de MDF lacado em todas as divisões exceto cozinha e casa de banho, roupeiros de nicho nos dois quartos e cozinha completa.
| Código | Elemento | Divisão | Quantidade prevista |
|---|---|---|---|
| P1 a P6 | porta interior de batente | quartos (2), casa de banho, cozinha, sala, corredor | 6 un |
| A1, A2 | roupeiro de nicho | quarto 1, quarto 2 | 2 un |
| R | rodapé | sala, quartos, corredor, entrada | a medir (m) |
| C1 | cozinha completa | cozinha | 1 un |
O levantamento não mede nada: identifica o que vai ser medido. As medidas vêm depois, em obra.
Um levantamento completo, feito com calma no gabinete, evita duas viagens à mesma obra.
O que tens de saber fazer: reconhecer os elementos de carpintaria de uma obra, usar o vocabulário correto e preparar o levantamento a partir das plantas.
4. Matérias-primas e materiais subsidiários
Identificar as matérias-primas e subsidiárias que respondem às exigências técnicas do projeto é um critério de desempenho desta UC. Quem mede tem de saber o material porque o material muda as medidas: a espessura da chapa, as folgas da ferragem, a margem para o movimento da madeira.
A madeira maciça
A madeira é um material anisotrópico: comporta-se de maneira diferente conforme a direção.
- Longitudinal (ao longo do fio): quase não mexe com a humidade; a retração nesta direção é desprezável na prática.
- Radial (do centro para a casca): mexe.
- Tangencial (tangente aos anéis de crescimento): é a que mais mexe, cerca do dobro da radial.
O que faz a madeira inchar e retrair é a variação do teor de água, que acompanha a humidade do ar ambiente, e não a temperatura. Consequências para quem mede:
- O comprimento das peças maciças segue o sentido do fio, e o fio deve vir indicado no desenho e na lista de corte.
- Um tampo ou um painel largo de maciço precisa de folga para trabalhar na largura; medir "à justa" um painel maciço de parede a parede é um erro.
- O teor de água usual da madeira para carpintaria e mobiliário de interior anda, em regra, pelos 8 a 12 %. Madeira colocada numa obra onde os rebocos e betonilhas ainda estão a secar absorve água e incha; por isso também se confirma o estado de secagem da obra antes de medir e montar.
Os derivados de madeira
| Derivado | Como é feito | Uso típico em carpintaria de obra |
|---|---|---|
| Contraplacado | folhas finas de madeira coladas com o fio cruzado, em número ímpar | fundos, estruturas, peças curvas, zonas com esforço |
| Aglomerado de partículas | partículas de madeira coladas e prensadas | corpos de armários e cozinhas, normalmente revestido a melamina |
| MDF | fibras de madeira coladas e prensadas | portas lacadas, rodapés, frentes fresadas |
| OSB | partículas longas (lamelas) orientadas em camadas | estrutural, bases, construção em madeira |
| Lamelado colado | lamelas de madeira maciça coladas com o fio paralelo | vigas, degraus, tampos |
Existem versões hidrófugas (resistentes à humidade) de aglomerado e de MDF, indicadas para cozinhas e casas de banho; hidrófugo não significa à prova de água, e os cantos e cortes têm de ficar selados. As espessuras comerciais variam de fornecedor para fornecedor; 16 e 19 mm são espessuras muito frequentes em aglomerado e MDF, mas há outras, e a espessura exata confirma-se sempre no catálogo antes de fechar cotas.
Laminados e folheados
- Folha de madeira natural (folheado): lâmina fina de madeira nobre colada sobre um suporte de derivado.
- Melamina e laminados de alta pressão: revestimentos decorativos e resistentes, sobre aglomerado ou MDF.
Dão o aspeto e o desempenho pretendidos sobre um suporte mais estável e mais económico do que o maciço.
Materiais subsidiários e catálogos
Além da matéria-prima principal, o fabrico depende de materiais subsidiários: ferragens, colas, vernizes e tintas, dobradiças, calhas de gaveta, puxadores, parafusos, cavilhas, espumas e silicones de montagem.
Os catálogos dos fornecedores, físicos e digitais, dão as fichas técnicas de cada material: dimensões, acabamentos disponíveis, cargas admissíveis e folgas de instalação. Consultar o catálogo antes de medir evita esquecer, por exemplo:
- a folga lateral que cada modelo de calha de gaveta exige entre o corpo e a gaveta, indicada pelo fabricante;
- a sobreposição da porta sobre a ilharga, que depende do tipo de dobradiça (porta sobreposta, meio sobreposta ou embutida);
- o espaço atrás de um módulo de cozinha para tubos e cabos.
Um erro típico: escolher a ferragem só depois de medir, o que obriga a rever cotas já registadas.
Exemplo resolvido · escolher materiais para um roupeiro de nicho
Caderno de encargos: "roupeiro de nicho com portas de batente lacadas, interior em melamina branca, varão e duas gavetas".
- Corpo e prateleiras: aglomerado revestido a melamina branca, espessura a confirmar no catálogo (por exemplo 19 mm, se for a do fornecedor).
- Portas lacadas: MDF, porque a superfície de fibras é homogénea e aceita bem a laca.
- Subsidiários: dobradiças de copa (tipo definido pela sobreposição das portas), calhas de gaveta (com a folga lateral do modelo escolhido), varão com suportes, parafusos de montagem, puxadores.
- Consequência na medição: sabendo a espessura das ilhargas e a folga das calhas, o técnico sabe que a largura útil interior será a largura do nicho menos duas ilhargas menos as folgas de montagem. Por isso mede a largura do nicho com rigor, em vários pontos.
O que tens de saber fazer: explicar o movimento da madeira e o que ele muda na medição; distinguir os derivados; relacionar ferragens e folgas com as medidas a registar.
5. Caderno de encargos, mapa de quantidades e orçamento
Analisar o caderno de encargos da obra de carpintaria e o respetivo orçamento é uma aptidão explícita desta UC. Estes documentos dizem o que foi contratado e como se mede e paga; a medição em obra confirma quanto existe na realidade.
O caderno de encargos
O caderno de encargos é a peça escrita, com valor contratual, que descreve o que tem de ser feito: materiais, acabamentos, prazos, condições de execução e, muitas vezes, os critérios de medição. Costuma ter duas partes:
- Cláusulas gerais (ou jurídicas): prazos, garantias, penalidades, condições de pagamento, responsabilidades.
- Cláusulas técnicas: para cada trabalho, os materiais exigidos (espécie de madeira, tipo de derivado, espessura, acabamento), as ferragens, as tolerâncias e o modo de execução.
Nas empreitadas de obras públicas, o caderno de encargos é uma das peças do procedimento previstas no Código dos Contratos Públicos (Decreto-Lei n.º 18/2008, com alterações posteriores), que também regula a medição dos trabalhos executados e os respetivos autos. Nas obras particulares, o caderno de encargos tem o valor que o contrato entre as partes lhe der; a lógica técnica é a mesma.
Em caso de dúvida na obra, o técnico volta ao caderno de encargos, nunca apenas à memória ou a uma instrução verbal avulsa. Se o encarregado pedir uma coisa diferente do que está escrito, regista-se o pedido e confirma-se por escrito com quem tem autoridade para alterar o contrato.
O mapa de quantidades
O mapa de quantidades (também chamado mapa de medições) lista, artigo a artigo, cada trabalho com a sua descrição, a sua unidade e a sua quantidade. Nas obras públicas, o conteúdo dos projetos, incluindo as medições e os mapas de quantidades, está regulado por portaria própria (hoje a Portaria n.º 255/2023, que substituiu a Portaria n.º 701-H/2008).
Um artigo de carpintaria bem escrito tem esta forma:
| Art.º | Descrição | Un | Quant. |
|---|---|---|---|
| 5.1 | Fornecimento e assentamento de porta interior de batente, folha lisa em MDF lacado branco, aro e guarnições em MDF lacado, dobradiças e fechadura, para vão de 800 × 2040 mm, incluindo todos os trabalhos e materiais necessários | un | 6 |
| 5.2 | Fornecimento e assentamento de rodapé em MDF lacado branco, 70 × 16 mm, colado e pregado, incluindo cortes e remates | m | 48,50 |
| 5.3 | Fornecimento e assentamento de forro de teto em réguas de madeira de pinho envernizado, incluindo estrutura de apoio | m² | 19,76 |
As medidas dos rodapés e do teto deste exemplo são ilustrativas; num mapa real, cada quantidade vem de uma medição justificada.
Critérios de medição
O critério de medição diz como se conta cada artigo. Deve estar escrito no caderno de encargos ou no próprio mapa, porque muda o resultado. Critérios frequentes:
- Portas, armários, cozinhas, escadas: por unidade (un), incluindo tudo o que a descrição do artigo refere (aro, guarnições, ferragens).
- Rodapés, sancas, guarnições avulsas, corrimãos: em metro linear (m), medindo o comprimento real colocado e descontando os vãos por onde o elemento não passa.
- Tetos, lambrins, soalhos, revestimentos: em metro quadrado (m²), medindo a área real revestida; o caderno de encargos diz se se descontam ou não os vãos pequenos.
- Verba global (vg): para trabalhos que não se medem bem por unidade física, como uma pequena reparação.
A margem de desperdício normalmente não entra no mapa de quantidades: o mapa mede o trabalho feito; o desperdício é um custo que o orçamentista inclui no preço unitário ou que a compra de material acrescenta à quantidade medida. É uma distinção importante: medir "com desperdício" no mapa leva a pagar a mais.
O orçamento
O orçamento de uma obra de carpintaria obtém-se multiplicando, artigo a artigo, a quantidade pelo preço unitário, e somando:
Total do artigo = quantidade × preço unitário
Total da obra = soma dos totais dos artigos (mais IVA, se aplicável, conforme o regime fiscal da obra)
Exemplo resolvido · analisar um orçamento
Um orçamento (preços fictícios, só para treino) apresenta:
| Art.º | Un | Quant. | Preço unitário | Total indicado |
|---|---|---|---|---|
| Portas interiores | un | 6 | 285,00 € | 1 710,00 € |
| Rodapé | m | 48,50 | 8,40 € | 407,40 € |
| Forro de teto | m² | 19,76 | 42,00 € | 892,20 € |
Verificação conta a conta:
- Portas: 6 × 285,00 = 1 710,00 €. Certo.
- Rodapé: 48,50 × 8,40 = 407,40 €. Certo.
- Forro: 19,76 × 42,00 = 829,92 €. O orçamento indica 892,20 €: há um erro de 62,28 € (provavelmente troca de algarismos).
- Total correto: 1 710,00 + 407,40 + 829,92 = 2 947,32 € (sem IVA).
Analisar o orçamento é isto: refazer as contas, confirmar unidades, confirmar que as quantidades batem com o levantamento e que a descrição de cada artigo corresponde ao caderno de encargos (espécie, espessura, acabamento).
O que tens de saber fazer: ler um caderno de encargos e retirar dele as exigências técnicas; relacionar cada elemento com a unidade de medição; verificar as contas de um orçamento.
6. Fichas de obra e autos de medição
Preencher as fichas de obra é uma aptidão explícita desta UC, e as fichas de obra são o instrumento de acompanhamento e evolução da obra de carpintaria.
A ficha de obra
A ficha de obra é o registo escrito de cada visita: o que foi medido, verificado e observado, com data, local e responsável identificados.
- Regista medidas, condições da obra (por exemplo, uma parede ainda húmida) e desvios detetados.
- É a base para planificar e controlar as operações seguintes de fabrico e montagem.
- Deve ser preenchida no próprio local, nunca de memória mais tarde no escritório.
- Acompanha a evolução da obra ao longo de sucessivas visitas, permitindo comparar medições.
Modelo de ficha de medição de vão
| Campo | Exemplo preenchido |
|---|---|
| Obra | Moradia Rua das Flores, n.º 12 |
| Data e hora | 14/03, 10h30 |
| Responsável | A. Silva |
| Elemento | P3 · porta do quarto 1 |
| Estado do vão | rebocado, pavimento acabado colocado |
| Instrumentos | fita métrica classe II, nível de bolha 1 m, esquadro de carpinteiro |
| Largura (topo / meio / base) | 802 / 800 / 799 mm |
| Altura (lado esquerdo / lado direito) | 2 045 / 2 041 mm |
| Espessura da parede (em cima / em baixo) | 118 / 121 mm |
| Diagonais | 2 193 / 2 190 mm |
| Prumo das ombreiras | esquerda a prumo; direita com 3 mm de desvio em 2 m |
| Sentido de abertura | abre para dentro do quarto, dobradiças à esquerda, vista do corredor |
| Desvios e observações | largura de projeto 800 mm; altura de projeto 2 040 mm; ver nota |
| Croqui | esboço do vão com as cotas e o sentido de abertura |
| Assinatura |
Um croqui (esboço à mão, sem escala mas com as cotas) vale mais do que uma lista de números solta, porque mostra onde foi feita cada medida. Muitas empresas usam fichas em papel; outras usam aplicações em tablet. O suporte muda; o conteúdo mínimo é o mesmo.
Uma ficha de obra bem preenchida garante que a informação chega intacta ao gabinete de projeto e à fábrica.
O auto de medição
O auto de medição é o documento que regista, num dado momento, a quantidade de trabalho executado, artigo a artigo, para efeitos de pagamento. É assinado pelas partes (empreiteiro e dono da obra ou fiscalização). Nas obras públicas, o Código dos Contratos Públicos prevê que os trabalhos sejam medidos e que o resultado conste de auto; nas particulares, a prática segue o contrato.
Exemplo resolvido · auto de medição mensal
Contrato de carpintaria (preços fictícios): 6 portas a 285,00 €/un e 48,50 m de rodapé a 8,40 €/m. No fim do mês, estão assentes 4 portas e 30,20 m de rodapé.
| Artigo | Quant. contratada | Quant. executada | % executada | Valor do auto |
|---|---|---|---|---|
| Portas | 6 un | 4 un | 4 ÷ 6 = 66,7 % | 4 × 285,00 = 1 140,00 € |
| Rodapé | 48,50 m | 30,20 m | 30,20 ÷ 48,50 = 62,3 % | 30,20 × 8,40 = 253,68 € |
| Total | 1 393,68 € |
Valor total do contrato: 1 710,00 + 407,40 = 2 117,40 €. Percentagem financeira executada: 1 393,68 ÷ 2 117,40 = 65,8 %.
O auto mede o que está executado e assente, não o que está fabricado na oficina nem o que foi entregue na obra por montar, salvo se o contrato disser outra coisa.
O que tens de saber fazer: preencher uma ficha de obra completa, com croqui; distinguir ficha de obra de auto de medição; calcular um auto simples.
7. Instrumentos de medição
O referencial desta UC nomeia sete instrumentos: fita métrica, metro articulado, suta, esquadro de carpinteiro, esquadro combinado, medidor a laser e régua de medição métrica para carpintaria. Acrescentam-se aqui o nível e o prumo, sem os quais não se verifica nada em obra.
Fita métrica
Lâmina de aço flexível, graduada em milímetros, enrolada numa caixa com mola de retorno e trava. Serve para medidas longas, como vãos, paredes e perímetros de rodapé, e contorna superfícies curvas.
- Gancho móvel: a patilha da ponta tem uma pequena folga de propósito. Quando se puxa o gancho contra uma aresta (medida exterior), ele avança; quando se encosta a ponta a uma parede (medida interior), recua. A folga é igual à espessura do gancho e compensa-a nos dois casos. Um gancho torto ou com a folga alterada falseia todas as medidas.
- Medida interior com a caixa: para medir de parede a parede, encosta-se a caixa a uma parede e soma-se o comprimento da caixa, que vem gravado nela. É uma fonte frequente de erro; muitas vezes é melhor medir com o medidor a laser ou fazer duas medidas parciais a partir de uma marca.
- Classes de exatidão: as fitas métricas e outras medidas materializadas de comprimento podem ter classe de exatidão I, II ou III, marcada na lâmina. O erro máximo admissível, em milímetros, para um comprimento L arredondado ao metro inteiro superior, é a + b × L, com a = 0,1 e b = 0,1 na classe I, a = 0,3 e b = 0,2 na classe II, e a = 0,6 e b = 0,4 na classe III. Estas regras vêm da Diretiva 2014/32/UE (instrumentos de medição), transposta em Portugal pelo Decreto-Lei n.º 45/2017.
Exemplo resolvido · o que vale uma fita de classe II a 5 m
Mede-se uma parede com 4 870 mm com uma fita de classe II. Que erro máximo é admissível?
- L arredonda ao metro inteiro superior: 4,87 m → L = 5.
- Erro máximo = a + b × L = 0,3 + 0,2 × 5 = 1,3 mm, para mais ou para menos.
- Com uma fita de classe I seria 0,1 + 0,1 × 5 = 0,6 mm; com classe III seria 0,6 + 0,4 × 5 = 2,6 mm.
Conclusão: numa parede de 5 m, a própria fita pode ter mais de 1 mm de erro. Não faz sentido registar essa medida com "décimas de milímetro"; regista-se ao milímetro, e as medições críticas repetem-se.
Metro articulado
Réguas rígidas de madeira, plástico ou metal, ligadas por charneiras, que se dobram. Mais rígido do que a fita, útil em medidas curtas e médias onde não pode haver "barriga", como a profundidade de um nicho ou a espessura de uma parede, e para medir para cima sem a lâmina dobrar. As charneiras gastas criam folga e erro; verifica-se o metro contra uma fita de boa classe.
Régua de medição métrica para carpintaria
Régua rígida, normalmente metálica, graduada em milímetros (algumas em meios milímetros). Serve para confirmar espessuras, larguras de guarnição e medidas curtas onde a rigidez e o bordo direito importam mais do que o alcance, e para traçar. Guarda-se limpa e sem mossas: um bordo danificado falseia leituras e traçados.
Suta
Instrumento com uma lâmina móvel presa a um cabo por um parafuso ou alavanca de aperto. A suta copia e transfere ângulos: encosta-se ao ângulo existente (o encontro de duas paredes, a inclinação de uma escada), trava-se, e leva-se esse ângulo para o material ou para um transferidor, onde se lê o valor em graus. É essencial para cantos que não estão a 90° e para cortes enviesados, por exemplo o rodapé num canto de 95°.
Esquadro de carpinteiro
Esquadro fixo em forma de L, com ângulo de 90°, com os braços graduados em muitos modelos. Serve para verificar o ângulo reto entre duas superfícies (cantos de vãos, encontro de paredes, ilhargas de armários) e para traçar perpendiculares.
Verificação do próprio esquadro: encosta-se o braço curto a um bordo direito e traça-se uma linha pelo braço longo; vira-se o esquadro ao contrário e traça-se outra linha a partir do mesmo ponto. Se as duas linhas coincidirem, o esquadro está certo; se abrirem em "V", o esquadro tem erro, e esse erro é metade da abertura entre as linhas.
Esquadro combinado
Régua graduada com uma cabeça deslizante que se fixa em qualquer ponto. A cabeça tem uma face a 90° e outra a 45°, e muitos modelos incluem um nível de bolha. Serve para verificar ângulo reto e 45°, medir profundidades (de um rebaixo, de um nicho pequeno), transportar uma medida repetida e traçar linhas paralelas a um bordo.
Medidor a laser
Aparelho que emite um feixe de luz laser até uma superfície e calcula a distância, mostrando o valor num visor digital. Mede distâncias longas e de difícil acesso, como pés-direitos, salas grandes e caixas de escada, e muitos modelos calculam áreas, volumes e distâncias indiretas (por Pitágoras) e guardam medidas.
- Referência de medida: o aparelho mede a partir de uma face escolhida (traseira, frontal ou uma patilha). Confirmar sempre qual está ativa; trocar sem reparar dá erros do tamanho do comprimento do aparelho.
- Perpendicularidade: apontado em ângulo, mede a hipotenusa e dá um valor maior do que o real.
- Superfícies difíceis: vidro, superfícies muito brilhantes ou muito escuras e luz solar forte podem dar leituras erradas ou nenhuma leitura.
- Exatidão: está indicada na ficha técnica do fabricante; confirma-a antes de confiar em medidas críticas.
Exemplo resolvido · erro de ângulo no laser
Uma parede está a 4 000 mm. O técnico aponta o laser com 5° de inclinação em relação à perpendicular. Que valor aparece?
- O laser mede a hipotenusa: d = 4 000 ÷ cos 5°.
- cos 5° ≈ 0,9962 → d ≈ 4 000 ÷ 0,9962 ≈ 4 015 mm.
- O erro é de cerca de 15 mm, mais do que suficiente para um armário não entrar. Por isso se aponta sempre na perpendicular, e se repete a medida.
Nível e prumo
- Nível de bolha: régua com ampolas que indicam a horizontal e a vertical. Usa-se para verificar se pavimentos, padieiras e prateleiras estão de nível e se ombreiras estão a prumo. Um nível de 1 m ou de 2 m dá leituras mais fiáveis em vãos do que um nível curto.
- Fio de prumo: um peso suspenso por um fio define a vertical; simples e fiável em alturas grandes, como caixas de escada.
- Laser de linhas (nível laser): projeta linhas horizontais e verticais nas paredes; permite marcar uma linha de referência em toda a divisão e medir a partir dela.
Resumo dos instrumentos
| Instrumento | Mede | Melhor uso em obra | Cuidado principal |
|---|---|---|---|
| Fita métrica | comprimento | vãos, paredes, perímetros | esticar, gancho em bom estado, classe |
| Metro articulado | comprimento | medidas curtas rígidas, espessuras de parede | folga nas charneiras |
| Régua métrica | comprimento | espessuras, guarnições, traçagem | bordo sem mossas |
| Suta | ângulo (transfere) | cantos fora de 90°, inclinações | apertar bem antes de retirar |
| Esquadro de carpinteiro | ângulo reto | cantos, vãos, ilhargas | verificar o próprio esquadro |
| Esquadro combinado | 90°, 45°, profundidades | rebaixos, traçagem, nichos pequenos | cabeça bem fixa |
| Medidor a laser | distância | pés-direitos, salas, escadas | perpendicular, face de referência |
| Nível e prumo | horizontal e vertical | pavimentos, ombreiras, prateleiras | nível calibrado (teste de inversão) |
O teste de inversão do nível faz-se como o do esquadro: lê-se a bolha, roda-se o nível 180° no mesmo sítio e lê-se de novo; se a bolha não ficar na mesma posição, o nível tem erro.
O que tens de saber fazer: escolher o instrumento certo para cada medida; usar cada um corretamente; verificar se o instrumento está em condições.
8. Técnicas de medição em obra
Princípios e sequência
Medir em obra segue sempre uma lógica, para não deixar nada por confirmar:
- Preparar: reunir instrumentos, desenho técnico, levantamento e fichas de obra em branco.
- Confirmar o estado da obra: a superfície está pronta para a medição definitiva? O pavimento acabado já está colocado ou a sua cota está marcada?
- Marcar referências: uma linha de nível e, se for preciso, uma linha de prumo, a partir das quais se mede.
- Medir do geral para o particular: primeiro a divisão ou o vão, depois cada detalhe.
- Verificar geometria: esquadria, prumo e nível, não só comprimentos.
- Repetir a medição crítica: uma segunda leitura confirma a primeira e apanha erros de leitura.
- Registar de imediato, na ficha de obra, com data, local, instrumento usado e croqui.
Medir a partir de uma linha de referência
Pavimentos e tetos raramente são perfeitamente horizontais. Por isso, em vez de medir alturas a partir do chão em pontos soltos, marca-se uma linha de nível em toda a divisão (com laser de linhas ou nível e fio), a uma altura conhecida, por exemplo 1 000 mm acima do ponto mais alto do pavimento. A partir dela mede-se para baixo (até ao pavimento) e para cima (até ao teto) em vários pontos. As diferenças mostram logo quanto o pavimento ou o teto estão fora de nível.
Exemplo resolvido · desnível de um pavimento
Linha de nível marcada a 1 000 mm acima do ponto mais alto do pavimento. Medidas da linha ao pavimento nos quatro cantos da sala: 1 000, 1 004, 1 009 e 1 006 mm.
- O ponto mais alto é o canto com 1 000 mm (é a referência).
- O ponto mais baixo é o canto com 1 009 mm.
- Desnível máximo do pavimento: 1 009 - 1 000 = 9 mm.
- Consequência: um roupeiro de chão a teto terá de ter pés ou rodapé reguláveis para absorver 9 mm, e a ficha regista em que canto está o ponto alto.
Verificar a esquadria pela regra 3-4-5
Um triângulo com lados na proporção 3, 4 e 5 tem um ângulo reto entre os lados 3 e 4 (teorema de Pitágoras: 3² + 4² = 9 + 16 = 25 = 5²). Em obra usam-se múltiplos para ganhar exatidão.
Exemplo resolvido · canto de parede com 3-4-5
Quer-se saber se o canto entre duas paredes está a 90°.
- A partir do canto, marca-se 600 mm numa parede e 800 mm na outra (3 × 200 e 4 × 200).
- Se o canto estiver a esquadro, a distância entre as duas marcas é 1 000 mm (5 × 200).
- O técnico mede 1 008 mm: o canto está aberto (mais de 90°).
- Se medisse menos de 1 000 mm, o canto estaria fechado (menos de 90°).
- Para cantos maiores usa-se 900, 1 200 e 1 500 mm (múltiplo 300), que dá mais exatidão.
Um canto aberto ou fechado afeta o rodapé (o corte deixa de ser a 45°; usa-se a suta para copiar o ângulo real) e os armários encostados a esse canto.
Verificar a esquadria pelas diagonais
Num retângulo, as duas diagonais são iguais. Num vão ou nicho que não está a esquadro (um paralelogramo), são diferentes.
Exemplo resolvido · diagonais de um vão de porta
Vão medido: 800 mm de largura e 2 040 mm de altura.
- Diagonal teórica: √(800² + 2 040²) = √(640 000 + 4 161 600) = √4 801 600 ≈ 2 191 mm.
- Medidas reais: 2 195 mm numa diagonal e 2 187 mm na outra.
- Diferença: 2 195 - 2 187 = 8 mm. O vão não está a esquadro.
- Registo na ficha: as duas diagonais, a diferença e qual dos cantos está mais aberto. O aro terá de ser montado com calços para ficar a esquadro dentro do vão, e o espaço disponível tem de chegar para isso.
A comparação das diagonais só funciona se as larguras e as alturas forem medidas nos mesmos pontos onde começam e acabam as diagonais.
Verificar o prumo
Encosta-se um nível comprido à ombreira; se a bolha não centrar, afasta-se a base ou o topo até centrar e mede-se o afastamento.
Exemplo resolvido · ombreira fora de prumo
Com um nível de 2 000 mm encostado a uma ombreira, é preciso afastar o topo 4 mm para a bolha centrar.
- Desvio de prumo: 4 mm em 2 000 mm, ou seja 2 mm por metro.
- Numa ombreira de 2 040 mm de altura: 4 × 2 040 ÷ 2 000 ≈ 4 mm de diferença entre a base e o topo.
- Registo: "ombreira direita inclinada 4 mm para dentro do vão no topo". O aro fica a prumo com calços; a guarnição terá de cobrir a junta mais aberta.
Medir salas irregulares por triangulação
Quando uma divisão não é retangular, divide-se em triângulos: mede-se cada lado e as diagonais. Com três lados de cada triângulo conhecidos, o desenho reconstrói-se sem ambiguidade (e a área calcula-se pela fórmula de Heron ou no programa de desenho). Medir só os lados de um quadrilátero não chega, porque o mesmo conjunto de lados serve a muitas formas diferentes.
Erros de medição e como evitá-los
| Erro | Causa comum | Como evitar |
|---|---|---|
| Fita métrica não esticada ou com "barriga" | folga na lâmina, vão longo | esticar e travar antes de ler; medir em troços; usar laser |
| Leitura em ângulo (paralaxe) | olhar de lado para a escala | ler sempre de frente à marca |
| Esquecer o comprimento da caixa | medida interior com a fita | somar o valor gravado na caixa ou medir a partir de uma marca |
| Laser inclinado | não apontar na perpendicular | apoiar e apontar a direito; repetir |
| Confundir milímetros e centímetros | pressa ao registar | registar sempre em milímetros, escrito na ficha |
| Medir num só ponto | pressa | medir sempre em vários pontos |
| Não repetir a medição crítica | falta de tempo em obra | confirmar sempre as medidas que definem o fabrico |
| Medir superfície ainda inacabada | obra em curso | confirmar o estado antes de medir |
O que tens de saber fazer: aplicar a sequência de medição; marcar e usar uma linha de referência; verificar esquadria pela regra 3-4-5 e pelas diagonais; medir o prumo e exprimi-lo em mm por metro.
9. Medir vãos, portas e guarnições
Portas e vãos
Medir um vão de porta exige mais do que uma largura e uma altura únicas:
- Largura: medir em três pontos, pelo menos (em cima, ao meio e em baixo), porque as ombreiras podem não ser paralelas.
- Altura: medir dos dois lados do vão, do pavimento acabado (ou da sua cota marcada) à padieira.
- Espessura da parede: medir em cima e em baixo, dos dois lados; define a largura do aro.
- Esquadria: confirmar pelas diagonais ou com o esquadro de carpinteiro.
- Prumo das ombreiras e nível da padieira e do pavimento no vão.
- Sentido de abertura e lado das dobradiças, confirmados com o projeto.
A medida de referência para o fabrico é a menor medida encontrada entre os pontos medidos, para garantir que o aro entra em todo o vão. Ao fabricar, desconta-se ainda a folga de montagem que a oficina usa para aprumar e calçar o aro; essa folga é uma regra da oficina e do sistema de aro escolhido, e escreve-se no desenho de fabrico.
Exemplo resolvido · vão fora de esquadria
Um técnico mediu a largura de um vão de porta em três pontos: 802 mm em cima, 799 mm a meio e 796 mm em baixo.
- As três medidas são diferentes: as ombreiras não são paralelas.
- A medida de referência é a menor, 796 mm, para garantir que o aro entra em toda a altura do vão.
- Diferença entre a maior e a menor: 802 - 796 = 6 mm. Regista-se na ficha de obra e comunica-se, porque em cima vai sobrar uma junta mais larga entre o aro e a parede, que a guarnição tem de tapar.
- Porque não usar a média (799 mm)? Porque um aro de 799 mm não entra num vão que em baixo só tem 796 mm.
Rodapés
O rodapé mede-se em metro linear, troço a troço:
- Medir cada troço de parede ao nível do pavimento (é aí que o rodapé assenta; a parede pode não estar a prumo).
- Descontar os vãos de porta: o rodapé para no aro ou na guarnição, nunca atravessa a passagem. O desconto é a largura ocupada pela porta, ou seja, o vão mais as duas guarnições, se o rodapé encostar à guarnição.
- Somar os retornos: pilares, ombreiras de vãos sem aro e recantos acrescentam comprimento.
- Identificar cantos interiores e cantos exteriores: nos exteriores o corte é em meia-esquadria (45° em cada peça, se o canto estiver a 90°); nos interiores usa-se meia-esquadria ou recorte do perfil. Se o canto não estiver a 90°, copia-se o ângulo com a suta.
- Registar a altura e espessura do rodapé conforme a ficha técnica do material escolhido.
Exemplo resolvido · rodapé de uma sala
Sala retangular de 5 200 × 3 800 mm, com duas portas de vão 800 mm e guarnição de 70 mm de largura de cada lado.
- Perímetro: 2 × (5,20 + 3,80) = 18,00 m.
- Desconto por porta: 0,80 + 2 × 0,07 = 0,94 m.
- Desconto total: 2 × 0,94 = 1,88 m.
- Rodapé medido: 18,00 - 1,88 = 16,12 m. Este é o valor do mapa de quantidades.
- Compra de material: a oficina aplica a sua margem de desperdício para cortes e emendas. Se essa margem for, por exemplo, 10 %, compram-se 16,12 × 1,10 ≈ 17,73 m. Em barras de 2,40 m (comprimento de exemplo; confirmar no catálogo): 17,73 ÷ 2,40 ≈ 7,4 → 8 barras (19,20 m).
Repara que o mapa mede 16,12 m (trabalho feito) e a compra é de 19,20 m (material). A diferença não é erro: é margem de corte mais o arredondamento às barras inteiras.
Guarnições
As guarnições de porta medem-se por vão, dos dois lados da parede: duas peças verticais (altura do vão mais a largura da guarnição, para o corte em meia-esquadria no canto) e uma horizontal (largura do vão mais duas larguras de guarnição). Nos mapas aparecem muitas vezes incluídas no artigo da porta; quando aparecem à parte, é em metro linear ou por conjunto.
O que tens de saber fazer: medir um vão completo; escolher a medida de referência; calcular o rodapé de uma divisão descontando vãos; distinguir quantidade medida de quantidade a comprar.
10. Medir tetos, lambrins e soalhos
Tetos
Forros de madeira, tetos falsos e sancas:
- Área: medir o comprimento e a largura da divisão junto ao teto (não junto ao chão), em pelo menos dois pontos de cada, porque as paredes podem não ser paralelas.
- Pé-direito: medir em vários pontos (os quatro cantos e o centro), com o medidor a laser ou a partir da linha de nível; o teto e o pavimento podem não ser paralelos.
- Obstáculos: pontos de luz, grelhas de ventilação, vigas, alçapões. Todos vão para o croqui com a sua posição.
- Sancas: medem-se em metro linear, pelo perímetro junto ao teto, com a mesma atenção aos cantos que o rodapé.
Lambrins
O lambrim reveste a parte inferior (ou toda a altura) de uma parede.
- Medir a altura a revestir, a partir do pavimento acabado ou da linha de nível.
- Medir o perímetro a revestir, troço a troço, descontando os vãos de porta.
- Registar tomadas, interruptores, radiadores e janelas que ficam dentro da altura do lambrim, com a sua posição exata, porque obrigam a recortes.
- A quantidade vai em m²: comprimento revestido × altura.
Soalhos e pavimentos de madeira
- Área da divisão, com os recortes (ombreiras, pilares).
- Nível e planeza do pavimento base, a partir da linha de referência.
- Humidade da betonilha: um soalho de madeira não se assenta sobre uma base ainda húmida; a verificação faz-se com o método e o valor indicados pelo fabricante do pavimento.
- Sentido de colocação das réguas, que costuma vir no projeto.
Exemplo resolvido · teto, lambrim e soalho de uma sala
A mesma sala de 5 200 × 3 800 mm, pé-direito 2 600 mm, duas portas de vão 800 mm com guarnições de 70 mm, janela com peitoril a 1 100 mm do pavimento. Caderno de encargos: forro de teto em madeira, lambrim de 1 000 mm de altura, soalho de madeira.
- Forro de teto: 5,20 × 3,80 = 19,76 m².
- Lambrim: perímetro descontado das portas, como no rodapé: 16,12 m. A janela não conta porque o peitoril (1 100 mm) fica acima do lambrim (1 000 mm). Área: 16,12 × 1,00 = 16,12 m².
- Soalho: 19,76 m² medidos. Para a compra, com uma margem de corte de 8 % (valor de exemplo, dado pela oficina para aquele padrão de colocação): 19,76 × 1,08 ≈ 21,34 m². Em caixas de 2,20 m² (valor de exemplo; confirmar no catálogo): 21,34 ÷ 2,20 ≈ 9,7 → 10 caixas.
Mais uma vez: o mapa leva 19,76 m²; a encomenda leva 10 caixas (22,00 m²).
O que tens de saber fazer: medir áreas e pés-direitos em vários pontos; calcular m² de teto, lambrim e soalho com os descontos certos; converter quantidade medida em quantidade a encomendar.
11. Medir mobiliário fixo: armários, estantes e cozinhas
Nestes elementos, um pequeno desvio não detetado tem um custo de correção elevado, por se tratar de peças à medida, volumosas e de custo alto.
Armários e roupeiros de nicho
- Largura em três alturas (em cima, ao meio, em baixo) e, se o nicho for fundo, também à frente e atrás.
- Altura dos dois lados e ao meio.
- Profundidade em cima e em baixo, dos dois lados.
- Prumo das paredes laterais e nível do pavimento e do teto no nicho.
- Esquadria do nicho em planta: as diagonais do chão do nicho dizem se as paredes do fundo e das laterais estão a 90°.
- Posição de tomadas, interruptores, rodapés existentes e caixas de estore.
Exemplo resolvido · roupeiro de nicho
Medidas do nicho: largura 1 204 / 1 200 / 1 197 mm; altura 2 498 / 2 503 / 2 500 mm; profundidade 612 / 606 mm.
- Largura de referência: a menor, 1 197 mm.
- Altura de referência: a menor, 2 498 mm.
- Profundidade disponível: a menor, 606 mm.
- Desvios: a largura varia 1 204 - 1 197 = 7 mm entre cima e baixo (paredes não paralelas); a altura varia 5 mm (pavimento ou teto fora de nível).
- Fabrico: o corpo é feito mais estreito e mais baixo do que as medidas de referência, na folga de montagem da oficina, e a diferença é tapada com tapa-juntas (remates) ajustados em obra. A ficha regista os 7 mm e os 5 mm para que o desenhador preveja remates que os cubram.
Estantes
- Vão de parede a parede a várias alturas.
- Prumo das paredes de apoio e nível do pavimento.
- Natureza da parede (alvenaria, gesso cartonado, betão), porque define a fixação e a carga que pode receber; confirma-se com o projeto ou com o dono de obra, nunca por palpite.
Cozinhas
A cozinha é o elemento com mais pormenores a medir:
- Paredes: comprimento de cada parede ao nível da bancada e ao nível dos módulos altos; esquadria dos cantos (3-4-5 ou diagonais).
- Pavimento e teto: nível, pé-direito.
- Pontos técnicos: posição (distância a um canto e altura ao pavimento acabado) de cada ponto de água, esgoto, gás, tomada, circuito do forno e placa, e da saída de exaustão.
- Janelas e portas: posição, altura do peitoril, sentido de abertura (uma janela que abre para dentro pode bater nos módulos altos ou na torneira).
- Eletrodomésticos: modelos previstos e dimensões de encastre, retirados do catálogo do fabricante do eletrodoméstico.
- Alturas de bancada e de módulos: as do projeto, confirmadas com o cliente e com os eletrodomésticos.
Exemplo resolvido · confirmar um ponto de água
Projeto: esgoto do lava-loiça a 1 500 mm do canto esquerdo. Medição em obra: 1 580 mm.
- Desvio de posição: 1 580 - 1 500 = 80 mm para a direita.
- Consequência: o módulo do lava-loiça, desenhado para ficar centrado no esgoto, fica desalinhado; ou se desloca o módulo (e mudam os módulos vizinhos) ou se desloca o esgoto (trabalho de canalização).
- Registo e comunicação ao gabinete antes de qualquer fabrico, com o croqui da parede.
O que tens de saber fazer: planear e executar a medição de um nicho, de uma estante e de uma cozinha; transformar medidas em medidas de referência e remates.
12. Medir escadas
As escadarias estão entre os elementos nomeados no referencial. Medir para uma escada de madeira é medir o espaço onde ela vai ficar e verificar que as contas do projeto funcionam.
Vocabulário da escada
| Termo | O que é |
|---|---|
| Espelho | a face vertical do degrau; a sua altura é a "altura do degrau" |
| Cobertor | a face horizontal onde se pisa; a sua profundidade (medida no sentido da marcha) é o "cobertor" |
| Lanço | sequência de degraus entre dois patamares |
| Patamar | superfície plana entre lanços ou à chegada |
| Caixa de escada | o espaço do edifício onde a escada é montada |
| Altura a vencer | distância vertical entre os dois pavimentos acabados |
| Pernas (ou banzos) | as peças laterais que suportam os degraus |
Espelhos e cobertores: n e n - 1
Num lanço reto entre dois pisos, com n espelhos há n - 1 cobertores: o último "degrau" é o próprio piso de chegada, que não se conta como cobertor da escada.
A regra de Blondel
Para uma escada cómoda, a relação entre espelho (e) e cobertor (c) deve respeitar a regra de Blondel:
2 × e + c ≈ 62 a 64 cm
A regra traduz o comprimento de um passo humano. Nas escadas abrangidas pelas normas de acessibilidade (Decreto-Lei n.º 163/2006), os degraus devem ter cobertor com profundidade não inferior a 0,28 m e espelho com altura não superior a 0,18 m.
Exemplo resolvido · verificar uma escada reta
Altura a vencer, medida em obra entre pavimentos acabados: 2 800 mm.
- Escolher o número de espelhos: com 16 espelhos, e = 2 800 ÷ 16 = 175 mm (17,5 cm).
- Cobertor pela regra de Blondel, visando 63 cm: c = 63 - 2 × 17,5 = 63 - 35 = 28 cm (280 mm).
- Verificação: 2 × 17,5 + 28 = 63 cm, dentro de 62 a 64. Espelho de 17,5 cm (não superior a 18) e cobertor de 28 cm (não inferior a 28) cumprem também os valores de acessibilidade.
- Número de cobertores: 16 - 1 = 15.
- Comprimento do lanço em planta (projeção horizontal): 15 × 280 = 4 200 mm, a confirmar contra o comprimento disponível na caixa de escada.
Se a caixa só tiver 4 000 mm livres, a escada do exemplo não cabe em lanço reto: o desvio comunica-se ao gabinete, que decide (mais espelhos mais altos, lanço com leque ou patamar, alteração da caixa).
O que medir numa caixa de escada
- Altura a vencer entre pavimentos acabados, em mais de um ponto: é a medida mais importante, porque se divide pelo número de espelhos e qualquer erro se reparte por todos os degraus.
- Comprimento e largura da caixa, em vários pontos; esquadria.
- Abertura na laje superior (o "buraco" da escada) e a sua posição: define a altura livre por cima de quem sobe.
- Paredes de apoio: prumo e natureza.
Todos os degraus de um lanço devem ter a mesma altura de espelho e a mesma profundidade de cobertor: degraus desiguais são uma causa conhecida de quedas.
O que tens de saber fazer: usar o vocabulário da escada; calcular espelho, cobertor, número de cobertores e comprimento em planta; verificar a regra de Blondel.
13. Identificar e analisar desvios em relação ao projeto
O que é um desvio
Um desvio é a diferença entre o que o projeto prevê e o que a medição em obra encontra. Pode ser:
- Dimensional: uma cota diferente da desenhada (um vão com 796 mm em vez de 800 mm).
- Geométrico: fora de esquadria, de prumo ou de nível.
- De posição: um ponto de água ou eletricidade fora do local previsto no projeto.
- De estado: um elemento ainda não pronto para receber a carpintaria (reboco húmido, pavimento por colocar).
- De material ou especificação: o que está em obra não corresponde ao caderno de encargos (por exemplo, uma parede prevista em alvenaria que foi feita em gesso cartonado, o que muda a fixação).
Identificar o desvio a tempo é o que permite corrigir o projeto ou o fabrico antes de se gastar material.
Desvio absoluto e desvio relativo
- Desvio absoluto = medida real - medida de projeto (com sinal: negativo se a obra tem menos do que o projeto).
- Desvio relativo = desvio absoluto ÷ medida de projeto × 100 (em %).
Exemplo resolvido · pé-direito abaixo do projeto
Projeto: pé-direito 2 580 mm. Obra: 2 520 mm (confirmado em três pontos).
- Desvio absoluto: 2 520 - 2 580 = -60 mm (a obra tem 6 cm a menos).
- Desvio relativo: 60 ÷ 2 580 × 100 ≈ 2,3 %.
- Consequência: um roupeiro desenhado com 2 560 mm de altura já não entra; é preciso redesenhar a altura ou os remates.
Tolerâncias
A tolerância é o desvio que se aceita sem mudar nada. Não existe um número universal: é fixada pelo caderno de encargos, pelo projeto, pelas instruções do fabricante do produto (por exemplo, a folga que um sistema de aro regulável consegue absorver) ou pela regra da oficina. O técnico de medições não inventa tolerâncias: compara o desvio com a tolerância escrita e, se não houver tolerância escrita, pergunta.
| Situação | Decisão |
|---|---|
| Desvio dentro da tolerância escrita | regista-se e o fabrico segue com a medida real |
| Desvio fora da tolerância, mas absorvível por remates | regista-se, propõe-se a solução, o gabinete aprova |
| Desvio que obriga a mudar o projeto ou a obra | regista-se, comunica-se de imediato, o fabrico para até haver decisão |
Analisar e comunicar o desvio
- Confirmar o desvio com uma segunda medição, se possível com outro instrumento ou por outra pessoa.
- Registar na ficha de obra: onde, quanto, em que elemento e com que instrumento.
- Avaliar se o desvio é tolerável ou se exige decisão do gabinete de projeto.
- Comunicar de forma assertiva e objetiva, por escrito, com números concretos, não com impressões vagas.
Exemplo de comunicação de desvio
Assunto: Obra Rua das Flores 12 · desvio no vão P3
Na medição de 14/03, o vão P3 (porta do quarto 1) tem 796 mm de largura em baixo, 799 mm a meio e 802 mm em cima (projeto: 800 mm). As diagonais diferem 8 mm. Medições repetidas com fita métrica e confirmadas com medidor a laser. Proposta: aro fabricado para 796 mm de vão, com guarnição de 70 mm para cobrir a junta de 6 mm em cima. Pedimos confirmação até dia 18/03 para manter o prazo de fabrico. Segue ficha de obra com croqui.
Repara no que tem: elemento identificado, valores medidos, valor de projeto, como foi confirmado, proposta, prazo e anexo.
O que tens de saber fazer: classificar desvios; calcular desvio absoluto e relativo; decidir com base na tolerância escrita; comunicar um desvio por escrito.
14. Planificar e controlar as operações
Planificar e controlar as operações de medição em obra é uma das duas realizações desta UC. O referencial fala em operações principais e complementares dos produtos de carpintaria.
Operações principais e complementares
| Operações principais | Operações complementares |
|---|---|
| medir vãos, paredes, nichos, pés-direitos, escadas | confirmar acessos e horário com o encarregado |
| verificar esquadria, prumo e nível | fotografar cada elemento com uma referência de escala |
| registar nas fichas de obra | recolher contactos das outras especialidades (canalização, eletricidade) |
| confirmar pontos técnicos (água, eletricidade) | verificar condições de segurança do local |
| identificar desvios | passar as medidas a limpo e arquivar |
Quando medir: a medição acompanha as fases da obra
| Fase da obra | O que se pode medir | O que ainda não se pode medir com valor definitivo |
|---|---|---|
| Alvenarias levantadas, sem reboco | posição dos vãos, primeiro levantamento | larguras de aro e guarnição |
| Rebocos feitos | vãos, nichos, espessuras de parede | alturas dependentes do pavimento, se este ainda não tiver cota marcada |
| Cota do pavimento acabado marcada ou pavimento colocado | alturas de portas, roupeiros, rodapés | |
| Pontos técnicos instalados | cozinhas e casas de banho |
Medir cedo demais obriga a medir outra vez; medir tarde demais atrasa o fabrico. Planificar é encontrar a janela certa para cada elemento.
Exemplo resolvido · plano de uma visita
Obra: T2 do exemplo do capítulo 3. Objetivo da visita: medir as 6 portas e os 2 roupeiros.
| Passo | O quê | Tempo previsto |
|---|---|---|
| 1 | Confirmar com o encarregado que o pavimento está colocado | telefonema na véspera |
| 2 | Preparar instrumentos: fita classe II, laser, nível de 2 m, esquadro, suta, fichas P1 a P6 e A1, A2 | 15 min |
| 3 | Medir as 6 portas (cerca de 10 min cada) | 60 min |
| 4 | Medir os 2 roupeiros (cerca de 20 min cada) | 40 min |
| 5 | Fotografias e croquis | 20 min |
| 6 | Rever as fichas no local, repetir as medições duvidosas | 15 min |
| Total | cerca de 2 h 30 min no local |
Controlar
Controlar é acompanhar se o que foi planificado está a ser cumprido e ajustar quando necessário:
- Comparar, no local, o planeado com o encontrado.
- Atualizar a ficha de obra com o que mudou desde a última visita.
- Sinalizar atrasos ou impedimentos que afetem as medições seguintes.
- Manter um histórico das visitas, para acompanhar a evolução da obra.
- Acompanhar indicadores simples: elementos medidos face aos previstos, desvios abertos e fechados, medições repetidas por erro.
Exemplo resolvido · indicador de avanço
Previstos 18 elementos a medir; ao fim de duas visitas, 12 medidos e 2 com desvio por decidir.
- Avanço: 12 ÷ 18 × 100 ≈ 66,7 %.
- Pendentes: 18 - 12 = 6 elementos por medir, mais 2 desvios por fechar.
- Decisão: a terceira visita só se marca depois de o gabinete responder aos 2 desvios, para os medir de novo na mesma deslocação.
O que tens de saber fazer: distinguir operações principais de complementares; escolher o momento certo para medir cada elemento; fazer o plano de uma visita e controlar o avanço.
15. Desperdícios
Quantificar os desperdícios é uma aptidão explícita desta UC. O desperdício em carpintaria nasce muitas vezes na fase de medição, não apenas no corte da oficina.
Tipos de desperdício ligados à medição
| Tipo | Origem | Exemplo |
|---|---|---|
| Peça refeita | medição errada | aro fabricado 10 mm largo demais |
| Retrabalho em obra | medição incompleta | armário que tem de ser cortado em obra por não se ter visto um tubo |
| Sobra de material | compras sem otimização | barras de rodapé compradas a mais |
| Aparas e retalhos de corte | geometria das peças face às chapas e tábuas | restos de chapa que não servem para outra peça |
| Deslocações repetidas | falta de planeamento | voltar à obra por falta de uma medida |
Uma medição errada obriga a refazer uma peça inteira, o maior desperdício possível. Uma medição completa e correta, pelo contrário, permite otimizar o corte na oficina, aproveitando melhor a chapa ou a tábua.
Como se quantifica
- Taxa de peças refeitas = peças refeitas ÷ peças fabricadas × 100.
- Taxa de desperdício de material = (material comprado - material que ficou na obra) ÷ material comprado × 100.
- Aproveitamento de uma chapa = área das peças cortadas ÷ área da chapa × 100; o desperdício é o complemento (100 % menos o aproveitamento).
Exemplo resolvido · peças refeitas
Numa obra, de 20 peças de carpintaria fabricadas, 3 tiveram de ser refeitas por erro de medição.
- Taxa: 3 ÷ 20 × 100 = 15 %.
- Leitura: não é apara de corte, é uma peça inteira fabricada e perdida por um erro que vinha da medição. É o desperdício mais caro.
Exemplo resolvido · aproveitamento de uma chapa
Uma chapa de 2 440 × 1 220 mm (medida comum; confirmar no catálogo do fornecedor) é cortada em peças que somam 2,45 m².
- Área da chapa: 2,44 × 1,22 = 2,977 m² (2,9768).
- Aproveitamento: 2,45 ÷ 2,977 × 100 ≈ 82,3 %.
- Desperdício: 100 - 82,3 = 17,7 % (cerca de 0,53 m²).
- Melhoria: juntar na mesma chapa peças de outro elemento da mesma obra (prateleiras, fundos) reduz o desperdício; isso só é possível se todas as medidas da obra estiverem disponíveis a tempo, o que depende de uma medição completa.
Exemplo resolvido · custo do desperdício
Um aro de porta refeito custou 95 € em material e 2 h de mão de obra a 22 €/h (valores fictícios).
- Mão de obra: 2 × 22 = 44 €.
- Custo direto do erro: 95 + 44 = 139 €, sem contar a nova deslocação à obra nem o atraso.
Reduzir o desperdício na origem
- Medir em vários pontos e usar a medida de referência certa.
- Confirmar as medidas críticas com um segundo instrumento.
- Não mandar fabricar com desvios por decidir.
- Registar cada peça refeita e a sua causa, e rever esses registos no fim de cada obra.
16. Segurança e saúde no trabalho e EPI
Medir em obra é trabalhar num estaleiro, com os riscos próprios de um estaleiro: quedas em altura e ao mesmo nível, queda de objetos, choques com máquinas e veículos, cortes, pó e ruído.
O enquadramento legal em Portugal
- Lei n.º 102/2009: regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho. Entre os princípios de prevenção está dar prioridade às medidas de proteção coletiva em relação às de proteção individual.
- Decreto-Lei n.º 273/2003: segurança e saúde nos estaleiros temporários ou móveis (plano de segurança e saúde, coordenação de segurança, obrigações de quem trabalha em obra).
- Decreto-Lei n.º 50/2005: utilização de equipamentos de trabalho, com regras para trabalhos temporários em altura e para o uso de escadas portáteis (só quando não se justifica um equipamento mais seguro).
- Decreto-Lei n.º 348/93 e Portaria n.º 988/93: prescrições mínimas de segurança na utilização de equipamentos de proteção individual; o empregador fornece o EPI adequado, e o trabalhador usa-o corretamente.
Na prática: antes de entrar, o técnico apresenta-se ao encarregado ou ao responsável de segurança, conhece as regras do estaleiro e o plano de segurança e saúde, e cumpre a sinalização.
EPI habituais para medir em obra
| EPI | Protege contra |
|---|---|
| Capacete | queda de objetos, choques da cabeça |
| Calçado de segurança | objetos cortantes ou perfurantes no chão, esmagamento dos pés |
| Colete de alta visibilidade | não ser visto por máquinas e outras equipas |
| Luvas | cortes e farpas no manuseio de materiais |
| Óculos de proteção | projeção de partículas quando há trabalhos a decorrer por perto |
| Proteção auditiva | ruído de máquinas no estaleiro |
| Máscara de proteção respiratória | pó, quando há cortes ou lixagens a decorrer |
| Arnês com sistema antiqueda | queda em altura, quando a proteção coletiva não é possível |
Trabalhos em altura
- Primeiro, proteção coletiva: guarda-corpos, redes, plataformas com guardas.
- Escada portátil só para trabalhos curtos e quando não se justifica equipamento mais seguro; bem apoiada, estável, com os degraus na horizontal.
- Nunca medir junto a bordos desprotegidos (caixas de escada, aberturas de laje, varandas sem guarda) sem proteção.
- Para pés-direitos altos, o medidor a laser a partir do chão evita subir.
O medidor a laser e os olhos
Os medidores de distância usam, em regra, lasers de baixa potência, identificados pela classe na etiqueta do aparelho. Mesmo assim, nunca se aponta o feixe aos olhos de ninguém nem se olha diretamente para ele, e segue-se o manual do fabricante.
Ergonomia
Medir obriga a baixar, ajoelhar e esticar os braços muitas vezes. Usar joelheiras quando se mede muito ao nível do chão, pedir ajuda para segurar a fita em vãos longos e não carregar peso desnecessário na mala de instrumentos.
17. Normas da qualidade na medição
As normas da qualidade definem critérios de rigor, registo e verificação que garantem que a medição é fiável e repetível. Muitas empresas de carpintaria têm um sistema de gestão da qualidade segundo a norma NP EN ISO 9001, que exige, entre outras coisas, que os recursos de medição sejam adequados, verificados e que se guarde evidência disso.
Princípios aplicados à medição
- Instrumentos em condições: verificados periodicamente (teste de inversão do esquadro e do nível, comparação da fita com uma fita de referência), identificados e guardados com cuidado.
- Rastreabilidade: cada medida tem data, local, responsável e instrumento; é possível saber de onde veio cada número do desenho de fabrico.
- Repetibilidade: outra pessoa, com o mesmo método, obtém a mesma medida dentro da exatidão do instrumento.
- Registo das não conformidades (desvios, peças refeitas) e das ações tomadas para que não se repitam.
- Procedimento escrito: uma instrução de trabalho de medição (sequência, pontos a medir por tipo de elemento, modelo de ficha) que toda a equipa segue.
Lista de verificação de qualidade no fim da visita
- Todas as fichas têm obra, data, responsável e elemento?
- Todos os vãos têm três larguras, duas alturas, diagonais e prumo?
- Todas as medidas estão em milímetros?
- Há croqui para cada elemento?
- Os desvios estão identificados e numerados?
- As medidas duvidosas foram repetidas?
Erros comuns
- Confiar na cota do projeto sem a confirmar em obra.
- Medir um vão num único ponto, ignorando que as ombreiras podem não ser paralelas.
- Usar a média das medidas em vez da menor.
- Ler a fita métrica torta, dobrada ou não esticada; esquecer o comprimento da caixa numa medida interior.
- Apontar o medidor a laser em ângulo.
- Medir alturas a partir de um pavimento ainda por acabar, sem cota de referência.
- Confundir milímetros e centímetros ao registar uma medida.
- Meter a margem de desperdício no mapa de quantidades.
- Esquecer que n espelhos dão n - 1 cobertores.
- Escolher a matéria-prima ou a ferragem só depois de medir, obrigando a rever cotas.
- Preencher a ficha de obra de memória, no escritório, em vez de no local.
- Ignorar um pequeno desvio em vez de o confirmar com uma segunda medição.
- Entrar em obra sem o equipamento de proteção individual adequado.
Glossário
- Aro: estrutura fixa que forra a espessura da parede num vão e recebe a folha da porta.
- Auto de medição: documento que regista a quantidade de trabalho executado, para efeitos de pagamento.
- Caderno de encargos: peça escrita contratual que descreve materiais, acabamentos, condições de execução e, muitas vezes, critérios de medição.
- Cobertor: face horizontal do degrau, onde se pisa; a sua profundidade no sentido da marcha.
- Cota: valor numérico que indica uma dimensão real num desenho técnico, em milímetros nesta UC.
- Croqui: esboço à mão, sem escala, com as cotas medidas e a sua localização.
- Desvio: diferença entre o que o projeto prevê e o que a medição em obra encontra.
- Espelho: face vertical do degrau; a sua altura.
- Esquadria: condição de um canto ou vão estar a 90 graus.
- EPI: equipamento de proteção individual, usado quando os riscos não podem ser evitados ou suficientemente limitados por proteção coletiva.
- Ficha de obra: registo escrito de cada visita a obra, com medidas, condições, desvios e croquis.
- Guarnição: moldura que remata a junta entre o aro e a parede.
- Levantamento: identificação e registo de todos os elementos de carpintaria previstos num projeto.
- Mapa de quantidades: lista dos trabalhos de uma obra com descrição, unidade e quantidade de cada artigo.
- Matéria subsidiária: material que apoia o fabrico sem ser a matéria-prima principal, como ferragens e colas.
- Nível: condição de uma superfície ou linha estar na horizontal.
- Pé-direito: altura livre entre o pavimento acabado e o teto.
- Prumo: condição de um elemento estar na vertical.
- Suta: instrumento de lâmina móvel que copia e transfere ângulos.
- Tolerância: desvio máximo aceite sem alteração, fixado por escrito.
- Vão: abertura numa parede destinada a receber um elemento, como uma porta ou uma janela.
Síntese
Medir carpintaria em obra segue sempre a mesma lógica: ler o projeto (plantas, cortes, alçados, pormenores, caderno de encargos, mapa de quantidades) → levantar os elementos e as matérias-primas e subsidiárias adequadas → planificar a visita no momento certo da obra → medir com os instrumentos certos (fita, metro articulado, régua, suta, esquadros, laser, nível) e verificar esquadria, prumo e nível → registar tudo na ficha de obra, com croqui → identificar e analisar desvios face à tolerância escrita → quantificar (mapa de quantidades, autos, desperdícios) → controlar a evolução da obra. Tudo isto sob normas de segurança, saúde e qualidade, e sustentado por atitudes de rigor, autonomia, iniciativa, organização e cooperação. Domina este fluxo e estarás pronto para medir qualquer obra de carpintaria com confiança.
Exercícios resolvidos
1. Um desenho técnico a 1:20 mostra a cota "900" na largura de um vão de porta. Que valor usas e em que unidade?
Resolução: 900 milímetros. As cotas dos desenhos técnicos de carpintaria vêm em milímetros e indicam a medida real, seja qual for a escala; no papel o vão tem 45 mm (900 ÷ 20), mas isso não interessa para o fabrico.
2. Ao medir um vão de porta, obtiveste 803 mm em cima, 800 mm a meio e 797 mm em baixo. Que medida de referência usas para o fabrico e porquê?
Resolução: 797 mm, a menor das três. Usar a menor garante que o aro entra em toda a altura do vão; a média (800 mm) não entraria em baixo. A diferença de 6 mm regista-se como desvio.
3. Precisas de medir o pé-direito de um salão com quase três metros de altura, sozinho. Que instrumento escolhes e porquê?
Resolução: o medidor a laser, apontado na perpendicular ao teto, porque mede à distância sem precisar de alguém a segurar a fita e sem subir a uma escada. Mede-se em vários pontos.
4. Um colega diz que já não é preciso verificar a esquadria de um vão porque já mediu a largura e a altura. O que lhe respondes?
Resolução: largura e altura não bastam. Um vão pode ter as dimensões certas e não estar a esquadro nem a prumo. Medem-se as duas diagonais: se forem diferentes, o vão não está a esquadro.
5. Para verificar um canto marcaste 900 mm numa parede e 1 200 mm na outra. Que distância esperas entre as marcas se o canto estiver a 90°?
Resolução: 900 e 1 200 são 3 × 300 e 4 × 300, logo a diagonal é 5 × 300 = 1 500 mm. Confirmação: √(900² + 1 200²) = √(810 000 + 1 440 000) = √2 250 000 = 1 500 mm.
6. Uma fita métrica de classe II mede 3 200 mm. Qual o erro máximo admissível?
Resolução: L arredonda para 4 m. Erro máximo = 0,3 + 0,2 × 4 = 1,1 mm.
7. Uma escada reta vence 2 880 mm. Com 16 espelhos, que altura tem cada espelho, quantos cobertores há e que cobertor dá a regra de Blondel (63 cm)?
Resolução: e = 2 880 ÷ 16 = 180 mm. Cobertores: 16 - 1 = 15. Blondel: c = 63 - 2 × 18 = 27 cm. A relação é cómoda, mas 27 cm fica abaixo dos 28 cm exigidos nas escadas abrangidas pelas normas de acessibilidade; com 17 espelhos (e ≈ 169 mm) o cobertor passaria a cerca de 29 cm.
8. Uma divisão de 4,00 × 3,50 m tem uma porta de vão 0,80 m com guarnições de 0,07 m. Quantos metros de rodapé vão para o mapa de quantidades?
Resolução: perímetro 2 × (4,00 + 3,50) = 15,00 m; desconto 0,80 + 2 × 0,07 = 0,94 m; rodapé = 15,00 - 0,94 = 14,06 m.
9. Numa visita a obra, encontraste uma parede com 6 mm de desvio em relação à cota do projeto. Qual é o procedimento correto?
Resolução: confirmar o desvio com uma segunda medição, registá-lo na ficha de obra com o valor exato e a localização, compará-lo com a tolerância escrita e comunicá-lo por escrito, de forma assertiva e objetiva, ao gabinete de projeto, com proposta de solução se a houver.