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aulify · Sebenta
UC · Unidade de Competência · UC01995

Implementar circuitos com semicondutores

Sebenta · Díodos, retificação, filtragem, regulação e montagem em breadboard
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Sist. Comp. Redes, T. Eletrónica e mais 3 cursos ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.

Apresentação

UC01995 (25h) do curso Técnico de Sistemas de Computação e Redes. Esta sebenta ensina a dimensionar circuitos com díodos, a dimensionar uma fonte de alimentação de corrente contínua regulada e a analisar o funcionamento de circuitos em breadboard. Parte da física do material semicondutor, passa pelo díodo e pelas suas aplicações (retificação, filtragem, limitação, regulação), e termina na montagem e na análise em breadboard, com as regras de segurança e de proteção ambiental. Os transístores não fazem parte desta unidade: estudam-se noutra unidade curricular.

Como usar esta sebenta. Cada capítulo tem explicação, tabelas de consulta e exemplos resolvidos passo a passo. Refaz as contas antes de leres a solução e confirma o resultado em simulação e na bancada. Os valores de componentes (1N4007, 1N5819, BZX55C5V1, 7812…) são de datasheet; ao projetares, consulta sempre a do fabricante do componente que tens na mão.

Mapa do referencial

Realização Aptidões trabalhadas Capítulos
Dimensionar circuitos com díodos caraterizar materiais semicondutores; descrever a dopagem; representar portadores nos materiais P e N; descrever a junção PN; selecionar díodos 1 a 6, 9
Dimensionar uma fonte de alimentação de corrente contínua regulada aplicar circuitos de filtragem; aplicar díodos de Zener em regulação de tensão; dimensionar a malha de regulação com díodo Zener 7, 8, 10, 11
Analisar o funcionamento de circuitos em breadboard executar montagem de circuitos em placa de prototipagem; analisar a retificação de meia onda e de onda completa em breadboard; aplicar as normas de segurança e de proteção ambiental 12 a 14

Os três critérios de desempenho da UC acompanham todos os capítulos: adequar os componentes e as configurações à função do circuito, respeitar as técnicas e os procedimentos definidos e verificar, em simulação, o funcionamento face às especificações. Por isso, cada projeto termina com uma verificação (simulada ou medida) dos valores calculados.

Convenções usadas


1. Materiais condutores, isolantes e semicondutores

1.1 Classificação pela resistividade

A capacidade de um material conduzir corrente elétrica mede-se pela sua resistividade (ρ, em Ω·m): quanto menor, melhor conduz. Para o estudo da eletrónica interessam três famílias.

Família Exemplos Resistividade (ordem de grandeza) Portadores livres
Condutores cobre, alumínio, prata cerca de 10⁻⁸ Ω·m muitíssimos (≈ 10²³ cm⁻³)
Semicondutores silício, germânio, arsenieto de gálio muito variável, de 10⁻³ a 10³ Ω·m consoante a dopagem poucos no cristal puro, controláveis
Isolantes vidro, borracha, SiO₂ cerca de 10¹² Ω·m ou mais praticamente nenhuns

1.2 Bandas de energia

Num átomo isolado, os eletrões ocupam níveis de energia discretos. Num cristal, os níveis juntam-se em bandas: a banda de valência (eletrões presos às ligações) e a banda de condução (eletrões livres para conduzir), separadas por uma zona proibida, o hiato de energia (Eg, em eV).

1.3 Silício e germânio

Propriedade Silício (Si) Germânio (Ge)
Hiato de energia a 300 K 1,12 eV cerca de 0,67 eV
Tensão de limiar de um díodo de junção 0,6 a 0,7 V 0,2 a 0,3 V
Concentração intrínseca ni a 300 K da ordem de 10¹⁰ cm⁻³ da ordem de 10¹³ cm⁻³
Corrente de fuga inversa baixa alta (muito sensível à temperatura)

O silício domina por ser abundante (a areia é SiO₂), por formar um óxido isolante estável sobre a própria superfície (essencial nos circuitos integrados) e por ter fuga baixa. O germânio, com hiato menor, conduz a tensões mais baixas, mas é demasiado sensível ao calor. O valor de ni do silício varia ligeiramente com a fonte (valores de manual entre 0,96 e 1,5 × 10¹⁰ cm⁻³); nesta sebenta usa-se ni = 1,0 × 10¹⁰ cm⁻³.

1.4 Pares eletrão-lacuna e temperatura

A 0 K todas as ligações covalentes estão completas e o cristal puro é um isolante perfeito. Acima de 0 K, a agitação térmica quebra algumas ligações:

No cristal puro (semicondutor intrínseco) há tantos eletrões livres como lacunas (n = p = ni). Como ni cresce depressa com a temperatura, a resistência de um semicondutor diminui quando aquece, o oposto de um metal. É por isso que a corrente de fuga de um díodo cresce com a temperatura. Como regra empírica aproximada, a corrente de fuga inversa de um díodo de silício duplica a cada 5 a 10 °C de aumento de temperatura; o valor exato depende do material e do díodo, e confirma-se na datasheet.


2. Dopagem e portadores de carga

2.1 Porque se dopa

No cristal puro há apenas cerca de um portador por cada 5 × 10¹² átomos, o que dá uma condutividade quase nula e instável com a temperatura. A dopagem introduz, de forma controlada (10¹⁵ a 10¹⁸ átomos por cm³), átomos de outro elemento para fixar o tipo e a concentração dos portadores.

2.2 Material tipo N

Adiciona-se um átomo pentavalente (fósforo P, arsénio As, antimónio Sb), com 5 eletrões de valência:

2.3 Material tipo P

Adiciona-se um átomo trivalente (boro B, alumínio Al, gálio Ga, índio In), com 3 eletrões de valência:

Tipo N Tipo P
Dopante pentavalente (P, As, Sb) trivalente (B, Al, Ga, In)
Nome do átomo dopante dador aceitador
Carga fixa na rede positiva negativa
Maioritários eletrões lacunas
Minoritários lacunas eletrões

2.4 Lei da ação das massas

Em equilíbrio térmico, o produto das concentrações é constante para um dado material e temperatura:

$$n \cdot p = n_i^2$$

Quando se aumenta a concentração de um tipo de portador por dopagem, a do outro diminui na mesma proporção, porque as recombinações aumentam.

Exemplo resolvido · concentrações num cristal tipo N

Um cristal de silício é dopado com fósforo, Nd = 10¹⁶ cm⁻³. Qual é a concentração de lacunas a 300 K (ni = 1,0 × 10¹⁰ cm⁻³)?

  1. À temperatura ambiente todos os dadores estão ionizados, logo n ≈ Nd = 10¹⁶ cm⁻³.
  2. p = ni² / n = (10¹⁰)² / 10¹⁶ = 10²⁰ / 10¹⁶ = 10⁴ cm⁻³.
  3. Razão entre maioritários e minoritários: 10¹⁶ / 10⁴ = 10¹².
  4. Conclusão: os eletrões superam as lacunas num fator de um bilião (10¹²); a corrente neste material é, na prática, só de eletrões. Com Nd = 10¹⁷ cm⁻³ obtinha-se p = 10³ cm⁻³ e com Nd = 10¹⁵ cm⁻³, p = 10⁵ cm⁻³.

3. Junção PN e polarização

3.1 Formação da junção e camada de depleção

Quando se une um cristal P a um cristal N formam-se, por esta ordem:

  1. Difusão: os eletrões do lado N, que são muitos, espalham-se para o lado P, onde são poucos; as lacunas fazem o inverso.
  2. Recombinação: os portadores que atravessam a fronteira recombinam-se com os do outro tipo.
  3. Zona de depleção (ou zona de carga espacial): junto à fronteira ficam apenas os iões fixos, positivos no lado N e negativos no lado P, sem portadores livres.
  4. Campo elétrico interno: dirigido de N para P, criado pelos iões fixos, que se opõe à difusão de mais portadores.
  5. Equilíbrio: a difusão e o campo equilibram-se e a corrente total é nula. A diferença de potencial que se estabelece através da zona de depleção é o potencial de barreira, Vbi.

$$V_{bi} = V_T \cdot \ln!\left(\frac{N_a N_d}{n_i^2}\right) \qquad V_T = \frac{kT}{q} \approx 26\text{ mV a }300\text{ K}$$

Exemplo resolvido · potencial de barreira de uma junção de silício

Uma junção tem Na = 10¹⁶ cm⁻³ no lado P e Nd = 10¹⁶ cm⁻³ no lado N (ni = 1,0 × 10¹⁰ cm⁻³, VT = 25,85 mV).

  1. Na·Nd / ni² = 10³² / 10²⁰ = 10¹².
  2. ln(10¹²) = 12 × 2,3026 = 27,63.
  3. Vbi = 0,02585 × 27,63 = 0,71 V.
  4. Variações: com Na = 10¹⁷ e Nd = 10¹⁶, Vbi = 0,77 V; com 10¹⁵ e 10¹⁵, Vbi = 0,60 V. Daí a gama "0,6 a 0,7 V" usada na prática para o silício: depende da dopagem. Para o germânio, com ni muito maior, o mesmo cálculo dá valores de 0,2 a 0,3 V.

3.2 Polarização direta

Ligando o terminal positivo da fonte ao lado P e o negativo ao lado N, a tensão externa opõe-se ao potencial de barreira:

3.3 Polarização inversa

Com o positivo no lado N e o negativo no lado P, a tensão externa soma-se ao potencial de barreira:

3.4 Capacidade da junção

A zona de depleção, entre duas regiões condutoras, comporta-se como um condensador, a capacidade de junção: diminui em inversa (princípio do varicap) e limita a velocidade do díodo (4 pF no 1N4148, 15 pF típicos no 1N4007, segundo as datasheets).

Polarização Zona de depleção Corrente Aplicação
Direta (P positivo) estreita alta, exponencial condução, retificação, LED
Inversa (N positivo) larga fuga de nA a µA bloqueio, fotodíodo, varicap
Inversa forte (ruptura) colapsa localmente alta, tensão praticamente fixa díodo Zener, TVS

4. O díodo: curva I-V, modelos e circuito equivalente

4.1 Díodo ideal e díodo real

Característica Díodo ideal Díodo real (Si)
Tensão em condução 0 V 0,6 a 0,7 V (limiar)
Resistência em condução 0 Ω rd = n·VT / ID (dinâmica, poucos ohms)
Ruptura inversa não existe acima da tensão máxima inversa, avalanche e destruição se não houver limitação

A equação de Shockley descreve o díodo real:

$$I_D = I_S \left(e^{V_D / (n V_T)} - 1\right)$$

com IS a corrente de saturação inversa (10⁻¹⁴ a 10⁻⁹ A, consoante o díodo), n o fator de idealidade (1 a 2) e VT = kT/q ≈ 26 mV a 25 °C.

4.2 Curva característica I-V

4.3 Os três modelos de cálculo

Modelo Díodo em condução Díodo em corte Quando usar
Ideal curto-circuito (0 V) circuito aberto estimativas rápidas com tensões altas (> 20 V)
Queda constante fonte de 0,7 V circuito aberto modelo normal em dimensionamento
Linear por troços fonte Vγ em série com rd circuito aberto quando a corrente é grande ou se quer o ripple pequeno

O circuito equivalente do díodo real em condução é então uma fonte Vγ (≈ 0,65 V) em série com a resistência dinâmica rd = n·VT / ID. Em corte, é um circuito aberto em paralelo com uma pequena capacidade de junção.

Exemplo resolvido · corrente num díodo com três modelos

Uma fonte de 5 V alimenta um díodo de silício em série com R = 470 Ω. Calcula a corrente com os três modelos e compara com a equação de Shockley (IS = 10⁻¹⁴ A, n = 1).

  1. Ideal: I = 5 / 470 = 10,64 mA.
  2. Queda constante: I = (5 − 0,7) / 470 = 9,15 mA.
  3. Shockley, por iteração: partindo de VD = 0,7 V, I = 9,15 mA; VD = VT·ln(I/IS + 1) = 0,02585 × ln(9,15 × 10⁻³ / 10⁻¹⁴) = 0,712 V; I = (5 − 0,712)/470 = 9,12 mA; VD volta a dar 0,712 V. Convergiu: VD = 0,712 V, I = 9,12 mA.
  4. Resistência dinâmica: rd = VT / I = 25,85 mV / 9,12 mA ≈ 2,8 Ω, desprezável perante os 470 Ω.
  5. Conclusão: o modelo de queda constante dá um erro de 0,3 % relativamente ao cálculo exato; o ideal erra 17 %. Em circuitos de 5 V, o modelo de 0,7 V é suficiente.

5. Famílias de díodos e seleção

5.1 Parâmetros que se leem na datasheet

Parâmetro Símbolo O que significa
Tensão inversa repetitiva máxima VRRM (PIV) tensão inversa que o díodo suporta repetidamente sem ruptura
Corrente direta média IF(AV) corrente média máxima em condução contínua
Corrente de surto IFSM pico máximo único (por exemplo, ao ligar o filtro)
Queda em condução VF tensão no díodo a uma dada corrente
Tempo de recuperação inversa trr tempo que demora a bloquear depois de conduzir

Valores de datasheet para díodos de uso corrente:

Díodo Tipo VRRM IF(AV) VF
1N4007 retificador de silício 1000 V 1 A até 1,1 V a 1 A
1N4148 sinal, comutação rápida 100 V 150 mA cerca de 1 V a 10 mA (máx.)
1N5819 Schottky 40 V 1 A até 0,60 V a 1 A

(Fonte: datasheets Vishay dos 1N4001 a 1N4007, 1N4148 e 1N5817 a 1N5819. Outros fabricantes publicam valores ligeiramente diferentes, nomeadamente a corrente de surto.)

5.2 Díodo retificador e díodo de sinal

O retificador (série 1N400x) é feito para correntes de ampere e 50/60 Hz; o díodo de sinal (1N4148) conduz pouco, mas comuta em nanosegundos (trr de 4 ns na datasheet Vishay do 1N4148). Usar um 1N4148 numa fonte de 500 mA excede-lhe a corrente máxima e queima-o.

5.3 Díodo Schottky

Junção metal-semicondutor, sem acumulação de minoritários:

Exemplo resolvido · perdas num díodo de proteção contra inversão de polaridade

Um equipamento de 12 V consome 1 A. Compara o díodo em série 1N4007 com um 1N5819 (valores máximos de datasheet a 1 A).

  1. 1N4007: P = VF × I = 1,1 × 1 = 1,1 W (máximo); tensão que chega ao equipamento: 12 − 1,1 = 10,9 V.
  2. 1N5819: P = 0,60 × 1 = 0,60 W (máximo); tensão no equipamento: 11,4 V.
  3. Poupança de pelo menos 0,5 W e mais 0,5 V disponíveis.
  4. O 1N5819 tem VRRM = 40 V, suficiente para uma bateria de 12 V; numa instalação sujeita a picos de carga (automóvel), seria necessário um díodo de maior tensão ou um supressor de transitórios.

Exemplo resolvido · retificador de saída de uma fonte de 5 V e 2 A

Compara um Schottky com um díodo de silício rápido como retificador de saída. Para este exemplo, VF = 0,50 V no Schottky e 0,90 V no díodo de silício, ambos a 2 A (valores de exemplo; leem-se na datasheet do díodo escolhido).

  1. Potência no díodo: P = VF × I = 0,50 × 2 = 1,0 W (Schottky) e 0,90 × 2 = 1,8 W (silício).
  2. Potência entregue à carga: 5 × 2 = 10 W.
  3. Rendimento do andar do díodo: 10/(10 + 1,0) = 91 % contra 10/(10 + 1,8) = 85 %.
  4. O Schottky poupa 0,8 W de calor, desde que a sua tensão inversa máxima exceda, com margem, a tensão real a que fica sujeito.

5.4 Díodo Zener e supressor de transitórios (TVS)

O Zener funciona em ruptura controlada e é a base da regulação do capítulo 10. O TVS é um Zener otimizado para absorver picos curtos de energia (descargas eletrostáticas, picos na linha), colocado em paralelo com a entrada que protege.

5.5 Fotodíodo

Opera em polarização inversa (modo fotocondutivo, mais rápido) ou sem polarização (modo fotovoltaico, menos ruído). Os fotões geram pares eletrão-lacuna na zona de depleção e a corrente é proporcional à luz: I ≈ R × Φ (R = responsividade, em A/W). Sem luz, resta apenas a corrente de escuro, da ordem dos nanoamperes. A responsividade depende do comprimento de onda da luz. A capacidade de junção pequena em inversa dá uma resposta rápida. Usa-se em fibra ótica, sensores de luz, comandos e leitores de código de barras.

Exemplo resolvido · fotodíodo como sensor de luz

Fotodíodo em modo fotocondutivo, alimentado a 5 V em inversa, com uma resistência de 10 kΩ em série. Responsividade de exemplo R = 0,5 A/W e potência ótica Φ = 200 µW.

  1. Corrente: I = R × Φ = 0,5 × 200 × 10⁻⁶ = 100 µA.
  2. A saída é a tensão na resistência: 100 µA × 10 kΩ = 1,0 V; ao díodo restam 4,0 V, pelo que continua em inversa.
  3. A saída satura quando I × R chega a 5 V, isto é, para Φ = 5/(10 000 × 0,5) = 1 mW.

5.6 Varicap e díodo de túnel

A capacidade de um varicap segue aproximadamente C(V) = C0 / (1 + V/Vbi)^m, com m entre 1/3 e 1/2 consoante o perfil de dopagem; na prática lê-se a curva C-V da datasheet.

Exemplo resolvido · sintonizar um circuito LC com um varicap

Circuito ressonante com L = 100 µH e um varicap com C0 = 60 pF, m = 0,5 e Vbi = 0,7 V (valores de exemplo).

  1. A 1 V: C = 60/(1 + 1/0,7)^0,5 = 38,5 pF; a 4 V: 23,2 pF; a 10 V: 15,3 pF.
  2. Frequência de ressonância f = 1/(2π√(LC)): 2,56 MHz a 1 V, 3,31 MHz a 4 V e 4,06 MHz a 10 V (sem contar com as capacidades parasitas).
  3. A tensão de controlo aplica-se através de uma resistência grande, para não carregar o circuito ressonante.

Exemplo resolvido · resistência negativa do díodo de túnel

Uma curva de exemplo tem o pico em 0,10 V e 5 mA e o vale em 0,35 V e 0,5 mA.

  1. Razão pico/vale: Ip/Iv = 5/0,5 = 10.
  2. Resistência diferencial média entre o pico e o vale: ΔV/ΔI = 0,25/(0,5 − 5) mA = −55,6 Ω.

Exemplo resolvido · selecionar o díodo de uma fonte

Uma fonte alimentada por um secundário de 12 V rms fornece 600 mA a uma carga, com ponte de Graetz e condensador. Que díodo escolher?

  1. Tensão de pico do secundário: 12 × √2 = 16,97 V. Numa ponte, cada díodo bloqueado suporta o pico do secundário (≈ 17 V). Com margem de 2×, PIV ≥ 34 V.
  2. Corrente média por díodo: cada par conduz um semi-ciclo cada, logo IF(AV) por díodo ≈ 600/2 = 300 mA. Com margem de 2×: ≥ 600 mA.
  3. Corrente de surto: no instante de ligar, o condensador descarregado puxa um pico; o 1N4007 suporta 30 A (Vishay), com folga.
  4. Escolha: 1N4007 (1000 V, 1 A). O 1N4148 (150 mA) fica excluído; o Schottky 1N5819 (40 V) serviria em tensão (34 V), mas com pouca margem se a rede subir 10 %.

6. LED e resistência de limitação

6.1 Princípio

O LED é um díodo de hiato direto (GaAs, GaAsP, GaP, InGaN). Em polarização direta, eletrões e lacunas recombinam-se na junção e libertam a energia sob a forma de fotões. A cor depende do hiato do material, e por isso também a tensão direta.

Cor Material Vf indicativa Comprimento de onda
Vermelho GaAsP 1,8 V 620 a 750 nm
Verde GaP / InGaN 2,2 V 520 a 570 nm
Azul InGaN 3,3 V 450 a 495 nm
Branco InGaN + fósforo 3,2 a 3,4 V (nenhuma)

Os valores de Vf são indicativos: variam com o fabricante, com o lote e com a corrente. A corrente típica de um LED de sinalização é de 10 a 20 mA (de 350 mA a 1 A nos LED de potência), mas muitos LED modernos já ficam bem visíveis com 2 a 5 mA.

6.2 Resistência de limitação

O LED não limita a corrente: acima de Vf, um pequeno aumento de tensão dá um grande aumento de corrente. Liga-se sempre uma resistência em série:

$$R = \frac{V_{cc} - V_F}{I_{LED}} \qquad P_R = I_{LED}^2 \cdot R$$

Passos: (1) escolher a corrente; (2) calcular R; (3) arredondar para cima na série E24 (corrente ligeiramente menor, mais segura); (4) recalcular a corrente real e a potência.

Exemplo resolvido · LED vermelho a 5 V

LED vermelho (Vf = 2,0 V) a 10 mA, alimentado a 5 V.

  1. R = (5 − 2,0) / 0,010 = 300 Ω, que existe na série E24.
  2. Corrente real = 3 / 300 = 10 mA.
  3. PR = 0,010² × 300 = 30 mW, bem abaixo de 1/4 W.
  4. Potência total: 5 × 0,010 = 50 mW, dos quais só 20 mW (40 %) vão para o LED.

Exemplo resolvido · LED azul a 3,3 V, a margem pequena

LED azul (Vf indicativa 3,0 V) a 3,3 V, 10 mA.

  1. R = (3,3 − 3,0) / 0,010 = 30 Ω.
  2. Mas Vf varia de unidade para unidade, digamos de 2,8 V a 3,2 V. Com R = 30 Ω: 2,8 V dá 16,7 mA; 3,2 V dá 3,3 mA. A corrente varia 5 vezes.
  3. Conclusão: quando a alimentação está muito próxima de Vf, a resistência de limitação perde eficácia. Alimenta-se com uma tensão mais alta (5 V) ou usa-se uma fonte de corrente constante.

6.3 Erros típicos com LED


7. Retificação de meia onda e de onda completa

A retificação converte tensão alternada em tensão unidirecional. A saída ainda não é contínua pura (pulsa), e só depois da filtragem e da regulação se obtém corrente contínua utilizável.

7.1 Retificador de meia onda

Um único díodo em série com a carga: conduz no semi-ciclo positivo e bloqueia no negativo.

$$V_{out(pico)} = V_{s(pico)} - 0{,}7\text{ V} \qquad V_{out(médio)} = \frac{V_{out(pico)}}{\pi} \approx 0{,}318 \cdot V_{out(pico)}$$

7.2 Onda completa com ponto médio

Secundário com ponto médio e 2 díodos, um por metade, em semi-ciclos alternados. A queda é a de um só díodo, mas cada díodo suporta 2 × Vs(pico por metade) em inversa e o transformador é mais caro.

7.3 Onda completa em ponte de Graetz

Quatro díodos em ponte, ligados diretamente ao secundário. Em cada semi-ciclo conduzem dois (D1 e D2 num, D3 e D4 no outro):

$$V_{out(pico)} = V_{s(pico)} - 1{,}4\text{ V} \qquad V_{out(médio)} = \frac{2 \cdot V_{out(pico)}}{\pi} \approx 0{,}636 \cdot V_{out(pico)}$$

Parâmetro Meia onda Ponto médio Ponte de Graetz
N.º de díodos 1 2 4
Queda em condução 0,7 V 0,7 V 1,4 V
Tensão média (ideal) 0,318 Vp 0,637 Vp 0,637 Vp
Frequência do ripple 50 Hz 100 Hz 100 Hz
Fator de ripple 1,21 0,48 0,48
Fator de utilização do transformador 0,287 0,693 0,812
PIV por díodo Vp (2 Vp com filtro) 2 Vp Vp
Transformador simples ponto médio simples

Exemplo resolvido · meia onda e ponte com o mesmo transformador

Um transformador de 9 V rms (secundário) alimenta uma resistência de carga de 100 Ω, primeiro com um díodo e depois com uma ponte (queda de 0,7 V por díodo, sem filtro).

  1. Pico do secundário: 9 × √2 = 12,73 V.
  2. Meia onda: pico de saída 12,73 − 0,7 = 12,03 V; média = 12,03/π = 3,83 V; valor eficaz de saída = 12,03/2 = 6,01 V; corrente média = 3,83/100 = 38,3 mA.
  3. Ponte: pico 12,73 − 1,4 = 11,33 V; média = 2 × 11,33/π = 7,21 V; valor eficaz = 11,33/√2 = 8,01 V; corrente média = 72,1 mA.
  4. A ponte entrega praticamente o dobro da tensão e da corrente médias, apesar do pico ser inferior em 0,7 V.
  5. Componente alternada (ripple eficaz): meia onda √(6,01² − 3,83²) = 4,64 V; ponte √(8,01² − 7,21²) = 3,49 V. Razões: 4,64/3,83 = 1,21 e 3,49/7,21 = 0,48, os fatores de ripple teóricos.
  6. PIV: 12,73 V em cada díodo da ponte; um 1N4007 (1000 V) tem enorme margem.

7.4 Escolher a tensão do secundário

A rede de 230 V pode variar, e os projetos usam como margem ±10 %. O projeto faz-se para o pior caso (rede −10 %), e verifica-se o pior caso para o aquecimento (rede +10 %). Exemplos para um secundário de 9 V rms:

Rede Pico do secundário Pico após a ponte
−10 % 9 × 0,9 × √2 = 11,45 V 10,05 V
nominal 12,73 V 11,33 V
+10 % 9 × 1,1 × √2 = 14,00 V 12,60 V

8. Filtragem capacitiva

8.1 Princípio

Um condensador em paralelo com a carga carrega-se até ao pico quando a tensão retificada o excede e descarrega-se na carga entre picos. O resultado é uma tensão quase constante com uma pequena ondulação em dente de serra, o ripple.

Aproximação linear (descarga a corrente constante durante todo o período):

$$V_{r(pp)} = \frac{I_{carga}}{f_{ripple} \cdot C} \qquad V_{DC} \approx V_{pico} - \frac{V_{r}}{2} \qquad C = \frac{I_{carga}}{f_{ripple} \cdot V_{r}}$$

com f_ripple = 100 Hz (onda completa) ou 50 Hz (meia onda). A fórmula é conservadora: dá um ripple ligeiramente superior ao real, porque o condensador também carrega durante parte do ciclo.

8.2 Efeito do valor de C

C Ripple a 200 mA (ponte, 100 Hz) Ripple a 500 mA (ponte) Ripple a 500 mA (meia onda, 50 Hz)
1000 µF 2,0 V 5,0 V 10,0 V
2200 µF 0,91 V 2,27 V 4,55 V
4700 µF 0,43 V 1,06 V 2,13 V

Regra empírica útil: 1000 a 2200 µF por ampère de carga dá um ripple aceitável antes de um regulador.

Exemplo resolvido · filtrar a saída de uma ponte

Ponte com transformador de 9 V rms, carga de 200 mA e C = 2200 µF.

  1. Pico à saída da ponte: 12,73 − 1,4 = 11,33 V.
  2. Ripple: Vr = 0,200 / (100 × 0,0022) = 0,91 V pico-a-pico.
  3. Tensão média: VDC = 11,33 − 0,91/2 = 10,87 V.
  4. Pior caso (rede −10 %): pico 10,05 V, mínimo da tensão = 10,05 − 0,91 = 9,15 V.
  5. Percentagem de ripple = 0,91 / 10,87 = 8,4 %.
  6. Para ripple ≤ 0,5 V: C = 0,2 / (100 × 0,5) = 4000 µF → valor normalizado 4700 µF, que dá 0,43 V.

8.3 Corrente de pico e ângulo de condução

Os díodos só conduzem quando a tensão da fonte excede a do condensador, numa fração pequena do semi-ciclo. Para Vp = 11,33 V e ripple 0,91 V, o ângulo de condução é θ = arccos(1 − 0,91/11,33) ≈ 23°, ou seja, 13 % do semi-ciclo. Como a corrente média tem de ser a da carga, a corrente de pico nos díodos é várias vezes superior. Numa simulação numérica do circuito do exemplo anterior, com 1 Ω de resistência do secundário, o pico chega a ≈ 1,1 A para uma corrente média de 0,20 A (cerca de 5,6 vezes). Consequências: os díodos e o transformador têm de aguentar a corrente de pico (o 1N4007 admite 30 A de surto) e a corrente eficaz no secundário é superior à corrente contínua, pelo que o transformador se dimensiona com folga. A resistência do secundário e dos díodos reduz ainda a tensão real em cerca de 0,5 a 1 V.

8.4 Escolher o condensador eletrolítico

Parâmetro Regra
Capacidade valor da série E6 imediatamente acima do calculado (tolerâncias de −20 % a +50 % são normais em eletrolíticos)
Tensão nominal pelo menos 1,25 vez o pico do pior caso (rede +10 %) e valor normalizado seguinte (16, 25, 35, 50, 63 V)
Polaridade polarizado: terminal marcado (−) no lado da massa
Temperatura afastar de dissipadores e de resistências que aquecem

Exemplo resolvido · tensão nominal e energia armazenada

Para o filtro de 4700 µF de uma ponte alimentada por 9 V rms, qual a tensão nominal, e que energia fica armazenada?

  1. Pico no pior caso (rede +10 %): 12,60 V.
  2. Tensão nominal ≥ 1,25 × 12,60 = 15,75 V → 16 V é o valor normalizado mínimo; 25 V dá mais margem e folga de vida útil.
  3. Energia no pico: E = ½·C·V² = 0,5 × 0,0047 × 12,6² = 0,37 J; a 16 V seria 0,60 J. Um curto-circuito entre os terminais de um condensador carregado produz faíscas.
  4. Descarga de segurança: uma resistência de 10 kΩ em paralelo descarrega o condensador com τ = RC = 10 000 × 0,0047 = 47 s; ao fim de 5τ, ≈ 235 s, está praticamente descarregado. Quando se desliga uma fonte, espera-se ou descarrega-se o condensador antes de tocar no circuito.

9. Multiplicadores, limitadores e fixadores de nível

9.1 Duplicador de tensão

Combina dois díodos e dois condensadores para obter à saída, em vazio, aproximadamente o dobro do pico da entrada.

Exemplo resolvido · duplicador alimentado por 9 V rms

  1. Pico da entrada: 12,73 V. Em vazio, Vout ≈ 2 × (12,73 − 0,7) = 24,06 V.
  2. Com uma carga de 10 mA e C2 = 100 µF a 50 Hz: ripple = I/(f·C) = 0,010/(50 × 100 × 10⁻⁶) = 2,0 V.
  3. Tensão média ≈ 24,06 − 2/2 = 23 V, e ainda menos por causa da resistência do transformador e do descarregamento de C1.

Exemplo resolvido · duplicador, triplicador e quadruplicador com 6 V rms

Em vazio, uma cascata de n células com n díodos dá aproximadamente Vout ≈ n × (Vp − 0,7 V). Com um secundário de 6 V rms:

  1. Pico: 6 × √2 = 8,49 V.
  2. Duplicador: 2 × (8,49 − 0,7) = 15,58 V; triplicador: 3 × 7,79 = 23,36 V; quadruplicador: 4 × 7,79 = 31,14 V.
  3. Cada andar acrescenta um díodo, um condensador e uma queda de 0,7 V, e a tensão cai muito com a carga: servem para alta tensão com corrente muito pequena.

Exemplo resolvido · tensões nominais no duplicador (9 V rms, rede +10 %)

  1. Pico no pior caso: 9 × 1,1 × √2 = 14,00 V.
  2. C1 carrega-se a 14,00 − 0,7 = 13,30 V; 1,25 × 13,30 = 16,6 V → 25 V.
  3. C2 carrega-se a 2 × 13,30 = 26,60 V; 1,25 × 26,60 = 33,3 V → 35 V.
  4. Cada díodo suporta cerca de 2 × Vp = 28 V de tensão inversa: o 1N4007 (1000 V) serve com folga.

9.2 Limitadores (clippers)

O limitador corta a parte do sinal que ultrapassa um nível.

Exemplo resolvido · proteger a entrada de um conversor analógico-digital

A entrada de um conversor funciona entre 0 e 3,3 V. Um sinal de ±12 V é aplicado através de uma resistência de 10 kΩ. Dois díodos Schottky (Vf = 0,45 V) ligam a entrada à alimentação (3,3 V) e à massa.

  1. O sinal positivo é limitado a 3,3 + 0,45 = 3,75 V; o negativo a −0,45 V.
  2. Corrente nos díodos: no semi-ciclo positivo, (12 − 3,75)/10 000 = 0,83 mA; no negativo, (12 − 0,45)/10 000 = 1,16 mA, que é o máximo (no díodo para a massa). Ambas são muito inferiores ao limite de qualquer díodo de sinal.
  3. Limitação: a entrada vê 3,75 V, acima da alimentação. Verifica-se na datasheet do conversor o máximo absoluto admissível. Escolhem-se díodos com Vf baixa ou uma resistência maior se for necessário.

Exemplo resolvido · limitador polarizado e limitador com Zener

Sinal sinusoidal de 10 V de pico, resistência série de 1 kΩ.

  1. Limitador polarizado (díodo de silício com o cátodo ligado a uma fonte de 5 V): corta acima de 5 + 0,7 = 5,7 V. A saída varia entre −10 V (o díodo não conduz) e +5,7 V.
  2. Corrente máxima no díodo: (10 − 5,7)/1000 = 4,3 mA.
  3. Dois Zener de 5,1 V em oposição: a saída fica limitada a ±(5,1 + 0,7) = ±5,8 V. Corrente máxima: (10 − 5,8)/1000 = 4,2 mA; potência instantânea máxima num Zener em ruptura: 5,1 × 4,2 mA ≈ 21 mW.

9.3 Fixadores de nível (clampers)

O fixador desloca o nível contínuo de um sinal alternado sem lhe alterar a forma: um condensador em série e um díodo em paralelo com a saída. O condensador carrega-se ao pico e mantém essa tensão em série com o sinal.

Exemplo resolvido · fixador positivo

Entrada sinusoidal de 5 V de pico (10 V pico-a-pico).

  1. O condensador carrega-se a 5 − 0,7 = 4,3 V.
  2. A saída é o sinal somado a 4,3 V: mínimo = −5 + 4,3 = −0,7 V; máximo = 5 + 4,3 = 9,3 V.
  3. A amplitude pico-a-pico mantém-se (10 V); só o nível médio subiu, de 0 V para ≈ 4,3 V.

10. Díodo Zener e regulação de tensão

10.1 Princípio e parâmetros

O Zener é fabricado para funcionar de forma controlada e repetível na região de ruptura inversa, onde a tensão se mantém praticamente constante (Vz) apesar das variações de corrente. As tensões nominais seguem uma série normalizada (2,4; 3,3; 4,7; 5,1; 6,2; 9,1; 12; 15 V…). Parâmetros da datasheet:

Parâmetro Significado BZX55C5V1 (Vishay) 1N4733A (Vishay)
Vz nominal tensão de ruptura à corrente de teste 5,1 V (4,8 a 5,4 V) 5,1 V
IZT corrente de teste 5 mA 49 mA
ZZ resistência dinâmica à corrente de teste até 35 Ω 7 Ω
Ptot potência máxima 500 mW 1,3 W
IZM corrente máxima ≈ Ptot/Vz 178 mA

O coeficiente de temperatura é negativo abaixo de cerca de 5 V (efeito Zener), próximo de zero perto de 5,1 V e positivo acima de 6 V (avalanche): o 3,3 V tem −0,08 a −0,05 %/K e o 6,2 V +0,03 a +0,06 %/K. Para referências estáveis em temperatura escolhem-se Zener de 5 a 6 V.

10.2 Circuito regulador elementar

Uma resistência série RS liga a fonte VS ao paralelo Zener/carga (o cátodo do Zener fica do lado positivo):

$$I_S = \frac{V_S - V_Z}{R_S} \qquad I_Z = I_S - I_L \qquad P_Z = V_Z \cdot I_Z$$

A saída mantém-se em Vz enquanto IZ > IZ(min) (o "joelho" da curva). Duas condições de pior caso:

$$R_{S(máx)} = \frac{V_{S(mín)} - V_Z}{I_{L(máx)} + I_{Z(mín)}} \qquad P_{Z(máx)} = V_Z \cdot \frac{V_{S(máx)} - V_Z}{R_S} \quad (I_L = 0)$$

Exemplo resolvido · regulador Zener com carga fixa

Fonte de 9 V, Zener 5,1 V, carga RL = 680 Ω. Pretende-se IZ ≈ 10 mA.

  1. IL = 5,1 / 680 = 7,5 mA.
  2. RS = (9 − 5,1) / (0,010 + 0,0075) = 3,9 / 0,0175 = 222,9 Ω → valor da série E24 abaixo: 220 Ω (um pouco mais de corrente, mais seguro para IZ(min)).
  3. Com 220 Ω: IS = 3,9/220 = 17,7 mA; IZ = 17,7 − 7,5 = 10,2 mA.
  4. PZ = 5,1 × 0,0102 = 52 mW, PRS = 0,0177² × 220 = 69 mW.

Exemplo resolvido · dimensionamento pelo pior caso

A tensão não regulada varia entre 10,8 V e 13,2 V (12 V ± 10 %) e a carga de 5,1 V consome de 0 a 50 mA. Dimensiona RS e escolhe o Zener (IZ(min) = 5 mA).

  1. RS(máx) = (10,8 − 5,1) / (0,050 + 0,005) = 5,7 / 0,055 = 103,6 Ω → 100 Ω.
  2. Verificação do mínimo: com 10,8 V e 50 mA, IZ = 5,7/100 − 0,050 = 7 mA (≥ 5 mA).
  3. Máximo: com 13,2 V e sem carga, IS = IZ = 8,1/100 = 81 mA; PZ = 5,1 × 0,081 = 413 mW. Um BZX55 (500 mW) ficaria no limite, com margem de apenas 17 %; escolhe-se um Zener de 1,3 W, como o 1N4733A (IZM = 178 mA).
  4. Resistência RS: P = 8,1²/100 = 0,66 W → resistência de 1 W.
  5. Regulação de carga: IZ varia de 7 a 81 mA (74 mA); com ZZ = 7 Ω, Vout varia pelo menos 7 × 0,074 = 0,52 V (≈ 10 %). Regulação de linha: ΔVout ≈ ΔVin × ZZ/(RS+ZZ) = 2,4 × 7/107 = 0,16 V.
  6. Rendimento com carga máxima: 5,1 × 0,05 / (13,2 × 0,081) ≈ 24 %, o resto é calor. Isto resume porque o Zener se usa em referências e correntes pequenas.

10.3 Limitações e alternativas


11. Fonte de alimentação de corrente contínua regulada

11.1 Diagrama de blocos

Rede 230 V → fusível → transformador (baixa a tensão e isola) → retificador (ponte) → filtro (condensador) → regulador (Zener ou integrado) → carga. O fusível protege contra curto-circuito (ação lenta, no primário); o transformador adapta a tensão e isola da rede; a ponte retifica; o condensador alisa; o regulador estabiliza.

11.2 Regulador integrado de três terminais (78xx)

A série 78xx entrega uma tensão fixa (7805 = 5 V, 7812 = 12 V) com três terminais: entrada, massa e saída. Condições de funcionamento:

$$T_j = T_a + P \cdot (R_{\theta jc} + R_{\theta cs} + R_{\theta sa})$$

11.3 Metodologia de dimensionamento

  1. Fixar Vout, Iout e o ripple admissível à entrada do regulador.
  2. Calcular a tensão mínima à entrada: Vin(mín) = Vout + dropout (+ margem).
  3. Calcular o pico necessário: Vp(mín) = Vin(mín) + Vr + queda dos díodos (1,4 V).
  4. Escolher o secundário: Vrms ≥ Vp(mín) / (0,9 × √2), com a rede a −10 %.
  5. Calcular C = Iout / (100 × Vr) e arredondar para a série E6; recalcular Vr.
  6. Verificar com a rede a +10 %: tensão máxima do condensador, potência no regulador.
  7. Escolher díodos (PIV, IF, IFSM), fusível e dissipador.

Exemplo resolvido · fonte de 12 V e 400 mA com 7812

Especificação: 12 V, 400 mA, rede 230 V ± 10 %, 50 Hz. Dropout ≈ 2 V.

  1. Vin(mín) = 12 + 2 = 14 V.
  2. Com ripple admitido de 1,5 V: C = 0,4 / (100 × 1,5) = 2667 µF. O valor E6 acima é 3300 µF (Vr = 1,21 V), mas com a tolerância de −20 % dos eletrolíticos ficaria com 2640 µF e Vr = 1,52 V, acima do admitido. Escolhe-se 4700 µF (com −20 %, 3760 µF e Vr = 1,06 V; nominal Vr = 0,85 V).
  3. Vp(mín) = 14 + 0,85 + 1,4 = 16,25 V, com a rede a −10 %: Vrms ≥ 16,25 / (0,9 × 1,414) = 12,8 V.
  4. Candidatos: um secundário de 12 V rms dá, no pior caso, 13,02 V no mínimo do ripple (inferior a 14 V: falha); um de 15 V rms dá 16,84 V (cumpre).
  5. Com 15 V rms: Vp = 19,81 V; VDC nominal = 19,81 − 0,43 = 19,39 V; com rede a +10 %: pico 21,93 V e VDC = 21,51 V.
  6. Tensão nominal do condensador: 1,25 × 21,93 ≈ 27 V → 35 V (normalizado).
  7. Potência no 7812: nominal (19,39 − 12) × 0,4 = 2,96 W; pior caso (21,51 − 12) × 0,4 = 3,80 W.
  8. Dissipador: com Tj máx de 125 °C (valor usado neste exemplo; confirmar na datasheet), Ta = 40 °C, Rθjc = 5 °C/W e Rθcs = 1 °C/W (valores ilustrativos do exemplo), Rθsa ≤ (125 − 40)/3,8 − 5 − 1 = 16 °C/W.

11.4 Montagem de uma fonte de 5 V

Lista de materiais

Ref. Componente Valor
T1 Transformador 230 V / 9 V rms, 1 A
D1 a D4 Díodos 1N4007
C1 Eletrolítico 4700 µF / 25 V
C2 Cerâmico 100 nF junto ao regulador
U1 Regulador 7805 (5 V) com dissipador
LED1 + R1 Indicador LED vermelho + 220 Ω
F1 Fusível ação lenta, no primário, acima da corrente nominal do primário (9 VA a 230 V: 9/230 = 39 mA) e conforme a datasheet do transformador

Valores esperados (com C1 = 4700 µF, carga de 500 mA):

Ponto Valor
Secundário (AC) cerca de 9 V rms
Saída da ponte, sem carga cerca de 11,3 V (pico)
Saída da ponte, com 500 mA cerca de 10,8 V (média), ripple ≈ 1,06 V
Mínimo do ripple, rede −10 % cerca de 9,0 V (superior aos 7 V exigidos)
Saída do 7805 5,0 V com tolerância do fabricante
Potência no 7805 (10,8 − 5) × 0,5 ≈ 2,9 W (dissipador necessário)

Procedimento: (1) montar em placa soldada e medir primeiro a parte de baixa tensão (ponte, filtro, regulador) com o secundário de um transformador já montado e isolado; (2) verificar polaridade do eletrolítico; (3) ligar o regulador; (4) medir em vazio; (5) medir em carga; (6) registar o ripple no osciloscópio.


12. Breadboard: montagem e análise de circuitos

12.1 Regras de montagem

Uma breadboard (placa de prototipagem sem soldadura) tem linhas de 5 furos ligadas entre si na zona central, separadas pela ranhura onde se encaixam os circuitos integrados, e calhas de alimentação ao longo dos bordos (em algumas, interrompidas a meio).

  1. Planear o esquema: positivo numa calha (fio vermelho), massa na outra (fio preto).
  2. Montar com a alimentação desligada e rever o circuito antes de a ligar.
  3. Verificar duas vezes as polaridades de díodos, LED, eletrolíticos e circuitos integrados.
  4. Usar pernas e fios curtos: menos ruído e menos curtos-circuitos.
  5. Nunca ligar a rede de 230 V à breadboard. Usa-se um transformador comercial já montado e isolado, ou uma fonte de laboratório.
  6. As breadboards não se destinam a correntes de ampere: os contactos aquecem. Para potências maiores usa-se placa soldada. A fonte do capítulo 11 a 500 mA, com picos de corrente de ampere nos díodos, não se monta em breadboard.

12.2 Instrumentos e leitura

Instrumento Mede Cuidados
Multímetro DC valor médio escala adequada
Multímetro AC valor eficaz só é exato em onda sinusoidal se não for "true RMS"
Osciloscópio, acoplamento DC forma de onda completa sonda ×10, massa curta
Osciloscópio, acoplamento AC só o ripple 100 a 500 mV/div

12.3 Análise da retificação em breadboard

Com um secundário de 9 V rms, díodos 1N4007 e carga de 1 kΩ, sem filtro, esperam-se os valores calculados no exemplo do capítulo 7:

Medição Meia onda Ponte
Pico à saída 12,0 V 11,3 V
Período da pulsação 20 ms (50 Hz) 10 ms (100 Hz)
Média (multímetro DC) 3,83 V 7,21 V
Componente alternada (rms) 4,64 V 3,49 V
Corrente média 3,8 mA 7,2 mA

Com o condensador ligado, o osciloscópio mostra o dente de serra e o ripple mede-se em acoplamento AC. Os valores medidos ficam um pouco abaixo dos calculados, porque o secundário e os díodos têm resistência, e o ripple medido é um pouco inferior ao da fórmula, que é conservadora.

Roteiro de medição: meia onda e onda completa

  1. Meia onda: ânodo do 1N4007 ao secundário, cátodo à resistência de 1 kΩ e esta à massa. Sonda ×10, com a massa da ponta no retorno da carga.
  2. Osciloscópio em acoplamento DC: só semi-ciclos positivos, separados por intervalos a 0 V, período de 20 ms, pico de cerca de 12,0 V.
  3. Ponte: quatro 1N4007, carga de 1 kΩ. A massa do osciloscópio liga-se ao terminal negativo da ponte e nunca ao secundário. Veem-se semi-ciclos contíguos, período de 10 ms, pico de cerca de 11,3 V.
  4. Multímetro em DC: 3,83 V na meia onda e 7,21 V na ponte.
  5. Liga-se depois o condensador de 470 µF em paralelo com a carga e mede-se o ripple em acoplamento AC.
  6. Regista-se em tabela o valor calculado, o simulado e o medido, e justificam-se os desvios.

Exemplo resolvido · meia onda e ponte com 470 µF e 1 kΩ

Secundário de 9 V rms.

  1. Meia onda: pico 12,73 − 0,7 = 12,03 V; I ≈ 12,03 mA; Vr = 0,01203/(50 × 470 × 10⁻⁶) = 0,51 V a 50 Hz; média ≈ 12,03 − 0,26 = 11,77 V.
  2. Ponte: pico 12,73 − 1,4 = 11,33 V; I ≈ 11,33 mA; Vr = 0,01133/(100 × 470 × 10⁻⁶) = 0,24 V a 100 Hz; média ≈ 11,33 − 0,12 = 11,21 V.
  3. A ponte tem menos de metade do ripple porque a frequência de ripple é dupla; a meia onda dá uma tensão média ligeiramente superior (menos uma queda de díodo), mas com mais do dobro do ripple.

Exemplo resolvido · medir o ripple e interpretar

Fonte com 4700 µF e carga de 500 mA. No osciloscópio, em acoplamento AC, a 200 mV/div, vê-se um dente de serra de 5 divisões pico-a-pico e período de 10 ms.

  1. Vr = 5 × 0,2 = 1,0 V; f = 1/10 ms = 100 Hz, logo é onda completa.
  2. Cálculo: 0,5/(100 × 0,0047) = 1,06 V, que concorda com a medição (diferença de 6 %).
  3. Se o período fosse 20 ms, um díodo da ponte estaria aberto e a fonte funcionaria em meia onda, com o ripple dobrado.
  4. Se Vr fosse muito superior ao calculado, o condensador estaria degradado ou a carga seria maior do que a prevista.

12.4 Cuidados com o osciloscópio

A massa da ponta está ligada à terra da instalação. Não se liga a massa do osciloscópio a um terminal do secundário de um transformador nem a dois pontos de um circuito com diferença de potencial: faz-se um curto-circuito através da terra. Mede-se sempre em relação à massa do circuito de baixa tensão, com uma só ligação de massa.

12.5 Teste de díodos com o multímetro

  1. Posição díodo (símbolo ▷|), nunca o modo resistência, porque a junção não é linear.
  2. Ponta vermelha no ânodo e preta no cátodo: 0,5 a 0,7 V num díodo de silício (menos num Schottky).
  3. Pontas trocadas: "OL" (aberto).
  4. 0 V nos dois sentidos: curto-circuito; "OL" nos dois sentidos: díodo aberto.
  5. Um LED pode acender fracamente com a corrente de teste.
  6. Num circuito montado, outros componentes em paralelo falseiam o teste: levanta-se uma perna do díodo.

12.6 Verificação em simulação

Antes de montar, simula-se o circuito num programa de simulação (SPICE ou equivalente) com os valores calculados. Comparam-se pico, valor médio, ripple, correntes e potências com o cálculo. Se divergirem mais de alguns por cento, revê-se o cálculo antes de montar. É assim que se cumpre o critério de verificar, em simulação, o funcionamento face às especificações.


13. Segurança, saúde no trabalho e proteção ambiental

13.1 Segurança elétrica

13.2 Descargas eletrostáticas (ESD)

Os circuitos integrados CMOS e outros componentes de porta isolada são muito sensíveis. O modelo do corpo humano (HBM) usa um condensador de 100 pF descarregado por uma resistência de 1,5 kΩ (ANSI/ESDA/JEDEC JS-001). A IEC 61340-5-1 trata da proteção de dispositivos eletrónicos contra fenómenos eletrostáticos. Na bancada: pulseira antiestática ligada à terra, tapete antiestático, componentes em sacos antiestáticos e tocar numa massa antes de pegar num componente.

13.3 Segurança e saúde no trabalho

A Lei n.º 102/2009 (regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho, com as alterações posteriores) obriga o empregador a assegurar condições seguras e o trabalhador a cumprir as regras, usar o equipamento de proteção e comunicar os riscos.

13.4 Proteção ambiental

13.5 Aplicar as regras na bancada

Situação Procedimento
Alimentar um transformador rede só no primário de um transformador comercial isolado, com fusível, montado fora da breadboard e protegido
Correntes de ampere placa soldada, nunca breadboard
Primeira ligação de uma fonte óculos de proteção, condensadores com a polaridade confirmada, medição em vazio
Antes de mexer no circuito desligar, esperar e descarregar os condensadores; confirmar a tensão no multímetro
Material avariado separar para o circuito de recolha de REEE; solda sem chumbo

Exemplo resolvido · descarregar o condensador e escolher o fusível

Fonte com C = 4700 µF carregado a 20 V e resistência de descarga de 10 kΩ.

  1. Energia armazenada: ½ × 0,0047 × 20² = 0,94 J.
  2. τ = RC = 10 000 × 0,0047 = 47 s. Tensão ao fim de 60 s: 20 × e^(−60/47) = 5,6 V; ao fim de 120 s, 1,6 V; ao fim de 5τ (235 s), 0,13 V.
  3. Potência inicial na resistência: 20²/10 000 = 40 mW, que uma resistência de 1/4 W suporta bem.
  4. Fusível do primário de um transformador de 9 VA: a corrente nominal é 9/230 = 39 mA. O fusível tem de ser de ação lenta, por causa da corrente de arranque, e acima desse valor; o valor comercial retira-se da datasheet do transformador e do fusível.

14. Casos práticos e diagnóstico

Sintoma Causa provável Verificação
Sem tensão à saída fusível fundido; díodo ou ligação aberta multímetro AC no secundário; modo díodo
Saída com ripple a 50 Hz numa ponte um díodo aberto (meia onda) osciloscópio: período de 20 ms
Ripple excessivo C pequeno, degradado ou carga excessiva recalcular Vr
Regulador 78xx muito quente queda Vin − Vout alta, sem dissipador P = (Vin − Vout) × I
LED escuro ou queimado R errada ou LED invertido R = (Vcc − Vf)/I
Eletrolítico a aquecer ou a inchar polaridade invertida ou tensão nominal baixa verificar o condensador

Caso prático · fonte de 5 V com ripple de 50 Hz

Uma fonte de 5 V com ponte de Graetz tem à entrada do regulador um ripple de 2,2 V a 50 Hz, e o regulador sai a 4,3 V em carga.

  1. Ripple a 50 Hz numa ponte indica funcionamento em meia onda: um dos quatro díodos está aberto.
  2. No modo díodo do multímetro, um dos díodos mostra "OL" nos dois sentidos: confirmado.
  3. Substituído o díodo, o ripple desce para cerca de 1,1 V a 100 Hz.
  4. O mínimo do ripple volta a exceder os 7 V que o regulador exige e a saída é 5,0 V.

Caso prático · LED que dura pouco

Um LED vermelho de sinalização, a 5 V com uma resistência de 100 Ω, queimou em poucas semanas. Corrente real = (5 − 2)/100 = 30 mA, acima dos 20 mA nominais. Passando para 220 Ω, I = 3/220 = 13,6 mA, com brilho ainda bom e sem sobreaquecimento.


Erros comuns

Erro Porque acontece Correção
Esquecer a queda de 0,7 V no cálculo da saída tratar o díodo como um fio subtrair 0,7 V (1,4 V na ponte) ao pico
Ligar um LED sem resistência assumir que o LED limita a corrente R = (Vcc − Vf)/I antes de ligar
Eletrolítico com polaridade invertida não olhar para a marca (−) confirmar antes de ligar; pode rebentar
Condensador com tensão nominal igual à de trabalho esquecer a rede a +10 % pelo menos 1,25 × Vp do pior caso
Dimensionar só com a rede nominal ignorar a variação de ±10 % projetar para −10 %, verificar a +10 %
Medir um díodo em modo resistência modo errado usar o modo díodo

Glossário

Aceitador: átomo trivalente que cria uma lacuna no cristal.

Avalanche: ruptura por multiplicação de portadores por colisão.

Camada de depleção: zona da junção PN sem portadores livres.

Dador: átomo pentavalente que cede um eletrão livre.

Dopagem: introdução controlada de impurezas num semicondutor.

Dropout: diferença mínima entre entrada e saída para o regulador funcionar.

ESD: descarga eletrostática, perigosa para componentes de porta isolada.

Hiato de energia: energia entre as bandas de valência e de condução.

Lacuna: ausência de eletrão numa ligação, comporta-se como carga positiva.

PIV (VRRM): tensão inversa de pico que o díodo suporta repetidamente.

Potencial de barreira (Vbi): diferença de potencial na zona de depleção em equilíbrio.

REEE: resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos.

Retificação: conversão de tensão alternada em unidirecional.

Ripple: ondulação residual da tensão contínua.

Schottky: díodo metal-semicondutor de queda baixa e comutação rápida.

Zener: díodo que opera em ruptura inversa controlada para regular tensão.


Síntese

Semicondutores: o silício conduz mais quando aquece; dopado com pentavalente é tipo N, com trivalente é tipo P, e np = ni². A junção PN tem camada de depleção e barreira de 0,6 a 0,7 V.

Díodos: conduzem a partir de 0,6 a 0,7 V e bloqueiam em inversa. O Zener regula em ruptura; o LED exige resistência de limitação; o Schottky comuta depressa com menos queda.

Retificação e filtragem: a ponte aproveita os dois semi-ciclos, dobra a frequência de ripple para 100 Hz e custa 1,4 V. O condensador limita o ripple a Vr = I/(f·C), com corrente de pico elevada nos díodos.

Regulação e fonte: o Zener dimensiona-se pelo pior caso; o 78xx exige Vin ≥ Vout + dropout e dissipa (Vin − Vout) × I. Dimensiona-se com a rede a −10 % e verifica-se a +10 %.

Díodos especiais e circuitos com díodos: o Schottky troca tensão inversa por menor queda; o fotodíodo dá I ≈ R × Φ; o varicap é um condensador controlado por tensão; os multiplicadores dão ≈ n × (Vp − 0,7 V) com pouca corrente; os limitadores cortam em Vref + 0,7 V.

Bancada: breadboard sem rede e sem correntes de ampere, osciloscópio com uma só massa, modo díodo, simulação antes da montagem, condensadores descarregados, e as regras da Lei 102/2009, do DL 79/2013 e do DL 152-D/2017.

Para reter de cor: 0,7 V; 100 Hz; Vr = I/(f·C); P = (Vin − Vout) × I.


Exercícios resolvidos

1. Um LED verde (Vf = 2,2 V) é alimentado a 9 V com 15 mA. Qual a resistência e a corrente real?

Resolução: R = (9 − 2,2)/0,015 = 453 Ω → E24 470 Ω; I = 6,8/470 = 14,5 mA; PR = 0,0145² × 470 = 99 mW.

2. Uma ponte alimenta 150 mA com C = 3300 µF a partir de 12 V rms. Qual o ripple e a tensão nominal do condensador?

Resolução: Vr = 0,15/(100 × 0,0033) = 0,45 V; pico no pior caso (rede +10 %) = 12 × 1,1 × 1,414 − 1,4 = 17,3 V; 1,25 × 17,3 = 21,6 V → 25 V.

3. Um Zener de 6,2 V tem TK = +0,06 %/K. Quanto varia a tensão se aquecer 40 K?

Resolução: 0,0006 × 40 × 6,2 = 0,149 V.

4. Um secundário de 12 V rms alimenta uma ponte sem filtro. Qual a tensão média e a frequência da pulsação?

Resolução: pico = 16,97 − 1,4 = 15,57 V; média = 2 × 15,57/π = 9,91 V; pulsação a 100 Hz.

5. Um fotodíodo (R = 0,5 A/W) recebe 50 µW de luz e alimenta uma resistência de 20 kΩ. Qual a corrente e a tensão de saída?

Resolução: I = 0,5 × 50 × 10⁻⁶ = 25 µA; V = 25 µA × 20 kΩ = 0,5 V.

6. Um 7805 fornece 800 mA com 10 V à entrada. Que potência dissipa?

Resolução: P = (10 − 5) × 0,8 = 4,0 W; com Tj = 125 °C, Ta = 40 °C e Rθjc + Rθcs = 6 °C/W (valores ilustrativos), exige Rθsa ≤ (125 − 40)/4,0 − 6 ≈ 15 °C/W.