Sebenta · Implementar técnicas de prospeção estratégica em recursos minerais (UC01851)
- Introdução
- 1. Prospeção estratégica: o que é e para que serve
- 2. Objetivos da prospeção
- 3. Critérios de campo e adequação do equipamento
- 4. Priorização de alvos e probabilidades de sucesso
- 5. Esquemas geológicos em corte e em planta
- 6. Tipos de prospeção estratégica de recursos minerais
- 7. Cartografia geológica aplicada à prospeção estratégica
- 8. Prospeção geoquímica regional
- 9. Prospeção geofísica regional
- 10. Equipamento de trabalho de campo
- 11. Segurança, saúde no trabalho e equipamentos de proteção individual
- 12. Caso integrado resolvido: da compilação de dados à seleção de alvos
- 12.1 O encargo
- 12.2 Passo 1 · Objetivo e modelo
- 12.3 Passo 2 · Compilação de dados existentes
- 12.4 Passo 3 · Deteção remota
- 12.5 Passo 4 · Geoquímica de sedimentos de corrente
- 12.6 Passo 5 · Geofísica regional existente
- 12.7 Passo 6 · Integração e priorização
- 12.8 Passo 7 · Preparar o trabalho de campo seguinte
- 12.9 O que este caso ensina
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta ensina a preparar e conduzir um programa de prospeção estratégica de recursos minerais: a fase de reconhecimento à escala regional que reduz uma área alargada a um pequeno número de alvos justificados, prontos para a prospeção de detalhe (tática). É o trabalho típico de um gabinete de estudos de prospeção mineira e da correspondente área de prospeção no terreno.
A prospeção estratégica não procura confirmar um depósito, procura decidir onde vale a pena continuar a procurar. Trabalha com dados existentes (cartas, bibliografia), com deteção remota, com amostragem geoquímica de malha alargada e com geofísica regional, e termina numa lista de alvos priorizados por probabilidade de sucesso.
Objetivos de aprendizagem (referencial): preparar o trabalho de campo por priorização de alvos; adaptar as metodologias e o equipamento aos objetivos do trabalho; e aplicar técnicas de prospeção estratégica em recursos minerais, incluindo esquemas geológicos, cartografia geológica, prospeção geoquímica, prospeção geofísica e o uso correto de equipamentos de proteção individual e normas de segurança e saúde no trabalho.
Nota sobre os exemplos numéricos desta sebenta: sempre que aparecem valores concretos (teores, pontuações, coordenadas), são exemplos hipotéticos, criados só para ensinar o método de cálculo ou de raciocínio. Nenhum se refere a uma concessão, jazigo ou reserva real.
1. Prospeção estratégica: o que é e para que serve
1.1 Definição e escala
A prospeção estratégica é a fase de reconhecimento de um programa de exploração mineira à escala regional: cobre áreas de dezenas a centenas de quilómetros quadrados, com o objetivo de identificar e comparar alvos candidatos a mineralização, antes de se investir em trabalho de detalhe.
Distingue-se claramente da prospeção tática, que trabalha um alvo já selecionado, à escala local, com geoquímica de detalhe, geofísica terrestre, trincheiras e sondagens. As duas fases são complementares e sequenciais:
Prospeção ESTRATÉGICA (regional) → seleção de alvos → Prospeção TÁTICA (local)
área alargada, dados existentes lista priorizada alvo único, detalhe
Esta UC trata da fase estratégica. A fase tática é objeto de outra unidade curricular do curso, e usa métodos de maior detalhe e maior custo por unidade de área, precisamente porque já incide sobre uma área muito mais pequena.
1.2 O funil da prospeção
Um programa de prospeção funciona como um funil: cada etapa reduz a área de interesse e aumenta a confiança nos alvos que sobram.
| Etapa | Área típica | Densidade de dados | Custo por km² |
|---|---|---|---|
| Compilação e deteção remota | regional (bacia) | baixa | muito baixo |
| Geoquímica e geofísica regionais | regional a sub-regional | média | baixo |
| Priorização de alvos | vários alvos | alta nos alvos | moderado |
| Prospeção tática (fora desta UC) | um alvo | muito alta | alto |
Quanto mais avança o funil, menor a área e maior o detalhe. Investir cedo em detalhe excessivo, numa área que ainda não foi filtrada, desperdiça recursos: é por isso que a lógica estratégica vem sempre primeiro.
1.3 Quem faz este trabalho
O gabinete de estudos de prospeção mineira integra a compilação de dados, a interpretação de deteção remota e o planeamento das campanhas de campo. A área de prospeção mineira é onde esse planeamento se valida e se executa: recolha de amostras, observações geológicas, medições geofísicas. Os dois contextos trabalham em ciclo: o gabinete planeia, o campo valida e traz dados novos, o gabinete reinterpreta.
2. Objetivos da prospeção
2.1 Definir o objetivo antes de agir
Nenhum programa de prospeção começa "a ver o que aparece". Definem-se sempre, à partida, os objetivos de prospeção:
- Substância(s) alvo: que recurso mineral se procura (metal base, metal precioso, metal estratégico como lítio ou volfrâmio, rocha industrial).
- Contexto geológico esperado: em que tipo de rochas e estruturas se espera encontrar esse recurso.
- Escala e prazo: qual a área a cobrir e em quanto tempo.
- Enquadramento legal e institucional: os direitos de prospeção e pesquisa atribuídos à entidade promotora, e os recursos (humanos, financeiros, temporais) disponíveis para o programa.
Um objetivo mal definido compromete tudo o resto: sem saber o que se procura, não se sabe que método escolher nem que dados interpretar como relevantes.
2.2 Modelos geológicos de referência
Cada tipo de mineralização segue, tipicamente, um modelo geológico: um conjunto reconhecido de características que costuma acompanhá-la (rochas hospedeiras, estruturas, tipo de alteração, assinatura geoquímica e geofísica esperável).
Trabalhar com um modelo de referência:
- Filtra a área de trabalho: só interessam as zonas compatíveis com o modelo.
- Orienta os métodos a usar: um modelo com forte assinatura magnética justifica magnetometria; um modelo hidrotermal com halos geoquímicos amplos justifica amostragem de solos.
- Dá critérios de comparação: quando se avaliam vários alvos, o modelo diz que indícios procurar em cada um.
O modelo é uma ferramenta de trabalho, não uma certeza. A geologia real raramente encaixa perfeitamente num modelo de manual, e o técnico deve estar disposto a rever o modelo à luz dos dados de campo, em vez de forçar os dados a encaixar numa ideia prévia.
2.3 Modelos geológicos com exemplos portugueses
Portugal tem vários tipos de mineralização bem estudados, que servem de modelos de referência para a prospeção estratégica. Os exemplos abaixo são reais; usam-se para aprender a assinatura de cada modelo, nunca para transpor números (teores, tonelagens) de um jazigo para outra área.
| Modelo | Contexto geológico | Exemplos portugueses | Assinatura geoquímica esperada | Métodos estratégicos mais úteis |
|---|---|---|---|---|
| Sulfuretos maciços vulcanogénicos | rochas vulcânicas e sedimentares da Faixa Piritosa Ibérica (Zona Sul-Portuguesa) | Neves-Corvo (Cu, Zn), Aljustrel (Zn, Cu, Pb) | Cu, Zn, Pb e elementos associados em solos e sedimentos; alteração hidrotermal nas rochas encaixantes | gravimetria (corpos densos), eletromagnéticos e IP, cartografia do horizonte favorável |
| Filões de quartzo com W e Sn | metassedimentos junto a granitos variscos (Zona Centro-Ibérica) | Panasqueira (volframite, cassiterite, com calcopirite) | W, Sn, As em sedimentos de corrente; volframite, cassiterite e scheelite nos concentrados de bateia | geoquímica de sedimentos, bateia, deteção remota de estruturas, radiometria dos granitos |
| Pegmatitos com lítio | campos de pegmatitos em metassedimentos, perto de granitos | pegmatitos com espodumena da região do Barroso; pegmatitos com lepidolite noutros locais do norte e centro | Li com Cs, Rb, Sn, Nb e Ta em solos e sedimentos | cartografia de campo dos corpos, geoquímica de solos, deteção remota multiespectral |
| Ouro em filões de quartzo | zonas de cisalhamento e fraturas em metassedimentos e granitos | Jales e Castromil (antigas minas de ouro, encerradas) | Au, frequentemente com As (arsenopirite) e Sb | bateia (ouro livre), sedimentos de corrente, cartografia estrutural |
| Urânio | granitos e filões associados | Urgeiriça (antiga mina de urânio, encerrada; a recuperação ambiental das áreas mineiras degradadas está a cargo da EDM) | U e elementos associados | radiometria/espectrometria gama, aérea e terrestre |
Três lições deste quadro:
- Cada modelo pede métodos diferentes. Um corpo de sulfuretos maciços é denso e condutor, por isso a gravimetria e os métodos elétricos e eletromagnéticos fazem sentido; um filão de quartzo com volframite não tem contraste de densidade útil à escala regional, e é a geoquímica de sedimentos e a bateia que o denunciam.
- A assinatura geoquímica raramente é só o metal procurado. Os elementos associados (As no ouro, Cs e Rb no lítio) formam halos mais largos e são, muitas vezes, mais fáceis de detetar do que o próprio metal.
- O modelo filtra a área. Procurar sulfuretos maciços do tipo da Faixa Piritosa num granito do norte não faz sentido geológico, por muito barata que seja a campanha.
2.4 Exemplo resolvido: do objetivo ao plano de trabalho
Situação (hipotética): um gabinete recebe o encargo de prospetar uma área de 40 km² para volframite (mineral de volfrâmio), associada tipicamente a filões de quartzo em contexto de granitos e metassedimentos.
Resolução passo a passo:
- Objetivo: volframite, em filões de quartzo.
- Modelo geológico: filões subverticais associados a granitos, com halo de alteração e possível assinatura geoquímica em W e Sn nos sedimentos de corrente a jusante.
- Escala: 40 km² é compatível com uma campanha de geoquímica de sedimentos de corrente de malha regional, seguida de cartografia estrutural dirigida às zonas anómalas.
- Métodos escolhidos: compilação da Carta Geológica existente da área, deteção remota para mapear alinhamentos estruturais, amostragem de sedimentos de corrente em toda a bacia, cartografia de campo dirigida às sub-bacias anómalas.
- Equipamento: GNSS, bússola de geólogo, martelo, sacos de amostra, fichas de campo.
Este raciocínio, do objetivo ao plano concreto, repete-se em qualquer programa de prospeção estratégica, mudando apenas a substância e o modelo geológico.
3. Critérios de campo e adequação do equipamento
3.1 O que são critérios de campo
Os critérios de campo são as regras práticas, escritas e conhecidas por toda a equipa, que definem o que observar, como medir e como registar no terreno. Garantem que dois técnicos, em dias ou locais diferentes, produzem dados comparáveis.
Um critério de campo típico especifica, por exemplo:
- Que tipo de amostra colher em cada ponto (sedimento, solo, rocha).
- Com que espaçamento amostrar (malha regular, ou dirigida a pontos-chave como confluências de linhas de água).
- Que metadados registar sempre: coordenadas, data, hora, operador, condições observadas.
- Quando repetir uma medição (duplicados) para controlo de qualidade.
Um dos critérios de desempenho desta UC é precisamente garantir a aplicação dos critérios e o equipamento ao tipo de trabalho: não basta ter os critérios escritos, é preciso aplicá-los de forma consistente em cada saída de campo.
3.2 Adequar as metodologias e o equipamento aos objetivos
Cada objetivo de prospeção pede uma combinação diferente de métodos e de equipamento. Adaptar as metodologias e o equipamento aos objetivos do trabalho é uma das realizações explícitas do referencial desta UC.
| Objetivo do trabalho | Método(s) preferencial(is) | Equipamento típico |
|---|---|---|
| Reconhecimento amplo de bacia hidrográfica | deteção remota + geoquímica de sedimentos de corrente | imagens de satélite, GNSS, sacos de amostra numerados |
| Alvo em sulfuretos maciços (contexto vulcânico) | geofísica elétrica e eletromagnética | equipamento geofísico terrestre |
| Alvo filoniano (Sn, W) associado a granitos | cartografia estrutural de detalhe + geoquímica de solos | bússola de geólogo, GNSS, fichas de campo |
| Concentrados pesados em drenagem ativa (Au) | bateia em sedimentos de corrente | bateia, peneiros, lupa de campo |
| Mapeamento litológico regional rápido | radiometria/espectrometria gama aérea | equipamento aerotransportado (contratado) |
Esta tabela é um ponto de partida, não uma receita fechada. A combinação real depende do terreno concreto, do orçamento e dos prazos do programa.
3.3 Erro a evitar
Usar sempre o mesmo método "porque é o que a equipa sabe fazer", em vez de escolher o método adequado à pergunta geológica que se está a colocar, é um erro recorrente e caro: gera dados que não respondem à pergunta certa, e obriga a repetir trabalho mais tarde.
4. Priorização de alvos e probabilidades de sucesso
4.1 Trabalhar com incerteza
A prospeção estratégica lida sempre com incerteza: à partida, não se sabe onde está um depósito, nem se existe algum na área estudada. Por isso, cada alvo identificado é avaliado em termos de probabilidade de sucesso, nunca de certeza.
A probabilidade combina vários indícios, idealmente independentes entre si:
- Indício geológico: presença de rochas hospedeiras e estruturas favoráveis ao modelo escolhido.
- Indício geoquímico: anomalia em elementos relevantes para a substância alvo.
- Indício geofísico: resposta compatível com o modelo (por exemplo, resistividade baixa sobre um alvo condutor).
- Analogia com depósitos conhecidos do mesmo tipo geológico, usada com prudência e sem transpor números de outros contextos.
Quanto mais indícios independentes convergirem sobre o mesmo alvo, maior a confiança atribuída. Um único indício forte, isolado, nunca é prova suficiente.
4.2 Construir uma matriz de priorização
Com vários alvos identificados e um orçamento limitado para a fase seguinte, é preciso ordená-los por prioridade, de forma explícita e repetível, em vez de por intuição.
Exemplo hipotético e resolvido (valores ilustrativos, sem correspondência a nenhuma área real):
Uma campanha regional identificou três alvos, A, B e C. Cada indício foi classificado em fraco, moderado ou forte, e convertido numa pontuação de 1 a 3 para permitir somar:
| Alvo | Indício geológico | Indício geoquímico | Indício geofísico | Pontuação total (máx. 9) |
|---|---|---|---|---|
| A | forte (3) | forte (3) | moderado (2) | 8 |
| B | moderado (2) | forte (3) | fraco (1) | 6 |
| C | fraco (1) | moderado (2) | forte (3) | 6 |
Interpretação: o alvo A tem a pontuação mais alta e a convergência mais consistente entre os três indícios: avança primeiro para a prospeção tática. B e C empatam na pontuação total, mas C tem um indício geofísico forte que pode justificar uma verificação geofísica adicional antes de decidir entre os dois.
Este método (converter observações qualitativas numa pontuação comparável) é o essencial da priorização de alvos: torna a decisão explícita e auditável, em vez de depender só da opinião de quem decide.
4.3 Exemplo resolvido: matriz ponderada para desempatar
Na matriz anterior, B e C empataram com 6 pontos. Quando a equipa entende que os indícios não valem todos o mesmo para o modelo em causa, usa pesos. Suponha-se (hipoteticamente) que, para o modelo procurado, a equipa decide dar peso 0,40 ao indício geológico, 0,35 ao geoquímico e 0,25 ao geofísico (os pesos somam 1,00 e são decididos antes de ver as pontuações, para não serem ajustados ao resultado desejado).
Resolução passo a passo: multiplica-se cada pontuação pelo peso do indício e somam-se as parcelas.
| Alvo | Geológico × 0,40 | Geoquímico × 0,35 | Geofísico × 0,25 | Pontuação ponderada (máx. 3,00) |
|---|---|---|---|---|
| A | 3 × 0,40 = 1,20 | 3 × 0,35 = 1,05 | 2 × 0,25 = 0,50 | 2,75 |
| B | 2 × 0,40 = 0,80 | 3 × 0,35 = 1,05 | 1 × 0,25 = 0,25 | 2,10 |
| C | 1 × 0,40 = 0,40 | 2 × 0,35 = 0,70 | 3 × 0,25 = 0,75 | 1,85 |
Leitura: A continua em primeiro lugar; com estes pesos, B passa à frente de C, porque o modelo valoriza mais a geologia e a geoquímica do que a geofísica. Se o modelo fosse de sulfuretos maciços, onde a resposta geofísica é muito diagnóstica, os pesos seriam outros e a ordem poderia inverter-se. A lição: os pesos vêm do modelo geológico, e têm de ficar escritos e justificados no relatório.
4.4 Probabilidade de sucesso como cadeia de condições
Outra forma de pensar a probabilidade de sucesso é como uma cadeia de condições que têm de se verificar todas ao mesmo tempo para existir um depósito: rocha hospedeira favorável, uma fonte de metais e fluidos, uma estrutura que os tenha canalizado, e a preservação do depósito (não ter sido erodido). Se cada condição tiver uma probabilidade estimada e as condições forem tratadas como independentes, a probabilidade conjunta é o produto das parcelas.
Exemplo hipotético: para um alvo, a equipa estima 0,8 para a rocha hospedeira favorável, 0,5 para a existência de fonte de fluidos mineralizantes e 0,7 para a preservação. Probabilidade conjunta = 0,8 × 0,5 × 0,7 = 0,28.
Duas conclusões práticas saem deste cálculo:
- A probabilidade conjunta é sempre menor do que a mais fraca das parcelas: um único elo fraco puxa todo o alvo para baixo.
- O trabalho mais rentável é o que melhora o elo mais fraco. Aqui é a fonte de fluidos (0,5): se uma campanha de geoquímica mostrasse um halo que a sustenta e a estimativa subisse para 0,9, a probabilidade conjunta passaria para 0,8 × 0,9 × 0,7 = 0,504, quase o dobro.
Estes números são estimativas de juízo técnico, não medições: servem para comparar alvos entre si e para decidir que dado recolher a seguir, nunca para prometer um resultado ao promotor.
4.5 Cuidados na priorização
- Não misturar critérios de custo com critérios de probabilidade: um alvo barato de confirmar não é automaticamente mais promissor, só mais barato de testar primeiro.
- Documentar a justificação de cada pontuação, não só o número final: a matriz serve para comunicar a decisão a terceiros (promotor, entidade financiadora).
- Rever a priorização sempre que chegam dados novos: a matriz não é definitiva, é uma fotografia do conhecimento nesse momento.
5. Esquemas geológicos em corte e em planta
5.1 O esquema em planta
O esquema em planta representa a geologia vista de cima, à semelhança de um mapa: mostra a distribuição das unidades litológicas, os contactos entre elas, as estruturas (falhas, dobras, filões) e os pontos de observação, tudo projetado sobre uma base topográfica.
- Corresponde à vista disponível numa carta geológica publicada, ou a um esquema próprio construído a partir do trabalho de campo.
- Cada unidade litológica tem uma cor e uma trama convencionadas; a legenda é indispensável para a leitura correta.
- Sobre a planta marcam-se também os símbolos de atitude (direção e inclinação de um plano, medida com bússola de geólogo), junto ao ponto onde foram medidos.
- As regras de "V" ajudam a ler, num vale, a inclinação de um contacto: em regra, o V que o contacto desenha ao cruzar o vale aponta no sentido do mergulho da camada. Há exceções que é preciso conhecer: uma camada horizontal acompanha as curvas de nível (o V aponta para montante); uma camada vertical corta o vale a direito, sem V; e uma camada que mergulha para jusante com inclinação menor do que o declive do leito desenha um V que aponta para montante, ao contrário do mergulho.
A planta é a primeira ferramenta de planeamento: mostra onde as diferentes formações afloram e onde se espera encontrar cada contacto no terreno.
5.2 O esquema em corte
O esquema em corte (corte geológico) representa a geologia numa secção vertical, ao longo de uma linha escolhida na planta, como se o terreno fosse cortado em profundidade.
- Mostra a geometria em subsuperfície: como as unidades e as estruturas se prolongam abaixo da superfície observada.
- Constrói-se a partir da planta, das atitudes medidas em campo (direção e inclinação) e, quando existem, de dados adicionais como sondagens ou perfis geofísicos.
- É essencial para avaliar se um alvo visível à superfície tem continuidade em profundidade compatível com um depósito explorável.
Planta e corte são sempre complementares e devem ser lidos em conjunto: a planta responde a "onde", o corte responde a "até onde e com que geometria em profundidade". Um erro comum é assumir que uma camada mantém a mesma espessura e inclinação observadas à superfície ao longo de toda a profundidade representada; na realidade, dobras, falhas ou variações litológicas podem alterar essa geometria.
5.3 Exemplo resolvido: da atitude medida ao esboço de corte
Situação (hipotética): no campo, mediu-se num afloramento a atitude de um contacto litológico: direção N40°E, inclinação 30° para SE (notação comum: N40°E, 30° SE).
Resolução passo a passo:
- Marcar na planta o ponto de observação e o símbolo de atitude, com a direção e o sentido do mergulho corretos.
- Escolher a linha de corte: idealmente perpendicular à direção geral das estruturas, para que o corte mostre a inclinação real (e não uma inclinação "aparente", mais suave, que aparece quando o corte é oblíquo à direção verdadeira).
- Projetar o contacto no corte: a partir do ponto onde a linha de corte cruza o contacto na planta, desenhar a inclinação de 30° para o lado SE.
- Prolongar o traço em profundidade até onde os dados (ou a extensão razoável da interpretação) permitirem, assinalando sempre no esquema até que ponto é observação e até que ponto é interpretação.
Este exercício, repetido para cada estrutura relevante, é o que transforma medições de campo isoladas num esquema geológico coerente.
6. Tipos de prospeção estratégica de recursos minerais
6.1 As técnicas e a sua sequência
A prospeção estratégica combina várias técnicas complementares, cada uma a contribuir com uma perspetiva diferente sobre a mesma área:
- Compilação e revisão bibliográfica: reunir tudo o que já existe sobre a área, cartas geológicas publicadas, relatórios de trabalhos anteriores, estudos de caso de áreas geologicamente semelhantes.
- Definição do modelo geológico e da assinatura esperada (geoquímica, geofísica) do tipo de alvo procurado.
- Deteção remota: interpretação de imagens de satélite e fotografia aérea, para mapear litologias, alinhamentos estruturais e zonas de alteração hidrotermal visíveis à distância.
- Reconhecimento de campo: validação no terreno das interpretações feitas em gabinete.
- Prospeção geoquímica regional: amostragem de sedimentos de corrente e, quando justificado, de solos ou águas, numa malha alargada.
- Prospeção geofísica regional: campanhas aéreas ou terrestres de grande cobertura, quando o modelo geológico o justifica.
- Integração dos dados e priorização de alvos para a fase tática seguinte (fora do âmbito desta UC).
Esta sequência é iterativa, não estritamente linear: um resultado de geoquímica pode levar a rever a interpretação da deteção remota, ou uma anomalia geofísica pode justificar amostragem geoquímica adicional numa zona antes considerada de menor interesse.
6.2 Deteção remota como técnica estratégica
A deteção remota (imagens de satélite multiespectrais, fotografia aérea, modelos digitais de terreno, radar) permite mapear, sem sair do gabinete, características relevantes numa área muito maior do que seria viável percorrer inteiramente a pé:
- Litologias: diferentes rochas refletem a radiação de forma diferente em certas bandas espectrais.
- Estruturas: alinhamentos, lineamentos e padrões de drenagem revelam falhas e fraturas regionais.
- Zonas de alteração hidrotermal: certos minerais de alteração têm assinaturas espectrais reconhecíveis e associam-se com frequência a sistemas mineralizados.
A deteção remota orienta o trabalho de campo, não o substitui: qualquer interpretação feita a partir de imagens tem de ser validada no terreno antes de sustentar uma decisão de investimento.
6.2.1 O que cada zona do espetro revela
Cada mineral absorve a radiação em comprimentos de onda característicos. Um sensor que tenha bandas nessas zonas "vê" essas absorções.
| Zona do espetro | Comprimento de onda aproximado | O que revela na prospeção |
|---|---|---|
| Visível (VIS) | 0,4 a 0,7 µm | cor das rochas e solos; óxidos e hidróxidos de ferro (hematite, goethite, jarosite) refletem pouco no azul e muito no vermelho |
| Infravermelho próximo (NIR) | 0,7 a 1,3 µm | vegetação (reflete muito); absorção dos óxidos de ferro perto de 0,9 µm |
| Infravermelho de onda curta (SWIR) | 1,3 a 2,5 µm | minerais com OH e carbonatos: argilas (caulinite), micas brancas (sericite, típica da alteração fílica), alunite, com absorção perto de 2,2 µm (ligação Al-OH); clorite, epídoto e carbonatos, perto de 2,3 a 2,35 µm |
| Infravermelho térmico (TIR) | 8 a 14 µm | sílica e quartzo (silicificação), distinção entre rochas ricas e pobres em sílica |
| Radar (micro-ondas) | centímetros | textura e relevo do terreno, estruturas; funciona com nuvens e de noite |
A regra prática a reter: óxidos de ferro no visível e no NIR; alteração argílica e fílica (minerais hidroxilados) no SWIR; sílica no térmico. É por isso que um sensor sem bandas SWIR não consegue mapear a alteração argílica, por melhor que seja a sua resolução espacial.
6.2.2 Sensores de uso corrente
| Sensor | Bandas úteis | Resolução espacial | Notas |
|---|---|---|---|
| Landsat 8 e 9 (OLI) | visível, NIR e duas bandas SWIR (banda 6 perto de 1,6 µm e banda 7 perto de 2,2 µm) | 30 m (pancromática 15 m) | arquivo longo e gratuito; bandas SWIR largas, separam "grupos" de minerais, não minerais individuais |
| Sentinel-2 (MSI) | visível e NIR a 10 m; duas bandas SWIR (B11 perto de 1,6 µm e B12 perto de 2,2 µm) a 20 m | 10, 20 e 60 m | gratuito, revisita frequente; muito usado em reconhecimento regional |
| ASTER | 3 bandas VNIR (15 m), 6 bandas SWIR (30 m), 5 bandas TIR (90 m) | 15 a 90 m | o SWIR distingue melhor argilas, micas e carbonatos, mas o detetor SWIR deixou de funcionar em 2008: usam-se as imagens de arquivo anteriores |
| Hiperespetrais (satélite, avião ou drone) | centenas de bandas estreitas | variável | identificam minerais individuais; dados mais pesados e mais caros de tratar |
| Radar (SAR, por exemplo Sentinel-1) | micro-ondas | ~10 a 20 m | lineamentos e estruturas sob nuvens |
6.2.3 Técnicas de processamento mais usadas
- Composições coloridas: atribuir três bandas aos canais vermelho, verde e azul para realçar contrastes litológicos.
- Razões de bandas: dividir uma banda por outra anula parte do efeito da iluminação e do relevo e realça uma absorção. Exemplos correntes: vermelho/azul (Landsat 8: banda 4/banda 2; Sentinel-2: B4/B2) para óxidos de ferro; SWIR1/SWIR2 (Landsat 8: 6/7; Sentinel-2: B11/B12) para minerais hidroxilados, porque estes absorvem na banda de 2,2 µm e fazem subir a razão.
- Índice de vegetação (NDVI) = (NIR − vermelho) / (NIR + vermelho): serve para mascarar a vegetação, que perturba as razões minerais.
- Análise de lineamentos: sobre imagens e sobre relevos sombreados de modelos digitais de terreno, iluminados de vários azimutes (uma só direção de iluminação esconde as estruturas paralelas a ela).
6.2.4 Exemplo resolvido: ler razões de bandas em três píxeis
Situação (hipotética): numa imagem Sentinel-2 corrigida para refletância de superfície, leram-se os valores de três píxeis.
| Píxel | B2 (azul) | B4 (vermelho) | B8 (NIR) | B11 (SWIR1) | B12 (SWIR2) |
|---|---|---|---|---|---|
| P1 | 0,08 | 0,20 | 0,24 | 0,32 | 0,22 |
| P2 | 0,10 | 0,14 | 0,30 | 0,28 | 0,25 |
| P3 | 0,04 | 0,05 | 0,40 | 0,22 | 0,12 |
Resolução passo a passo:
- NDVI de cada píxel: P1 = (0,24 − 0,20) / (0,24 + 0,20) = 0,04 / 0,44 ≈ 0,09; P2 = 0,16 / 0,44 ≈ 0,36; P3 = 0,35 / 0,45 ≈ 0,78. P3 é vegetação densa; P1 é quase solo ou rocha nua.
- Razão de óxidos de ferro (B4/B2): P1 = 0,20 / 0,08 = 2,5; P2 = 0,14 / 0,10 = 1,4; P3 = 0,05 / 0,04 = 1,25.
- Razão de minerais hidroxilados (B11/B12): P1 = 0,32 / 0,22 ≈ 1,45; P2 = 0,28 / 0,25 = 1,12; P3 = 0,22 / 0,12 ≈ 1,83.
- Interpretação: P1 tem as duas razões altas sobre terreno descoberto: é candidato a zona com óxidos de ferro e minerais de alteração hidroxilados, a verificar no campo. P3 tem a razão B11/B12 mais alta de todas, mas é vegetação (NDVI ≈ 0,78): a vegetação também tem mais refletância a 1,6 µm do que a 2,2 µm, e daria um falso alvo. É por isso que se aplica sempre uma máscara de vegetação antes de ler razões minerais. P2 não se destaca.
Cuidados: óxidos de ferro à superfície também resultam da meteorização normal de muitas rochas e dos solos, não só de alteração hidrotermal; em Portugal, a cobertura vegetal e agrícola esconde grande parte do substrato. As razões de bandas dão candidatos a verificar, nunca alvos confirmados.
6.2.5 Geofísica aérea: a "deteção remota" do subsolo
A geofísica aerotransportada (avião, helicóptero ou drone) é a outra grande ferramenta de cobertura regional. Os métodos mais comuns são a magnetometria, a espectrometria gama (K, U, Th) e, para condutores, os eletromagnéticos. Detalham-se no capítulo 9.
6.3 Estudos de caso e simuladores como recursos de aprendizagem
O referencial desta UC identifica estudos de caso e simuladores como recursos de apoio. Na prática profissional, isto corresponde a:
- Rever estudos de caso publicados de programas de prospeção estratégica bem documentados, para aprender com decisões e resultados de outros projetos, sem repetir os mesmos erros.
- Usar simuladores e software de sistemas de informação geográfica para treinar a interpretação de mapas geoquímicos e geofísicos antes de os aplicar a dados reais.
7. Cartografia geológica aplicada à prospeção estratégica
7.1 A carta geológica como ponto de partida
A cartografia geológica regista, sobre uma base topográfica, a distribuição das unidades litológicas, os contactos e as estruturas observadas numa área. Em Portugal, o ponto de partida é sempre a Carta Geológica de Portugal, publicada pelo LNEG (herdeiro dos antigos Serviços Geológicos de Portugal), disponível a diferentes escalas: 1:50 000 (a mais detalhada, organizada por folhas com notícia explicativa), 1:200 000 e 1:500 000.
Na prospeção estratégica, a carta publicada:
- Dá a primeira imagem da geologia regional, antes de qualquer trabalho de campo próprio.
- Orienta a escolha do modelo geológico: que litologias e estruturas existem na área, e se são compatíveis com o tipo de mineralização procurada.
- Serve de base sobre a qual se registam as observações de campo próprias, atualizando ou detalhando o que a carta publicada mostra.
7.2 Verificar, corrigir e detalhar no terreno
A carta oficial é o ponto de partida, não a palavra final. No terreno, o técnico:
- Verifica se os contactos e litologias correspondem ao que a carta mostra naquele ponto concreto.
- Regista litologia, atitude das estruturas e relações de contacto observadas, sempre com coordenadas no sistema oficial (PT-TM06/ETRS89, em Portugal continental).
- Fotografa o afloramento, com escala e referência ao ponto de observação, para consulta posterior.
- Detalha localmente o que a carta, à sua escala regional, só podia mostrar de forma generalizada.
Estas observações de campo alimentam depois a construção de esquemas próprios em planta e em corte (ver capítulo 5), específicos da área ou do alvo em estudo.
7.3 Erro a evitar
Assumir que a carta geológica oficial está sempre atualizada e completa à escala de detalhe do alvo em estudo é um erro comum. As cartas regionais são feitas a uma escala que, por definição, generaliza; o trabalho de campo da prospeção estratégica existe precisamente para verificar e refinar essa base antes de a usar como fundamento de uma decisão.
8. Prospeção geoquímica regional
8.1 O que se procura
A prospeção geoquímica procura anomalias na composição química de materiais naturais, sedimentos, solos, águas ou rochas, que possam indicar a presença de mineralização em profundidade ou nas proximidades. À escala estratégica, a malha de amostragem é alargada: cobre grandes áreas com uma densidade de pontos por km² muito menor do que a usada na fase tática de detalhe.
8.2 Tipos de amostra
- Sedimentos de corrente: a fração fina, peneirada, colhida em confluências de linhas de água e um pouco a montante delas. É o método clássico de reconhecimento regional, porque cada ponto de amostragem "resume" o material erodido de toda a bacia hidrográfica a montante.
- Solos: normalmente do horizonte B, colhidos numa malha regular; úteis quando a cobertura de solo é significativa e reflete a geoquímica da rocha subjacente.
- Águas: análise de elementos dissolvidos, complementar noutros contextos.
- Rochas: amostras de mão, por lascas (chip) ou em canal, colhidas em afloramentos de interesse.
- Concentrados de bateia: minerais pesados (ouro, cassiterite, volframite, scheelite) separados por densidade em áreas com drenagem ativa; a scheelite fluoresce sob luz ultravioleta de onda curta, o que facilita a sua identificação em campo.
8.3 Boas práticas de amostragem
- Evitar contaminação: não colher junto a estradas, aldeias, pontes ou outras fontes antrópicas que mascaram o sinal geológico natural; evitar também contaminação por joias, ferramentas pintadas ou galvanizadas do próprio equipamento.
- Sacos numerados e ficha de campo para cada amostra, com coordenadas, data e observações.
- Fotografia com escala do ponto de amostragem.
- Cadeia de custódia: registo de quem colheu, transportou e entregou cada amostra ao laboratório.
- QA/QC (controlo de qualidade): incluir duplicados (a mesma amostra colhida ou analisada duas vezes), brancos (material sem o elemento procurado, para detetar contaminação) e padrões certificados (amostras de teor conhecido, para aferir o laboratório).
8.4 Interpretar os resultados: fundo, limiar e anomalia
Depois de analisados em laboratório, os teores de cada elemento comparam-se com o comportamento normal da região:
- Fundo (background): o teor habitual de um elemento numa área sem mineralização relevante associada.
- Limiar (threshold): o valor a partir do qual um teor se considera anómalo. Uma referência estatística comum é a média mais dois desvios-padrão da população de dados da campanha, sempre com a ressalva de que este cálculo depende da distribuição real dos dados (populações muito assimétricas pedem outras abordagens estatísticas).
- Anomalia: um valor acima do limiar, candidato a alvo para investigação adicional.
- Halos de dispersão: primários (junto à fonte, em rocha) e secundários (dispersos pela erosão e transporte, em sedimentos e solos); no mapa, desenham a área que orienta a fase seguinte.
8.5 Exemplo resolvido: calcular um limiar geoquímico
Situação (hipotética): uma campanha de sedimentos de corrente analisou o teor de um elemento em 30 pontos de uma bacia. A média dos resultados foi de 45 ppm (partes por milhão) e o desvio-padrão de 12 ppm. Um dos pontos apresentou 78 ppm.
Resolução passo a passo:
- Calcular o limiar pela referência comum: limiar = média + 2 × desvio-padrão = 45 + 2 × 12 = 45 + 24 = 69 ppm.
- Comparar o ponto em análise: 78 ppm > 69 ppm, logo está acima do limiar.
- Classificar: o ponto é uma anomalia geoquímica, candidata a alvo.
- Próximo passo: localizar no mapa a bacia a montante desse ponto de amostragem, que é a área de onde pode vir o sinal, e planear amostragem adicional (ou cartografia de campo) dirigida a essa sub-bacia.
Nota: estes valores são inteiramente hipotéticos e servem apenas para treinar o cálculo do limiar; qualquer campanha real tem os seus próprios dados e a sua própria distribuição estatística.
8.6 Colheita de sedimentos de corrente numa região alargada
Efetuar a colheita de sedimentos de corrente numa região alargada é uma aptidão explícita do referencial. O procedimento tem três momentos.
Em gabinete (planeamento):
- Delimitar as bacias hidrográficas sobre a carta topográfica ou um modelo digital de terreno e escolher a dimensão das bacias a amostrar (em reconhecimento regional, bacias de linhas de água de pequena ordem, em que cada amostra represente uma área de captação parecida).
- Marcar os pontos: em cada afluente, imediatamente a montante da confluência, para que a amostra represente só essa bacia e não a mistura das duas.
- Evitar à partida pontos a jusante de estradas, pontes, aldeias, escombreiras e explorações agrícolas intensivas; quando não for possível, anotar a situação.
- Definir a densidade de amostragem (amostras por km²), a fração a peneirar e os elementos a analisar, de acordo com o modelo geológico.
- Numerar previamente os sacos e intercalar na sequência as amostras de controlo (duplicados, brancos, padrões).
No campo (colheita):
- Chegar ao ponto com o GNSS e confirmar que a linha de água é a planeada (se não for, colher no ponto equivalente e registar a mudança).
- Colher sedimento ativo do leito (o que a água transporta atualmente), em vários pontos ao longo de um troço curto do canal, juntando-os numa amostra composta; evitar material caído das margens e matéria orgânica.
- Peneirar no local ou em gabinete para obter a fração fina; é comum usar a fração inferior a cerca de 0,18 mm (malha 80), mas a fração é a que estiver definida no protocolo do programa e tem de ser a mesma em todas as amostras.
- Preencher a ficha de campo: número da amostra, coordenadas, data, hora, operador, largura do canal, caudal aparente, tipo de sedimento, litologias dos seixos, possíveis fontes de contaminação, fotografia com escala.
- Colher, quando previsto, um concentrado de bateia no mesmo ponto, num local do leito onde os minerais pesados se acumulam naturalmente (atrás de blocos, na base do cascalho).
De volta ao gabinete: secar as amostras a temperatura moderada, verificar números e fichas, preparar a guia de remessa para o laboratório e manter a cadeia de custódia.
8.6.1 Exemplo resolvido: planear uma campanha regional
Situação (hipotética): a área a reconhecer tem 120 km². A equipa escolhe uma densidade de 1 amostra por 2 km², com uma amostra de controlo de cada tipo (duplicado de campo, branco e padrão certificado) por cada 20 amostras de rotina. Uma equipa de dois técnicos consegue colher, em média, 8 amostras por dia.
Resolução passo a passo:
- Amostras de rotina = 120 km² ÷ 2 km² por amostra = 60 amostras.
- Amostras de controlo de cada tipo = 60 ÷ 20 = 3; como há três tipos, são 3 × 3 = 9 amostras de controlo.
- Total enviado ao laboratório = 60 + 9 = 69 amostras.
- Dias de campo = 60 ÷ 8 = 7,5, que se arredonda para cima: 8 dias (os brancos e os padrões não se colhem no campo; o duplicado de campo colhe-se no mesmo ponto, com pouco tempo extra). A este valor soma-se uma margem para acessos difíceis e mau tempo.
A densidade escolhida é uma decisão do programa: tem de ser coerente com a dimensão dos alvos procurados (alvos pequenos pedem mais amostras por km²) e com o orçamento.
8.7 Analisar solos, águas, rochas, minério e plantas
O referencial pede que o técnico saiba usar cinco meios de amostragem. Cada um "vê" a mineralização de uma forma diferente.
| Meio | O que representa | Como se colhe | Cuidados próprios |
|---|---|---|---|
| Solos | a rocha subjacente, alterada no local | horizonte B, em malha regular ou em perfis, a profundidade constante | não misturar horizontes; atenção a solos transportados (coluviões, aluviões) que já não refletem a rocha de baixo |
| Águas | elementos dissolvidos a partir da rocha e da mineralização (por exemplo, sulfato e metais junto a sulfuretos em oxidação) | frascos limpos, com enxaguamento prévio com a própria água | medir no local pH, condutividade e temperatura (mudam depois da colheita); filtrar e acidificar conforme o protocolo do laboratório; conservar ao fresco |
| Rochas | a composição do afloramento e da alteração | amostras de mão, lascas (chip) ou canal | amostrar rocha fresca e, à parte, a alteração; registar sempre a litologia |
| Minério | o teor e a mineralogia da própria mineralização (em afloramentos, escombreiras de antigas minas, filões) | amostras seletivas ou em canal | uma amostra seletiva do "melhor bocado" não representa o teor médio; identificar sempre o tipo de amostra |
| Plantas | elementos absorvidos pelas raízes, por vezes a profundidades maiores do que as atingidas pela amostragem de solos | biogeoquímica: a mesma espécie e o mesmo órgão (folhas, ramos, casca) em todos os pontos, na mesma época do ano | espécies e órgãos diferentes concentram os elementos de forma diferente; nunca misturar |
A geobotânica é uma variante que não analisa as plantas em laboratório: observa a presença de espécies tolerantes a metais, a ausência de vegetação ou sintomas como clorose (amarelecimento), que podem indicar solos com teores anómalos. Estes sinais também se procuram, à escala regional, em imagens de satélite (índices de vegetação).
8.7.1 Como se analisam as amostras
- Preparação: secagem, britagem, divisão da amostra (quarteamento) para obter uma porção representativa, e pulverização. Uma má preparação estraga uma boa amostragem.
- Ataque (digestão): a amostra é dissolvida. Um ataque parcial (por exemplo, água-régia) não dissolve todos os minerais; um ataque multiácido é quase total; uma fusão dissolve também minerais resistentes. O tipo de ataque tem de ser o mesmo em toda a campanha, senão os teores não se comparam.
- Medição: habitualmente por espetrometria de plasma (ICP-OES ou ICP-MS), que dá dezenas de elementos de uma vez; para o ouro, usa-se habitualmente o ensaio ao fogo (fire assay).
- Rastreio no campo: o analisador portátil de fluorescência de raios X (pXRF) dá teores aproximados em minutos e ajuda a decidir onde amostrar mais. Tem limitações importantes: mede sobretudo a superfície da amostra e não deteta elementos muito leves, como o lítio. Numa campanha de lítio, o pXRF só pode seguir elementos associados que consegue medir (como Rb, Sn ou Nb), e o Li tem de ser analisado em laboratório.
9. Prospeção geofísica regional
9.1 Métodos e o que cada um mede
A prospeção geofísica mede propriedades físicas do subsolo, a partir da superfície ou do ar, à procura de corpos ou estruturas com contraste físico em relação à rocha envolvente.
| Método | O que o instrumento mede | Propriedade física que gera o contraste | Unidade típica da medida | Bom para |
|---|---|---|---|---|
| Magnetometria | intensidade do campo magnético | suscetibilidade magnética (e magnetização remanescente) das rochas | nT (nanotesla) | minerais magnéticos (magnetite, pirrotite), rochas básicas, estruturas e contactos |
| Gravimetria | aceleração da gravidade | densidade | mGal (miligal) | corpos densos em profundidade, bacias, grandes estruturas |
| Radiometria / espectrometria gama | radiação gama natural | teor em K, U e Th dos primeiros decímetros do terreno | contagens por segundo; % K, ppm eU, ppm eTh | mapeamento litológico à superfície, alteração potássica |
| Resistividade | diferença de potencial com corrente injetada | resistividade elétrica | ohm.m | contrastes litológicos, zonas fraturadas, argilização |
| Polarização induzida (IP) | decaimento da tensão após cortar a corrente | cargabilidade | mV/V ou ms | sulfuretos disseminados |
| Eletromagnéticos | campo secundário induzido | condutividade elétrica | várias (ppm, nT/s, etc.) | corpos condutores (sulfuretos maciços, mas também grafite e água salgada) |
| Sísmica | tempos de chegada de ondas | velocidade de propagação e impedância | m/s | estruturas profundas (uso limitado à escala estratégica) |
Repara na distinção entre as duas colunas do meio: o magnetómetro não mede a suscetibilidade, mede o campo; a suscetibilidade é a propriedade da rocha que faz o campo variar. Da mesma forma, o gravímetro mede a gravidade, e é a densidade dos corpos que a faz variar.
A escolha do método depende sempre da propriedade física que distingue o alvo procurado da rocha envolvente: um método sensível a magnetismo não ajuda a detetar um alvo sem contraste magnético relevante.
9.2 Campanhas regionais: aéreas e terrestres
À escala estratégica, a geofísica é frequentemente aérea (avião ou drone), porque cobre grandes áreas de forma rápida e sistemática. Complementa-se, quando justificado, com geofísica terrestre pontual sobre as zonas de maior interesse.
Cuidados de aquisição:
- Magnetometria: corrigir a variação diurna do campo magnético terrestre com uma estação base fixa, e afastar objetos metálicos (ferramentas, mochilas com fivelas) do equipamento durante a leitura.
- Radiometria: exige calibração periódica do equipamento; a humidade do solo atenua o sinal e deve ser tida em conta na interpretação.
- Métodos elétricos: garantir bom contacto dos elétrodos com o solo, especialmente em terrenos secos ou rochosos.
Os dados brutos são tratados em gabinete e transformados em mapas de anomalias, depois cruzados com a geologia e a geoquímica da mesma área.
9.3 Como se faz e se lê um levantamento aéreo
Aquisição. O avião, helicóptero ou drone voa em linhas paralelas (linhas de voo), orientadas de preferência perpendicularmente à direção geral das estruturas, para as cortar e não as seguir. Voa-se também um conjunto de linhas de controlo (tie lines), perpendiculares às primeiras e mais espaçadas, que servem para nivelar os dados entre linhas. Tenta-se manter uma altura ao solo constante, porque o sinal enfraquece com a distância à fonte; o espaçamento entre linhas escolhe-se em função da dimensão dos alvos (alvos estreitos exigem linhas mais próximas). Os drones voam mais baixo e com linhas mais apertadas, mas cobrem áreas menores.
Produtos da magnetometria. Depois de retirar o campo regional e a variação diurna, obtém-se o mapa do campo magnético anómalo. Usam-se depois transformações que facilitam a leitura:
- Redução ao polo: desloca as anomalias para cima das fontes, que, fora dos polos magnéticos, aparecem desviadas e com uma parte positiva e outra negativa.
- Derivadas (por exemplo, a derivada vertical): realçam as fontes pouco profundas e os contornos, ótimas para seguir falhas, diques e contactos.
Produtos da espectrometria gama. Mapas de K, eU e eTh, e o mapa ternário (K a vermelho, Th a verde, U a azul), que separa litologias num só mapa. Lembrar que o sinal vem apenas dos primeiros decímetros do terreno: um solo transportado ou uma cobertura espessa escondem a rocha de baixo. Anomalias de K acompanhadas de Th baixo podem indicar alteração potássica (enriquecimento em K sem enriquecimento equivalente em Th), um sinal útil em vários modelos hidrotermais.
Eletromagnéticos aéreos. Detetam condutores. Um condutor pode ser um corpo de sulfuretos maciços, mas também xistos grafitosos, falhas com água ou argilas saturadas: cada condutor tem de ser cruzado com a geologia antes de ser considerado alvo.
9.3.1 Exemplo resolvido: dimensionar um levantamento aeromagnético
Situação (hipotética): a área tem 20 km no sentido E-W e 16 km no sentido N-S; as estruturas regionais têm direção aproximadamente E-W. A equipa escolhe linhas de voo com 200 m de espaçamento e linhas de controlo com 2 km de espaçamento.
Resolução passo a passo:
- Orientação: estruturas E-W, logo linhas de voo N-S (perpendiculares), cada uma com 16 km; linhas de controlo E-W, cada uma com 20 km.
- Número de linhas de voo: 20 km ÷ 0,2 km = 100 intervalos, portanto 100 + 1 = 101 linhas (conta-se a linha do bordo inicial).
- Quilómetros de linhas de voo: 101 × 16 km = 1616 km.
- Linhas de controlo: 16 km ÷ 2 km = 8 intervalos, portanto 9 linhas, com 9 × 20 km = 180 km.
- Total a voar: 1616 + 180 = 1796 km-linha (sem contar as viragens e os trânsitos até à área).
O custo dos levantamentos aéreos é, em regra, orçamentado por quilómetro-linha: este cálculo mostra logo que reduzir o espaçamento para metade quase duplica o custo, e é por isso que o espaçamento se escolhe a partir da dimensão do alvo e não "o mais apertado possível".
9.4 Integrar geologia, geoquímica e geofísica
A geofísica regional não substitui o mapa geológico nem a geoquímica: complementa-os com informação sobre o que está abaixo da superfície, que nenhum dos outros dois métodos observa diretamente.
Um alvo é tanto mais robusto quanto mais estes três tipos de indício convergirem no mesmo local: geologia favorável, anomalia geoquímica e resposta geofísica compatível com o modelo. Interpretar uma única anomalia geofísica isolada como depósito confirmado, sem cruzar com os outros dados, é um erro comum e um dos principais motivos de insucesso em campanhas mal conduzidas.
10. Equipamento de trabalho de campo
10.1 Equipamento por função
Cada tipo de trabalho de prospeção estratégica pede o seu próprio equipamento, escolhido em função do método e do objetivo, nunca ao contrário.
| Função | Equipamento |
|---|---|
| Navegação e posicionamento | recetor GNSS, carta topográfica e geológica, bússola de geólogo |
| Amostragem geoquímica | martelo de geólogo, sacos numerados, peneiros, bateia, lupa de campo |
| Geofísica terrestre | magnetómetro, equipamento de resistividade/polarização induzida (conforme o método) |
| Registo | máquina fotográfica com escala, ficha de campo ou dispositivo digital, etiquetas |
| Gabinete | simuladores, software de sistemas de informação geográfica, para planear percursos e tratar dados |
Adaptar o equipamento ao tipo de trabalho é, como já visto no capítulo 3, uma realização explícita do referencial: levar o equipamento errado, ou levar tudo "por precaução" sem planeamento, sobrecarrega e atrasa o trabalho sem melhorar a qualidade dos dados.
10.2 O recetor GNSS no trabalho de campo
O GNSS (sistema global de navegação por satélite: GPS, GLONASS, Galileo, BeiDou) é o instrumento de posicionamento mais usado no campo.
- Um recetor portátil de navegação tem precisão típica de alguns metros; sistemas DGNSS/SBAS (como o EGNOS) melhoram essa precisão.
- É indispensável configurar o recetor no mesmo sistema de coordenadas e datum da carta usada (em Portugal continental, PT-TM06/ETRS89), para que as coordenadas registadas no campo coincidam com as da cartografia de gabinete.
- Devem registar-se sempre os metadados de cada ponto: data, hora, precisão estimada, operador, além das coordenadas.
- A altitude dada pelo GNSS é elipsoidal; a altitude representada nas cartas é ortométrica (referida ao nível médio do mar). A diferença entre as duas, em Portugal, é da ordem das dezenas de metros: nunca se devem comparar diretamente sem aplicar a conversão adequada.
10.3 Preparação do trabalho de campo por priorização de alvos
Preparar o trabalho de campo por priorização de alvos é a primeira realização listada no referencial desta UC, e resume-se a esta sequência:
- Rever os alvos priorizados (capítulo 4) e os objetivos específicos de cada um.
- Confirmar o equipamento necessário para cada alvo, de acordo com o método planeado.
- Planear percursos e logística: acessos, distâncias, tempo disponível, autorização dos proprietários dos terrenos.
- Verificar as condições de segurança: previsão meteorológica, meios de comunicação disponíveis, plano de emergência.
- Deixar o plano de campo registado com uma terceira pessoa: rota prevista e hora de regresso.
Sair para o campo sem confirmar acessos e autorizações é um erro comum que custa dias inteiros de trabalho perdido por um portão fechado ou um proprietário não contactado.
11. Segurança, saúde no trabalho e equipamentos de proteção individual
11.1 Riscos próprios do trabalho de campo
O trabalho de campo em prospeção mineira tem riscos específicos: terrenos irregulares e taludes, o ato de partir rocha com martelo, exposição solar prolongada, isolamento em áreas remotas, e a eventual proximidade de escavações mineiras antigas.
11.2 Equipamentos de proteção individual (EPI)
Utilizar os equipamentos de proteção individual é uma aptidão explícita do referencial desta UC:
- Botas de proteção, adequadas ao tipo de terreno.
- Capacete, obrigatório junto a taludes e frentes rochosas instáveis.
- Óculos de proteção, sempre que se parte rocha com martelo (lascas projetadas são uma causa comum de lesão ocular).
- Proteção solar (chapéu, protetor solar, hidratação) para exposição prolongada.
- Luvas, conforme o tipo de amostra e o terreno.
O EPI não é opcional "porque incomoda": faz parte do procedimento de trabalho, tal como o registo de dados ou a aplicação dos critérios de campo.
11.3 Normas de segurança e saúde no trabalho
Aplicar as normas de segurança e saúde no trabalho é outra aptidão explícita do referencial. Na prática, envolve:
- Trabalhar em pares, sempre que possível, em áreas remotas ou de acesso difícil.
- Deixar sempre um plano de campo com terceiros, com a rota prevista e a hora de regresso.
- Levar meios de comunicação (telemóvel, rádio) e saber recorrer ao 112 em caso de emergência.
- Levar água suficiente e vestuário adequado à exposição solar e ao calor.
- Nunca entrar em poços ou galerias mineiras abandonadas: são competência de entidades especializadas em áreas mineiras degradadas, e representam um dos riscos mais graves do setor.
- Atenção a riscos adicionais do terreno: incêndios, animais (cães, cobras, vespas), e obter sempre autorização dos proprietários antes de entrar em propriedades privadas.
11.4 Em caso de desorientação
Se um técnico se desorientar no campo, o procedimento correto é:
- Parar de imediato, sem continuar a andar ao acaso.
- Reorientar-se com carta, bússola e GNSS.
- Se não for possível reorientar-se, ficar num local visível e pedir ajuda pelos meios de comunicação disponíveis.
É importante nunca ensinar ou seguir a regra de "seguir a linha de água a jusante" para se reorientar: esta prática é uma causa reconhecida de acidentes, porque as linhas de água levam frequentemente a ravinas, taludes íngremes e quedas de água, agravando a situação em vez de a resolver.
11.5 Enquadramento legal
Os depósitos minerais pertencem ao domínio público do Estado, e a sua revelação e aproveitamento seguem um regime jurídico próprio:
- A Lei n.º 54/2015, de 22 de junho, estabelece as bases do regime jurídico da revelação e do aproveitamento dos recursos geológicos.
- O Decreto-Lei n.º 30/2021, de 7 de maio, regulamenta essa lei no que respeita aos depósitos minerais.
- A entidade competente é a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).
O regime prevê direitos sucessivos, que acompanham as fases de um projeto: avaliação prévia, prospeção e pesquisa, exploração experimental e exploração (concessão). A prospeção e pesquisa só pode ser feita ao abrigo de direitos atribuídos por contrato com o Estado, para uma área e um período definidos. A atribuição destes direitos é precedida de publicitação e de participação pública, incluindo sessões de esclarecimento nos municípios abrangidos.
Para o técnico de campo, as consequências práticas são:
- Confirmar, junto do gabinete, que os trabalhos planeados estão cobertos por direitos em vigor para aquela área e aquele período.
- Respeitar as condições do contrato e do plano de trabalhos aprovado (por exemplo, os métodos autorizados e as regras ambientais).
- Os direitos atribuídos pelo Estado não dispensam a autorização dos proprietários para entrar nos terrenos, nem o cumprimento de outras regras (áreas protegidas, património, recursos hídricos).
Os prazos, artigos e procedimentos administrativos concretos consultam-se sempre na versão em vigor dos diplomas e junto da DGEG; não se memorizam de um manual.
12. Caso integrado resolvido: da compilação de dados à seleção de alvos
Este capítulo junta todas as peças num único caso, do princípio ao fim. A área, os dados e os nomes são hipotéticos; o método é o que se aplica num programa real.
12.1 O encargo
O gabinete recebe uma área de 150 km² no interior centro, para prospeção estratégica de volfrâmio (volframite e scheelite). O programa tem direitos de prospeção e pesquisa em vigor e um orçamento que permite passar dois alvos à fase tática.
12.2 Passo 1 · Objetivo e modelo
- Substância alvo: W (com Sn como elemento acompanhante).
- Modelo: filões de quartzo com volframite e cassiterite em metassedimentos, na auréola de um granito, controlados por fraturas.
- Assinatura esperada: W, Sn e As nos sedimentos de corrente a jusante; volframite, cassiterite e scheelite nos concentrados de bateia; fraturas com uma família de direção dominante; granitos com resposta radiométrica própria.
12.3 Passo 2 · Compilação de dados existentes
A equipa reúne, em sistema de informação geográfica:
- A folha da Carta Geológica 1:50 000 com a respetiva notícia explicativa: mostra metassedimentos a norte, um granito a sul e o contacto entre ambos, de direção aproximadamente E-W.
- Relatórios antigos e registos de ocorrências minerais: duas pequenas explorações antigas de volfrâmio, ambas nos metassedimentos, a menos de 2 km do contacto com o granito.
- Topografia e rede hidrográfica, para delimitar bacias.
Conclusão do passo 2: a faixa de metassedimentos junto ao contacto granítico é a zona geologicamente favorável; o interior do granito e os metassedimentos longe do contacto são menos favoráveis para este modelo.
12.4 Passo 3 · Deteção remota
- Lineamentos (relevos sombreados com iluminação de vários azimutes e imagens Sentinel-2): uma família de fraturas NE-SW corta o contacto em dois sítios, que a equipa designa por zona 1 (a oeste) e zona 2 (a leste). Uma terceira concentração de lineamentos (zona 3) fica no interior do granito.
- Razões de bandas: depois de mascarar a vegetação com o NDVI, a razão B11/B12 destaca pequenas manchas na zona 1, compatíveis com minerais de alteração hidroxilados (por exemplo, micas brancas), a confirmar no campo.
12.5 Passo 4 · Geoquímica de sedimentos de corrente
Com o procedimento do capítulo 8, colheram-se 20 amostras de rotina (S01 a S20), uma por sub-bacia, mais as amostras de controlo. Resultados de W (ppm), depois de validados os controlos de qualidade:
| Amostra | W (ppm) | Amostra | W (ppm) | Amostra | W (ppm) | Amostra | W (ppm) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| S01 | 4 | S06 | 5 | S11 | 18 | S16 | 5 |
| S02 | 6 | S07 | 4 | S12 | 4 | S17 | 4 |
| S03 | 5 | S08 | 22 | S13 | 5 | S18 | 6 |
| S04 | 3 | S09 | 6 | S14 | 6 | S19 | 7 |
| S05 | 7 | S10 | 5 | S15 | 3 | S20 | 5 |
Resolução:
- Média = soma ÷ número de amostras = 130 ÷ 20 = 6,5 ppm.
- Desvio-padrão (amostral, calculado em folha de cálculo) ≈ 4,8 ppm.
- Limiar = 6,5 + 2 × 4,8 = 6,5 + 9,6 = 16,1 ppm.
- Anomalias: S08 (22 ppm) e S11 (18 ppm) estão acima do limiar. Todas as outras estão abaixo.
- Verificação crítica: os dois valores altos "inflacionam" a média e o desvio-padrão. Recalculando sem eles, as 18 amostras restantes dão média 5,0 ppm e desvio-padrão ≈ 1,2 ppm, e um limiar de cerca de 5,0 + 2 × 1,2 = 7,4 ppm. Com este limiar mais realista do fundo, o valor mais alto das restantes (7 ppm, em S05 e S19) continua abaixo, e S08 e S11 destacam-se ainda mais. A conclusão mantém-se, mas a equipa regista que o fundo real ronda os 5 ppm.
- Concentrados de bateia: o de S08 tem grãos de volframite; o de S11 não tem minerais pesados de W visíveis à lupa.
- Localização: a bacia de S08 drena a zona 1 (contacto, lineamentos NE-SW e manchas SWIR); a bacia de S11 drena a zona 2 (contacto e lineamentos, sem manchas SWIR).
12.6 Passo 5 · Geofísica regional existente
A equipa dispõe de um levantamento aéreo de espectrometria gama e magnetometria que cobre a área.
- Zona 1: pequena anomalia de K sem subida equivalente de Th, que pode refletir alteração potássica (por exemplo, micas brancas) ao longo das fraturas; resposta moderada.
- Zona 2: sem resposta distinta do fundo; resposta fraca.
- Zona 3: forte lineamento magnético e contraste radiométrico nítido dentro do granito; resposta forte, mas explicável por uma variação interna do próprio granito ou por um dique, sem ligação evidente ao modelo.
12.7 Passo 6 · Integração e priorização
Pontuação de 1 a 3 por indício e pesos decididos à partida a partir do modelo (0,40 geológico, 0,35 geoquímico, 0,25 geofísico; num modelo filoniano de W, a geologia e a geoquímica são mais diagnósticas do que a geofísica):
| Zona | Geológico | Geoquímico | Geofísico | Soma simples | Pontuação ponderada |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 3 (contacto, antigas explorações, fraturas NE-SW, manchas SWIR) | 3 (S08 = 22 ppm, volframite na bateia) | 2 (K sem Th) | 8 | 3 × 0,40 + 3 × 0,35 + 2 × 0,25 = 2,75 |
| 2 | 2 (contacto e fraturas, sem ocorrências conhecidas) | 3 (S11 = 18 ppm) | 1 | 6 | 0,80 + 1,05 + 0,25 = 2,10 |
| 3 | 1 (interior do granito, pouco favorável ao modelo) | 1 (sem anomalia na bacia) | 3 | 5 | 0,40 + 0,35 + 0,75 = 1,50 |
Decisão:
- Zona 1, prioridade 1: convergência de três indícios independentes; passa à fase tática.
- Zona 2, prioridade 2: anomalia geoquímica clara, mas sem minerais de W visíveis na bateia e sem resposta geofísica. Antes de gastar dinheiro tático, justifica uma verificação barata: repetir a amostra S11 e colher sedimentos nos afluentes a montante, para localizar a fonte.
- Zona 3, em carteira: a anomalia geofísica, sozinha, não justifica investimento para este modelo. Fica registada, e será reavaliada se outro modelo (outro metal) vier a interessar ao promotor.
12.8 Passo 7 · Preparar o trabalho de campo seguinte
A partir da lista priorizada prepara-se a saída de campo, como se viu no capítulo 10:
| Alvo | Objetivo da saída | Métodos | Equipamento | Segurança específica |
|---|---|---|---|---|
| Zona 1 | confirmar as manchas SWIR e os filões; medir a atitude das fraturas | cartografia de campo, amostras de rocha e de minério das antigas escombreiras, pXRF para W e Sn | GNSS, bússola de geólogo, martelo, lupa, sacos numerados, pXRF, lâmpada UV de onda curta (scheelite) | capacete e óculos; nunca entrar nas galerias das antigas explorações; bordos de escombreiras instáveis |
| Zona 2 | localizar a fonte da anomalia de S11 | sedimentos de corrente nos afluentes a montante, bateia, duplicado de S11 | GNSS, peneiros, bateia, sacos, fichas | leitos com pedras soltas e escorregadias; trabalho em pares |
Resultado final do programa estratégico: uma lista de alvos com área delimitada, modelo, indícios, pontuação justificada e plano da ação seguinte. É este documento que o gabinete entrega ao promotor.
12.9 O que este caso ensina
- A compilação decidiu logo onde se esperava o alvo (a faixa junto ao contacto), antes de gastar um cêntimo em campo.
- A geoquímica confirmou e localizou; a bateia distinguiu entre uma anomalia com mineral visível (S08) e uma sem ele (S11).
- A geofísica isolada (zona 3) teria levado a investir no sítio errado.
- Os pesos e as pontuações ficaram escritos, o que permite a qualquer pessoa auditar e contestar a decisão.
Erros comuns
- Saltar direto para o campo sem definir objetivos de prospeção nem modelo geológico de referência, o que produz dados sem critério de interpretação.
- Confundir prospeção estratégica com tática: aplicar métodos de detalhe (sondagens, geofísica terrestre densa) numa área ainda não filtrada, gastando recursos antes de saber onde vale a pena investir.
- Usar sempre o mesmo método, por hábito, em vez do método adequado à propriedade física ou geoquímica do alvo procurado.
- Priorizar alvos por um único indício (o mais barato ou mais fácil de medir), ignorando a necessidade de convergência entre indícios independentes.
- Colher amostras geoquímicas junto de fontes de contaminação (estradas, aldeias, pontes), mascarando o sinal geológico natural.
- Tratar qualquer teor "alto" como anomalia, sem calcular o fundo e o limiar estatístico da própria campanha.
- Interpretar uma anomalia geofísica isolada como depósito confirmado, sem cruzar com dados geológicos e geoquímicos.
- Assumir que a carta geológica publicada está completa e atualizada à escala de detalhe do alvo, sem verificação de campo.
- Ignorar o EPI ou as normas de segurança "para ganhar tempo", expondo a equipa a riscos evitáveis.
- Seguir a linha de água a jusante para se reorientar quando perdido: é uma prática perigosa e reconhecida como causa de acidentes.
- Ler razões de bandas sem mascarar a vegetação: a vegetação também tem a razão SWIR1/SWIR2 alta e gera falsos alvos de alteração.
- Procurar alteração argílica com um sensor sem bandas SWIR: os minerais hidroxilados só se distinguem no infravermelho de onda curta.
- Dizer que o magnetómetro mede a suscetibilidade: mede o campo magnético; a suscetibilidade é a propriedade das rochas que o faz variar.
- Usar o pXRF para procurar lítio: o lítio é demasiado leve para ser detetado por fluorescência de raios X; só o laboratório o analisa.
- Mudar o tipo de ataque químico ou a fração peneirada a meio da campanha: os teores deixam de ser comparáveis.
- Calcular o limiar com as anomalias lá dentro sem verificar o efeito: valores muito altos inflacionam o desvio-padrão e podem esconder anomalias mais fracas.
- Confundir direitos de prospeção com autorização para entrar nos terrenos: o contrato com o Estado não dispensa a autorização dos proprietários.
Glossário
- Prospeção estratégica: fase de reconhecimento à escala regional, que reduz uma área alargada a uma lista de alvos priorizados.
- Prospeção tática: fase de detalhe, à escala local, que confirma ou descarta um alvo já selecionado.
- Alvo: área ou ponto identificado como candidato a mineralização, sujeito a investigação adicional.
- Modelo geológico: conjunto de características reconhecidas (rochas hospedeiras, estruturas, alteração, assinatura geoquímica e geofísica) associado a um tipo de mineralização.
- Probabilidade de sucesso: estimativa relativa do potencial de um alvo, obtida por convergência de vários indícios independentes.
- Esquema em planta: representação da geologia vista de cima, sobre base topográfica.
- Esquema em corte: representação da geologia numa secção vertical, mostrando a geometria em profundidade.
- Atitude de um plano: direção e inclinação de uma estrutura geológica, medida com bússola de geólogo.
- Deteção remota: interpretação de imagens de satélite ou fotografia aérea para mapear litologia, estruturas e alteração à distância.
- Sedimento de corrente: fração fina de sedimento colhida em linhas de água, usada na geoquímica regional por resumir o material erodido de uma bacia.
- Concentrado de bateia: minerais pesados separados por densidade (ouro, cassiterite, volframite, scheelite), indicadores de fontes a montante.
- Fundo (background): teor habitual de um elemento numa área sem mineralização relevante.
- Limiar (threshold): valor a partir do qual um teor se considera anómalo.
- Anomalia geoquímica: valor acima do limiar, candidato a alvo.
- Halo de dispersão: área alargada de anomalia geoquímica em torno de uma fonte, primária (em rocha) ou secundária (em sedimentos e solos).
- Magnetometria: método geofísico que mede a intensidade do campo magnético (em nanotesla), cujas variações refletem contrastes de suscetibilidade magnética das rochas.
- Gravimetria: método geofísico que mede variações da aceleração da gravidade (em miligal), causadas por contrastes de densidade.
- Radiometria / espectrometria gama: método geofísico que mede a radioatividade natural do terreno (potássio, urânio, tório).
- GNSS: sistema global de navegação por satélite (GPS, GLONASS, Galileo, BeiDou), usado para posicionamento no campo.
- PT-TM06/ETRS89: sistema de referência de coordenadas oficial em Portugal continental.
- EPI: equipamento de proteção individual (botas, capacete, óculos, entre outros).
- DGEG: Direção-Geral de Energia e Geologia, entidade competente pelos direitos de prospeção e pesquisa em Portugal.
- Lei n.º 54/2015 e Decreto-Lei n.º 30/2021: diplomas que estabelecem as bases do regime dos recursos geológicos e o regulamentam para os depósitos minerais.
- Razão de bandas: divisão de uma banda espectral por outra, usada em deteção remota para realçar absorções de minerais (por exemplo, óxidos de ferro ou minerais hidroxilados).
- SWIR: infravermelho de onda curta (cerca de 1,3 a 2,5 µm), zona do espetro onde se detetam argilas, micas brancas e carbonatos da alteração hidrotermal.
- NDVI: índice de vegetação, usado para mascarar a vegetação antes de interpretar razões minerais.
- Linhas de controlo (tie lines): linhas de voo perpendiculares às principais, usadas para nivelar os dados de um levantamento aéreo.
- Biogeoquímica: análise química de tecidos vegetais para detetar elementos absorvidos a partir do solo e da rocha.
- Geobotânica: uso da presença, ausência ou estado da vegetação como indicador de solos com teores anómalos.
- pXRF: analisador portátil de fluorescência de raios X, usado para rastreio no campo; não deteta elementos muito leves como o lítio.
Síntese
Um programa de prospeção estratégica segue sempre a mesma lógica de funil: definir objetivos e modelo geológico → compilar dados existentes e cartografia → deteção remota → reconhecimento de campo, com critérios e equipamento adequados → geoquímica regional (sedimentos de corrente, solos) → geofísica regional (magnetometria, radiometria, métodos elétricos, entre outros) → integrar geologia, geoquímica e geofísica em esquemas de planta e corte → priorizar alvos por probabilidade de sucesso, cruzando indícios independentes. Todo o trabalho de campo é conduzido com rigor no registo, equipamentos de proteção individual e normas de segurança, sempre em conformidade com os direitos de prospeção atribuídos. O resultado final é uma lista de alvos justificados e priorizados, pronta para a prospeção tática.
Exercícios resolvidos
1. Distingue prospeção estratégica de prospeção tática, com um exemplo de cada.
Resolução: a prospeção estratégica trabalha à escala regional, com dados existentes, deteção remota e amostragem de malha alargada (por exemplo, geoquímica de sedimentos de corrente numa bacia de 40 km²); reduz uma área grande a uma lista de alvos. A prospeção tática trabalha à escala local, num alvo já selecionado, com geofísica terrestre densa, trincheiras e sondagens, para confirmar ou descartar esse alvo específico.
2. Uma equipa identificou dois alvos com os seguintes indícios: Alvo X, geológico forte, geoquímico fraco, geofísico moderado; Alvo Y, geológico moderado, geoquímico forte, geofísico forte. Qual avança primeiro para a fase tática, e porquê?
Resolução: convertendo fraco/moderado/forte em 1/2/3, o Alvo X soma 3+1+2 = 6 e o Alvo Y soma 2+3+3 = 8. O Alvo Y avança primeiro: além da pontuação mais alta, tem convergência de dois indícios fortes (geoquímico e geofísico), o que reduz mais a incerteza do que um único indício geológico forte isolado.
3. Uma campanha de sedimentos de corrente deu média 30 ppm e desvio-padrão 8 ppm para um elemento. Um ponto apresentou 50 ppm. É uma anomalia?
Resolução: limiar = média + 2 × desvio-padrão = 30 + 2 × 8 = 30 + 16 = 46 ppm. Como 50 ppm > 46 ppm, o ponto está acima do limiar e classifica-se como anomalia geoquímica, candidata a investigação adicional na sub-bacia correspondente.
4. Porque é que a linha de corte de um esquema geológico deve ser, idealmente, perpendicular à direção das estruturas?
Resolução: porque um corte oblíquo à direção real das estruturas mostra uma inclinação aparente, mais suave do que a inclinação verdadeira medida no campo. Um corte perpendicular à direção mostra a inclinação real, o que é indispensável para avaliar corretamente a geometria em profundidade de um alvo.
5. Que EPI é indispensável ao partir rocha com martelo de geólogo, e porquê?
Resolução: os óculos de proteção, porque as lascas de rocha projetadas pelo impacto do martelo são uma causa comum de lesão ocular em trabalho de campo geológico.
6. Um técnico perde-se no campo. Que procedimento deve seguir, e que erro deve evitar?
Resolução: deve parar, reorientar-se com carta, bússola e GNSS, e, se não conseguir, ficar num local visível e pedir ajuda pelos meios de comunicação disponíveis. Deve evitar seguir a linha de água a jusante, uma prática perigosa que pode levar a ravinas, taludes e quedas de água.
7. Porque é que a geofísica regional, por si só, não deve ser interpretada como confirmação de um depósito?
Resolução: porque a geofísica mede propriedades físicas do subsolo (magnetismo, densidade, condutividade), que podem ter várias origens geológicas, nem todas associadas a mineralização. Só a convergência com indícios geológicos e geoquímicos independentes dá confiança suficiente para priorizar um alvo.
8. Numa imagem Sentinel-2, um píxel tem B11 = 0,30 e B12 = 0,20, e NDVI = 0,10. Outro píxel tem B11 = 0,24 e B12 = 0,14, e NDVI = 0,75. Qual deles merece verificação de campo como possível zona de alteração?
Resolução: razão B11/B12 do primeiro = 0,30 / 0,20 = 1,5; do segundo = 0,24 / 0,14 ≈ 1,71. O segundo tem a razão mais alta, mas NDVI = 0,75 indica vegetação densa, que também faz subir esta razão: é um falso alvo. O primeiro píxel, sobre terreno quase descoberto (NDVI = 0,10), é o candidato a verificar no campo, onde se confirma se há de facto minerais de alteração (argilas, micas brancas).
9. Uma área de 90 km² vai ser reconhecida com sedimentos de corrente, à densidade de 1 amostra por 1,5 km², com um duplicado de campo, um branco e um padrão certificado por cada 20 amostras de rotina. Quantas amostras seguem para o laboratório?
Resolução: amostras de rotina = 90 ÷ 1,5 = 60. Controlos: 60 ÷ 20 = 3 de cada tipo, 3 × 3 = 9. Total = 60 + 9 = 69 amostras.
10. Com pesos 0,40 (geológico), 0,35 (geoquímico) e 0,25 (geofísico), calcula a pontuação ponderada de um alvo com indícios 2, 2 e 3, e compara-a com a de um alvo com indícios 3, 1 e 2.
Resolução: primeiro alvo = 2 × 0,40 + 2 × 0,35 + 3 × 0,25 = 0,80 + 0,70 + 0,75 = 2,25. Segundo alvo = 3 × 0,40 + 1 × 0,35 + 2 × 0,25 = 1,20 + 0,35 + 0,50 = 2,05. Ambos têm soma simples 7, mas com estes pesos o primeiro fica à frente, porque tem indícios mais equilibrados e a geoquímica do segundo é fraca.
11. Que diplomas e que entidade enquadram a prospeção e pesquisa de depósitos minerais em Portugal, e o que tem o técnico de confirmar antes de sair para o campo?
Resolução: a Lei n.º 54/2015 (bases do regime dos recursos geológicos) e o Decreto-Lei n.º 30/2021 (que a regulamenta para os depósitos minerais), com a DGEG como entidade competente. O técnico confirma que existem direitos de prospeção e pesquisa em vigor, atribuídos por contrato, para aquela área e período, e que tem a autorização dos proprietários dos terrenos onde vai entrar.