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UC · Unidade de Competência · UC01801

Projetar soluções de armazenamento de energia (UC01801)

Tecnologias de armazenamento, baterias, hidrogénio, BMS, protocolos de comunicação, dimensionamento e integração com geração renovável
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Instalações Elétricas, T. Redes Elétricas ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.

Introdução

Esta sebenta ensina a projetar soluções de armazenamento de energia para instalações elétricas: escolher a tecnologia certa para cada necessidade, dimensionar a capacidade e a potência, integrar o sistema com a geração renovável e com a rede, e configurar o sistema de gestão de baterias (BMS) que o mantém seguro e a funcionar bem durante anos. O projetista de instalações elétricas deixa de pensar apenas em "ligar cargas" e passa a pensar em quando a energia é produzida, quando é consumida e onde pode esperar entre os dois momentos.

O percurso segue o raciocínio de um projeto real: perceber os princípios e tipos de armazenamento, conhecer as tecnologias (baterias, supercondensadores, hidrogénio e outras), estudar os tipos de baterias e os seus parâmetros, avaliar eficiência e degradação, compreender a arquitetura do BMS e os protocolos de comunicação (CAN, Modbus, SMBus), integrar com sistemas fotovoltaicos, eólicos e veículos elétricos, dimensionar e otimizar a bateria e, por fim, monitorizar e controlar o sistema em exploração, sempre no respeito pelas regras e normas aplicáveis.

Objetivos de aprendizagem (referencial): selecionar tecnologias de armazenamento de energia; dimensionar, integrar e otimizar sistemas de armazenamento de energia; e desenvolver e configurar sistemas de BMS, propondo soluções seguras e eficientes, maximizando a eficiência energética na integração com geração renovável, adequando protocolos e configurações e integrando sistemas de monitorização da performance e eficiência.

Nota sobre as regras. As atividades de projeto, execução e exploração de instalações elétricas exercem-se em conformidade com a Lei n.º 14/2015, de 16 de fevereiro, que fixa os requisitos de acesso e exercício da atividade das entidades e dos profissionais responsáveis pelas instalações elétricas. As instalações de baixa tensão seguem as Regras Técnicas das Instalações Elétricas de Baixa Tensão (RTIEBT), e a produção e o armazenamento para autoconsumo seguem o regime do autoconsumo e o regulamento aplicável da ERSE, sempre na redação em vigor. Nesta sebenta, os valores numéricos de diplomas não são citados de memória: consulta sempre o texto atualizado no Diário da República ou na entidade competente (DGEG, ERSE, operador da rede de distribuição).

1. Princípios e tipos de armazenamento de energia

Porque se armazena energia

A eletricidade é difícil de guardar tal como é: a rede tem de equilibrar, a cada instante, o que se produz com o que se consome. Com a entrada em força da produção renovável (solar e eólica), que depende do sol e do vento e não da procura, esse equilíbrio ficou mais exigente. O armazenamento é a forma de desfasar a produção do consumo: guarda-se quando há excesso, devolve-se quando há falta.

Para o projetista, o armazenamento responde a seis necessidades típicas:

Aplicação O que se pretende Escala de tempo típica Exemplo
Aumento do autoconsumo guardar o excedente solar do dia para usar ao fim da tarde e à noite horas moradia com painéis fotovoltaicos
Arbitragem tarifária carregar quando a energia é barata e descarregar quando é cara horas PME com tarifa tri-horária
Redução de pontas (peak shaving) cortar os picos de potência para reduzir a potência contratada minutos a horas indústria com picos de arranque de motores
Alimentação de emergência (backup) manter cargas críticas durante uma falha da rede minutos a horas servidor, iluminação de segurança, bombas
Qualidade e estabilidade responder em frações de segundo a quedas de tensão ou variações de frequência segundos linha de produção sensível, serviços de rede
Apoio à rede e a comunidades adiar reforços de rede, partilhar energia local horas a dias comunidade de energia, subestação

Um mesmo sistema pode acumular várias funções, mas cada função pede características diferentes. Um sistema de backup quer reserva constante e fiabilidade; um de arbitragem quer muitos ciclos e boa eficiência; um de qualidade de energia quer potência elevada e resposta instantânea. Escolher a tecnologia começa por escolher a função.

Energia, potência e as unidades do armazenamento

Dois conceitos são a base de qualquer dimensionamento e confundem-se com muita frequência:

A relação é E = P × t. Uma carga de 2 kW que funcione 3 h consome 6 kWh. Para converter: 1 Wh = 3600 J, logo 1 kWh = 3,6 MJ.

Uma tecnologia de armazenamento tem duas medidas independentes: a capacidade de energia (quantos kWh guarda) e a potência máxima (quantos kW consegue entregar). A razão entre elas dá a duração de descarga a potência máxima: uma bateria de 10 kWh com inversor de 5 kW dura, no máximo, 2 h a plena potência. Em algumas tecnologias as duas medidas desacoplam-se (nas baterias de fluxo e no hidrogénio, a potência depende do equipamento de conversão e a energia depende do tamanho dos reservatórios); noutras estão presas uma à outra (numa bateria de iões de lítio, a potência depende do número de células em paralelo).

Famílias de armazenamento

Classifica-se o armazenamento pela forma de energia em que se guarda:

Família Como guarda Exemplos
Mecânico energia potencial (altura, pressão) ou cinética (rotação) hídrica reversível, ar comprimido (CAES), volante de inércia
Eletroquímico reações químicas reversíveis nos elétrodos baterias de chumbo-ácido, iões de lítio, sódio, níquel; baterias de fluxo
Químico ligações químicas de um combustível sintético hidrogénio, amoníaco, metano sintético
Elétrico campo elétrico ou magnético supercondensadores, bobinas supercondutoras (SMES)
Térmico calor ou frio acumulado água quente, sais fundidos, materiais de mudança de fase, gelo

Características para comparar tecnologias

Para escolher, comparam-se sempre as mesmas características:

Exemplo resolvido · Energia guardada numa central hídrica reversível

Uma central hídrica reversível bombeia água para uma albufeira superior e turbina-a quando é preciso. Quanta energia fica guardada em 1 000 000 m³ de água situados 300 m acima da turbina? (densidade da água 1000 kg/m³, g = 9,81 m/s²)

  1. Massa de água: m = 1 000 000 m³ × 1000 kg/m³ = 1 × 10⁹ kg.
  2. Energia potencial: E = m × g × h = 1 × 10⁹ × 9,81 × 300 = 2,943 × 10¹² J.
  3. Em MWh: 2,943 × 10¹² ÷ 3,6 × 10⁹ = 817,5 MWh (1 MWh = 3,6 × 10⁹ J).
  4. Com rendimento de turbinagem de 90 %: 817,5 × 0,90 ≈ 736 MWh entregues.

O cálculo mostra porque é que a hídrica reversível domina o armazenamento de grande escala: com água e altura, guarda-se a energia de centenas de milhares de moradias durante horas.

Exemplo resolvido · Que tecnologia para cada função?

Três pedidos chegam ao gabinete de projeto:

Raciocínio: A pede potência e ciclagem, não energia: supercondensadores (ou volante). B pede algumas horas de energia, com ciclo diário: baterias de iões de lítio (tipicamente LFP, pela segurança e pelos ciclos). C pede energia sazonal, para a qual nenhuma bateria é económica: hidrogénio (ou outro vetor químico), aceitando a baixa eficiência de ida e volta.

2. Tecnologias de armazenamento: baterias, supercondensadores, hidrogénio e outras

Baterias eletroquímicas

Uma bateria converte energia química em elétrica e vice-versa. É a tecnologia dominante nas instalações de baixa tensão porque é modular, silenciosa, tem resposta rápida e boa eficiência. Divide-se em muitas químicas (capítulo 5), mas todas partilham a lógica: cada célula tem dois elétrodos (ânodo e cátodo) separados por um eletrólito (e por um separador); ao descarregar, os iões migram de um elétrodo para o outro e os eletrões percorrem o circuito exterior; ao carregar, o processo inverte-se.

Vantagens: eficiência elevada (acima de 90 % nas de iões de lítio), resposta em milissegundos, instalação em qualquer sítio, escala flexível. Limitações: vida limitada em ciclos e em anos, perda de capacidade com o tempo, sensibilidade à temperatura, exigência de um BMS e riscos de segurança (em especial o descontrolo térmico nas de lítio).

Supercondensadores

Um supercondensador (ou ultracondensador) guarda energia num campo elétrico, na dupla camada à superfície de elétrodos de carvão poroso, sem reação química. A energia guardada é

E = ½ · C · V²

Cada célula suporta apenas cerca de 2,7 V, pelo que se ligam várias em série (e em paralelo). Características: densidade de potência muito elevada, carga e descarga em segundos, centenas de milhar a milhões de ciclos, grande robustez à temperatura; mas a densidade de energia é baixa (uma fração da de uma bateria) e a tensão cai de forma linear à medida que descarrega. Aplicam-se a picos curtos, travagem regenerativa, arranque de motores, ponte para o arranque de um gerador e filtragem de variações rápidas de uma fonte renovável.

Hidrogénio

O hidrogénio é um vetor energético: não existe livre na natureza, tem de ser produzido (por exemplo por eletrólise da água, usando eletricidade), armazenado e depois reconvertido em eletricidade (numa célula de combustível) ou usado diretamente como combustível ou matéria-prima. Como armazenamento elétrico, tem uma vantagem única, a de separar a potência da energia e de permitir armazenar grandes quantidades durante meses, e uma desvantagem séria: a eficiência de ida e volta é baixa, de cerca de 30 % da eletricidade à eletricidade (28 % no exemplo ilustrativo do capítulo 4). Os capítulos 3 e 4 tratam-no em detalhe.

Outras tecnologias

Tecnologia Princípio Pontos fortes Limitações
Hídrica reversível bombeia água para cima e turbina-a ao descer grande escala, longa vida, eficiência de 70 % a 85 % exige relevo e água, obras pesadas
Ar comprimido (CAES) comprime ar em cavernas e expande-o numa turbina grande escala, longa duração pede geologia adequada, eficiência moderada
Volante de inércia massa em rotação que armazena energia cinética potência alta, muitos ciclos, resposta imediata duração curta, perdas por atrito
Bateria de fluxo (ex.: redox de vanádio) eletrólitos líquidos em depósitos bombeados por uma pilha potência e energia independentes, muitos ciclos densidade de energia baixa, sistema volumoso
Armazenamento térmico calor em água, sais fundidos ou materiais de mudança de fase barato, ótimo para calor e frio não devolve eletricidade com facilidade
Bobina supercondutora (SMES) campo magnético numa bobina arrefecida resposta imediata custo e arrefecimento, uso residual

Armazenamento térmico no edifício

Em edifícios, o armazenamento mais barato nem é elétrico: um depósito de água quente aquecido por uma termobomba ou por resistência quando há excedente solar guarda energia a um custo por kWh muito inferior ao de uma bateria. Antes de propor baterias, o projetista deve perguntar se parte da carga (águas quentes, climatização) pode deslocar-se no tempo em vez de se armazenar eletricamente. Em muitos casos, a gestão de cargas e o armazenamento térmico complementam a bateria.

Exemplo resolvido · Banco de supercondensadores

Pretende-se um banco com 48 V nominais para suportar picos. Cada célula é de 3000 F e 2,7 V. Quantas células em série e que energia guarda o banco?

  1. Células em série: 48 ÷ 2,7 = 17,8 → 18 células, o que dá 18 × 2,7 = 48,6 V máximos.
  2. Capacidade do conjunto em série: C = 3000 ÷ 18 = 166,7 F.
  3. Energia total: E = ½ × 166,7 × 48,6² = ½ × 166,7 × 2361,96 ≈ 196 830 J ≈ 54,7 Wh.
  4. Energia utilizável, se se permitir descer só até metade da tensão (24,3 V): E = ½ × 166,7 × (48,6² - 24,3²) = ½ × 166,7 × 1771,5 ≈ 147 620 J ≈ 41 Wh, ou seja, 75 % da energia total.

Conclusão: o banco guarda pouca energia (41 Wh, o que alimenta 1 kW durante cerca de 2,5 min) mas entrega-a quase de imediato. É uma tecnologia de potência, não de energia.

Quadro comparativo para decisão

Critério Chumbo-ácido Iões de lítio Supercondensador Hidrogénio (eletrólise + célula) Hídrica reversível
Densidade de energia baixa alta muito baixa alta em massa, baixa em volume (gás) muito baixa
Eficiência de ida e volta 75 % a 85 % 90 % a 95 % 95 % ou mais cerca de 30 % (28 % no exemplo do capítulo 4) 70 % a 85 %
Duração típica horas horas segundos dias a meses horas a dias
Ciclos centenas a poucos milhares milhares centenas de milhares depende dos equipamentos dezenas de milhar
Escala kWh a MWh kWh a centenas de MWh Wh a kWh kWh a GWh GWh

Os valores são ordens de grandeza para comparação. No projeto real usam-se sempre os valores da folha de dados do equipamento escolhido.

3. Produção, armazenamento e transporte de hidrogénio

Propriedades que condicionam tudo

O hidrogénio (H₂) é o elemento mais leve e tem propriedades que ditam as técnicas de produção, armazenamento e segurança:

Métodos de produção

Método Como funciona Emissões Observações
Eletrólise da água corrente elétrica separa H₂O em H₂ e O₂ nulas na produção se a eletricidade for renovável principal via do armazenamento de eletricidade
Reformação de metano a vapor (SMR) gás natural + vapor dá H₂ e CO₂ CO₂ emitido o método industrial mais comum
Gasificação carvão ou biomassa dá gás de síntese, depois H₂ CO₂ elevado (carvão) ou neutro (biomassa) industrial, em grande escala
Pirólise do metano decomposição térmica dá H₂ e carbono sólido carbono em vez de CO₂ em desenvolvimento
Subproduto industrial cloro-alcali e refinarias variável quantidades limitadas

A indústria usa cores convencionais para identificar a origem do hidrogénio. São convenções de uso comum, não classificações legais: verde (eletrólise com eletricidade renovável), cinzento (reformação de gás natural sem captura de carbono), azul (reformação com captura e armazenamento de carbono), castanho/preto (gasificação de carvão), turquesa (pirólise do metano). Para o armazenamento de energia renovável, interessa o verde.

Os três tipos de eletrolisador

Tipo Eletrólito Temperatura Características
Alcalino (AEL) solução de hidróxido de potássio 60 a 80 °C tecnologia madura e barata, resposta mais lenta a variações de carga
Membrana de troca protónica (PEM) polímero sólido 50 a 80 °C arranque rápido, boa para renováveis intermitentes, usa materiais caros
Óxido sólido (SOEC) cerâmica 700 a 850 °C muito eficiente se houver calor disponível, ainda em maturação

A energia mínima teórica para separar a água corresponde a cerca de 39,4 kWh por kg de H₂ (PCS), mas os sistemas reais consomem tipicamente 50 a 55 kWh/kg com os auxiliares, ou seja, eficiências de 65 % a 80 % sobre o PCS.

Exemplo resolvido · Eletricidade para produzir hidrogénio

Um eletrolisador consome 52 kWh por kg de H₂. Quanta eletricidade é necessária para produzir 10 kg e quanta energia útil (PCI) contêm?

  1. Eletricidade: 10 × 52 = 520 kWh.
  2. Energia no hidrogénio (PCI 33,3 kWh/kg): 10 × 33,3 = 333 kWh.
  3. Eficiência da produção sobre o PCI: 333 ÷ 520 = 0,64, ou seja, 64 %.

Esta perda inicial é o primeiro motivo para a baixa eficiência de ida e volta do hidrogénio. A segunda perda vem da compressão e a terceira da reconversão numa célula de combustível.

Armazenamento de hidrogénio

Forma Como se faz Densidade típica Notas
Gás comprimido cilindros ou depósitos a 200 a 350 bar (estacionário e veículos pesados) ou 700 bar (automóveis) cerca de 40 kg/m³ a 700 bar a mais comum; a compressão gasta energia
Hidrogénio líquido arrefecido a cerca de -253 °C (20 K) cerca de 71 kg/m³ consome energia na liquefação; perdas por evaporação (boil-off)
Hidretos metálicos o H₂ liga-se a um metal em condições moderadas alta por volume seguro e compacto, mas pesado e lento
Portadores químicos (LOHC, amoníaco) o H₂ fica ligado a um líquido orgânico ou ao azoto elevada transporte à pressão ambiente; exige reação para libertar o H₂
Cavernas de sal gás em cavidades subterrâneas grande escala armazenamento sazonal

Transporte de hidrogénio

Segurança com hidrogénio

As regras de segurança derivam das propriedades:

  1. Ventilação natural ou forçada, com saídas no ponto mais alto do espaço.
  2. Deteção de fugas com sensores de hidrogénio (e deteção de chama), porque os sentidos não o detetam.
  3. Eliminação de fontes de ignição e equipamento adequado a atmosferas explosivas (zonas ATEX) quando exista risco de mistura inflamável.
  4. Ligação à terra e prevenção de eletricidade estática.
  5. Válvulas de segurança, dispositivos de alívio de pressão e distâncias de segurança.
  6. Pessoal formado, com EPI e procedimentos de emergência definidos.
  7. Equipamentos sob pressão, instalados e inspecionados segundo a regulamentação aplicável.

Exemplo resolvido · Volume de um depósito de hidrogénio

Quanto volume ocupam 10 kg de H₂ a 350 bar e a 700 bar? (use-se, por aproximação, 24 kg/m³ a 350 bar e 40 kg/m³ a 700 bar)

  1. A 350 bar: V = 10 ÷ 24 ≈ 0,42 m³ = 420 L.
  2. A 700 bar: V = 10 ÷ 40 = 0,25 m³ = 250 L.
  3. À pressão atmosférica, cerca de 0,09 kg/m³, os mesmos 10 kg ocupariam perto de 110 m³.

O exemplo mostra que a densidade volumétrica baixa é o grande desafio do hidrogénio, e que comprimir poupa espaço mas custa energia e exige reservatórios mais robustos.

4. Aplicações do hidrogénio no setor energético

As quatro grandes utilizações

O hidrogénio entra no setor energético por quatro portas:

  1. Armazenamento de eletricidade (power-to-hydrogen-to-power): produz-se com excedentes renováveis e reconverte-se quando faltam.
  2. Combustível para mobilidade: autocarros, camiões, comboios, empilhadores e alguns automóveis, com células de combustível.
  3. Matéria-prima e calor industrial: refinação, amoníaco, aço, químicos e calor de alta temperatura.
  4. Injeção na rede de gás (power-to-gas): mistura com gás natural, ou conversão em metano sintético.

Células de combustível

Uma célula de combustível faz o inverso do eletrolisador: combina hidrogénio e oxigénio e produz eletricidade, água e calor, sem combustão. As mais relevantes:

Tipo Eletrólito Temperatura Uso típico
PEMFC (membrana de troca protónica) polímero 60 a 80 °C veículos, alimentação de emergência, residencial
AFC (alcalina) hidróxido de potássio 60 a 90 °C aplicações especiais
PAFC (ácido fosfórico) ácido fosfórico cerca de 200 °C cogeração estacionária
SOFC (óxido sólido) cerâmica 600 a 1000 °C cogeração, produção estacionária

A eficiência elétrica de uma célula de combustível PEM é tipicamente de 40 % a 60 % sobre o PCI, e pode subir muito mais se o calor também for aproveitado (cogeração).

Exemplo resolvido · Eletricidade a partir de um quilograma de hidrogénio

Uma célula de combustível PEM com eficiência elétrica de 50 % consome 1 kg de H₂. Que energia elétrica fornece e que potência média sustenta durante 4 h?

  1. Energia no hidrogénio: 1 kg × 33,3 kWh/kg = 33,3 kWh (PCI).
  2. Energia elétrica: 33,3 × 0,50 = 16,65 kWh.
  3. Potência média em 4 h: 16,65 ÷ 4 ≈ 4,16 kW.

Eficiência de ida e volta do hidrogénio

Encadeando as perdas de uma instalação típica (valores ilustrativos): eletrolisador 65 %, compressão e armazenamento 90 %, célula de combustível 50 %, conversor 95 %. A eficiência total é 0,65 × 0,90 × 0,50 × 0,95 = 0,278, cerca de 28 %. Em cada 100 kWh de excedente solar, regressam menos de 30 kWh. Numa bateria de iões de lítio regressariam 90 kWh ou mais. O hidrogénio só compensa quando a duração e a escala do armazenamento inviabilizam as baterias, ou quando o hidrogénio é usado para outros fins (mobilidade, indústria) que a bateria não serve.

Quando o hidrogénio faz sentido numa instalação

Para uma moradia ou uma PME comum, as baterias de iões de lítio continuam a ser a escolha mais económica.

Enquadramento e segurança

A instalação de equipamentos de hidrogénio está sujeita a regras de licenciamento, de segurança contra incêndio, de equipamentos sob pressão e de atmosferas explosivas. As normas internacionais cobrem, por exemplo, a qualidade do hidrogénio para células de combustível e as estações de abastecimento. O projetista consulta sempre as normas e a regulamentação na versão em vigor e as indicações do fabricante antes de propor qualquer instalação com hidrogénio.

5. Tipos de baterias

Chumbo-ácido

É a bateria mais antiga e a mais reciclada. Cada célula tem tensão nominal de 2 V; uma bateria "de 12 V" tem seis células em série. Existem versões abertas (ventiladas, precisam de reposição de água), seladas reguladas por válvula (VRLA), em tecnologia AGM (eletrólito absorvido em fibra de vidro) ou gel, e as "estacionárias" para ciclagem diária.

Iões de lítio

Família dominante nos sistemas novos. Os iões de lítio deslocam-se entre um cátodo (óxido metálico ou fosfato) e um ânodo de grafite. As químicas diferem muito:

Química Tensão nominal por célula Pontos fortes Pontos fracos
LFP (fosfato de ferro e lítio) 3,2 V muito segura, vida longa (milhares de ciclos), estável termicamente densidade de energia menor
NMC (níquel, manganês, cobalto) 3,6 a 3,7 V densidade de energia alta menos estável termicamente, usa cobalto
NCA (níquel, cobalto, alumínio) 3,6 V densidade de energia muito alta exige gestão térmica cuidada
LTO (titanato de lítio no ânodo) 2,3 a 2,4 V carga muito rápida, vida muito longa, bom a baixas temperaturas densidade de energia baixa, custo alto
LCO (óxido de cobalto) 3,7 V elevada energia em eletrónica portátil pouca vida e estabilidade

Para armazenamento estacionário em edifícios, a escolha mais frequente é LFP, pela segurança e pelos ciclos. Para veículos, onde peso e volume contam, predomina o NMC.

Sódio

As baterias de iões de sódio usam sódio, abundante e barato, em vez de lítio. A tensão nominal é de cerca de 3 V por célula. Têm bom desempenho a baixas temperaturas, segurança térmica favorável e dispensam lítio, cobalto e cobre no coletor. A densidade de energia é inferior à das de lítio (comparável a LFP ou menor), e a tecnologia é mais recente, com menos histórico no terreno. Existem também as baterias de alta temperatura sódio-enxofre (NaS), que operam por volta dos 300 °C e se usam em armazenamento de rede de grande escala, e as sódio-cloreto de níquel.

Níquel-cádmio e níquel-hidreto metálico

Células de 1,2 V. As de NiCd são robustas, toleram temperaturas extremas e descargas profundas, e duram décadas em aplicações como iluminação de emergência e subestações, mas contêm cádmio, metal tóxico, com restrições de utilização. As de NiMH têm mais energia e ausência de cádmio, mas autodescarga elevada.

Baterias de fluxo

Guardam a energia em dois eletrólitos líquidos (por exemplo, sais de vanádio) em depósitos separados, bombeados por uma pilha onde ocorre a reação. Potência (tamanho da pilha) e energia (volume dos depósitos) dimensionam-se separadamente. Têm vida muito longa em ciclos e pouca degradação, mas ocupam muito espaço e têm densidade baixa. Convêm a armazenamentos de várias horas, em instalações fixas.

Quadro comparativo

Parâmetro Chumbo-ácido LFP NMC Sódio (iões) NiCd Fluxo (vanádio)
Tensão nominal por célula 2 V 3,2 V 3,6 a 3,7 V cerca de 3 V 1,2 V cerca de 1,4 V
Densidade de energia (Wh/kg, ordem de grandeza) 30 a 50 90 a 160 150 a 250 100 a 160 40 a 60 15 a 30
Ciclos (a 80 % DOD) 300 a 1500 3000 a 6000 1000 a 3000 2000 a 4000 1000 a 3000 mais de 10 000
Eficiência de ida e volta 75 % a 85 % 92 % a 97 % 90 % a 95 % 85 % a 92 % 70 % a 80 % 65 % a 80 %
Segurança térmica boa muito boa exige cuidado boa boa muito boa
Manutenção média nenhuma nenhuma nenhuma média média

Os valores são intervalos genéricos de comparação. Para projeto, valem sempre os da folha de dados e da garantia do fabricante.

Exemplo resolvido · Quantas células para uma bateria de 48 V

Que associação de células LFP (3,2 V, 100 Ah) dá uma bateria de cerca de 48 V e 200 Ah?

  1. Número de células em série para 48 V: 48 ÷ 3,2 = 15 células. É usual 16 células, que dão 51,2 V nominais (compatível com muitos inversores de "48 V").
  2. Capacidade 200 Ah com células de 100 Ah: 2 ramos em paralelo.
  3. Total de células: 16 × 2 = 32 células (configuração 16S2P).
  4. Energia nominal: 51,2 V × 200 Ah = 10 240 Wh ≈ 10,24 kWh.

Regra: células em série somam tensão; células em paralelo somam capacidade (corrente).

Exemplo resolvido · Escolher a química para três aplicações

A regra de ouro: a função e o ambiente decidem a química, não a moda.

6. Características e parâmetros das baterias

Capacidade e energia

A capacidade (C) mede-se em ampere-hora (Ah): a carga que a bateria entrega. A energia em watt-hora obtém-se multiplicando pela tensão nominal: E (Wh) = C (Ah) × U (V). Uma bateria de 100 Ah a 51,2 V guarda 5120 Wh = 5,12 kWh. Distingue-se a capacidade nominal (a da etiqueta) da capacidade útil (a que se pode realmente usar, que depende da profundidade de descarga e do estado de saúde) e da capacidade disponível hoje (que varia com a temperatura e a corrente).

Tensão nominal e janela de tensão

A tensão nominal é um valor de referência (3,2 V numa célula LFP). A tensão real varia com o estado de carga e a corrente: por exemplo, uma célula LFP vai de cerca de 2,5 V (vazia) a 3,65 V (carregada). A curva de descarga é quase plana nas LFP, o que torna a tensão um mau indicador do estado de carga, ao contrário das de chumbo, onde a tensão desce de forma mais proporcional.

Profundidade de descarga (DOD) e estado de carga (SOC)

O fabricante indica um DOD máximo recomendado (cerca de 50 % no chumbo-ácido, 80 % a 100 % nas de lítio). Descarregar além disso reduz a vida da bateria.

Taxa de carga e descarga (C-rate)

O C-rate exprime a corrente em relação à capacidade: C-rate = I / C. Uma bateria de 100 Ah descarregada com 50 A funciona a 0,5 C; com 100 A, a 1 C; com 200 A, a 2 C. Como a duração é o inverso (1 C esgota em 1 h, 0,5 C em 2 h), o C-rate fala da rapidez do processo. Cada bateria tem C-rate máximo contínuo e de pico para carga e descarga; as de armazenamento doméstico trabalham tipicamente entre 0,2 C e 0,5 C.

Ciclos de vida

Um ciclo é uma carga seguida de uma descarga. O número de ciclos de vida é quantos ciclos a bateria faz até a capacidade descer a um limite do fim de vida (normalmente 80 % da inicial), numa dada profundidade de descarga e temperatura. O número cai muito com o DOD: em geral, descarregar a metade duplica ou mais que duplica os ciclos. Para estimar os anos de vida: anos ≈ ciclos / ciclos por ano, limitado pelo envelhecimento calendário (a bateria envelhece mesmo parada), e o fabricante também dá uma garantia em energia total ou em anos.

Autodescarga

A autodescarga é a perda de carga com a bateria em repouso, expressa em % por mês. É de cerca de 1 % a 3 % por mês no lítio, de 3 % a 5 % por mês no chumbo-ácido e muito superior no NiMH. Sobe com a temperatura. Em instalações paradas durante meses, obriga a recargas periódicas para evitar a sobredescarga profunda.

Estado de saúde (SOH)

O SOH (State of Health) indica quanto a bateria envelheceu, em geral como capacidade atual / capacidade nominal inicial. Uma bateria de 10 kWh que hoje só entrega 8,6 kWh tem um SOH de 86 %. O fim de vida convencional é o SOH de 80 %. O SOH pode também incluir o aumento da resistência interna, que reduz a potência disponível e aumenta o calor produzido.

Resistência interna

Toda a célula tem uma resistência interna R que causa uma queda de tensão ΔU = I × R e perdas por calor P = I² × R. Uma resistência interna alta (por envelhecimento ou frio) significa menos potência, mais aquecimento e menor eficiência.

Exemplo resolvido · Energia útil e autonomia

Uma bateria de 51,2 V e 200 Ah, com DOD máximo de 90 % e SOH atual de 95 %, alimenta uma carga constante de 800 W com inversor de 94 % de eficiência. Quantas horas dura?

  1. Energia nominal: 51,2 × 200 = 10 240 Wh.
  2. Energia útil: 10 240 × 0,95 (SOH) × 0,90 (DOD) = 8755 Wh.
  3. Potência retirada da bateria: 800 ÷ 0,94 = 851 W.
  4. Autonomia: 8755 ÷ 851 ≈ 10,3 h.

Exemplo resolvido · C-rate e corrente

A mesma bateria (200 Ah) alimenta uma carga que exige 6 kW a 51,2 V (já com perdas do inversor). Qual é a corrente e o C-rate? Está dentro do limite de 0,5 C?

  1. Corrente: I = P / U = 6000 ÷ 51,2 ≈ 117 A.
  2. C-rate: 117 ÷ 200 ≈ 0,59 C.
  3. Está acima de 0,5 C. Soluções: reduzir a carga, ou aumentar a capacidade (por exemplo, 300 Ah dá 0,39 C), ou escolher bateria com C-rate contínuo mais alto.

Exemplo resolvido · Estimar a vida em anos

Bateria LFP com 4000 ciclos a 80 % de DOD até ao SOH de 80 %. Usada em 1 ciclo por dia, 340 dias por ano. Quantos anos de vida por ciclos? E o que mais limita?

  1. Anos por ciclos: 4000 ÷ 340 ≈ 11,8 anos.
  2. A garantia do fabricante pode limitar a 10 anos e a energia total.
  3. O envelhecimento calendário e a temperatura ambiente também contam: a vida real é a menor das estimativas.

7. Eficiência energética e fatores de degradação

As perdas numa cadeia de armazenamento

A energia que sai de uma bateria nunca é igual à que entrou. As perdas distribuem-se por toda a cadeia:

  1. Conversor de carga (retificador ou conversor CC/CC): 95 % a 98 %.
  2. Bateria (carga e descarga, por resistência interna): 95 % a 98 % por sentido, em lítio.
  3. Inversor de descarga: 94 % a 98 %.
  4. Auxiliares: BMS, ventiladores, arrefecimento ou aquecimento, comunicações e consumo em vazio (standby).

A eficiência de ida e volta do sistema é o produto das eficiências. Por exemplo: 0,97 × 0,96 × 0,96 × 0,97 ≈ 0,867, ou seja, 87 %, mesmo com componentes individualmente "de 96 % a 97 %". Cada perda aparece como calor, que tem de ser dissipado.

Exemplo resolvido · Eficiência de ida e volta do sistema

Um sistema carrega 10 kWh de excedente solar. O conversor de carga tem 97 %, a bateria 96 % de eficiência de carga e 96 % de descarga, e o inversor 96 %. O consumo dos auxiliares é de 0,15 kWh por ciclo. Quanta energia chega à carga e qual é a eficiência global?

  1. Após o conversor: 10 × 0,97 = 9,70 kWh.
  2. Após a carga da bateria: 9,70 × 0,96 = 9,312 kWh.
  3. Após a descarga: 9,312 × 0,96 = 8,940 kWh.
  4. Após o inversor: 8,940 × 0,96 = 8,583 kWh.
  5. Descontando os auxiliares: 8,583 - 0,15 = 8,43 kWh entregues à carga.
  6. Eficiência global: 8,43 ÷ 10 = 84,3 %.

Os 1,57 kWh perdidos tornam-se calor. A perda dos auxiliares pesa mais em sistemas pequenos ou pouco usados.

Fatores de degradação

A bateria perde capacidade e ganha resistência interna ao longo do tempo. Há dois mecanismos de fundo: o envelhecimento por ciclagem (cada ciclo desgasta) e o envelhecimento calendário (o tempo desgasta, mesmo parada). Os fatores que os aceleram:

Fator Efeito Medida de mitigação
Temperatura elevada acelera reações parasitas; regra empírica de que cada 10 °C a mais pode reduzir a vida para cerca de metade arrefecimento, ventilação, instalação à sombra e em local fresco
Temperatura baixa aumenta a resistência interna; carregar lítio abaixo de 0 °C pode causar deposição de lítio metálico e danos permanentes aquecimento da bateria, proibição de carga a frio pelo BMS
DOD elevado mais desgaste por ciclo limitar o intervalo de SOC utilizável
SOC alto prolongado acelera o envelhecimento em lítio limitar a carga máxima a 90 % a 95 % se não for preciso mais
Corrente elevada (C-rate) mais calor e tensão mecânica nos elétrodos dimensionar para C-rates moderados
Sobrecarga e sobredescarga danos graves, perda irreversível, risco de segurança proteções do BMS
Desequilíbrio entre células a célula mais fraca limita todo o conjunto equilíbrio de células no BMS
Sulfatação (chumbo-ácido) cristais de sulfato de chumbo que reduzem capacidade carga completa periódica
Vibração e choque danos mecânicos fixação adequada

O efeito da temperatura no desempenho

A temperatura afeta tanto a vida como a capacidade imediata. Uma bateria de chumbo perde cerca de 20 % a 25 % da capacidade disponível perto de 0 °C, e cerca de metade a -18 °C. O lítio sofre menos, mas a potência cai e a carga tem de ser limitada ou proibida no frio. Por isso, as fichas técnicas dão gamas de temperatura separadas para carga, descarga e armazenamento, e o projeto prevê onde a bateria vai ser instalada (garagem, exterior, compartimento técnico).

O efeito de Peukert no chumbo-ácido

Em baterias de chumbo-ácido, a capacidade diminui quando a corrente aumenta. A relação (lei de Peukert) é aproximadamente t = H × (C / (I × H))^k, com H o tempo de referência da capacidade (por exemplo, 20 h), C a capacidade a esse tempo e k o expoente de Peukert, entre 1,1 e 1,4. Em lítio, k é muito próximo de 1, pelo que o efeito é desprezável.

Exemplo resolvido · Capacidade efetiva de uma bateria de chumbo

Uma bateria de chumbo de 100 Ah (referida a 20 h) com k = 1,25 alimenta uma carga de 25 A. Quanto tempo dura, ignorando o limite de DOD?

  1. Tempo de referência H = 20 h, I = 25 A: C / (I × H) = 100 ÷ (25 × 20) = 100 ÷ 500 = 0,2.
  2. 0,2^1,25 = e^(1,25 × ln 0,2) = e^(1,25 × -1,6094) = e^(-2,0118) ≈ 0,1337.
  3. t = 20 × 0,1337 ≈ 2,67 h.
  4. Capacidade efetiva: 25 A × 2,67 h ≈ 66,9 Ah, apenas dois terços da nominal.

Com uma carga de 5 A, em vez disso, a bateria entregaria os 100 Ah nominais em 20 h. Por isso, o chumbo-ácido sobredimensiona-se para cargas de grande corrente.

Eficiência a potências baixas e altas

Os inversores têm curva de eficiência: são menos eficientes a cargas muito baixas (o consumo em vazio pesa) e a cargas muito altas. Um inversor sobredimensionado a trabalhar sempre a 5 % da potência pode ter eficiência de 85 % ou menos. O projeto deve adequar a potência do inversor ao perfil de carga, e não apenas ao pico.

8. Arquitetura e funcionamento do BMS

O que é um BMS

O BMS (Battery Management System, sistema de gestão de baterias) é o conjunto eletrónico e de programação que monitoriza, protege e controla uma bateria. Sem ele, uma bateria de lítio não pode operar em segurança: a janela entre o funcionamento normal e o dano (ou o descontrolo térmico) é estreita, e a célula mais fraca de uma série decide o limite de todas as outras.

Funções de um BMS

  1. Medição: tensão de cada célula, corrente do conjunto e temperaturas em vários pontos.
  2. Proteção: contra sobretensão, subtensão, sobrecorrente de carga e de descarga, curto-circuito e sobretemperatura ou subtemperatura. A proteção atua abrindo relés, contactores ou MOSFETs.
  3. Estimativa de estado: cálculo do SOC e do SOH.
  4. Equilíbrio de células (balancing): iguala as tensões das células.
  5. Gestão térmica: comanda ventilação, arrefecimento líquido ou aquecimento.
  6. Limitação de corrente: informa o inversor ou carregador de quanta corrente pode receber ou fornecer (limites CCL e DCL).
  7. Comunicação: partilha estado, limites e alarmes com o inversor, o carregador e o sistema de monitorização.
  8. Registo de eventos (logging) para diagnóstico e garantia.

Arquitetura: centralizada, modular e distribuída

Arquitetura Descrição Vantagem Desvantagem
Centralizada uma única placa liga por cabos a todas as células simples e barata muitos fios, pouco escalável
Modular (mestre/escravo) placas escravas por módulo medem as células; um mestre agrega boa escalabilidade, cablagem curta maior custo e complexidade
Distribuída um controlador por célula ou grupo, em rede máxima flexibilidade e redundância custo mais elevado

Na arquitetura modular típica, cada módulo escravo mede, por exemplo, 12 a 16 células e fala por um barramento (muitas vezes CAN ou SPI isolado) com o controlador mestre, que decide e comunica com o exterior.

Medição

Estimar o SOC

O SOC não se mede diretamente; estima-se. Os métodos principais:

Método Como funciona Limitação
Contagem de Coulomb integra a corrente no tempo: SOC(t) = SOC₀ + (1/C) ∫ I dt acumula erro com o tempo; precisa de recalibração
Tensão em circuito aberto (OCV) em repouso, a tensão corresponde ao SOC pela curva da célula precisa de repouso; curva plana nas LFP
Modelos e filtros (Kalman) combinam modelo da célula e medições exige modelo bom e capacidade de cálculo

Na prática combinam-se: contagem de Coulomb no dia a dia e recalibração por tensão quando a bateria chega ao fim de carga (por exemplo, 100 %) ou repouso longo.

Exemplo resolvido · Contagem de Coulomb

Uma bateria de 200 Ah está com 60 % de SOC. É descarregada com 40 A durante 90 min e depois carregada com 20 A durante 45 min. Qual o SOC final?

  1. SOC inicial: 60 % de 200 Ah = 120 Ah.
  2. Descarga: 40 A × 1,5 h = 60 Ah retirados, restam 60 Ah.
  3. Carga: 20 A × 0,75 h = 15 Ah adicionados, ficam 75 Ah.
  4. SOC final: 75 ÷ 200 = 37,5 %.

Sem recalibração, qualquer erro no sensor de corrente acumularia desvio.

Equilíbrio de células (balancing)

Com o tempo, as células de uma série ficam com estados de carga diferentes (autodescarga, temperatura e fabrico não são idênticos). A célula mais carregada atinge o limite de carga primeiro e limita a carga das outras, e a menos carregada limita a descarga. O equilíbrio corrige isto:

Exemplo resolvido · Tempo de equilíbrio passivo

Uma célula de 100 Ah está 2 % acima das outras. A resistência de equilíbrio drena 100 mA. Quanto tempo leva a igualar?

  1. Excesso de carga: 2 % de 100 Ah = 2 Ah.
  2. Tempo: 2 Ah ÷ 0,1 A = 20 h.

Por isso, o equilíbrio passivo precisa de tempo na zona alta de tensão e é mais eficaz em sistemas que carregam até ao fim com frequência. Em baterias grandes com desequilíbrios maiores, aconselha-se equilíbrio ativo ou correntes de equilíbrio mais altas.

Proteções e limites típicos

Para uma célula LFP, valores usuais de referência (confirmar sempre na folha de dados):

Proteção Limite típico Ação
Sobretensão de célula (OVP) 3,65 V corta a carga
Subtensão de célula (UVP) 2,5 V corta a descarga
Sobrecorrente de descarga (OCP) conforme C-rate máximo corta ou limita a descarga
Curto-circuito resposta em microssegundos a milissegundos abre o circuito
Sobretemperatura cerca de 55 a 60 °C corta e alarma
Subtemperatura de carga 0 °C proíbe a carga

Usam-se dois níveis: um nível de aviso (alarme, limitação de corrente) e um nível de corte (abre o contactor). O BMS comunica o aviso ao inversor para que reduza a potência antes de chegar ao corte.

BMS e a segurança do conjunto

O BMS é uma barreira de segurança, mas não é a única: complementa-se com fusíveis ou disjuntores de corrente contínua dimensionados para a corrente de curto-circuito, seccionadores, contactores de pré-carga (para evitar o pico de entrada em condensadores do inversor), proteção contra sobretensões e um botão de paragem de emergência acessível. O dimensionamento das proteções segue as regras técnicas aplicáveis e as indicações do fabricante.

Exemplo resolvido · Configurar limites do BMS para uma bateria 16S LFP

Uma bateria de 16 células LFP (51,2 V) tem os seguintes dados de fabricante: janela de operação recomendada de 2,80 V a 3,60 V por célula e limites absolutos de 2,50 V e 3,65 V por célula, C-rate máximo contínuo 0,5 C, corrente máxima de descarga de 100 A, carga proibida abaixo de 0 °C. Que parâmetros se configuram no BMS?

  1. Tensão máxima do conjunto: 16 × 3,60 = 57,6 V; limite de corte de célula de 3,65 V (aviso a 3,60 V).
  2. Tensão mínima do conjunto: 16 × 2,80 = 44,8 V; corte por célula a 2,50 V (aviso a 2,80 V).
  3. Corrente máxima de descarga: 100 A contínua; corte de pico num valor definido pelo fabricante, com tempo limitado.
  4. Corrente de carga limitada a 0,5 C = 100 A para uma bateria de 200 Ah.
  5. Temperatura: bloquear a carga abaixo de 0 °C e alarmar acima de 55 °C.
  6. Equilíbrio passivo ativado acima de 3,40 V por célula, quando a diferença é maior que 20 mV.

Os valores finais vêm sempre da folha de dados da célula e do módulo.

9. Protocolos de comunicação: CAN, Modbus e SMBus

Porque comunicar

O BMS não vive isolado: o inversor tem de saber quanta corrente pode fornecer ou receber, o sistema de gestão de energia (EMS) precisa do SOC, e a monitorização remota quer alarmes e histórico. O que se transmite são grandezas (tensão, corrente, temperatura, SOC, SOH), limites (corrente máxima de carga e descarga, tensão máxima) e estados (alarmes, contactores abertos ou fechados). Para tal, os equipamentos precisam de uma camada física (cabos e níveis elétricos) e de um protocolo (regras e formato das mensagens), com acordo prévio entre quem envia e quem recebe.

CAN (Controller Area Network)

O CAN nasceu na indústria automóvel e é muito usado em baterias, veículos e armazenamento. Características:

O conteúdo dos 8 bytes (que byte é a tensão, qual é a corrente, que fator de escala se aplica) não é definido pelo CAN; é definido por um protocolo de camada superior ou por uma tabela do fabricante. Para ligar uma bateria a um inversor de outro fabricante, é indispensável que ambos falem o mesmo perfil de mensagens.

Exemplo resolvido · Descodificar uma trama CAN

Uma tabela do fabricante diz que a trama com identificador 0x356 contém: bytes 0 e 1 = tensão do pack (inteiro de 16 bits, em unidades de 0,01 V, byte menos significativo primeiro), bytes 2 e 3 = corrente (inteiro com sinal, unidades de 0,1 A), bytes 4 e 5 = temperatura (0,1 °C). Os dados recebidos são: 00 14 F4 FF 20 01 (hex.).

  1. Tensão: bytes 0 e 1 = 0x00, 0x14, com o menos significativo primeiro: 0x1400 = 5120. Em unidades de 0,01 V: 51,20 V.
  2. Corrente: bytes 2 e 3 = 0xF4, 0xFF, logo 0xFFF4 em complemento para dois de 16 bits = -12. Em unidades de 0,1 A: -1,2 A (o sinal negativo indica descarga, segundo o perfil).
  3. Temperatura: bytes 4 e 5 = 0x20, 0x01, logo 0x0120 = 288. Em unidades de 0,1 °C: 28,8 °C.

Moral: sem a tabela do fabricante, os bytes não têm significado.

Modbus

O Modbus é um protocolo mestre/escravo (hoje cliente/servidor) muito difundido na indústria e na monitorização de energia. O mestre pergunta, o escravo responde. Variantes:

Variante Camada física Notas
Modbus RTU série RS-485 (2 fios) ou RS-232 binário compacto; verificação CRC-16; endereços de escravo de 1 a 247
Modbus ASCII série texto legível, menos eficiente
Modbus TCP Ethernet, porto TCP 502 sem CRC próprio (usa o do TCP); vários clientes

Os dados estão organizados em registos (de 16 bits) e bobinas (bits):

Tipo Acesso Código de função típico
Bobinas (coils) leitura/escrita de bits 01 (ler), 05 (escrever uma)
Entradas discretas leitura de bits 02
Registos de retenção (holding) leitura/escrita 03 (ler), 06 (escrever um), 16 (escrever vários)
Registos de entrada (input) só leitura 04

Em RS-485, o barramento é de dois fios em par entrelaçado com terminação nos extremos, com velocidades usuais de 9600 a 115 200 bit/s. Todos os equipamentos da linha têm de ter o mesmo débito, paridade e bits de paragem, e endereços diferentes. Um mapa de registos do fabricante diz o que cada endereço contém, o tipo (16 ou 32 bits, com sinal) e o fator de escala.

Exemplo resolvido · Pedido Modbus RTU

Ler o SOC, que o mapa diz estar no registo de entrada (input) 30 (dec.), 1 registo, em escala de 0,1 %, do escravo com endereço 3.

  1. Pedido (hex.): endereço 03, função 04, registo inicial 00 1E (30 em hex.), quantidade 00 01, e 2 bytes de CRC: 03 04 00 1E 00 01 + CRC.
  2. Resposta: 03 04 02 02 EE + CRC, onde 02 é o número de bytes e 02 EE é o valor do registo.
  3. 0x02EE = 2×256 + 14×16 + 14 = 512 + 238 = 750.
  4. Com escala de 0,1 %: 75,0 % de SOC.

Atenção a erros comuns: contar os registos a partir de 0 ou de 1 (alguns mapas usam endereço 30001 + deslocamento), e a ordem de bytes e palavras nos valores de 32 bits.

SMBus

O SMBus (System Management Bus) é uma variante do I²C concebida para gestão de energia, usada sobretudo em baterias inteligentes de portáteis e equipamentos pequenos, segundo a especificação de baterias inteligentes (Smart Battery Data). Características:

Convém em baterias pequenas e em baixa tensão; para armazenamento estacionário de potência, é mais comum CAN ou Modbus.

Comparação

Característica CAN Modbus RTU / TCP SMBus
Modelo multimestre, por eventos mestre/escravo, por pedido mestre/escravo
Camada física par diferencial RS-485 ou Ethernet 2 fios, nível lógico
Distância dezenas a centenas de metros RS-485 até ao quilómetro; Ethernet em rede curta (dentro do equipamento)
Velocidade até 1 Mbit/s 9,6 a 115,2 kbit/s (RTU) 10 a 100 kHz
Uso típico BMS e inversor, veículos monitorização, EMS, contadores baterias inteligentes portáteis

Configurar a comunicação na prática

  1. Identificar o protocolo e a camada física exigidos por ambos os equipamentos (consultar os manuais de BMS e de inversor).
  2. Cablar com cabo de par entrelaçado blindado, respeitando polaridades (CAN_H e CAN_L, A e B de RS-485).
  3. Terminar o barramento (120 Ω em cada extremo).
  4. Configurar velocidade, endereço, paridade ou perfil de mensagens.
  5. Testar que o inversor recebe SOC, limites e alarmes, e que reage a um alarme simulado.
  6. Documentar os parâmetros e guardar uma cópia da configuração.

Um erro frequente é supor que dois equipamentos "com CAN" se entendem. O CAN define apenas o transporte; sem o mesmo perfil de mensagens, a ligação física existe e a comunicação não funciona.

10. Integração com sistemas fotovoltaicos, eólicos e veículos elétricos

Integração com geração fotovoltaica

Um sistema fotovoltaico com armazenamento tem de decidir onde a bateria se liga e quem manda. Existem três arquiteturas principais:

Arquitetura Como se liga Vantagens Desvantagens
Acoplamento em corrente contínua (DC) a bateria liga-se ao barramento DC do inversor híbrido, junto dos painéis menos conversões na carga solar, eficiência maior; um só equipamento inversor híbrido obrigatório; menos flexível para ampliar sistemas existentes
Acoplamento em corrente alternada (AC) a bateria tem inversor próprio, ligado ao quadro AC como outro gerador/carga acrescenta-se facilmente a uma instalação fotovoltaica já existente; pode carregar da rede mais conversões (DC-AC-DC), eficiência menor
Híbrido com inversor multimodo um único equipamento gere painéis, bateria, rede e carga (e por vezes ilhamento) instalação simples, funções de backup integradas dependência de um só fabricante e modelo

Exemplo resolvido · Eficiência de carga em DC e em AC

Os painéis produzem 10 kWh de energia DC. Compara a energia que chega à bateria no acoplamento DC (conversor MPPT/DC-DC 98 %, carregador interno 97 %) e no AC (inversor fotovoltaico 97 %, carregador/inversor da bateria AC-DC 96 %).

  1. Acoplamento DC: 10 × 0,98 × 0,97 = 9,51 kWh na bateria.
  2. Acoplamento AC: 10 × 0,97 × 0,96 = 9,31 kWh na bateria.
  3. Diferença: 0,20 kWh por cada 10 kWh (cerca de 2 pontos percentuais). Na descarga, o caminho DC para uma carga AC também tem uma conversão a menos.

A diferença é pequena, mas repete-se todos os dias do ano; o acoplamento AC compensa quando há instalação existente a aproveitar ou quando se quer carregar a bateria também da rede.

Compatibilidade entre bateria e inversor

Antes de aprovar uma combinação, verifica-se, ponto a ponto:

  1. Tensão: a gama de tensão da bateria (mínimo ao fim da descarga e máximo ao fim da carga) tem de estar dentro da janela de tensão DC do inversor.
  2. Corrente: a corrente máxima de carga e descarga do inversor deve ser compatível com os limites da bateria, no C-rate admitido.
  3. Potência: a potência de descarga da bateria cobre a do inversor em regime contínuo e em pico.
  4. Comunicação: protocolo (CAN, Modbus) e perfil de mensagens compatíveis; existência de lista de equipamentos homologados.
  5. Química: o inversor suporta a química e a curva de carga da bateria (por exemplo, perfil de carga LFP).
  6. Funcionalidades: backup (ilhamento), arranque a negro, ligação a gerador, gestão de potência de injeção.
  7. Condições ambientais: temperatura, grau de proteção (IP), local de instalação.
  8. Requisitos de rede: conformidade com os requisitos da ligação à rede e do operador de rede aplicáveis.

Exemplo resolvido · Verificar a janela de tensão

Um inversor híbrido tem janela de tensão de bateria de 40 V a 60 V e corrente máxima de 100 A. Uma bateria LFP 16S tem 44,8 V (vazia, 2,8 V/célula) a 57,6 V (cheia, 3,6 V/célula) e C-rate máximo de 0,5 C para 200 Ah. Compatíveis?

  1. Tensão: 44,8 V e 57,6 V estão dentro de 40 V a 60 V. Cumpre.
  2. Corrente de carga: 0,5 × 200 = 100 A, igual ao máximo do inversor. Cumpre, sem margem.
  3. Potência máxima de descarga na tensão nominal: 51,2 × 100 = 5120 W. O inversor, por limite de corrente, não excede 100 A, logo ≈ 5,1 kW.
  4. Falta confirmar a comunicação (perfil CAN ou Modbus), que decide se o inversor lê o SOC e os limites.

Integração com geração eólica

Pequenos aerogeradores produzem corrente alternada de frequência e tensão variáveis com o vento. Em sistemas com bateria:

A decisão sobre eólica em edifícios deve apoiar-se em dados de vento locais e em critérios de ruído, altura e licenciamento aplicáveis.

Integração com veículos elétricos

Os veículos elétricos são, ao mesmo tempo, cargas (carregam a energia da rede ou do sistema) e baterias móveis. Uma bateria de tração tem tipicamente entre 40 e 100 kWh, bem acima de uma bateria doméstica. O projetista pode:

Nos sistemas dos próprios veículos, o BMS comunica por CAN com os restantes controladores do veículo e com o carregador.

Exemplo resolvido · Moderar a ponta com bateria no carregamento de veículos

Uma instalação em baixa tensão normal tem potência contratada de 20,7 kVA, consumo base de 8 kW em ponta e um carregador de veículos de 11 kW. Que potência deve a bateria fornecer em ponta para não exceder o contratado (cosφ = 1 para simplificar), e quanta energia numa hora? Em baixa tensão normal, a potência contratada é um escalão e um dispositivo de controlo limita a potência instantânea ao valor contratado: ultrapassá-lo faz disparar o limitador, ou obriga a contratar um escalão superior. O valor do exemplo é ilustrativo; os escalões em vigor constam do contrato e da tarifa.

  1. Potência total pedida: 8 + 11 = 19 kW. É inferior a 20,7 kW; sem problema.
  2. Se o carregador for de 22 kW: total 30 kW, excede em 30 - 20,7 = 9,3 kW.
  3. A bateria deve fornecer 9,3 kW durante o carregamento.
  4. Numa hora, 9,3 kWh de energia útil, ou ≈ 10,9 kWh nominais com DOD de 90 % e rendimento do inversor de 95 %: 9,3 ÷ (0,9 × 0,95) = 10,9 kWh.

11. Dimensionamento e otimização de sistemas de armazenamento

Método geral

O dimensionamento é um processo em passos, repetido até haver uma solução económica, segura e que cumpra o objetivo:

  1. Definir o objetivo: autoconsumo, backup, redução de ponta, ou combinação.
  2. Levantar o perfil de carga: consumos horários ou quartos de hora (de faturas, contador inteligente ou medições), potências de pico e cargas críticas.
  3. Levantar a produção (se existir): perfil fotovoltaico ou eólico mensal e diário.
  4. Definir a autonomia ou a energia a deslocar: horas de backup, ou excedente a guardar.
  5. Calcular a energia necessária, aplicando perdas, DOD, SOH e fatores ambientais.
  6. Calcular a potência do inversor e a corrente da bateria.
  7. Escolher a tecnologia e a tensão do sistema e o arranjo série/paralelo.
  8. Dimensionar proteções, cabos e ventilação.
  9. Verificar C-rate, compatibilidade e requisitos regulamentares.
  10. Avaliar a viabilidade económica e otimizar.

Fórmula base da capacidade

E_nominal = (E_carga × dias de autonomia) / (DOD × η_sistema × k_temp × k_envelhecimento)

Onde E_carga é a energia diária a fornecer, DOD é a profundidade de descarga permitida, η_sistema é a eficiência (inversor, cablagem), k_temp é um fator de correção de temperatura e k_envelhecimento reserva margem pelo fim de vida (por exemplo, 0,8 para dimensionar a capacidade necessária no fim de vida). Em ampere-hora: C = E_nominal / U.

Exemplo resolvido · Moradia com autoconsumo noturno

Uma moradia consome 6 kWh entre as 19h e as 7h, que se pretende alimentar com o excedente solar guardado. Bateria LFP, DOD máximo 90 %, inversor com rendimento de 94 %, bateria a 51,2 V. Sem tratamento de envelhecimento. Qual a energia nominal necessária e qual o arranjo com módulos de 2,56 kWh (51,2 V, 50 Ah)?

  1. Energia nominal: 6 ÷ (0,90 × 0,94) = 6 ÷ 0,846 = 7,09 kWh.
  2. Número de módulos: 7,09 ÷ 2,56 = 2,77, logo 3 módulos em paralelo.
  3. Capacidade total: 3 × 2,56 = 7,68 kWh, 3 × 50 = 150 Ah a 51,2 V.
  4. Margem: 7,68 ÷ 7,09 = 8 %. É uma margem curta: cobre apenas os primeiros anos. Para garantir os 6 kWh no fim de vida (SOH de 80 %), seriam precisos 6 ÷ (0,90 × 0,94 × 0,80) = 8,9 kWh, ou seja, 4 módulos (10,24 kWh).
  5. Potência: se a carga máxima noturna é 2 kW, a corrente é 2000 ÷ 51,2 ≈ 39 A, ou 0,26 C sobre 150 Ah. Dentro do limite habitual de 0,5 C.

Exemplo resolvido · Alimentação de emergência com chumbo-ácido

Uma carga crítica de 1,2 kW (iluminação de segurança e comunicações) tem de funcionar 4 h numa falha de rede. Baterias de chumbo-ácido estacionárias a 48 V, DOD máximo 50 %, fator de temperatura 0,9 (local frio), eficiência do inversor 92 %.

  1. Energia de carga: 1,2 × 4 = 4,8 kWh.
  2. Energia nominal: 4,8 ÷ (0,50 × 0,90 × 0,92) = 4,8 ÷ 0,414 = 11,6 kWh.
  3. Capacidade a 48 V: 11 594 ÷ 48 ≈ 241,5 Ah.
  4. Seleção: uma bateria de 48 V e 250 Ah, ou duas em paralelo de 125 Ah. Confirmar na tabela do fabricante a capacidade à taxa de descarga de 4 h (o efeito de Peukert faz com que a capacidade a 4 h seja inferior à de 20 h).

Se fosse lítio (DOD de 90 %, sem fator de temperatura relevante), seriam necessários cerca de 5,8 kWh, metade. O custo inicial por kWh do lítio é maior, mas a energia nominal necessária é menor.

Exemplo resolvido · Redução de pontas numa PME

Uma PME tem potência contratada de 34,5 kVA (cerca de 34,5 kW com cosφ = 1), mas atinge 49,5 kW durante cerca de 40 minutos por dia, quando arrancam vários equipamentos. Pretende-se uma bateria que corte o pico a 34,5 kW, para não fazer disparar o limitador de potência nem ter de subir de escalão. Lítio, DOD 90 %, rendimento do inversor 95 %.

  1. Potência a fornecer: 49,5 - 34,5 = 15 kW.
  2. Energia por dia: 15 kW × 40/60 h = 10 kWh.
  3. Energia nominal: 10 ÷ (0,90 × 0,95) = 11,7 kWh; com margem de 20 % para picos mais longos: cerca de 14 kWh.
  4. Potência do inversor: 15 kW no mínimo, preferindo 20 kW para margem.
  5. C-rate: 15 kW em 14 kWh é um pouco mais de 1 C. Atenção: é um valor elevado para baterias de armazenamento estacionário típicas. A solução é uma bateria com C-rate adequado, ou uma capacidade maior (por exemplo, 30 kWh, a 0,5 C) que também ajuda a vida útil.
  6. A recarga faz-se fora do pico, com potência limitada para não gerar novo pico.

O exemplo mostra que, em peak shaving, a potência (e não só a energia) dita o dimensionamento.

Série e paralelo

Cabos e proteções em corrente contínua

A corrente contínua é mais difícil de interromper do que a alternada (não passa por zero). Por isso:

Exemplo resolvido · Queda de tensão no cabo da bateria

Corrente de 100 A num cabo de cobre de 35 mm² com 3 m de comprimento (ida e volta 6 m). Resistividade do cobre 0,0178 Ω·mm²/m. Qual a queda de tensão e a percentagem a 51,2 V?

  1. Resistência: R = ρ × L / S = 0,0178 × 6 ÷ 35 = 0,00305 Ω.
  2. Queda: ΔU = R × I = 0,00305 × 100 = 0,305 V.
  3. Percentagem: 0,305 ÷ 51,2 = 0,6 %. Aceitável.
  4. Perda de potência: P = I² × R = 100² × 0,00305 = 30,5 W.

Corrente admissível do cabo e proteção contra sobrecorrentes em DC

Um cabo não se escolhe só pela queda de tensão: tem de suportar a corrente em regime permanente sem aquecer, e a proteção tem de o defender. Para a proteção contra sobrecargas, as RTIEBT, em linha com a IEC 60364, pedem duas condições:

A Iz lê-se no quadro de correntes admissíveis das RTIEBT, para a secção e o modo de instalação, e corrige-se com os fatores de temperatura ambiente e de agrupamento de cabos. Para o curto-circuito, o aparelho de proteção tem ainda de cumprir três verificações:

Exemplo resolvido · Proteção DC e cabo de uma bateria de 51,2 V

Bateria LFP 16S de 51,2 V e 200 Ah, com corrente máxima contínua de 100 A e resistência interna total de 8 mΩ (dados do fabricante). Cabo de cobre de 35 mm² e 3 m (ida e volta 6 m), como no exemplo anterior. Admite-se que o quadro das RTIEBT dá a este cabo, no modo de instalação e já corrigida, Iz = 126 A (valor do exemplo; no projeto lê-se sempre o quadro em vigor). Escolhe-se uma proteção.

  1. Corrente de projeto: Ib = 100 A.
  2. Resistência do circuito: 8 mΩ + 3,05 mΩ = 11,05 mΩ.
  3. Tensão máxima da bateria: 16 × 3,65 = 58,4 V. Corrente de curto-circuito: Icc = 58,4 ÷ 0,01105 ≈ 5285 A, cerca de 5,3 kA.
  4. Aparelho: disjuntor ou fusível para DC, com tensão estipulada de 60 V ou mais, poder de corte igual ou superior a 5,3 kA (na prática o escalão normalizado seguinte, por exemplo 10 kA) e In = 125 A, o escalão que cumpre Ib ≤ In.
  5. Cabo: Ib ≤ In ≤ Iz dá 100 ≤ 125 ≤ 126 A. Cumpre. Com I2 = 1,45 × In = 181 A (valor típico de um disjuntor, a confirmar na folha de dados), a segunda condição também cumpre: 181 ≤ 1,45 × 126 = 183 A.
  6. Energia de curto-circuito: k² × S² = 115² × 35² = 16,2 × 10⁶ A²s. O I²t do aparelho escolhido, a 5,3 kA, tem de ser inferior.
  7. Queda de tensão: 0,6 %, como calculado no exemplo anterior.

Se a Iz do cabo fosse 110 A, a condição In ≤ Iz falhava com In = 125 A. As saídas são aumentar a secção do cabo ou escolher In = 100 A, que ainda cumpre Ib ≤ In, e voltar a verificar as três condições.

Otimização

Depois do dimensionamento base, otimiza-se:

Exemplo resolvido · Viabilidade económica simplificada

Valores hipotéticos, apenas para ilustrar o método. Sistema de 10 kWh que custa 5500 €. Desloca 2500 kWh por ano de excedente solar para consumo noturno. O preço da energia comprada é 0,20 €/kWh e o excedente seria vendido a 0,05 €/kWh. Quanto poupa por ano e qual o tempo de retorno simples?

  1. Ganho por kWh deslocado: 0,20 - 0,05 = 0,15 €/kWh.
  2. Poupança anual: 2500 × 0,15 = 375 €/ano.
  3. Retorno simples: 5500 ÷ 375 ≈ 14,7 anos.
  4. Compara com a vida útil (por exemplo, 10 a 15 anos). O investimento está no limite, e só seria claramente atrativo com preços de energia mais altos, com valor de backup ou com apoios aplicáveis.

Um bom projetista apresenta esta conta ao cliente com honestidade, incluindo o valor não monetário (segurança de fornecimento).

Dimensionamento e certificação energética de edifícios

No contexto do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE), a contribuição de energias renováveis para o desempenho energético do edifício é considerada nos cálculos regulamentares. O projetista de armazenamento deve conhecer a existência desse enquadramento, usar a ferramenta de cálculo e a versão do regulamento em vigor, e coordenar-se com o técnico responsável pela certificação.

12. Monitorização, controlo, segurança e enquadramento regulamentar

O que monitorizar

Um sistema com baterias só é bom enquanto o seu desempenho for acompanhado. Monitorizam-se três níveis:

Nível Grandezas Para quê
Bateria tensão total e por célula, corrente, temperatura, SOC, SOH, alarmes, ciclos segurança e vida útil
Sistema potência do inversor, produção, consumo, energia trocada com a rede, estado dos contactores funcionamento e conformidade
Desempenho eficiência de ida e volta, autoconsumo, autossuficiência, energia deslocada, disponibilidade saber se o investimento cumpre

Indicadores de desempenho

Exemplo resolvido · Indicadores de um mês

Num mês, uma moradia produziu 600 kWh, consumiu 450 kWh, dos quais 270 kWh vieram diretamente da produção solar, 90 kWh da bateria (que descarregou) e 90 kWh da rede. A bateria foi carregada com 100 kWh de solar e descarregou 90 kWh. Calcula a taxa de autoconsumo, a autossuficiência e a eficiência de ida e volta da bateria.

  1. Energia solar consumida localmente: 270 (direta) + 100 (carregada na bateria, depois consumida) = 370 kWh.
  2. Taxa de autoconsumo: 370 ÷ 600 = 61,7 %.
  3. Autossuficiência: (270 + 90) ÷ 450 = 360 ÷ 450 = 80 %.
  4. Eficiência de ida e volta da bateria: 90 ÷ 100 = 90 %.
  5. Ciclos equivalentes no mês: 90 ÷ 10 (bateria de 10 kWh) = 9 ciclos.

Ferramentas de monitorização e controlo

Segurança da instalação

Os principais riscos de uma bateria são o choque elétrico (tensões DC elevadas), o curto-circuito (correntes muito elevadas), o incêndio e o descontrolo térmico (lítio), os gases (hidrogénio no chumbo-ácido, aberto ou VRLA; no lítio, o descontrolo térmico liberta gases inflamáveis e tóxicos) e o eletrólito corrosivo. Por isso a ventilação e a deteção exigem-se também ao lítio, e um incêndio em baterias de lítio pede arrefecimento prolongado e vigilância, pelo risco de reacendimento. Aplica-se ainda o regime de segurança contra incêndio em edifícios (SCIE), na versão em vigor. As medidas gerais:

  1. Escolher o local com ventilação, temperatura estável e afastado de materiais combustíveis e de vias de evacuação, segundo as indicações do fabricante e as regras aplicáveis.
  2. Instalar proteções contra sobrecorrente e curto-circuito e seccionamento acessível.
  3. Usar ferramentas isoladas e EPI adequados (luvas isolantes, proteção ocular, calçado de segurança), retirar joias e metais soltos.
  4. Sinalização de perigo e de paragem de emergência.
  5. Manter procedimentos de emergência para incêndio e derrame.
  6. Respeitar a sequência de ligação: primeiro a bateria desligada, verificação de polaridade, e só depois fecho dos disjuntores.
  7. Em instalações de hidrogénio, aplicar as medidas do capítulo 3.

Normas e regulamentação

Âmbito Referência
Instalações de baixa tensão RTIEBT (Regras Técnicas das Instalações Elétricas de Baixa Tensão), na redação em vigor
Profissionais e entidades das instalações elétricas Lei n.º 14/2015, de 16 de fevereiro
Autoconsumo, comunidades de energia e armazenamento associado regime jurídico do autoconsumo e regulamento aplicável da ERSE, na redação em vigor; procedimentos de registo e controlo prévio junto da DGEG e relação com o operador da rede de distribuição
Segurança de células e baterias de lítio para aplicações industriais IEC 62619 (adotada como EN IEC 62619)
Sistemas de armazenamento de energia elétrica série IEC 62933
Instalações de baterias estacionárias de lítio: segurança IEC 62485-5 (adotada como EN IEC 62485-5)
Baterias estacionárias de chumbo e níquel-cádmio: segurança IEC 62485-2 (adotada como EN IEC 62485-2); não cobre o lítio
Transporte de baterias de lítio ensaios UN 38.3 e regras de transporte de mercadorias perigosas
Conversores e inversores fotovoltaicos série IEC 62109
Ligação de geradores à rede requisitos europeus e do operador da rede aplicáveis

O projetista confirma sempre a versão em vigor das normas e dos diplomas, a aplicabilidade à sua instalação e as indicações do fabricante. Sempre que há dúvida sobre o enquadramento legal de um projeto (potência, registo, ligação à rede), pergunta-se à entidade competente em vez de assumir.

Comissionamento e manutenção

Antes de ligar (comissionamento):

  1. Inspeção visual: fixação, cablagem, polaridade, apertos com binário, etiquetagem.
  2. Medições: tensão de cada módulo e do conjunto, isolamento, continuidade da terra.
  3. Verificar a configuração do BMS e os limites no inversor.
  4. Testar a comunicação e a reação a alarmes simulados.
  5. Testar o ilhamento (backup) se existir, com a rede desligada.
  6. Registar os valores iniciais (tensões, SOC, temperaturas) para comparar no futuro.

Manutenção periódica: inspeção visual e térmica, aperto de ligações, limpeza de ventilação, verificação de firmware e de alarmes, ensaio de capacidade (nas de chumbo e em aplicações críticas), registo do SOH.

Fim de vida

As baterias são resíduos com regras próprias de recolha, tratamento e reciclagem. Ao fim da vida útil (SOH de cerca de 80 %), ainda podem ter uma segunda vida em aplicações menos exigentes, desde que o fabricante e a regulamentação o permitam e a bateria seja reavaliada. Caso contrário, encaminham-se para os operadores de gestão de resíduos de pilhas e acumuladores licenciados, nunca para o lixo comum.

Exemplo resolvido · Plano de comissionamento de uma bateria 16S

Descreve a ordem do primeiro arranque de uma bateria LFP 16S, 51,2 V, ligada a um inversor híbrido.

  1. Confirmar que o disjuntor DC da bateria e o do inversor estão abertos.
  2. Medir a tensão da bateria com um multímetro: valor coerente com o SOC (por exemplo, 52 V a 53 V). Verificar polaridade com o multímetro nos terminais do inversor.
  3. Ligar o cabo de comunicação (CAN ou RS-485) e verificar a terminação.
  4. Ligar o disjuntor da bateria, depois a pré-carga e o contactor, conforme o manual; só depois fechar o do inversor.
  5. No inversor, selecionar o tipo de bateria e o protocolo; confirmar que lê SOC, tensão e limites.
  6. Carregar e descarregar a baixa potência; observar o equilíbrio e as temperaturas.
  7. Simular uma falha de rede (se houver backup) e confirmar a transferência.
  8. Guardar os parâmetros e entregar a documentação ao cliente.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Projetar uma solução de armazenamento é um percurso lógico. Começa-se pela função (autoconsumo, backup, redução de pontas, qualidade de energia) e escolhe-se a tecnologia por comparação de densidade, eficiência, tempo de resposta, duração e custo: baterias para horas, supercondensadores para segundos, hidrogénio para dias e meses (com eficiência de ida e volta de cerca de 30 %), hídrica reversível para a grande escala. Conhecem-se os tipos de baterias (chumbo-ácido, lítio LFP e NMC, sódio, níquel, fluxo) e os seus parâmetros: capacidade, tensão, DOD, SOC, C-rate, ciclos, autodescarga e SOH. A eficiência é o produto das perdas da cadeia e a degradação acelera com calor, DOD alto, corrente alta e desequilíbrio. O BMS mede, protege, equilibra e comunica, estimando SOC e SOH, e fala com o inversor por CAN, Modbus ou SMBus, que só se entendem com o mesmo perfil. A integração com fotovoltaico (DC, AC ou híbrido), eólico e veículos exige verificar tensão, corrente, comunicação e funcionalidades. O dimensionamento aplica DOD, eficiência, temperatura e envelhecimento ao consumo a cobrir, verifica C-rate e dimensiona proteções DC; a otimização ajusta a estratégia e a dimensão económica. Por fim, monitoriza-se (autoconsumo, autossuficiência, eficiência, SOH), comissiona-se com método, mantém-se e cumprem-se as regras e normas aplicáveis, na redação em vigor.

Exercícios resolvidos

1. Uma bateria de 12 kWh alimenta uma carga de 3 kW. Com DOD de 80 % e inversor de 95 %, quanto tempo dura?

Resolução: energia útil = 12 × 0,80 = 9,6 kWh; potência na bateria = 3 ÷ 0,95 = 3,16 kW; autonomia = 9,6 ÷ 3,16 ≈ 3,04 h.

2. Quantas células LFP de 3,2 V e 280 Ah formam uma bateria de 25,6 V e 560 Ah, e que energia guarda?

Resolução: em série, 25,6 ÷ 3,2 = 8 células; em paralelo, 560 ÷ 280 = 2 ramos; total 16 células (8S2P); energia = 25,6 × 560 = 14 336 Wh ≈ 14,3 kWh.

3. Uma bateria de 150 Ah é descarregada com 75 A. Qual o C-rate e a duração teórica?

Resolução: C-rate = 75 ÷ 150 = 0,5 C; duração teórica = 150 ÷ 75 = 2 h.

4. Uma bateria de 10 kWh entrega hoje 8,4 kWh. Qual o SOH e já chegou ao fim de vida convencional?

Resolução: SOH = 8,4 ÷ 10 = 84 %; o fim de vida convencional é 80 %, logo ainda não, mas está perto.

5. A eletrólise consome 54 kWh/kg e a célula de combustível converte com 55 % de eficiência (PCI 33,3 kWh/kg). Qual a eficiência de ida e volta, desprezando compressão?

Resolução: energia elétrica obtida por kg = 33,3 × 0,55 = 18,3 kWh; eficiência = 18,3 ÷ 54 ≈ 34 %.

6. Um barramento CAN medido com a rede desligada indica 120 Ω entre CAN_H e CAN_L. Está bem terminado?

Resolução: não. Com duas terminações de 120 Ω nos extremos (em paralelo) devem medir-se cerca de 60 Ω. 120 Ω indica que só há uma terminação (falta a outra).

7. Num pedido Modbus RTU, o escravo 5 responde com o valor 0x01F4 num registo escalado a 0,1 °C. Qual a temperatura?

Resolução: 0x01F4 = 1×256 + 15×16 + 4 = 500; temperatura = 500 × 0,1 = 50,0 °C.

8. Uma carga de 4 kW, durante 2 h, com bateria de chumbo-ácido (DOD 50 %) e inversor de 92 %. Que energia nominal é necessária?

Resolução: energia de carga = 8 kWh; nominal = 8 ÷ (0,50 × 0,92) = 8 ÷ 0,46 = 17,4 kWh.

9. Um cabo de 25 mm² de cobre com 4 m (ida e volta 8 m) transporta 80 A. Qual a queda de tensão? (ρ = 0,0178 Ω·mm²/m)

Resolução: R = 0,0178 × 8 ÷ 25 = 0,0057 Ω; ΔU = 0,0057 × 80 = 0,456 V.

10. Porque é que a eficiência de ida e volta de uma bateria com inversor é inferior à da bateria isolada?

Resolução: porque as eficiências se multiplicam ao longo da cadeia (conversor, bateria, inversor, auxiliares). Por exemplo, 0,96 × 0,96 × 0,96 ≈ 0,885, menor que cada parcela.