Partilhar: Classroom Teams WhatsApp
aulify · Sebenta
UC · Unidade de Competência · UC01799

Instalar sistema fotovoltaico para autoconsumo (UC01799)

Da visita ao telhado à colocação em funcionamento, preparar, fixar, ligar e testar um sistema fotovoltaico em segurança
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Sistemas Térmicos Renováveis, T. Instalações Elétricas, T. Redes Elétricas ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.

Introdução

Um sistema fotovoltaico para autoconsumo transforma a luz do sol em eletricidade que a própria casa, o comércio ou a fábrica consomem. Parece simples: painéis no telhado, um inversor e um quadro. Na prática, quem o instala trabalha em altura, junto a condutores que nunca ficam sem tensão enquanto houver luz, e liga-se a uma instalação elétrica que já existe e que tem de continuar segura. Esta sebenta ensina a preparar a execução da instalação, a fixar estruturas e componentes, a ligar componentes, a executar testes de funcionamento e a instruir o utilizador para um uso eficiente, que são as cinco realizações do referencial desta unidade.

O percurso segue a ordem de uma obra real. Começamos pelo enquadramento (terminologia e legislação) e pelas bases de eletricidade que sustentam todas as contas. Depois estudamos os componentes e, antes de subir ao telhado, a organização da zona de trabalho e as medidas de segurança. Seguem-se a preparação (local, orientação, inclinação, sombreamento), a fixação das estruturas e dos módulos, a passagem de cabos, o inversor central e os microinversores, a rede de terras e a equipotencialidade, o quadro de proteção AC, a monitorização, os ensaios, o despiste de anomalias e, por fim, a comunicação com o cliente.

Objetivos de aprendizagem (referencial): preparar a execução da instalação; fixar estruturas e componentes; ligar componentes; executar testes de funcionamento; instruir o utilizador. Os critérios de desempenho que orientam todo o trabalho são quatro: garantir a orientação e a inclinação ideais dos painéis, assegurar a equipotencialidade do sistema, cumprir os procedimentos definidos e cumprir a legislação e as normas regulamentares e técnicas.

Contextos de trabalho: edifícios de habitação, edifícios de comércio e serviços e instalações industriais. As regras são as mesmas; mudam a escala, os riscos e a complexidade do quadro de ligação.

Aviso de enquadramento profissional. O desenvolvimento de atividades no âmbito do projeto, da execução e da exploração de instalações elétricas deve estar em conformidade com a Lei n.º 14/2015, de 16 de fevereiro, que estabelece os requisitos de acesso e exercício da atividade das entidades e dos técnicos responsáveis pelo projeto, pela execução e pela exploração das instalações elétricas de serviço particular. Um formando aplica esta matéria sob a responsabilidade técnica de quem a lei habilita.

Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo tem explicação, tabelas de consulta e, quando há contas, um exemplo resolvido passo a passo. Refaz sempre as contas com a calculadora antes de ler a solução. Os valores dos exemplos são didáticos: numa obra real, usam-se sempre os dados da ficha técnica do equipamento concreto e do projeto.

Uma célula fotovoltaica converte radiação solar em corrente contínua (DC). Várias células ligadas em série formam um módulo (ou painel). Vários módulos ligados em série formam uma fileira (em inglês, string). Várias fileiras, em paralelo, formam o campo fotovoltaico (ou gerador). O campo liga ao inversor, que converte a corrente contínua em corrente alternada (AC) com a tensão e a frequência da rede (230 V ou 400 V, 50 Hz).

No autoconsumo, a eletricidade produzida alimenta primeiro as cargas da própria instalação. Se sobrar, pode ser armazenada numa bateria ou injetada na rede pública; se faltar, a rede completa. O sistema fica, por isso, ligado a jusante do ponto de entrega da instalação de consumo, no mesmo quadro elétrico ou num quadro próprio.

Terminologia essencial

Termo Significado Unidade
Irradiância potência da radiação solar por metro quadrado W/m²
Irradiação energia da radiação recebida num período kWh/m²
Potência de pico (Wp, kWp) potência do módulo ou campo nas condições de ensaio padrão (STC) Wp, kWp
STC condições padrão de ensaio: 1000 W/m², 25 °C de temperatura da célula, espetro AM 1,5 (sigla)
Tensão em circuito aberto (Voc) tensão do módulo sem carga V
Corrente de curto-circuito (Isc) corrente do módulo em curto-circuito A
Ponto de potência máxima (MPP) tensão e corrente a que o módulo dá mais potência V, A
MPPT seguidor do ponto de potência máxima, função do inversor (sigla)
UPAC unidade de produção para autoconsumo (sigla)
Autoconsumo individual produção e consumo por um só autoconsumidor (conceito)

Um sistema pode ser ligado à rede sem armazenamento, ligado à rede com armazenamento (híbrido) ou isolado (sem rede). Esta unidade trata sobretudo dos dois primeiros, que são os do autoconsumo corrente.

Os dois tipos de arquitetura de inversor

Arquitetura Como é Onde se usa tipicamente
Inversor central (de fileiras) um só equipamento recebe uma ou mais fileiras DC e entrega AC moradias, comércio, indústria; telhados sem muitas sombras
Microinversores um pequeno inversor por módulo (ou por par de módulos), ligado atrás do módulo telhados com sombras parciais, várias orientações, expansão módulo a módulo

O capítulo 8 estuda as vantagens e desvantagens de cada um.

O trabalho do instalador cruza várias fontes. É importante saber quem decide o quê.

Regra de ouro do cumprimento legal: o que o projeto e o título de controlo prévio dizem sobre a potência, o tipo de ligação e a injeção é o que se instala. Instalar mais potência do que a declarada, ou ligar sem o procedimento concluído, é uma irregularidade, mesmo que o sistema funcione bem.

Transporte, manuseamento e acondicionamento dos equipamentos

Os módulos são frágeis e pesados (muitos têm entre 20 e 30 kg) e o vidro tem uma película que parte com facilidade. As precauções são:

  1. Transportar na vertical (de pé, em paletes ou em caixas), nunca deitados em pilhas altas, e travados com cintas.
  2. Descarregar com meios adequados e não arrastar. Nunca pegar pelo cabo ou pela caixa de junção.
  3. Armazenar em local seco e coberto, afastado de arestas e de cargas, com os módulos separados por cartão ou espuma.
  4. Não pisar nem apoiar objetos nos módulos. Uma microfissura invisível a olho nu reduz a produção durante anos.
  5. Manter as proteções dos conectores até ao momento da ligação, para que não entrem pó e humidade.
  6. Inversores e baterias transportam-se na posição indicada pelo fabricante. As baterias de lítio exigem cuidado redobrado: nunca se deixam cair, perfurar ou expor a calor.
  7. Cabos em bobinas, sem dobras apertadas (raio mínimo do fabricante) e sem os dobrar a frio demasiado.

Exemplo resolvido · potência de pico de um campo

Uma moradia vai ter 14 módulos de 440 Wp. Qual é a potência de pico do campo?

  1. Potência de pico = número de módulos × potência de cada módulo.
  2. 14 × 440 = 6160 Wp.
  3. Em quilowatts-pico: 6160 ÷ 1000 = 6,16 kWp.

Se o inversor tiver 5 kW de potência nominal AC, a relação entre o campo e o inversor é 6,16 ÷ 5 = 1,23. É normal o campo ser algo maior do que o inversor, porque os módulos raramente trabalham às condições STC. A decisão final cabe ao projeto e aos limites do inversor.

2. Eletricidade essencial para o instalador

Tudo o que se instala neste sistema obedece a um pequeno conjunto de leis. Quem as domina escolhe cabos, deteta anomalias e mede com confiança.

Corrente contínua e corrente alternada

A corrente contínua (DC) mantém sempre o mesmo sentido e, num bom gerador, o mesmo valor. É a que sai dos módulos e a que circula numa bateria. A corrente alternada (AC) muda periodicamente de sentido, segundo uma onda sinusoidal. É a da rede e a que sai do inversor.

A onda alternada caracteriza-se por:

Característica Definição Valor na rede portuguesa
Período (T) tempo de um ciclo completo 20 ms
Frequência (f) número de ciclos por segundo, f = 1 ÷ T 50 Hz
Amplitude (valor máximo, Um) valor mais alto da onda cerca de 325 V (em 230 V)
Fase posição da onda no tempo em relação a outra 120° entre fases em trifásico
Valor eficaz (Uef) valor DC que produziria o mesmo aquecimento 230 V
Valor médio média da onda; numa sinusoide completa é zero, e numa retificada é 0,637 × Um (ver exemplo)

O valor eficaz é o que os voltímetros e os rótulos indicam. Numa onda sinusoidal, Uef = Um ÷ √2.

Exemplo resolvido · valores da rede. Qual é a amplitude de uma tensão eficaz de 230 V? Um = 230 × √2 = 230 × 1,414 = 325 V. E a frequência de uma onda com período de 20 ms? f = 1 ÷ 0,020 = 50 Hz. O valor médio de uma sinusoide retificada em onda completa é 0,637 × 325 = 207 V, número que quase ninguém usa, mas que aparece nos exames.

Corrente monofásica e trifásica

Numa instalação monofásica há uma fase e o neutro: a tensão é 230 V (tensão simples). Numa trifásica há três fases desfasadas de 120° e o neutro: entre fase e neutro medem-se 230 V (tensões simples), entre duas fases medem-se 400 V (tensões compostas). A relação é:

U composta = √3 × U simples, isto é, 1,732 × 230 = 398 V, arredondado para a tensão nominal de 400 V.

Moradias com potências mais baixas costumam ter ligação monofásica; moradias maiores, comércio e indústria ligam-se em trifásico. O inversor deve corresponder à ligação do cliente: um inversor monofásico numa instalação trifásica injeta tudo numa só fase e desequilibra a rede interna.

Grandezas e unidades

Grandeza Símbolo Unidade Símbolo da unidade
Tensão U volt V
Intensidade de corrente I ampere A
Resistência R ohm Ω
Potência P watt W
Energia E watt-hora, quilowatt-hora Wh, kWh
Frequência f hertz Hz

Lei de Ohm

A lei de Ohm relaciona tensão, corrente e resistência: U = R × I. Das duas outras formas, I = U ÷ R e R = U ÷ I. Em corrente contínua, a potência é P = U × I. Combinando as duas, P = R × I² = U² ÷ R.

Exemplo resolvido · resistência de um cabo. Um cabo de cobre, em ida e volta, tem 0,225 Ω. A corrente da fileira é 10,6 A. Que tensão se perde? U = 0,225 × 10,6 = 2,39 V. Esta queda de tensão é a diferença entre o que o campo gera e o que chega ao inversor.

Associação de resistências

Associação Resistência equivalente Corrente Tensão
Série Req = R1 + R2 + R3 igual em todas divide-se
Paralelo 1 ÷ Req = 1 ÷ R1 + 1 ÷ R2 + 1 ÷ R3 divide-se igual em todas
Mista resolve-se por partes: primeiro os paralelos, depois a série mistas mistas

Exemplo resolvido · associação mista. Duas resistências de 10 Ω e 15 Ω em paralelo, em série com uma de 4 Ω. Qual a resistência total?

  1. Paralelo: 1 ÷ Rp = 1 ÷ 10 + 1 ÷ 15 = 0,1 + 0,0667 = 0,1667, logo Rp = 6 Ω.
  2. Série: Req = 6 + 4 = 10 Ω.
  3. Com 20 V de alimentação, I = 20 ÷ 10 = 2 A.

Esta lógica é a mesma dos módulos: módulos em série somam tensões (a corrente é a mesma) e fileiras em paralelo somam correntes (a tensão é a mesma).

Transformações energéticas, lei de Joule e perdas

A energia não se perde, transforma-se: no módulo, energia luminosa passa a elétrica (e parte vira calor); no inversor, DC passa a AC (e parte vira calor); num cabo, parte da energia elétrica passa a calor. A lei de Joule quantifica este último efeito:

P perdida = R × I² (em watt) e E perdida = R × I² × t (em joule ou, com t em horas, em Wh).

Como a corrente aparece ao quadrado, duplicar a corrente quadruplica as perdas. É por isso que se escolhem cabos com secção generosa nas fileiras mais longas e que se mantém a tensão do campo alta (menos corrente para a mesma potência).

Exemplo resolvido · perdas num cabo de fileira. Com R = 0,225 Ω e I = 10,6 A: P = 0,225 × 10,6² = 0,225 × 112,36 = 25,3 W. A fileira de 14 módulos de 440 Wp tem 6160 Wp, logo a perda é 25,3 ÷ 6160 × 100 = 0,41 %. Aceitável. Se o cabo tivesse metade da secção (o dobro de R), a perda seria 50,6 W, ou 0,82 %.

Potência elétrica e energia

Em corrente alternada monofásica: P = U × I × cos φ, em que cos φ é o fator de potência. Em trifásica: P = √3 × U × I × cos φ, com U = 400 V. Os inversores modernos funcionam com cos φ próximo de 1.

A energia é potência vezes tempo: E (kWh) = P (kW) × t (h). Um campo de 6 kWp a produzir à potência média de 4 kW durante 5 horas gera 20 kWh.

Esquemas elétricos e simbologia

Um esquema unifilar de um sistema fotovoltaico lê-se da esquerda (campo) para a direita (rede):

  1. Campo fotovoltaico (fileiras 1, 2, ...) com a indicação do número de módulos por fileira.
  2. Proteção DC: fusíveis de fileira (se necessários), interruptor-seccionador DC, descarregador de sobretensões DC.
  3. Inversor (com as entradas MPPT).
  4. Proteção AC: disjuntor, interruptor diferencial, descarregador AC.
  5. Contador ou medidor de produção, se existir.
  6. Quadro geral da instalação, com o ponto de ligação.
  7. Rede de terras e ligações equipotenciais desenhadas à parte.

Simbologia. Os símbolos usados nos esquemas seguem a norma de símbolos gráficos para esquemas elétricos (série IEC 60617), e a legenda do projeto diz sempre qual se usou. Os mais frequentes:

Símbolo (como se desenha) Nome Função
Retângulo com uma diagonal e o sinal de corrente contínua (⎓) Módulo ou campo fotovoltaico produz corrente contínua
Retângulo com uma diagonal, o sinal ⎓ de um lado e o sinal ~ do outro Inversor converte DC em AC
Interruptor aberto, com um traço transversal na ponta da lâmina Interruptor-seccionador corta e isola o circuito
Interruptor com uma cruz (×) na lâmina Disjuntor protege contra sobrecarga e curto-circuito
Disjuntor com um círculo (toroide) à volta do condutor Interruptor diferencial corta quando há corrente de fuga à terra
Retângulo atravessado por uma linha Fusível corta por fusão perante sobrecorrente
Retângulo com seta ou ziguezague ligado à terra Descarregador de sobretensões (DPS) desvia a sobretensão para a terra
Três traços horizontais decrescentes (⏚) Terra ligação à terra de proteção
Círculo com «kWh» Contador mede a energia

Exemplo, o campo de 14 módulos dos capítulos seguintes, lido da esquerda para a direita:

[14 módulos em série] ─ [interruptor-seccionador DC] ─ [DPS DC] ─ [inversor]
[inversor] ─ [disjuntor AC] ─ [diferencial] ─ [DPS AC] ─ [contador] ─ [quadro geral]
terra (⏚): molduras, estruturas, inversor e quadro, todos ligados ao barramento de terra

As duas primeiras linhas são a mesma cadeia, cortada no inversor para caber na página: o inversor é o elo comum.

Um esquema só é válido se o que está desenhado for o que está montado: qualquer alteração em obra regista-se no esquema "como construído".

3. Componentes do sistema fotovoltaico

Módulos fotovoltaicos

Os módulos mais usados são de silício monocristalino. Têm vidro à frente, encapsulante, células, folha traseira (ou vidro duplo) e moldura de alumínio. As suas características elétricas vêm na placa de identificação e na ficha técnica:

Dado Exemplo didático (módulo de 440 Wp)
Potência máxima (Pmax) 440 Wp
Tensão no ponto de potência máxima (Vmp) 41,5 V
Corrente no ponto de potência máxima (Imp) 10,6 A
Tensão em circuito aberto (Voc) 49,5 V
Corrente de curto-circuito (Isc) 11,3 A
Coeficiente de temperatura da Voc -0,26 %/°C
Tensão máxima do sistema 1000 V ou 1500 V DC, conforme o módulo

O coeficiente de temperatura é muito importante: a tensão sobe quando o módulo arrefece e desce quando aquece. A potência cai com o calor, cerca de 0,3 a 0,4 % por cada grau acima de 25 °C, valor que está na ficha técnica de cada módulo.

Os módulos têm díodos de bypass na caixa de junção, que contornam um grupo de células sombreado ou avariado. Por isso uma sombra parcial não anula o módulo inteiro, mas faz perder uma parte importante da sua produção.

Inversor central

O inversor central (ou de fileiras) recebe a DC das fileiras, procura o ponto de potência máxima com o seu MPPT e converte para AC sincronizada com a rede. Tem proteções internas: anti-ilhamento (desliga se a rede falhar, para não alimentar a rede em avaria), proteção contra sobretensões e subtensões, e vigilância de corrente de fuga.

Vantagens: custo por kW baixo, poucos equipamentos para manter, fácil monitorização, uma só ligação à rede. Desvantagens: uma sombra ou sujidade numa fileira penaliza essa entrada MPPT, a falha do inversor para toda a produção, a tensão DC elevada exige cuidados de segurança.

Microinversores

O microinversor converte a DC de um ou dois módulos em AC logo atrás do módulo. O cabo que sai do telhado já é AC (por isso o risco de tensão DC elevada desaparece), e cada módulo tem o seu MPPT.

Vantagens: sombras num módulo não prejudicam os outros, várias orientações no mesmo telhado, monitorização por módulo, expansão módulo a módulo, sem tensões DC altas no edifício. Desvantagens: custo por módulo mais alto, mais equipamento instalado no telhado (de acesso difícil em caso de avaria, e sujeito a calor e chuva), mais pontos de ligação AC no telhado.

Critério Inversor central Microinversores
Custo por kW menor maior
Sombreamento parcial penaliza a fileira só o módulo sombreado
Tensão DC no edifício alta (centenas de volt) baixa
Manutenção equipamento acessível junto ao quadro equipamento no telhado
Monitorização por fileira por módulo
Orientações diferentes exige MPPT separados natural

Inversor híbrido e bateria

O inversor híbrido gere também uma bateria: carrega-a com o excedente solar e descarrega-a quando o consumo supera a produção. Alguns têm uma saída de emergência (EPS ou backup) para alimentar cargas essenciais se a rede falhar.

Estruturas de fixação

São os suportes onde os módulos apoiam: perfis de alumínio ou aço inoxidável, ganchos, parafusos, grampos (laterais e centrais), lastros (em coberturas planas) e calhas. Têm de resistir ao peso, ao vento e à neve da zona, e de ser compatíveis com o material da cobertura.

Cabos e conectores

Na parte DC usam-se cabos solares de dupla isolação, resistentes aos raios UV e a temperaturas elevadas, normalmente de cobre estanhado e secção de 4 ou 6 mm². Os conectores devem ser da mesma marca e modelo dos dois lados: misturar marcas, mesmo que "encaixem", dá maus contactos, aquecimento e, em casos reais, incêndio. Na parte AC usam-se os cabos da instalação elétrica, com secção calculada para a corrente do inversor.

Aparelhagem

4. Segurança, saúde no trabalho e trabalhos em altura

Um sistema fotovoltaico tem três riscos graves que se juntam no mesmo dia: queda em altura, choque elétrico e arco elétrico em corrente contínua. Por isso a organização da zona de trabalho e as medidas de segurança vêm antes de qualquer ferramenta na mão.

Avaliação de riscos

A avaliação de riscos segue um método sempre igual:

  1. Identificar as atividades e subatividades a realizar (descarregar material, elevar, montar estrutura, fixar módulos, passar cabos, ligar, testar).
  2. Identificar os fatores de risco presentes em cada uma (altura, cobertura frágil, vento, tensão elétrica, peso, calor, ferramentas).
  3. Identificar os eventos de risco elevado e os danos potenciais (queda de pessoa, queda de objeto, eletrocussão, arco, queimadura, esmagamento).
  4. Determinar as medidas de segurança a aplicar (proteção coletiva primeiro, individual depois).
  5. Delimitar e sinalizar a zona de trabalho e registar o que foi decidido.
Atividade Fator de risco Evento de risco elevado Medida
Elevar módulos ao telhado peso, altura, vento queda de objeto sobre pessoas zona de exclusão no solo, meio de elevação certificado
Trabalhar no telhado altura, cobertura frágil queda de pessoa proteção coletiva (guarda-corpos), arnês com ponto de amarração
Ligar cabos DC tensão sempre presente choque, arco elétrico cobrir módulos (baixa a tensão, não a elimina), ferramentas isoladas, luvas dielétricas, sem corte em carga
Ensaios tensão e corrente choque, curto-circuito instrumentos certificados, procedimento escrito, trabalhar acompanhado

Delimitação e sinalização da zona de trabalho

No solo, delimita-se a zona por baixo da área de trabalho com fita, cones ou barreiras e sinaliza-se com os painéis de proibição de acesso. Ninguém passa por baixo de cargas em elevação nem de quem trabalha na cobertura. No telhado, marcam-se os limites e os pontos de passagem. As condições de execução incluem também o estado do tempo: não se trabalha em cobertura com chuva, vento forte, gelo, trovoada ou superfície escorregadia.

Procedimentos relativos a trabalhos em altura

A regra é uma hierarquia: primeiro evitar o trabalho em altura (por exemplo, pré-montar no chão), depois proteger coletivamente (andaimes, guarda-corpos, redes), e só depois proteger individualmente (arnês e linha de vida). Os pontos a respeitar:

  1. Verificar a cobertura: telhas, chapas, claraboias e fibrocimento podem não suportar o peso de uma pessoa. Usam-se passadiços e nunca se pisa onde não se tem a certeza.
  2. Arnês com ponto de amarração: o arnês liga-se a um ponto de ancoragem adequado, com amortecedor de quedas, e a altura livre abaixo tem de ser suficiente para o sistema funcionar.
  3. Escadas: apoiadas sobre base firme, ultrapassando o ponto de chegada, atadas e com três pontos de contacto na subida.
  4. Ninguém trabalha sozinho em altura.
  5. Condições físicas: sem álcool, sem tonturas, com calçado adequado.
  6. Resgate: antes de começar, sabe-se como socorrer alguém suspenso e a quem ligar.

Equipamentos de proteção individual (EPI)

EPI Função Notas
Fato de trabalho proteção do corpo, cobre braços e pernas de preferência retardador de chama
Botas de proteção mecânica com sola antiestática proteção dos pés, aderência, descarga de eletricidade estática biqueira de proteção
Capacete com viseira incorporada antiUV proteção da cabeça e da cara contra a radiação UV e projeções uma viseira só antiUV não protege do arco elétrico: para o risco de arco usa-se viseira própria para arco (no EPI, o símbolo 8 da EN 166, arco de curto-circuito), indicada pelo fabricante; o símbolo 8 tem de estar na viseira e na armação: o conjunto vale pela marcação mais baixa, por isso uma viseira com 8 num suporte sem 8 não protege do arco
Luvas de proteção mecânica manuseamento de módulos, perfis, telhas resistência ao corte
Luvas de proteção mecânica com punho siliconizado idem, com punho mais longo e anti-deslizante úteis em tarefas com humidade
Luvas dielétricas da classe 0 ou 00 proteção contra choque em tarefas elétricas classe 00 até 500 V AC e 750 V DC; classe 0 até 1000 V AC, com o limite DC na marcação e na ficha do fabricante
Arnês paraquedista com cinto de trabalho incorporado sustenta o corpo numa queda ajustado ao utilizador
Amortecedor de quedas reduz a força do travão de queda tem prazo de utilização
Paraquedas deslizante (dispositivo anticaídas deslizante) acompanha o trabalhador na linha de vida e bloqueia numa queda sempre ligado ao arnês

Que classe escolher. A classe escolhe-se pela tensão máxima do campo, medida à temperatura mínima de projeto, e não pela tensão do dia. A fileira de 14 módulos dos exemplos tem 747 V em circuito aberto a -5 °C e 756 V a -10 °C: está no limite dos 750 V DC da classe 00 e passa-o com mais frio. Nesse campo usa-se a classe 0, e confirma-se na marcação das luvas que o limite DC cobre a tensão do campo. A classe 00 só serve quando a tensão máxima do campo fica claramente abaixo dos 750 V (por exemplo, fileiras de 6 ou 8 módulos). O que se leva para a obra decide-se assim: lê-se na marcação da luva e na ficha do fabricante a tensão máxima de utilização em corrente contínua (nem todos os fabricantes a declaram do mesmo modo, e há quem indique a tensão de ensaio, que é mais alta), e compara-se com a Voc do campo à temperatura mínima de projeto. Se a ficha não declarar limite DC, as luvas não servem para este trabalho.

As luvas dielétricas inspecionam-se antes de cada uso (enchendo-as de ar para ver fugas) e têm um prazo de reensaio. O EPI danificado, com fissuras, furos ou sinais de queda, é retirado do uso.

A regra de ouro da tensão DC

Uma fileira exposta à luz tem sempre tensão, mesmo com o inversor desligado e o disjuntor aberto. Por isso:

  1. Cobrir módulos com mantas opacas quando se trabalha nos conectores, ou ligar os cabos só depois de tudo estar pronto. Cobrir baixa a tensão, não a elimina: uma fileira só parcialmente coberta pode ficar com centenas de volt, por isso mede-se sempre antes de tocar.
  2. Nunca desligar conectores DC em carga: o arco em corrente contínua não se apaga sozinho, ao contrário do arco em AC. Os conectores não são aparelhos de corte: para parar o sistema usa-se o interruptor-seccionador DC, que corta em carga.
  3. Ferramentas isoladas e luvas dielétricas.
  4. Sem joias metálicas, sem relógios nem fios nos pescoços.

Ordem de paragem e de arranque

Uma só ordem de aparelhos em toda a unidade. Para parar, o primeiro aparelho a manobrar é sempre o disjuntor AC, e isso não se discute. Para arrancar ensina-se a mesma ordem, AC e depois DC, mas no arranque quem manda é o manual do equipamento.

Porquê esta ordem. Ao abrir primeiro o AC, o inversor deixa de injetar na rede e a corrente DC cai para quase zero, por isso o interruptor-seccionador DC abre praticamente sem corrente, com menos desgaste e menos arco. A ordem de paragem é a que tem consequência física, e essa não se discute: o interruptor-seccionador DC nunca se abre com o inversor a converter. Os manuais dos fabricantes descrevem a paragem desta maneira, e o manual do equipamento acrescenta passos próprios sem inverter esta ordem. No arranque não há arco a evitar, porque se fecham aparelhos feitos para fechar: a ordem que esta unidade ensina, AC e depois DC, é a corrente, porque o inversor já vê a rede quando recebe a potência do campo, mas há modelos cujo manual de colocação em funcionamento manda fechar primeiro o DC, e aí segue-se o manual do equipamento. Resumindo: no arranque, segue-se o manual do equipamento; na paragem, nunca. E lembra-se sempre: mesmo com os dois aparelhos abertos, o campo continua em tensão enquanto houver luz.

Exemplo resolvido · plano de segurança para uma cobertura inclinada

Uma moradia tem cobertura de telha cerâmica com 30° de inclinação e um beiral a 6 m do solo. Como organizar a segurança?

  1. Atividades: elevar módulos, montar ganchos e calhas, fixar módulos, passar cabos.
  2. Riscos graves: queda de pessoa (beiral a 6 m), queda de objeto (telha, módulo), telha partida sob o peso.
  3. Medidas coletivas: andaime no beiral com guarda-corpos; zona de exclusão no solo abaixo da área de trabalho; elevador exterior para os módulos.
  4. Medidas individuais: arnês com linha de vida ancorada à estrutura, capacete com jugular, botas antiderrapantes, luvas mecânicas.
  5. Condições: trabalho suspenso em chuva, vento forte ou telha molhada.
  6. Equipa: no mínimo duas pessoas, com um responsável pela segurança, e plano de resgate conhecido.

Proteção ambiental e saúde no trabalho

As normas de proteção ambiental pedem que, durante a obra, se separem os resíduos (embalagens de cartão, plástico, paletes, restos de cabo, metais), se entreguem módulos e baterias danificados a operadores licenciados de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos e que não se abandone qualquer resíduo no telhado ou no terreno. Em saúde e segurança, contam as pausas e a hidratação em dias quentes, a proteção solar, a ergonomia no levantamento de cargas (cargas pesadas elevam-se entre duas pessoas ou com meios mecânicos) e o registo de qualquer incidente.

5. Preparar a execução: fases, local, orientação, inclinação e sombreamento

Fases de implementação

Uma instalação bem feita tem fases que não se trocam de ordem:

Fase O que se faz Resultado
1. Visita técnica observar cobertura, quadro elétrico, percursos de cabos, acessos registo e fotografias
2. Projeto e dimensionamento escolher potência, módulos, inversor, proteções, secções esquemas e lista de material
3. Preparação da obra plano de segurança, material, ferramentas, instrumentos, equipa obra pronta a começar
4. Fixação estruturas, módulos, passagem de cabos campo montado, ainda não ligado ao inversor
5. Ligações inversor, terras, quadro AC, monitorização sistema ligado, ainda desligado da rede
6. Ensaios antes de ligar à rede continuidade, polaridade, Voc, corrente, isolamento (ensaios 1 a 6) registo de ensaios
7. Colocação em funcionamento fechar o disjuntor AC e depois o interruptor-seccionador DC; ensaios de funcionamento, diferencial e proteções (ensaios 7 a 9); verificar produção sistema a produzir
8. Entrega formar o cliente, entregar documentação cliente informado

Critérios de seleção do local da instalação

O local ideal reúne: cobertura ou terreno com área suficiente, boa orientação e inclinação, pouco ou nenhum sombreamento, estrutura capaz de suportar a carga, percurso curto de cabos até ao inversor e ao quadro, acesso seguro para montagem e manutenção, e um local para o inversor fresco, ventilado, protegido da chuva direta e do sol e perto do quadro.

Determinação da orientação e inclinação ideais

Em Portugal continental, no hemisfério norte, os módulos produzem mais anualmente quando viram para sul (azimute 0° em relação ao sul) e têm uma inclinação aproximada da latitude do local menos alguns graus, o que dá cerca de 30° a 35° na maior parte do território. Desvios pequenos custam pouco: o plano de 20° a 40° e as orientações entre sudeste e sudoeste perdem apenas alguns por cento ao ano.

Esta é a regra do critério de desempenho "garantir a orientação e a inclinação ideais": a melhor solução é a que a cobertura permite, e o instalador deve:

  1. Medir o azimute da cobertura com bússola ou aplicação calibrada, anotando o desvio em relação ao sul.
  2. Medir a inclinação da água do telhado com um inclinómetro (nível digital).
  3. Verificar se a cobertura permite os módulos paralelos ao telhado, sem estrutura de inclinação adicional, e quanto se perde.
  4. Em coberturas planas, escolher a inclinação da estrutura equilibrando produção, vento e sombra entre filas.
  5. Em coberturas orientadas a nascente e poente, considerar o conceito "este-oeste": produz menos por módulo mas distribui a produção ao longo do dia, o que combina bem com o consumo da manhã e do fim da tarde.
Orientação (azimute) Efeito aproximado na produção anual
Sul, 30° a 35° referência (100 %)
Sudeste ou sudoeste, 30° perda pequena, de ordem de poucos por cento
Este ou oeste, 20° a 30° perda moderada, mas produção mais repartida no dia
Norte perda grande, a evitar
Horizontal perda pequena a moderada, mas acumula sujidade

Método de análise de sombreamento

Uma sombra é o maior inimigo de uma fileira. Num inversor central, a sombra num só módulo limita a corrente de toda a fileira. A análise de sombreamento faz-se com:

  1. Observação direta no local, às horas críticas (inverno, 9 h e 15 h), identificando chaminés, árvores, edifícios, antenas e platibandas.
  2. Fotografia com carta solar ou aplicações e ferramentas de análise que traçam o percurso do sol sobre o horizonte do local, com o relevo das obstruções.
  3. Cálculo da distância entre obstáculo e módulo: a sombra de um obstáculo de altura h, com o sol a uma altura (elevação) α, mede d = h ÷ tan α.
  4. Medição e registo: altura e distância dos obstáculos, fotografias a partir da área dos módulos, horas com sombra e conclusão (aceitável, necessita de microinversores ou de otimizadores, ou deve mudar de local).

A elevação solar ao meio-dia no solstício de inverno é a mais baixa do ano: α = 90° - latitude - 23,45°. É a referência para evitar sombras de uma fila de módulos sobre a seguinte.

Exemplo resolvido · distância entre filas de módulos

Numa cobertura plana em Lisboa (latitude 38,7° N), os módulos têm 1,1 m de comprimento e vão ser inclinados 20°. Qual é a distância mínima entre filas para que não haja sombra ao meio-dia do solstício de inverno?

  1. Elevação solar: α = 90 - 38,7 - 23,45 = 27,85°.
  2. Altura da aresta alta do módulo: h = 1,1 × sin 20° = 1,1 × 0,342 = 0,376 m.
  3. Comprimento da sombra no plano horizontal: d = h ÷ tan α = 0,376 ÷ tan 27,85° = 0,376 ÷ 0,528 = 0,712 m.
  4. Projeção horizontal do módulo: 1,1 × cos 20° = 1,1 × 0,940 = 1,034 m.
  5. Distância entre as arestas baixas de duas filas (passo): 1,034 + 0,712 = 1,746 m, cerca de 1,75 m.

Para dias de inverno, ao meio-dia, não há sombra. Nas primeiras e últimas horas do dia há sombra, o que é aceite em projeto por ser energia de pouco valor.

Exemplo resolvido · sombra de uma chaminé

Uma chaminé com 1,2 m de altura acima do plano dos módulos está a 3 m deles, na direção sul (distância medida na horizontal). O sol, em dezembro às 12 h, está a 28° de elevação. A chaminé sombreia os módulos?

  1. Comprimento da sombra: d = 1,2 ÷ tan 28° = 1,2 ÷ 0,532 = 2,26 m.
  2. A sombra tem 2,26 m e a chaminé está a 3 m: não chega aos módulos ao meio-dia. Nota de método: d = h ÷ tan α dá a sombra medida no plano horizontal. Numa cobertura inclinada compara-se com a distância também medida na horizontal (em planta); medida ao longo da água do telhado, a distância é maior.
  3. De manhã e à tarde, com o sol mais baixo (por exemplo 15°), d = 1,2 ÷ tan 15° = 1,2 ÷ 0,268 = 4,5 m, o que atinge os módulos e, além disso, vem de direções diferentes. Regista-se a perda e decide-se se justifica microinversores ou outra posição.

Medição e registo

Nesta fase fotografam-se a cobertura, o quadro, o contador e o percurso de cabos; registam-se as dimensões (comprimento do beiral à cumeeira, largura, obstáculos), o material da cobertura, o estado das telhas ou da impermeabilização, a existência de pontos de amarração, o espaço no quadro e a distância ao ponto de ligação. É este registo que justifica a escolha da estrutura, da posição do inversor e do comprimento de cabo.

6. Superfícies de instalação, estruturas de fixação e elevação de materiais

Superfícies de instalação: tipos e características

Superfície Características Fixação típica
Telha cerâmica ou de betão cobertura inclinada, telhas sobrepostas, estanquidade por sobreposição ganchos de telha fixados ao ripado ou à madeira estrutural
Chapa metálica ondulada ou trapezoidal leve, impermeabilidade depende das juntas parafusos autoperfurantes com vedante, grampos de junta de pé
Painel sandwich duas chapas com isolamento fixação a uma estrutura secundária, nunca só na chapa
Cobertura plana (laje) impermeabilização, pouca inclinação estruturas com lastro, ou ancoragens com vedação própria
Fibrocimento frágil e, se for antigo, pode ter materiais perigosos só por equipas autorizadas para o manusear; avisar sempre o responsável
Solo terreno estável, sem sombra estacas ou sapatas e estrutura própria
Pérgolas e coberturas de estacionamento (carports) estrutura metálica ou de betão cálculo da estrutura

Atenção ao fibrocimento: em coberturas antigas pode haver fibras que são perigosas se forem partidas, furadas ou limpas a seco. Perante a suspeita, pára-se e informa-se o responsável da obra, que segue o procedimento legal aplicável.

Estruturas de fixação: tipos

Regras e procedimentos de montagem

  1. Confirmar a capacidade da cobertura (cargas do projeto: peso próprio, vento, neve conforme a zona).
  2. Marcar as linhas de fixação com cordel ou nível laser, alinhadas com o ripado ou com as madres.
  3. Fixar os ganchos ou pés à estrutura resistente da cobertura, nunca apenas à telha ou à chapa solta, com os parafusos e os binários de aperto indicados pelo fabricante.
  4. Assegurar a estanquidade: ganchos que passam por baixo da telha sem a partir, vedantes nos furos de chapa, peças de recobrimento.
  5. Montar os perfis (calhas) alinhados e nivelados, com juntas e emendas conforme o manual.
  6. Respeitar as distâncias de bordo, de extremidade e entre pontos de fixação, previstas no projeto, que são maiores nas zonas de canto e de beiral onde o vento é mais forte.
  7. Aplicar a proteção contra a corrosão e evitar o contacto de metais diferentes, que provoca corrosão galvânica (alumínio com aço comum, por exemplo).
  8. Respeitar a dilatação térmica: nos perfis longos, deixam-se juntas ou apoios deslizantes.
  9. Ligar as estruturas à terra (capítulo 9) e verificar a continuidade.
  10. Registar o binário aplicado e fotografar pontos críticos.

Aptidão: preparar e utilizar instrumentos, máquinas e ferramentas

Antes de subir à obra, prepara-se e verifica-se cada ferramenta.

Antes de cada uso inspeciona-se o equipamento, e o que está danificado sai de serviço. No fim, conta-se e arruma-se tudo, para não ficar nada solto na cobertura.

Exemplo resolvido · carga de uma cobertura

Um campo de 14 módulos de 440 Wp, cada um com 24 kg, mais a estrutura que pesa 3,5 kg por módulo. Qual a carga adicional na cobertura, por metro quadrado, se cada módulo ocupa 2,1 m²?

  1. Peso por módulo com estrutura: 24 + 3,5 = 27,5 kg.
  2. Peso total: 14 × 27,5 = 385 kg.
  3. Área: 14 × 2,1 = 29,4 m².
  4. Carga: 385 ÷ 29,4 = 13,1 kg/m², aproximadamente 0,13 kN/m².

Este valor compara-se com a capacidade que o projeto da cobertura prevê. Em edifícios antigos ou em coberturas leves, pede-se verificação a quem tem competência para tal.

Aptidão: executar a fixação da estrutura metálica de suporte

O desempenho esperado do formando é executar a fixação da estrutura metálica de suporte de forma segura e durável. O critério é triplo: a estrutura é fixada à parte resistente, fica alinhada e nivelada, e não compromete a estanquidade nem a segurança do edifício.

Elevar materiais e equipamentos

Subir um módulo de 20 a 30 kg por uma escada é arriscado. Os meios recomendados:

  1. Elevador exterior (monta-cargas inclinado) ou grua, com carga certificada.
  2. Corda e polia só em tarefas pequenas, com um ponto de ancoragem seguro e zona de exclusão no solo.
  3. Plataforma ou andaime, em que o material sobe por etapas.
  4. Em cada deslocação, dois trabalhadores para os módulos e cuidado com o vento, que age como vela nos módulos.

Ninguém transporta um módulo pelas escadas à mão ao mesmo tempo que sobe com as duas mãos ocupadas. O material não fica solto na cobertura: guarda-se preso ou em caixas de transporte.

7. Fixar módulos, passar cabos e preparar as ligações

Fixar painéis fotovoltaicos

  1. Verificar o módulo à chegada: vidro sem fissuras, moldura sem amolgadelas, caixa de junção intacta, cabos sem cortes.
  2. Posicionar o módulo nas calhas, começando por uma extremidade e seguindo uma ordem que facilite os cabos.
  3. Fixar com grampos (os laterais nas extremidades da fila, os centrais entre módulos) na zona da moldura indicada no manual do fabricante, com o binário de aperto prescrito. Grampos fora da zona permitida podem anular a garantia.
  4. Deixar folga entre módulos conforme o manual, para a dilatação.
  5. Alinhar com cordel e nível. Uma fila torta não é só feia: é indício de má fixação.
  6. Respeitar o espaço de ventilação entre o módulo e a cobertura: módulos mais frescos produzem mais.
  7. Nunca ficar de pé sobre o módulo nem apoiar ferramentas.

Passar cabos

Os cabos DC em cobertura sofrem sol, calor, chuva e vento. As regras:

  1. Usar cabos solares e conectores com a classe adequada à tensão e à corrente.
  2. Fixar os cabos às calhas com abraçadeiras resistentes aos raios UV, sem esticar e sem deixar a pender.
  3. Evitar laços entre cabos positivo e negativo: um laço grande capta sobretensões induzidas por descargas atmosféricas. Passam-se os dois condutores juntos pelo mesmo percurso.
  4. Respeitar o raio de curvatura do cabo e evitar arestas vivas.
  5. Proteger as passagens pelas paredes e pelas coberturas com bucins ou calhas e vedar a entrada de água.
  6. Separar cabos DC de cabos AC e de cabos de sinal (monitorização) sempre que possível.
  7. Identificar cada fileira com etiquetas (positivo, negativo, número da fileira) nas duas pontas.
  8. Não deixar conectores no chão ou no telhado, onde a água e a sujidade os danificam.
  9. Calcular a secção pelo comprimento e pela corrente (queda de tensão e aquecimento), como no exemplo seguinte.

Exemplo resolvido · secção do cabo DC e queda de tensão

Uma fileira de 14 módulos tem corrente de 10,6 A (Imp) e tensão de 14 × 41,5 = 581 V no ponto de potência máxima. O percurso até ao inversor é de 30 m, em ida, logo 60 m de cabo no total. Fórmula da queda de tensão em corrente contínua: ΔU = 2 × L × I × ρ ÷ S, com L o comprimento de ida, ρ a resistividade do cobre (0,0225 Ω·mm²/m, valor de cálculo a temperatura de funcionamento) e S a secção.

  1. Com S = 6 mm² e I = 10,6 A: ΔU = 2 × 30 × 10,6 × 0,0225 ÷ 6 = 14,31 ÷ 6 = 2,39 V.
  2. Em percentagem da tensão da fileira: 2,39 ÷ 581 × 100 = 0,41 %.
  3. Com S = 4 mm²: ΔU = 14,31 ÷ 4 = 3,58 V, ou 0,62 %. Também aceitável para a queda de tensão.
  4. Para a perda de energia: P = R × I² com R = 2 × 30 × 0,0225 ÷ 6 = 0,225 Ω, logo P = 0,225 × 10,6² = 25,3 W (0,41 % dos 6160 W do campo).

A escolha final tem de verificar também a corrente admissível do cabo nas condições de instalação (temperatura, agrupamento) e o fusível, se existir. A queda de tensão típica de projeto no lado DC fica abaixo de 1 %, valor de referência prático (o projeto fixa o limite).

Aptidão: executar ligações por meio de acessórios de cravação

Os acessórios de cravação são terminais, ponteiras, olhais e os contactos dos conectores fotovoltaicos que se fixam ao cabo por deformação controlada com uma ferramenta de cravar própria, e não por soldadura ou aperto de parafuso. O método:

  1. Cortar o cabo a direito e descarnar o comprimento exato indicado pelo fabricante, sem cortar fios do cobre.
  2. Escolher o contacto com a secção certa e a ferramenta de cravar do mesmo fabricante (ferramentas genéricas dão cravações fracas).
  3. Inserir os fios completos no contacto, sem fios a sobrar fora.
  4. Cravar com a matriz adequada, até a ferramenta libertar.
  5. Inspecionar a cravação: sem fios soltos, isolante fora do barril, contacto sem deformação.
  6. Montar o contacto no corpo do conector até ouvir o clique, e fechar a porca, com o binário recomendado.
  7. Fazer o ensaio de tração leve (puxar) e, se possível, medir a resistência do contacto.

Uma cravação má cria resistência, que aquece em corrente contínua e, com o tempo, derrete o isolamento. É uma das causas mais comuns de incêndio em sistemas fotovoltaicos.

8. Inversores e dimensionamento das fileiras

Inversor central: local e fixação

  1. Local: perto do quadro AC, em espaço fresco e ventilado, abrigado da chuva direta e do sol, e acessível. Evitar locais com poeira, humidade excessiva e temperaturas altas (o inversor reduz potência quando aquece).
  2. Altura e espaços livres à volta, indicados no manual para dissipação do calor.
  3. Fixação a parede resistente (alvenaria ou betão) com buchas e parafusos adequados ao peso, ou em suporte próprio. Nunca em divisórias leves.
  4. Posição vertical ou a que o fabricante prescrever.
  5. Distância curta de cabos DC e AC, para menos perdas.

Função e ligação

O inversor tem entradas DC (com um ou mais MPPT), saída AC e comunicações. A ligação faz-se por esta ordem:

  1. Verificar que o interruptor-seccionador DC está aberto e o disjuntor AC está desligado.
  2. Ligar a terra de proteção do inversor.
  3. Ligar a saída AC (fase, neutro e terra no monofásico; três fases, neutro e terra no trifásico), com os binários dos terminais.
  4. Ligar os conectores DC, respeitando a polaridade e a fileira de cada entrada MPPT.
  5. Ligar os sensores e comunicações (RS485, Wi-Fi, Ethernet, contador).
  6. Só depois dos ensaios 1 a 6 (capítulo 12) é que se fecham, por esta ordem, o disjuntor AC e o interruptor-seccionador DC.

Dimensionamento das fileiras no inversor

É o cálculo que mais erros produz. O número de módulos por fileira tem de respeitar quatro limites da ficha técnica do inversor:

Fórmulas:

N máx = Umax inversor ÷ Voc (à temperatura mínima), arredondado para baixo. N máx (janela) = Umax MPPT ÷ Vmp (à temperatura mínima), arredondado para baixo. N mín = Umin MPPT ÷ Vmp (à temperatura máxima da célula), arredondado para cima. Voc(T) = Voc(25 °C) × [1 + k × (T - 25)], com k negativo, em fração por °C.

Exemplo resolvido · número de módulos por fileira

Módulo: Voc = 49,5 V, Vmp = 41,5 V, Isc = 11,3 A, coeficiente da Voc = -0,26 %/°C, coeficiente da tensão no MPP = -0,30 %/°C. Inversor: tensão máxima de entrada 1000 V, janela MPPT de 150 V a 850 V, corrente máxima por MPPT 16 A. Temperatura mínima de projeto: -5 °C. Temperatura máxima da célula: 70 °C.

  1. Voc a -5 °C: variação de temperatura = -5 - 25 = -30 °C. Voc(-5 °C) = 49,5 × [1 + 0,0026 × 30] = 49,5 × 1,078 = 53,36 V.
  2. N máx = 1000 ÷ 53,36 = 18,74 → 18 módulos (arredonda-se para baixo).
  3. Vmp a 70 °C: variação = +45 °C. Vmp(70 °C) = 41,5 × [1 - 0,0030 × 45] = 41,5 × 0,865 = 35,90 V.
  4. N mín = 150 ÷ 35,90 = 4,18 → 5 módulos (arredonda-se para cima).
  5. Vmp a -5 °C (topo da janela): Vmp(-5 °C) = 41,5 × [1 + 0,0030 × 30] = 41,5 × 1,09 = 45,24 V; N máx = 850 ÷ 45,24 = 18,79 → 18 módulos.
  6. Intervalo possível: de 5 a 18 módulos por fileira.
  7. Escolha de 14 módulos: Voc a -5 °C = 14 × 53,36 = 747 V (abaixo de 1000 V); Vmp a -5 °C = 14 × 45,24 = 633 V (abaixo de 850 V); Vmp a 70 °C = 14 × 35,90 = 503 V (acima de 150 V); Vmp a 25 °C = 14 × 41,5 = 581 V (dentro da janela).
  8. Corrente: Isc = 11,3 A, abaixo dos 16 A do MPPT.

Verifica-se também a tensão máxima do sistema do próprio módulo (1000 V ou 1500 V), e fica uma margem de segurança em relação ao limite do inversor.

Microinversores: ligação

Cada microinversor liga-se ao módulo por conectores DC curtos e a um cabo tronco AC comum, em que se ligam vários microinversores em derivação, até um limite por circuito indicado pelo fabricante. A ordem de trabalho: fixar o microinversor à estrutura, ligar o cabo de terra se o fabricante o exigir, ligar o cabo tronco, ligar o módulo, tapar as pontas livres do cabo, e só no fim ligar o circuito AC ao quadro. O número máximo de microinversores por disjuntor tem de respeitar o manual (e a corrente do circuito). Fazem-se registos dos números de série de cada um e da posição no telhado, para a monitorização.

Pontos de injeção na instalação de consumo e soluções

O sistema liga ao quadro de consumo num ponto de injeção. As soluções correntes:

Solução Descrição Aspeto de atenção
Ligação no quadro geral circuito próprio com disjuntor no quadro existente verificar espaço, barramentos e calibre do corte geral
Quadro AC dedicado quadro próprio da produção, com ligação ao quadro geral recomendado quando há muitas proteções
Ligação a quadro parcial alimenta apenas parte das cargas atenção ao dimensionamento e às correntes de retorno
Ligação em trifásico injeção equilibrada pelas três fases inversor trifásico ou distribuição equilibrada

Nos três casos, o circuito do inversor é protegido por disjuntor e por diferencial e leva etiqueta com a indicação de que tem dupla alimentação.

9. Proteção contra contactos, rede de terras e equipotencialidade

Proteção contra contactos diretos e indiretos

Um contacto direto é tocar numa parte ativa (condutor com tensão). Previne-se com isolamento das partes ativas, invólucros (caixas, quadros) e afastamento. Um contacto indireto é tocar numa massa metálica que ficou com tensão por avaria de isolamento (uma estrutura, a moldura de um módulo, a caixa do inversor). Previne-se com a ligação à terra das massas e o corte automático da alimentação por um dispositivo de proteção (disjuntor, interruptor diferencial).

No lado DC, o risco é diferente: a corrente contínua não é cortada pelo diferencial de tipo comum, e uma falha de isolamento de uma fileira pode ficar escondida. Por isso:

Rede de terras: automatismo das proteções e equipotencialidade do sistema

A rede de terras tem duas funções: dar um caminho de baixa resistência para as correntes de defeito, de modo que a proteção desligue automaticamente, e manter todas as massas ao mesmo potencial (equipotencialidade), para que ninguém fique sujeito a uma tensão perigosa entre duas partes metálicas.

A equipotencialidade é o segundo critério de desempenho da unidade. Faz-se ligando entre si e à terra de proteção da instalação:

Os condutores de ligação equipotencial têm secção mínima definida pelas regras técnicas (as RTIEBT indicam as secções em função do tipo de proteção) e são identificados pela cor verde e amarela. As ligações são contínuas e com terminais bem apertados.

Ligações à terra: o que se liga a quê. Painéis ou módulos (moldura) → estrutura → condutor de terra → barramento de terra → elétrodo. Inversor central → PE do quadro AC. Microinversores → terra do cabo tronco → PE do quadro AC.

Se existir sistema de proteção contra descargas atmosféricas (para-raios) no edifício, mantêm-se as distâncias de segurança ou ligam-se as partes de acordo com o projeto desse sistema. Não se liga um campo fotovoltaico a um para-raios por iniciativa própria.

Valores da resistência de terra e compatibilização com a proteção diferencial

A resistência da terra (RA) tem de ser suficientemente baixa para que, quando o diferencial dispara, a tensão de contacto fique abaixo do limite de segurança de 50 V em locais normais. A relação é:

RA × I∆n ≤ 50 V, em que I∆n é a corrente diferencial nominal de funcionamento do interruptor diferencial.

Exemplo resolvido · compatibilizar o diferencial com a terra. Um interruptor diferencial de 30 mA e outro de 300 mA. Qual é o valor máximo teórico da resistência de terra para cada um?

  1. Com 30 mA: RA ≤ 50 ÷ 0,030 = 1667 Ω.
  2. Com 300 mA: RA ≤ 50 ÷ 0,300 = 167 Ω.
  3. Conclusão: com um diferencial menos sensível, a terra tem de ser melhor. Na prática, os projetos e a boa prática pedem valores muito inferiores aos máximos teóricos, que variam com o solo, e o valor a respeitar é o do projeto.
  4. Se a medição der 250 Ω, com o diferencial de 300 mA o valor não cumpre (250 > 167), e com o de 30 mA cumpre. Antes de aceitar a terra, melhora-se o elétrodo (mais picas, maior profundidade) ou muda-se a proteção, o que cabe ao responsável técnico.

Medir a resistência de terra (aptidão)

O instrumento é o telurómetro. O método clássico de três pontos (queda de potencial) usa duas picas auxiliares:

  1. Pôr a instalação sem tensão e só depois abrir a ligação do elétrodo. Com o responsável técnico, por esta ordem: (a) abrir o disjuntor AC do inversor e, a seguir, o interruptor-seccionador DC; (b) abrir o disjuntor geral da instalação, bloquear e sinalizar; (c) verificar a ausência de tensão com o multímetro de 1000 V e CAT III; (d) abrir a ligação do elétrodo no borne principal de terra, para a medição ser do elétrodo e não de outros caminhos. O campo continua com tensão enquanto houver luz, mas fica separado da instalação com os dois aparelhos abertos: não se mexe no campo. Com o elétrodo aberto, as massas ficam sem ligação à terra: a instalação não volta a ter tensão e ninguém toca nas estruturas, nas molduras nem na caixa do inversor enquanto durar a medição. Não se mede com trovoada.
  2. Cravar a pica de corrente (C) a uma distância conveniente do elétrodo, em linha, em terreno firme (por exemplo 20 a 40 m, conforme o elétrodo e o manual do instrumento).
  3. Cravar a pica de potencial (P) entre o elétrodo e a pica de corrente, a cerca de 62 % da distância até C.
  4. Ligar os cabos ao telurómetro: E (elétrodo), P e C.
  5. Medir, ler o valor, repetir deslocando P (±10 %) para confirmar que o valor se mantém estável.
  6. Registar o valor, a data, o método e o solo (seco ou húmido). Voltar a ligar o elétrodo, verificar a continuidade da ligação e só depois repor a tensão: primeiro o disjuntor geral, depois, pela ordem de arranque, o disjuntor AC e o interruptor-seccionador DC.

Em solos secos a resistência é mais alta; mede-se, portanto, em condições representativas e anota-se o tempo atmosférico. Alguns telurómetros medem com pinça (sem desligar o elétrodo) em redes com vários elétrodos em paralelo, o que se anota igualmente.

Medição de tensões simples e compostas

Medir a tensão simples (fase-neutro, cerca de 230 V) e a composta (fase-fase, cerca de 400 V) com o multímetro confirma que o ponto de ligação está certo e que as fases estão presentes e equilibradas. Antes de ligar um inversor trifásico:

  1. Medir L1-N, L2-N, L3-N, que devem estar perto dos 230 V.
  2. Medir L1-L2, L2-L3, L3-L1, perto dos 400 V.
  3. Confirmar as diferenças entre fases (pequenas) e a presença do neutro e da terra.

Mede-se sempre com instrumento de 1000 V, categoria III ou superior, que é a categoria dos quadros e das instalações fixas de baixa tensão, confirmando antes o bom estado dos cabos de teste e das pontas de prova, que têm de ser da mesma classe do instrumento.

10. Aparelhagem de proteção, quadro AC, ponto de ligação e monitorização

Aparelhagem de proteção, corte e seccionamento

Aparelho Função Onde
Disjuntor protege contra sobrecargas e curtos-circuitos e permite manobrar saída AC do inversor, no quadro
Interruptor diferencial corta quando há corrente de fuga para a terra, protege pessoas saída AC do inversor
Seccionador isola um circuito para trabalhos; o seccionador simples não corta em carga e só se manobra com o circuito sem corrente DC e AC
Interruptor-seccionador DC corta e isola o campo em carga: é o que se manobra no arranque e na paragem entre o campo e o inversor
Fusível corta por fusão perante sobrecorrente fileiras em paralelo, DC
Descarregador de sobretensões (DPS) desvia a energia de uma sobretensão para a terra DC e AC
Disjuntor magnetotérmico DC protege em corrente contínua quando prescrito

Cada aparelho tem de estar classificado para a corrente e a tensão que lhe cabem. Em DC, o poder de corte é um requisito próprio: um aparelho de AC não corta uma corrente contínua com segurança, porque o arco não se extingue.

Quadros de proteção AC: tipos, função e constituição

O quadro de proteção AC agrupa as proteções do lado alternado. Funciona como a interface entre o inversor e a instalação de consumo.

Tipo Função Quando se usa
Quadro AC simples disjuntor e diferencial do inversor, num invólucro pequeno moradias pequenas, um inversor
Quadro AC com contador local inclui contador de produção ou de injeção exigência do projeto ou do comercializador
Quadro AC para vários inversores disjuntor por inversor e barramentos de maior calibre comércio, indústria
Quadro de monitorização agrupa contador, modem, protocolo de comunicação quando a produção é monitorizada

Constituição típica: invólucro com grau de proteção adequado (IP), barramentos de terra e neutro, disjuntor (ou disjuntores) do inversor, interruptor diferencial, descarregador AC, borne de terra, régua de terminais, etiquetas e esquema afixado.

Acessórios de ligação: terminais, ponteiras, barramentos, calhas DIN, bucins, abraçadeiras e etiquetas de identificação. Os fios flexíveis levam sempre ponteira; os bornes apertam-se com o binário da ficha técnica.

Interruptor diferencial, contador local e medidor remoto

Tipos de ligação à instalação de consumo

Tipo Descrição
Ligação no quadro geral, a jusante do corte geral caso mais comum em baixa tensão
Ligação direta ao barramento do quadro exige disjuntor de calibre compatível com o barramento
Ligação por circuito dedicado o inversor tem uma saída com cabo próprio até ao quadro
Ligação trifásica o inversor trifásico injeta nas três fases

Em todos os casos: a soma das correntes de proteção na fase tem de respeitar o que o quadro e o barramento suportam. As regras técnicas dão o critério e o projeto aplica-o.

Exemplo resolvido · proteção e cabo AC de um inversor monofásico

Inversor monofásico de 5 kW a 230 V, cabo de 20 m até ao quadro, secção de 6 mm². Cálculo da corrente e da queda de tensão.

  1. Corrente nominal: I = P ÷ U = 5000 ÷ 230 = 21,7 A (com cos φ = 1).
  2. A proteção deve ser igual ou superior a I e inferior à corrente admissível do cabo: por exemplo, um disjuntor de 25 A, com cabo de 6 mm² capaz de suportar mais do que 25 A nas condições de instalação (a verificar nas tabelas).
  3. Queda de tensão: ΔU = 2 × L × I × ρ ÷ S = 2 × 20 × 21,7 × 0,0225 ÷ 6 = 19,53 ÷ 6 = 3,26 V.
  4. Em percentagem: 3,26 ÷ 230 × 100 = 1,42 %.
  5. Resultado: dentro dos limites correntes de projeto, por isso mantém-se 6 mm².

Exemplo resolvido · corrente de um inversor trifásico

Inversor trifásico de 10 kW, 400 V. I = P ÷ (√3 × U × cos φ) = 10000 ÷ (1,732 × 400 × 1) = 14,4 A por fase. Um disjuntor tripolar de 16 A seria a escolha lógica, a validar com o fabricante e as tabelas.

Para a queda de tensão num circuito trifásico equilibrado usa-se ΔU = √3 × L × I × ρ ÷ S, com L o comprimento de um condutor: ao contrário do circuito de dois condutores, aqui não se duplica o comprimento.

Monitorização local e remota (aptidão)

A monitorização local é o acesso ao inversor ou ao datalogger pela rede local do cliente (Wi-Fi ou cabo), com página web ou aplicação. A monitorização remota envia os dados a uma plataforma na internet, onde o instalador e o cliente consultam a produção, os alarmes e o histórico. A instalação faz-se por estes passos:

  1. Escolher a forma de comunicação (Ethernet, Wi-Fi, RS485, 4G) segundo a cobertura e o inversor.
  2. Ligar o datalogger ou ativar o módulo de comunicação do inversor.
  3. Configurar a rede, o fuso horário, a data e hora, e a ligação à plataforma.
  4. Ligar os sensores (medidor de energia no ponto de ligação, sonda de temperatura ou irradiância, se existirem).
  5. Criar a instalação na plataforma, registar os números de série e dar acesso ao cliente com utilizador próprio.
  6. Testar que os dados chegam e que os alarmes funcionam.

Os dados do cliente (consumos, hábitos) são pessoais: o acesso é dado ao cliente e ao instalador autorizado, e não se partilham com terceiros sem autorização.

Montagem e ligação de equipamentos no quadro do cliente

  1. Ver o quadro: espaço livre, barramento, calibre do corte geral, estado dos terminais, existência de terra.
  2. Desligar e verificar ausência de tensão com o multímetro de 1000 V e CAT III, bloquear o corte (cadeado) e sinalizar, e só então abrir o quadro.
  3. Montar o disjuntor e o diferencial novos, com etiquetas.
  4. Ligar o cabo do inversor com a ordem terra, neutro, fase.
  5. Fechar o quadro, afixar o esquema, a etiqueta de "dupla alimentação" e a identificação do circuito.
  6. Repor a tensão só quando tudo estiver verificado.

Executar a ligação do sistema ao quadro elétrico do cliente

É a ação que faz do sistema parte da instalação. Faz-se com o quadro sem tensão, com a proteção do circuito do inversor aberta e o interruptor-seccionador DC aberto. Depois da ligação, repõe-se a tensão da instalação, com o disjuntor do inversor ainda aberto, e fazem-se os ensaios 1 a 6 (capítulo 12) antes de o fechar.

11. Sistemas com armazenamento

O armazenamento guarda o excedente para usar à noite ou nas horas de pouca produção. As baterias mais comuns em habitação usam lítio-ferrofosfato (LiFePO4). Cada bateria tem:

Regras de instalação

  1. Local: ventilado, seco, longe de fontes de calor e de materiais inflamáveis, e conforme o manual e as regras de segurança contra incêndio do edifício. Nunca em vias de evacuação.
  2. Fixação a parede ou ao chão com os meios do fabricante.
  3. Cabos de potência com a secção e os terminais certos, ligados com a ordem do manual, e proteção por fusível ou disjuntor DC.
  4. Comunicação entre bateria e inversor (CAN ou RS485) com o cabo e o protocolo certos.
  5. Ligação à terra do equipamento.
  6. Ligar primeiro a bateria e depois os módulos ou o contrário, conforme o fabricante, que o diz com clareza. Seguir sempre a ordem do manual.

Exemplo resolvido · energia útil de uma bateria

Uma bateria de 10 kWh nominais, com profundidade de descarga recomendada de 90 %, alimenta uma carga de 0,6 kW à noite. Quanto tempo dura?

  1. Energia útil: 10 × 0,90 = 9 kWh.
  2. Tempo = energia ÷ potência = 9 ÷ 0,6 = 15 h.
  3. Na prática, o inversor e a bateria têm rendimento de ciclo (cerca de 90 %), pelo que o tempo real ronda 13 a 14 horas.

Testes de armazenamento (aptidão)

  1. Verificar polaridade e tensão da bateria antes da ligação.
  2. Ligar a bateria e confirmar que o inversor a reconhece (SoC, tensão, estado).
  3. Carregar com excedente solar e observar a corrente de carga e a subida do SoC.
  4. Descarregar ligando uma carga, e observar a descarga e o limite inferior de SoC.
  5. Testar a saída de emergência (se existir), simulando a falha da rede com autorização do cliente.
  6. Registar os valores e verificar alarmes e temperatura.

12. Ensaios e colocação em funcionamento

Preparação

Os ensaios seguem um procedimento definido (critério de desempenho) baseado na norma de ensaio dos sistemas fotovoltaicos (série IEC 62446), nas regras técnicas e no manual do fabricante. Os ensaios 1 a 6 fazem-se antes de ligar o inversor à rede, com o disjuntor AC do inversor e o interruptor-seccionador DC abertos. Os ensaios 7 a 9 fazem-se já na colocação em funcionamento, com ambos fechados, depois de os ensaios 1 a 6 estarem conformes. O material: multímetro de 1000 V e categoria III (ver capítulo 6), pinça amperimétrica DC, instrumento de continuidade de condutores de proteção, medidor de resistência de isolamento (megóhmetro) e, se possível, traçador de curvas I-V, irradiómetro e termómetro de contacto.

Sequência de ensaios

Fase A · antes de ligar o inversor à rede (ensaios 1 a 6).

  1. Inspeção visual: módulos, estruturas, cabos, conectores, etiquetas, esquemas, alinhamento, binários, vedação das passagens.
  2. Continuidade da ligação à terra e da equipotencialidade: medir entre cada estrutura ou moldura e o barramento de terra principal, com o instrumento próprio. O valor tem de ser baixo (frações de ohm) e estável.
  3. Polaridade: confirmar que cada fileira tem positivo e negativo certos. Uma polaridade invertida danifica o inversor.
  4. Tensão em circuito aberto de cada fileira (Voc): com o interruptor-seccionador DC aberto, medir cada fileira e comparar com o valor esperado, tendo em conta a temperatura e o número de módulos. A diferença entre fileiras iguais deve ser pequena. Uma Voc baixa indica módulo trocado, sombra, conector mau ou módulo com problemas.
  5. Corrente de curto-circuito ou de funcionamento: com irradiância estável e elevada, medir e comparar com o valor esperado de Isc à irradiância medida. A Isc mede-se com instrumento próprio (traçador de curvas I-V ou medidor de instalações fotovoltaicas), que faz e desfaz o curto-circuito internamente. Nunca se curto-circuita uma fileira com um cabo, com as pontas do multímetro ou juntando conectores, e nunca se desliga um conector com corrente a passar: é assim que se cria um arco em corrente contínua. Em alternativa, mede-se a corrente de funcionamento com pinça amperimétrica DC, com o circuito fechado e sem abrir nada.
  6. Resistência de isolamento do circuito DC: com o campo isolado do inversor, aplicar a tensão de ensaio prevista na norma (que aumenta com a tensão do sistema) entre os condutores ativos e a terra e verificar que o valor medido é superior ao mínimo da norma e do fabricante.

Fase B · na colocação em funcionamento (ensaios 7 a 9), com o inversor ligado e só depois de os ensaios 1 a 6 estarem conformes.

  1. Ensaio de funcionamento: ligar, observar o arranque, o tempo de espera, a sincronização com a rede, a produção e as comunicações.
  2. Verificar a proteção diferencial com o botão de teste e, se aplicável, com o instrumento próprio.
  3. Verificar as proteções do inversor: abrir o disjuntor AC e confirmar que o inversor desliga; voltar a fechá-lo e confirmar o rearranque após o tempo indicado. Atenção: este ensaio não é uma paragem. O interruptor-seccionador DC fica fechado e o campo continua em tensão: não se abre equipamento nenhum durante o ensaio 9.
  4. Registar tudo num relatório de ensaio com data, instrumentos usados (e o número de série), condições (irradiância, temperatura) e resultados.

Exemplo resolvido · comparar a Voc medida com a esperada

Uma fileira de 14 módulos (Voc 49,5 V a 25 °C, coeficiente -0,26 %/°C) é medida num dia de 15 °C (temperatura das células, medida com termómetro) e dá 718 V. Está bem?

  1. Variação: 15 - 25 = -10 °C.
  2. Voc do módulo a 15 °C: 49,5 × [1 + 0,0026 × 10] = 49,5 × 1,026 = 50,79 V.
  3. Voc esperada da fileira: 14 × 50,79 = 711 V.
  4. A medição é de 718 V, uma diferença de 7 V (cerca de 1 %). Conforme: a incerteza do instrumento e da temperatura explica a diferença.
  5. Se desse 660 V, a diferença de 51 V equivale a um módulo (cerca de 50 V): faltaria um módulo na fileira ou haveria um módulo com os díodos de bypass em curto. Despiste a fazer.

Exemplo resolvido · resistência de isolamento

Uma fileira dá 0,3 MΩ no ensaio de isolamento. O mínimo exigido pelo manual é de 1 MΩ. Que decisão?

  1. O valor medido (0,3 MΩ) é inferior ao mínimo exigido (1 MΩ): não conforme.
  2. Não se liga o inversor.
  3. Procura-se a falha: humidade num conector, cabo danificado ao arrastar, caixa de junção com água, módulo com defeito. Divide-se a fileira em partes e repete-se o ensaio até isolar a falha.
  4. Repara-se, repete-se o ensaio e só depois se avança.

Colocação em funcionamento

  1. Confirmar que todas as ligações estão feitas e que o quadro está fechado e etiquetado.
  2. Fechar o disjuntor AC (rede ao inversor), verificar a tensão e a frequência de rede no mostrador do inversor.
  3. Fechar o interruptor-seccionador DC. O inversor inicia o arranque (testes internos e espera de alguns minutos).
  4. Observar (ensaio 7): potência a subir, tensão DC dentro da janela, sem alarmes, produção coerente com a irradiância do momento.
  5. Fazer os ensaios 8 e 9: diferencial e proteções do inversor.
  6. Verificar as comunicações e a monitorização.
  7. Fazer um segundo registo de valores após 15 a 30 minutos e juntar os ensaios 7 a 9 ao relatório de ensaio.
  8. Confirmar a etiqueta de dupla alimentação e a presença do esquema no quadro.
  9. Cumprir o procedimento administrativo: o título de controlo prévio da unidade de produção, os contactos com o operador da rede e os documentos que o procedimento do autoconsumo exigir, na redação em vigor do regime aplicável.

Aptidão: colocar o sistema em funcionamento

O formando conclui esta aptidão quando o sistema produz com valores coerentes, sem alarmes, com a documentação preenchida e o cliente informado.

Exemplo resolvido · estimativa de produção anual

Um campo de 6,6 kWp, orientado a sul e com 30° de inclinação, numa zona com irradiação anual no plano dos módulos de 1800 kWh/m². Com um rendimento global (performance ratio) de 0,80, qual é a produção anual estimada?

  1. Fórmula: E = P (kWp) × H (kWh/m²·ano) ÷ 1 (kW/m²) × PR.
  2. E = 6,6 × 1800 × 0,80 = 9504 kWh por ano.
  3. Produção específica: 9504 ÷ 6,6 = 1440 kWh por kWp.
  4. Se o consumo anual da casa for 5500 kWh e metade da produção for consumida na hora, o autoconsumo direto seria 4752 kWh, e o excedente de 4752 kWh iria para a bateria ou para a rede.

13. Anomalias em sistemas fotovoltaicos e despiste

Método de despiste

  1. Ouvir o cliente: o que mudou, quando, que alarme apareceu.
  2. Ver o histórico de produção e de alarmes na monitorização.
  3. Inspecionar do lado do inversor para o campo (do mais simples ao mais complexo).
  4. Medir: tensões, correntes, isolamento, continuidade, temperatura.
  5. Isolar a causa dividindo o sistema (uma fileira de cada vez; um microinversor de cada vez).
  6. Corrigir, repetir o ensaio e registar.

Sempre com a segurança primeiro: nenhum despiste justifica trabalhar com tensão presente sem os meios e a autorização certos.

Causas do lado DC

Sintoma Causa provável Verificação
Fileira com Voc mais baixa módulo em falta, conector mau, díodo de bypass avariado, módulo sombreado medir Voc de cada módulo, inspecionar conectores
Fileira sem tensão conector solto, fusível fundido, cabo cortado continuidade e inspeção
Produção baixa em tempo limpo sujidade, sombra nova, degradação, ponto quente inspeção visual, termografia, curva I-V
Alarme de isolamento humidade num conector, cabo danificado, módulo com defeito ensaio de isolamento por partes
Alarme de polaridade ou de tensão elevada inversão ou tensão acima do limite verificar polaridade e dimensionamento
Conector aquecido ou derretido cravação má ou conectores de marcas diferentes termografia, substituir por conectores compatíveis
Arco elétrico detetado (se o inversor tiver proteção AFCI, que deteta arcos no lado DC) ligação solta ou isolamento deteriorado inspeção cuidadosa de todas as ligações

Causas do lado AC

Sintoma Causa provável Verificação
Inversor não liga sem rede, disjuntor aberto, fase em falta medir a tensão à entrada AC
Desliga por sobretensão de rede queda de tensão excessiva no cabo AC, rede acima do limite medir tensão ao inversor e ao quadro, aumentar secção
Disjuntor ou diferencial dispara fuga à terra, calibre baixo, neutro trocado ensaio de isolamento, verificar ligações
Produção sem injeção limitação de injeção a atuar, medidor mal configurado verificar sentido do medidor, configuração
Frequência fora da gama rede instável registar e comunicar ao operador

Despiste de anomalias nos microinversores

  1. Verificar na plataforma quais microinversores não comunicam ou têm alarme (a posição mostra qual módulo é).
  2. Verificar o circuito AC do tronco: disjuntor, ligações, extremidades tapadas.
  3. Trocar o microinversor suspeito por outro, ou trocar a posição de dois microinversores. Se a avaria acompanha o equipamento, é o microinversor; se fica no lugar, é o módulo, o conector ou o tronco.
  4. Medir a Voc do módulo com a ligação DC desligada (e o tronco AC sem tensão).
  5. Registar o número de série e a causa para o processo de garantia.

Exemplo resolvido · fileira com produção a menos

Numa moradia, a fileira 1 (14 módulos, 6160 Wp) dá 5,6 A às 12 h, enquanto a fileira 2 (iguais, mesma orientação) dá 10,4 A. A irradiância medida está estável. Que fazer?

  1. Diferença muito grande, de 46 %, entre fileiras idênticas: não é sujidade normal.
  2. Verificar sombra na fileira 1 em tempo real, a essa hora.
  3. Medir a tensão da fileira 1: se for também mais baixa que a outra (por exemplo 540 V contra 581 V), falta a contribuição de um módulo (41,5 V), o que aponta para díodo de bypass ou conector.
  4. Se a tensão for igual mas a corrente baixa, é típico de sombra, sujidade nalgum módulo ou módulo degradado.
  5. Termografia ou curva I-V identificam o módulo, que se substitui ou repara em garantia.

14. Manutenção e instruções ao utilizador

Informar o cliente e o utilizador sobre os procedimentos

O cliente tem de sair da obra a saber o que o sistema faz, o que não deve fazer e quando chamar o instalador. A informação passa por:

  1. Explicar o princípio: o sistema produz de dia, a casa consome primeiro o que é produzido e o excedente segue o caminho definido.
  2. Mostrar o inversor, o quadro AC e o interruptor-seccionador DC e explicar como desligar em emergência: abrir o disjuntor AC e, a seguir, o interruptor-seccionador DC, sem mexer no campo, e chamar o instalador.
  3. Mostrar a monitorização e os valores normais, os alarmes e o que cada um significa.
  4. Dar dicas de uso eficiente (ver abaixo).
  5. Entregar a documentação: esquema, relatório de ensaio, manuais, garantias, contactos, comprovativos do procedimento administrativo e plano de manutenção.
  6. Explicar a manutenção: limpeza dos módulos, inspeção visual, verificação do quadro, intervalos e quem os faz.

Uso eficiente da instalação

Comunicação assertiva com o cliente

Ser assertivo é dizer o necessário com clareza e respeito, sem agredir e sem se submeter. Exemplos de boas práticas:

Situação Resposta fraca Resposta assertiva
O cliente pede para ligar sem ensaios "porque tem pressa" "Está bem, faço rápido." "Compreendo a pressa. Os ensaios demoram uma hora e protegem a sua casa e o seu seguro. Ligo logo a seguir."
O cliente quer que se ponham mais módulos do que o declarado "Não posso, desculpe." "Com mais potência, a instalação passa a outro enquadramento legal. Posso explicar as opções e o que seria preciso."
O cliente pergunta se com bateria fica sem luz num apagão "Sim, claro." "Só se a instalação tiver saída de emergência. A sua tem/não tem, e explico o que alimenta."
Há uma falha atribuída à instalação "A culpa não é minha." "Vou verificar já. Preciso de ver o histórico e medir. Digo-lhe hoje o que encontrei."

Regras de ouro: ouvir sem interromper, usar linguagem simples, confirmar que o cliente percebeu (pedir que repita), não prometer o que não se pode garantir (por exemplo, uma poupança exata) e registar por escrito os compromissos.

Exemplo resolvido · duas conversas com o cliente

O cliente pergunta quanto vai poupar. Resposta assertiva: "Depende de quanto consome nas horas de sol. Com os seus consumos atuais, estimo que produza cerca de 9500 kWh por ano, dos quais uma parte será consumida diretamente. Posso mostrar-lhe no fim do primeiro mês os números reais." Não se promete uma poupança exata em euros, porque o preço da energia varia e o consumo também.

15. Normas, regulamentos e proteção ambiental

Normas e regulamentos a aplicar

Documento Para que serve
Lei n.º 14/2015 entidades e técnicos responsáveis pelo projeto, execução e exploração das instalações elétricas de serviço particular
Decreto-Lei n.º 15/2022, na redação em vigor regime do autoconsumo e controlo prévio das unidades de produção
RTIEBT (Portaria n.º 949-A/2006, na redação em vigor) regras técnicas das instalações de baixa tensão
IEC 62446-1 documentação, ensaios e inspeção de sistemas fotovoltaicos ligados à rede
Série IEC 60364 (parte das instalações fotovoltaicas) requisitos de instalação elétrica de baixa tensão
Normas dos módulos (série IEC 61215 e IEC 61730) desempenho e segurança dos módulos
Normas dos cabos solares exigências de cabos para uso fotovoltaico
Manual do fabricante binários, distâncias, limites e garantia
Regras de segurança e saúde no trabalho obrigação de avaliação de riscos, EPI, trabalho em altura

Em caso de dúvida entre uma regra do manual e uma regra regulamentar, vale a mais exigente, e quem decide é o responsável técnico.

Resíduos e ambiente

  1. Separar os resíduos em obra (cartão, plástico, madeira, metais, cabos).
  2. Módulos, baterias e inversores em fim de vida ou danificados são resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos e seguem para entidades licenciadas, nunca para o lixo comum nem para o contentor da obra.
  3. Baterias de lítio danificadas têm risco de incêndio: guardam-se à parte, em local seco, e comunicam-se ao responsável.
  4. Não deitar óleos, vedantes ou solventes no solo.
  5. Reduzir o desperdício: medir bem os cabos e reutilizar as sobras.
  6. Pó e ruído: em furações, reduzir poeira e respeitar horários, quando a obra é em zona habitada.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Um sistema fotovoltaico para autoconsumo instala-se numa sequência rigorosa: preparar, fixar, ligar, testar e instruir. A preparação começa pelo enquadramento legal (Lei n.º 14/2015, Decreto-Lei n.º 15/2022 na redação em vigor, RTIEBT e normas técnicas), pela avaliação de riscos e pela delimitação da zona de trabalho, e pela escolha do local com a melhor orientação e inclinação possíveis e a menor sombra. A fixação das estruturas faz-se à parte resistente da cobertura, com estanquidade, e a elevação de materiais com meios seguros. As ligações respeitam a ordem e as regras: módulos em série dão fileiras com tensão máxima e mínima calculadas com a temperatura, cabos com queda de tensão baixa, conectores compatíveis e cravados com a ferramenta certa, inversor central ou microinversores ligados no ponto de injeção do quadro. A rede de terras garante o automatismo das proteções e a equipotencialidade, e a resistência de terra mede-se com telurómetro e compara-se com o diferencial pela relação RA × I∆n ≤ 50 V. O quadro AC tem disjuntor, diferencial e descarregador; a monitorização local e remota dá visibilidade. Os ensaios fazem-se e registam-se em duas fases: continuidade, polaridade, Voc, corrente e isolamento antes de ligar à rede; funcionamento, diferencial e proteções do inversor na colocação em funcionamento; as anomalias despistam-se do inversor para o campo, por partes. Tudo se faz com EPI, trabalho em altura protegido e respeito pelo ambiente, e termina com um cliente informado, uma documentação entregue e uma comunicação assertiva.

Exercícios resolvidos

1. Um campo tem 16 módulos de 410 Wp. Qual é a potência de pico em kWp?

Resolução: 16 × 410 = 6560 Wp = 6,56 kWp.

2. Qual é a tensão composta de uma rede trifásica com tensão simples de 230 V?

Resolução: U composta = √3 × 230 = 1,732 × 230 = 398 V, isto é, 400 V nominais.

3. Uma resistência de 12 Ω está em paralelo com outra de 4 Ω. Qual é a resistência equivalente?

Resolução: 1 ÷ Req = 1 ÷ 12 + 1 ÷ 4 = 0,0833 + 0,25 = 0,3333, logo Req = 3 Ω.

4. Um cabo tem 0,15 Ω de resistência total e transporta 12 A. Quanto vale a potência perdida e a queda de tensão?

Resolução: P = R × I² = 0,15 × 144 = 21,6 W; ΔU = R × I = 0,15 × 12 = 1,8 V.

5. Em Faro (latitude 37,0° N), qual é a elevação solar ao meio-dia do solstício de inverno?

Resolução: α = 90 - 37,0 - 23,45 = 29,55°.

6. Um obstáculo de 2 m de altura está a 5 m dos módulos. O sol está a 25° de elevação. Há sombra nos módulos?

Resolução: d = 2 ÷ tan 25° = 2 ÷ 0,466 = 4,29 m. A distância é de 5 m: não chega aos módulos.

7. Módulo com Voc = 40 V e coeficiente -0,28 %/°C. Qual é a Voc a -10 °C?

Resolução: variação -35 °C; Voc = 40 × (1 + 0,0028 × 35) = 40 × 1,098 = 43,92 V.

8. Com a Voc a -10 °C acima, e um inversor de 600 V de tensão máxima, quantos módulos no máximo por fileira?

Resolução: 600 ÷ 43,92 = 13,66 → 13 módulos (arredonda-se para baixo).

9. Um módulo tem Vmp = 33 V a 25 °C, com coeficiente de -0,30 %/°C no MPP. O inversor tem janela mínima de 120 V. Qual é o mínimo de módulos a 65 °C?

Resolução: variação +40 °C; Vmp = 33 × (1 - 0,003 × 40) = 33 × 0,88 = 29,04 V; 120 ÷ 29,04 = 4,13 → 5 módulos.

10. Que corrente nominal tem um inversor monofásico de 3,68 kW a 230 V?

Resolução: I = 3680 ÷ 230 = 16 A.

11. Qual é a resistência de terra máxima teórica com um diferencial de 100 mA?

Resolução: RA ≤ 50 ÷ 0,1 = 500 Ω.

12. Quanta energia produz, por ano, um campo de 4,4 kWp com irradiação anual de 1700 kWh/m² e PR de 0,78?

Resolução: E = 4,4 × 1700 × 0,78 = 5834 kWh/ano.

13. Uma fileira de 12 módulos com Voc de 49,5 V a 25 °C mediu 631 V num dia com células a 20 °C (coeficiente -0,26 %/°C). Está conforme?

Resolução: Voc do módulo a 20 °C = 49,5 × (1 + 0,0026 × 5) = 49,5 × 1,013 = 50,14 V; fileira = 12 × 50,14 = 601,7 V. O valor medido (631 V) está cerca de 29 V acima do esperado (4,9 %), o que não é normal. Verificar a temperatura realmente medida nas células, o número de módulos e o instrumento.

14. Qual o valor eficaz de uma tensão alternada sinusoidal com amplitude de 311 V?

Resolução: Uef = 311 ÷ 1,414 = 220 V.