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aulify · Sebenta
UC · Unidade de Competência · UC01578

Sebenta · Elaborar orçamentos de construção (UC01578)

Medição e orçamentação em folha de cálculo e em programa específico, do recurso simples ao preço final ao cliente
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Obra ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta ensina a medir e orçamentar obras de construção, com as duas ferramentas que um técnico de obra usa todos os dias: a folha de cálculo e um programa informático específico de medição e orçamentação. As duas seguem o mesmo método, do recurso mais simples (uma hora de mão de obra, um saco de cimento) até ao preço final que o cliente recebe.

O percurso desta UC acompanha o de um orçamento real: primeiro aprende-se a estrutura de uma folha de medição, depois a medir um projeto com rigor, a seguir a construir preços a partir de recursos simples e compostos, a somar custos diretos e indiretos, a aplicar margem, markup e IVA, e por fim a fazer o mesmo percurso, mais depressa e ligado ao desenho, num programa específico de orçamentação.

Objetivos de aprendizagem (referencial): criar folhas de medição em folha de cálculo e medir projetos nelas; criar formulários e orçamentos numa folha de cálculo; medir e criar orçamentos usando um programa específico de medição e orçamentação; criar bases de dados de recursos simples e compostos; e extrair e analisar os "outputs" dos programas informáticos para as fases da execução das empreitadas.

Contextos de trabalho: indústria da construção, gabinetes de projetos de arquitetura e engenharia, autarquias, e o próprio estaleiro, em contexto de obra.

1. Medir e orçamentar: dois trabalhos, uma sequência

Medir é quantificar, a partir do projeto, quanto de cada trabalho é preciso executar: metros quadrados de parede, metros cúbicos de betão, quilos de aço, unidades de portas. Orçamentar é atribuir um preço a cada quantidade medida e somar tudo num valor final.

São dois trabalhos distintos, mas sempre na mesma ordem: primeiro mede-se, só depois se orçamenta. Um erro na medição propaga-se automaticamente para o orçamento, porque o preço se multiplica sempre pela quantidade medida.

O resultado final, o orçamento, serve três finalidades diferentes ao longo da obra:

Onde se orçamenta

2. A folha de cálculo na orçamentação

A folha de cálculo (Excel, LibreOffice Calc ou equivalente) é a ferramenta mais flexível para orçamentar, porque se adapta a qualquer tipo de obra sem depender de um programa dedicado.

Estrutura de uma folha de medição

Uma folha de medição organiza-se sempre com as mesmas colunas:

Coluna Conteúdo
N.º número do artigo
Designação descrição do trabalho a executar
Unidade m², m³, kg, un, vg (verba, quando não há unidade de medida direta)
Quantidade valor calculado a partir do projeto
Preço unitário preço, em euros, de uma unidade do artigo
Total quantidade × preço unitário

Os artigos agrupam-se em capítulos (Estaleiro, Fundações, Alvenarias, Acabamentos, Instalações), cada um com o seu subtotal, e a soma de todos os capítulos dá o custo direto da obra.

Fórmulas de uma folha de orçamento

Regra de ouro da folha de orçamento: nunca digitar um resultado calculável. Se a fórmula tiver um erro, corrige-se num único sítio; se o valor estiver escrito à mão, tem de se procurar e corrigir em todas as folhas onde aparece.

Criar formulários de orçamentação

Um formulário de orçamentação é a folha (ou conjunto de folhas) pronta a preencher para uma obra nova: já tem os capítulos habituais, as fórmulas montadas e a formatação definida, faltando só as quantidades e, quando aplicável, novos preços unitários. Ter formulários prontos poupa horas em cada orçamento novo e reduz o risco de esquecer uma fórmula.

Apresentação de um orçamento

Um orçamento apresentável ao cliente mostra, no mínimo: capítulos com subtotal, custo direto total, custos indiretos, preço de venda e preço com IVA, com identificação da obra, data e versão. Boas práticas de apresentação:

3. Medir projetos em folha de cálculo

Medir bem é a competência que mais separa um orçamento fiável de uma estimativa "de olho".

Regras de medição

Exemplo resolvido · Medir a área líquida de uma parede

Uma parede tem 6 m de comprimento e 2,50 m de altura, com uma porta de 0,90 m × 2,10 m.

  1. Área bruta = comprimento × altura = 6 × 2,50 = 15,00 m².
  2. Área do vão = 0,90 × 2,10 = 1,89 m².
  3. Área líquida = área bruta − área do vão = 15,00 − 1,89 = 13,11 m².

É este valor de 13,11 m², e não a área bruta, que deve entrar na coluna "Quantidade" do artigo de alvenaria ou de pintura.

Exemplo resolvido · Medir um muro de vedação

Um muro de vedação tem 25 m de comprimento e 1,80 m de altura, sem vãos.

Área de alvenaria = comprimento × altura = 25 × 1,80 = 45 m².

Este valor volta a ser usado nos capítulos 4 e 5, para calcular o preço do artigo e o custo direto do muro.

4. Recursos simples e recursos compostos

Todo o preço de um orçamento de construção nasce de duas peças: o recurso simples e o recurso composto.

Recurso simples

Um recurso simples é um input direto de produção, com um preço unitário próprio, e pertence a uma de três famílias: mão de obra, material ou equipamento.

Preços unitários de recursos simples usados ao longo desta sebenta (valores ilustrativos, para praticar o método, não preços de mercado):

Recurso Tipo Preço unitário
Oficial pedreiro mão de obra 12,50 €/h
Servente mão de obra 8,80 €/h
Pintor mão de obra 11,20 €/h
Tijolo furado 30×20×11 material 0,35 €/un
Argamassa de assentamento material 180,00 €/m³
Betão pronto C20/25 material 78,00 €/m³
Tinta plástica (pronta) material 3,00 €/L
Betoneira equipamento 3,50 €/h

Recurso composto e rendimento

Um recurso composto (também chamado artigo) é o trabalho realmente executado em obra: combina vários recursos simples em quantidades por unidade de trabalho, o rendimento. O rendimento vem de tabelas técnicas, do fabricante do material ou da experiência da empresa; nunca se inventa.

Preço do artigo = Σ (rendimento do recurso simples × preço unitário do recurso simples)

Exemplo resolvido · Preço do artigo "Alvenaria de tijolo furado 30×20×11"

Rendimentos por m²: 30 tijolos, 0,02 m³ de argamassa, 0,50 h de oficial, 0,50 h de servente.

Recurso Rendimento Preço unitário Custo
Tijolo furado 30 un/m² 0,35 €/un 30 × 0,35 = 10,50 €
Argamassa 0,02 m³/m² 180,00 €/m³ 0,02 × 180,00 = 3,60 €
Oficial 0,50 h/m² 12,50 €/h 0,50 × 12,50 = 6,25 €
Servente 0,50 h/m² 8,80 €/h 0,50 × 8,80 = 4,40 €
Total 10,50 + 3,60 + 6,25 + 4,40 = 24,75 €/m²

Exemplo resolvido · Preço do artigo "Betão em sapatas"

Rendimentos por m³: 1,05 m³ de betão (inclui 5% de perdas), 1,20 h de betoneira, 1,50 h de servente, 0,50 h de oficial.

Recurso Rendimento Preço unitário Custo
Betão pronto 1,05 m³/m³ 78,00 €/m³ 1,05 × 78,00 = 81,90 €
Betoneira 1,20 h/m³ 3,50 €/h 1,20 × 3,50 = 4,20 €
Servente 1,50 h/m³ 8,80 €/h 1,50 × 8,80 = 13,20 €
Oficial 0,50 h/m³ 12,50 €/h 0,50 × 12,50 = 6,25 €
Total 81,90 + 4,20 + 13,20 + 6,25 = 105,55 €/m³

Exemplo resolvido · Preço do artigo "Pintura de paredes interiores"

Rendimentos por m² (duas demãos): 0,35 L de tinta, 0,25 h de pintor.

Recurso Rendimento Preço unitário Custo
Tinta plástica 0,35 L/m² 3,00 €/L 0,35 × 3,00 = 1,05 €
Pintor 0,25 h/m² 11,20 €/h 0,25 × 11,20 = 2,80 €
Total 1,05 + 2,80 = 3,85 €/m²

5. Custos diretos e custos indiretos

O custo direto do orçamento

O custo direto é a soma do custo de todos os artigos medidos: custo direto do artigo = quantidade medida × preço unitário do artigo.

Aplicando os três preços de artigo calculados no capítulo anterior a uma pequena obra:

Artigo Quantidade Preço unitário Custo
Alvenaria de tijolo furado 40 m² 24,75 €/m² 40 × 24,75 = 990,00 €
Betão em sapatas 6 m³ 105,55 €/m³ 6 × 105,55 = 633,30 €
Pintura de paredes interiores 60 m² 3,85 €/m² 60 × 3,85 = 231,00 €
Custo direto total 990,00 + 633,30 + 231,00 = 1 854,30 €

Custos indiretos

Os custos indiretos são despesas que não pertencem a nenhum artigo em particular, mas que a obra inteira gera: estaleiro, encargos com pessoal técnico, seguros, equipamento geral, licenças.

Custo indireto = custo direto × percentagem de indiretos

Com uma taxa de indiretos de 12%:

Custo indireto = 1 854,30 × 0,12 = 222,52 €

Custo total (direto + indireto) = 1 854,30 + 222,52 = 2 076,82 €

Este custo total é o que a empresa efetivamente gasta para executar a obra, antes de qualquer lucro.

6. Margem, markup e IVA

Margem vs markup

Ambos adicionam lucro ao custo total, mas sobre bases diferentes, e por isso não são intercambiáveis:

Com o custo total de 2 076,82 € do capítulo anterior:

Método Cálculo Preço de venda
Markup de 20% 2 076,82 × 1,20 2 492,18 €
Margem de 20% 2 076,82 / 0,80 2 596,03 €

A mesma percentagem (20%) dá dois preços diferentes. Uma margem de 20% sobre o preço de venda equivale a um markup de 25% sobre o custo (0,20 / 0,80 = 0,25); um markup de 20% sobre o custo equivale a uma margem de cerca de 16,67% sobre o preço de venda (0,20 / 1,20 ≈ 0,1667).

O IVA no orçamento

O IVA aplica-se por cima do preço de venda final, depois de já incluído o lucro (margem ou markup); nunca entra dentro da base de cálculo da margem ou do markup.

Com o preço de venda de 2 492,18 € (markup de 20%) e a taxa normal de 23% (Portugal Continental):

Preço final ao cliente = 2 492,18 × 1,23 = 3 065,38 €

Duas regras específicas da construção em Portugal, sempre a confirmar com o contabilista da empresa e a legislação em vigor:

7. Bases de dados de recursos no programa específico

Um programa informático específico de medição e orçamentação (por exemplo, o módulo Arquimedes do CYPE, ou equivalentes) organiza a base de recursos exatamente como na folha de cálculo, mas com automatismos próprios.

Apresentação do programa

Recursos simples e compostos na base de dados

A base de dados do software distingue, tal como a folha de cálculo, recursos simples (mão de obra, materiais, equipamento, cada um com preço unitário) e recursos compostos (artigos, com rendimentos associados a recursos simples). A diferença central: o software recalcula automaticamente o preço de um artigo composto sempre que um preço de recurso simples é alterado, em cascata, sem ser preciso rever fórmula a fórmula.

Exemplo resolvido · Criar o artigo "Alvenaria de tijolo furado" no software

  1. Criar a ficha do artigo, com a designação e a unidade (m²).
  2. Associar os recursos simples: tijolo furado, argamassa, oficial, servente.
  3. Indicar o rendimento de cada um: 30 un/m², 0,02 m³/m², 0,50 h/m², 0,50 h/m².
  4. O software calcula o preço unitário do artigo: 24,75 €/m², exatamente o mesmo valor do cálculo manual no capítulo 4.

Confirmar o mesmo resultado por dois caminhos (à mão e no software) é a melhor forma de aprender a confiar na ferramenta e de detetar um erro de introdução de dados.

8. Medir e criar orçamentos no programa específico

Medir um projeto no software

Gerar o orçamento no software

Depois de medido o projeto, o software combina automaticamente medição × base de preços:

Custo direto no software = Σ (quantidade medida de cada artigo × preço do artigo)

É exatamente o mesmo cálculo do capítulo 5 (990,00 + 633,30 + 231,00 = 1 854,30 €), mas sem necessidade de escrever uma única fórmula: o software já sabe multiplicar e somar a partir da base de recursos e da medição. Depois, aplicam-se no software os mesmos passos manuais: custos indiretos, margem ou markup, IVA.

9. Outputs do programa informático

O software emite vários "outputs" (relatórios), cada um útil numa fase diferente da execução da empreitada.

Output Serve para
Mapa de trabalhos e quantidades (MTQ) pedir propostas a fornecedores e subempreiteiros
Orçamento detalhado negociar e formalizar o contrato com o cliente
Resumo por capítulos controlar o peso de cada parte da obra no custo total
Mapa comparativo de propostas escolher entre fornecedores concorrentes
Plano de pagamentos gerir a tesouraria e os autos de medição da obra

Exemplo resolvido · Analisar um resumo por capítulos

Capítulo Custo Peso
Estaleiro 220,50 € 220,50 / 2 008,30 = 10,98%
Alvenarias 1 113,75 € 1 113,75 / 2 008,30 = 55,46%
Betões 527,75 € 527,75 / 2 008,30 = 26,28%
Acabamentos 146,30 € 146,30 / 2 008,30 = 7,28%
Total 220,50 + 1 113,75 + 527,75 + 146,30 = 2 008,30 € 10,98 + 55,46 + 26,28 + 7,28 = 100%

Este resumo mostra logo onde está o peso do orçamento: mais de metade do custo está nas alvenarias, é para lá que se deve dirigir mais atenção no controlo da obra. Se as percentagens de um resumo não somarem 100%, há um erro de cálculo a corrigir antes de o output sair da empresa.

10. A folha de cálculo e o software, lado a lado

As duas ferramentas seguem sempre o mesmo método: recurso simples → recurso composto → medição → custo direto → custos indiretos → margem ou markup → IVA. O que muda é a ferramenta, não a lógica.

Folha de cálculo Programa específico
Flexibilidade total, monta-se à medida dentro do que o programa prevê
Ligação ao desenho manual direta (CAD/BIM)
Atualização em cascata manual, por fórmula automática
Escala ideal obras pequenas, casos particulares obras grandes, com muitos artigos

Escolher a ferramenta certa para cada obra, e saber justificar a escolha, é uma das aptidões avaliadas nesta UC.

11. Um orçamento completo, do princípio ao fim

Os capítulos anteriores mostraram cada peça em separado. Este capítulo junta todas as peças, na ordem real de um orçamento: mapa de quantidades → preços dos artigos → custo direto por capítulos → custos indiretos → markup → IVA.

O caso: pequeno armazém agrícola

A obra tem quatro capítulos: Estaleiro (verba, montagem e desmontagem), Fundações (betão em sapatas), Alvenarias (tijolo furado) e Acabamentos (pintura interior). Os artigos de alvenaria, betão e pintura usam exatamente os preços unitários calculados no capítulo 4 (24,75 €/m², 105,55 €/m³ e 3,85 €/m²); o estaleiro é uma verba (vg), um valor fixo acordado para a instalação e remoção do estaleiro, não calculado a partir de rendimentos.

Mapa de quantidades e orçamento

N.º Designação Unidade Quantidade Preço unitário Total
1 Estaleiro (montagem e desmontagem) vg 1 350,00 € 350,00 €
2 Betão em sapatas 8 105,55 € 8 × 105,55 = 844,40 €
3 Alvenaria de tijolo furado 60 24,75 € 60 × 24,75 = 1 485,00 €
4 Pintura de paredes interiores 90 3,85 € 90 × 3,85 = 346,50 €
Custo direto total 350,00 + 844,40 + 1 485,00 + 346,50 = 3 025,90 €

Resumo por capítulos

Capítulo Custo Peso
Estaleiro 350,00 € 350,00 / 3 025,90 = 11,57%
Fundações 844,40 € 844,40 / 3 025,90 = 27,91%
Alvenarias 1 485,00 € 1 485,00 / 3 025,90 = 49,08%
Acabamentos 346,50 € por diferença: 100 − (11,57 + 27,91 + 49,08) = 11,44%
Total 3 025,90 € 11,57 + 27,91 + 49,08 + 11,44 = 100%

O peso de Acabamentos fecha por diferença, para o total dar exatamente 100%: é a prática corrente quando o arredondamento independente de cada percentagem (aqui daria 11,45%, com soma 100,01%) deixaria o resumo a "não bater certo", o erro que o capítulo 9 já assinalou.

Custos indiretos, markup e IVA

Com uma taxa de indiretos de 12%:

Custo indireto = 3 025,90 × 0,12 = 363,11 €

Custo total = 3 025,90 + 363,11 = 3 389,01 €

Com um markup de 18% sobre o custo:

Preço de venda = 3 389,01 × 1,18 = 3 999,03 €

Com IVA à taxa normal de 23% (cliente particular):

Preço final ao cliente = 3 999,03 × 1,23 = 4 918,81 €

Este valor de 4 918,81 € é o número que fecha o orçamento completo: nasceu de quatro quantidades medidas, três preços de artigos compostos calculados a partir de recursos simples, uma verba de estaleiro, uma percentagem de indiretos, um markup e uma taxa de IVA. Nenhum destes sete números foi escrito "de cabeça".

12. Análise de sensibilidade: o que muda se a produtividade cair

Um orçamento assenta em rendimentos que são estimativas, não certezas. A análise de sensibilidade responde a uma pergunta de gestão de risco: o que acontece ao preço final se um rendimento estiver errado?

A relação entre rendimento e horas necessárias

O rendimento da mão de obra mede quanto se produz por hora; as horas necessárias por unidade são o inverso do rendimento. Se o rendimento cai 10%, o trabalho não demora "mais 10%": demora 1 / 0,90 ≈ 1,1111, ou seja, mais 11,11% de horas para a mesma quantidade de trabalho. A relação não é direta, é inversa.

Recalcular os três artigos com a mão de obra 10% menos produtiva

Aplicando o fator 1/0,90 apenas às horas de mão de obra (materiais e equipamento mantêm o rendimento original):

Artigo Preço original Preço com rendimento −10%
Alvenaria de tijolo furado 24,75 €/m² 10,50 + 3,60 + (0,50×1,1111×12,50) + (0,50×1,1111×8,80) = 25,93 €/m²
Betão em sapatas 105,55 €/m³ 81,90 + 4,20 + (1,50×1,1111×8,80) + (0,50×1,1111×12,50) = 107,71 €/m³
Pintura de paredes interiores 3,85 €/m² 1,05 + (0,25×1,1111×11,20) = 4,16 €/m²

Impacto no orçamento completo

Com os mesmos capítulos e quantidades do capítulo 11 (estaleiro 350,00 €, 8 m³ de betão, 60 m² de alvenaria, 90 m² de pintura), mas com os preços de artigo recalculados:

Capítulo Cálculo Custo
Estaleiro 1 × 350,00 350,00 €
Fundações 8 × 107,71 861,68 €
Alvenarias 60 × 25,93 1 555,80 €
Acabamentos 90 × 4,16 374,40 €
Custo direto novo 3 141,88 €

Custo indireto (12%) = 3 141,88 × 0,12 = 377,03 €. Custo total = 3 141,88 + 377,03 = 3 518,91 €.

Preço de venda (markup 18%) = 3 518,91 × 1,18 = 4 152,31 €.

Preço final ao cliente = 4 152,31 × 1,23 = 5 107,34 €

Comparar os dois cenários

Cenário original Rendimento −10% Diferença
Preço final ao cliente 4 918,81 € 5 107,34 € +188,53 € (+3,83%)

A conclusão é importante: uma queda de produtividade de 10% na mão de obra (que, em horas, chega a pesar mais de 11%) só sobe o preço final ao cliente 3,83%, porque a mão de obra é apenas uma parte do custo total, diluída pelos materiais, pelo equipamento, pela verba de estaleiro, pelos indiretos, pelo markup e pelo IVA. Isto não torna o risco irrelevante, mas mostra que a sensibilidade do preço final a um único rendimento é sempre menor do que a variação desse rendimento isolado.

13. Comparar duas propostas de subempreitada

Quando um capítulo é subcontratado, chegam propostas de vários subempreiteiros com âmbitos diferentes: uma pode incluir material e mão de obra, outra só mão de obra. Comparar apenas o preço unitário anunciado é o erro mais comum desta fase.

O caso: subcontratar a alvenaria

Para o capítulo "Alvenarias" (60 m²) do orçamento do capítulo 11, chegam duas propostas:

À primeira vista, a Proposta B parece muito mais barata (9,50 € contra 24,00 €). Mas os âmbitos não são iguais: é preciso igualar o âmbito antes de comparar, somando à Proposta B o custo do material que a empresa teria de fornecer, já calculado no capítulo 4: tijolo (10,50 €/m²) + argamassa (3,60 €/m²) = 14,10 €/m².

Proposta A Proposta B
Preço anunciado 24,00 €/m² 9,50 €/m²
Material a acrescentar (se necessário) incluído + 14,10 €/m² (fornecido pela empresa)
Preço comparável 24,00 €/m² 9,50 + 14,10 = 23,60 €/m²
Total para 60 m² 60 × 24,00 = 1 440,00 € 60 × 23,60 = 1 416,00 €

Depois de igualar o âmbito, a Proposta B continua a ser a mais barata, mas por uma diferença muito menor do que a diferença dos preços anunciados: 1 440,00 − 1 416,00 = 24,00 € no total dos 60 m², e não os "60 × 14,50 € = 870,00 €" que uma comparação direta e apressada dos preços unitários sugeriria.

A regra fica clara: nunca comparar duas propostas de subempreitada pelo preço unitário anunciado sem primeiro confirmar o que cada uma inclui.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Orçamentar uma obra segue sempre a mesma ordem: medir com rigor (capítulos 1 e 3) → construir preços a partir de recursos simples e compostos (capítulo 4) → somar o custo direto e os custos indiretos (capítulo 5) → aplicar margem ou markup, sem confundir os dois, e por fim o IVA, com as regras próprias da construção (capítulo 6). A folha de cálculo (capítulos 2 e 7) e o programa específico de orçamentação (capítulos 7 a 9) seguem exatamente este método; o software automatiza os cálculos e liga a medição ao desenho do projeto. O capítulo 11 junta todas estas peças num orçamento completo, do mapa de quantidades ao preço final ao cliente; o capítulo 12 mostra como um rendimento de mão de obra pior do que o previsto se propaga, com um peso diluído, até esse preço final; e o capítulo 13 ensina a igualar o âmbito antes de comparar propostas de subempreitada. Dominar as duas ferramentas, o cálculo do risco e a leitura crítica de propostas é o que permite a um técnico de obra orçamentar qualquer empreitada, pequena ou grande.

Exercícios resolvidos

1. Uma sala tem 8 m de perímetro de parede a pintar e 2,60 m de pé-direito, com uma porta de 0,80 m × 2,10 m e uma janela de 1,20 m × 1,00 m. Calcula a área líquida a pintar.

Resolução: área bruta = 8 × 2,60 = 20,80 m². Área de vãos = (0,80 × 2,10) + (1,20 × 1,00) = 1,68 + 1,20 = 2,88 m². Área líquida = 20,80 − 2,88 = 17,92 m².

2. Com o preço do artigo "Pintura de paredes interiores" (3,85 €/m²), calcula o custo direto de pintar os 17,92 m² do exercício anterior.

Resolução: custo = 17,92 × 3,85 = 68,99 € (arredondado a duas casas decimais).

3. Um orçamento tem um custo direto de 5 000,00 € e uma taxa de indiretos de 15%. Calcula o custo indireto e o custo total.

Resolução: custo indireto = 5 000,00 × 0,15 = 750,00 €. Custo total = 5 000,00 + 750,00 = 5 750,00 €.

4. Com o custo total de 5 750,00 € do exercício anterior, calcula o preço de venda com um markup de 18% e com uma margem de 18%. Explica a diferença.

Resolução: markup: 5 750,00 × 1,18 = 6 785,00 €. Margem: 5 750,00 / 0,82 = 7 012,20 € (arredondado). São diferentes porque o markup aplica os 18% sobre o custo, enquanto a margem aplica os 18% sobre o preço de venda final, que é sempre maior do que o custo; por isso a margem produz um preço mais alto para a mesma percentagem.

5. Calcula o preço final ao cliente do exercício anterior (versão markup, 6 785,00 €), com IVA à taxa normal de 23%.

Resolução: preço final = 6 785,00 × 1,23 = 8 345,55 €.

6. O mesmo trabalho é agora faturado a outra empresa de construção, sujeito passivo de IVA com direito à dedução. O que muda na fatura?

Resolução: aplica-se a autoliquidação (reverse charge): a fatura sai sem IVA liquidado, com a menção "IVA devido pelo adquirente", e é a empresa cliente que autoliquida o IVA na sua própria contabilidade. O valor faturado mantém-se em 6 785,00 €, sem os 23% adicionados.

7. O rendimento do pintor sobe 10% (fica mais produtivo). Recalcula o preço do artigo "Pintura de paredes interiores" (rendimento original: 0,35 L/m² de tinta a 3,00 €/L, 0,25 h/m² de pintor a 11,20 €/h).

Resolução: se o rendimento sobe 10%, as horas necessárias por m² não descem 10%: descem para 1 / 1,10 ≈ 0,9091 do valor original, ou seja, cerca de menos 9,09%. Novas horas de pintor = 0,25 × 0,9091 ≈ 0,2273 h/m². Custo da tinta = 0,35 × 3,00 = 1,05 €. Custo da mão de obra = 0,2273 × 11,20 = 2,55 €. Preço do artigo = 1,05 + 2,55 = 3,60 €/m², uma descida de 0,25 € face aos 3,85 €/m² originais. Tal como no capítulo 12, a variação do preço final é sempre menor do que a variação do rendimento isolado, porque a mão de obra é só uma parte do custo do artigo.

8. Para o capítulo "Fundações" (8 m³ de betão em sapatas) chegam duas propostas de subempreitada: Proposta A, 115,00 €/m³ tudo incluído; Proposta B, 30,00 €/m³ só mão de obra e equipamento, com a empresa a fornecer o betão (1,05 m³/m³ a 78,00 €/m³, incluindo perdas). Qual é mais barata?

Resolução: Proposta A: 8 × 115,00 = 920,00 €. Material a acrescentar à Proposta B: 1,05 × 78,00 = 81,90 €/m³. Preço comparável de B: 30,00 + 81,90 = 111,90 €/m³; total = 8 × 111,90 = 895,20 €. Depois de igualar o âmbito, a Proposta B é mais barata em 920,00 − 895,20 = 24,80 €, uma diferença bem menor do que os "8 × (115,00 − 30,00) = 680,00 €" que a comparação direta dos preços anunciados sugeriria erradamente.

9. Uma pequena obra tem: estaleiro (verba) de 280,00 €, 35 m² de alvenaria de tijolo furado a 24,75 €/m², 55 m² de pintura a 3,85 €/m² e 4 m³ de betão em sapatas a 105,55 €/m³. Calcula o custo direto, o custo total com 9% de indiretos, o preço de venda com markup de 22% e o preço final ao cliente com IVA de 23%.

Resolução: custo direto = 280,00 + (35 × 24,75) + (55 × 3,85) + (4 × 105,55) = 280,00 + 866,25 + 211,75 + 422,20 = 1 780,20 €. Custo indireto = 1 780,20 × 0,09 = 160,22 €. Custo total = 1 780,20 + 160,22 = 1 940,42 €. Preço de venda (markup 22%) = 1 940,42 × 1,22 = 2 367,31 €. Preço final com IVA (23%) = 2 367,31 × 1,23 = 2 911,79 €.