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UC · Unidade de Competência · UC01103

Sebenta · Integrar operações de Apoio Civil (UC01103)

Proteção civil, PNEPC, SIAME, incêndios florestais, patrulhamento, cheias e apoio às populações
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Militar Terrestre ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta prepara o formando para integrar operações de Apoio Civil, uma das missões que o Exército desempenha para além da defesa militar do território: apoiar a população portuguesa quando ocorrem incêndios florestais, cheias, epidemias ou outras catástrofes que ultrapassam a capacidade normal dos meios civis.

A matéria organiza-se em torno de duas grandes áreas previstas no referencial: o apoio militar de emergência e outras missões de interesse público. Vamos perceber como o sistema nacional de proteção civil funciona, como o Exército se articula com ele através do SIAME, e depois entrar no detalhe técnico do combate a incêndios florestais, do patrulhamento e vigilância, e da resposta a cheias e a surtos epidémicos.

Nota institucional. Esta Unidade de Competência apenas pode ser ministrada e certificada pelas Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército que integrem o Sistema de Formação do Exército, após aprovação da Direção de Formação do Exército, nos termos da legislação orgânica do Exército em vigor. Esta sebenta serve de apoio ao estudo dentro desse quadro de formação.

Objetivos de aprendizagem (referencial): patrulhar zonas florestais; executar a abertura de faixas de contenção e rescaldos; montar vigilância e patrulhamentos em áreas e pontos sensíveis; apoiar as populações em caso de acidentes graves ou catástrofes; e prestar o apoio militar de emergência, sempre respeitando os procedimentos de segurança, o Plano Nacional de Emergência e Proteção Civil e as normas internas em vigor.

1. O apoio civil das Forças Armadas: enquadramento

Portugal enfrenta, todos os anos, situações que ultrapassam a capacidade das estruturas civis: grandes incêndios florestais no verão, cheias no inverno, e ocasionalmente crises de saúde pública de âmbito nacional. Nestas situações, o Estado pode acionar as Forças Armadas em apoio civil.

O apoio civil não é uma iniciativa isolada de uma unidade ou de um militar: é uma missão formal, ativada por pedido da autoridade de proteção civil competente e executada dentro da cadeia de comando militar. Enquadra-se em duas grandes áreas, definidas no contexto desta UC:

Em qualquer dos casos, o militar mantém a sua identidade e disciplina próprias, mas coloca-as ao serviço de quem está em situação de vulnerabilidade. É esse duplo compromisso, rigor militar e serviço à população, que atravessa toda esta UC.

Exemplo resolvido: identificar o tipo de operação

Situação: um destacamento é enviado para reforçar o patrulhamento de uma serra durante um período de risco muito elevado de incêndio, semanas antes de haver qualquer fogo ativo.

Resolução: trata-se de uma operação de apoio civil preventivo, dentro da área de apoio militar de emergência, mas na fase de prevenção, não de resposta a um sinistro já em curso. A tarefa concreta que a realiza é "patrulhar zonas florestais" e "montar vigilância e patrulhamentos em áreas e pontos sensíveis".

2. O Sistema Nacional de Proteção Civil

O Sistema Nacional de Proteção Civil é o conjunto de órgãos, estruturas, meios e normas que, em Portugal, previne riscos coletivos e mitiga as consequências de acidentes graves e catástrofes, protegendo pessoas, bens e ambiente. Não se abrevia aqui como "SNPC": essa sigla designava historicamente o Serviço Nacional de Proteção Civil, extinto em 2003, e o seu uso corrente hoje é ambíguo.

Atribuições

O Sistema Nacional de Proteção Civil tem como atribuições principais, nos termos do artigo 4.º da Lei n.º 27/2006 (Lei de Bases da Proteção Civil):

Organização e funcionamento

O sistema organiza-se em três níveis de coordenação, cada um com um órgão próprio:

Nível Órgão de coordenação Autoridade
Municipal Comissão Municipal de Proteção Civil Presidente da Câmara Municipal
Distrital Comissão Distrital de Proteção Civil Comandante do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil territorialmente competente
Nacional Comissão Nacional de Proteção Civil Ministro da Administração Interna, membro do Governo responsável pela área da proteção civil

Ao nível operacional, a coordenação está a cargo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), através do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS), criado pelo Decreto-Lei n.º 134/2006. No terreno, cada ocorrência tem um único comandante das operações de socorro, seguindo o Sistema de Gestão de Operações, o que evita que várias entidades deem ordens contraditórias em simultâneo.

Desde 4 de janeiro de 2023, os 18 Comandos Distritais de Operações de Socorro foram extintos e substituídos por 24 Comandos Sub-regionais de Emergência e Proteção Civil, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 45/2019: é este o nível de comando operacional intermédio, entre o municipal e o nacional. O cargo de Governador Civil, que antes tinha responsabilidades ao nível distrital, cessou funções em 2011 (Decreto-Lei n.º 114/2011) e não integra a estrutura atual.

Nota. A Comissão Nacional de Proteção Civil não se confunde com a direção do PNEPC: é presidida pelo membro do Governo responsável pela área da proteção civil, hoje o Ministro da Administração Interna. O Primeiro-Ministro é o diretor do PNEPC, uma figura distinta, que assume a direção política e estratégica da resposta quando o plano é ativado ao nível nacional.

São agentes de proteção civil, nos termos do artigo 46.º, n.º 1, da Lei n.º 27/2006: os corpos de bombeiros, as forças de segurança, as Forças Armadas, os órgãos da Autoridade Marítima Nacional, a Autoridade Nacional da Aviação Civil, o INEM e os demais serviços de saúde, e os sapadores florestais. As Forças Armadas integram este elenco por direito próprio, tal como os restantes agentes: o que a lei trata como subsidiário é o modo de empenhamento e a forma de pedido de colaboração (artigos 53.º e 54.º), não o seu estatuto de agente. A Cruz Vermelha Portuguesa não faz parte deste elenco: coopera com os agentes de proteção civil, de harmonia com o seu estatuto próprio (artigo 46.º, n.º 2).

Exemplo resolvido: quem coordena o quê

Situação: um incêndio florestal atinge três concelhos vizinhos ao mesmo tempo.

Resolução: deixa de ser um assunto apenas municipal e passa a ser coordenado ao nível distrital, através da Comissão Distrital de Proteção Civil e do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil territorialmente competente, que articula os meios dos três municípios e os meios de reforço, incluindo eventual apoio militar.

3. O Plano Nacional de Emergência e Proteção Civil (PNEPC)

O PNEPC é o documento de referência que estabelece o quadro geral de resposta de Portugal a acidentes graves e catástrofes de âmbito nacional ou que ultrapassem a capacidade de resposta regional ou distrital.

O que o plano define

A ativação e as duas fases de execução

O PNEPC, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 87/2013, de 28 de novembro, organiza a execução da resposta em duas fases:

  1. Fase de emergência: os agentes de proteção civil e as entidades de apoio, incluindo o Exército quando empenhado, atuam no terreno para limitar os efeitos do acidente grave ou da catástrofe e socorrer as populações afetadas.
  2. Fase de reabilitação: avaliação de danos, reabilitação de infraestruturas e apoio à recuperação das populações atingidas, até à desmobilização gradual e ordenada dos meios envolvidos.

A ativação do plano, pela autoridade competente, ao nível adequado (municipal, distrital ou nacional), é o ato que desencadeia a fase de emergência, não uma terceira fase do plano. E a reposição da normalidade é um objetivo geral de todo o sistema de proteção civil, previsto no artigo 4.º da Lei n.º 27/2006: concretiza-se sobretudo na fase de reabilitação, mas não é, em si, uma fase autónoma do PNEPC.

Cumprir o PNEPC é, para esta UC, um critério de desempenho explícito: qualquer operação de apoio civil tem de respeitar a organização e a cadeia de decisão que o plano estabelece, sem improvisos paralelos.

Exemplo resolvido: interpretar o PNEPC numa missão concreta

Situação: uma unidade recebe ordem para montar um centro de acolhimento temporário para famílias desalojadas por um incêndio já extinto.

Resolução: esta tarefa insere-se na fase de reabilitação do PNEPC. Não é combate ao fogo, é apoio à recuperação da vida das populações, uma tarefa que concretiza o objetivo geral de reposição da normalidade do sistema de proteção civil (artigo 4.º da Lei n.º 27/2006) e que realiza diretamente esta UC ("apoiar as populações em caso de acidentes graves ou catástrofes").

4. O SIAME e os módulos de intervenção do Exército

O Sistema Integrado de Apoio Militar de Emergência do Exército (SIAME) é o sistema interno através do qual o Exército organiza, prepara e emprega os seus meios em apoio às autoridades de proteção civil.

Atribuições, organização e funcionamento

Módulos de intervenção

O emprego dos meios organiza-se em módulos, conjuntos de pessoal e equipamento vocacionados para um tipo de tarefa. O referencial desta UC fala em "módulos de intervenção do Exército" sem fixar uma lista fechada; os exemplos mais comuns são:

Módulo (exemplo) Vocação principal
Combate a incêndios patrulhamento, rescaldo, apoio direto ao ataque ao fogo
Engenharia faixas de contenção, desobstrução de vias, apoio a infraestruturas
Logístico transporte, distribuição de água, alimentos e material
Saúde apoio sanitário em catástrofes e surtos epidémicos

A escolha dos módulos a ativar, e a sua composição concreta, depende do tipo de operação de apoio civil exigido pela situação e da decisão do comando antes do empenhamento; a tabela acima é ilustrativa, não uma tipificação fechada.

5. Forças e Serviços de Segurança

As Forças e Serviços de Segurança, como a GNR e a PSP, têm atribuições, organização e funcionamento próprios, distintos das Forças Armadas, mas cooperam de forma próxima nas operações de apoio civil.

Atribuições e organização

Articulação no terreno

Entidade Função típica
Bombeiros ataque direto ao fogo, socorro a pessoas
GNR / PSP segurança, controlo de acessos, ordem pública
Exército patrulhamento, faixas de contenção, logística, apoio às populações
INEM assistência médica de emergência

Cada entidade cumpre a sua função sem sobreposição, sob a coordenação de um comando único da operação. Reconhecer esta divisão de papéis evita que um militar assuma, por engano, tarefas que competem à GNR ou à PSP, como o controlo de trânsito ou a detenção de pessoas.

6. Incêndios florestais: tipologia e comportamento do fogo

Tipologia dos incêndios florestais

A tipologia de um incêndio rural cruza dois critérios diferentes, não uma lista única de quatro classes exclusivas:

Por combustível e ocupação do solo:

Por forma de propagação:

Um incêndio de povoamento, por exemplo, pode evoluir de fogo de superfície para fogo de copas: os dois critérios descrevem aspetos diferentes do mesmo fenómeno, não classes que se excluem mutuamente.

O comportamento do fogo

O fogo mantém-se enquanto existirem, em simultâneo, três elementos, o chamado triângulo do fogo: combustível, comburente (o oxigénio do ar) e calor. Retirar qualquer um dos três extingue o fogo, e é nisto que se baseiam todas as técnicas de combate.

Três fatores determinam a forma como um incêndio se comporta:

Exemplo resolvido: prever o comportamento do fogo

Situação: um incêndio de mato inicia-se na base de uma encosta, com vento moderado a soprar encosta acima, num dia de humidade relativa muito baixa.

Resolução: os três fatores conjugam-se contra a equipa: a topografia (encosta) acelera a subida do fogo, a meteorologia (vento na mesma direção, baixa humidade) intensifica-o, e o combustível seco alimenta-o. A conclusão prática é posicionar as equipas acima e ao lado, nunca à frente, do sentido de propagação previsto, e garantir vias de fuga antes de qualquer ação de combate.

7. Técnicas e normas de segurança no combate a incêndios

Técnicas de combate

Normas de segurança

Respeitar os procedimentos de segurança para as operações de combate a incêndios florestais é, no referencial desta UC, o primeiro critério de desempenho. As regras fundamentais são:

⚠️ A regra de ouro do combate a incêndios florestais: a segurança da equipa está sempre acima da rapidez de extinção. Nenhum bem material justifica pôr uma vida em risco desnecessário.

8. Patrulhamento e vigilância em zonas florestais

Preparar o patrulhamento

Um patrulhamento eficaz começa antes de se sair do aquartelamento:

Patrulhamentos apeados e motorizados

Tipo Vantagens Limitações
Apeado acesso a zonas de difícil acesso viário, deteção mais próxima do terreno mais lento, cobre menor área
Motorizado cobre maior área em menos tempo, transporta mais material limitado às vias e caminhos existentes

No patrulhamento apeado, o ritmo e o espaçamento entre militares garantem cobertura visual contínua do terreno percorrido. No patrulhamento motorizado, a viatura permite alternar entre eixos viários e parar em pontos de observação estratégicos, sendo frequente combinar os dois: a viatura desloca a equipa até uma zona, a partir da qual segue um patrulhamento apeado.

O Posto de Observação/Escuta

O Posto de Observação/Escuta é um ponto fixo, em local elevado ou estratégico, complementar ao patrulhamento, para vigiar uma área alargada:

  1. Escolher um local com boa visibilidade e cobertura de comunicações.
  2. Utilizar meios de ampliação de observação (binóculos, luneta) para deteção precoce de fumo ou ocorrências anómalas.
  3. Registar e comunicar de imediato qualquer indício ao posto de comando, com coordenadas precisas.
  4. Manter rotação de vigilantes, para garantir atenção constante durante todo o período de serviço.

Exemplo resolvido: escolher entre apeado e motorizado

Situação: uma serra tem uma estrada florestal principal e vários trilhos estreitos que a viatura não consegue percorrer.

Resolução: combina-se os dois tipos: patrulhamento motorizado ao longo da estrada principal, com paragens em pontos de observação, e patrulhamento apeado nos trilhos estreitos, a partir dos pontos onde a viatura fica estacionada.

9. Faixas de contenção e rescaldo

Abrir faixas de contenção

Uma faixa de contenção é uma linha de terreno limpa de vegetação, usada para deter ou desacelerar a propagação de um incêndio. Abre-se com material de sapador: enxada-enxadão, motorroçadora, moto-serra e machado.

Rescaldo e reacendimentos

Depois de o incêndio parecer extinto, o trabalho continua com o rescaldo:

Um incêndio mal rescaldado pode reacender e destruir todo o esforço anterior de combate.

Exemplo resolvido: dimensionar uma faixa de contenção

Situação: um incêndio de mato aproxima-se de uma zona com vento moderado, a cerca de 300 metros, e o único apoio natural disponível é um caminho florestal estreito.

Resolução: a faixa de contenção deve ser aberta junto ao caminho florestal, alargando-o com material sapador até obter uma linha limpa suficientemente larga para o vento e o combustível previstos. O trabalho tem de estar concluído antes de o fogo chegar aos 300 metros, o que define o tempo disponível para a equipa.

10. Equipamento de proteção individual e material sapador

Utilizar o EPI e o equipamento de sobrevivência

Para operações de combate a incêndios rurais, o equipamento inclui:

Manutenção e armazenamento

O material de sapador e o EPI têm de estar sempre prontos a usar:

Material danificado não se usa: reporta-se e substitui-se ou repara-se antes da próxima missão. A responsabilidade individual pelo material é, no referencial desta UC, tão avaliada quanto o saber utilizá-lo.

11. Cheias, inundações e enxurradas

Características

Atuar em caso de cheias, inundações e enxurradas

Numa operação deste tipo, o Exército pode ser chamado a:

A prioridade é sempre a vida humana, seguida da proteção de bens e infraestruturas críticas. Nunca se entra em água corrente sem avaliação prévia do risco: poucos centímetros de enxurrada já são suficientes para derrubar uma pessoa.

12. Surtos epidémicos

Características

Um surto epidémico é o aumento súbito e anómalo de casos de uma doença numa determinada área ou população, acima do que seria normalmente esperado. Pode ter origem numa doença infecciosa transmissível entre pessoas ou num agente ambiental, e a sua gravidade mede-se pela velocidade de propagação, pela letalidade e pela capacidade do sistema de saúde para responder. Situações de grande dimensão podem exigir apoio das Forças Armadas em tarefas logísticas e de contenção, como aconteceu em Portugal durante a pandemia de COVID-19.

Ações de prevenção e contenção

O militar atua sempre sob orientação técnica das autoridades de saúde, nunca por iniciativa própria em matéria clínica.

13. Apoio às populações e busca e salvamento

Apoiar as populações em catástrofe

Uma das cinco realizações centrais desta UC traduz-se em ações concretas junto das populações afetadas:

Executar operações de busca e salvamento

As operações de busca e salvamento procuram e resgatam pessoas em risco de vida após um acidente grave ou catástrofe:

  1. Busca: organizar o terreno em setores e percorrê-los sistematicamente, sem deixar zonas por verificar.
  2. Salvamento: retirar em segurança as pessoas encontradas, prestando os primeiros cuidados possíveis até à chegada de meios de saúde.
  3. Seguir sempre os procedimentos de busca e salvamento definidos nas diretivas operacionais, sem improvisação isolada.

A segurança de quem busca é também prioridade: nunca se entra numa zona de risco sem avaliação prévia.

14. Diretivas operacionais, normas e atitude profissional

Diretivas operacionais

Toda a operação de apoio civil é enquadrada por diretivas operacionais: documentos que definem protocolos de segurança, procedimentos de busca e salvamento e regras próprias de cada missão. Cumprir as normas e regulamentos internos para operações de apoio civil é critério de desempenho explícito desta UC. Perante uma situação não prevista na diretiva, o militar reporta ao comando; não decide por conta própria.

A atitude do militar em apoio civil

O sucesso de uma operação de apoio civil depende tanto da técnica como das atitudes exigidas ao militar:

Estas atitudes são avaliadas na prática, tanto quanto a técnica: um militar tecnicamente competente, mas sem controlo emocional ou sem respeito pelas normas, compromete toda a operação.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O apoio civil das Forças Armadas segue sempre a mesma lógica: enquadramento (Sistema Nacional de Proteção Civil, PNEPC, SIAME) → prevenção (patrulhamento, vigilância, Posto de Observação/Escuta) → resposta técnica (combate a incêndios, faixas de contenção, rescaldo, atuação em cheias e surtos epidémicos) → apoio às populações (acolhimento, recursos complementares, busca e salvamento) → tudo isto enquadrado por diretivas operacionais e sustentado pelas atitudes de rigor, cooperação e respeito pelas normas. Domina este fluxo e estás preparado para integrar qualquer operação real de apoio civil.

Exercícios resolvidos

1. Distingue Proteção Civil de bombeiros.

Resolução: a Proteção Civil é o sistema, o Sistema Nacional de Proteção Civil, coordenado pela ANEPC e organizado em três níveis; os bombeiros são um dos vários agentes de proteção civil desse sistema, a par das forças de segurança, das Forças Armadas, do INEM e dos sapadores florestais, entre outros previstos no artigo 46.º da Lei n.º 27/2006. As Forças Armadas são agentes por direito próprio, não apenas quando empenhadas; a Cruz Vermelha Portuguesa, essa, coopera com os agentes, mas não integra o elenco.

2. Um incêndio de mato propaga-se encosta acima, com vento forte a favor. Que dois fatores, além da topografia, estão a agravar a situação, e qual é a prioridade da equipa?

Resolução: a meteorologia (vento forte) e o combustível (vegetação seca de mato) estão a agravar o comportamento do fogo. A prioridade é garantir vias de fuga e posicionar a equipa acima e ao lado do sentido de propagação, nunca à frente.

3. Explica a diferença entre combate direto e combate indireto, e quando se usa cada um.

Resolução: o combate direto atua sobre a própria linha de fogo, com água ou ferramentas, quando a intensidade o permite com segurança. O combate indireto atua à distância, preparando faixas de contenção, e usa-se quando a intensidade do fogo é demasiado elevada para abordagem direta.

4. Porque é que o rescaldo é tão importante como o combate inicial?

Resolução: porque um incêndio "apagado" pode ter focos residuais de calor escondidos sob cinza, que reacendem horas ou dias depois, sobretudo com vento. O rescaldo elimina esses focos e evita que todo o esforço de combate seja desperdiçado.

5. Distingue cheia, inundação e enxurrada quanto à velocidade de instalação.

Resolução: a cheia instala-se de forma gradual e é geralmente prevista com antecedência; a inundação ocorre quando a água ocupa áreas normalmente secas; a enxurrada é o fenómeno mais rápido e violento, com pouco tempo de aviso prévio, o que a torna a mais perigosa.

6. Durante um surto epidémico, um militar é chamado a apoiar a distribuição de bens a uma população em quarentena. Que tipo de apoio é este, e que limite tem a sua autonomia?

Resolução: é um apoio logístico, dentro do módulo de saúde/apoio às populações. A autonomia do militar é limitada: atua sempre sob orientação técnica das autoridades de saúde, nunca decide por iniciativa própria em matéria clínica.