Sebenta · Atuar em situações de emergência médica e trauma em contexto militar (UC01093)
- Introdução
- 1. O papel do socorrista: limites de atuação, competências e ética
- 2. O Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM)
- 3. A Cadeia de Sobrevivência do adulto e pediátrica
- 4. Avaliação inicial: segurança e verificação VOS
- 5. Suporte Básico de Vida do adulto
- 6. Suporte Básico de Vida com DAE
- 7. Suporte Básico de Vida pediátrico
- 8. Obstrução da via aérea (OVA)
- 9. Traumatologia: feridas, hemorragias e objetos empalados
- 10. Traumatologia: queimaduras e traumatismos oculares
- 11. Traumatologia: craniano, vertebro-medular, torácico, abdominal e dos membros
- 12. Lesões ambientais
- 13. Emergências médicas
- 14. Equipamentos de proteção individual (EPI)
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta prepara-te para atuar perante uma emergência médica ou uma situação de trauma, em contexto militar ou fora dele, cumprindo os requisitos definidos pelo INEM para o Suporte Básico de Vida (SBV) do adulto e pediátrico e para o SBV com Desfibrilhação Automática Externa (SBV-DAE). Um militar é, com frequência, o primeiro a chegar junto de um camarada ferido ou de um civil em emergência, muitas vezes antes de qualquer meio diferenciado. O que fazes nos primeiros minutos, com calma e a preceito, pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Objetivos de aprendizagem (referencial): assegurar as condições de segurança; efetuar os procedimentos da cadeia de sobrevivência do adulto e pediátrica; executar o algoritmo de SBV pediátrico; executar o algoritmo de SBV com DAE; efetuar técnicas de socorrismo em situações de emergência médica e trauma.
O percurso segue esta ordem: primeiro o papel do socorrista (limites, ética, comunicação, o sistema de emergência), depois os algoritmos de SBV (adulto, com DAE, pediátrico, desobstrução da via aérea), e por fim as técnicas de trauma e de emergência médica que completam o socorrismo no terreno.
1. O papel do socorrista: limites de atuação, competências e ética
Um socorrista é quem, sem ser profissional de saúde, presta os primeiros cuidados a uma vítima até chegar ajuda diferenciada. O papel tem limites que se respeitam sempre:
- Fazer só o que a formação permite. Um socorrista estabiliza, não diagnostica nem trata definitivamente.
- Não se colocar em risco desnecessário. Um socorrista ferido deixa de ajudar e passa a ser mais uma vítima a resgatar.
- Respeitar o sigilo e a privacidade da vítima. Não se fotografa, não se divulga o estado de saúde nem a identidade de quem se socorreu.
- Consentimento. Pede-se sempre que a vítima esteja consciente e capaz de decidir; presume-se em vítima inconsciente ou menor sem responsável presente.
Estes princípios são critérios de desempenho da UC: cumprir os protocolos instituídos com respeito pelos limites de atuação, e respeitar o sigilo e a privacidade da vítima.
A comunicação em emergência
Comunicar bem, sob pressão, é uma competência técnica que se treina:
- Comunicação fechada: quem recebe uma ordem repete-a antes de a executar, para confirmar que percebeu.
- Ordens diretas: apontar a uma pessoa concreta ("tu, de casaco azul, liga já para o 112"), nunca uma ordem vaga ao grupo.
- Chamada ao 112 ou ao CODU: localização exata, número de vítimas, o que aconteceu, estado da vítima, o que já foi feito.
- Junto da vítima: identificar-se, explicar cada gesto antes de o fazer, manter um tom calmo mesmo em pânico.
Manter o controlo emocional e promover a calma entre os presentes, e cumprir as regras de comunicação, são dois critérios de desempenho avaliados nesta UC.
2. O Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM)
O SIEM é a rede portuguesa, coordenada pelo INEM, que liga o pedido de ajuda ao tratamento e ao transporte da vítima.
Fases do SIEM
- Deteção do incidente e alerta ao 112.
- Triagem e orientação pelo CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), que decide o meio a enviar.
- Tratamento pré-hospitalar, no local, pela equipa que chega.
- Transporte até à unidade de saúde adequada.
- Receção hospitalar, com a passagem de informação de quem prestou o socorro inicial.
Intervenientes e meios
| Meio | Para que serve |
|---|---|
| Ambulância de SBV | Suporte Básico de Vida, socorro geral |
| Ambulância SIV | Suporte Imediato de Vida, mais diferenciado |
| VMER | Viatura Médica de Emergência e Reanimação, com médico |
| Helicóptero do INEM | Transporte rápido em casos graves ou de difícil acesso |
| Bombeiros, PSP/GNR | Apoio no local, segurança, resgate |
Reconhecer o que dizer ao 112 e como o CODU vai orientar a resposta é o que faz o pedido de apoio diferenciado chegar a tempo.
3. A Cadeia de Sobrevivência do adulto e pediátrica
A Cadeia de Sobrevivência é a sequência de ações que, sem falhas, dá à vítima em paragem cardiorrespiratória a maior hipótese de sobreviver. Tem quatro elos, e a ordem muda entre adulto e criança:
| Elo | Adulto | Pediátrica |
|---|---|---|
| 1 | Reconhecimento precoce e alerta ao SIEM | Prevenção e reconhecimento precoce |
| 2 | SBV precoce | SBV precoce |
| 3 | Desfibrilhação precoce | Ativação do SIEM (após o primeiro minuto de SBV, se sozinho) |
| 4 | Suporte avançado de vida e cuidados pós-reanimação | Suporte avançado de vida |
Exemplo resolvido: qual elo falhou?
Um militar encontra um camarada caído durante um exercício, sem resposta e sem respiração normal. Chama por ajuda, mas ninguém liga ao 112 de imediato porque todos ficam a tentar reanimar. Passam quatro minutos até alguém telefonar.
Resolução: falhou o primeiro elo, o reconhecimento precoce e o alerta ao SIEM. Mesmo com o SBV a decorrer bem, sem o alerta feito de imediato o DAE e a ajuda diferenciada demoram a chegar. A ordem correta é apontar uma pessoa concreta para ligar ao 112 enquanto outra inicia o SBV, em paralelo, nunca em sequência.
4. Avaliação inicial: segurança e verificação VOS
Antes de qualquer manobra, o socorrista segue sempre a mesma sequência:
- Assegurar as condições de segurança do local, do reanimador, da vítima e de terceiros. Em contexto militar, isto inclui viaturas em movimento, munições, terreno instável.
- Verificar o estado de consciência: abanar os ombros e falar alto.
- Se não responde, gritar por ajuda.
- Permeabilizar a via aérea: extensão da cabeça e elevação do queixo.
- Verificação VOS durante no máximo 10 segundos: Ver o movimento do tórax, Ouvir sons respiratórios, Sentir o ar exalado na face.
- Decidir: respira normalmente (posição lateral de segurança), não respira ou só tem gasping (iniciar SBV de imediato).
O gasping (respiração agónica, irregular e ruidosa) não conta como respiração normal: é sinal de paragem cardiorrespiratória e exige início imediato do SBV.
5. Suporte Básico de Vida do adulto
Confirmada a paragem, segue-se o algoritmo:
- Pedir ajuda e o DAE (ou mandar alguém pedir, 112 e DAE).
- Compressões torácicas: no centro do tórax, com as duas mãos sobrepostas, os braços esticados.
- Profundidade entre 5 e 6 cm, frequência entre 100 e 120 por minuto.
- Permitir o retorno total do tórax entre compressões.
- 30 compressões : 2 insuflações, cada insuflação com cerca de 1 segundo, observando a elevação do tórax.
- Continuar os ciclos até chegada do DAE, de ajuda diferenciada, ou a vítima recuperar sinais de vida.
Posição lateral de segurança (PLS)
Se a vítima respira normalmente mas está inconsciente: ajoelhar ao lado, esticar o braço mais próximo, dobrar o braço mais afastado com a mão encostada à face, dobrar a perna mais afastada, rodar a vítima puxando pela perna, e ajustar a cabeça em extensão. Reavaliar a respiração com regularidade.
Exemplo resolvido: escolher entre SBV e PLS
Uma vítima está inconsciente, mas ao fazer a verificação VOS o socorrista sente o ar na face e vê o tórax a mover-se de forma regular, 14 vezes por minuto.
Resolução: a vítima respira normalmente, logo coloca-se em posição lateral de segurança, e não em SBV. O SBV só se inicia se a vítima não respirar ou apresentar apenas gasping. Colocar em SBV uma vítima que já respira normalmente não tem indicação.
6. Suporte Básico de Vida com DAE
O DAE (Desfibrilhador Automático Externo) analisa o ritmo cardíaco e, se identificar uma arritmia desfibrilhável, aconselha um choque elétrico.
Passo a passo
- Ligar o DAE assim que chega, e seguir as instruções de voz.
- Colocar os elétrodos: um abaixo da clavícula direita, outro no lado esquerdo do tórax, à altura das costelas inferiores.
- Durante a análise do ritmo, ninguém toca na vítima.
- Se aconselha choque: avisar em voz alta para todos se afastarem, premir o botão.
- Se não aconselha, ou logo após o choque, retomar de imediato as compressões torácicas por 2 minutos.
- Repetir o ciclo até chegada de ajuda diferenciada ou recuperação de sinais de vida.
A desfibrilhação precoce é o terceiro elo da Cadeia de Sobrevivência do adulto: cada minuto sem desfibrilhação reduz de forma acentuada as hipóteses de sobrevivência.
⚠️ Nunca se interrompem as compressões torácicas por mais tempo do que o estritamente necessário para a análise do DAE e a aplicação do choque.
7. Suporte Básico de Vida pediátrico
O algoritmo pediátrico segue a mesma lógica do adulto, com diferenças que decorrem de a paragem na criança ser, na maioria dos casos, de origem respiratória.
| Aspeto | Adulto | Pediátrico |
|---|---|---|
| Insuflações iniciais | Não | 5, antes de qualquer compressão |
| Profundidade | 5 a 6 cm | Cerca de 1/3 do diâmetro do tórax (~4 cm lactente, ~5 cm criança) |
| Técnica (lactente) | Não aplicável | 2 dedos, ou 2 mãos a abraçar o tórax |
| Rácio (1 reanimador) | 30:2 | 30:2 |
| Rácio (2 reanimadores treinados) | 30:2 | 15:2 |
| Quando ligar ao 112, sozinho | Antes de iniciar SBV | Após 1 minuto de SBV |
Exemplo resolvido: sozinho junto de uma criança em paragem
Um militar encontra uma criança sem resposta e sem respiração normal, num posto de socorro numa ação humanitária, e está sozinho, sem telemóvel à mão.
Resolução: inicia de imediato 5 insuflações, seguidas de ciclos de 30 compressões : 2 insuflações, durante 1 minuto completo, e só depois interrompe para ir pedir ajuda (ou grita por alguém, se houver quem ouça). Só regressa de imediato para continuar o SBV. Ligar ao 112 antes deste primeiro minuto atrasaria o início das compressões, que é o que mais importa nos primeiros segundos.
8. Obstrução da via aérea (OVA)
A obstrução distingue-se pela eficácia da tosse:
| Tipo | Sinais | Atuação |
|---|---|---|
| Ligeira | Tosse eficaz, consegue falar ou respirar | Encorajar a tossir, vigiar |
| Grave | Tosse ineficaz, sem ruído, não fala | Atuar de imediato |
Manobras de desobstrução, vítima consciente
- 5 pancadas interescapulares: inclinar a vítima para a frente, bater entre as omoplatas com a base da mão.
- Se não resolve, 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich): por trás, punho fechado acima do umbigo, compressão para dentro e para cima.
- Alternar 5 e 5 até desobstruir, ou a vítima ficar inconsciente (nesse caso, deitar com cuidado e iniciar SBV).
- No lactente, nunca compressões abdominais: pancadas interescapulares e compressões torácicas apenas.
9. Traumatologia: feridas, hemorragias e objetos empalados
Feridas e hemorragias externas
A prioridade imediata numa ferida é controlar a hemorragia:
- Colocar luvas antes de qualquer contacto com sangue.
- Compressão direta sobre a ferida, com penso ou compressa, firme e mantida.
- Elevar o membro ferido, se não houver suspeita de fratura.
- Se a hemorragia grave num membro não para com compressão direta, usar torniquete como último recurso: acima da ferida, apertado até parar o sangramento, com a hora de colocação anotada de forma visível.
- Nunca remover um penso encharcado: coloca-se outro por cima.
Objetos empalados e hemorragia interna
Um objeto encravado no corpo nunca se remove no local: imobiliza-se em volta com pensos volumosos, sem pressionar sobre ele, para não se deslocar no transporte.
A hemorragia interna não se vê, mas manifesta-se por sinais de choque: pele pálida e fria, pulso rápido e fraco, agitação ou confusão. Perante suspeita, manter a vítima deitada e aquecida, e ativar o SIEM com urgência.
10. Traumatologia: queimaduras e traumatismos oculares
Queimaduras
| Grau | Profundidade | Aspeto |
|---|---|---|
| 1º | Epiderme | Pele vermelha, dolorosa, sem flictenas |
| 2º | Derme | Flictenas (bolhas), muito dolorosa |
| 3º | Todas as camadas | Pele esbranquiçada ou carbonizada, pode ser indolor |
Primeiros socorros: arrefecer com água tépida corrente entre 10 e 20 minutos (nunca gelo direto), não rebentar as flictenas, retirar anéis e relógios antes de inchar, cobrir com penso não aderente, e ativar o SIEM se a queimadura for extensa, no rosto, nas mãos, ou de 3º grau.
Traumatismos oculares
Nunca pressionar o globo ocular ferido, nunca remover um corpo estranho encravado. Cobrir ambos os olhos, porque os dois se movem em conjunto, e proteger assim o olho lesado. Se houver produto químico, lavar abundantemente com água limpa, afastando-se do outro olho.
11. Traumatologia: craniano, vertebro-medular, torácico, abdominal e dos membros
- Traumatismo craniano: sinais de alarme são perda de consciência, vómitos, confusão, sonolência anormal, diferença entre pupilas.
- Vertebro-medular: suspeitar sempre em queda de altura, acidente violento ou dor na coluna; imobilizar cabeça e pescoço, não mover a vítima exceto perante risco iminente (fogo, explosão, afogamento).
- Torácico: dificuldade respiratória, ferida que "assobia" (aspirante), tapa-se com penso de três pontas, deixando uma margem aberta para o ar sair.
- Abdominal: em caso de evisceração, nunca empurrar os órgãos de volta; cobrir com penso húmido e limpo.
- Membros: suspeitar de fratura perante deformidade, dor intensa, incapacidade de mover; imobilizar com talas, sem tentar endireitar o membro.
Exemplo resolvido: ferida torácica aspirante
Um militar apresenta uma ferida no tórax que produz um som de sucção a cada respiração, e dificuldade crescente em respirar.
Resolução: aplica-se um penso de três pontas, selado em três dos quatro lados, deixando uma margem aberta. Isto permite que o ar acumulado no interior saia durante a expiração, mas não entre em excesso na inspiração seguinte, evitando o colapso progressivo do pulmão. Selar os quatro lados seria um erro grave: prenderia o ar e agravaria a lesão.
12. Lesões ambientais
- Hipotermia: tremores, confusão, lentidão; retirar roupa molhada, aquecer de forma gradual, manter deitada e imóvel.
- Golpe de calor: pele quente e seca ou muito suada, confusão, pode evoluir para inconsciência; arrefecer de forma ativa, ativar o SIEM de imediato.
- Afogamento: retirar da água em segurança, verificar VOS, iniciar SBV com as 5 insuflações iniciais se em paragem, pela origem respiratória da lesão.
- Picadas e mordeduras: limpar a zona, imobilizar o membro, identificar o agente sem se expor a novo risco, vigiar sinais de reação alérgica grave.
- Eletrocussão: cortar a corrente ou afastar a fonte com material não condutor antes de tocar na vítima.
13. Emergências médicas
| Situação | Sinais | Primeiro socorro |
|---|---|---|
| Dor torácica | Aperto, pode espalhar ao braço | Repouso sentado, SIEM urgente, vigiar consciência |
| Convulsão | Movimentos involuntários, perda de consciência | Proteger de lesões, não conter, nada na boca, PLS após |
| Alteração da consciência | Confusão, sonolência, resposta lenta | Avaliar VOS, posição segura, SIEM |
| Intoxicação | Sintomas variáveis conforme o agente | Identificar o agente, não induzir vómito sem indicação, contactar o Centro de Informação Antivenenos |
| Alteração do comportamento | Agitação, agressividade | Abordagem calma, distância de segurança, pedir apoio |
| Choque | Pele pálida e fria, pulso rápido e fraco, hipotensão | Deitar, elevar pernas se sem trauma, aquecer, SIEM urgente |
O choque partilha sinais com a hemorragia interna do capítulo 9: pele pálida e fria, pulso rápido e fraco. A causa pode variar (hemorrágica, cardíaca, alérgica, infeciosa), mas a resposta imediata do socorrista é sempre a mesma: deitar, aquecer e ativar o SIEM com urgência.
14. Equipamentos de proteção individual (EPI)
- Luvas: sempre que há contacto com sangue ou fluidos corporais.
- Máscara de bolso com válvula unidirecional: para insuflações seguras, trocada entre vítimas.
- Proteção ocular: se houver risco de salpico.
- Regras de utilização: colocar antes do contacto, trocar entre vítimas, descartar de forma segura após uso.
O EPI protege tanto o socorrista como a vítima seguinte, ao evitar a contaminação cruzada, e cumpre um dos requisitos da UC.
Erros comuns
- Correr para a vítima sem verificar antes a segurança do local.
- Confundir gasping com respiração normal, atrasando o início do SBV.
- Comprimir devagar de mais, ou não deixar o tórax voltar totalmente entre compressões.
- Esquecer as 5 insuflações iniciais no algoritmo pediátrico.
- Ligar ao 112 antes do primeiro minuto de SBV pediátrico, quando se está sozinho.
- Usar a manobra de Heimlich num lactente.
- Levantar um penso para "ver se parou" a hemorragia, desfazendo o coágulo.
- Remover um objeto empalado ou tentar recolocar órgãos eviscerados.
- Usar gelo direto numa queimadura.
- Mover uma vítima com suspeita de lesão vertebro-medular sem risco iminente que o justifique.
Glossário
- SIEM: Sistema Integrado de Emergência Médica, coordenado pelo INEM.
- CODU: Centro de Orientação de Doentes Urgentes, que triagem faz as chamadas do 112.
- VMER: Viatura Médica de Emergência e Reanimação.
- SBV: Suporte Básico de Vida.
- DAE: Desfibrilhador Automático Externo.
- VOS: verificação por Ver, Ouvir e Sentir a respiração.
- PLS: posição lateral de segurança.
- Gasping: respiração agónica, irregular e ruidosa, sinal de paragem cardiorrespiratória.
- OVA: obstrução da via aérea.
- Manobra de Heimlich: compressões abdominais para desobstruir a via aérea.
- Evisceração: exposição de órgãos internos através de uma ferida abdominal.
- Ferida aspirante: ferida torácica que permite a entrada de ar, tratada com penso de três pontas.
- Flictena: bolha de pele característica da queimadura de 2º grau.
- EPI: equipamento de proteção individual.
Síntese
O socorrista atua dentro de limites e ética claros, comunica bem e conhece o SIEM. A Cadeia de Sobrevivência organiza a resposta em quatro elos, adulto e pediátrica. Perante uma vítima, segue-se sempre a mesma ordem: segurança, consciência, via aérea, VOS. O SBV do adulto usa compressões a 5 a 6 cm e 100 a 120 por minuto, rácio 30:2; o SBV com DAE acrescenta a desfibrilhação precoce; o SBV pediátrico começa com 5 insuflações e adapta profundidade e rácio ao tamanho da vítima. A desobstrução da via aérea alterna pancadas interescapulares e compressões abdominais, exceto no lactente. O trauma (feridas, hemorragias, queimaduras, fraturas, lesões cranianas, torácicas e abdominais) e as emergências médicas (dor torácica, convulsão, choque, intoxicação) completam o quadro de atuação, sempre com EPI e as atitudes de responsabilidade, autocontrolo e cooperação em equipa.
Exercícios resolvidos
1. Uma vítima não responde e, na verificação VOS, o socorrista sente o ar na face mas de forma irregular e ruidosa, como um suspiro a cada 20 segundos. O que faz?
Resolução: isto é gasping, respiração agónica, que não conta como respiração normal. A vítima está em paragem cardiorrespiratória: inicia-se de imediato o algoritmo de SBV, e não a posição lateral de segurança.
2. Um reanimador sozinho encontra uma criança de 3 anos sem resposta e sem respiração normal. Descreve a sequência completa até à chegada de ajuda.
Resolução: 5 insuflações iniciais, seguidas de ciclos de 30 compressões para 2 insuflações, durante 1 minuto completo. Só depois desse minuto interrompe para pedir ajuda (112), e regressa de imediato para continuar o SBV até a criança recuperar sinais de vida ou chegar ajuda diferenciada.
3. O DAE analisa o ritmo e não aconselha choque. O que se faz a seguir?
Resolução: retomam-se de imediato as compressões torácicas, mantendo o ciclo de SBV durante 2 minutos, até o DAE pedir nova análise. Não se espera nem se questiona a decisão do aparelho.
4. Uma vítima consciente engasgada consegue tossir com força e falar frases curtas. Que manobra se aplica?
Resolução: nenhuma manobra ativa: a tosse é eficaz, o que indica obstrução ligeira. Encoraja-se a vítima a continuar a tossir e vigia-se, sem pancadas interescapulares nem compressões abdominais.
5. Um militar tem uma ferida no tórax que "assobia" a cada respiração. Que penso se aplica e porquê essa forma?
Resolução: um penso de três pontas, selado em três lados e com uma margem aberta. A margem aberta permite que o ar acumulado saia na expiração, evitando que o pulmão colapse progressivamente; selar os quatro lados prenderia o ar e agravaria a lesão.
6. Uma vítima apresenta pele pálida e fria, pulso rápido e fraco, e queda de tensão, sem ferida visível. Qual é a suspeita e a atuação imediata?
Resolução: suspeita de choque, possivelmente por hemorragia interna. Atuação: deitar a vítima, elevar as pernas se não houver trauma que o desaconselhe, aquecer, e ativar o SIEM com urgência, vigiando o estado de consciência.