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UC · Unidade de Competência · UC00573

Sebenta · Aplicar métodos estatísticos no controlo dos processos (UC00573)

Do histograma à carta de controlo, da capacidade do processo ao sistema de medição, aplicado à fundição
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Fundição, T. Laboratório - Fundição ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Numa fundição, nenhum processo produz duas peças rigorosamente iguais. A temperatura de vazamento oscila, a areia de moldação varia de lote para lote, um molde desgasta-se ao longo dos ciclos. O controlo estatístico de processos (CEP) é o conjunto de métodos que transforma essa variação natural em números que se podem controlar, em vez de decisões tomadas "a olho".

Esta sebenta segue o percurso de um técnico que aplica a estatística ao controlo da qualidade: primeiro descreve os dados (média, dispersão, distribuições), depois monitoriza o processo ao longo do tempo com cartas de controlo, avalia se o processo é capaz de cumprir as especificações (Cp e Cpk), confirma que confia nos sistemas de medição usados, e por fim usa ferramentas mais avançadas (amostragem, testes de hipóteses, regressão, ANOVA) para decidir com rigor onde agir.

Objetivos de aprendizagem (referencial): monitorizar e controlar os processos através de métodos estatísticos; identificar tendências e padrões nos processos; avaliar a capacidade do processo; implementar ações corretivas e preventivas.

1. O sistema de gestão da qualidade e o controlo estatístico

O sistema de gestão da qualidade (SGQ) de uma organização define como a qualidade é planeada, controlada e melhorada. O controlo estatístico de processos (CEP) é a metodologia que o SGQ usa para dar evidência numérica a esse controlo, em vez de depender só da inspeção final.

O CEP assenta num ciclo simples, repetido ao longo da produção:

Recolher dados → Registar numa carta → Comparar com limites → Decidir → Agir (corrigir/prevenir)

Este ciclo garante o alinhamento das ações de controlo com os objetivos estratégicos e com os requisitos da qualidade da organização: não se controla por controlar, controla-se para cumprir uma exigência do cliente ou da norma aplicável.

Porque intervir durante o processo, e não só no fim

Um controlo de qualidade que só inspeciona a peça acabada descobre o defeito depois de já ter sido produzido, muitas vezes em centenas de unidades. O CEP atua durante o processo: deteta uma deriva assim que ela começa, ainda antes de gerar peças fora de especificação. É esta antecipação que reduz custos, desperdício e retrabalho, um dos critérios de desempenho centrais desta unidade.

2. Estatística aplicada ao controlo de processos

Para descrever um conjunto de medições (ex.: a dureza de 20 peças fundidas, em HB), a estatística oferece duas famílias de medidas complementares.

Medidas de tendência central

Medida O que mostra Como se obtém
Média (x̄) o valor típico do conjunto soma dos valores a dividir pelo número de valores (n)
Mediana o valor do meio, com os dados ordenados não é afetada por valores extremos
Moda o valor que mais se repete contagem de frequências

Medidas de dispersão

Medida O que mostra
Amplitude (R) diferença entre o maior e o menor valor da amostra
Desvio-padrão (σ, população; s, amostra) quanto os valores se afastam, em média, do centro
Variância o desvio-padrão elevado ao quadrado

Exemplo resolvido · média e amplitude de um subgrupo

Cinco peças fundidas foram medidas quanto ao diâmetro de um furo (mm): 20,02; 20,05; 19,98; 20,01; 20,04.

  1. Soma = 20,02 + 20,05 + 19,98 + 20,01 + 20,04 = 100,10.
  2. Média = 100,10 / 5 = 20,02 mm.
  3. Amplitude = maior (20,05) menos menor (19,98) = 0,07 mm.

Este par (média, amplitude) de cada subgrupo é a matéria-prima da carta de controlo X̄-R do capítulo 4.

Controlar um processo é controlar os dois números ao mesmo tempo: a média (o processo está no alvo?) e a dispersão (o processo é consistente?). Um processo com a média certa mas com dispersão elevada continua a gerar peças fora de tolerância nos dois extremos.

3. Distribuições de dados: Normal e Poisson

A distribuição Normal

Quando um processo está estável, muitas características contínuas (dimensões, dureza, peso da peça fundida) distribuem-se segundo a distribuição Normal: a curva simétrica em forma de sino, definida por dois parâmetros, a média (μ) e o desvio-padrão (σ).

A regra empírica dos "3 sigma" resume o seu comportamento:

Intervalo Percentagem de valores
μ ± 1σ cerca de 68%
μ ± 2σ cerca de 95%
μ ± 3σ cerca de 99,7%

Esta regra é a base dos limites de controlo das cartas de variáveis (capítulo 4): os limites são colocados a 3σ do centro, precisamente porque, num processo Normal e estável, quase todos os pontos deveriam cair dentro desse intervalo.

A distribuição de Poisson

Quando o que se conta são eventos discretos raros num espaço ou intervalo fixo, como o número de porosidades numa peça fundida, aplica-se a distribuição de Poisson, caracterizada por um único parâmetro, λ (o número médio de ocorrências).

A Poisson é a base estatística das cartas de controlo de atributos do tipo c e u (capítulo 5): não se mede uma dimensão contínua, conta-se quantos defeitos aparecem.

Ler um histograma antes de qualquer carta

O histograma das medições recolhidas é sempre o primeiro gráfico a construir:

4. Variabilidade dos processos e melhoria contínua

Toda a variação de um processo tem origem em duas famílias de causas, a distinção mais importante de todo o controlo estatístico.

Causas comuns vs causas especiais

Causas comuns Causas especiais
Natureza aleatórias, pequenas, muitas identificáveis, isoladas
Origem inerentes ao processo (vibração, material, ambiente) eventos concretos (ferramenta gasta, erro do operador, lote defeituoso)
O que indicam processo estável processo fora de controlo
Como se trata reduz-se com melhoria do processo em geral elimina-se investigando e corrigindo a causa concreta

A meta do controlo estatístico não é eliminar toda a variação (isso é impossível), é eliminar as causas especiais e, com o tempo, reduzir as causas comuns através da melhoria contínua. Reagir a cada oscilação normal como se fosse uma causa especial tem um nome, sobreajuste, e o efeito perverso de aumentar a variação em vez de a reduzir.

Melhoria contínua com instrumentos estatísticos

A melhoria contínua de processos usa os instrumentos e ferramentas de controlo estatístico (cartas, histogramas, índices de capacidade) para:

  1. Confirmar que o processo está estável (só causas comuns).
  2. Medir se essa estabilidade é suficiente para as especificações (capacidade, capítulo 6).
  3. Reduzir progressivamente a variação de causas comuns, quando o processo já está estável.

Um processo instável não se "melhora": primeiro estabiliza-se, eliminando causas especiais. Só depois faz sentido tentar melhorá-lo.

5. Cartas de controlo de variáveis e de atributos

A carta de controlo (desenvolvida por Walter Shewhart) é o principal instrumento do CEP: representa os valores do processo ao longo do tempo, com três linhas de referência.

Linha Significado
LC (linha central) a média do processo
LSC (limite superior de controlo) LC + 3σ
LIC (limite inferior de controlo) LC − 3σ

Os limites de controlo vêm dos dados do próprio processo, calculados a partir do seu histórico. Não são as tolerâncias do desenho da peça, que vêm do cliente. Confundir os dois é o erro mais comum de toda a matéria.

Cartas de variáveis: X̄-R

Para dados contínuos (dimensão, peso, dureza), a carta X̄-R combina duas cartas complementares construídas a partir de pequenos subgrupos regulares (tipicamente n=5):

Exemplo resolvido · carta X̄-R passo a passo

Uma fundição controla o diâmetro de um furo maquinado, recolhendo 5 peças por hora.

  1. Recolher 4 subgrupos de n=5 peças (um por hora) e medir o diâmetro (mm).
  2. Calcular a média (x̄) e a amplitude (R) de cada subgrupo.
  3. Calcular a linha central: a média das médias dos subgrupos (X̄̄) e a média das amplitudes (R̄).
  4. Calcular os limites: usando constantes de tabela (A2, D3, D4, específicas de n=5), LSC(X̄) = X̄̄ + A2·R̄ e LIC(X̄) = X̄̄ − A2·R̄; de forma semelhante para a carta R com D3 e D4.
  5. Traçar os pontos ao longo do tempo e verificar se caem dentro dos limites, sem padrões anormais.

A carta R controla-se antes da carta X̄: se a dispersão não está sob controlo, a leitura da média perde significado.

Cartas de atributos: p, np, c, u

Quando o que se avalia é uma característica qualitativa (conforme ou não conforme) ou uma contagem de defeitos, usam-se cartas de atributos:

Carta Mede Tamanho da amostra Distribuição base
p proporção de peças defeituosas variável Binomial
np número de peças defeituosas fixo Binomial
c número de defeitos por unidade fixo Poisson
u defeitos por unidade, área/tempo variável variável Poisson

Numa fundição, a carta c aplica-se ao número de poros numa peça; a carta p, à proporção de peças rejeitadas por lote. A escolha depende de duas perguntas: o dado é medição ou contagem? conta-se peças ou defeitos?

6. Interpretar a carta e agir: da tendência à ação corretiva

Sinais de um processo fora de controlo

Um processo diz-se fora de controlo estatístico quando a carta mostra qualquer um destes sinais, mesmo sem nenhum ponto ultrapassar os limites:

Identificar estas tendências e padrões, antes mesmo de um ponto sair fora dos limites, é uma das realizações centrais desta unidade e o que permite agir cedo.

Da deteção à ação corretiva e preventiva

  1. Investigar a causa no momento (registo de turno, lote, ferramenta, operador).
  2. Ação corretiva: eliminar a causa especial já identificada, para voltar o processo à normalidade.
  3. Ação preventiva: agir antes de o desvio acontecer, quando os dados apontam um risco previsível (ex.: desgaste conhecido de uma ferramenta).
  4. Registar a ocorrência e a ação tomada, alimentando a melhoria contínua.

Exemplo resolvido · diagnóstico de um padrão

Uma carta X̄ mostra 8 pontos consecutivos acima da linha central, todos dentro dos limites de controlo.

Resolução: apesar de nenhum ponto estar fora dos limites, 8 pontos seguidos do mesmo lado é um sinal estatístico de causa especial (o limiar de referência é 7). Investiga-se o que mudou nesse período: novo lote de matéria-prima, novo operador, ajuste não registado na máquina. A ação corretiva remove essa causa; se a causa for previsível (ex.: um novo lote é sabido ser mais duro), regista-se uma ação preventiva para o próximo lote semelhante.

7. Índices de capacidade do processo: Cp e Cpk

Um processo pode estar estatisticamente estável (sem causas especiais) e, mesmo assim, não conseguir cumprir as especificações do cliente. Avaliar a capacidade do processo responde a esta pergunta, comparando a variação natural do processo com os limites de especificação (LSE, limite superior; LIE, limite inferior) definidos no desenho da peça.

Este estudo só faz sentido depois de o processo estar estável (capítulo 6). Estudar a capacidade de um processo instável não tem significado, porque não se sabe qual é a sua variação "normal".

Fórmulas

Índice Fórmula O que avalia
Cp (LSE − LIE) / 6σ se a dispersão cabe na tolerância, ignorando a centragem
Cpk mín [ (LSE−μ)/3σ ; (μ−LIE)/3σ ] dispersão e centragem face ao alvo

Exemplo resolvido · Cp e Cpk

Um furo tem especificação 20 ± 0,3 mm (LSE = 20,3 mm; LIE = 19,7 mm). O processo, medido ao longo do tempo, apresenta μ = 20,05 mm e σ = 0,05 mm.

  1. Cp = (LSE − LIE) / 6σ = (20,3 − 19,7) / (6 × 0,05) = 0,6 / 0,3 = 2,0.
  2. Limite superior de Cpk = (LSE − μ) / 3σ = (20,3 − 20,05) / (3 × 0,05) = 0,25 / 0,15 = 1,67.
  3. Limite inferior de Cpk = (μ − LIE) / 3σ = (20,05 − 19,7) / (3 × 0,05) = 0,35 / 0,15 = 2,33.
  4. Cpk = mínimo dos dois = 1,67.

O Cp (2,0) é mais alto do que o Cpk (1,67): a dispersão do processo é pequena em relação à tolerância, mas o processo está ligeiramente desviado do centro (20,05 mm em vez de 20,00 mm).

Interpretar o valor e diagnosticar

Valor de Cpk Leitura
< 1,00 processo incapaz, produz peças fora de especificação
1,00 a 1,33 capacidade marginal, requer vigilância apertada
1,33 a 1,67 capacidade adequada, padrão comum na indústria
> 1,67 capacidade excelente

Muitos cadernos de encargos da indústria exigem Cpk ≥ 1,33 como condição de fornecimento. O diagnóstico prático é sempre relativo: se Cp é baixo, o problema é a dispersão (reduzir causas comuns); se Cp é alto mas Cpk é baixo, o problema é a centragem (ajustar o processo ao alvo), não a variabilidade.

8. Sistemas de medição: análise e o estudo GRR

Antes de confiar em qualquer dado de processo, é preciso confiar no instrumento e no método que o gerou. A análise de sistemas de medição (MSA) avalia a adequação e a precisão dos equipamentos usados no controlo, como paquímetros, durómetros ou calibres.

Um sistema de medição impreciso pode fazer parecer que o processo varia, quando na realidade é o instrumento (ou a forma como é usado) que varia. Um índice Cpk excelente calculado com um sistema de medição mau não tem valor nenhum.

O estudo GRR

O GRR (Gauge Repeatability and Reproducibility, repetibilidade e reprodutibilidade) separa a variação total observada em três fontes:

Fonte Pergunta a que responde
Repetibilidade o mesmo operador, medindo a mesma peça várias vezes, obtém o mesmo valor?
Reprodutibilidade operadores diferentes, medindo a mesma peça, concordam entre si?
Variação do processo quanto da variação total é mesmo do processo, e não do sistema de medição?

Exemplo resolvido · planear um estudo GRR

Uma fundição quer validar o durómetro usado no controlo de dureza.

  1. Selecionar 3 operadores que usam o equipamento no dia a dia.
  2. Selecionar 10 peças que cubram a gama de dureza esperada no processo.
  3. Cada operador mede cada peça 3 vezes, em ordem aleatória, sem saber os resultados anteriores.
  4. Analisar estatisticamente: se a variação entre operadores (reprodutibilidade) ou entre repetições do mesmo operador (repetibilidade) for elevada face à variação total, o sistema de medição precisa de correção antes de se confiar nos dados que dele saem.

9. Amostragem, tendências e sazonalidade

Amostragem de processos

Medir 100% da produção é, em muitos processos de fundição, impraticável (ensaios destrutivos) ou económico apenas em parte. A amostragem resolve isto com rigor estatístico: recolhe-se um subconjunto representativo do lote ou período.

Boas práticas de amostragem:

Tendências e sazonalidade

Além dos padrões pontuais de uma carta de controlo, é útil analisar o processo numa escala mais larga:

Distinguir os dois orienta a ação: uma tendência aponta para manutenção ou substituição planeada; um padrão sazonal aponta para ajustar parâmetros do processo por época, não para trocar equipamento.

10. Testes de hipóteses e intervalos de confiança

Quando se altera um parâmetro do processo (novo fornecedor de areia, nova liga, novo operador), é preciso decidir, com dados, se a mudança teve efeito real e não é apenas variação natural.

O teste de hipóteses

O teste calcula a probabilidade de observar os dados obtidos se H0 fosse verdadeira. Se essa probabilidade for muito baixa (habitualmente abaixo de 5%), rejeita-se H0 e conclui-se que a diferença é estatisticamente significativa.

Intervalos de confiança

O intervalo de confiança acrescenta, à estimativa da média, uma faixa de valores plausíveis para o verdadeiro parâmetro do processo. Um intervalo de confiança de 95% significa que, repetindo o processo de amostragem muitas vezes, 95% dos intervalos calculados conteriam o valor real. Intervalos mais estreitos resultam de amostras maiores ou de processos com menos variação.

Exemplo resolvido · comparar dois fornecedores de areia

Uma fundição testa se um novo fornecedor de areia de moldação (B) altera a dureza média das peças, comparado com o fornecedor atual (A). Recolhem-se 20 peças de cada.

Resolução: define-se H0 (as durezas médias dos dois fornecedores são iguais) e H1 (são diferentes). Calcula-se um teste de comparação de médias com os dois conjuntos de 20 medições. Se o resultado do teste indicar uma probabilidade muito baixa de a diferença observada ocorrer só por acaso, rejeita-se H0: o fornecedor tem, de facto, impacto na dureza, e a decisão de mudar (ou não) apoia-se em evidência, não em impressão.

11. Ferramentas estatísticas avançadas: regressão linear e ANOVA

Quando há várias variáveis a considerar no processo, duas ferramentas avançadas completam a caixa de ferramentas do controlo estatístico:

Exemplo resolvido · quando usar cada ferramenta

Uma fundição tem dúvidas sobre dois efeitos diferentes: (a) se a temperatura de vazamento influencia a dureza da peça; (b) se os quatro moldes da linha produzem durezas médias diferentes entre si.

Resolução: (a) é uma relação entre uma variável contínua (temperatura) e um resultado contínuo (dureza), o caso da regressão linear. (b) é a comparação de quatro grupos (os quatro moldes), o caso da ANOVA; usar quatro testes de duas médias em vez de uma ANOVA aumentaria o risco de concluir por engano que há diferença onde não há.

12. Normas da qualidade e a ligação ao sistema de gestão

O controlo estatístico de processos não vive isolado: enquadra-se sempre nas normas da qualidade da organização e do setor da fundição. Estas normas definem o que medir, com que frequência amostrar e que registos manter, dando ao CEP o seu enquadramento formal dentro do sistema de gestão da qualidade.

Cumprir estas normas e aplicar corretamente as ferramentas estatísticas descritas nesta sebenta reduz custos, desperdício e repetições de trabalho, o objetivo último de todo este percurso: monitorizar, avaliar e melhorar o processo com rigor, autonomia e sentido crítico.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O controlo estatístico de processos segue sempre a mesma lógica: descrever os dados (média, dispersão, distribuição Normal ou Poisson), monitorizar o processo ao longo do tempo com cartas de controlo (variáveis ou atributos), distinguir causas comuns de causas especiais e agir com ações corretivas e preventivas. Só depois de o processo estar estável, avalia-se a sua capacidade (Cp e Cpk) face às especificações, confirmando primeiro que o sistema de medição (GRR) é fiável. Ferramentas mais avançadas, amostragem, testes de hipóteses, intervalos de confiança, regressão e ANOVA, dão rigor às decisões sobre onde e como intervir. Tudo isto ao serviço de um único objetivo: cumprir as normas da qualidade com menos custos, menos desperdício e mais confiança nos resultados.

Exercícios resolvidos

1. Uma carta de controlo mostra um ponto isolado fora do limite superior de controlo. É uma causa comum ou especial?

Resolução: é um sinal de causa especial. Um ponto fora dos limites de controlo (calculados a 3σ da média do processo) é, por definição, um evento raro num processo estável só com causas comuns; deve investigar-se de imediato o que aconteceu nesse ponto no tempo (lote, turno, ferramenta).

2. Um processo tem LSE = 50,5 mm, LIE = 49,5 mm, μ = 50,0 mm e σ = 0,15 mm. Calcula o Cp e o Cpk.

Resolução: Cp = (50,5 − 49,5) / (6 × 0,15) = 1,0 / 0,9 ≈ 1,11. Como o processo está perfeitamente centrado (μ = 50,0, a meio de LSE e LIE), Cpk = Cp ≈ 1,11. É uma capacidade marginal (entre 1,00 e 1,33), o processo requer vigilância apertada.

3. Que tipo de dado (variável ou atributo) e que carta de controlo usarias para acompanhar o número de rechupes por peça fundida?

Resolução: é uma contagem de defeitos por unidade, dado de atributo com distribuição de Poisson. A carta adequada é a carta c (número de defeitos por unidade, com tamanho de amostra fixo).

4. Um estudo GRR revela que a reprodutibilidade (variação entre operadores) é muito maior do que a repetibilidade. Que conclusão tiras?

Resolução: o problema está nos operadores, não no instrumento em si: diferentes operadores obtêm resultados sistematicamente diferentes ao medir a mesma peça. A ação indicada é rever o método de medição (procedimento, formação, forma de segurar o instrumento), não trocar o equipamento.

5. Explica, com um exemplo de fundição, a diferença entre uma tendência e um padrão sazonal.

Resolução: uma tendência é uma deriva gradual e sustentada, como o desgaste progressivo de um molde ao longo de milhares de ciclos, que pede manutenção ou substituição planeada. Um padrão sazonal é uma variação cíclica, como mais rechupes no verão devido à temperatura mais alta da nave fabril, que pede ajuste de parâmetros por época, não substituição de equipamento.