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UC · Unidade de Competência · UC00535

Efetuar o diagnóstico capilar (UC00535)

Do couro cabeludo à fibra capilar, observar, testar, interpretar, aconselhar e registar com segurança
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Cabeleireiro/a ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.

Introdução

Antes de cortar, colorir, alisar ou tratar, o bom profissional olha e pergunta. Esta sebenta ensina a efetuar o diagnóstico capilar: analisar o cabelo e o couro cabeludo, avaliar alterações, anomalias e doenças do couro cabeludo, aconselhar o cliente depois do diagnóstico e registar tudo na ficha de cliente. É a competência que decide se um serviço pode avançar, se tem de ser adaptado ou se o cliente deve ser encaminhado para um médico.

O percurso segue a ordem em que o trabalho acontece num salão. Primeiro percebemos do que é feito o que vamos observar: a pele, o couro cabeludo, o folículo, o fio e os ciclos de renovação. Depois aprendemos a classificar os tipos de cabelo e a reconhecer as causas externas e internas que o alteram. Segue-se o núcleo prático: os aspetos fundamentais a observar, as técnicas de diagnóstico (visuais e tácteis), os testes de tração, porosidade e elasticidade, as ferramentas de aumento e a fotografia capilar. Estudamos depois a avaliação tricológica, isto é, as alopecias e as outras condições do couro cabeludo e da haste do cabelo. Fechamos com a interpretação dos resultados, o tratamento capilar a sugerir, a comunicação ao cliente, o registo e a segurança e saúde no trabalho.

Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar o cabelo e o couro cabeludo; avaliar alterações, anomalias ou doenças do couro cabeludo; aconselhar o cliente após o diagnóstico; registar a informação recolhida na ficha de cliente.

Um limite que nunca se esquece. O cabeleireiro não faz diagnóstico médico. Observa, regista, sinaliza e encaminha. Quando um sinal sugere doença do couro cabeludo, o passo certo é recomendar a consulta de um médico (dermatologista ou médico assistente) e adaptar ou suspender o serviço. Nunca se promete cura, nunca se indica medicação e nunca se diz ao cliente, nem se escreve na ficha, o nome de uma doença, seja como certeza, seja como hipótese.

Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo tem explicação, tabelas de consulta e, onde faz sentido, exemplos resolvidos passo a passo. Refaz o raciocínio antes de ler a solução. Sempre que possível, pratica em modelos ou colegas, com autorização, porque o olhar clínico treina-se com a repetição.

1. O diagnóstico capilar: o que é, para que serve e onde acaba

O diagnóstico capilar é o conjunto organizado de observações, perguntas e testes que permite conhecer o estado do cabelo e do couro cabeludo de uma pessoa antes de lhe propor um serviço ou um tratamento. Não é um olhar rápido ao espelho: tem um objetivo (porque estamos a diagnosticar?), um protocolo (que passos seguimos?) e um resultado (o que concluímos e o que dizemos ao cliente?).

Porque se faz

Objetivo do diagnóstico Exemplo Decisão que permite
Escolher o serviço certo cabelo muito poroso que quer descoloração adaptar a técnica ou recusar
Escolher o tratamento certo couro cabeludo oleoso com cabelo seco nas pontas rotina diferente para raiz e comprimentos
Identificar riscos couro cabeludo irritado e com feridas adiar um serviço químico
Detetar sinais de alerta placas sem cabelo, perda súbita recomendar consulta médica
Acompanhar a evolução fotografias antes e depois de um plano mostrar resultados ao cliente

Os três critérios de desempenho

O referencial exige que o diagnóstico seja feito:

  1. Cumprindo os protocolos definidos de acordo com o objetivo do diagnóstico. Um diagnóstico para uma coloração tem passos diferentes de um diagnóstico para um plano de tratamento anticaspa. O protocolo do estabelecimento diz o que se observa, por que ordem e como se regista.
  2. Sinalizando os aspetos que resultam em riscos associados à aplicação de técnicas e produtos. Cabelo muito danificado, couro cabeludo com lesões, alergias referidas pelo cliente e uso recente de outros produtos químicos são riscos que têm de ficar assinalados.
  3. Comunicando de forma clara o resultado do diagnóstico. O cliente tem de perceber o que foi encontrado, o que isso significa para o serviço e o que se recomenda, sem termos que o confundam.

As quatro realizações

Realização O que faz o profissional Capítulos
Analisar o cabelo e o couro cabeludo observa, toca, testa, amplia, fotografa 8 a 11
Avaliar alterações, anomalias ou doenças do couro cabeludo reconhece sinais, distingue o que é do salão e o que é médico 12 a 14
Aconselhar o cliente após o diagnóstico explica, sugere tratamento, define rotina de casa 15 e 16
Registar a informação na ficha de cliente escreve dados objetivos, datados e legíveis 17

Onde acaba a competência do cabeleireiro

Este ponto protege o cliente e o profissional. O cabeleireiro pode e deve:

O cabeleireiro não deve:

Exemplo resolvido · o que dizer perante uma placa sem cabelo

Uma cliente de 30 anos, durante a observação, mostra uma zona redonda do couro cabeludo sem cabelo, de pele lisa e normal, com cerca do tamanho de uma moeda. Diz que a notou há duas semanas.

  1. Observar: forma, tamanho, cor da pele, presença de descamação, crostas ou vermelhidão. Aqui, a pele está lisa, sem sinais de inflamação.
  2. Registar: localização exata (por exemplo, zona occipital esquerda), dimensões aproximadas, data em que a cliente a notou, fotografia com autorização.
  3. Sinalizar o risco: um serviço químico agressivo não é prudente até haver avaliação.
  4. Comunicar: "Reparei numa zona sem cabelo que merece ser vista por um médico. Recomendo marcar uma consulta de dermatologia. Até lá, o melhor é adiar o serviço de coloração."
  5. Não fazer: dar à situação um nome de doença, ainda que em tom de hipótese, sugerir loções ou prometer que o cabelo volta.

A frase certa descreve e encaminha. A frase errada diagnostica e promete.

2. A pele e o couro cabeludo: histologia e funções

A histologia estuda os tecidos. Para quem faz diagnóstico capilar, conhecer a histologia da pele é conhecer o terreno onde o cabelo nasce: um couro cabeludo saudável é a primeira condição para um cabelo saudável.

As três camadas da pele

A pele organiza-se em três camadas, de fora para dentro.

Camada Constituição Funções principais
Epiderme tecido que se renova continuamente, formado sobretudo por queratinócitos; tem ainda melanócitos, que produzem melanina barreira contra agentes externos, proteção contra a perda de água, pigmentação
Derme tecido conjuntivo com fibras de colagénio e de elastina, vasos sanguíneos, terminações nervosas sustentação, elasticidade, nutrição da epiderme, sensibilidade, raízes dos pelos
Hipoderme tecido subcutâneo com células de gordura isolamento térmico, reserva de energia, amortecimento

A epiderme em pormenor

A epiderme está dividida em estratos. Na base, a camada basal produz continuamente novas células. Estas vão subindo, vão-se enchendo de queratina e achatando-se, até chegarem à superfície na camada córnea, formada por células mortas e achatadas que acabam por se soltar (descamação normal e invisível a olho nu). Esta subida é o ciclo de renovação da pele, estudado no capítulo 4.

A camada córnea e a película de sebo e suor que a cobre formam o manto hidrolipídico, uma emulsão protetora ligeiramente ácida. Ajuda a reter a água na pele, dificulta a instalação de microrganismos e é sensível a produtos de limpeza demasiado agressivos.

Os anexos cutâneos

Chamam-se anexos as estruturas derivadas da pele que cumprem funções próprias:

O couro cabeludo

O couro cabeludo é a pele que cobre o crânio. Tem as três camadas da pele comum, mas distingue-se por características próprias:

Característica O que significa para o profissional
Muito rico em folículos pilosos é a zona onde o cabelo nasce e se renova
Muitas glândulas sebáceas tende à oleosidade e a escamas gordurosas quando o equilíbrio falha
Muito vascularizado cicatriza depressa, mas sangra com facilidade se for lesionado
Muito inervado sente prurido, ardor e dor, que são sinais úteis a registar
Exposto ao sol, ao vento e a produtos sofre agressões externas frequentes

Funções do couro cabeludo

  1. Proteção do crânio e do cérebro contra agressões físicas, químicas e microbianas.
  2. Sustentação do cabelo, com as raízes ancoradas nos folículos.
  3. Regulação térmica, pela vascularização e pelo suor.
  4. Produção de sebo, que lubrifica e protege o fio.
  5. Perceção sensorial, pelas terminações nervosas.
  6. Renovação celular contínua, que mantém a barreira.

O que se observa de normal e de alterado

Aspeto Couro cabeludo saudável Sinais de alteração
Cor da pele rosada ou de tom uniforme com a pele do cliente vermelhidão difusa ou em placas
Superfície lisa, sem escamas visíveis escamas finas, grosseiras, aderentes ou gordurosas
Sebo equilibrado, cabelo não se suja depressa brilho gorduroso excessivo ou secura repuxada
Sensação confortável prurido, ardor, dor, sensação de repuxar
Lesões ausentes crostas, feridas, pústulas, placas
Folículos cada folículo com fios zonas com folículos vazios ou fios muito finos

Exemplo resolvido · identificar a camada afetada

Um cliente queixa-se de que o couro cabeludo "descama muito". Ao observar, vê escamas brancas e finas que caem ao pentear, sem vermelhidão evidente.

  1. As escamas são células da camada córnea que se soltam em maior quantidade e em pequenos aglomerados visíveis.
  2. O fenómeno está ligado à renovação da epiderme, que ocorre mais depressa do que o habitual.
  3. Sem vermelhidão nem crostas, a observação é, em raciocínio interno, compatível com caspa (capítulo 13). Ao cliente descreve-se o que se vê, sem dar nome.
  4. Regista: tipo de escama (fina, branca, solta), ausência de vermelhidão, queixa de prurido (sim ou não).

3. O pelo e o fio de cabelo: estrutura e composição

O cabelo é um pelo especializado da cabeça. Compreender a sua estrutura explica porque quebra, porque absorve água, porque a cor é duradoura e porque os químicos o alteram.

As duas partes do pelo

Parte Onde está Estado
Raiz (bolbo e parte inferior do folículo) dentro do couro cabeludo viva, com células em multiplicação
Haste fora do couro cabeludo, o fio visível morta, formada por células queratinizadas

Esta distinção é capital: a haste está morta. Nenhum champô, máscara ou ampola "regenera" a haste; apenas melhora o seu aspeto, hidrata, protege ou repara temporariamente a superfície. O que cresce e se produz acontece na raiz.

A raiz e o folículo

O folículo piloso é um tubo na pele, com um alargamento na base, o bolbo piloso. Dentro do bolbo estão:

Ao folículo estão ligados a glândula sebácea e o músculo eretor. A bainha que envolve a raiz protege-a e molda a forma do fio.

As camadas da haste

A haste tem três camadas, da periferia para o centro.

Camada Descrição Função O que a danifica
Cutícula escamas sobrepostas, transparentes, como telhas proteger o interior, dar brilho e suavidade atrito, calor, químicos, alcalinidade
Córtex massa fibrosa de queratina e pigmento dá força, elasticidade, cor e forma descoloração, alisamentos, rotura da cutícula
Medula núcleo central, nem sempre presente função pouco clara, mais comum em fios grossos sem relevância prática para o serviço

A cutícula é a camada que mais interessa ao diagnóstico. Quando está fechada e alinhada, o fio reflete a luz (brilho) e desliza (suavidade). Quando está levantada ou partida, o fio fica áspero, sem brilho, mais poroso, e emaranha-se.

A composição química

O cabelo é constituído em grande parte por queratina, uma proteína fibrosa. Contém ainda água, lípidos (gorduras), pigmento (melanina) e pequenas quantidades de outros elementos. A solidez da queratina vem de ligações entre as cadeias de proteína:

Ligação Característica Como se altera
Pontes de dissulfeto muito fortes, dão a forma permanente (liso, ondulado) alisamentos e permanentes quebram-nas e voltam a formá-las
Pontes de hidrogénio fracas, quebram-se com água e voltam a formar-se ao secar por isso o cabelo molhado se molda e a brushing dura até à próxima lavagem
Ligações salinas sensíveis ao pH produtos ácidos e alcalinos alteram-nas

A cor: melanina

A cor natural vem da melanina, produzida pelos melanócitos. Há dois tipos principais:

A proporção entre os dois e a quantidade total determinam a cor natural. Com o tempo, os melanócitos produzem menos pigmento e surgem os cabelos brancos, fios sem melanina. Os fios brancos tendem a ser mais difíceis de colorir em certas situações, e por isso a presença de brancos deve ser registada.

Tamanho e forma do fio

A forma do folículo determina a secção do fio: mais redonda nos cabelos lisos, mais achatada ou oval nos ondulados e encaracolados. Daqui resulta a forma natural do cabelo. Além disso, o diâmetro do fio varia entre pessoas e ao longo da vida, e determina a classificação de fino, médio e grosso (capítulo 5).

Exemplo resolvido · ligar a estrutura a um problema

Uma cliente diz que o cabelo "parte e não tem brilho" depois de várias descolorações.

  1. A descoloração dissolve o pigmento do córtex, mas para o fazer tem de levantar as escamas da cutícula.
  2. Repetida, a cutícula fica levantada ou partida: o fio perde brilho e protege menos o córtex.
  3. O córtex, exposto, perde água e proteína; o fio fica mais frágil e quebra.
  4. Consequência para o diagnóstico: o fio terá elevada porosidade e baixa resistência, o que condiciona qualquer novo serviço químico.

4. Ciclos de renovação da pele e de crescimento capilar

Tanto a pele como o cabelo estão em renovação permanente. Perceber estes ciclos evita falsos alarmes (a queda normal) e ajuda a reconhecer o que não é normal.

Ciclo de renovação da pele

As células da camada basal dividem-se e as novas células sobem até à camada córnea, enchem-se de queratina, morrem e acabam por se soltar. Este percurso demora algumas semanas num adulto saudável. Quando o ciclo se acelera, as escamas saem mais cedo e em maior quantidade: é o que acontece na caspa, na dermatite seborreica e, de forma mais marcada, na psoríase.

Situação Renovação Aspeto no couro cabeludo
Normal ritmo regular descamação invisível
Acelerada mais depressa escamas visíveis, soltas ou aderentes
Lenta (com a idade) mais devagar pele mais baça e seca

Ciclo de crescimento do cabelo

Cada folículo funciona de modo independente e passa por três fases principais, que se repetem ao longo da vida.

Fase Nome O que acontece Duração relativa
Crescimento anágena o bolbo produz o fio ativamente a fase mais longa, de anos
Transição catágena o crescimento pára e o folículo encolhe muito curta
Repouso telógena o fio está preso mas inativo, até ser empurrado por um novo fio alguns meses

Ao fim da fase telógena, o fio cai (por vezes chamada fase exógena) e o folículo inicia nova fase anágena. A maior parte dos folículos está em anágena em cada momento, e só uma minoria em catágena ou telógena. É por isso que a queda diária de alguns fios é normal: são fios telógenos a ser substituídos.

O mosaico capilar

Como cada folículo tem o seu relógio, não caem todos ao mesmo tempo. É o chamado mosaico. Quando muitos folículos entram em simultâneo em telógena, por exemplo depois de um acontecimento marcante, a queda passa a ser notada: é o eflúvio telógeno (capítulo 13).

Fatores que alteram os ciclos

Fator Efeito possível
Doença, febre, cirurgia queda difusa algumas semanas ou meses depois
Parto queda difusa no período seguinte
Dieta muito restritiva cabelo mais fraco e queda
Stress intenso encurtamento da fase de crescimento
Hormonas e hereditariedade miniaturização progressiva dos folículos (alopecia androgenética)
Tração e inflamação lesão do folículo

Porque é útil na prática

Exemplo resolvido · a queda depois de um acontecimento

Uma cliente de 38 anos refere que, há dois meses, o cabelo começou a cair muito no duche e na escova. Pergunta-se-lhe o que mudou nos meses anteriores: teve uma doença com febre alta cerca de três meses antes.

  1. A queda difusa surgiu algum tempo depois da doença: compatível com uma entrada simultânea de muitos folículos na fase telógena.
  2. O profissional não conclui nem promete: regista a cronologia, observa se há zonas sem cabelo, faz o teste de tração (capítulo 10).
  3. Recomenda consulta médica, porque a queda difusa pode ter várias causas.
  4. Tranquiliza, sem prometer: situações deste tipo costumam ser reversíveis quando a causa é tratada, mas só o médico o pode confirmar.

5. Classificação dos tipos de cabelo e suas características

Não existe uma classificação única, e por isso o profissional descreve o cabelo por vários critérios ao mesmo tempo. Dois clientes de cabelo "liso" podem precisar de cuidados completamente diferentes, porque um é fino e oleoso e o outro grosso e seco.

Critério 1 · a forma do fio

A forma depende do folículo e vê-se no cabelo seco, sem produtos de modelar.

Tipo Descrição Características habituais
Liso fio direito, sem ondulação o sebo desce facilmente da raiz às pontas; reflete bem a luz; tende a ficar oleoso na raiz
Ondulado forma ligeira de "S" volume médio; pode ter raiz mais lisa e pontas mais onduladas
Encaracolado caracóis definidos em espiral o sebo tem mais dificuldade em descer, o que torna as pontas mais secas
Crespo (frisado, afro) espirais muito apertadas ou ziguezague mais frágil nas curvas, tendência para secura e quebra, encolhe muito

Um sistema muito usado em salões numera os tipos de 1 a 4 (liso, ondulado, encaracolado, crespo) e usa as letras A, B e C para indicar o grau de curvatura dentro de cada tipo. Serve de linguagem comum com o cliente, mas é uma convenção de uso, não uma norma, e muita gente tem zonas com texturas diferentes na mesma cabeça.

Critério 2 · a espessura do fio

Espessura O que se nota Implicação
Fino quase não se sente entre os dedos frágil, fica sem volume, sobrecarrega-se com produtos pesados
Médio sente-se com clareza comportamento intermédio
Grosso fio robusto, sente-se com nitidez resiste mais, mas custa a receber a cor e a hidratação

Não confundir espessura do fio (diâmetro de cada fio) com densidade (quantidade de fios por área) nem com volume (efeito visual). Alguém pode ter fios finos em grande quantidade.

Critério 3 · a oleosidade da raiz e do couro cabeludo

Tipo Sinais Cuidados gerais
Normal cabelo equilibrado, lava-se com regularidade moderada manutenção suave
Oleoso raiz brilhante e pesada pouco depois da lavagem lavagem regular com produtos suaves, sem esfregar com força
Seco couro cabeludo e fio baços, por vezes repuxados produtos hidratantes e nutritivos, água morna
Misto raiz oleosa e comprimentos secos produtos diferentes para raiz e comprimentos
Sensibilizado irrita-se facilmente produtos suaves, sem perfumes fortes, teste de tolerância

Critério 4 · o estado da fibra

O fio pode estar natural (nunca sofreu tratamentos químicos) ou sensibilizado (colorido, descolorido, alisado, com permanente ou muito exposto ao calor). O estado da fibra decide quase tudo no serviço: um cabelo natural, resistente e pouco poroso reage de modo muito diferente de um cabelo descolorido várias vezes.

Critério 5 · a cor e a presença de brancos

Regista-se a cor natural, a cor atual (se foi alterada) e a proporção de cabelos brancos. A cor natural e a presença de brancos condicionam a escolha da coloração.

Exemplo resolvido · caracterizar um cabelo com cinco critérios

Um cliente tem cabelo que, ao secar naturalmente, forma caracóis definidos, com fios que se sentem pouco entre os dedos, raiz brilhante ao fim de dois dias, pontas secas e uma coloração feita há quatro semanas.

  1. Forma: encaracolado.
  2. Espessura: fino.
  3. Oleosidade: raiz que oleia depressa e pontas secas, ou seja, misto.
  4. Estado da fibra: sensibilizado (coloração recente).
  5. Cor e brancos: registar a cor atual, a cor natural declarada e se há brancos.

Descrição final na ficha: "cabelo encaracolado, fino, misto (raiz oleosa e comprimentos secos), sensibilizado por coloração há quatro semanas". Conclusão prática: hidratação nos comprimentos, produtos leves na raiz, atenção a novos químicos.

6. Causas externas que afetam o cabelo

O cabelo está sempre exposto ao ambiente e aos hábitos de cuidado. As causas externas são todos os fatores vindos de fora que alteram o fio ou o couro cabeludo. Reconhecê-las é metade do diagnóstico, porque muitos problemas desaparecem quando se corrige o hábito.

Clima

Fator Efeito no cabelo Conselho
Calor e sol desidrata, enfraquece, desbota a cor proteger do sol, hidratar
Frio e vento secura, eletricidade estática, emaranhado proteger com gorro limpo e hidratar
Humidade elevada o cabelo absorve água e incha, perde forma produtos anti-frisado, secagem cuidadosa
Ar seco (aquecimento, ar condicionado) secura, estática hidratação, evitar ambientes muito secos
Água do mar sal desidrata e deixa o fio áspero enxaguar com água doce depois da praia
Água de piscina o cloro pode ressequir e alterar tons claros molhar com água doce antes e lavar depois

Exposição aos raios UV

A radiação ultravioleta degrada a melanina e a queratina: o cabelo perde cor (aclara e fica com tons indesejados), brilho e resistência. O couro cabeludo também é pele e pode sofrer queimadura solar, sobretudo em zonas de risca ou onde há pouco cabelo. Recomenda-se usar chapéu e produtos com proteção UV específicos para o cabelo, indicados no rótulo.

Poluição

Partículas, fumos e poeiras depositam-se no fio e no couro cabeludo. O resultado é um cabelo baço, pesado e sem brilho, e um couro cabeludo que pode irritar. A solução é uma lavagem regular e adequada, sem agressividade.

Opções de lavagem

A lavagem é um dos fatores externos mais influentes, em ambos os sentidos.

Hábito Efeito
Água muito quente agride o couro cabeludo, estimula a oleosidade, seca o fio
Champô inadequado ao tipo de cabelo e de couro cabeludo oleosidade, secura ou irritação
Quantidade excessiva de produto, enxaguamento incompleto resíduos, comichão, aspeto pesado
Lavagens demasiado raras acumulação de sebo e de produto
Esfregar com as unhas microlesões, irritação
Não pentear com cuidado, sobretudo molhado quebra e arranca fios
Secar com toalha a esfregar atrito na cutícula

Não existe uma regra única de frequência de lavagem: depende do tipo de cabelo, da oleosidade, do estilo de vida e do estado do couro cabeludo. O profissional pergunta como o cliente lava, em vez de assumir.

Desadequação na utilização dos cosméticos capilares

Um bom produto usado mal pode causar problemas. Exemplos frequentes:

Estas situações resolvem-se com informação: ler o rótulo e a ficha técnica e ajustar a rotina.

Utilização de acessórios

Acessório Risco Prevenção
Elásticos apertados quebra e queda por tração no mesmo sítio usar elásticos suaves, variar o penteado
Ganchos e ganchos metálicos atrito e quebra acessórios sem arestas
Penteados muito apertados (tranças, rabos de cavalo tensos, extensões) alopecia por tração alternar, não manter tensão constante
Escovas e pentes inadequados arranca fios e danifica a cutícula escolher a escova pelo tipo de cabelo
Secador e placas a temperaturas altas desidrata e danifica a cutícula proteção térmica, distância e temperatura moderadas

Produtos químicos

As técnicas químicas alteram a estrutura da fibra capilar.

Técnica Atua em Risco principal
Coloração cutícula e córtex secagem, sensibilização, reação alérgica ao corante
Descoloração dissolve o pigmento no córtex porosidade elevada, fragilidade, quebra
Alisamento e permanente pontes de dissulfeto e outras enfraquecimento, queimadura química do couro cabeludo se mal aplicado
Tratamentos com calor ligações de hidrogénio e superfície desidratação e rotura de cutícula
Combinação de vários serviços soma dos riscos quebra e perda de elasticidade

A combinação de técnicas é o cenário mais perigoso: descolorar um cabelo já alisado, ou alisar um cabelo já descolorido, pode ser desastroso. O diagnóstico deve perguntar sempre o historial de químicos do cliente: que serviços, quando, onde foram feitos, e se houve reação.

Exemplo resolvido · identificar as causas externas

Uma cliente tem cabelo seco e quebradiço nas pontas, baço e com muito frisado. Diz que lava todos os dias com água bem quente, seca com secador no máximo e faz rabo de cavalo muito apertado para o ginásio. Foi à praia há duas semanas.

  1. Água quente: dessecação do couro cabeludo e do fio.
  2. Secador no máximo sem proteção: calor excessivo na cutícula.
  3. Rabo de cavalo apertado: tração, risco de quebra no mesmo ponto.
  4. Praia: sal e UV, desidratação adicional.
  5. Plano de conselhos: água morna, temperatura média no secador com protetor térmico, elástico suave e penteado alternado, hidratação e proteção solar capilar.
  6. Registar os hábitos na ficha, para comparar na próxima visita.

7. Causas internas: o stress e outros fatores do organismo

As causas internas vêm do interior do organismo. O referencial destaca os efeitos do stress no cabelo e no couro cabeludo, mas o profissional deve saber que o cabelo reflete também outras condições gerais de saúde.

Como o stress atua

O stress intenso ou prolongado desencadeia reações hormonais e inflamatórias no corpo. No cabelo, pode:

Efeito Descrição
Eflúvio telógeno muitos folículos passam em simultâneo à fase de repouso e o cabelo cai de forma difusa, algumas semanas ou meses depois do período de stress
Agravamento de condições do couro cabeludo dermatite seborreica, psoríase e prurido tendem a agravar-se em períodos de tensão
Alterações da oleosidade o sebo pode aumentar ou o couro cabeludo tornar-se mais sensível
Hábitos nocivos arrancar ou torcer cabelo de forma repetida (tricotilomania), roer cabelo, descuidar a rotina de cuidados
Agravamento de alopecia areata em algumas pessoas, o stress parece coincidir com o aparecimento ou agravamento (relação sugerida, não demonstrada de forma simples)

Como se manifesta o stress no cabelo

  1. Queda aumentada, difusa, notada no duche, na escova e na almofada.
  2. Cabelo mais fraco e baço, por perda de qualidade da fibra.
  3. Couro cabeludo irritado, com prurido, ardor ou descamação.
  4. Lesões por hábito: fios partidos de comprimentos diferentes na zona da frente, por puxar ou torcer.

Outros fatores internos que o profissional deve conhecer

Fator Exemplo
Alimentação dietas muito restritivas ou carências nutricionais podem enfraquecer o cabelo
Hormonas alterações da tiroide, gravidez, pós-parto, menopausa
Doenças gerais febre alta, doenças crónicas, anemia
Medicamentos alguns tratamentos médicos têm queda de cabelo como efeito
Hereditariedade tendência familiar para perda de cabelo
Idade cabelo mais fino, mais seco e menos pigmentado com o tempo

O profissional não avalia nem corrige nenhum destes fatores; pergunta, regista e encaminha quando a queixa o justifica.

Como conduzir a conversa sobre stress

Falar de saúde e de emoções é delicado. Algumas boas práticas:

Exemplo resolvido · relacionar queixa e causa interna

Um cliente de 45 anos queixa-se de couro cabeludo com muita comichão e escamas, e acrescenta que anda "muito pressionado no trabalho" nos últimos meses. Diz que o problema vem e vai e tem piorado agora.

  1. Observar o couro cabeludo: escamas, vermelhidão, localização.
  2. Registar a queixa (prurido), o historial (problema recorrente) e o contexto (período de stress).
  3. Interpretar com cautela: em raciocínio interno, a oscilação com a tensão é compatível com condições que se agravam com o stress, como a dermatite seborreica ou a caspa. O nome não se diz ao cliente.
  4. Aconselhar: produtos suaves adequados a couro cabeludo sensível; se houver vermelhidão marcada ou lesões, recomendar consulta médica.
  5. Não afirmar que o stress é a causa nem dar à situação um nome de doença, ainda que em tom de hipótese.

8. Aspetos fundamentais a observar no diagnóstico capilar

O referencial lista treze aspetos a observar. Para cada um, o profissional precisa de saber o que é, como se observa e o que significa.

Visão geral

Aspeto O que é Como se observa
Densidade quantidade de fios por zona do couro cabeludo afastar o cabelo em risca e ver quanto couro cabeludo se vê
Cor cor natural e atual, brancos luz natural, comparação com cartela
Textura sensação do cabelo ao toque (fino, macio, áspero) tacto entre os dedos
Hidratação quantidade de água no fio toque, flexibilidade, aspeto baço ou macio
Oleosidade sebo na raiz e no fio aspeto da raiz, sensação de peso, brilho
Brilho reflexão da luz na superfície luz direta, cutícula alinhada ou levantada
Resistência capacidade de aguentar tração sem partir teste de tração e de elasticidade
Diâmetro espessura de cada fio toque; ampliação para comparar fios
Elasticidade capacidade de esticar e voltar ao tamanho teste de elasticidade
pH acidez ou alcalinidade (superfície do fio e produtos) fita de pH em produtos; avaliação indireta no fio
Porosidade capacidade de absorver e reter água e produtos teste de porosidade e toque
Extremidades estado das pontas observação direta e ampliada
Eletricidade estática tendência do cabelo para se eriçar e atrair observação ao pentear

Densidade

A densidade avalia-se separando o cabelo em várias zonas (frontal, topo, laterais, nuca) e vendo quanto couro cabeludo se vê entre os fios. Compara-se entre zonas e com o que o cliente diz ser o habitual. Densidade diminuída em zonas específicas (entradas, coroa, risca alargada) é um sinal a registar e, se for progressiva, a encaminhar. Regista-se por zona: "boa", "média", "diminuída".

Cor

Observa-se a cor da raiz e dos comprimentos e a proporção de brancos. Diferenças entre raiz e pontas indicam cor aplicada, descoloração, ou desgaste pelo sol. Regista-se o que se vê e o que o cliente declara sobre cor natural.

Textura

É a perceção ao tato. Cabelo macio tem cutícula fechada; áspero tem cutícula levantada. Passa-se o fio entre os dedos da raiz até às pontas e no sentido contrário: se há ressalto ou rugosidade, a cutícula está levantada.

Hidratação

Um cabelo bem hidratado é flexível, macio e com brilho natural. Seco, fica quebradiço, áspero e baço. A hidratação depende da água retida no córtex: é por isso que o cabelo ressequido por calor, sol ou químicos quebra mais.

Oleosidade

Resulta do sebo produzido nas glândulas sebáceas. Observa-se pelo brilho e peso da raiz, pela rapidez com que o cabelo "suja" e pela sensação gordurosa. É importante distinguir oleosidade da raiz (sebo) de oleosidade por produtos (acumulação de cosméticos).

Brilho

O brilho vem da cutícula alinhada, que reflete a luz de modo uniforme. Um cabelo com brilho tem cutícula fechada; um cabelo baço tem cutícula levantada ou danificada, ou resíduos à superfície.

Resistência

Mede-se pela capacidade de o fio suportar força de tração sem partir. Cabelo resistente aguenta puxões suaves; cabelo fraco parte. Avalia-se com o teste de tração e o teste de elasticidade (capítulo 10).

Diâmetro

Compara-se o diâmetro de fios de zonas diferentes (raiz, comprimento, pontas). Diferenças marcantes entre fios da mesma zona, fios finos misturados com fios grossos, podem indicar miniaturização folicular, característica da alopecia androgenética, que se vê melhor com ampliação.

Elasticidade

É a capacidade de esticar e voltar ao comprimento inicial. Um fio saudável, molhado, estica de forma apreciável e regressa; um fio danificado estica pouco ou parte, ou estica e não volta.

pH

O cabelo e o couro cabeludo têm um pH ligeiramente ácido. Produtos alcalinos fazem inchar e levantar a cutícula, o que ajuda alguns serviços químicos mas deixa o cabelo mais vulnerável; produtos ácidos fecham a cutícula. Na prática, o profissional lê o pH indicado na ficha técnica dos produtos e pode usar fitas indicadoras de pH nas soluções. O pH do fio avalia-se de modo indireto, pela reação aos produtos e pelo aspeto da cutícula.

Porosidade

É a facilidade com que o fio absorve e retém água e produtos. Depende do estado da cutícula.

Porosidade Cutícula Comportamento
Baixa muito fechada repele a água, demora a molhar, os produtos ficam à superfície
Média normal absorve e retém bem
Alta levantada ou danificada absorve depressa mas perde depressa, fica seco e frisado

Extremidades

Observam-se as pontas: tricoptilose (pontas duplas), fios de comprimentos muito diferentes, pontas finas, secas, ou com nós. Pontas danificadas são sinal de desgaste acumulado e orientam o conselho (corte de manutenção, hidratação).

Eletricidade estática

O cabelo com estática eriça-se e atrai-se. É mais frequente com ar seco, frio, atrito (gorros, camisolas, escovas sintéticas) e com cabelos secos ou sensibilizados. É um sinal indireto de falta de hidratação e de cutícula danificada.

Exemplo resolvido · preencher os aspetos observáveis à primeira vista

Dos treze aspetos, oito vêem-se ou sentem-se logo. Cabelo de uma cliente: poucos fios na zona frontal quando se separa a risca; cor castanha com tons alaranjados nas pontas; áspero ao toque no sentido contrário; baço; raiz sem peso; pontas com muitas bifurcações; estática ao pentear.

  1. Densidade: diminuída na zona frontal (a registar e acompanhar).
  2. Cor: castanha, com alaranjado nas pontas (provável desgaste de cor ou descoloração anterior).
  3. Textura: áspera, cutícula levantada.
  4. Brilho: baixo.
  5. Oleosidade: baixa na raiz.
  6. Extremidades: tricoptilose.
  7. Estática: presente.
  8. Hidratação: baixa, deduzida do conjunto.
  9. Conclusão: cabelo seco e sensibilizado, com cutícula danificada; atenção à densidade frontal.

Ficam a testar os restantes cinco aspetos: a resistência, a elasticidade e a porosidade, com os testes do capítulo 10; o diâmetro, com ampliação; e o pH, que se lê na ficha técnica dos produtos usados.

9. Técnicas de diagnóstico capilar: métodos visuais e tácteis

O diagnóstico combina o que se vê, o que se toca e o que o cliente conta. Antes de qualquer teste ou equipamento, vem a conversa.

As fases do diagnóstico

  1. Acolhimento e conversa (anamnese).
  2. Observação visual do cabelo e do couro cabeludo.
  3. Avaliação táctil do cabelo e do couro cabeludo.
  4. Testes específicos (tração, porosidade, elasticidade).
  5. Observação ampliada e fotografia, se disponíveis.
  6. Interpretação e sinalização de riscos.
  7. Comunicação do resultado e conselho.
  8. Registo na ficha de cliente.

1. A anamnese: a conversa inicial

Anamnese é o conjunto de perguntas que reconstrói o historial do cliente. Perguntas úteis:

Tema Pergunta-tipo
Motivo da visita O que gostaria de melhorar ou preocupa-o no cabelo?
Queixas Tem comichão, ardor, queda, descamação, oleosidade? Desde quando?
Hábitos de lavagem Com que frequência lava? Que produtos usa? Que temperatura?
Serviços anteriores Que químicos fez e quando? Houve reação?
Alergias Tem alergias conhecidas a produtos, corantes, perfumes?
Saúde geral Alguma situação de saúde ou medicação que queira partilhar?
Mudanças recentes Houve alterações importantes nos últimos meses?
Cuidados de casa Que produtos, acessórios e hábitos de secagem usa?

Evita-se a pergunta que sugere a resposta. Escuta-se mais do que se fala, e o cliente decide o que partilha.

2. Observação visual

Observa-se com boa luz, de preferência natural ou luz branca de boa qualidade, sem produtos de styling e com o cabelo seco, depois molhado se necessário. Passos:

  1. Visão de conjunto: forma, volume, cor, brilho, estado das pontas.
  2. Separar o cabelo em zonas e riscas, afastando-o com um pente de cauda ou pinças, para ver o couro cabeludo.
  3. Observar o couro cabeludo: cor, escamas, sebo, lesões, vermelhidão, folículos.
  4. Comparar zonas: frontal, topo, laterais, nuca, coroa.
  5. Observar o aspeto da linha do cabelo, risca, e fios que se partem.

Descreve-se o que se vê, com palavras objetivas: "vermelhidão em placa na zona temporal esquerda, com escamas esbranquiçadas", em vez de "tem psoríase".

3. Avaliação táctil

O tacto fornece informação que o olhar não dá.

Gesto Que informação
Passar o fio entre dedos da raiz às pontas e ao contrário aspereza, cutícula levantada
Sentir uma mecha entre polegar e indicador espessura e quantidade de fios
Esticar suavemente um fio resistência e elasticidade
Pressionar suavemente o couro cabeludo com a ponta dos dedos sensibilidade, calor, zonas dolorosas
Sentir a superfície do couro cabeludo oleosidade, escamas aderentes, relevo

O profissional lava ou desinfeta as mãos antes e depois. Em caso de lesões abertas, não toca sem proteção, e prefere encaminhar.

4. Ferramentas simples de apoio

Protocolo: porque seguir sempre a mesma ordem

Seguir o protocolo do estabelecimento garante que nada se esquece, que dois profissionais diferentes recolhem a mesma informação e que o registo é comparável de visita para visita. Um diagnóstico sem protocolo corre o risco de omitir exatamente o ponto que importava.

Exemplo resolvido · primeira consulta, passo a passo

Um cliente novo, 28 anos, vem pedir "cabelo mais forte". Aplica-se o protocolo.

  1. Acolher e explicar: "Vou fazer algumas perguntas e observar o cabelo e o couro cabeludo, com a sua autorização."
  2. Anamnese: hábitos (lava todos os dias), químicos (uma coloração há seis meses), alergias (nenhuma referida), queixas (pontas secas, queda "normal").
  3. Observação visual: densidade boa, pontas com tricoptilose, couro cabeludo sem lesões.
  4. Avaliação táctil: áspero no sentido contrário, elasticidade a testar.
  5. Testes de tração, porosidade, elasticidade (capítulo 10).
  6. Interpretar: cabelo sensibilizado nas pontas, couro cabeludo saudável.
  7. Comunicar e aconselhar: corte das pontas, hidratação, proteção térmica.
  8. Registar tudo e agendar acompanhamento.

10. Testes específicos: tração, porosidade e elasticidade

Os testes dão resultados objetivos e comparáveis onde a observação sozinha deixa dúvidas. São simples, não invasivos e feitos no salão. Antes de cada teste, explica-se ao cliente o que se vai fazer e pede-se autorização.

Princípios comuns a todos os testes

  1. Mãos limpas e material limpo.
  2. Cabelo sem produtos de styling, para não falsear o resultado.
  3. Mais do que uma zona: raiz, comprimentos e pontas, e zonas diferentes da cabeça.
  4. Mesmo método em todas as visitas, para poder comparar.
  5. Registar o resultado de forma objetiva.
  6. Um teste não diagnostica doença: dá uma indicação que se junta ao resto.

Teste de tração

Para que serve: avaliar a firmeza com que os fios estão presos e a resistência do fio. Há duas leituras: se os fios saem pela raiz (queda) e se os fios partem (fragilidade).

Como se faz (teste de tração do couro cabeludo, ou pull test):

  1. Separar uma pequena mecha numa zona do couro cabeludo (repete-se em várias zonas, por exemplo frontal, topo, laterais e nuca).
  2. Pegar na mecha entre o polegar e o indicador, junto à raiz, sem torcer.
  3. Deslizar os dedos da raiz até às pontas, com tração suave e firme, constante.
  4. Observar e contar quantos fios ficam na mão e como são (com bolbo ou partidos).
  5. Repetir noutras zonas e registar.

Como se interpreta:

Observação Leitura provável Atitude
Nenhum fio ou muito poucos saem tração normal registar
Saem vários fios com bolbo possível queda aumentada (por exemplo, eflúvio) registar a zona, recomendar consulta médica
Saem fios partidos a meio fragilidade da haste, não queda pela raiz cabelo sensibilizado, tratar a fibra
Positivo numa zona só queda localizada registar com precisão, recomendar consulta

A quantidade que é "normal" e a que é "aumentada" depende do protocolo do estabelecimento e da orientação médica. O profissional não dá um número como diagnóstico: usa a regra "poucos fios é esperado; vários fios, sobretudo repetidos em várias zonas, justifica sinalizar".

Cuidados: não se faz tração forte em quem referiu dor, em couro cabeludo com lesões ou inflamado, nem em quem lavou o cabelo muito recentemente de forma a alterar o resultado. Se o cliente fez o penteado muito apertado há pouco, o resultado deve ser interpretado com cautela.

Teste de tração do fio (resistência): isolar um fio, segurá-lo pelas duas extremidades e esticar devagar. É o mesmo gesto do teste de elasticidade, descrito adiante.

Teste de porosidade

Para que serve: perceber se a cutícula está fechada, normal ou levantada, o que decide a escolha de produtos e a segurança de serviços químicos.

Há três métodos habituais, que se complementam.

Método Como se faz O que se vê
Teste de toque (deslizar) segurar um fio ou mecha e deslizar os dedos da ponta para a raiz liso e macio indica cutícula fechada; rugoso ou com ressaltos indica cutícula levantada
Teste da água (absorção) borrifar ou molhar uma mecha limpa e observar a água fica em gotas à superfície e demora a entrar (baixa); absorve depressa (alta)
Teste do copo (flutuação) colocar um fio limpo, sem produtos, num copo de água e observar flutua por muito tempo (baixa); afunda depressa (alta)

O teste do copo é popular, mas menos fiável: depende de resíduos, de produtos e da tensão superficial da água. Usa-se como indicação adicional, nunca como único critério.

Como se interpreta:

Resultado Significado Implicação prática
Porosidade baixa cutícula muito fechada produtos pesados ficam à superfície; usar texturas leves e calor suave para ajudar a penetração
Porosidade média normal resposta previsível
Porosidade alta cutícula danificada absorve depressa e perde depressa; atenção a descolorações e alisamentos; proteger e reparar antes

Importante: a porosidade pode ser diferente na raiz e nas pontas. A raiz, mais recente, costuma estar menos danificada do que as pontas, mais antigas e mais expostas. Testa-se em várias zonas.

Teste de elasticidade

Para que serve: avaliar a capacidade de o fio esticar e regressar ao tamanho inicial, sem partir. É um indicador da saúde do córtex e do equilíbrio hídrico.

Como se faz:

  1. Escolher um fio de uma zona, molhado, de preferência. Repete-se com fio seco, se o protocolo o indicar.
  2. Segurá-lo entre as duas mãos, uma em cada extremidade, com cerca de uma mão de distância.
  3. Esticar devagar, com cuidado, até sentir resistência.
  4. Soltar suavemente e observar se o fio regressa ao comprimento de partida.
  5. Repetir noutras zonas.

Como se interpreta:

Resultado Leitura
Estica de forma apreciável e regressa ao tamanho inicial boa elasticidade, fibra saudável
Estica pouco e parte depressa cabelo seco, frágil, com falta de hidratação e de resistência
Estica e não regressa córtex enfraquecido, danificado por químicos ou calor
Estica demasiado, sente-se esponjoso e mole proteína insuficiente ou dano químico importante

Cuidados: esticar com suavidade, porque o próprio teste pode partir o fio. Usa-se um fio isolado e não uma mecha.

Resumo dos três testes

Teste Mede Resultado "preocupante" Decisão associada
Tração firmeza e resistência vários fios com bolbo, fios partidos registar, encaminhar se queda, tratar a fibra se fios partidos
Porosidade estado da cutícula porosidade alta reparar antes de químicos, proteger
Elasticidade estado do córtex não regressa, parte depressa evitar serviços agressivos, tratamento reconstrutor

Exemplo resolvido · interpretar os três testes juntos

Uma cliente que descolora há anos: o teste de tração mostra dois ou três fios partidos a meio, sem bolbo; no teste do toque, o fio é muito rugoso; a água é absorvida quase de imediato; no teste de elasticidade, o fio molhado estica e não regressa.

  1. Tração: fios partidos, não arrancados pela raiz: problema de fragilidade da haste, não de queda.
  2. Porosidade: alta, com cutícula muito levantada.
  3. Elasticidade: córtex enfraquecido.
  4. Interpretação global: cabelo com dano químico importante, muito sensibilizado.
  5. Risco a sinalizar: nova descoloração ou alisamento pode levar a quebra extensa.
  6. Conselho: pausa nos serviços químicos, tratamento reconstrutor e hidratante, corte de pontas, reavaliação em visitas seguintes.

11. Ferramentas de aumento e fotografia capilar

Há alterações que o olho nu não consegue ver ou só vê com dificuldade: o estado da cutícula, a diferença de diâmetro dos fios, os orifícios dos folículos, as escamas pequenas. É para isso que existem as ferramentas de aumento.

Equipamentos

Equipamento O que é Para que serve
Lupa de mão ou de bancada lente de aumento simples observar pontas, escamas e couro cabeludo de perto
Micro câmara de diagnóstico (microcâmara capilar) câmara pequena com luz e ampliação, ligada a ecrã ou dispositivo ver o couro cabeludo e o fio ampliados e mostrá-los ao cliente
Dermatoscópio aparelho de observação ampliada da pele, com luz própria observar a superfície do couro cabeludo e dos folículos
Microscópio capilar ampliação superior, geralmente para o fio observar a cutícula e a estrutura do fio
Software de análise capilar programa que trabalha as imagens medir, comparar, guardar e acompanhar a evolução

O estudo do couro cabeludo e dos fios com dermatoscópio chama-se, no meio profissional, tricoscopia. O cabeleireiro usa estas ferramentas como apoio à observação, não para dar diagnósticos médicos.

O que se vê com ampliação

O que se observa Normal Sinal a registar
Cutícula do fio escamas fechadas e alinhadas escamas levantadas, partidas ou ausentes
Haste superfície regular e contínua nós, fissuras, estrangulamentos, quebras
Pontas extremidade regular pontas abertas, bifurcadas ou irregulares
Orifícios dos folículos cada abertura com fio ou fios aberturas vazias, fios com diâmetros muito diferentes
Superfície do couro cabeludo pele limpa e uniforme escamas, crostas, vermelhidão, vasos visíveis
Sebo película discreta excesso, obstrução dos orifícios

Como usar as ferramentas de aumento

  1. Limpar e desinfetar o aparelho antes e depois de cada cliente, segundo as instruções do fabricante. Usar protetores descartáveis de ponta quando existirem.
  2. Explicar ao cliente o que se vai fazer e obter autorização.
  3. Calibrar o brilho e o foco, para ver sem reflexos.
  4. Separar o cabelo em zonas e observar em locais pré-definidos (por exemplo, frontal, topo, nuca, laterais).
  5. Não pressionar a ponta contra o couro cabeludo: o contacto deve ser suave, para não magoar nem alterar a cor da pele.
  6. Observar vários fios e várias zonas, não apenas um ponto.
  7. Guardar as imagens com identificação do cliente, zona e data, se houver consentimento.

Fotografia capilar

A fotografia documenta o estado inicial e permite comparar a evolução. Para ser útil, tem de ser repetível.

Boa prática Razão
Consentimento do cliente, informado sobre a finalidade as imagens são dados pessoais e, ligadas à saúde, merecem cuidado acrescido
Mesma luz em cada sessão a luz muda a cor e o aspeto
Mesmo fundo, simples e neutro evita distrações
Mesmas posições: frente, topo, laterais, nuca permite comparar
Mesma distância e mesmo enquadramento tamanho comparável
Cabelo seco, sem produtos de styling, a menos que o objetivo seja outro consistência
Sem filtros nem edições não alterar a realidade
Ficheiro identificado com cliente, data e zona organização
Guardar com segurança, em local de acesso restrito confidencialidade

Sem rosto não quer dizer sem dados pessoais: se o cliente é identificável, as imagens continuam a exigir cuidado.

Exemplo resolvido · documentar uma zona de densidade diminuída

Um cliente tem a risca mais larga. Pretende-se documentar para acompanhar durante meses.

  1. Pedir autorização e explicar a finalidade.
  2. Preparar o cabelo limpo e seco, sem produtos, e fixar o enquadramento (por exemplo, topo, a uma distância definida).
  3. Fotografar a zona na posição padrão e, com a micro câmara, a mesma zona ampliada.
  4. Identificar os ficheiros (cliente, zona, data).
  5. Registar na ficha: "risca com largura aumentada em comparação com o relato do cliente; fios de diâmetros diferentes observados com ampliação".
  6. Repetir nas visitas seguintes, mesma posição, luz e distância.
  7. Recomendar consulta médica, se a diminuição for progressiva.

12. Avaliação tricológica I: as alopecias

A tricologia é o estudo do cabelo e do couro cabeludo. A avaliação tricológica observa, regista e interpreta alterações do couro cabeludo e do cabelo. O profissional de cabeleireiro faz a avaliação de nível básico: reconhece sinais, descreve e encaminha. O diagnóstico médico pertence ao médico.

O que é a alopecia

Alopecia é a diminuição ou ausência de cabelo em zonas onde normalmente existe. Pode ser difusa (por toda a cabeça) ou localizada (em zonas definidas), e reversível ou permanente, consoante o folículo seja preservado ou destruído.

Visão geral dos principais tipos

Tipo Como se apresenta Causa principal Reversível?
Androgenética diminuição progressiva e com padrão típico hereditariedade e hormonas progressiva, sem cura simples
Areata placas redondas ou ovais sem cabelo, de pele normal mecanismo autoimune frequentemente reversível
Cicatricial zonas lisas, com perda definitiva de folículos inflamação que destrói o folículo perda permanente
Por tração recuo na linha do cabelo ou zonas de tensão penteados apertados e extensões reversível no início
Eflúvio telógeno queda difusa stress, doença, parto, dieta, fármacos em regra reversível
Tricotilomania zonas com fios partidos de comprimento irregular arrancar o cabelo de forma repetida depende do acompanhamento

Alopecia androgenética

É a forma mais frequente. Resulta de uma sensibilidade dos folículos a hormonas, de base hereditária. Os folículos vão miniaturizando: o fio torna-se progressivamente mais fino, mais curto e mais claro, até o folículo deixar de produzir fio visível.

Sexo Padrão típico
Homens recuo da linha frontal (entradas), rarefação no topo (coroa)
Mulheres rarefação difusa no topo, com risca alargada, e linha frontal preservada

O que o profissional observa: progressão lenta, diâmetros de fio muito diferentes na mesma zona, risca alargada, mais couro cabeludo visível, antecedentes familiares. O que faz: registar, fotografar, aconselhar cuidados suaves e recomendar consulta médica, e fazê-lo cedo, porque a avaliação precoce é a que dá mais opções ao médico. Ao cliente diz-se que convém uma avaliação médica e que quanto mais cedo, melhor; não se fala de tratamentos, que são do médico.

Alopecia areata

Caracteriza-se por placas redondas ou ovais, bem delimitadas, sem cabelo, com pele de aspeto normal, lisa e sem descamação ou com pouca. É considerada de origem autoimune, ou seja, o sistema imunitário ataca os folículos de forma temporária. Surge em qualquer idade, e pode atingir só uma placa ou várias.

O que o profissional observa: placa lisa, limites nítidos, por vezes fios curtos e finos na orla ("em ponto de exclamação"). O que faz: registar, fotografar, não esfregar nem aplicar produtos irritantes na zona, recomendar consulta e ter sensibilidade para o impacto emocional que a situação pode ter.

Alopecias cicatriciais

Resultam de inflamação que destrói o folículo e o substitui por tecido cicatricial. Por isso a perda é permanente e é importante agir cedo. Sinais de alerta:

O que faz o profissional: sinaliza com urgência relativa e recomenda consulta médica sem demora; não faz serviços químicos nem tração na zona.

Alopecia por tração

Resulta de tensão repetida sobre os folículos: tranças e rabos de cavalo muito apertados, extensões, apliques colados, turbantes. Nota-se por recuo da linha do cabelo nas têmporas e na testa, ou zonas onde o penteado prende, por vezes com pequenos inchaços e vermelhidão à volta dos folículos.

No início, é reversível se a causa for retirada. Se a tração continua durante muito tempo, os folículos podem lesionar-se de modo definitivo. O que faz o profissional: perguntar pelo tipo de penteados, aconselhar a alternar e a reduzir a tensão, evitar técnicas que a aumentem e recomendar consulta se há dor, crostas ou perda persistente.

Eflúvio telógeno

Já referido no capítulo 4. É uma queda difusa e aumentada pela entrada simultânea de muitos folículos em fase de repouso. Os desencadeantes são variados: stress intenso, doença com febre, cirurgia, parto, dietas muito restritivas, alterações hormonais e certos medicamentos. Costuma surgir semanas ou meses depois do desencadeante.

Sinais: queda difusa, cabelo mais ralo no conjunto, sem placas, sem alteração marcada do couro cabeludo, com teste de tração positivo (fios com bolbo claro). O que faz o profissional: registar a cronologia, recomendar consulta para identificar a causa e transmitir que, quando a causa é resolvida, a recuperação é habitual, sem prometer.

Tricotilomania e hábitos

A tricotilomania é o hábito compulsivo de arrancar cabelo. Vê-se zonas com fios partidos de comprimentos diferentes, formas irregulares, por vezes zona frontal ou coroa. É sensível e exige tato. O profissional não acusa nem confronta, regista de modo neutro e, com delicadeza, sugere apoio médico ou psicológico.

Fluxo de decisão perante perda de cabelo

Pergunta Resposta Passo seguinte
A perda é difusa ou em placas? difusa pensar em eflúvio, androgenética; testar tração
em placas pensar em areata, cicatricial, tração, hábito
A pele está normal ou alterada? normal e lisa areata, androgenética
com inflamação, dor, crostas, brilho cicatricial sinalizar urgência, encaminhar
Houve acontecimento recente? sim registar cronologia (eflúvio)
Há penteados apertados? sim pensar em tração
Em todos os casos registar, fotografar, recomendar consulta

Exemplo resolvido · distinguir dois casos de perda de cabelo

Caso A. Mulher, 52 anos, risca cada vez mais larga no topo nos últimos dois anos, mãe com situação semelhante, couro cabeludo sem vermelhidão, fios de diâmetros variados.

Caso B. Homem, 25 anos, placa redonda sem cabelo, de pele lisa e normal, que apareceu em poucas semanas.

  1. Caso A: perda difusa, lenta e progressiva no topo, antecedente familiar, fios de diâmetro variado: o padrão é compatível com alopecia androgenética feminina. Pele normal. O profissional regista, fotografa e recomenda consulta médica.
  2. Caso B: perda localizada em placa, pele de aspeto normal, início rápido: o padrão é compatível com alopecia areata. O profissional regista, fotografa, evita irritar a zona e recomenda consulta.
  3. Em ambos, a hipótese «compatível com» serve só de raciocínio interno, e o passo final é o encaminhamento. Nenhum nome de doença é dito ao cliente nem escrito na ficha.

Atenção ao uso destas hipóteses. A hipótese «compatível com...» é raciocínio interno do profissional, que lhe serve para decidir a urgência do encaminhamento. Nunca é o que se diz ao cliente. Ao cliente diz-se apenas o que se vê e que um médico deve avaliar, por exemplo: «Há um sinal no couro cabeludo que um médico deve ver.» Na ficha regista-se a descrição objetiva, nunca o nome da doença (capítulos 16 e 17).

13. Avaliação tricológica II: outras condições do couro cabeludo e da fibra capilar

Além das alopecias, o referencial manda reconhecer dermatite seborreica, psoríase capilar, eflúvio telógeno, tricoptilose (pontas duplas), caspa e outras condições dermatológicas.

Caspa (pitiríase simples)

O que é: descamação do couro cabeludo em escamas finas e esbranquiçadas, com pouca ou nenhuma vermelhidão. É muito comum e não contagiosa.

Sinais: escamas soltas nos ombros e no cabelo, prurido ligeiro ou ausente, couro cabeludo de aspeto quase normal.

Fatores associados: renovação acelerada da epiderme, secura ou oleosidade, certos microrganismos que vivem normalmente na pele, stress, frio, produtos inadequados.

O que faz o profissional: aconselhar champôs específicos para caspa, lavagem regular e suave, evitar arranhar. Se não melhorar ou houver vermelhidão e crostas, recomendar consulta.

Dermatite seborreica

O que é: inflamação crónica e recorrente das zonas ricas em glândulas sebáceas, como o couro cabeludo, a testa, as sobrancelhas e a zona atrás das orelhas.

Sinais: vermelhidão e escamas amareladas e oleosas, por vezes aderentes, com prurido e, em fases agudas, crostas. Agrava-se com stress, frio e cansaço, e tende a voltar.

Comparação Caspa Dermatite seborreica
Escamas finas, brancas, secas amareladas, oleosas, mais aderentes
Vermelhidão ausente ou ligeira presente
Prurido ligeiro ou ausente frequente
Outras zonas normalmente só o couro cabeludo pode afetar testa, sobrancelhas, atrás das orelhas

O que faz o profissional: reconhecer, descrever, evitar produtos irritantes e fricção, aconselhar produtos suaves e recomendar consulta, porque o tratamento é médico.

Psoríase capilar

O que é: doença crónica da pele, de base imunitária, em que a renovação das células da epiderme é muito acelerada. Não é contagiosa.

Sinais: placas espessas, bem delimitadas, vermelhas, cobertas por escamas esbranquiçadas ou prateadas que se soltam em camadas. Podem passar da linha do cabelo para a testa ou a nuca. Pode haver prurido.

Distinguir da dermatite seborreica: as placas da psoríase são mais espessas e bem delimitadas, com escamas mais secas e prateadas; as da dermatite seborreica são mais oleosas e amareladas. Na prática, a distinção cabe ao médico.

O que faz o profissional: não arrancar escamas, evitar fricção e químicos agressivos nessas zonas, aconselhar suavidade e recomendar consulta. Se o cliente perguntar se «se pega», não se confirma nem se desmente doença nenhuma: diz-se que há quadros de aspeto muito parecido com causas diferentes, umas contagiosas e outras não, e que isso é precisamente o que o médico vai esclarecer. Entretanto, o material usado nesse cliente higieniza-se como em qualquer caso de dúvida.

Tricoptilose (pontas duplas)

O que é: divisão da extremidade do fio, que se abre em duas ou mais pontas, por desgaste da cutícula e do córtex.

Causas: calor, atrito, químicos, falta de hidratação, falta de corte regular.

Sinais: pontas abertas em "Y", com aspeto seco, por vezes com nós. Vê-se melhor com ampliação.

Ponto crucial: o fio aberto não se "cola". Produtos para pontas dão um efeito temporário de proteção, mas a solução definitiva é cortar acima da zona danificada. É um dos conselhos honestos mais importantes que o profissional pode dar.

Outras alterações da haste

Alteração Descrição Causa habitual Atitude
Tricorrexe nodosa pequenos nós ou engrossamentos na haste onde esta parte trauma químico e físico cortar, proteger
Fragilidade geral fios partem a meio químicos, calor, tração tratar a fibra
Acumulação de produto cabelo pesado, baço, couro cabeludo com resíduo produtos em excesso lavagem de limpeza profunda indicada, rotina mais simples
Cabelo seco e baço sem brilho, áspero desidratação hidratação

Outras condições dermatológicas e situações a sinalizar

Situação Sinais gerais Atitude do profissional
Tinha do couro cabeludo (infeção por fungos) zonas com descamação e fios partidos junto ao couro cabeludo, por vezes com inflamação; pode ser contagiosa não realizar o serviço, higienizar material, encaminhar para médico
Pediculose (piolhos) prurido forte, presença de parasitas ou lêndeas (ovos) agarradas ao fio não realizar o serviço, desinfetar o material, informar o cliente de que deve falar com um farmacêutico ou com o médico sobre o tratamento
Foliculite pequenos pontos vermelhos ou com pus à volta dos folículos não esfregar, evitar produtos irritantes, encaminhar
Dermatite de contacto vermelhidão, ardor, prurido após contacto com um produto retirar o produto, enxaguar, registar o produto, encaminhar se persistir
Lesões, feridas, queimaduras pele aberta, crostas, bolhas não aplicar produtos químicos, encaminhar
Alterações de sinais na pele (pintas que mudam, feridas que não cicatrizam) formas e cores irregulares sinalizar com delicadeza e recomendar consulta de dermatologia

Reação a produtos: o teste de sensibilidade

Antes de colorações e de outros produtos que a ficha técnica indique, faz-se o teste de sensibilidade (ou de tolerância) segundo as instruções do fabricante: aplica-se uma pequena quantidade numa zona de pele definida pelo fabricante e aguarda-se o tempo indicado. Se aparecer reação, não se faz o serviço. O resultado regista-se na ficha, com a data. Em cliente com historial de reação, o cuidado é redobrado.

O rótulo das colorações de cabelo traz avisos que se leem antes de começar: podem provocar reações alérgicas graves, pelo que se manda ler e seguir as instruções de utilização; o produto não se destina a menores de 16 anos; não se deve pintar o cabelo com erupção cutânea na face ou com o couro cabeludo sensível, irritado ou danificado, nem depois de uma reação a uma coloração ou a uma tatuagem temporária de «hena negra», e estas tatuagens podem aumentar o risco de alergia. Perante qualquer destes casos, não se faz o serviço. A prova de sensibilidade não substitui estes avisos nem os torna dispensáveis: segue-se sempre o rótulo e a ficha do fabricante.

Quando encaminhar para o médico

Sinal Urgência
Perda súbita e em placas marcar consulta em breve
Perda difusa persistente consulta
Zona lisa, brilhante, com dor ou inflamação consulta sem demora
Feridas, crostas, pus, dor intensa consulta rápida
Suspeita de infeção ou parasitas não realizar o serviço, encaminhar
Reação após produto, com inchaço do rosto ou dificuldade em respirar emergência médica: ligar o 112, o número europeu de emergência

Exemplo resolvido · caspa ou dermatite seborreica?

Dois clientes dizem que "têm caspa".

Cliente 1: escamas brancas, finas e soltas, couro cabeludo sem vermelhidão, prurido ligeiro ocasional, só no couro cabeludo.

Cliente 2: escamas amareladas e oleosas, aderentes, couro cabeludo vermelho, prurido frequente, vermelhidão também atrás das orelhas e nas sobrancelhas.

  1. Cliente 1: sem sinais de alerta, o quadro é, em raciocínio interno, compatível com caspa. O profissional descreve o que vê, aconselha champô específico, lavagem regular e suave, e propõe acompanhamento.
  2. Cliente 2: vermelhidão, escamas oleosas e envolvimento de outras zonas fazem pensar, em raciocínio interno, em dermatite seborreica, o que justifica encaminhar. Ao cliente diz-se: «Há vermelhidão e escamas em várias zonas, e um médico deve ver.» O profissional evita produtos irritantes, aconselha suavidade e recomenda consulta médica.
  3. Em ambos, o profissional descreve e sugere; o diagnóstico definitivo cabe ao médico.

Atenção ao uso destas hipóteses. A hipótese «compatível com...» é raciocínio interno do profissional, que lhe serve para decidir a urgência do encaminhamento. Nunca é o que se diz ao cliente. Ao cliente diz-se apenas o que se vê e que um médico deve avaliar, por exemplo: «Há um sinal no couro cabeludo que um médico deve ver.» Na ficha regista-se a descrição objetiva, nunca o nome da doença (capítulos 16 e 17).

14. Interpretar os resultados e sinalizar riscos

Recolher dados é só metade do trabalho. A outra metade é interpretar o conjunto e transformá-lo numa decisão: avançar, adaptar, adiar ou encaminhar.

Do dado à decisão

  1. Reunir tudo: anamnese, observação, tacto, testes, ampliação, fotografias.
  2. Procurar padrões: o que se repete? o que se contradiz?
  3. Distinguir o que é do cabelo (fibra) e o que é do couro cabeludo (pele).
  4. Identificar os riscos para cada serviço ou produto pretendido.
  5. Decidir: avançar, adaptar, adiar, recusar ou encaminhar.
  6. Comunicar a decisão ao cliente e registar.

Fibra versus pele

Origem do problema Exemplos Quem trata
Fibra capilar (haste) pontas duplas, porosidade alta, fragilidade, baço o profissional, com serviços e produtos cosméticos
Couro cabeludo (cosmético) oleosidade, caspa ligeira, sensibilidade o profissional, com produtos específicos
Couro cabeludo (médico) placas, inflamação, lesões, queda de causa desconhecida, suspeita de infeção o médico; o profissional encaminha

Matriz de risco: que serviço é seguro?

Achado no diagnóstico Coloração Descoloração Alisamento ou permanente Tratamento hidratante
Cabelo natural, saudável, couro cabeludo normal possível possível, com cuidado possível, com cuidado possível
Cabelo muito poroso e frágil com cautela e preparação desaconselhar desaconselhar indicado
Couro cabeludo irritado ou com lesões não fazer não fazer não fazer adiar ou adaptar
Reação anterior a uma coloração ou a outro produto, teste de sensibilidade positivo não fazer não fazer adiar possível, com produto seguro
Suspeita de infeção ou parasitas não fazer não fazer não fazer não fazer
Químicos recentes de outros tipos avaliar compatibilidade, esperar não fazer sem avaliar não fazer sem avaliar possível

A matriz é um guia. O protocolo do estabelecimento e as instruções do fabricante prevalecem, e na dúvida não se faz o serviço e pede-se opinião a quem sabe mais.

Riscos associados à aplicação de técnicas e produtos

Risco Como surge Prevenção
Reação alérgica contacto com corante ou outro produto historial, teste de sensibilidade, luvas
Irritação ou queimadura química produto em pele sensível ou lesionada, tempo excessivo avaliar o couro cabeludo antes, respeitar tempos
Quebra do cabelo químicos em fibra frágil avaliar porosidade e elasticidade, adaptar
Resultado de cor imprevisível produtos anteriores ou cabelo muito poroso perguntar historial, fazer teste de mecha
Agravamento de doença serviço em couro cabeludo inflamado não executar, encaminhar
Contágio material mal desinfetado, infeção ou parasitas higiene rigorosa, recusar o serviço

Teste de mecha

Antes de um serviço químico num cabelo sensibilizado, pode fazer-se um teste de mecha: aplica-se o produto numa pequena mecha escondida e observa-se o resultado final (cor e estado do fio). Evita surpresas e dá segurança ao cliente e ao profissional.

Como escrever uma conclusão de diagnóstico

Uma boa conclusão é curta, objetiva e útil. Modelo:

"Cabelo [forma], [espessura], [oleosidade], sensibilizado por [causa]. Porosidade [nível], elasticidade [nível]. Couro cabeludo [estado]. Riscos: [lista]. Decisão: [serviço adaptado, adiado ou encaminhamento]. Conselho: [rotina e produtos]."

Exemplo resolvido · decidir se uma coloração avança

Uma cliente pede uma coloração. Diagnóstico: cabelo natural com pontas ligeiramente secas; porosidade média; elasticidade boa; couro cabeludo normal; sem alergias; coloração anterior há dez semanas; teste de sensibilidade negativo.

  1. Riscos identificados: pontas secas (risco menor), raiz com crescimento (zona natural).
  2. Matriz: cabelo saudável, couro cabeludo normal, teste negativo: coloração possível.
  3. Adaptação: aplicar na raiz primeiro e nos comprimentos mais tarde, hidratar as pontas, sugerir corte de manutenção.
  4. Comunicar: explicar o plano e o cuidado nas pontas.
  5. Registar: diagnóstico, teste, decisão e produtos usados.

Variante: se o couro cabeludo estivesse com crostas e vermelhidão, a decisão seria não fazer o serviço e recomendar consulta, mesmo com o cliente a insistir.

15. Tratamento capilar: tipos, objetivos, produtos, ingredientes ativos e aplicação

Depois do diagnóstico, o profissional sugere um tratamento capilar. Sugerir não é prescrever: é propor, com fundamento, cuidados cosméticos adequados ao estado do cabelo e do couro cabeludo, dentro das competências da profissão.

Tipos de tratamento e objetivos

Tipo de tratamento Objetivo Indicado para
Limpeza e equilíbrio do couro cabeludo remover sebo, resíduos e escamas, equilibrar o couro cabeludo oleosidade, acumulação de produto, caspa ligeira
Hidratação repor a água na fibra cabelo seco, baço, com estática
Nutrição repor lípidos e dar suavidade e brilho cabelo muito seco, áspero, crespo
Reconstrução reforçar a fibra com proteínas e agentes reparadores cabelo fraco, poroso, com perda de elasticidade
Selagem das pontas e proteção proteger as extremidades e a cutícula pontas secas ou abertas (efeito temporário)
Tratamentos para o couro cabeludo (anticaspa, seborregulador, calmante) tratar aspetos cosméticos do couro cabeludo caspa, oleosidade, sensibilidade
Proteção (térmica, solar) defender do calor e dos UV cabelo exposto a calor e sol

Regra de ouro: diferentes zonas podem precisar de tratamentos diferentes. Um cabelo misto pede produtos de equilíbrio na raiz e hidratação nos comprimentos.

Tipos de produtos

Produto Função Quando
Champô limpar o couro cabeludo e o cabelo todas as lavagens
Champô de limpeza profunda remover acumulação de produtos e resíduos de vez em quando, nunca como rotina diária
Condicionador fechar a cutícula, facilitar o desembaraçar, dar suavidade após o champô, nos comprimentos
Máscara tratamento intensivo de hidratação, nutrição ou reconstrução com periodicidade indicada pelo fabricante
Ampola, sérum, tónico concentrado de ativos, por vezes para o couro cabeludo ciclos de tratamento
Leave-in (sem enxaguar) proteger, desembaraçar, hidratar pós-lavagem
Óleo selar, proteger, dar brilho nas pontas, em pouca quantidade
Protetor térmico defender do calor antes de secador, placas e ferros
Esfoliante de couro cabeludo remover escamas e acumulação à superfície uso moderado, nunca em pele irritada

Ingredientes ativos e funções

O rótulo e a ficha técnica dos produtos indicam os ingredientes. Algumas famílias úteis a conhecer:

Família de ingrediente Função geral Exemplo de uso
Humectantes (por exemplo, glicerina, pantenol) atrair e reter água hidratação
Emolientes e óleos vegetais amaciar e proteger nutrição e brilho
Proteínas hidrolisadas (queratina, trigo, seda, entre outras) reforçar e preencher a fibra reconstrução
Aminoácidos reparar e fortalecer fibra fraca
Agentes condicionadores catiónicos fechar a cutícula, reduzir estática condicionadores
Silicones alisar a superfície e proteger, dando brilho imediato acabamento, protetor térmico
Agentes anticaspa controlar os microrganismos e a descamação champôs anticaspa
Agentes seborreguladores equilibrar o sebo couro cabeludo oleoso
Agentes calmantes (por exemplo, extratos suavizantes, pantenol) reduzir a sensação de irritação couro cabeludo sensível
Filtros UV proteger da radiação produtos de verão

Cuidado: os rótulos usam a nomenclatura internacional de ingredientes. Os produtos cosméticos têm de cumprir as regras europeias e nacionais sobre cosméticos, incluindo a rotulagem, e as alegações de um cosmético têm de ser verdadeiras e não prometer efeitos medicinais. Um cosmético não trata doenças. Para pormenores sobre ingredientes, restrições e obrigações de rotulagem, consulta-se a legislação sobre produtos cosméticos na redação em vigor e a ficha técnica do produto.

Métodos de aplicação

Produto Como aplicar Cuidados
Champô molhar bem, aplicar pouco produto, massajar a polpa dos dedos no couro cabeludo água morna, enxaguar bem
Condicionador dos comprimentos às pontas, evitando a raiz respeitar o tempo, enxaguar
Máscara em cabelo lavado e húmido, nos comprimentos, pentear para distribuir tempo de atuação indicado, não exceder
Tratamento de couro cabeludo em risca, no couro cabeludo, massajando com suavidade só em pele sem lesões
Leave-in e óleo pequena quantidade nas pontas e comprimentos pouco produto, para não pesar
Protetor térmico em cabelo molhado e distribuído, antes do calor temperatura moderada
Esfoliante no couro cabeludo húmido, com suavidade não usar em couro cabeludo irritado

Precauções gerais

  1. Ler o rótulo e a ficha técnica e seguir as instruções do fabricante.
  2. Verificar o couro cabeludo: sem lesões nem irritação antes de aplicar produtos ativos.
  3. Perguntar por alergias e fazer o teste quando indicado.
  4. Usar luvas quando o produto o exigir.
  5. Evitar o contacto com os olhos e as mucosas; se acontecer, enxaguar com água em abundância e, se persistir, procurar ajuda médica.
  6. Não misturar produtos que não estejam previstos para ser misturados.
  7. Respeitar tempos e temperaturas.
  8. Guardar os produtos como indicado e verificar o prazo de validade.
  9. Registar os produtos usados na ficha do cliente.

Como escolher o tratamento a sugerir

  1. Identificar o problema principal (fibra, couro cabeludo, ambos).
  2. Identificar a causa provável (hábitos, químicos, ambiente).
  3. Escolher o tipo de tratamento que responde ao objetivo.
  4. Escolher o produto pelo tipo de cabelo e pelos ativos.
  5. Definir a periodicidade e a rotina de casa.
  6. Combinar a reavaliação.

Exemplo resolvido · propor um plano

Cliente com cabelo longo, fino e sensibilizado por coloração, raiz oleosa e pontas secas, com tricoptilose. Teste de elasticidade: estica pouco. Couro cabeludo sem lesões.

  1. Problemas: raiz oleosa (couro cabeludo), pontas secas e abertas (fibra), elasticidade reduzida (fibra).
  2. Causas prováveis: água muito quente e secagem com calor excessivo; coloração.
  3. Plano em duas frentes:
  4. Raiz: champô de equilíbrio, água morna, não aplicar condicionador na raiz.
  5. Comprimentos: máscara hidratante e reconstrutora com periodicidade combinada, protetor térmico, corte das pontas.
  6. Rotina de casa: lavar com água morna, secar a temperatura média, evitar elásticos apertados.
  7. Reavaliação daqui a algumas semanas, repetindo os testes e as fotografias.
  8. Registar o plano e os produtos.

16. Aconselhar o cliente e comunicar o resultado do diagnóstico

O terceiro critério de desempenho é comunicar de forma clara o resultado do diagnóstico. Um diagnóstico perfeito de que o cliente nada percebe é um diagnóstico perdido.

Princípios da boa comunicação

Princípio Em prática
Clareza frases curtas, palavras simples, termos técnicos só se explicados
Honestidade dizer o que se viu, o que se pode fazer e o que não se pode prometer
Empatia o cabelo é parte da identidade; queda e doenças mexem com a autoestima
Respeito tratar o cliente como parceiro nas decisões
Confidencialidade o que se fala e se vê não sai dali
Utilidade cada conclusão leva a uma recomendação concreta

Estrutura de uma comunicação de resultado

  1. Resumir o que se observou, com linguagem simples.
  2. Explicar o que isso significa para o cabelo e para o serviço.
  3. Indicar os riscos, se existirem, e a decisão (avançar, adaptar, adiar, encaminhar).
  4. Propor o plano de tratamento e a rotina de casa.
  5. Confirmar a compreensão e esclarecer dúvidas.
  6. Combinar o seguimento (próxima visita, reavaliação).

Mostrar para fazer entender

As imagens de ampliação e as fotografias ajudam a mostrar o que se descreve: o cliente vê as pontas abertas, a cutícula levantada, a risca alargada. Mostrar é mais convincente do que dizer, e ajuda o cliente a aceitar um conselho, como adiar uma coloração.

Palavras que ajudam e palavras que complicam

Evitar Usar
"Tem uma doença." "Há um sinal no couro cabeludo que um médico deve ver."
"Isto cura com este champô." "Este champô ajuda a controlar a descamação; se não melhorar, convém ver um médico."
"O seu cabelo está arruinado." "O cabelo está bastante sensibilizado. Há um plano para o recuperar de forma gradual."
"Vai cair tudo." "A queda aumentada tem várias causas; o médico pode descobrir a sua."
"Isso é do stress." "Mudanças importantes podem influenciar o cabelo. Houve alguma recentemente?"
Termos técnicos sem explicação Termo técnico seguido de explicação simples

Dar más notícias e recusar um serviço

Por vezes é preciso dizer "hoje não podemos fazer este serviço". Faz-se com:

  1. Calma e empatia: reconhecer a expectativa do cliente.
  2. Razão clara e curta: o risco para o couro cabeludo ou para o cabelo.
  3. Alternativa concreta: o que se pode fazer agora e quando o serviço poderá ser feito.
  4. Firmeza gentil se o cliente insistir: a segurança não é negociável. Se o cliente insistir, regista-se a recusa e a explicação dada.

Encaminhar para o médico

Quando se recomenda consulta:

Aconselhamento para casa

Dar poucos conselhos, claros e possíveis de cumprir, em vez de uma lista enorme. Exemplo:

  1. Lavar com água morna e champô adequado, massajando o couro cabeludo com a polpa dos dedos.
  2. Aplicar a máscara só nos comprimentos, uma vez por semana ou como indicado.
  3. Usar protetor térmico antes do secador.
  4. Variar o penteado e usar elásticos suaves.
  5. Voltar daqui a algumas semanas para reavaliar.

Gerir expectativas

O cabelo cresce devagar e a recuperação de dano é gradual. É preferível prometer menos e cumprir do que garantir resultados que não dependem do profissional. Em perda de cabelo, esclarece-se que os cuidados cosméticos melhoram o aspeto e o conforto, mas não substituem a avaliação e o tratamento médicos.

Exemplo resolvido · comunicar um diagnóstico com recusa parcial

Uma cliente chega para descolorar. O diagnóstico mostra cabelo com porosidade alta, elasticidade fraca (estica e não regressa) e muitas pontas partidas.

  1. Resumir: "Fizemos alguns testes. O cabelo está muito sensibilizado por tratamentos anteriores."
  2. Mostrar: imagem da câmara com a cutícula levantada e pontas partidas.
  3. Explicar o risco: "Se descolorarmos agora, o cabelo pode partir."
  4. Decisão e alternativa: "Proponho começar por um plano de reconstrução e hidratação durante algumas semanas e voltar a avaliar."
  5. Confirmar: "Faz sentido? Tem alguma dúvida?"
  6. Registar: o diagnóstico, a recusa temporária, o motivo e o plano combinado.

Resposta possível da cliente: "Mas eu queria hoje." O profissional mantém-se cordial: reconhece o desejo, repete a razão, e oferece uma segunda opção segura (por exemplo, um tom que não exija descoloração).

17. Registar a informação na ficha de cliente

O quarto objetivo do referencial é registar a informação recolhida na ficha de cliente. A ficha é a memória do estabelecimento: permite acompanhar a evolução, proteger o cliente e o profissional, e dar continuidade ao serviço mesmo que seja outra pessoa a atender.

Para que serve a ficha

Função Exemplo
Continuidade outro profissional percebe o historial
Segurança alergias e reações anteriores sempre à vista
Evolução comparar antes e depois
Prova demonstra que se avaliou, avisou e acordou
Qualidade permite melhorar o serviço

Estrutura de uma ficha de diagnóstico

Secção Conteúdo
Identificação nome, contacto, data, profissional
Motivo da visita o que o cliente pede ou refere
Anamnese queixas, hábitos, químicos anteriores, alergias, saúde, medicação que o cliente queira partilhar
Observação do couro cabeludo estado, oleosidade, descamação, lesões, sensibilidade
Observação do cabelo forma, espessura, densidade, cor, textura, brilho, pontas
Testes tração, porosidade, elasticidade, resultado de cada
Imagens fotografias e ampliações, com indicação da zona e data
Interpretação e riscos conclusão e riscos sinalizados
Decisão serviço feito, adaptado, adiado, recusado ou encaminhamento
Conselho dado plano, produtos, rotina
Consentimentos autorização para dados e imagens; reação ao teste de sensibilidade
Seguimento data da próxima visita

Regras de um bom registo

  1. Objetivo: descrever o que se viu, não opiniões ("vermelhidão em placa no topo", e não "parece psoríase").
  2. Completo nos campos obrigatórios, com "nada a referir" quando for o caso.
  3. Datado e identificado: data e autoria de cada registo.
  4. Legível e organizado; sem abreviaturas que mais ninguém entenda.
  5. Rigoroso nas unidades e escalas usadas (por exemplo, "densidade diminuída na zona frontal").
  6. Atualizado: cada visita acrescenta, não apaga o que já está.
  7. Sem juízos de valor sobre o cliente.
  8. Registar o que o cliente disse com as suas palavras quando for relevante.
  9. Registar as recusas e os encaminhamentos, com o motivo.

Dados pessoais e confidencialidade

A ficha contém dados pessoais e, por vezes, informação sobre saúde, que merece cuidado acrescido. As regras europeias e nacionais de proteção de dados aplicam-se: recolher só o necessário, informar o cliente da finalidade, obter o consentimento quando necessário, guardar com segurança (armário fechado ou sistema com acesso restrito), não partilhar com quem não deve e respeitar o direito do cliente de consultar e corrigir os seus dados. Para os pormenores, consulta-se a legislação de proteção de dados na redação em vigor e as orientações do estabelecimento.

Exemplo de preenchimento

Campo Registo
Data 12 de outubro
Motivo quer cabelo mais forte e menos pontas secas
Anamnese lava diariamente com água quente; coloração há seis meses; sem alergias referidas; sem queixas no couro cabeludo
Couro cabeludo cor uniforme, sem escamas nem lesões, oleosidade moderada
Cabelo liso, médio, densidade boa; castanho com pontas aclaradas; áspero no sentido contrário
Testes tração: sem fios com bolbo; porosidade: alta nas pontas, média na raiz; elasticidade: regressa parcialmente nas pontas
Imagens fotografias de frente, topo e nuca; ampliação das pontas
Riscos pontas muito porosas: evitar nova descoloração
Decisão corte de manutenção e tratamento hidratante
Conselho água morna, protetor térmico, máscara semanal nos comprimentos
Seguimento reavaliação em quatro a seis semanas

Exemplo resolvido · corrigir um registo mau

Registo mau: "Cliente com o cabelo uma desgraça, deve ter psoríase. Disse-lhe para comprar um champô forte."

  1. Problema 1: juízo de valor ("uma desgraça").
  2. Problema 2: diagnóstico médico dado como certeza ("deve ter psoríase").
  3. Problema 3: conselho vago e sem produto nem fundamento.
  4. Problema 4: faltam datas, zonas, testes, riscos e decisão.
  5. Registo corrigido: "Placas com escamas esbranquiçadas e vermelhidão na zona temporal direita, com cerca de 3 cm, prurido referido. Serviço químico adiado. Recomendada consulta de dermatologia. Aconselhado champô suave sem fricção até avaliação. Cliente informada e de acordo."

18. Segurança e saúde no trabalho, higiene e normas aplicáveis

O referencial pede o conhecimento da regulamentação e normas sobre segurança e saúde do trabalho nos estabelecimentos comerciais de serviços, e a aptidão de aplicar as normas de segurança e saúde no trabalho. Uma atitude de respeito por elas é parte da avaliação.

Enquadramento

Em Portugal, a segurança e saúde no trabalho regem-se por legislação própria, na redação em vigor, que obriga os empregadores a organizar as condições de trabalho de forma a prevenir riscos, e os trabalhadores a cumprir as regras de segurança e a usar os equipamentos que lhes são fornecidos. Os estabelecimentos de serviços de cabeleireiro têm ainda regras específicas de higiene e salubridade. O profissional deve conhecer o regulamento interno do local, os procedimentos de higiene e a informação de segurança dos produtos. Para os diplomas concretos, consulta-se a legislação aplicável na redação em vigor.

Riscos no diagnóstico capilar e como preveni-los

Risco Exemplo Prevenção
Biológico contacto com escamas, parasitas, infeção mãos limpas, material desinfetado, recusar serviço se há suspeita
Químico contacto da pele ou dos olhos com produtos luvas, ventilação, ler as fichas técnicas e de segurança
Alergénico reação a corantes ou perfumes historial, teste de sensibilidade, retirar o produto
Ergonómico posturas forçadas ao observar de perto, ficar muito tempo em pé ajustar a altura da cadeira, alternar posturas, pausas
Elétrico equipamentos como secadores e câmaras verificar cabos e estado, evitar água perto de tomadas
Cortes e picadas pentes de cauda, tesouras arrumar com cuidado, usar com atenção
Escorregamento chão molhado limpar de imediato, sinalizar

Higiene

  1. Lavar as mãos antes e depois de cada cliente.
  2. Limpar e desinfetar pentes, pinças, câmaras, dermatoscópios e superfícies entre clientes, segundo as instruções do fabricante.
  3. Usar capas e toalhas limpas para cada cliente.
  4. Usar protetores descartáveis de ponta nos aparelhos, quando existam.
  5. Separar o material sujo do limpo.
  6. Eliminar resíduos de forma adequada, com atenção a produtos químicos e a material cortante.

Equipamentos de proteção individual e boas práticas

Proteção ambiental

O respeito pelas normas de proteção ambiental inclui usar a quantidade certa de produto, não deitar produtos químicos concentrados de qualquer maneira, separar resíduos e preferir embalagens recicláveis quando possível.

Atitudes profissionais avaliadas

O referencial destaca a responsabilidade pelas ações, a autonomia no âmbito das funções, o sentido de organização, o empenho, a autodisciplina, a conduta ética, a flexibilidade, a persistência e o respeito pelas normas de segurança, proteção ambiental e saúde no trabalho. Em diagnóstico capilar, a conduta ética significa nunca fingir saber o que não se sabe, respeitar a privacidade e encaminhar quando é o caso.

Exemplo resolvido · identificar e prevenir riscos num posto de diagnóstico

Um posto tem cadeira fixa, câmara de ampliação ligada por cabo comprido no chão e produtos de teste sem rótulo legível.

  1. Risco elétrico e de tropeção: cabo no chão. Medida: prender o cabo, afastá-lo da passagem.
  2. Risco químico: produtos sem rótulo. Medida: identificar todos, guardar com etiqueta e consultar a informação de segurança.
  3. Risco ergonómico: cadeira fixa obriga a curvar a coluna. Medida: ajustar altura, usar banco regulável.
  4. Risco biológico: câmara partilhada. Medida: protetores descartáveis e desinfeção entre clientes.
  5. Registar as correções e informar o responsável do estabelecimento.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O diagnóstico capilar é um processo organizado que combina conversa, observação, tacto, testes e ampliação, para decidir o que se pode fazer em segurança e o que se deve aconselhar. Parte do conhecimento da pele e do couro cabeludo (epiderme, derme, hipoderme, anexos) e do fio (cutícula, córtex, medula, queratina e ligações), e dos ciclos de renovação da pele e de crescimento do cabelo (anágena, catágena, telógena). Os cabelos classificam-se por forma, espessura, oleosidade, estado da fibra e cor. As causas externas (clima, UV, poluição, lavagem, cosméticos mal usados, acessórios, químicos) e as internas (stress e outros fatores do organismo) explicam muitas alterações. Observam-se treze aspetos fundamentais, de densidade a eletricidade estática, e executam-se os testes de tração, porosidade e elasticidade, com apoio de ferramentas de aumento e de fotografia repetível. Na avaliação tricológica, o profissional reconhece alopecias (androgenética, areata, cicatricial, por tração, eflúvio telógeno), caspa, dermatite seborreica, psoríase, tricoptilose e outras alterações, mas não diagnostica doenças: descreve, sinaliza e encaminha. A matriz de risco orienta a decisão (avançar, adaptar, adiar, recusar). O tratamento sugerido é cosmético, bem fundamentado e comunicado com clareza, honestidade e empatia. Tudo fica registado na ficha de cliente, de forma objetiva, datada e confidencial, e é feito com higiene, segurança e respeito pelas normas de saúde no trabalho.

Exercícios resolvidos

1. Uma cliente diz que o cabelo "é fino". Que outros critérios deves avaliar para o descrever completamente?

Resolução: Além da espessura, avalia a forma (liso, ondulado, encaracolado ou crespo), a oleosidade, o estado da fibra (natural ou sensibilizado), a cor e brancos, e ainda a densidade, que não é o mesmo que a espessura.

2. Porque é que dizer que um champô "regenera" o cabelo é incorreto?

Resolução: A haste do cabelo é formada por células mortas. Os produtos podem hidratar, proteger e melhorar o aspeto da superfície, mas não regeneram tecido vivo. O que cresce é produzido na raiz, dentro do folículo.

3. Num teste de tração, saem vários fios com bolbo claro numa zona e nenhum nas outras. Como interpretas e que decisão tomas?

Resolução: O resultado é localizado e sugere queda numa zona. Regista-se a zona e a quantidade observada, sem dar diagnóstico, repete-se com suavidade, fotografa-se e recomenda-se consulta médica. Não se promete causa nem solução. O serviço adapta-se, evitando tração e químicos agressivos nessa zona.

4. Um fio molhado estica e não regressa ao tamanho inicial. O que sugere e que serviço desaconselhas?

Resolução: Sugere córtex enfraquecido, com perda de elasticidade. Desaconselha-se descoloração e alisamento até haver tratamento reconstrutor e nova avaliação.

5. Explica a diferença entre porosidade baixa e alta e uma consequência prática de cada.

Resolução: Porosidade baixa: cutícula muito fechada, a água e os produtos entram com dificuldade e ficam à superfície; usam-se texturas leves. Porosidade alta: cutícula levantada ou danificada, absorve depressa e perde depressa, fica seco e frisado; antes de químicos, repara-se e protege-se.

6. Descreve duas diferenças entre caspa e dermatite seborreica.

Resolução: Na caspa as escamas são finas, brancas e secas, sem vermelhidão marcada; na dermatite seborreica são amareladas e oleosas, há vermelhidão, prurido mais frequente e pode haver envolvimento de outras zonas (testa, sobrancelhas, atrás das orelhas).

7. Um cliente tem uma placa redonda sem cabelo, de pele lisa e normal, com início em poucas semanas. Que frase usas e que decisão tomas?

Resolução: Descreve-se e encaminha-se: "Reparei numa zona sem cabelo que deve ser vista por um médico." Em raciocínio interno, o quadro é compatível com alopecia areata, mas o nome da doença não se diz ao cliente nem se escreve na ficha. Regista-se a localização, as dimensões e a data, fotografa-se com autorização, evita-se irritar a zona e recomenda-se consulta de dermatologia.

8. Porque é que fotografar o couro cabeludo exige consentimento e método repetível?

Resolução: As imagens são dados pessoais, e ligadas à saúde merecem cuidado acrescido: é preciso informar a finalidade e obter autorização. O método repetível (mesma luz, fundo, posições e distância) permite comparar a evolução de forma fiável.

9. Uma cliente com couro cabeludo vermelho e com crostas insiste numa coloração. O que fazes?

Resolução: Não se faz o serviço. Explica-se com calma e empatia que o couro cabeludo está irritado e que um produto químico pode agravar, propõe-se uma alternativa segura, recomenda-se consulta médica e regista-se a recusa, o motivo e a explicação dada.

10. Corrige este registo: "Cabelo horrível, deve ser da tiroide."

Resolução: Há um juízo de valor e uma conclusão médica sem fundamento. Um registo correto descreve factos: "Cabelo fino, seco, com pontas abertas e queda difusa referida desde há três meses. Recomendada consulta médica para avaliação da queda."

11. Indica três riscos de um posto de diagnóstico mal organizado e uma medida para cada.

Resolução: (1) Biológico, câmara partilhada sem desinfeção: protetores descartáveis e desinfeção entre clientes. (2) Químico, produtos sem rótulo: identificar e guardar com etiqueta. (3) Elétrico e de tropeção, cabo no chão: prender o cabo e afastá-lo da passagem.

12. Uma cliente com cabelo misto (raiz oleosa, pontas secas) pede "um tratamento para o cabelo todo". Que plano propões?

Resolução: Dois tratamentos na mesma cabeça: na raiz, champô de equilíbrio e água morna, sem condicionador; nos comprimentos e pontas, máscara hidratante ou nutritiva com a periodicidade indicada, protetor térmico e, se houver tricoptilose, corte. Reavalia-se em algumas semanas.