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UC · Unidade de Competência · UC00202

Sebenta · Atuar no caso de emergência a bordo (UC00202)

Higiene, saúde e socorrismo naval, da segurança à reanimação
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Militar Naval ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

A bordo de uma unidade naval, o socorro profissional pode estar a horas ou dias de distância. Quem está no local é quem socorre. Esta unidade curricular prepara o Técnico/a Militar Naval para os dois objetivos centrais do referencial: atuar com segurança em caso de acidente a bordo e aplicar os primeiros socorros básicos a bordo.

O percurso desta sebenta segue a lógica do próprio socorro: primeiro a prevenção (higiene, saúde, ergonomia), depois o conhecimento do corpo e do material disponível, depois o método de avaliação de uma vítima e, por fim, a resposta técnica a cada tipo de emergência, da obstrução da via aérea ao acidente vascular cerebral. Em contexto naval, unidades navais, organismos da Marinha e estados-maiores de comando de forças conjuntas ou combinadas são os cenários reais onde este conhecimento se aplica.

Objetivos de aprendizagem (referencial): atuar com segurança em caso de acidente a bordo; aplicar os primeiros socorros básicos a bordo, com domínio de higiene, anatomia, exame inicial à vítima e das técnicas específicas de socorrismo previstas no referencial.

1. O socorrista a bordo: segurança, EPI e protocolo

Antes de qualquer técnica de socorrismo, há uma regra que nunca se salta: proteger, alertar, socorrer.

  1. Proteger: identificar e eliminar ou isolar o risco presente, elétrico, mecânico, químico, de queda ao mar, antes de qualquer aproximação à vítima.
  2. Alertar: comunicar de imediato à cadeia de comando, segundo o protocolo organizacional do navio, indicando o que aconteceu, onde e o estado aparente da vítima.
  3. Socorrer: só depois de protegido o ambiente e alertada a cadeia de comando, o socorrista se aproxima e atua.

O socorrista naval não substitui o médico: a sua função é estabilizar a vítima e prevenir o agravamento até à chegada de apoio diferenciado ou à evacuação médica.

Tornar-se uma segunda vítima é o pior desfecho possível de um socorro. Um socorrista ferido deixa de poder ajudar e passa a exigir ajuda.

Equipamento de proteção individual (EPI)

O EPI adequado depende do risco presente: luvas em contacto com sangue ou fluidos, proteção respiratória em espaços com fumos ou vapores, capacete e colete em situações de instabilidade do navio. Vestir o EPI correto antes de entrar em ação é parte da sequência "proteger".

Critérios de desempenho a que este capítulo responde

Exemplo resolvido · Fogo na casa das máquinas

Um militar deteta fumo na casa das máquinas. Antes de tudo, fecha a porta para conter o fumo (proteger), aciona o alarme e comunica à ponte pela via de comunicação prevista (alertar) e só depois, se treinado e em segurança, tenta o combate ao incêndio ou aguarda a equipa própria (socorrer). Em nenhum momento entra sozinho num espaço tomado por fumo sem proteção respiratória.

2. Higiene e saúde a bordo

A vida em espaço confinado, sem possibilidade de sair, multiplica o impacto de qualquer falha de higiene: o que em terra seria um incómodo pessoal, a bordo pode incapacitar parte da guarnição.

Os quatro pilares da higiene pessoal

Higiene Foco Risco se descurada
Individual asseio pessoal, mãos, dentes, pele infeções cutâneas e cruzadas
Alimentar conservação, confeção e validade dos alimentos toxinfeções alimentares coletivas
Sexual prevenção de infeções sexualmente transmissíveis doenças transmissíveis, incapacidade prolongada
Mental gestão do isolamento, stress, convivência prolongada esgotamento, conflitos, quebra de desempenho

Higiene a bordo: as quatro operações do navio

Um surto de gastroenterite em navio, muitas vezes rastreável a água ou alimentos mal conservados, pode reduzir a operacionalidade da guarnição em poucas horas. É por isso que a higiene alimentar tem o mesmo peso técnico que qualquer outra medida de segurança operacional.

Aprontamento sanitário e ergonomia

O aprontamento sanitário inclui a vacinação da guarnição antes de missões, ajustada aos riscos sanitários da zona de operação prevista. A ergonomia trata da adaptação dos postos de trabalho, ferramentas e posturas ao corpo humano, prevenindo lesões músculo-esqueléticas associadas a esforços repetidos e más posturas, comuns em ambiente naval.

3. Anatomia, fisiologia e material clínico

Socorrer bem exige conhecer, ainda que de forma funcional e não académica, a estrutura e o funcionamento do corpo humano.

Os quatro sistemas que orientam o socorro

Sistema O que avaliar Emergências associadas
Respiratório vias aéreas, ritmo e profundidade da respiração obstrução, afogamento
Circulatório pulso, cor e temperatura da pele choque, hemorragia, enfarte
Nervoso estado de consciência, reflexos epilepsia, AVC, lipotimia
Músculo-esquelético mobilidade, deformidade, dor entorses, luxações, fraturas

Cada capítulo seguinte desta sebenta liga-se a um ou mais destes sistemas: reconhecer rapidamente "que sistema falhou" acelera o diagnóstico e a escolha da técnica correta.

Material clínico a bordo

O posto de socorro do navio dispõe tipicamente de:

Farmacologia básica

Conhecer as classes de medicamentos disponíveis a bordo, as suas indicações, contraindicações e vias de administração, permite ao socorrista apoiar a equipa clínica sem ultrapassar o protocolo autorizado. A administração de qualquer fármaco fora do protocolo, ou sem confirmar alergias conhecidas, é sempre um risco acrescido, nunca um atalho.

4. Exame inicial à vítima e tipologia do socorro

Antes de qualquer intervenção, o socorrista avalia sistematicamente a vítima, na mesma ordem, sempre.

Os quatro passos do exame inicial

  1. Estado de consciência: a vítima responde a estímulos verbais? E a estímulos dolorosos?
  2. Sinais vitais: respiração (presente, ausente, ruidosa), pulso (presente, rápido, fraco), temperatura e cor da pele.
  3. Sinais e sintomas: sinal é o que se observa (uma ferida, uma cor anormal), sintoma é o que a vítima relata (dor, tontura).
  4. Interrogatório à vítima e ao mirone: o que aconteceu, há quanto tempo, doenças prévias conhecidas, medicação habitual, testemunhas presentes.

O interrogatório ao mirone (quem presenciou o acidente sem ser vítima) poupa tempo precioso: pode revelar mecanismos do acidente que a própria vítima não consegue descrever.

Tipologia do socorro: imediato e urgente

Tipo Característica Exemplo
Imediato risco de vida iminente, atua-se já paragem cardiorrespiratória, hemorragia grave, obstrução total
Urgente necessita de atenção rápida, mas não é instantânea fratura fechada, queimadura ligeira, entorse

Exemplo resolvido · Classificar duas vítimas em simultâneo

Num acidente com dois feridos, um está consciente com uma fratura no braço e dor intensa, outro está inconsciente e sem respiração normal. Aplicando a tipologia: a vítima inconsciente sem respiração é socorro imediato (risco de vida), a vítima com fratura é socorro urgente (dor e incapacidade, sem risco de vida imediato). O socorrista atua primeiro, e sem hesitação, sobre a vítima em risco de vida.

5. Estado de choque

O estado de choque é a incapacidade do sistema circulatório em manter um fluxo sanguíneo suficiente aos órgãos vitais, é uma emergência silenciosa que se agrava rapidamente se não for reconhecida cedo.

Causas mais comuns a bordo

Hemorragia grave, queimaduras extensas, reações alérgicas graves, desidratação, dor intensa e problemas cardíacos são as causas mais frequentes em contexto naval.

Sinais e sintomas

Pele pálida, fria e húmida; pulso rápido e fraco; respiração acelerada; ansiedade ou confusão progressiva; sede intensa.

Primeiros socorros

  1. Deitar a vítima.
  2. Elevar as pernas, salvo suspeita de fratura nos membros inferiores ou na coluna.
  3. Manter o calor corporal, sem sobreaquecer.
  4. Tranquilizar a vítima e manter a calma à sua volta.
  5. Não dar de beber nem de comer.
  6. Alertar de imediato e acompanhar a vítima continuamente até à evacuação.

Uma hemorragia interna após uma queda pode evoluir para choque sem que se veja uma gota de sangue no exterior. Os sinais de choque, e não a visibilidade da lesão, é que orientam a atuação.

6. Obstrução da via aérea e hemorragias

Obstrução da via aérea

A obstrução pode ser parcial, quando a vítima ainda tosse ou emite sons, ou total, quando não fala, não tosse e leva as mãos à garganta, com cianose progressiva.

Na obstrução parcial com tosse eficaz, a atuação correta é incentivar a vítima a tossir, sem interferir. Na obstrução total num adulto consciente:

  1. Cinco pancadas interescapulares firmes, entre as omoplatas.
  2. Se não desobstruir, cinco compressões abdominais (manobra de Heimlich): mãos entrelaçadas acima do umbigo, compressão brusca para dentro e para cima.
  3. Alternar as duas técnicas até desobstruir, ou até a vítima ficar inconsciente, situação em que se inicia reanimação.

Hemorragias: definição, classificação e primeiros socorros

Hemorragia é a perda de sangue de um vaso lesionado, para o exterior ou para o interior do corpo.

Classificação Critério
Externa sangue visível, sai para o exterior do corpo
Interna sangue não visível, acumula-se em cavidades internas
Arterial sangue vivo, jorra em jato, ritmado pelo pulso
Venosa sangue escuro, sai em fluxo contínuo

Na hemorragia externa: pressão direta e contínua sobre o ferimento com compressa, elevar o membro afetado se possível, manter a pressão até parar de sangrar, aplicar ligadura compressiva, alertar sempre que for abundante. Na hemorragia interna suspeita, atua-se como em estado de choque e alerta-se de imediato, sem nada visível para estancar.

Exemplo resolvido · Ferimento profundo no antebraço

Um militar corta-se profundamente num antebraço numa operação de manobra. O socorrista aplica compressa e pressão direta contínua, eleva o braço acima do nível do coração, e só recorre a ligadura compressiva quando a pressão manual não é suficiente. O torniquete fica reservado para hemorragias maciças que não param com estas medidas.

7. Intoxicações e choque cardiogénico

Intoxicações

A bordo há risco de intoxicação por combustíveis, gases, produtos de limpeza, tintas e alimentos, classificáveis por via de entrada (respiratória, digestiva, cutânea) e por tipo de agente (químico, alimentar, medicamentoso).

A prevenção passa por EPI adequado, ventilação de espaços fechados e armazenamento correto e rotulado dos produtos. A suspeita nasce do cruzamento entre os sinais (náuseas, tonturas, dificuldade respiratória, alteração da consciência) e o ambiente em que a vítima estava. A recolha de informação sobre o agente, a quantidade e o tempo de exposição, guardando embalagem ou rótulo se possível, é tão importante quanto o próprio socorro imediato.

Entrar num espaço confinado sem ventilar nem usar EPI para socorrer alguém intoxicado cria uma segunda vítima. Ventilar e proteger vêm sempre primeiro.

Choque cardiogénico: ataque cardíaco, angina e EAM

O choque cardiogénico resulta da incapacidade do coração em bombear sangue suficiente.

Sinais comuns: dor ou aperto no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula ou costas; falta de ar; suores frios; náuseas; ansiedade. Primeiros socorros: sentar a vítima numa posição confortável, tranquilizar, aliviar roupa apertada, alertar de imediato, e preparar para reanimação se evoluir para paragem cardiorrespiratória.

8. Afogamento, reanimação e socorro secundário

Vítima de afogamento

No afogamento, a prioridade é a via aérea e a ventilação. Retira-se a vítima da água em segurança, verifica-se a via aérea e iniciam-se insuflações mesmo antes de confirmar totalmente a ausência de pulso, porque a causa principal é o défice de oxigénio, não uma falha cardíaca primária. Mesmo que recupere a consciência, a vítima deve ser vigiada, o afogamento pode agravar-se horas depois.

Métodos de reanimação

Suporte básico de vida numa vítima sem resposta e sem respiração normal:

  1. Alertar e pedir o DAE.
  2. Iniciar compressões cardíacas: no centro do peito, entre 100 e 120 por minuto, profundidade de 5 a 6 cm.
  3. Alternar 30 compressões com 2 insuflações, se treinado para tal.
  4. Usar o DAE assim que disponível, seguindo as instruções de voz do aparelho.
  5. Se a vítima recuperar respiração normal mas continuar inconsciente, colocar em posição lateral de segurança (PLS).

Socorro secundário

O socorro secundário é a reavaliação contínua da vítima após a estabilização inicial, sinais vitais, nível de consciência e evolução do quadro, até à chegada de apoio diferenciado ou à evacuação médica.

Exemplo resolvido · Suporte básico de vida no manequim de treino

Durante um treino com manequim: o formando confirma ausência de resposta e de respiração normal, aciona o alerta e pede o DAE, inicia 30 compressões a um ritmo aproximado de 110 por minuto com 5 cm de profundidade, alterna com 2 insuflações usando a máscara de bolso, e liga o DAE assim que chega, seguindo as instruções de voz sem parar as compressões mais tempo do que o indicado pelo aparelho.

9. Feridas e queimaduras

Feridas: classificação, limpeza e tratamento

Uma ferida é uma rutura da continuidade da pele ou de uma mucosa.

Classificação Descrição
Incisa corte limpo, bordos regulares
Contusa por impacto, bordos irregulares
Perfurante por objeto pontiagudo, orifício estreito e profundo
Lacerante rasgada, bordos muito irregulares

Tratamento: lavar as mãos ou usar luvas, limpar do centro para a periferia com soro ou água e sabão, desinfetar, cobrir com compressa e ligar. Vigiar reações adversas (vermelhidão crescente, calor, pus, febre) e ter atenção a contraindicações de certos produtos em peles sensíveis ou alérgicas.

Queimaduras: agentes, classificação e gravidade

As queimaduras classificam-se por agente (térmico, elétrico, químico, radiação) e por profundidade:

Grau Profundidade Aspeto
1º grau epiderme vermelhidão, dor, sem bolhas
2º grau derme bolhas, dor intensa
3º grau todas as camadas pele esbranquiçada ou carbonizada, pode não doer

A gravidade depende ainda da extensão (percentagem de superfície corporal) e da localização (face, mãos, articulações e genitais são sempre mais graves). Primeiros socorros: arrefecer com água corrente tépida durante 10 a 20 minutos, retirar anéis e roupa não aderente, cobrir com compressa limpa, não rebentar bolhas, não aplicar gelo, pasta de dentes ou manteiga.

Uma queimadura de 3º grau pode doer menos do que uma de 2º grau, porque destrói as terminações nervosas da zona afetada. A ausência de dor não significa menor gravidade, pelo contrário.

10. Distúrbios térmicos e lesões musculoesqueléticas

Distúrbios térmicos

Distúrbio Causa Sinais
Insolação exposição solar direta prolongada dor de cabeça, pele vermelha, tonturas
Golpe de calor esforço em ambiente muito quente temperatura corporal muito elevada, confusão, pele seca e quente
Hipotermia exposição ao frio, água fria tremores, confusão, lentidão, pele fria e pálida

No calor, deslocar para local fresco, hidratar e arrefecer a pele; o golpe de calor é sempre uma emergência, alertar de imediato. Na hipotermia, retirar roupa molhada, aquecer progressivamente com cobertores e lençol térmico, evitando sempre o aquecimento brusco, que pode causar arritmias.

Lesões das articulações, músculos e ossos

Lesão Definição
Entorse distensão ou rutura de ligamentos numa articulação
Luxação deslocação de um osso da sua posição articular normal
Cãibra contração muscular involuntária e dolorosa
Distensão estiramento excessivo de um músculo
Fratura rutura total ou parcial de um osso

Primeiros socorros comuns: imobilizar a zona afetada, com talas se necessário, aplicar frio local nas primeiras horas em entorses e distensões, nunca tentar reduzir uma luxação ou fratura, e alertar sempre que haja deformidade, dor intensa ou incapacidade funcional.

11. Epilepsia, lipotimia, síncope, desequilíbrios metabólicos e AVC

Epilepsia

Na crise tónico-clónica: proteger a cabeça, afastar objetos que possam magoar, não imobilizar os movimentos, não colocar nada na boca, cronometrar a duração, colocar em PLS após a crise. Alertar sempre, sobretudo se for a primeira crise, se durar mais de 5 minutos, ou se houver ferimento associado.

Lipotimia e síncope

Lipotimia: sensação iminente de desmaio, com tonturas, palidez e suores, sem perda total de consciência. Síncope: perda breve e súbita de consciência, por diminuição momentânea do fluxo sanguíneo ao cérebro.

Desequilíbrios endócrinos e metabólicos

Hiperglicemia e hipoglicemia são desequilíbrios do açúcar no sangue, avaliáveis com a máquina de teste de glicémia. A hipoglicemia (confusão, suores frios, tremores) trata-se com açúcar de absorção rápida se a vítima estiver consciente. A hiperglicemia exige avaliação e apoio diferenciado.

Acidente vascular cerebral (AVC)

Interrupção do fluxo sanguíneo a uma zona do cérebro, com sinais súbitos como assimetria facial, fraqueza num braço e dificuldade a falar. É sempre uma emergência de alerta imediato: o tempo até ao tratamento diferenciado determina diretamente a recuperação da vítima.

Erros comuns

Glossário

Síntese

A atuação em caso de emergência a bordo segue sempre a mesma lógica: proteger, alertar, socorrer; fazer o exame inicial à vítima (consciência, sinais vitais, interrogatório); classificar o tipo de socorro (imediato ou urgente); aplicar a técnica específica correta, de acordo com o problema identificado, choque, obstrução, hemorragia, intoxicação, cardíaco, afogamento, ferida, queimadura, distúrbio térmico, lesão musculoesquelética, neurológico ou metabólico; e manter o socorro secundário, reavaliando continuamente até à chegada de apoio diferenciado. Esta sequência assenta em conhecimento de higiene e saúde a bordo, de anatomia e fisiologia, e do material clínico disponível, e é sustentada por atitudes de responsabilidade, autocontrolo, assertividade na comunicação e respeito pelas normas e procedimentos instituídos.

Exercícios resolvidos

1. Um militar encontra outro caído junto a um painel elétrico com sinais de faísca. Qual é o primeiro gesto?

Resolução: desligar ou isolar a corrente elétrica antes de qualquer aproximação, protegendo o ambiente. Só depois de eliminado o risco elétrico é que se alerta e se socorre a vítima. Aproximar-se sem cortar a corrente arrisca transformar o socorrista numa segunda vítima.

2. Uma vítima está consciente, com tosse forte, depois de engasgar-se à refeição. Que atuação é correta?

Resolução: trata-se de uma obstrução parcial com tosse eficaz. A atuação correta é incentivar a vítima a continuar a tossir e não interferir com pancadas ou compressões, que só se aplicam na obstrução total.

3. Uma vítima apresenta pele pálida, fria e húmida, pulso rápido e fraco, após uma queda sem ferimento visível. O que suspeitar e o que fazer?

Resolução: suspeitar de estado de choque, possivelmente por hemorragia interna não visível. Deitar a vítima, elevar as pernas (salvo suspeita de fratura), manter o calor corporal, não dar de beber, alertar de imediato e acompanhar continuamente.

4. Que sinais distinguem uma crise de epilepsia tónico-clónica de uma simples lipotimia?

Resolução: a crise tónico-clónica tem perda de consciência com rigidez seguida de movimentos convulsivos; a lipotimia é apenas uma sensação iminente de desmaio, com tonturas e palidez, sem perda total de consciência nem convulsões.

5. Um colega diz que se deve rebentar as bolhas numa queimadura de 2º grau para "aliviar a pressão". Como respondes?

Resolução: não se deve rebentar as bolhas: elas protegem a pele lesada de infeção. O procedimento correto é arrefecer com água corrente tépida durante 10 a 20 minutos, cobrir com compressa limpa e alertar se a queimadura for extensa, profunda ou em zona crítica.

6. Que três sinais rápidos ajudam a reconhecer um AVC e porque é urgente alertar de imediato?

Resolução: assimetria facial, fraqueza num braço e dificuldade a falar. É urgente porque o tempo até ao tratamento diferenciado determina diretamente a extensão da lesão cerebral e a recuperação da vítima, um AVC é sempre socorro imediato.